EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL ENERGIA ELÉTRICA: CONCEITOS, QUALIDADE E TARIFAÇÃO CORREIAS TRANSPORTADORAS Eng. Fábio José Horta Nogueira Eng.Jamil Haddad ELETROBRÁS – Centrais Elétricas Brasileiras S.A. www.eletrobras.com PROCEL – Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica www.eletrobras.com/procel [email protected] EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL Energia Elétrica:conceitos, qualidade e tarifação Ligação gratuita 0800 560 506 PROCEL INDÚSTRIA – EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL www.eletrobras.com/procel [email protected] Ligação gratuita 0800 560 506 II Trabalho elaborado no âmbito do PROCEL INDÚSTRIA Energia Elétrica: Conceitos, Qualidade e Tarifação – Rio de Janeiro, dezembro/2004 1. Jamil Haddad TODOS OS DIREITOS RESERVADOS – é proibida a reprodução total ou parcial de qualquer forma ou por qualquer meio. A violação dos direitos de autor (Lei nº 9.610/98) é crime estabelecido pelo artigo 184 do Código Penal. SUMÁRIO 1 CONCEITOS BÁSICOS DE ENERGIA ELÉTRICA 1 1 1.1.2 Histórico 3 1.1.3 Formas de energia 5 1.1.4 A energia elétrica 8 1.2 Eletricidade Básica 10 1.2.1 O circuito elétrico 10 1.2.2 Grandezas elétricas básicas 12 1.2.2.1 Carga 12 1.2.2.2 Corrente 12 1.2.2.3 Tensão 13 1.2.2.4 Potência 16 1.2.3 Conceitos básicos sobre corrente alternada 17 1.2.3.1 Vantagens no uso 17 1.2.3.2 Freqüência e período 18 1.2.3.3 Valor de pico e valor eficaz 20 1.2.3.4 Potência 21 1.3 Grafia e Emprego de Números e Símbolos 23 1.3.1 O sistema internacional de medidas 23 1.3.2 Valor numérico das grandezas 24 1.3.3 Unidades utilizadas no setor elétrico 24 1.3.4 Prefixos decimais (múltiplos e submúltiplos) 26 1.3.5 Regras para unidades 28 2 FATOR DE POTÊNCIA 31 2.1 Conceitos Básicos 31 2.2 Legislação 35 2.3 Causas de um Baixo Fator de Potência 37 2.4 Consequências de um Baixo Fator de Potência 39 2.4.1 Perdas 39 2.4.2 Quedas de tensão 39 III EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL 1.1.1 O conceito de energia Energia Elétrica: conceitos, qualidade e tarifação 1 1.1 Energia Energia Elétrica:conceitos, qualidade e tarifação EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL 2.4.3 Superdimensionamento da capacidade instalada 39 2.4.4 Conclusão 40 2.5 Correção do Fator de Potência 41 2.5.1 Introdução 41 2.5.2 Vantagens 41 2.5.2.1 Melhoria da tensão 41 2.5.2.2 Redução das perdas 42 2.5.2.3 Vantagens do consumidor 42 2.5.2.4 Vantagens da concessionária 43 2.5.3 Localização dos bancos de capacitores 43 2.5.3.1 Correção na entrada de energia de AT 43 2.5.3.2 Correção na entrada de energia BT 44 2.5.3.3 Correção por grupos de cargas 44 2.5.3.4 Correção localizada 44 2.5.3.5 Correção mista 44 2.5.4 Utilização de capacitores em circuitos com harmônicos 45 2.5.5 Recomendações técnicas para instalação 46 2.5.5.1 Local da instalação 46 2.5.5.2 Recomendações para 47 dimensionamento e instalação IV 2.5.5.3 Recomendações para instalação dos 48 cabos de comando 2.5.5.4 Cuidados com a instalação localizada 48 2.5.5.5 Fatores que podem causar sobretensão 48 2.5.6 Recomendações Técnicas Para Manutenção Preventiva 2.6 Tabelas e Exemplos 3 49 49 2.6.1 Tabelas 49 2.6.2 Exemplos 51 2.6.2.1 Primeiro exemplo 51 2.6.2.2 Segundo exemplo 52 Qualidade de Energia 55 3.1 Introdução 55 3.2 Caracterização dos Distúrbios 56 3.2.1 Interrupções Transitórias 56 3.2.2 Variações de Tensão 56 3.2.2.1 Variações de tensão de curta duração 56 3.2.2.1.1 Mergulho de tensão 57 3.2.2.1.2 Salto de tensão 57 3.2.2.2 Variações de tensão de longa duração 57 3.2.3.1 Surtos 57 3.2.3.2 Distúrbios Oscilatórios 58 3.2.4 Distúrbios Periódicos 58 3.2.4.1 Distorções Harmônicas 58 3.2.4.2 Corte 58 3.2.5 Cintilação 58 3.2.6 Ruído 59 3.2.7 Rádio Interferência 60 3.3 Causas e Efeitos de Alguns Distúrbios Relacionados 60 com a Qualidade de Energia 3.3.1 Depressão de Tensão 61 3.3.2 Transitórios 61 3.3.3 Harmônicos 61 3.3.3.1 Causas 61 3.3.3.2 Efeitos 62 3.4 Ações para a Melhoria dos Índices de Qualidade da Energia 63 3.5 Legislação 65 3.5.1 Introdução 65 3.5.2 Definições 66 3.5.3 Normas e Organizações relacionadas 67 com a Qualidade de Energia 4 3.5.4 Recomendação da Norma Internacional IEEE STD 519-1992 69 3.5.5 Recomendação da Norma Internacional IEC 1000-2-2 70 3.5.6 Recomendação da Eletrobrás 71 TARIFAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA 73 4.1 Introdução 73 V Energia Elétrica: conceitos, qualidade e tarifação 57 EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL 3.2.3 Distúrbios de Curtíssima Duração Energia Elétrica:conceitos, qualidade e tarifação EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL 4.2 Sistema Elétrico 78 4.3 Definições e Conceitos 79 4.3.1 Energia elétrica ativa 80 4.3.2 Energia elétrica reativa 80 4.3.3 Demanda 80 4.3.4 Demanda máxima 80 4.3.5 Demanda média 80 4.3.6 Demanda medida 81 4.3.7 Demanda contratada 81 4.3.8 Demanda faturável 82 4.3.9 Fator de carga 82 4.3.10 Fator de potência 83 4.3.11 Horários fora de ponta e de ponta 83 4.3.12 Períodos seco e úmido 85 4.3.13 Consumidor 85 4.3.14 Unidade consumidora 85 4.4 Tensão de Fornecimento VI 85 4.4.1 Grupo A 87 4.4.2 Grupo B 88 4.5 Estrutura Tarifária 89 4.5.1 Estrutura tarifária convencional 89 4.5.2 Estrutura tarifária horo-sazonal 89 4.5.3 Critérios de inclusão 90 92 4.6 Faturamento 4.6.1 Generalidades 92 4.6.2 Faturamento da unidade consumidora do grupo B 93 4.6.3 Faturamento da unidade consumidora do grupo A 93 4.6.3.1 Critérios de faturamento 93 4.6.3.2 Tarifa Azul 96 4.6.3.3 Tarifa Verde 97 4.6.3.4 Tarifa de ultrapassagem 98 4.6.3.5 Resumo do faturamento tarifário 100 4.6.4 ETST – Energia temporária para substituição 4.6.4.1 Requisitos necessários 100 100 4.6.5 ICMS: Cobrança e sua aplicação 101 4.6.6 Cobrança de multa e seu percentual 102 4.6.7 Fator de potência ou energia reativa excedente 102 4.6.7.1 Introdução 102 4.6.7.2 Faturamento do fator de 103 potência (FP) por posto horário 4.6.7.3 Faturamento do fator de 106 108 em medição transitória 4.6.7.5 Outras considerações sobre fator de potência 4.7 Análise do Perfil de Utilização da Energia Elétrica 109 110 4.7.1 Otimização da demanda de potência 110 4.7.2 Análise de opção tarifária 112 4.7.3 Correção do FP 114 4.8 Importância dos Indicadores de Eficiência Energética 114 4.8.1 Consumo específico de energia (CE) 115 4.8.2 Custo médio de energia e fator 116 de carga da instalação 4.9 Exempo de Reenquadramento Tarifário 118 4.9.1 Correção do Fator de Potência 118 4.9.2 Demanda Contratual 119 4.9.3 Enquadramento Tarifário 124 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 131 VII EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL 4.6.7.4 Faturamento do FP com base Energia Elétrica: conceitos, qualidade e tarifação potência por valor médio EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL Energia Elétrica:conceitos, qualidade e tarifação VIII 1 CONCEITOS BÁSICOS DE ENERGIA ELÉTRICA Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. Lavoisier (1743-1794) O conceito de energia Poucas palavras suportam tantos sentidos e definições como energia. Já no Século IV A.C., Aristóteles, em sua obra “Metafísica”, identificava energia (energeia) como uma realidade em movimento. Na acepção moderna, energia corresponde essencialmente a um conceito desenvolvido a partir de meados do Século XIX, tendo sido criado juntamente com a Termodinâmica e utilizado atualmente para descrever uma ampla variedade de fenômenos físicos. A definição mais usual, que quase corresponde ao senso comum e é encontrada em muitos livros, afirma que “energia é a medida da capacidade de efetuar trabalho”. Entretanto, a rigor, esta definição não é totalmente correta e aplica-se apenas a alguns tipos de energia, como a mecânica e a elétrica, que, em princípio, são totalmente conversíveis em outras formas de energia. Este modo de se definir energia perde o sentido ao ser aplicado ao calor, pois esta forma de energia é apenas parcialmente conversível em trabalho, como se verá adiante. De fato, quando está a temperaturas próximas à do ambiente, o calor pouco vale como trabalho. E, portanto, a definição anterior não é completa. Em 1872, Maxwell propôs uma definição que pode ser considerada mais correta do que a anterior: “energia é aquilo que permite uma mudança na configuração de um sistema, em oposição a uma força que resiste a esta mudança”. Esta definição refere-se a mudanças de condições, a alterações do estado de um sistema e inclui duas 1 EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL 1.1.1 Energia Elétrica: conceitos, qualidade e tarifação 1.1 Energia Energia Elétrica:conceitos, qualidade e tarifação EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL idéias importantes: as modificações de estado implicam em vencer resistências e é justamente a energia que permite obter estas modificações de estado. Assim, para elevar uma massa até uma determinada altura, aquecer ou esfriar um volume de gás, transformar uma semente em planta, converter minério em ferramentas, jogar futebol, ler este texto, sorrir, enfim, qualquer processo que se associe a alguma mudança, implica em se ter fluxos energéticos. Cabe observar que na terminologia termodinâmica denomina-se sistema à região de interesse, delimitada por uma fronteira, que pode existir fisicamente ou ser uma superfície idealizada, que a separa do ambiente, que neste caso significa, portanto, tudo aquilo que está fora da região de interesse. Desta forma, o universo, o todo, resulta da soma do sistema com o ambiente. 2 Por ser um conceito tão fundamental, definir energia é sem dúvida mais difícil e menos importante do que sentir e perceber sua existência, como a causa e origem primeira de todas as mudanças. Não obstante, depois que aprendemos sua definição mais abrangente e rigorosa, como visto acima, passa a ser um pouco mais simples entender as permanentes mudanças que acontecem em nosso mundo e suas regras. Boa parte das leis físicas que governam o mundo natural são no fundo variantes das leis básicas dos fluxos energéticos, as eternas e inescapáveis leis de conservação e dissipação, que estruturam todo o Universo, desde o micro ao macrocosmo. Um conceito freqüentemente associado à energia é o da potência, que corresponde ao fluxo de energia no tempo, de enorme importância ao se tratar de processos humanos e econômicos, onde o tempo é essencial. Por exemplo, a taxa na qual um material é oxidado pode levar a uma grande diferença, desde representar a possibilidade de sua utilização como combustível ou apenas a formação lenta de um resíduo, como é caso respectivamente da queima de madeira e da formação da ferrugem. Ambos são processos energéticos, mas de sentido totalmente diverso devido às distintas taxas ou velocidades nas quais ocorrem. Em geral, estamos Adicionalmente, poderia ser notado também que o próprio tempo só pode ser definido rigorosamente a partir dos fluxos energéticos reais, mas detalhar isto escapa aos propósitos destas notas. A energia, entendida como a capacidade de promover mudanças de estado, pode apresentar-se fisicamente de diversas formas. De uma maneira geral, um potencial energético corresponde sempre ao produto entre uma variável extensiva, cujo módulo depende da quantidade considerada, e uma variável de desequilíbrio, expressando uma disponibilidade de conversão entre formas energéticas. É importante observar ainda que apenas nos processos de conversão se identifica a existência de energia, que, então, se apresenta, na fronteira do sistema, como calor ou como trabalho. 1.1.2 Histórico Depois da própria força humana, a primeira fonte de energia utilizada pelo homem foi o fogo. A técnica de utilização do fogo deve ter sido inventada por volta de 50000 AC, com o uso de pedra e madeira. Entre 3 EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL Em princípio, qualquer capacidade instalada poderia atender a qualquer necessidade de energia, desde que lhe seja dado tempo suficiente, o que evidentemente não atende às necessidades impostas pela realidade. Por isso, podemos afirmar que a sociedade moderna, que busca atender suas demandas energéticas de forma rápida, é tão ávida em potência quanto em energia. Para explorar um pouco mais estes conceitos, poderia se pensar em nossos usos diários de energia e verificar se para seu atendimento o tempo importa ou não. Será imediato verificar que a taxa de utilização dos fluxos energéticos é tão importante quanto sua mera disponibilidade. Energia Elétrica: conceitos, qualidade e tarifação preocupados em atender uma dada demanda energética, medida em kWh, kJ ou kcal, mas sob uma imposição de tempo, ou seja, com dado requerimento de potência, avaliada em kW. EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL Energia Elétrica:conceitos, qualidade e tarifação 10000 e 5000 AC o homem domesticou certos animais, que passaram a servir como fonte de energia; surgiu a agricultura e a possibilidade de uso da biomassa como fonte de energia. Cerca de quatro milênios antes de Cristo, o homem passou a utilizar a energia natural dos ventos para navegar, com o surgimento do mastro e da vela. Por volta de 1000 AC, os fenícios, pioneiros na navegação comercial, utilizavam barcos movidos exclusivamente a força dos ventos. Ao longo dos anos vários tipos de embarcações a vela foram desenvolvidos, com grande destaque para as caravelas surgidas na Europa no século XIII. As embarcações a vela dominaram os mares até o surgimento do navio a vapor em 1807. Parece ser difícil afirmar com segurança a época em que surgiram os primeiros moinhos de vento; há indicações sobre os mesmos já no século X. Na Holanda, os moinhos de vento eram usados desde o século XV para drenarem as terras na formação dos pôlderes. Em torno dos anos 200 AC iniciou-se o aproveitamento da água, da força hidráulica para mover moinhos. 4 O carvão mineral, o mais abundante combustível fóssil do mundo, vem sendo usado há mais de 2000 anos. Os chineses queimavam carvão e há indícios de que os romanos também o utilizavam. A partir do século XI, a utilização do carvão mineral como fonte de energia se intensificou. Com a Revolução Industrial, em meados do século XIII, caracterizada pela passagem da manufatura à indústria mecânica, a utilização das fontes de energia foi impulsionada, sendo a invenção da máquina a vapor o mais importante fato nesta área. No final do século XIX, cerca de 97% da energia consumida no mundo provinha do carvão. Por volta do final do século XIX, iniciou-se a utilização industrial 1.1.3 Formas de energia De um modo sucinto, pode-se definir calor como o fluxo energético decorrente de diferença de temperatura, enquanto por trabalho se entende todo processo análogo à elevação de um peso. Esta distinção é fundamental e será posteriormente melhor explorada, podendo desde já se reconhecer que o trabalho corresponde a uma variação ordenada de energia, enquanto o calor apresenta-se desordenado. Apresentam-se a seguir as principais formas de energia. » Energia térmica (combustão): - combustíveis sólidos; - combustíveis líquidos; - combustíveis gasosos. » Energia hidráulica. » Energia da Terra: - geotérmica - vapor; - liquido. - geopressão. 5 EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL Em meados do século XX, surge a energia nuclear, sendo que a fissão nuclear foi utilizada inicialmente para fins militares, durante a Segunda Guerra Mundial. Energia Elétrica: conceitos, qualidade e tarifação da eletricidade, o desenvolvimento dos motores a gasolina e demais derivados do petróleo. Com o desenvolvimento da indústria automobilística, e outras indústrias agregadas, pouco a pouco o carvão foi cedendo lugar ao petróleo como grande fonte de energia mundial, chegando a 12% do total por volta de 1970. Com a chamada “crise do petróleo”, em 1973, o carvão mineral tomou novo impulso, dobrando sua utilização, representando cerca de 25% da energia total consumida no planeta. » Energia nuclear: - fissão; - fusão. » Energia dos oceanos: - térmica; - maremotriz. EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL Energia Elétrica:conceitos, qualidade e tarifação » Energia solar. » Energia eólica. A maior fonte de energia é o Sol. O Sol é uma estrela de tamanho médio e cor amarela, que se encontra na metade de sua vida. O processo de fusão nuclear transforma o hidrogênio, seu gás mais abundante, em hélio e emite energia em todas os comprimentos de onda do espectro eletromagnético. A energia proveniente do Sol apresenta baixa densidade. 6 A primeira interferência do Sol na Terra é através da fotossíntese. A fotossíntese é um processo biológico pelo qual certas plantas absorvem a energia do Sol e com isso convertem gás carbônico e água em substâncias orgânicas e oxigênio. Dos compostos orgânicos elaborados pela fotossíntese, partes são empregadas na organização e manutenção das atividades da planta, consumidas como alimento de animais e decompostas pela ação de microorganismos. A parte que resta passa a fossilizar-se e eventualmente pode servir como combustível. Os combustíveis são substâncias que têm energia acumulada na forma de energia interna (química) que é liberada principalmente através da queima do mesmo. Se o tempo de geração for relativamente curto (até uma dezena de anos) têm-se fontes renováveis de combustíveis (lenha, carvão vegetal, álcool, bagaço de cana etc.). Se o tempo de geração for muito longo (milhões de anos) têm-se fontes não renováveis de combustíveis (petróleo, carvão mineral, gás natural etc.). As fontes não renováveis Aquecida pelo Sol, a água dos oceanos, rios e lagos eleva-se na atmosfera sob a forma de vapor, mistura-se ao ar e é carregada pelo vento. A água sobe em forma de vapor invisível, desloca-se e recai na terra como chuva, neve ou outra forma de umidade. Este ciclo hidrológico resulta na fonte renovável de energia denominada energia hidráulica. A absorção dos raios solares pela atmosfera e pelo solo gera os ventos, que dependendo da velocidade e constância podem-se constituir em uma fonte de energia renovável, denominada energia eólica. A energia da Terra, denominada energia geotérmica, corresponde ao calor proveniente do interior do planeta. Esta energia pode ser aproveitada em zonas de vulcões, onde a água quente e o vapor afloram à superfície ou se encontram em pequena profundidade. Nestes locais, o calor das rochas subterrâneas também pode ser utilizado. A energia geotérmica pode ser aproveitada ainda nas áreas onde surgem os gêiseres. Os gêiseres são fontes de água quente (com temperaturas às vezes superiores a 100 ºC), no qual a água, ou o vapor de água é expelido verticalmente e de forma intermitente, com intervalos que podem variar de horas até semanas. Os movimentos periódicos de elevação e abaixamento da superfície dos oceanos, mares e lagos são provocados pela força gravitacional da Lua e do Sol sobre a Terra. A este fenômeno é 7 EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL A energia solar pode também ser utilizada diretamente, em aquecimento e geração de eletricidade (por exemplo, células fotovoltaicas). A energia solar usada nesta forma direta se constitui em uma fonte de energia renovável. Energia Elétrica: conceitos, qualidade e tarifação são passíveis de se esgotarem por serem utilizadas com velocidade bem maior que os milhares de anos necessários para sua formação, enquanto que a reposição das fontes renováveis pela natureza ocorre bem mais rapidamente que sua utilização energética. dado o nome de marés. A energia aproveitada neste processo é denominada de energia maremotriz. EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL Energia Elétrica:conceitos, qualidade e tarifação Também a energia dos oceanos pode ser aproveitada através da diferença de temperatura existente na água do mar. A energia nuclear é liberada nas reações nucleares, onde se altera a ligação das partículas dos núcleos dos átomos que compõem a substância. É obtida através da fissão de núcleos de átomos de número e massa atômica elevados. Esta quebra do núcleo libera energia. Como exemplo, pode-se citar a bomba atômica. A energia nuclear também é obtida através da fusão de núcleos de átomos. A fusão de dois núcleos acarreta a liberação de uma grande quantidade de energia. Como exemplo, pode-se citar a bomba de hidrogênio. Não se deve confundir o problema de energia, em seu aspecto global, com o da energia elétrica. Esta é, entretanto, apenas uma das formas de utilização da energia, usada não diretamente, ou imediatamente, mas já transformada. 8 1.1.4 A energia elétrica A eletricidade, dentro das ciências naturais, ocupa uma posição especial considerando-se que, durante um longo período de tempo, esta forma de energia era de uma natureza completamente além da compreensão humana. Perto de 600 AC, Tales de Mileto, um dos sete sábios da Grécia, observou que ao se esfregar o âmbar (petrificação transparente, marrom-amarelada, da resina de árvores coníferas mortas) este passava a atrair corpos leves como, por exemplo, palhas, pedacinhos de tecido ou de poeira, largando-os em seguida com igual espontaneidade. O fenômeno foi chamado de eletricidade, da palavra grega que significa âmbar (élektron). A energia elétrica é transportável, com vantagens econômicas, a longas distâncias, até regiões nas quais possa ser mais bem utilizada, como em núcleos populosos, centros industriais, núcleos rurais etc.. A conveniência do emprego da energia elétrica está no fato de sua facilidade de aplicação nos mais numerosos e variados fins, como em uso doméstico, público, comercial e industrial. 9 Energia Elétrica: conceitos, qualidade e tarifação A eletricidade é uma forma de energia que pode ser imediata e eficientemente transformada em qualquer outra, tal como em energia térmica, luminosa, mecânica, química etc.. Ela pode ser produzida nas mais favoráveis situações como, por exemplo, junto a quedas de água, nas quais a energia hidráulica está disponível, perto de minas carboníferas ou de refinarias, onde o carvão ou o óleo pode ser utilizado de pronto ou perto dos centros consumidores para onde o combustível pode ser economicamente transportado. EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL Desde então muito tempo se passou e o conhecimento da eletricidade foi se ampliando e todos sabem de sua utilidade. Hoje, nenhuma cidade, por menor que seja, pode prescindir da energia elétrica para seus serviços de luz, transporte, hospitais, água, comunicações, força etc.. A eletricidade hoje é fundamental. Se, por algum motivo qualquer, a energia elétrica deixasse de ser fornecida a alguma região, os incômodos e prejuízos seriam incalculáveis: luz fornecida por velas e lamparinas, alimentos perecendo por falta de meios de conservação, transportes puxados por animais, notícias divulgadas com atraso, fábricas paradas etc.. A perda repentina do fornecimento de energia elétrica é mais drástica ainda, acarretando congestionamento de trânsito; trens, metrôs e elevadores parados, assaltos e saques; telecomunicações interrompidas etc.. 1.2 Eletricidade Básica EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL Energia Elétrica:conceitos, qualidade e tarifação 1.2.1 O circuito elétrico O estudo da eletricidade começa com o circuito elétrico mais simples possível. O circuito elétrico mais simples que pode haver consiste de uma fonte (de energia ou potência), um receptor e de dois condutores ligando os terminais da fonte aos do receptor, como ilustra a figura 1.1. Figura 1.1 – Esquemático do circuito elétrico. A fonte pode ser: 10 » bateria; » pilha; » acumulador; » gerador; » células fotovoltaicas. A fonte de energia elétrica recebe uma forma qualquer de energia e a transforma em energia elétrica. Como exemplo, pode-se citar: » energia química: pilhas, baterias, acumuladores; » energia mecânica: dínamos, alternadores; » energia térmica: caldeiras; » outras formas de energia: solar, geotérmica, nuclear, piezelétrica, eólica, fotoelétrica, termoiônica, marés. Os dois condutores transportam a energia elétrica da fonte até o receptor. Esta resistência depende do tipo de material, do comprimento, da seção e da temperatura. Cada material possui uma resistência específica própria, ou seja, a sua resistividade. Com isso a resistência do material (em ohms) é dada pela seguinte expressão: R=ρl/A onde: 11 ρ = resistividade do material [ohm.m]; l = comprimento do material [m]; A = área da seção transversal do material [m2]. O receptor, na linguagem técnica chamado de carga, faz o contrário da fonte, ou seja, recebe a energia elétrica e a transforma em outra forma de energia, por exemplo: » energia térmica: aquecedores, chuveiro, ferro elétrico etc.; » energia mecânica: acionamento, ventilação, transporte etc.; » energia luminosa: iluminação, letreiros etc.. EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL Chama-se resistência elétrica à oposição interna do material à circulação das cargas. Devido a este fato, os materiais maus condutores possuem resistência elevada e os bons condutores resistência baixa. Energia Elétrica: conceitos, qualidade e tarifação Existem na natureza materiais nos quais o movimento das cargas elétricas ocorre com facilidade, que são chamados de condutores, como por exemplo, o cobre, o ferro, o alumínio, a prata etc., e outros materiais nos quais o movimento das cargas é extremamente dificultado em função da estrutura molecular e que são chamados de isolantes ou dielétricos, como por exemplo, a borracha, a porcelana, o vidro etc.. 1.2.2 Grandezas elétricas básicas EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL Energia Elétrica:conceitos, qualidade e tarifação 1.2.2.1 Carga A carga elétrica é uma grandeza fundamental (como massa, comprimento e tempo) e por isso não pode ser definida em termos de outras grandezas. Há dois tipos distintos de carga elétrica, a dos prótons e dos elétrons. Por convenção a carga elétrica do próton é considerada positiva (+) e a do elétron, negativa (-). A quantidade de carga elétrica que um corpo possui é determinada pela diferença entre o número de cargas elétricas positivas e negativas que o corpo contém. A unidade que expressa a carga elétrica no Sistema Internacional de Medidas é o coulomb (C), e a menor quantidade de carga elétrica conhecida é a possuída pelo elétron (determinada experimentalmente e vale -1,6021x10-19 C). 12 A quantidade de carga elétrica que corresponde a 1C é relativamente elevada (por exemplo, a quantidade de carga elétrica transportada por um raio numa tempestade é da ordem de 30 C). 1.2.2.2 CORRENTE Quando existem partículas dotadas de carga elétrica em movimento, tem-se uma corrente elétrica. Portanto, corrente elétrica são cargas elétricas que se deslocam. Ao longo do circuito elétrico apresentado na figura 1.1 haverá um fluxo contínuo de cargas elétricas, e que é chamado de corrente elétrica. Denomina-se intensidade da corrente elétrica ao quociente entre a quantidade de carga que passa por uma seção reta do condutor e o A unidade fundamental de medida de intensidade de corrente elétrica no Sistema Internacional de Medidas é o ampere (A). Os submúltiplos e múltiplos mais utilizados da unidade fundamental são: o microampere (1μA = 10-6 A), o miliampere (1 mA = 10-3 A) e o quiloampere (1 kA = 103 A). Uma corrente que passa em apenas uma direção todo o tempo é denominada corrente contínua, enquanto uma corrente que se altera na direção do fluxo, é denominada corrente alternada. A figura 1.2 ilustra alguns exemplos. Figura 1.2 - Exemplos de ondas de corrente contínua e alternada 13 Energia Elétrica: conceitos, qualidade e tarifação respectivo intervalo de tempo gasto. Ela é representada pelo símbolo i ou I (letra inicial da palavra francesa intensité). O que acarreta a circulação da corrente elétrica no circuito é a diferença de potencial (também chamada de tensão) existente entre o ponto inicial e final do condutor ou elementos do circuito. O conceito básico de diferença de potencial pode ser compreendido mais facilmente ao se analisar um análogo mecânico, um bloco descendo um plano inclinado. Da mecânica tem-se que este bloco se move para baixo devido a diferença de potencial gravitacional criada pela elevação do plano. EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL 1.2.2.3 Tensão EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL Energia Elétrica:conceitos, qualidade e tarifação O potencial gravitacional do bloco no ponto superior do plano é maior que o potencial gravitacional no ponto inferior, acarretando o movimento do corpo através do mesmo (do ponto de potencial maior para o de potencial menor). Da mesma forma, também as cargas elétricas se movem ordenadamente ao longo de um condutor ou de algum elemento do circuito, o que constitui a corrente elétrica, graças a uma diferença de potencial elétrico criada por algum dispositivo apropriado. O movimento das cargas através dos elementos do circuito é sempre acompanhado de fenômenos energéticos tais como, desprendimento de calor, transformação de energia elétrica em mecânica ou vice-versa, transformação de energia elétrica em energia luminosa, transformação de energia elétrica em energia magnética etc.. A grandeza: 14 é chamada de tensão ou de diferença de potencial entre os terminais do elemento. O símbolo para a tensão é a letra v ou V. A unidade de tensão no Sistema Internacional de Medidas é o volt (V). Os submúltiplos e múltiplos mais utilizados são: o milivolt (1mV = 103 V) e o quilovolt (1kV = 103 V). Para que haja e seja mantida a diferença de potencial elétrico e conseqüentemente a circulação da corrente elétrica em um circuito (a menos de situações que resultem de elementos com energia carregados previamente) é necessária a presença das fontes. As fontes são capazes de fornecer energia a fim de excitar o circuito e, conseqüentemente, manter uma diferença de tensão permitindo a circulação da corrente. Existem várias maneiras de produzir a diferença de potencial em uma fonte, que é chamada de força eletromotriz (f.e.m.). Alguns métodos são mais utilizados do que outros: » calor - é chamada de termoeletricidade e a tensão é produzida pelo aquecimento de uma junção onde dois metais diferentes são colocados em contato. É utilizada nos pares termoelétricos e apresentam um rendimento muito baixo (cerca de 1%) apesar de uma capacidade de potência maior que a do método anterior; » luz - é chamada de fotoeletricidade e a tensão é produzida fazendo-se incidir luz sobre substâncias fotossensitivas. Exemplos de dispositivos que operam sobre este princípio são as células fotoelétricas e as câmeras de televisão. Usado em aparelhos de medida e controle, como relés, medidores de luz etc.. A capacidade de potência neste método é muito pequena; » ação química - a tensão é produzida por reação química, ou seja, através da transformação de energia química em energia elétrica, através da combinação de materiais. Como exemplo, pode-se citar, as pilhas (seca, mercúrio, alcalinas etc.), e as baterias (ácido-chumbo, níquel-cádmio etc.). As pilhas e baterias encontram grande utilidade como fonte de tensão contínua em automóveis, aeronaves, navios, sistemas telefônicos, sistemas de alarmes e sinalização, equipamentos portáteis de iluminação etc.; 15 EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL » pressão - é chamada de piezoeletricidade e a tensão é produzida por pressão mecânica exercida sobre os cristais de certas substâncias. A capacidade de potência do cristal é extremamente pequena e são mais utilizados em equipamentos de comunicação, osciladores etc.; Energia Elétrica: conceitos, qualidade e tarifação » fricção - tensão produzida friccionando-se dois materiais. Este processo é o menos usado, e sua aplicação principal é nos geradores de Van der Graaff, empregados em laboratórios de alta tensão; Energia Elétrica:conceitos, qualidade e tarifação EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL » magnetismo - a tensão é produzida em um condutor quando o mesmo se move dentro de uma campo magnético ou quando um campo magnético corta o citado condutor. Grandes quantidades de energia podem ser obtidas utilizando-se no processo uma fonte de energia mecânica. A potência mecânica pode ser fornecida por diferentes fontes, tais como, turbinas hidráulicas (quedas d’água, marés), a vapor (térmica, nuclear) ou eólica, máquinas a diesel ou a gasolina. A conversão final dessas fontes de energia em eletricidade é feita pelos geradores. Mais de 95% da energia consumida no mundo é produzida desta maneira; » outros - como a emissão termoiônica, que ocorre nas válvulas, as pilhas solares, que convertem energia luminosa em energia elétrica, conversão magnetohidrodinâmica, através de gases ionizados etc.. 1.2.2.4 Potência 16 Foi visto que a diferença de potencial V entre dois pontos relaciona a quantidade de energia necessária para transportar uma quantidade de carga elétrica entre estes dois pontos. A potência elétrica P desenvolvida para realizar este trabalho é dada pelo quociente entre o trabalho realizado e o correspondente intervalo de tempo: A unidade de potência no Sistema Internacional de Medidas é denominada watt (W). Em engenharia elétrica são muito utilizados o miliwatt (1 mW = 10-3 W), o quilowatt (1 kW = 103 W) e o megawatt (1 MW = 106 W). Outras unidades de potência muito utilizadas na prática, principalmente quando relacionadas com trabalho mecânico, são o cavalo-vapor (1 cv = 735,5 W) e o horse-power (1 hp = 745,7 W). A energia elétrica W gerada ou absorvida pelo elemento será: W = potência x tempo Outras unidades de energia, relacionadas à energia térmica, são a caloria (1 cal = 4,18 J) e o British thermal unit (1 Btu = 1054,8 J). 1.2.3 Conceitos básicos sobre uma corrente alternada 1.2.3.1 Vantagens do uso Quando o uso da eletricidade se popularizou, certas desvantagens no uso da corrente contínua tornaram-se evidentes. No sistema de corrente contínua, a tensão de alimentação deve ser fornecida no nível requerido pela carga, isto é, para acender uma lâmpada de 220 V, por exemplo, o gerador deve fornecer uma tensão de 220 V. Uma lâmpada de 110 V não poderia ser ligada a este gerador de maneira conveniente. Outra desvantagem do sistema de corrente contínua é a necessidade de bitolas maiores dos cabos condutores de energia. Como resultado dessas dificuldades apresentadas pelo sistema de corrente contínua, hoje, praticamente, todos os modernos sistemas de distribuição de energia elétrica são feitos na forma de corrente alternada (ca). Na atualidade, quase a totalidade da energia elétrica que se emprega para finalidades comerciais é produzida sob a forma de corrente alternada. Esta preferência não se baseia em nenhuma superioridade definida da corrente alternada sobre a contínua no que concerne a sua 17 EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL 1 [kWh] = 3 600 000 [J] Energia Elétrica: conceitos, qualidade e tarifação A unidade de medida de energia no Sistema Internacional de Medidas é o joule (J), mas na prática (engenharia elétrica) a unidade mais utilizada é o quilowatt hora (kWh). Um quilowatt hora corresponde à energia de 1 kW agindo durante uma hora. Logo: EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL Energia Elétrica:conceitos, qualidade e tarifação aplicabilidade nos usos industriais e domésticos, mas sim devido à praticidade de sua produção e transmissão. 18 Em virtude de a corrente alternada variar, a tensão alternada pode ser aumentada ou reduzida por meio de um dispositivo denominado transformador, o que possibilita variar a tensão durante a transmissão e distribuição da energia elétrica desde o local onde a mesma é gerada até o local onde a mesma é consumida. Os geradores, acionados por turbinas movimentadas pelas mais variadas formas (queda d’água, vapor etc.), geram tensões não muito elevadas, da ordem de kilovolts, em virtude da limitação imposta pelo isolamento elétrico de suas partes componentes e por questões de segurança. Com o uso de transformadores, a tensão nos terminais do gerador pode ser elevada para centenas de milhares de volts com conseqüente redução da corrente na mesma proporção (visto que a potência é o produto da tensão pela corrente). Isto permite que a transmissão de energia seja feita na forma de alta tensão e baixa corrente de maneira a se obter alta eficiência na transmissão de energia. No ponto de consumo, a tensão é reduzida para o valor da tensão desejada por meio de transformadores. Se a transmissão for feita em corrente contínua, o que também é usado, a transformação de tensão é bem mais difícil, em virtude de não ser mais possível a utilização de transformadores, cujo princípio de funcionamento implica em ser alternada a tensão utilizada. Devido às suas inerentes vantagens e versatilidade, a corrente alternada substitui a corrente contínua em quase todos os sistemas de distribuição comercial de energia elétrica. 1.2.3.2 Frequência de período Uma tensão ou corrente é chamada alternada periódica se ela muda de direção e intensidade de uma maneira repetitiva. A figura 1.3 mostra uma onda de tensão alternada periódica (no caso senoidal) passando por valores positivos (acima do eixo horizontal) e negativos O intervalo de tempo para que se complete um ciclo da onda alternada é chamada de período. É representado pela letra T e expresso em segundos (s). O número de ciclos realizados pela onda por segundo é chamado de freqüência, representado pela letra f e expresso em Hertz (Hz). Tem-se que: As mais altas freqüências são usadas em transmissão de rádio e televisão, onde podem ser irradiadas pelo espaço com grande eficiência em direções escolhidas. Estas ondas podem ter desde 1000 Hz (ondas médias) até 10 MHz (ondas curtas) na transmissão de rádio e na faixa de 55 a 216 MHz em VHF e de 470 a 890 MHz em UHF na transmissão de TV e atingem a 100 GHz nas microondas. Ondas acima desta freqüência resultam numa forma de radiação que é sentida na forma de calor que são os raios infravermelhos, para depois, em uma freqüência muito mais alta, serem capazes de impressionar os olhos, que corresponde ao espectro da luz visível. 19 EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL Figura 1.3 Onda de tensão senoidal. Energia Elétrica: conceitos, qualidade e tarifação (abaixo do eixo horizontal) em um período de tempo T, após o qual repete continuamente esta mesma série de valores de maneira cíclica. EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL Energia Elétrica:conceitos, qualidade e tarifação Uma larga faixa de freqüências (de 500 Hz a 50 MHz) é usada em fornos elétricos. São encontradas freqüências da ordem de centenas a milhares de ciclos em circuitos telefônicos. Para uso doméstico e industrial, ou seja, à freqüência comercial, existem vantagens e desvantagens em se utilizar uma freqüência mais alta ou mais baixa. A principal vantagem de se utilizar freqüências mais elevadas reside no fato de os geradores e transformadores necessitarem de menos ferro no núcleo e cobre nos enrolamentos, portanto ficando mais leves e econômicos. Esta é uma das razões de se utilizar uma freqüência elevada nas aeronaves. Por outro lado, as quedas de tensão e conseqüentes perdas na transmissão em corrente alternada e nos aparelhos aumentam com aumento da freqüência, e um melhor controle de tensão pode ser obtido com uma freqüência de valor mais baixo. 20 Entretanto, uma freqüência muito baixa, irá causar nos circuitos de iluminação efeitos de trepidação (flicker) o que acarreta sensações desagradáveis aos olhos, visto que a intensidade da luz nas lâmpadas varia com a variação da corrente. Este efeito já é sentido quando a freqüência está abaixo de 40 Hz. Também os aparelhos de força, como motores, conversores etc., operam melhor com valores baixos de freqüência. Por esta razão, as ferrovias eletrificadas operam com freqüências bem mais baixas, sendo comum as freqüências de 16 2/3, 15 e até 12 1/2 Hz, usadas na Europa e 25 Hz utilizada na América do Norte. 1.2.3.3 Valor de pico ou valor eficaz O valor de pico ou valor máximo, como o próprio nome diz, é o mais alto valor instantâneo de tensão ou corrente em cada ciclo. Conforme a corrente alternada ganhou popularidade, tornou-se necessário comparar a corrente alternada com a corrente contínua. Uma lâmpada de 100 W, por exemplo, funciona tão bem em uma fonte de 110 V alternada como em uma fonte de 110 V contínua, Para formas de ondas senoidais, tem-se: 21 1.2.3.4 Potência A potência instantânea p em circuito alternado é dada pelo produto da tensão pela corrente: p = v (t) x i (t) Após simplificação e rearranjo dos termos da expressão acima, observa-se que a potência no circuito alternado é composta em duas parcelas: » A primeira parcela corresponde a energia fornecida de modo irreversível pela fonte ao circuito e seu valor médio fornecido é chamado de potência ativa e expresso pela letra P : P = V x I x cos φ Energia Elétrica: conceitos, qualidade e tarifação Define-se valor eficaz ou valor rms da corrente alternada a uma corrente contínua equivalente que dissipa a mesma energia quando circula através de um elemento qualquer. Um ampere rms de corrente alternada é tão eficaz na produção de energia quanto um ampere de corrente contínua. De forma análoga o valor eficaz é definido para a tensão alternada. EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL mas pode ser observado que uma tensão senoidal com valor de pico de 110 V não fornece à lâmpada a mesma quantidade de energia que a fonte contínua de 110 V. Isto é devido ao fato de que a potência dissipada pela lâmpada é função do fluxo de corrente através da mesma, e, devido à fonte ser alternada, este valor está variando ao longo do tempo. Como a corrente está variando continuamente, a potência dissipada na lâmpada também varia. Neste caso torna-se importante determinar o valor de corrente média alternada que seja equivalente a um valor contínuo. A potência ativa recebe ainda o nome de potência real ou potência watada e sua unidade é o watt (W), sendo também usadas o quilowatt (1 kW = 10 3 W) e o megawatt (1 MW = 10 6 W). EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL Energia Elétrica:conceitos, qualidade e tarifação » A segunda parcela corresponde à energia trocada reversivelmente entre a fonte e o circuito. O seu valor máximo V I sen φ é chamado de potência reativa e expresso pela letra Q: A potência reativa recebe ainda o nome de potência deswatada e sua unidade é o volt ampere reativo (VAr), sendo também usados o quilovar (1 kVAr = 103 VAr) e o megavar (1 MVAr = 106 VAr). Pode-se notar que a potência ativa é sempre positiva, e que a potência reativa pode ser positiva ou negativa. A potência ativa (P) e a reativa (Q) podem ser representadas geometricamente em um triângulo retângulo chamado de triângulo de potências. A figura 1.4 apresenta o triângulo de potências. 22 Figura 1.4 Triângulo de potências onde o cateto OA representa a potência ativa (P) e o cateto AB a potência reativa (Q). A hipotenusa OB é igual a VI e recebe a denominação de potência aparente sendo expressa pela letra S: S=Vx1 A unidade de S é o volt ampere (VA), sendo também usados o quilovolt ampere (1 kVA = 103 VA) e o megavolt ampere (1 MVA = 106 VA). O termo cos φ é chamado de fator de potência e representado por fp, FP ou pelo próprio termo cos φ . 1.3 Grafia e emprego de números e símbolos O acesso a um conhecimento passa geralmente por um número e a medição representada por este número não pode ser concebida sem unidades, padrões ou instrumentos de medida. Nas épocas antigas existia uma profusão de unidades diversas, variáveis de região a região. Com a Revolução Francesa, surgiu o sistema métrico, primeiro sistema racional de unidades e sua internacionalização foi feita pela Convenção do Metro em 20/05/1875. O Sistema Internacional de Medidas (SI) nasceu oficialmente por ocasião da XI Conferência Geral de Pesos e Medidas realizada em 1960. O Brasil, como membro desta entidade internacional, publicou em 12/09/1968 o Decreto Lei nº 63.233 aprovando o Quadro Geral de Unidades de Medida. 23 Energia Elétrica: conceitos, qualidade e tarifação 1.3.1 O sistema internacional de medidas » as unidades de base, que são, para o comprimento, o metro; para a massa, o quilograma; para o tempo, o segundo; para a intensidade de corrente elétrica, o ampère; para a temperatura termodinâmica, o kelvin; para a intensidade luminosa, a candela; e para a quantidade de matéria, o mol; » as unidades derivadas, como por exemplo, o Newton para força, o Pascal para pressão, o Watt para potência, o Volt para tensão elétrica etc.. EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL O SI compreende duas classes de unidades de medidas: EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL Energia Elétrica:conceitos, qualidade e tarifação As unidades destas duas classes, designadas por nomes, formam um sistema coerente de unidades, no qual cada grandeza pode ter apenas uma única unidade, obtida por multiplicação ou divisão das unidades de base. Entendem-se por grandezas físicas as qualidades físicas mensuráveis de objetos, ações ou situações. Uma unidade é uma grandeza, determinada e escolhida entre uma grande quantidade de grandezas de igual valor, utilizada numa medição. 1.3.2 Valor numérico das grandezas Os valores numéricos das grandezas devem ser escritos em arábico. Para separar a parte inteira da parte decimal de um número, deve ser usada exclusivamente a vírgula. Cabe observar que, em documentos na língua inglesa, a vírgula é substituída pelo ponto. 24 Para facilitar a leitura, o número pode ser dividido em grupos de três algarismos, a contar da vírgula para a esquerda e para a direita, separados pelo espaço correspondente a um algarismo. O ponto não deve ser usado para essa separação, a não ser para representar quantias em dinheiro. 1.3.3 Unidades utilizadas no setor elétrico A tabela 1.1 apresenta as unidades mais corriqueiras utilizadas no setor elétrico. Unidade Símbolo Freqüência hertz Hz Intensidade de corrente ampere A Resistência elétrica ohm Ω Tensão elétrica volt V Energia joule quilowatt-hora J kWh Quantidade de eletricidade coulomb C Fluxo luminoso lumen lm Iluminância lux lx ativa watt W reativa volt ampere reativo VAr aparente volt ampere VA circular mil CM american wire gauge AWG Potência Área As seguintes relações são de utilização comum no setor de energia elétrica: » 1 barril de petróleo = 0,159 m3 = 159 l » 1 polegada = 1 inch = 25,4 mm » 1 pé = 1 foot = 0,3048 m » 1 milha = 1,6093 km 25 EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL Grandeza Energia Elétrica: conceitos, qualidade e tarifação Tabela 1.1 - Unidades utilizadas no setor elétrico » 1 libra = 1 pound = 453,592 g » 1 ton = 1 000 kg » 1 dia = 86 400 s » 1 ano = 8760 horas EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL Energia Elétrica:conceitos, qualidade e tarifação » 1 Btu = 1054,8 J » 1 cal = 4,186 J » 1 kWh = 3 600 000 J » 1 tep = 41,87 x 109 J » 1 hp = 745,7 W » 1 cv = 735,5 W » 1 MCM = 0,5067 mm2 1.3.4 26 Prefixos decimais (múltiplos e submúltiplos) Os prefixos decimais para múltiplos e submúltiplos das unidades estão apresentados na tabela 1.2. Valor Símbolo Yacto 10-24 y Zepto 10-21 z Atto 10-18 a Femto 10-15 f Pico 10-12 p Nano 10-9 n Micro 10-6 µ Mili 10-3 m Centi 10-2 c Deci 10-1 d Deca 10 da Hecto 102 h Quilo 103 k Mega 106 M Giga 109 G Tera 1012 T Peta 1015 P Exa 1018 E Zetta 1021 Z Yotta 1024 Y 27 EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL Prefixo Energia Elétrica: conceitos, qualidade e tarifação Tabela 1.2 - Prefixos decimais (múltiplos e submúltiplos) 1.3.5 Regras para as unidades As seguintes regras são utilizadas para as unidades em textos: EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL Energia Elétrica:conceitos, qualidade e tarifação » Os prefixos decimais são abreviados de acordo com a tabela 2, salientando-se que, todos os prefixos menores que o quilo (k) inclusive, são minúsculos. Exemplo: 100 cm e não 100 Cm. 230 kV e não 230 KV > Erro muito comum. » O símbolo da unidade é escrito na mesma linha do número a que se refere, e não como expoente ou índice. Exceção: os símbolos das unidades usuais de ângulos. » O símbolo da unidade é escrito depois do número a que se refere, e não entre a parte inteira e a parte decimal do número. Exceção: moedas onde é escrito antes. 28 » O número que exprime o valor de uma grandeza deve ser referido a uma única unidade da mesma espécie. Exemplo: 0,173 m ou 17,3 cm ou 173 mm e não 17 cm 3 mm. Exceção: com as unidades usuais de ângulo: 17o 05’ 35” com as unidades de tempo: 2h 15 min, podendo ser escrito 2,25 h, sendo errado 2,15 h. » As unidades escritas por extenso devem ter letra inicial minúscula, sejam ou não nomes de pessoas. Exemplo: segundo, metro, watt, joule, ampere. Exceção: grau Celsius (oC). » Os símbolos das unidades de nome de pessoas são grafadas com inicial maiúscula e os demais minúsculas. Exemplo: 7.10-8 s = 7.10-2 µs (microssegundos) e não 7 cµs (centimicrosegundos). » As unidades não devem ser grafadas misturando-se notações por extenso com símbolos ou abreviações. Exemplo: m/s ou metro por segundo e não m/segundo, m/seg ou metro/s kW ou quilowatt e não kwatt ou quiloW. » Os plurais das unidades são dados com acréscimo de “s”, apesar de, em alguns casos, contrariar as regras gramaticais; mas os símbolos não flexionam no plural. Exemplo: pascals (não pascais), mols (não moles), decibels (não decibéis), newtons, watts. Exceções: - unidades terminadas em s, x e z não flexionam no plural: siemens, lux, hertz; - unidades de palavras compostas flexionam-se no plural de formas diversas: anos-luz, quilowatts hora, metros por segundo quadrado » Quando uma unidade é formada pela multiplicação de duas ou mais unidades, o seu símbolo é constituído pelos símbolos 29 EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL » As unidades admitem múltiplos e submúltiplos, que são obtidos com a colocação de um prefixo. Observe-se que dois ou mais prefixos não devem ser utilizados simultaneamente numa única unidade. Energia Elétrica: conceitos, qualidade e tarifação Exemplo: N (newton), A (ampere), Hz (hertz) Energia Elétrica:conceitos, qualidade e tarifação das unidades componentes, devendo ser deixado um espaço ou eventualmente usado um ponto. O ponto pode ser omitido quando não gerar confusão. O hífen nunca deve ser usado para unidades compostas.Exemplo: N m, N.m ou N . m para newton metro, mas nunca m N, que corresponde a mili newton. » Quando a unidade é formada pela divisão de uma unidade por outra, pode-se utilizar o traço de fração ou barra, ou também o expoente (-1). Exemplo: , m/s ou m . s-1. » Nunca deve haver duas barras numa mesma unidade composta, usando-se, quando necessário, parênteses. Exemplo: W/(sr.m2) ou W . sr –1. m -2 e não W/sr/m2 (watt por esterradiano metro quadrado > luminância energética). Observação: As diferenças entre maiúsculas e minúsculas devem, no caso das unidades, ser mantidas a todo custo. Veja alguns problemas que podem ocorrer: 30 1 mW (miliwatt) ≠ 1 MW (megawatt). EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL Neste caso o erro na unidade de potência atinge a 1 000 000 000. 1 PA (petaampere) ≠ 1 Pa (pascal) ≠ 1 pA (picoampere). Havendo troca, o erro entre as unidades de intensidade de corrente elétrica será de 1027 e também poderá haver confusão de unidades, pois pascal é unidade de pressão. FATOR DE POTÊNCIA 2.1 Conceitos básicos A corrente elétrica total que circula numa carga qualquer é resultante da soma vetorial de duas componentes de corrente elétrica. Uma componente que é denominada de corrente ativa e a outra que é denominada de corrente reativa. A soma vetorial da corrente ativa e da corrente reativa é denominada de corrente aparente. O resultado da multiplicação da corrente pela tensão é denominado de potência, assim: o produto da corrente ativa numa carga pela tensão a que está submetida esta carga resulta na potência ativa da carga e o produto da corrente reativa numa carga pela tensão a que está submetida esta carga resulta na potência reativa da carga e, a soma vetorial da potência ativa e da potência reativa de uma carga resulta na potência aparente da carga. O resultado da multiplicação da potência pelo tempo é denominado de energia, assim: o produto da potência ativa de uma carga por um intervalo de tempo t resulta na energia ativa da carga; o produto da potência reativa de uma carga pelo mesmo intervalo de tempo t resulta na energia reativa da carga; e a soma vetorial da energia ativa e da energia reativa de uma carga resulta na energia aparente da carga. EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL 31 Energia Elétrica: conceitos, qualidade e tarifação 2 Vetorialmente, a potência reativa está defasada (adiantada ou atrasada) de 90º em relação à potência ativa, conforme as figuras 2.1 e 2.2. Por convenção: Figura 2.1 Receptor de energia reativa EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL Energia Elétrica:conceitos, qualidade e tarifação Se a carga consome energia reativa, diz-se que a energia reativa consumida está 90º atrasada em relação à energia ativa. No sentido anti-horário (ao contrário dos ponteiros do relógio) a curva da potência ativa atinge pontos de máximos e de mínimos 90º na frente da curva da potência reativa, ou seja, a curva da potência reativa está 90º atrasada em relação à curva da potência ativa. Figura 2.2 Fornecedor de energia reativa 32 Se a carga fornece energia reativa, diz-se que a energia reativa fornecida está 90º adiantada em relação à energia ativa. No sentido anti-horário (ao contrário dos ponteiros do relógio) a curva da potência ativa atinge pontos de máximos e de mínimos 90º após a curva da potência reativa, ou seja, a curva da potência reativa está 90º adiantada em relação à curva da potência ativa. Como exemplo de cargas que consomem energia reativa tem - se: » transformadores; » motores de indução; » reatores etc.. Como exemplo de cargas que fornecem energia reativa tem - se: » capacitores; » motores síncronos (superexcitados); » condensadores síncronos etc.. Por Convenção: » as cargas que consomem energia reativa são denominadas de cargas indutivas; A maioria das unidades consumidoras consome energia reativa indutiva, como motores, transformadores, lâmpadas, de descarga, fornos de indução, entre outros. As cargas indutivas necessitam de campo eletromagnético para seu funcionamento, por isso sua operação requer dois tipos de potência: » potência ativa: potência que efetivamente realiza trabalho gerando calor, luz, movimento etc.. É medida em kW. (Ver figura 2.3). 33 Figura 2.3 Potência ativa » Potência reativa: potência usada apenas para criar e manter os campos eletromagnéticos das cargas indutivas. É medida em kVAr. (Ver figura 2.4). Figura 2.4 Potência reativa EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL » as cargas que não consomem e nem fornecem energia reativa são chamadas de cargas resistivas. Energia Elétrica: conceitos, qualidade e tarifação » as cargas que fornecem energia reativa são denominadas de cargas capacitivas; Energia Elétrica:conceitos, qualidade e tarifação Assim, enquanto a potência ativa é sempre consumida na execução de trabalho, a potência reativa, além de não produzir trabalho, circula entre a carga e a fonte de alimentação, ocupando um espaço no sistema elétrico que poderia ser utilizado para fornecer mais energia ativa. Pode-se definir o fator de potência como sendo a relação entre a potência ativa e a potência aparente. Ele indica a eficiência do uso da energia. Um alto fator de potência indica uma eficiência alta e inversamente, um fator de potência baixo indica baixa eficiência. Um triângulo retângulo é freqüentemente utilizado para representar as relações entre kW, kVAr, e kVA, conforme ilustrado na figura 2.5. 34 Figura 2.5 Triângulo de potência Fator de Potência (FP) = Potência Ativa ÷Potência Aparente EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL FP = cos φ = kW ÷ kVA Por exemplo: se uma máquina operatriz está trabalhando com 100 kW (potência ativa) e a potência aparente é 125 kVA, dividindo 100 por 125, tem-se um fator de potência de 0,80. O fator de potência é sempre um número entre 0 e 1 (alguns o expressam entre 0 e 100%) e pode ser capacitivo ou indutivo, ou seja positivo ou negativo, dependendo se a energia reativa for capacitiva ou indutiva. Nas contas de energia elétrica não são mencionados os kVA, mas sim o kVArh e os kWh, portanto para se calcular o fator de potência em tarifações convencionais ou horosazonais mensais, deve-se usar a fórmula abaixo: kVArh = consumo de energia reativa durante um certo período; kWh = consumo de energia ativa durante o mesmo período. Nota: o fator de potência em um sistema não-linear não respeita as fórmulas citadas se não forem instalados filtros nos equipamentos que geram harmônicas, com o objetivo de eliminar estas interferências. 2.2 Legislação Em conformidade com o estabelecido pelo Decreto nº 62.724 de 17 de maio de 1968 e com a nova redação dada pelo Decreto nº 75.887 de junho de 1975, as concessionárias de energia elétrica adotaram o fator de potência de 0,85 como referência para limitar o fornecimento de energia reativa. O Decreto nº 479, de 20 de março de 1992, reiterou a obrigatoriedade de se manter o fator de potência o mais próximo possível da unidade (1,00), tanto pelas concessionárias quanto pelos consumidores, recomendando, ainda, ao Departamento Nacional de Águas e Energia Elétrica (DNAEE) o estabelecimento de um novo limite de referência para o fator de potência indutivo e capacitivo, bem como a forma de avaliação e de critério de faturamento da energia reativa excedente a esse novo limite. 35 EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL FP = fator de potência da instalação; Energia Elétrica: conceitos, qualidade e tarifação onde: Esta legislação pertinente, estabelecida pelo DNAEE na Portaria nº 1569 de 23 de dezembro de 1993, e atualmente estabelecida pela Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL pela Resolução nº 456 de 29 de novembro de 2000, introduziu uma nova forma de abordagem do ajuste pelo baixo fator de potência, com os seguintes aspectos relevantes: EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL Energia Elétrica:conceitos, qualidade e tarifação »Aumento do limite mínimo do fator de potência de 0,85 para 0,92; » Faturamento de energia reativa capacitiva excedente; » Redução do período de avaliação do fator de potência de mensal para horário, a partir de 1996. Com isso muda-se o objetivo do faturamento: em vez de ser cobrado um ajuste por baixo fator de potência, como faziam até então, as concessionárias passam a faturar a quantidade de energia ativa que poderia ser transportada no espaço ocupado por esse consumo de reativo. Este é o motivo de as tarifas aplicadas no caso serem as de demanda e consumo de ativos, inclusive ponta e fora de ponta para os consumidores enquadrados na tarifação horo-sazonal. 36 Além do novo limite e da nova forma de medição, outro ponto importante ficou definido: » Das 06:30 às 23:30 o fator de potência deve ser no mínimo 0,92 para a energia e demanda de potência reativa indutiva fornecida. » Das 23:30 até as 06:30 no mínimo 0,92 para energia e demanda de potência reativa capacitiva recebida. A tabela 2.1, a seguir, apresenta alguns valores de fator de potência mínimo exigidos em alguns países. 0,92 Coréia 0,93 França 0,93 Portugal 0,93 Bélgica 0,95 Argentina 0,95 Alemanha 0,96 Suiça 0,96 2.3 Causas de um baixo fator de potência Diversas são as cargas que provocam o baixo fator de potência de uma instalação elétrica, como por exemplo: » motores de indução trabalhando a vazio; » motores superdimensionados para sua necessidade de trabalho; » transformadores trabalhando a vazio ou com pouca carga; » reatores de baixo fator de potência no sistema de iluminação; » fornos de indução ou a arco; » máquinas de tratamento térmico; » máquinas de solda; » nível de tensão acima do valor nominal provocando um aumento de consumo de energia reativa; » grande quantidade de motores de pequena potência. De uma maneira geral, qualquer equipamento elétrico que possua enrolamento exige energia reativa para funcionar. Esta energia reativa, exigida pela carga, se for elevada frente à energia ativa por ela exigida provoca o baixo fator de potência da carga, ou seja, um alto ângulo na 37 EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL Espanha Energia Elétrica: conceitos, qualidade e tarifação Tabela 2.1 Fator de potência em alguns países EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL Energia Elétrica:conceitos, qualidade e tarifação impedância equivalente da carga que, em última análise, nada mais é do que o aumento da defasagem (ângulo de fase) entre a tensão aplicada à carga e a corrente circulante nela. Ou de outra maneira, uma determinada carga que consuma uma energia ativa fixa e que tenha o consumo da energia reativa elevada face às condições operacionais a que está submetida, terá uma elevação na sua potência aparente, o que provocará um aumento no módulo da corrente circulante que a alimenta provocando perda R.I² de energia. Por exemplo, no caso de motores, o fator de potência diminui com a redução da carga mais rapidamente que o seu rendimento, pois embora o rendimento não sofra grandes quedas quando a carga cai de 100% para 60% verifica-se que o mesmo não ocorre com o fator de potência. Em muitas aplicações de regime intermitente, a potência nominal do motor (100% da carga) é exigida durante curtos períodos (5% a 20%) de tempo e o restante do tempo (95% a 80%) o motor trabalha sem carga, ou seja, fica ligado a vazio, caso em que o fator de potência é significativamente baixo. 38 Em outras aplicações é necessária uma potência nominal grande devido à inércia do sistema de partida e, após a partida, o motor fica operando com apenas uma parcela da sua capacidade em regime constante, ou seja, na zona de baixo fator de potência. Assim, observase que o uso de motores merece criteriosos estudos, pois implicam em grandes desperdícios de energia e baixo fator de potência, principalmente, em decorrência de super-dimensionamentos e prolongados tempos operando em vazio. Por isto é necessário que as empresas façam um diagnóstico da capacidade de seus motores e corrijam o fator de potência através de bancos de capacitores, a fim de evitarem as multas cobradas pelas concessionárias pelo consumo excessivo de energia reativa. 2.4.1 Perdas na Instalação As perdas de energia elétrica ocorrem na forma de calor e são proporcionais ao quadrado da corrente total. Como essa corrente cresce com o excesso de energia reativa, estabelece-se uma relação entre o incremento das perdas e o baixo fator de potência, provocando o aumento do aquecimento de condutores e equipamentos. 2.4.2 Quedas de Tensão O aumento da corrente devido ao excesso de energia reativa leva a quedas de tensão acentuadas, podendo ocasionar a interrupção do fornecimento de energia elétrica e a sobrecarga em certos elementos da rede. Esse risco é, sobretudo acentuado durante os períodos nos quais a rede é fortemente solicitada. As quedas de tensão podem provocar, ainda, a diminuição da intensidade luminosa das lâmpadas e aumento da corrente nos motores. 2.4.3 Sub Utilização da Capacidade Instalada A energia reativa, ao sobrecarregar uma instalação elétrica, inviabiliza sua plena utilização, condicionando a instalação de novas cargas a investimentos que seriam evitados se o fator de potência apresentasse valores bem mais altos. O “espaço” ocupado pela energia reativa poderia ser então utilizado para o atendimento de novas cargas. Os investimentos em aplicação das instalações estão relacionados principalmente aos transformadores e condutores necessários. O transformador a ser instalado deve atender à potência total dos equipamentos utilizados, mas devido à presença de potência reativa, a sua capacidade deve ser calculada com base na potência aparente das instalações. A tabela 2.2 apresenta a potência total que deve ter o 39 Energia Elétrica: conceitos, qualidade e tarifação Conseqüências de um baixo fator de potência EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL 2.4 transformador, para atender uma carga útil de 1000 kW para fatores de potência crescentes. EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL Energia Elétrica:conceitos, qualidade e tarifação Tabela 2.2 Carregamento do transformador em função do fator de potência da carga Fator de Potência Potência do Transformador em kVA 0,50 2000 0,80 1250 1,00 1000 Também os custos dos sistemas de comando, proteção e controle dos equipamentos crescem com o aumento da energia reativa. Da mesma forma, para transportar a mesma potência ativa sem o aumento de perdas, a seção dos condutores deve aumentar à medida que o fator de potência diminui. A tabela 2.3 ilustra a variação da seção de um condutor em função do fator de potência. A correção do fator de potência por si só já libera capacidade para instalação de novos equipamentos, sem a necessidade de investimentos em transformador ou substituição de condutores para esse fim específico. 40 Tabela 2.3 Seção do cabo em função do fator de potência Seção Relativa [mm2] Fator de Potência 1,00 1,00 1,23 0,90 1,56 0,80 2,04 0,70 2,78 0,60 4,00 0,50 6,25 0,40 11,10 0,30 2.4.4 Conclusão Uma instalação elétrica que possua um baixo fator de potência sofrerá, entre outras, as seguintes conseqüências: » acréscimo na conta de energia elétrica por estar operando com baixo fator de potência; » limitação da capacidade dos transformadores de alimentação; » quedas e flutuações de tensão nos circuitos de distribuição; » necessidade de aumento do diâmetro dos condutores; » necessidade de aumento da capacidade dos equipamentos de manobra e proteção. 2.5 Correção do fator de potência 2.5.1 Introdução Uma forma econômica e racional de se obter a energia reativa necessária para a operação adequada dos equipamentos é a instalação dos capacitores próximos dos equipamentos que provocam o baixo fator de potência. A instalação de capacitores, porém, deve ser precedida de medidas operacionais que levem à diminuição da necessidade de energia reativa, como o desligamento de motores e outras cargas indutivas ociosas ou superdimensionadas. 2.5.2 Vantagens 2.5.2.1 Melhoria da Tensão As desvantagens de tensões abaixo da nominal em qualquer sistema elétrico são bastante conhecidas. Embora os capacitores elevem os níveis de tensão, é antieconômico instalá-los em estabelecimentos industriais apenas para esse fim. 41 EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL » aumento das perdas elétricas na linha de distribuição pelo efeito Joule; Energia Elétrica: conceitos, qualidade e tarifação » sobrecarga nos equipamentos de manobra limitando sua vida útil; A melhoria da tensão deve ser, por conseguinte, considerada como um benefício adicional dos capacitores. EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL Energia Elétrica:conceitos, qualidade e tarifação 2.5.2.2 Redução das Perdas Na maioria dos sistemas de distribuição de energia elétrica de estabelecimentos industriais, as perdas RI 2 variam de 2,5 a 7,5% dos kWh da carga, dependendo das horas de trabalho a plena carga, bitola dos condutores e comprimento dos alimentadores e circuitos de distribuição. As perdas são proporcionais ao quadrado da corrente e como a corrente é reduzida na razão direta da melhoria do fator de potência, as perdas são inversamente proporcionais ao quadrado do fator de potência, logo, a redução percentual é: 42 Considerando-se que a potência original da carga permanece constante, e se o fator de potência for melhorado para liberar capacidade do sistema e, em vista disso, for ligada a carga máxima permissível, a corrente total é a mesma, de modo que as perdas serão também as mesmas. Entretanto a carga total em kW será maior, portanto a perda percentual no sistema será menor. 2.5.2.3 Vantagens do Consumidor Com a realização de investimentos voltados para a melhoria do fator de potência, a empresa consumidora poderá obter os seguintes benefícios: » redução significativa do custo de energia elétrica; » aumento da eficiência energética da empresa; » melhoria da tensão; » aumento da capacidade dos equipamentos de manobra; » aumento da vida útil das instalações e equipamentos; » redução das perdas. » o bloco de potência reativa deixa de circular no sistema de transmissão e distribuição; » reduzem-se as perdas pelo efeito Joule na distribuição e na transmissão; » aumenta a capacidade do sistema de transmissão e distribuição para conduzir o bloco de potência ativa; » aumenta a capacidade disponível de atendimento aos consumidores; » podem-se adiar investimentos para expansão da capacidade para atendimento ao crescimento da demanda. 2.5.3 Localização dos Bancos de Capacitores A correção do fator de potência pode ser realizada instalando os capacitores de maneiras diferentes, tendo como objetivo a conservação de energia e a relação custo/beneficio. 2.5.3.1 Correção na entrada da energia de alta tensão Corrige o fator de potência visto pela concessionária, permanecendo internamente todos os inconvenientes citados pelo baixo fator de potência. 43 EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL Da mesma forma, a concessionária poderá obter os seguintes benefícios: Energia Elétrica: conceitos, qualidade e tarifação 2.5.2.4 Vantagens da Concessionária 2.5.3.2 Correção na entrada de energia de baixa tensão EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL Energia Elétrica:conceitos, qualidade e tarifação Permite uma correção bastante significativa, normalmente com bancos automáticos de capacitores. Utiliza-se este tipo de correção em instalações elétricas com elevado numero de cargas com potências diferentes e regimes de utilização pouco uniformes. A principal desvantagem consiste em não haver alívio sensível dos alimentadores de cada equipamento. 2.5.3.3 Correção por grupos de cargas O capacitor é instalado de forma a corrigir um setor ou um conjunto de pequenas máquinas (<10 cv). É instalado junto ao quadro de distribuição que alimenta esses equipamentos. Tem como desvantagem não diminuir a corrente nas alimentadoras de cada equipamento. 2.5.3.4 Correção localizada 44 É obtida instalando-se os capacitores junto ao equipamento cujo fator de potência se pretende corrigir. Representa, do ponto de vista técnico, a melhor solução, apresentando as seguintes vantagens: » reduz as perdas energéticas em toda a instalação; » diminui a carga nos circuitos de alimentação dos equipamentos; » pode-se utilizar um sistema único de acionamento para a carga e o capacitor, economizando-se um equipamento de manobra; » gera potência reativa somente onde é necessário. 2.5.3.5 Correção Mista Do ponto de vista da conservação de energia, considerando aspectos técnicos, práticos e financeiros, torna-se a melhor solução. Pode-se utilizar o seguinte critério para correção mista: » instala-se um capacitor fixo diretamente no lado secundário do transformador; » motores de aproximadamente 10 cv ou mais, corrigem-se localmente; » na entrada instala-se um banco automático de pequena potência para equalização final. 2.5.4 Utilização de capacitores em circuitos com harmônicos Até bem pouco tempo atrás, todas as cargas eram lineares com a corrente acompanhando a curva senoidal de tensão. Ultimamente, o número de cargas não lineares que utilizam pulsos de corrente numa freqüência diferente de 60 Hz tem aumentado significativamente. A tabela 2.4 apresenta exemplos de equipamentos lineares e não-lineares: Tabela 2.4 Exemplos de cargas lineares e não lineares Cargas Lineares Cargas não-lineares Motores Acionamentos com inversores de freqüência Lâmpadas incandescentes Lâmpadas fluorescentes compactas Cargas resistivas Controladores programáveis, fornos de indução, solda a arco, computadores, no-breaks (UPS) etc.. O aumento das cargas não lineares provocou distorções harmônicas nos sistemas de distribuição elétrica. Embora os capacitores não sejam geradores de harmônicas, eles podem agravar o problema. A existência de correntes harmônicas é um problema específico de cada instalação. Ela resulta de relações complexas entre todos os equipamentos eletroeletrônicos da instalação e, portanto, é muito difícil de prever e modelar. 45 EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL » redes próprias para iluminação com lâmpadas de descarga, usando-se reatores de baixo fator de potência, corrigem-se na entrada da rede; Energia Elétrica: conceitos, qualidade e tarifação » motores com menos de 10 cv corrigem-se por grupos; EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL Energia Elétrica:conceitos, qualidade e tarifação Uma discussão sobre Acionamentos de Freqüência Variável (AFV) poderá ajudar a explicar o problema dos harmônicos. Um AFV utiliza uma fonte chaveada para controlar a saída de potência. Num AFV de seis pulsos, o controle liga seis vezes por ciclo tentando simular uma onda senoidal. À medida que o tempo entre pulsos muda, o motor recebe uma freqüência aparente variável e muda sua velocidade. Essas mudanças na freqüência aparente levam a dois problemas: grandes picos de tensão, e formas de onda de corrente distorcidas. Os picos de tensão são geralmente muito rápidos e não afetam equipamentos que não utilizam a passagem por zero da tensão para sincronismo. A onda senoidal distorcida é o “gerador de harmônicos”. Os harmônicos causam um ruído adicional na linha, e esse ruído gera calor. O aumento de temperatura pode provocar falhas em disjuntores. Os capacitores de potência sofrem o mesmo problema. A sobrecarga térmica faz queimar os fusíveis dos capacitores. 46 Bancos de capacitores instalados na entrada de energia podem criar perigosas condições de ressonância. Nessas condições, os harmônicos gerados por equipamentos não lineares podem ser amplificados para valores absurdos. 2.5.5 Recomendações técnicas para instalação Para escolher a melhor opção para a correção do fator de potência, assim como avaliar a futura instalação dos bancos fixos e automáticos, é necessário efetuar estudos preliminares do local para que não ocorram problemas no futuro. 2.5.5.1 Local da instalação » Evitar exposição ao sol ou proximidade de equipamentos com temperaturas elevadas; » não bloquear a entrada e saída de ar dos gabinetes; » os locais devem ser protegidos contra materiais sólidos e líquidos em suspensão (óleos, poeira etc.); » não instalar os capacitores próximos ao teto; » Utilizar resistor de descarga e respeitar o tempo mínimo de descarga (de 1 a 3 minutos); » manter a corrente de surto sempre no máximo 100 vezes a corrente nominal; » utilizar contactores com resistores de pré-carga ou indutores anti-surto; » em bancos automáticos, a freqüência de ressonância não deverá coincidir com a freqüência de nenhum harmônico significativo na instalação; » utilizar fusíveis para a proteção dos capacitores; » se a instalação possuir mais de 20% de “cargas não lineares’’ (ex: inversores, soft-starters), deve-se medir os níveis de harmônicos; » não fazer interligações entre os terminais dos capacitores em bancos; » a seção dos cabos deve atender as características de corrente do sistema; » evitar soldar cabos nos terminais dos capacitores; » fazer aterramento individual para as unidades / bancos capacitivos; 47 EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL 2.5.5.2 Recomendações para dimensionamento e instalação Energia Elétrica: conceitos, qualidade e tarifação » no caso de ventilação forçada, a circulação do ar deverá ser de baixo para cima. » medir (monitorar) efetivamente a tensão no secundário do transformador antes de especificar a tensão dos capacitores, em carga e a vazio; » utilizar contactores com resistores de pré-carga para manobra de capacitores. EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL Energia Elétrica:conceitos, qualidade e tarifação 2.5.5.3 Recomendações para instalação dos cabos de comando (bancos automáticos) » Deverão ser utilizados cabos coaxiais ou dentro de tubulações independentes e aterrados na extremidade do controlador; » instalar a uma distância mínima de 50 cm em relação ao barramento principal. 2.5.5.4 Cuidados com a instalação localizada (cargas com alta inércia) 48 Deve-se instalar contactor para a comutação dos capacitores instalados junto a motores que operam cargas com alto momento de inércia, a fim de se evitar danos por sobretensão nos terminais do capacitor. 2.5.5.5 Fatores que podem ocasionar sobretensão nos terminais do capacitor » Tap do transformador com valor de tensão superior ao do capacitor; » fator de potência capacitivo; » harmônicos na rede elétrica; » descargas atmosféricas; » aplicar tensão nos capacitores já carregados. 2.5.6 Recomendações Técnicas para Manutenção preventiva » Verificar visualmente em todos os capacitores se houve atuação do dispositivo de segurança interno; » verificar se há fusíveis danificados; » a temperatura externa do capacitor deverá ser menor que 45ºC; » medir a tensão e a corrente em cada unidade na primeira energização, e realizar um acompanhamento das mesmas; » se atingirem, ao longo do tempo, valores menores do que 10% do nominal, os capacitores deverão ser substituídos; » manter o painel sempre limpo. 2.6 Tabelas exemplos 2.6.1 Tabelas orientativas Para o cálculo da correção do fator de potência de maneira simplificada pode-se utilizar a tabela 2.5. 49 EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL » nos bancos com ventilação forçada, simular o adequado funcionamento do termostato e do ventilador; Energia Elétrica: conceitos, qualidade e tarifação » verificar o funcionamento adequado dos contactores; EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL Energia Elétrica:conceitos, qualidade e tarifação Tabela 2.5 - Tabela simplificada para correção do fator de potência 50 Fator de Potência Atual 0,85 0,86 0,87 0,88 0,89 0,90 0,91 0,92 0,93 0,94 0,95 0,96 0,97 0,98 0,99 0,50 1,112 1,139 1,165 1,192 1,220 1,248 1,276 1,306 1,337 1,369 1,403 1,440 1,481 1,529 1,589 0,52 1,023 1,050 1,076 1,103 1,131 1,159 1,187 1,217 1,248 1,280 1,314 1,351 1,392 1,440 1,500 0,54 0,939 0,966 0,992 1,019 1,047 1,075 1,103 1,133 1,164 1,196 1,230 1,267 1,308 1,356 1,416 0,56 0,860 0,887 0,913 0,940 0,968 0,996 1,024 1,054 1,085 1,116 1,151 1,188 1,229 1,276 1,337 0,58 0,785 0,812 0,838 0,865 0,893 0,921 0,949 0,979 1,010 1,042 1,076 1,113 1,154 1,202 1,262 0,60 0,714 0,740 0,766 0,793 0,821 0,849 0,877 0,907 0,938 0,970 1,004 1,041 1,082 1,130 1,190 0,62 0,646 0,673 0,699 0,726 0,754 0,782 0,810 0,840 0,871 0,903 0,937 0,974 1,015 1,063 1,123 0,64 0,581 0,608 0,634 0,661 0,689 0,717 0,745 0,775 0,806 0,838 0,872 0,909 0,950 0,998 1,058 0,66 0,518 0,545 0,571 0,598 0,626 0,654 0,682 0,712 0,743 0,775 0,809 0,846 0,887 0,935 0,995 0,68 0,458 0,485 0,511 0,538 0,566 0,594 0,622 0,652 0,683 0,715 0,749 0,786 0,827 0,875 0,935 0,70 0,400 0,427 0,453 0,480 0,508 0,536 0,564 0,594 0,625 0,657 0,691 0,728 0,769 0,817 0,877 0,72 0,344 0,371 0,397 0,424 0,452 0,480 0,508 0,538 0,569 0,601 0,635 0,672 0,713 0,761 0,821 0,74 0,289 0,316 0,342 0,369 0,397 0,425 0,453 0,483 0,514 0,546 0,580 0,617 0,658 0,706 0,766 0,76 0,235 0,262 0,288 0,315 0,343 0,371 0,399 0,429 0,460 0,492 0,526 0,563 0,604 0,652 0,712 0,78 0,182 0,209 0,235 0,262 0,290 0,318 0,346 0,376 0,407 0,439 0,473 0,510 0,551 0,599 0,659 0,80 0,130 0,157 0,183 0,210 0,238 0,266 0,294 0,324 0,355 0,387 0,421 0,458 0,499 0,547 0,609 0,82 0,078 0,105 0,131 0,158 0,186 0,214 0,242 0,272 0,303 0,335 0,369 0,406 0,447 0,495 0,555 0,84 0,026 0,053 0,079 0,106 0,134 0,162 0,190 0,220 0,251 0,283 0,317 0,354 0,395 0,443 0,503 0,86 - 0,000 0,026 0,053 0,081 0,109 0,137 0,167 0,198 0,230 0,264 0,301 0,342 0,390 0,450 0,88 - - - 0,000 0,028 0,056 0,084 0,114 0,145 0,177 0,211 0,248 0,289 0,337 0,397 0,90 - - - - - 0,000 0,028 0,058 0,089 0,121 0,155 0,192 0,233 0,281 0,341 0,92 - - - - - - - 0,000 0,031 0,063 0,097 0,134 0,175 0,223 0,283 0,94 - - - - - - - - - 0,000 0,034 0,071 0,112 0,160 0,220 0,96 - - - - - - - - - - - 0,000 0,041 0,089 0,149 0,98 - - - - - - - - - - - - - 0,000 0,061 FATOR DE POTÊNCIA DESEJADO (F) Para a correção do fator de potência de motores, utiliza-se a seguinte fórmula: Q capm = (%carga) x P x F ÷ η onde: Q capm = potência reativa do capacitor necessário no motor [kVAr]; %carga = fator relativo à potência de trabalho do motor (para motor operando a 50% de carga tem-se P=0,5) [-]; [kW]; F = fator de multiplicação obtido na tabela anterior [-]; η = rendimento do motor em função do percentual de carga que está operando [-]. Para se calcular o valor da potência reativa necessária para elevar o fator de potência ao valor desejado, pode-se utilizar valores de fator de potência atual e potência ativa consumida (recomenda-se realizar a média dos últimos doze meses, no mínimo) das contas de energia elétrica e o fator encontrado na tabela anterior. Em casos de sazonalidade, deve-se fazer a análise dos períodos separadamente, levando-se em consideração o pior caso. 2.6.2 51 Exemplos Energia Elétrica: conceitos, qualidade e tarifação P = potência ativa do motor Tabela 2.6 - Exemplo de correção do fator de potência Fator de potência atual (FPA) 0,80 Potência ativa consumida (PA) 1000 kW Fator de potência desejado (FPD) 0,92 Fator (conforme tabela anterior) 0,324 Qc = PA x F = 1000 x 0,324 = 324 kVAr Para o exemplo da tabela 2.6 onde se pretende calcular o banco de capacitores para elevar o fator de potência de 0,80 indutivo para 0,92 indutivo, sendo a potência P = 1000 kW. O triângulo de potências é apresentado na figura 2.7. EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL 2.6.2.1 Primeiro Exemplo: Energia Elétrica:conceitos, qualidade e tarifação Figura 2.7 - Exemplo de correção do fator de potência Os índices A, N e C referem-se respectivamente a antigo, novo e capacitivo. Para a situação antiga (FP = 0,80) tem-se: Cos φA = 1000 kW ÷ SA ⇒ SA = 1000 kW ÷ 0,8 ⇒ SA = 1250 kVA QA = (12502 – 10002)1/2 ⇒ QA = 750 kVAr Para a situação nova (FP = 0,92) tem-se: 52 Cos φN = 1000 kW ÷ SN ⇒ SN = 1000 kW ÷ 0,92 ⇒ SN = 1086,9 kVA EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL Qn = (1086,92 – 10002)1/2 ⇒ QN = 426 kVAr Finalmente: Q C = 750 – 426 ⇒ Q C = 324 kVAr 2.6.2.2 Segundo Exemplo: Quando se corrige um fator de potência de uma instalação, conseguese um aumento de potência aparente disponível e também uma queda significativa da corrente conforme exemplo: Uma carga de 930 kW, 380V e FP=0,65 (deseja-se corrigir o fator de potência para 0,92): » Sem correção do fator de potência: Potência Aparente Inicial = 1431 kVA e Corrente Inicial = 2174 A. 53 EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL Neste caso poder-se-á aumentar 41% de carga na instalação. Energia Elétrica: conceitos, qualidade e tarifação » Com correção de fator de potência: Potência Aparente Final = 1010 kVA e Corrente Final = 1536 A. EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL Energia Elétrica:conceitos, qualidade e tarifação 54 3 QUALIDADE DA ENERGIA Tais alterações podem ocorrer em várias partes do sistema de energia, seja nas instalações de consumidores ou no sistema supridor da concessionária. Como causas mais comuns podem-se citar: perda de linha de transmissão, saída de unidades geradoras, chaveamentos de bancos de capacitores, curto-circuito nos sistemas elétricos, operação de cargas com características não-lineares etc.. Em um sistema elétrico ideal, as tensões em qualquer ponto deveriam ser perfeitamente senoidais, equilibradas, e com amplitude e freqüência constantes. Qualquer desvio acima de certos limites na característica desses parâmetros pode ser considerado como uma perda de qualidade de energia. Com o incremento de equipamentos compostos de cargas não lineares no sistema elétrico, o problema da distorção harmônica tem se tornado cada vez mais significativo. Algumas medidas de conservação, como por exemplo: a utilização de inversores de freqüência para o controle da velocidade de motores, utilização de lâmpadas fluorescentes compactas com reatores eletrônicos, controladores de potência para chuveiros, entre outras, podem interferir na qualidade do sistema elétrico, de forma a aumentar as perdas e até causarem danos e prejuízo aos consumidores e à concessionária. 55 EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL Qualquer distúrbio ou ocorrência manifestada nos níveis de tensão, corrente ou nas variações de freqüência que possa resultar em insuficiência, má operação, falha ou defeito em equipamentos de um sistema caracteriza-se como um problema de Qualidade de Energia Elétrica. Energia Elétrica: conceitos, qualidade e tarifação 3.1 Introdução 3.2 – Caracterização dos Distúrbios Os distúrbios envolvendo Qualidade de Energia podem ser agrupados segundo características relacionadas à sua duração e tipo de ocorrência. EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL Energia Elétrica:conceitos, qualidade e tarifação 3.2.1 - Interrupções Transitórias As interrupções transitórias são caracterizadas como a perda de potência durante 0,5 ciclo ou mais. As Concessionárias ainda classificam as interrupções como: » interrupção momentânea: perda de potência completa de duração menor que 2 segundos; » interrupção temporária: perda de potência completa de duração maior que 2 segundos e menor que 1 minuto; » interrupção sustentada: perda de potência com duração maior que 1 minuto. 3.2.2 - Variações de Tensão 56 Entende-se aqui qualquer variação na forma de onda da tensão senoidal e de freqüência 60 Hz de duração maior que 0,5 ciclo. Estas variações de tensão podem ser classificadas ainda como variações de curta duração e variações de longa duração. 3.2.2.1 Variações de tensão de curta duração. As variações de tensão aqui compreendidas são aquelas que ocorrem no valor eficaz da tensão num intervalo de tempo compreendido entre 0,5 ciclo a 1 minuto, e podem ser um estado de sobretensão ou um estado de subtensão. 3.2.2.1.1 Mergulho de tensão. É definido como um estado de sobretensão, um aumento no valor eficaz da tensão de duração entre 0,5 ciclo a 1 minuto. É o resultado, por exemplo, de uma rejeição de carga em algum ponto do sistema. 3.2.2.2 Variações de tensão de longa duração As variações de carga aqui compreendidas são aquelas que ocorrem no valor eficaz de tensão com duração superior a 1 minuto e que podem ser corrigidas pela utilização de bancos reguladores. São causadas por variações de cargas no sistema ou outros eventos e, inclusive, podem ser o resultado de má operação de bancos de reguladores ou de capacitores. 3.2.3 Distúrbios de Curtíssima Duração Os transitórios de tensão são caracterizados por serem unidirecionais, por terem duração na faixa ou inferior a microssegundos e por afetarem a forma de onda das grandezas elétricas. Podem ainda ser impulsivos ou oscilatórios. 3.2.3.1 Surtos São transitórios de origem atmosférica (descarga elétricas) e são chamados também de impulsos atmosféricos. São caracterizados por serem de freqüência normalmente maior que 5 kHz e de duração menor que 200 μseg. 57 EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL 3.2.2.1.2 Salto de tensão Energia Elétrica: conceitos, qualidade e tarifação E um estado de subtensão, uma redução da magnitude da valor eficaz de tensão de 10 % a 90 %, com duração entre 0,5 ciclo a 1 minuto. É o resultado, por exemplo, de alguma falta em algum ponto do sistema, normalmente, de sistemas adjacentes, da partida de grandes motores etc.. 3.2.3.2 Distúrbios Oscilatórios EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL Energia Elétrica:conceitos, qualidade e tarifação São caracterizados por terem duração menor que 30 ciclos, podendo ser de alta freqüência até 5 kHz ou baixa freqüência, menor que 300 Hz. Normalmente são o resultado de modificações na configuração elétrica do sistema como, por exemplo, a operação (chaveamento) de bancos de capacitores, cabos rompidos no sistema elétrico, manobras etc.. 3.2.4 - Distúrbios Periódicos 3.2.4.1 Distorções Harmônicas 58 As distorções harmônicas são caracterizadas por serem periódicas e ocorrem quando existe uma combinação das componentes da forma de onda senoidal, a fundamental e seus múltiplos inteiros, como a terceira, quinta, sétima etc., originando uma forma de onda distorcida da forma de onda original e limpa. Normalmente é o resultado de cargas não lineares ligadas no sistema elétrico como, por exemplo: transformadores, lâmpadas de descarga, retificadores, motores de indução, controladores de velocidade programáveis, compensadores estáticos de reativos etc.. 3.2.4.2 Corte É uma distorção na forma de onda de tensão devido a curto circuitos momentâneos na rede elétrica durante a comutação de chaves de conversores estáticos. A amplitude do corte será determinada pelo tempo de comutação da chave estática e que é uma função da reatância da fonte vista pelo retificador no ponto da onda em que a condição ocorre. 3.2.5 - Cintilação Cintilação luminosa pode ser definida como a sensação visual das variações do fluxo luminoso das lâmpadas (principalmente as A sensibilidade a este fenômeno embora varie de pessoa para pessoa, é mais comumente percebida para uma freqüência de 8 a 10 Hz e de amplitude de 0,8 a 1% do fluxo. 3.2.6 - Ruído O fenômeno conhecido como ruído é o resultado de uma perturbação aleatória superposta à forma de onda da grandeza elétrica, geralmente compreendida entre 0 a 2 MHz. As perturbações podem ter sua origem nas cargas de consumidores ou em componentes defeituosos do sistema e irão se propagar pelo mesmo, atingindo cargas suscetíveis em algum ponto do sistema. Normalmente este tipo de interferência é o resultado de operações defeituosas, ou instalação inadequada de componentes do sistema ou de consumidores, como por exemplo: » isoladores defeituosos; » operação de disjuntores quando de faltas para terra; » máquinas de solda; » correntes de faltas em circulação para terra quando em diferenças de potencial até 30 kV; 59 EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL O fenômeno é comum quando da existência de fornos a arco ligados num ponto do sistema e, embora equipamentos como televisores, aparelhos de raio-X, computadores e equipamentos eletrônicos sejam afetados, é a percepção desta variação pelo olho humano através das lâmpadas que caracteriza a existência do fenômeno. Energia Elétrica: conceitos, qualidade e tarifação incandescentes), quando ocorrem flutuações de tensão, ou seja, quando o valor eficaz da tensão de suprimento do sistema elétrico sofre variações em torno do seu valor nominal. Tais variações são geralmente rápidas, repetitivas, de baixa amplitude e de freqüência até 30 Hz. » problemas de dimensionamento, distribuição de circuitos, conexões etc., normalmente conhecidas como problemas de fiação; » processos com a presença de arco elétrico, em geral. EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL Energia Elétrica:conceitos, qualidade e tarifação 3.2.7 - Rádio Interferência Estas perturbações são de alta freqüência, da ordem de 0,5 a 100 MHz e são normalmente intermitentes. A Rádio Interferência se distingue do ruído pela forma de propagação; enquanto o ruído se propaga pelo sistema elétrico tendo como fonte os componentes internos (cargas ligadas ao sistema), a Rádio Interferência é gerada externamente ao sistema, propaga-se pelo ar e é captada por um componente do sistema atingindo um consumidor em algum ponto. 60 Pode-se dizer que a Rádio Interferência é um problema de poluição eletromagnética mais do que um problema de poluição elétrica. É normalmente o resultado de: » máquinas de soldas; » máquinas de eletro erosão; » estações de rádio amadores; » telefonia celular; » intercomunicadores etc.. 3.3 Causas e Efeitos de Alguns Distúrbios Relacionados com a Qualidade da Energia A seguir são apresentados alguns fenômenos que interferem na qualidade da energia elétrica. 3.3.1 - Depressão de Tensão » operação inadequada de equipamentos industriais como os Controladores Lógicos Programáveis (CLP’s), responsáveis pelo controle de processos industriais; de relés, responsáveis pela proteção do sistema elétrico; microprocessadores, componente usado em dispositivos de controle; » variação da velocidade ou parada de motores; » falhas em inversores de freqüência, usados para o controle de velocidade de motores, entre outros. 3.3.2 - Transitórios Causados por impulsos atmosféricos e surtos de manobras, os transitórios, via de regra, provocam a degradação ou falha imediata nos isolamentos de equipamentos elétricos, falhas em fontes eletrônicas e desligamentos indevidos em acionamentos de velocidade variável usados em motores. 61 Energia Elétrica: conceitos, qualidade e tarifação É causada por: Harmônicos é o nome dado para uma distorção na forma de onda do sinal elétrico que não possui somente a freqüência fundamental em sua composição, mas também sinais cujas freqüências são múltiplas da fundamental. 3.3.3.1 - Causas O aparecimento de harmônicos no sistema elétrico está diretamente ligado ao crescimento e uso disseminado das chamadas cargas não lineares. EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL 3.3.3 - Harmônicos Vários são os tipos de cargas não lineares que geram freqüências harmônicas. A maioria delas trabalha com correntes não senoidais. Existem também outros tipos de fenômenos ou arranjos que podem levar um dispositivo ou equipamento a se comportar como uma carga não linear. Entre eles, podem-se citar: » saturação do núcleo magnético de transformadores; EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL Energia Elétrica:conceitos, qualidade e tarifação » corrente inrush do transformador; » fornos elétricos a arco; » pontes trifásicas; » computadores e impressoras; » compensadores estáticos [VAr]; » televisores; » fornos de microondas; » reatores eletrônicos; » controladores de velocidade de motores; 62 » conversores DC. 3.3.3.2 Efeitos Os harmônicos causam diversos tipos de interferência no sistema elétrico e/ou equipamentos, onde se pode citar: » cabos: maiores níveis de perdas ôhmicas e dielétricas; » transformadores: maior nível de perdas, degradação do material isolante, redução de vida útil; » motores de Indução: sobreaquecimento, devido às perdas Joule; degradação do material isolante; torques oscilatórios e vibrações; redução de vida útil; » máquinas síncronas: maior nível de aquecimento, particularmente nos enrolamentos amortecedores; » capacitores: maior nível de aquecimento; perda de vida útil; » pontes retificadoras: problemas ligados a forma de onda, como por exemplo: comutação e sincronismo; » medidores de energia a indução: comprometimento da classe de precisão. 3.4 Ações para a Melhoria dos Índices de Qualidade da Energia As investigações sobre os níveis de qualidade da energia freqüentemente necessitam da realização de monitorações para a identificação exata do problema e determinação das soluções a serem implementadas. Entretanto, a alternativa da realização de exaustivas medições em campo, deve ser precedida de investigações sobre o sistema em análise, sendo necessário conhecer o processo industrial do consumidor, os equipamentos que estão sendo afetados, as instalações elétricas, os tipos de aterramentos, e as condições de operação. Algumas vezes, as soluções de problemas de qualidade da energia podem ser encontradas sem a realização de extensas monitorações, obtendo-se apenas informações sobre a instalação, conforme sugerido a seguir: » identificação da natureza dos problemas, como perda de dados, desligamentos indesejáveis, falhas de equipamentos, operação indevida de sistemas de controle etc.; » levantamento das características e níveis de suportabilidade dos equipamentos com problemas operacionais; 63 EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL » computadores: problemas operacionais, como por exemplo: torques pulsantes nos motores de acionamento das unidades de memória; Energia Elétrica: conceitos, qualidade e tarifação » relés: atuação incorreta; » verificação dos períodos de ocorrências dos problemas; EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL Energia Elétrica:conceitos, qualidade e tarifação » existência de problemas simultâneos ou manobras e operações que ocorram ao mesmo tempo, como o chaveamento de capacitores de potência; » presença de fontes capazes de variar o índice da qualidade da energia da instalação, como partida de motores, operação de equipamentos eletrônicos de potência, utilização de equipamentos a arco elétrico etc.; » utilização de dispositivos para a redução dos problemas de qualidade da energia; » levantamento de dados, como os diagramas unifilares, valores das potências e impedâncias dos transformadores, informações dos tipos de cargas, localização dos bancos de capacitores, características dos cabos etc.. 64 Na seqüência, é necessário o levantamento em campo das reais condições operacionais da instalação, o respectivo confronto com os dados e informações contidas nos diagramas unifilares e proceder apropriadamente às medições e monitorações em locais específicos do sistema elétrico. Muitos dispositivos de potência são desenvolvidos objetivando melhorar a qualidade da energia, proporcionando uma fonte de suprimento adequada a diversos tipos de equipamentos eletrônicos. A sua atuação consiste em eliminar ruídos e estabilizar a amplitude e a freqüência da forma de onda da tensão. As características de qualidade do sistema supridor são necessidades variáveis de acordo com cada aplicação, exigindo, assim, equipamentos utilizando tecnologias diferenciadas e oferecendo diversos níveis de proteção aos aparelhos elétricos. A escolha e o dimensionamento de um dispositivo para esta finalidade deve inicialmente atender aos seguintes requisitos: » levantar os gastos para eliminar ou atenuar os problemas. Algumas estimativas de custos devem ser associadas com os distúrbios do alimentador. Estas incluem a determinação dos prejuízos provenientes dos danos ocasionados ao hardware, pela perda de dados, queda de produtividade e erros no processo. 3.5 Legislação 3.5.1 Introdução A multiplicidade de equipamentos causadores de perturbação e a preocupação crescente sobre os seus efeitos, acarretaram a necessidade dos governos estabelecerem critérios e procedimentos que limitem os harmônicos a níveis aceitáveis, procurando-se estabelecer uma convivência adequada entre equipamentos perturbadores e equipamentos sensíveis aos harmônicos. Embora o assunto não esteja ainda devidamente normalizado no Brasil, as concessionárias de energia elétrica costumam estabelecer limites nas perturbações que as cargas dos consumidores poderão provocar em seus sistemas elétricos. 65 EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL » identificar os tipos de distúrbios elétricos. Para a determinação destes problemas, procedem-se a monitoração e verificação das estimativas futuras dos níveis de qualidade do suprimento elétrico; Energia Elétrica: conceitos, qualidade e tarifação » verificar se o problema é realmente de qualidade da energia. A perda da qualidade do suprimento energético é apenas uma das causas da operação indevida de equipamentos elétricos. Outros problemas de natureza diversificada (problemas de hardware e software, temperatura e umidade, ambientes poluídos etc.) podem interferir na operação de muitos equipamentos; Energia Elétrica:conceitos, qualidade e tarifação EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL A Europa é a região mais avançada no quesito normas de qualidade de energia, uma vez que a norma EN50160 foi oficialmente adotada por vários países. Ainda assim, estima-se que poucos contratos de fornecimento de energia incluam exigências de cumprimento desta norma. Nos EUA, muitas concessionárias têm usado normas como a IEEE 519 apenas como referência, raramente incluindo cláusulas sobre este assunto nos contratos com clientes. Alguns setores industriais iniciaram esforços para desenvolver normas próprias, como a SEMI - Semiconductor Equipment and Materials International, que congrega indústrias da área de semicondutores. Também pouco se tem notícia de aplicação destes tipos de normas em contratos com os fornecedores de energia. Entretanto, o clima de desregulamentação pode significar que contratos com cláusulas de qualidade de energia possam vir a ser comuns no futuro. 3.5.2 Definições 66 Os fatores de distorção devidos aos harmônicos de tensão e corrente servem como indicativos da presença de harmônicos em um sistema elétrico, e são definidos para fins de análise de um sistema elétrico de acordo com as expressões apresentadas a seguir: FD u % = Fator de distorção harmônica total da onda de tensão [%]; FD uh % = Fator de distorção harmônica individual da onda de tensão [%]; FD i % = Fator de distorção harmônica total da onda de corrente [%]; FD ih % = Fator de distorção harmônica individual da onda de corrente [%]; h = Ordem do harmônico (h = 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, ...) [-]; nm = Máxima ordem do harmônico simulado/medido (nm = 50) [-]; U 1 = Valor eficaz da tensão na freqüência fundamental (fase-terra) [V]; U h = Valor eficaz do harmônico de tensão de ordem h (fase-terra) [V]; I h = Valor eficaz do harmônico de corrente de ordem h [A]; I 1 = Valor eficaz da corrente na componente fundamental [A]. 67 Energia Elétrica: conceitos, qualidade e tarifação onde: Qualidade de Energia Atualmente existem normas que estabelecem critérios de avaliação e medição dos distúrbios causados pelas cargas não lineares, conforme descritos a seguir: » EN50160: é uma nova norma que engloba flicker, interharmônicos, desvios/variações de tensão. » IEC 61000-4-15: é uma norma de medição de flicker que inclui especificações para medidores. » IEC 61000-4-7: descreve uma técnica de medição padrão EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL 3.5.3 N o r m a s e O r g a n i z a ç õ e s r e l a c i o n a d a s c o m a para harmônicos. » IEC 868: oferece especificações para dispositivos de medição de flicker. Escrita em 1986, foi substituída pela IEC 61000-4-15. EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL Energia Elétrica:conceitos, qualidade e tarifação » IEEE 519 (1992): é uma prática recomendada pela IEEE. Descreve níveis aceitáveis de harmônicos para o ponto de entrega de energia pela concessionária. Esta é a norma atualmente mais utilizada pelas concessionárias de energia nos EUA. » IEEE 1159 (1995): é uma prática recomendada pela IEEE para monitoração e interpretação apropriada dos fenômenos que causam problemas de qualidade de energia. Três grupos da IEEE estão expandindo a norma 1159, com foco na medição (P1159.1), caracterização (P1159.2), e intercâmbio de informações (P1159.3) de qualidade de energia. » CBEMA: Computer and Business Equipment Manufacturers Association. A CBEMA virou ITI em 1994. A curva CBEMA descreve tensões de operação aceitáveis em termos de variação de magnitude ao longo do tempo. Distúrbios que caiam fora da curva podem causar danos aos equipamentos. 68 Para a elaboração destas normas existem grupos e associações, descritos a seguir, que representam os diversos setores da economia que são influenciados diretamente por estas normas, desta forma são debatidos os índices, critérios de avaliação e os prazos de vigência destes índices. » ITI: Information Technology Industry Council. Trabalha para defender os interesses da indústria de informática. » IEEE: Institute of Electrical and Electronics Engineers. Produz normas e procedimentos para os mais variados aspectos do uso da eletricidade. » IEC: International Electrotechnical Commission. Produz normas internacionais para a área de eletrotecnologia. » SEMI: Semiconductor Equipment and Materials International. Representa a indústria de semicondutores. O aspecto fundamental e inovador da norma IEEE-519, é a divisão da responsabilidade do problema de harmônicos entre os consumidores e a concessionária. Neste caso, os limites de distorções de tensão no ponto de ligação (tabela 3.1)são de responsabilidade da concessionária, e os limites de distorção de corrente (tabelas 3.2 e 3.3), neste mesmo ponto, são de responsabilidade dos consumidores. A recomendação da norma IEEE 519 limita a distorção dos harmônicos no Ponto de Acoplamento Comum (PAC – Ponto físico que liga a concessionária e o consumidor), sem levar em consideração cada consumidor individualmente. Tabela 3.1 - Limite da distorção da tensão U REDE [kV] FD uh (%) FD u (%) ≤ 69,00 3,0 5,0 69,01 - 161,00 1,5 2,5 ≥ 161,01 1,0 1,5 69 Tabela 3.2 - Limite da distorção de corrente para sistema de 120 V até 69 kV Energia Elétrica: conceitos, qualidade e tarifação 3.5.4 Recomendação da Norma Internacional IEEE STD 519-1992 ORDEM HARMÔNICA INDIVIDUAL h < 11 11 ≤ h <17 17 ≤ h < 23 23 ≤ h < 35 h ≥ 35 FD i (%) < 20 4,0 2,0 1,5 0,6 0,3 5,0 20 < 50 7,0 3,5 2,5 1,0 0,5 8,0 50 < 100 10,0 4,5 4,0 1,5 0,7 12,0 100 < 1000 12,0 5,5 5,0 2,0 1,0 15,0 > 1000 15,0 7,0 6,0 2,5 1,4 20,0 I SC / I L EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL DISTORÇÃO DO HARMÔNICO DE CORRENTE MÁXIMA EM PERCENTAGEM DE I L onde: I sc = Corrente de curto-circuito do ponto de acoplamento entre o consumidor e a concessionária I L = Demanda máxima de corrente da carga para o ponto de acoplamento comum Tabela 3.3 - Limite de distorção de corrente para sistema de 69 kV até 161 kV DISTORÇÃO DO HARMÔNICO DE CORRENTE MÁXIMA EM PERCENTAGEM DE I L EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL Energia Elétrica:conceitos, qualidade e tarifação ORDEM HARMÔNICA INDIVIDUAL I SC / I L h < 11 11 ≤ h <17 17 ≤ h < 23 23 ≤ h < 35 h ≥ 35 FD i (%) < 20 2,00 1,00 0,75 0,30 0,15 2,50 20 < 50 3,50 1,75 1,25 0,50 0,25 4,00 50 < 100 5,00 2,25 2,00 0,75 0,35 6,00 100 < 1.000 6,00 2,75 2,50 1,00 0,50 7,50 > 1.000 7,50 3,50 3,00 1,25 0,70 10,00 3.5.5 Recomendação da Norma Internacional IEC 1000 - 2 – 2 70 A norma européia IEC1000, referência mundial para as medições dos níveis harmônicos em sistemas de distribuição, fornece as principais características da tensão, no ponto de entrega ao consumidor, em baixa (tabela 3.4) e média tensão, sob condições normais de operação. Tabela 3.4 - Níveis de tensão harmônica individual em redes de baixa tensão Harmônicos ímpares não múltiplos de 3 Harmônicos ímpares múltiplos de 3 Harmônicos pares Ordem do harmônico n Harmônico de tensão % Ordem do harmônico n Harmônico de tensão % Ordem do harmônico n Harmônico de tensão % 5 7 11 13 17 19 23 25 > 25 6 5 3,5 3 2 1,5 1,5 1,5 0,2+0,5*25/n 3 9 15 21 > 21 5 1,5 0,3 0,2 0,2 2 4 6 8 10 12 > 12 2 1 0,5 0,5 0,5 0,2 0,2 3.5.6 Recomendação da Eletrobrás A recomendação brasileira (ELETROBRÁS, 1993) sugere limites harmônicos por consumidor (tabela 3.5) e globais(tabela 3.6) para sistemas de tensões inferiores e superiores a 69kV. Pares Ímpares Pares Ordem Valor Ordem Valor Ordem Valor Ordem Valor 3 a 25 ≥ 27 1,5 % 0,7 % Todos 0,6 % 3 a 25 ≥ 27 0,6 % 0,4 % Todos 0,3 % DHTV = 3 % DHTV = 1,5 % Tabela 3.6 - Limites globais de tensão em % da tensão fundamental - ELETROBRÁS, 1993 V ≥ 69 kV V < 69 kV Ímpares Pares Ímpares Pares Ordem Valor Ordem Valor Ordem Valor Ordem Valor 3, 5, 7 9, 11, 13 15 a 25 ≥ 27 5% 3% 2% 1% 2, 4, 6 2% 1% 1% 2% 1,5% 1% 0,5% 2, 4, 6 ≥8 3, 5, 7 9, 11, 13 15 a 25 ≥ 27 ≥8 0,5% DHTv = 6 % DHTv = 3 % Onde DHTv = distorção harmônica total da tensão. 71 EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL V ≥ 69 kV V < 69 kV Ímpares Energia Elétrica: conceitos, qualidade e tarifação Tabela 3.5 - Limites de tensão por consumidor expressos em % da tensão fundamental EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL Energia Elétrica:conceitos, qualidade e tarifação 72 4.1 Introdução Várias medidas de eficientização e otimização energética não são implantadas pelos consumidores responsáveis devido aos elevados custos envolvidos quando comparados aos possíveis decréscimos nas faturas de energia elétrica. Estas apresentam a quantia total que deve ser paga pela prestação do serviço público de energia elétrica, referente a um período especificado, discriminando as parcelas correspondentes. Assim, compreender a estrutura tarifária e como são calculados os valores expressos nas notas fiscais de energia elétrica é um parâmetro importante para a correta tomada de decisão em projetos envolvendo conservação de energia. A análise dos elementos que compõem esta estrutura, seja convencional ou horo-sazonal, é indispensável para uma tomada de decisão quanto ao uso eficiente da energia. A conta de energia é uma síntese dos parâmetros de consumo, refletindo a forma como a mesma é utilizada. Uma análise histórica, com no mínimo 12 meses, apresenta um quadro rico de informações e torna-se a base de comparação para futuras mudanças, visando mensurar potenciais de economia. Nesse sentido, o estudo e acompanhamento das contas de energia tornamse ferramentas importantes para a execução de um gerenciamento energético em instalações. Além disso, o resultado da análise permite que o instrumento contratual entre a concessionária e o consumidor torne-se adequado às necessidades deste, podendo implicar em redução de despesas com a eletricidade. Atualmente, o principal instrumento regulatório que estabelece e consolida as Condições Gerais de Fornecimento de Energia Elétrica é a Resolução ANEEL n0 456, de 29 de novembro de 2000. Além deste, 73 Energia Elétrica: conceitos, qualidade e tarifação TARIFAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL 4 Energia Elétrica:conceitos, qualidade e tarifação EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL serve como base legal o disposto no Decreto n.º 24.643, de 10 de julho de 1934 – Código de Águas, no Decreto n.º 41.019, de 26 de fevereiro de 1957 – Regulamento dos Serviços de Energia Elétrica; nas Leis n.º 8.987, de 13 de fevereiro de 1995 – Regime de Concessão e Permissão da Prestação dos Serviços Públicos; n.º 9.074, de 7 de julho de 1995 – Normas para Outorga e Prorrogação das Concessões e Permissões de Serviços Públicos; n.º 8.078, de 11 de setembro de 1990 - Código de Defesa do Consumidor; n.º 9.427, de 26 de dezembro de 1996 – Instituição da Agência Nacional de Energia Elétrica - ANEEL e no Decreto n.º 2.335, de 6 de outubro de 1997 - Constituição da Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL. O sistema tarifário de energia elétrica é um conjunto de normas e regulamentos que tem por finalidade estabelecer o preço da eletricidade para os diferentes tipos de consumidores. O órgão regulamentador do sistema tarifário vigente é a Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL, autarquia sob regime especial, vinculada ao Ministério das Minas e Energia - MME. 74 Ao longo da história do setor elétrico brasileiro as questões tarifárias, por um motivo ou outro, sempre estiveram presentes, quer seja do lado do consumidor, preocupado com os pagamentos de suas contas mensais, quer seja do lado das empresas concessionárias de energia elétrica, preocupadas com o fluxo de caixa, equilíbrio econômicofinanceiro e rentabilidade dos seus negócios. Para os consumidores a tarifa pode servir como um sinal econômico, motivando-o a economizar energia. No início do século passado, a entrada da Light canadense no Rio de Janeiro e em São Paulo foi protegida pela inclusão, nos contratos da época, de cláusulas prevendo a necessidade de atualizações tarifárias em decorrência de uma futura desvalorização da moeda brasileira. As empresas de capital externo precisavam adquirir divisas para honrarem seus compromissos financeiros externos e também remeterem os Com o Decreto-lei no 1.383, de 1974, tem-se o estabelecimento da política nacional de equalização tarifária. Neste mesmo ano de 1974, foi instituída a Reserva Global de Garantia-RGG, instrumento que serviu para transferir recursos gerados por empresas rentáveis para outras menos rentáveis. Ao longo dos anos, a fixação das tarifas serviu, ora como um instrumento econômico considerado por muitos como inadequado, caso da eqüalização tarifária, ora de política antiinflacionária, como ocorreu no período de 1975 até 1986. Como conseqüência desta política e de um crescente endividamento externo de algumas empresas, instalou-se forte crise financeira no setor elétrico. Neste período de tarifas equalizadas, os reajustes tarifários se baseavam na evolução do “custo do serviço” das empresas concessionárias de energia elétrica, composto basicamente pelos custos de operação e manutenção, mais uma remuneração garantida sobre o capital investido. Em 1993, com o advento das Leis nos 8.631 e 8.724 e do Decreto regulamentar no 774, iniciou-se uma nova fase do sistema de tarifas, buscando, entre outros objetivos, a recuperação do equilíbrio econômicofinanceiro das empresas. A Lei no 8.631 extinguiu o regime de remuneração garantida, terminou com a equalização tarifária e estabeleceu que a ELETROBRÁS também destinaria os recursos da Reserva Global de 75 EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL Ainda na primeira metade do século passado, tem-se um período caracterizado pela forte presença do Estado na regulamentação dos serviços de energia elétrica, como pode ser comprovado pela publicação do Código de Águas, em 10 de julho de 1934, (Decreto no 24.643), e da adoção do regime tarifário de serviço pelo custo (Decreto no 41.019, de 26/02/57). Energia Elétrica: conceitos, qualidade e tarifação dividendos. Um caminho encontrado foi a introdução da chamada cláusula ouro, onde as tarifas eram definidas parcialmente em papelmoeda e em ouro, atualizada esta última pelo câmbio médio mensal. Energia Elétrica:conceitos, qualidade e tarifação EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL Reversão - RGR para, entre outras finalidades, a reativação do programa de conservação de energia elétrica, mediante projetos específicos. Este fato possibilitou estimular e injetar uma soma significativa de recursos nos programas do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica - PROCEL. Outras importantes alterações foram a solução para os débitos acumulados da União para com o setor elétrico (Conta Resultados a Compensar – CRC) e a implantação de uma nova sistemática para o reajuste das tarifas. A partir da referida Lei, passou-se a aplicar uma fórmula paramétrica que garantia às concessionárias o reajuste das tarifas iniciais, propostas com base nos seus custos, por indicadores específicos destes custos. As tarifas seriam revisadas a cada três anos. Na prática, tentouse garantir aos concessionários um repasse para as tarifas das variações ocorridas nos seus custos. 76 Com a implantação do Plano Real, através da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1994, as tarifas foram convertidas em Real (URV) pela média dos valores praticados nos meses de dezembro de 1993 a março de 1994. A fórmula paramétrica definida em 1993 ficou suspensa, sendo que se estabeleceu a condição de não poder ocorrer reajuste de tarifas em prazo inferior a um ano. Em novembro de 1995, para as unidades consumidoras classificadas como Residencial, foram alteradas as faixas de desconto, extinguindo-se a progressividade para os clientes não enquadrados como baixa renda, ao mesmo tempo em que se reduziram os descontos existentes para as menores faixas de consumo. Dentro da classe Residencial, criou-se a subclasse Residencial Baixa Renda, com o objetivo de manter os subsídios para as menores faixas de consumo, dos menos favorecidos economicamente. As leis no 8.987, de 13 de fevereiro de 1995 e no 9.074, de 07 de julho de 1995, que dispõem sobre o regime das concessões, constituem importante marco legal para o setor elétrico, estabelecendo novas diretrizes para a administração das tarifas. Com a lei no 8.987, a política tarifária sofre nova alteração, instituindo-se o conceito de “tarifa pelo preço”. Ou seja, visando dar maiores incentivos à busca por Uma importante mudança no sistema tarifário brasileiro ocorreu com a implantação da tarifa horo-sazonal. O Decreto no 86.463, de 1981, já determinava que o então existente Departamento Nacional de Águas e Energia Elétrica – DNAEE, passaria a estabelecer diferenciações nas tarifas, tendo em vista os períodos do ano e os horários de utilização da energia. Optou-se, então, pelo emprego da teoria dos custos marginais, onde o custo marginal de fornecimento reflete o custo incorrido pelo sistema elétrico para atender o crescimento da carga. Este sistema tarifário permitiu a implantação de um sinal econômico para os consumidores, incentivando-os à maior utilização de energia durante os períodos de menor demanda ou de maior disponibilidade de oferta pelo sistema elétrico. A THS, como é também conhecida a tarifa horo-sazonal, teve suas primeiras portarias publicadas em 1982, sendo que a portaria DNAEE no 33, de 11 de fevereiro de 1988, consolidava todas as anteriores. A modalidade THS também prevê contemplar os consumidores de baixa tensão, notadamente os residenciais, através da tarifa amarela. Algumas concessionárias realizaram projetos pilotos de tarifa amarela, autorizadas na época pelo DNAEE, através da Portaria no 740, de 7 de novembro de 1994. 77 EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL Cabe ainda destacar a introdução nos contratos de concessão de cláusulas de garantia de preço, com fórmula de reajuste anual e critérios de revisões periódicas e extraordinárias; a introdução de mecanismos de competição com livre negociação de tarifas com a criação dos “Consumidores Livres”; promoção da desverticalização das atividades setoriais, visando dar transparência à definição dos preços de geração, transmissão, distribuição e comercialização. Energia Elétrica: conceitos, qualidade e tarifação eficiência e redução de custos, as tarifas seriam fixadas num processo licitatório onde a concessão seria dada ao agente que solicitasse a menor tarifa ou, alternativamente, uma vez fixadas no edital as tarifas iniciais, a concessão seria dada ao agente que oferecesse o maior pagamento pela concessão. Energia Elétrica:conceitos, qualidade e tarifação EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL O sistema de tarifação horo-sazonal permitiu a diferenciação na cobrança de energia elétrica de acordo com os períodos do dia (horários de ponta e fora de ponta) e com os períodos do ano (seco e úmido). Tal forma de tarifação trouxe vantagens para o sistema elétrico, pois levou a uma utilização mais racional da energia. Os consumidores por sua vez passaram a ter alternativas de deslocamento do seu consumo para períodos em que o custo é mais baixo, reduzindo gastos. Atualmente, este sistema tarifário bem como as modificações recentes envolvendo o fator de potência estão consolidadas na Resolução ANEEL n o 456, de29 de novembro de 2000. 4.2 Sistema elétrico O sistema elétrico de potência pode ser subdividido, para facilitar a compreensão, em sub-sistemas de transmissão, subtransmissão e distribuição: » Transmissão: Alta Tensão (AT) 78 Grandes unidades consumidoras: 69 a 500 kV » Subtransmissão: Média Tensão (MT) e AT Médias unidades consumidoras: 13,8 a 138 KV » Distribuição: MT e Baixa Tensão (BT) Pequenas unidades consumidoras: Residencial, Comercial, Industrial, Poder Público, Rural A localização das unidades consumidoras no sistema vai depender, basicamente, da característica de consumo de energia, isto é, de acordo com sua potência elétrica. Em sistemas de distribuição podem-se relacionar as cargas envolvidas da seguinte forma: » carga da unidade consumidora; » carga do transformador; » carga de uma rede primária ou linha de distribuição; É importante considerar que o regime dessas cargas não é fixo, varia de um valor mínimo a um valor máximo. Assim, o sistema deve estar preparado para atender a esse valor máximo. Deve-se considerar, ainda, que os valores máximos dessas cargas não ocorrem ao mesmo tempo, e para que não ocorra um superdimensionamento do sistema deve-se considerar uma diversidade de consumo para cada um dos níveis de carga. As curvas de carga variam de acordo com as características de uso e hábito das unidades consumidoras. Assim, as unidades consumidoras residencial, industrial, comercial, rural, iluminação pública etc., apresentam efeitos combinados sobre o sistema elétrico. 4.3 Definições e conceitos 79 EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL Para facilitar a compreensão dos conceitos e definições que virão a seguir, suponha a curva de carga apresentada pela figura 4.1. Esta curva representa as potências médias medidas em intervalos de 15 em 15 minutos de uma unidade consumidora. Energia Elétrica: conceitos, qualidade e tarifação » carga de uma subestação. Figura 4.1 - Curva de carga típica de uma unidade consumidora, ao longo de um dia 4.3.1 Energia elétrica ativa É o uso da potência ativa durante qualquer intervalo de tempo, sua unidade usual é o quilowatt-hora (kWh). Uma outra definição é “energia elétrica que pode ser convertida em outra forma de energia”. EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL Energia Elétrica:conceitos, qualidade e tarifação 4.3.2 Energia elétrica reativa É a energia elétrica que circula continuamente entre os diversos campos elétricos e magnéticos de um sistema de corrente alternada, sem produzir trabalho, expressa em quilovolt-ampère-reativo-hora (kvarh). 4.3.3 Demanda 80 É a média das potências elétricas ativas ou reativas, solicitadas ao sistema elétrico pela parcela da carga instalada em operação na unidade consumidora, durante um intervalo de tempo especificado. Assim, esta potência média, expressa em quilowatts (kW), pode ser calculada dividindo-se a energia elétrica absorvida pela carga em um certo intervalo de tempo Δt, por este intervalo de tempo Δt. Os medidores instalados no Brasil operam com intervalo de tempo Δt = 15 minutos (Decreto n° 62724 de maio de 1968). 4.3.4 Demanda máxima É a demanda de maior valor verificada durante um certo período (diário, mensal, anual etc.). Ver figura 4.2. 4.3.5 Demanda média É a relação entre a quantidade de energia elétrica (kWh) consumida durante um certo período de tempo e o número de horas desse período. Ver figura 4.2. 4.3.6 Demanda medida É a maior demanda de potência ativa, verificada por medição, integralizada no intervalo de 15 (quinze) minutos durante o período de faturamento, expressa em quilowatts (kW). Considerando um ciclo de faturamento de 30 dias, tem-se 720 horas e 2880 intervalos de 15 min. 4.3.7 Demanda contratada 81 EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL É a demanda de potência ativa a ser obrigatória e continuamente disponibilizada pela concessionária, no ponto de entrega, conforme valor e período de vigência fixados no contrato de fornecimento e que deverá ser integralmente paga, seja ou não utilizada, durante o período de faturamento, expressa em quilowatts (kW). A figura 4.3 exemplifica a demanda contratada. Energia Elétrica: conceitos, qualidade e tarifação Figura 4.2 - Demandas máxima e média de uma curva de carga Figura 4.3 - Demanda contratada para a curva de carga da unidade consumidora 4.3.8 Demanda faturável É o valor da demanda de potência ativa, identificada de acordo com os critérios estabelecidos e considerada para fins de faturamento, com aplicação da respectiva tarifa, expressa em quilowatts (kW). O Fator de Carga (FC) é a razão entre a demanda média (DMED) e a demanda máxima (DMAX) da unidade consumidora, ocorridas no mesmo intervalo de tempo (Δ t) especificado. sendo: 82 Obs: O FC pode ser calculado considerando um dia, uma semana, um mês etc.. As figuras 4.4 e 4.5 mostram a relação entre a demanda média e a máxima, através das áreas geradas pela curva de carga da unidade consumidora. EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL Energia Elétrica:conceitos, qualidade e tarifação 4.3.9 Fator de carga Figura 4.4 - Consumo de energia baseado na demanda média Verifica-se, então, que o fator de carga pode ser expresso pela relação entre o consumo real de energia e o consumo que haveria se a carga solicitasse, durante todo o tempo, de uma potência constante e igual à demanda máxima. Deve-se procurar trabalhar com um Fator de Carga o mais próximo possível da unidade. 4.3.10 Fator de potência O fator de potência é a razão entre a energia elétrica ativa e a raiz quadrada da soma dos quadrados das energias elétricas ativa e reativa, consumidas num mesmo período especificado. 4.3.11 Horários Fora de Ponta e de Ponta O horário de ponta (P) é o período definido pela concessionária e composto por 3 (três) horas diárias consecutivas, exceção feita aos sábados, domingos e feriados nacionais, considerando as características do seu sistema elétrico. O horário fora de ponta (F) é o período composto pelo conjunto das horas diárias consecutivas e 83 Energia Elétrica: conceitos, qualidade e tarifação Pode-se observar que a relação entre o consumo de energia devido à demanda média, pelo consumo de energia devido à demanda máxima, se traduz no Fator de Carga da unidade consumidora. EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL Figura 4.5 - Consumo de energia baseado na demanda máxima Figura 4.6 - Horários de ponta e fora de ponta para uma unidade consumidora Estes horários são definidos pela concessionária em virtude, principalmente, da capacidade de fornecimento que a mesma apresenta. A curva de fornecimento de energia típica de uma concessionária pode ser vista através da figura 4.7, onde o maior valor de demanda ocorre geralmente no horário de ponta. 84 EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL Energia Elétrica:conceitos, qualidade e tarifação complementares àquelas definidas no horário de ponta. A figura 4.6 apresenta um exemplo do exposto. Figura 4.7 - Curva típica de fornecimento de potência de uma concessionária 4.3.12 Períodos Seco e Úmido 4.3.13 Consumidor Pessoa física ou jurídica, ou comunhão de fato ou de direito, legalmente representada, que solicitar a concessionária o fornecimento de energia elétrica e assumir a responsabilidade pelo pagamento das faturas e pelas demais obrigações fixadas em normas e regulamentos da ANEEL, assim vinculando-se aos contratos de fornecimento, de uso e de conexão ou de adesão, conforme cada caso. 4.3.14 Unidade Consumidora Conjunto de instalações e equipamentos elétricos caracterizado pelo recebimento de energia elétrica em um só ponto de entrega, com medição individualizada e correspondente a um único consumidor. 4.4 Tensão de Fornecimento As Condições Gerais de Fornecimento de Energia Elétrica são estabelecidas pela Resolução ANEEL n0 456. Neste documento, as unidades consumidoras são divididas em grupos, distinguindo-se 85 EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL O período seco (S) corresponde ao período de 7 (sete) meses consecutivos iniciando-se em maio e finalizando-se em novembro de cada ano; é, geralmente, o período com pouca chuva. O período úmido (U) corresponde ao período de 5 (cinco) meses consecutivos, compreendendo os fornecimentos abrangidos pelas leituras de dezembro de um ano a abril do ano seguinte; é, geralmente, o período com mais chuva. Energia Elétrica: conceitos, qualidade e tarifação Estes períodos guardam, normalmente, uma relação direta com os períodos onde ocorrem as variações de cheias dos reservatórios de água utilizados para a geração de energia elétrica. EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL Energia Elétrica:conceitos, qualidade e tarifação uns dos outros pelo nível de tensão de fornecimento, apresentando cada um deles valores definidos de tarifa. Este nível de tensão está relacionado com a carga instalada na unidade consumidora. Competirá à concessionária estabelecer e informar ao interessado a tensão de fornecimento para a unidade consumidora, com observância dos seguintes limites: I - tensão secundária de distribuição: quando a carga instalada na unidade consumidora for igual ou inferior a 75 kW; II - tensão primária de distribuição inferior a 69 kV: quando a carga instalada na unidade consumidora for superior a 75 kW e a demanda contratada ou estimada pelo interessado, para o fornecimento, for igual ou inferior a 2.500 kW; III - tensão primária de distribuição igual ou superior a 69 kV: quando a demanda contratada ou estimada pelo interessado, para o fornecimento, for superior a 2.500 kW. 86 A empresa concessionária prestadora de serviço público de energia elétrica poderá estabelecer a tensão do fornecimento sem observar os limites anteriores, quando a unidade consumidora incluir-se em um dos seguintes casos: I - for atendível, em princípio, em tensão primária de distribuição, mas situar-se em prédio de múltiplas unidades consumidoras predominantemente passíveis de inclusão no critério de fornecimento em tensão secundária de distribuição, conforme o inciso I, art. 6º, e não oferecer condições para ser atendida nesta tensão; II - estiver localizada em área servida por sistema subterrâneo de distribuição, ou prevista para ser atendida pelo referido sistema de acordo com o plano já configurado no Programa de Obras da concessionária; III - estiver localizada fora de perímetro urbano; IV - tiver equipamento que, pelas suas características de funcionamento ou potência, possa prejudicar a qualidade do fornecimento a outros consumidores; e Para fins de faturamento, as unidades consumidoras são agrupadas em dois grupos tarifários, definidos, principalmente, em função da tensão de fornecimento e também, como conseqüência, em função da demanda. Se a concessionária fornece energia em tensão inferior a 2300 Volts, o consumidor é classificado como sendo do “Grupo B” (baixa tensão); se a tensão de fornecimento for maior ou igual a 2300 Volts, será o consumidor do “Grupo A” (alta tensão). Estes grupos foram assim definidos: 4.4.1 Grupo A Grupamento composto de unidades consumidoras com fornecimento em tensão igual ou superior a 2,3 kV, ou, ainda, atendidas em tensão inferior a 2,3 kV a partir de sistema subterrâneo de distribuição e faturadas neste Grupo, em caráter opcional, nos termos definidos na Resolução ANEEL n0 456, caracterizado pela estruturação tarifária binômia e subdividido nos subgrupos A1, A2, A3, A3a, A4 e AS. A tabela 4.1 apresenta estes subgrupos. 87 EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL O responsável por uma unidade consumidora atendível, a princípio, em tensão primária de distribuição, segundo os limites apresentados acima, poderá optar por tensão de fornecimento diferente daquela estabelecida pela concessionária, desde que, havendo viabilidade técnica do sistema elétrico, assuma os investimentos adicionais necessários ao atendimento no nível de tensão pretendido. Energia Elétrica: conceitos, qualidade e tarifação V - havendo conveniência técnica e econômica para o sistema elétrico da concessionária e não acarretar prejuízo ao interessado. Energia Elétrica:conceitos, qualidade e tarifação Tabela 4.1 - Tensão de Fornecimento - Grupo A Subgrupo Tensão de Fornecimento A1 ≥ 230 kV A2 88 kV a 138 kV A3 69 kV A3a 30 kV a 44 kV A4 2,3 kV a 25 kV AS Subterrâneo 4.4.2 Grupo B Grupamento composto de unidades consumidoras com fornecimento em tensão inferior a 2,3 kV, ou, ainda, atendidas em tensão superior a 2,3 kV e faturadas neste Grupo, nos termos definidos na Resolução ANEEL n o 456, caracterizado pela estruturação tarifária monômia e subdividido nos seguintes subgrupos: a) subgrupo B1 - residencial; b) subgrupo B1 - residencial baixa renda; 88 c) subgrupo B2 - rural; EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL d) subgrupo B2 - cooperativa de eletrificação rural; e) subgrupo B2 - serviço público de irrigação; f ) subgrupo B3 - demais classes; g)subgrupo B4 - iluminação pública. As tarifas aplicáveis aos fornecimentos de energia elétrica para iluminação pública serão estruturadas de acordo com a localização do ponto de entrega, a saber: I - tarifa B4a: aplicável quando o Poder Público for o proprietário do sistema de iluminação pública; II - tarifa B4b: aplicável quando o sistema de iluminação pública for de propriedade da concessionária. Estrutura Tarifária A estrutura tarifária é um conjunto de tarifas aplicáveis aos componentes de consumo de energia elétrica e/ou à demanda de potência ativa, de acordo com a modalidade de fornecimento de energia elétrica. 4.5.1 Estrutura Tarifária Convencional Esta estrutura é caracterizada pela aplicação de tarifas de consumo de energia elétrica e/ou demanda de potência, independentemente, das horas de utilização do dia e dos períodos do ano. 4.5.2 Estrutura Tarifária Horo-Sazonal Esta estrutura tarifária se caracteriza pela aplicação de tarifas diferenciadas de consumo de energia elétrica e de demanda de potência de acordo com as horas de utilização do dia e dos períodos do ano, conforme especificação a seguir: a) tarifa Azul: modalidade estruturada para aplicação de tarifas diferenciadas de consumo de energia elétrica de acordo com as horas de utilização do dia e os períodos do ano, bem como de tarifas diferenciadas de demanda de potência de acordo com as horas de utilização do dia; b) tarifa Verde: modalidade estruturada para aplicação de tarifas diferenciadas de consumo de energia elétrica de acordo 89 EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL 4.5 Energia Elétrica: conceitos, qualidade e tarifação Obs.: para efeito de aplicação de tarifas, a Resolução ANEEL no 456 apresenta a classificação das unidades consumidoras com as respectivas classes e subclasses, como por exemplo, unidade consumidora classe Rural e respectiva subclasse Agropecuária. com as horas de utilização do dia e os períodos do ano, bem como de uma única tarifa de demanda de potência; EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL Energia Elétrica:conceitos, qualidade e tarifação c) horário de ponta (P): é o período definido pela concessionária e composto por 3 (três) horas diárias consecutivas, exceção feita aos sábados, domingos e feriados nacionais, considerando as características do seu sistema elétrico; d) horário fora de ponta (F): período composto pelo conjunto das horas diárias consecutivas e complementares àquelas definidas no horário de ponta; e) período úmido (U): período de 5 (cinco) meses consecutivos, compreendendo os fornecimentos abrangidos pelas leituras de dezembro de um ano a abril do ano seguinte; f ) período seco (S): período de 7 (sete) meses consecutivos, compreendendo os fornecimentos abrangidos pelas leituras de maio a novembro. 90 4.5.3 Critérios de Inclusão Os critérios de inclusão na estrutura tarifária convencional ou horo-sazonal aplicam-se às unidades consumidoras do Grupo “A”, conforme as condições apresentadas a seguir, estabelecidas na Resolução ANEEL n o 456. I - na estrutura tarifária convencional: para as unidades consumidoras atendidas em tensão de fornecimento inferior a 69 kV, sempre que for contratada demanda inferior a 300 kW e não tenha havido opção pela estrutura tarifária horo-sazonal nos termos do item IV; II - compulsoriamente na estrutura tarifária horo-sazonal, com aplicação da Tarifa Azul: para as unidades consumidoras atendidas pelo sistema elétrico interligado e com tensão de fornecimento igual ou superior a 69 kV; b) a unidade consumidora faturada na estrutura tarifária convencional houver apresentado, nos últimos 11 (onze) ciclos de faturamento, 3 (três) registros consecutivos ou 6 (seis) alternados de demandas medidas iguais ou superiores a 300 kW; e IV - opcionalmente na estrutura tarifária horo-sazonal, com aplicação da Tarifa Azul ou Verde, conforme opção do consumidor: para as unidades consumidoras atendidas pelo sistema elétrico interligado e com tensão de fornecimento inferior a 69 kV, sempre que a demanda contratada for inferior a 300 kW. 91 O consumidor poderá optar pelo retorno à estrutura tarifária convencional, desde que seja verificado, nos últimos 11 (onze) ciclos de faturamento, a ocorrência de 9 (nove) registros, consecutivos ou alternados, de demandas medidas inferiores a 300 kW. Especificamente, para unidades consumidoras classificadas como Cooperativa de Eletrificação Rural, a inclusão na estrutura tarifária horo-sazonal será realizada mediante opção do consumidor. EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL a) a demanda contratada for igual ou superior a 300 kW em qualquer segmento horo-sazonal; ou Energia Elétrica: conceitos, qualidade e tarifação III - compulsoriamente na estrutura tarifária horo-sazonal, com aplicação da Tarifa Azul, ou Verde se houver opção do consumidor: para as unidades consumidoras atendidas pelo sistema elétrico interligado e com tensão de fornecimento inferior a 69 kV, quando: 4.6 Faturamento EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL Energia Elétrica:conceitos, qualidade e tarifação 4.6.1 Generalidades A fatura de energia elétrica é a nota fiscal que apresenta a quantia total que deve ser paga pela prestação do serviço público de energia elétrica, referente a um período especificado, discriminando as parcelas correspondentes. O valor líquido da fatura é o valor em moeda corrente, resultante da aplicação das respectivas tarifas de fornecimento, sem incidência de imposto, sobre os componentes de consumo de energia elétrica ativa, de demanda de potência ativa, de uso do sistema, de consumo de energia elétrica e demanda de potência reativas excedentes. Para as unidades consumidoras do Grupo B, tem-se um valor mínimo faturável referente ao custo de disponibilidade do sistema elétrico, de acordo com os limites fixados por tipo de ligação. 92 Segundo a Resolução ANEEL no 456, a concessionária deve efetuar as leituras, bem como os faturamentos, em intervalos de aproximadamente 30 (trinta) dias, observados o mínimo de 27 (vinte e sete) e o máximo de 33 (trinta e três) dias, de acordo com o calendário respectivo. O faturamento inicial deve corresponder a um período não inferior a 15 (quinze) nem superior a 47 (quarenta e sete) dias. A concessionária é obrigada a instalar equipamentos de medição nas unidades consumidoras, exceto em casos especiais, definidos na legislação, como por exemplo, para fornecimento destinado para iluminação pública. O fator de potência das instalações da unidade consumidora, para efeito de faturamento, deverá ser verificado pela concessionária por meio de medição apropriada, observados os seguintes critérios: I - unidade consumidora do Grupo A: de forma obrigatória e permanente; II - unidade consumidora do Grupo B: de forma facultativa, sendo admitida a medição transitória, desde que por um período mínimo de 7 (sete) dias consecutivos. I - monofásico e bifásico a 2 (dois) condutores: valor em moeda corrente equivalente a 30 kWh; II - bifásico a 3 (três) condutores: valor em moeda corrente equivalente a 50 kWh; III - trifásico: valor em moeda corrente equivalente a 100 kWh. Os valores mínimos serão aplicados sempre que o consumo, medido ou estimado, for inferior aos referidos acima e quando for constatado, no ciclo de faturamento, consumo medido ou estimado inferior, a diferença resultante não será objeto de futura compensação. 4.6.3 Faturamento de Unidade Consumidora do Grupo A 4.6.3.1 CRITÉRIOS DE FATURAMENTO O faturamento de unidade consumidora do Grupo A, observados, no fornecimento com tarifas horo-sazonais, os respectivos segmentos, será realizado com base nos valores identificados por meio dos critérios descritos a seguir. 93 EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL O faturamento de unidade consumidora do Grupo B realiza-se com base no consumo de energia elétrica ativa, e, quando aplicável, no consumo de energia elétrica reativa excedente. Os valores mínimos faturáveis, referentes ao custo de disponibilidade do sistema elétrico, aplicáveis ao faturamento mensal de unidades consumidoras do Grupo B, serão os seguintes: Energia Elétrica: conceitos, qualidade e tarifação 4.6.2 Faturamento de Unidade Consumidora do Grupo B I - demanda faturável: um único valor, correspondente ao maior dentre os a seguir definidos: Energia Elétrica:conceitos, qualidade e tarifação a) a demanda contratada ou a demanda medida, no caso de unidade consumidora incluída na estrutura tarifária convencional ou horo-sazonal, exceto se classificada como Rural ou reconhecida como sazonal; b) a demanda medida no ciclo de faturamento ou 10% (dez por cento) da maior demanda medida em qualquer dos 11 (onze) ciclos completos de faturamento anteriores, no caso de unidade consumidora incluída na estrutura tarifária convencional, classificada como Rural ou reconhecida como sazonal; c) a demanda medida no ciclo de faturamento ou 10% (dez por cento) da demanda contratada, observada a condição prevista na segunda observação abaixo, no caso de unidade consumidora incluída na estrutura tarifária horo-sazonal, classificada como Rural ou reconhecida como sazonal. 94 II - consumo de energia elétrica ativa: um único valor, correspondente ao maior dentre os a seguir definidos: EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL a) energia elétrica ativa contratada, se houver; ou b) energia elétrica ativa medida no período de faturamento. III - consumo de energia elétrica e demanda de potência reativa excedentes: quando o fator de potência da unidade consumidora, indutivo ou capacitivo, for inferior a 0,92 (noventa e dois centésimos). Uma parte da fatura de energia elétrica para a unidade consumidora incluída na estrutura tarifária convencional, pode ser determinada pela equação que segue: onde: CF = Consumo: é a quantidade de energia elétrica ativa faturada [kWh]; TC = Tarifa de Consumo: é o preço único para o consumo de energia elétrica R$/kWh]; DF = Demanda: é a quantidade de demanda faturada [kW]; TD = Tarifa de Demanda: é o valor cobrado por unidade de demanda [R$/kW]; ICMS = índice do imposto sobre circulação de mercadorias e serviços [p.u.]. Observações: » Para fins de faturamento, na impossibilidade de avaliação do consumo nos horários de ponta e fora de ponta, esta segmentação será efetuada proporcionalmente ao número de horas de cada segmento. » A cada 12 (doze) meses, a partir da data da assinatura do contrato de fornecimento, deverá ser verificada, por segmento horário, demanda medida não inferior à contratada em pelo menos 3 (três) ciclos completos de faturamento, ou, caso contrário, a concessionária poderá cobrar, complementarmente, na fatura referente ao 12º (décimo segundo) ciclo, as diferenças positivas entre as 3 (três) maiores demandas contratadas e as respectivas demandas medidas. » Relativamente à unidade consumidora localizada em área ser vida por sistema subterrâneo ou prevista para ser atendida pelo referido sistema, de acordo com o programa de obras da concessionária, o consumidor poderá optar por faturamento com aplicação das tarifas do Subgrupo AS, desde que o fornecimento seja feito em tensão 95 Energia Elétrica: conceitos, qualidade e tarifação [R$]; EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL VPF = Valor Parcial da Fatura de energia elétrica secundária de distribuição e possa ser atendido um dos seguintes requisitos: I - verificação de consumo de energia elétrica ativa mensal igual ou superior a 30 MWh em, no mínimo, 3 (três) ciclos completos e consecutivos nos 6 (seis) meses anteriores à opção; ou Energia Elétrica:conceitos, qualidade e tarifação II - celebração de contrato de fornecimento fixando demanda contratada igual ou superior a 150 kW. 4.6.3.2 Tarifa Azul A Tarifa Azul será aplicada considerando a seguinte estrutura tarifária: I - demanda de potência (kW): a) um preço para horário de ponta (P); e b) um preço para horário fora de ponta (F). II - consumo de energia (kWh): a) um preço para horário de ponta em período úmido (PU); 96 b) um preço para horário fora de ponta em período úmido (FU); EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL c) um preço para horário de ponta em período seco (PS); e d) um preço para horário fora de ponta em período seco (FS). Uma parte da fatura de energia elétrica, para a unidade consumidora incluída na estrutura tarifária horo-sazonal azul, é calculada de acordo com as seguintes expressões: » No período seco » No período úmido onde: f = índice que indica o horário fora de ponta; s = índice que indica o período seco; u = índice que indica o período úmido; 4.6.3.3 Tarifa Verde A Tarifa Verde será aplicada considerando a seguinte estrutura tarifária: I - demanda de potência (kW): um preço único. II - consumo de energia (kWh): a) um preço para horário de ponta em período úmido (PU); b) um preço para horário fora de ponta em período úmido (FU); 97 Energia Elétrica: conceitos, qualidade e tarifação p = índice que indica o horário de ponta; d) um preço para horário fora de ponta em período seco (FS). Uma parte da fatura de energia elétrica para a unidade consumidora incluída na estrutura tarifária horo-sazonal verde é calculado de acordo com as seguintes expressões: » No período seco » No período úmido EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL c) um preço para horário de ponta em período seco (PS); e Energia Elétrica:conceitos, qualidade e tarifação Observações: » A ANEEL pode autorizar, mediante fundamentada justificativa técnica da concessionária, a adoção de horários de ponta ou de fora de ponta e de períodos úmidos ou secos diferentes daqueles estabelecidos, em decorrência das características operacionais do subsistema elétrico de distribuição ou da necessidade de estimular o consumidor a modificar o perfil de consumo e/ou demanda da unidade consumidora. 98 » Com o propósito de permitir o ajuste da demanda a ser contratada, a concessionária deve oferecer ao consumidor um período de testes, com duração mínima de 3 (três) ciclos consecutivos e completos de faturamento, durante o qual será faturável a demanda medida, observados os respectivos segmentos horo-sazonais, quando for o caso. A concessionária pode dilatar o período de testes mediante solicitação fundamentada do consumidor. EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL 4.6.3.4 Tarifa de Ultrapassagem Sobre a parcela da demanda medida, que superar a respectiva demanda contratada, será aplicada uma tarifa com valor majorado, denominada tarifa de ultrapassagem, caso aquela parcela seja superior aos limites mínimos de tolerância a seguir fixados: I - 5% (cinco por cento) para unidade consumidora atendida em tensão de fornecimento igual ou superior a 69 kV; e II - 10% (dez por cento) para unidade consumidora atendida em tensão de fornecimento inferior a 69 kV. » Ultrapassagem na Ponta: » Ultrapassagem Fora da Ponta: b) Tarifa Verde 99 onde: DM = demanda medida [kW]; DC = demanda contratada [kW]; TU = tarifa de ultrapassagem p = índice que indica horário de ponta; f = índice que indica horário fora de ponta. [R$/kW]; EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL a) Tarifa Azul Energia Elétrica: conceitos, qualidade e tarifação Esta tarifa de ultrapassagem aplicável a unidade consumidora faturada na estrutura tarifária convencional, será correspondente a 3 (três) vezes o valor da tarifa normal de fornecimento. Quando inexistir o contrato por motivo atribuível exclusivamente ao consumidor e o fornecimento não estiver sendo efetuado no período de testes, a concessionária aplicará a tarifa de ultrapassagem sobre a totalidade da demanda medida. O faturamento da ultrapassagem da demanda (FDU) será feito segundo as seguintes expressões: 4.6.3.5 Resumo do Faturamento Tarifário A tabela 4.2 apresenta as modalidades de faturamento tarifário resumidamente. Tabela 4.2 - Resumo das modalidades de faturamento AZUL VERDE CONVENCIONAL Um preço para ponta EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL Energia Elétrica:conceitos, qualidade e tarifação Demanda (kW) Preço único Preço único Um preço para fora de ponta Um preço - ponta - período úmido Um preço - fora de ponta - período úmido Consumo (kWh) Preço único Um preço - ponta - período seco Um preço - fora de ponta - período seco 4.6.4 ETST - Energia Temporária para Substituição 100 É a energia suplementar à energia firme, ocasionalmente, disponível em sistemas de origem hidráulica, em decorrência de condições favoráveis, podendo seu fornecimento ser interrompido, a qualquer momento, por períodos e critérios estabelecidos contratualmente. Destina-se à unidades consumidoras atendidas em tensão superior a 2,3 kV ou sistema subterrâneo, Grupo A e Subgrupo AS respectivamente, para uso exclusivo em processos bioenergéticos, em substituição a outras fontes energéticas. 4.6.4.1 Requisitos necessários Carta solicitando a Energia Temporária para Substituição - ETST, contendo as seguintes informações: » cronograma de demandas em função da entrada em operação dos equipamentos, sendo que os valores poderão ser, no máximo iguais à potência nominal desses equipamentos; » montante mensal de energia elétrica a ser contratado deverá ser estabelecido em função do regime operativo do equipamento elétrico, sendo que o valor máximo não poderá exceder ao calculado conforme a expressão a seguir: EE = kW x 665 horas kW = demanda contratada [kW]; 665 = número médio de horas mensal do segmento fora de ponta [h]. » a quantidade, tipo e as características dos equipamentos que serão substituídos e/ou evitados, bem como os instalados; » a quantidade mensal e tipo dos insumos energéticos que deixarão de ser utilizados. 4.6.5 ICMS: Cobrança E Sua Aplicação O Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Ser viços ICMS incidente sobre o fornecimento de energia elétrica.é um imposto cujas taxas são definidas em lei estadual. Cabe à concessionária, na qualidade de contribuinte legal e substituto tributário do referido imposto, dentro de sua área de concessão, apenas a tarefa de recolher ao Erário Estadual as quantias cobradas nas Faturas de Energia Elétrica. O ICMS é devido por todos os consumidores. O cálculo do ICMS é efetuado de forma onde o montante do imposto integra a sua própria base de cálculo (cálculo por dentro). 101 EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL EE = montante máximo mensal de energia elétrica a ser contratada [kWh]; Energia Elétrica: conceitos, qualidade e tarifação onde: Para operacionalizar o cálculo é adotada a fórmula abaixo, definida pelo Conselho de Política Fazendária - Confaz: EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL Energia Elétrica:conceitos, qualidade e tarifação onde: 4.6.6 102 F = Fornecimento [R$]; X = Alíquota / 100 [pu]. Cobrança de Multa e seu Percentual Na hipótese de atraso no pagamento da fatura, sem prejuízo de outros procedimentos previstos na legislação aplicável, será cobrada multa limitada ao percentual máximo de 2 % (dois por cento) sobre o valor total da fatura em atraso, cuja cobrança não poderá incidir sobre o valor da multa eventualmente apresentada na fatura anterior. O mesmo percentual incidirá sobre a cobrança de outros serviços prestados, exceto quando o contrato entre o consumidor e o prestador do serviço estipular percentual menor. 4.6.7 Fator de Potência ou Energia Reativa Excedente 4.6.7.1 Introdução As mudanças ocorridas com o fator de potência tiveram início na Portaria DNAEE n° 1569, de 23/12/1993 e, atualmente, estão consolidadas na Resolução ANEEL n 0 456, de 29 de novembro de 2000. O fator de potência (FP) é um índice que reflete como a energia está sendo utilizada, mostrando a relação entre a energia realmente útil (ativa – W) e a energia total (aparente – VA), fornecida pelo sistema elétrico. O faturamento correspondente ao consumo de energia elétrica e à demanda de potência reativas excedentes pode ser feito de duas formas distintas: » por avaliação horária: através de valores de energia ativa e reativa medidas de hora em hora durante o ciclo de faturamento, obedecendo aos períodos para verificação das energias reativas indutiva e capacitiva; » por avaliação mensal: através de valores de energia ativa e reativa medidas durante o ciclo de faturamento. Os novos critérios para faturamento regulamentam a cobrança de excedente de energia reativa abandonando a figura do “ajuste por baixo fator de potência” a qual sempre se associou a idéia de multa. O excedente de reativo indutivo ou capacitivo, que ocorre quando o fator de potência indutivo ou capacitivo é inferior ao fator de potência de referência, 0,92, é cobrado utilizando-se as tarifas de fornecimento de energia ativa. Surge então o conceito de energia ativa reprimida, ou seja, a cobrança pela circulação de excedente de reativo no sistema elétrico. 4.6.7.2 Faturamento do Fator de Potência por Posto Horário Para unidade consumidora faturada na estrutura tarifária horo-sazonal ou na estrutura tarifária convencional com medição apropriada, 103 EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL A energia reativa capacitiva passa a ser medida e faturada. Sua medição será feita no período entre 23 h e 30 min e 6 h e 30 min e a medição da energia reativa indutiva passa a ser limitada ao período diário complementar. Energia Elétrica: conceitos, qualidade e tarifação A resolução fixa o fator de potência de referência “fr”, indutivo ou capacitivo, em 0,92 como limite mínimo permitido para as instalações elétricas das unidades consumidoras. Para as unidades consumidoras do Grupo A, a medição do FP será obrigatória e permanente, enquanto que para aquelas do Grupo B, a medição será facultativa. EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL Energia Elétrica:conceitos, qualidade e tarifação o faturamento correspondente ao consumo de energia elétrica e à demanda de potência reativas excedentes será calculado de acordo com as seguintes fórmulas: onde: FER(p) = valor do faturamento, por posto horário “p”, correspondente ao consumo de energia reativa excedente à quantidade permitida pelo fator de potência de referência “f r”, no período de faturamento; CAt = consumo de energia ativa medida em cada intervalo de 1 (uma) hora “t”, durante o período de faturamento; f r = fator de potência de referência igual a 0,92; 104 ft = fator de potência da unidade consumidora, calculado em cada intervalo “t” de 1 (uma) hora, durante o período de faturamento, considerando as definições dispostas na observação 1 apresentada neste item; TCA(p) = tarifa de energia ativa, aplicável ao fornecimento em cada posto horário “p”; FDR(p) = valor do faturamento, por posto horário “p”, correspondente à demanda de potência reativa excedente à quantidade permitida pelo fator de potência de referência “f r” no período de faturamento; DAt = demanda medida no intervalo de integralização de 1 (uma) hora “t”, durante o período de faturamento; DF(p) = demanda faturável em cada posto horário “p” no período de faturamento; TDA(p) = tarifa de demanda de potência ativa aplicável ao fornecimento em cada posto horário “p”; p = indica posto horário, ponta ou fora de ponta, para as tarifas horosazonais ou período de faturamento para a tarifa convencional; e n = número de intervalos de integralização “t”, por posto horário “p”, no período de faturamento. Observações: 1. Nas fórmulas FER(p) e FDR(p) serão considerados: a) durante o período de 6 horas consecutivas, compreendido, a critério da concessionária, entre 23 h e 30 min e 06h e 30 min, apenas os fatores de potência “f t” inferiores a 0,92 capacitivo, verificados em cada intervalo de 1 (uma) hora “t”; e b) durante o período diário complementar ao definido na alínea anterior, apenas os fatores de potência “ft” inferiores a 0,92 indutivo, verificados em cada intervalo de 1 (uma) hora “t”. 2. O período de 6 (seis) horas definido na alínea “a” do parágrafo anterior deverá ser informado pela concessionária aos respectivos consumidores com antecedência mínima de 1 (um) ciclo completo de faturamento. 3. Havendo montantes de energia elétrica estabelecidos em contrato, o faturamento correspondente ao consumo de energia 105 EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL t = indica intervalo de 1 (uma) hora, no período de faturamento; Energia Elétrica: conceitos, qualidade e tarifação MAX = função que identifica o valor máximo da fórmula, dentro dos parênteses correspondentes, em cada posto horário “p”; reativa, verificada por medição apropriada, que exceder às quantidades permitidas pelo fator de potência de referência “f r”, será calculado de acordo com a seguinte fórmula: EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL Energia Elétrica:conceitos, qualidade e tarifação onde: FER(p) = valor do faturamento, por posto horário “p”, correspondente ao consumo de energia reativa excedente à quantidade permitida pelo fator de potência de referência “f r”, no período de faturamento; CAt = consumo de energia ativa medida em cada intervalo de 1 (uma) hora “t”, durante o período de faturamento; f r = fator de potência de referência igual a 0,92; 106 ft = fator de potência da unidade consumidora, calculado em cada intervalo “t” de 1 (uma) hora, durante o período de faturamento, considerando as definições dispostas na observação 1 apresentada neste item; CF(p) = consumo de energia elétrica ativa faturável em cada posto horário “p” no período de faturamento; e TCA(p) = tarifa de energia ativa, aplicável ao fornecimento em cada posto horário “p”. 4.6.7.3 Faturamento do Fator de Potência por Valor Médio Para unidade consumidora faturada na estrutura tarifária convencional, enquanto não forem instalados equipamentos de medição que permitam a aplicação das fórmulas apresentadas anteriormente, a concessionária poderá realizar o faturamento de energia e demanda de potência reativas excedentes utilizando as seguintes fórmulas: CA = consumo de energia ativa medida durante o período de faturamento; f r = fator de potência de referência igual a 0,92; f m = fator de potência indutivo médio das instalações elétricas da unidade consumidora, calculado para o período de faturamento; TCA = tarifa de energia ativa, aplicável ao fornecimento; FDR = valor do faturamento total correspondente à demanda de potência reativa excedente à quantidade permitida pelo fator de potência de referência, no período de faturamento; DM = demanda medida durante o período de faturamento; DF = demanda faturável no período de faturamento; e TDA = tarifa de demanda de potência ativa aplicável ao fornecimento. Observação: 1. Havendo montantes de energia elétrica estabelecidos em contrato, o faturamento correspondente ao consumo de energia 107 EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL FER = valor do faturamento total correspondente ao consumo de energia reativa excedente à quantidade permitida pelo fator de potência de referência, no período de faturamento; Energia Elétrica: conceitos, qualidade e tarifação onde: reativa, verificada por medição apropriada, que exceder às quantidades permitidas pelo fator de potência de referência “f r”, será calculado de acordo com a seguinte fórmula: Energia Elétrica:conceitos, qualidade e tarifação onde: FER = valor do faturamento total correspondente ao consumo de energia reativa excedente à quantidade permitida pelo fator de potência de referência, no período de faturamento; CA = consumo de energia ativa medida durante o período de faturamento; f r = fator de potência de referência igual a 0,92; f m = fator de potência indutivo médio das instalações elétricas da unidade consumidora, calculado para o período de faturamento; 108 CF = consumo de energia elétrica ativa faturável no período de faturamento; e EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL TCA = tarifa de energia ativa, aplicável ao fornecimento. 4.6.7.4 Faturamento do Fator de Potência com base em Medição Transitória Para unidade consumidora do Grupo B, cujo fator de potência tenha sido verificado por meio de medição transitória (desde que por um período mínimo de 7 (sete) dias consecutivos), o faturamento correspondente ao consumo de energia elétrica reativa indutiva excedente só poderá ser realizado de acordo com os seguintes procedimentos: I - a concessionária deverá informar ao consumidor, via correspondência específica, o valor do fator de potência encontrado, o prazo para a respectiva correção, a possibilidade de faturamento relativo ao consumo excedente, bem como outras orientações julgadas convenientes; IV - a partir do recebimento da comunicação do consumidor, a concessionária terá o prazo de 15 (quinze) dias para constatar a correção e suspender o faturamento relativo ao consumo excedente. 4.6.7.5 Outras Considerações sobre o Fator de Potência A concessionária deverá conceder um período de ajustes, com duração mínima de 3 (três) ciclos consecutivos e completos de faturamento, objetivando permitir a adequação das instalações elétricas da unidade consumidora, durante o qual o faturamento será realizado com base no valor médio do fator de potência, quando ocorrer: I - pedido de fornecimento novo passível de inclusão na estrutura tarifária horo-sazonal; II - inclusão compulsória na estrutura tarifária horo-sazonal, conforme disposto no inciso III, ou III - solicitação de inclusão na estrutura tarifária horosazonal decorrente de opção de faturamento ou mudança de Grupo tarifário. 109 EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL III - findo o prazo e não adotadas as providências, o fator de potência verificado poderá ser utilizado nos faturamentos posteriores até que o consumidor comunique a correção do mesmo; e Energia Elétrica: conceitos, qualidade e tarifação II - a partir do recebimento da correspondência, o consumidor disporá do prazo mínimo de 90 (noventa) dias para providenciar a correção do fator de potência e comunicar à concessionária; EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL Energia Elétrica:conceitos, qualidade e tarifação A concessionária poderá dilatar o período de ajustes mediante solicitação fundamentada do consumidor. Durante o período de ajustes aqui mencionado, a concessionária informará ao consumidor os valores dos faturamentos que seriam efetivados e correspondentes ao consumo de energia elétrica e a demanda de potência reativas excedentes. Para fins de faturamento de energia e demanda de potência reativas excedentes serão considerados somente os valores ou parcelas positivas das mesmas. Nos faturamentos relativos à demanda de potência reativa excedente não serão aplicadas as tarifas de ultrapassagem. 4.7 Análise do Perfil de Utilização da Energia Elétrica Com a possibilidade de reduções na carga total instalada, a partir do aumento de eficiência dos sistemas consumidores instalados, deve-se, também, considerar a otimização da demanda de potência em função de níveis mais baixos de consumo de kWh. 110 Outras possibilidades de otimização devem ser consideradas, tais como a análise da opção tarifária e a correção do fator de potência. 4.7.1 Otimização da Demanda de Potência A análise da demanda tem por objetivo a sua adequação às reais necessidades da unidade consumidora. São analisadas as demandas de potência contratada, medidas e as efetivamente faturadas. A premissa básica é a de se procurar reduzir ou mesmo eliminar as ociosidades e ultrapassagens de demanda. Assim, a unidade consumidora estará trabalhando adequadamente quando os valores de demanda de potência registrados, contratados e faturados tiverem o mesmo valor, ou, pelo menos, apresentarem 111 Figura 4.9 - Contrato insuficiente de demanda Deve-se, nesse ponto, considerar a possibilidade de reduções nas demandas contratadas em função de alterações nos principais sistemas consumidores, com a redução das cargas instaladas e a introdução de controles automatizados para a modulação ótima da carga. Para assegurar mínimas despesas mensais com a Fatura de Energia Elétrica, é fundamental a escolha dos valores para as demandas a serem contratadas junto às concessionárias de eletricidade, que devem ser adequados às reais necessidades da empresa. Esse procedimento deve ser observado tanto quando se faz a opção pela estrutura tarifária, como na renovação periódica do contrato. EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL Figura 4.8 - Contrato ocioso de demanda Energia Elétrica: conceitos, qualidade e tarifação valores próximos, pois assim estará pagando por aquilo que realmente necessita. As figuras 4.8 e 4.9 exemplificam o exposto. A importância na fixação de valores adequados de contrato reside em dois pontos importantes da legislação: EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL Energia Elétrica:conceitos, qualidade e tarifação » se a demanda solicitada for inferior à contratada, será faturada a demanda contratada; » nos contratos de tarifas horo-sazonais, serão aplicadas as tarifas de ultrapassagem, caso a demanda registrada ultrapasse a contratada em porcentuais superiores aos limites estabelecidos. Dessa forma, se as demandas contratadas não forem aquelas realmente necessárias e suficientes para cada segmento horário, haverá elevação desnecessária dos custos com energia elétrica. O super ou subdimensionamento das demandas contratadas geram aumentos de custos que podem e devem ser evitados. O ideal é ser sempre faturado pelo valor efetivamente utilizado em cada ciclo de faturamento. 112 Outro ponto importante é que, uma vez fixado os valores de contrato, deve-se supervisionar e controlar o consumo de energia de forma a evitar que algum procedimento inadequado venha a provocar uma elevação desnecessária da demanda. Para as empresas, onde a demanda registrada varia muito ao longo do tempo, pode ser conveniente a instalação de um sistema automático de supervisão e controle da demanda. 4.7.2 Análise de Opção Tarifária A otimização tarifária é a escolha da tarifa mais conveniente para a unidade consumidora, considerando-se o seu regime de funcionamento, as características do seu processo de trabalho, bem como a oportunidade/possibilidade de se fazer modulação de carga. A simulação realizada com os dados obtidos nas contas de energia elétrica confirma, ou não, a tarifa utilizada como a mais conveniente, e com os fatores de carga vigentes e a legislação tarifária em vigor, aponta a tarifa que proporciona o menor custo médio. No entanto, é possível dizer que as tarifas horo-sazonais apresentam maiores possibilidades para gerenciamento das despesas com energia, permitindo obter menores custos, desde que se possam minimizar, ou mesmo evitar, o consumo e a demanda nos horários de ponta. De maneira geral, para determinar o melhor sistema de tarifação, é preciso considerar: » os valores médios mensais de consumo e de demanda em cada um dos segmentos de ponta e fora de ponta; » os valores médios mensais a serem faturados em cada um dos segmentos horo-sazonais, ou os valores respectivos de demanda e consumo para tarifação convencional; e, também, os valores de ultrapassagem que porventura ocorram; » as possibilidades de deslocamento do horário de trabalho de diversos equipamentos para minimizar o consumo e a demanda no segmento de ponta; » as despesas mensais com cada um dos sistemas tarifários. 113 EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL Não se podem fixar regras definidas para esta escolha, devendo ser desenvolvida uma análise detalhada do uso de energia elétrica, identificando-se as horas do dia de maior consumo e as flutuações de consumo ao longo do ano. Energia Elétrica: conceitos, qualidade e tarifação Conforme visto anteriormente, a estrutura tarifária brasileira atual oferece várias modalidades de tarifas, as quais, em função das características do consumo de cada empresa, apresentam maiores ou menores vantagens, em termos de redução de despesas com energia. 4.7.3 Correção do Fator de Potência EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL Energia Elétrica:conceitos, qualidade e tarifação Alguns aparelhos elétricos, como os motores e transformadores, além de consumirem energia ativa, solicitam também energia reativa necessária para criar o fluxo magnético que seu funcionamento exige. Com base na relação entre a energia reativa e ativa, determina-se o fator de potência indutivo médio num determinado período. A análise das contas de energia elétrica aponta um fator de potência médio, na ponta e fora de ponta, que comparado aos 0,92, aponta ou não para a necessidade da implantação de medidas corretivas, tais como: » instalação de banco de capacitores estáticos ou automáticos; » através de motores síncronos; » aumento do consumo de energia ativa; » entre outros. 114 Quando o fator de potência é inferior a 0,92, o total desembolsado a título de consumo de excedente reativo se constituirá num potencial de economia que poderá ser obtido através das medidas citadas. 4.8 A Importância dos Indicadores de Eficiência Energética De uma maneira geral, pode-se afirmar que a eficiência energética aumenta quando se consegue realizar um serviço e/ou produzir um bem com uma quantidade de energia inferior a que era usualmente consumida. Para se poder quantificar esta melhoria utilizam-se os chamados indicadores de eficiência energética. Dentre os mais comuns e os que apresentam maior utilização, podem-se destacar: » consumo específico de energia (CE); » fator de carga da instalação (FC); » custo médio de energia. A análise do consumo de energia (kWh) ou da carga instalada (kW) em relação ao produto gerado, serviço prestado ou à área ocupada produz indicadores de desempenho passíveis de comparação à padrões estabelecidos no país e exterior. Em relação à área ocupada, o índice W/m2 é determinado e comparado com as edificações tipológicas e funcionalmente semelhantes, mas, com diferentes níveis de eficiência. Pode-se, dessa forma, projetar padrões muito mais eficientes de consumo de energia elétrica, considerando-se a utilização de produtos e processos de melhor desempenho energético. Para o cálculo do consumo específico de energia (CE), faz-se: onde: 115 Energia Elétrica: conceitos, qualidade e tarifação 4.8.1 Consumo Específico de Energia (CE) QP = quantidade de produto ou serviço produzido no mês pela unidade consumidora; i = índice referente ao mês de análise do histórico de dados. Torna-se importante ressaltar que o consumo mensal de energia (CA) deve coincidir com o período da quantidade de produto ou serviço produzido no mês (QP). Isto para que não se obtenha resultados incorretos. Torna-se, portanto, importante saber qual o exato período de medição do consumo de energia e a real quantidade produzida neste mesmo período. EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL CA = consumo mensal de energia [kWh/mês]; 4.8.2 Custo médio de Energia e Fator de Carga da Instalação Energia Elétrica:conceitos, qualidade e tarifação O custo médio de energia elétrica depende grandemente da forma como ela é utilizada. Se está sendo usada eficientemente, seu custo médio é menor e, ao contrário, se o uso não é eficiente. O fator de carga que é deduzido pelos dados das contas de energia, é um dos indicadores de eficiência, pois, mostra como a energia está sendo utilizada ao longo do tempo. Quanto maior for o fator de carga, menor será o custo do kWh. Supondo-se a possibilidade de manter, ao longo do ano, o fator de carga na faixa do mais alto já obtido, no período analisado, projeta-se uma economia média em cima da fatura mensal de energia. 116 Um fator de carga próximo de 1 indica que as cargas elétricas foram utilizadas racionalmente ao longo do tempo. Por outro lado, um fator de carga baixo indica que houve concentração de consumo de energia elétrica em curto período de tempo, determinando uma demanda elevada. Isto se dá quando muitos equipamentos são ligados ao mesmo tempo. EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL Para obter um fator de carga mais elevado existem três formas básicas: » aumentar o número de horas trabalhadas (ou seja, aumentando-se o consumo de kWh), porém conservando-se a demanda de potência; » otimizar a demanda de potência, conservando-se o mesmo nível de consumo de kWh; » atuar simultaneamente nos dois parâmetros acima citados. Para se avaliar o potencial de economia, neste caso, deve-se observar o comportamento do fator de carga nos segmentos horo-sazonais e identificar os meses em que este fator apresentou seu valor máximo. Isto pode indicar que se adotou nestes meses uma sistemática de operação que proporcionou o uso mais racional de energia elétrica. Portanto, seria possível repetir esta sistemática, após uma averiguação das causas deste alto fator de carga e determinando se este valor pode ser mantido ao longo dos meses. Desta forma, para cada período (ponta ou fora de ponta) existe um fator de carga diferente. onde: FC = fator de carga do mês na ponta e fora de ponta; CA = consumo de energia no mês na ponta e fora de ponta [ - ]; [kWh]; h = número médio de horas no mês, sendo geralmente 66 horas para a ponta e 664 horas para o período fora de ponta [ h ]; DR = demanda registrada máxima de potência no mês na ponta e fora de ponta [kW]. Desta forma, determina-se o fator de carga para as tarifas. » Convencional 117 EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL Este fator de carga também pode ser calculado da seguinte maneira: Energia Elétrica: conceitos, qualidade e tarifação O Fator de Carga é dado pela seguinte equação: » Horo-sazonal Azul No Horário de Ponta: EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL Energia Elétrica:conceitos, qualidade e tarifação No Horário Fora de Ponta Para a análise do custo médio de energia, tem-se: onde: CMe = custo médio de energia [R$/kWh]. O custo médio de energia também é conhecido como custo unitário de energia. 4.9 Análise da conta de energia 118 Neste item mostra-se como identificar oportunidades de redução dos gastos com a energia elétrica a partir das contas mensais, conforme está no anexo do Manual de Tarifação da Energia Elétrica do PROCEL / Eletrobrás. Inicialmente mostra-se como tratar o consumo de reativos e em seguida, utilizando uma planilha EXCEL, como determinar a demanda a ser contratada com a concessionária e qual o melhor enquadramento tarifário. 4.9.1 Correção do Fator de Potência Em geral, a correção do fator de potência é uma das medidas mais baratas de redução de despesa com energia elétrica. Verifique nas suas 12 últimas contas de luz se a empresa pagou as parcelas de energia e/ou demanda reativa. Se isso vem ocorrendo com freqüência, procure uma empresa especializada e faça um orçamento da correção do fator de potência. Em geral o fator de potência é indutivo e se corrige com a instalação de um banco de capacitores na entrada do alimentador da unidade de consumo. onde P é o preço orçado do serviço. Se o valor A encontrado for menor ou igual à soma do que a empresa pagou nos últimos 12 meses, vale a pena contratar o serviço de correção do fator de potência. (*) Valor presente de série uniforme de 10 pagamentos anuais, calculado à taxa de 12% ao ano. 4.9.2 Demanda Contratual Para mostrar como determinar a demanda a ser contratada, será utilizado como exemplo o histórico de consumo de parte de uma Universidade, parte essa enquadrada na tarifa Convencional, sub-grupo A4. A leitura da conta de luz cobre o período que vai do dia 15 do mês anterior a 15 do mês do pagamento. Deve ser registrado que a administração da Universidade funciona de 08:00h às 22:00h e que as aulas se estendem de 08:00h às 22:30h, com maior número de alunos no período noturno. Como a Resolução 456 permite revisão anual do contrato com a concessionária, o objetivo da análise é calcular um valor de demanda contratada tal que nos 12 meses seguintes se pague o 119 EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL A = 0,17698 x P (*) Energia Elétrica: conceitos, qualidade e tarifação Faça a seguinte conta: mínimo possível na parcela da conta referente à demanda. EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL Energia Elétrica:conceitos, qualidade e tarifação Lembre-se que se o valor contratado for insuficiente, a empresa pagará pelas ultrapassagens e se for excessivo, a empresa pagará por algo que não utiliza. O primeiro passo é registrar, mês a mês, a demanda medida informada nas contas de luz: o histórico de demanda. Quanto mais longo o histórico melhor e o usuário perceberá com mais nitidez a evolução da demanda se fizer dois gráficos, como mostra a figura 4.10. Ano Mês Demanda jan 186,9 (kW) 1998 120 1999 fev 214,7 mar 262,5 abr 264,9 mai 265,5 jun 219,1 jul 207,5 ago 215,4 set 248,8 out 234,1 nov 246,3 dez 256,6 jan 204,7 fev 232,9 mar 261,6 abr 267,6 mai 239,4 jun 200,3 jul 184,8 ago 209,0 set 239,2 out 211,8 nov 255,8 dez 262,7 Figura 4.10 - Evolução da demanda ao longo dos meses Os gráficos mostram um padrão estável tanto nos valores quanto na sazonalidade da demanda: a maior demanda é registrada na conta do mês de abril (que cobre o período de 15 de março a 15 de abril), justamente quando, ainda no calor do verão, se inicia o primeiro semestre letivo e a menor demanda é registrada nas contas de julho, coincidindo com o auge do inverno e com o início das férias de meio de ano. Numa coluna, registre a demanda medida nos últimos 12 meses. Na coluna seguinte faça um teste lógico para facilitar o uso das fórmulas: se a demanda verificada for menor que a contratada, o teste resulta em .0.; se a demanda for maior que a contratada porém menor que a margem de ultrapassagem (10%), resulta em .1. e se a demanda verificada for maior que o limite de tolerância de ultrapassagem, o teste resulta em .2.. Para esse teste, usamos a declaração do EXCEL: =SE(D7>$D$3;(SE(D7>1,1*$D$3;2;1));0). Use as duas colunas seguintes para calcular seus pagamentos, (Pdemanda e Pultrapassagem). Use a última coluna para somar os valores das colunas denominadas Demanda e Ultrapass.. 121 EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL Neste exemplo, a máxima demanda medida foi de 267,6 kW (em abril de 1999), de modo que a demanda contratada não deve ser superior a 243,3 kW. É possível que a demanda contratada mais adequada seja inferior a 243,3. Para analisar essa possibilidade, prepare nova tabela, como mostrado na figura 4.11. Energia Elétrica: conceitos, qualidade e tarifação No segundo gráfico, trace uma linha reta passando pela máxima demanda medida(Dmáx). Admitindo que as demandas mensais futuras seguirão o mesmo padrão do passado e sabendo-se que a tolerância de ultrapassagem da demanda é de 10%, a demanda contratada não deve ser superior a Dmáx / 1,1. Figura 4.11 - Avaliação para a demanda contratual inicial A B C D E 1 F G H Tarifas 2 Contrato Demanda Ultrapass 3 243,3 6,33 18,99 4 Energia Elétrica:conceitos, qualidade e tarifação 5 Demanda Teste 6 Ano Mês (kW) Lógico Demanda Ultrapass Total 7 1999 Jan 204,7 0 1540,09 0,00 1540,09 8 Fev 232,9 0 1540,09 0,00 1540,09 9 Mar 261,6 1 1655,93 0,00 1655,93 10 Abr 267,6 1 1693,91 0,00 1693,91 11 Mai 239,4 0 1540,09 0,00 1540,09 12 Jun 200,3 0 1540,09 0,00 1540,09 13 Jul 184,8 0 1540,09 0,00 1540,09 14 Ago 209 0 1540,09 0,00 1540,09 15 Set 239,2 0 1540,09 0,00 1540,09 16 Out 211,8 0 1540,09 0,00 1540,09 17 Nov 255,8 1 1619,21 0,00 1619,21 18 Dez 262,7 1 1662,89 0,00 19 Total Ano 1999: 1662,89 18952,65 Observe que em 12 meses você pagaria um total de R$ 18.952,65. Agora reduza um pouco a demanda contratada, por exemplo, para 240 kW e refaça as contas, conforme figura 4.12. 122 Figura 4.12 - Redução da demanda contratual A B C D E 1 EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL Pagamento F G H Tarifas 2 Contrato Demanda Ultrapass 3 240 6,33 18,99 4 5 Demanda Teste 6 Ano Mês (kW) Lógico Demanda Ultrapass Total 7 1999 Jan 204,7 0 1519,20 0,00 1519,20 8 Fev 232,9 0 1519,20 0,00 1519,20 9 Mar 261,6 1 1655,93 0,00 1655,93 10 Abr 267,6 2 1519,20 524,12 2043,32 11 Mai 239,4 0 1519,20 0,00 1519,20 12 Jun 200,3 0 1519,20 0,00 1519,20 13 Jul 184,8 0 1519,20 0,00 1519,20 14 Ago 209 0 1519,20 0,00 1519,20 15 Set 239,2 0 1519,20 0,00 1519,20 16 Out 211,8 0 1519,20 0,00 1519,20 17 Nov 255,8 1 1619,21 0,00 1619,21 18 Dez 262,7 1 1662,89 0,00 1662,89 19 Pagamento Total Ano 1999: 19134,96 Por último, use as facilidades que a Resolução 456 lhe oferece. Se o usuário verificar que a demanda contratada estabelecida no seu contrato atual é superior ao valor ideal que foi calculado, solicite da concessionária imediata revisão do contrato. Por outro lado, se a demanda contratada estabelecida no seu contrato atual é inferior ao valor ideal que foi calculado, aguarde o momento adequado para renegociar o contrato da empresa. Pelo exemplo, se a demanda contratada atual é de 220 kW e estamos no mês de junho a Universidade deveria aguardar até novembro para renegociar seu contrato. Atenção: como o processo envolve a estimativa de valores, supôsse que o próximo ano será uma repetição do ano anterior. Em geral, o consumo de energia elétrica depende de vários fatores, uns previsíveis e outros imprevisíveis e que não se repetem. No caso da Universidade que foi utilizado como exemplo, um fator dos mais importantes na formação da demanda de energia elétrica é o clima, como mostra a figura 4.13 onde se relacionam demandas e temperaturas médias mensais. 123 EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL DICA: Como as tarifas de ultrapassagem são excepcionalmente elevadas, raramente ocorrem situações em que a demanda contratada mais vantajosa é menor que aquela calculada pela divisão da demanda máxima verificada por 1,1. Energia Elétrica: conceitos, qualidade e tarifação Veja que em decorrência da ultrapassagem no mês de abril, o gasto anual subiria para R$ 19.134,96. Isso significa que o primeiro valor escolhido (243,3 kW) é mais vantajoso para a empresa. Para maior simplicidades dos cálculos foram desconsideradas os juros sobre os pagamentos mensais. Energia Elétrica:conceitos, qualidade e tarifação EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL Figura 4.13 - Variação da demanda com a temperatura Assim, não há qualquer garantia que, apesar de utilizar uma boa técnica, o valor recomendado para a demanda contratada seja efetivamente aquele que resultará no menor gasto com a energia elétrica. Uma maneira mais científica de abordar a questão é através de métodos estatísticos de projeção, porém isso foge ao escopo deste Manual. 124 4.9.3 Enquadramento Tarifário A última análise a ser realizada é aquela relativa à seleção do grupo tarifário, Como as informações registradas nas contas de luz das modalidades de tarifação menos complexas são insuficientes para analisar vantagens ou desvantagens de modalidades mais complexas, nem sempre esta análise pode ser realizada sem um bom conhecimento de engenharia elétrica e sem medições confiáveis, Por exemplo, se sua unidade de consumo é tarifada no Grupo B, a conta de luz apresenta apenas os dados de consumo, insuficientes para a análise das tarifações do grupo A, que exigem o conhecimento também da demanda mensal, No entanto, a partir das modalidades tarifárias mais complexas, podese avaliar as mais simples, Tomando como exemplo outra conta da mesma Universidade, conta esta enquadrada na tarifação horo-sazonal Azul, sub-grupo A4, e verificando se existe vantagem em passar para a tarifação Verde, mesmo sub-grupo. Inicialmente, devem-se determinar os valores contratuais mais adequados às duas modalidades de tarifação (Azul e Verde). Para isso, deve-se preparar as tabelas abaixo, semelhantes àquela mostrada no item anterior. Para a tarifação Azul, calculam-se os quatro valores contratuais (Demandas na Ponta e Fora de Ponta nos períodos úmido e seco) que resultam no menor gasto anual, conforme figura 4.14. Figura 4.14 - Avaliação da demanda tarifa azul A B 1 C D E F Contrato 2 G H I J K M HS Azul - Tarifas de Demanda (R$/kW) Per. Úmido Per. Seco DPT Ultrap.PT DFP Ultrap.FP 16,74 50,21 5,58 16,74 3 PT FP PT FP 4 544,1 486,8 515,1 478,9 DPT Demanda Ultrapass DFP Demanda Ultrapass 125 Energia Elétrica: conceitos, qualidade e tarifação Ainda, se a unidade é tarifada no grupo Verde, a conta de luz não mostra os valores demandados na ponta e fora de ponta, daí a dificuldade da avaliação das vantagens do enquadramento no grupo Azul, 6 $$ Ponta 7 8 Soma $$ PT $$ FP Teste Teste Lógico Lógico Jan 422,8 9108,23 0,00 439,8 2716,34 0,00 0 0 9 Fev 533,4 9108,23 0,00 501,7 2799,49 0,00 0 1 10 Mar 572,0 9575,28 0,00 518,4 2892,67 0,00 1 1 11 Abr 598,5 10018,89 0,00 535,4 2987,53 0,00 1 1 12 Dez 581,2 9728,45 0,00 520,1 2902,16 0,00 1 1 13 Mai 557,3 9329,20 0,00 508 2834,64 0,00 1 1 14 Jun 434,9 8622,77 0,00 407,5 2672,26 0,00 0 0 15 Jul 432,6 8622,77 0,00 388,2 2672,26 0,00 0 0 16 Ago 428,8 8622,77 0,00 368,6 2672,26 0,00 0 0 17 Set 503,1 8622,77 0,00 484,4 2702,95 0,00 0 1 18 Out 463,1 8622,77 0,00 441,9 2672,26 0,00 0 0 19 Nov 566,6 9484,38 0,00 526,7 2938,99 0,00 1 1 20 2000 $$ Fora de Ponta Total Anual: 47539,09 61927,45 142930,36 14298,19 19165,63 EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL 5 No exemplo encontra-se o pagamento anual de R$ 142.930,36 pela parcela de demanda, com os seguintes valores contratuais: EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL Energia Elétrica:conceitos, qualidade e tarifação Período Úmido Demanda na Ponta: 544,1 kW Demanda Fora de Ponta: 486,8 kW Período Seco Demanda na Ponta: 515,1 kW Demanda Fora de Ponta: 478,9 kW Da mesma forma, para a tarifação Verde devem-se calcular os dois valores contratuais (demanda nos períodos úmido e seco) que resultam no menor gasto anual. Mas antes se devem comparar os valores escritos nas colunas C e F, linhas 8 a 19, da tabela anterior com os valores escritos na figura 4.15, coluna C, linhas 7 a 18. 126 Como as contas de luz da tarifa Verde registram apenas um valor de demanda medida, na coluna C escreve-se o maior valor entre a demanda na ponta e fora de ponta. Figura 4.15 - Avaliação da demanda tarifa verde A B C 1 D E F Contrato G H I HS Verde - Tarifas de Demanda (R$/kW) 2 P.Úmido P.Seco Demanda Ultrapass 3 544,1 515,1 5,58 16,74 4 6 Teste DPT Demanda Ultrapass Jan 439,8 3036,08 0,00 0 8 Fev 533,4 3036,08 0,00 0 9 Mar 572,0 3191,76 0,00 1 10 Abr 598,5 3339,63 0,00 1 11 Dez 581,2 3242,82 0,00 12 Mai 557,3 3109,73 0,00 1 13 Jun 434,9 2874,26 0,00 0 14 Jul 432,6 2874,26 0,00 0 15 Ago 428,8 2874,26 0,00 0 16 Set 503,1 2874,26 0,00 0 17 Out 463,1 2874,26 0,00 18 Nov 566,6 3161,46 0,00 7 2000 19 Total Anual: Total 15846,36 Lógico 1 0 20642,48 1 36488,85 No exemplo encontra-se o pagamento anual de R$ 36.488,85 pela parcela de demanda, com os seguintes valores contratuais: Período Úmido Demanda: 544,1 kW Período Seco Demanda: 515,1 kW Agora resta calcular qual o valor a ser pago anualmente pela parcela relativa ao consumo de energia elétrica nas duas modalidades tarifárias em análise. Novamente devem-se preparar duas tabelas, uma para a tarifação Azul (figura 4.16) e outra para a tarifação Verde (figura 4.17), nas quais registram-se os valores mensais de consumo na ponta e fora de ponta (colunas C e D) e calculam-se os pagamentos relativos a esses consumos (colunas E e F) usando as equações mostradas anteriormente. 127 Energia Elétrica: conceitos, qualidade e tarifação $$ Pagamento EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL 5 Figura 4.16 – Avaliação do consumo / tarifa azul. A B C D 1 E F HS Azul -Tarifas de consumo (R$/MWh) 2 Per. Úmido Per. Seco 3 PT FP PT FP 4 101,59 46,12 109,76 52,19 EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL Energia Elétrica:conceitos, qualidade e tarifação 5 6 Consumo 7 E PT E FP $$ E PT $$ E FP Jan 16671 94522 1693,61 4359,35 8 9 Fev 18849 100526 1914,87 4636,26 10 Mar 27717 123667 2815,77 5703,52 11 Abr 28467 124092 2891,96 5723,12 12 Dez 26692 115548 2711,64 5329,07 13 Mai 24424 108540 2680,78 5664,70 14 Jun 23919 111557 2625,35 5822,16 15 Jul 18226 83563 2000,49 4361,15 16 Ago 15307 71993 1680,10 3757,31 17 Set 24967 106667 2740,38 5566,95 18 Out 21130 92496 2319,23 4827,37 19 Nov 25514 105338 2800,42 5497,59 20 21 128 2000 Pagamentos Total Anual: 90123,15 Total anual tarifa azul: 233.053,51 Como mostrado na figura 4.16, na tarifação Azul, o pagamento anual pelo consumo seria de R$ 90.123,23. Somando a este valor o pagamento pela demanda calculado anteriormente, chega-se a um total anual de R$ 233.053,51. Figura 4.17 – Avaliação do consumo / tarifa verde. A B C D 1 E F HS Verde -Tarifas de consumo (R$/MWh) 2 Per. Úmido Per. Seco 3 PT FP PT FP 4 488,54 46,12 496,69 52,19 5 E PT E FP $$ E PT $$ E FP Jan 16671 94522 8144,45 4359,35 8 2000 Pagamentos 9 Fev 18849 100526 9208,49 4636,26 10 Mar 27717 123667 13540,86 5703,52 11 Abr 28467 124092 13907,27 5723,12 12 Dez 26692 115548 13040,11 5329,07 13 Mai 24424 108540 12131,16 5664,70 14 Jun 23919 111557 11880,33 5822,16 15 Jul 18226 83563 9052,67 4361,15 16 Ago 15307 71993 7602,83 3757,31 17 Set 24967 106667 12400,86 5566,95 18 Out 21130 92496 10495,06 4827,37 19 Nov 25514 105338 12672,55 5497,59 20 21 Total Anual: 195325,21 Total anual tarifa verde: 231814,37 Com o enquadramento na tarifação Verde, o pagamento anual pelo consumo seria de R$ 195.325,52 que, somado ao pagamento pela demanda, resulta num gasto total anual de R$ 231.814,37. Conclui-se, então, que a melhor opção para a Universidade seria o enquadramento na tarifação horo-sazonal Verde, com contrato de demanda de 544,1 kW no período úmido e 515,1 kW no período seco. 129 Energia Elétrica: conceitos, qualidade e tarifação Consumo 7 EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL 6 EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL Energia Elétrica:conceitos, qualidade e tarifação 130 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Conhecer. Editora Abril Cultural, 1970. Tecnirama. Editora Codex, 1968. FERREIRA, C. Eletrotécnica - E301. Itajubá: Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI, 1992. YAMAMOTO, K. et al. Os alicerces da física. São Paulo: Editora Saraiva, 1993. Manual de energia elétrica. São Paulo: Siemens, volume 1. SCHMIDT, W. Quadro geral das unidades de medida. Publicação da Revista Mundo Elétrico. Padrões e unidades de medida, referências metrológicas da França e do Brasil. BNM/LNM, 1998. SANTOS, A. H. M.; et al. Conservação de energia: eficiência energética de instalações e equipamentos. 1.ed. 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ELETROBRÁS / PROCEL Presidência Silas Rondeau EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL Energia Elétrica:conceitos, qualidade e tarifação Diretoria de projetos especiais e desenvolvimento tecnológico industrial Aloísio Vasconcelos Departamento de desenvolvimento de projetos especiais George Alves Soares Divisão de projetos setoriais de eficiência energética Fernando Pinto Dias Perrone EQUIPE TÉCNICA Autor Fábio Jamil Haddad 134 ELETROBRÁS / PROCEL Coordenadora do PROCEL INDÚSTRIA Vanda Alves dos Santos Equipe PROCEL INDÚSTRIA Bráulio Romano Motta Carlos Aparecido Ferreira Carlos Henrique Moya Frederico Guilherme S. M. Castro CEPEL Edson Szyszka Osvaldo Luiz Cramer de Otero Fabiane Maia Evandro Camelo PROJETO GRÁFICO Núcleo Design PUC-Rio Projeto gráfico do miolo, tratamento das imagens, diagramação e editoração eletrônica Traço Design Projeto gráfico das capas 135 EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL (*) O trabalho de revisão abrangeu: padronização de todas as publicações quanto à itemização, apresentação de fórmulas, figuras e tabelas; verificação de ortografia e eventuais correções gramaticais; padronização de figuras quanto à precisão, incluindo reelaboração e/ou escaneamento. As correções ou alterações do texto limitaram-se aos aspectos citados e a eventuais adaptações requeridas pelas padronizações, não tendo havido interferência quanto ao conteúdo técnico, que é de total mérito e integral responsabilidade do(s) autor(es). Energia Elétrica: conceitos, qualidade e tarifação REVISÃO* Edson Szyszka (CEPEL) Osvaldo Luiz Cramer de Otero (CEPEL) Fabiane Maia (CEPEL) Evandro Camelo (CEPEL) Carlos Aparecido Ferreira (ELETROBRÁS) Bráulio Romano Motta (ELETROBRÁS) EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL Energia Elétrica:conceitos, qualidade e tarifação 136 EFICIÊNCIA ENERGÉTICA INDUSTRIAL Energia Elétrica: conceitos, qualidade e tarifação 137