DOCUMENTO DE TRABALHO: COLHEITAS DE GÉNEROS ALIMENTÍCIOS Lisboa, Dezembro de 2001 Colheita de Géneros Alimentícios ÍNDICE página 1- Introdução ………………………………………………………………..…………….. 2 2- Considerações Normativas……………………………….…………………………… 3 3- Material Utilizado …………………………………………………………………….…. 5 3.1- Colheita de Refeições ………………………………………………………….… 5 3.2- Colheita de Bolos ………………………………………………………………..... 5 4- Procedimento de Colheita ……………………………………………………………... 6 4.1- Refeição ………………………………………………………………………… 6 4.1.1- Prato e Sobremesa ……………………………………………….…… 6 4.1.2- Esfregaço ………………………………………………………………. 6 5- Conservação e Transporte ………………………………………………………..…… 7 6- Considerações Finais…………………………………………………………………… 8 Referências Bibliográficas ……………………………………………………………….. 9 1 Técnica de Saúde Ambiental Susana Daniel Colheita de Géneros Alimentícios 1- INTRODUÇÃO Um Programa de Higiene dos Géneros Alimentícios possui o intuito de controlar a higiene e qualidade dos géneros alimentícios, bolos, e sua manipulação. Existem dois tipos de colheitas de géneros alimentícios: as colheitas de refeição, que são constituídas por: prato, sobremesa e esfregaço na loiça ou numa superfície; e as colheitas de bolos, que são sempre constituídas por cinco unidades, isto é, por cinco bolos iguais. 2 Técnica de Saúde Ambiental Susana Daniel Colheita de Géneros Alimentícios 2- CONSIDERAÇÕES NORMATIVAS A Norma Portuguesa 916 define amostra para análise microbiológica como uma quantidade de produto a analisar representativa das suas características microbiológicas globais. A Norma Portuguesa 1828 estabelece algumas técnicas de colheita para análises microbiológicas, sendo elas: - Os recipientes com material esterilizado, quando enviados para fora do laboratório, devem ser protegidos das poeiras ou de outras conspurcações pelo meio ambiente. Devem ter a data de esterilização e ser devolvidos ao laboratório, no máximo, oito dias após aquela data, quando não utilizados. - Os recipientes para conter amostras devem ser de material apropriado impermeável à água e às gorduras: vidro, metal inox ou material plástico apropriado, susceptível de ser esterilizado. No caso de géneros alimentícios sólidos ou pastosos os recipientes devem, ainda, ter abertura larga. A capacidade e forma dos recipientes devem ter em conta a natureza da amostra a colher. O fecho do recipiente deve ser assegurado de tal modo que a rolha ou tampa seja, também, esterilizável e garanta a sua estanquidade. Podem ser utilizados, quando estéreis, recipientes de material plástico apropriado, fechados por termocolagem imediatamente após a colheita. - A colheita deve ser realizada com os indispensáveis cuidados de assepsia, mas também de modo a representar devidamente as características microbiológicas do alimento a analisar. - O ambiente deve ser limpo, calmo, sem correntes de ar, sem humidade e sem cheiros que se possam transmitir ao alimento e, tanto quanto possível, à temperatura da sua conservação. - Uma colheita de géneros alimentícios deve ser realizada com todos os cuidados de assepsia: - A roupa dos intervenientes deve estar limpa e as mãos desinfectadas. - As zonas dos utensílios utilizados para a colheita das amostras não devem contactar senão o próprio alimento ou as superfícies esterilizadas dos respectivos contentores, não devendo, nunca, ser colocadas sobre mesas, bancadas ou embalagens dos próprios géneros alimentícios. - As mãos não devem tocar na amostra a analisar, nem as zonas dos utensílios que os irão contactar. - A colheita deve ser efectuada o mais próximo possível de uma chama de gás ou de álcool, rapidamente e sem gestos bruscos. - O recipiente onde se encontra o género alimentício deve ser aberto o menos possível, com os maiores cuidados de assepsia, desinfectando previamente a zona da abertura e de modo a não tocar o género alimentício. Os utensílios utilizados devem estar esterilizados e não devem servir para a colheita de outra amostra sem nova esterilização. - O recipiente que irá conter a amostra deve ser aberto junto da chama, flamejando a tampa, depois de aberto o bocal é também passado pela chama, rodando-o para um e outro lado sobre a chama. Estas operações repetem-se após a colheita da amostra e antes de fechar o recipiente. Este, enquanto aberto, deve ser mantido tão horizontalmente quanto possível com a boca junto à chama. 3 Técnica de Saúde Ambiental Susana Daniel Colheita de Géneros Alimentícios O material de colheita das amostras, mesmo esterilizado, deve ser flamejado no momento de ser utilizado e arrefecido no próprio alimento, mas não no ponto de colheita da amostra. - A amostra, quando o género alimentício estiver contido em embalagem própria, deve ser constituída, sempre que possível, pelo conteúdo total dessa embalagem intacta. - No caso de alimentos líquidos, estes devem ser convenientemente misturados com agitadores manuais ou mecânicos (devidamente desinfectados) ou insuflando ar esterilizado por filtração. - Se a amostra for colhida de uma torneira, esta deve ser limpa, desinfectada por fora e por dentro e flamejada. O líquido deve correr algum tempo antes de se colher a amostra. - Quando o alimento é pastoso, e portanto, de difícil mistura, dever-se-ão colher porções em pontos diversos, afastados e a diferentes profundidades. - Na colheita de amostras de alimentos sólidos há que saber se a parte externa que pode estar ou não contaminada, deve ou não fazer parte da amostra. No segundo caso deve ser retirada a camada superficial usando material esterilizado o qual só poderá ser utilizado na colheita da amostra após nova esterilização. - Dada a impossibilidade de homogeneizar os alimentos sólidos, a amostra deve ser constituída por porções colhidas em diferentes locais, nas zonas superficiais, médias e profundas. - Em alimentos sólidos de composição heterogénea a amostra deve comportar quantidades proporcionais das diversas camadas ou zonas. - Se a amostra for colhida em alimento suspeito de ter sido tratado com cloro, o recipiente para a amostra deve conter 0,1 ml de solução nele esterilizada, de tiossulfato de sódio a 2% por cada 100 ml de líquido. - Quando se trate de géneros alimentícios esterilizados, a amostra deve ser constituída por três unidades do mesmo lote. - 4 Técnica de Saúde Ambiental Susana Daniel Colheita de Géneros Alimentícios 3- MATERIAL UTILIZADO Numa colheita de géneros alimentícios o material utilizado deve estar em boas condições de assepsia, e o material que contacta directamente com a amostra (e.g. luvas, recipiente de colheita) deve ser esterilizado. 3.1- Colheita de Refeição O material utilizado numa colheita de refeição é o seguinte: - bata; - luvas; - máscara facial; - recipientes de colheita esterilizados; - água peptonada; - mala térmica; - tubo de ensaio esterilizado; - zaragatoa; e - ficha de identificação da colheita. 3.2- Colheita de Bolos O material utilizado numa colheita de bolos é o seguinte: - bata; - luvas; - máscara facial; - recipientes de colheita esterilizados; e - mala térmica; - ficha de identificação da colheita. 5 Técnica de Saúde Ambiental Susana Daniel Colheita de Géneros Alimentícios 4- PROCEDIMENTO DE COLHEITA 4.1- Refeição 4.1.1- Prato e sobremesa 1. Escolhe-se o prato para colheita, tendo em consideração a confecção e/ou os ingredientes utilizados que possam traduzir um maior riscos para a saúde pública. 2. O prato é confeccionado como se fosse para ser servido e com o auxílio dos talheres que o utente iria utilizar, o alimento é deslocado do prato para o recipiente de colheita previamente esterilizado. 3. Retira-se o ar do recipiente de colheita de modo a evitar que a flora bacteriana existente tenha oxigénio suficiente para se desenvolver. 4. Deslocam-se os dedos, horizontalmente, pela zona de fecho de arame do recipiente para que este fique bem fechado, e em seguida enrola-se a parte superior deste e dobram-se as extremidades. 5. Coloca-se o recipiente de colheita dentro da mala térmica. Para a sobremesa o procedimento é exactamente o mesmo que para o prato. 4.1.2- Esfregaço 1. Escolhe-se a loiça/superfície que se pretende analisar. 2. Mergulha-se a zaragatoa no meio de cultura - água peptonada (que além de facilitar a aderência dos microrganismos à superfície da zaragatoa, também funciona como meio propício ao desenvolvimento de microrganismos por ser húmido). 3. Passa-se a zaragatoa pela superfície que se deseja analisar (nas zonas mais susceptíveis de se manifestarem como fonte de contaminação). 4. Coloca-se a zaragatoa no tubo de ensaio esterilizado. 5. Coloca-se o tubo de ensaio em mala térmica. Em cada um destes três casos (prato, sobremesa, esfregaço) efectua-se o preenchimento de uma ficha de identificação onde deve constar: - identificação do Centro de Saúde; - identificação da Colheita (número da amostra/data/hora/local de colheita); - dentificação do Estabelecimento (nome / morada / freguesia / concelho / telefone / fax / estabelecimento). 6 Técnica de Saúde Ambiental Susana Daniel Colheita de Géneros Alimentícios 5- CONSERVAÇÃO E TRANSPORTE A amostra dos géneros alimentícios recolhida deve ser conservada de forma a evitar o desenvolvimento ou a destruição dos microrganismos antes da análise. Para isso, deve ser transportada: - em mala térmica, entre 0 e 4º C; e - na ausência de luz. O seu transporte até ao Laboratório de Saúde Pública deverá ser feito num prazo máximo de 6 horas. E deverá ser examinada em Laboratório antes de terem passado 24 horas (Norma Portuguesa 1828). Quando se trate de amostras de alimentos desidratados ou de conserva, a refrigeração não é necessária. 7 Técnica de Saúde Ambiental Susana Daniel Colheita de Géneros Alimentícios 6- CONSIDERAÇÕES FINAIS As colheitas de géneros alimentícios são de vital importância em termos de saúde pública, pois permite efectuar uma Vigilância da Higiene e Qualidade Alimentar. A Vigilância da Higiene e Qualidade Alimentar efectuada correctamente permite, muitas vezes, prevenir surtos de toxi-infecções alimentares, que de outro modo proliferariam ser qualquer impedimento. 8 Técnica de Saúde Ambiental Susana Daniel Colheita de Géneros Alimentícios REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS COMISSÃO TÉCNICA PORTUGUESA DE NORMALIZAÇÃO DE “MICROBIOLOGIA ALIMENTAR”. Norma Portuguesa 1828. (1982). Microbiologia Alimentar - Colheita de Amostras para Análise Microbiológica. - COMISSÃO TÉCNICA PORTUGUESA DE NORMALIZAÇÃO DE “MICROBIOLOGIA ALIMENTAR”. Norma Portuguesa 916. (1972). Microbiologia Alimentar - Colheita de Amostras - Terminologia. - 9 Técnica de Saúde Ambiental Susana Daniel