VII Concurso de Monografia CVM e BOVESPA Os pequenos investidores ganham dos grandes? Uma análise da performarce recente dos Fundos de Investimentos Ibovespa Ativo Pseudônimo: Femp Os pequenos investidores ganham dos grandes? Uma análise da performarce recente dos Fundos de Investimentos Ibovespa Ativo RESUMO Este artigo tem como objetivo principal analisar conjuntamente o desempenho dos fundos de ações ibovespa ativo com e sem alavancagem entre 30 de junho de 2005 e 30 de junho de 2006 para verificar se os fundos grandes têm retorno ajustado ao risco semelhante ao dos fundos pequenos, que o pequeno investidor pode auferir um desempenho semelhante aos dos grandes investidores, e testar a eficiência do mercado. Para isso foram criadas duas carteiras hipotéticas com base no patrimônio líquido, sendo uma representativa dos fundos pequenos e uma representativa dos fundos grandes, e depois analisado o desempenho dessas carteiras uma contra a outra e contra o ibovespa pelo índice de Sharpe e de Modigliani. O estudo apresenta evidencia de que os fundos pequenos superam tanto o mercado quanto os fundos grandes, que os pequenos investidores poderão obter um desempenho melhor que os grandes e que a avaliação de resultados passados pode ser utilizada para definir uma estratégia vitoriosa de investimento, ou seja, o mercado não é eficiente. 1 - INTRODUÇÃO Os fundos de investimento e seu papel no desenvolvimento econômico vêm, há muito tempo, ganhando importância e atenção. O surgimento dos fundos de investimento no Brasil teve dois ciclos, o primeiro está diretamente ligado a uma série de políticas econômicas adotadas no final dos anos cinqüenta e inicio dos anos sessenta. Dentre essas medidas podemos ressaltar a reforma do sistema financeiro onde um dos objetivos era a 2 criação de um sistema financeiro capaz de ampliar a oferta privada de recursos de longo prazo apoiado nas operações de crédito e do mercado de capitais. Com isso, foram concedidos diversos incentivos financeiros para a formação de poupança financeira visando o fortalecimento das bolsas de valores. Ainda dentro do primeiro ciclo, os fundos de ações e debêntures tiveram uma forte expansão até 1971, quando houve a primeira crise na bolsa de valores. Do final de 1971 até o inicio dos anos 80 ocorreu uma crise na indústria de fundos, provocando o esvaziamento da carteira de fundos livres e a sua conversão progressiva em fundos de renda fixa. A partir de 1984, fora criado formalmente os fundos de renda fixa encerrando o primeiro ciclo no governo Collor, com seqüestro dos ativos financeiros. O segundo ciclo começou nos anos 90 com as políticas visando o alongamento dos fundos de investimentos e a progressiva liberalização e abertura do sistema financeiro. A partir de então a indústria de fundos passou a desempenhar um papel importante na captação de recursos do exterior através da criação dos fundos de investimento estrangeiro. Um ponto importante que ocorreu nesse período inerente ao processo de internacionalização do sistema financeiro consistiu no fato de que a presença dos bancos estrangeiros no Brasil trouxe a segmentação da administração de fundos dos países de origem, considerada mais adequada a sistemas financeiros com bancos universais, como o brasileiro. A indústria de fundos também foi fortemente influenciada pela reforma monetária de 94. A princípio, a estabilidade dos preços deixou de justificar a utilização das aplicações financeiras como mecanismos de proteção, mas as perspectivas de longo prazo começaram a se apresentar promissoras, além do fato de que as finanças públicas apresentavam-se equilibradas. 3 Mais recentemente, a partir de 2000, a indústria de fundos passou por um conjunto de reformas liberalizantes, cujo objetivo foi aumentar a liberdade de gestão dos fundos e incentivar a diferenciação do segmento. Paralelamente a essas mudanças, a Comissão de Valores Mobiliários ganhou maiores responsabilidades no que tange a fiscalização e supervisão dos fundos, ao mesmo tempo em que a Associação Nacional dos Bancos de Investimentos desenvolveu o Código de auto-regulação. Não há dúvida de que os fundos de investimento desempenharam e continuam desempenhando um papel importante na formação de poupança financeira visando o fortalecimento das bolsas de valores, a criação de uma fonte de financiamento de longo prazo de baixo custo para as empresas e no financiamento do setor público. Contudo o que se precisa saber é quais são os benefícios que esses fundos poderão proporcionar aos investidores, e mais particularmente os pequenos investidores. Do ponto de vista do investidor, pode-se dizer, à priori, que a importância dos fundos de investimento se dá pelos seguintes motivos: a) Gestão Profissional: Os fundos contam com uma estrutura de administração especializada na gestão de investimento, capacitada a implementar estratégia de investimento de acordo com as preferências dos investidores, mantendo uma gestão de risco que busca maximizar o retorno a um nível de risco controlado. b) Economia de Escala: Quando o investidor investe em fundo, o mesmo aufere ganho de escala, pois além de economizar seu próprio tempo, os custos do investimento tornam-se menores. Isso por que para gerir seus próprios 4 investimentos, o investidor precisa contar com uma estrutura que compreende desde a gestão dos riscos até os procedimentos legais e administrativos necessários para a negociação dos ativos, o que para um pequeno investidor é inviável. Um fundo de investimento administra recursos de diversos investidores com a mesma estrutura necessária para gerir os recursos de um só investidor. c) Ganhos Superiores: Os fundos de investimento conseguem, através da gestão especializada, obter um retorno superior ao de um fundo administrado por um investidor leigo. d) Liquidez: O investidor poderá investir em títulos de longa maturação e, contudo, não perder a alta liquidez do investimento. e) Facilidade de diversificação: O investidor pode comprar um portfolio muito diversificado de ativos utilizando um capital bem menor do que seria necessário para construí-lo individualmente. Como este artigo avaliará o desempenho histórico de fundos de ações segmentados por fundos de pequenos e grandes patrimônios líquidos, indiretamente será avaliada a eficiência da gestão de grandes portfolios. Desta forma, as vantagens apresentadas acima poderão ser corroboradas ou refutadas para a amostra analisada. Para essa avaliação, esse artigo testará conjuntamente os fundos Ibovespa ativo com alavancagem e sem alavancagem. Dado isso, passamos agora para o objetivo central dessa pesquisa. 5 O objetivo desse artigo consistirá em avaliar se os fundos de investimentos ibovespa ativo com alavancagem e sem alavancagem geram benefícios adicionais para os investidores e se há diferença de performance entre fundos grandes e pequenos. Para estudar os objetivos propostos, foram adotadas as seguintes hipóteses: i) A primeira hipótese será a de que os fundos grandes têm retorno ajustado ao risco semelhante ao dos fundos pequenos e que os pequenos investidores poderão auferir retorno ajustado ao risco semelhante ao dos grandes investidores. ii) A segunda hipótese afirma que os fundos não conseguem vencer o mercado persistentemente, e, portanto, não é justificada a administração ativa. Em outros termos, admitimos que o mercado seja eficiente. Essa pesquisa será realizada com base nos dados das cotas e dos patrimônios líquidos dos fundos desde julho de 2005 até junho de 2006. Utilizaremos esse período em função da relativa estabilidade econômica observada, pelo fato de não haver mudança significativa na regulamentação dos fundos e, por fim, uma coleta que nos permita observar uma amostra significativa (isto é, um ano de cotas diárias) para os testes que serão elaborados e demonstrados no decorrer deste artigo. O artigo está dividido em 4 seções, incluindo esta introdução. Após a mesma, na seção 2, faremos uma revisão teórica, na qual abordaremos a teoria dos mercados eficientes, a controvérsia administração ativa versus passiva e os indicadores de performance de Sharpe e de Modigliani que serão utilizados para classificar os fundos. Na seção 3, apresentaremos a metodologia e os resultados da pesquisa. Na metodologia, serão detalhados a amostra e o tratamento dos dados, como se deu a formação das carteiras hipotéticas (carteira A para 6 fundos grandes e carteira B para fundos pequenos), o ativo livre de risco, o benchmark e dos indicadores de Sharpe e de Modigliani que serão utilizados na pesquisa. Na parte dos resultados, serão feitas duas análises: uma análise será considerada a trajetória dos 12(doze) meses pesquisados e a segunda será uma análise do acumulado do período. O artigo se encerra com uma última seção de conclusões. 2 - REVISÃO TEÓRICA Nesta seção abordaremos os princípios teóricos da eficiência dos mercado e em seguida apresentaremos os indicadores de desempenho dos fundos de investimento utilizados posteriormente. 2.1- Eficiência de Mercados Desde a década de 1960, o conceito de mercado eficiente tem ocupado um espaço relevante na literatura acadêmica. Em finanças, esse conceito pode ser compreendido como sendo uma situação na qual os preços refletem todas as informações disponíveis. Uma condição necessária para a validade dessa hipótese é a de que não há custo de transação nem de aquisição de informação. Porém como sabidamente esses custos existem e são maiores que zero, faz sentido dizer que os preços refletem todas as informações na qual o custo marginal de aquisição seja maior ou igual ao benefício marginal. A maioria dos testes de eficiência de mercado, na prática tem se preocupado com a velocidade com a qual a informação é incorporada no preço, mas não discute se é ou não 7 corretamente incorporada. A teoria do mercado eficiente divide a eficiência do mercado em três categorias: eficiência na forma fraca, semiforte e forte. Eficiência Fraca: A eficiência fraca tem como característica o fato de que todas as informações passadas já estão refletidas no preço corrente dos ativos. A validade da eficiência em sua forma fraca, implica na inutilidade do retorno passado como base para a formação de expectativa quanto ao preço futuro. Em outras palavras a existência da eficiência em sua forma fraca significa que a velocidade da incorporação da nova informação no preço dos ativos é suficiente para que no momento em que o investidor for capaz de dizer que houve uma mudança nas perspectivas da empresa, tal mudança já esteja integralmente refletida no preço. Eficiência Semi-Forte: A eficiência em sua forma semiforte consiste em que todas as informações públicas sobre a empresa já estão representadas nos preços. Isso implica que a maior parte das análises fundamentalistas de empresas não devem possibilitar retornos extraordinários aos investidores. Pois não bastará identificar as boas empresas, mais sim aquelas que serão as melhores e, isso deve ser feito antes que o resto do mercado também as reconheça como superiores. Eficiência Forte: A eficiência forte afirma que os preços de mercado já refletem todas as informações relevantes, tanto públicas como privadas sobre a empresa. Se os testes evidenciar que há eficiência em sua forma forte, todas as análises de títulos seriam postas em dúvida. 8 “A hipótese de mercado eficiente tem implicações muito importantes para análise de títulos. Por exemplo, se testes empíricos constatarem que não é possível prever retornos futuros a partir de retornos passados, então as táticas de negociação baseadas em exames de seqüência de preços passados serão inúteis. Se a forma semiforte da hipótese de mercado eficiente dor apoiada pela evidencia empírica, então as regras de negociação baseada em informações publicamente disponíveis são suspeitas. Finalmente, se os testes da forma forte da hipótese revelarem que o mercado é eficiente, então a própria análise de títulos estaria em dúvida” (Edwin et all, 2004) 2.2 - Administração Ativa e Passiva A administração ativa consiste em tomar posições diferentes dos benchmarks tendo como objetivo superá-los. Por outro lado a administração passiva consiste em replicar uma carteira de mercado. De acordo com a teoria do mercado de capitais e a hipótese de mercados eficientes, não há ativos mal precificados para obter ganhos extraordinários. Com isso não se justifica a existência de administração ativa, e, portanto, a obtenção de carteiras eficientes se dá mediante a administração passiva. Os que advogam em favor da administração ativa argumentam que os mercados de capitais são ineficientes o bastante para justificar os custos de procurar oportunidades de ganhos adicionais em virtude da existência de ativos mal precificados. Os que advogam em favor da administração passiva argumentam que o mercado é eficiente o suficiente para não permitir ganhos adicionais de forma persistente. 9 2.3 - Avaliação de Performance O processo de decisão de investimento bem estruturado não pode abster da avaliação da performance de investimentos. Isso porque somente através da análise de desempenho será possível identificar os pontos fortes e fracos dos administradores (próprios ou de terceiros), compreender as políticas gerais dos fundos, saber o quão diversificado é o fundo, com que intensidade o fundo busca auferir ganhos com as aberrações de curto prazo nos preços, e não só comparar o desempenho de um fundo com outro, mas saber o que causou o desempenho observado. O senso comum poderia levar à conclusão de que o melhor fundo de investimento é aquele que apresenta o maior retorno esperado, contudo esse critério não é suficiente, pois ao investidor não basta saber o quanto ele poderá ganhar, mas também quanto poderá perder. Em outras palavras, o processo de decisão de investimento leva em consideração o retorno esperado ajustado ao risco. Dentro do processo de avaliação de performance de investimento há duas abordagens clássicas : análise de seleção de ativos e análise de timing. A análise de seleção de ativos busca responder se o fundo conseguiu selecionar uma carteira de ativos superior ao benchmark, já a análise de timing, busca indagar se o market timing resultou em benefícios extras em virtude da antecipação em relação ao benchmark ou somente em maiores custos de transações. Esse artigo se concentrará na análise de seleção de ativos, para isso será utilizado o índice de Sharpe e o índice de Modigliani. 10 2.3.1 - Índice de Sharpe O índice de Sharpe é um indicador de eficiência criado por Sharpe que tem como referencial a linha do mercado de capitais. Esse índice, é uma medida de avaliação da relação risco e retorno que tem uma ampla utilização pelos analistas de investimentos. A idéia básica desse indicador é a de que para medir performance de um ativo, é necessário levar em consideração não só o retorno mas também o risco assumido. Nesse sentido devese indagar quanto o ativo oferece de retorno para cada unidade de risco incorrido. O modelo de avaliação de performance pelo índice de Sharpe é dado pela equação (1). Quanto maior o resultado deste, melhor é a performance do portfólio. A limitação desse indicador consiste no fato de que quando o retorno do ativo arriscado for menor que o retorno do ativo livre de risco (resultado do índice negativo) e/ou quando a volatilidade dos fundos sob comparação for muito pequena, o indicador torna-se insuficiente para classificar os portfólios. (1) IS = [E (R )− R ] p f σp 2.3.2 - Índice de Modigliani Esse índice foi proposto por Modigliani e Modigliani (1997) como uma medida de retorno ajustado ao risco que tem como idéia básica usar o custo de oportunidade do risco de mercado para com isso ajustar todos os portfólios ao nível de risco do benchmark de mercado. Esse índice é expresso em termos percentuais, o que de certa forma facilita a 11 compreensão por parte dos investidores. Quanto maior for esse indicador melhor a classificação do portfólio. Sua fórmula de cálculo é dada pela equação (2). (2) [ ] ⎧⎪⎡ E (R p ) − R f ⎤ I MM = ⎨⎢ ⎥ •σ m + Rf σp ⎪⎩⎣⎢ ⎦⎥ ⎫⎪ ⎬ ⎪⎭ 3 – METODOLOGIA E RESULTADOS 3.1 - Metodologia Os dados de Cota e Patrimônio Líquido dos Fundos analisados foram obtidos pela fonte primária ANBID e, alguns cálculos, tiveram como auxílio o software Smart Investor software de análise e performance de ativos financeiros da Consultoria PR&A - Financial Products. Os fundos contidos na amostra são todos classificados como Ibovespa ativo com e sem alavancagem. Os dados coletados foram feitos com base no valor do fechamento diário das cotas e do patrimônio líquido dos fundos, e o período de coleta foi de 12 meses, compreendendo o período de 30 de junho de 2005 até 30 de junho de 2006. Um dos problemas apresentados na coleta dos dados dos fundos de investimento, consiste no fato de que existe um viés de sobrevivência. O viés de sobrevivência pode ser compreendido como sendo uma distorção na amostra causada pelo processo de seleção natural dos fundos. A seleção natural é um processo na qual o fato do mercado ser altamente competitivo impõe o fechamento ou a incorporação do fundo com desempenho 12 ruim a outro fundo com melhor desempenho. Com isso ao se avaliar a amostra apenas com os fundos sobreviventes, a rentabilidade tende a ser maior, uma vez que os fundos com baixo desempenho já foram eliminados da amostra. O investidor que estivesse buscando uma aplicação rentável só teria acesso aos fundos sobreviventes, com média mais alta, e isso, poderia induzi-lo a supervalorizar a rentabilidade de um segmento do mercado. Além disso, a amostra poderá ficar estatisticamente comprometida, dado que uma parcela representativa da população está fora da amostra. A metodologia empregada para minimizar o viés de sobrevivência teve como base dois critérios complementares de seleção: o critério da publicação e do período mínimo de sobrevivência. Nesse sentido, só foram inclusos na amostra os fundos que não deixaram de publicar os valores diários das cotas no mínimo nos últimos doze meses, ou seja, para cada mês que fora coletado os dados, o fundo deveria ter publicado o valor de sua cota no mínimo nos últimos doze meses, mesmo que este não tenha aparecido em todos os doze meses que foram coletados os dados. Com isso, um fundo que esteja contido na amostra no mês de julho de 2005, não necessariamente deverá estar contido na amostra no mês de junho de 2006. Embora essa metodologia exclua uma parcela da população, para os objetivos que se pretende neste artigo, acredita-se que não haverá perda significativa em termos da qualidade da amostra e portanto dos resultados obtidos. Com o objetivo de analisar os fundos grandes e pequenos, fora criado uma carteira representativa dos fundos grandes e uma carteira representativa dos fundos pequenos. O motivo para a criação dessas carteiras consiste no fato de que para os objetivos que se pretende, seria trabalhoso e pouco conclusivo analisar os fundos de forma individualizada. 13 As carteiras grandes (carteira A) foram definidas como sendo carteiras de fundos cujo patrimônio líquido médio no mês fosse maior que R$ 25 (vinte e cinco) milhões. Já a carteira de fundos pequenos (carteira B) foram definidas como sendo fundos cujo patrimônio líquido fosse menor que R$ 20(vinte) milhões. Observa-se que há uma janela de R$ 5 (cinco) milhões para que não haja mudança do fundo da carteira grande para pequena de um mês para outro gerando com isso distorção na análise. O retorno da carteira foi mensurado através da ponderação do retorno do fundo(j) por sua respectiva participação relativa no patrimônio total médio da carteira wj que este pertencer (grande ou pequena). A fórmula estrutural do retorno da carteira mensal é dada pela equação (3) e da carteira dos doze meses acumulados é dado pela equação (4). O risco da carteira mensal fora mensurado a partir do desvio padrão de cada fundo ponderado pelo patrimônio médio do fundo. Já para a carteira com os doze meses acumulados, foi calculado seu risco a partir do desvio padrão dos retornos mensais da carteira. Observa-se que um dos pressupostos considerados na metodologia de cálculo do risco da carteira consistiu na desconsideração da correlação entre os fundos. Isso por que se acredita que não seja razoável incorporar a correlação no cálculo do risco da carteira hipotética dos fundos, quando cada fundo já é de certa forma diversificado, e, portanto, já eliminou grande parte do risco específico de seus ativos. Nesse sentido adota-se uma hipótese forte de que a correlação dos fundos seja nula. Com isso a fórmula básica para o cálculo do risco das carteiras que se adotou nesse trabalho está expressa na equação (5) e (6), sendo que a primeira é mensal e a segunda do período acumulado. 14 ⎛ ⎜ ⎜ ⎛ Pj ( t ) mensal Re torno I carteira = ∑ ⎜ ln ⎜⎜ P 1= j ⎜ ⎝ ⎜ ⎝ w (3) (4) ⎛ ⎜ ⎞ ⎜ PL j ⎟• w ⎟ ⎜ j ( t −1) ⎠ ⎜⎜ ∑ PL j ⎝ j =1 ⎧ ⎡ ⎛ ⎜ ⎪t ⎢ w ⎜ ⎛ Pj (t ) ⎪ ⎢ acumulado Re torno I carteira = ⎨Π 1 + ∑ ⎜ ln ⎜⎜ 1= i ⎢ ⎪ ⎢ 1= j ⎜ ⎝ P ⎜ ⎪ ⎢ ⎝ ⎩ ⎣ (5) (6) ⎛ ⎜ ⎞ ⎜ PL j ⎟⎟ • w ⎜ j ( t −1) ⎠ ⎜⎜ ∑ PL j ⎝ j =1 ⎧⎡ ⎛ ⎪⎢ w ⎜ ⎜ ⎪ mensal σ (risco) carteira = ⎨ ⎢ ∑ ⎜ σ j ⎢ 1= j ⎪⎢ ⎜ ⎪ ⎢ ⎜⎝ ⎩⎣ σ ( risco ) acumulado carteira ⎞⎞ ⎟⎟ ⎟⎟ ⎟⎟ ⎟⎟ ⎟ ⎟ ⎠⎠ = σ Re torno ⎛ ⎜ ⎜ PL j •⎜ w ⎜⎜ ∑ PL j ⎝ j =1 ⎞ ⎞⎤ ⎫ ⎟ ⎟⎥ ⎪ ⎟ ⎟⎥ ⎪ ⎟ ⎟⎥ ⎬ − 1 ⎟⎟ ⎟⎟⎥ ⎪ ⎠ ⎠⎥⎦ ⎪⎭ ⎞ ⎞⎤ ⎫ ⎟ ⎟⎥ ⎪ ⎟ ⎟⎥ ⎪ ⎟ ⎟⎥ ⎬ ⎟⎟ ⎟⎥ ⎪ ⎟ ⎠ ⎠⎥⎦ ⎪⎭ Mensal I Carteira Para se analisar a performance dos fundos, utiliza-se um ativo livre de risco como base para mensurar o prêmio pelo risco assumido. Nesse sentido o que se pretende medir não é o retorno total comparado ao risco assumido, mas sim o retorno auferido em excesso por unidade de risco incorrido para obtê-lo. O ativo livre de risco considerado nesse artigo fora o certificado de deposito interbancário registrado no sistema especial de liquidação e custódia (CDI-SELIC). A coleta dos dados do retorno desse ativo foi obtida através do sistema do IPEADATA, sendo o período de coleta semelhante ao dos fundos já mencionados acima. O benchmark utilizado é o Ibovespa, dado que os fundos que foram utilizados são Ibovespa ativo com e sem alavancagem, além do fato de que o índice Bovespa é um indicador 15 representativo do mercado acionário brasileiro. Os dados referentes a esse indicador foram obtidos da fonte primária BOVESPA. Para mensurar a performance do ibovespa pelo índice de Modigliani foram utilizadas as carteiras hipotéticas como Benchmark. Para medir a performance das carteiras dos fundos grandes contra os fundos pequenos e compará-los com o benchmark, utilizar-se-á o índice de Sharpe e o índice de Modigliani conforme equação (1) e (2) abordadas na seção 2. Nesse trabalho serão testadas duas hipóteses básicas. A primeira hipótese será a de que os fundos grandes têm retorno ajustado ao risco semelhante ao dos fundos pequenos. A segunda hipótese consistirá em que os fundos não conseguem bater persistentemente o mercado de modo a justificar a administração ativa. 3.1 - Resultados Conforme já ressaltado na metodologia, foram criadas duas carteiras, uma representativa dos fundos grandes (carteira A com PL médio maior que R$ 20 milhões) e uma representativa dos fundos pequenos (Carteira B com PL médio menor que R$ 20 milhões). A análise dessas carteiras juntamente com o benchmark será dividida em duas partes, a primeira será uma análise da trajetória da performance mês a mês, e a segunda será uma abordagem do acumulado dos 12 (doze) meses. Trajetória da Performance mês a mês: Índice de Sharpe Como já mencionado anteriormente (seção2), o índice de Sharpe negativo não é suficiente para classificar as carteiras, com isso, em nossa análise que passaremos a fazer agora, 16 consideraremos esse indicador apenas quando pelo menos uma das carteiras apresentá-lo de forma positiva. Analisando as carteiras mensalmente, podemos observar através das tabelas 3.2.1, que em 57,14% dos meses em que pelo menos uma carteira apresentou índice de Sharpe positivo, a carteira B venceu a carteira A. Isso evidencia que pelo índice de Sharpe os fundos pequenos superaram os fundos grandes. A tabela 3.2.2 evidencia que em 75% dos meses para índice de Sharpe positivo, o desempenho dos fundos grandes (carteira A) foi superior ao do mercado. Já os fundos pequenos (carteira B) conseguiram vencer o mercado em 87,50% dos meses conforme podemos observar a tabela 3.2.3, abaixo. Ao comparar o Sharpe médio dos fundos grandes e pequenos contra o mercado, observa-se que em 85,71% dos meses os fundos ganham do mercado. Tabela 3.2.1 análise das carteiras pelo índice de Sharpe Período carteira A Carteira B Resultado Tabela 3.2.2 Análise das carteiras pelo índice de Sharpe Período carteira A Carteira B Resultado jul/05 1,540167 1,455198 Carteira A vence o Mercado jul/05 1,540167 1,822003 ago/05 4,578264 3,403349 Carteira A vence o Mercado ago/05 4,578264 4,050791 Carteira B vencedora Carteira A vencedora set/05 5,197776 10,58051 Carteira A Não vence o Mercado set/05 5,197776 13,11494 Carteira B vencedora out/05 -3,68874 -2,88942 out/05 -3,68874 -3,32398 nov/05 3,556578 1,922749 Carteira A vence o Mercado nov/05 3,556578 3,744102 dez/05 3,749519 1,176665 Carteira A vence o Mercado dez/05 3,749519 3,647054 Carteira A vencedora jan/06 -0,95637 9,184218 Carteira A Não vence o Mercado jan/06 -0,95637 -0,91895 Carteira B vencedora -0,39471 fev/06 -0,5074 -0,55423 fev/06 -0,5074 mar/06 -2,81486 -2,98738 mar/06 -2,81486 -2,76704 abr/06 5,106453 2,346353 abr/06 5,106453 5,354473 mai/06 -4,31573 -4,45345 jun/06 0,023385 0,02228 mai/06 -4,31573 -5,8634 jun/06 0,023385 -1,95553 Carteira A vence o Mercado Carteira A vence o Mercado Carteira B vencedora Carteira B vencedora Carteira A vencedora 17 Os gráficos 3.2.1 e 3.2.2 evidencia melhor o comportamento da performance dos fundos e do mercado ao longo dos doze meses, evidenciando que os fundos vencem o mercado. Tabela 3.2.4 Tabela 3.2.3 análise das carteiras pelo índice de Sharpe Período carteira A Carteira B Resultado Índice de Sharpe Período carteira A Carteira B Resultado jul/05 1,822003 1,455198 Carteira B vence o mercado jul/05 1,540167 1,822003 Ago/05 4,050791 3,403349 Carteira B vence o mercado ago/05 4,578264 4,050791 1,455198 3,403349 set/05 13,11494 10,58051 Carteira B vence o mercado set/05 5,197776 13,11494 10,58051 out/05 -3,68874 -3,32398 -2,88942 Carteira B vence o mercado nov/05 3,556578 3,744102 1,922749 out/05 -3,32398 -2,88942 Nov/05 3,744102 1,922749 Dez/05 3,647054 1,176665 Carteira B vence o mercado dez/05 3,749519 3,647054 1,176665 jan/06 -0,91895 9,184218 carteira B não vence o mercado jan/06 -0,95637 -0,91895 9,184218 -0,55423 fev/06 -0,39471 -0,55423 fev/06 -0,5074 -0,39471 Mar/06 -2,76704 -2,98738 mar/06 -2,81486 -2,76704 -2,98738 abr/06 5,354473 2,346353 abr/06 5,106453 5,354473 2,346353 Mai/06 -4,45345 -5,8634 mai/06 -4,31573 -4,45345 -5,8634 jun/06 0,02228 -1,95553 jun/06 0,023385 0,02228 -1,95553 Carteira B vence o mercado carteira B vence o mercado Gráfico 3.2.1 - Índice de Sharpe índice de Sharpe 15 10 5 0 06 n/ ju 6 /0 ai m 6 r/0 ab 6 /0 ar m 06 v/ fe 06 n/ ja 05 z/ de 05 v/ no 5 t/0 5 05 o/ 5 t/0 ou se l/0 -10 ag ju -5 Índice de Sharpe carteira A PLs me > 25 milhões Índice de Sharpe Carteira B Pls me < 20 milhões Índice de Sharpe Ibovespa Período Gráfico 3.2.2 - Índice de Sharpe 10 5 0 -10 Índice de Sharpe carteira A Índice de Sharpe Carteira B Índice de Sharpe Ibovespa jun/06 mai/06 abr/06 mar/06 fev/06 jan/06 dez/05 nov/05 out/05 set/05 ago/05 -5 jul/05 Índice de Sharpe 15 Período 18 Trajetória da Performance mês a mês: Índice de Modigliani Pelo índice de Modigliani, os fundos pequenos também superaram os fundos grandes na maioria das vezes, sendo que neste o resultado foi de 66,67% contra 57,14% no índice de Sharpe conforme a tabela 3.2.5. Quando comparamos as duas carteiras hipotéticas com o mercado conforme ilustrado na tabela 3.2.6 e 3.2.7, observamos que os fundos grandes foram superados pelo mercado em 62,5% dos meses. Já os fundos pequenos superaram o mercado em 87,5% dos meses. Os fundos grandes avaliados pelo índice de Sharpe tinham obtido desempenho melhor que o mercado em 75% dos meses contra 37,50% pelo índice de Modigliani. Tabela 3.2.5 Tabela 3.2.6 Índice de Modigliani Índice de Modigliani Período carteira A Carteira B Resultado Período carteira A Ibovespa Resultado jul/05 4,02% 3,42% Carteira A vence o Mercado ago/05 8,08% 6,36% Carteira A não vence o mercado 14,73% Carteira B vence carteia A set/05 6,75% 12,79% Carteira A não vence o mercado -6,38% out/05 -7,23% 5,00% Carteira B vence carteia A nov/05 4,82% 3,56% Carteira A vence o Mercado 4,79% 4,69% Carteira A vence Carteira B dez/05 4,79% 2,63% Carteira A não vence o mercado jan/06 0,16% 0,21% Carteira B vence carteia A jan/06 0,16% 13,53% Carteira A não vence o mercado fev/06 0,40% 0,56% Carteira B vence carteia A fev/06 0,40% 0,48% Carteira A não vence o mercado mar/06 -2,91% mar/06 -2,91% abr/06 7,80% abr/06 7,80% mai/06 -8,19% -8,49% mai/06 -8,19% -11,88% jun/06 -0,28% -0,75% Carteira A vence Carteira B jun/06 -0,28% jul/05 4,02% 4,48% Carteira B vence carteia A ago/05 8,08% 7,34% Carteira A vence Carteira B set/05 6,75% out/05 -7,23% nov/05 4,82% dez/05 -2,84% 8,12% Carteira B vence carteia A -4,86% -2,10% 3,40% Carteira A vence o Mercado -3,28% 19 Tabela 3.2.7 Tabela 3.2.8 Índice de Modigliani Índice de Modigliani Período Carteira B Ibovespa Resultado Período carteira A Carteira B Ibovespa médio/fundos A e B jul/05 4,48% 3,42% Carteira B vence o Mercado jul/05 0,0402 0,0448 0,0342 0,0425 ago/05 7,34% 6,36% Carteira B vence o Mercado ago/05 0,0808 0,0734 0,0636 0,0771 set/05 14,73% 12,79% Carteira B vence o Mercado set/05 0,0675 0,1473 0,1279 0,1074 out/05 -6,38% -4,86% out/05 -0,0723 -0,0638 -0,0486 -0,06805 nov/05 5,00% 3,56% Carteira B vence o Mercado nov/05 0,0482 0,05 0,0356 0,0491 dez/05 4,69% 2,63% Carteira B vence o Mercado dez/05 0,0479 0,0469 0,0263 0,0474 jan/06 0,21% jan/06 0,0016 0,0021 0,1353 0,00185 fev/06 0,56% fev/06 0,004 0,0056 0,0048 0,0048 mar/06 -2,84% mar/06 -0,0291 -0,0284 -0,021 -0,02875 abr/06 8,12% abr/06 0,078 0,0812 0,034 0,0796 13,53% Mercado vence carteira B 0,48% Carteira B vence o Mercado -2,10% 3,40% Carteira B vence o Mercado mai/06 -8,49% -11,88% mai/06 -0,0819 -0,0849 -0,1188 -0,0834 jun/06 -0,75% jun/06 -0,0028 -0,0075 -0,0328 -0,00515 -3,28% Ao comparar o índice de Modigliani médio dos fundos grandes e pequenos com o mercado, observa-se que em 62,50% dos meses os fundos ganham do mercado. Contudo, como ressaltado anteriormente, os fundos grandes obtiveram desempenho superior ao mercado apenas em 37,50% dos meses, e com isso o que está puxando a média para cima são os fundos pequenos que obtiveram desempenho acima do mercado em 87,50% dos meses. Isso está evidenciado na Tabela 4.2.8. Podemos fazer a mesma análise através do gráfico 3.2.3 que ilustra o comportamento da performance dos fundos e do mercado ao longo dos doze meses. 20 Gráfico - 3.2.3 Índice de Modigliani 15,00% 10,00% 5,00% 0,00% jun/06 mai/06 abr/06 mar/06 fev/06 jan/06 dez/05 nov/05 out/05 set/05 -10,00% ago/05 -5,00% jul/05 Índice de Modigliani 20,00% -15,00% Índice de Modigliani carteira A Índice de Modigliani Carteira B Período Índice de Modigliani Ibovespa Análise do acumulado dos 12 meses: Índice de Sharpe versus índice de Modigliani A tabela 4.2.9, evidencia que no acumulado os fundos grandes não conseguiram bater o mercado, uma vez que obteve o mesmo índice de Modigliani e o menor índice de Sharpe. Em contrapartida os fundos pequenos superaram tanto os fundos grandes quanto o mercado. Analisando o gráfico 3.2.4, podemos observar que os fundos pequenos obtiveram o maior retorno, seguido do mercado e por último os fundos grandes. Já em termos do nível de risco, o mercado incorreu no maior risco seguido dos fundos grandes e por último os fundos pequenos, conforme gráfico 3.2.5. O resultado do retorno e do risco ilustrado nos gráficos 3.2.4 e 3.2.5 está determinando a classificação pelos indicadores de Sharpe e Modigliani conforme os gráficos 3.2.6 e 3.2.7. Tabela 3.2.9 Indicadores dos 12 Meses Período Retorno Risco Sharpe Modigliani CDI Ibovespa 38,00% 7,14% 2,839521 36,69% 17,72% Carteira A 35,97% 6,87% 2,656239 36,69% Carteira B 42,58% 6,49% 3,827369 45,05% 21 Gráfico 3.2.5 - Risco Retorno acumulado Gráfico 3.2.4 - Retorno Acumulado 7,20% 7,00% 44,00% 42,00% 40,00% 38,00% 36,00% 34,00% 32,00% Risco 6,80% 6,60% 6,40% 6,20% Ibovespa 6,00% Carteira A Carteira B Ibovespa Gráfico 3.2.7 - Modigliani dos 12 meses Gráfico 3.2.6 - índice Sharpe ìndice de Modigliani índice de Sharpe 5 4 3 2 1 0 Ibovespa Carteira A Carteira B Carteira A Carteira B 50,00% 40,00% 30,00% 20,00% 10,00% 0,00% Ibovespa Carteira A Carteira B 4 – CONCLUSÕES Nesse artigo foram testadas duas hipóteses básicas. A primeira hipótese foi a de que os fundos grandes têm retorno ajustado ao risco semelhante ao dos fundos pequenos e que os pequenos investidores poderão auferir retorno ajustado ao risco semelhante ao dos grandes investidores. A segunda foi a de que os fundos não conseguem bater persistentemente o mercado de modo a justificar a administração ativa. Para confirmar ou refutar essas hipóteses foram analisados os fundos grandes e pequenos mensalmente e no acumulado dos 12(doze) meses. 22 Tanto a trajetória do desempenho dos fundos mês a mês, como no acumulado dos 12(doze) meses os resultados obtidos refutou a primeira hipótese. Isso por que tanto pelo índice de Sharpe quanto pelo índice de Modigliani os fundos pequenos superaram os fundos grandes em 57,14% e 66,67% dos meses respectivamente. Com isso podemos concluir que no curto prazo os fundos pequenos são mais eficientes que os fundos grandes. No acumulado os testes também refutaram a primeira hipótese em favor dos fundos pequenos. Os fundos pequenos obtiveram um índice de Sharpe aproximado de 3,83 contra 2,66 dos fundos grandes, e índice de Modigliani 45,05% e 36,69% respectivamente. Dado isso, pode-se concluir que os fundos pequenos são mais eficientes que os fundos grandes no curto e no médio prazo. A rejeição da primeira hipótese, significa que os investidores pequenos poderão auferir um desempenho melhor que os grandes investidores, aplicando em fundos com patrimônio0 líquido de até R$ 20 milhões. Quanto à segunda hipótese, para a análise mensal só os fundos pequenos conseguiram vencer o mercado na maior parte das vezes nos dois indicadores, sendo 87,50% pelo índice de Sharpe e 66,67% pelo índice de modigliani. Os fundos grandes conseguiram vencer o mercado 75 % das vezes pelo índice de Sharpe e apenas 37,50% das vezes pelo índice de Modigliani. Já no período acumulado os fundos grandes não conseguiu superar o mercado em nenhum dos indicadores. Por outro lado os fundos pequenos superaram o mercado nos dois indicadores. Com isso na média como dito anteriormente, puxados pelos fundos pequenos, os fundos superaram o mercado tanto na análise mensal quanto no acumulado. Levando à conclusão de que os fundos superam o mercado, e portanto, o mercado não é eficiente. 23 A explicação para os fundos pequenos serem mais eficientes que os fundos grandes está no tamanho do mercado acionário brasileiro, isso porque o fato do mercado acionário brasileiro ser pequeno, faz com que os fundos grandes tenham um risco de liquidez maior que o dos fundos pequenos. Em outros termos, os fundos grandes não conseguem sair de uma posição sem influenciar o mercado tal como os fundos pequenos. Já a explicação para a refutação da segunda hipótese se remete à metodologia do ibovespa, que é rígida, sendo revisada todo quadrimestre e não possibilitando mudança em sua composição para se beneficiar da conjuntura de curto prazo nem operações de hedge. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Assaf Neto, Alexandre. Mercado Financeiro. 4. ed. 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