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UNIJUÍ – UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO
DO RIO GRANDE DO SUL
TAMARA TUSSET
ASSOCIADOS APOSENTADOS DO INSS COM CRÉDITO
CONSIGNADO EM UMA COOPERATIVA DE CRÉDITO:
UM ESTUDO DE CASO
Santa Rosa (RS)
2012
1
TAMARA TUSSET
ASSOCIADOS APOSENTADOS DO INSS COM CRÉDITO
CONSIGNADO EM UMA COOPERATIVA DE CRÉDITO:
UM ESTUDO DE CASO
Monografia apresentada ao Curso de Graduação
em Economia, do Departamento de Ciências
Administrativas, Contábeis, Econômicas e da
Comunicação (DACEC), da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul
(UNIJUÍ), requisito parcial para obtenção do título
de Bacharel em Economia.
Orientadora: Ms. Marlene Köhler Dal Ri
Santa Rosa (RS)
2012
2
A Banca Examinadora abaixo-assinada aprova a Monografia:
ASSOCIADOS APOSENTADOS DO INSS COM CRÉDITO
CONSIGNADO EM UMA COOPERATIVA DE CRÉDITO:
UM ESTUDO DE CASO
elaborada por
TAMARA TUSSET
como requisito parcial para obtenção do Grau de Bacharel em Economia.
Santa Rosa (RS), 04 de julho de 2012.
BANCA EXAMINADORA
_______________________________________
Ms. Marlene Köhler Dal Ri
Orientadora
_______________________________________
Prof.
Examinador Titular
3
AGRADECIMENTOS
Acima de tudo agradeço a Deus, pela proteção e bênçãos em
todos os momentos da minha vida. Pela oportunidade e pelo
privilégio em compartilhar tamanha experiência e, ao frequentar
este curso, perceber e atentar para a relevância de temas que não
faziam parte, em profundidade, da minha vida.
Agradeço à minha família, pelo apoio incondicional durante
toda a caminhada acadêmica, me proporcionando carinho, amor
e, acima de tudo, acreditando na minha capacidade de enfrentar
desafios e superar adversidades.
Aos professores que demonstraram dedicação e entusiasmo ao
longo
do
curso
e
pelos
conhecimentos
transmitidos,
principalmente à professora Marlene Köhler Dal Ri, pela
orientação segura, incentivo, simpatia, dedicação e presteza no
auxílio às atividades e discussões sobre o andamento e
normatização deste trabalho de conclusão de curso.
4
RESUMO
A oferta de crédito no Brasil nos últimos anos vem crescendo em grande escala. O
crédito consignado é um exemplo dessa realidade, tendo desempenhado papel expressivo na
expansão do crédito pessoal aos seus aposentados e pensionistas. Grande parte dos
beneficiários do INSS, além de vivenciarem uma realidade em que os reajustes salariais não
corrigem os seus salários, ainda compromete uma parcela da sua renda com empréstimos,
cujo valor da parcela mensal passa a estar indisponível no período em que está consignado. O
tema do presente estudo vem ao encontro dessa realidade, que é analisar o endividamento dos
aposentados do INSS associados à Cooperativa Sicredi União RS e à Unidade da Praça da
Independência. Esse endividamento ocorre na mesma proporção em que crescem os índices
de solicitação de crédito, decorrente, muitas vezes, da ânsia pela aquisição de produtos que
são ofertados pelo comércio ou para reparcelamento de dívidas. O crédito consignado tem se
mostrado um empréstimo atraente devido ao seu juro acessível em relação aos demais, como
cheque especial e cartão de crédito. Mesmo assim, a dívida ocasiona uma situação de
desequilíbrio orçamentário na economia, gerando redução do poder aquisitivo do aposentado
agravada pela constante elevação do custo de vida. O estudo se caracteriza como pesquisa
exploratória e descritiva, pois busca estudar e descrever dados sobre os créditos consignados,
verificando o quanto estes afetam a renda da população e ou podem tornar-se um aliado no
endividamento pessoal.
Palavras-chave: Crédito consignado. Endividamento dos aposentados do INSS.
Cooperativa Sicredi União RS. Unidade da Praça da Independência.
5
LISTA DAS FIGURAS
Figura 1.
Figura 2.
Figura 3.
Figura 4.
Figura 5.
Figura 6.
Figura 7.
Figura 8.
Variação do PIB anual (em %)......................................................................
Concessão de crédito consignado a aposentados – 01/2009 a 01/2010........
Tabela Price ou Sistema de Amortização Francês (SAF).............................
Pe. Theodor Amstad, pioneiro do cooperativismo de crédito no RS ...........
Caixa Rural de Nova Petrópolis, primeira cooperativa de crédito do RS ....
O cata-vento, símbolo do Sicredi..................................................................
Fachada da Sicredi União RS........................................................................
Distribuição dos municípios de acordo com o número de habitantes
associados e aposentados do INSS..............................................................
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6
LISTA DOS QUADROS
Quadro 1.
Quadro 2.
Quadro 3.
Quadro 4.
Quadro 5.
Quadro 6.
Quadro 7.
Quadro 8.
Quadro 9.
Quadro 10.
Quadro 11.
Quadro 12.
Quadro 13.
Quadro 14.
Quadro 15.
Quadro 16.
Quadro 17.
Quadro 18.
Quadro 19.
Quadro 20.
Quadro 21.
Tabela Price ou Sistema de Amortização Francês (SAF)...........................
Modelo de cálculo da Tabela Price.............................................................
Modelo da Tabela Price em parcelas não periódicas e nem uniformes......
Modelo da Tabela Price em parcelas iguais e periódicas...........................
Fluxo de caixa.............................................................................................
Ponderação das despesas pessoais para verificação dos custos..................
Variação do INPC e do salário mínimo......................................................
Total de associados por Unidade................................................................
Distribuição dos municípios de acordo com o total de benefícios mensais
concedidos na Cooperativa Sicredi União RS............................................
Total de benefícios pagos na Cooperativa Sicredi União RS com relação
à Unidade da Praça da Independência ......................................................
Distribuição dos associados aposentados do INSS de acordo com a
concessão de consignados .........................................................................
Demonstrativo dos cálculos do valor total financiado................................
Valor total do crédito consignado x pagamento de juros – Cooperativa
Sicredi União RS .......................................................................................
Valor total do crédito consignado x pagamento de juros – Unidade da
Praça da Independência..............................................................................
Distribuição de valores recebidos pela Cooperativa Sicredi União RS .....
Valores anuais dos créditos consignados que são pagos pelos
aposentados da Praça da Independência.....................................................
Distribuição de valores recebidos com pagamento das parcelas ...............
Valores anuais dos créditos consignados pagos pelos associados
aposentados do INSS, pertencentes à Cooperativa Sicredi União RS........
Valores recebidos com pagamento de parcelas pagas pelos associados
aposentados do INSS pertencentes à Cooperativa Sicredi União e à
Unidade da Praça da Independência...........................................................
Valores anuais pagos pelos aposentados do INSS, associados da
Unidade da Praça da Independência, que recebem dois salários mínimos
por mês referente aos créditos consignados................................................
Valores que deixarão de entrar na economia nos próximos três anos na
região...........................................................................................................
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58
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60
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7
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO ........................................................................................................................ 8
1 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRIA......................................................................................... 14
1.1 DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO ........................................................................... 14
1.2 RENDA .............................................................................................................................. 16
1.3 PRODUTO INTERNO BRUTO (PIB) .............................................................................. 16
1.4 PROPENSÃO MARGINAL A CONSUMIR .................................................................... 18
1.5 CRÉDITO ........................................................................................................................... 20
1.5.1 Análise do crédito .......................................................................................................... 23
1.5.2 Limite de crédito ............................................................................................................ 24
1.5.3 Análise de crédito pela Cooperativa ............................................................................ 25
1.5.4 Custo do crédito bancário ............................................................................................. 26
1.6 O CONCEITO E A NATUREZA DOS JUROS ................................................................ 28
1.6.1 Juros bancários .............................................................................................................. 28
1.7 ENDIVIDAMENTO .......................................................................................................... 29
1.8 CRÉDITO CONSIGNADO ............................................................................................... 30
1.9 TABELA PRICE ................................................................................................................ 31
1.9.1 Histórico do Sistema Francês de Amortização – Tabela Price.................................. 31
1.9.2 Processo de cálculo da Tabela Price ............................................................................ 32
1.10 HISTÓRICO DO SALÁRIO MÍNIMO NO BRASIL ..................................................... 38
1.11 CORREÇÃO MONETÁRIA ........................................................................................... 39
2 METODOLOGIA DA PESQUISA .................................................................................... 41
2.1 APRESENTAÇÃO DA PESQUISA .................................................................................. 41
2.2 TIPO DA PESQUISA ........................................................................................................ 42
2.3 INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOS ................................................................. 42
2.4 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS .............................................................. 43
3 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS .................................................. 44
3.1 CARACTERIZAÇÃO DA EMPRESA ............................................................................. 44
3.2 PLANILHAMENTO DOS DADOS .................................................................................. 50
3.2.1 Aposentados com ganho de um salário mínimo .......................................................... 54
3.2.2 Aposentados com ganho mensal de um e meio salário mínimo ................................. 57
3.2.3 Aposentados com ganho mensal de dois salários mínimo .......................................... 59
CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................................. 62
REFERÊNCIAS ..................................................................................................................... 66
ANEXOS ................................................................................................................................. 69
8
INTRODUÇÃO
As necessidades humanas encontram-se dispostas em forma de pirâmide, obedecendo
a uma certa hierarquia. Em sua base encontram-se as necessidades primárias, ou seja, as
fisiológicas e as de segurança. Seguem as necessidades secundárias, que são constituídas
pelas sociais, de estima e de autorrealização. Chiavenato (1998), ao analisar esta pirâmide de
necessidades afirma que o ser humano, na ânsia de suprir suas necessidades, nasceu para
consumir. As organizações, cientes dessas características humanas, desenvolvem habilidades
que despertam no indivíduo um grande desejo de consumo, perpassando os aspectos básicos
de sobrevivência, e chegando aos bens e serviços.
Os bens e serviços compõem o setor terciário, cuja expansão a partir do século 20 tem
apresentado as maiores mudanças no âmbito econômico, sendo aquele que mais emprega em
diversos países. No Brasil, gera mais da metade da renda nacional, correspondendo a 54% do
Produto Interno Bruto (PIB). Podem-se mencionar como integrantes do setor terciário o ramo
do comércio, o turismo, os serviços financeiros, jurídicos, de informática, comunicação,
arquitetura, engenharia, auditoria, consultoria, propaganda e publicidade, seguro, corretagem,
transporte e armazenagem, além das atividades públicas e privadas de defesa, segurança,
saúde e educação, entre outros.
O crescimento do setor terciário deve-se ao aumento da renda per capita1 que, segundo
depoimento de Langoni (2008), ex-presidente do Banco Central, cresce a 23 trimestres
consecutivos, possibilitando aos consumidores gastarem mais. Este ciclo de expansão do
Produto Interno Bruto (PIB) é entendido como o mais longo desde o início dos anos 80,
perdendo apenas para o “milagre” dos anos 70.
1
Renda per capita: é um indicador que ajuda a conhecer o grau de desenvolvimento econômico de um país ou
região. É a soma dos salários de toda a população dividido pelo número de habitantes. Consiste na divisão do
Produto Nacional Bruto (PNB) menos os gastos de depreciação do capital e os impostos indiretos pela sua
população (BRAGA, 1995).
9
O atual ciclo difere qualitativamente dos anteriores em função de combinar expansão
do investimento e do consumo. E não há como dissociar o desempenho econômico do
aumento simultâneo de crédito, da renda e do emprego que permitem às famílias manter seu
consumo em elevação.
Decorre daí uma grande expansão da oferta de crédito nos últimos anos, cujos
números só têm a crescer. E para comprovar este crescimento, dados mostram que cada vez
mais os brasileiros usam o crédito para realizar com antecedência suas compras e para a
satisfação dos seus desejos. O aumento do crédito traz pontos positivos porque gera riqueza e
alavanca a economia.
Os bancos e as instituições financeiras são os principais agentes a suprir esta
necessidade de crédito, tanto na captação de recursos como na concessão do crédito de
natureza pessoal, habitacional, capital de giro ou ainda em outras modalidades, exercendo,
dessa forma, papel fundamental no crescimento econômico.
No contexto atual o crédito acabou se tornando elemento essencial na vida das pessoas
em qualquer relação, seja financeira ou não. O fato de uma sociedade ter crédito significa que
cada uma das partes acredita que a outra fará o que se espera dela, sem precisar ser forçado a
isso.
O crescimento da economia brasileira em 2011 registrou um aumento de 2,7%,
segundo informações do IBGE (2012). Em contrapartida, este crescimento provocou um
aumento no volume do crédito tanto para a pessoa jurídica como para a física em torno de
15% a 20%, devido a variáveis como retomada de investimentos estrangeiros no mercado
nacional.
Figura 1. Variação do PIB anual (em %)
Fonte: IBGE (2011).
10
Atualmente a ênfase é para o crédito direcionado às pessoas físicas. A perspectiva é
que em 2012 o total de crédito à pessoa física ultrapasse o crédito utilizado por pessoas
jurídicas. A principal linha de crédito é o consignado e o imobiliário, por apresentarem os
menores juros oferecidos atualmente para pessoas físicas.
Notícias sobre crédito no Brasil revelam que as operações de crédito consignado para
aposentados do INSS são as que mais crescem no país. O número de operações de crédito
consignado firmadas com bancos ou instituições financeiras no ano de 2010 teve um aumento
de 17,9%, totalizando 10,1 milhões de contratos assinados e R$ 26,8 bilhões emprestados.
Esta elevação na concessão do crédito consignado se deu por dois motivos: o primeiro
é apontado pelo governo como decorrente da crise que dominava o cenário econômico no
período, e o outro foi a mudança nas regras do crédito consignado, quando o governo
procurou flexibilizar o crédito, estimulando o consumo e reativando a economia do país. Com
isso, pessoas físicas foram autorizadas a comprometer até 30% de sua renda com a captação
do crédito, na modalidade empréstimo pessoal, cuja margem anterior era de 20%.
A Figura 2 mostra a evolução ocorrida entre janeiro de 2009 a janeiro de 2010 na
concessão de crédito consignado aos aposentados. Neste período, os contratos de crédito
consignado envolvendo somente beneficiários do INSS alcançaram R$ 24,6 bilhões, sendo
que a quantia acumulada de operações foi de 10,6 milhões.
Figura 2. Concessão de crédito consignado a aposentados – 01/2009 a 01/2010
Fonte: INSS (2010).
A medida adotada pelo governo teve efeito, pois o volume de operações do crédito
consignado elevou-se consideravelmente. Num primeiro momento houve um aumento brusco
nas contratações do empréstimo, mas depois os números começaram a cair e se estabilizar.
11
O aumento da demanda do consumo, portanto, é decorrente da existência de crédito, o
qual pode moldar o ritmo da produção do setor produtivo. Isso pode ser entendido ao se
analisar a economia sob o viés da macroeconomia. Indústrias se deparam com a antecipação
dos pedidos em função da facilidade gerada pelo crédito, oriunda da desobrigação da
liquidação total do valor da compra de bens e serviços no ato do negócio, permitindo um
excedente instantâneo da moeda, que pode ser direcionado para a compra de mais bens e
serviços.
Caracterizado como um instrumento de natureza monetária, o crédito tem efeitos no
produto real da economia, pois uma parcela da economia real é gerada a partir da
disponibilização do crédito. Assim, uma vez que uma economia incorpora um sistema de
crédito, a demanda real pode aumentar ou diminuir em função da política adotada pela sua
administração.
No momento da captação do crédito, entretanto, a capacidade de pagamento do
tomador do empréstimo é um fator que precisa ser avaliado. As condições de pagamento do
tomador referem-se ao ingresso mensal de valor (salário, patrimônio, prazo e juros
acordados). A alteração de qualquer um desses critérios acaba gerando riscos e provocam uma
situação de inadimplência.
Diante de um cenário de crescimento expressivo da oferta de crédito no Brasil nos
últimos anos, o crédito consignado do INSS tem desempenhado papel expressivo na expansão
do crédito pessoal aos seus aposentados. A situação que se vislumbra, entretanto, é que, além
de comprometerem uma parcela da renda que passa a estar indisponível no período em que
está consignado, ainda convivem com reajuste salarial que não corrige o seu custo de vida.
Em decorrência de uma situação de facilidade de acesso ao crédito, percebe-se que o
mesmo pode comprometer a renda de quem o toma, conduzindo-o a uma situação de
endividamento.
O endividamento é um reflexo da sociedade de consumo e caracteriza-se como um
problema de ordem social e não individual, afetando consumidores e fornecedores. Ele está
relacionado também à taxa de juros, a qual é discutida mundialmente sob o aspecto políticoeconômico, pois representa o grau de desenvolvimento de um país, a estabilidade ou
instabilidade de sua atividade econômica.
O empréstimo consignado é considerado hoje a modalidade mais atrativa para os
agentes financeiros, pois representa um risco muito pequeno de inadimplência. Para os
tomadores é um atrativo, pois estes resolvem um problema imediato de pagamento de dívida
12
e/ou aquisição de bens de consumo. Por outro lado, o empréstimo atua como redutor do poder
aquisitivo, levando muitos a recorrerem a novos financiamentos e, com isso, tornam cada vez
maior a parcela dos rendimentos comprometidos com o pagamento do consignado.
Este estudo alerta para o fato de que, se o crédito consignado, especialmente
concedido aos aposentados do INSS, foco deste estudo, for destinado para financiamento de
bens de consumo e não de formação de capital (investimento) ou para pagamento de dívidas
anteriormente contraídas, poderá haver uma recessão de consumo num futuro próximo.
Na condição de tomador desta modalidade de empréstimos, entretanto, o aposentado
do INSS fica satisfeito ao contrair o consignado em função de situações como: a) as parcelas
cobradas para amortização da dívida são fixas, havendo a perspectiva de que o peso da
parcela do consignado vá se tornando cada vez mais leve, pois os rendimentos recebidos serão
corrigidos ao longo do período; b) os juros cobrados nesta modalidade aparentemente são
inferiores à taxa de mercado.
Mesmo que esses aspectos se comprovem, a evolução da dívida contraída ocasiona
uma situação de desequilíbrio orçamentário (saldo devedor). Na verdade há uma redução do
poder aquisitivo do aposentado, o que se agrava ao longo do período dada à elevação do custo
de vida.
Neste contexto, o objetivo do presente estudo é analisar o grau de endividamento dos
aposentados do INSS, associados a uma Cooperativa de Crédito, com a utilização do crédito
consignado.
O estudo tem ainda como objetivos específicos: a) caracterizar o ambiente de estudo e
realizar a coleta do referencial teórico acerca do tema em estudo; b) conceituar e analisar a
metodologia do crédito; c) analisar e verificar como se comporta o crédito consignado dos
aposentados da Cooperativa; d) analisar o comportamento do endividamento e/ou capacidade
do poder aquisitivo com o crédito consignado.
Considerando todo o cenário até aqui apresentado, o presente estudo propõe ainda
responder a seguinte questão: qual o volume de endividamento dos aposentados do INSS
associados à Unidade da Praça da Independência em relação à Cooperativa Sicredi União RS
com a utilização do crédito consignado?
Existem pelo menos dois tipos de justificativa para a realização do presente estudo: a
de natureza econômica e a de cunho pessoal. Do ponto de vista econômico é muito importante
que as pessoas envolvidas diretamente no processo de liberação de crédito possam, mediante
análise econômica, ter uma visão geral do comprometimento dos aposentados durante todo o
13
período de existência da consignação. Este conhecimento geral pode trazer benefícios quanto
às decisões e estratégias que necessitam ser tomadas no momento da concessão do crédito.
Do ponto de vista pessoal, o estudo interessa ao acadêmico por estar hoje trabalhando
em uma Cooperativa de Crédito, mais precisamente no Sicredi, pertencente à região onde foi
realizado este estudo. Sua realização permite a concretização de duas aspirações: contribuir
para a solução de problemas sociais e concluir sua graduação em Economia.
O estudo está estruturado em três capítulos. O primeiro é composto pela revisão
bibliográfica do tema, onde são apresentados os conceitos de cooperativismo, desenvolvimento econômico, renda, crédito, juros, crédito consignado, correção monetária, entre outros,
tendo por base a literatura de autores que se destacam nessa área.
No segundo capítulo apresenta-se a metodologia utilizada ao longo do estudo, em que
se apresenta a pesquisa, o tipo do estudo, os instrumentos de coleta de dados e a análise e
interpretação dos dados.
E, finalmente, no terceiro capítulo é apresentada a caracterização da instituição em
estudo e o planilhamento dos dados obtidos com a realização da pesquisa. Nas considerações
finais consta a conclusão a que se chegou com o estudo.
Esta pesquisa possibilita conhecimentos que contribuem para a atuação de
profissionais que desejam ter um referencial a respeito do assunto, bem como um meio de
gerar novas informações que dizem respeito ao tema.
14
1 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRIA
A fim de possibilitar a compreensão do que é o processo de desenvolvimento
econômico, bem como elaborar algumas considerações sobre crédito, consumo e sistema
capitalista, foram utilizadas algumas literaturas, as quais são apresentadas a seguir.
1.1 DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO
O desenvolvimento econômico, segundo Souza (1993), pode ser definido como uma
combinação de crescimento sustentado, reestruturação produtiva com aprofundamento
tecnológico e melhoria dos indicadores sociais da população em geral.
Trata-se de um processo pelo qual a renda nacional real de uma economia aumenta
durante um longo período de tempo. A renda nacional real refere-se ao produto total do país
de bens e serviços finais, expresso não em termos monetários, mas sim em termos reais, em
que a expressão monetária da renda nacional é corrigida por um índice apropriado de preço de
bens de consumo e bens de capital. Caso o ritmo de desenvolvimento for superior ao da
população, a renda real per capita aumentará. O processo implica na atuação de certas forças,
que operam durante um longo período de tempo e representam modificações em determinadas
variáveis. Apesar de os detalhes do processo variarem sob condições diversas no espaço e no
tempo, há algumas características comuns básicas, e o resultado geral do processo é o
crescimento do produto nacional de uma economia que, em si própria, é uma variação
particular a longo prazo (SOUZA, 1993).
Depreende-se daí que o desenvolvimento econômico é um conceito que por sua
amplitude aproxima a economia das demais ciências sociais. Sua caracterização não se
restringe ao crescimento da produção em uma região, mas trata principalmente de aspectos
qualitativos relacionados ao crescimento.
Em seus estudos, Furtado (1964, p. 43) definiu o desenvolvimento econômico como
“[...] um processo de mudança social pelo qual um número crescente de necessidades
humanas – preexistentes ou criadas pela própria mudança – são satisfeitas através de uma
diferenciação no sistema produtivo decorrente da introdução de inovações tecnológicas.” O
autor apresenta os estudiosos que se dedicaram à dialética do desenvolvimento, cujos nomes
mais expressivos e suas concepções estão relacionados no texto que segue.
15
Quesnay (1758 apud FURTADO, 1964), através de seu Tableau Économique, definiu
o sistema econômico à semelhança do funcionamento do organismo humano. A agricultura
era considerada pelos fisiocratas como única atividade produtiva e, portanto, o
desenvolvimento dependia do aumento da produtividade agrícola. Nesse rumo, defenderam a
redução de impostos e condenaram gastos supérfluos e tudo que prejudicasse a venda da
produção agrícola, necessária à capitalização da agricultura e à geração de excedente para
estender o desenvolvimento às demais atividades econômicas.
Enquanto isso, Smith (apud FURTADO, 1964) ressaltou os aspectos responsáveis pelo
desenvolvimento econômico como a acumulação do capital, o crescimento populacional e a
produtividade da mão de obra, introduzindo a ideia da divisão do trabalho como forma de
promover o progresso econômico.
Já Ricardo (apud FURTADO, 1964), partindo das ideias de seu antecessor, destacou a
importância das inovações tecnológicas para o desenvolvimento. Seu pessimismo decorreu
das hipóteses relativas aos rendimentos decrescentes da agricultura com as quais trabalhou, na
medida em que a terra se tornava mais escassa com sua exploração, e do crescimento da
população relativamente ao estoque de capital.
Schumpeter (apud FURTADO, 1964) aperfeiçoou o conceito de desenvolvimento
econômico ao distinguir as noções de estática e dinâmica na economia, vinculando à primeira
noção o fluxo regular da atividade e à segunda, a perturbação do ciclo vicioso da estabilidade
provocada pelo investimento a partir das inovações tecnológicas. Seu otimismo preconizava o
desaparecimento dos problemas sociais se as economias experimentassem crescimento
semelhante ao dos períodos passados. O desenvolvimento econômico, para Schumpeter, é um
fenômeno originário da própria esfera econômica, com características qualitativas novas e não
imposto de fora.
Na América Latina e no Brasil, particularmente, os ideais de desenvolvimento
ganharam importância com os estudos da Comissão Econômica para a América Latina
(CEPAL), fundada na década de 50 por economistas da região, preocupados com o atraso de
suas respectivas nações. Sua principal contribuição consistiu na crítica ao pensamento
convencional acerca da divisão internacional do trabalho, que separava as nações em função
da disponibilidade dos fatores de produção, condenando os países ricos em recursos naturais à
eterna dependência dos países industrializados, ricos em tecnologia e capital. Resultou da
visão desses economistas o processo substituidor de importação adotado pelas economias
latinas para criar suas indústrias nacionais (BIELSCHOWSKY, 2000).
16
Shapiro (1994) conclui que o processo de desenvolvimento econômico passa por
ajustes institucionais, fiscais e jurídicos que se tornam necessários para que haja incentivos
aos investimentos e inovações, bem como fornece condições para um sistema eficiente de
produção e distribuição de bens e serviços.
1.2 RENDA
Vasconcellos e Garcia (2004), em seus estudos, conceituam renda como a soma dos
rendimentos pagos aos fatores de produção para obter o produto num determinado período,
composto por aluguéis, lucros, salários e juros.
Já a Renda Nacional, segundo os autores supracitados, é a soma de todas as rendas
recebidas pelos proprietários dos fatores de produção no ano, ou seja, o custo de fatores,
salários e ordenados, juros, aluguéis, lucros mais as transferências do Governo para o setor
privado.
Economicamente, ao se gerar um volume de produção, gera-se uma renda
correspondente que, por sua vez, se transforma em capacidade de compra das pessoas. Para
aumentar a capacidade de compra ou a demanda agregada, a economia terá que,
necessariamente, aumentar a produção e, consequentemente, a renda. A melhoria da qualidade
de vida das pessoas obtém-se, portanto, mediante crescimento contínuo da renda numa taxa
maior de crescimento da população, ou seja, por meio da renda per capita.
A riqueza de um país, portanto, não está caracterizada pela quantidade de recursos
minerais existentes em seu subsolo, mas, sim, pela capacidade que tem de gerar,
continuamente, um volume de produção crescente por pessoa, ou seja, per capita. Não há
como gerar um volume de produção sem uma correspondente geração de renda. À medida que
se aumenta um nível de produção por meio de novos investimentos, aumenta-se também o
nível de renda na economia.
1.3 PRODUTO INTERNO BRUTO (PIB)
O Produto Interno Bruto (PIB), segundo Gordon (2000), é um dos indicadores mais
utilizados na macroeconomia com o objetivo de mensurar a atividade econômica de uma
região. Ele representa a soma em valores monetários de todos os bens e serviços finais
produzidos numa determinada região, quer seja países, estados ou cidades durante um
determinado período (mês, trimestre, ano, etc).
17
O PIB é considerado uma medida de fluxo de produção por um determinado tempo,
por isso ele não considera estoques de capital (economia) que, em última instância, são
importantes componentes determinantes dos fluxos de produção como, por exemplo, capital
social, capital humano, capital natural, etc.
Na apuração do PIB considera-se apenas bens e serviços finais, excluindo da conta
todos os bens de consumo intermediário. Isso é feito com o intuito de evitar o problema da
dupla contagem, quando valores gerados na cadeia de produção aparecem contados duas
vezes na soma do PIB.
A fórmula para o cálculo do PIB de uma região é a seguinte:
PIB = C+I+G+X-M
Onde:
− C = consumo privado
− I = investimentos totais feitos na região
− G = gastos dos governos
− X = exportações
− M = importações
De acordo com Sandroni (2004, p. 459), na ótica da renda o PIB é calculado a partir
das remunerações pagas dentro do território econômico de um país, sob a forma de salários,
juros, aluguéis e lucros distribuídos. Somam-se a isso os lucros não distribuídos, os impostos
indiretos e a depreciação do capital e, finalmente, subtraem-se os subsídios.
Já na ótica do dispêndio, o autor supracitado afirma que este resulta da soma do
consumo das unidades familiares e do governo, mais as variações de estoque, menos as
importações de mercadorias e serviços e mais as exportações. Sob essa ótica, o PIB é
denominado Despesa Interna Bruta.
Embora sendo um indicador linear, o PIB pode demonstrar, per capitamente, o quanto
cada indivíduo receberia se a produção interna bruta fosse distribuída igualmente entre seus
habitantes. Para obter o PIB per capita divide-se o valor do PIB pela população. Esta não é
uma medida de renda pessoal, porque no PIB não são considerados o nível de desigualdade de
renda de uma sociedade.
18
1.4 PROPENSÃO MARGINAL A CONSUMIR
Estudos de Stiglitz (2004) revelam que a economia tem-se
tem se duas visões sobre a teoria
do consumo, sendo uma microeconômica e a outra macroeconômica. A microeconomia
estuda
studa a função “consumo” dentro de particularidades, como gosto, moda, clima, preço dos
produtos e outras variáveis que influenciam os consumidores. A macroeconomia analisa a
visão agregada, deixando as peculiaridades de lado para analisar o lado estrutural
estrutura e político.
Normalmente, olha-se
se o consumo por uma função do nível de renda, recebida em um
determinado tempo, retirando-se
retirando impostos. Assim, encontra-se
se a renda que está à disposição
da população para o consumo.
Ao realizar esta análise, observa-se
observa que a classe rica direciona uma parte de sua renda
para o consumo e o restante para a poupança, o que já não acontece com a classe pobre, que
encaminha quase totalmente sua renda para o consumo e não consegue fazer uma poupança.
Desta forma, percebe-se
se que a classe
classe pobre não tem como pechinchar na hora de fazer suas
compras, porque não consegue juntar dinheiro ou poupança para fazer uma compra à vista,
bem ao contrário do que acontece com a classe rica.
Nesse contexto, Mansfield (1996) apresenta a propensão
propensão marginal
mar
a consumir que
mede quanto se incrementa no consumo de uma pessoa quando há um acréscimo em sua
renda disponível (a renda disponível depois do pagamento dos impostos) em uma unidade
monetária.
Dessa forma, a propensão marginal ao consumo se define como
co
a variação do
consumo a uma nova renda disponível, a qual pode ser expressa matematicamente da seguinte
forma:
Esta fórmula explica como as mudanças de consumo mudam quando a renda se altera.
Já naa análise do consumo keynesiana é formulada a seguinte expressão para o consumo:
19
Esta expressão é considerada válida para intervalos de variação dos resultados em que
a propensão marginal a consumir permanece aproximadamente constante.
Onde:
− C = Consumo
− C0 = Consumo autônomo ou fixo
− c = Propensão marginal a consumir
− YD = Renda disponível Y(1 − t)
− (1-c) = b = Propensão marginal a poupar
Falar sobre propensão marginal leva necessariamente a falar sobre a Teoria Geral do
Emprego, do Juro e da Moeda. Segundo Keynes (1990, p. 48), estes objetivam descobrir o
que determina o volume de emprego, que se dá pela interseção da função de oferta agregada
com a demanda, ou seja, que “relaciona determinado volume de emprego com o produto das
vendas que se espera realizar desse volume de emprego.”
Neste cenário podem-se definir os fatores objetivos, que são a variação do salário real,
a diferença entre renda e renda líquida, as variações imprevistas nos valores de capital não
considerados no cálculo da renda líquida, a relação de troca de bens presentes e bens futuros,
a variação da política fiscal, as modificações das expectativas acerca de relação entre os níveis
presentes e futuros da renda. Sendo assim, Keynes (1990) afirma que a função consumo é
bastante estável e o principal fator que o influencia é a renda, sendo os demais (agrupados na
propensão marginal a consumir) de influência reduzida.
No que se refere aos fatores subjetivos, estes são compreendidos como a precaução,
poupar para imprevistos, previdência, preparar-se para a velhice e outros gastos futuros,
desfrutar de gastos crescentes, independência, estar livre para fazer algo, iniciativa, poupar
para realizar sonhos, projetos de vida.
Esses fatores, segundo Keynes (1990), variam de acordo com as instituições e a
organização da sociedade, com os hábitos devido à raça, educação, convenções, religião e
atitudes morais correntes, com as esperanças atuais e a experiência passada, com a
distribuição de renda, com o nível de vida e com o estado da tecnologia. Ao mudar lentamente, os fatores subjetivos levam a concluir que as variações de curto prazo no consumo
dependem mais das alterações na renda do que das variações da propensão a consumir.
E apesar de levarem o indivíduo a poupar, os fatores subjetivos não influenciam o
volume da poupança agregada, que é determinado pela comparação entre a taxa de juros e a
eficiência marginal do capital.
20
1.5 CRÉDITO
Crédito pode ser entendido como a confiança que uma pessoa física ou jurídica
deposita em outra. Na área das finanças, crédito é a capacidade que uma pessoa tem de pagar
um empréstimo/financiamento. Geralmente, o crédito de uma pessoa é medido através de seu
histórico e obtido mediante atos positivos. Por exemplo, diz-se que um físico de renome, com
livros publicados e PHD na área, possui crédito em assuntos relacionados à Física. Já um
empreendedor conhecido por gerar lucro com investimentos possui crédito financeiro.
Para Schrickel (2000), “crédito é todo ato de vontade ou disposição de alguém
destacar ou ceder, temporariamente, parte do seu patrimônio a um terceiro, com a expectativa
de que esta parcela volte a sua posse integralmente após decorrido o tempo estimado.”
Já Santos (2003) define crédito como sendo “a modalidade de financiamento destinada
a possibilitar a realização de transações comerciais entre empresas e seus clientes.” A
viabilização das transações comerciais entre a organização e seus clientes é, portanto, o maior
objetivo de uma empresa.
Nesse rumo, Santos (2003) segue afirmando que o crédito diz respeito à troca de um
valor presente por uma promessa de reembolso futuro, não necessariamente certo, em virtude
dos fatores de risco de um financiamento.
Ainda no entendimento de Schrickel (2000), crédito é todo ato de vontade ou
disposição de alguém ceder, temporariamente, parte de seu patrimônio a um terceiro, com a
expectativa de que esta parcela volte a sua posse integralmente após decorrido o tempo
estipulado. Esta parte do patrimônio pode ser materializada em dinheiro (empréstimo
monetário) ou em bens para uso ou venda, mediante pagamento parcelado ou a prazo.
O crédito pressupõe duas premissas fundamentais: confiança, expressa na certeza do
recebimento do montante emprestado; e tempo, que diz respeito ao período fixado entre as
partes desde a aquisição e a liquidação da dívida. Ele está presente nas mais diversas
atividades econômicas do país, financiando pessoas físicas na compra de bens de consumo,
reformas e manutenção dos mais diversos bens e gastos com saúde, educação, lazer e moradia
e ainda pessoas jurídicas, na compra de matérias primas, máquinas e equipamentos para
produção de bens, e no financiamento do comércio exterior e de seus clientes.
A ampliação do crédito, portanto, contribui para ampliar negócios já existentes. Essa
afirmação vai de encontro ao conceito moderno de participação dos departamentos de uma
empresa na maximização dos seus lucros.
21
Atualmente as intituições financeiras estão facilitando muito a concessão de crédito às
pessoas fisicas e jurídicas. Com isso, as empresas tendem a investir mais em suas atividades,
enquanto as famílias aumentam o consumo de coisas desnecessárias. O comportamento que as
famílias e as empresas têm frente ao crédito alavanca a taxa de crescimento econômico.
A primeira instituição financeira no Brasil foi criada em 1808, com a chegada de D.
João VI, e foi denominada “Banco do Brasil”, cujo fechamento ocorreu em 1829. No ano de
1836 surgiu a primeira agência privada, o “Banco do Ceará”, fechada três anos após sua
criação. Já o primeiro banco comercial surgiu no ano de 1938, no Rio de Janeiro e, com seu
sucesso surgiram outros empreendimentos semelhantes no país.
Enquanto isso, em 1811, os Estados Unidos já contavam com 90 bancos que, dois anos
depois somavam 208 instituições bancárias. O terceiro banco do Brasil surgiu em 1851, cuja
criação foi sugerida por Visconde de Mauá (Irineu Evangelista de Souza). O banco tinha
como missão se tornar o mais poderoso instrumento da civilização moderna no tocante à
criação da riqueza.
No setor cooperativo, a primeira organização do mundo foi fundada em 1844, em
Rochdale, na Inglaterra. O ambiente adverso da segunda fase da Revolução Industrial, em que
a jornada de trabalho chegava a 15 horas por dia, explica a necessidade de organização dos
tecelões, que fundaram uma cooperativa de consumo para alterar a perspectiva de sua
inserção econômica.
Em 1902 surgiu no Brasil e na América Latina, na cidade de Nova Petrópolis (RS), a
primeira Cooperativa de Crédito, atual Sicredi Pioneira RS, como uma forma de organização
econômica coletiva de pequenos agricultores do sul do país. Em 1925 foi criada a primeira
Central de Caixas Rurais, denominada União Popular do Rio Grande do Sul, atual Sicredi
Metrópolis RS.
Keyes e Kalecki, dois dos fundadores da macroeconomia, afirmam:
[...] contrariando o senso comum que o crescimento da renda da comunidade
e dos lucros empresariais depende da disposição de um grupo social, especialmente
dos empresários, mas também dos consumidores, do governo ou dos estrangeiros, de
gastar acima de sua renda corrente, isto é de colocar mais dinheiro na economia do
que está tirando. (apud SHAPIRO, 1994, p. 79).
A expressão confirma a possibilidade de o povo e as empresas poderem gastar acima
de sua renda devido ao sistema de crédito existente.
As cooperativas de crédito surgiram com o propósito de financiar as dívidas públicas,
mas com a evolução industrial e a aceleração dos negócios acabaram avançando nas
22
operações de crédito. Com a possibilidade do crédito, os bancos assumiram um papel de
adiantar capital, com o risco de ter perdas com a não devolução do capital emprestado. O
crédito bancário passou a movimentar a economia, garantindo o comércio e os meios de troca.
Para Stiglitz (2004), professor da Universidade de Columbia, Prêmio Nobel de
Economia de 2001, o crédito detém a força da economia, em outras palavras, o crédito
determina os rumos da economia. Hoje, a maioria das transações comerciais não tem nada a
ver com a moeda e sim com o crédito
A fim de compreender melhor a economia monetária é fundamental o acesso a
informações desse mercado, além de uma compreensão muito grande do mercado de crédito.
Por outro lado, as instituições financeiras devem ser capazes de desenvolver uma
vantagem comparativa e absoluta na coleta e processamento das informações. As limitações
de informações, em conjunto com os custos de falência, são fundamentais para determinar
tanto o nível de crédito quanto as suas variações.
As instituições de crédito, ao liberarem um empréstimo a uma pessoa, analisam
mudanças nas condições externas, abrangendo a política monetária. Elas possuem a
competência de aumentar o poder de compra da população, adiantando os recursos
necessários para as pessoas efetuarem compras e alavancarem o mercado.
O crédito, portanto, agiliza as atividades econômicas, principalmente quando a
empresa satisfaz uma necessidade cujo preço será pago no futuro. Em outras palavras, o
crédito é a troca no tempo e no espaço, ou seja, é a permissão para quem não dispõe de
recursos financeiros utilizar capital alheio na compra de um produto mediante a promessa de
pagamento dos recursos emprestados com juros.
Numa instituição financeira bancária os recursos captados no mercado por meio de
depósitos efetuados por milhares de clientes são aplicados na forma de empréstimos aos
clientes, constituindo-se em negócio mediante promessa de um pagamento futuro. A taxa de
juros será a retribuição por essa prestação de serviço, sendo que o valor será devolvido
mensalmente ou no final do período junto com o valor emprestado.
Com a obtenção do crédito as pessoas podem obter moradia, bens e até alimentação,
facilitando a execução de projetos para os quais muitas vezes não têm recursos próprios
suficientes. Em outras palavras, o crédito pode estimular as pessoas a movimentar o mercado,
entretanto, também pode endividar pessoas e até empresas, podendo ser considerado um
processo inflacionário.
23
1.5.1 Análise do crédito
Análise de crédito é o processo de avaliação do potencial de retorno do tomador do
crédito pelo agente cedente, bem como os riscos inerentes à concessão. Tal procedimento
procura identificar os clientes que no futuro poderão deixar de honrar com suas obrigações,
acarretando uma situação de risco de caixa à instituição financeira. Por meio da análise de
crédito é possível identificar a idoneidade do cliente, bem como sua capacidade financeira
para amortizar a dívida que pretende contrair.
Segundo Blatt (1999, p. 93), no entanto, “este processo cobre uma estrutura mais
ampla do que simplesmente analisar o crédito de um cliente e dados financeiros para a tomada
de decisão com propósitos creditícios.”
Nesse sentido, Santos (2003) afirma que o processo de análise e concessão de crédito
recorre ao uso de duas técnicas: a técnica subjetiva e a técnica objetiva ou estatística. A
primeira diz respeito ao julgamento humano e a segunda é baseada em processos estatísticos.
Em relação à primeira técnica, Schrickel (2000, p. 27) observa que: “a análise de
crédito envolve a habilidade de fazer uma decisão de crédito, dentro de um cenário de
incertezas e constantes mutações e informações incompletas.” Ou seja, grande parte da análise
de crédito é realizada mediante julgamento do agente de crédito, baseada principalmente na
sua habilidade e experiência.
Santos (2003) completa afirmando que além de estar baseada na experiência adquirida,
esta técnica considera ainda a disponibilidade de informações e a sensibilidade de cada
analista quanto à aprovação do crédito.
A análise subjetiva do tomador do crédito, portanto, é importante pois conta com a
experiência do agente de crédito, o qual é habilitado
a identificar fatores de caráter,
capacidade, capital e condições de pagamento. Essa análise, porém, não pode ser realizada de
maneira aleatória, é preciso estar embasada em conceitos técnicos que irão guiar a tomada de
decisão.
Schrickel (1994, p. 64) confirma com suas palavras a importância da análise de crédito
pelas instituições financeiras:
A análise de crédito envolve a habilidade de fazer uma decisão de crédito,
dentro de um cenário de incertezas e constantes mutações e informações
incompletas. Esta habilidade depende da capacidade de analisar logicamente
situações, não raro, complexas, e chegar a uma conclusão clara, prática e factível de
ser implementada.
24
Mediante a realização de uma cuidadosa análise de crédito, a instituição financeira
poderá identificar os riscos da concessão do crédito, evidenciando conclusões quanto à
capacidade de repagamento do tomador e fazer recomendações relativas à melhor estruturação
e tipo de empréstimo a conceder.
Para complementar, Rosa Júnior (2002) ressalta que a política de concessão de crédito
envolve um equilíbrio entre lucros nas vendas a prazo e custo de manutenção de uma política
de valores a receber, bem como possíveis prejuízos de dívidas incobráveis. Estes aspectos se
resumem na tradicional política trade off entre risco e retorno. Ressalta ainda que a agilidade
nas operações mercantis da economia moderna é necessária à eficiente circulação de riquezas.
Isso só é possível mediante a viabilidade imediata da mobilização da riqueza produzida pela
introdução de crédito.
1.5.2 Limite de crédito
A apuração de limites de crédito tem por finalidade definir o valor máximo que um
banco admite emprestar para um cliente, considerando o risco extremo que a instituição
financeira está disposta a correr (SÁ, 1999). Esse limite é quantificado por um prazo de
validade limitado, e a atuação do cliente deve ser acompanhada de forma que o limite de
crédito seja tempestiva e periodicamente reavaliado.
O prazo de validade para determinado limite de crédito é fixado para um período que,
normalmente, varia de seis meses a um ano. Dentro do período de sua validade pode ser feita
nova operação à medida que vença a anterior, devendo ser enquadrada dentro do valor fixado,
obedecendo às demais condições preestabelecidas quando do deferimento daquele limite.
Segundo Rosa Júnior (2002), os parâmetros para o estabelecimento de limites de crédito
podem ser classificados em três grupos básicos:
− Quanto o cliente merece de crédito: é uma variável que pode assumir diversas
grandezas, dependendo da qualidade do risco apresentado e do porte do cliente, sendo
também chamado de parâmetro técnico;
− Quanto se pode oferecer de crédito ao cliente: é uma variável ligada à capacidade de
quem vai conceder o crédito e está ligado a parâmetros legais; e
− Quanto se deve conceder de crédito ao cliente: é uma variável que decorre da política
de crédito adotada pelo banco, com vistas à diversificação e pulverização da carteira de
crédito.
25
O limite de crédito calculado não significa que atinja o montante de que o cliente
necessita, nem o que ele pode pagar. A atribuição do limite de crédito permite uma postura
proativa, ou seja, conhecer o cliente, identificar suas necessidades e os riscos envolvidos antes
que haja uma demanda por crédito. Possibilita avaliação mais segura e, posteriormente,
agilidade na concessão de novos e possíveis empréstimos.
Cada instituição financeira possui níveis decisórios que dão poderes aos gerentes de
agências para conceder crédito até certo limite. Acima deste limite a decisão cabe a um
superintendente regional. Desta forma, as tomadas de decisão chegam até o Comitê de
Crédito, que é o órgão máximo de decisão sobre crédito.
A definição do valor indicativo, portanto, varia conforme as normas específicas de
cada instituição financeira. Conclui-se, então, que a análise de crédito é um processo decisório
bastante complexo que envolve experiência anterior, conhecimento sobre o que está sendo
decidido, método para tomar a decisão e utilização de instrumentos e técnicas específicas.
1.5.3 Análise de crédito pela Cooperativa
Como descrito anteriormente, a análise de crédito é uma tarefa bastante complexa e de
fundamental importância numa instituição financeira. Para os bancos e instituições de crédito
em geral, cujo principal produto é o dinheiro, não há possibilidade de venda à vista, o que
torna o crédito o próprio negócio da instituição.
O principal objetivo da análise de crédito numa instituição financeira, segundo Nakane
(2003), é identificar os riscos nas situações de empréstimo, evidenciar conclusões quanto à
capacidade de repagamento do tomador, e fazer recomendações relativas à melhor
estruturação e tipo de empréstimo a conceder.
Basicamente, a concessão ou não de crédito se dá a partir da análise da proposta de
crédito do solicitante, dos balancetes apresentados, dos faturamentos, do questionário de
avaliação, do resumo da situação de balanço, do ramo da atividade em que atua, etc.
A seguir são apresentados alguns conceitos adotados pela Cooperativa de Crédito no
momento da análise do pedido de empréstimo: a função da área de cadastro; a tarefa de
análise de crédito; o raciocínio do especialista; as informações para análise; os quocientes
econômico-financeiros; o limite de risco; a tomada de decisão; e o parecer final.
A área de cadastro e análise de crédito objetiva indicar, mediante investigação e
avaliação minuciosa de dados, uma margem referencial da capacidade econômico-financeira
26
dos possíveis tomadores de crédito e coobrigados junto ao sistema financeiro. A tarefa de
análise de crédito consiste em analisar o solicitante, a fim de constatar se a instituição
financeira aprova ou não o crédito solicitado e, se positivo, qual o montante a ser liberado.
O resumo da situação do balanço da empresa é de suma importância para análise de
crédito, pois é a partir daí que são calculados os índices dos quocientes econômico-financeiros
que envolvem: liquidez corrente; liquidez geral; de imobilização; de endividamento; de
garantias de capitais de terceiros; e lucratividade sobre vendas.
A Cooperativa de Crédito adiciona toda a documentação que servirá como base
técnica para o parecer final, com destaque para o formulário da agência com proposta de
crédito e pareceres.
Após a análise de crédito percebe-se que conceitos “insatisfatório” e “regular”
dificilmente terão a liberação do crédito concedido, uma vez que o cadastro se torna negativo.
Já nos conceitos “satisfatório” e “bom” os clientes têm um parecer positivo ao seu favor para
a liberação do crédito solicitado.
1.5.4 Custo do crédito bancário
Em relação aos padrões mundiais, segundo Costa (2004), o Brasil apresenta um
conjunto desfavorável de baixa relação crédito/PIB e altas taxas de juros das operações de
crédito, além de elevados spreads2 bancários. Em realidade, o alto custo do crédito,
combinado com o baixo crescimento, é, em grande medida, responsável pela baixa oferta de
crédito no país. O spread bancário é internacionalmente utilizado para avaliar o custo da
intermediação financeira, mensurado pela diferença entre as taxas de empréstimos e as taxas
de remuneração dos depósitos.
O autor menciona neste sentido que:
Primeiramente há que se definir precisamente o que seja spread. E este é
definido como sendo a diferença entre o custo de captação dos bancos e o custo
cobrado por esse banco quando ele concede um empréstimo. Portanto, não se
configura aí o lucro do banco, pois há que se deduzir os custos vinculados à
atividade de captação e empréstimo. (COSTA, 2004, p. 88).
O custo do crédito numa economia depende de uma série de variáveis
macroeconômicas e estruturais, entre as quais se pode destacar:
2
Spread bancário: diferença entre as taxas que remuneram o depositante e a que define o custo do empréstimo
para o tomador de recursos (NAKANE, 2003).
27
− a taxa básica de juros, determinada pelo Banco Central;
− os recolhimentos compulsórios dos bancos na autoridade monetária;
− a taxa de inadimplência bancária;
− a base jurídica para a renegociação ou recuperação dos empréstimos não pagos;
− a carga tributária incidente sobre as operações de crédito;
− o grau de estabilidade da economia.
Como se observa, o crédito não depende apenas da autoridade monetária, mas envolve
também aspectos fiscais, institucionais e jurídicos. Depende ainda, em larga escala, da
expectativa dos agentes econômicos quanto à manutenção do quadro de estabilidade
econômica e institucional.
Nesse sentido, Troster (1993) e Nakane (2003) definem alguns conceitos relativos aos
custos dos créditos bancários:
– Custos operacionais e administrativos – a atividade bancária é sofisticada e exige mão
de obra muito qualificada, tecnologia avançada, investimentos vultuosos e infraestrutura
complexa;
– Custo compulsório – trata-se de recolhimentos sobre depósitos à vista, a prazo e
caderneta de poupança;
– Subsídios cruzados – a existência de crédito direcionado a taxas subsidiadas (por
exemplo, crédito rural) faz com que parte do spread bancário cobrado sobre operações no
segmento livre reflita uma compensação por estas operações;
– Custo do Fundo Garantidor de Crédito – fundo constituído com a contribuição de
instituições financeiras para proteger correntistas, investidores e poupadores contra a
intervenção, liquidação extrajudicial e falência.
– Custos tributários – taxas de tributos diretos e indiretos cobrados sobre a intermediação
financeira.
– Custos de inadimplência – a taxa de inadimplência deduzida do índice de empréstimos
define o percentual efetivamente recebido pelo banco.
– Risco jurídico – a ineficiência da aplicação da justiça no Brasil (com processos e custos
demorados) agrava ainda mais os custos com inadimplentes.
Após esgotado o tema que tratou da concessão de crédito ao cliente de uma instituição
financeira, passa-se a partir de agora a estudar a natureza e aplicação dos juros.
28
1.6 O CONCEITO E A NATUREZA DOS JUROS
A economia conceitua juros como sendo a remuneração paga pelo tomador de um
empréstimo junto ao detentor do capital emprestado (KEYNES, 1990).
A taxa de juros praticada por um país age como regulador do crescimento econômico,
da estabilidade e instabilidade desse crescimento, da inflação e das causas de desemprego.
Na visão dos economistas neoclássicos, se o mercado de fundos de empréstimos for
deixado livre, a instabilidade é passageira. A oscilação das taxas de juros incentiva ora a
poupança, ora o investimento. Essa é função decrescente da taxa de juros e aquela é função
crescente da taxa de juros.
A Teoria geral do emprego, do juro e da moeda, de Keynes (1990), conferiu
completude ao conceito econômico de juro, apresentando-o como “instrumento de políticas de
desenvolvimento econômico com manipulação da oferta monetária disponível.”
Segundo a teoria keynesiana, não haverá igualdade entre poupança e investimento se o
mercado atuar livremente. Nesse aspecto, o Governo deve intervir para evitar que a
instabilidade se transforme em crise, isso porque o poupador renuncia a liquidez não só pela
rentabilidade oferecida, mas devido à incerteza do retorno de seu investimento no mercado.
No momento em que houver mais gente poupando do que consumindo ou investindo na
economia, haverá excesso de mercadoria, que provocará suspensão ou redução na produção e,
consequentemente, o desemprego. Na hipótese oposta, isto é, quando há excesso de procura,
ocorre a inflação, ou seja, o aumento de custos.
Ainda segundo a teoria keynesiana, a moeda e o crédito bancário são importantes para
estimular a atividade econômica. O investimento depende da rentabilidade esperada que
deverá ser superior ao custo e, quanto menor a taxa de juros em concessão de crédito
bancário, maior será a possibilidade de haver interessados em investir.
1.6.1 Juros bancários
Segundo a teoria keynesiana, os juros são determinantes do investimento, afetando de
maneira geral o nível de emprego e de renda (KEYNES, 1990).
Em 31 de dezembro de 1964, por intermédio da Lei nº 4.595, foi criado o Conselho
Monetário Nacional (CMN) que, por meio de seu agente executivo – o Banco Central do
Brasil (BACEN) – é titular de competência normativa para deliberar e regrar acerca do
funcionamento das instituições financeiras e suas operações.
29
Posteriormente, a Resolução nº 1524, de 21 de setembro de 1988, emitida pelo
BACEN, permitiu a constituição dos chamados “bancos múltiplos”, ou seja, as atividades
desempenhadas pelos bancos comerciais passaram a ser desenvolvidas por outras instituições
integrantes do sistema financeiro nacional.
Com isso, ampliou-se o leque de atividades do banco comercial, cujo principal
objetivo é proporcionar o suprimento oportuno e adequado dos recursos necessários para
financiar, a curto e médio prazos, o comércio, a indústria, as empresas prestadoras de serviços
e as pessoas físicas. Para atender o seu objetivo, o banco comercial passou a descontar títulos;
realizar operações de abertura de crédito, simples ou em conta corrente; realizar operações
especiais, inclusive de crédito rural, de câmbio e comércio internacional; captar depósitos à
vista e a prazo fixo; obter recursos junto a instituições oficiais; obter recursos no exterior, para
repasse; efetuar operações acessórias ou de prestação de serviços, inclusive mediante
convênio com outras instituições (DAL RI, 2009a).
Os bancos comerciais, ao concederem empréstimos, multiplicam a quantidade de
moeda criada pelo BACEN, o que impede que as taxas de juros praticadas pelas instituições
financeiras sejam desvencilhadas da taxa de juros que o Governo oferece aos investidores
nacionais e estrangeiros. Essa taxa de juros tem o objetivo de regular a oferta de dinheiro no
país e, por conseguinte, controlar a inflação, além de tentar atrair recursos internos e externos
para financiar investimentos no país e rolar a dívida do governo (DAL RI, 2009a).
A taxa de juros praticada em um país, segundo Dal Ri (2009b), age como reguladora
do crescimento econômico, da estabilidade ou da instabilidade desse crescimento, da inflação
e das causas de desemprego. São os instrumentos econômicos os únicos capazes e necessários
para fortalecer o mercado abalado por crises internacionais.
Quando se fala em oferta de moeda, está se referindo ao volume de papel-moeda em
poder do público e aos depósitos à vista nos bancos comerciais. O BACEN estipula um
percentual sobre os valores recebidos em depósito pelos bancos comerciais que será recolhido
como a reserva (compulsório), permitindo que o excedente seja emprestado, sob a forma de
empréstimos bancários (DAL RI, 2009b).
1.7 ENDIVIDAMENTO
O expressivo avanço do crédito fácil e rápido para toda a população nos últimos anos
ocasionou o endividamento em nível elevado. Segundo Abrão (2005), a dívida total das
30
famílias no cartão de crédito, cheque especial, financiamento bancário, crédito consignado,
crédito para compra de veículos e imóveis, incluindo recursos do Sistema Financeiro da
Habitação, corresponde a 40% da massa anual de rendimentos do trabalho e dos benefícios
pagos pela Previdência Social no país.
Dados do IBGE (2011) revelam que em dezembro de 2009, a dívida das famílias
estava em R$ 485 bilhões, subiu para R$ 524 bilhões em abril de 2010 e, em abril de 2011
atingiu R$ 653 bilhões. Apesar dos ganhos de renda registrados nesse período, as dívidas
consomem uma parcela cada vez maior dos rendimentos da população. Quase um ano e meio
atrás, a dívida equivalia a 35% da renda anual ou 4,2 meses de rendimento. Em abril de 2011
subiu para 40% da renda ou 4,8 meses de rendimento.
Em fevereiro de 2012, entretanto, a parcela de famílias brasileiras endividadas ficou
em 57,4%, enquanto que em fevereiro de 2011 o percentual era de 65,3%. Em relação a
janeiro deste ano, o endividamento também apresentou queda de 1,4 pontos percentuais.
Depois da explosão do consumo em 2011, as medidas de aperto no crédito editadas
pelo do Banco Central no fim de 2010, a elevação dos juros e a redução dos prazos dos
financiamentos tiveram grande influência sobre o aumento das dívidas das famílias neste
início de ano, sendo um dos fatores o aumento dos juros. As vendas do comércio a partir de
março apontam para uma forte desaceleração do consumo (IBGE, 2011).
1.8 CRÉDITO CONSIGNADO
O crédito consignado para desconto em folha de pagamento dos aposentados do INSS
foi criado com a Medida Provisória 130, de 17 de setembro de 2003, a qual se transformou na
Lei nº 10.820, de 17 de dezembro do mesmo ano. Logo após, recebeu regulamentação pelo
Decreto nº 4.961, de 20 de janeiro de 2004.
Esta modalidade, também conhecida como “empréstimo consignado”, funciona
mediante pagamento indireto, cujas parcelas são deduzidas diretamente da folha de
pagamento da pessoa física. Sua concessão garante segurança ao agente financeiro, pois a
cobrança é praticamente automática e a responsabilidade é da empresa empregadora. Isso
possibilita o empréstimo até para pessoas que possuem restrição de crédito. Também se torna
vantajoso para o solicitante no sentido de que diminui o trabalho de se deslocar à instituição
financeira e ou fazer o serviço manualmente. Esses fatores contribuem para que a consignação
31
tenha juros mais baixos do que o cheque especial e uma significativa melhora na qualidade e
na liquidez da garantia oferecida.
Segundo instruções do Banco Central do Brasil (2005):
O desenvolvimento dessa modalidade de crédito, anteriormente restrita a
algumas instituições financeiras e à clientela de funcionários públicos, foi
viabilizado pela Lei 10.820, de 17.12.2003. Essa medida estabeleceu arcabouço
jurídico para amparar a realização dessas operações, estendendo seu alcance aos
trabalhadores regidos pela Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), assim como
aos aposentados e pensionistas do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS).
Sem dúvida, o empréstimo consignado proporciona condições mais favoráveis de
acesso da população ao crédito, ao contrário das demais linhas disponibilizadas pelo sistema
financeiro, podendo mesmo impactar nos níveis do spread bancário. Inicialmente, o crédito
consignado era disponibilizado apenas para trabalhadores assalariados, mas vem crescendo
expressivamente no segmento do crédito a aposentados ou pensionistas do INSS e também a
trabalhadores públicos, evidenciando maior segurança.
O crédito consignado produziu um efeito direto sobre as taxas de juros, observando-se
uma redução causada, principalmente, pela elevada liquidez da garantia oferecida,
representada pelo próprio desconto em folha de pagamento.
1.9 TABELA PRICE
O Sistema Francês de Amortização, também conhecido como Tabela Price, foi
apresentado em 1771 por Richard Price, em sua obra Observations on Reversionary
Payments. Trata-se de um método utilizado em amortização de empréstimos cuja principal
característica é apresentar prestações ou parcelas iguais. Segundo Campo Filho (2009), o
método foi idealizado pelo seu autor para pensões e aposentadorias e foi a partir da Segunda
Revolução Industrial que sua metodologia de cálculo foi aproveitada para cálculos de
amortização de empréstimo.
1.9.1 Histórico do Sistema Francês de Amortização – Tabela Price
Richard Price nasceu na Inglaterra, em 23 de fevereiro de 1723. Foi um filósofo, padre
da igreja dissidente da Grã-Bretanha e político republicano liberal apoiador da Revolução
Americana. Em 1740, após a morte de seu pai, Rhys Price, ministro calvinista de linha
32
extremamente puritana e disciplinadora, o jovem Richard então com 17 anos mudou-se para a
casa de seu tio Samuel Price, em Londres, onde completou seus estudos na C. Academy, em
Tenter Ailey, Moorfields, adquirindo instrução e influência de John Eames. Price permaneceu
estudando até tornar-se ministro presbiteriano em 1748. Sua primeira assistência como
ministro religioso foi para George Streatfield.
Em 1758 Price publicou a obra Review of the Principal Questions in Morals,
considerada por muitos historiadores ingleses como a mais importante de seu repertório. Em
1769 produziu uma de suas obras no campo da estatística, Northampton Mortality Tables
(Tábuas de Mortalidade de Northampton), solicitada pela seguradora inglesa Equitable
Society, por meio da qual foi possível calcular a probabilidade de vida e de morte na
Inglaterra, servindo para cálculos de seguro e de aposentadoria. A partir da elaboração dessas
Tábuas de Mortalidade, Price publicou, em 1771, Observations on Reversionary Payments
(Observação sobre Devolução de Pagamentos Reversíveis), que viria a ser editada até a
sétima edição em 1812.
Mas foi somente a partir da Segunda Revolução Industrial que a Tabela Price ganhou
força na França como método de amortização de empréstimo pela necessidade de
massificação do consumo, daí as origens do nome – Sistema Francês de Amortização.
1.9.2 Processo de cálculo da Tabela Price
A Tabela Price usa o regime de juros compostos para calcular o valor das parcelas de
um empréstimo e, dessa parcela, a proporção relativa ao pagamentos dos juros e a
amortização do valor emprestado.
Estudos de Dal Ri (2009b) apresentam como exemplo um financiamento no valor de
R$ 10.000,00 para ser amortizado em cinco prestações anuais iguais à taxa de juros de 20%
ao ano. Os valores e o procedimento deste cálculo podem ser realizados mediante a utilização
da fórmula para seres uniformes de amortização imediata:
Pv = PMT .
(1 + i) n − 1
i(1 + i) n
33
Onde:
− PV = valor do financiamento
− PMT = o valor das parcelas
− n = número de prestações a serem pagas para quitação do saldo devedor do
financiamento
− i = a taxa unitária contratada
Cálculo: 1.000,00 = PMT .
(1 + 0,20)5 − 1
PMT= 3.343,80
0,20x(1+ 0,20)5
A fim de apurar e demonstrar a forma como os valores são amortizados pela Tabela
Price, a qual é interativa, deve-se mensalmente e a partir do primeiro mês, calcular o saldo
devedor pelo seguinte processo:
– multiplicar o saldo devedor do período anterior por 1 + juros;
– subtrair o valor a ser pago do valor dos juros para formação da cota de
amortização;
– no último mês o saldo devedor deverá ser igual a zero.
Quadro 1. Tabela Price ou Sistema de Amortização Francês (SAF)
Nº
0
1
2
3
4
5
∑
Prestação
Juros
Cota amortização
3.343,80
3.343,80
3.343,80
3.343,80
3.343,80
16.718,99
2.000,00
1.731,24
1.408,73
1.021,72
557,3
6.718,99
1.343,80
1.612,56
1.935,07
2.322,08
2.786,50
10.000,00
Saldo devedor
10.000,00
8.656,20
7.043,65
5.108,58
2.786,50
-
Fonte: Dal Ri (2009a).
A partir das informações disponibilizadas no Quadro 1 pode-se elaborar algumas
considerações sobre a Tabela Price:
1) as prestações são constantes até o final do período (valor de R$ 3.343,80);
2) os juros são calculados sobre o saldo devedor anterior (10.000,00 x 20% = 2.000,00) e
assim sucessivamente;
3) a cota de amortização representa o valor pago menos os juros calculados (3.343,80 –
2.000,00 = 1.343,80) e assim sucessivamente;
34
4) o saldo devedor para cada período é obtido por meio da diferença entre o saldo devedor
anterior e a cota de amortização (10.000,00 – 1.343,80 = 8.656,20) e sucessivamente;
5) os juros decrescem a cada período (é fácil verificar, pois como estes são calculados sobre
o saldo devedor e decrescem a cada período após serem amortizados, os juros sobre este
saldo ficam menores e assim a cota que amortiza o saldo começa a ser crescente, até que a
última cota de amortização fica igual ao saldo devedor do período anterior).
Ao ser utilizada esta metodologia de amortização em financiamentos constata-se que
as prestações poderão ser amortizadas conforme acordo entre o credor e o devedor, ocorrendo
apenas uma diferença na formulação para apuração no valor da parcela a ser paga, mantendo a
metodologia de amortização sempre igual. Ou seja, pagamentos com carência no primeiro
período ou em caso de crediário comercial, a primeira parcela é efetuada no ato da compra.
No gráfico que segue podem ser visualizadas as considerações feitas no quadro 1,
apresentado anteriormente.
Figura 3. Tabela Price ou Sistema de Amortização Francês (SAF)
Tabela Price
12000
10000
8000
6000
4000
2000
0
0
2
1
Prestação
Juros
3
Cota Amortização
4
5
Saldo Devedor
Fonte: elaboração própria a partir dos dados da pesquisa (2012).
Constata-se um expressivo rol de observações feitas sobre as taxas de juros cobradas
na modalidade de amortização pelo sistema Price. É necessário, entretanto, fazer uma breve
explanação dos juros cobrados, uma vez que muitas pessoas da área Jurídica insistem em
interpretá-los como se fossem juros simples embutidos nas amortizações, justificando que,
como as operações são cobradas conforme o período estipulado nos contratos, e por se tratar
de uma operação simples de cálculo de juros, tornam-se juros simples cobrados, deixando de
analisar seu valor ao longo do período de amortização.
35
Inicialmente são apresentados os conceitos de juros simples e compostos,
exemplificando-os. Os modelos a seguir apresentados tiveram por base os materiais
disponibilizados nas aulas de Finanças e Mercado de Capitais do curso de Economia da
Unijuí, cursado pela acadêmica, autora deste estudo (DAL RI, 2009a).
– Juros simples: são os juros em que a taxa de juros nominal incide sobre o capital inicial, e
somente sobre este. Por exemplo: calcular os juros pagos referentes a um capital
financiado de R$ 1.000,00 a ser pago em 10 meses, à taxa de 12% ao ano. Solução: neste
caso a taxa nominal é de 10% no período, sendo assim, o valor total dos juros será de R$
100,00, que será pago somente no final do período, juntamente com o capital emprestado.
A taxa nominal no período é de 10% e efetivamente serão pagos 10%.
– Juros compostos: incidem sobre o capital inicial de cada período, e poderão ser
calculados para pagamento em um só período, ou em períodos parcelados. Por exemplo:
pagamento no final do período – calcular os juros pagos referentes a um capital financiado
de R$ 1.000,00 a ser pago em 10 meses, à taxa de 12% ao ano, capitalizada mensalmente.
Solução: são juros que incidem mensalmente sobre o capital inicial de cada período.
Quadro 2. Modelo de cálculo da Tabela Price
Período
0
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
Capital
Inicial
1.000,00
1.000,00
1.010,00
1.020,10
1.030,30
1.040,60
1.051,01
1.061,52
1.072,14
1.082,86
1.093,69
Juros 1%
ao mês
10
10,1
10,2
10,3
10,41
10,51
10,62
10,72
10,83
10,94
104,62
Montante
início período
1.000,00
1.010,00
1.020,10
1.030,30
1.040,60
1.051,01
1.061,52
1.072,14
1.082,86
1.093,69
1.104,62
Montante 2
final a ser pago
1.104,62
Fonte: Dal Ri (2009a).
Constata-se que os juros totais pagos foram de R$ 104,62, cujo valor se apresenta no
final do período, ou seja, somente num pagamento, confirmando uma taxa efetiva de 10,62%
no período de 10 meses. O Quadro 3, a seguir, apresenta um modelo de aplicação da Tabela
Price em períodos.
36
Quadro 3. Modelo da Tabela Price em parcelas não periódicas e nem uniformes
Período
0
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
Total
Parcelas
Juros
Amortização
100
50
10
9,1
8,69
8,78
8,27
6,85
4,92
2,67
2,69
0,92
62,88
90
40,9
-8,69
51,22
141,73
193,15
225,08
-2,67
177,31
91,96
60
150
200
230
180
92,88
S/D
1.000,00
910
869,1
877,79
826,57
684,83
491,68
266,6
269,27
91,96
0
Fonte: Dal Ri (2009a).
O Quadro 3 revela que os juros totais pagos totalizaram R$ 62,88, apresentando uma
taxa efetiva de 10,62% no período de 10 meses, ou 1% ao mês.
A seguir, o Quadro 4 apresenta um modelo de aplicação da Tabela Price, cuja
amortização é feita em parcelas iguais e periódicas.
Quadro 4. Modelo da Tabela Price em parcelas iguais e periódicas
Valor financiado
Prazo
Taxa de juros
Nominal
Efetiva
Valor da prestação
N
0
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
Total
Fonte: Dal Ri (2009a).
1.000,00
10 meses
12% ao ano
1% ao mês
12,68250% ao ano
R$ 105,58
Prestação
105,58
105,58
105,58
105,58
105,58
105,58
105,58
105,58
105,58
105,58
Juros
10
9,04
8,08
7,1
6,12
5,12
4,12
3,11
2,08
1,05
55,82
Quota amortiz.
95,58
96,54
97,5
98,48
99,46
100,46
101,46
102,48
103,5
104,54
S/D
1.000,00
904,42
807,88
710,38
611,9
512,44
411,98
310,52
208,04
104,54
0
37
O Quadro 4 mostra que os juros totais pagos foram na ordem de R$ 55,82,
apresentando uma taxa efetiva de 10,62% no período de 10 meses, ou 1% ao mês. Ao calcular
a Taxa Interna de Retorno (TIR) e o VPL das séries uniformes foi possível identificar a
capitalização dos juros.
Outro dado interessante é a Taxa Interna de Retorno que apresenta a taxa de juros
aplicada ao capital, a juros compostos no período, podendo ser comprovada também pelo
VPL. Denomina-se Valor Presente Líquido (VPL) a soma algébrica de todos os recebimentos
e pagamentos atualizados para o instante zero, com base na mesma taxa calculada para
obtenção das prestações ou parcelas, tendo como resposta desta somatória um valor igual das
entradas e saídas (vice-versa), ou seja, VPL = zero.
Fórmula do VPL:
Parcelas
(1+i)n
VPL=
− 1000,00
105,58
105,58
105,58
+
+
.................
0
1
2
((1 + 0,01) ((1 + 0,01) ((1 + 0,01)
((1 + 0,01)10
O Quadro 5, a seguir, apresenta o resultado dos valores acima mencionados:
Quadro 5. Fluxo de caixa
Período
0
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
Taxa interna de retorno
Fonte: Dal Ri (2009a).
Saídas e entradas
-1.000,00
105,58
105,58
105,58
105,58
105,58
105,58
105,58
105,58
105,58
105,58
1,00%
VPL
-1.000,00
104,54
103,5
102,48
101,46
100,46
99,46
98,48
97,5
96,54
95,58
0
38
Caso os juros calculados fossem simples, não seria possível obter o resultado do fluxo
de caixa acima apresentado. Esses valores também podem confirmar a capitalização se for
utilizado o cálculo do Valor Futuro Líquido (VFL).
1.10 HISTÓRICO DO SALÁRIO MÍNIMO NO BRASIL
A década de 30 marca o surgimento do salário mínimo no Brasil, cuja instituição
somente foi regulamentada por meio da Lei nº 185, de janeiro de 1936, e do Decreto-Lei nº
399, de abril de 1938. Posteriormente, em 1º de maio de 1940, por meio do Decreto-Lei nº
2162, foram regulamentados os valores do salário mínimo, que passaram a vigorar a partir do
mesmo ano.
Em dezembro de 1951, o Presidente Getúlio Vargas assinou um Decreto-Lei
reajustando os valores do salário mínimo, dando início a um período em que reajustes mais
frequentes garantiram a sua manutenção e até alguma elevação do poder de compra. A partir
de então até outubro de 1961, já no Governo de João Goulart, houve um total de seis
reajustes.
A partir de 1962, apesar dos outros dois reajustes durante o Governo de Goulart, a
aceleração da inflação fez com que o salário mínimo voltasse a perder seu poder de compra.
Após o Golpe Militar modificou-se a política de reajustes do salário mínimo, abandonando-se
a prática de recompor o seu valor real. Passou-se a adotar uma política que visava manter o
salário médio, e aumentos reais só deveriam ocorrer quando houvesse ganho de
produtividade.
De 1975 a 1982 os reajustes do salário mínimo elevaram gradualmente seu poder de
compra, com um ganho real da ordem de 30%. Em 1979, os reajustes passaram a ser
semestrais, e em valores que correspondiam a 110% da variação do INPC.
A partir de 1983 as diversas políticas salariais associadas aos planos econômicos de
estabilização e, principalmente, o crescimento da inflação, levaram a significativas perdas no
poder de compra do salário mínimo. Entre 1982 e 1990 o valor real do salário mínimo caiu
24%. A unificação do salário mínimo no país ocorreu a partir de maio de 1984.
Na década de 90, apesar da permanência de altos índices de inflação, as políticas
salariais foram capazes de garantir o poder de compra do salário mínimo, que apresentou um
crescimento real de 10,6% em relação à inflação medida pelo INPC.
39
Com a estabilização econômica alcançada pelo Plano Real, o salário mínimo teve
ganhos reais ainda maiores, totalizando 28,3% entre 1994 e 1999.
A partir dos dados que mostram a evolução histórica do salário mínimo desde 1940, é
possível destacar duas conclusões importantes. Em primeiro lugar, ao contrário de
manifestações corriqueiras de que o poder de compra do salário mínimo seria hoje muito
menor que na sua origem, os dados mostram que não houve perda significativa. Ao contrário,
com a estabilização dos preços a partir de 1994 pode-se afirmar que houve a mais
significativa recuperação do poder de compra do assalariado desde a década de 50.
1.11 CORREÇÃO MONETÁRIA
A Correção Monetária ou Atualização Monetária, como é conhecida no Brasil, é
considerada pelo Conselho Federal de Contabilidade um Princípio Fundamental de
Contabilidade. Esta prática é responsável pelos reajustes feitos na economia para evitar a
perda de valor da moeda. Além disso, é praticada atualmente no país com o intuito de regular
os valores da economia, baseando-se no preço da moeda, nos índices da inflação e na cotação
do mercado financeiro (DAL RI, 2009a).
Passado o período em que o país sofreu com a hiperinflação, que foi até 1994, os
novos reajustes na economia são baseados nas altas taxas de juros que as instituições
financeiras praticam. Outro fator que se tornou comum na rotina da economia brasileira é o
Câmbio Flutuante, responsável pelas oscilações da cotação do Dólar em relação ao Real.
Dados sistematizados por Dal Ri (2009a) mostram que o Índice Nacional de Preços ao
Consumidor (INPC) tem como objetivo orientar os reajustes do salário dos trabalhadores. Este
índice estuda o comportamento das famílias que recebem entre um e seis salários mínimos,
independente da fonte de rendimento. Além disso, analisa a produção contínua e sistemática
de preços ao consumidor, sendo estes dados coletados em estabelecimentos comerciais e de
prestações de serviços.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2012) faz o cálculo entre o dia
1º e o dia 30 de cada mês, cruzando os dados da pesquisa de preços nas 11 regiões de maior
população com a pesquisa do orçamento familiar. Os estudos são divulgados entre os dias oito
e 12 do mês seguinte ao estudado. O estudo do IBGE, portanto, mede a variação dos custos
dos diferentes gastos de uma família ao longo do mês, o que pode ser visualizado no quadro 6.
40
Quadro 6. Ponderação das despesas pessoais para verificação dos custos
Tipo de gasto
Alimentação e bebidas
Despesas pessoais
Vestuário
Habitação
Transportes e comunicação
Artigos de residência
Saúde e cuidados pessoais
Educação
Total
Peso % do gasto
30,67
7,16
8,36
16,1
20,7
4,82
9,01
3,18
100
Fonte: IBGE (2012).
O quadro 7, a seguir, apresenta os percentuais anuais e o total acumulado da variação
do INPC e do salário mínimo nos últimos dez anos.
Quadro 7. Variação do INPC e do salário mínimo
Período
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
% anual
INPC
8,43%
5,27%
9,44%
14,74%
10,38%
6,13%
5,05%
2,81%
5,15%
6,48%
4,11%
6,29%
5,92%
2,27%
Acum. período
INPC
8,43%
14,14%
24,92%
43,33%
58,21%
67,91%
76,39%
81,34%
90,68%
103,04%
111,39%
118,40%
125,41%
128,25%
Vlr mon.
SM - RS
136,00
151,00
180,00
200,00
240,00
260,00
300,00
350,00
380,00
415,00
465,00
510,00
545,00
622,00
% anual do
SM
4,62%
11,03%
19,21%
11,11%
20,00%
8,33%
15,38%
16,67%
8,57%
9,21%
12,05%
9,68%
6,86%
14,13%
Acumulado no
período SM
4,62%
16,15%
38,46%
53,85%
84,62%
100,00%
130,77%
169,23%
192,31%
219,23%
257,69%
282,63%
302,02%
344,70%
Fonte: elaboração própria a partir dos dados da pesquisa (2012).
Os dados apresentados no quadro 4 confirmam que as pessoas que recebem mais de
um salário mínimo, que tem como base de reajuste o INP-C, neste caso os aposentados do
INSS, e as que recebem um salário mínimo, tiveram reajuste diferenciado. No decorrer do
período acima apresentado percebe-se que as que recebem um salário mínimo tiveram
reajustes expressivamente maiores em relação à variação do INPC, ao contrário das demais
que vêm sofrendo uma defazagem nas correções de seus salários.
41
2 METODOLOGIA DA PESQUISA
Este capítulo destina-se à apresentação da metodologia utilizada na realização deste
trabalho de conclusão de curso, e procura identificar a pesquisa, o tipo de estudo realizado, os
instrumentos de coleta de dados e a forma de análise e interpretação dos dados.
A metodologia ajuda a explicar não apenas os produtos da investigação científica, mas
principalmente seu próprio processo, pois “suas exigências não são de submissão estrita a
procedimentos rígidos, mas antes da fecundidade na produção dos resultados.” (BRUYNE;
HERMAN; SCHOUTHEETE, 1991 p. 29).
Segundo Bruyne, Herman e Schoutheete (1991), todo e qualquer trabalho acadêmicocientífico é constituído por uma estrutura metodológica, onde é traçada a meta de seu autor. A
metodologia é um conjunto de abordagens, técnicas e processos utilizados pela ciência para
formular e resolver problemas de aquisição objetiva do conhecimento, de uma maneira
sistemática. E tem como objetivo captar e analisar as características dos vários métodos
indispensáveis, avaliar suas capacidades, potencialidades, limitações ou distorções e criticar
os pressupostos ou as implicações de sua utilização.
2.1 APRESENTAÇÃO DA PESQUISA
A pesquisa ora desenvolvida tem como principais métodos a investigação documental
e a pesquisa bibliográfica.
A investigação documental, segundo Gil (2007, p. 45), vale-se de materiais que ainda
não receberam tratamento analítico, ou que ainda podem ser reelaborados de acordo com os
objetos da pesquisa. Podem-se identificar pesquisas elaboradas baseadas em fontes
documentais as mais diversas, tais como: correspondência pessoal, documentos cartoriais,
registros de batismo, epitáfios, registros, anais, regulamentos, circulares, ofícios,
memorandos,
comunicações
informais,
filmes,
microfilmes,
fotografias,
vídeotape,
informações em disquetes, diários, cartas pessoais, entre outros. Há que se considerar que os
documentos constituem fonte rica e estável de dados.
Já a pesquisa bibliográfica, no entendimento de Gil (2007, p. 44), é desenvolvida a
partir de material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos.
Embora em quase todos os estudos seja exigido algum tipo de trabalho desta natureza, há
pesquisas desenvolvidas exclusivamente a partir de fontes bibliográficas. Boa parte dos
42
estudos exploratórios pode ser definida como pesquisas bibliográficas. As fontes
bibliográficas podem ser obras literárias, obras de divulgação, livros de referências
informativa, remissiva, que por sua vez podem ser dicionários, enciclopédias, anuários,
almanaques, jornais, revistas e impressos diversos.
2.2 TIPO DA PESQUISA
O estudo se caracteriza como pesquisa exploratória e descritiva, conforme definição
proposta por Vergara (2002). Ele busca estudar e descrever dados sobre os créditos
consignados, verificando o quanto estes afetam a renda da população e ou podem se tornar um
aliado no endividamento pessoal. Pode-se ressaltar ainda que se trata de um estudo de caso.
Está claro que as instituições financeiras estão investindo fortemente no crédito
consignado, seja por meio da divulgação pela imprensa escrita, falada ou pelos meios
eletrônicos, facilitando cada vez mais a vida dos cidadãos. Na maioria das vezes, as pessoas
são atraídas pelas formas de pagamento, juros diferenciados e, principalmente, pela liquidez e
facilidade de processamento, permitindo acesso rápido às informações e ao crédito.
2.3 INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOS
A coleta de dados consiste em combinar técnicas e métodos de análise de indicadores
de informações. No presente estudo os dados utilizados, bem como seus respectivos
numéricos, foram fornecidos pelo Sicredi União RS.
Entre os diversos instrumentos de coleta de dados foram feitas pesquisas em
documentos fornecidos pela Cooperativa União RS, cujas informações, devido à ética, foram
mantidas em valores aproximados, considerando para a apuração dos cálculos valores médios
dos últimos seis meses. Estes cálculos foram efetuados proporcionalmente, levando em conta
valores de um mês de financiamento e também o prazo para a sua amortização.
Ao longo do estudo manteve-se o sigilo da identidade dos correntistas desta
Cooperativa, afinal, o que interessa de fato é verificar e comparar dados propostos neste
estudo, ficando qualquer outro interesse fora de questão.
43
2.4 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS
A forma de análise e interpretação dos dados se deu por meio de referências
econômicas. As formas de calcular os valores concedidos em empréstimos aos clientes foram
obtidas pela própria instituição financeira Sicredi União RS.
Procedeu-se, inicialmente, a uma análise do comportamento dos associados
aposentados do INSS pertencentes à Cooperativa Sicredi União RS, onde foi constatado o
número total de aposentados. Com base nessas informações verificou-se o percentual de
clientes que possuem crédito consignado, com o respectivo valor da renda mensal, bem como
o valor limite que está disponível para consignação e quanto a instituição libera de crédito
para os mesmos.
Da mesma forma, em um segundo momento foi realizada uma análise com base nos
dados da Unidade da Praça da Independência.
O estudo visou selecionar somente os associados aposentados do INSS, tomando por
base o valor que pode ser consignado mensalmente do seu salário, bem como a apuração do
valor total possível de ser financiado e o período para amortização destes valores, tendo a
tabela Price como forma de amortização.
O estudo buscou sistematizar os dados obtidos, o que serviu de ferramenta para
análise, mas não para solução final de um problema.
44
3 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS
Este capítulo visa a apresentar os dados obtidos junto à instituição financeira da
Unidade de Atendimento da Praça da Independência, que faz parte da Cooperativa Sicredi
União RS, os quais foram devidamente tabulados para este estudo. Os resultados visam
analisar o grau de endividamento dos aposentados e pensionistas do INSS com empréstimos
do tipo consignado.
Inicialmente é apresentada uma breve síntese histórica da primeira Cooperativa de
Crédito da América Latina, do Brasil e do Rio Grande do Sul e o surgimento do Sicredi União
RS. Em seguida é apresentado o planilhamento dos dados, os quais revelam as informações
essenciais deste estudo.
3.1 CARACTERIZAÇÃO DA EMPRESA
A primeira cooperativa do mundo foi fundada em 1844, em Rochdale, na Inglaterra. O
ambiente adverso da segunda fase da Revolução Industrial, em que a jornada de trabalho
chegava a 15 horas por dia, explica a necessidade de organização dos tecelões que fundaram
uma cooperativa de consumo para alterar sua perspectiva de inserção econômica.
Em 07/09/1858 foi fundada no Estado do Rio Grande do Sul, a Colônia Imperial Nova
Petrópolis, como terceiro distrito do município de São Sebastião do Caí. Na sede do distrito,
no chamado Stadplatz, foram instalados os imigrantes teutos, originários do Hunrück (região
da Alemanha), todos evangélicos, e em Linha Imperial, cerca de sete quilômetros adiante no
chamado Kaiserthal, os vindos da Boêmia, todos católicos.
A colônia não recebeu o apoio prometido pelo governo e, abandonados à própria sorte
os moradores não conseguiram se organizar convenientemente. O Padre Theodor Amstad S.
J. (jesuíta), suíço de língua alemã, e que veio ao Brasil em 1885 para ser vigário-cooperador
desta região, passou a dar atendimento espiritual a este povoado, o que era feito em visitas
periódicas por religiosos itinerantes. Com estas visitas regulares ele pode conhecer cada vez
melhor os membros da comunidade e seus problemas, percebendo logo que além de
assistência espiritual os moradores da região necessitavam de urgente assistência social e
econômica.
45
Figura 4. Pe. Theodor Amstad, pioneiro do cooperativismo de crédito no RS
Fonte: Sicredi União RS (2012).
Para o Padre a melhor forma de ajudar o indivíduo era congregá-lo em grupos, e com
este objetivo ele organizou na região diversas associações. Uma delas foi a Caixa de
Economia e Empréstimos Amstad de Nova Petrópolis, sistema Raiffeisen, a primeira
Cooperativa de Crédito do Brasil e a mais antiga em funcionamento das Américas.
Em função das enormes distâncias até os grandes centros urbanos (Porto Alegre,
distante 90 km de Nova Petrópolis), das dificuldades de locomoção e, principalmente, da
inexistência de bancos nessa região, onde os imigrantes colonos pudessem fazer suas
operações de economia e crédito, levaram o Padre Amstad, conhecedor do sistema do
cooperativismo de crédito europeu Raiffaisen, a idealizar uma organização de crédito que
solucionasse os problemas vigentes à época.
Em 25/02/1900, Amstad lançou na vila de Santa Catarina da Feliz, hoje cidade de
Feliz, sua plataforma cooperativista, e a partir desta data vários encontros foram feitos para
discutir a fundação da Cooperativa.
Após dois anos, em 28/12/1902, no salão de bailes do Sr. Nicolau Kehl, em Linha
Imperial, distante 8 km de Nova Petrópolis, foram aprovados os estatutos e fundou-se o que
hoje é a Sicredi Pioneira RS, uma das 10 maiores cooperativas de crédito do Brasil, com a
presença de 20 pessoas que assinaram a ata, entre elas, naturalmente, o Padre Amstad.
A primeira cooperativa de crédito da América Latina, portanto, foi constituída no
Brasil, em Nova Petrópolis/RS, no ano de 1902, e se chamou Cooperativa de Crédito de
Livre Admissão de Associados Pioneira da Serra Gaúcha – Sicredi Pioneira RS, sendo
fundada oficialmente em 28/12/1902 sob o nome de Sociedade Cooperativa Caixa de
Economia e Empréstimos de Nova Petrópolis, sofrendo várias alterações em sua razão
social.
46
Da ata de fundação, redigida em língua alemã pelo próprio Padre Amstad, tem-se a
seguinte tradução:
Ata de fundação da Sociedade Cooperativa Caixa de Economia e
Empréstimos de Nova Petrópolis, realizada na casa do Sr. Nicolau Kehl, dia 28 de
dezembro de 1902, em Linha Imperial. Os 19 sócios abaixo assinados fundaram
definitivamente a Caixa de Economia e Empréstimos Amstad e aprovaram os
estatutos apresentados com pequenas alterações. Pela elaboração abnegada e bem
feita dos estatutos pelo Sr. Anton Maria Feix a assembleia agradeceu calorosamente.
Logo após o registro a Caixa deverá começar a funcionar. As cotas de capital de giro
deverão ser pagar até o dia 15 de janeiro do próximo ano. Como tesoureiro
provisório foi escolhido o Sr. Josef Neumann Senior e encarregado de tomar as
devidas providências. (SICREDI UNIÃO RS, 2012).
Estava assim criada e em funcionamento a Cooperativa Caixa de Economia e
Empréstimos Amstad, a primeira fundada no Brasil e o ponto de partida para a maior rede de
organizações do sistema Raiffeisen da América do Sul, seguidas pelas cooperativas de crédito
em Bom Princípio, Lageado, São José do Herval, Santa Cruz do Sul, Venâncio Aires, Cerro
Largo, etc., constituindo-se até 1964 numa rede de 62 cooperativas, todas filiadas à Central
das Caixas Rurais.
A evolução da Caixa Amstad foi muito rápida, e após alguns anos passava a dominar
totalmente o movimento financeiro, passando a ser o “banco” não só dos colonos como
também de toda a região de Nova Petrópolis.
Figura 5. Caixa Rural de Nova Petrópolis, primeira cooperativa de crédito do RS
Fonte: Sicredi União RS (2012).
Com o advento da Lei n. 4.595, de 1964 (Lei da Reforma Bancária), começou a
decadência do cooperativismo de crédito brasileiro, em virtude de uma série de exigências de
alterações e proibições às quais as Cooperativas foram obrigadas a se adaptar.
47
As medidas decorrentes da Lei da Reforma Bancária não foram benéficas para o
Cooperativismo de Crédito, tanto que em 1977, das 62 cooperativas existentes no Rio Grande
do Sul em 1967, existiam apenas 15, sendo inclusive dissolvida a Central das Caixas Rurais.
Em 27 de outubro de 1980 foi constituída a Cooperativa Central de Crédito do Rio
Grande do Sul – Cocecrer/RS, fruto da união de nove cooperativas de crédito remanescentes
do sistema Raiffeisen no Rio Grande do Sul.
Em 10 de julho de 1992, por decisão de todas as cooperativas, a Cocecrer/RS e suas
filiadas passaram a adotar a marca “Sicredi”, unificando a identidade de todas as cooperativas
ao Sistema de Crédito Cooperativo.
Figura 6. O cata-vento, símbolo do Sicredi
Fonte: Sicredi União RS (2012).
O Sicredi opera com 115 cooperativas de crédito, integradas horizontal e verticalmente. A integração horizontal está representada por mais de 1.100 Unidades de Atendimento
(UAs) e postos avançados, distribuídos em 905 municípios em 11 Estados brasileiros. Na
integração vertical, as cooperativas estão organizadas em quatro Centrais: acionistas da
Sicredi Participações S/A; uma Confederação; uma Fundação; e um Banco Cooperativo que
controla empresas específicas que atuam na distribuição de seguros, administração de cartões
e de consórcios. Em dezembro de 2011, o sistema superou 2 milhões de associados.
Em 2010, o Sicredi firmou uma parceria com o Rabo Financial Institutions
Development - RD, braço de desenvolvimento do grupo holandês Rabobank, sistema de
crédito cooperativo holandês presente em 40 países. Mediante participação minoritária no
Banco Cooperativo Sicredi, o sistema holandês passou a transferir sua expertise de 160 anos
de organização e, ao mesmo tempo, através do Sicredi, investir nas atividades econômicas do
quadro associativo das cooperativas de crédito que o integram.
48
A Cooperativa de Crédito de Livre Admissão de Associados Serro Azul – Sicredi
União/RS, foi criada em 6 de julho de 1913, cuja sede social ficava em Cerro Largo/RS.
Atualmente sua sede administrativa está localizada em Santa Rosa/RS.
No dia 1° de novembro de 2010 foi aprovada em assembleia extraordinária pelos
associados das Sicredi Serro Azul, Sicredi Grande Santa Rosa e Sicredi Missões a
unificação de suas cooperativas para a constituição da Sicredi União RS.
Na ocasião, Fernando Dall’Agnese, presidente da Sicredi União RS, assim manifestou:
A proposta de unificação sempre levou em conta o que era melhor para os
nossos associados. Esse é o objetivo que norteou o processo de criação da Sicredi
União RS. Nunca esquecendo a busca pelo melhor atendimento aos associados que
é tema constante para o Sicredi. (SICREDI UNIÃO RS, 2012).
A nova Cooperativa Sicredi União RS iniciou suas atividades com mais de 95 mil
associados, abrangendo 32 municípios e um número superior a 500 colaboradores. Ela
nasceu como uma das maiores Cooperativas de Crédito do país, sendo a maior cooperativa
em número de associados do Sistema Sicredi. Com quase 600 milhões de ativos e em
constante crescimento na região, a Sicredi União RS tem em uma ponta o município de Novo
Machado e na outra o município de São Borja. Com a unificação, a Sicredi União RS passa a
ter maior representatividade, gerando maior competitividade no mercado.
Hoje o sistema da Cooperativa Sicredi União RS atua em 32 municípios e possui mais
de 570 colaboradores distribuídos em 36 Unidades de Atendimento e Postos Avançados e
mais de 111.725 associados.
Os municípios que compõem esta cooperativa são os seguintes: São Pedro do Butiá,
Salvador das Missões, Guarani das Missões, São Paulo das Missões, Cerro Largo, Roque
Gonzales, Porto Xavier, Santo Angelo, São Borja, São Luiz Gonzaga, Santa Rosa, Dezesseis
de Novembro, Cândido Godói, Campina das Missões, Santo Cristo, Tucunduva, São Miguel
das Missões, Tuparendi, Eugênio de Castro, Giruá, Vitória das Missões, Caibaté, Novo
Machado, Entre-Ijuís, Catuípe, Santo Antonio das Missões, São Nicolau, Bossoroca, Porto
Mauá, Senador Salgado Filho, Alecrim e Porto Lucena.
49
Quadro 8. Total de associados por Unidade
Município
02. São Pedro do Butiá
03. Salvador das Missões
04. Guarani das Missões
05. São Paulo das Missões
06. Cerro Largo
07. Roque Gonzales
08. Porto Xavier
12. Santo Ângelo / 40. Bairro Pippi
13. São Borja / 41. Bairro do Passo
14. São Luiz Gonzaga
15. S. Rosa / 32. Cruzeiro / 37. Praça Independência
16. Dezesseis de Novembro
17. Cândido Godói
18. Campina das Missões
19. Santo Cristo
20. Tucunduva
21. São Miguel das Missões
22. Tuparendi
23. Eugênio de Castro
24. Giruá
25. Vitória das Missões
26. Caibaté
27. Novo Machado
28. Entre-Ijuís
29. Catuípe
30. Santo Antônio das Missões
31. São Nicolau
34. Bossoroca
35. Porto Mauá
36. Senador Salgado Filho
38. Alecrim
39. Porto Lucena
Nº de
Nº de
% hab.
habitantes associados associados
2.873
1.825
63,52
2.669
1.639
61,41
8.115
4.205
51,82
6.367
2.235
35,10
13.289
5.392
40,57
7.206
1.976
27,42
10.560
2.377
22,51
76.304
10.151
13,30
61.662
5.644
9,15
34.558
5.671
16,41
68.595
17.127
24,97
2.866
1.557
54,33
6.535
3.361
51,43
6.117
2.564
41,92
14.378
5.495
38,22
5.901
2.637
44,69
7.421
2.989
40,28
8.557
3.866
45,18
2.797
1.504
53,77
17.085
3.353
19,63
3.485
1.561
44,79
4.954
2.279
46,00
3.927
1.885
48,00
8.938
3.196
35,76
9.323
2.799
30,02
11.210
3.574
31,88
5.727
2.167
37,84
6.887
1.726
25,06
2.544
1.297
50,98
2.814
1.322
46,98
7.045
2.308
32,76
5.421
2.043
37,69
Fonte: elaboração própria a partir dos dados da pesquisa (2012).
A Superintendência da Cooperativa Sicredi União RS está localizada na cidade de
Santa Rosa, local onde foi realizado este estudo. A cidade suporta três Unidades de
Atendimento (Santa Rosa – Centro, Praça da Independência e Cruzeiro), além da
Superintendência. Possui 68.595 habitantes (Censo do IBGE/2011) e, destes, 17.127
habitantes são associados do Sicredi União RS.
50
Figura 7. Fachada da Unidade da Praça da Independência
Fonte: Sicredi União RS (2012).
Fundada em 2004, em Santa Rosa, na chamada Cidade Baixa, a Unidade da Praça da
Independência se instalou nesta área da cidade devido a sua distância do centro da cidade e
por não haver nenhuma outra instituição financeira nas proximidades.
Veio para facilitar o acesso dos associados e da população em geral no que se diz
respeito às movimentações financeiras que os mesmos precisavam realizar. Com o passar do
tempo, porém, foi conquistando espaço e cada vez mais associados. Já se comenta, inclusive,
que mais duas instituições financeiras serão instaladas nos arredores, pois perceberam que
perderam espaço e clientes desta região.
3.2 PLANILHAMENTO DOS DADOS
Documentos apresentados pela Cooperativa Sicredi União RS referentes à região da
pesquisa comprovam dados como número de beneficiários, valor dos benefícios recebidos por
Unidade e os percentuais que cada um destes municípios representa no contexto geral (em
anexo).
Verifica-se que a maioria dos municípios pertencentes a esta cooperativa possui entre
5.000 e 10.000 habitantes, representando aproximadamente 22,83% da população pesquisada,
e mais de 34,89% do total de benefícios pagos por estas Cooperativa de Crédito, dos quais em
média 50% dos aposentados associados recebem um salário mínimo, 30% recebem um salário
e meio e os 20% restantes recebem dois salários mínimos. O quadro 9 apresenta os valores
mencionados.
51
Quadro 9. Distribuição dos municípios de acordo com o total de benefícios mensais
concedidos pela Cooperativa Sicredi União RS
Classificação
Menos de 5.000 hab.
Entre 5.000 e 10.000 hab.
Entre 10.000 e 20.000 hab.
Mais de 20.000 hab.
Total
Nº de
municípios
9
14
5
4
32
Total
hab.
28.929
99.560
66.522
241.119
436.130
Total
benefícios
5.183
8.179
2.882
7.194
23.438
Total benefícios
pagos/mês (R$)
4.351.823,00
6.868.124,00
2.419.891,00
6.040.864,00
19.680.702,00
Fonte: elaboração
laboração própria a partir dos dados da pesquisa (2012).
(20
Os dados anteriormente
nteriormente apresentados podem ser representados graficamente:
graficamente
Figura 8. Distribuição dos municípios de acordo com o número de habitantes associados e
aposentados do INSS
18,00%
16,00%
17,92%
14,00%
12,00%
10,00%
8,00%
8,22%
6,00%
4,00%
4,33%
2,00%
2,98%
0,00%
Menos de 5.000
hab.
Entre 5.000 e
10.000 hab.
Entre 10.000 e
20.000 hab.
Mais de 20.000
hab.
Fonte: elaboração própria a partir dos dados da pesquisa (2012).
Analisando o gráfico acima, pode-se
se concluir que nos municípios com menor número
de habitantes encontra-se
se a maior concentração de associados aposentados do INSS, ou seja,
seja
quase 20% do totall dos associados.
Tomando como base os dados da região da pesquisa objeto deste estudo, a Unidade da
Praça da Independência possui 5.862 associados e, dentre esses, 879 são aposentados do INSS
representando aproximadamente 15% do total de associados da Unidade.
Unidade.
52
Quadro 10. Total de benefícios pagos na Cooperativa Sicredi União RS com relação à
Unidade da Praça da Independência
Cooperativa Sicredi União RS
Vlr receb./ mês %
Nº apoTotal pago
(RS)
sentados
(R$)
622,00
50%
11.719
7.289.218,00
933,00
30%
7.032
6.560.856,00
1.244,00
20%
4.687
5.830.628,00
Total
23.438
19.680.702,00
Unidade Praça da Independência
%
Nº apoTotal pago
sentados
(R$)
60%
527
327.794,00
30%
264
246.312,00
10%
88
109.472,00
879
683.578,00
Fonte: elaboração própria a partir dos dados da pesquisa (2012).
Os dados apresentados no Quadro 10 revelam o total de aposentados com os
respectivos valores de benefícios pagos mensalmente.
O Quadro 11, a seguir, complementa as informações acima, de acordo com o valor do
salário mínimo recebido. Percebe-se que 70% do total de aposentados do INSS associados à
Cooperativa Sicredi União RS possuem crédito consignado, enquanto que dos associados à
Unidade da Praça da Independência 60% também possuem crédito consignado.
Quadro 11. Distribuição dos associados aposentados do INSS de acordo com a concessão de
consignados
Vlr recebido/
mês (R$)
622,00
933,00
1.244,00
Total
Cooperativa Sicredi União RS
Unidade Praça da Independência
Nº
Aposentados
Nº
Aposentados
aposentados
consignados 70% aposentados consignados 60%
11.719
8.203
527
316
7.032
4.922
264
158
4.687
3.281
88
53
23.438
16.406
879
527
Fonte: elaboração própria a partir dos dados da pesquisa (2012).
Para a concessão do crédito consignado as instituições financeiras devem cumprir
normatização do Banco Central, que limita a parcela comprometida mensalmente para
pagamento do empréstimo em 30% do valor total do benefício, considerando a amortização e
os juros já embutidos no valor da parcela.
Partindo-se dos dados apresentados anteriormente com relação ao crédito consignado,
percebe-se que somente no mês de janeiro de 2012 foram concedidos 16.406 empréstimos
consignados na Cooperativa Sicredi União RS, e destes aproximadamente 4% foram
concedidos na Unidade da Praça da Independência, totalizando 527 empréstimos consignados,
financiados em 36 messes com parcelas mensais fixas a uma taxa de 2,10% a.m.
53
Tomando por base os valores disponíveis para consignação, conforme quadros
apresentados anteriormente, ficam assim representados os cálculos demonstrando o valor total
financiado pela Cooperativa Sicredi União RS e pela Unidade da Praça da Independência.
Quadro 12. Demonstrativo dos cálculos do valor total financiado
Vlr rec./
mês(R$)
30% parc.
consignado
(R$)
Cooperativa Sicredi União RS
Limite
Nº aposenValor
vlr financ.
tados c/
total finan(R$)
consignação ciado (mês) (R$)
Unidade Pr. Independência
Nº aposenValor total
tados c/
financiado
consignação
(mês) (R$)
622,00
186,60
4.680,72
8.203
38.395.946,16
316
1.479.106,85
933,00
279,90
7.021,08
4.922
34.560.548,49
158
1.109.330,14
1.244,00
373,20
9.361,44
3.281
30.713.934,54
53
496.156,09
Total
21.063,23
103.670.429,19
Fonte: elaboração própria a partir dos dados da pesquisa (2012).
3.084.593,08
As informações constantes dos Quadros 11 e 12 revelam que a Cooperativa Sicredi
União RS concedeu no mês de janeiro de 2012, um total de 16.407 empréstimos consignados
para associados aposentados do INSS, o que representa 70% do total de aposentados
associados e um montante financiado de R$ 103.670.429,19. Percebe-se também que há um
número mais expressivo de financiamentos para os que ganham menos, ou seja, um salário
mínimo.
Os dados a seguir apresentam os valores que foram financiados, bem como o total de
juros que serão pagos durante este período de amortização, cuja memória de cálculo se
encontra em anexo a este estudo.
Quadro 13. Valor total do crédito consignado x pagamento de juros – Cooperativa Sicredi
União RS
Valor do salário
(R$)
622,00
933,00
1.244,00
Total
Total financiado
pela Cooperativa
Sicredi União (R$)
38.395.946,16
34.560.548,49
30.713.934,54
103.670.429,19
Total de
juros pagos (R$)
16.708.551,67
15.039.522,87
13.365.613,13
45.113.687,67
Valor total pago do
financiamento
(amort. + juros)
(R$)
55.104.472,80
49.606.117,20
44.080.891,20
148.791.481,20
Fonte: elaboração própria a partir dos dados da pesquisa (2012).
Analisando o quadro 13, acima, os dados revelam que o valor total da concessão do
crédito consignado pela Cooperativa Sicredi União RS aos associados totaliza R$
54
103.670.429,19, financiados em 36 meses a uma taxa de 2,10% a.m. Os aposentados
contratantes pagarão para a Cooperativa no final deste período um montante de R$
148.791.481,20, correspondendo a R$ 45.113.687,67 de juros.
Quanto aos valores dos créditos consignados dos associados aposentados da Unidade
da Praça da Independência (Santa Rosa, RS), estes assim se apresentam:
Quadro 14. Valor total do crédito consignado x pagamento de juros – Unidade da Praça da
Independência
Valor do salário
(R$)
622,00
933,00
1.244,00
Total
Total financiado
pela Unid. Praça da
Independência (R$)
1.479.107,52
1.109.330,64
496.156,32
3.084.594,48
Total de
juros pagos
(R$)
643.655,04
482.741,06
215.909,60
1.342.305,32
Valor total pago do
financiamento
(R$)
2.122.761,60
1.592.071,20
712.065,60
4.426.898,40
Fonte: Elaboração própria a partir dos dados da pesquisa (2012).
Com base nos dados a respeito do total de empréstimos consignados concedidos aos
associados aposentados do INSS da Unidade de Praça da Independência, estes totalizam R$
3.084.594,48 de valor financiado. Quanto aos juros cobrados dos aposentados, estes pagarão à
Unidade no final do período o montante de R$ 4.426.898,40, correspondendo a R$
1.342,305,32 de juros (a memória de cálculo se encontra em anexo a este estudo).
3.2.1 Aposentados com ganho de um salário mínimo
Considerando que o valor do salário mínimo em 2012 é de R$ 622,00, o valor de cada
parcela do crédito consignado não podia ultrapassar 30% do valor do beneficio recebido, ou
seja, R$ 186,60. Utilizando a fórmula para seres uniformes de amortização imediata tem-se
que:
Pv = 186,60 .
(1 + 2,10%) 36 − 1
2,10%(1 + 2,10%) 36
Onde
–
PV = valor do financiamento = R$ 4.680,72
–
PMT = o valor das parcelas = 186,60
P v = R$ 4.680,72
55
–
n = o número de prestações a serem pagas para quitação do saldo devedor do
financiamento de 36 meses
–
i = a taxa mensal cobrada de 2,10%.
Ao se observar o cálculo acima percebe-se que se o salário mínimo é de R$ 622,00, o
aposentado poderá contrair um empréstimo no valor de R$ 4.680,72, o que resultará numa
prestação de R$ 186,60 mensais, para pagamento em 36 meses, a uma taxa de 2,10%. Com
isso, o beneficiário pagará uma taxa de juro anual nominal de 43,52% e uma taxa de juro
efetiva anual de 111,31%. Ou seja, neste empréstimo o cliente pagará o capital emprestado de
R$ R$ 4.680,72 e mais um valor de R$ 2.036,88 de juros no período de 3 anos (36 meses),
totalizando R$ 6.717,60.
Tomando por base os dados levantados para a pesquisa a respeito dos aposentados do
INSS que possuem crédito consignado em toda a Cooperativa Sicredi União RS, o que
representa 70% dos beneficiários, constata-se que 60% deles recebem até um salário mínimo,
totalizando um montante de 8.203 empréstimos. Considerando que cada beneficiário somente
pode comprometer 30% da renda mensal e financiar R$ 4.680,72, o valor total financiado é de
R$ 38.395.928,72, valor considerado expressivo que contribuiu nos resultados da Cooperativa
e ajudou a movimentar a economia da região.
Considerando que este valor fez parte do ciclo econômico da região no período, é
necessário saber que em três anos o valor deverá ser devolvido juntamente com juros
contratuais. Sendo assim, considerando o capital financiado mais os juros, deverão sair da
região R$ 55.104.472,80 que, descontado o capital emprestado, somam o total de R$
16.708.544,08 em juros a serem pagos somente dos aposentados que recebem um salário
mínimo pela Cooperativa.
Partindo da mesma ideia e analisando somente os dados da Unidade da Praça da
Independência, onde 60% dos associados aposentados do INSS possuem crédito consignado,
e 60% destes recebem um salário mínimo, constatou-se a concessão de 316 empréstimos
consignados na Unidade. Considerando os 30% disponíveis da renda para o financiamento e o
valor financiado por aposentado de R$ 4.680,72, a Unidade da Praça da Independência
financiou neste período R$ 1.479.107,52. Acrescentando a este montante os juros que estão
descritos no contrato, que são de R$ 643.654,04, no final dos três anos a Unidade receberá um
montante de R$ 2.122.761,60.
56
Observando mensalmente o comportamento desses valores na Cooperativa Sicredi
União RS e na Unidade da Praça da Independência, pode-se constatar a seguinte distribuição
de valores recebidos com o pagamento das parcelas, conforme Quadro 15.
Quadro 15. Distribuição de valores recebidos pela Cooperativa Sicredi União RS
Classificação
Total de beneficiários
com ganho de 1 SM
(consignado)
Valor
financiado
(R$)
Parcela mensal para
pagamento dos
consignados (R$)
8.203
38.395.946,16
1.530.680,50
316
1.479.107,52
58.965,63
Cooperativa Sicredi
União RS
Unidade da Praça
Independência
Fonte: elaboração própria a partir dos dados da pesquisa (2012).
O Quadro 15 revela os valores mensais que são pagos pelos aposentados que recebem
um salário mínimo mensal, pertencentes à Cooperativa Sicredi União RS/Unidade da Praça da
Independência, para amortização dos empréstimos consignados concedidos aos associados.
Constata-se que mensalmente, durante o período de três anos, o valor de R$ 1.530.680,50
sairá da região para pagamento e/ou amortização dos empréstimos obtidos pelos pensionistas,
a uma taxa de juros de 2,10% ao mês, que ao longo do período representa 111,3132...%
somente de juros. É necessário ressaltar que os juros cobrados são pagos mensalmente sobre o
saldo devedor.
Quadro 16. Valores anuais dos créditos consignados que são pagos pelos aposentados da
Unidade da Praça da Independência
Prestações
(R$)
Ano
1º ano
2º ano
3º ano
Total
707.587,20
707.587,20
707.587,20
2.122.761,60
Juros cobrados
(R$)
331.218,56
224.615,96
87.819,56
643.654,08
Amortização
(R$)
376.368,64
482.971,24
619.767,64
1.479.107,52
SD
(R$)
2.122.761,60
1.415.174,40
707.587,20
0,00
Fonte: elaboração própria a partir dos dados da pesquisa (2012).
Conforme já mencionado inicialmente, este estudo utilizou a Tabela Price para o
cálculo dos juros. Nesse sentido, os juros são cobrados sobre o saldo devedor de cada período
em que é amortizada a dívida (neste caso, mensalmente). Verifica-se que só no primeiro ano o
total de juros cobrados representa aproximadamente 50% do valor total dos pagamentos das
57
prestações, taxa que representa uma capitalização mensal de juros e uma taxa efetiva no
período de três anos equivalente a 111,31%.
3.2.2 Aposentados com ganho mensal de um e meio salário mínimo
Partindo da mesma análise para os beneficiários que ganham um e meio salário
mínimo mensal, e tomando por base a mesma forma de cálculo do item anterior, tem-se que o
valor do salário mínimo dos beneficiários do INSS é de R$ 933,00 mensais, e que a parcela de
30% representa R$ 279,90. Utilizando a fórmula para seres uniformes de amortização
imediata, tem-se que:
Pv = 279,90 .
(1 + 2,10%) 36 − 1
2,10%(1 + 2,10%) 36
P v = R$ 7.021,08
Onde:
–
PV = valor do financiamento = R$ R$ 7.021,08
–
PMT = o valor das parcelas = 279,90 (30% do valor mensal do beneficio)
–
n = o número de prestações a serem pagas para quitação do saldo devedor do
financiamento
–
i = a taxa unitária de 2,10%.
Ao se observar o cálculo acima percebe-se que se o benefício é de R$ 933,00, a
prestação será de R$ 279,90, em 36 meses, a uma taxa de 2,10%, Neste caso, o cliente
consegue um empréstimo consignado de R$ 7.021,08. Com isso, o beneficiário pagará uma
taxa de juro anual nominal de 43,52% e uma taxa de juro efetiva anual de 111,31%.
Neste empréstimo o cliente pagará o capital emprestado de R$ R$ 7.021,08 e mais um
valor de R$ 3.055,32 de juros no período de 3 anos (36 meses), totalizando R$ 10.076,40.
Os associados aposentados do INSS que pertencem à Unidade da Praça da
Independência e que possuem renda de um e meio salário mínimo por mês representam 30%
do total de aposentados da Unidade. Estes adquiriram crédito consignado (no ano de 2012),
totalizando um montante de 158 financiamentos. Considerando que somente é possível
comprometer 30% da renda mensal e financiando R$ 7.021,08 para cada beneficiário da
amostra, o valor total financiado no período foi de R$ 1.109.330,14, ou seja, este montante
também impactou na economia da região pesquisada.
58
Partindo do mesmo pondo de vista, mas agora tomando por base os valores
pertencentes à Cooperativa Sicredi União RS, percebe-se que esta totalizou no ano de 2012
um montante de 4.922 créditos consignados, o que representou 30% do total dos associados
aposentados do INSS. Sendo que cada um obteve um financiamento no valor de R$ 7.21,08, o
total financiado pela Cooperativa foi de R$ 34.557.740,06, valor que agora circula na
economia da região.
Observando mensalmente o comportamento desses valores na Cooperativa Sicredi
União RS e na Unidade da Praça da Independência, pode-se perceber a seguinte distribuição
de valores recebidos com o pagamento das parcelas.
Quadro 17. Distribuição de valores recebidos com pagamento das parcelas
Classificação
Total de beneficiários
com ganho de 1,5 SM
(consignado)
Valor
financiado
(R$)
4.922
34.557.740,06
918.445,20
158
1.109.330,14
29.482,80
Cooperativa Sicredi
União RS
Unidade da Praça da
Independência
Parcela mensal para
pagamento dos
consignados (R$)
Fonte: elaboração própria a partir dos dados da pesquisa (2012).
Mensalmente, durante o período em que é contraído o crédito consignado, que é de
três anos, o valor de R$ 918.445,20 sairá da região para o pagamento e/ou amortização dos
empréstimos obtidos pelos pensionistas, a uma taxa de juros de 2,10% ao mês. É necessário
ressaltar que os juros cobrados são efetuados mensalmente sobre o saldo devedor. O Quadro
17 apresenta os valores mensais que são pagos pelos aposentados a Cooperativa Sicredi União
RS / Unidade da Praça da Independência para amortização do empréstimo consignado.
Quadro 18. Valores anuais dos créditos consignados pagos pelos associados aposentados do
INSS pertencentes à Cooperativa Sicredi União RS
Ano
1º ano
2º ano
3º ano
Total
Total das
prestações (R$)
Total dos juros
cobrados(R$)
530.690,40
530.690,40
530.690,40
1.592.071,20
248.415,50
168.462,76
65.863,88
482.742,14
Fonte: elaboração própria a partir dos dados da pesquisa (2012).
Total
amortização (R$)
282.274,90
362.227,64
464.826,52
1.109.329,06
SD
(R$)
1.592.071,20
1.061.380,80
530.690,40
0,00
59
Conforme já mencionado na metodologia adotada neste estudo, os juros são cobrados
com base na Tabela Price, ou seja, sobre o saldo devedor de cada período em que é
amortizada a dívida (neste caso, mensalmente). Verifica-se que no primeiro ano os juros
representam quase 50% do valor pago pelos aposentados, pois na Tabela Price, primeiro o
aposentado paga mais de juros e menos do montante financiado. Consequentemente, no
último ano paga quase 90% restante do valor financiado mais os juros finais, ou seja, quase
todo o montante financiado é pago no último ano.
3.2.3 Aposentados com ganho mensal de dois salários mínimos
Adotando a mesma base dos cálculos anteriores, desta vez analisa-se os beneficiários
que ganham dois salários mínimos, ou seja, R$ 1.244,00 mensais. Utilizando a fórmula para
seres uniformes de amortização imediata, tem-se que:
(1 + 2,10%) 36 − 1
Pv = 373,20
2,10%(1 + 2,10%) 36
P v = R$ 9.361,44
Onde:
− PV = valor do financiamento = R$ 9.361,44
− PMT = o valor das parcelas = 373,20 (30% do valor mensal do beneficio)
− n = nº de prestações a serem pagas para quitação do saldo devedor do financiamento
− i = a taxa unitária de 2,10%.
Considerando que 60% do total de aposentados do INSS associados à Unidade da
Praça da Independência contraíram empréstimos consignados no ano de 2012, 10% destes
recebem dois salários mínimos por mês, totalizando um montante de 53 financiamentos.
Como somente é possível comprometer 30% da renda mensal e financiando R$ 9.361,44 cada
beneficiário da amostra, o valor total financiado no período foi de R$ 496.156,09, ou seja,
este montante também foi expressivo para a economia da região pesquisada.
Partindo da mesma análise, mas agora tomando como base os dados da Cooperativa
Sicredi União RS, constatou-se a efetivação de 3.281 empréstimos consignados, totalizando
um montante de R$ 30.714.870,69, valor este que foi disponibilizado para os associados.
60
Observando mensalmente o comportamento desses valores na Cooperativa Sicredi
União RS e na Unidade da Praça da Independência, pode-se perceber a seguinte distribuição
de valores recebidos com o pagamento das parcelas.
Quadro 19. Valores recebidos com pagamento de parcelas pagas pelos associados
aposentados do INSS pertencentes à Cooperativa Sicredi União RS e à Unidade da Praça da
Independência
Classificação
Total beneficiários
com ganho de 2 SM
(consignado)
Cooperativa Sicredi
União RS
Unidade da Praça da
Independência
Valor
financiado
(R$)
Parcela mensal para
pagamento dos
consignados (R$)
3.281
30.714.870,69
612.234,60
53
496.156,09
9.889,80
Fonte: elaboração própria a partir dos dados da pesquisa (2012).
Mensalmente, ao longo de 36 meses (3 anos) será descontada uma parcela do valor
recebido pelos aposentados a fim de amortização dos empréstimos contraídos. O valor mensal
totaliza um montante de R$ 612.234,60 em toda a região da pesquisa. É necessário ressaltar
que os juros cobrados são calculados mensalmente sobre o saldo devedor. O Quadro 20
apresenta os valores mensais que são pagos pelos aposentados à Cooperativa Sicredi União
RS / Unidade da Praça da Independência para amortização dos empréstimos.
Quadro 20. Valores anuais pagos pelos aposentados do INSS, associados da Unidade da Praça
da Independência, que recebem dois salários mínimos por mês referente aos créditos
consignados
Ano
1º ano
2º ano
3º ano
Total
Total das
prestações (R$)
237.355,20
237.355,20
237.355,20
712.065,60
Total dos juros
cobrados (R$)
111.107,08
75.345,86
29.457,93
215.910,87
Total
amortização (R$)
126.248,12
162.009,34
207.897,27
496.154,73
SD
(R$)
712.065,60
474.710,40
237.355,20
0,00
Fonte: elaboração própria a partir dos dados da pesquisa (2012).
A metodologia adotada da Tabela Price mostra que no primeiro ano o total de juros
cobrados representa, aproximadamente, 47% do valor total dos pagamentos das prestações. A
taxa condiz com uma capitalização mensal de juros e uma taxa efetiva no período dos três
anos equivalente a 111,31%.
61
Verificando o valor total dos benefícios consignados e o total dos valores financiados
no ano de 2012, estima-se um montante de R$ 496.154,73 apenas na Unidade da Praça da
Independência. Num prazo de três anos, portanto, deverá sair da economia da região um
montante de R$ 44.080.891,20 (total financiado pela Cooperativa Sicredi União RS) para
quitar estes valores consignados, dos quais R$ 13.366.020,51 serão para pagamento de juros,
ou seja, valores que deixarão de circular na economia da região.
62
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente estudo teve como objetivo realizar uma análise do crédito consignado dos
aposentados e pensionistas do INSS na Cooperativa Sicredi União RS e na Unidade da Praça
da Independência, verificando o grau de comprometimento da sua renda. Para alcançar os
objetivos propostos foi necessário conhecer o contexto em que o tema se insere. Nesse
sentido, cabem algumas observações que foram feitas no decorrer do estudo.
Ao analisar os ensinamentos teórico-econômicos da macroeconomia, constata-se que o
PIB é um dos indicadores utilizados para calcular a atividade econômica de uma região.
Embora não sendo objeto deste estudo sabe-se que a relação entre o PIB e o crédito em 2002
atingiu 22%, vindo a crescer cada vez mais nos próximos anos. Em março de 2012 o PIB
chegou a 49,3%, sendo que o estoque total de crédito atingiu um total de R$ 2 trilhões. É
necessário ressaltar, entretanto, que esta oferta de crédito poderá se tornar um círculo vicioso
para a economia, pois levará os consumidores a uma condição elevada de endividamento,
afetando toda a economia.
A melhoria da qualidade de vida das pessoas é obtida por meio do crescimento
contínuo da renda, ou seja, através do aumento da renda per capita. Na economia, ao se gerar
um volume de produção, gera-se em consequência uma renda correspondente que, por sua
vez, transforma-se em capacidade de compra das pessoas. Para aumentar a capacidade de
compra da economia ou a demanda agregada, esta terá, necessariamente que aumentar a
produção para que haja um aumento da renda. Portanto, aumentando a demanda e tomando
por base estes conceitos, provavelmente os beneficiários que obtiveram seus créditos
consignados, e se não obtiverem outra receita para melhorar sua qualidade de vida, estarão
neste período, necessariamente, reduzindo seu consumo.
63
Conforme teorias econômicas citadas no referencial teórico deste estudo, normalmente
o consumo é visto como uma função do nível de renda. Segundo Kalecki (1983), a propensão
marginal a consumir revela a porcentagem que o indivíduo designa ao consumo. E, ao se
analisar desta forma observa-se que a classe rica direciona uma parte de sua renda para o
consumo e o restante para a poupança, o que já não acontece com a classe pobre que
encaminha quase totalmente sua renda para o consumo, e não consegue fazer uma poupança.
Com as propagandas cada vez mais agressivas e intensas, o consumidor alienado, na
ânsia de consumir e realizar sonhos e desejos, esquece que este tem um custo elevado. Este
fato pode ser comprovado pelos dados apresentados neste estudo, pois praticamente 70% do
consumo direto está atrelado ao crédito e, deste, a maioria é efetuada pelo crédito consignado.
Em contrapartida, ao longo de três anos os pensionistas e aposentados do INSS
associados da Cooperativa Sicredi União RS e da Unidade da Praça da Independência com
crédito consignado estarão quitando seus débitos. Um fator positivo a ser mencionado é que
os percentuais a serem retidos de seus benefícios decrescerão ao longo do período da análise,
consequência da prestação fixa do crédito obtido. Entretanto, apesar desses percentuais
decrescerem a cada ano, mantendo a projeção dos benefícios apresentados, mesmo assim
pode-se verificar que o poder aquisitivo dos tomadores de empréstimos tende a diminuir.
Para os agenciadores deste mercado, que no caso são as instituições financeiras,
principalmente no caso dos aposentados, pode-se confirmar que a inadimplência para quitação
destes valores financiados é praticamente nula.
Um empréstimo pode ser classificado como bom se for destinado para satisfazer uma
necessidade, investir em educação, antecipar objetivos, e quando seu pagamento couber no
orçamento da família. Uma dívida só pode ser feita se houver consciência de sua aplicação,
sabendo escolher o melhor tipo de financiamento, adequando-o às necessidades, tendo em
vista o prazo, as taxas de juros e as tarifas cobradas. É preciso sempre pesquisar a melhor
forma de adquirir uma dívida, podendo ser cheque especial, cartão de crédito, CDC, crédito
consignado ou outros.
Partindo-se então dos dados apresentados neste estudo com relação ao crédito
consignado e conforme objeto de estudo, tem-se que somente no mês de janeiro de 2012
foram contraídos 16.407 empréstimos consignados na Cooperativa Sicredi União, enquanto
que na Unidade da Praça da Independência foram firmados 527 contratos de crédito
consignado, financiados em 36 messes, com parcelas mensais fixas a uma taxa de 2,10% a.m.
64
O Quadro 21 apresenta os valores que deixarão de entrar na economia nos próximos
três anos, tanto para pagamento de juros como da dívida, considerando a Cooperativa de
Crédito União RS, pois esta abrange todas as unidades.
Quadro 21. Valores que deixarão de entrar na economia nos próximos três anos na região
Valores
Total
Total financiado
pela Cooperativa
Sicredi União (R$)
103.670.429,19
Total de juros
pagos (R$)
Valor total pago do
financiamento (R$)
45.113.687,67
148.784.116,86
Fonte: elaboração própria a partir dos dados da pesquisa (2012).
Verifica-se que o montante disponibilizado no mês em estudo com o crédito
consignado para os associados aposentados do INSS da Cooperativa Sicredi União RS é de
R$ 103.670.429,19, cujo valor aquece a economia no consumo. É necessário ressaltar que
estes valores deverão retornar ao financiador em três anos, juntamente com os juros cobrados,
que totalizam R$ 45.113.687,67, e que no final do período somará um valor de R$
148.784.116,86.
Os valores acima apresentados revelam que esta é uma forma que a Cooperativa de
Crédito tem para trabalhar a pulverização do crédito, e para que possa continuar a financiar
estes valores é necessário que consiga agregar um maior número de associados.
É preciso ter clareza quanto à utilização do valor no momento de tomar qualquer tipo
de empréstimo, ou seja, se é para consumo ou para investimento. Se o crédito for utilizado
para investimento, com certeza será bem aplicado e trará retornos futuros, mas se a utilização
do crédito for simplesmente para consumo, para satisfazer desejos materiais, ele acaba se
tornando uma armadilha para o consumidor, pois pode levar tanto à inadimplência como
reduzir o poder aquisitivo do consumidor.
O crédito acaba facilitando as vendas, permitindo que os clientes disponham de bens e
serviços no ato e paguem em parcelas futuras. Assim, um número maior de compradores tem
acesso ao mercado de bens e serviços. Com a utilização do crédito são antecipados sonhos e
projetos pessoais, os quais só poderiam ser realizados no futuro.
A título de reflexão, cabe transcrever uma nota publicada no Correio do Povo, em seu
Caderno Economia (ed. de 26 set. 2005, p. 11), que assim expressou:
65
O grande diferencial do crédito pessoal consignado é que, além de ser um
produto novo, trabalha com uma propaganda maciça, com “atores bem conhecidos”
do consumidor e taxas extremamente atraentes. Soma-se às vantagens a enorme
demanda reprimida de compra de produtos com preços populares, que a população
de classe menos favorecida não tinha como adquirir. Entre escolher pela incidência
de uma taxa de juros na média de 10% nos métodos tradicionais (como cheque
especial, crédito direto ou financiamento no varejo), e uma taxa de 2%, em até 60
vezes, com prestações razoáveis, “o consumidor não tem o que decidir”. “O
comprometimento da renda fica pequeno, a demanda reprimida por bens de
consumo é atendida e o consumidor sente-se incluído”, [...].
Ao encerrar este estudo, percebe-se que nem todos os objetivos determinados
inicialmente foram atingidos, pois a obtenção de algumas informações estava aquém das
possibilidades da acadêmica. Ficam latentes, portanto, no término desta monografia, as
seguintes questões:
1. Os aposentados do INSS associados da Cooperativa Sicredi União RS e da Unidade da
Praça da Independência estão honrando seus compromissos por haverem contraído os
empréstimos consignados e, consequentemente, diminuído seu poder aquisitivo?
2. De que forma os aposentados estão suprindo os valores destinados ao consumo e que
foram comprometidos pelo crédito consignado?
3. Não só a Cooperativa Sicredi União RS possui associados aposentados do INSS, mas
também outras instituições financeiras, os quais igualmente contraem o crédito
consignado. Verificando que os municípios com menor número de habitantes possuem
maiores valores consignados, como estas economias estão se comportando para suprir seu
comércio?
4. Em razão dos altos juros ocorre uma grande perda na economia dos valores monetários
para supri-los. Até quando e como poderão ser minimizadas estas perdas?
Fica aqui o desafio para novos estudos a fim de dar continuidade ao tema e responder
às questões acima elencadas. A compreensão desse dinâmico universo possibilita a tomada de
decisões acertadas que levam ao desenvolvimento econômico de todos os segmentos.
66
REFERÊNCIAS
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68
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VERGARA, Sylvia Constant. Métodos de pesquisa em administração. São Paulo: Atlas,
2002.
69
ANEXOS
70
TOTAL DE ASSOCIADOS POR UNIDADE
Unidade
2
3
4
5
6
7
8
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31
32
34
35
36
37
38
39
40
41
Município
São Pedro do Butiá
Salvador das Missões
Guarani das Missões
São Paulo das Missões
Cerro Largo
Roque Gonzales
Porto Xavier
Santo Angelo
São Borja
São Luiz Gonzaga
Santa Rosa Centro
Dezesseis de Novembro
Candido Godoi
Campina das Missões
Santo Cristo
Tucunduva
São Miguel das Missões
Tuparendi
Eugenio de Castro
Giruá
Vitoria das Missões
Caibaté
Novo Machado
Entre-Ijuís
Catuípe
Santo Antonio das Missões
São Nicolau
Cruzeiro
Bossoroca
Porto Mauá
Senador Salgado Filho
Praça da Independência
Alecrim
Porto Lucena
Bairro Pippi
Bairro do Passo
Associados
1.825
1.639
4.205
2.235
5.392
1.976
2.377
7.177
3.572
5.671
7.387
1.557
3.361
2.564
5.495
2.637
2.989
3.866
1.504
3.353
1.561
2.279
1.885
3.196
2.799
3.574
2.167
3.878
1.726
1.297
1.322
5.862
2.308
2.043
2.974
2.072
71
DADOS DOS MUNICÍPIOS
MUNICÍPIOS
Tucunduva
Santa Rosa
Novo Machado
Tuparendi
Porto Mauá
Giruá
Santo Ângelo
São Pedro do Butiá
Salvador das Missões
Guarani das Missões
São Paulo das Missões
Cerro Largo
Roque Gonzáles
Porto Xavier
São Borja
São Luiz Gonzaga
Dezesseis de Novembro
Cândido Godói
Campina das Missões
Santo Cristo
São Miguel das Missões
Eugênio de Castro
Vitória das Missões
Caibaté
Entre-Ijuís
Catuípe
Santo Antônio das Missões
São Nicolau
Bossoroca
Senador Salgado Filho
Alecrim
Porto Lucena
Bairro Pipi
Bairro do Passo
HABITANTES
5.901
68.595
3.927
8.557
2.544
17.085
76.304
2.873
2.669
8.115
6.367
13.289
7.206
10.560
61.662
34.558
2.866
6.535
6.117
14.378
7.421
2.797
3.485
4.954
8.938
9.323
11.210
5.727
6.887
2.814
7.045
5.421
Santo Angelo
São Borja
72
TOTAL DE ASSOCIADOS APOSENTADOS/PENSIONISTAS DO INSS
POR UNIDADE DE ATENDIMENTO
Unidade
2
3
4
5
6
7
8
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31
32
34
35
36
37
38
39
40
41
Município
São Pedro do Butiá
Salvador das Missões
Guarani das Missões
São Paulo das Missões
Cerro Largo
Roque Gonzales
Porto Xavier
Santo Angelo
São Borja
São Luiz Gonzaga
Santa Rosa Centro
Dezesseis de Novembro
Candido Godoi
Campina das Missões
Santo Cristo
Tucunduva
São Miguel das Missões
Tuparendi
Eugenio de Castro
Giruá
Vitoria das Missões
Caibaté
Novo Machado
Entre-Ijuís
Catuípe
Santo Antonio das Missões
São Nicolau
Cruzeiro
Bossoroca
Porto Mauá
Senador Salgado Filho
Praça da Independência
Alecrim
Porto Lucena
Bairro Pippi
Bairro do Passo
Associado
1.825
1.639
4.205
2.235
5.392
1.976
2.377
7.177
3.572
5.671
7.387
1.557
3.361
2.564
5.495
2.637
2.989
3.866
1.504
3.353
1.561
2.279
1.885
3.196
2.799
3.574
2.167
3.878
1.726
1.297
1.322
5.862
2.308
2.043
2.974
2.072
73
MEMÓRIA DE CÁLCULOS DOS VALORES A SEREM AMORTIZADOS PELA
COOPERATIVA DE CRÉDITOS DA SICREDI UNIÃO RS
1 salário
Parcela 30%
Número de financiamentos
Total de valores financiados
Taxa
Prazo
Prestação
Nº
0
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31
32
33
34
35
36
R$ 622,00
R$ 186,60
11.719
38.395.946.16
2,10%
36 meses
1.530.680,50
Prestação
Juros
Quota amortização
1.530.680,50
1.530.680,50
1.530.680,50
1.530.680,50
1.530.680,50
1.530.680,50
1.530.680,50
1.530.680,50
1.530.680,50
1.530.680,50
1.530.680,50
1.530.680,50
1.530.680,50
1.530.680,50
1.530.680,50
1.530.680,50
1.530.680,50
1.530.680,50
1.530.680,50
1.530.680,50
1.530.680,50
1.530.680,50
1.530.680,50
1.530.680,50
1.530.680,50
1.530.680,50
1.530.680,50
1.530.680,50
1.530.680,50
1.530.680,50
1.530.680,50
1.530.680,50
1.530.680,50
1.530.680,50
1.530.680,50
1.530.680,50
55.104.497,83
806.314,87
791.103,19
775.572,07
759.714,79
743.524,51
726.994,24
710.116,82
692.884,99
675.291,28
657.328,11
638.987,71
620.262,16
601.143,37
581.623,09
561.692,89
541.344,15
520.568,09
499.355,73
477.697,91
455.585,27
433.008,27
409.957,15
386.421,96
362.392,54
337.858,49
312.809,23
287.233,93
261.121,55
234.460,81
207.240,20
179.447,95
151.072,07
122.100,29
92.520,11
62.318,74
31.483,14
16.708.551,67
724.365,63
739.577,30
755.108,43
770.965,70
787.155,98
803.686,26
820.563,67
837.795,51
855.389,21
873.352,39
891.692,79
910.418,34
929.537,12
949.057,40
968.987,61
989.336,35
1.010.112,41
1.031.324,77
1.052.982,59
1.075.095,22
1.097.672,22
1.120.723,34
1.144.258,53
1.168.287,96
1.192.822,01
1.217.871,27
1.243.446,57
1.269.558,94
1.296.219,68
1.323.440,30
1.351.232,54
1.379.608,42
1.408.580,20
1.438.160,39
1.468.361,75
1.499.197,35
38.395.946,16
SD
38.395.946,16
37.671.580,53
36.932.003,23
36.176.894,80
35.405.929,10
34.618.773,11
33.815.086,85
32.994.523,18
32.156.727,67
31.301.338,46
30.427.986,07
29.536.293,28
28.625.874,95
27.696.337,83
26.747.280,43
25.778.292,82
24.788.956,47
23.778.844,06
22.747.519,29
21.694.536,70
20.619.441,48
19.521.769,26
18.401.045,91
17.256.787,38
16.088.499,42
14.895.677,42
13.677.806,15
12.434.359,58
11.164.800,64
9.868.580,95
8.545.140,66
7.193.908,12
5.814.299,69
4.405.719,49
2.967.559,10
1.499.197,35
(0,00)
74
MEMÓRIA DE CÁLCULOS DOS VALORES A SEREM AMORTIZADOS PELA
COOPERATIVA DE CRÉDITOS DA SICREDI UNIÃO RS
1,5 salários
Parcela 30%
Número de financiamentos
Total de valores financiados
Taxa
Prazo
Prestação
Nº
0
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31
32
33
34
35
36
R$ 933,00
R$ 279,90
7.032
34.560.548,49
2,10%
36 meses
1.377.779,76
Prestação
Juros
Quota amortização
1.377.779,76
1.377.779,76
1.377.779,76
1.377.779,76
1.377.779,76
1.377.779,76
1.377.779,76
1.377.779,76
1.377.779,76
1.377.779,76
1.377.779,76
1.377.779,76
1.377.779,76
1.377.779,76
1.377.779,76
1.377.779,76
1.377.779,76
1.377.779,76
1.377.779,76
1.377.779,76
1.377.779,76
1.377.779,76
1.377.779,76
1.377.779,76
1.377.779,76
1.377.779,76
1.377.779,76
1.377.779,76
1.377.779,76
1.377.779,76
1.377.779,76
1.377.779,76
1.377.779,76
1.377.779,76
1.377.779,76
1.377.779,76
49.600.071,36
725.771,52
712.079,35
698.099,64
683.826,35
669.253,33
654.374,28
639.182,76
623.672,23
607.835,97
591.667,15
575.158,78
558.303,74
541.094,75
523.524,36
505.585,00
487.268,91
468.568,18
449.474,74
429.980,33
410.076,54
389.754,77
369.006,25
347.822,01
326.192,89
304.109,57
281.562,50
258.541,93
235.037,94
211.040,36
186.538,83
161.522,77
135.981,38
109.903,61
83.278,21
56.093,68
28.338,27
15.039.522,87
652.008,24
665.700,41
679.680,12
693.953,41
708.526,43
723.405,48
738.597,00
754.107,53
769.943,79
786.112,61
802.620,98
819.476,02
836.685,01
854.255,40
872.194,76
890.510,85
909.211,58
928.305,02
947.799,43
967.703,22
988.024,99
1.008.773,51
1.029.957,75
1.051.586,87
1.073.670,19
1.096.217,26
1.119.237,83
1.142.741,82
1.166.739,40
1.191.240,93
1.216.256,99
1.241.798,38
1.267.876,15
1.294.501,55
1.321.686,08
1.349.441,49
34.560.548,49
SD
34.560.548,49
33.908.540,25
33.242.839,83
32.563.159,71
31.869.206,30
31.160.679,88
30.437.274,39
29.698.677,40
28.944.569,86
28.174.626,07
27.388.513,46
26.585.892,48
25.766.416,46
24.929.731,45
24.075.476,05
23.203.281,29
22.312.770,43
21.403.558,85
20.475.253,83
19.527.454,40
18.559.751,18
17.571.726,20
16.562.952,69
15.532.994,93
14.481.408,07
13.407.737,88
12.311.520,61
11.192.282,78
10.049.540,96
8.882.801,56
7.691.560,64
6.475.303,65
5.233.505,27
3.965.629,12
2.671.127,57
1.349.441,49
(0,00)
75
MEMÓRIA DE CÁLCULOS DOS VALORES A SEREM AMORTIZADOS PELA
COOPERATIVA DE CRÉDITOS DA SICREDI UNIÃO RS
2 salários
Parcela 30%
Número de financiamentos
Total de valores financiados
Taxa
Prazo
Prestação
N
0
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31
32
33
34
35
36
R$ 1.244,00
R$ 373,20
4.687
30.713.934,54
2,10%
36 meses
1.224.431,88
Prestação
Juros
Quota amortização
1.224.431,88
1.224.431,88
1.224.431,88
1.224.431,88
1.224.431,88
1.224.431,88
1.224.431,88
1.224.431,88
1.224.431,88
1.224.431,88
1.224.431,88
1.224.431,88
1.224.431,88
1.224.431,88
1.224.431,88
1.224.431,88
1.224.431,88
1.224.431,88
1.224.431,88
1.224.431,88
1.224.431,88
1.224.431,88
1.224.431,88
1.224.431,88
1.224.431,88
1.224.431,88
1.224.431,88
1.224.431,88
1.224.431,88
1.224.431,88
1.224.431,88
1.224.431,88
1.224.431,88
1.224.431,88
1.224.431,88
1.224.431,88
44.079.547,67
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30.713.934,54
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3.524.251,74
2.373.829,15
1.199.247,68
(0,00)
76
MEMÓRIA DE CÁLCULOS DOS VALORES A SEREM AMORTIZADOS PELA
UNIDADE DA PRAÇA DA INDEPENDÊNCIA DA COOPERATIVA DE CRÉDITOS
DA SICREDI UNIÃO RS
1 salário
Parcela 30%
Número de financiamentos
Total de valores financiados
Taxa
Prazo
Prestação
Nº
0
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31
32
33
34
35
36
R$ 622,00
R$ 186,60
316
1.479.107,52
2,10%
36 meses
58.965,63
Prestação
juros
Quota amortização
58.965,63
58.965,63
58.965,63
58.965,63
58.965,63
58.965,63
58.965,63
58.965,63
58.965,63
58.965,63
58.965,63
58.965,63
58.965,63
58.965,63
58.965,63
58.965,63
58.965,63
58.965,63
58.965,63
58.965,63
58.965,63
58.965,63
58.965,63
58.965,63
58.965,63
58.965,63
58.965,63
58.965,63
58.965,63
58.965,63
58.965,63
58.965,63
58.965,63
58.965,63
58.965,63
58.965,63
2.122.762,56
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30.475,27
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26.013,90
25.321,92
24.615,40
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18.402,11
17.550,28
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30.960,00
31.610,16
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38.912,05
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41.415,35
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47.900,66
48.906,57
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50.982,22
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53.145,95
54.262,02
55.401,52
56.564,95
57.752,82
1.479.107,52
SD
1.479.107,52
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1.422.712,79
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329.180,11
277.127,27
223.981,31
169.719,29
114.317,77
57.752,82
(0,00)
77
MEMÓRIA DE CÁLCULOS DOS VALORES A SEREM AMORTIZADOS PELA
UNIDADE DA PRAÇA DA INDEPENDÊNCIA DA COOPERATIVA DE CRÉDITOS
DA SICREDI UNIÃO RS
1,5 salários
Parcela 30%
Número de financiamentos
Total de valores financiados
Taxa
Prazo
Prestação
Nº
0
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31
32
33
34
35
36
R$ 933,00
R$ 279,90
158
1.109.330,64
2,10%
36 meses
44.224,22
Prestação
Juros
Quota amortização
44.224,22
44.224,22
44.224,22
44.224,22
44.224,22
44.224,22
44.224,22
44.224,22
44.224,22
44.224,22
44.224,22
44.224,22
44.224,22
44.224,22
44.224,22
44.224,22
44.224,22
44.224,22
44.224,22
44.224,22
44.224,22
44.224,22
44.224,22
44.224,22
44.224,22
44.224,22
44.224,22
44.224,22
44.224,22
44.224,22
44.224,22
44.224,22
44.224,22
44.224,22
44.224,22
44.224,22
1.592.071,92
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SD
1.109.330,64
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127.289,47
85.738,33
43.314,61
(0,00)
78
MEMÓRIA DE CÁLCULOS DOS VALORES A SEREM AMORTIZADOS PELA
UNIDADE DA PRAÇA DA INDEPENDÊNCIA DA COOPERATIVA DE CRÉDITOS
DA SICREDI UNIÃO RS
2 salários
Parcela 30%
Número de financiamentos
Total de valores financiados
Taxa
Prazo
Prestação
Nº
0
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31
32
33
34
35
36
R$ 1.244,00
R$ 373,20
53
496.156,32
2,10%
36 meses
19,779,61
Prestação
Juros
Quota amortização
19.779,61
19.779,61
19.779,61
19.779,61
19.779,61
19.779,61
19.779,61
19.779,61
19.779,61
19.779,61
19.779,61
19.779,61
19.779,61
19.779,61
19.779,61
19.779,61
19.779,61
19.779,61
19.779,61
19.779,61
19.779,61
19.779,61
19.779,61
19.779,61
19.779,61
19.779,61
19.779,61
19.779,61
19.779,61
19.779,61
19.779,61
19.779,61
19.779,61
19.779,61
19.779,61
19.779,61
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10.222,72
10.022,02
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6.726,83
6.452,73
6.172,86
5.887,12
5.595,38
5.297,51
4.993,38
4.682,87
4.365,84
4.042,15
3.711,67
3.374,24
3.029,73
2.677,98
2.318,84
1.952,17
1.577,79
1.195,55
805,29
406,83
215.909,60
9.360,33
9.556,89
9.757,59
9.962,50
10.171,71
10.385,32
10.603,41
10.826,08
11.053,43
11.285,55
11.522,54
11.764,52
12.011,57
12.263,82
12.521,36
12.784,30
13.052,78
13.326,88
13.606,75
13.892,49
14.184,23
14.482,10
14.786,23
15.096,74
15.413,77
15.737,46
16.067,94
16.405,37
16.749,88
17.101,63
17.460,76
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18.201,82
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Tamara Tusset - Biblioteca Digital da UNIJUÍ