DIVISÓRIAS INTERNAS DE EDIFÍCIOS EM ALVENARIA DE BLOCOS DE GESSOvantagens técnicas, econômicas e ambientais
CARLOS WELLIGTON DE AZEVEDO PIRES SOBRINHO
ITEP-Instituto de Tecnologia de Pernambuco
NATALIA DE MORAIS BEZERRA,
A5-ENGENHARIA
TATIANA DE CASTRO TRAJANO COSTA
A5-ENGENHARIA
CAROLINA BUARQUE A. SILVA
A5-ENGENHARIA
RESUMO
A utilização de alvenaria em blocos de gesso em substituição ás tradicionais alvenarias em blocos cerâmicos ou de
concreto se constitui em uma alternativa viável na vedação vertical de edifícios. Este artigo apresenta uma ostra sno
que diz respeito ao peso na estrutura; as dimensões na área plana, ao acabamento e facilidade de embutir as redes de
instalações, na produtividade e diminuição das etapas e insumos de execução e no tempo total para recebimento do
acabamento final.
Apesar dessas vantagens existem poucas empresas que utilizam este tipo de vedação. Uma das principais razões decorre
do pouco conhecimento do desempenho deste subsistema nas edificações, da falta de conhecimento técnico sobre
projeto e execução e de exemplos de casos que mostrem resultados satisfatórios com aplicação dessa tecnologia de
vedação.
Este artigo apresenta os elementos básicos para o desenvolvimento de projetos de vedação vertical em alvenaria de
blocos de gesso para edificações aporticadas em concreto armado, bem como detalhes construtivos e de projeto.
Apresenta também resultados de avaliação de desempenho, segundo a NBR 15575 - Edifícios habitacionais de até cinco
pavimentos – Desempenho em elementos divisórios de um edifício residencial no Recife e uma abordagem ambiental
comparativa no que se refere ao consumo de água e energia nas diversas etapas de produção (fabrico e aplicação) entre
os sistemas analisados.
ABSTRACT
Masonry in vertical blocks of gypsum have advantages over the traditional ceramic blocks in masonry and concrete
with regard to the weight in the structure, the dimensions in the flat, the finish and ease of embedding networks of
facilities, productivity and reduction of inputs and steps of implementation and the total time to receipt of final
finishing.
These advantages there are few companies that use this type of wall. the main reason stems from the little knowledge of
the performance of this sub-system in the buildings, the lack of technical knowledge on design and implementation and
examples of cases showing satisfactory results with application this technology for sealing.
This article presents the basic elements stop the development of projects in vertical sealing masonry blocks of gypsum
for structural frame in reinforced concrete buildings, as well as constrictive and project details. Also presents results of
performance evaluation, according to NBR 15575 - residential buildings of five floors - Performance in parting
elements of a residential building in Recife and a comparative environmental approach as regards the consumption os
water as energy at various stages of production (manufacture and application) between the systems analyzed.
1. INTRODUÇÃO
Quando tecnicamente bem construídas, respeitando o limite do material e do sistema de vedação e da interação com
demais sistemas de um edifício, as divisórias internas construídas em blocos de gesso apresentam vantagens
significativas quando comparadas á construção de divisórias em alvenaria de blocos cerâmicos e/ou de concreto. As de
ordem técnica se destacam: a) apresentam maior resistência mecânica; b) podem ser aplicado sobre piso acabado sem
precisar escariar; c) podem ser removíveis facilmente sem deixar marcas; d) apresentam maior isolamento térmico e
acústico por unidade de espessura; e e) conduzem a menor peso nos elementos estruturais. As de ordem econômicas se
destacam: a)maior produtividade e menor custo global das vedações; b) maior área interna dos cômodos; c) menor
utilização de área de canteiro na construção. As de ordem ambiental se destacam: a) menor quantidade de Energia
Incorporada na produção e na aplicação dos constituintes por unidade de área; b) menor degradação ambiental por
unidade de volume e de produção dos materiais e componentes constituintes; e) menor energia (KW/h) utilizada nas
etapas de transporte e produção dos materiais constituintes. Este artigo apresenta os principais elementos que devem ser
considerados no desenvolvimento de projetos em alvenaria interna de blocos de gesso e as principais características de
ordem técnica, econômica e ambiental comparativas entre o sistema de divisórias internas construídas em alvenaria de
blocos de gesso e de blocos de concreto e/ou cerâmicos assentados e revestidos com argamassa de mista de cimento e
cal, tendo como base o levantamento de produção dos materiais utilizados na construção desses sistemas aplicados em
estudo de caso.
2. ASPECTOS COMPARATIVO ENTRE OS TIPOS DE ALVENARIAS
2.1 Comportamento compressivo
As alvenarias em blocos de gesso são mais leves, variando entre 0,6 KN/m2 à 1,0 KN/m2, quando comparadas as
alvenaria tradicionais em blocos cerâmicos revestidos com argamassa, que variam entre 1,2 KN/ m2 à 1,8 KN/ m2,
contribuindo para diminuição das cargas permanentes nas lajes/vigas. Esta diminuição também influencia na redução
das flechas imediatas e deformação lenta das lajes de concreto.
No que se refere à resistência de compressão e módulo de deformação, PIRES SOBRINHO (2007) realizou ensaios
com paredinhas de dimensões de 0,6m x 1,2m, cujas características e resultados de ensaio são apresentados na tabela 1.
Material
usado
Blocos de
gesso
Blocos
cerâmicos
Blocos
cerâmicos
Tabela 1- Características e resultados dos ensaios das paredinhas
Espessura
Carga
Tensão na
Dimensões
Assentamento Revestimento
final
ruptura
ruptura
do bloco
(KN)
(MPa)
10,0cm x
Pasta de
66,67cm x
Gesso cola
10 cm
21,40
3,57
gesso
50,0cm
Argamassa
mista de
9,0cm x
Chapisco de
cimento e cal
10 cm
8,49
1,41
19,0cm x
cimento nas
(traço
19,0cm
duas faces
volumétrico
1:1:6)
Argamassa
Argamassa
mista de
mista de
9,0cm x
cimento e cal cimento e cal
13 cm
15,65
1,74
19,0cm x
(traço
no traço
19,0cm
volumétrico
1:2:9 nas
1:1:6)
duas faces
Rigidez*
(KN.m/m)
81.000
21.600
48.000
Observa-se que as alvenarias em blocos de gesso apresentam rigidez 69% maior que as alvenarias de blocos cerâmicos
revestidas com argamassa, devendo, desta forma, concentrar igual proporção nas tensões. Por outro lado, a resistência
das alvenarias em blocos de gesso de 10cm de espessura apresenta o dobro da capacidade resistente das paredes,
respondendo satisfatoriamente no comportamento global
2.2 Comportamento estrutural
No sentido de comparar a influência dos dois tipos de alvenaria de divisória interna (gesso e cerâmica) em edifícios,
foram analisadas em modelo de cálculo computacional de dimensionamento de uma estrutura. Para tanto, foram
mantidas as dimensões e posições dos elementos estruturais (pilares, vigas e lajes) e foram observadas as alterações nas
armaduras de pilares e vigas, mantendo as formas destes elementos constantes (CIARLINI, et al 2001).
O edifício analisado possui seis apartamentos por pavimento. Cada apartamento é composto por sala, quarto, banheiro e
cozinha, totalizando uma com lâmina 17,05 m x 15,30 m. A figura 3 apresenta o pavimento tipo da edificação
analisada.
Figura 01- parte simétrica da Planta estrutural do pavimento tipo do edifício
Na análise do comportamento da estrutura foram seguidos os procedimentos usuais de projeto, cálculo e detalhamento
das estruturas de concreto armado, respeitando-se os preceitos das normas técnicas pertinentes, em especial os da NBR6118/80 – “Calculo e execução de estruturas de concreto armado”, da NBR – 6120/80 “Cargas para o cálculo de
estruturas” e da NBR – 6123/87 – “Forças devidas ao vento em edificações”, considerada uma velocidade básica de
vento (V0) de 30 m/s.
Foram ainda considerados cinco gabaritos verticais: 6, 10, 14, 18 e 22 pavimentos, todos com a mesma planta baixa. A
comparação das cargas nas fundações para estes prédios foi feita considerando somente as cargas verticais, já que as
cargas horizontais e os momentos fletores são os mesmos em todos os casos.
Na tabela 2, estão apresentados os resultados dos quantitativos das cargas totais nas fundações, a armadura total da
estrutura e o volume de concreto da fundação, bem como a análise de custos, tomando por base o valor praticado por
tabela EMLURB jan/2009.
Nesta tabela, a indicação de tipo 6, 10, 14, 18 e 22, refere-se aos prédios com 6, 10, 14, 18 e 22 pavimentos com
alvenaria de blocos cerâmicos nas paredes internas e externas;
As indicadas com tipo 6G, 10G, 14G, 18G e 22G, refere-se aos prédios com 6, 10, 14, 18 e 22 pavimentos com paredes
internas de blocos de gesso e externas com blocos cerâmicos.
Tabela 2- Quantitativos e de análise de custos
Tipo
6
6G
10
10G
14
14G
18
18G
22
22G
Armadura nas estruturas
(t)
(R$)
%
17
110500
15
97500
-11,8%
35
227500
30
195000
-14,3%
55
357500
49
318500
-12,2%
84
546000
72
468000
-14,3%
114
741000
101
656500
-11,4%
Concreto nas fundações
(m3)
(R$)
%
41,9
50280
30,9
37080
-35,6%
101,68
122016
78,32
93984
-29,8%
166,02
199224
125,79
150948
-32,0%
238,64
286368
180,54
216648
-32,2%
322,96
387552
244,62
293544
-32,0%
Cargas nas fundações
1.386
1.158
2.697
2.308
3.927
3.315
5.093
4.317
6.282
5.309
Os resultados mostram que é possível reduzir em média 15% nas cargas totais da fundação com a utilização de paredes
internas em alvenaria de blocos de gesso em substituição as paredes tradicionais.
2.3 Comparativo econômico
Outras economias de custo e tempo produzidas com a opção tecnológica de se utilizar paredes internas em alvenaria de
blocos de gesso em substituição às alvenarias tradicionais também podem ser avaliadas.
No que se refere a economia na estrutura, a tabela 2 mostrou que é possível reduzir entre 11,8% à 14,3% dos custos com
a armadura da superestrutura e entre 29,8% à 35,6% nas fundações.
No que se refere à execução, a tabela 3 mostra que a produtividade dos serviços de paredes acabadas em alvenaria de
blocos de gesso é 67% maior que a soma dos serviços necessários a conclusão das paredes de blocos cerâmicos.
Cabe ressaltar ainda que as alvenarias de gesso apresentam um número de atividades, uma movimentação de material
no canteiro, e o tempo total das atividades bem menores.
Tabela 3- Produtividade nas atividades das alvenarias internas
Serviços envolvidos
Produtividade
Tempo de serviço
(hora / m2)
acabado
(hora / m2)
Elevação(marcação, elevação,
0,45
Alvenaria em bloco
tubulação e cxs elétricas
cerâmico
1,13
Chapisco
0,08
Emboço
0,45
Aparelhamento e pintura
0,15
Elevação
0,36
Alvenaria de
0,68
Colocação de tubulação
0,20
blocos de gesso
e cxs elétricas
Aparelhamento e pintura
0,12
Sistema
Na avaliação dos custos unitários diretos para execução dos serviços, a diferença não é significativa, sendo 5,2% a favor
da alvenaria tradicional em blocos cerâmicos revestidos com argamassa, ver tabela 4. Porém, se levar em consideração
o ganho de área, em torno de 2,3%, na menor espessura das grades de porta e a possibilidade de poder ser construída o
revestimento de piso antes da execução das paredes de alvenaria em blocos de gesso, com sensível economia de
material e mão de obra, as vantagens desse sistema é bem maior.
Tabela 4- Custos unitários de execução dos sistemas
Custos Unitário
Custo Total
Sistema
Serviços envolvidos
(R$ / m2)
(R$ / m2)
Elevação(marcação, elevação, tubulação e cxs elétricas
22,96
Alvenaria em
Aperto na alvenaria
1,63
bloco cerâmico
43,23
Chapisco
1,69
Emboço sarrafedo/desempenado
8,38
Aparelhamento e pintura
8,57
Elevação
36,20
Alvenaria de
45,51
Fixação alvenaria/laje
0,41
blocos de gesso
Colocação de tubulação
1,60
e cxs elétricas
Aparelhamento e pintura
7,30
Os dados apresentados nas tabelas 3 e 4 foram extraídos de um levantamento feito por MENDONÇA (2008) em obra de
edifício residencial no Recife.
3 SISTEMA CONSTRUTIVO DE DIVISÓRIAS INTERNAS EM ALVENARIA DE
BLOCOS DE GESSO
Este sistema construtivo é constituído de blocos pré-moldados intertravados de dimensões nominais de 50 cm x 66,7cm
x esp. As espessuras comercializadas no país são de 7cm(vazado ou compacto) e 10cm(compacto) unidos com fina
camada de cola de gesso. A figura 2 (a, b e c) mostra detalhes destes produtos.
a)Bloco vazado
b)Bloco compacto(maciço)
c) Cola de gesso
Figuras 2a a 2c- Aspectos dos componentes do sistema
3.1 Aspectos construtivos
As principais características técnicas das alvenarias em blocos de gesso, são:
• Dimensões grandes (três blocos forma um metro quadrado de área), elevando a produtividade;
• Precisão milimétrica, com superfícies planas e encaixe do tipo macho-fêmea, facilita a elevação das paredes, a
conferência do alinhamento e planicidade;
• A união dos blocos se faz com fina camada de cola de gesso, não necessitando de controle de espessura de
junta;
• Possibilita corte com serrote/serra com praticidade e precisão, as sobras são facilmente reaproveitadas na
própria elevação, gerando pouco resíduo;
• Instalações elétricas podem seguir os vazios dos blocos ou em rasgos na alvenaria;
• As alvenarias podem ser aplicadas sobre piso pronto, sem necessitar de apicoamento, possibilitando sua
remoção. Aumentando a produtividade e redução de trinchos em pisos;
• A cola de gesso possui excelente aderência entre blocos de gesso e com outros materiais (concreto, cerâmica,
madeira, materiais fibrosos, entre outros);
• Deve-se evitar contato direto entre componentes de gesso com componentes ferrosos.
Detalhes do processo de construção de paredes internas em alvenaria de blocos de gesso são mostradas nas figuras 3.
a) marcação primeira fiada-detelhe
linha guia
b) colocação primeira
fixados com cola de gesso
fiada
c)corte de blocos para amarração
d)assentamento das primeira fiadasblocos hidrofogos
e)detalhe blocos sobre vão de
porta
f)construção de shaft
g)encontro de paredes- detalhe h)fixação de parede com espuma i)fixação de parede com isopor e
blocos distintos
de poliuretano
cola de gesso
Figuras 3a à 3i- Detalhes das etapas do sistema construtivo em alvenaria de blocos de gesso
3.2
Detalhes de projeto
O desenvolvimento de um projeto para produção de paredes internas de edifícios cumpre importante papel no
desempenho do sistema construtivo e integração com os demais projetos que compõe a edificação.
No desenvolvimento do projeto é possível interagir com os demais projetos (arquitetônico, instalações, estrutural e de
revestimento) de forma a compatibilizar as interfaces dos sistemas e subsistemas da edificação.
Há algumas premissas importantes a serem consideradas no desenvolvimento de um projeto de alvenaria de blocos de
gesso:
• Faz-se necessário conhecer as deformações potenciais da estrutura para evitar concentrar esforços demasiados
(acima do limite de serviço) e/ou localizados nas paredes. De posse desses dados, torna-se possível
dimensionar elementos de fixação e a capacidade resistente das alvenarias.
• Considerar os limites e a aplicação do sistema. Aspectos técnicos apresentados em THIÉBAUT (1999) e
DOMINGUEZ & SANTOS(2001), podem ser tomados como referência.
• Considerar o projeto de alvenaria como compatibilizador dos demais projetos que compõe a edificação.
• Modular as alvenarias de forma a: aproveitar o maior número de blocos inteiros, evitando amarração inferior
ao mínimo necessário; iniciar a disposição dos blocos pelos vãos de porta; determinar a utilização de vergas,
quando necessário; indicar interface com as redes de instalações.
• Estudar as formas de ligações entre paredes de blocos de gesso com alvenaria de contorno e com elementos
estruturais (pilares, vigas e lajes).
• Utilizar tipos de blocos com características hidrofugantes para a primeira fiada e áreas molhadas, detalhando a
impermeabilização.
• Detalhar a forma de fixação de esquadrias, quadros de instalações e shafts.
• Definir forma de locação das paredes, conforme eixo de estrutura ou eixo próprio para alvenaria.
Principais detalhes de projeto são mostrados nas figuras 4 à 7.
Figura 4-Modulação de parede com vão de porta e especificação
Figura 5- Modulação de uma parede-detalhe
As juntas de ligação estrutura-parede devem ser dimensionadas para possibilitar a deformação vertical total
prevista para cada parte da estrutura, conforme figura a seguir:
Figura 6 – Detalhes de ligação estrutura-parede em blocos de gesso
A bandagem de tela poliéster aplicada nos encontros de materiais distintos tem a função de prevenir e dissipar fissuras
de ligação entre elementos da edificação.
Figura 7- Detalhes de encontros com parede de alvenaria e com estrutura
4. ANÁLISE DE DESEMPENHO DO SISTEMA
Objetivando avaliar o desempenho de paredes construídas em blocos de gesso, foi aplicada a metodologia preconizada
na norma NBR15575-2-Edifícios habitacionais de até cinco pavimentos - Desempenho – Parte 2: Requisitos para os
sistemas estruturais (ABNT, 2006).
Os testes de desempenho foram realizados em paredes de alvenaria de blocos de gesso vazado de 7mm de espessura,
construídas em ambientes internos de apartamentos de um edifício residencial na cidade do Recife e constantes dos
relatórios técnicos do ITEP (2008).
4.1
Desempenho de segurança estrutural ao impacto de corpo mole
Consiste na avaliação do comportamento de um trecho de parede submetida a choques, numa seqüência de energia e
quantidades pré-estabelecida, de forma a avaliar as patologias (fissuras e destacamento) e da amplitude do
deslocamento linear (instantâneo e residual) sofridas no trecho de parede ensaiada. A figura 10 (a e b) mostra o
esquema de ensaio realizado.
a) esquema de ensaio
b) detalhe do ensaio realizado
Figura 8a e 8b- Esquema e detalhe de ensaio de corpo mole
Não foram observadas fissuras ou danos significativos na parede durante a aplicação de energia até 120J. Após o último
choque de 180J foi observada fissuras e início de destacamento no apoio superior da parede. Os deslocamentos
máximos registrados não ultrapassaram 10mm no instantâneo e 2,0mm no residual para o choque de 240J. Os resultados
estão apresentados na tabela 5.
Tabela 5- Resultados de ensaio de trecho de parede em alvenaria de blocos de gesso
Energia
Deslocamentos
(J)
horizontais(mm)
Observações
instantâneo
residual
dh
dhr
Parede interna
60
0,0
0,0
Sem apresentar fissuras
espessura de
120
0,2
0,0
Sem apresentar fissuras
70mm
180
0,6
0,4
Aparecimento de fissura e indicativo de
destacamento trecho superior.
240
1,0
0,6
Crescimento de fissura e de destacamento no
trecho superior entre apoios da parede
Componente
4.2 Desempenho para corpo suspenso
Consiste na avaliação do comportamento de sistemas de fixação. No presente caso, foi avaliada a capacidade de fixação
do sistema de um sistema bucha-parafuso de especificação S10GKS de marca FISCHER. O aparato de ensaio,
recomendado pela NBR15575 (ABNT, 2006), está apresentado na figura 9 (a,b e c).
a) aparato de ensaio
b) detalhes do ensaio
c) detalhes do ensaio
Figura 9 – Esquema e detalhe de ensaio de corpo suspenso
4.3 Desempenho de interação de portas com paredes em alvenaria de blocos de gesso
Consiste na avaliação do comportamento do sistema porta-fixação e de sua interação com as paredes que a confina. O
sistema aplicado é submetido a uma seqüência de 10 choques, conforme metodologia de norma, de forma a avaliar as
patologias (fissuras e destacamento) sofridas no sistema e na parede ensaiadas. A figura 10 (a,b e c) mostra o esquema
de ensaio.
a) esquema de ensaio
b) detalhes do ensaio
c) detalhes do ensaio
Figura 10 – Esquema e detalhe de ensaio interação porta-parede
A tabela 6 apresenta o comportamento da parede após cada impacto de fechamento de porta.
Ensaio
Fechamento
brusco
Tabela 6- Resultados dos ensaios de interação porta-parede
Ação
Comportamento
1º Impacto
Formação de pequena fissura por sobre o marco da grade superior da porta
2º Impacto
Formação de pequena fissura e pequeno destacamento
3º Impacto
Maior nível de fissuração e diminutos destacamentos
4º Impacto
Extensão dos destacamentos, na parte superior.
5º Impacto
Extensão dos destacamentos, na parte superior.
6º Impacto
Extensão dos destacamentos, em todo contorno lateral de fechamento.
7º Impacto
Extensão dos destacamentos, em todo contorno lateral de fechamento.
8º Impacto
Extensão dos destacamentos, em todo contorno lateral de fechamento.
9º Impacto
Extensão dos destacamentos, em todo contorno lateral de fechamento.
10º Impacto
Extensão dos destacamentos, em todo contorno lateral de fechamento.
Os resultados apresentados atendem aos requisitos mínimos da Norma NBR15575-2 no que refere aos critérios
analisados.
5. ASPECTOS SOBRE SUSTENTABILIDADE
Na avaliação comparativa entre os sistemas construtivos utilizados na construção das divisórias internas dos
apartamentos no modelo estrutural analisado.
São 6 aptos por pavimento, cada apto com área útil de 30,2 m2. A quantificação das paredes que compõe um
apartamento foram analisados em duas hipóteses:
a) Paredes divisórias convencionais, em blocos cerâmicos de vedação (19x19x)cm, assentados e revestidas com
argamassa mista de cimento e cal 1:2:8, a espessura de revestimento interna de 2cm para cada lado, totalizando 13cm,
ver figura 11;
Figura 11- Aspectos construtivos do sistema convencional(alv. de blocos cerâmicos e argamassa de cimento)
Área de parede interna total= 55,80m2, área de parede externa =30,47m2 (para um apto)
Peso estimado paredes em alvenaria de blocos cerâmicos revestidas com argamassa (esp=13cm) = (55,80 +30,47)x 140
Kg/m2 = 12,08ton x 6 pav = 72,48 ton / pav
Atividades utilizadas:
Área de estoque de areia = 27 m3/ pav ocupa área de 11 m2/pav
Área de estoque de sacos de cimento/50kg = 216 sc/pav 3,5m2
Área de estoque de sacos de cal/40kg = 270 sc/pav 6,5 m2
Área de estoque de blocos cerâmico=10.400blocos37,44m2 =58,44m2/pav
Mistura (uso de betoneira) 2,05 Kw; Guincho de carga 75Kw 77,05Kw/pav
b) Paredes divisórias internas em alvenaria de blocos de gesso (66,6x50,0x7,0)cm, revestidas com pasta de
gesso mas áreas secas, 5mm para cada lado, e com revestimento cerâmico nas áreas molhada assentadas com gessocola. As paredes externas no sistema convencional, ver figura 12.
Figura 12- aspectos construtivos do sistema de divisórias internas em blocos de gesso
Área de parede blocos 7cm= 30,13m2, Área de parede blocos 10cm= 26,67m2 área de parede externa =30,47m2
Peso estimado paredes em alvenaria de blocos de gesso = (30,13 x 45 +26.67*102)Kg/m2 = 4,07 + 4,27 = 8,34 ton x 6
pav = 50,04 ton / pav ( 30% menor)
Atividades utilizadas:
Área de estoque de blocos de gesso = 24 m3/ pav ocupa área de 8 m2/pav
Área de estoque de sacos de gesso-cola/20kg = 151 sc/pav 7,5m2
Área de estoque de areia = 8,4 m3/ pav ocupa área de 3,4 m2/pav
Área de estoque de sacos de cimento/50kg = 67 sc/pav 1,1m2
Área de estoque de sacos de cal/40kg = 83 sc/pav 2,0 m2
Área de estoque de blocos cerâmico=3.300blocos11,62m2 =33,52m2/pav (43% menor)
Mistura (uso de betoneira) =0,64 Kw; Guincho de carga= 75Kw 28,50Kw/pav (63% menor)
A energia incorporada é uma forma de mensurar o impacto ambiental das construções (ABEYSUNDARA et al 2008),
sendo esta considerada um indicador de sustentabilidade das edificações. Esta energia considera toda energia utilizada
na fabricação, transporte e utilização do material na construção.
A tabela 7 mostra uma análise comparativa em função da energia incorporada apenas no que se refere à armadura dos
pilares da superestrutura, do concreto da fundação e da alvenaria dos apartamentos, para as edificações dimensionadas
com 6, 14 e 22 pavimentos, sendo esta construída com base nos valores unitários de Energia Incorporada apresentada
por Tavares (2006).
Também nesta tabela, a indicação de tipo 6, 14 e 22, refere-se aos prédios com 6, 14 e 22 pavimentos com alvenaria de
blocos cerâmicos nas paredes internas e externas;
As indicadas com tipo 6G, 10G, 14G, 18G e 22G, refere-se aos prédios com 6, 14 e 22 pavimentos com paredes
internas de blocos de gesso e externas com blocos cerâmicos.
Tabela 7- Análise comparativa em função da energia incorporada
Tipo Armadura superestrutura
Concreto Fundações
Alvenaria Interna
Totalização
peso (t) EE(MJ)
%
vol(m3) EE(MJ)
%
peso(t) EE(MJ)
%
EE(MJ)
%
6
17
510000
41,9
311736
434,88
1100
822836
6G
15
450000 -11,8
30,9
229896 -26,3
300,24
975
-11,4
680871 -17,3
14
55 1650000
166,02 1235189
1014,72
2567
2887756
14G
22
22G
49
114
101
1470000
3420000
3030000
-10,9
-11,4
125,79
322,96
244,62
935878
2402822
1819973
-24,2
-24,3
700,56
1594,56
1100,88
2275
4034
3575
-11,4
-11,4
2408153
5826857
4853548
-16,6
-16,7
6. CONCLUSÕES
Em edifícios estruturados em pórtico de concreto armado comparando sistemas de vedação vertical em alvenaria de
blocos cerâmicos revestidos com argamassa e em alvenaria de blocos de gesso foi possível concluir que as vantagens da
utilização de alvenaria em blocos de gesso nas vedações internas de edifícios produz uma economia substancial de cerca
de 14% nas armações da superestrutura e de cerca de 32% no consumo de concreto, há ainda um aumento de
produtividade 66%, uma redução de resíduo da ordem de 75%, economia de 63% da energia utilizada na produção em
canteiro, e 45% de água utilizada no processo de aplicação entre esses sistemas .
A utilização de vedações verticais em alvenaria de blocos de gesso ainda é muito pouco utilizada no Brasil, embora seja
pratica tradicional em países europeus, esta pouca utilização decorre do pouco conhecimento de elementos técnicos
sobre este tipo de sistema.
Na avaliação pós-ocupacional de edifícios altos construídos na região metropolitana do Recife, em 15
empreendimentos, os mais antigos com mais de 15 anos, as poucas manifestações patológicas deveram-se as falhas de
projeto.
As vantagens técnicas, econômicas e ambientais são significativas podendo ser considerada uma alternativa viável para
utilização deste sistema nas obra de edifícios habitacionais.
Agradecimentos
Ao SINDUSGESSO pelos trabalhos desenvolvidos na Referência Técnica de casas Térreas em blocos de gesso;
As Construtoras Moura Dubeux e LPriori pelos mais de 12 empreendimentos de vedação de edifícios altos em alvenaria
de blocos de gesso;
A Construtora INORTE pelos primeiros edifícios construídos em alvenaria interna de blocos de gesso no Recife.
7. REFERÊNCIAS
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alvenaria de concreto celular autoclavado. Tese de doutorado, Escola de Engenharia da São Carlos- São Carlos,
2002.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. (ABNT)- NBR 15575- Edifícios habitacionais de até
cinco pavimentos – Desempenho - Parte 2: Requisitos para os sistemas estruturais. Rio de Janeiro, 2006.
CIARLINI, A.G.C. PINTO, D.l C.,. OSÓRIO, A.P. Gesso, tecnologia que reduz cargas e custos na construção civil.
Encontro Nacional de Engenharia de Produção. Curitiba, 2001.
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del Yeso. CIE inversíones editoriales. 269pg. Madrid, 2001
DIAS, E.M.B, OLIVEIRA,R.A. Efeitos das alvenarias de vedação sobre o comportamento de edifícios altos com
estrutura em concreto armado. In: Congresso de Pontes e Estruturas, 2005, Rio de Janeiro. Anais do Congresso de
Pontes e Estruturas. Rio de Janeiro : Associação Brasileira de Pontes e Estruturas, 2005. p. 1-13
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Mole), Cliente Moura Dubeux Engenharia, Recife, maio, 2008.
ITEP- Relatório Técnico Nº021.977- DESENVOLVIMENTO DE UMA REFERÊNCIA TÉCNICA PARA O
SISTEMA CONSTRUTIVO EM ALVENARIA DE BLOCOS DE GESSO PARA CASAS TÉRREAS. Cliente
SINDUSGESSO, Recife, abril de 2007.
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PIRES SOBRINHO, C.W.A, OLIVEIRA,R.A, SILVA, F.A.N, ANDRADE,S.T. Influência do revestimento, simples
e armado, no comportamento de paredinhas em alvenaria de blocos cerâmicos de vedação. 5º Congresso
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Mestrado da Universidade Católica de Pernambuco, Recife, 2007
THIÉBAUT, A. LÊS CLOISONS EM CARREAUX ET PLAQUES DE PLÂTRE. Editions S.A.E.P. 96pgs.
Ingershein, França. 1999.
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DIVISÓRIAS INTERNAS DE EDIFÍCIOS EM ALVENARIA DE