Recebido até Agosto/2011, aprovado até Setembro/2001.
Vinculada ao Curso de Letras: Licenciatura e Bacharelado e ao Programa de Mestrado em Letras
Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul
Unidade Universitária de Campo Grande – MS
METAPLASMOS: A “EVOLUÇÃO ATRAVÉS DOS TEMPOS”12
Jenniffer Kaiolany Garcia Martins Santos
(UEMS/UNA)
Resumo: A língua portuguesa é o resultado das constantes transformações fonéticas que vem passando a
partir do latim vulgar. A língua é tida como um veículo lingüístico de comunicação, de informação e de
expressão entre os falantes, usada em situações naturais de interação social. Contudo, a língua apresenta um
alto grau de diversidade e variabilidade, pois toda língua do mundo apresenta um fenômeno chamado
“variação”, isto é, nenhuma língua é falada do mesmo modo pelos falantes em todos os lugares. A fala, por
conseguinte, constitui-se um elemento modificador para as variações na língua, encontrando-se embasada em
traços diferenciais, tais como: regionalidade, contexto sócioeconômico e político. Com essa maneira coloquial
e, muitas vezes, espontânea, a fala manifesta-se por meio dos indivíduos que, muitas vezes, são “taxados”
linguisticamente como “ignorantes” quando usam essas formas. As várias “oscilações” apresentadas na grafia
dos informantes é uma característica demonstrada na fala espontânea arraigada no sistema da escrita.
Palavras-chave: evolução; fala; escrita.
Introdução
A origem da linguagem é uma das questões que mais tem preocupado o espírito
humano. Desde a remota antiguidade, ela vem sendo discutida pelos sábios, não chegando
até o momento a um acordo. Justifica-se esse empenho devido ao importante papel que a
linguagem exerce em todas as manifestações da vida humana.
O instinto de sociabilidade, mais imperioso na espécie humana que nos outros
animais, não encontraria expressão adequada, ou mesmo se anularia, se não existisse a
linguagem. Com efeito, a existência em comum do uso da língua supõe a fixação de umas
tantas normas ou regras obrigando cada pessoa a respeitar, conforme o embate dos
interesses antagônicos, para que não prejudique a boa comunicação ocorrente no seio da
coletividade humana.
1
Trabalho orientado pelo Prof. Dr. Marlon Leal Rodrigues, Letras Nova Andradina, 2009.
Agradeço ao Prof. Dr. Miguel Eugénio de Almeida pela revisão e sugestões, no entanto as posições aqui
assumidas são de minha responsabilidade.
2
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A linguagem não se restringe tão somente ao ato de transmitir informações, entre
tantas outras, mas principalmente tem a função de comunicar ao ouvinte à posição que o
falante ocupa na sociedade em que vive.
Contudo, se as produções linguísticas são introduzidas em um campo linguístico
não adequado ao contexto social, permitindo a um reduzido número de indivíduos uma
comunicação satisfatória.
Como afirma Gnerre (1991), a linguagem constitui o arame farpado mais poderoso
para bloquear o acesso ao poder.
As variedades linguísticas, quando num contexto externo, determinam poder
comunicação e são assim firmadas pelo seu grau de associação com a escrita, pelos seus
usos. Quando há associação entre uma dada variedade linguística oral com a escrita,
verificamos o resultado histórico indireto de oposições entre grupos usuários das diferentes
variedades.
O uso do código linguístico da variante de prestígio é um forte fator de
desigualdade para muitos falantes, pois muitos desses falantes não têm acesso, ou têm
domínio precário desse código; justificando, então, a discriminação que sofrem pelo seu
“jeito” de falar. Alguns colocam as diferenças dialetais existentes no Brasil sendo
responsáveis por alguns níveis sociais, especialmente os mais altos, tendendo a
hipercorreção do esforço para alcançarem à norma reconhecida pelo poder político
dominante.
Por conseguinte, o intuito deste estudo é verificar por meio dos metaplasmos, as
transformações sofridas pela língua portuguesa desde a origem latina perdurando
atualmente na fala espontânea com as variantes ocorrentes.
As ocorrências são oriundas de um questionário sociolingüístico, aplicado aos
discentes do 8o ano do ensino fundamental de ensino público.
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O objeto, para a análise desta pesquisa, é as variações fonéticas3 ocorrentes entre
as formas orais para com as formas escritas, compreendendo o vocabulário de discentes do
oitavo ano do ensino fundamental de ensino público.
O objetivo geral desta pesquisa é analisar as diferentes formas fonéticas ocorrentes
na atualidade utilizadas pelos alunos do oitavo ano do ensino fundamental.
Uma das suposições vigentes – o apreender a falar vem antes mesmo do aprender a
escrever -; pois cada falante é agente modificador de sua língua, conforme as situações que
nos deparamos, gerando assim “neologismos” na norma culta da língua.
Como defendeu José de Alencar (apud Gnerre, 1991), em seus escritos, implícita e
explicitamente, a idéia de língua “brasileira”, movido por uma perspectiva nativista, a
língua “brasileira” deveria se adequar à “simplicidade” de pensamento e da expressão do
índio e do sertanejo.
É bem possível que o português, evoluído do latim vulgar, continua apresentando
essas falas espontâneas, vistas como formas erradas, passando com o tempo a incoporá-las.
Seguindo o método para a realização desta pesquisa, elaboramos um questionário
com dezesseis perguntas direcionadas aos alunos do oitavo ano do ensino médio. O tempo
estimado para a resolução destas perguntas foi de aproximadamente vinte minutos. Diante
das respostas, analisamos cada uma delas, ou seja, observamos as variações que ocorreram
na escrita, mediante a confrontação com a norma padrão, considerando o respondido por
cada discente.
As respostas obtidas foram separadas em tabelas, atendendo-se aos elementos do
gênero e faixa etária.
Pois, como Lopes (1987), observa-se às vezes, nas pessoas alfabetizadas, uma
tendência pronunciada para superestimar o papel desempenhado pela escrita em nosso tipo
de cultura.
3
Esta expressão é mais adequada, em se tratando das formas fonéticas atuais.
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Já quanto à faixa etária, foi evidente naqueles com maior idade, um melhor
desempenho na resolução das questões, não sendo tão relevante devido às mudanças
ocorridas.
Foi preciso elaborar um questionário sociolingüístico das diferenças dialetais
(gênero e faixa etária), com perguntas direcionadas. O mesmo foi aplicado para os
discentes e, depois a partir das respostas obtidas, foram feitas as tabulações, selecionando
as respostas que sofreram maiores variações para só assim ser realizada a análise.
Breve história do objeto de pesquisa
Servindo de instrumento diário de comunicação entre os indivíduos de uma nação,
a língua portuguesa remontando no passado as suas origens, ao seu período de formação,
explica-nos as transformações por que essa mesma língua passaram, na sua evolução
através do espaço e do tempo.
Essas transformações não se deram por acaso, não foram produzidas pela moda ou
capricho, mas obedeceram às tendências naturais, aos hábitos fonéticos espontâneos. A
constância e a regularidade, que se observam em tais transformações, permitiram ao
gramático formular-lhes os princípios e as leis.
Modificações do latim vulgar transportado pelos legionários romanos para a
Península Ibérica, e aí transformado e grandemente enriquecido no seu léxico, o português
é uma língua novilatina que possui documentos literários apreciáveis, por meio dos quais é
possível retomar as várias fases da sua evolução.
Por sua vez, a linguagem é o conjunto de sinais que a humanidade
intencionalmente se serve para comunicar as suas idéias e pensamentos. Onde quer que ela
se encontre, em estado selvagem ou civilizado, revela sempre o conhecimento de um
sistema especial de sinais articulados. Pode-se dizer também que os animais possuem sinais
fônicos muito desenvolvidos, permitindo assim a comunicação entre os animais, contudo
esta linguagem não é um produto cultural como enfatiza Lopes (...), esta linguagem é senão
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uma componente da organização físico-biológica dos animais, ou seja, herdada com a
programação genética da espécie. Já a linguagem humana, por sua vez, não é herdada, o
homem aprende a sua língua. Portanto só a linguagem humana expressa sentidos diferentes
de acordo com diferentes experiências e situações.
Embora estejamos inseridos em uma sociedade que se vale do mesmo código
como meio de comunicação, a língua falada está sujeita às variações. O que acontece é que
em toda língua do mundo existe um fenômeno chamado variação, isto é, nenhuma língua é
falada do mesmo jeito em todos os lugares. A estas variações regionais a que a língua esta
sujeita, são designados como dialetos.
Ao passo que não se deve admitir a falsa idéia de que o dialeto seja a corrupção de
uma língua. O povo, quando modifica o idioma, obedecendo às suas tendências naturais,
não o corrompe. A língua, como tudo na natureza, está sujeita às transformações
inevitáveis.
A língua falada é, portanto como conclui Tarallo (1997), um sistema variável de
regras, e a esse sistema devem corresponder tentativas de regularização, de normatização.
Como grande estandarte desta regularização surge a língua escrita.
Já na Idade Média, a associação entre a variedade lingüística e a escrita foi uma
operação que respondeu às exigências políticas e culturais. Inicialmente passou-se por um
processo de adequação lexical e sintático, tendo como modelo o latim. A segunda etapa foi
no processo de fixação de uma norma constituída pela associação da variedade já
estabelecida como língua escrita com a tradição gramatical. Contudo, como advertia
Saussure (apud Lopes, 1986) a única razão de ser da escrita é o seu caráter de representante
da fala. Considera-se, portanto, que a distância entre a língua codificada na gramática da
variante de prestígio e a realidade da variação em geral, por meio desta pesquisa
comprovando que os falantes usuários de uma mesma língua tentam reproduzir no sistema
da escrita o sistema da fala.
1. Pressupostos teóricos
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De todos os códigos utilizados pelo homem para expressar suas impressões, para
representar coisas, seres, idéias, sem dúvida alguma, o mais importante é a língua, sistema
de representação constituído por palavras e por regras que as combinam em unidades
portadoras de sentido, comum a todos os membros de uma determinada sociedade. Isso
significa que a língua pertence a toda uma comunidade, como é o caso da língua
portuguesa.
Os falantes de uma língua adquirem naturalmente e gradativamente o
conhecimento necessário para usá-la, em se pensando em uma criança, por exemplo, que
em contato diário com a comunidade falante, começa a emitir palavras soltas, depois
pequenas frases, até montar sentenças mais elaboradas.
O uso que cada indivíduo faz da língua depende de várias circunstâncias: do que
vai ser falado e de que forma, do contexto, do nível social e cultural de quem fala e para
quem se está falando.
Portanto, o falante vale-se de um sistema de regras, convencionado e instituído
antes mesmo dele nascer, que pode e deve ser adaptado às suas necessidades de
comunicação, sem menosprezar a criatividade e sem esquecer a intencionalidade.
1.1
Leis Fonéticas
Como discorre Coutinho (1976), as Leis Fonéticas são princípios constantes do
uso de fonemas que presidem a evolução dos vocábulos. Observando-se as modificações
das palavras, verifica-se, sem dificuldade, que os fonemas se alteram do mesmo modo,
sempre que se acham em idêntico meio e circunstância. Daí o caráter de constância e
inflexibilidade das leis fonéticas. Os antigos gramáticos sustentavam opinião contrária. Para
eles, não passavam elas de tendências mais ou menos pronunciadas, pelas quais se podiam
explicar uns tantos fatos; ao passo que outros, por eles chamados exceções, ficavam
irremissivelmente sem explicação.
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Coube aos neogramáticos a tarefa de sustentar o seguinte: o conceito de que as leis
fonéticas são princípios absolutos em que o rigor científico pode ser facilmente observado.
Só a partir dessa época, pode a Lingüística pretender ao título de ciência, enfileirando-se,
pela segurança dos seus processos, ao lado das demais ciências. A transmissão da
linguagem não é representada por um todo, pois não se pode reproduzir senão o que se
ouve, sendo assim por sua descontinuidade natural, a transmissão da linguagem dá lugar a
modificações. Estas modificações provêm dos meios precários que nos levam ao
conhecimento de um idioma: a imperfeição das imagens auditivas e a incapacidade de
reproduzir com fidelidade, os sons ouvidos. Bem ao contrário ao que se pode pensar, as
modificações são coletivas, levando-se em conta um dado lugar e época, nas mesmas
condições sociais, climáticas e biológicas, podendo manifestar-se de três formas:
- Inconscientes. As modificações que se observam nos vocábulos de uma língua são alheias
à vontade do povo. Falamos segundo as tendências próprias da época em que vivemos.
Essas tendências podem variar o que explica a diversidade de tratamento às vezes dado aos
vocábulos de uma língua, no curso de sua história.
- Graduais. A evolução das palavras se processa segundo a lei natural: Natura non fácil
saltus. Não raro se forma idéia errônea da evolução dos vocábulos, quando se cotejam
formas latinas com as atuais portuguesas, que daquelas se originaram. Faz-se mister, antes
de mais nada, restabelecer todos os elos da cadeia evolutiva, com a citação das formas
intermediárias, para que se veja como se processou gradativamente essa evolução.
- Constantes. Foram os neogramáticos que assinaram este caráter de constância as leis
fonéticas. Da regularização das transformações é que se tornou possível a generalização de
leis. Sempre que um fonema se encontre em determinada circunstância, ele deve modificarse do mesmo modo.
Três são as leis fonéticas que presidiram a evolução das palavras portuguesas:
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- Lei do Menor Esforço ou da economia fisiológica. É uma lei universal, cujo domínio se
estende a todos os ramos da atividade humana. Caracteriza-se pela simplificação dos
processos, empregados pelo homem, na realização de sua obra.
Como lei fonética, ela exerce no sentido de tornar mais fácil aos órgãos fonadores
à articulação das palavras.
As modificações e quedas de fonemas deram-se em obediência a esta lei.
Pode-se dizer que a lei do menor esforço visa à eufonia e ao ritmo.
- Lei da Permanência da Consoante Inicial. A evolução das consoantes depende da posição
que elas ocupam na palavra. Enquanto as mediais e finais estão sujeitas as frequentes
sonorizações ou quedas, as iniciais passam integralmente ao português, com raras exceções.
Para esta permanência, deve ter concorrido o acento de intensidade no antigo
latim, que punha em evidência a sílaba inicial da palavra. Também se poderá explicar este
fato naturalmente, pela atenção especial que nos merece o início da palavra, suficiente às
vezes para determinar o seu sentido exato, antes mesmo que ela nos seja transmitida
integralmente.
- Lei da Persistência da Tônica. No meio das transformações e quedas de fonemas, foi o
acento tônico que guardou a unidade da palavra, ameaçada de perecer. Obrigando este
acento a uma pausa mais demorada da voz na sílaba sobre que incidia, evidente se torna
que esta devia resistir.
Em oposição a esta lei, dos quais alguns remontam ao latim vulgar, temos as
Causas Fonéticas, Morfológicas e Analógicas.
- Causas Fonéticas. A deslocação de acento tônico, que se observa em português, dá-se:
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a) em palavras latinas, em que aparece i ou e tônico em hiato, ou seja, seguido de outra
vogal. O latim vulgar, na sua tendência para evitar o hiato, deslocou o acento tônico para a
última vogal, reduzindo-as freqüentemente por crase a uma só, que era a última.
Latim clássico
Latim vulgar
Português
mulíere
-
muliére
>
mulher
lintéolu
-
linteólu
>
lençol
b) nos polissílabos, em que no latim havia vogal em “positio debilis”. Diz-se vogal em
“posição débil” a que era seguida de grupo consonantal, formado de muta (p, b, t, d, c, g) e
liquida (l, r). A sílaba em que figurava receber o acento, segundo as necessidades do verso.
Na prosa, porém, era átona. O latim vulgar tornou-a tônica. O português conservou a
acentuação do latim vulgar.
Latim clássico
Latim vulgar
Português
íntegru
-
intégru
>
inteiro
cáthedra
-
cathédra
>
cadeira
c) em vocábulos que deviam terminar, de acordo com a etimologia, em â tônico final
fechado, se a língua portuguesa os tolerasse. Neste caso, estão quinta, campa e venta. No
período arcaico, soavam respectivamente quintãa, campãa e ventãa. A sua origem é o latim
quintana, campana e ventana.
- Causas Morfológicas. No latim vulgar, operava-se a transposição do acento tônico para o
segundo elemento, quando a palavra era composta e havia consciência da composição.
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Explica-se isso pelo fato de encerrar o segundo elemento a idéia principal. O português
conservou a acentuação do latim vulgar.
Latim clássico
Latim vulgar
Português
óbligo (ob+ligo)
-
oblígo
>
obrigo
implico (in+plico)
-
implíco
>
emprego
Essa consciência era às vezes tão nítida que levava o povo a recompor o vocábulo
em seus elementos mórficos: perfácit por pérficit > perfaz, requarit por requirit > requer;
ou a preservá-lo de maiores alterações: retenere por retinere > reter, recipére por recipere
> receber, em que se na operou a transformação do -t- nem do -c- intervocálicos.
Permanecia, porém, a acentuação clássica, quando não tinha o povo romano consciência da
composição:
Latim clássico
cómedo (cum+edo)
Latim vulgar
-
cómputo (com+puto) -
Português
cómedo
>
como
cómputo
>
conto
- Causas Analógicas. A ação que umas palavras exercem sobre as outras é causa de que se
encontre, às vezes, discordância entre a acentuação latina e a portuguesa. É assim que:
a) os nomes judice, varice e cytisu, proparoxítonos no latim clássico, tornaram-se, por
influência da terminação -ice os dois primeiros e por analogia com cupressu o último,
paroxítonos no latim vulgar e, conseqüentemente, em português:
Latim clássico
Latim vulgar
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Português
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júdice
-
judíce
>
juiz
várice
-
varíce
>
variz
cýtisu
-
cutessu
>
codesso
b) muitas palavras, em vez da acentuação latina, tomaram entre nós a grega:
Latim
Grego
Português
órgia
orgía
orgia
astrologia
astrología
astrologia
c) os verbos da terceira conjugação clássica latina (-ềre) identificaram-se por analogia com
os da segunda (-ềre) no latim vulgar da Península.
Latim clássico
Latim vulgar
Português
dícere
-
dicére
>
dizer
sápere
-
sapére
>
saber
cápere
-
capére
>
caber
fácere
-
facére
>
fazer
Ainda por analogia, alguns verbos da segunda (-ềre) passaram à quarta (-ire), no
latim vulgar. Para isto, deve ter influído a semelhança fonética entre a terminação da 1a
pessoa do presente do indicativo -eo da 2a e -io da 4a conjugação.
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Latim vulgar
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ridére
-
ridire
>
rir
complére
-
complire
>
cumprir
d) na 1a e 2a pessoa do plural do imperfeito, mais-que-perfeito do indicativo e imperfeito do
subjuntivo, houve deslocação, por influência da acentuação das três pessoas do singular.
INDICATIVO
Imperfeito
INDICATIVO
SUBJUNTIVO
Mais-que-perfeito
Imperfeito
Amábam > amava
lé(g)eram > lera
Puni(ví)ssem >punisse
Amábas > amavas
lé(g)eras > leras
Puni(ví)sses > punisses
Amábat > amava
lé(g)erat > lera
Puni(ví)sset >punisse
Amabámus > amávamos
le(g)erámus > lêramos
Puni(vi)ssémus>puníssemos
Amábalis > amáveis
Le(g)erátis > lêreis
Puni(vi)ssétis >punísseis
1.2- Metaplasmos
Na língua portuguesa, desde a origem latina tem ocorrido transformações fonéticas
e ainda hoje perduram na fala espontânea.
A Lingüística Histórica chama essas transformações de Metaplasmos.
Para Coutinho (1976), os metaplasmos são modificações fonéticas que sofrem as palavras
na sua evolução.
Os fonemas constituem o material sonoro da língua. Este material está como tudo
o mais, sujeito à lei fatal das transformações.
Cada geração altera inconscientemente, segundo as suas tendências, as palavras da língua,
alterações essas que se tornam perfeitamente sensíveis, só depois de decorrido muito
tempo.
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De quatro formas estas modificações se manifestam, motivadas pela troca,
acréscimo, supressão e ainda por transposição dos fonemas ou acento tônico. Sendo assim
segundo (Coutinho, 1976), os metaplasmos se dividem em:
a) metaplasmos por permuta;
b) metaplasmos por aumento;
c) metaplasmos por subtração;
d) metaplasmos por subtração.
- Metaplasmos por permuta são os que consistem na substituição ou troca de um fonema
pelo outro. Pertencem a esta classe:
1) Sonorização: é a permuta de um fonema surdo por um sonoro com mesmo ponto de
articulação. Os fonemas latinos p, t, c e f, quando mediais, sonorizam-se em português b, d,
g e v. Exs: lupu > lobo, cito > cedo, acutu > agudo, profectu > proveito.
2) Vocalização: consiste na conversão de uma consoante que se transforma em vogal.
Vocaliza-se em i ou u a primeira consoante dos grupos ct, lt, pt, lc, lp, bs e gn. Exs: factu >
feito, alteru > outro, absentia > ausência, regnu > reino.
3) Consonantização: vogal que se transforma em consoante, dão-se com as semivogais i e
u, que passam respectivamente a j e v. Exs: iam > já, ieiunu > jejum, uagare > vagar.
4) Assimilação: é a aproximação ou dois fonemas idênticos, resultante da influência que
ambos exercem sobre o outro. A assimilação pode ser vocálica e consonantal, total e
parcial, progressiva e regressiva.
- É vocálica, quando o fonema que se assimila é uma vogal. Ex: caente (arc.) ( <calente) >
queente (arc.) (>quente).
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- É consonantal, quando o fonema assimilado é uma consoante. Ex: ipse > isse (>esse).
- Diz-se total, quando se identifica o fonema assimilado com o assimilador. Ex: per+lo >
pello (>pelo).
- É parcial, quando, havendo semelhança entre o fonema assimilado e o assimilador, não
existe completa identidade. Ex: com(i)te > conde, auru > ouro.
- A progressiva é aquela em que o fonema assimilador está em primeiro lugar. Ex:
amaramlo > amaram-no. - A regressiva é aquela em que o fonema assimilador está
depois. Ex: ersa > essa, reversu > revesso.
- Há também assimilação, por influência de uma consoante sobre a vogal. Ex: fame >
fome, cognatu > cunhado.
5) Dissimilação: é a diversificação ou queda de um fonema por já existir fonema igual ou
semelhante na palavra. Ex: calamellu > caramelo, aratru > arado. A dissimilação pode
também ser:
- Vocálica, quando o fonema que se dissimila é uma vogal. Ex: tosoira (<tonsoria) >
tesoira, temoroso > temeroso.
- Consonantal, quando o fonema que se dissimila é uma consoante. Ex: raru > ralo, rastru
> rasto.
- Progressiva, quando o fonema que se dissimila se acha depois do dissimilador. Ex: prora
> proa, rutru > rodo, rostru > rosto.
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- Regressiva, quando se verifica o contrário. Ex: mel(i)mellu > marmelo.
6) Nasalação ou nasalização é a conversão de um fonema oral em nasal. Ex: mae (arc.)
(<matre) > mãe. Neste caso a nasalação se dá pela nasal anterior. Em sim <si (c) decorre
da influência de non (arc.).
7) Desnasalação ou desnasalização é o contrário da nasalação. O fonema antes nasal perde
a nasalidade, tornando-se oral. Ex: bõa (arc.) (<bona)> boa.
8) Apofonia ou deflexão é a modificação que sofre a vogal da sílaba inicial de uma
palavra, quando se lhe ajunta um prefixo. Ex: per+factu > perfectu (> perfeito).
9) Metafonia é a modificação de som, ou mais propriamente de timbre de uma vogal,
resultante da influência que sobre ela exerce sobre a vogal ou semivogal. Ex: debita >
dívida.
- Metaplasmos por aumento são os que adicionam fonemas à palavra. São desta classe:
1) Prótese ou próstese é o aumento de som no começo do vocábulo. Ex: stare > estar. A
prótese remonta ao latim vulgar, onde encontramos formas como istare, ispiritus. No
português arcaico ocorrem muitos casos de prótese como acredor, arruído. Em português
muitas vezes ela provém da aglutinação do artigo, como mora > amora.
2) Epêntese é o acréscimo de fonema no interior da palavra. Ex: área (<arena) > areia.
3) Anaptixe ou suarabácti é a epêntese especial que consiste em desfazer um grupo de
consoante pela intercalação de uma vogal. Ex: bratta (<blatta) > barata.
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4) Paragoge ou epítese é a adição de fonema no fim do vocábulo. Ex: ante > antes. Este -s
se explica por analogia com o de depois. Do mesmo modo se explica a sua existência nos
advérbios algures, alhures, nenhures, somentes. São formas dialetais portuguesas mare,
alguidare, sole, animale.
Nos empréstimos modernos, acrescenta-se -e quando terminados em consoante
que não se use como final de palavra portuguesa: chique (chic), clube (club).
- Metaplasmos por subtração são os que tiram ou diminuem fonemas à palavra.Fazem parte
desta classe:
1) Aférese é a queda de fonema no início da palavra. Ex: attonitu > tonto, episcopu >
bispo, inamorare > namorar.
2) Síncope é a subtração de fonema no interior do vocábulo. Ex: malu > mau, mediu >
meio.
3) Haplologia é a síncope especial que consiste na queda de uma sílaba medial, por haver
outra idêntica ou quase idêntica na mesma palavra. Ex: perdeda (< perdita) > perda.
4) Apócope é a queda de fonema no fim do vocábulo. Ex: amat > ama, amare > amar.
5) Crase é a fusão de dois sons vocálicos contíguos. Ex: pee (arc.) (<pede) > pé. Só há
modernamente crase, em português, quando concorrem a preposição a e os demonstrativos
aquele, aquela, aquilo, aqueles, aquelas, ou a mencionada preposição e o artigo feminino
a.
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6) Sinalefa ou elisão é a queda da vogal final de uma palavra, quando a seguinte começa
por vogal. Ex: de+intro > dentro, de+ex+de > desde.
- Metaplasmos por transposição são os que consistem na deslocação de fonema ou de
acento tônico da palavra. A esta transposição de um fonema toma o nome de metátese.
Metátese é a transposição de fonema que se pode verificar na mesma sílaba ou entre
sílabas. Ex: ravia (arc.) > raiva, pigritia > pregriça (arc.) > preguiça.
- A transposição de acento tônico toma o nome especial de Hiiperbibasmo, a este
compreende:
1) Sístole é a transposição de acento tônico de uma sílaba para a anterior. Ex: amassémus
por amavissémus > amássemos, éramus > éramos.
2) Diástole é a deslocação de acento tônico de uma sílaba para a posterior. Ex: océanu >
oceano, júdice > juiz, muliére > mulher.
1.3- Analogia
Ainda segundo Coutinho (1976), analogia é o princípio pelo qual a linguagem
tende a uniformizar-se, reduzindo as formas irregulares e menos freqüentes a outras
regulares e freqüentes.
Encarada, porém, à luz de outro critério, constitui um recurso ordinário de
simplificação, porque torna idênticos os casos discordantes. Foram os neogramáticos que
chamaram a atenção para ela e lhe assinalaram os efeitos decisivos nas transformações da
linguagem. Os casos decorrentes de analogia podem ser considerados verdadeiras criações.
A forma analógica não motiva logo o desaparecimento da originária. Vive uma a par da
outra durante algum tempo, e nem sempre é a analógica que consegue triunfar.
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Resulta assim a analogia da influência de um vocábulo sobre o outro,
determinando igualdade ou aproximação.
A ação da analogia se exerce nos diferentes domínios da língua. Daí as suas
conseqüências se fazerem sentir na fonética, na morfologia, na sintaxe e na semântica.
- Na fonética, a palavra tomada isoladamente é um conjunto material de fonemas ou
sílabas, a que se atribui determinado sentido. Mas ela também pode fazer parte de um
grupo, pertencer a um sistema (flexão, derivação, etc.). Quando esses fonemas ou sílabas
são atingidos pela ação da analogia, sem que sejam afetadas as formas do sistema, é óbvio
que se trata de analogia fonética.
O nosso espírito associa, não raro, palavras que na origem são distintas. Para isso
basta que uma possa de algum modo evocar a outra, o que acontece quando ele descobre
certas relações entre elas, principalmente de afinidade ou oposição semântica. O resultado é
que a menos familiar ou menos radicada na língua sofre a influência da outra, que lhe
determina modificações materiais, inexplicáveis pelas leis fonéticas conhecidas. Cada
agrupamento humano pronuncia as palavras estranhas ao seu léxico de conformidade com
os hábitos fonéticos da própria língua.
Até na grafia das palavras se sentem os efeitos da analogia. É que as pessoas
menos entendidas, em matéria de etimologia, freqüentemente se equivocam, aproximando
graficamente vocábulos cuja origem é inteiramente diversa.
Ainda na fonética, é a analogia que causa a deslocação do acento tônico de muitas palavras.
O cruzamento pode ser considerado também como um caso de analogia fonética.
O nosso espírito associa, às vezes, duas palavras semelhantes na significação ou pronúncia,
surgindo dessa associação um terceiro vocábulo, com elementos fonéticos de ambos.
- Na morfologia, pode-se dizer de um modo geral, que a analogia é base de toda a
morfologia: no substantivo - como gênero masculino e feminino; no número - como plural
dos nomes e grau, contudo, são através dos verbos que melhor podemos apreciar a ação da
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analogia, devido a vasta forma de flexões que caracteriza esta classe de palavras. Desde o
latim, se nos deparam freqüentemente criações analógicas nas formas verbais. Assim, os
verbos da 3a conjugação passaram todos para a 2a, por analogia, no latim vulgar da
Península Ibérica.
- Na sintaxe, é na regência que ocorrem os casos mais comuns de analogia sintática, ou
seja, nada mais é que usar duas construções equivalentes, onde acaba por fundi-las numa
só.
- Na semântica, o emprego de um vocábulo, em sentido figurado, é u, recurso natural, de
que se serve geralmente o povo para exprimir, com mais energia e rapidez, as suas idéias.
Evita-se assim, por este processo, dificuldades de expressão e, ao mesmo tempo, põe em
relevo a idéia que pretende transmitir.
A analogia, em semântica, constitui o emprego de palavra ou expressão em sentido
figurado, conhecido por metáfora.
2. Análise.
O intuito desta análise é verificar que, ao longo do tempo, a língua vem sofrendo
constantes evoluções; a fala, por sua vez, constitui elemento fundamental para que haja tais
“adequações” a cultura e a todo um contexto social de determinada comunidade.
O falante enquanto usuário de uma língua transporta por muitas vezes
inconscientemente os falares espontâneos, ao momento da escrita.
Porém quando as realizações dos falantes são colididas com a “normatização”
solidamente organizadas tem se a nítida noção de “oscilação”, ou seja, em outros termos, há
então o que se chama erro.
Visto que essas formas “taxadas” como erros, ocorrem independentemente de
sexo, idade, grau de escolaridade.
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A análise por sua vez consistiu na seleção das questões cujas respostas sofreram
maior variação, de acordo com a norma padrão.
2.1 Quadro: a tabela que segue tem por base as questões cujas respostas sofreram maiores
variações.
Questão
Norma
Variações
01
Botijão/ Bujão
Bojão/ Butijão/ Butisão/ Dutijão/ Boutigão/ Butizão/
Butjão/ Bojão/ Boutijão
02
Dezesseis
Dezeseis/ Desesseis/ Deseseis/ Dezeceis/ Deze ceis/ Dizeseis/ Dezessiis/ Deseceis
08
Óleo
Oleó/ Oléo/ Oleo
09
Fósforo
10
Advogado
13
Xícara
Chicara/ Xicara/ Chicra/ Chícara/ Chicará/ Chicàra
14
Piscina
Picina/ Pisinca/ Pecina/ Pisina/ Pcina
Fosforo/ Fósfero/ Fosfoo
Adevogado/ Advogado/ Devogado
No quadro acima está o número de cada questão, o que se esperava ter respondido
de acordo com a norma, e por último as variações ocasionadas na escrita dos discentes,
tanto do sexo feminino quanto masculino, com idade entre 12 e 17 anos, ambos os gêneros
cursando o 8o ano do ensino fundamental.
a) Na questão (1) foi perguntado: O gás de cozinha que utilizamos no fogão vem dentro do:
A resposta esperada advertia duas formas, pois no vocábulo /botijão/, também é admitida a
forma /bujão/. De acordo com Ferreira (2000), botijão e/ou bujão são recipientes utilizados
para armazenar produtos voláteis, ou ainda, recipiente metálico, utilizado para entrega ou
uso de gás a domicílio.
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Os informantes tanto do sexo feminino quanto do masculino, registraram
ortograficamente variadas respostas que seguem abaixo:
- /Bojão/ - /Butijão/ - /Butisão/ - /Dutijão/ - /Boutigão/ - /Butizão/ - /Butjão/ - /Bojão/ /Boutijão/
b) Na questão (2) foi perguntado: Quantos são dez mais seis (com a observação de se
responder por extenso)? A resposta esperada era /dezesseis/, que conforme Ferreira (2000)
é uma quantidade superior a quinze.
Foram registradas as seguintes grafias:
- /Dezeseis/ - /Desesseis/ - /Deseseis/ - /Dezeceis/ - /Deze ceis/ - /Dize-seis/ - /Dezessiis/ /Deseceis/
c) Na questão (8) foi perguntado: Como é denominado o liquido com o qual fritamos
batatinha? A resposta esperada era /óleo/ que ainda conforme Ferreira (2000) é um nome
comum dado a substâncias gordurosas, inflamáveis, de origem animal ou vegetal.
Com efeito, as respostas foram:
/_íca/ - /_íca/ - /_íca/
d) Na questão (9) foi questionado: Com que acendemos o fogo que não é o isqueiro? A
resposta que deveria ser /fósforo/ apresentaram a seguinte grafia:
/_ícara_/ - /Fósfero/ - /Fosfoo/
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Que de acordo com Ferreira (2000) /fósforo/ constitui-se um palito com uma
cabeça composta de corpos que se inflamam quando atritados.
e) Na questão (10) foi questionado: Quem faz curso superior em direito vai exercer a
profissão de: (não é juiz, nem promotor, nem defensor) A resposta correta seria /advogado/,
contudo oscilaram para:
/Adevogado/ - /Advogado/ - /Devogado/
Segundo Ferreira (2000) /advogado/ é o indivíduo legalmente habilitado a
advogar.
f) Na questão (13) foi perguntado: O que utilizamos para beber café que não é o copo? A
resposta esperada seria /xícara/, porém o que evidenciaram foram:
/Chicara/ - /_ícara/ - /Chicra/ - /Chícara/ - /Chicará/ - /Chicàra/
Conforme Ferreira (2000) /xícara/ é uma pequena vasilha com asa, utilizada em
sua grande maioria para servir bebidas quentes.
g) Já na questão (14) foi questionado: Em que lugar os atletas praticam a natação? A
resposta esperada e correta seria /piscina/, porém registraram das seguintes formas:
/Picina/ - /Pisinca/ - /Pecina/ - /Pisina/ - /Pcina/
Que ainda segundo Ferreira (2000) é um tanque artificial utilizado para a natação.
Considerações Finais
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A língua portuguesa apresenta-se de uma forma estereotipada perante a sociedade,
contudo, no momento em que o indivíduo vale-se da linguagem para se expressar com os
demais, esta vem “carregada” de formas irregulares e instáveis.
O que acontece é que toda língua do mundo existe um fenômeno chamado
“variação”, isto é, nenhuma língua é falada do mesmo jeito em todos os lugares, por
estarem adequadas às diferentes situações.
Assim cada falante adquire seu estilo próprio de se expressar, seja ele no momento
da fala ou da escrita.
No instante em que há a “colisão” de um estilo próprio com a norma até então
solidamente organizada, tem se a noção de “erro”.
Para concluir, o grande desafio que os dias de hoje nos impõem é de se saber
utilizar o nível de linguagem adequado a situação.
No entanto, é inegável que o padrão formal culto é o registro de prestígio social,
via de regra exigido nas relações sociais de caráter profissional ou oficial.
Referências Bibliográficas
BAGNO, Marcos. Preconceitos lingüísticos – o que é, como se faz. 23a Ed. São Paulo –
SP: Edições Loyola, 1999.(Não está no corpo do trabalho)
CARVALHO, Castelar de. Para Compreender Saussure: fundamentos e visão crítica.
13a Ed. Petrópolis - RJ: Editora Vozes, 2003
COUTINHO, Ismael de Lima. Pontos de gramática histórica. Rio de Janeiro - RJ: Editora
Ao Livro Técnico, 1976.
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FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Miniaurélio Século XXI Escolar: O
minidicionário da língua portuguesa. 4a Ed. Rio de Janeiro - RJ: Nova Fronteira, 2000.
GNERRE, Maurizzio. Linguagem, Escrita e Poder. 3a Ed. São Paulo: Martins Fontes,
1991.
LOPES, Edward. Fundamentos da Lingüística Contemporânea.
SANTANA, Maria Pastoura Benedita de. Metaplasmos: Entre o oral e o escrito. Nova
Andradina - MS, 2009.
TARALLO, Fernando. A pesquisa sócio-lingüística. 5a Ed. São Paulo - SP: Editora Ática,
1997.
Anexo 1 - Questionário
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MATO GROSSO DO SUL
UNIDADE UNIVERSITÁRIA DE NOVA ANDRADINA
CURSO DE LETRAS
PROJETO DE PESQUISA
Aluna: Jenniffer Kaiolany Garcia Martins Santos
Orientador: Prof.Dr. Marlon Leal Rodrigues - Ficha________
Escola:___________________________________________________________________
Nome:___________________________________________________________________
Série:_______________Idade:________________Sexo:___________________________
Questionário
01 - O gás de cozinha que utilizamos no fogão vem dentro do:
R:________________________________________________
02 - Quantos são dez mais seis? (escreva por extenso)
R:_________________________________________
03 - Que nome é dado ao animal que habita o aquário de vidro de pequeno porte?
R:_______________________________________________________________
04 - Como é chamado o lugar em que o professor escreve com giz para transmitir conteúdo em sala de aula?
R:_______________________________________________________________________
05 - Qual é o oposto de homem?
R:_________________________
06 - Qual dos talheres pontudo em sua grande maioria, que utilizamos para comermos macarrão?
R:_______________________________________________________________________
07 - Qual o órgão de nosso corpo responsável pela visão?
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R:___________________________________________
08 - Como é denominado o liquido com o qual fritamos batatinha?
R:__________________________________________________
09 - Com que acendemos o fogo que não é o isqueiro?
R:_________________________________________
10 - Quem faz curso superior em direito vai exercer a profissão de: (não é juiz, nem promotor, nem defensor)
R:_______________________________________________________________________
11 - Na dieta básica do brasileiro qual o cereal branco, pequeno, pontiagudo e que faz parceria como o feijão?
R:_______________________________________________________________________
12 - Que objeto de plástico, redonda, maleável e comprida, que utilizamos para lavar a área e que se encaixa
na torneira?
R:_______________________________________________________________________
13 - O que utilizamos para beber café que não é o copo?
R:__________________________________________
14 - Em que lugar os atletas praticam a natação?
R:____________________________________
15 - O que utilizamos para nos enxugar após o banho?
R:_________________________________________
16 - Como é chamado o acessório que colocamos na cabeça para proteção contra o frio que não o boné, nem o
chapéu, nem a boina, nem o gorro?
R:_______________________________________________________________________
Anexo 2
Tabulação Geral das Respostas
QUADROS DA ESCOLA ESTADUAL GUAICURU
QUADRO GERAL
Fichas: 1 a 34
Ano: 8o
Questão
Masculino: 21
Feminino: 13
Resposta Esperada
01
Botijão/ Bujão
02
Dezesseis
Resposta
Correta
18
10
Idade Média: 12 a 17 anos
Resposta
Incorreta
16
24
Variação
Apresentada
Bojão (1)
Butijão (7)
Butisão (1)
Dutijão (1)
Boutigão (1)
Butizão (1)
Butjão (1)
Bojão (2)
Boutijão (1)
Dezeseis (14)
Desesseis (4)
Deseseis (1)
Dezeceis (1)
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Gênero
Masc.
13
16
Gênero
Fem.
3
8
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03
04
Peixe
Lousa
33
11
01
23
05
Mulher
29
05
06
Garfo
31
03
07
08
Olhos
Óleo
34
20
00
14
09
Fósforo
15
19
10
Advogado
22
12
11
12
Arroz
Mangueira
33
28
01
06
13
Xícara
06
28
14
Piscina
17
17
15
Toalha
26
08
16
Touca
04
30
Deze ceis (1)
Dize-seis (1)
Dezessiis (1)
Deseceis (1)
Peichinho (1)
Losa (13)
Loza (5)
Louza (4)
Laisa (1)
Molher (3)
Muler (2)
Guarfo (2)
Quarfo (1)
-.Oleó (1)
Oléo (4)
Oleo (9)
Fosforo (16)
Fósfero (2)
Fosfoo (1)
Adevogado
Adivogado (12)
Devogado (1)
Arros (1)
Mangeira (5)
Manqueera (1)
Chicara (11)
Xicara (12)
Chicra (1)
Chícara (2)
Chicará (1)
Chicàra (1)
Picina (9)
Pisinca (1)
Pecina (1)
Pisina (5)
Pcina (1)
Tualha (5)
Tualia (3)
Toca (30)
01
16
-.07
05
-.-
03
-.-
-.10
-.04
14
05
12
02
01
05
-.01
19
09
14
03
06
02
19
11
Anexo 3
Tabela Específica das respostas e suas respectivas variações do Gênero Feminino (Idade entre 12 e 16 anos)
do 8o ano do Ensino Fundamental da Escola Estadual Guaicuru, localizada na cidade de Anaurilândia - MS.
QUADRO FEMININO
Faixa Etária: 12 a 16 anos
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Questão
02
Resposta
Esperada
Botijão/
Bujão
Dezesseis
03
04
05
06
07
08
09
10
Peixe
Lousa
Mulher
Garfo
Olhos
Óleo
Fósforo
Advogado
11
12
13
Arroz
Mangueira
Xícara
14
Piscina
15
16
Toalha
Touca
01
Variação Apresentada
12 anos
13 anos
14 anos
15 anos
16 anos
Butijão/Bojão
-.-
Butijão /Bojão
-.-
-.-
-.-
Dezeseis/Deseseis/
Desesseis
-.-
Dezeseis
-.-
Desesseis
Não Houve
Louza/ Losa/Loza
Não Houve
Não Houve
Não Houve
Oleó/Oleo
Fosforo
Adevogado/
Adivogado
Não Houve
Mangeira
Chicra/
Xicara/Chicara/
Chícara
Picina/Pecina/
Pisinca
Tualha
Toca
-.-.-.-.-.-.-.-.-
Dezeseis/
Deseseis/
Desesseis
-.Louza/ /Losa
-.-.-.-.Fosforo
Adevogado
-.Losa
-.-.-.Oleó
Fosforo
Adivogado
-.Loza
-.-.-.Oleo
Fosforo
-.-
-.Losa
-.-.-.-.Fosforo
-.-
-.-
-.-
-.-
-.-
Chicara/Xicara/
Chicra
Xicara
Xicara
-.-
Pisinca
-.Toca
Tualha
Toca
-.Mangeira
-.-
-.-
Picina
Xicara/
Chícara/
Chicara
Pecina
-.Toca
Tualha
Toca
-.Toca
Anexo 4
Tabela Específica das respostas e suas respectivas variações do Gênero Masculino (Idade entre 12 e 17 anos)
do 8o ano do Ensino Fundamental da Escola Estadual Guaicuru, localizada na cidade de Anaurilândia - MS.
QUADRO MASCULINO
Faixa Etária: 12 a 17 anos
Questão
01
02
Resposta
Esperada
Botijão/
Bujão
Dezesseis
Variação
Apresentada
Butijão/
Bojão/
Dutijão/
Boutigão/
Butizão/
Butisão/
Boutijão/
Butjão/
Deze ceis/
Dezeseis/
Deseceis/
Dezeceis/
Dize-seis/
12 anos
13 anos
14 anos
15 anos
16 anos
17 anos
-.-
Butijão
Dutijão/
Bojão/ Butijão
Boutigão/
Butizão/
Butisão/
-.-
Butijão/
Boutijão/
Butjão
-.-
Dezeceis
Dezeseis/
Deseceis
Desesseis/
Dezeceis/
Dezeseis/
Dize-seis/
Dezessiis
Dezeseis
-.-
Dezeseis
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03
04
Peixe
Lousa
05
Mulher
06
Garfo
07
08
Olhos
Óleo
09
Fósforo
10
Advogado
11
12
Arroz
Mangueira
13
Xícara
14
Piscina
15
Toalha
16
Touca
Deseseis/
Desesseis/
Dezessiis
Peichinho
Louza/Losa/
Loza/Laisa
Muler/
Molher
Guarfo/
Quarfo
Não Houve
Oleó/Oleo/
Oléo
Fosforo/
Fosfoo/
Fosfero
Devogado/
Adivogado
Arros
Mangeira/
Mangueera
Xicara/
Chicara/
Chícara/
Chicará
Picina/
Pecina/
Pisinca/
Pisina/ Pcina
Tualha/
Tualia
Toca
-.Losa
Peichinho
Losa
Muler
Molher
-.-
-.-
-.-.-
-.-.-
-.-
-.Laisa/
Louza
-.-
-.-
-.-
-.-
-.Oleo/
Guarfo/
Quarfo
-.Oléo/ Oleo
-.Oleo
-.-.-
-.-.-
Fosforo/
Fosfoo
Fosforo
Fosforo
Fosforo
-.-
Fosfero
Adivogado
Adivogado/
-.-
-.-
Adivogado
-.-.-
-.Mangeira/
Mangueera
Chicara/
Xicara
Adivogado/
Devogado
Arros
Mangeira
-.-.-
-.-.-
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Xicara/
Chícara
/Chicara
Chicara
Chicará
Xicara
Chicara
-.Louza/
Losa/Loza
-.-
-.Losa
-.-
Picina
Pisina/
Picina
Picina/
Pisina/
Picina
Pcina
-.-
-.-
Tualha/
Tualia
Toca
Tualha
-.-
Tualha
Tualha
Toca
Toca
Toca
Toca
Toca
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a “evolução através dos tempos”