A DANÇA NO CONTEXTO ESCOLAR1 Lucinda Sutil dos Santos Marianna Silva Cenatti Brenda Carla Oliveira Correa Mirele Cutiele Araujo Souza2 Juliana Cesana3 Railda Silvia Regina do Carmo Silva4 RESUMO A dança é um conteúdo que está sendo muito trabalhado nas aulas de Educação Física, não apenas pelo seu aspecto de organização estética da linguagem e execução de padrões convencionados dos estilos de dança, mas se expandindo para o campo do movimento em toda a sua complexidade. O objetivo deste artigo é promover uma reflexão sobre o ensino de dança na escola, proporcionando aos alunos novas vivências, e conhecimento do movimento humano e da a relação entre mente e corpo. A cada semana observou-se o crescimento de vocabulário corporal dos alunos, como também o nível de abstração, percebido pela mudança do tipo de atividade que eram acostumados a desenvolverem nas aulas. Palavras-chave: dança, movimento humano, educação física. I – INTRODUÇÃO No início das atividades neste projeto PIBID na área de Educação Física, a primeira questão proposta foi como utilizar os conhecimentos teórico na construção de vivências que possibilitassem maior participação dos alunos nas aulas de Educação Física. Na área de dança, é necessário propor atividades que vão além de uma técnica específica, buscando melhorar a aprendizagem dos alunos, envolvendo os aspectos motores e intelectuais, além de estimular a criatividade. Ao analisar o processo histórico da dança observa-se que surgiram novas propostas para o ensino da dança, saindo assim do padrão clássico. Uma dessas propostas é a de 1 Trabalho realizado com o apoio material e financeiro do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência – PIBID, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – CAPES. 2 Alunos do curso de Licenciatura em Educação Física do Centro Universitário da Fundação Educacional de Barretos – UNIFEB 3 Coordenadora do Pibid/2013–Unifeb – Subprojeto Educação Física 4 Professor Supervisor I SEMINARIO DE INICIAÇÃO À DOCÊNCIA – SID/PIBID, Barretos. v. 1, n.1, março 2015. Anais… 1 Rudolf Von Laban2 (1990) que proporciona uma nova concepção da dança, desenvolvendo assim o sentido do movimento. Esta nova proposta de pensar a dança exige uma técnica e uma didática específica que, dentro da filosofia moderna, estimula o domínio do movimento em todos os seus aspectos corporais e mentais. Pela proposta de Laban (1990, p.114), “em vez de estudar cada movimento particular, pode-se compreender e praticar o princípio do movimento”. Trabalhar com a dança nas aulas de Educação Física é proporcionar e estimular os alunos a fazerem outras atividades que vão além do simples trabalhar com bola ou jogos e brincadeiras. A prática da dança possibilita ao aluno a conhecer seu próprio corpo, desenvolver seus mais variáveis estímulos, formação de autoimagem positiva, aumentando sua autoconfiança. A dança trabalhada neste contexto como dança educativa, proporciona ao aluno compreender a capacidade que o corpo possui de relacionar-se consigo mesmo em sua incalculável variedade motora. Aplicando a dança segundo a concepção de Laban (1990) é proposta uma técnica de dança livre. “Precisamos empregar todo o nosso ser no material do movimento e descobrir a facilidade ou dificuldade que temos para utilizá-lo e maneja-lo ao dançar. Isso nos dará maior compreensão de nós mesmos e nos estimulará a desenvolver nosso potencial” (Op. Cit, p.114-5). Este trabalho nos possibilita entender um pouco sobre o contexto da dança e dos benefícios que ela nos traz quando introduzida na escola. Tais aspectos vão além do desenvolvimento físico, como agilidade, habilidade, técnica. Proporciona um desenvolvimento intelectual, da espontaneidade e do sentir. II – METODOLOGIA Antes do contato direto com os alunos, foi necessário aos bolsistas do PIBID observar as aulas do professor regente da disciplina para conhecer como as aulas são ministradas, e principalmente observar o comportamento e participação dos alunos na aula, qual seria o planejamento e as atividades de forma que esta inserção não gerasse uma ruptura no trabalho em andamento. 2 Rudolf Jean-Baptiste Attila Laban (15 de dezembro de 1879 em Pressburg, Áustria- Hungria- 1 de julho de 1958, Weybidge, Inglaterra). Dançarino, coreógrafo, considerado como maior teórico da dança do século XX e como “pai da dança-teatro”. Dedicou sua vida ao estudo e sistematização da linguagem do movimento em seus diversos aspectos: criação, notação, apreciação e educação. I SEMINARIO DE INICIAÇÃO À DOCÊNCIA – SID/PIBID, Barretos. v. 1, n.1, março 2015. Anais… 2 As primeiras aulas aconteceram em torno do método “oito ações básicas do esforço” (RENGEL, 2005). Cada ação sugere certos tipos de atividades e exercícios para explorá-la, que foi introduzida sem que os alunos percebessem, ao executarem determinados passos de dança. Trabalharam-se distintas formas conforme as necessidades observadas nos processos e resultados da participação e do desempenho dos alunos, sempre procurando incitar a criatividade e a abstração, para que desta abstração escrita em movimentos e em passos de dança os alunos pudessem trabalhar individualmente ou em grupo. No Quadro 1 a seguir está descrito a sequência do que foi trabalhado nas aulas de dança. Quadro 1: Sequência de atividades aplicadas durante as aulas. Nas três primeiras semanas trabalhamos com alongamentos, com fundo musical Alongamento e Musicalidade para que os alunos começassem a criar a consciência rítmica. Na 4° e 5° semana continuamos com os alongamentos e introduzimos as Atividades Rítmicas atividades rítmicas, onde os alunos aprenderam a contagem musical. Da 6° á 8° semana, trabalhamos as 8 Movimentações envolvendo as oito ações ações básicas de esforço de Rengel. básicas do esforço. São: socar, flutuar, pontuar, pressionar, chicotear, torcer, sacudir, deslizar. Da 9° á 11° semana começamos a introduzir os movimentos de dança Introdução dos passos de dança diretamente, com passos mais lentos e acelerando conforme o desempenho dos alunos. A partir 12° semana começamos a Aprimoramento dos passos aprimorar os passos, dando inicio a montagem de uma coreografia. Os alunos apresentaram a coreografia, Apresentação Final para nós discentes de educação física e para a professora supervisora. III - RESULTADOS E DISCUSSÃO A aplicação destes conteúdos proporcionou os seguintes resultados. A cada semana observou-se o crescimento de vocabulário corporal dos alunos, como também o nível de abstração, percebido pela mudança do tipo de atividade que eram acostumados a desenvolverem nas aulas. I SEMINARIO DE INICIAÇÃO À DOCÊNCIA – SID/PIBID, Barretos. v. 1, n.1, março 2015. Anais… 3 Foi possível também notar que o tempo que era utilizado para desenvolver atividades focadas em determinados aspectos motores, como a lateralidade, a força, a agilidade entre outros, foi reduzido, pois todos eram englobados e bem executados dentro dos passos e movimentações da dança aplicada. Outra questão foi a percepção de um corpo tridimensional, onde os alunos passaram a executar movimentos tanto de frente, quanto de costas e ao lado. Após este processo os alunos passaram a experimentar as diversas possibilidades expressivas de seus corpos, além de estarem extremamente concentrados e envolvidos na atividade e na execução da dança. IV – CONCLUSÕES Foi possível notar o aprendizado dos alunos através da montagem da coreografia e da sua execução no final do segundo semestre de 2014. Observou-se também a preocupação com o corpo que expressa, que se comunica por meio do movimento. Os alunos tomaram consciência de que possuem um corpo que fala sem dizer uma só palavra, que cada movimento executado tem sua própria essência, e proporciona as mais variadas emoções. Possibilitou um domínio do corpo, da consciência rítmica e do se deixar levar pelo movimento, além de desenvolver e aprimorar as capacidades motores dos alunos. AGRADECIMENTOS Agradecemos as professoras Railda Silvia Regina do Carmo Silva e Juliana Cesana por acreditarem neste projeto, à Capes, e assim, nos proporcionarem a vivência do trabalho docente no curso de Licenciatura em Educação Física UNIFEB. REFERÊNCIAS LABAN, Rudolf von. Dança educativa moderna. São Paulo: Ícone, 1990. RENGEL, Lenira. Dicionário Laban. 2. ed. São Paulo: Annablume, 2005. I SEMINARIO DE INICIAÇÃO À DOCÊNCIA – SID/PIBID, Barretos. v. 1, n.1, março 2015. Anais…