XIV ENTAC - Encontro Nacional de Tecnologia do Ambiente Construído - 29 a 31 Outubro 2012 - Juiz de Fora INFLUÊNCIA DOS ÂNGULOS DE SOMBREAMENTO NO RESULTADO DO INDICADOR DE CONSUMO DA ENVOLTÓRIA ATRAVÉS DO MÉTODO PRESCRITIVO DO RTQ-C Giovani Hudson Pacheco(1); Paolo Américo de Oliveira(2); Alice Rück Drummond Dias(3), Viviane Hazboun(4), Micael Ribeiro Martins(5), Aldomar Pedrini(6) (1) UFRN, e-mail: [email protected] (2) UFRN, e-mail: [email protected] (3) UFRN, e-mail: [email protected] (4) UFRN, e-mail: [email protected] (5) UFRN, e-mail: [email protected] (6) UFRN, e-mail: [email protected] Resumo O levantamento de ângulos de sombreamento das aberturas das fachadas é necessário na obtenção da Etiqueta Nacional de Conservação de Energia (ENCE) do sistema de envoltória de edifícios comerciais de serviços e públicos, pelo Método Prescritivo. Esse procedimento é um dos que mais demandam tempo na inspeção de etiquetagem. Entretanto, o impacto dos ângulos de sombreamento pode ser subestimado se aplicado nas equações utilizadas para aplicação do método prescritivo, para determinação do Indicador de Consumo da Envoltória. Outros parâmetros abordados pelo Regulamento Técnico da Qualidade para o Nível de Eficiência Energética de Edificações Comerciais, de Serviços e Públicos (RTQ-C), como o Percentual de Abertura nas Fachadas Total e Fator de Forma possuem pesos maiores nas equações. Sabe-se que nas regiões de clima tropical e tropical úmido os elementos de sombreamento exercem papel fundamental no controle dos ganhos térmicos da edificação. O estudo realizado tem o intuito de estimar a importância dos ângulos de sombreamento em diferentes casos, na avaliação de edificações comerciais com área de projeção maior que 500m² e localizadas nas zonas bioclimáticas 6 e 8. O estudo se baseou na análise de uma das equações do Método Prescritivo, na qual foram alterados os parâmetros, um por vez, e analisada sua influência. Foi constatado que a influência desses ângulos na determinação de uma boa classificação depende da geometria da edificação e da quantidade de aberturas nas fachadas. Existem alguns edifícios em que os ângulos de sombreamento são determinantes na obtenção da etiqueta. Outros, porém, permitem elevar a classificação em, no máximo, um nível de eficiência. Palavras-chave: ENCE, Ângulos de sombreamento, Indicador de Consumo da Envoltória, Método Prescritivo. Abstract The determination of the shading angles of openings in facades is necessary to obtain the National Energy Conservation Label (ENCE) of non-residential buildings envelope, by means of the prescriptive method. This is one of the most time-consuming procedures in labeling inspection. In the equations used for the application of the prescriptive method, the values of the shading angles may represent minimal changes in the Envelope Consumption Indicator’s value. Other parameters addressed by the Technical Regulation of Quality for the Energy Efficiency Level of Service and Public Commercial Buildings (RTQ-C), as the Percentage of Total Facades Opening and Form Factor have higher weights in the equations. It is known that in tropical and humid tropical regions, shading elements play a crucial role in controlling the thermal gain of the building. This study aims to assess the importance of the 2518 XIV ENTAC - Encontro Nacional de Tecnologia do Ambiente Construído - 29 a 31 Outubro 2012 - Juiz de Fora shading angles in different cases, as regards the evaluation of non-residential buildings with projection area greater than 500m² and located at bioclimatic areas 6 and 8. The study was based on the analysis of one of the Prescriptive Method equations, which was changed one parameter at a time. It was found that the influence of these angles on the determination of a good qualification depends on the building’s geometry and the number of the facades openings. There are some buildings in which the shading angles are crucial in obtaining the label. Others, however, they raise the ranking in, at most, one level. Keywords: ENCE, Shading angles, Envelopment Consumption Indicator. 1. INTRODUÇÃO A Política Nacional de Conservação e Uso Racional de Energia (Lei n° 10.295/2001) surgiu a partir da crise energética brasileira de 2001, visando a alocação eficiente de recursos energéticos e a preservação do meio ambiente (BRASIL, 2001). Nela é posto que o Poder Executivo tinha a obrigação de criar mecanismos que promovessem a eficiência energética. Assim sendo, foi publicado pelo INMETRO, em 2009, o Regulamento Técnico da Qualidade para o Nível de Eficiência Energética de Edifícios Comerciais, de Serviços e Públicos (RTQC). O RTQ-C realiza a avaliação de eficiência energética de edificações através de dois métodos: o método prescritivo e o método de simulação. A classificação do nível de eficiência é baseada em três sistemas individuais: envoltória, sistema de iluminação e sistema de condicionamento de ar. Todos os sistemas têm níveis de eficiência que variam de A (mais eficiente) a E (menos eficiente) (INMETRO, 2010). O Método Prescritivo apresenta condições para a classificação de edifícios a partir de equações matemáticas pré-estabelecidas pelo regulamento. As equações de desempenho energético da envoltória quantificam variáveis arquitetônicas para determinar o Indicador de Consumo da Envoltória (ICenv) e, com isso, o nível de eficiência da envoltória. As variáveis arquitetônicas das equações são: • • • • • Fator de Altura (FA); Fator de Forma (FF); Percentual de Abertura nas Fachadas (PAFt); Fator Solar (FS); Ângulos de sombreamento: o Ângulo Vertical de Sombreamento: AVS; o Ângulo Horizontal de Sombreamento: AHS. O estudo enfocou a equação matemática para o desempenho da envoltória, para edifícios situados na zona bioclimática (ZB) 08 e com mais de 500m² – equação 3.12. A partir da aplicação do método prescritivo na etiquetagem de alguns edifícios situados na ZB 08, verificou-se que a obtenção dos ângulos de sombreamento representa a maior parte do tempo destinado à obtenção dos parâmetros da equação. Para obtenção desses ângulos é imprescindível o fornecimento de muitas elevações junto ao projeto arquitetônico a fim de permitir a obtenção dos ângulos de sombreamento de todas as aberturas. Em alguns casos, como edifícios com geometria complexa e com muitas aberturas, as ferramentas de obtenção dos ângulos de sombreamento e as plantas fornecidas nem sempre possibilitam a extração desses dados. 2519 XIV ENTAC - Encontro Nacional de Tecnologia do Ambiente Construído - 29 a 31 Outubro 2012 - Juiz de Fora O RTQ-C determina ângulos de sombreamento como sendo: “Ângulos que determinam a obstrução à radiação solar gerada pela proteção solar nas aberturas.” (INMETRO, 2010). Nele são usados dois ângulos: ângulo vertical de sombreamento (referente a proteções horizontais) e ângulo horizontal de sombreamento (referente a proteções verticais). O regulamento aponta limites máximos para estes em algumas equações e mostra sua importância para a ZB08, como segue: Os ângulos de sombreamento a serem inseridos nas equações 3.3 a 3.12 devem ser usados com valor máximo de 45°[...]. Entretanto, esta exigência não determina o dimensionamento das proteções solares. Elas devem ser projetadas para evitar o sobre-aquecimento dos ambientes internos considerando as necessidades de sombreamento específicas do edifício, as condições sazonais do clima local (trajetória solar e temperaturas) e a orientação de cada fachada. A limitação do ângulo [...] não implica em uma limitação de projeto para as Zonas Bioclimáticas 6 e 8 (INMETRO 2010). Os ângulos de sombreamento dos protetores solar estão diretamente ligados à eficiência energética na edificação, uma vez que reduz o ganho térmico da edificação através da incidência solar direta nas aberturas (LAMBERTS, 2004). A norma brasileira de Desempenho Térmico em Edificações aponta o sombreamento das aberturas como umas das principais estratégias bioclimáticas para a Zona Bioclimática 08, devido à eficiência que esta estratégia resulta na redução do consumo energético (ABNT, 2003). Entretanto, experiências com a classificação de diversas edificações e comparações com o método de simulação demonstraram a modesta influência dos protetores na eficiência energética de edificações (Pedrini, Ferreira et al., 2010). Como a determinação dos ângulos de sombreamento demandam expressivo tempo no levantamento de dados comparado com a inexpressiva contribuição à etiquetagem das edificações analisadas previamente, esse artigo se detém na identificação de situações que compensão a identificação dos ângulos de sombreamento. Foram criadas planilhas contendo a supracitada equação e os valores dos ângulos de sombreamento, do FF e do PAFt foram variados, resultando em valores de ICenv para cada situação. 2. OBJETIVO Avaliar a influência do AVS e do AHS para a determinação do ICenv de edifícios com diferentes valores de FF e PAFt e com área de projeção acima de 500m², situados na ZB 08. 3. METODOLOGIA Neste estudo foi utilizada a equação 3.12 do RTQ-C da ENCE – equação utilizada para edifícios com mais de 500m² e situados na Zona Bioclimática 08. O estudo foi dividido em duas partes. Na primeira parte se procedeu a análise da influência dos ângulos de sombreamento na determinação do ICenv para diferentes conformações de PAFt e FF. Uma segunda parte do estudo está reservada a comprovação das observações realizadas na primeira parte junto a etiquetagem de edifícios reais, em processo de avaliação para a obtenção do selo Procel Edifica. 2520 XIV ENTAC - Encontro Nacional de Tecnologia do Ambiente Construído - 29 a 31 Outubro 2012 - Juiz de Fora Com a aplicação do processo de etiquetagem em alguns edifícios, constatou-se que o FA e o FS são pouco influentes na determinação do ICenv através desta equação e por isso foram suprimidos desse estudo. Seus valores permaneceram constantes em toda a análise para não interferirem nos resultados. O FA foi fixado em 1, Fator de Altura de edifícios térreos, e o FS fixado em 0,87, típico dos vidros simples. Na parte análise dos dados, uma primeira etapa foi reservada ao estudo do comportamento dos ângulos de sombreamento com o FF. Houve a inserção da supracitada equação em duas planilhas: uma para a avaliação do AVS e outra para o AHS. Cada linha da planilha apresenta valores distintos desse conjunto de parâmetros, resultando em valores de ICenv sempre diferentes. O valor dos ângulos de sombreamento variou de 0 a 45°, valores mínimos e máximos conforme delimitado pela RTQ-C, conformando-se como um intervalo de ângulos de sombreamento. A cada intervalo de 0 a 45° foi aumentado o valor do FF em 0,05 unidades, indo do FF mínimo recomendado pela norma – 0,17 (INMETRO, 2010) – até o valor de 0,70. Conforme Carlo (2011) edificações cujo FF superior a esse valor são raras ou praticamente inexistentes. Neste estudo observou-se que edifícios com FF maior que 0,70 normalmente apresentam uma área construída menor que 500m², estando, assim, enquadrados em outra equação do RTQ-C, a Eq. 3.11 (INMETRO, 2010). Esse cruzamento dos intervalos de ângulos de sombreamento com o FF gerou um grupo de dados que foi a base para os cálculos da segunda etapa. Ainda nesta etapa foi realizada a comparação entre o valor do ICenv mínimo para se atingir o selo D e o selo A, para cada valor inserido de FF, com o objetivo de verificar o quanto a mudança nos ângulos de sombreamento podem mudar a etiqueta obtida. A segunda etapa correlaciona essas duas primeiras variáveis com o PAFt, no qual cada grupo de valores de ângulos de sombreamento em função do FF mencionados acima era submetido a um valor diferente de PAFt. Foi inserido inicialmente um valor para o PAFt de 0,15, seguido de um PAFt de 0,20, e a partir deste o valor o PAFt foi acrescido em 0,10 até atingir um PAFt de 0,70. Nesta etapa visou obter-se a influência dos ângulos frente aos mais variados valores do PAFt. O Quadro 1 apresenta um resumo dos valores empregados para cada um dos parâmetros da Eq. 3.12 na elaboração das planilhas. Quadro 1 – Valores utilizados para cada parâmetro AVS variação 0-45° AHS variação 0-45 Paft variação 0,15-0,70 FS constante=0,87 FA constante =1 FF variação 0,17-0,70 Feita estas planilhas, procedeu-se a uma terceira etapa, para determinação de quanto os ângulos de sombreamento impactam na determinação do ICenv. Para isso foi realizada a comparação entre o valor do ICenv obtido para um ângulo de sombreamento nulo e o obtido para o ângulo máximo de 45°, para cada situação de FF e PAFt. Nesta etapa pode-se fazer uma análise comparativa entre esses dois ângulos de sombreamento. Em uma quarta etapa foi realizada uma análise com a variação dos valores em ambos os ângulos de sombreamento frente aos outros parâmetros, para se verificar de que forma o uso mutuo destes ângulos pode alterar o valor do ICenv. Na segunda parte do estudo aplicam-se as observações encontradas na primeira parte em quarto edifícios em processo de avaliação para a obtenção do selo Procel Edifica. São 2521 XIV ENTAC - Encontro Nacional de Tecnologia do Ambiente Construído - 29 a 31 Outubro 2012 - Juiz de Fora edifícios submetido localizados na Zona Bioclimática 8, submetidos a equação 3.12 e que já foram avaliados pelo Método Prescritivo do RTQ-C. 4. RESULTADOS Após as análises realizadas na primeira parte deste estudo constatou-se que o aumento dos ângulos de sombreamento reduz o valor do ICenv em todas as situações. A redução máxima do ICenv é um valor sempre constante, independentemente dos outros parâmetros. O ICenv varia em 16,20 unidades (valor adimensional) entre o AVS nulo e de 45° e 7,20 unidades entre o AHS nulo e de 45°. Os outros parâmetros atuam de maneiras distintas na determinação da etiqueta. O FF amplia ou reduz o intervalo entre as etiquetas A e E. O PAFt também atua diretamente na determinação do ICenv, porém tendo um peso variável em função do FF. Segundo Carlo e Maciel (2011), na Zona Bioclimática 08 esse parâmetro têm influência média de 68,56%. A seguir é mostrado como esses valores se relacionam na determinação do ICenv. 4.1. Relação dos Ângulos de Sombreamento com o FF Conforme apontado pelo RTQ-C, os valores limites para a etiqueta A e a etiqueta D dependem da determinação do ICmáx e do ICmín, e estes estão relacionados exclusivamente aos valores do FF e do FA (INMETRO, 2010). Durante as análises foi verificado que quanto maior o FF, maior será a diferença do ICenv entre as etiquetas A e D. Para FF mínimo (igual a 0,17 – que se dá em edifícios com pequena área de envoltória em relação ao seu volume, ou grandes edifícios), a diferença do ICenv entre as etiquetas A e D é de 11,85 unidades, o que faz com que o aumento dos ângulos de sombreamento tenha muita influência na variação da etiqueta de eficiência. Como o aumento do AVS de 0 para 45° reduz 16,20 unidades ao ICenv, pode-se provocar uma mudança de etiqueta de E para A. Já um aumento no AHS de 0 para 45° provocar uma mudança de etiqueta de E para C. Em contrapartida, a Figura 1 demonstra que os edifícios com FF alto, próximo a 0,70, a diferença entre a etiqueta A e a D é de 75,31 unidades, fazendo com que o incremento nos ângulos de sombreamento pouco altere a etiqueta obtida. Isto é válido para edifícios pequenos, com grande área de envoltória em relação ao seu volume. As 16,20 unidades decrescidas do ICenv em caso do aumento do AVS podem, dependendo da situação, nem modificar a etiqueta. Portanto, a análise da Eq. 3.12 demonstra que as proteções solares representam uma redução do consumo energético maior nos edifícios com FF baixo – grande volume interno em relação à área da envoltória – do que nos edifícios com FF alto – pequenos volumes em relação à área da envoltória. A equação indica que nos edifícios com maior área de envoltória e, consequentemente, maiores superfícies para aberturas, os ângulos de sombreamento têm menor influência na determinação da etiqueta, se comparados com edifícios com menor área de envoltória. Entretanto, em termos conceituais, quanto maiores as áreas de aberturas em relação à área de piso (ou ao volume) da edificação, maiores seriam as trocas térmicas entre o interior da edificação e o exterior resultantes dessas aberturas. A Figura 2 exemplifica essa relação. O edifício “A” apresenta um FF menor que o edifício “B”, devido a uma menor área de envoltória em relação ao seu volume. Com mais área de aberturas em relação à área de piso, as trocas térmicas do edifício “B” com o exterior pelas aberturas seriam maiores que no edifício “A”. 2522 XIV ENTAC - Encontro Nacional de Tecnologia do Ambiente Construído - 29 a 31 Outubro 2012 - Juiz de Fora Nesse caso, as aberturas apresentam maior influência nas trocas térmicas com o exterior nos edifícios com FF maiores, e não o inverso, como sugere a Eq. 3.12. Os ângulos de sombreamento deveriam ter um impacto maior no edifício “B” que no edifício “A”. Figura 1. Variação da classificação da envoltória com fator igual a 0,70 (a) e 0,30 (b). (b) (a) Figura 2. Edifícios com Fatores de Forma diferentes. EDIFÍCIO B EDIFÍCIO A 4.2. Relação dos Ângulos de Sombreamento com o PAFt Conforme apontado por Carlo e Maciel (2011), a influência do PAFt na determinação do ICenv é de quase 70% para a Eq. 3.12. Ou seja, o consumo depende majoritariamente da proporção de aberturas nas fachadas. Os resultados obtidos na segunda etapa corroboram para isso. Verificou-se que, com um PAFt baixo, inferior a 0,15, tem-se sempre nível A, independente dos valores dos ângulos de sombreamento e FF. Não se justifica, aqui, medir os ângulos de sombreamento da edificação. De acordo com a Tabela 1, a medida que os valores do PAFt são acrescidos, além de aumentar o ICenv, cresce também a importância dos ângulos de sombreamento. PAFt acima de 0,60, em qualquer geometria, sempre obtém nível E para ângulos de sombreamento nulos. Existe, porém, alguns casos em que, caso seja utilizado um AVS máximo, pode-se melhorar a qualificação de um edifício com muitas aberturas do nível E para o nível A. Esses casos dependem do valor do FF, que como já abordado acima, estabelece os limites e intervalos entre a etiqueta D e A. Na análise do AHS, caso se tenha o ângulo máximo (45º) e PAFt 0,60, a etiqueta obtiva eleva-se E para C. 2523 XIV ENTAC - Encontro Nacional de Tecnologia do Ambiente Construído - 29 a 31 Outubro 2012 - Juiz de Fora Tabela 1. Influência dos ângulos de sombreamento na variação da etiqueta a partir do FF e PAFt FF 0,15 0,50 0,70 PAFt Influência do AVS Influência do AHS 0,2 B→A B→A 0,5 D→A D→B 0,7 E→A E→C 0,2 B→A B→A 0,5 D→C D→C 0,7 E→D E→E 0,2 B→A B→A 0,5 D→C D→D 0,7 E→E E→E Certas combinações de PAFt e FF altos sempre resultam em nível de eficiência E. São casos em que também não haveria a necessidade de se medir os ângulos de sombreamento da edificação. Importante salientar que, como neste estudo foi considerado um Fator Solar de 0,87, relativo aos vidros comuns, vidros especiais poderiam ser empregados para melhorar a eficiência da edificação. 4.3. Emprego do AVS e AHS separados ou simultâneos Conforme apontado anteriormente, o AVS aplicado à Eq. 3.12 com o AHS nulo pode decrescer até 16,20 unidades ao ICenv. Isso representa mais que o dobro do valor decrescido pelo emprego do AHS com AVS nulo, que é de 7,20 unidades. Como estas simulações feitas com os ângulos de sombreamento separados apresentaram sempre como resultado esses dois valores fixos, era esperado que o emprego mútuo deles numa mesma planilha resultaria numa soma dos dois valores. Ou seja, era esperado que o valor decrescido do ICenv pelo emprego dos ângulos de 45º no AVS e AHS fosse 23,40 unidades em todas as situações. Isto, porém, não foi observado nas análises. Percebeu-se que o resultado desta combinação depende diretamente do PAFt. O gráfico da Figura 3 mostra o comportamento do emprego simultâneo de AVS e AHS na Eq. 3.12. O valor de 23,40 só foi registrado para edifícios com PAFt nulos, ou seja, edifícios sem aberturas. Na medida em que o PAFt aumenta, reduz-se o valor resultante do emprego dos dois ângulos. A partir de um PAFt de 0,36 esse resultado já aparece inferior ao obtido pelo emprego isolado do AVS. Em um PAFt igual a 0,70, o uso simultâneo dos ângulos resulta numa redução de ICenv de, apenas, 9,22 unidades. Portanto, a Eq. 3.12 da norma aponta que o emprego simultâneo dos ângulos de sombreamento é valido para edifícios com PAFt menor que 0,36. Para PAFt maior que 0,36, a redução no ICenv é maior utilizando-se apenas o AVS e mantendo-se o AHS nulo. Para esses casos, o uso do ângulo horizontal de sombreamento deve ser excluído para se obter um menor IC. Esse comportamento contraria o que foi recomendado pela Norma de Desempenho Térmico em Edificações (ABNT, 2003) para edifícios na Zona Bioclimática 08, que associa um maior sombreamento das aberturas a melhores condições de conforto para os ocupantes. Apenas para edifícios com poucas aberturas esta condição é atendida. 2524 XIV ENTAC - Encontro Nacional de Tecnologia do Ambiente Construído - 29 a 31 Outubro 2012 - Juiz de Fora Figura 3. Emprego simultâneo dos ângulos de sombreamento na determinação do ICenv 4.4. Comparação com modelos reais A fim de comprovar a aplicabilidade dos resultados acima apontados, foi feita uma comparação entre o que foi obtido e edifícios reais que estão sendo etiquetados. A tabela abaixo apresenta edifícios em processo de etiquetagem dos quais foram extraídos os parâmetros de determinação do IC e a etiqueta obtida – a etiqueta foi obtida através da aplicação da equação, sem considerar os pré-requisitos que também determinam a etiqueta alcançada. Tabela 1. Edifícios reais e parâmetros para determinação do IC. Edifício NUPRAR Alfred Nobel Escola de C&T BLOCO I Etiqueta A A A A IC 181,66 459,63 101,66 178,81 AVS 3,98 2,78 30,87 45,00 AHS 4,35 19,10 7,81 17,43 PAFt 0,22 0,32 0,08 0,06 FF 0,26 0,17 0,22 0,28 4.4.1. NUPRAR O edifício do NUPRAR é um prédio de laboratórios situado no Campus Central da UFRN, Natal. Conforme visto na tabela acima, através da equação 3.12 do RTQ-C, o edifício apresenta selo A, mesmo com ângulos de sombreamento pequenos – AVS igual a 3,98 e AHS igual a 4,35. Segundo análise anterior, isso acontece devido ao baixo valor de PAFt (0,22), no qual os ângulos de sombreamento apresentam pouca influência na determinação do IC. Apesar dessa pouca influência, como o valor do FF também é pequeno (0,26), a variação dos ângulos de sombreamento mudaria a etiqueta para B, caso os ângulos de sombreamento fossem nulos. 4.4.2. ALFRED NOBEL Situado em Recife, o Alfred Nobel é um edifício comercial de escritórios. Ainda em fase de projeto, ele apresenta grandes panos de vidro em suas fachadas, o que resulta em um PAFt de 0,32. Pelo método utilizado, o edifício obtém etiqueta A devido à associação dos seus ângulos de sombreamento, no qual se fosse reduzido um de seus valores em 2° a etiqueta de envoltória seria reduzida para B. 2525 XIV ENTAC - Encontro Nacional de Tecnologia do Ambiente Construído - 29 a 31 Outubro 2012 - Juiz de Fora O edifício possui também um bom FS (0,42) para reduzir ainda mais o valor de seu IC, só que neste estudo este quesito não foi abordado. 4.4.3. ESCOLA DE C&T e BLOCO I A Escola de Ciências e Tecnologia e o Bloco de Aulas Teóricas I, do setor IV, encontram-se no Campus Universitário Central da UFRN, em Natal. Ambos os edifícios apresentam protetores solares que servem para reduzir o valor do PAFt a valores muito pequenos, menor que 0,1. Conforme apontado anteriormente, valores de PAFt menores que 0,15 sempre obtém o selo A, independente dos outros fatores envolvidos. No caso de ambos os edifícios, os valores altos dos ângulos de sombreamento servem para reduzir ainda mais o resultado do Indicador de Consumo da Envoltória. 5. CONCLUSÕES A determinação dos ângulos de sombreamento é uma das etapas mais demoradas do processo de etiquetagem. Porém, essa etapa é também parte fundamental para se indicar o valor de consumo energético de uma edificação. A partir dos resultados apontados é possível antever, em alguns casos, o nível de classificação de envoltória que um edifício poderá obter através da aplicação do Método Prescritivo. Em outros casos será permitido entender o quanto o aumento dos ângulos de sombreamento ajudará na redução do ICenv. É possível também determinar as situações em que o valor dos ângulos de sombreamento pode alterar a etiqueta obtida. Caso a etiqueta não venha a ser alterada, independentemente do valor do ângulo de sombreamento, como ocorre em valores de PAFt pequenos, a etapa de cálculo dos ângulos torna-se simplesmente burocrática, devendo ser realizada apenas para registro do processo de etiquetagem, conforme determina o RAC-C (INMETRO, 2010). Ou seja, uma das etapas mais demoradas no processo de etiquetagem não é necessária para a determinação da etiqueta em alguns casos. Constatou-se que os ângulos têm um peso idêntico em todas as configurações, entrentanto é de comum senso que a proteção das aberturas é mais influente na eficiência energética em edifícios com maiores aberturas. A equação analisada poderia fazer variar o peso dos ângulos de sombreamento em função do PAFt da edificação. Com isso, mostraria que grandes proteções são mais importantes em edifícios com grande percentuais de abertura do que quando o percentual de aberturas nas fachadas é pequeno, corroborando com o indicado pela Norma de Desempenho Térmico em Edificações (ABNT, 2003). O sombreamento das aberturas contraria a lógica quanto emprega ângulos de sombreamento, AVS e AHS, simultaneamente. A partir de um PAFt de 0,36, o emprego do AVS combinado com o AHS prejudica a classificação da envoltória da edificação, quando se teria um bom desempenho térmico deixando as grandes aberturas bem sombreadas. Quanto ao FF, os ângulos de sombreamento têm um peso maior na etiqueta de edifícios com FF baixo do que nos edifícios com FF alto. Este resultado não demonstra lógica, pois edifícios com FF alto, a área de envoltória e as áreas de abertura são mais determinantes nas trocas térmicas da edificação com o exterior que edifícios com FF baixo. REFERÊNCIAS ABNT, ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Desempenho Térmico em Edificações, 2003. 2526 XIV ENTAC - Encontro Nacional de Tecnologia do Ambiente Construído - 29 a 31 Outubro 2012 - Juiz de Fora BRASIL. Lei n. 10295, de 17 de outubro de 2001. Dispõe sobre a Política Nacional de Conservação e Uso Racional de Energia. Lex: Diário Oficial da União, Brasília, 2001a. CARLO, Joice C.; MACIEL, Liliane F. ANÁLISE DE SENSIBILIDADE DO INDICADOR DE CONSUMO FRENTE ÀS VARIÁVEIS DAS EQUAÇÕES DO RTQ-C. XI ENCAC Búzios 2011. INMETRO. Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial. Portaria 372, de 17 de setembro de 2010. Requisitos Técnicos da Qualidade para o Nível de Eficiência Energética de Edifícios Comerciais, de Serviços e Públicos. Rio de Janeiro, 2010. INMETRO. Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial. Portaria 395, de 11 de outubro de 2010. Requisitos de Avaliação da Conformidade para o Nível de Eficiência Energética de Edifícios Comerciais, de Serviços e Públicos. Rio de Janeiro, 2010. LAMBERTS, Roberto. et al. Eficiência Energética na Arquitetura. 2ª edição, revisada. São Paulo: ProLivros, 2004. PEDRINI, A. et al. Análise comparativa da eficiência energética de envoltórias segundo o regulamento de etiquetagem de edifícios. XIII Encontro Nacional de Tecnologia do Ambiente construído, 2010, Canela. AGRADECIMENTOS Os autores agradecem à ELETROBRAS, financiadora da pesquisa. 2527