0 UNIJUÍ – UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL TAMARA TUSSET ASSOCIADOS APOSENTADOS DO INSS COM CRÉDITO CONSIGNADO EM UMA COOPERATIVA DE CRÉDITO: UM ESTUDO DE CASO Santa Rosa (RS) 2012 1 TAMARA TUSSET ASSOCIADOS APOSENTADOS DO INSS COM CRÉDITO CONSIGNADO EM UMA COOPERATIVA DE CRÉDITO: UM ESTUDO DE CASO Monografia apresentada ao Curso de Graduação em Economia, do Departamento de Ciências Administrativas, Contábeis, Econômicas e da Comunicação (DACEC), da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (UNIJUÍ), requisito parcial para obtenção do título de Bacharel em Economia. Orientadora: Ms. Marlene Köhler Dal Ri Santa Rosa (RS) 2012 2 A Banca Examinadora abaixo-assinada aprova a Monografia: ASSOCIADOS APOSENTADOS DO INSS COM CRÉDITO CONSIGNADO EM UMA COOPERATIVA DE CRÉDITO: UM ESTUDO DE CASO elaborada por TAMARA TUSSET como requisito parcial para obtenção do Grau de Bacharel em Economia. Santa Rosa (RS), 04 de julho de 2012. BANCA EXAMINADORA _______________________________________ Ms. Marlene Köhler Dal Ri Orientadora _______________________________________ Prof. Examinador Titular 3 AGRADECIMENTOS Acima de tudo agradeço a Deus, pela proteção e bênçãos em todos os momentos da minha vida. Pela oportunidade e pelo privilégio em compartilhar tamanha experiência e, ao frequentar este curso, perceber e atentar para a relevância de temas que não faziam parte, em profundidade, da minha vida. Agradeço à minha família, pelo apoio incondicional durante toda a caminhada acadêmica, me proporcionando carinho, amor e, acima de tudo, acreditando na minha capacidade de enfrentar desafios e superar adversidades. Aos professores que demonstraram dedicação e entusiasmo ao longo do curso e pelos conhecimentos transmitidos, principalmente à professora Marlene Köhler Dal Ri, pela orientação segura, incentivo, simpatia, dedicação e presteza no auxílio às atividades e discussões sobre o andamento e normatização deste trabalho de conclusão de curso. 4 RESUMO A oferta de crédito no Brasil nos últimos anos vem crescendo em grande escala. O crédito consignado é um exemplo dessa realidade, tendo desempenhado papel expressivo na expansão do crédito pessoal aos seus aposentados e pensionistas. Grande parte dos beneficiários do INSS, além de vivenciarem uma realidade em que os reajustes salariais não corrigem os seus salários, ainda compromete uma parcela da sua renda com empréstimos, cujo valor da parcela mensal passa a estar indisponível no período em que está consignado. O tema do presente estudo vem ao encontro dessa realidade, que é analisar o endividamento dos aposentados do INSS associados à Cooperativa Sicredi União RS e à Unidade da Praça da Independência. Esse endividamento ocorre na mesma proporção em que crescem os índices de solicitação de crédito, decorrente, muitas vezes, da ânsia pela aquisição de produtos que são ofertados pelo comércio ou para reparcelamento de dívidas. O crédito consignado tem se mostrado um empréstimo atraente devido ao seu juro acessível em relação aos demais, como cheque especial e cartão de crédito. Mesmo assim, a dívida ocasiona uma situação de desequilíbrio orçamentário na economia, gerando redução do poder aquisitivo do aposentado agravada pela constante elevação do custo de vida. O estudo se caracteriza como pesquisa exploratória e descritiva, pois busca estudar e descrever dados sobre os créditos consignados, verificando o quanto estes afetam a renda da população e ou podem tornar-se um aliado no endividamento pessoal. Palavras-chave: Crédito consignado. Endividamento dos aposentados do INSS. Cooperativa Sicredi União RS. Unidade da Praça da Independência. 5 LISTA DAS FIGURAS Figura 1. Figura 2. Figura 3. Figura 4. Figura 5. Figura 6. Figura 7. Figura 8. Variação do PIB anual (em %)...................................................................... Concessão de crédito consignado a aposentados – 01/2009 a 01/2010........ Tabela Price ou Sistema de Amortização Francês (SAF)............................. Pe. Theodor Amstad, pioneiro do cooperativismo de crédito no RS ........... Caixa Rural de Nova Petrópolis, primeira cooperativa de crédito do RS .... O cata-vento, símbolo do Sicredi.................................................................. Fachada da Sicredi União RS........................................................................ Distribuição dos municípios de acordo com o número de habitantes associados e aposentados do INSS.............................................................. 09 10 34 45 46 47 50 51 6 LISTA DOS QUADROS Quadro 1. Quadro 2. Quadro 3. Quadro 4. Quadro 5. Quadro 6. Quadro 7. Quadro 8. Quadro 9. Quadro 10. Quadro 11. Quadro 12. Quadro 13. Quadro 14. Quadro 15. Quadro 16. Quadro 17. Quadro 18. Quadro 19. Quadro 20. Quadro 21. Tabela Price ou Sistema de Amortização Francês (SAF)........................... Modelo de cálculo da Tabela Price............................................................. Modelo da Tabela Price em parcelas não periódicas e nem uniformes...... Modelo da Tabela Price em parcelas iguais e periódicas........................... Fluxo de caixa............................................................................................. Ponderação das despesas pessoais para verificação dos custos.................. Variação do INPC e do salário mínimo...................................................... Total de associados por Unidade................................................................ Distribuição dos municípios de acordo com o total de benefícios mensais concedidos na Cooperativa Sicredi União RS............................................ Total de benefícios pagos na Cooperativa Sicredi União RS com relação à Unidade da Praça da Independência ...................................................... Distribuição dos associados aposentados do INSS de acordo com a concessão de consignados ......................................................................... Demonstrativo dos cálculos do valor total financiado................................ Valor total do crédito consignado x pagamento de juros – Cooperativa Sicredi União RS ....................................................................................... Valor total do crédito consignado x pagamento de juros – Unidade da Praça da Independência.............................................................................. Distribuição de valores recebidos pela Cooperativa Sicredi União RS ..... Valores anuais dos créditos consignados que são pagos pelos aposentados da Praça da Independência..................................................... Distribuição de valores recebidos com pagamento das parcelas ............... Valores anuais dos créditos consignados pagos pelos associados aposentados do INSS, pertencentes à Cooperativa Sicredi União RS........ Valores recebidos com pagamento de parcelas pagas pelos associados aposentados do INSS pertencentes à Cooperativa Sicredi União e à Unidade da Praça da Independência........................................................... Valores anuais pagos pelos aposentados do INSS, associados da Unidade da Praça da Independência, que recebem dois salários mínimos por mês referente aos créditos consignados................................................ Valores que deixarão de entrar na economia nos próximos três anos na região........................................................................................................... 33 35 36 36 37 40 40 49 51 52 52 53 53 54 56 56 58 58 60 60 64 7 SUMÁRIO INTRODUÇÃO ........................................................................................................................ 8 1 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRIA......................................................................................... 14 1.1 DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO ........................................................................... 14 1.2 RENDA .............................................................................................................................. 16 1.3 PRODUTO INTERNO BRUTO (PIB) .............................................................................. 16 1.4 PROPENSÃO MARGINAL A CONSUMIR .................................................................... 18 1.5 CRÉDITO ........................................................................................................................... 20 1.5.1 Análise do crédito .......................................................................................................... 23 1.5.2 Limite de crédito ............................................................................................................ 24 1.5.3 Análise de crédito pela Cooperativa ............................................................................ 25 1.5.4 Custo do crédito bancário ............................................................................................. 26 1.6 O CONCEITO E A NATUREZA DOS JUROS ................................................................ 28 1.6.1 Juros bancários .............................................................................................................. 28 1.7 ENDIVIDAMENTO .......................................................................................................... 29 1.8 CRÉDITO CONSIGNADO ............................................................................................... 30 1.9 TABELA PRICE ................................................................................................................ 31 1.9.1 Histórico do Sistema Francês de Amortização – Tabela Price.................................. 31 1.9.2 Processo de cálculo da Tabela Price ............................................................................ 32 1.10 HISTÓRICO DO SALÁRIO MÍNIMO NO BRASIL ..................................................... 38 1.11 CORREÇÃO MONETÁRIA ........................................................................................... 39 2 METODOLOGIA DA PESQUISA .................................................................................... 41 2.1 APRESENTAÇÃO DA PESQUISA .................................................................................. 41 2.2 TIPO DA PESQUISA ........................................................................................................ 42 2.3 INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOS ................................................................. 42 2.4 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS .............................................................. 43 3 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS .................................................. 44 3.1 CARACTERIZAÇÃO DA EMPRESA ............................................................................. 44 3.2 PLANILHAMENTO DOS DADOS .................................................................................. 50 3.2.1 Aposentados com ganho de um salário mínimo .......................................................... 54 3.2.2 Aposentados com ganho mensal de um e meio salário mínimo ................................. 57 3.2.3 Aposentados com ganho mensal de dois salários mínimo .......................................... 59 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................................. 62 REFERÊNCIAS ..................................................................................................................... 66 ANEXOS ................................................................................................................................. 69 8 INTRODUÇÃO As necessidades humanas encontram-se dispostas em forma de pirâmide, obedecendo a uma certa hierarquia. Em sua base encontram-se as necessidades primárias, ou seja, as fisiológicas e as de segurança. Seguem as necessidades secundárias, que são constituídas pelas sociais, de estima e de autorrealização. Chiavenato (1998), ao analisar esta pirâmide de necessidades afirma que o ser humano, na ânsia de suprir suas necessidades, nasceu para consumir. As organizações, cientes dessas características humanas, desenvolvem habilidades que despertam no indivíduo um grande desejo de consumo, perpassando os aspectos básicos de sobrevivência, e chegando aos bens e serviços. Os bens e serviços compõem o setor terciário, cuja expansão a partir do século 20 tem apresentado as maiores mudanças no âmbito econômico, sendo aquele que mais emprega em diversos países. No Brasil, gera mais da metade da renda nacional, correspondendo a 54% do Produto Interno Bruto (PIB). Podem-se mencionar como integrantes do setor terciário o ramo do comércio, o turismo, os serviços financeiros, jurídicos, de informática, comunicação, arquitetura, engenharia, auditoria, consultoria, propaganda e publicidade, seguro, corretagem, transporte e armazenagem, além das atividades públicas e privadas de defesa, segurança, saúde e educação, entre outros. O crescimento do setor terciário deve-se ao aumento da renda per capita1 que, segundo depoimento de Langoni (2008), ex-presidente do Banco Central, cresce a 23 trimestres consecutivos, possibilitando aos consumidores gastarem mais. Este ciclo de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) é entendido como o mais longo desde o início dos anos 80, perdendo apenas para o “milagre” dos anos 70. 1 Renda per capita: é um indicador que ajuda a conhecer o grau de desenvolvimento econômico de um país ou região. É a soma dos salários de toda a população dividido pelo número de habitantes. Consiste na divisão do Produto Nacional Bruto (PNB) menos os gastos de depreciação do capital e os impostos indiretos pela sua população (BRAGA, 1995). 9 O atual ciclo difere qualitativamente dos anteriores em função de combinar expansão do investimento e do consumo. E não há como dissociar o desempenho econômico do aumento simultâneo de crédito, da renda e do emprego que permitem às famílias manter seu consumo em elevação. Decorre daí uma grande expansão da oferta de crédito nos últimos anos, cujos números só têm a crescer. E para comprovar este crescimento, dados mostram que cada vez mais os brasileiros usam o crédito para realizar com antecedência suas compras e para a satisfação dos seus desejos. O aumento do crédito traz pontos positivos porque gera riqueza e alavanca a economia. Os bancos e as instituições financeiras são os principais agentes a suprir esta necessidade de crédito, tanto na captação de recursos como na concessão do crédito de natureza pessoal, habitacional, capital de giro ou ainda em outras modalidades, exercendo, dessa forma, papel fundamental no crescimento econômico. No contexto atual o crédito acabou se tornando elemento essencial na vida das pessoas em qualquer relação, seja financeira ou não. O fato de uma sociedade ter crédito significa que cada uma das partes acredita que a outra fará o que se espera dela, sem precisar ser forçado a isso. O crescimento da economia brasileira em 2011 registrou um aumento de 2,7%, segundo informações do IBGE (2012). Em contrapartida, este crescimento provocou um aumento no volume do crédito tanto para a pessoa jurídica como para a física em torno de 15% a 20%, devido a variáveis como retomada de investimentos estrangeiros no mercado nacional. Figura 1. Variação do PIB anual (em %) Fonte: IBGE (2011). 10 Atualmente a ênfase é para o crédito direcionado às pessoas físicas. A perspectiva é que em 2012 o total de crédito à pessoa física ultrapasse o crédito utilizado por pessoas jurídicas. A principal linha de crédito é o consignado e o imobiliário, por apresentarem os menores juros oferecidos atualmente para pessoas físicas. Notícias sobre crédito no Brasil revelam que as operações de crédito consignado para aposentados do INSS são as que mais crescem no país. O número de operações de crédito consignado firmadas com bancos ou instituições financeiras no ano de 2010 teve um aumento de 17,9%, totalizando 10,1 milhões de contratos assinados e R$ 26,8 bilhões emprestados. Esta elevação na concessão do crédito consignado se deu por dois motivos: o primeiro é apontado pelo governo como decorrente da crise que dominava o cenário econômico no período, e o outro foi a mudança nas regras do crédito consignado, quando o governo procurou flexibilizar o crédito, estimulando o consumo e reativando a economia do país. Com isso, pessoas físicas foram autorizadas a comprometer até 30% de sua renda com a captação do crédito, na modalidade empréstimo pessoal, cuja margem anterior era de 20%. A Figura 2 mostra a evolução ocorrida entre janeiro de 2009 a janeiro de 2010 na concessão de crédito consignado aos aposentados. Neste período, os contratos de crédito consignado envolvendo somente beneficiários do INSS alcançaram R$ 24,6 bilhões, sendo que a quantia acumulada de operações foi de 10,6 milhões. Figura 2. Concessão de crédito consignado a aposentados – 01/2009 a 01/2010 Fonte: INSS (2010). A medida adotada pelo governo teve efeito, pois o volume de operações do crédito consignado elevou-se consideravelmente. Num primeiro momento houve um aumento brusco nas contratações do empréstimo, mas depois os números começaram a cair e se estabilizar. 11 O aumento da demanda do consumo, portanto, é decorrente da existência de crédito, o qual pode moldar o ritmo da produção do setor produtivo. Isso pode ser entendido ao se analisar a economia sob o viés da macroeconomia. Indústrias se deparam com a antecipação dos pedidos em função da facilidade gerada pelo crédito, oriunda da desobrigação da liquidação total do valor da compra de bens e serviços no ato do negócio, permitindo um excedente instantâneo da moeda, que pode ser direcionado para a compra de mais bens e serviços. Caracterizado como um instrumento de natureza monetária, o crédito tem efeitos no produto real da economia, pois uma parcela da economia real é gerada a partir da disponibilização do crédito. Assim, uma vez que uma economia incorpora um sistema de crédito, a demanda real pode aumentar ou diminuir em função da política adotada pela sua administração. No momento da captação do crédito, entretanto, a capacidade de pagamento do tomador do empréstimo é um fator que precisa ser avaliado. As condições de pagamento do tomador referem-se ao ingresso mensal de valor (salário, patrimônio, prazo e juros acordados). A alteração de qualquer um desses critérios acaba gerando riscos e provocam uma situação de inadimplência. Diante de um cenário de crescimento expressivo da oferta de crédito no Brasil nos últimos anos, o crédito consignado do INSS tem desempenhado papel expressivo na expansão do crédito pessoal aos seus aposentados. A situação que se vislumbra, entretanto, é que, além de comprometerem uma parcela da renda que passa a estar indisponível no período em que está consignado, ainda convivem com reajuste salarial que não corrige o seu custo de vida. Em decorrência de uma situação de facilidade de acesso ao crédito, percebe-se que o mesmo pode comprometer a renda de quem o toma, conduzindo-o a uma situação de endividamento. O endividamento é um reflexo da sociedade de consumo e caracteriza-se como um problema de ordem social e não individual, afetando consumidores e fornecedores. Ele está relacionado também à taxa de juros, a qual é discutida mundialmente sob o aspecto políticoeconômico, pois representa o grau de desenvolvimento de um país, a estabilidade ou instabilidade de sua atividade econômica. O empréstimo consignado é considerado hoje a modalidade mais atrativa para os agentes financeiros, pois representa um risco muito pequeno de inadimplência. Para os tomadores é um atrativo, pois estes resolvem um problema imediato de pagamento de dívida 12 e/ou aquisição de bens de consumo. Por outro lado, o empréstimo atua como redutor do poder aquisitivo, levando muitos a recorrerem a novos financiamentos e, com isso, tornam cada vez maior a parcela dos rendimentos comprometidos com o pagamento do consignado. Este estudo alerta para o fato de que, se o crédito consignado, especialmente concedido aos aposentados do INSS, foco deste estudo, for destinado para financiamento de bens de consumo e não de formação de capital (investimento) ou para pagamento de dívidas anteriormente contraídas, poderá haver uma recessão de consumo num futuro próximo. Na condição de tomador desta modalidade de empréstimos, entretanto, o aposentado do INSS fica satisfeito ao contrair o consignado em função de situações como: a) as parcelas cobradas para amortização da dívida são fixas, havendo a perspectiva de que o peso da parcela do consignado vá se tornando cada vez mais leve, pois os rendimentos recebidos serão corrigidos ao longo do período; b) os juros cobrados nesta modalidade aparentemente são inferiores à taxa de mercado. Mesmo que esses aspectos se comprovem, a evolução da dívida contraída ocasiona uma situação de desequilíbrio orçamentário (saldo devedor). Na verdade há uma redução do poder aquisitivo do aposentado, o que se agrava ao longo do período dada à elevação do custo de vida. Neste contexto, o objetivo do presente estudo é analisar o grau de endividamento dos aposentados do INSS, associados a uma Cooperativa de Crédito, com a utilização do crédito consignado. O estudo tem ainda como objetivos específicos: a) caracterizar o ambiente de estudo e realizar a coleta do referencial teórico acerca do tema em estudo; b) conceituar e analisar a metodologia do crédito; c) analisar e verificar como se comporta o crédito consignado dos aposentados da Cooperativa; d) analisar o comportamento do endividamento e/ou capacidade do poder aquisitivo com o crédito consignado. Considerando todo o cenário até aqui apresentado, o presente estudo propõe ainda responder a seguinte questão: qual o volume de endividamento dos aposentados do INSS associados à Unidade da Praça da Independência em relação à Cooperativa Sicredi União RS com a utilização do crédito consignado? Existem pelo menos dois tipos de justificativa para a realização do presente estudo: a de natureza econômica e a de cunho pessoal. Do ponto de vista econômico é muito importante que as pessoas envolvidas diretamente no processo de liberação de crédito possam, mediante análise econômica, ter uma visão geral do comprometimento dos aposentados durante todo o 13 período de existência da consignação. Este conhecimento geral pode trazer benefícios quanto às decisões e estratégias que necessitam ser tomadas no momento da concessão do crédito. Do ponto de vista pessoal, o estudo interessa ao acadêmico por estar hoje trabalhando em uma Cooperativa de Crédito, mais precisamente no Sicredi, pertencente à região onde foi realizado este estudo. Sua realização permite a concretização de duas aspirações: contribuir para a solução de problemas sociais e concluir sua graduação em Economia. O estudo está estruturado em três capítulos. O primeiro é composto pela revisão bibliográfica do tema, onde são apresentados os conceitos de cooperativismo, desenvolvimento econômico, renda, crédito, juros, crédito consignado, correção monetária, entre outros, tendo por base a literatura de autores que se destacam nessa área. No segundo capítulo apresenta-se a metodologia utilizada ao longo do estudo, em que se apresenta a pesquisa, o tipo do estudo, os instrumentos de coleta de dados e a análise e interpretação dos dados. E, finalmente, no terceiro capítulo é apresentada a caracterização da instituição em estudo e o planilhamento dos dados obtidos com a realização da pesquisa. Nas considerações finais consta a conclusão a que se chegou com o estudo. Esta pesquisa possibilita conhecimentos que contribuem para a atuação de profissionais que desejam ter um referencial a respeito do assunto, bem como um meio de gerar novas informações que dizem respeito ao tema. 14 1 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRIA A fim de possibilitar a compreensão do que é o processo de desenvolvimento econômico, bem como elaborar algumas considerações sobre crédito, consumo e sistema capitalista, foram utilizadas algumas literaturas, as quais são apresentadas a seguir. 1.1 DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO O desenvolvimento econômico, segundo Souza (1993), pode ser definido como uma combinação de crescimento sustentado, reestruturação produtiva com aprofundamento tecnológico e melhoria dos indicadores sociais da população em geral. Trata-se de um processo pelo qual a renda nacional real de uma economia aumenta durante um longo período de tempo. A renda nacional real refere-se ao produto total do país de bens e serviços finais, expresso não em termos monetários, mas sim em termos reais, em que a expressão monetária da renda nacional é corrigida por um índice apropriado de preço de bens de consumo e bens de capital. Caso o ritmo de desenvolvimento for superior ao da população, a renda real per capita aumentará. O processo implica na atuação de certas forças, que operam durante um longo período de tempo e representam modificações em determinadas variáveis. Apesar de os detalhes do processo variarem sob condições diversas no espaço e no tempo, há algumas características comuns básicas, e o resultado geral do processo é o crescimento do produto nacional de uma economia que, em si própria, é uma variação particular a longo prazo (SOUZA, 1993). Depreende-se daí que o desenvolvimento econômico é um conceito que por sua amplitude aproxima a economia das demais ciências sociais. Sua caracterização não se restringe ao crescimento da produção em uma região, mas trata principalmente de aspectos qualitativos relacionados ao crescimento. Em seus estudos, Furtado (1964, p. 43) definiu o desenvolvimento econômico como “[...] um processo de mudança social pelo qual um número crescente de necessidades humanas – preexistentes ou criadas pela própria mudança – são satisfeitas através de uma diferenciação no sistema produtivo decorrente da introdução de inovações tecnológicas.” O autor apresenta os estudiosos que se dedicaram à dialética do desenvolvimento, cujos nomes mais expressivos e suas concepções estão relacionados no texto que segue. 15 Quesnay (1758 apud FURTADO, 1964), através de seu Tableau Économique, definiu o sistema econômico à semelhança do funcionamento do organismo humano. A agricultura era considerada pelos fisiocratas como única atividade produtiva e, portanto, o desenvolvimento dependia do aumento da produtividade agrícola. Nesse rumo, defenderam a redução de impostos e condenaram gastos supérfluos e tudo que prejudicasse a venda da produção agrícola, necessária à capitalização da agricultura e à geração de excedente para estender o desenvolvimento às demais atividades econômicas. Enquanto isso, Smith (apud FURTADO, 1964) ressaltou os aspectos responsáveis pelo desenvolvimento econômico como a acumulação do capital, o crescimento populacional e a produtividade da mão de obra, introduzindo a ideia da divisão do trabalho como forma de promover o progresso econômico. Já Ricardo (apud FURTADO, 1964), partindo das ideias de seu antecessor, destacou a importância das inovações tecnológicas para o desenvolvimento. Seu pessimismo decorreu das hipóteses relativas aos rendimentos decrescentes da agricultura com as quais trabalhou, na medida em que a terra se tornava mais escassa com sua exploração, e do crescimento da população relativamente ao estoque de capital. Schumpeter (apud FURTADO, 1964) aperfeiçoou o conceito de desenvolvimento econômico ao distinguir as noções de estática e dinâmica na economia, vinculando à primeira noção o fluxo regular da atividade e à segunda, a perturbação do ciclo vicioso da estabilidade provocada pelo investimento a partir das inovações tecnológicas. Seu otimismo preconizava o desaparecimento dos problemas sociais se as economias experimentassem crescimento semelhante ao dos períodos passados. O desenvolvimento econômico, para Schumpeter, é um fenômeno originário da própria esfera econômica, com características qualitativas novas e não imposto de fora. Na América Latina e no Brasil, particularmente, os ideais de desenvolvimento ganharam importância com os estudos da Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL), fundada na década de 50 por economistas da região, preocupados com o atraso de suas respectivas nações. Sua principal contribuição consistiu na crítica ao pensamento convencional acerca da divisão internacional do trabalho, que separava as nações em função da disponibilidade dos fatores de produção, condenando os países ricos em recursos naturais à eterna dependência dos países industrializados, ricos em tecnologia e capital. Resultou da visão desses economistas o processo substituidor de importação adotado pelas economias latinas para criar suas indústrias nacionais (BIELSCHOWSKY, 2000). 16 Shapiro (1994) conclui que o processo de desenvolvimento econômico passa por ajustes institucionais, fiscais e jurídicos que se tornam necessários para que haja incentivos aos investimentos e inovações, bem como fornece condições para um sistema eficiente de produção e distribuição de bens e serviços. 1.2 RENDA Vasconcellos e Garcia (2004), em seus estudos, conceituam renda como a soma dos rendimentos pagos aos fatores de produção para obter o produto num determinado período, composto por aluguéis, lucros, salários e juros. Já a Renda Nacional, segundo os autores supracitados, é a soma de todas as rendas recebidas pelos proprietários dos fatores de produção no ano, ou seja, o custo de fatores, salários e ordenados, juros, aluguéis, lucros mais as transferências do Governo para o setor privado. Economicamente, ao se gerar um volume de produção, gera-se uma renda correspondente que, por sua vez, se transforma em capacidade de compra das pessoas. Para aumentar a capacidade de compra ou a demanda agregada, a economia terá que, necessariamente, aumentar a produção e, consequentemente, a renda. A melhoria da qualidade de vida das pessoas obtém-se, portanto, mediante crescimento contínuo da renda numa taxa maior de crescimento da população, ou seja, por meio da renda per capita. A riqueza de um país, portanto, não está caracterizada pela quantidade de recursos minerais existentes em seu subsolo, mas, sim, pela capacidade que tem de gerar, continuamente, um volume de produção crescente por pessoa, ou seja, per capita. Não há como gerar um volume de produção sem uma correspondente geração de renda. À medida que se aumenta um nível de produção por meio de novos investimentos, aumenta-se também o nível de renda na economia. 1.3 PRODUTO INTERNO BRUTO (PIB) O Produto Interno Bruto (PIB), segundo Gordon (2000), é um dos indicadores mais utilizados na macroeconomia com o objetivo de mensurar a atividade econômica de uma região. Ele representa a soma em valores monetários de todos os bens e serviços finais produzidos numa determinada região, quer seja países, estados ou cidades durante um determinado período (mês, trimestre, ano, etc). 17 O PIB é considerado uma medida de fluxo de produção por um determinado tempo, por isso ele não considera estoques de capital (economia) que, em última instância, são importantes componentes determinantes dos fluxos de produção como, por exemplo, capital social, capital humano, capital natural, etc. Na apuração do PIB considera-se apenas bens e serviços finais, excluindo da conta todos os bens de consumo intermediário. Isso é feito com o intuito de evitar o problema da dupla contagem, quando valores gerados na cadeia de produção aparecem contados duas vezes na soma do PIB. A fórmula para o cálculo do PIB de uma região é a seguinte: PIB = C+I+G+X-M Onde: − C = consumo privado − I = investimentos totais feitos na região − G = gastos dos governos − X = exportações − M = importações De acordo com Sandroni (2004, p. 459), na ótica da renda o PIB é calculado a partir das remunerações pagas dentro do território econômico de um país, sob a forma de salários, juros, aluguéis e lucros distribuídos. Somam-se a isso os lucros não distribuídos, os impostos indiretos e a depreciação do capital e, finalmente, subtraem-se os subsídios. Já na ótica do dispêndio, o autor supracitado afirma que este resulta da soma do consumo das unidades familiares e do governo, mais as variações de estoque, menos as importações de mercadorias e serviços e mais as exportações. Sob essa ótica, o PIB é denominado Despesa Interna Bruta. Embora sendo um indicador linear, o PIB pode demonstrar, per capitamente, o quanto cada indivíduo receberia se a produção interna bruta fosse distribuída igualmente entre seus habitantes. Para obter o PIB per capita divide-se o valor do PIB pela população. Esta não é uma medida de renda pessoal, porque no PIB não são considerados o nível de desigualdade de renda de uma sociedade. 18 1.4 PROPENSÃO MARGINAL A CONSUMIR Estudos de Stiglitz (2004) revelam que a economia tem-se tem se duas visões sobre a teoria do consumo, sendo uma microeconômica e a outra macroeconômica. A microeconomia estuda studa a função “consumo” dentro de particularidades, como gosto, moda, clima, preço dos produtos e outras variáveis que influenciam os consumidores. A macroeconomia analisa a visão agregada, deixando as peculiaridades de lado para analisar o lado estrutural estrutura e político. Normalmente, olha-se se o consumo por uma função do nível de renda, recebida em um determinado tempo, retirando-se retirando impostos. Assim, encontra-se se a renda que está à disposição da população para o consumo. Ao realizar esta análise, observa-se observa que a classe rica direciona uma parte de sua renda para o consumo e o restante para a poupança, o que já não acontece com a classe pobre, que encaminha quase totalmente sua renda para o consumo e não consegue fazer uma poupança. Desta forma, percebe-se se que a classe classe pobre não tem como pechinchar na hora de fazer suas compras, porque não consegue juntar dinheiro ou poupança para fazer uma compra à vista, bem ao contrário do que acontece com a classe rica. Nesse contexto, Mansfield (1996) apresenta a propensão propensão marginal mar a consumir que mede quanto se incrementa no consumo de uma pessoa quando há um acréscimo em sua renda disponível (a renda disponível depois do pagamento dos impostos) em uma unidade monetária. Dessa forma, a propensão marginal ao consumo se define como co a variação do consumo a uma nova renda disponível, a qual pode ser expressa matematicamente da seguinte forma: Esta fórmula explica como as mudanças de consumo mudam quando a renda se altera. Já naa análise do consumo keynesiana é formulada a seguinte expressão para o consumo: 19 Esta expressão é considerada válida para intervalos de variação dos resultados em que a propensão marginal a consumir permanece aproximadamente constante. Onde: − C = Consumo − C0 = Consumo autônomo ou fixo − c = Propensão marginal a consumir − YD = Renda disponível Y(1 − t) − (1-c) = b = Propensão marginal a poupar Falar sobre propensão marginal leva necessariamente a falar sobre a Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda. Segundo Keynes (1990, p. 48), estes objetivam descobrir o que determina o volume de emprego, que se dá pela interseção da função de oferta agregada com a demanda, ou seja, que “relaciona determinado volume de emprego com o produto das vendas que se espera realizar desse volume de emprego.” Neste cenário podem-se definir os fatores objetivos, que são a variação do salário real, a diferença entre renda e renda líquida, as variações imprevistas nos valores de capital não considerados no cálculo da renda líquida, a relação de troca de bens presentes e bens futuros, a variação da política fiscal, as modificações das expectativas acerca de relação entre os níveis presentes e futuros da renda. Sendo assim, Keynes (1990) afirma que a função consumo é bastante estável e o principal fator que o influencia é a renda, sendo os demais (agrupados na propensão marginal a consumir) de influência reduzida. No que se refere aos fatores subjetivos, estes são compreendidos como a precaução, poupar para imprevistos, previdência, preparar-se para a velhice e outros gastos futuros, desfrutar de gastos crescentes, independência, estar livre para fazer algo, iniciativa, poupar para realizar sonhos, projetos de vida. Esses fatores, segundo Keynes (1990), variam de acordo com as instituições e a organização da sociedade, com os hábitos devido à raça, educação, convenções, religião e atitudes morais correntes, com as esperanças atuais e a experiência passada, com a distribuição de renda, com o nível de vida e com o estado da tecnologia. Ao mudar lentamente, os fatores subjetivos levam a concluir que as variações de curto prazo no consumo dependem mais das alterações na renda do que das variações da propensão a consumir. E apesar de levarem o indivíduo a poupar, os fatores subjetivos não influenciam o volume da poupança agregada, que é determinado pela comparação entre a taxa de juros e a eficiência marginal do capital. 20 1.5 CRÉDITO Crédito pode ser entendido como a confiança que uma pessoa física ou jurídica deposita em outra. Na área das finanças, crédito é a capacidade que uma pessoa tem de pagar um empréstimo/financiamento. Geralmente, o crédito de uma pessoa é medido através de seu histórico e obtido mediante atos positivos. Por exemplo, diz-se que um físico de renome, com livros publicados e PHD na área, possui crédito em assuntos relacionados à Física. Já um empreendedor conhecido por gerar lucro com investimentos possui crédito financeiro. Para Schrickel (2000), “crédito é todo ato de vontade ou disposição de alguém destacar ou ceder, temporariamente, parte do seu patrimônio a um terceiro, com a expectativa de que esta parcela volte a sua posse integralmente após decorrido o tempo estimado.” Já Santos (2003) define crédito como sendo “a modalidade de financiamento destinada a possibilitar a realização de transações comerciais entre empresas e seus clientes.” A viabilização das transações comerciais entre a organização e seus clientes é, portanto, o maior objetivo de uma empresa. Nesse rumo, Santos (2003) segue afirmando que o crédito diz respeito à troca de um valor presente por uma promessa de reembolso futuro, não necessariamente certo, em virtude dos fatores de risco de um financiamento. Ainda no entendimento de Schrickel (2000), crédito é todo ato de vontade ou disposição de alguém ceder, temporariamente, parte de seu patrimônio a um terceiro, com a expectativa de que esta parcela volte a sua posse integralmente após decorrido o tempo estipulado. Esta parte do patrimônio pode ser materializada em dinheiro (empréstimo monetário) ou em bens para uso ou venda, mediante pagamento parcelado ou a prazo. O crédito pressupõe duas premissas fundamentais: confiança, expressa na certeza do recebimento do montante emprestado; e tempo, que diz respeito ao período fixado entre as partes desde a aquisição e a liquidação da dívida. Ele está presente nas mais diversas atividades econômicas do país, financiando pessoas físicas na compra de bens de consumo, reformas e manutenção dos mais diversos bens e gastos com saúde, educação, lazer e moradia e ainda pessoas jurídicas, na compra de matérias primas, máquinas e equipamentos para produção de bens, e no financiamento do comércio exterior e de seus clientes. A ampliação do crédito, portanto, contribui para ampliar negócios já existentes. Essa afirmação vai de encontro ao conceito moderno de participação dos departamentos de uma empresa na maximização dos seus lucros. 21 Atualmente as intituições financeiras estão facilitando muito a concessão de crédito às pessoas fisicas e jurídicas. Com isso, as empresas tendem a investir mais em suas atividades, enquanto as famílias aumentam o consumo de coisas desnecessárias. O comportamento que as famílias e as empresas têm frente ao crédito alavanca a taxa de crescimento econômico. A primeira instituição financeira no Brasil foi criada em 1808, com a chegada de D. João VI, e foi denominada “Banco do Brasil”, cujo fechamento ocorreu em 1829. No ano de 1836 surgiu a primeira agência privada, o “Banco do Ceará”, fechada três anos após sua criação. Já o primeiro banco comercial surgiu no ano de 1938, no Rio de Janeiro e, com seu sucesso surgiram outros empreendimentos semelhantes no país. Enquanto isso, em 1811, os Estados Unidos já contavam com 90 bancos que, dois anos depois somavam 208 instituições bancárias. O terceiro banco do Brasil surgiu em 1851, cuja criação foi sugerida por Visconde de Mauá (Irineu Evangelista de Souza). O banco tinha como missão se tornar o mais poderoso instrumento da civilização moderna no tocante à criação da riqueza. No setor cooperativo, a primeira organização do mundo foi fundada em 1844, em Rochdale, na Inglaterra. O ambiente adverso da segunda fase da Revolução Industrial, em que a jornada de trabalho chegava a 15 horas por dia, explica a necessidade de organização dos tecelões, que fundaram uma cooperativa de consumo para alterar a perspectiva de sua inserção econômica. Em 1902 surgiu no Brasil e na América Latina, na cidade de Nova Petrópolis (RS), a primeira Cooperativa de Crédito, atual Sicredi Pioneira RS, como uma forma de organização econômica coletiva de pequenos agricultores do sul do país. Em 1925 foi criada a primeira Central de Caixas Rurais, denominada União Popular do Rio Grande do Sul, atual Sicredi Metrópolis RS. Keyes e Kalecki, dois dos fundadores da macroeconomia, afirmam: [...] contrariando o senso comum que o crescimento da renda da comunidade e dos lucros empresariais depende da disposição de um grupo social, especialmente dos empresários, mas também dos consumidores, do governo ou dos estrangeiros, de gastar acima de sua renda corrente, isto é de colocar mais dinheiro na economia do que está tirando. (apud SHAPIRO, 1994, p. 79). A expressão confirma a possibilidade de o povo e as empresas poderem gastar acima de sua renda devido ao sistema de crédito existente. As cooperativas de crédito surgiram com o propósito de financiar as dívidas públicas, mas com a evolução industrial e a aceleração dos negócios acabaram avançando nas 22 operações de crédito. Com a possibilidade do crédito, os bancos assumiram um papel de adiantar capital, com o risco de ter perdas com a não devolução do capital emprestado. O crédito bancário passou a movimentar a economia, garantindo o comércio e os meios de troca. Para Stiglitz (2004), professor da Universidade de Columbia, Prêmio Nobel de Economia de 2001, o crédito detém a força da economia, em outras palavras, o crédito determina os rumos da economia. Hoje, a maioria das transações comerciais não tem nada a ver com a moeda e sim com o crédito A fim de compreender melhor a economia monetária é fundamental o acesso a informações desse mercado, além de uma compreensão muito grande do mercado de crédito. Por outro lado, as instituições financeiras devem ser capazes de desenvolver uma vantagem comparativa e absoluta na coleta e processamento das informações. As limitações de informações, em conjunto com os custos de falência, são fundamentais para determinar tanto o nível de crédito quanto as suas variações. As instituições de crédito, ao liberarem um empréstimo a uma pessoa, analisam mudanças nas condições externas, abrangendo a política monetária. Elas possuem a competência de aumentar o poder de compra da população, adiantando os recursos necessários para as pessoas efetuarem compras e alavancarem o mercado. O crédito, portanto, agiliza as atividades econômicas, principalmente quando a empresa satisfaz uma necessidade cujo preço será pago no futuro. Em outras palavras, o crédito é a troca no tempo e no espaço, ou seja, é a permissão para quem não dispõe de recursos financeiros utilizar capital alheio na compra de um produto mediante a promessa de pagamento dos recursos emprestados com juros. Numa instituição financeira bancária os recursos captados no mercado por meio de depósitos efetuados por milhares de clientes são aplicados na forma de empréstimos aos clientes, constituindo-se em negócio mediante promessa de um pagamento futuro. A taxa de juros será a retribuição por essa prestação de serviço, sendo que o valor será devolvido mensalmente ou no final do período junto com o valor emprestado. Com a obtenção do crédito as pessoas podem obter moradia, bens e até alimentação, facilitando a execução de projetos para os quais muitas vezes não têm recursos próprios suficientes. Em outras palavras, o crédito pode estimular as pessoas a movimentar o mercado, entretanto, também pode endividar pessoas e até empresas, podendo ser considerado um processo inflacionário. 23 1.5.1 Análise do crédito Análise de crédito é o processo de avaliação do potencial de retorno do tomador do crédito pelo agente cedente, bem como os riscos inerentes à concessão. Tal procedimento procura identificar os clientes que no futuro poderão deixar de honrar com suas obrigações, acarretando uma situação de risco de caixa à instituição financeira. Por meio da análise de crédito é possível identificar a idoneidade do cliente, bem como sua capacidade financeira para amortizar a dívida que pretende contrair. Segundo Blatt (1999, p. 93), no entanto, “este processo cobre uma estrutura mais ampla do que simplesmente analisar o crédito de um cliente e dados financeiros para a tomada de decisão com propósitos creditícios.” Nesse sentido, Santos (2003) afirma que o processo de análise e concessão de crédito recorre ao uso de duas técnicas: a técnica subjetiva e a técnica objetiva ou estatística. A primeira diz respeito ao julgamento humano e a segunda é baseada em processos estatísticos. Em relação à primeira técnica, Schrickel (2000, p. 27) observa que: “a análise de crédito envolve a habilidade de fazer uma decisão de crédito, dentro de um cenário de incertezas e constantes mutações e informações incompletas.” Ou seja, grande parte da análise de crédito é realizada mediante julgamento do agente de crédito, baseada principalmente na sua habilidade e experiência. Santos (2003) completa afirmando que além de estar baseada na experiência adquirida, esta técnica considera ainda a disponibilidade de informações e a sensibilidade de cada analista quanto à aprovação do crédito. A análise subjetiva do tomador do crédito, portanto, é importante pois conta com a experiência do agente de crédito, o qual é habilitado a identificar fatores de caráter, capacidade, capital e condições de pagamento. Essa análise, porém, não pode ser realizada de maneira aleatória, é preciso estar embasada em conceitos técnicos que irão guiar a tomada de decisão. Schrickel (1994, p. 64) confirma com suas palavras a importância da análise de crédito pelas instituições financeiras: A análise de crédito envolve a habilidade de fazer uma decisão de crédito, dentro de um cenário de incertezas e constantes mutações e informações incompletas. Esta habilidade depende da capacidade de analisar logicamente situações, não raro, complexas, e chegar a uma conclusão clara, prática e factível de ser implementada. 24 Mediante a realização de uma cuidadosa análise de crédito, a instituição financeira poderá identificar os riscos da concessão do crédito, evidenciando conclusões quanto à capacidade de repagamento do tomador e fazer recomendações relativas à melhor estruturação e tipo de empréstimo a conceder. Para complementar, Rosa Júnior (2002) ressalta que a política de concessão de crédito envolve um equilíbrio entre lucros nas vendas a prazo e custo de manutenção de uma política de valores a receber, bem como possíveis prejuízos de dívidas incobráveis. Estes aspectos se resumem na tradicional política trade off entre risco e retorno. Ressalta ainda que a agilidade nas operações mercantis da economia moderna é necessária à eficiente circulação de riquezas. Isso só é possível mediante a viabilidade imediata da mobilização da riqueza produzida pela introdução de crédito. 1.5.2 Limite de crédito A apuração de limites de crédito tem por finalidade definir o valor máximo que um banco admite emprestar para um cliente, considerando o risco extremo que a instituição financeira está disposta a correr (SÁ, 1999). Esse limite é quantificado por um prazo de validade limitado, e a atuação do cliente deve ser acompanhada de forma que o limite de crédito seja tempestiva e periodicamente reavaliado. O prazo de validade para determinado limite de crédito é fixado para um período que, normalmente, varia de seis meses a um ano. Dentro do período de sua validade pode ser feita nova operação à medida que vença a anterior, devendo ser enquadrada dentro do valor fixado, obedecendo às demais condições preestabelecidas quando do deferimento daquele limite. Segundo Rosa Júnior (2002), os parâmetros para o estabelecimento de limites de crédito podem ser classificados em três grupos básicos: − Quanto o cliente merece de crédito: é uma variável que pode assumir diversas grandezas, dependendo da qualidade do risco apresentado e do porte do cliente, sendo também chamado de parâmetro técnico; − Quanto se pode oferecer de crédito ao cliente: é uma variável ligada à capacidade de quem vai conceder o crédito e está ligado a parâmetros legais; e − Quanto se deve conceder de crédito ao cliente: é uma variável que decorre da política de crédito adotada pelo banco, com vistas à diversificação e pulverização da carteira de crédito. 25 O limite de crédito calculado não significa que atinja o montante de que o cliente necessita, nem o que ele pode pagar. A atribuição do limite de crédito permite uma postura proativa, ou seja, conhecer o cliente, identificar suas necessidades e os riscos envolvidos antes que haja uma demanda por crédito. Possibilita avaliação mais segura e, posteriormente, agilidade na concessão de novos e possíveis empréstimos. Cada instituição financeira possui níveis decisórios que dão poderes aos gerentes de agências para conceder crédito até certo limite. Acima deste limite a decisão cabe a um superintendente regional. Desta forma, as tomadas de decisão chegam até o Comitê de Crédito, que é o órgão máximo de decisão sobre crédito. A definição do valor indicativo, portanto, varia conforme as normas específicas de cada instituição financeira. Conclui-se, então, que a análise de crédito é um processo decisório bastante complexo que envolve experiência anterior, conhecimento sobre o que está sendo decidido, método para tomar a decisão e utilização de instrumentos e técnicas específicas. 1.5.3 Análise de crédito pela Cooperativa Como descrito anteriormente, a análise de crédito é uma tarefa bastante complexa e de fundamental importância numa instituição financeira. Para os bancos e instituições de crédito em geral, cujo principal produto é o dinheiro, não há possibilidade de venda à vista, o que torna o crédito o próprio negócio da instituição. O principal objetivo da análise de crédito numa instituição financeira, segundo Nakane (2003), é identificar os riscos nas situações de empréstimo, evidenciar conclusões quanto à capacidade de repagamento do tomador, e fazer recomendações relativas à melhor estruturação e tipo de empréstimo a conceder. Basicamente, a concessão ou não de crédito se dá a partir da análise da proposta de crédito do solicitante, dos balancetes apresentados, dos faturamentos, do questionário de avaliação, do resumo da situação de balanço, do ramo da atividade em que atua, etc. A seguir são apresentados alguns conceitos adotados pela Cooperativa de Crédito no momento da análise do pedido de empréstimo: a função da área de cadastro; a tarefa de análise de crédito; o raciocínio do especialista; as informações para análise; os quocientes econômico-financeiros; o limite de risco; a tomada de decisão; e o parecer final. A área de cadastro e análise de crédito objetiva indicar, mediante investigação e avaliação minuciosa de dados, uma margem referencial da capacidade econômico-financeira 26 dos possíveis tomadores de crédito e coobrigados junto ao sistema financeiro. A tarefa de análise de crédito consiste em analisar o solicitante, a fim de constatar se a instituição financeira aprova ou não o crédito solicitado e, se positivo, qual o montante a ser liberado. O resumo da situação do balanço da empresa é de suma importância para análise de crédito, pois é a partir daí que são calculados os índices dos quocientes econômico-financeiros que envolvem: liquidez corrente; liquidez geral; de imobilização; de endividamento; de garantias de capitais de terceiros; e lucratividade sobre vendas. A Cooperativa de Crédito adiciona toda a documentação que servirá como base técnica para o parecer final, com destaque para o formulário da agência com proposta de crédito e pareceres. Após a análise de crédito percebe-se que conceitos “insatisfatório” e “regular” dificilmente terão a liberação do crédito concedido, uma vez que o cadastro se torna negativo. Já nos conceitos “satisfatório” e “bom” os clientes têm um parecer positivo ao seu favor para a liberação do crédito solicitado. 1.5.4 Custo do crédito bancário Em relação aos padrões mundiais, segundo Costa (2004), o Brasil apresenta um conjunto desfavorável de baixa relação crédito/PIB e altas taxas de juros das operações de crédito, além de elevados spreads2 bancários. Em realidade, o alto custo do crédito, combinado com o baixo crescimento, é, em grande medida, responsável pela baixa oferta de crédito no país. O spread bancário é internacionalmente utilizado para avaliar o custo da intermediação financeira, mensurado pela diferença entre as taxas de empréstimos e as taxas de remuneração dos depósitos. O autor menciona neste sentido que: Primeiramente há que se definir precisamente o que seja spread. E este é definido como sendo a diferença entre o custo de captação dos bancos e o custo cobrado por esse banco quando ele concede um empréstimo. Portanto, não se configura aí o lucro do banco, pois há que se deduzir os custos vinculados à atividade de captação e empréstimo. (COSTA, 2004, p. 88). O custo do crédito numa economia depende de uma série de variáveis macroeconômicas e estruturais, entre as quais se pode destacar: 2 Spread bancário: diferença entre as taxas que remuneram o depositante e a que define o custo do empréstimo para o tomador de recursos (NAKANE, 2003). 27 − a taxa básica de juros, determinada pelo Banco Central; − os recolhimentos compulsórios dos bancos na autoridade monetária; − a taxa de inadimplência bancária; − a base jurídica para a renegociação ou recuperação dos empréstimos não pagos; − a carga tributária incidente sobre as operações de crédito; − o grau de estabilidade da economia. Como se observa, o crédito não depende apenas da autoridade monetária, mas envolve também aspectos fiscais, institucionais e jurídicos. Depende ainda, em larga escala, da expectativa dos agentes econômicos quanto à manutenção do quadro de estabilidade econômica e institucional. Nesse sentido, Troster (1993) e Nakane (2003) definem alguns conceitos relativos aos custos dos créditos bancários: – Custos operacionais e administrativos – a atividade bancária é sofisticada e exige mão de obra muito qualificada, tecnologia avançada, investimentos vultuosos e infraestrutura complexa; – Custo compulsório – trata-se de recolhimentos sobre depósitos à vista, a prazo e caderneta de poupança; – Subsídios cruzados – a existência de crédito direcionado a taxas subsidiadas (por exemplo, crédito rural) faz com que parte do spread bancário cobrado sobre operações no segmento livre reflita uma compensação por estas operações; – Custo do Fundo Garantidor de Crédito – fundo constituído com a contribuição de instituições financeiras para proteger correntistas, investidores e poupadores contra a intervenção, liquidação extrajudicial e falência. – Custos tributários – taxas de tributos diretos e indiretos cobrados sobre a intermediação financeira. – Custos de inadimplência – a taxa de inadimplência deduzida do índice de empréstimos define o percentual efetivamente recebido pelo banco. – Risco jurídico – a ineficiência da aplicação da justiça no Brasil (com processos e custos demorados) agrava ainda mais os custos com inadimplentes. Após esgotado o tema que tratou da concessão de crédito ao cliente de uma instituição financeira, passa-se a partir de agora a estudar a natureza e aplicação dos juros. 28 1.6 O CONCEITO E A NATUREZA DOS JUROS A economia conceitua juros como sendo a remuneração paga pelo tomador de um empréstimo junto ao detentor do capital emprestado (KEYNES, 1990). A taxa de juros praticada por um país age como regulador do crescimento econômico, da estabilidade e instabilidade desse crescimento, da inflação e das causas de desemprego. Na visão dos economistas neoclássicos, se o mercado de fundos de empréstimos for deixado livre, a instabilidade é passageira. A oscilação das taxas de juros incentiva ora a poupança, ora o investimento. Essa é função decrescente da taxa de juros e aquela é função crescente da taxa de juros. A Teoria geral do emprego, do juro e da moeda, de Keynes (1990), conferiu completude ao conceito econômico de juro, apresentando-o como “instrumento de políticas de desenvolvimento econômico com manipulação da oferta monetária disponível.” Segundo a teoria keynesiana, não haverá igualdade entre poupança e investimento se o mercado atuar livremente. Nesse aspecto, o Governo deve intervir para evitar que a instabilidade se transforme em crise, isso porque o poupador renuncia a liquidez não só pela rentabilidade oferecida, mas devido à incerteza do retorno de seu investimento no mercado. No momento em que houver mais gente poupando do que consumindo ou investindo na economia, haverá excesso de mercadoria, que provocará suspensão ou redução na produção e, consequentemente, o desemprego. Na hipótese oposta, isto é, quando há excesso de procura, ocorre a inflação, ou seja, o aumento de custos. Ainda segundo a teoria keynesiana, a moeda e o crédito bancário são importantes para estimular a atividade econômica. O investimento depende da rentabilidade esperada que deverá ser superior ao custo e, quanto menor a taxa de juros em concessão de crédito bancário, maior será a possibilidade de haver interessados em investir. 1.6.1 Juros bancários Segundo a teoria keynesiana, os juros são determinantes do investimento, afetando de maneira geral o nível de emprego e de renda (KEYNES, 1990). Em 31 de dezembro de 1964, por intermédio da Lei nº 4.595, foi criado o Conselho Monetário Nacional (CMN) que, por meio de seu agente executivo – o Banco Central do Brasil (BACEN) – é titular de competência normativa para deliberar e regrar acerca do funcionamento das instituições financeiras e suas operações. 29 Posteriormente, a Resolução nº 1524, de 21 de setembro de 1988, emitida pelo BACEN, permitiu a constituição dos chamados “bancos múltiplos”, ou seja, as atividades desempenhadas pelos bancos comerciais passaram a ser desenvolvidas por outras instituições integrantes do sistema financeiro nacional. Com isso, ampliou-se o leque de atividades do banco comercial, cujo principal objetivo é proporcionar o suprimento oportuno e adequado dos recursos necessários para financiar, a curto e médio prazos, o comércio, a indústria, as empresas prestadoras de serviços e as pessoas físicas. Para atender o seu objetivo, o banco comercial passou a descontar títulos; realizar operações de abertura de crédito, simples ou em conta corrente; realizar operações especiais, inclusive de crédito rural, de câmbio e comércio internacional; captar depósitos à vista e a prazo fixo; obter recursos junto a instituições oficiais; obter recursos no exterior, para repasse; efetuar operações acessórias ou de prestação de serviços, inclusive mediante convênio com outras instituições (DAL RI, 2009a). Os bancos comerciais, ao concederem empréstimos, multiplicam a quantidade de moeda criada pelo BACEN, o que impede que as taxas de juros praticadas pelas instituições financeiras sejam desvencilhadas da taxa de juros que o Governo oferece aos investidores nacionais e estrangeiros. Essa taxa de juros tem o objetivo de regular a oferta de dinheiro no país e, por conseguinte, controlar a inflação, além de tentar atrair recursos internos e externos para financiar investimentos no país e rolar a dívida do governo (DAL RI, 2009a). A taxa de juros praticada em um país, segundo Dal Ri (2009b), age como reguladora do crescimento econômico, da estabilidade ou da instabilidade desse crescimento, da inflação e das causas de desemprego. São os instrumentos econômicos os únicos capazes e necessários para fortalecer o mercado abalado por crises internacionais. Quando se fala em oferta de moeda, está se referindo ao volume de papel-moeda em poder do público e aos depósitos à vista nos bancos comerciais. O BACEN estipula um percentual sobre os valores recebidos em depósito pelos bancos comerciais que será recolhido como a reserva (compulsório), permitindo que o excedente seja emprestado, sob a forma de empréstimos bancários (DAL RI, 2009b). 1.7 ENDIVIDAMENTO O expressivo avanço do crédito fácil e rápido para toda a população nos últimos anos ocasionou o endividamento em nível elevado. Segundo Abrão (2005), a dívida total das 30 famílias no cartão de crédito, cheque especial, financiamento bancário, crédito consignado, crédito para compra de veículos e imóveis, incluindo recursos do Sistema Financeiro da Habitação, corresponde a 40% da massa anual de rendimentos do trabalho e dos benefícios pagos pela Previdência Social no país. Dados do IBGE (2011) revelam que em dezembro de 2009, a dívida das famílias estava em R$ 485 bilhões, subiu para R$ 524 bilhões em abril de 2010 e, em abril de 2011 atingiu R$ 653 bilhões. Apesar dos ganhos de renda registrados nesse período, as dívidas consomem uma parcela cada vez maior dos rendimentos da população. Quase um ano e meio atrás, a dívida equivalia a 35% da renda anual ou 4,2 meses de rendimento. Em abril de 2011 subiu para 40% da renda ou 4,8 meses de rendimento. Em fevereiro de 2012, entretanto, a parcela de famílias brasileiras endividadas ficou em 57,4%, enquanto que em fevereiro de 2011 o percentual era de 65,3%. Em relação a janeiro deste ano, o endividamento também apresentou queda de 1,4 pontos percentuais. Depois da explosão do consumo em 2011, as medidas de aperto no crédito editadas pelo do Banco Central no fim de 2010, a elevação dos juros e a redução dos prazos dos financiamentos tiveram grande influência sobre o aumento das dívidas das famílias neste início de ano, sendo um dos fatores o aumento dos juros. As vendas do comércio a partir de março apontam para uma forte desaceleração do consumo (IBGE, 2011). 1.8 CRÉDITO CONSIGNADO O crédito consignado para desconto em folha de pagamento dos aposentados do INSS foi criado com a Medida Provisória 130, de 17 de setembro de 2003, a qual se transformou na Lei nº 10.820, de 17 de dezembro do mesmo ano. Logo após, recebeu regulamentação pelo Decreto nº 4.961, de 20 de janeiro de 2004. Esta modalidade, também conhecida como “empréstimo consignado”, funciona mediante pagamento indireto, cujas parcelas são deduzidas diretamente da folha de pagamento da pessoa física. Sua concessão garante segurança ao agente financeiro, pois a cobrança é praticamente automática e a responsabilidade é da empresa empregadora. Isso possibilita o empréstimo até para pessoas que possuem restrição de crédito. Também se torna vantajoso para o solicitante no sentido de que diminui o trabalho de se deslocar à instituição financeira e ou fazer o serviço manualmente. Esses fatores contribuem para que a consignação 31 tenha juros mais baixos do que o cheque especial e uma significativa melhora na qualidade e na liquidez da garantia oferecida. Segundo instruções do Banco Central do Brasil (2005): O desenvolvimento dessa modalidade de crédito, anteriormente restrita a algumas instituições financeiras e à clientela de funcionários públicos, foi viabilizado pela Lei 10.820, de 17.12.2003. Essa medida estabeleceu arcabouço jurídico para amparar a realização dessas operações, estendendo seu alcance aos trabalhadores regidos pela Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), assim como aos aposentados e pensionistas do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS). Sem dúvida, o empréstimo consignado proporciona condições mais favoráveis de acesso da população ao crédito, ao contrário das demais linhas disponibilizadas pelo sistema financeiro, podendo mesmo impactar nos níveis do spread bancário. Inicialmente, o crédito consignado era disponibilizado apenas para trabalhadores assalariados, mas vem crescendo expressivamente no segmento do crédito a aposentados ou pensionistas do INSS e também a trabalhadores públicos, evidenciando maior segurança. O crédito consignado produziu um efeito direto sobre as taxas de juros, observando-se uma redução causada, principalmente, pela elevada liquidez da garantia oferecida, representada pelo próprio desconto em folha de pagamento. 1.9 TABELA PRICE O Sistema Francês de Amortização, também conhecido como Tabela Price, foi apresentado em 1771 por Richard Price, em sua obra Observations on Reversionary Payments. Trata-se de um método utilizado em amortização de empréstimos cuja principal característica é apresentar prestações ou parcelas iguais. Segundo Campo Filho (2009), o método foi idealizado pelo seu autor para pensões e aposentadorias e foi a partir da Segunda Revolução Industrial que sua metodologia de cálculo foi aproveitada para cálculos de amortização de empréstimo. 1.9.1 Histórico do Sistema Francês de Amortização – Tabela Price Richard Price nasceu na Inglaterra, em 23 de fevereiro de 1723. Foi um filósofo, padre da igreja dissidente da Grã-Bretanha e político republicano liberal apoiador da Revolução Americana. Em 1740, após a morte de seu pai, Rhys Price, ministro calvinista de linha 32 extremamente puritana e disciplinadora, o jovem Richard então com 17 anos mudou-se para a casa de seu tio Samuel Price, em Londres, onde completou seus estudos na C. Academy, em Tenter Ailey, Moorfields, adquirindo instrução e influência de John Eames. Price permaneceu estudando até tornar-se ministro presbiteriano em 1748. Sua primeira assistência como ministro religioso foi para George Streatfield. Em 1758 Price publicou a obra Review of the Principal Questions in Morals, considerada por muitos historiadores ingleses como a mais importante de seu repertório. Em 1769 produziu uma de suas obras no campo da estatística, Northampton Mortality Tables (Tábuas de Mortalidade de Northampton), solicitada pela seguradora inglesa Equitable Society, por meio da qual foi possível calcular a probabilidade de vida e de morte na Inglaterra, servindo para cálculos de seguro e de aposentadoria. A partir da elaboração dessas Tábuas de Mortalidade, Price publicou, em 1771, Observations on Reversionary Payments (Observação sobre Devolução de Pagamentos Reversíveis), que viria a ser editada até a sétima edição em 1812. Mas foi somente a partir da Segunda Revolução Industrial que a Tabela Price ganhou força na França como método de amortização de empréstimo pela necessidade de massificação do consumo, daí as origens do nome – Sistema Francês de Amortização. 1.9.2 Processo de cálculo da Tabela Price A Tabela Price usa o regime de juros compostos para calcular o valor das parcelas de um empréstimo e, dessa parcela, a proporção relativa ao pagamentos dos juros e a amortização do valor emprestado. Estudos de Dal Ri (2009b) apresentam como exemplo um financiamento no valor de R$ 10.000,00 para ser amortizado em cinco prestações anuais iguais à taxa de juros de 20% ao ano. Os valores e o procedimento deste cálculo podem ser realizados mediante a utilização da fórmula para seres uniformes de amortização imediata: Pv = PMT . (1 + i) n − 1 i(1 + i) n 33 Onde: − PV = valor do financiamento − PMT = o valor das parcelas − n = número de prestações a serem pagas para quitação do saldo devedor do financiamento − i = a taxa unitária contratada Cálculo: 1.000,00 = PMT . (1 + 0,20)5 − 1 PMT= 3.343,80 0,20x(1+ 0,20)5 A fim de apurar e demonstrar a forma como os valores são amortizados pela Tabela Price, a qual é interativa, deve-se mensalmente e a partir do primeiro mês, calcular o saldo devedor pelo seguinte processo: – multiplicar o saldo devedor do período anterior por 1 + juros; – subtrair o valor a ser pago do valor dos juros para formação da cota de amortização; – no último mês o saldo devedor deverá ser igual a zero. Quadro 1. Tabela Price ou Sistema de Amortização Francês (SAF) Nº 0 1 2 3 4 5 ∑ Prestação Juros Cota amortização 3.343,80 3.343,80 3.343,80 3.343,80 3.343,80 16.718,99 2.000,00 1.731,24 1.408,73 1.021,72 557,3 6.718,99 1.343,80 1.612,56 1.935,07 2.322,08 2.786,50 10.000,00 Saldo devedor 10.000,00 8.656,20 7.043,65 5.108,58 2.786,50 - Fonte: Dal Ri (2009a). A partir das informações disponibilizadas no Quadro 1 pode-se elaborar algumas considerações sobre a Tabela Price: 1) as prestações são constantes até o final do período (valor de R$ 3.343,80); 2) os juros são calculados sobre o saldo devedor anterior (10.000,00 x 20% = 2.000,00) e assim sucessivamente; 3) a cota de amortização representa o valor pago menos os juros calculados (3.343,80 – 2.000,00 = 1.343,80) e assim sucessivamente; 34 4) o saldo devedor para cada período é obtido por meio da diferença entre o saldo devedor anterior e a cota de amortização (10.000,00 – 1.343,80 = 8.656,20) e sucessivamente; 5) os juros decrescem a cada período (é fácil verificar, pois como estes são calculados sobre o saldo devedor e decrescem a cada período após serem amortizados, os juros sobre este saldo ficam menores e assim a cota que amortiza o saldo começa a ser crescente, até que a última cota de amortização fica igual ao saldo devedor do período anterior). Ao ser utilizada esta metodologia de amortização em financiamentos constata-se que as prestações poderão ser amortizadas conforme acordo entre o credor e o devedor, ocorrendo apenas uma diferença na formulação para apuração no valor da parcela a ser paga, mantendo a metodologia de amortização sempre igual. Ou seja, pagamentos com carência no primeiro período ou em caso de crediário comercial, a primeira parcela é efetuada no ato da compra. No gráfico que segue podem ser visualizadas as considerações feitas no quadro 1, apresentado anteriormente. Figura 3. Tabela Price ou Sistema de Amortização Francês (SAF) Tabela Price 12000 10000 8000 6000 4000 2000 0 0 2 1 Prestação Juros 3 Cota Amortização 4 5 Saldo Devedor Fonte: elaboração própria a partir dos dados da pesquisa (2012). Constata-se um expressivo rol de observações feitas sobre as taxas de juros cobradas na modalidade de amortização pelo sistema Price. É necessário, entretanto, fazer uma breve explanação dos juros cobrados, uma vez que muitas pessoas da área Jurídica insistem em interpretá-los como se fossem juros simples embutidos nas amortizações, justificando que, como as operações são cobradas conforme o período estipulado nos contratos, e por se tratar de uma operação simples de cálculo de juros, tornam-se juros simples cobrados, deixando de analisar seu valor ao longo do período de amortização. 35 Inicialmente são apresentados os conceitos de juros simples e compostos, exemplificando-os. Os modelos a seguir apresentados tiveram por base os materiais disponibilizados nas aulas de Finanças e Mercado de Capitais do curso de Economia da Unijuí, cursado pela acadêmica, autora deste estudo (DAL RI, 2009a). – Juros simples: são os juros em que a taxa de juros nominal incide sobre o capital inicial, e somente sobre este. Por exemplo: calcular os juros pagos referentes a um capital financiado de R$ 1.000,00 a ser pago em 10 meses, à taxa de 12% ao ano. Solução: neste caso a taxa nominal é de 10% no período, sendo assim, o valor total dos juros será de R$ 100,00, que será pago somente no final do período, juntamente com o capital emprestado. A taxa nominal no período é de 10% e efetivamente serão pagos 10%. – Juros compostos: incidem sobre o capital inicial de cada período, e poderão ser calculados para pagamento em um só período, ou em períodos parcelados. Por exemplo: pagamento no final do período – calcular os juros pagos referentes a um capital financiado de R$ 1.000,00 a ser pago em 10 meses, à taxa de 12% ao ano, capitalizada mensalmente. Solução: são juros que incidem mensalmente sobre o capital inicial de cada período. Quadro 2. Modelo de cálculo da Tabela Price Período 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Capital Inicial 1.000,00 1.000,00 1.010,00 1.020,10 1.030,30 1.040,60 1.051,01 1.061,52 1.072,14 1.082,86 1.093,69 Juros 1% ao mês 10 10,1 10,2 10,3 10,41 10,51 10,62 10,72 10,83 10,94 104,62 Montante início período 1.000,00 1.010,00 1.020,10 1.030,30 1.040,60 1.051,01 1.061,52 1.072,14 1.082,86 1.093,69 1.104,62 Montante 2 final a ser pago 1.104,62 Fonte: Dal Ri (2009a). Constata-se que os juros totais pagos foram de R$ 104,62, cujo valor se apresenta no final do período, ou seja, somente num pagamento, confirmando uma taxa efetiva de 10,62% no período de 10 meses. O Quadro 3, a seguir, apresenta um modelo de aplicação da Tabela Price em períodos. 36 Quadro 3. Modelo da Tabela Price em parcelas não periódicas e nem uniformes Período 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Total Parcelas Juros Amortização 100 50 10 9,1 8,69 8,78 8,27 6,85 4,92 2,67 2,69 0,92 62,88 90 40,9 -8,69 51,22 141,73 193,15 225,08 -2,67 177,31 91,96 60 150 200 230 180 92,88 S/D 1.000,00 910 869,1 877,79 826,57 684,83 491,68 266,6 269,27 91,96 0 Fonte: Dal Ri (2009a). O Quadro 3 revela que os juros totais pagos totalizaram R$ 62,88, apresentando uma taxa efetiva de 10,62% no período de 10 meses, ou 1% ao mês. A seguir, o Quadro 4 apresenta um modelo de aplicação da Tabela Price, cuja amortização é feita em parcelas iguais e periódicas. Quadro 4. Modelo da Tabela Price em parcelas iguais e periódicas Valor financiado Prazo Taxa de juros Nominal Efetiva Valor da prestação N 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Total Fonte: Dal Ri (2009a). 1.000,00 10 meses 12% ao ano 1% ao mês 12,68250% ao ano R$ 105,58 Prestação 105,58 105,58 105,58 105,58 105,58 105,58 105,58 105,58 105,58 105,58 Juros 10 9,04 8,08 7,1 6,12 5,12 4,12 3,11 2,08 1,05 55,82 Quota amortiz. 95,58 96,54 97,5 98,48 99,46 100,46 101,46 102,48 103,5 104,54 S/D 1.000,00 904,42 807,88 710,38 611,9 512,44 411,98 310,52 208,04 104,54 0 37 O Quadro 4 mostra que os juros totais pagos foram na ordem de R$ 55,82, apresentando uma taxa efetiva de 10,62% no período de 10 meses, ou 1% ao mês. Ao calcular a Taxa Interna de Retorno (TIR) e o VPL das séries uniformes foi possível identificar a capitalização dos juros. Outro dado interessante é a Taxa Interna de Retorno que apresenta a taxa de juros aplicada ao capital, a juros compostos no período, podendo ser comprovada também pelo VPL. Denomina-se Valor Presente Líquido (VPL) a soma algébrica de todos os recebimentos e pagamentos atualizados para o instante zero, com base na mesma taxa calculada para obtenção das prestações ou parcelas, tendo como resposta desta somatória um valor igual das entradas e saídas (vice-versa), ou seja, VPL = zero. Fórmula do VPL: Parcelas (1+i)n VPL= − 1000,00 105,58 105,58 105,58 + + ................. 0 1 2 ((1 + 0,01) ((1 + 0,01) ((1 + 0,01) ((1 + 0,01)10 O Quadro 5, a seguir, apresenta o resultado dos valores acima mencionados: Quadro 5. Fluxo de caixa Período 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Taxa interna de retorno Fonte: Dal Ri (2009a). Saídas e entradas -1.000,00 105,58 105,58 105,58 105,58 105,58 105,58 105,58 105,58 105,58 105,58 1,00% VPL -1.000,00 104,54 103,5 102,48 101,46 100,46 99,46 98,48 97,5 96,54 95,58 0 38 Caso os juros calculados fossem simples, não seria possível obter o resultado do fluxo de caixa acima apresentado. Esses valores também podem confirmar a capitalização se for utilizado o cálculo do Valor Futuro Líquido (VFL). 1.10 HISTÓRICO DO SALÁRIO MÍNIMO NO BRASIL A década de 30 marca o surgimento do salário mínimo no Brasil, cuja instituição somente foi regulamentada por meio da Lei nº 185, de janeiro de 1936, e do Decreto-Lei nº 399, de abril de 1938. Posteriormente, em 1º de maio de 1940, por meio do Decreto-Lei nº 2162, foram regulamentados os valores do salário mínimo, que passaram a vigorar a partir do mesmo ano. Em dezembro de 1951, o Presidente Getúlio Vargas assinou um Decreto-Lei reajustando os valores do salário mínimo, dando início a um período em que reajustes mais frequentes garantiram a sua manutenção e até alguma elevação do poder de compra. A partir de então até outubro de 1961, já no Governo de João Goulart, houve um total de seis reajustes. A partir de 1962, apesar dos outros dois reajustes durante o Governo de Goulart, a aceleração da inflação fez com que o salário mínimo voltasse a perder seu poder de compra. Após o Golpe Militar modificou-se a política de reajustes do salário mínimo, abandonando-se a prática de recompor o seu valor real. Passou-se a adotar uma política que visava manter o salário médio, e aumentos reais só deveriam ocorrer quando houvesse ganho de produtividade. De 1975 a 1982 os reajustes do salário mínimo elevaram gradualmente seu poder de compra, com um ganho real da ordem de 30%. Em 1979, os reajustes passaram a ser semestrais, e em valores que correspondiam a 110% da variação do INPC. A partir de 1983 as diversas políticas salariais associadas aos planos econômicos de estabilização e, principalmente, o crescimento da inflação, levaram a significativas perdas no poder de compra do salário mínimo. Entre 1982 e 1990 o valor real do salário mínimo caiu 24%. A unificação do salário mínimo no país ocorreu a partir de maio de 1984. Na década de 90, apesar da permanência de altos índices de inflação, as políticas salariais foram capazes de garantir o poder de compra do salário mínimo, que apresentou um crescimento real de 10,6% em relação à inflação medida pelo INPC. 39 Com a estabilização econômica alcançada pelo Plano Real, o salário mínimo teve ganhos reais ainda maiores, totalizando 28,3% entre 1994 e 1999. A partir dos dados que mostram a evolução histórica do salário mínimo desde 1940, é possível destacar duas conclusões importantes. Em primeiro lugar, ao contrário de manifestações corriqueiras de que o poder de compra do salário mínimo seria hoje muito menor que na sua origem, os dados mostram que não houve perda significativa. Ao contrário, com a estabilização dos preços a partir de 1994 pode-se afirmar que houve a mais significativa recuperação do poder de compra do assalariado desde a década de 50. 1.11 CORREÇÃO MONETÁRIA A Correção Monetária ou Atualização Monetária, como é conhecida no Brasil, é considerada pelo Conselho Federal de Contabilidade um Princípio Fundamental de Contabilidade. Esta prática é responsável pelos reajustes feitos na economia para evitar a perda de valor da moeda. Além disso, é praticada atualmente no país com o intuito de regular os valores da economia, baseando-se no preço da moeda, nos índices da inflação e na cotação do mercado financeiro (DAL RI, 2009a). Passado o período em que o país sofreu com a hiperinflação, que foi até 1994, os novos reajustes na economia são baseados nas altas taxas de juros que as instituições financeiras praticam. Outro fator que se tornou comum na rotina da economia brasileira é o Câmbio Flutuante, responsável pelas oscilações da cotação do Dólar em relação ao Real. Dados sistematizados por Dal Ri (2009a) mostram que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) tem como objetivo orientar os reajustes do salário dos trabalhadores. Este índice estuda o comportamento das famílias que recebem entre um e seis salários mínimos, independente da fonte de rendimento. Além disso, analisa a produção contínua e sistemática de preços ao consumidor, sendo estes dados coletados em estabelecimentos comerciais e de prestações de serviços. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2012) faz o cálculo entre o dia 1º e o dia 30 de cada mês, cruzando os dados da pesquisa de preços nas 11 regiões de maior população com a pesquisa do orçamento familiar. Os estudos são divulgados entre os dias oito e 12 do mês seguinte ao estudado. O estudo do IBGE, portanto, mede a variação dos custos dos diferentes gastos de uma família ao longo do mês, o que pode ser visualizado no quadro 6. 40 Quadro 6. Ponderação das despesas pessoais para verificação dos custos Tipo de gasto Alimentação e bebidas Despesas pessoais Vestuário Habitação Transportes e comunicação Artigos de residência Saúde e cuidados pessoais Educação Total Peso % do gasto 30,67 7,16 8,36 16,1 20,7 4,82 9,01 3,18 100 Fonte: IBGE (2012). O quadro 7, a seguir, apresenta os percentuais anuais e o total acumulado da variação do INPC e do salário mínimo nos últimos dez anos. Quadro 7. Variação do INPC e do salário mínimo Período 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 % anual INPC 8,43% 5,27% 9,44% 14,74% 10,38% 6,13% 5,05% 2,81% 5,15% 6,48% 4,11% 6,29% 5,92% 2,27% Acum. período INPC 8,43% 14,14% 24,92% 43,33% 58,21% 67,91% 76,39% 81,34% 90,68% 103,04% 111,39% 118,40% 125,41% 128,25% Vlr mon. SM - RS 136,00 151,00 180,00 200,00 240,00 260,00 300,00 350,00 380,00 415,00 465,00 510,00 545,00 622,00 % anual do SM 4,62% 11,03% 19,21% 11,11% 20,00% 8,33% 15,38% 16,67% 8,57% 9,21% 12,05% 9,68% 6,86% 14,13% Acumulado no período SM 4,62% 16,15% 38,46% 53,85% 84,62% 100,00% 130,77% 169,23% 192,31% 219,23% 257,69% 282,63% 302,02% 344,70% Fonte: elaboração própria a partir dos dados da pesquisa (2012). Os dados apresentados no quadro 4 confirmam que as pessoas que recebem mais de um salário mínimo, que tem como base de reajuste o INP-C, neste caso os aposentados do INSS, e as que recebem um salário mínimo, tiveram reajuste diferenciado. No decorrer do período acima apresentado percebe-se que as que recebem um salário mínimo tiveram reajustes expressivamente maiores em relação à variação do INPC, ao contrário das demais que vêm sofrendo uma defazagem nas correções de seus salários. 41 2 METODOLOGIA DA PESQUISA Este capítulo destina-se à apresentação da metodologia utilizada na realização deste trabalho de conclusão de curso, e procura identificar a pesquisa, o tipo de estudo realizado, os instrumentos de coleta de dados e a forma de análise e interpretação dos dados. A metodologia ajuda a explicar não apenas os produtos da investigação científica, mas principalmente seu próprio processo, pois “suas exigências não são de submissão estrita a procedimentos rígidos, mas antes da fecundidade na produção dos resultados.” (BRUYNE; HERMAN; SCHOUTHEETE, 1991 p. 29). Segundo Bruyne, Herman e Schoutheete (1991), todo e qualquer trabalho acadêmicocientífico é constituído por uma estrutura metodológica, onde é traçada a meta de seu autor. A metodologia é um conjunto de abordagens, técnicas e processos utilizados pela ciência para formular e resolver problemas de aquisição objetiva do conhecimento, de uma maneira sistemática. E tem como objetivo captar e analisar as características dos vários métodos indispensáveis, avaliar suas capacidades, potencialidades, limitações ou distorções e criticar os pressupostos ou as implicações de sua utilização. 2.1 APRESENTAÇÃO DA PESQUISA A pesquisa ora desenvolvida tem como principais métodos a investigação documental e a pesquisa bibliográfica. A investigação documental, segundo Gil (2007, p. 45), vale-se de materiais que ainda não receberam tratamento analítico, ou que ainda podem ser reelaborados de acordo com os objetos da pesquisa. Podem-se identificar pesquisas elaboradas baseadas em fontes documentais as mais diversas, tais como: correspondência pessoal, documentos cartoriais, registros de batismo, epitáfios, registros, anais, regulamentos, circulares, ofícios, memorandos, comunicações informais, filmes, microfilmes, fotografias, vídeotape, informações em disquetes, diários, cartas pessoais, entre outros. Há que se considerar que os documentos constituem fonte rica e estável de dados. Já a pesquisa bibliográfica, no entendimento de Gil (2007, p. 44), é desenvolvida a partir de material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos. Embora em quase todos os estudos seja exigido algum tipo de trabalho desta natureza, há pesquisas desenvolvidas exclusivamente a partir de fontes bibliográficas. Boa parte dos 42 estudos exploratórios pode ser definida como pesquisas bibliográficas. As fontes bibliográficas podem ser obras literárias, obras de divulgação, livros de referências informativa, remissiva, que por sua vez podem ser dicionários, enciclopédias, anuários, almanaques, jornais, revistas e impressos diversos. 2.2 TIPO DA PESQUISA O estudo se caracteriza como pesquisa exploratória e descritiva, conforme definição proposta por Vergara (2002). Ele busca estudar e descrever dados sobre os créditos consignados, verificando o quanto estes afetam a renda da população e ou podem se tornar um aliado no endividamento pessoal. Pode-se ressaltar ainda que se trata de um estudo de caso. Está claro que as instituições financeiras estão investindo fortemente no crédito consignado, seja por meio da divulgação pela imprensa escrita, falada ou pelos meios eletrônicos, facilitando cada vez mais a vida dos cidadãos. Na maioria das vezes, as pessoas são atraídas pelas formas de pagamento, juros diferenciados e, principalmente, pela liquidez e facilidade de processamento, permitindo acesso rápido às informações e ao crédito. 2.3 INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOS A coleta de dados consiste em combinar técnicas e métodos de análise de indicadores de informações. No presente estudo os dados utilizados, bem como seus respectivos numéricos, foram fornecidos pelo Sicredi União RS. Entre os diversos instrumentos de coleta de dados foram feitas pesquisas em documentos fornecidos pela Cooperativa União RS, cujas informações, devido à ética, foram mantidas em valores aproximados, considerando para a apuração dos cálculos valores médios dos últimos seis meses. Estes cálculos foram efetuados proporcionalmente, levando em conta valores de um mês de financiamento e também o prazo para a sua amortização. Ao longo do estudo manteve-se o sigilo da identidade dos correntistas desta Cooperativa, afinal, o que interessa de fato é verificar e comparar dados propostos neste estudo, ficando qualquer outro interesse fora de questão. 43 2.4 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS A forma de análise e interpretação dos dados se deu por meio de referências econômicas. As formas de calcular os valores concedidos em empréstimos aos clientes foram obtidas pela própria instituição financeira Sicredi União RS. Procedeu-se, inicialmente, a uma análise do comportamento dos associados aposentados do INSS pertencentes à Cooperativa Sicredi União RS, onde foi constatado o número total de aposentados. Com base nessas informações verificou-se o percentual de clientes que possuem crédito consignado, com o respectivo valor da renda mensal, bem como o valor limite que está disponível para consignação e quanto a instituição libera de crédito para os mesmos. Da mesma forma, em um segundo momento foi realizada uma análise com base nos dados da Unidade da Praça da Independência. O estudo visou selecionar somente os associados aposentados do INSS, tomando por base o valor que pode ser consignado mensalmente do seu salário, bem como a apuração do valor total possível de ser financiado e o período para amortização destes valores, tendo a tabela Price como forma de amortização. O estudo buscou sistematizar os dados obtidos, o que serviu de ferramenta para análise, mas não para solução final de um problema. 44 3 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS Este capítulo visa a apresentar os dados obtidos junto à instituição financeira da Unidade de Atendimento da Praça da Independência, que faz parte da Cooperativa Sicredi União RS, os quais foram devidamente tabulados para este estudo. Os resultados visam analisar o grau de endividamento dos aposentados e pensionistas do INSS com empréstimos do tipo consignado. Inicialmente é apresentada uma breve síntese histórica da primeira Cooperativa de Crédito da América Latina, do Brasil e do Rio Grande do Sul e o surgimento do Sicredi União RS. Em seguida é apresentado o planilhamento dos dados, os quais revelam as informações essenciais deste estudo. 3.1 CARACTERIZAÇÃO DA EMPRESA A primeira cooperativa do mundo foi fundada em 1844, em Rochdale, na Inglaterra. O ambiente adverso da segunda fase da Revolução Industrial, em que a jornada de trabalho chegava a 15 horas por dia, explica a necessidade de organização dos tecelões que fundaram uma cooperativa de consumo para alterar sua perspectiva de inserção econômica. Em 07/09/1858 foi fundada no Estado do Rio Grande do Sul, a Colônia Imperial Nova Petrópolis, como terceiro distrito do município de São Sebastião do Caí. Na sede do distrito, no chamado Stadplatz, foram instalados os imigrantes teutos, originários do Hunrück (região da Alemanha), todos evangélicos, e em Linha Imperial, cerca de sete quilômetros adiante no chamado Kaiserthal, os vindos da Boêmia, todos católicos. A colônia não recebeu o apoio prometido pelo governo e, abandonados à própria sorte os moradores não conseguiram se organizar convenientemente. O Padre Theodor Amstad S. J. (jesuíta), suíço de língua alemã, e que veio ao Brasil em 1885 para ser vigário-cooperador desta região, passou a dar atendimento espiritual a este povoado, o que era feito em visitas periódicas por religiosos itinerantes. Com estas visitas regulares ele pode conhecer cada vez melhor os membros da comunidade e seus problemas, percebendo logo que além de assistência espiritual os moradores da região necessitavam de urgente assistência social e econômica. 45 Figura 4. Pe. Theodor Amstad, pioneiro do cooperativismo de crédito no RS Fonte: Sicredi União RS (2012). Para o Padre a melhor forma de ajudar o indivíduo era congregá-lo em grupos, e com este objetivo ele organizou na região diversas associações. Uma delas foi a Caixa de Economia e Empréstimos Amstad de Nova Petrópolis, sistema Raiffeisen, a primeira Cooperativa de Crédito do Brasil e a mais antiga em funcionamento das Américas. Em função das enormes distâncias até os grandes centros urbanos (Porto Alegre, distante 90 km de Nova Petrópolis), das dificuldades de locomoção e, principalmente, da inexistência de bancos nessa região, onde os imigrantes colonos pudessem fazer suas operações de economia e crédito, levaram o Padre Amstad, conhecedor do sistema do cooperativismo de crédito europeu Raiffaisen, a idealizar uma organização de crédito que solucionasse os problemas vigentes à época. Em 25/02/1900, Amstad lançou na vila de Santa Catarina da Feliz, hoje cidade de Feliz, sua plataforma cooperativista, e a partir desta data vários encontros foram feitos para discutir a fundação da Cooperativa. Após dois anos, em 28/12/1902, no salão de bailes do Sr. Nicolau Kehl, em Linha Imperial, distante 8 km de Nova Petrópolis, foram aprovados os estatutos e fundou-se o que hoje é a Sicredi Pioneira RS, uma das 10 maiores cooperativas de crédito do Brasil, com a presença de 20 pessoas que assinaram a ata, entre elas, naturalmente, o Padre Amstad. A primeira cooperativa de crédito da América Latina, portanto, foi constituída no Brasil, em Nova Petrópolis/RS, no ano de 1902, e se chamou Cooperativa de Crédito de Livre Admissão de Associados Pioneira da Serra Gaúcha – Sicredi Pioneira RS, sendo fundada oficialmente em 28/12/1902 sob o nome de Sociedade Cooperativa Caixa de Economia e Empréstimos de Nova Petrópolis, sofrendo várias alterações em sua razão social. 46 Da ata de fundação, redigida em língua alemã pelo próprio Padre Amstad, tem-se a seguinte tradução: Ata de fundação da Sociedade Cooperativa Caixa de Economia e Empréstimos de Nova Petrópolis, realizada na casa do Sr. Nicolau Kehl, dia 28 de dezembro de 1902, em Linha Imperial. Os 19 sócios abaixo assinados fundaram definitivamente a Caixa de Economia e Empréstimos Amstad e aprovaram os estatutos apresentados com pequenas alterações. Pela elaboração abnegada e bem feita dos estatutos pelo Sr. Anton Maria Feix a assembleia agradeceu calorosamente. Logo após o registro a Caixa deverá começar a funcionar. As cotas de capital de giro deverão ser pagar até o dia 15 de janeiro do próximo ano. Como tesoureiro provisório foi escolhido o Sr. Josef Neumann Senior e encarregado de tomar as devidas providências. (SICREDI UNIÃO RS, 2012). Estava assim criada e em funcionamento a Cooperativa Caixa de Economia e Empréstimos Amstad, a primeira fundada no Brasil e o ponto de partida para a maior rede de organizações do sistema Raiffeisen da América do Sul, seguidas pelas cooperativas de crédito em Bom Princípio, Lageado, São José do Herval, Santa Cruz do Sul, Venâncio Aires, Cerro Largo, etc., constituindo-se até 1964 numa rede de 62 cooperativas, todas filiadas à Central das Caixas Rurais. A evolução da Caixa Amstad foi muito rápida, e após alguns anos passava a dominar totalmente o movimento financeiro, passando a ser o “banco” não só dos colonos como também de toda a região de Nova Petrópolis. Figura 5. Caixa Rural de Nova Petrópolis, primeira cooperativa de crédito do RS Fonte: Sicredi União RS (2012). Com o advento da Lei n. 4.595, de 1964 (Lei da Reforma Bancária), começou a decadência do cooperativismo de crédito brasileiro, em virtude de uma série de exigências de alterações e proibições às quais as Cooperativas foram obrigadas a se adaptar. 47 As medidas decorrentes da Lei da Reforma Bancária não foram benéficas para o Cooperativismo de Crédito, tanto que em 1977, das 62 cooperativas existentes no Rio Grande do Sul em 1967, existiam apenas 15, sendo inclusive dissolvida a Central das Caixas Rurais. Em 27 de outubro de 1980 foi constituída a Cooperativa Central de Crédito do Rio Grande do Sul – Cocecrer/RS, fruto da união de nove cooperativas de crédito remanescentes do sistema Raiffeisen no Rio Grande do Sul. Em 10 de julho de 1992, por decisão de todas as cooperativas, a Cocecrer/RS e suas filiadas passaram a adotar a marca “Sicredi”, unificando a identidade de todas as cooperativas ao Sistema de Crédito Cooperativo. Figura 6. O cata-vento, símbolo do Sicredi Fonte: Sicredi União RS (2012). O Sicredi opera com 115 cooperativas de crédito, integradas horizontal e verticalmente. A integração horizontal está representada por mais de 1.100 Unidades de Atendimento (UAs) e postos avançados, distribuídos em 905 municípios em 11 Estados brasileiros. Na integração vertical, as cooperativas estão organizadas em quatro Centrais: acionistas da Sicredi Participações S/A; uma Confederação; uma Fundação; e um Banco Cooperativo que controla empresas específicas que atuam na distribuição de seguros, administração de cartões e de consórcios. Em dezembro de 2011, o sistema superou 2 milhões de associados. Em 2010, o Sicredi firmou uma parceria com o Rabo Financial Institutions Development - RD, braço de desenvolvimento do grupo holandês Rabobank, sistema de crédito cooperativo holandês presente em 40 países. Mediante participação minoritária no Banco Cooperativo Sicredi, o sistema holandês passou a transferir sua expertise de 160 anos de organização e, ao mesmo tempo, através do Sicredi, investir nas atividades econômicas do quadro associativo das cooperativas de crédito que o integram. 48 A Cooperativa de Crédito de Livre Admissão de Associados Serro Azul – Sicredi União/RS, foi criada em 6 de julho de 1913, cuja sede social ficava em Cerro Largo/RS. Atualmente sua sede administrativa está localizada em Santa Rosa/RS. No dia 1° de novembro de 2010 foi aprovada em assembleia extraordinária pelos associados das Sicredi Serro Azul, Sicredi Grande Santa Rosa e Sicredi Missões a unificação de suas cooperativas para a constituição da Sicredi União RS. Na ocasião, Fernando Dall’Agnese, presidente da Sicredi União RS, assim manifestou: A proposta de unificação sempre levou em conta o que era melhor para os nossos associados. Esse é o objetivo que norteou o processo de criação da Sicredi União RS. Nunca esquecendo a busca pelo melhor atendimento aos associados que é tema constante para o Sicredi. (SICREDI UNIÃO RS, 2012). A nova Cooperativa Sicredi União RS iniciou suas atividades com mais de 95 mil associados, abrangendo 32 municípios e um número superior a 500 colaboradores. Ela nasceu como uma das maiores Cooperativas de Crédito do país, sendo a maior cooperativa em número de associados do Sistema Sicredi. Com quase 600 milhões de ativos e em constante crescimento na região, a Sicredi União RS tem em uma ponta o município de Novo Machado e na outra o município de São Borja. Com a unificação, a Sicredi União RS passa a ter maior representatividade, gerando maior competitividade no mercado. Hoje o sistema da Cooperativa Sicredi União RS atua em 32 municípios e possui mais de 570 colaboradores distribuídos em 36 Unidades de Atendimento e Postos Avançados e mais de 111.725 associados. Os municípios que compõem esta cooperativa são os seguintes: São Pedro do Butiá, Salvador das Missões, Guarani das Missões, São Paulo das Missões, Cerro Largo, Roque Gonzales, Porto Xavier, Santo Angelo, São Borja, São Luiz Gonzaga, Santa Rosa, Dezesseis de Novembro, Cândido Godói, Campina das Missões, Santo Cristo, Tucunduva, São Miguel das Missões, Tuparendi, Eugênio de Castro, Giruá, Vitória das Missões, Caibaté, Novo Machado, Entre-Ijuís, Catuípe, Santo Antonio das Missões, São Nicolau, Bossoroca, Porto Mauá, Senador Salgado Filho, Alecrim e Porto Lucena. 49 Quadro 8. Total de associados por Unidade Município 02. São Pedro do Butiá 03. Salvador das Missões 04. Guarani das Missões 05. São Paulo das Missões 06. Cerro Largo 07. Roque Gonzales 08. Porto Xavier 12. Santo Ângelo / 40. Bairro Pippi 13. São Borja / 41. Bairro do Passo 14. São Luiz Gonzaga 15. S. Rosa / 32. Cruzeiro / 37. Praça Independência 16. Dezesseis de Novembro 17. Cândido Godói 18. Campina das Missões 19. Santo Cristo 20. Tucunduva 21. São Miguel das Missões 22. Tuparendi 23. Eugênio de Castro 24. Giruá 25. Vitória das Missões 26. Caibaté 27. Novo Machado 28. Entre-Ijuís 29. Catuípe 30. Santo Antônio das Missões 31. São Nicolau 34. Bossoroca 35. Porto Mauá 36. Senador Salgado Filho 38. Alecrim 39. Porto Lucena Nº de Nº de % hab. habitantes associados associados 2.873 1.825 63,52 2.669 1.639 61,41 8.115 4.205 51,82 6.367 2.235 35,10 13.289 5.392 40,57 7.206 1.976 27,42 10.560 2.377 22,51 76.304 10.151 13,30 61.662 5.644 9,15 34.558 5.671 16,41 68.595 17.127 24,97 2.866 1.557 54,33 6.535 3.361 51,43 6.117 2.564 41,92 14.378 5.495 38,22 5.901 2.637 44,69 7.421 2.989 40,28 8.557 3.866 45,18 2.797 1.504 53,77 17.085 3.353 19,63 3.485 1.561 44,79 4.954 2.279 46,00 3.927 1.885 48,00 8.938 3.196 35,76 9.323 2.799 30,02 11.210 3.574 31,88 5.727 2.167 37,84 6.887 1.726 25,06 2.544 1.297 50,98 2.814 1.322 46,98 7.045 2.308 32,76 5.421 2.043 37,69 Fonte: elaboração própria a partir dos dados da pesquisa (2012). A Superintendência da Cooperativa Sicredi União RS está localizada na cidade de Santa Rosa, local onde foi realizado este estudo. A cidade suporta três Unidades de Atendimento (Santa Rosa – Centro, Praça da Independência e Cruzeiro), além da Superintendência. Possui 68.595 habitantes (Censo do IBGE/2011) e, destes, 17.127 habitantes são associados do Sicredi União RS. 50 Figura 7. Fachada da Unidade da Praça da Independência Fonte: Sicredi União RS (2012). Fundada em 2004, em Santa Rosa, na chamada Cidade Baixa, a Unidade da Praça da Independência se instalou nesta área da cidade devido a sua distância do centro da cidade e por não haver nenhuma outra instituição financeira nas proximidades. Veio para facilitar o acesso dos associados e da população em geral no que se diz respeito às movimentações financeiras que os mesmos precisavam realizar. Com o passar do tempo, porém, foi conquistando espaço e cada vez mais associados. Já se comenta, inclusive, que mais duas instituições financeiras serão instaladas nos arredores, pois perceberam que perderam espaço e clientes desta região. 3.2 PLANILHAMENTO DOS DADOS Documentos apresentados pela Cooperativa Sicredi União RS referentes à região da pesquisa comprovam dados como número de beneficiários, valor dos benefícios recebidos por Unidade e os percentuais que cada um destes municípios representa no contexto geral (em anexo). Verifica-se que a maioria dos municípios pertencentes a esta cooperativa possui entre 5.000 e 10.000 habitantes, representando aproximadamente 22,83% da população pesquisada, e mais de 34,89% do total de benefícios pagos por estas Cooperativa de Crédito, dos quais em média 50% dos aposentados associados recebem um salário mínimo, 30% recebem um salário e meio e os 20% restantes recebem dois salários mínimos. O quadro 9 apresenta os valores mencionados. 51 Quadro 9. Distribuição dos municípios de acordo com o total de benefícios mensais concedidos pela Cooperativa Sicredi União RS Classificação Menos de 5.000 hab. Entre 5.000 e 10.000 hab. Entre 10.000 e 20.000 hab. Mais de 20.000 hab. Total Nº de municípios 9 14 5 4 32 Total hab. 28.929 99.560 66.522 241.119 436.130 Total benefícios 5.183 8.179 2.882 7.194 23.438 Total benefícios pagos/mês (R$) 4.351.823,00 6.868.124,00 2.419.891,00 6.040.864,00 19.680.702,00 Fonte: elaboração laboração própria a partir dos dados da pesquisa (2012). (20 Os dados anteriormente nteriormente apresentados podem ser representados graficamente: graficamente Figura 8. Distribuição dos municípios de acordo com o número de habitantes associados e aposentados do INSS 18,00% 16,00% 17,92% 14,00% 12,00% 10,00% 8,00% 8,22% 6,00% 4,00% 4,33% 2,00% 2,98% 0,00% Menos de 5.000 hab. Entre 5.000 e 10.000 hab. Entre 10.000 e 20.000 hab. Mais de 20.000 hab. Fonte: elaboração própria a partir dos dados da pesquisa (2012). Analisando o gráfico acima, pode-se se concluir que nos municípios com menor número de habitantes encontra-se se a maior concentração de associados aposentados do INSS, ou seja, seja quase 20% do totall dos associados. Tomando como base os dados da região da pesquisa objeto deste estudo, a Unidade da Praça da Independência possui 5.862 associados e, dentre esses, 879 são aposentados do INSS representando aproximadamente 15% do total de associados da Unidade. Unidade. 52 Quadro 10. Total de benefícios pagos na Cooperativa Sicredi União RS com relação à Unidade da Praça da Independência Cooperativa Sicredi União RS Vlr receb./ mês % Nº apoTotal pago (RS) sentados (R$) 622,00 50% 11.719 7.289.218,00 933,00 30% 7.032 6.560.856,00 1.244,00 20% 4.687 5.830.628,00 Total 23.438 19.680.702,00 Unidade Praça da Independência % Nº apoTotal pago sentados (R$) 60% 527 327.794,00 30% 264 246.312,00 10% 88 109.472,00 879 683.578,00 Fonte: elaboração própria a partir dos dados da pesquisa (2012). Os dados apresentados no Quadro 10 revelam o total de aposentados com os respectivos valores de benefícios pagos mensalmente. O Quadro 11, a seguir, complementa as informações acima, de acordo com o valor do salário mínimo recebido. Percebe-se que 70% do total de aposentados do INSS associados à Cooperativa Sicredi União RS possuem crédito consignado, enquanto que dos associados à Unidade da Praça da Independência 60% também possuem crédito consignado. Quadro 11. Distribuição dos associados aposentados do INSS de acordo com a concessão de consignados Vlr recebido/ mês (R$) 622,00 933,00 1.244,00 Total Cooperativa Sicredi União RS Unidade Praça da Independência Nº Aposentados Nº Aposentados aposentados consignados 70% aposentados consignados 60% 11.719 8.203 527 316 7.032 4.922 264 158 4.687 3.281 88 53 23.438 16.406 879 527 Fonte: elaboração própria a partir dos dados da pesquisa (2012). Para a concessão do crédito consignado as instituições financeiras devem cumprir normatização do Banco Central, que limita a parcela comprometida mensalmente para pagamento do empréstimo em 30% do valor total do benefício, considerando a amortização e os juros já embutidos no valor da parcela. Partindo-se dos dados apresentados anteriormente com relação ao crédito consignado, percebe-se que somente no mês de janeiro de 2012 foram concedidos 16.406 empréstimos consignados na Cooperativa Sicredi União RS, e destes aproximadamente 4% foram concedidos na Unidade da Praça da Independência, totalizando 527 empréstimos consignados, financiados em 36 messes com parcelas mensais fixas a uma taxa de 2,10% a.m. 53 Tomando por base os valores disponíveis para consignação, conforme quadros apresentados anteriormente, ficam assim representados os cálculos demonstrando o valor total financiado pela Cooperativa Sicredi União RS e pela Unidade da Praça da Independência. Quadro 12. Demonstrativo dos cálculos do valor total financiado Vlr rec./ mês(R$) 30% parc. consignado (R$) Cooperativa Sicredi União RS Limite Nº aposenValor vlr financ. tados c/ total finan(R$) consignação ciado (mês) (R$) Unidade Pr. Independência Nº aposenValor total tados c/ financiado consignação (mês) (R$) 622,00 186,60 4.680,72 8.203 38.395.946,16 316 1.479.106,85 933,00 279,90 7.021,08 4.922 34.560.548,49 158 1.109.330,14 1.244,00 373,20 9.361,44 3.281 30.713.934,54 53 496.156,09 Total 21.063,23 103.670.429,19 Fonte: elaboração própria a partir dos dados da pesquisa (2012). 3.084.593,08 As informações constantes dos Quadros 11 e 12 revelam que a Cooperativa Sicredi União RS concedeu no mês de janeiro de 2012, um total de 16.407 empréstimos consignados para associados aposentados do INSS, o que representa 70% do total de aposentados associados e um montante financiado de R$ 103.670.429,19. Percebe-se também que há um número mais expressivo de financiamentos para os que ganham menos, ou seja, um salário mínimo. Os dados a seguir apresentam os valores que foram financiados, bem como o total de juros que serão pagos durante este período de amortização, cuja memória de cálculo se encontra em anexo a este estudo. Quadro 13. Valor total do crédito consignado x pagamento de juros – Cooperativa Sicredi União RS Valor do salário (R$) 622,00 933,00 1.244,00 Total Total financiado pela Cooperativa Sicredi União (R$) 38.395.946,16 34.560.548,49 30.713.934,54 103.670.429,19 Total de juros pagos (R$) 16.708.551,67 15.039.522,87 13.365.613,13 45.113.687,67 Valor total pago do financiamento (amort. + juros) (R$) 55.104.472,80 49.606.117,20 44.080.891,20 148.791.481,20 Fonte: elaboração própria a partir dos dados da pesquisa (2012). Analisando o quadro 13, acima, os dados revelam que o valor total da concessão do crédito consignado pela Cooperativa Sicredi União RS aos associados totaliza R$ 54 103.670.429,19, financiados em 36 meses a uma taxa de 2,10% a.m. Os aposentados contratantes pagarão para a Cooperativa no final deste período um montante de R$ 148.791.481,20, correspondendo a R$ 45.113.687,67 de juros. Quanto aos valores dos créditos consignados dos associados aposentados da Unidade da Praça da Independência (Santa Rosa, RS), estes assim se apresentam: Quadro 14. Valor total do crédito consignado x pagamento de juros – Unidade da Praça da Independência Valor do salário (R$) 622,00 933,00 1.244,00 Total Total financiado pela Unid. Praça da Independência (R$) 1.479.107,52 1.109.330,64 496.156,32 3.084.594,48 Total de juros pagos (R$) 643.655,04 482.741,06 215.909,60 1.342.305,32 Valor total pago do financiamento (R$) 2.122.761,60 1.592.071,20 712.065,60 4.426.898,40 Fonte: Elaboração própria a partir dos dados da pesquisa (2012). Com base nos dados a respeito do total de empréstimos consignados concedidos aos associados aposentados do INSS da Unidade de Praça da Independência, estes totalizam R$ 3.084.594,48 de valor financiado. Quanto aos juros cobrados dos aposentados, estes pagarão à Unidade no final do período o montante de R$ 4.426.898,40, correspondendo a R$ 1.342,305,32 de juros (a memória de cálculo se encontra em anexo a este estudo). 3.2.1 Aposentados com ganho de um salário mínimo Considerando que o valor do salário mínimo em 2012 é de R$ 622,00, o valor de cada parcela do crédito consignado não podia ultrapassar 30% do valor do beneficio recebido, ou seja, R$ 186,60. Utilizando a fórmula para seres uniformes de amortização imediata tem-se que: Pv = 186,60 . (1 + 2,10%) 36 − 1 2,10%(1 + 2,10%) 36 Onde – PV = valor do financiamento = R$ 4.680,72 – PMT = o valor das parcelas = 186,60 P v = R$ 4.680,72 55 – n = o número de prestações a serem pagas para quitação do saldo devedor do financiamento de 36 meses – i = a taxa mensal cobrada de 2,10%. Ao se observar o cálculo acima percebe-se que se o salário mínimo é de R$ 622,00, o aposentado poderá contrair um empréstimo no valor de R$ 4.680,72, o que resultará numa prestação de R$ 186,60 mensais, para pagamento em 36 meses, a uma taxa de 2,10%. Com isso, o beneficiário pagará uma taxa de juro anual nominal de 43,52% e uma taxa de juro efetiva anual de 111,31%. Ou seja, neste empréstimo o cliente pagará o capital emprestado de R$ R$ 4.680,72 e mais um valor de R$ 2.036,88 de juros no período de 3 anos (36 meses), totalizando R$ 6.717,60. Tomando por base os dados levantados para a pesquisa a respeito dos aposentados do INSS que possuem crédito consignado em toda a Cooperativa Sicredi União RS, o que representa 70% dos beneficiários, constata-se que 60% deles recebem até um salário mínimo, totalizando um montante de 8.203 empréstimos. Considerando que cada beneficiário somente pode comprometer 30% da renda mensal e financiar R$ 4.680,72, o valor total financiado é de R$ 38.395.928,72, valor considerado expressivo que contribuiu nos resultados da Cooperativa e ajudou a movimentar a economia da região. Considerando que este valor fez parte do ciclo econômico da região no período, é necessário saber que em três anos o valor deverá ser devolvido juntamente com juros contratuais. Sendo assim, considerando o capital financiado mais os juros, deverão sair da região R$ 55.104.472,80 que, descontado o capital emprestado, somam o total de R$ 16.708.544,08 em juros a serem pagos somente dos aposentados que recebem um salário mínimo pela Cooperativa. Partindo da mesma ideia e analisando somente os dados da Unidade da Praça da Independência, onde 60% dos associados aposentados do INSS possuem crédito consignado, e 60% destes recebem um salário mínimo, constatou-se a concessão de 316 empréstimos consignados na Unidade. Considerando os 30% disponíveis da renda para o financiamento e o valor financiado por aposentado de R$ 4.680,72, a Unidade da Praça da Independência financiou neste período R$ 1.479.107,52. Acrescentando a este montante os juros que estão descritos no contrato, que são de R$ 643.654,04, no final dos três anos a Unidade receberá um montante de R$ 2.122.761,60. 56 Observando mensalmente o comportamento desses valores na Cooperativa Sicredi União RS e na Unidade da Praça da Independência, pode-se constatar a seguinte distribuição de valores recebidos com o pagamento das parcelas, conforme Quadro 15. Quadro 15. Distribuição de valores recebidos pela Cooperativa Sicredi União RS Classificação Total de beneficiários com ganho de 1 SM (consignado) Valor financiado (R$) Parcela mensal para pagamento dos consignados (R$) 8.203 38.395.946,16 1.530.680,50 316 1.479.107,52 58.965,63 Cooperativa Sicredi União RS Unidade da Praça Independência Fonte: elaboração própria a partir dos dados da pesquisa (2012). O Quadro 15 revela os valores mensais que são pagos pelos aposentados que recebem um salário mínimo mensal, pertencentes à Cooperativa Sicredi União RS/Unidade da Praça da Independência, para amortização dos empréstimos consignados concedidos aos associados. Constata-se que mensalmente, durante o período de três anos, o valor de R$ 1.530.680,50 sairá da região para pagamento e/ou amortização dos empréstimos obtidos pelos pensionistas, a uma taxa de juros de 2,10% ao mês, que ao longo do período representa 111,3132...% somente de juros. É necessário ressaltar que os juros cobrados são pagos mensalmente sobre o saldo devedor. Quadro 16. Valores anuais dos créditos consignados que são pagos pelos aposentados da Unidade da Praça da Independência Prestações (R$) Ano 1º ano 2º ano 3º ano Total 707.587,20 707.587,20 707.587,20 2.122.761,60 Juros cobrados (R$) 331.218,56 224.615,96 87.819,56 643.654,08 Amortização (R$) 376.368,64 482.971,24 619.767,64 1.479.107,52 SD (R$) 2.122.761,60 1.415.174,40 707.587,20 0,00 Fonte: elaboração própria a partir dos dados da pesquisa (2012). Conforme já mencionado inicialmente, este estudo utilizou a Tabela Price para o cálculo dos juros. Nesse sentido, os juros são cobrados sobre o saldo devedor de cada período em que é amortizada a dívida (neste caso, mensalmente). Verifica-se que só no primeiro ano o total de juros cobrados representa aproximadamente 50% do valor total dos pagamentos das 57 prestações, taxa que representa uma capitalização mensal de juros e uma taxa efetiva no período de três anos equivalente a 111,31%. 3.2.2 Aposentados com ganho mensal de um e meio salário mínimo Partindo da mesma análise para os beneficiários que ganham um e meio salário mínimo mensal, e tomando por base a mesma forma de cálculo do item anterior, tem-se que o valor do salário mínimo dos beneficiários do INSS é de R$ 933,00 mensais, e que a parcela de 30% representa R$ 279,90. Utilizando a fórmula para seres uniformes de amortização imediata, tem-se que: Pv = 279,90 . (1 + 2,10%) 36 − 1 2,10%(1 + 2,10%) 36 P v = R$ 7.021,08 Onde: – PV = valor do financiamento = R$ R$ 7.021,08 – PMT = o valor das parcelas = 279,90 (30% do valor mensal do beneficio) – n = o número de prestações a serem pagas para quitação do saldo devedor do financiamento – i = a taxa unitária de 2,10%. Ao se observar o cálculo acima percebe-se que se o benefício é de R$ 933,00, a prestação será de R$ 279,90, em 36 meses, a uma taxa de 2,10%, Neste caso, o cliente consegue um empréstimo consignado de R$ 7.021,08. Com isso, o beneficiário pagará uma taxa de juro anual nominal de 43,52% e uma taxa de juro efetiva anual de 111,31%. Neste empréstimo o cliente pagará o capital emprestado de R$ R$ 7.021,08 e mais um valor de R$ 3.055,32 de juros no período de 3 anos (36 meses), totalizando R$ 10.076,40. Os associados aposentados do INSS que pertencem à Unidade da Praça da Independência e que possuem renda de um e meio salário mínimo por mês representam 30% do total de aposentados da Unidade. Estes adquiriram crédito consignado (no ano de 2012), totalizando um montante de 158 financiamentos. Considerando que somente é possível comprometer 30% da renda mensal e financiando R$ 7.021,08 para cada beneficiário da amostra, o valor total financiado no período foi de R$ 1.109.330,14, ou seja, este montante também impactou na economia da região pesquisada. 58 Partindo do mesmo pondo de vista, mas agora tomando por base os valores pertencentes à Cooperativa Sicredi União RS, percebe-se que esta totalizou no ano de 2012 um montante de 4.922 créditos consignados, o que representou 30% do total dos associados aposentados do INSS. Sendo que cada um obteve um financiamento no valor de R$ 7.21,08, o total financiado pela Cooperativa foi de R$ 34.557.740,06, valor que agora circula na economia da região. Observando mensalmente o comportamento desses valores na Cooperativa Sicredi União RS e na Unidade da Praça da Independência, pode-se perceber a seguinte distribuição de valores recebidos com o pagamento das parcelas. Quadro 17. Distribuição de valores recebidos com pagamento das parcelas Classificação Total de beneficiários com ganho de 1,5 SM (consignado) Valor financiado (R$) 4.922 34.557.740,06 918.445,20 158 1.109.330,14 29.482,80 Cooperativa Sicredi União RS Unidade da Praça da Independência Parcela mensal para pagamento dos consignados (R$) Fonte: elaboração própria a partir dos dados da pesquisa (2012). Mensalmente, durante o período em que é contraído o crédito consignado, que é de três anos, o valor de R$ 918.445,20 sairá da região para o pagamento e/ou amortização dos empréstimos obtidos pelos pensionistas, a uma taxa de juros de 2,10% ao mês. É necessário ressaltar que os juros cobrados são efetuados mensalmente sobre o saldo devedor. O Quadro 17 apresenta os valores mensais que são pagos pelos aposentados a Cooperativa Sicredi União RS / Unidade da Praça da Independência para amortização do empréstimo consignado. Quadro 18. Valores anuais dos créditos consignados pagos pelos associados aposentados do INSS pertencentes à Cooperativa Sicredi União RS Ano 1º ano 2º ano 3º ano Total Total das prestações (R$) Total dos juros cobrados(R$) 530.690,40 530.690,40 530.690,40 1.592.071,20 248.415,50 168.462,76 65.863,88 482.742,14 Fonte: elaboração própria a partir dos dados da pesquisa (2012). Total amortização (R$) 282.274,90 362.227,64 464.826,52 1.109.329,06 SD (R$) 1.592.071,20 1.061.380,80 530.690,40 0,00 59 Conforme já mencionado na metodologia adotada neste estudo, os juros são cobrados com base na Tabela Price, ou seja, sobre o saldo devedor de cada período em que é amortizada a dívida (neste caso, mensalmente). Verifica-se que no primeiro ano os juros representam quase 50% do valor pago pelos aposentados, pois na Tabela Price, primeiro o aposentado paga mais de juros e menos do montante financiado. Consequentemente, no último ano paga quase 90% restante do valor financiado mais os juros finais, ou seja, quase todo o montante financiado é pago no último ano. 3.2.3 Aposentados com ganho mensal de dois salários mínimos Adotando a mesma base dos cálculos anteriores, desta vez analisa-se os beneficiários que ganham dois salários mínimos, ou seja, R$ 1.244,00 mensais. Utilizando a fórmula para seres uniformes de amortização imediata, tem-se que: (1 + 2,10%) 36 − 1 Pv = 373,20 2,10%(1 + 2,10%) 36 P v = R$ 9.361,44 Onde: − PV = valor do financiamento = R$ 9.361,44 − PMT = o valor das parcelas = 373,20 (30% do valor mensal do beneficio) − n = nº de prestações a serem pagas para quitação do saldo devedor do financiamento − i = a taxa unitária de 2,10%. Considerando que 60% do total de aposentados do INSS associados à Unidade da Praça da Independência contraíram empréstimos consignados no ano de 2012, 10% destes recebem dois salários mínimos por mês, totalizando um montante de 53 financiamentos. Como somente é possível comprometer 30% da renda mensal e financiando R$ 9.361,44 cada beneficiário da amostra, o valor total financiado no período foi de R$ 496.156,09, ou seja, este montante também foi expressivo para a economia da região pesquisada. Partindo da mesma análise, mas agora tomando como base os dados da Cooperativa Sicredi União RS, constatou-se a efetivação de 3.281 empréstimos consignados, totalizando um montante de R$ 30.714.870,69, valor este que foi disponibilizado para os associados. 60 Observando mensalmente o comportamento desses valores na Cooperativa Sicredi União RS e na Unidade da Praça da Independência, pode-se perceber a seguinte distribuição de valores recebidos com o pagamento das parcelas. Quadro 19. Valores recebidos com pagamento de parcelas pagas pelos associados aposentados do INSS pertencentes à Cooperativa Sicredi União RS e à Unidade da Praça da Independência Classificação Total beneficiários com ganho de 2 SM (consignado) Cooperativa Sicredi União RS Unidade da Praça da Independência Valor financiado (R$) Parcela mensal para pagamento dos consignados (R$) 3.281 30.714.870,69 612.234,60 53 496.156,09 9.889,80 Fonte: elaboração própria a partir dos dados da pesquisa (2012). Mensalmente, ao longo de 36 meses (3 anos) será descontada uma parcela do valor recebido pelos aposentados a fim de amortização dos empréstimos contraídos. O valor mensal totaliza um montante de R$ 612.234,60 em toda a região da pesquisa. É necessário ressaltar que os juros cobrados são calculados mensalmente sobre o saldo devedor. O Quadro 20 apresenta os valores mensais que são pagos pelos aposentados à Cooperativa Sicredi União RS / Unidade da Praça da Independência para amortização dos empréstimos. Quadro 20. Valores anuais pagos pelos aposentados do INSS, associados da Unidade da Praça da Independência, que recebem dois salários mínimos por mês referente aos créditos consignados Ano 1º ano 2º ano 3º ano Total Total das prestações (R$) 237.355,20 237.355,20 237.355,20 712.065,60 Total dos juros cobrados (R$) 111.107,08 75.345,86 29.457,93 215.910,87 Total amortização (R$) 126.248,12 162.009,34 207.897,27 496.154,73 SD (R$) 712.065,60 474.710,40 237.355,20 0,00 Fonte: elaboração própria a partir dos dados da pesquisa (2012). A metodologia adotada da Tabela Price mostra que no primeiro ano o total de juros cobrados representa, aproximadamente, 47% do valor total dos pagamentos das prestações. A taxa condiz com uma capitalização mensal de juros e uma taxa efetiva no período dos três anos equivalente a 111,31%. 61 Verificando o valor total dos benefícios consignados e o total dos valores financiados no ano de 2012, estima-se um montante de R$ 496.154,73 apenas na Unidade da Praça da Independência. Num prazo de três anos, portanto, deverá sair da economia da região um montante de R$ 44.080.891,20 (total financiado pela Cooperativa Sicredi União RS) para quitar estes valores consignados, dos quais R$ 13.366.020,51 serão para pagamento de juros, ou seja, valores que deixarão de circular na economia da região. 62 CONSIDERAÇÕES FINAIS O presente estudo teve como objetivo realizar uma análise do crédito consignado dos aposentados e pensionistas do INSS na Cooperativa Sicredi União RS e na Unidade da Praça da Independência, verificando o grau de comprometimento da sua renda. Para alcançar os objetivos propostos foi necessário conhecer o contexto em que o tema se insere. Nesse sentido, cabem algumas observações que foram feitas no decorrer do estudo. Ao analisar os ensinamentos teórico-econômicos da macroeconomia, constata-se que o PIB é um dos indicadores utilizados para calcular a atividade econômica de uma região. Embora não sendo objeto deste estudo sabe-se que a relação entre o PIB e o crédito em 2002 atingiu 22%, vindo a crescer cada vez mais nos próximos anos. Em março de 2012 o PIB chegou a 49,3%, sendo que o estoque total de crédito atingiu um total de R$ 2 trilhões. É necessário ressaltar, entretanto, que esta oferta de crédito poderá se tornar um círculo vicioso para a economia, pois levará os consumidores a uma condição elevada de endividamento, afetando toda a economia. A melhoria da qualidade de vida das pessoas é obtida por meio do crescimento contínuo da renda, ou seja, através do aumento da renda per capita. Na economia, ao se gerar um volume de produção, gera-se em consequência uma renda correspondente que, por sua vez, transforma-se em capacidade de compra das pessoas. Para aumentar a capacidade de compra da economia ou a demanda agregada, esta terá, necessariamente que aumentar a produção para que haja um aumento da renda. Portanto, aumentando a demanda e tomando por base estes conceitos, provavelmente os beneficiários que obtiveram seus créditos consignados, e se não obtiverem outra receita para melhorar sua qualidade de vida, estarão neste período, necessariamente, reduzindo seu consumo. 63 Conforme teorias econômicas citadas no referencial teórico deste estudo, normalmente o consumo é visto como uma função do nível de renda. Segundo Kalecki (1983), a propensão marginal a consumir revela a porcentagem que o indivíduo designa ao consumo. E, ao se analisar desta forma observa-se que a classe rica direciona uma parte de sua renda para o consumo e o restante para a poupança, o que já não acontece com a classe pobre que encaminha quase totalmente sua renda para o consumo, e não consegue fazer uma poupança. Com as propagandas cada vez mais agressivas e intensas, o consumidor alienado, na ânsia de consumir e realizar sonhos e desejos, esquece que este tem um custo elevado. Este fato pode ser comprovado pelos dados apresentados neste estudo, pois praticamente 70% do consumo direto está atrelado ao crédito e, deste, a maioria é efetuada pelo crédito consignado. Em contrapartida, ao longo de três anos os pensionistas e aposentados do INSS associados da Cooperativa Sicredi União RS e da Unidade da Praça da Independência com crédito consignado estarão quitando seus débitos. Um fator positivo a ser mencionado é que os percentuais a serem retidos de seus benefícios decrescerão ao longo do período da análise, consequência da prestação fixa do crédito obtido. Entretanto, apesar desses percentuais decrescerem a cada ano, mantendo a projeção dos benefícios apresentados, mesmo assim pode-se verificar que o poder aquisitivo dos tomadores de empréstimos tende a diminuir. Para os agenciadores deste mercado, que no caso são as instituições financeiras, principalmente no caso dos aposentados, pode-se confirmar que a inadimplência para quitação destes valores financiados é praticamente nula. Um empréstimo pode ser classificado como bom se for destinado para satisfazer uma necessidade, investir em educação, antecipar objetivos, e quando seu pagamento couber no orçamento da família. Uma dívida só pode ser feita se houver consciência de sua aplicação, sabendo escolher o melhor tipo de financiamento, adequando-o às necessidades, tendo em vista o prazo, as taxas de juros e as tarifas cobradas. É preciso sempre pesquisar a melhor forma de adquirir uma dívida, podendo ser cheque especial, cartão de crédito, CDC, crédito consignado ou outros. Partindo-se então dos dados apresentados neste estudo com relação ao crédito consignado e conforme objeto de estudo, tem-se que somente no mês de janeiro de 2012 foram contraídos 16.407 empréstimos consignados na Cooperativa Sicredi União, enquanto que na Unidade da Praça da Independência foram firmados 527 contratos de crédito consignado, financiados em 36 messes, com parcelas mensais fixas a uma taxa de 2,10% a.m. 64 O Quadro 21 apresenta os valores que deixarão de entrar na economia nos próximos três anos, tanto para pagamento de juros como da dívida, considerando a Cooperativa de Crédito União RS, pois esta abrange todas as unidades. Quadro 21. Valores que deixarão de entrar na economia nos próximos três anos na região Valores Total Total financiado pela Cooperativa Sicredi União (R$) 103.670.429,19 Total de juros pagos (R$) Valor total pago do financiamento (R$) 45.113.687,67 148.784.116,86 Fonte: elaboração própria a partir dos dados da pesquisa (2012). Verifica-se que o montante disponibilizado no mês em estudo com o crédito consignado para os associados aposentados do INSS da Cooperativa Sicredi União RS é de R$ 103.670.429,19, cujo valor aquece a economia no consumo. É necessário ressaltar que estes valores deverão retornar ao financiador em três anos, juntamente com os juros cobrados, que totalizam R$ 45.113.687,67, e que no final do período somará um valor de R$ 148.784.116,86. Os valores acima apresentados revelam que esta é uma forma que a Cooperativa de Crédito tem para trabalhar a pulverização do crédito, e para que possa continuar a financiar estes valores é necessário que consiga agregar um maior número de associados. É preciso ter clareza quanto à utilização do valor no momento de tomar qualquer tipo de empréstimo, ou seja, se é para consumo ou para investimento. Se o crédito for utilizado para investimento, com certeza será bem aplicado e trará retornos futuros, mas se a utilização do crédito for simplesmente para consumo, para satisfazer desejos materiais, ele acaba se tornando uma armadilha para o consumidor, pois pode levar tanto à inadimplência como reduzir o poder aquisitivo do consumidor. O crédito acaba facilitando as vendas, permitindo que os clientes disponham de bens e serviços no ato e paguem em parcelas futuras. Assim, um número maior de compradores tem acesso ao mercado de bens e serviços. Com a utilização do crédito são antecipados sonhos e projetos pessoais, os quais só poderiam ser realizados no futuro. A título de reflexão, cabe transcrever uma nota publicada no Correio do Povo, em seu Caderno Economia (ed. de 26 set. 2005, p. 11), que assim expressou: 65 O grande diferencial do crédito pessoal consignado é que, além de ser um produto novo, trabalha com uma propaganda maciça, com “atores bem conhecidos” do consumidor e taxas extremamente atraentes. Soma-se às vantagens a enorme demanda reprimida de compra de produtos com preços populares, que a população de classe menos favorecida não tinha como adquirir. Entre escolher pela incidência de uma taxa de juros na média de 10% nos métodos tradicionais (como cheque especial, crédito direto ou financiamento no varejo), e uma taxa de 2%, em até 60 vezes, com prestações razoáveis, “o consumidor não tem o que decidir”. “O comprometimento da renda fica pequeno, a demanda reprimida por bens de consumo é atendida e o consumidor sente-se incluído”, [...]. Ao encerrar este estudo, percebe-se que nem todos os objetivos determinados inicialmente foram atingidos, pois a obtenção de algumas informações estava aquém das possibilidades da acadêmica. Ficam latentes, portanto, no término desta monografia, as seguintes questões: 1. Os aposentados do INSS associados da Cooperativa Sicredi União RS e da Unidade da Praça da Independência estão honrando seus compromissos por haverem contraído os empréstimos consignados e, consequentemente, diminuído seu poder aquisitivo? 2. De que forma os aposentados estão suprindo os valores destinados ao consumo e que foram comprometidos pelo crédito consignado? 3. Não só a Cooperativa Sicredi União RS possui associados aposentados do INSS, mas também outras instituições financeiras, os quais igualmente contraem o crédito consignado. Verificando que os municípios com menor número de habitantes possuem maiores valores consignados, como estas economias estão se comportando para suprir seu comércio? 4. Em razão dos altos juros ocorre uma grande perda na economia dos valores monetários para supri-los. Até quando e como poderão ser minimizadas estas perdas? Fica aqui o desafio para novos estudos a fim de dar continuidade ao tema e responder às questões acima elencadas. A compreensão desse dinâmico universo possibilita a tomada de decisões acertadas que levam ao desenvolvimento econômico de todos os segmentos. 66 REFERÊNCIAS ABRÃO, Carlos Henrique. Cartões de crédito e débito. São Paulo: Juarez de Oliveira, 2005. BANCO CENTRAL DO BRASIL. Boletim do Banco Central do Brasil. Dez. 2005. Disponível em: <http://www.bcb.gov.br/?bolist20051201p>. Acesso em: 25 mar. 2012. BIELSCHOWSKY, R. (Org.). Cepal e Cofecon – Cinquenta anos de pensamento na Cepal. Rio de Janeiro, Ed. Record, 2000. v. I e II. BLATT, A. Avaliação de risco e decisões de crédito: um enfoque prático. São Paulo: Nobel, 1999. BRAGA, Roberto. Fundamentos e técnicas de administração financeira. São Paulo: Atlas, 1995. BRASIL. Decreto nº 4.961, de 20 de janeiro de 2004. BRUYNE, Paul de; HERMAN, Jacques; SCHOUTHEETE, Marc de. Dinâmica da pesquisa em ciências sociais. 5. ed. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1991. CAMPOS FILHO, Ademar et al. Declaração em defesa de uma Ciência Matemática e Financeira. São Paulo: Sindicato dos Economistas do Estado de São Paulo, 2009. CHIAVENATO, Idalberto. Teoria da administração. 5. ed. São Paulo: Makron Books, 1998. CORREIO DO POVO. Caderno Economia. Porto Alegre, ed. 26 set. 2005. COSTA, A. C. A. Ensaios em microeconomia bancária. 2004. Tese (Doutorado em Economia). Universidade de São Paulo. São Paulo, 2004. DAL RI, Marlene K Conteúdo da disciplina de Finanças e Mercado de Capitais. Curso de Economia. Ijuí, RS: Ed. da Unijuí, 2009a. 67 ______. Elementos de economia e finanças. 2. ed. ampl. Ijuí, RS: Ed. da Unijuí, 2009b (Coleção Educação a Distância, Série Livro-Texto). FURASTÉ, Pedro Augusto. Normas técnicas para o trabalho científicos. 16. ed. Porto Alegre: Dáctilo Plus, 2012. FURTADO, C. Dialética do desenvolvimento. 2. ed. Rio de Janeiro: Fundo de Cultura, 1964. GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. São Paulo: Atlas, 2007. GORDON, Robert J. Macroeconomia. 7. ed. Porto Alegre: Bookman, 2000. IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Censo 2011. Disponível em: <http://www.ibge. gov.br>. Acesso em: 10 jun. 2012. INSS. Instituto Nacional de Serviço Social. Instrução Normativa INSS/DC nº 110/2010. Instrução Normativa INSS/DC nº 117/2010. Disponível em: <http://previdencia.gov.br>. Acesso em: 12 mar. 2012. KALECKI, M. Teoria da dinâmica econômica. São Paulo: Abril Cultural, 1983. KEYNES, John Maynard. A teoria geral do emprego, do juro e da moeda. São Paulo: Atlas, 1990. LANGONI, Geraldo. Crescimento econômico. Jornal do Comércio. Porto alegre, 11 fev.2008. MANSFIELD, E. Economia empresarial: teoria, aplicação e casos. Ferreira. Lisboa: Instituto Piaget, 1996. Trad. José Dias NAKANE, Marcio I. Concorrência e spread bancário: uma revisão da evidência para o Brasil. In: BANCO CENTRAL DO BRASIL. Economia bancária e crédito: avaliação de 4 anos do projeto juros e spread bancário. São Paulo, dez./2003. PRICE, Richard. Observations on Reversionary Payments. Londres: T. Cadell, 4. ed., 1783; 6. ed., 1803; e 7. ed., 1812. ROSA JÚNIOR, Luiz E. F. Títulos de crédito. 2. ed. Rio de Janeiro: Renovar, 2002. SÁ, Geraldo Tosta de. Administração de investimentos: teoria de carteiras e gerenciamento do risco. Rio de Janeiro: Qualitymark, 1999. SANDRONI, Paulo. Novíssimo dicionário de economia. 6. ed. São Paulo: Best Seller, 2004. SANTOS, José Odálio dos. Análise de crédito – empresas e pessoas físicas. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2003. 68 SCHRICKEL, Wolfgang Kurt. Análise de crédito – concessão e gerência de empréstimos. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2000. SCHUMPETER, J. A. A teoria do desenvolvimento econômico: uma investigação sobre lucros, capital, crédito, juro e o ciclo econômico. São Paulo: Abril Cultural, 1982. SHAPIRO, Edward. Análise macroeconômica. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1994. SICREDI UNIÃO RS. Disponível em: <http://sicredi.com.br>. Acesso em: 29 maio 2012. ______. Cooperativismo de crédito. Disponível em: <Erro! A referência de hiperlink não é Acesso em: 18 abr. 2012. válida.>. ______. Sicredi Grande Santa Rosa. Disponível em: <http://site.santarosa.rs.gov.br>. Acesso em: 23 maio 2012. SILVA, Edna Lúcia da. Metodologia da pesquisa e elaboração de dissertação. 3. ed. Florianópolis: Laboratório de Ensino a Distancia da UFSC, 2001. SOUZA, N. J. Desenvolvimento econômico. São Paulo: Atlas, 1993. STIGLITZ, Joseph. Valor. São Paulo, 18 jun. 2004. C12. TROSTER, Roberto Luis. Spread bancário no Brasil. São Paulo: Febraban, 1993. VASCONCELLOS, Marco Antonio S.; GARCIA, Manuel E. Fundamentos de economia. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2004. VERGARA, Sylvia Constant. Métodos de pesquisa em administração. São Paulo: Atlas, 2002. 69 ANEXOS 70 TOTAL DE ASSOCIADOS POR UNIDADE Unidade 2 3 4 5 6 7 8 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 34 35 36 37 38 39 40 41 Município São Pedro do Butiá Salvador das Missões Guarani das Missões São Paulo das Missões Cerro Largo Roque Gonzales Porto Xavier Santo Angelo São Borja São Luiz Gonzaga Santa Rosa Centro Dezesseis de Novembro Candido Godoi Campina das Missões Santo Cristo Tucunduva São Miguel das Missões Tuparendi Eugenio de Castro Giruá Vitoria das Missões Caibaté Novo Machado Entre-Ijuís Catuípe Santo Antonio das Missões São Nicolau Cruzeiro Bossoroca Porto Mauá Senador Salgado Filho Praça da Independência Alecrim Porto Lucena Bairro Pippi Bairro do Passo Associados 1.825 1.639 4.205 2.235 5.392 1.976 2.377 7.177 3.572 5.671 7.387 1.557 3.361 2.564 5.495 2.637 2.989 3.866 1.504 3.353 1.561 2.279 1.885 3.196 2.799 3.574 2.167 3.878 1.726 1.297 1.322 5.862 2.308 2.043 2.974 2.072 71 DADOS DOS MUNICÍPIOS MUNICÍPIOS Tucunduva Santa Rosa Novo Machado Tuparendi Porto Mauá Giruá Santo Ângelo São Pedro do Butiá Salvador das Missões Guarani das Missões São Paulo das Missões Cerro Largo Roque Gonzáles Porto Xavier São Borja São Luiz Gonzaga Dezesseis de Novembro Cândido Godói Campina das Missões Santo Cristo São Miguel das Missões Eugênio de Castro Vitória das Missões Caibaté Entre-Ijuís Catuípe Santo Antônio das Missões São Nicolau Bossoroca Senador Salgado Filho Alecrim Porto Lucena Bairro Pipi Bairro do Passo HABITANTES 5.901 68.595 3.927 8.557 2.544 17.085 76.304 2.873 2.669 8.115 6.367 13.289 7.206 10.560 61.662 34.558 2.866 6.535 6.117 14.378 7.421 2.797 3.485 4.954 8.938 9.323 11.210 5.727 6.887 2.814 7.045 5.421 Santo Angelo São Borja 72 TOTAL DE ASSOCIADOS APOSENTADOS/PENSIONISTAS DO INSS POR UNIDADE DE ATENDIMENTO Unidade 2 3 4 5 6 7 8 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 34 35 36 37 38 39 40 41 Município São Pedro do Butiá Salvador das Missões Guarani das Missões São Paulo das Missões Cerro Largo Roque Gonzales Porto Xavier Santo Angelo São Borja São Luiz Gonzaga Santa Rosa Centro Dezesseis de Novembro Candido Godoi Campina das Missões Santo Cristo Tucunduva São Miguel das Missões Tuparendi Eugenio de Castro Giruá Vitoria das Missões Caibaté Novo Machado Entre-Ijuís Catuípe Santo Antonio das Missões São Nicolau Cruzeiro Bossoroca Porto Mauá Senador Salgado Filho Praça da Independência Alecrim Porto Lucena Bairro Pippi Bairro do Passo Associado 1.825 1.639 4.205 2.235 5.392 1.976 2.377 7.177 3.572 5.671 7.387 1.557 3.361 2.564 5.495 2.637 2.989 3.866 1.504 3.353 1.561 2.279 1.885 3.196 2.799 3.574 2.167 3.878 1.726 1.297 1.322 5.862 2.308 2.043 2.974 2.072 73 MEMÓRIA DE CÁLCULOS DOS VALORES A SEREM AMORTIZADOS PELA COOPERATIVA DE CRÉDITOS DA SICREDI UNIÃO RS 1 salário Parcela 30% Número de financiamentos Total de valores financiados Taxa Prazo Prestação Nº 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 R$ 622,00 R$ 186,60 11.719 38.395.946.16 2,10% 36 meses 1.530.680,50 Prestação Juros Quota amortização 1.530.680,50 1.530.680,50 1.530.680,50 1.530.680,50 1.530.680,50 1.530.680,50 1.530.680,50 1.530.680,50 1.530.680,50 1.530.680,50 1.530.680,50 1.530.680,50 1.530.680,50 1.530.680,50 1.530.680,50 1.530.680,50 1.530.680,50 1.530.680,50 1.530.680,50 1.530.680,50 1.530.680,50 1.530.680,50 1.530.680,50 1.530.680,50 1.530.680,50 1.530.680,50 1.530.680,50 1.530.680,50 1.530.680,50 1.530.680,50 1.530.680,50 1.530.680,50 1.530.680,50 1.530.680,50 1.530.680,50 1.530.680,50 55.104.497,83 806.314,87 791.103,19 775.572,07 759.714,79 743.524,51 726.994,24 710.116,82 692.884,99 675.291,28 657.328,11 638.987,71 620.262,16 601.143,37 581.623,09 561.692,89 541.344,15 520.568,09 499.355,73 477.697,91 455.585,27 433.008,27 409.957,15 386.421,96 362.392,54 337.858,49 312.809,23 287.233,93 261.121,55 234.460,81 207.240,20 179.447,95 151.072,07 122.100,29 92.520,11 62.318,74 31.483,14 16.708.551,67 724.365,63 739.577,30 755.108,43 770.965,70 787.155,98 803.686,26 820.563,67 837.795,51 855.389,21 873.352,39 891.692,79 910.418,34 929.537,12 949.057,40 968.987,61 989.336,35 1.010.112,41 1.031.324,77 1.052.982,59 1.075.095,22 1.097.672,22 1.120.723,34 1.144.258,53 1.168.287,96 1.192.822,01 1.217.871,27 1.243.446,57 1.269.558,94 1.296.219,68 1.323.440,30 1.351.232,54 1.379.608,42 1.408.580,20 1.438.160,39 1.468.361,75 1.499.197,35 38.395.946,16 SD 38.395.946,16 37.671.580,53 36.932.003,23 36.176.894,80 35.405.929,10 34.618.773,11 33.815.086,85 32.994.523,18 32.156.727,67 31.301.338,46 30.427.986,07 29.536.293,28 28.625.874,95 27.696.337,83 26.747.280,43 25.778.292,82 24.788.956,47 23.778.844,06 22.747.519,29 21.694.536,70 20.619.441,48 19.521.769,26 18.401.045,91 17.256.787,38 16.088.499,42 14.895.677,42 13.677.806,15 12.434.359,58 11.164.800,64 9.868.580,95 8.545.140,66 7.193.908,12 5.814.299,69 4.405.719,49 2.967.559,10 1.499.197,35 (0,00) 74 MEMÓRIA DE CÁLCULOS DOS VALORES A SEREM AMORTIZADOS PELA COOPERATIVA DE CRÉDITOS DA SICREDI UNIÃO RS 1,5 salários Parcela 30% Número de financiamentos Total de valores financiados Taxa Prazo Prestação Nº 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 R$ 933,00 R$ 279,90 7.032 34.560.548,49 2,10% 36 meses 1.377.779,76 Prestação Juros Quota amortização 1.377.779,76 1.377.779,76 1.377.779,76 1.377.779,76 1.377.779,76 1.377.779,76 1.377.779,76 1.377.779,76 1.377.779,76 1.377.779,76 1.377.779,76 1.377.779,76 1.377.779,76 1.377.779,76 1.377.779,76 1.377.779,76 1.377.779,76 1.377.779,76 1.377.779,76 1.377.779,76 1.377.779,76 1.377.779,76 1.377.779,76 1.377.779,76 1.377.779,76 1.377.779,76 1.377.779,76 1.377.779,76 1.377.779,76 1.377.779,76 1.377.779,76 1.377.779,76 1.377.779,76 1.377.779,76 1.377.779,76 1.377.779,76 49.600.071,36 725.771,52 712.079,35 698.099,64 683.826,35 669.253,33 654.374,28 639.182,76 623.672,23 607.835,97 591.667,15 575.158,78 558.303,74 541.094,75 523.524,36 505.585,00 487.268,91 468.568,18 449.474,74 429.980,33 410.076,54 389.754,77 369.006,25 347.822,01 326.192,89 304.109,57 281.562,50 258.541,93 235.037,94 211.040,36 186.538,83 161.522,77 135.981,38 109.903,61 83.278,21 56.093,68 28.338,27 15.039.522,87 652.008,24 665.700,41 679.680,12 693.953,41 708.526,43 723.405,48 738.597,00 754.107,53 769.943,79 786.112,61 802.620,98 819.476,02 836.685,01 854.255,40 872.194,76 890.510,85 909.211,58 928.305,02 947.799,43 967.703,22 988.024,99 1.008.773,51 1.029.957,75 1.051.586,87 1.073.670,19 1.096.217,26 1.119.237,83 1.142.741,82 1.166.739,40 1.191.240,93 1.216.256,99 1.241.798,38 1.267.876,15 1.294.501,55 1.321.686,08 1.349.441,49 34.560.548,49 SD 34.560.548,49 33.908.540,25 33.242.839,83 32.563.159,71 31.869.206,30 31.160.679,88 30.437.274,39 29.698.677,40 28.944.569,86 28.174.626,07 27.388.513,46 26.585.892,48 25.766.416,46 24.929.731,45 24.075.476,05 23.203.281,29 22.312.770,43 21.403.558,85 20.475.253,83 19.527.454,40 18.559.751,18 17.571.726,20 16.562.952,69 15.532.994,93 14.481.408,07 13.407.737,88 12.311.520,61 11.192.282,78 10.049.540,96 8.882.801,56 7.691.560,64 6.475.303,65 5.233.505,27 3.965.629,12 2.671.127,57 1.349.441,49 (0,00) 75 MEMÓRIA DE CÁLCULOS DOS VALORES A SEREM AMORTIZADOS PELA COOPERATIVA DE CRÉDITOS DA SICREDI UNIÃO RS 2 salários Parcela 30% Número de financiamentos Total de valores financiados Taxa Prazo Prestação N 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 R$ 1.244,00 R$ 373,20 4.687 30.713.934,54 2,10% 36 meses 1.224.431,88 Prestação Juros Quota amortização 1.224.431,88 1.224.431,88 1.224.431,88 1.224.431,88 1.224.431,88 1.224.431,88 1.224.431,88 1.224.431,88 1.224.431,88 1.224.431,88 1.224.431,88 1.224.431,88 1.224.431,88 1.224.431,88 1.224.431,88 1.224.431,88 1.224.431,88 1.224.431,88 1.224.431,88 1.224.431,88 1.224.431,88 1.224.431,88 1.224.431,88 1.224.431,88 1.224.431,88 1.224.431,88 1.224.431,88 1.224.431,88 1.224.431,88 1.224.431,88 1.224.431,88 1.224.431,88 1.224.431,88 1.224.431,88 1.224.431,88 1.224.431,88 44.079.547,67 644.992,63 632.824,40 620.400,64 607.715,99 594.764,95 581.541,95 568.041,26 554.257,06 540.183,39 525.814,17 511.143,20 496.164,13 480.870,51 465.255,72 449.313,02 433.035,53 416.416,20 399.447,87 382.123,21 364.434,73 346.374,79 327.935,59 309.109,17 289.887,39 270.261,96 250.224,39 229.766,03 208.878,05 187.551,42 165.776,93 143.545,17 120.846,55 97.671,26 74.009,29 49.850,41 25.184,20 13.365.613,13 579.439,25 591.607,48 604.031,24 616.715,89 629.666,93 642.889,93 656.390,62 670.174,82 684.248,49 698.617,71 713.288,68 728.267,75 743.561,37 759.176,16 775.118,86 791.396,35 808.015,68 824.984,01 842.308,67 859.997,15 878.057,09 896.496,29 915.322,71 934.544,49 954.169,92 974.207,49 994.665,85 1.015.553,83 1.036.880,46 1.058.654,95 1.080.886,71 1.103.585,33 1.126.760,62 1.150.422,59 1.174.581,47 1.199.247,68 30.713.934,54 SD 30.713.934,54 30.134.495,29 29.542.887,81 28.938.856,57 28.322.140,68 27.692.473,75 27.049.583,82 26.393.193,20 25.723.018,38 25.038.769,89 24.340.152,17 23.626.863,49 22.898.595,74 22.155.034,37 21.395.858,22 20.620.739,36 19.829.343,01 19.021.327,33 18.196.343,32 17.354.034,65 16.494.037,50 15.615.980,41 14.719.484,12 13.804.161,40 12.869.616,91 11.915.446,99 10.941.239,50 9.946.573,65 8.931.019,81 7.894.139,35 6.835.484,40 5.754.597,69 4.651.012,36 3.524.251,74 2.373.829,15 1.199.247,68 (0,00) 76 MEMÓRIA DE CÁLCULOS DOS VALORES A SEREM AMORTIZADOS PELA UNIDADE DA PRAÇA DA INDEPENDÊNCIA DA COOPERATIVA DE CRÉDITOS DA SICREDI UNIÃO RS 1 salário Parcela 30% Número de financiamentos Total de valores financiados Taxa Prazo Prestação Nº 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 R$ 622,00 R$ 186,60 316 1.479.107,52 2,10% 36 meses 58.965,63 Prestação juros Quota amortização 58.965,63 58.965,63 58.965,63 58.965,63 58.965,63 58.965,63 58.965,63 58.965,63 58.965,63 58.965,63 58.965,63 58.965,63 58.965,63 58.965,63 58.965,63 58.965,63 58.965,63 58.965,63 58.965,63 58.965,63 58.965,63 58.965,63 58.965,63 58.965,63 58.965,63 58.965,63 58.965,63 58.965,63 58.965,63 58.965,63 58.965,63 58.965,63 58.965,63 58.965,63 58.965,63 58.965,63 2.122.762,56 31.061,26 30.475,27 29.876,97 29.266,11 28.642,42 28.005,63 27.355,47 26.691,66 26.013,90 25.321,92 24.615,40 23.894,04 23.157,54 22.405,57 21.637,81 20.853,93 20.053,58 19.236,43 18.402,11 17.550,28 16.680,56 15.792,57 14.885,94 13.960,26 13.015,15 12.050,19 11.064,97 10.059,05 9.032,01 7.983,41 6.912,78 5.819,67 4.703,61 3.564,11 2.400,67 1.212,81 643.655,04 27.904,37 28.490,36 29.088,66 29.699,52 30.323,21 30.960,00 31.610,16 32.273,97 32.951,72 33.643,71 34.350,23 35.071,58 35.808,09 36.560,06 37.327,82 38.111,70 38.912,05 39.729,20 40.563,51 41.415,35 42.285,07 43.173,06 44.079,69 45.005,36 45.950,48 46.915,44 47.900,66 48.906,57 49.933,61 50.982,22 52.052,84 53.145,95 54.262,02 55.401,52 56.564,95 57.752,82 1.479.107,52 SD 1.479.107,52 1.451.203,15 1.422.712,79 1.393.624,13 1.363.924,61 1.333.601,40 1.302.641,41 1.271.031,25 1.238.757,28 1.205.805,55 1.172.161,84 1.137.811,62 1.102.740,03 1.066.931,95 1.030.371,89 993.044,07 954.932,37 916.020,32 876.291,12 835.727,61 794.312,26 752.027,20 708.854,14 664.774,45 619.769,09 573.818,61 526.903,17 479.002,51 430.095,94 380.162,33 329.180,11 277.127,27 223.981,31 169.719,29 114.317,77 57.752,82 (0,00) 77 MEMÓRIA DE CÁLCULOS DOS VALORES A SEREM AMORTIZADOS PELA UNIDADE DA PRAÇA DA INDEPENDÊNCIA DA COOPERATIVA DE CRÉDITOS DA SICREDI UNIÃO RS 1,5 salários Parcela 30% Número de financiamentos Total de valores financiados Taxa Prazo Prestação Nº 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 R$ 933,00 R$ 279,90 158 1.109.330,64 2,10% 36 meses 44.224,22 Prestação Juros Quota amortização 44.224,22 44.224,22 44.224,22 44.224,22 44.224,22 44.224,22 44.224,22 44.224,22 44.224,22 44.224,22 44.224,22 44.224,22 44.224,22 44.224,22 44.224,22 44.224,22 44.224,22 44.224,22 44.224,22 44.224,22 44.224,22 44.224,22 44.224,22 44.224,22 44.224,22 44.224,22 44.224,22 44.224,22 44.224,22 44.224,22 44.224,22 44.224,22 44.224,22 44.224,22 44.224,22 44.224,22 1.592.071,92 23.295,94 22.856,45 22.407,73 21.949,58 21.481,81 21.004,22 20.516,60 20.018,74 19.510,43 18.991,44 18.461,55 17.920,53 17.368,16 16.804,18 16.228,36 15.640,44 15.040,18 14.427,32 13.801,59 13.162,71 12.510,42 11.844,43 11.164,45 10.470,20 9.761,36 9.037,64 8.298,73 7.544,29 6.774,01 5.987,56 5.184,59 4.364,75 3.527,71 2.673,08 1.800,50 909,61 482.741,28 20.928,28 21.367,77 21.816,49 22.274,64 22.742,41 23.220,00 23.707,62 24.205,48 24.713,79 25.232,78 25.762,67 26.303,69 26.856,06 27.420,04 27.995,86 28.583,78 29.184,04 29.796,90 30.422,63 31.061,51 31.713,80 32.379,79 33.059,77 33.754,02 34.462,86 35.186,58 35.925,50 36.679,93 37.450,21 38.236,66 39.039,63 39.859,47 40.696,51 41.551,14 42.423,72 43.314,61 1.109.330,64 SD 1.109.330,64 1.088.402,36 1.067.034,59 1.045.218,10 1.022.943,46 1.000.201,05 976.981,05 953.273,44 929.067,96 904.354,16 879.121,38 853.358,71 827.055,02 800.198,96 772.778,92 744.783,05 716.199,28 687.015,24 657.218,34 626.795,71 595.734,20 564.020,40 531.640,60 498.580,84 464.826,81 430.363,96 395.177,38 359.251,89 322.571,96 285.121,75 246.885,08 207.845,45 167.985,98 127.289,47 85.738,33 43.314,61 (0,00) 78 MEMÓRIA DE CÁLCULOS DOS VALORES A SEREM AMORTIZADOS PELA UNIDADE DA PRAÇA DA INDEPENDÊNCIA DA COOPERATIVA DE CRÉDITOS DA SICREDI UNIÃO RS 2 salários Parcela 30% Número de financiamentos Total de valores financiados Taxa Prazo Prestação Nº 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 R$ 1.244,00 R$ 373,20 53 496.156,32 2,10% 36 meses 19,779,61 Prestação Juros Quota amortização 19.779,61 19.779,61 19.779,61 19.779,61 19.779,61 19.779,61 19.779,61 19.779,61 19.779,61 19.779,61 19.779,61 19.779,61 19.779,61 19.779,61 19.779,61 19.779,61 19.779,61 19.779,61 19.779,61 19.779,61 19.779,61 19.779,61 19.779,61 19.779,61 19.779,61 19.779,61 19.779,61 19.779,61 19.779,61 19.779,61 19.779,61 19.779,61 19.779,61 19.779,61 19.779,61 19.779,61 712.065,92 10.419,28 10.222,72 10.022,02 9.817,11 9.607,90 9.394,29 9.176,20 8.953,53 8.726,18 8.494,06 8.257,06 8.015,09 7.768,04 7.515,79 7.258,25 6.995,30 6.726,83 6.452,73 6.172,86 5.887,12 5.595,38 5.297,51 4.993,38 4.682,87 4.365,84 4.042,15 3.711,67 3.374,24 3.029,73 2.677,98 2.318,84 1.952,17 1.577,79 1.195,55 805,29 406,83 215.909,60 9.360,33 9.556,89 9.757,59 9.962,50 10.171,71 10.385,32 10.603,41 10.826,08 11.053,43 11.285,55 11.522,54 11.764,52 12.011,57 12.263,82 12.521,36 12.784,30 13.052,78 13.326,88 13.606,75 13.892,49 14.184,23 14.482,10 14.786,23 15.096,74 15.413,77 15.737,46 16.067,94 16.405,37 16.749,88 17.101,63 17.460,76 17.827,44 18.201,82 18.584,05 18.974,32 19.372,78 496.156,32 SD 496.156,32 486.795,99 477.239,10 467.481,51 457.519,02 447.347,31 436.961,99 426.358,58 415.532,50 404.479,08 393.193,53 381.670,98 369.906,47 357.894,89 345.631,08 333.109,72 320.325,42 307.272,64 293.945,76 280.339,01 266.446,52 252.262,29 237.780,19 222.993,96 207.897,23 192.483,46 176.746,00 160.678,06 144.272,69 127.522,81 110.421,18 92.960,41 75.132,97 56.931,16 38.347,10 19.372,78 (0,00) 79