DESENVOLVIMENTO E IMPLANTAÇÃO DE UMA TÉCNICA PARA ESTIMAR O THROUGHFALL NUMA MONOCULTURA DE SOJA EM PARAGOMINAS - Pa OLIVEIRA1, ALEX ANTÔNIO RIBEIRO; LOUREIRO1, ROSILENE SILVA; SOUSA21 , ADRIANO MARLISOM LEÃO; ROCHA 2 , EDSON JOSÉ PAULINO. RESUMO - O presente trabalho foi desenvolvido no sítio experimental do Laboratório de Estudos e Modelagem Hidro-Ambientais/LEMHA(DM/CG/UFPA), localizado no município de Paragominas no estado do Pará. O principal objetivo deste trabalho foi de desenvolver e adaptar uma técnica para tentar estimar a precipitação que atinge o solo passando diretamente através das aberturas do dossel da monocultura de soja (Throughfall). Pois é de fundamental importância conhecer como se comporta a perda de água desse componente do ciclo hidrológico no período de março a junho de 2006. Neste período foram utilizados dois métodos: (1) através de calhas, onde tivemos 5 pontos de coleta de dados e (2) por pluviômetros, onde foi montado 9 coletores. Deste experimento separamos 3 eventos de coleta de dados, sendo em média a parte interceptada de 40% e 63%, respectivamente, mostrando que os pluviômetros são mais eficientes para estimar esta componente. Palavras-Chave: Throughfall, hidrologia, soja. ABSTRACT - The present work was developed in the area experimental of the Laboratory of Studies and Modeling Hidro-Ambientais/LEMHA(DM/CG/UFPA), located in the city of Paragominas in the state of Para. The main objective of this work was to develop and to adapt one technique to try esteem the precipitation that reaches the ground directly passing through the openings of the canopy of the cultivation of the soy (Throughfall). Therefore it is of basic importance to know as if it holds the loss of water of this component of the cycle hydrologic in the period of March the June of 2006. In this period two methods had been used: (1) through gutters, where we had 5 points of collection of data and (2) for pluviometers, where it was mounted 9 collectors. Of this experiment we separate to 3 events of collection of data, being in average the intercepted part of 40% and 63%, respectively, showing that the pluviometers are more efficient esteem this component. Key -Words: Throughfall, hidrology, soy. 1 Alex Antônio Ribeiro de Oliveira (Aluno de Iniciação Científica) Adriano Marlisom Leão de Sousa (Orientador) 2 Edson José Paulino da Rocha (Co-Orientador) Universidade Federal do Pará - Centro de Geociências - Departamento de Meteorologia Campus Universitário do Guamá, Rua Augusto Côrrea, 01 – Centro de Geociências (Dep. Meteorologia). CEP 66075-110 Caixa postal 479 Belém – Pará Fone: (91) 3201- 7471· FAX: (91) 3201-7609 [email protected], [email protected], [email protected] 2 INTRODUÇÃO A interceptação da precipitação pluviométrica pela cobertura vegetal é uma das principais componentes do ciclo hidrológico, a interceptação varia de acordo com o aspecto morfológico da floresta e o regime de precipitação dominante na região. A precipitação que atingirá o solo depende da natureza e densidade da cobertura vegetal, haja vista, que a cobertura vegetal retém e armazena temporariamente certa quantidade de precipitação incidente, constituindo-se assim, no processo de interceptação da precipitação pela vegetação (Ferreira et. al, 2005). Utilizando a técnica de fracionamento isotópico (180/16O) Salati et al. (1979) confirmaram o papel da reciclagem da água na bacia Amazônica, mostrando que mais de 50% do vapor d’água que forma nuvens e se precipita é produzido pelo processo de evapotranspiração local. Cálculos de balanço hídrico para a bacia amazônica realizados por Villa Nova et al. (1976) mostraram que a bacia funciona como um sistema que recebe, através da precipitação, 14,4 x 1012 m3 de água por ano e produz uma descarga superficial de 5,5 x 1012 m3 por ano, com uma evapotranspiração de 8,9 x 1012 m3. A transpiração pelas plantas é responsável por 61,8 % do balanço hídrico, indicando que um desmatamento intensivo deverá trazer profundas alterações no ciclo hidrológico regional. Estimativas do balanço hídrico em área de floresta de terra firme indicaram uma perda de água por evaporação da ordem de 41,8 % do total da precipitação, para um lisímetro em um Latossolo Amarelo, e de 26,4% para um lisímetro com areia quartzosa (Leopoldo et al., 1993). A evapotranspiração da cobertura florestal foi estimada em 67,9 %, o que levou os autores a concluir que o desmatamento em grande escala poderá diminuir drasticamente a evapotranspiração, com conseqüências diretas no balanço de água e da radiação solar, levando à expectativa de mudanças importantes nas condições climáticas da região. Dentro deste contexto, este trabalho tem por objetivo testar uma técnica para estimar a precipitação interna (Throughfall). Para tal, foram utilizados os dados obtidos durante os experimentos no período de março a junho de 2006, sendo neste período a fase de maior tamanho da monocultura. MATERIAIS E MÉTODOS Sítio Experimental A área experimental de Cultura de Soja está localizada no município de Paragominas no estado do Pará, situada à leste do Estado do Pará, tendo como coordenadas geográficas (Lat. 22°46’S, Lon. 48°34’W e Alt. 147 m). A área experimental está localizada na fazenda Boi Branco a 7 km de distância da cidade, onde foi efetuado o plantio da Soja em uma área de 3 hectares aproximadamente (Figura 1). Figura 1: Fazenda Boi Branco, Plantio de Soja. Montagem do experimento Para a montagem do experimento, foi escolhida uma área representativa da região de plantio e posteriormente implantado experimento de interceptação. A Figura 2 mostra os materiais utilizados para a confecção das calhas: tubos de PVC cortados ao meio, madeira e pregos (para a base) e carotes de 10 litros (para armazenar a água). Figura 2 – Montagem do experimento de interceptação (Calhas). Para manter as calhas fixas, fora feito uma armação de madeira, com uma medida de 1m², fixadas no solo, com um dos lados maior que o outro, para a água escoar para as calhas. No final das calhas tinha uma outra calha para levar a água precipitada até o reservatório, que estava enterrado no solo como mostra a (Figura 3). (a) (b) Figura 3 – Montagem do experimento. (a) montagem das calhas e (b) reservatório enterrado para coleta. Posteriormente foi instalado o segundo experimento na mesma área, sendo o mesmo método utilizado para a floresta. Foi utilizando coletores com capacidade de 350ml, em uma área de 1m², bem como representativa da região de plantio, onde foram colocados 9 reservatórios com funis, há uma distância de 50cm entre eles. A Figura 4 mostra o croqui da área experimental de interceptação e a distribuição dos pluviômetros. Para a coleta dos dados de ambos os experimentos, foram utilizadas provetas graduadas, sempre após o evento de chuva. (b) (a) Figura 4 – Montagem do experimento 2. (a) distribuição dos pluviômetros e (b) pluviômetros. Dados Precipitação que chega ao topo da monocultura foi medida por meio de um pluviômetro de uma estação automática instalado em uma torre micrometeorológica. Prp interna foi medida por meio de pluviômetro e também por meio de calhas pré-montadas. RESULTADOS E DISCUSSÕES Na Tabela 1 temos os valores médios de Precipitação e Throughfall pelo método das calhas, onde observamos que para uma precipitação de 53,34mm temos um valor interceptado de 12,87mm sendo em porcentagem 24%. Para uma precipitação pequena de 3,04mm o valor interceptado foi de 1,24mm sendo em porcentagem 41%. A literatura mostra que quanto menor a precipitação incidente, maior o valor interceptado em uma floresta natural (UBARANA, 1996; DIAS et al. 2005), sendo os valores para a monocultura de soja inferiores os da floresta. Tabela 1 – Valores médios para o método das Calhas PRP THF DATA 05/maio mm 2,5 % 100 mm 1,1 % 44 09/maio 2,8 100 1,0 36 10/maio Total 3,04 8,34 100 100 1,24 3,34 41 40 Na Tabela 2, os valores médios de Precipitação não mudam e os valores de Thoughfall foram obtidos através do método dos pluviômetros, onde observamos que para uma precipitação pequena, 2,5mm o valor interceptado é de 1,9mm correspondendo em 76%. Enquanto para uma Precipitação de 3,04mm o valor interceptado é de 2,1 sendo seu valor em porcentagem 69%. Os valores encontrados pelo método dos pluviômetros se apresentaram de forma mais coerente de acordo com a literatura. Tabela 2 – Valores médios para o método dos Pluviômetros. PRP THF DATA 05/maio 09/maio mm 2,5 2,8 % 100 100 mm 1,9 1,27 % 76 45 10/maio Total 3,04 8,34 100 100 2,1 5,27 69 63 CONCLUSÕES Com base nos valores médios medidos, podemos concluir que o Throughfall encontrado em uma monocultura de soja foi de 40% pelo método das calhas e 63% pelo método dos pluviômetros para uma precipitação média de 8,34mm. Levando em consideração o que há literatura como referência, sempre retrata a floresta como enfoque. Usando o método dos pluviômetros utilizado para floresta, os resultados observacionais obtidos para a monocultura, apresentou-se bem próximos aos valores encontrados na literatura. AGRADECIMENTOS Esta pesquisa foi realizada com o apoio do CNPq/CT-HIDRO e ADA-CORDEC. Agradecemos ao Convênio ADA/UFPA pela concessão de bolsa estágio no ano de 2006. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS FERREIRA, S. J. F.; LUIZÃO, F. J.; DALLAROSA, R. L. G. Precipitação interna e interceptação da chuva em floresta de terra firme submetida à extração seletiva de madeira na Amazônia Central. Acta, Manaus, V. 35, n. 1, p. 55-62. Jan. 2005. LEOPOLDO, P.R.; CHAVES, J.G.; FRANKEN, W.K. Solar energy budgets in central Amazonian ecosystems: a comparison between natural forest end bare soil areas. Forest Ecology and Management, Livingston, V. 59, n. 3-4, p. 313-328, July, 1993. SALATI, E.; DALL´OLIO, A.; MATSUI, E; GAT, J.R. Recycling of water in the Amazon Basin: an isotopic study. Water Resources Research, Washington, V. 5, n. 5, p.1250-1258, Oct. 1979. UBARANA, V.N. Observation and modelling of rainfall interception loss in two experimental sites in Amazonian forest. In: GASH, J.H.C.; NOBRE, C.A.; ROBERTS, J.M.; VICTORIA, R.L. (Eds), Amazonian deforestation and climate. Chichester, John Willey, p. 151-162, 1996. VILLA NOVA, N.A.; SALATI, E.; MATSUI, E. Estimativa da evapotranspiração na bacia Amazônica. Acta Amazonica, Manaus, V. 6, n. 2, p. 215-228, 1976.