MAGALHÃES, Ana Cristian; COSTA, Dória; VEIGA, M. Rosário – Diagnóstico de anomalias de revestimentos de paredes com técnicas de ensaio in situ. Avaliação da resistência mecânica. Actas do 3º ENCORE, Encontro sobre Conservação e Reabilitação de Edifícios. Lisboa, LNEC, Maio de 2003. Diagnóstico de anomalias de revestimentos de paredes com técnicas de ensaio in situ. Avaliação da resistência mecânica. Diagnosis of anomalies of wall renderings. Mechanical resistance evaluation. Ana Cristian Magalhães Eng. Civil, Bolseira de investigação, LNEC, Lisboa, Portugal, [email protected] Dória Costa Geóloga, Assistente de Investigação, LNEC, Lisboa, Portugal, [email protected] Maria do Rosário Veiga Eng. Civil, Investigadora Auxiliar, LNEC, Lisboa, Portugal, [email protected] SUMÁRIO: No presente trabalho, é analisada a viabilidade do uso de diversas técnicas de ensaio “in situ” para a avaliação da resistência mecânica de revestimentos antigos e de substituição para paredes antigas. Descrevem-se os métodos experimentais utilizados microperfuração, penetração controlada, choque de esfera e ultra-sons - apresentam-se os resultados obtidos em revestimentos aplicados nos muretes da Estação de Ensaio Natural do LNEC e por fim avaliam-se as possibilidades de interpretação desses resultados em conjunto, tendo em consideração a sua utilidade como meio de diagnóstico para edifícios antigos e ainda como instrumento para definição das medidas a tomar. PALAVRAS-CHAVE: resistência, técnicas, diagnóstico, anomalias, revestimentos ABSTRACT: In this paper the viability of use of several “in situ” test techniques for mechanical resistance evaluation to old and substitution renderings for ancient walls are evaluated. Experimental campaigns of tests were carried out: micro-drilling, controlled penetration, sphere shock and ultrasound techniques. The experimental techniques are described and results obtained on new renderings of wallets of LNEC´s Natural Test Station with the referred techniques are presented; finally the interpretation possibilities of those results are assessed, considering their utility as a diagnosis method for ancient buildings and as a tool for the definition of measures to implement. KEYWORDS: resistance, techniques, diagnosis, anomalies, renderings. 1 INTRODUÇÃO As intervenções a realizar sobre os revestimentos de edifícios antigos carecem da avaliação do estado de conservação e da determinação da eventual zona degradada em profundidade, de uma forma o mais correcta possível. O LNEC tem vindo a proceder a estudos que visam a aplicação de um conjunto de técnicas (não-destrutivas ou pouco destrutivas) e o estabelecimento de uma metodologia geral de avaliação do estado de conservação e de diagnóstico de anomalias de revestimentos antigos. No presente trabalho, é analisada a viabilidade do uso de diversas técnicas de ensaio in situ para a avaliação da resistência mecânica de revestimentos antigos e de revestimentos de substituição para paredes antigas, incluindo, nomeadamente, a microperfuração, a penetração controlada, o choque de esfera e os ultra-sons. Adicionalmente e para efeitos de comparação, usou-se o esclerómetro para a determinação da dureza por ressalto. Embora se trate de um método dispersivo, a sua utilização é expedita e tem sido utilizado na caracterização in situ de outros materiais, tais como betão ou pedra. Neste trabalho apresentam-se os métodos e os resultados experimentais obtidos com a utilização das técnicas referidas na caracterização de revestimentos aplicados nos muretes da Estação de Ensaio Natural do LNEC (E.N.). Avaliam-se as possibilidades de interpretação dos resultados de uma forma conjunta, tendo em consideração a sua utilidade como meio de diagnóstico para revestimentos de edifícios antigos e como instrumento para definição das medidas a tomar. Este trabalho insere-se no âmbito do projecto “Metodologias para a Mitigação do Risco Associado à Degradação das Construções”, em curso no LNEC e co-financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT). 2 DESCRIÇÃO DOS MÉTODOS DE ENSAIOS 2.1 Apresentação geral dos métodos de ensaio utilizados Como referido anteriormente, pretende-se avaliar, neste estudo, a viabilidade do uso dos seguintes métodos, dos quais se faz a seguir uma breve descrição. Microperfuração Métodos pouco destrutivos Penetração controlada Esclerómetro Métodos não destrutivos Choque de esfera Ultra-sons 2.1.1 Ensaio de microperfuração O ensaio de microperfuração [1,2] pretende avaliar a resistência mecânica do material quando perfurado e o resultado obtido representa a sua dureza à perfuração em profundidade. O ensaio consiste na produção controlada de um pequeno furo, durante o qual o equipamento mede a força da resistência oferecida pelo material e a distância percorrida, variáveis registadas de forma automática. Neste ensaio, a perfuração é feita por um equipamento do tipo berbequim que perfura com uma taxa de penetração e velocidade de rotação pré-definidas em função do material a ensaiar. As brocas são de uso corrente e seleccionadas em função das características da ponteira. O equipamento utilizado foi desenvolvido para o ensaio de pedras de durezas variáveis e a aplicação deste método ao estudo de argamassas é ainda exploratório. A célula de carga do equipamento está adequada à avaliação de forças bastante superiores às que caracterizam a perfuração de revestimentos de paredes, em particular se se tratar de argamassas fracas que se encontram no limite de aplicabilidade do método com o desenho que actualmente possui. Para além dos valores reduzidos das forças obtidas, a composição e coesão destes materiais traduz-se num registo de perfuração substancialmente diferente dos obtidos em pedras, mesmo que algo heterogéneas, pelo que obrigará a uma outra interpretação dos registos que estudos mais aprofundados permitirão consolidar. Os valores da dureza à perfuração medidos através deste método dependem de numerosos factores, tais como a composição e estado de coesão dos materiais, as variáveis operacionais utilizadas para a perfuração (velocidade de rotação e taxa de penetração) e as características das ponteiras. Tal como outras propriedades físicas, a dureza à perfuração é também influenciada pela presença de humidade nos materiais em apreço, aspecto que deve ser tido em conta em particular nas medições “in situ”, pelo facto de nestas condições ser um parâmetro de controlo mais difícil. 2.1.2 Ensaio de penetração controlada Este ensaio foi desenvolvido no âmbito do projecto OLDRENDERS [3] e consiste em provocar a penetração de um prego de aço, guiado por um acessório fixado ao aparelho Martinet Baronnie para garantir a perpendicularidade do choque. Após vários choques de energia constante é registada a penetração obtida na argamassa com cada choque efectuado. Permite avaliar qualitativamente a resistência de cada camada e pode ser útil para obter informação sobre a resistência mecânica das camadas internas, permitindo assim uma avaliação do seu estado. 2.1.3 Ensaio com o esclerómetro O esclerómetro é um aparelho usado, em conjunto com outros ensaios pouco destrutivos e não-destrutivos, fundamentalmente para: estimar a resistência de um material e sua dureza superficial ou comparar a qualidade de materiais. O método consiste na produção de uma reacção elástica pelo impulso de uma massa conhecida, que choca contra o material sobre uma superfície de contacto dada. É possível medir a quantidade de energia recuperada no ressalto da massa, o que permite obter um índice de dureza da superfície ensaiada (valor de ressalto) sobre uma escala graduada acoplada ao aparelho. Quanto mais brando for o material, maior é a quantidade de energia que ele absorve e menor é a altura do ressalto. Neste trabalho foi utilizado um martelo de Schmidt do tipo L. O equipamento é posicionado na horizontal e é accionado para provocar sobre a superfície vertical um impacto com determinada energia (0.74 J). A medida realizada corresponde à altura de ressalto que é uma medida de dureza do material. A realização de impactos sucessivos no mesmo ponto permite, numa primeira fase, a compactação do material, a partir da qual os valores obtidos são considerados significativos para comparar a dureza de ressalto de vários revestimentos. 2.1.4 Ensaio de resistência superficial: choque de esfera O ensaio de choque de esfera consiste na aplicação de um choque de corpo duro de 3 joules, realizado com uma esfera de aço de cerca de 50 mm de diâmetro, dando informação sobre a deformabilidade do revestimento. A resistência ao choque é avaliada a partir do diâmetro da mossa e do tipo de degradação resultante [3, 4]. 2.1.5 Ensaios com os ultra-sons Esta é uma técnica totalmente não-destrutiva, que pode ser aplicada em diversos tipos de materiais - madeira, pedra, cerâmica, betão e metal – para, analisada em conjunto com outros tipos de ensaios, localizar possíveis zonas degradadas dos revestimentos (fendilhações, fissuras, maior porosidade, etc.). O ensaio consiste na colocação de sensores com funções de emissor e receptor em bom contacto com a superfície do revestimento a analisar, em pontos com posições previamente definidas e cuja distância é medida. A onda é enviada desde o ponto onde está colocado o emissor até ao sensor receptor, atravessando o revestimento. Nos equipamentos portáteis, um circuito electrónico medirá o tempo de propagação dos impulsos no interior do revestimento, a partir do intervalo entre a emissão e a chegada da onda. O registo dos valores dos tempos e respectivas distâncias permite calcular as velocidades de propagação das ondas no material em ensaio. Pode ser bastante útil a visualização e interpretação da onda em osciloscópio para confirmação dos resultados obtidos. As velocidades de propagação das ondas dependem das características do material que atravessam e reflectem indirectamente o seu estado de conservação, já que a presença de vazios e fissuras, que constituem descontinuidades, tem consequências na velocidade de propagação das ondas no seu interior. Materiais mais degradados ou de coesão mais fraca apresentam valores de velocidade de propagação inferiores aos de materiais compactos ou menos degradados. A presença de água nos espaços vazios modifica as características de propagação das ondas sónicas no meio, pelo que esse efeito deverá ser tido em conta na análise dos resultados obtidos em medições sucessivas de materiais que possam apresentar variações no seu teor de água. 3 DESCRIÇÃO DAS SUPERFÍCIES ENSAIADAS Os ensaios foram realizados sobre revestimentos de substituição aplicados em alguns muretes da E.N. Em alguns casos, os revestimentos foram aplicados já há cerca de 3 anos e são constituídos por argamassas de cal aérea apagada corrente, comercializada em Portugal. Noutros casos, nomeadamente no murete 41, o reboco foi aplicado há cerca de cinco anos e meio e apresenta cimento e cal na sua constituição. No quadro 1, estão indicadas, de forma sintética, as constituições dos rebocos ensaiados. QUADRO 1: CONSTITUIÇÃO DOS REBOCOS DOS MURETES DA ESTAÇÃO NATURAL DE ENSAIOS Identificação do Murete Idade de aplicação M 41 N (dir) M47 N (dir) M48 N (esq) M 54 S (dir) aprox. 5,5 anos aprox. 3 anos Cimento Cal 1 - 1 1 1 1 Reboco Areia de rio 4 1,5 1,5 1 4 Pozolana Areia amarela de Corroios 4 1,5 1,5 - A Fig.1 mostra o aspecto geral dos muretes. Fig. 1 – Aspecto geral dos muretes ensaiados 4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS Neste capítulo apresentam-se os resultados globais (quadro 2) e alguns registos (fig. 7 e 8) obtidos nos ensaios realizados, e faz-se ainda uma análise desses resultados. QUADRO 2: RESULTADOS DOS ENSAIOS “IN SITU” NOS MURETES DA ESTAÇÃO NATURAL DE ENSAIOS DO LNEC/LERevPa ENSAIO Murete nª 41 (cal e cimento) Murete nº 47 Murete nº 48 (cal) (cal) Valores Médios Murete nº 54 (cal e pozolana) Microperfuração (N) 25,5 10,8 5,3 2,5 Penetração controlada (mm) 3,6 5,0 7,9 9,2 Choque de esfera (Ø, mm) Marca quase imperceptível 13,6 15,8 15,6 Ultra-sons (m/s) 3100 a 3280 2010 a 2200 1070 a 1180 900 a 980 Esclerómetro (valor de ressalto) 41 nd 33 28 Nota: nd - não determinado As figuras 2 a 6 permitem visualizar os ensaios realizados. Fig. 2 – Ensaio de microperfuração Fig. 4 – Ensaio com o esclerómetro Fig. 3 – Ensaio com os ultra-sons Fig. 5 – Ensaio de penetração controlada Fig. 6 – Ensaio de choque de esfera Faz-se a seguir uma análise dos resultados obtidos e sintetizados no quadro 2. Choque de esfera: No que se refere ao ensaio de choque de esfera verifica-se que, no reboco de cal e cimento (M41), a mossa foi quase imperceptível, o que corresponde a uma boa resistência deste reboco. Os valores mais altos de diâmetros das mossas foram encontrados nos muretes 48 (15,8 mm) e 54 (15,2 mm), com rebocos de cal e de cal e pozolana respectivamente, indiciando resistências inferiores. Penetração controlada: Nos ensaios de penetração controlada verifica-se que a facilidade de penetração é crescente nesta ordem de muretes: 41, 47, 48, 54; ou seja, o reboco de cal e cimento, como era de esperar, foi o que ofereceu maior resistência à penetração, enquanto que o reboco de cal e pozolana (M54) registou a menor resistência à penetração. Ultra-sons: Os resultados obtidos pelo método dos ultra-sons correspondem às determinações da velocidade através do método de transmissão indirecta e com transdutores exponenciais. As velocidades mais altas (3100 a 3280 m/s) foram obtidas no reboco bastardo, apoiando outros resultados (resistência ao impacto de esfera e penetração controlada) que o indicam como sendo o de dureza mais elevada e constituído por material mais coeso. O murete com reboco de cal e pozolanas (M54) foi o que obteve menores valores de velocidade de propagação das ondas (900 a 980 m/s). Esclerómetro: Os resultados da dureza determinada por ressalto através do método do esclerómetro correspondem aos valores médios de três ensaios realizados em cada murete. Em três pontos da superfície foram realizados impactos sucessivos e foi registado o valor do material compactado. O valor obtido no reboco de cimento e cal (M41) indicia que se trata de um revestimento de dureza mais elevada comparativamente aos revestimentos que têm a cal como único ligante (M47 e M48). O revestimento de cal e pozolana do M54, demonstrou, também neste ensaio, ser o material mais brando, ou seja, o menos resistente a uma força de impacto. Microperfuração: A Fig. 7 ilustra o tipo de registos que se obteve em furos característicos dos materiais ensaiados pelo método da microperfuração. Nos ensaios que se apresentam, realizados nas condições de 100rpm de velocidade de rotação e à taxa de penetração de 20mm/min, .foram utilizadas brocas de 7mm. 100/20-broca 7mm 60 50 Força (N) 40 30 20 10 0 0 2 4 6 8 10 Distância (mm) M 41 M 54 M 48 M 47 Fig. 7 – Registos de perfuração dos muretes ensaiados Nestes materiais algo heterogéneos, em que há grãos de areia de várias dimensões, a perfuração traduz também a eliminação por arranque desses obstáculos. Os gráficos traduzem essa heterogeneidade; nos materiais mais brandos, registam-se valores de forças muito reduzidos (ou mesmo próximos de zero) e em todos os materiais há zonas de picos, de grandeza muito variável. Em alguns casos, os picos podem atingir valores de força muito elevados comparativamente aos que é mais comum registar nesse material (M47), seguramente correspondendo à presença de grãos de areia ou a uma maior resistência que o material mais coeso oferece quando perfurado na presença desse obstáculo. Apesar da diversidade dos valores, os resultados apresentados permitem discriminar os quatro materiais. O revestimento de M54 é o que apresenta valores de forças mais baixos e com picos mais reduzidos. M48 apresenta forças ligeiramente superiores e com picos mais acentuados. M47 é um revestimento que apresenta grande heterogeneidade, com picos de forças muito elevados de 20 a 40 N, mas com forças características muito semelhantes a M48. M 41, também heterogéneo, é o mais resistente de todos os revestimentos ensaiados. Dado que se pretende caracterizar o material, a interpretação destes resultados deve ser feita globalmente. Neste caso, e dado que se trata de um material heterogéneo, interessa caracterizar a distribuição de valores obtidos. A Fig 8 representa as curvas de distribuição dos valores de forças obtidos no conjunto de três (ou, em alguns casos, quatro) furos realizados em cada murete. 100/20 - broca 7mm M 54 - Reboco de cal e pozolana 60 M 48 - Reboco de cal Frequência (%) 50 M 41 - Reboco de cal e cimento M 47 - Reboco de cal 40 30 20 10 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 Força (N) Fig. 8 – Distribuição dos valores de força nos muretes ensaiados por microperfuração As distribuições obtidas são assimétricas e as caudas correspondem aos picos de forças que os registos apresentam e que caracterizam estes materiais heterogéneos. Mas como se pode verificar, traduzem bem as diferenças nos quatro muretes ensaiados. A análise dos valores médios obtidos por este método e sintetizados no quadro 2, permite concluir que há certa correlação com os resultados obtidos nos outros ensaios “in situ”. Observa-se que as resistências mais elevadas foram obtidas para o reboco bastardo (M41), a seguir para os rebocos de cal (M47 e M48), e por fim o reboco de cal e pozolana (M54) foi o que menor resistência ofereceu à perfuração, estando de acordo com os outros resultados de ensaios realizados. 5 CONCLUSÕES Assim, no que se refere à resistência mecânica, algumas conclusões podem ser tiradas da análise dos resultados dos ensaios sobre os rebocos estudados: O reboco bastardo foi o que melhor desempenho apresentou em relação aos ensaios realizados: maior resistência mecânica, menor deformabilidade, maior dureza e melhor coesão. As argamassas de cal aérea, embora com resultados distintos, apresentam comportamento intermédio entre a argamassa de cimento e cal e a argamassa de cal e pozolana. A argamassa de cal e pozolana apresenta em todos os ensaios um comportamento inferior ao das demais argamassas ensaiadas, o que permite concluir que os resultados, de um modo geral são coerentes entre si. Faz-se notar, no entanto, que o mau desempenho do reboco de cal e pozolana pode estar relacionado com deficiências de aplicação, que podem ter influenciado decisivamente os resultados aqui obtidos, já que estas argamassas, em geral, apresentam uma boa resistência mecânica. É também de realçar que um melhor desempenho no que se refere às características analisadas não está directamente relacionado com uma maior adequabilidade ao uso como revestimento de edifícios antigos, já que os requisitos exigidos para esse efeito incidem sobre outros aspectos. Estes resultados mostram que os ensaios seleccionados são, à partida, viáveis, uma vez que permitem distinguir o comportamento de vários tipos de rebocos e apresentam, de um modo geral, valores coerentes com o que conhecemos das características das argamassas ensaiadas: as argamassas de cimento e cal são mais duras, mais resistentes, mais coesas e menos deformáveis do que as que têm a cal como único ligante. Os métodos estudados podem ser usados como ensaios complementares, para aumentar a precisão das avaliações realizadas “in situ” para análise do estado de conservação de revestimentos. A aplicação dos métodos de ultra-sons e de micro-perfuração aos revestimentos de paredes considera-se, ainda, insuficientemente estudada, exigindo investigação que permita aprofundar aspectos diversos, quer relativos às condições mais adequadas para o ensaio destes materiais quer relativos à interpretação dos resultados obtidos. Por outro lado, o esclerómetro deve, como se referiu em 4, ser usado com particulares cautelas, mantendo-se muitas reservas sobre a sua aplicabilidade geral. Na continuação destes estudos, prevê-se a aplicação dos métodos analisados em rebocos de paredes de edifícios antigos na zona de Lisboa e, em particular, em zonas com determinadas anomalias (fendas, descolamentos, falta de coesão, etc.), no sentido de avaliar a sua utilidade como meio de diagnóstico. 6 REFERÊNCIAS 1. 2. 3. 4. 5. 6. TIANO, P.; RODRIGUES, J. Delgado; DE WITTE, E.; VERGÈS-BELMIN, V.; MASSEY, S.; SNETHLAGE, R.; Costa, D.; CADOT-LEROUX, L.; GARROD, E.; and SINGER, B. - The conservation of monuments: A new method to evaluate consolidating treatments. Int. Journal for the Restoration of Buildings and Monuments. 2000,Vol.6, Nº 2, pp.133-150. COSTA, D.; RODRIGUES, J. Delgado – Avaliação da dureza por microperfuração. Método de caracterização da dureza dos materiais em profundidade, “in situ” e em laboratório. Revista “Cadernos de Edifícios”. Lisboa, LNEC, Outubro de 2002, Nº 2. VEIGA, M. Rosário; AGUIAR, José; CARVALHO, Fernanda; SILVA, António Santos; SILVA, Cóias - Metodologias para caracterização e conservação de argamassas de revestimento de edifícios antigos. Relatório Final do Projecto Old Renders. Lisboa, LNEC, Outubro de 2001. VEIGA, M. Rosário; CARVALHO, Fernanda - Experimental characterisation of lime based rendering and repointing mortars. Definition of relevant laboratorial and in situ tests. Atenas, National Technical University of Athens, Dezembro de 2000. AENOR (Asociación Española de Normalización y Certificación) – Ensayos de hormigón y mortero – Construcción. Recopilación de Normas UNE. Ensayos de hormigón. Determinación del índice de rebote (UNE 83307:1986). Tomo 10, pp.5458. Madrid, AENOR, 1998. MAGALHÃES, Ana Cristian; VEIGA, M. Rosário – Ensaios in situ sobre revestimentos de paredes para edifícios antigos. Ensaios preliminares com Tubos de Carsten. Lisboa, Setembro de 2002. Relatório 238/02 – NCCt.