O CURSO DE PEDAGOGIA À DISTÂNCIA DA UFMG E A FORMAÇÃO INICIAL DO PROFESSOR DA EDUCAÇÃO INFANTIL Ademilson de Sousa Soares1; Carolina Cardeal de Carvalho2; Larissa Mara Melo Dornelas3 Agências Financiadoras: FAPEMIG Modalidade: Comunicação oral Sessão temática 4: Educação, mídia, tecnologia e sociabilidade RESUMO: A pesquisa diagnosticou o perfil dos egressos do curso de pedagogia à distância da UFMG, concluintes em 2011, em 9 (nove) cidades-pólo do interior de Minas Gerais, e analisou as práticas pedagógicas dos egressos na Educação Infantil. A pesquisa analisou ainda possíveis efeitos da formação inicial nas escolhas profissionais e pedagógicas, buscando sistematizar os conhecimentos teóricos já produzidos sobre o curso de pedagogia como locus de formação de professores. A metodologia adotada incluiu aplicação de questionário enviado a todos os egressos e realização de entrevistas entre aqueles que atuam na Educação Infantil. Como resultados ficam constatados significativos efeitos desse curso de pedagogia na opção e na prática profissional e evidenciadas algumas lacunas da educação à distância como estratégia de formação inicial de professores. Palavras-Chave: Educação Infantil; Formação Inicial; Curso de Pedagogia. 1. INTRODUÇÃO O presente artigo aborda alguns aspectos da pesquisa que teve como objetivo central diagnosticar o perfil dos egressos da primeira turma do curso de pedagogia à distância da UFMG, concluintes no ano de 2011, e identificar as práticas pedagógicas daqueles que já atuavam como professores, gestores e/ou coordenadores na Educação Infantil antes de ingressar no curso e daqueles que passaram a atuar na educação da criança pequena após o ingresso no curso. Como estratégias metodológicas adotamos revisão de literatura, aplicação de questionário e realização de entrevistas. O questionário online foi remetido a todos os 1 Pesquisador do Núcleo de Estudos e Pesquisa sobre Infância e Educação Infantil - NEPEI/FAE/UFMG Pesquisadora do Núcleo de Estudos e Pesquisa sobre Infância e Educação Infantil - NEPEI/FAE/UFMG 3 Pesquisadora do Núcleo de Estudos e Pesquisa sobre Infância e Educação Infantil - NEPEI/FAE/UFMG 2 egressos. A intenção inicial foi de realizar entrevistas com dois egressos em cada um dos 9 (nove) pólos de Educação à Distância - EAD, sendo um que já atuava como professor na Educação Infantil antes de ingressar no curso e outro que passou a atuar após o ingresso no curso. Procuramos compreender o perfil dos egressos e entender as movimentações profissionais e as opções didáticas pedagógicas daqueles que atuam na Educação Infantil. No ano de 2008, a Fae/UFMG abriu a oferta de 450 vagas para a sua primeira turma de pedagogia à distância em nove pólos no interior de Minas Gerais, localizados nas seguintes cidades: Araçuaí, Buritis, Campos Gerais, Conselheiro Lafaiete, Corinto, Formiga, Governador Valadares, Teófilo Otoni e Uberaba. Do total de 450 vagas ofertadas nessa primeira oferta tivemos 330 estudantes concluíram o curso no ano de 2011. A pesquisa teve como objetivo inicial ouvir através de questionário todos os egressos dessa primeira turma. Em um segundo momento, a pesquisa buscou analisar, através de entrevistas em cada pólo de Educação à Distância - EAD, as movimentações profissionais e as opções didáticas pedagógicas dos egressos que atuavam e/ou passaram a atuar na Educação Infantil. 2. OS PASSOS DA PESQUISA A revisão da literatura abordou temas como o perfil do professor da Educação Infantil (Kishimoto, 2011), as tensões entre licenciatura versus bacharelados (Soares, 2011), a formação como transformação pessoal e profissional (Moita, 2007), os modelos de formação do professor da criança pequena (Saracho, 2002), a história das políticas de formação de professores da educação infantil no Brasil (Micarelo, 2011), a relação entre a pedagogia como curso de formação inicial e prática profissional na educação infantil (Silva, 2012) e a distância entre saberes acadêmicos e práticas profissionais (Kramer, 2011). Foram identificados também trabalhos que destacam a formação de professores, a educação infantil, a pedagogia e a creche. Na Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação - ANPED foram encontrados 14 trabalhos que abordam temáticas relevantes para os objetivos da pesquisa são eles: Ambrosetti e Almeida (2007), Azevedo (2013), Bujes (2009), Côco (2009, 2010), Cota (2007), Flôr (2010), Fonseca, (2009), Nogueira (2013), Santos (2009), Siller (2008), Trierweiller (2009) e Tortato (2008). Muitos destes trabalhos ressaltam que as crianças devem ser cuidadas e educadas como seres que pensam, possuem sentimentos e opiniões que devem ser consideradas e respeitadas. Na pesquisa de Amabrosetti e Almeida (2007) é abordado o curso de pedagogia como teórico e o magistério como prático. É enfatizada a importância do curso de pedagogia neste contexto de teoria relacionada com a prática para compreendê-la. Na pesquisa das autoras fica destacada a relação entre prática e teoria e do curso de pedagogia com o magistério. A autora destaca que o magistério transmite a prática para as suas alunas sem levar em conta a teoria e o curso de pedagogia transmite a teoria e mostra como essa teoria funcionaria na prática. Com relação as currículo da formação inicial do pedagogo Trierweiller (2009) aborda o tema da formação artístico-cultural no currículo dos cursos de pedagogia e magistério. Ela destaca que as maiorias dos cursos de pedagogia possuem pelo menos uma matéria de artes, porém esta muitas vezes não é o suficiente para atender toda a demanda da disciplina principalmente na educação infantil. Nos cursos de magistério esta situação é ainda mais crítica do que o já citado no curso de pedagogia, pois muitas vezes não contém disciplinas de artes e as que possuem não são o suficiente para sanar toda a necessidade da área. Côco (2009; 2010), cita a modalidade de educação à distância, que atualmente vem formando o maior número de professores. Porém, apenas destaca que as maiorias das instituições de educação infantil pesquisadas de um determinado estado possuem convênios com redes de ensino superior à distância, para que as professoras que ainda não possuem formação superior consigam um determinado desconto nestas instituições "parceiras”. Também foi trabalhado alguns textos da pesquisadora Bernadete Gatti, que estuda a formação de professores. Gatti (2010) em “formação de professores no Brasil: características e problemas” faz um recorte histórico sobre a formação inicial dos licenciados no Brasil. É importância avaliar e mapear as instituições de ensino superior, visando a melhoria da qualidade (Zabalza, 1998). A literatura sobre formação de professores em geral e sobre cursos de pedagogia em geral indica a necessidade de aprofundar o tema da formação do professor da Educação Infantil. A pesquisa sobre o perfil e a prática dos egressos da pedagogia à distância na UFMG visa contribuir com esse mapeamento e com essa melhoria. Para isso, a revisão da literatura possibilitou uma maior articulação entre concepções e práticas de formação inicial do professor da Educação Infantil. Após a aprovação do projeto na Fapemig, divulgada em março de 2013, elaboramos o questionário a ser enviado aos egressos que se formaram na primeira turma da pedagogia à distância da UFMG. A turma iniciou as atividades do curso em março de 2008 e concluíram as atividades com a formatura em dezembro de 2011. A primeira versão do questionário foi encaminhada para professores, tutores e membros da equipe de coordenação pedagógica do curso para que opinassem sobre este instrumento de pesquisa. A intenção inicial da pesquisa foi atingir a todos os 335 estudantes que se formaram em 2011. As cidades dos 9 pólos da primeira oferta são: Araçuaí, Buritis, Campos Gerais, Conselheiro Lafaiete, Corinto, Formiga, Governador Valadares, Teófilo Otoni e Uberada. Todas as cidades onde funcionam os pólos EAD estão no Estado de Minas Gerais. Depois de organizado o questionário, o link com a primeira versão proposta foi remetido a tutores e professores e demais interessados para que respondessem como pré-teste. No final do pré-teste reservamos um espaço para que todos opinassem sobre possível lacunas e limites do instrumento no sentido de aperfeiçoar o questionário a ser enviado a todos os exalunos do curso de pedagogia à distância da UFMG, concluintes no ano de 2011. Coletadas as respostas ao pré-teste, todas as sugestões foram acolhidas e incorporadas sendo a versão final remetida novamente à equipe para conferência e avaliação. Ao abrir a discussão com aqueles professores e tutores que trabalharam na primeira oferta do curso e com membros da coordenação, a intenção foi aproximar os profissionais que contribuíram com a formação desses pedagogos-professores na primeira turma de pedagogia à distância da UFMG dos objetivos da pesquisa, amplamente divulgados em reuniões periódicas da equipe da terceira oferta da qual o professor Ademilson, coordenador desta pesquisa, participava como professor-formador no pólo de educação à distância da cidade Buritis, localizada no Noroeste mineiro. A intenção inicial da pesquisa foi atingir a todos os 335 estudantes que se formaram em 2011 através do questionário e, em seguida, entrevistar, por adesão, pelo menos dois egressos de cada pólo, sendo um cursista que já atuava na Educação Infantil e outro cursista que passou a atuar. No dia 03 de novembro de 2013, o link com o questionário foi remetido para os ex-alunos com um total de 98 (noventa e oito) questões. O pré-teste permitiu estimar em 25 minutos como tempo médio para que cada egresso participante da pesquisa respondesse de forma completa todas as questões solicitadas. Ocorre que os emails dos egressos que constavam na lista da coordenação eram os emails institucionais. Como fomos informados posteriormente, estes contatos são desativados quando os estudantes encerram o vínculo com a universidade após a formatura. Essa informação só nos chegou após a constatação de que nenhum ex-aluno havia respondido ao questionário, pois nenhum havia recebido o link remetido via emails institucionais. Nosso movimento em seguida foi realizado junto aos professores-formadores e tutores que trabalharam na primeira oferta. Enviamos mensagem a estes colegas solicitando que disponibilizassem contatos e emails de suas turmas nos 9 pólos que seriam pesquisados. Além disso, buscamos contatos com os coordenadores administrativos de cada pólo de educação à distância. Em reunião pedagógica realizada com os professores e tutores das segunda e terceira oferta fizemos contatos individuais com os tutores presenciais de cada pólo que atuaram ou que tinham contato com aqueles que atuaram na primeira oferta buscando apoios para uma maior adesão à pesquisa e conseqüente resposta ao questionário e para conseguir os contatos de ex-alunos atuantes na Educação Infantil que se dispusessem a participar da segunda etapa da pesquisa concedendo entrevista presencial. A partir desse esforço começamos a receber as primeiras participações de egressos respondendo ao questionário. No final tivemos o retorno de 52 questionários - 15,52% do total de 335 egressos - assim distribuidos: Araçuaí - 2; Buritis - 10; Campos Gerais - 3; Conselheiro Lafaiete - 14; Corinto - 1; Formiga - 8; Governador Valadares - 8; Teófilo Otoni - 4; e Uberaba - 2. A maior participação veio de Conselheiro Lafaiete com 14 respondentes. A professora-formadora desta cidade ainda mantém contato no facebook com os egressos e divulgou amplamente o pedido para que os estudantes participassem da pesquisa. A segunda cidade com maior número de participações foi Buritis com 10 respondentes. A presença do pesquisador como professor-formador da terceira oferta naquele pólo certamente poderá ter contribuído nesse sentido. Para a entrevista presencial elaboramos um roteiro semi-estruturado com 25 questões para orientar a conversa com o egresso que atua profissionalmente na Educação Infantil como professor, coordenador e/ou gestor. Um dos eixos desse roteiro de questões é a relação entre o curso de pedagogia e a opção de trabalhar na primeira etapa da Educação Básica. Perguntamos ainda ao egresso se suas opções didático-pedagógicas e suas práticas em sala de aula são influenciadas pelos conteúdos "aprendidos" no curso de pedagogia à distância. O objetivo traçado inicialmente previa a realização de 18 (dezoito) entrevistas, duas em cada um dos 9 pólos, sendo um egresso que já atuava na Educação Infantil antes de ingressar na pedagogia e outro egresso que passou a atuar na Educação Infantil após o ingresso no curso. Fizemos outra maratona de cidade em cidade. Contatos, emails, telefonemas, agendamentos e, finalmente, a realização de um total de 14 (catorze) entrevistas sendo: três de Araçuaí; duas de Buritis; três de Campos Gerais; uma de Conselheiro Lafaiete; duas de Formiga; uma de Teófilo Otoni; e duas de Uberaba. A proposta do curso de pedagogia à distância da UFMG foi elaborada durante o ano de 2005, discutida e aprovada no ano de 2006. No ano de 2007 a oferta foi cadastrada no vestibular e a turma iniciada em janeiro do ano de 2008. As Diretrizes Curriculares para o curso de pedagogia aprovadas no ano de 2006 foi amplamente discutida e incorporada pelas universidade nos anos de 2007, 2008 e 2009, ou seja, a docência para a Educação Infantil e para o Ensino Fundamental, definida como obrigatoriedade a partir das novas Diretrizes, não havia ainda sido apontada no projeto pedagógico da primeira oferta do curso de pedagogia à distância da UFMG. Mesmo assim, a presente pesquisa buscou identificar através de questionários respondidos on-line e de entrevistas realizadas com os egressos as possíveis relações entre o curso e a prática profissional na Educação Infantil. 3. O CURSO DE PEDAGOGIA E AS PRÁTICAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL Os dados preliminares da pesquisa indicam que 52 egressos do curso de pedagogia da UFMG responderam ao questionário, o que corresponde a 15,52% do total de formandos do ano de 2011. Dos respondentes do questionário 78,8% se declararam do sexo feminino, 7,7% do sexo masculino e outro 13,5% não responderam; Em relação a faixa etária o grupo com maior respondentes foi dos 36 aos 45 anos que somaram 38,5% ; No que se corresponde ao pertencimento étnico racial 3,8% dos respondentes se declararam amarelo, 48,1% branco, 15,4% moreno, 9,6% negro, 21,2% pardo, 1,9% preto; 38,5% declararam que fizeram o Ensino Médio Normal (Magistério); e em relação as suas expectativas iniciais da formação serem atendidas pelo curso, 50,0% dos respondentes afirmam que em sua maior parte sim, 46,0% afirmam que completamente e 4,0% dizem que não. É importante destacar que 59,6% dos respondentes declararam que já atuavam na área de educação antes de ingressarem no curso de pedagogia e destes 15,4% atuavam na educação infantil. Após a conclusão do curso de pedagogia 92,6% declararam como atuantes na área de educação e destes 28,8% atuantes na educação infantil. Entre os respondentes do questionário on-line, 70% consideram grande a relação entre o curso, sua prática profissional e suas opções didático-pedagógicas; 30% consideram pequena, média ou nenhuma a relação entre a formação recebida e suas práticas pedagógicas no cotidiano escolar; 90,4 % dos egressos afirmaram que o curso aproximou conhecimentos teóricos e práticas didáticopedagógicas, enquanto 9,6% não concordam que aconteceu esta aproximação; 94,2% afirmam que o curso priorizou a formação de professor; 96,1% dos alunos afirmam que a formação no curso possibilitou que eles desenvolvessem projetos integradores na educação infantil. Realizamos ao todo 14 (catorze) entrevistas, com os egressos que atuam na educação infantil. Apontamos a seguir algumas impressões iniciais em torno da análise preliminar das entrevistas realizadas com os egressos do curso de pedagogia à distância da UFMG. Todas as entrevistadas são do sexo feminino. Perguntamos às entrevistadas o motivo de terem ingressado no curso de pedagogia e se o curso influenciou de alguma forma a decisão tomada por elas de atuarem profissionalmente na Educação Infantil como primeira etapa da Educação Básica. Uma delas falou sobre os motivos de seu ingresso no curso de pedagogia. O sonho de trabalhar na área de educação e a chegada, por acaso na Educação Infantil. Eu sempre quis fazer pedagogia, desde pequena. E como eu casei com 17 anos, estava grávida o meu esposo falou, primeiro você vai cuidar dos filhos para depois voltar a estudar. E ai na hora que os meus filhos estavam com 10 anos mais ou menos eu peguei e voltei a estudar e logo veio o vestibular, e na época eu prestei um vestibular e passei e comecei a estudar, e eu adoro, é o meu sonho. Sobre a Educação Infantil foi como se fala... quando vem na sua cara. Porque eu trabalhava no município e era funcionaria pública, sou funcionaria pública e surgiu esta vaga para mim trabalhar nesta creche. E eu fui. Fui e gostei. Nunca pensei em trabalhar na educação infantil (Professora 1 - Entrevista concedida à pesquisa sobre Egressos, UFMG, 2014). Outra professora entrevistada aponta a importância da oferta de curso à distância em universidade pública como forma de democratizar o acesso ao ensino superior. Sabemos que a maioria absoluta dos cursos de pedagogia à distância são ofertados por Instituições de Ensino Superior da rede privada de ensino (Almeida et al, 2012). Na verdade eu iniciei o curso pela Uniub, que é uma faculdade particular, uma universidade particular aqui. Eu fiz durante um semestre, não tive condições de pagar. Abandonei o curso, e logo em seguida que eu abandonei, tinha, tinha uns três meses que parado, surgiu a oportunidade de fazer pela UFMG. Eu sempre quis trabalhar com a parte de coordenação. É uma área que me interessava. Por mais que eu soubesse que tinha que passar por estágio educação infantil, que tinha que passar por tudo isso, falei não, é tudo que eu quero, vou fazer parte de supervisão e orientação. E, é, uma paixão. (Professora 5 - Entrevista concedida à pesquisa sobre Egressos, UFMG, 2014). Essa professora destaca ainda a importância do curso e do estágio para a opção feita por atuar na Educação Infantil. Em cursos à distância a prática supervisionada de estágio é uma preocupação dos formadores. Neste caso, a cursistas evidencia a importância do estágio para a sua opção de trabalhar na Educação Infantil. O curso e o estágio porque eu não tinha intenção, não era uma coisa que eu gostaria de seguir. E hoje, por mais que eu queira trabalhar com educação à distância, que eu gosto, eu não gostaria de me desvincular à educação infantil. Eu queria unir os dois (Professora 5 - Entrevista concedida à pesquisa sobre Egressos, UFMG, 2014). A opção profissional pela Educação Infantil se dá de forma diferenciada. Algumas vezes a escolha é clara desde o início. Outras vezes isso parece ocorrer por falta de alternativa. Essa é uma realidade comum entre as profissionais que atuam na Educação Infantil. Fato talvez justificado em função da entrada recente da área nos sistema de ensino como a primeira etapa da Educação Básica. Na verdade a primeira oportunidade de trabalho que eu tive foi na educação infantil e o curso habilita nos 4 anos iniciais da educação fundamental e no ensino infantil. E como a minha primeira oportunidade de emprego foi na educação infantil eu abracei. Mas de certa forma tem influencia do curso sim, porque o curso habilita para esta atuação (Professora 4 - Entrevista concedida à pesquisa sobre Egressos, UFMG, 2014) Há ainda entre os entrevistados uma visão um pouco romanceada sobre a educação dos "pequeninos". Essa visão romanceada decorre da própria história da profissão docente que, segundo Tardif e Lessard (2008) atravessa três momentos históricos distintos. O momento da vocação, a era do ofício e tempo contemporâneo da profissionalização. Ser profissional hoje, entretanto, não significa deixar de amar de forma vocacionada a profissão e muito menos deixar de dominar o ofício necessário fazer pedagógico do docente. Eu já tinha uma vontade muito grande de trabalhar na educação infantil, e acho que foi até bom começar lá nos pequenininhos para ir vendo o processo de formação da criança. E o curso de pedagogia influenciou porque eu vi o mais profundo como trabalhar com estas crianças. Como é mais bonito ainda trabalhar com elas, muito mais do que eu imaginava, porque a gente tem aprofundamento teórico e então a gente usa os teóricos para aprofundar e ai influenciou neste sentido de teoria mesmo (Professora 3 - Entrevista concedida à pesquisa sobre Egressos, UFMG, 2014). Outras professoras buscam estudar, pesquisar e aprender com o objetivo de enfrentar de forma adequada os desafios da oferta de Educação Infantil com qualidade. Elas buscam na teoria maneiras de entender, analisar e elaborar as suas práticas em sala de aula e na instituição como um todo, elas conseguem destacar os problemas que existiam antes das suas formações e os que existem hoje, mas hoje elas conseguem articular bem melhor as deficiências que ainda encontram nas instituições onde trabalham. Eu já adorava trabalhar com crianças. Mas ai eu queria por exemplo, queria fazer a pedagogia porque eu queria melhorar, aprender mais, em tudo foi muito bom para mim. Abriu novos horizontes além do que a gente pensa. Porque quando eu entrei na creche, a bem da verdade eu vou te dizer, não era bem uma creche era tipo um deposito de crianças. Porque quando eu entrei lá eram apenas 2 salas para 60 crianças. Juntando berçário a criança de 5 anos. E agora foi melhorando e está ainda muito a desejar onde eu trabalho. Mas já melhorou muito da época que eu entrei até agora (Professora 1 - Entrevista concedida à pesquisa sobre Egressos, UFMG, 2014) Um professora afirma literalmente que o curso lhe abriu a mente para as portas dessa "coisa mágica" que é a educação das crianças pequenas. Ela diz: "O curso que me abriu a mente para este mundo da educação infantil. E então é como eu falei, foi durante mesmo o curso de pedagogia que abriu estas portas, essa coisa mágica que é a educação infantil (Professora 6). Outra professora entrevista comenta que essa influência aconteceu não de forma direta. No entanto, isso não impediu que os conteúdos do curso refletissem em suas práticas, conforme podemos observar no trecho citado a seguir. Influenciou, não, acho que não influenciou não porque eu já gostava, mas eu acho assim, porque eu acho que o curso só de magistério, pra você trabalhar com criança, é muito pobre. E a Pedagogia te ensina muitos meios, pra você tá podendo trabalhar com essas crianças. Eu acho que ele te ajuda, ele te informa. Você também tem muitas informações de outros profissionais, experiências de outros profissionais. Mesmo o trabalho em grupo. Todo o material que você lê te informa bastante. E talvez de uma forma que você trabalha já sem fazer o curso, você acha que tava correto e se você for pensar realmente não era o método certo para estar trabalhando com as crianças. Você passa a conhecer mais as atitudes das crianças e passa a ter, assim, um conhecimento maior. O seu trabalho fica mais rico, dentro da escola (Professora 7 - Entrevista concedida à pesquisa sobre Egressos, UFMG, 2014). Os percursos relatados são diversos e diversos são os motivos daquelas que chegam e permanecem na Educação Infantil. Uma das entrevistada, já atuava, possui grande experiência na área da educação e afirma que gosta do ensino fundamental, mas destaca que gosta muito mais da educação das crianças pequenas. Vejam mais um trechos das entrevistas. Bom, eu gosto muito da educação infantil, mas gosto também do ensino fundamental. Gosto do primeiro ao quinto ano também. Ao estar hoje na educação infantil, gosto muito mas foi a oportunidade que surgiu para mim na escola; Eu nasci professora. Eu gosto, eu acho porque na minha casa tinha muitos... nós somos muito irmãos, somos 9 eu sou a segunda e então eu toda vida fui mais de transmitir conhecimentos e eu gosto. Porque eu gosto; Já veio da minha pratica e então eu fiz o curso para consolidar no caso; Eu passei no concurso da prefeitura de minha cidade só com o curso normal do ensino médio e então ao longo da pratica eu senti muita necessidade de fazer um curso superior na área; fambém, foi um dos fatores. Eu gosto bastante da educação infantil. Muito mesmo, atualmente eu sou diretora de uma escola de ensino fundamental que atende a pré-escola, nesta escola a gente atende o primeiro período da educação infantil, até o quinto ano do ensino fundamental. E eu trabalhei como coordenadora de um centro de educação infantil durante 2 anos e meio e então da experiência destes 2 ambientes na verdade e também da experiência em sala de aula o meu perfil era educação infantil. Eu gosto, eu me sinto muito mais a vontade de trabalhar na educação infantil (Professora 8 Entrevista concedida à pesquisa sobre Egressos, UFMG, 2014) Há casos curiosos e até pitorescos que revelam a riqueza das experiências das professoras entrevistas. Alguns egressos não possuiam experiencias na area da educação e afirmam que foram influencias pelo curso de pedagogia à distância, para atuarem na educação infantil. Olha foi a minha vizinha a D. Roseli, a irmã dela é secretária de educação e tirou uma foto junto com o Lula no dia que ele conseguiu esta demanda toda e tirou um pedaço do jornal e me mostrou e quero que você seja a primeira a se inscrever. E realmente quando eu me inscrevi eu me inscrevi com pouca expectativa. Porque era muito tempo parada e tal e não tinha conhecimento de nada e ai eu comecei a fazer um cursinho, fiz um cursinho municipal e peguei aulas de redação para poder concorrer a vaga. O curso influenciou sim minha opção pela Educação Infantil. Eu só parei por um tempo, não parei na educação infantil, só sai da escola particular porque hoje nesta cidade no contexto em que vivemos eles não nos retribuem, não pagam bem o professor e nós trabalhamos por amor, mas também pelo salário (Professora 9 - Entrevista concedida à pesquisa sobre Egressos, UFMG, 2014). E há aquelas entrevistadas que criticam o fato de terem sido cobaias e a forma aparentemente amadoristica que se desenvolviam as atividades no pólo e destacam sentiram falta de uma interação maior com os professores, de dialogos e de informações mais precisas dos pólos. Vou ser realista. Porque, eu toda vida falei que nós, assim, do curso de pedagogia, nós servimos de cobaia. Essa é a expressão que eu uso. Nós fizemos e terminamos este curso na raça pura. Porque não tinha muita informação. Inclusive eu era uma das, pelo jeito de eu falar já deve saber, uma das que mais reivindicava na turma. Reivindicava porque eu queria aprender. Eu queria aprender e tinha um, um negócio assim "tipo enrolação" E não não era só eu que sentia isso não. A maioria, quase todos da primeira turma. E o professor também deixava muita coisa a desejar. Muito mesmo, sabe? Às vezes ele era estúpido, não te dava atenção, jamais sentava para conversar com a gente desse jeito que você está fazendo. Só pela forma que você me cumprimentou na hora que eu cheguei, eu já vi que era diferente. E eu fui e falei com a tutora, eu vou para essa entrevista, mas você fica sabendo que eu vou falar com ele, vou ser realista. Ela me disse: "tome cuidado com o que vai dizer!". Falei "não, só vou ser realista". Falei, se for pra mim mentir, eu não vou não (Professora 10 - Entrevista concedida à pesquisa sobre Egressos, UFMG, 2014). 4. CONCLUSÕES PROVISÓRIAS Uma prática é significativa quando a sua importância é assumido e debatida como válida publicamente. Uma boa professora, com perfil para a Educação Infantil, propõe e desenvolve práticas interativas, positivas, produtivas e criativas com as crianças com as quais trabalha e pelas quais se engaja. Engajamento devidamente remunerado e valorizado por políticas públicas arrojadas e consistentes que não dependem de assistencialismos e nem de voluntarismos. Uma prática pedagógica significativa, nesta perspectiva, é fruto de ação conjunta e coletiva e não de heroísmo individual. As entrevistas realizadas com as egressas possibilitaram qualificar os dados quantitativos coletados através da aplicação do questionário. As perguntas dirigidas a todos os egressos através desse instrumento remetido por email e respondidas online permitiram fazer uma diagnóstico geral daqueles que se dispuseram a respondê-las. As perguntas e a conversa com as egressas que atuam profissionalmente com crianças de zero a cinco anos de idade, feitas nas entrevistas presenciais e semiestruturadas, permitiram compreender um pouco do que pensam sobre o curso de pedagogia que concluíram e sobre suas práticas pedagógicas desenvolvidas no cotidiano das instituições de Educação Infantil. A análise preliminar não esgota a riqueza de dados do conjunto das informações obtidas através do questionário e através das entrevistas com as egressas de sete pólos de educação à distância que gentilmente se dispuseram a participar das entrevistas. A Educação Infantil vive intenso processo de constituição como primeira etapa da Educação Básica. Nos últimos trinta anos, professores, pesquisadores, gestores e militantes da área lutam para que os princípios legais e as práticas institucionais garantam e assegurem o direito das crianças a uma educação de qualidade. Para isso, todos sabem que é necessário trabalhar para que os cursos de formação sejam cada vez mais qualificados, superando a distância que ainda existe entre teorias educacionais e práticas escolares. A discussão sobre a existência ou não de práticas pedagógicas significativas na experiência das egressas do curso de Educação Infantil exigiria de nós muito mais do que aquilo que nos foi permitido no âmbito desta pesquisa. No entanto, esta pesquisa possibilita concluir que o curso de pedagogia à distância da UFMG contribuiu em parte nesse sentido. Consideramos relevante o empreendimento realizado até aqui, pois tratamos de temas pouco estudados e pesquisados, que é o caso da educação infantil, da formação inicial de professores, em especial, na modalidade de educação à distância. O maior interesse nesta pesquisa é ajudar na melhoria do curso à distância de pedagogia da UFMG. Por isso, consideramos importante que o que foi abordado e percebido possa ser conversado e discutido com os responsáveis por esta oferta, pois mesmo diante das dificuldade pessoais, profissionais e institucionais das egressas, podemos destacar que a maioria das ex-alunas indica que o curso de pedagogia que eles participaram foi de extrema importância para a sua atuação profissional. 5. REFERÊNCIAS ALMEIDA, M. E. B.; IANNONE, L, R.; SILVA, M. G. M.; VILLARINHOS, M. C. S. 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