Transcrição do Depoimento do Sr. Darci Paulillo dos Passos para a Comissão da Verdade da Câmara municipal de Araras realizado no dia 16/12/2013 (duração: 02h18min08s). Sr. Darci: Bom, em primeiro lugar eu queria agradecer profundamente a comissão da verdade da câmara municipal de Araras do convite que me fez. Na verdade, essas comissões vêm sendo chamadas comissões da memória, da verdade e da justiça. Então, a memória para justificar, sem a memória a inteligência humana e a cultura humana teria desaparecido, sem ser bem aventurado, ou seja, o antepasso da santidade e sem ser beato que na linguagem vulgar eu diria o seguinte; eu vou invocar o meu Deus, então a memória teria uma frase bíblica, evangélica, ou seja, “passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão”, nas comissões isso é muito importante, porque as comissões ao longo do Brasil estão mais se relembrando. Esta memoria, para não dizer que eu fico só bem aventurado ou beato, o Marx diria “Se não lembrar, repete”, Marx diria “repete como faz”, mas no nosso caso repete como tragédia mais sangrenta do que já foi. Verdade também o meu Deus diz: “eu sou o caminho, a verdade e a vida”, mas sobre tudo diz: “a verdade vos libertará”, eu acho que isso marca as comissões da verdade, ela é que nos libertará e finalmente a justiça “ter fome e sede dela para ser saciado” sofrer perseguição em nome da justiça, por amor a justiça, estas são as coisas que me horam de estar aqui, eu não estou fazendo um obsequio, eu estou cumprindo um dever, então, acho que ao contrario do que dizem de que as pessoas jovens tem que ser de esquerda e as pessoas velhas tem que ser de direita, então eu resolvi que eu sou incurável, aliás, eu sou incurável porque a setenta anos atrás, não, a mais de setenta anos falando no aniversario de um rapaz de araras eu disse “eu sou o peter pan, eu não vou envelhecer nunca” e recentemente eu disse aos meus amigos “espelho desmente, mas eu continuo mais ou menos fiel, eu tô querendo ver se não envelheço muito, morrer então nem pensar”. Quero dizer que esta é um honra e um dever de militante que eu estou cumprindo, então eu sou mais grato a comissão do que ela deve a mim, pra mim é obrigação de militante, a comissão é tolerante, quero dizer o seguinte, convivi aqui com muitas pessoas, muitas dessas pessoas brilharam e brilham, nada do brilho delas se deve a mim, e eu me honro apenas de ter convivido, são médicos, são pedagogos, são pedagogas, são professores, são engenheiros, são psiquiatras, não tenho nenhuma participação e não é falsa modéstia, gostaria muito de poder dizer, mas não seria eu, nem teria sido o que fui se eu pudesse (...)1, nada, acho que devo falar um pouco do que pensei, eu sou de uma família católica tradicional, comunhão uma vez por ano, missa do galo no natal, missa dominical, não mais que isso, resolvi ser congregado mariano quando estava no ginásio do estado, a minha congregação mariana era polemica porque era congregação da igreja santa Terezinha do rua (...)2 e eu sai, ela “involuiu” para ser a sociedade da tradição, família e propriedade, quer dizer, andei perto, mas por sorte evitei está tentação, depois por 1 Fala Incompreensível 2 Fala Incompreensível causa do senso de justiça, e sempre tive senso da justiça, eu fui levado por um amigo de minha irmã, tornou-se meu padrinho de crisma, a ser militante da juventude estudantil católica, juventude estudantil católica eu tive a formação dominicana, de dominicanos que eram da província francesa, que eram muito progressistas, estudei com muitos teólogos de primeira plana, então a minha formação religiosa é muito superior a média dos católicos, até uma amigo meu, que por sinal, presente, que diz que não consegue conciliar o fato de eu ser católico com o fato de eu ser de esquerda, eu sou de esquerda porque eu sou católico, é verdade que a igreja ao longo do tempo tem sido mais de direita do que de esquerda, mas isso é problema da igreja, não é meu, e mais, é uma prova apologética de que a igreja é divina, porque ela fazendo oque ela fez ao longo da história e sobrevivendo 2mil anos é porque Deus tá lá. A igreja é um desafio ao espirito santo, e o coitado dele não tem descanso porque a dois mil anos ele cuida dessa promessa, primeiro eu vou pensar, uma moça daqui escreveu um livro de dois capítulos falando do ex-promotor, o que eu pensei ou o que me avisaram de Araras quando eu vim para cá. Araras era a região do oeste paulista. 1800 o café tinha entrado no século 18, destruiu o vale do Paraíba, veio para cá, Santa Barbara do oeste, Campinas que é a princesa do oeste, eles se irritam muito os campineiros, mas ela foi a princesa do oeste. Esse café veio com a escravidão, deve ter vindo com os índios, nesse livrinho que eu passei ao Presidente, o Luís Gama conta a historia na biografia do Luis Gama, que os escravistas da região de campinas eram tão horrosos, que quando se queria castigar um negro sem ímpios meios físicos, se ameaçava de vender para campinas, e eu imagino que Araras tenha vivido um pouco dessa maldita tradição da escravatura sofrida. Ai no livro dizem que tentam vender Luís Gama pra Campinas e o fazendeiro campineiro porque ele era baiano, tinha 17 anos e a mãe dele tinha sido das revoltas dos malês, então, imagina só, mesmo Egídio de Souza Aranha de Campinas não aceita comprar o menino de 17 anos que é baiano e a mãe foi revolucionaria. Naquela ocasião em 29 a crise do café destruiu a economia de Araras e a aristocracia ararense acabou então os Prados, (...)3 e etc. são pequenas sobrevivências e, porque? Não só porque a base econômica que era o café tinha sido destruída, mas também porque os hábitos consumistas continuaram. Uma ocasião na qual um senhor de Araras, o qual eu vou voltar a me referir, comprou uma fazenda em santa cruz das palmeiras, mas fazenda era um tira, porque como outrora vovó tinha passado a lua de mel em paris, estação da paulista dentro da fazenda exportava 1milhão de sacas de café. Parou de exportar e o pouco que exportava vendia pouco, mas se a vó foi para Paris, a mãe foi para Paris, ela também vai para Paris, então vende a fazenda, então essa fazenda que foi comprada era um risco que tinha o pesqueiro, o guarda mata, a senzala, o terreiro de café, a casa grande, a colônia, a igreja, a horta, o pomar e lá em cima... chama-se fazenda Baguaçu, foi comprada pelo senhor Francisco Graziano e pelo genro José Gomes da Silva, então quando a Aristocracia em Araras, cafeeira, caiu, quem tinha dinheiro para comprar era Italianos, então Graziano, Ometto, eram os que tinham dinheiro para comprar da 3 Fala Incompreensível aristocracia quebrada. Espanhóis, Zurita me parece, Alemães, Viger, Italianos também, Michelin, estes é que eu fui encontrar, é interessante por causa do confronto por causa de razão uma, os aristocratas, na hora da argumentação intelectual eles são mecenas, eles sabem de lutas de classes, eles sabem de exploração, de acumulo primitivo... Não na hora de ceder, eles intelectualmente podem ter posturas progressistas, intelectualmente, agora as pessoas que eu fui encontrar aqui, são pessoas que tinham comprado as suas propriedades (...)4 dizia-se muito que a mãe do Dr. Hermínio Ometto, Dona Santa, não só era analfabeta como tinha as mãos calejadas do cabo da enxada, então qualquer reinvindicação social aqui, não para a aristocracia, mas para a burguesia dominante em Araras quando eu ia chegar era uma afronta, era como se fosse um assalto era tratado assim e foi tratado assim, então eu disse um pouco de mim e um pouco da cidade de Araras onde eu ia chegar. Quando me convidaram para fala eu até disse “se quiserem fazer em Petit comité porque eu teria que falar de certas pessoas, pode fazer” “se quiserem por todo mundo, como eu tenho muita honra e muita glória do que fiz não tenho problema de debater isso”, aliás, quero fazer outro ressalvo, há dois promotores presentes Dr. Leonardo e o Antonino, o Leonardo ainda no exercício e o Antonino é procurador aposentado. Os preços que eu paguei pela minha militância na vida em Araras, no caso do ministério público não foi só eu que paguei, eu quero dizer isso porque senão da impressão... Eu me orgulho muito de ter pago esses preços, muito, mas o ministério público pode se orgulhar muito. Naquele tempo não éramos dois mil promotores, éramos quatrocentos, cem tiveram que mudar de comarca, cem, por quê? Porque o réu ia ao delegado e dizia “o promotor é comunista”, o reclamado na reclamação trabalhista, naquele tempo nós tínhamos obrigação de fazer reclamação trabalhista ia ao sargento do tiro de guerra e dizia “o promotor é comunista”, e o executado, porque nós fazíamos execuções fiscal, estadual e federal ia a alguém e dizia “o promotor é comunista”, então cem tiveram que trocar de comarca, cem! Cem! Trinta foram submetidos a investigação sumaria, e quatro foram postos para fora pelo ato institucional que nem numero tinha, era tão no começo... eu até quer dizer uma coisa, parece que o Plinio esteve aqui, o Plinio judiava muito de mim e dizia “não vai acontecer nada com você!”, mas eu dizia “ Mas todos os meus amigos estão sendo perseguidos, estão sendo punidos, estão sendo presos e comigo nada?” quer dizer, será que eu não mereço? Quando o jornal da folha de São Paulo publicou que eu tinha sido aposentado em outubro de 64, eu mandei oficio me desligando do cargo em que eu coloquei estima para o juiz que era filho do desembargador Moura Bittencourt cassado também, todos os outros ofícios não tinha nem essa frase protocolada, eu não tinha consideração, mas estima não, não gastei a estima, fui para minha casa e fiz uma festa . O delegado de policia de Araras que era uma ótima pessoa, já falecida, que naquela ocasião disse “lembre-se...” aos que tinham saído daqui e aos que tinham sido mandado embora daqui era regional... “nunca se lembre que essa é uma circunstancia politica”, Dr. Cleto Marinho de Carvalho chegou na minha casa e viu que havia uma festa, ponche, cumprimentos, ele perguntou, “quem está fazendo aniversario?” eu respondi “não, é que eu acabo de ser posto para fora do ministério publico” “acabo de estar 4 Fala Incompreensível junto com meus amigos”, então fiquei muito honrado, mas ainda era cem promotores, trinta sujeitos a investigação sumaria e 4 foram postos para fora, um deles foi tirado do fórum de Pindamonhangaba para a cadeia do batalhão de engenharia, era filho de General Medico, Dr. Messiê, não era bom, eu disse a dona Karen, se voltasse atrás, eu faria mais e melhor , vou mostrar que eu faria melhor, o Promotor Luiz Carlos Alves de Souza de Pompeia disse “se tivesse havido resistência eu teria tomado pompeia porque eu chamei os trabalhadores reais para a cidade” acho que eu tinha, eu não tinha assessoria de imprensa, mas a “ultima hora” me tratava tão bem que chamava o promotor de araras, esse por muito tempo foi meu codinome, então eu tinha mais fama que Dr. Luiz Carlos, mas Dr. Luiz Carlos era um promotor melhor do que eu, porque eu acho que não teria conseguido tomar Araras, aliás, quando eu estava pra vim para Araras, eu estava de férias, o irmão do Omino ligou e disse “acho melhor você não ir”, e é verdade, ai nós vamos começar, porque que é verdade? Pouco antes do golpe ou pouco depois do golpe ouve uma reunião ai para discutir ou novo prédio ou novo edifício Zurita, um arquiteto de direita assistiu essa reunião, ficou tão preocupado com o que se programava fazer comigo que saiu falando com arquitetos em geral se conheciam um promotor chamado Darcy Passos porque tinham jurado mata-lo, então acabou um arquiteto Saraiva que era irmão de uma amigo meu que foi da união da juventude comunista João Augusto de Melo Saraiva, medico pela Federal de São Paulo que avisou e que me avisou que eu não deveria pisar aqui. O livro da Dr. Cicília Zurita Fernandes fala do cadáver do ex-promotor, eu até disse “ você deve saber dessa mais do que eu porque vários dos seus parente deviam ter estado lá, nesta reunião” , o que aliás era verdade, vários terão estado, não sei exatamente o que foi a reunião, mas sei o que se preparava para mim. Não vim, eu quando tive que buscar os moveis, que veio buscar os moveis foi o Flavio Berrembape (...)5 acompanhado, eu acho, de vários amigos armados, imagino que armados, para tirar os meus moveis, porque a minha família já havia saído porque não havia condições de convivência, mais de uma vez nessa cidade, praticava-se aquilo que hoje se chamaria trabalho análogo ao escravo, varias vezes a reclamação que eu recebia no fórum era de que alguém não podia sair da fazenda por devia para o armazém , ai eu chamava o fazendeiro, em geral ia o administrador ele dizia “amanhã, ao meio dia, irei, eu, um delegado, um ônibus ou um caminhão e eu começo prendendo na porteira, querem cobrar? Que cobrem, mas ele sai, ele sai amanhã, com gente presa ou não, vocês podem escolher” em geral escolhiam permitir que o trabalhador saísse, muitos! Aqui se praticava algo análogo a escravidão. O Cressoni que tinha um armazém na fazenda Santo Antônio, o armazém era dele, não era armazém da fazenda, então as pessoas tinham com ele uma relação comercial, ele não tinha porteira, mas ainda era frequente quando eu cheguei aqui, ver armazém de dentro das fazendas e quem devesse não saía, e é aquele circulo vicioso, deve e não sai, não sai, deve mais. Trabalho análogo à escravidão, acho, que eu não poderia, como mero promotor deixar acontecer essas coisas. Uma vez procurou-me uma família e disse “nosso parente está no hospital este, está no hospital, está de alta, querem que pague antes de poder sair” “ o senhor me trás um atestado medico de algum que está la ou como visita e diga 5 Fala Incompreensível que ele pode sair”, trouxe, depois que trouxe , eu chamei o hospital e disse “amanhã ao meio dia saíra tal doente, porque eu tenho um atestado medico dele que ele esta de alta, parece que ele deve, mas amanhã ele sai. Vai um ônibus, eu começo prendendo o porteiro, termino prendendo o diretor técnico, mas sai”. Para eu fazer isto, disseram que eu fazia luta de classe, eu não fazia, eu me defrontava com ela. Quando eu vim para cá, então vamos pegar como eu faço hierarquia da minha formação religiosa. A teologia da libertação tem três raízes, Jacques Maritain, que eu li quase inteiro, Emmanuel Mounier, um cristão católico que diz coisas que até hoje arrepiam até agora, que diz “somos contra a desordem social vigente e somos tão contra que agiremos com os meios até ilegais”, ilegais porque eficazes, porque não tem duvida que no sistema atual só é legal o que não é eficaz, tudo aquilo que começa a ser eficaz passa a ser vandalismo, comunismo, revolução e etc. Começo então pela igreja, a igreja de Araras, felizmente ela foi tripartida, tinha a igreja rica, a igreja subserviente e a igreja do povo, a única que é de cristo é a do povo, mas não era a dominante, Monsenhor Quércia, Vigário, eu tinha dito que se quisesse fazer reservadamente, mas eu tenho que dar nome, não era parente do Quércia, no domingo de manhã voltava o alto falando em direção ao meu apartamento e falava com um sotaque não italianado, mas aportuguesado “e vós operai-os, acautelai-vos dos lobos travestidos de cordeiros” era eu o lobo travestido de cordeiro, mas quando cheguei militante de igreja aqui, comungava dominicalmente, fui assistente técnico da jóquei feminina e da JEC feminina, mas uma vez Monsenhor Quércia escreveu-me uma carta “vou viajar para a Europa”, e viajava, viajava duas vezes por ano, acho que o povo da fazenda, os operários das fábricas (...)6, não serão os usineiros e fazendeiros que pagavam duas viagens por ano que ele fazia, escreveu uma carta e disse “peço-lhe que em minha ausência não frequente minha casa para colocar ideias na cabeça de dois padres são jovens influenciáveis” a resposta foi dada por escrito “Nunca frequentei a sua casa, frequento a casa da paróquia. Onde sou paroquiano é a casa de todos nós. Os dois padres que estão ai, são dois padres, não são influenciáveis, eu não hesito para ficar influenciando padre aqui ou acolá” quando houve a greve aqui, eu cheguei pedir, recorrer a igreja, quando fui recorrer a igreja, esta igreja a serviço dos poderosos, como a dois mil anos a maioria dela faz, babava de satisfação de saber que estavam sendo despedidos de metalúrgicas pelo menos 2 trabalhadores e eu não ousei pedir ajuda do Monsenhor Quércia porque eu podia ser crédulo, mas não imbecil, porque via a baba de felicidade. Dei a ele outra resposta que vou contar, padre Lanza, Dorival Lanza, família Lanza, família humilde, mas encosta na igreja, eu me lembro que um dos dominicanos disse “ como é difícil a igreja, tem que arrastar (...)7, um monte de cardeal arrastando aquela (...)8 não há igreja que consiga andar” padre Lanza por ocasião da greve eu disse, o seu nome não é Dorival Lanza, seu nome 6 Fala Incompreensível 7 Fala Incompreensível 8 Fala incompreeensível é Pôncio Pilatos, isso esta na historia da igreja, você vê a injustiça e lava as mãos. Você é personagem da vida de cristo, não que você tenha pregado, porque o centurião romano foi o mais corajoso, você só bajula, padre Poncio Pilatos, o outro, padre Long, Padre Long não influenciado por mim, padre Long foi ser vigário da paroquia operária do Belvedere, e foi morar lá. Morreu cedo, como o Deus dele, morreu muito cedo, gostaria muito de ter podido influenciar a padre Long, não mereço, talvez não mereça nem mesmo ter convivido com ele, então esta foi minha relação com a igreja, mas era assistente da JEC feminina, da JOC feminina, e uma das moças da JEC feminina é até hoje amiga da minha casa, trabalhou comigo, é amiga dos meus filhos até hoje. E uma das meninas então da JEC feminina me encontrou outro dia num seminário em favor do padre (...)9 ,Pastorelo , então minha relação com a igreja, era com a igreja aquela lá, aquela Dele, que andou por aqui pela terra, quando andou, com prostituta, com cego, com paralitico e mais era um gozador, nosso Senhor Jesus Cristo, Ele dizia “teus pecados estão perdoados”, mas diziam “Como? Como perdoa pecado?”, mas não, acha que é mais fácil dizer “levanta-te e anda”, então ele fazia a prova da demonstração, para chegar a santidade as estruturas matérias tem que ser tais que não se exija heroísmo ou santidade para chegar aos céus, por isso que eu tenho alguma experiência de chegar la, sem ser herói e sem ser santo. Então, bom, ai a estrutura politica quando eu cheguei aqui, tem gente que até que acha que eu fui mandado, certamente por uma potencia estrangeira, à serviço de doutrinas capciosas, para derrubar. Havia a coligação ararense. A coligação ararense foi criada muito inteligentemente pelo Dr. Francisco Graziano, que era do UDN, ele foi da primeira coligação ararense e criou a segunda e a terceira, genial! Elegeu-se e bolou o seguinte, toda vez que há luta politica mesmo por demagogia , alguém diz alguma palavra inconveniente, então a luta politica faz com que ideias apareçam, então seu Francisco Graziano bolou a coligação ararense, como é que foi feita? Valia uma tese de doutoramento, não ousei fazer, mas vale uma tese de doutoramento. Me disseram, você vai se estrepar nessa cidade porque é assim, 14 pessoas de Araras iam à São Paulo e pegavam as credencias dos 14 partidos políticos existentes, e vinham. Os 14 se reuniam, e ai se escalava “Hermínio, você vai ser prefeito” não me lembro do nome do vice-prefeito do Hermínio Ometto “fulano, você vai ser vice-prefeito” “você vai ser vereador” “você vai ser vereador” “você vai ser vereador” “você vai ser suplente” “você vai ser suplente”, fechado, pode faltar, pode votar em branco, pode anular, faltando não paga multa, mas discutir não pode. A coligação foi criada pelo senhor Francisco Graziano quando era prefeito, era uma forma de excluir qualquer participação popular e qualquer participação politica, 14 pessoas iam a São Paulo e pegavam as 14 credencias dos 14 políticos únicos que haviam, reuniam os 14 e faziam as escalação “Hermínio vai ser prefeito” “fulano vice” “beltrano vereador, presidente da câmara” e vereadores e até suplentes, com isso houve a segunda coligação e a terceira coligação, os jovens, meus amigos de Araras, na ocasião, diziam “ Araras beneficiou-se muito administrativamente dessa aparente unidade e prejudicou-se muito politicamente”. A 9 Fala Incompreensível dominação politica ararense achava que eu tinha sido mandado para acabar com a coligação, eu se tivesse sido mandado, eu teria sido mandado pra fazer as outras coisas que fiz e fiz de bem, mas se tivesse vindo só pra acabar coma coligação era um bom serviço. O ultimo prefeito foi o Alberto Feres. Não tive problemas com prefeitos até porque havia uma divergência ideológica fundamental, eu convivi com Alberto Feres e depois com Milton Severino, o Milton Severino também é personagem do livro da Ceci como ex-prefeito, há uma diferença entre o ex-promotor e o ex-prefeito, o ex-promotor é um militante de esquerda o ex-prefeito é um populista de direita, populista no sentido que exclui mediação partidária ou organizacional, e de direita porque na verdade ele não tinha compromisso, nós não colidíamos politicamente, mas não éramos companheiros politicamente do que eu muito me gabo. Eu tive problemas, sobre tudo na câmara municipal de Araras. Uma coisa que eu queria falar é o seguinte, não tenho nenhum ódio das pessoas que eu vou falar nenhum e tenho profunda paixão pelas pessoas que elogio, então fala sem ódio. Três vereadores produziam anualmente uma moção contra mim eram os vereadores José Abílio Baggio, filho de um dos donos da Usina Palmeiras, Maximiliano Baruto que tinha sido pracinha e se considerava o grande intelectual de araras, pode ser até que fosse, eu acho que Araras merece mais, e o Virgílio Buzon, que certamente não era, ele assinava e essas moções circulavam anualmente, acho que até as funcionarias já sabiam, naquele tempo copiavam, como eu fiz palestras em que eu dizia que quando eu era deputado eu mandava circulares mimeografadas, metade da plateia ria de dó, metade da plateia estupefata porque não sabia o que eu estava falando, mimeografo, então o Virgílio Buzon assinava. Era mandada, não ousavam mandar araras falando para o mundo, não ia para o secretario geral da ONU, não ia para a OTAN, não ia para o Barack Obama. Começava com o ministro do exercito e ia descendo até o vendedor de pipoca, de Corumbataí, mandavam a moção para o mundo. Me acusavam de tudo, eu esqueci de dizer que havia dois juízos a meu respeito, todos ruins o Dr. Elisio Zurita Fernandes , advogado, o dono do jornal, nem sei se existe ainda, me superestimava, muito inteligente, muito culto e ai errava, muito comunista. Eu nunca fui comunista, porque eu estava dizendo a Totó que eu acho comunista a minha direita, partido comunista sempre esteve a minha direita, porque de um cristão, não dá pra estar a esquerda de um cristão que queira ser, não que eu consiga ser, mas como eu disse que eu quero ser santo eu estou tentando. O doutor Elísio Zurita Fernandes me superestimou, e o Maximiliano Baruto me subestimou, porque depois da greve aqui, ele escreveu um artigo genial, era um artigo em que ele dizia “Há pessoas que põe os seus amigos operários na greve e eles perdem o emprego e eles ficam em suas casa de chinelo robe de chambre tomando whisky e lendo ‘capitais estrangeiros do Brasil’ do Thomas Merton.” O Thomas Merton foi sociólogo religioso, depois se pautou pela poesia e espiritualidade, mas o Maximiliano Baruto não era tão intelectual quanto ele se achava, foi muito bom pra mim ele ter me subestimado tanto, porque como eu não fiz isso e depois eu vou dizer o que eu fiz e o Antonini diz, “você foi cassado, mas fez por merecer” ele costuma dizer isso, então, no meu aniversario, meus colegas de fábrica, me fizeram uma reunião na fábrica que nós fundamos e nessa fábrica havia uma caixa que era meu presente, eu ganhei um chinelo, o robe de chambre, uma garrafa de whisky e como os operários eram mais cultos que o Maximiliano Baruto eles me deram um livro do Thomas Merton em que eles colocaram uma capa, colocando “capitais estrangeiros no Brasil”. José Abílio Baggio e Maximiliano Baruto acusavam , instiga a luta de classes. Uma vez o procurador geral disse “explique isso aqui!” ai eu mandei um oficio, do qual eu me orgulho muito, consta no meu prontuário , eu tenho , respondendo a moção da câmara municipal de Araras, um vereador do PDC votava contra, os outros votavam a favor, então eu para falar aqui nessa casa, eu diria que tô contra os fantasmas do meu passado, a unanimidade. Agora, eu disse ao procurador geral essas acusações são funcionais e eu tenho obrigação de responder e respondo, outras acusações podem ser consideradas funcionais, eu vou responder, outras acusações que dizem a respeito direitos públicos e subjetivos assegurados na constituição de que eu não tenho de dar contas a ninguém, o procurador geral disse “eu não aceito” então eu disse “então o senhor faz o que quiser, porque é o máximo que eu posso responder”, procurador geral exemplar, porque na sua infância e na sua adolescência tinha sido integralista e depois dessa frase quando houve o golpe protegeu-nos a todos, a um dia nós, Luiz Carlos Alves de Souza, foi tirar da cadeia e um de nós, não sei quem, asilou na sua casa, pra deixar bem claro do ministério publico, então eu tinha que dar explicações, as acusações funcionais é que eu instigava a luta de classes, eu descrevia o que era o capitalismo na cumulação primitiva em Araras que eu encontrei, então eu como promotor naquela ocasião, chamava no fórum, dos chamados no fórum 75% se resolviam em acordos, 25% eram ajuizados, dos 75% de acordos, e a prova é nos relatórios mensais que eu mandava , 50% eram acordos integrais, a lei era tão desobedecia que os empregadores de Araras chamados ao fórum 50% faziam acordos pagando tudo, e 25% não pagavam tudo, mas deviam pagar mais do que a metade porque senão acho que eu não fazia acordo, dos que eram ajuizados eu ganhava 75% das reclamações, acho que realmente havia ódio de classes, eu não criava, mas eu tentava resolver ganhava 50% de vitórias integrais e 25% de vitórias parciais, então em matéria de reclamação trabalhista acho que os advogados tinham muita raiva de mim, (...)10ela veio um advogado é bom, porque assim o advogado lhe explica que vai perder e a senhora ou o senhor e já faz acordo e já facilitamos. Porque é que iria perder, eu tinha sido durante um ano advogado do sindicato dos metalúrgicos de São Paulo e fazia 5 audiências por dia na justiça trabalhista, então confesso, não querendo ser muito vaidoso, era muito difícil de encontrar no interior um advogado trabalhista, não o meu conhecimento, a minha experiência. Depois um ano no sindicato dos trabalhadores da indústria da construção civil, tive um esbarro com a aristocracia, chamei dona Yolanda Penteado, pra não fica só me elogiando, parece que estou me elogiando, eu estou muito orgulhoso então parece que estou me elogiando, eu tirei a cadeira da minha sala, porque eu cheguei à conclusão e eu como advogado continuo com essa conclusão de que para cliente quanto mais bem sentando mais demora, por isso o presidente sugeriu que eu falasse de pé, se falasse de pé eu talvez já tivesse jogado a toalha, então não tinha, ai quando dona Yolanda Penteado Matarazzo foi chamada 10 Fala Incompreensível para falar, foi ela, não foi administrador (...)11, restaurante (...)12, fazenda (...)13 , clube (...)14, ela puxou a cadeira e sentou, eu falei “agora o senhor senta ai” porque na minha sala ou fica todo mundo em pé ou senta todo mundo, não ia dona Yolanda sentar... dona Yolanda que terá sido da repressão que eu tive, ela dizia em São Paulo “o promotor de Araras é muito comunista, mas gosta muito de sambar” que era que no clube ararense quando entrava no carnaval o bola preta, eu realmente avisava o juiz “o promotor mandou avisar que saiu de férias” por eu ia para o clube ararense, tomava azeite para evitar absorção, aprendi no clube ararense a canja de moela que era melhor que alcaseltis, quando entrava o cordão do bola preta eu realmente me desfigurava , alias, cheguei a conclusão que honrar pai e mãe, eu andei pensando ultimamente, não é só pai e mãe, como por exemplo no meu caso, honrar pai e mãe, são os negros, os quilombolas e os indígenas, pai, avô, vai além, não igual o Fernando Henrique que diz que tem um pé na senzala, eu não digo, mas acho que meu nariz é meio confissão, então essas moções da câmara, uma delas tramitou em 64, agora o que eu fazia aqui, primeiro, na igreja eu falei, na cidade eu criei na cidade um centro de estudos sociais, esse centro de estudos sociais na cidade que tinham na época trinta ou quarenta mil habitantes, então fazia uma palestra por mês, com uma frequência mínima na biblioteca Cesario Coimbra de cem pessoas e uma grande no cine ararense do frei Jorge o bispo de Santo André com mil e quinhentas pessoas e uma em maio no clube ararense do Paulo de (...)15 Santos com uma seiscentas pessoas. Realmente fez por merecer, esse centro de estudos sociais trouxe aqui Almino Afonso, Franco Montoro, José Gregori, Paulo de (...)16, o bispo de Santo André e aliás, uma homenagem que eu faço, quando o Almino fez a palestra que o pegou aqui de avião, no aeroporto lá em cima foi o Rubens Paiva, desaparecido pela ditadura militar, meu amigo. Fundei o centro de estudos sociais, havia, não criado por mim, um teatro de estudantes, como eu era militante de JEC e viver com estudantes e tinha aquela mania de ser Peter Pan, um dia saindo do fórum eu fui a ginásio onde os estudantes do teatro fazendo uma peça, sentei fiquei assistindo, dei um ou outro palpite, eles acharam que eu era diretor de teatro, eu procurei ser, até vou dizer o seguinte, tentava convencer os rapazes a pegar peças consagradas que tinham livros, tinham comentários, tinham filmes, então eu dizia “pega Hamlet, pega...” não, eles escreviam as suas peças e aliás antes de eu chegar, para evitar que a direita me ponha culpa, fizeram até filmes interessante, isso foi antes de eu chegar, agora realmente eu era diretor técnico do teatro porque eu tinha criações. Efeitos especiais, eu me 11 Fala Incompreensível 12 Fala Incompreensível 13 Fala Incompreensível 14 Fala Incompreensível 15 Fala Incompreensível 16 Fala Incompreensível lembro que havia uma peça que tinha Tiradentes que devia ser enforcado, realmente enforca, num teatro de estudantes parece que não houve voluntários para o papel de Tiradentes que foi exercido pelo doutor Darci Ferreira da Silva à decênios, ele era o Tiradentes, mas como é que vamos enforcar os Tiradentes, seria bom né, se no meio da coisa ele “booom!” e ele caísse enforcado, ai o tal de diretor técnico bolou o seguinte, no ginásio no salão tem uma escada que sobe por trás do palco e essa escada passa por uma janelinha se la em cima tiver uma corda com um arreio os carrascos sobem e prendem o Darci no arreio e quando a forca abrir ele cai e fica com o pezinho. Esse efeito foi muito bem sucedido, eu fui muito bem conciliado pelo diretor, até pela sociedade ararense porque? Porque os atores todos eram da sociedade ararense, a plateia era dos pais e como eles me chamavam. O Alcir até me colocou como diretor do teatro dos estudantes, até ai também, tinha um que era... Paulo? Havia um professor que era o Paulo Barbosa que era o diretor do teatro e um dia esse rapaz disse “eu achei que você veio aqui pra tirar o teatro do meu (...)17”, pelo visto eu vim aqui para tirar tudo de todo mundo, não consegui, eu falei “não, eu não vim, eu comecei a dar palpite e fui ficando” depois de um dia ele disse “eu chego a conclusão de que você não veio para tirar nada do meu pai, é que você se dedicou mais ao teatro” e me dediquei a teatro não porque eu tinha (...)18 da união soviética, me dei porque eu era militante de JEC, ai operário, operário eu confesso que tive algum desígnio, naquele tempo e acho que até hoje não consta na legislação trabalhista trabalhista justificativa para procurar o promotor então quem procurava o promotor pedia o dia e o domingo legalmente, então eu passei a fazer o seguinte...porque é que eu me liguei para os trabalhadores? Os trabalhadores em geral neste mundo, convidam as autoridades e as autoridades deste mundo não vão, convidam o Vigário, o Vigário não podia devia estar na Europa, convidam o delegado, o delegado tava vendo informação contra, convida o prefeito, o prefeito está com os financiadores , então não vai ninguém e eu recebi um convite pra ir a posse do sindicato dos metalúrgicos e fui, no ter ido acho que já vagou a diretoria porque deve ter morrido meia dúzia do coração, “o promotor veio! Será que veio prender?” “Quer falar?” “Quero” ai levantei e falei “companheiros, quero explicar porque chamo de companheiros, porque na JEC eu dei aula de alfabetização para operário, eu dei aula de matemática para operário, eu dei aula de economia para operário, eu convivia com o pessoal da JOC e depois fui advogado de um sindicato como este só que um pouco maior, companheiro são os que dividem o pão e é assim que eu os chamo”, agora quando um promotor vai à a posse já é dose, agora chamar de companheiros de dizer porque, quer dizer, naquela ocasião acho que alguém deve ter ouvido, mas deve ter achado que eu era gaga, devia ser um promotorzinho meio maluco, a Cesi quando ela descreve a figura do promotor acho que ela tem um pouco de gozação, mas não que ela da a ideia de que eu sou louco, ai como tinha essa da falta eu vou fazer o seguinte, eu vou atender a noite, mas não no fórum, eu vou atender no sindicato, mas eu vou cobrar, eu dou uma aula de legislação trabalhista e quem for antes assistir a aula 17 Fala Incompreensível 18 Fala Incompreensível depois eu atendo não perde nem o dia nem o domingo, sacanagem, confesso, mas foi intencional, no domingo eu publicava no jornal, e tinha apostila ainda, parece que a aula não era ruim, mas eu mudava de sindicato, cada semana era num sindicato, então semanalmente eu tinha uma reunião sindical, parece que as aulas eram boas porque as direções sindicais iam acompanhando e os alunos também então esse rodizio eram dezenas de trabalhadores que iam ouvir o promotor dar aula de legislação trabalhista que era considerado muito subversivo em geral e particularmente em Araras porque a legislação de Araras era fraudada da seguinte forma: essa eu não vou dizer o nome e sei que era pessoa que queria me matar, as moças diziam “nós não ganhamos salario mínimo” “então oito horas salario mínimo?” “não é oito horas” “é oito horas?” “Não, então dez horas salario mínimo” “duas extra?” “Não, não é duas extra” “então explica” “nós trabalhamos, mascamos a entrada, saímos para o almoço, marcamos a saída, voltamos, marcamos a entrada, quando completa oito horas alguém do escritório bate a saída e nós continuamos trabalhando mais duas horas, não sei se as quatro ou as cinco e dai trabalhos até as sete”. Um dia o promotor, esse aí, estava andando pela cidade e passou enfrente a uma tecelagem e bateu e disse “eu nunca vi uma tecelagem, posso visitar?” “claro” promotor vem visitar a tecelagem... Maquina de escrever elétrica, expula...(descrevendo os sons das maquinas) “e esse relógio ai?” “é o cartão de ponto, marca a entrada e a saída” e a fábrica (descrevendo os sons da maquinas da fábrica) “e como é que marca?” “não, tem o cartão, então põe ai e o relógio marca” peguei os cartões: ”já saiu, já saiu, já saiu, saiu, acho melhor o senhor ir amanhã no fórum com o seu advogado”. Acho que ele devia querer me matar, eu acho certo, acho que eu agi muito bem, foi meio... como é que é, não foi transparente? Agora que cuidasse também né, já que vai fazer uma fraude a lei que faça, por sinal a fraude a lei tenho que me substituir pelo Antonini , naquele tempo, hoje o promotor pode intimar as pessoas, naquele tempo não podia, então eu fazia um convite e pedia para ser entregue o convite, o convite era entregue o patrão vinha, quando o patrão não vinha, sempre havia isso, eu sempre procurava fazer duas coisas quando chegava na comarca uma denunciação caluniosa para evitar o comadrismo, “o cachorro da vizinha tava com lama entrou no meu (...)19...” “ vai la e prova, se provar vai a vizinha, se não provar vai a senhora porque a justiça não pode ficar em jejum”, isso eu acho que poderia ser mais progressista era menos progressista, mas fazia isso e a outra era o seguinte, não obedece, requisita inquérito, não por desobediência, por fraude à legislação trabalhista. Ai convite do promotor ficava com uma pitadinha de coercitividade, então é melhor ir. Iam ai veio o (...)20 e falou “seu Elloy leva pra mim esse convite” ele falou “não, mas, doutor Darci...” “DEIXA QUE EU VOU!!!” tremeu o foram, aquele foram velho, meu prestigio no foram deu uma subida. Tem outra do Dante Buzana, era promotor, um baita jurista, veio me substituir, ai entrou o Jijo Roverone entrou na sala do promotor no prédio velho, foi la, abriu falou “fulano, avisa que as cinco e quinze eu vou esta no Vantim” fechou, foi saindo, o Dante Buzana falou “seu Roverone, faça 19 Fala Incompreensível 20 Fala Incompreensível o seguinte, para entrar na minha sala, só bate na porta e só entra depois que eu disser, para abrir a minha janela e gritar recados para a praça não faça nem que eu dê autorização”, meu prestigio subiu brutalmente. Havia advogados, até eu não lembro o nome dele, acho que era Paulo, falava muito mal de mim, fomos companheiros porque eu convivia com a sociedade, não era só com operário, fui do Lions club, ia aos bailes do clube ararense, ia ao teatro, claro, teatro de estudante, sindicato, isso ai era , convivia bem com a sociedade, esse advogado foi falar para o Dante “ deve ser muito duro para o senhor substituir o doutor Darci” o Dante Buzana disse “ é muito difícil, porque o doutor Darci era muito um doutor muito bom e substitui-lo é uma coisa muito difícil” e eu precisava dizer um pouco, “você era só agitador”, não era , eu era um bom promotor, agora vamos dizer se era um bom promotor, o Dante Buzana chegou e viu reclamação trabalhista, aí é igual tirar pirulito da boca de criança, santa clementina do seu Chico Buzana, tinha o Chiquinho, meu amigo, companheiro de pescaria, de jogar truco, aliás, o Jader tem um coração tão grande que muito tempo depois de eu ser cassado eu continuava comendo jabuticaba da casa do Chico Graziano, o Jader catava e levava pra mim e laranjas da fazenda. Na santa clementina havia uma família, Cabrini, oleiros, caderneta de oleiros, pai, mãe e até o menininho que é oque a gente vê na estrada, ponto o barro hoje, imagina há quarenta ou cinquenta anos atrás, aí fiz o calculo, chamei, veio o Chiquinho Graziano, Francisco filho né, eu falei “olha Chico, tem essa daqui...” ele falou “você faz oque você quiser!” toquei uma reclamação trabalhista, essa reclamação trabalhista foi feita com base na caderneta do oleiro e eu examinei o anuário estatístico da ONU, o anuário estatístico da CEPAL América Latina, o anuário estatístico do Brasil, o anuário estatístico do departamento estadual de estatística e provei que aquela família toda produzia mais que a media do mundo, da américa latina, do Brasil e de São Paulo e ganhei para a família Cabrini milhareis de reais. Bom, aí melo, seu Chico me proibiu de ir ao cartório eu falei “o senhor pode ter o cartório no subsolo da sua casa. Na sua casa que eu frequentava eu não vou, mas no cartório eu não venho por obsequio seu, o cartório é meu lugar não é a sua casa”. Acho que na maquina de escrever do seu Chico foi feita a ultima moção que tramitou em 64, “ahh mas vc fala assim...” bom, mas primeiro falei que graças ao Jader continue comendo jabuticabas do quintal da casa do seu Chico, segundo, o genro do seu Chico, José Gomes, votou em mim para deputado e vários netos do seu Chico deram testemunho para votar em mim depois, o problema é saber se seu Chico ficou feliz, mas que ele deve ter sentado, deve. Quando o Zé Gomes escreveu, “escrevo a você, como americano escreve ao seu deputado” ou quando o Chico Graziano, o terceiro, o Xyko com X Y e K do PSDB em jabuticabal disse “eu quero dar testemunho do Darci porque foi promotor na minha cidade” então tenho muita honra, muita honra de ter feito isso. De Araras então, a igreja, a politica, os vereadores, os empresários, agora os empresários, hoje o que eu fazia naquela ocasião eram os meus deveres de militante de igreja, os meus deveres de cidadania e o que eu acha ser os meus deveres de promotor. Hoje são deveres constitucionais do Leonardo, porque? No artigo 127 diz: “defender o regime democrático” e no artigo terceiro diz qual é o regime democrático “é uma sociedade livre, justa e soberana, desenvolvimento nacional, erradicação da marginalização e da miséria, superação dos equilíbrios sócias e regionais “e o inciso quarto é o bem comum, bem de todos, dos negros, dos índios, das mulheres, dos idosos, então eu antecipava por deveres de consciência, de militante de igreja e de militante politico não partidário, eu antecipava o que a constituição de 88 nós impôs, eu acho que em matéria de araras eu podia parar por aqui, fui continuando? Fui houve um inquérito policial, houve a moção, foi arquivada, o inquérito policial, o ministério público pediu o arquivamento, o tribunal recusou o arquivamento e mandou o procurador geral arquivar o meu inquérito policial na procuradoria, o procurador recorreu, o supremo mandou o tribunal arquivar. Depois fui professor, fui à assembleia de professores, movimento de professores, ai um major falou “mas o senhor já era punido em 64, como o senhor se meteu nessa?”, eu falei “não, sabe o que é major, emitiram xeque contra o meu passado, é só passar no caixa” era necessário ganhar uma assembleia da APEOESP, companheiros meus, se eu fui JEC (Juventude Estudantil Católica) e JOC (Juventude Operaria Cristã), depois eu fui ação popular, não fui da ação popular marxista leninista, mas fui da ação popular até depois de 64, e os companheiros disseram “precisa ganhar um assembleia no gogó, mas só ganha a assembleia” eu falei “vai dar galho pra mim, vai dar galho” e deu, mas fui la e falei “Major, sacaram contra o meu passado é só passar no caixa, o senhor não é assim?” e ganhei as assembleias, movimento de professores, milhares de professores por que naquele tempo já houve movimento de professores muito maiores e eu já pensei até em ir lá eu aprendiz de outrora, mas era um movimento que levava gente de Santos, de Sorocaba, de Campinas, de São José dos Campos, três mil professores nas assembleias , ganhei a assembleia, eu falei “bom, agora eu vou pra casa” fiz a tarefa né, ai bom, vai ter representante vocacional, com a comissão, representante vocacional, aplicação, todos os meus companheiros de denuncia do IPM, o IPM da educação, mas é, “do vocacional vai fulano, não, do vocacional vai o Darci” eu falei “mas não, olha! Esse negocio não é personalista, o meu colégio terá um representante , eu fui representante” “não, não, o seu colégio tem um representante e a assembleia tem um representante que é você” aí o Eli Lopes Meireles chamava as pessoas e dizia “olha o dossiê dele! Olha ai! Olha o que é ele!” IPM, cadeia, choque elétrico, o choque elétrico é até meio que documentado, no IPM diz que não, negócios estudantil, eu fui ao DOPS, o IPM diz que eu fui no DOPS, e quando eu fui sequestrado, preso, mas eu digo sequestrado no meu escritório, havia trabalhando comigo uma clandestina, que hoje é membro da comissão de anistia e era clandestina e os que me prenderam são torturadores, delegado de Leme era torturador, Orlando Rosante, antes do golpe, quando eu fui candidato a deputado foi impugnada a minha candidatura por ser punido pelo ato institucional o DOPS continuo “obscenando” minha vida mais do que eu porque sabem que eu fiz uma palestra na PUC sobre estrutura sindical, sabem que eu estive no congresso de anistia, no DOPS depois que o Tuma pilhou DOPS sobrou pouca coisa, eu fiquei até envergonhado, uma vez eu fui ver no DOPS eu falei “eu preciso pedir perdão aos meus amigos, porque eu deu a impressão que era um baita militante e não consta nada” quando veio a BIN de inteligência já veio melhor, veio mais condigna, porque no DOPS praticamente não tinha sobrado nada, cadeia, choque elétrico, tenho muita honra e eu falei de pessoas daqui e debateria, fui anunciado, se essas pessoas estivessem aqui eu debateria, diria que não tenho ódio, de mim eu tenho vergonha de ter feito pouco, devia ter feito mais e melhor, tenho muita honra de estar aqui, é a primeira vem que eu dou um depoimento e pra mim é uma satisfação na cidade onde eu fui promotor eu acho que antes eu tinha sido um bom militante e depois eu continuei a ser um bom militante. Agora para ser bem beato no sentido vulgar, uma vez o promotor me perguntou “você vai para o céu ou para o inferno?” acho que nem as perguntas que faziam a cristo, presunçoso, eu falei “na verdade eu acho que vou para o inferno” ele já gostou né, e ir para o inferno, mas falei “mas vou recorrer” e eu vou dizer algumas coisas que eu invocarei no meu recurso, um dos recursos é que certamente estará no céu um frade dominicano tocando arpa que é um instrumento chato, ele era dominicano por ele era católico, não praticava, e eu fui militante de JEC buscada. Frei Ivo de Souza Cruz, filho de um comunista, esse comunista também deve ter ódio de mim assim como o capitalistas daqui, tirei o filho dele e pus na ordem dominicana, dai havia uma colega que era apaixonada, pelo menos, literariamente pelo Ivo porque o Ivo foi vendedor de uma livraria, tinha aquela Historia da moça rica... É Maximiliano Baruto, se acha culto, então a mulher foi na livraria e falou “eu quero uma coleção de livros de 30cm de altura com encadernação vermelha, mais ou menos de 1,23m porque tinha um vão que tem encima da lareira, o Ivo que prenunciava dominicano disse “dona, eu vou sugerir que vai ser melhor e mais barata, a senhora vai num marceneiro e pede tornear uma tabua grossa como se fossem lombadas de livro, ai a senhora vai no encadernador e reveste essa tabua torneada como se fosse lombada de livro, e tem a vantagem que a senhora prende com eixo que a senhora pode abrir e guarda coisas dentro”, a mulher ficou seduzida. Ivo, primeiro recurso, ai a Sara Ortiz, “você tirou o Ivo de mim” “eu não tirei coisa nenhuma” “não, você tirou e deu para o seu Deus” “não, eu não tenho essa força” é capaz que meu Deus tenha pegado ele porque ele gosta dessas coisas, “você vai me levar para o seu Deus” “eu não, eu não consigo, eu não tenho nada disso”, mas eu ia à faculdade de filosofia, pegava a Sara e levava a Igreja da Consolação, “ele está lá, agora você fala com ele” falou e ele não tinha se saciado, ele acabou também convertendo a Sara, Sara Maria Ortiz, como nós éramos militantes da JUC ela se batizou com a bata batismal com 22 anos de idade e os padrinhos, o padrinho foi eu e a madrinha foi uma amiga minha militante de JEC e ultima, meu filho namorava uma menina, morreram de desastre ele e a minha sobrinha e essa menina sobreviveu, um dia ela sumiu e cheguei em casa minha mulher perguntou “você esteve no cemitério? Porque a fulana está sumida” meu Deus me deu uma intuição e me disse “ela foi para Ubatuba para se matar”, não falei pra ninguém, vamos pra casa dela, acho que ela foi para Ubatuba, não é possível, ela não sabe andar em São Paulo, ela se perde ela telefona para eu ir busca-la, pois bem, essa menina foi até o colégio, depois foi até a Dutra pegou uma carona, pegou um ônibus até Caraguá, pegou uma carona até Ubatuba, foi ao Lazaro, eu liguei ela estava no Lazaro, não sei porque eu resolvi contar isso, pra dizer que eu estou tentando ir no céu, eu liguei lá e falei com os caiçaras meus amigos e com as caiçaras, eu liguei lá e falei “ela está sozinha e pelo amor de Deus fiquem com ela e se ela for ao banheiro uma das moças vá com ela não a deixe um minuto sozinha” mas eu acho que a mesma coisa tinha sentido, todo os resto igual a isso, quando eu cheguei lá eu disse “diga o que eu preciso saber para falar para os seus pais”, ela disse “eu vinha me matar na sua casa” eu tenho uma gilete, eu ia para o terraço, ia me matar lá e ia deixar uma carta para o senhor, na verdade esse três (...)21 são uma recurso serio pra quem Pedro quer mandar para o inferno, não sei se garanto, mas como eu quero ir para lá, se eu voltasse a ser de Araras, faria tudo, provavelmente faria mais e melhor, é só. Só mais uma coisa, eu não parei né, porque, carta aos brasileiros 76, participei, conferencia da OAB, participei e mesmo agora eu digo, eu tô com capacidade ociosa, então eu quero militar em alguma coisa, tenho ido a comissão da verdade, no MST, sei lá o que é que eu vou fazer da minha vida. Ver. Breno: Dr. Darci Paulilo dos Passos, Nossa! Agradecemos muito, a sua vida, ao seu depoimento, nós estamos inclusive fazendo um processo diferente, o senhor se dispôs a isso, que fosse publicamente, depois também aqueles que quiserem questionamentos ao senhor também podemos abrir também essa possibilidade, inclusive como o senhor citou a moção da câmara nós já localizamos a moção. Sr. Darci: Não, não, é até o seguinte, quando eu me elegi, para mostrar que eu não guardo rancor, quando eu me elegi com cinco mil votos para federal aqui, e foram os jovens daqui, a maior votação que eu tive, tirando a cidade de são Paulo nas outras cidades foi Araras, na primeira eleição eu tive três mil votos e na segunda eu tive cinco mil contra todos os candidatos da oligarquia politica, e quando eu me elegi deputado com cinco mil votos eu vim na câmara e trouxe o diploma e dei o diploma para a câmara, mas a câmara quis tirar, o Valem levou pra casa dele e eu sempre disse que o Valem fez do meu diploma envidraçado chão de gaiola de passarinho. Ver. Breno: Eu queria só registrar aqui antes de passar para o Ronei se ele quiser fazer alguma pergunta queria agradecer primeiramente Dr. Leonardo Augusto Gonçalvez promotor de justiça da nossa comarca atualmente, pela disponibilidade e também por ter nos ajudado no primeiro contato e que coincidentemente estávamos juntos na semana jurídica da UNAR que o Dr. Leonardo também é professor do centro universitário Dr. Edmundo Ulson e que ocorreu a palestra com o Plinio de Arruda Sampaio e conversamos sobre o assunto e dai ele falou “quem vocês precisam chamar e não pode faltar para essa comissão da verdade de Araras é o Darci, chamem o Darci que ele vai contar muitas boas historias” e o senhor foi muito pronto a vir aqui conosco, então nesse depoimento publico, presidente também presidente da câmara municipal de Limeira Ronei Costa Martins, também o professor Antônio Luiz, também o secretario administrativo da câmara municipal de limeira José Aparecido Vidotti vem acompanhando esse depoimento do senhor Darci, a professora Eliana Degaspi, a professor Regina Antonini , também aquele foi promotor de Araras Dr. José Roberto Antonini, a exvereadora e escritora Mara Figueiredo também está presente acompanhando esse depoimento, o historiador Fabio Cressoni que também é membro da comissão da verdade, também Karen Cristina Leandro que é membro da assessoria da presidência da câmara e tem assessorado a comissão da verdade, também estavam presentes as assessorias dos vereadores Du segurança, 21 Fala Incompreensível Prof. Dê, do vereador Nucci, que tambem são membros da comissão da verdade, também a professora Vera Laura Braga, também agradecer aqui a rede opinião de TV que acompanhou o inicio desse depoimento e tambem fez matéria e também divulgou, presidente Ronei disse que vai precisar sair, então se o senhor Antonio quiser falar, quiser fazer alguma pergunta fazer algum pronunciamento, faz no microfone professor, por favor, porque assim fica registrado. Prof Antonio: Eu queria contar rapidamente uma historinha. Quem me levou pra conhecer o Darci foi uma pessoa conhecida de alguns de nós aqui, foi o Laco, irmão da Maria Regina e junto com o Antonini também, de lá pra cá o Darci foi responsável por uma coisa a meu respeito, foi, e eu quero agradecer Darci de você ter me empurrado para a esquerda, obrigado. A historinha que eu queria contar é o seguinte: em 1989 o Collor ganhou a eleição no primeiro turno e houve a inauguração de um comitê pró Lula na rua Haddock Lobo em São Paulo. Na época duas pessoas estavam no PMDB já pensando pra onde ir, essas duas pessoas, Darci e eu, fomos à inauguração e quem discursou na inauguração desse comitê foi o Plinio de Arruda Sampaio, o Plinio fez uma metáfora que eu guardo até hoje, sabendo que o Darci estava lá e na época estava no PMDB e ele no PT ele falou o seguinte “Darci, quando eu estava no Chile houve uma grande tempestade na cordilheira e essa tempestade fez com que vários blocos de gelo caíssem num rio e os blocos de gelo eram tão grandes que formaram um divisor de agua nesse rio, mas a agua do passava de um lado e para o outro desse ‘iceberg’ mas na frente eles se encontravam” hoje eu estou no PT Darci, me encontrei com vários companheiros logo depois dessa geleira ai devo isso a você, obrigado e obrigado pela emoção de ouvir aqui você falar dessa época.1:16:18 Ver. Breno: Obrigado professor. Não, pode falar no microfone também (dirigindo-se à Darci) Sr. Darci: Quando houve a greve, foi demitida a direção sindical, Havia 16 metalúrgicas , cada uma demitia dois pelo menos, teve outra que demitiram mais se possível não pagando nada considerando justa causa, legalmente seria decretada intervenção no sindicato e nesta cidade eu tentei fundar o sindicato dos trabalhadores em curtumes que era no Graziano se eu não me engano, não consegui, em Leme também não consegui, o delegado de lá obstaculizava, então eu disse “só tem um jeito de manter esse sindicato vivo é fundando uma metalúrgica”. Durante a greve realmente está no livro e é verdade, eu saia daqui, chorava, eles acham que eu instiguei a greve, eu procurei dar consciência aos trabalhadores e eles disseram “você não pode sair daqui sem levar de presente uma greve”, eu chorava todo dia porque eu não via solução, e o Padre Long dizia “você vai à assembleia porque você é a bandeira deles” e quando eu não estava na assembleia no fórum eu ia buscar dinheiro para dar para o comitê de greve. Quando houve o fracasso da greve e a demissão de toda a direção sindical, só havia uma maneira que era fundar uma metalúrgica, precisava ser uma metalúrgica para eles não perderem a base profissional, eu sai coletando dinheiro e colherei quase 400 cruzeiros na época, entre pessoas como por exemplo Geraldo Vandré, mas eu dizia “eu não nasci para ser patrão” havia 12 sócios, 8 dirigentes sindicais e 4 não trabalhadores, os irmãos Warley e Derlo Colombini, a Maria Ambrosina (...)22 advogada e eu que pagamos os nossos quinhões, esse dinheiro que eu fui coletar completou, alguns que receberam o dinheiro pagaram, outros não eu dizia “como eu não nasci pra ser patrão, aqui todo mundo é dono, então todo mundo tem 1/12 avos mesmo aquele que não entrou com nenhum tostão “ e eu dizia não nasci para ser patrão e que bate o prego é o dono do martelo. O Maximiliano para me subestimou porque julgou-me com os padrões que julga a direita, na direita, o populismo de direita é assim, você mete os companheiros no fogo e você não fica, acontece é que nessa fábrica, eu as cinco horas da manhã acordava na minha casa, punha o macacão e desci lá para o fundo da cidade e ia assentar maquinas e dava o meu primeiro turno até as 11h como operário, assentei as maquinas da fábrica, aprendi a fazer molde de areia, aprendi a fundir panela e fundi panela, as onze horas eu ia para casa tomava um banho me vestia e ia ser promotor, depois saia para São Paulo vender panela, vendi muita panela, quando Max Baruto disse que eu ficava em casa de chinelo, robe de chambe, tomando whisky e lendo capitais estrangeiros do Brasil do Thomas Merton ele apenas me julgou pelos padrões do sistema, eu não era líder dos trabalhadores, eu era companheiro do primeiro ao ultimo dia e mais ainda, um ano depois eu não estava aqui, houve uma greve e disseram “mas greve é contra o patrão e nós não somos patrão” o Salim falou “não tem nada de patrão, Dr. Não fundou essa fábrica para a gente ser patrão, para a gente ser dirigente sindical” fecharam a fábrica, foram para o sindicato no carro da fábrica e disseram “a nossa já estava fechada, onde nós vamos ser piquetes?”. Essa fábrica uma vez a Mariana e eu fizemos uma reunião para descobrir se era paternalista, paternalista ou não, não interessa o sindicato continuou. Quem tinha casa, reformou, quem não tinha, fez quem não tinha nada comprou terreno, melhoraram todos de vida, desgraçadamente eu fui para o ministério do trabalho e não pude estar aqui para ajudar no espirito comunitário ela perdeu o espirito quando deixou o nome para ser (...)23. O primeiro nome foi dado por eles, era metalúrgica palmares, e na discussão deles, uns diziam “mas os patrões não fizeram aula com o doutor e não sabem oque são os palmares”, mas nós estávamos no ano de 62/63 era o ano do peru então eles disseram “nós vamos marcar atrás de cada panela um palmar e atrás de cada panela um homem com um fuzil ai os patrões vão saber o que é o quilombo dos palmares”. Ver. Breno: Mas depois teve outro nome essa fábrica né? Não teve outro nome? Sr. Darci: Goes Ilimitada Ver. Breno: Mas não tinha um nome que era a junção desses trabalhadores? Não foi essa...? eu vi uma versão... Sr. Darci: Não, é porque eu tinha, na França, estagiado em comunidades de trabalho e em São Paulo tinha uma. 22 Fala Incompreensível 23 Fala Incompreensível Ver. Breno: Dr. Darci, só para gente deixar claro o período que o senhor atuou, quando o senhor fala “prédio velho do fórum” é o prédio que fica lá na praça que hoje é a casa da cultura, é isso né? Sr. Darci: É. Ver. Breno: Qual foi o período exato que o senhor permaneceu aqui atuando em Araras e morando aqui? Sr. Darci: 58 até 64. No ano de 63 eu tive a disposição do governo federal, de janeiro até o fim do ano. Fui do gabinete do Almino... ai tem aquelas...Ah! tem mais uma coisa, o Elísio do jornal... Ver. Breno: Da Tribuna do Povo? Sr. Darci: É. Ver. Breno: O jornal existe, mas já mudou de grupo para nome. Sr. Darci: É... Ele dizia que eu precisava apresentar o meu artigo porque depois eu passei a dar um curso de formação econômica do Brasil, formação politica, econômica e social, então os trabalhadores tiveram uma formação que pouca gente tem, até hoje, não digo só trabalhador, e eu publicava no jornal também a apostila, o Flavio chegou a dizer que o melhor Livro sobre o Brasil seria a coletânea dos meus artigos, eu chamava de “contrastes e confrontos”, os intelectuais queriam responder, mas não era fácil, então o Elísio criou esta figura, eu tinha que entregar o meu artigo na terça feira para o jornal de domingo e o Baggio e o Baruto lendo (...)24 e etc. Copiavam a resposta ao meu artigo, então se verificavam no ano de 63, o meu artigo era contestado no mesmo numero que saia, não era no numero seguinte, mas desgraçadamente, eu fiquei enraivecido, porque não era o Baruto que ficava respondendo meu artigo, ele fez só o do chinelo, era o (...)25, eles copiavam do (...)26 e punham, era copia direta do Ebadi, o que eu escrevia não era copia do Celso Furtado. Ver. Breno: Então em 63 o senhor já não estava mais atuando aqui? Dai o senhor ficou... Sr. Darci: Não, até 64 eu continuava. Ver. Breno: Em outubro de 64 foi quando o senhor foi aposentado. Sr. Darci: Eu era promotor de Araras convocado em Franco da Rocha e eu brinco dizendo, “Do lado de fora” porque tem gente maldosa que diz “não, ele foi internado”. 24 Fala Incompreensível 25 Fala Incompreensível 26 Fala Incompreensível Ver. Breno: nesse período de 63 o senhor estava à disposição do ministro Almino Afonso? Sr. Darci: Não, a disposição do governo federal né, porque é um problema funcional, então pedem ao governador, procurador punha a disposição, o governador punha a disposição do presidente, o presidente Evandro Luiz da Silva me pôs a disposição do Almino. Ver. Breno: E o senhor estava atuando aonde? Sr. Darci: Era secretario, não secretario executivo, era secretario particular, mas o Almino diz até hoje que na verdade eu era o ministro, não era bem assim, ele era um bom ministro. Ver. Breno: No ministério o senhor estava? Diretamente com ele atuando? Sr. Darci: No ministério, quando ele saiu em junho, eu fui para Brasília e assessorava o grupo compacto. Eu esqueci de falar com Luciano Lepéra que também veio para o centro de estudos sociais, o advogado no Lions propôs uma homenagem ao Kennedy pela a aliança por progresso, eu me opus e disse “olha, pelo estatuto do Lions não pode haver manifestação politica” e esse advogado Dr. Paulo... não sei oque, não, eu não estou lembrando o nome, não é insultuoso, é desmemoria, ele falou “não, mas isso é uma homenagem social”... Ver. Breno: Não era o Dr. Paulo Marques Figueiredo? Sr. Darci: É, exato. Ai eu falei “mas é uma homenagem de repercussão social? Então eu proponho que também no mesmo (...)27 seja estendido ao Fidel Castro pela alfabetização de Cuba”, ai melou, o Lions né, e o Paulo Marques Figueiredo é que dizia que era difícil ser meu, como é que é... ai eu falo da coligação ararense “é uma cidade proverbialmente pacifica a ponto de ter tido mais de 12 anos de coligação na politica local... um povo que sempre viveu em harmonia sem que jamais houvessem agitações ou luta...espirito de fraternidade é coisa proverbial ... essa harmonia acaba de sofrer impacto com começo de agitação por ação politica e agora o senhor que não cessa de incitar o sindicato e os operários contra os empregadores. Na grande greve publica, declarou ilegal... continuo a se manter em reunião com o sindicato promover o referir titular promovido o ajuntamento de obreiros da zona rural”28 menos do que eu fazia, realmente na zona rural eu não consegui, mas ia na usina são João eu conversava “como é público e notório. Em presença de empregado e empregador ele o faz de maneira ríspida e provocante e tem um fim demagógico(...)29 em evidente tom politico para que o (...)30 vem a ser uma cabo eleitoral” 62, eu vim a ser deputado, quase vinte 27 Fala Incompreensível 28 Difícil compreensão. Pode haver erros de pontuação 29 Fala Incompreensível 30 Fala Incompreensível anos depois, vinte anos depois “os nomes conferencistas, com tendências esquerdistas” Montoro, Zé Gregório “comunizantes... a agitação trazida por tais conferencistas refle imediatamente nos meios de produção trazendo fontes de atrito constante” aquelas testes por exemplo queriam cobrar aquelas 2 horas de generosidade, que elas davam e eu fiz cobrar, invés de um presente, todo cidadão tem o direito de pensar politicamente como quiser, mas não acha justo nem moralmente defensável que se sirva alguém da função publica, como no caso dela, para promover agitação evidente que numa cidade pequena não se pode distanciar o homem de sua função, profunda preocupação, desassossego da família produtora” é porque família produtora é só um lado da produção, “Araras está trazendo novas industrias...ambientes... Altamente lesivo aos interesses superiores da cidade” mas é elogiosa né tenho o condão de afugentar os investidores “interessa a segurança nacional, comandante do segundo exercito”31não, era um mundo. Não tenho muito orgulho, e quando fui ver o DOPs... Ver. Breno: se o senhor quiser nós fornecemos uma copia integral. Sr. Darci: Não, eu tenho, eu vou dizer por que é que eu tenho, também não vou só eu ficar aqui passando mal. Quando Zé Carlos dias foi secretario da justiça do Montoro, o chefe do gabinete foi o José Roberto Antonini e descobriram lá a investigação sumaria a que eu fui submetido, porque essa moção serviu para inquérito policial, IPM, inclusive a investigação sumaria que deu a punição funcional né, e eles me deram de presente a xerocópia de toda a investigação sumaria, então eu agradeço, mas eu tenho a impressão que havia mais de uma. Ver. Breno: Talvez, é que como não tem o nome, só esta promotor de justiça de Araras, e eles não fazem referencia nenhuma ao nome. Sr. Darci: Virgílio Buzon depôs aqui né? E eu até disse, dos que eu teria menos magoa seria dele porque ele só assinava, coisa que aliás... Ver. Breno: dos três o único que já é falecido é o Maximiliano Baruto. Sr. Darci: ...Coisa que aliás, eu acho que até hoje deve ser assim , pouco mais de assinar o próprio nome, as más línguas dizem que isso é analfabetismo funcional...(...)32 Ver. Breno: Dr. Darci, o senhor atuou aqui em Araras no primeiro mandato do prefeito Milton Severino. Sr. Darci: quando eu cheguei ainda era o prefeito Alberto Feres. 31 Difícil compreensão. Pode haver erros de pontuação 32 Microfone sem som Ver. Breno: Que foi a ultima coligação ararense e o prefeito Milton Severino que rompeu com esse processo da coligação que aconteceu uma disputa né, o que o senhor pode lembrar dessa eleição e do primeiro mandato do Milton Severino? Sr. Darci: Não, uma das coisas que tinha era o seguinte, quando eu cheguei o delegado Wilson Rodrigues era ademarista, eu não era nada, eu era um militante politico não partidário, e (...)33, Dr. Hermínio Alugou todos os caminhões, todas as charretes, todos os taxis da cidade para a eleição do Carvalho Pinto, e claro que o Wilson, eu sabia que o Wilson ademarista, claro que ele estava puxando a brasa para a sardinha dele, mas eu tinha que puxar a brasa para a sardinha de todos, chamado bem comum né, eu falei “então o senhor peça que o comitê do Carvalho Pinto se reúna que eu quero ir lá”, aí se reuniu todo mundo, Carvalho Pinto era tudo né, dai eu fui lá disse “do meu ponto de vista...” na legislação da época não tinha transporte “para haver equidade, são três candidatos...” acho que é o (...)34 e o Carvalho Pinto “são três candidatos, então todos os candidatos devem ter acesso a charrete, taxis e caminhões, se um candidato alugar todas as charretes, todos os caminhões e todos os taxis, eu acho que é o poder econômico a serviço da eleição, pra mim é crime e mais, eu não sei oque o juiz pensa, absolvido nessa comarca não chega, então se fizer isso...” “mas os taxistas, os ‘charreteiros’ também querem” “...eu não me interesso, eu quero que haja disponibilidade para qualquer, aliás, voltei nessa ocasião. O Carvalho Pinto foi candidato do PDC, eu sai do PDC, (...)35 estava muito bravo comigo, ele fala Carvalho Pinto, mas é mentira, (...)36 mas é tradicional Carlos Alberto Rodrigues Alves de Carvalho Pinto, aliás, até dizia “quando meu tio era governador do estado eu ia tomar chá”, imagina que o Carvalho Pinto é da oligarquia de tal forma que o governador tomava chá com o sobrinho no palácio dos campos Elíseos, então fala, é da oligarquia e não tem nada de economista, ele não estudou nada de economia, ele mal é financista, foi mal visto no PDC também, o Totó falou ai, mas o Plinio diz que só quando ele foi para o PT que ele passou na minha frente, (...)37, mas então, Carvalho Pinto, acho que eu votei no (...)38, eu votei no Ademar, que me botou pra fora, eu tinha votado nele, agora porque também era o seguinte, eu votava tão bem quanto possível, hoje eu estou pior, então por exemplo, eu voto no Plinio, e no segundo turno? Voto no Plinio, do PSOL, mas ele não é candidato, não, mas o problema é da maquina, eu ponho lá “PSOL” se a maquina tem problema com o PSOL é problema da maquina eu não tenho problema nenhum. Como eu sou 33 Fala Incompreensível 34 Fala Incompreensível 35 Fala Incompreensível 36 Fala Incompreensível 37 Fala Incompreensível 38 Fala Incompreensível minoritário, eu não tenho que fazer média, eu não tenho, alias votei no segundo turno do que muito te arrependo, se não tivesse segundo turno a (...)39 não estaria la no seu gabinete, mas por incrível que pareça para a vergonha nossa, que estou aqui vivo, eu votei um voto analfabeto, o voto de analfabeto é da minha vida, não é de trezentos anos atrás, aprovei o voto do analfabeto em 85! É ontem! Mulher, padre, bom escravo nem pensar né, todos democratas, democracia censitária, só votava quem tinha renda, e mais era bem o pensamento de Araras, conforme a renda era a escala em que você votava, tinha gente que valia tão pouco que só votava no município e isso era dito pela lei, então quando vinha essa moção, você imagine eu responder para o Werner Rodrigues Nogueira essa... insuflava o ódio de classes, agora como é que eu consigo insuflar o ódio de classes ganhando tanta reclamação trabalhista, não sobra ódio de classe. Ver. Breno: Nós sempre perguntamos Dr. Darci se as pessoas tem conhecimento de que neste período ou que antecedeu ou após o golpe se ocorrerão episodio de tortura em Araras ou de pessoas de Araras fora daqui, se o senhor se lembra de algo sobre isso e que o senhor contasse pouco mais... Sr. Darci: Eu Ver. Breno: Como é que foi esse episodio, e qual momento o senhor foi torturado? Senhor tem informações de outras de Araras ou que havia ocorrido aqui em Araras? Sr. Darci: Eu cheguei a ter a ideia de que eu nunca procurei apurar de que o filho de um médico de Araras para uma organização clandestina de luta armada e não sei se é verdade. Ver. Breno: O senhor se lembra do nome? Sr. Darci: Não. Seria filho de um dos médicos de Araras, até cheguei a ouvir dizer que havia sido morto. Foram presas muitas pessoas de Araras, Maria Ambrosina, Warley, Tito Duarte, Darci Ferreira da Silva, eu lamento muito, pode ser que até alguns deles tenha ficado com raiva de mim, eu tive uma companheira da ação popular que foi presa e torturada junto com o marido, e ela saiu da tortura com ódio dos companheiros, não dos torturadores né, hoje esse ódio esta superado, ela foi dos que pedia pra eu ganhar assembleias né, então eu não sei se essas pessoas foram torturadas no sentido formal, tortura psicológica, porque eu antes de ser torturado, eu imaginava que eu deveria morrer para evitar que pela minha palavra eu comprometesse alguém, e nunca ninguém se matou na cadeia, porque quando eu fui preso as primeiras coisas que tiraram de mim foi o cordão do sapato, eu sei de quarenta suicidas, nenhum foi com cordão de sapato eles tinham uma certa organização, o cinto, e a grava de Herzog, então o Herzog não poderia ter morrido porque a minha prisão foi anterior e gravata era coisa que você não entrava, tem quarenta mortos a menos de um metro e meio do chão, enforcados, então eu não sei de Araras alguém que tenha sofrido, não sei. Eu não sou de 39 Fala incompreensível Araras e nem foi por Araras para a insatisfação dos que gostariam, eu quando fui preso e fui preso pelo movimento de professores. Ver. Breno: E que ano foi doutor? Sr. Darci: Foi 1970, o movimento foi em 68, eu fui demitido em 69, fui demitido do vocacional e fui demitido de Historia Econômica do Brasil da PUC de Campinas, também no IPM esta uma recomendação para eu não lecionar, alias, eu depondo na comissão de anistia para uma companheira eu disse o problema é que nem o comandante Melo Bastos, que era piloto (...)40, no Uruguai ele conseguia emprego na Pluma, a diplomacia brasileira pressionou o Uruguai para ele não ter emprego, porque ele não ter emprego? É por causa de ele não poder fazer nada, não pode nem subsistir e nem ser militante e ai tem aquela musiquinha, “que medo que eles têm de nós olha eu de novo, você me prende vivo eu escapo morto”. Ver. Breno: Aonde que o senhor foi preso e aonde que o senhor foi torturado? Sr. Darci: Eu fui sequestrado no meu escritório, em São Paulo por ordem do IPM do coronel Rubens Hertel, era o chefe do IPM, demitido em campinas também por causa disso. Fui levado ao DOPS para ser torturado para verificar se eu tinha redigido um manifesto do movimento de professores que segundo eles era para derrubar o presidente, movimento de professores, 3000 professores derrubando o presidente, a paranoia desse pessoal, eles no poder, imagina se tivessem perdido o golpe, no poder 3mil professores derrubava o governo, fizeram até, eu até achei que eu tinha escrito o texto, não escrito o texto, mas feito alguma correção porque a letra parecia a minha. Agora uma coisa importante, presidente, eu fui levado para a tortura por dois investigadores do DOPS que era o grupo do Fleury, da delegacia de furto de automóvel, porque era a delegacia que guiava bem e que usava armamento pesado por é que eles foram para a repressão. A repressão tinha bons motoristas e armamento pesado porque os puxadores de carro guiavam bem e usava armamento pesado, os dois estão como torturadores na lista de tortura nunca mais, Paz, Parra, e Tesca, o motorista eu não sei, não foi o que me levou, eles me levaram para setor dourado com as armas apontadas pra mim eu via sorocabana, o que deu choque em mim eu não sei o nome, ele dizia “eu sou um técnico apartidário, como o senhor perdeu o senhor está aqui, se o senhor ganhasse os seu inimigos estariam aqui” eu falei “não, eu não mandaria meus inimigos para o senhor” e ele dizia “primeiro eu quero mostrar a aparelhagem”, então (...)41 do dragão, põe ai, põe uma bacia com agua para facilitar, entra o positivo de um lado, sai pelo outro, uma aula de tortura que é o pau de arara, pendura, a pessoa fica de cabeça pra baixo, antes de a gente fazer qualquer coisa o sangue flui pra cabeça, um horror, as vezes as pessoas defecam em si próprias, eu ouvi isso de um sargento da policia militar quando eu era candidato em Franco da Rocha e um sargento me contou isso, ele sendo torturado e defecando em sim mesmo, agora 40 Fala Incompreensível 41 Fala Incompreensível “o senhor é cardíaco?” eu falei, “eu não sei” “então nós vamos saber porque eu vou ligar 220 se o senhor for cardíaco o senhor vai cair morto ai” também eu tive um choque só pra não dizer que eu boto banca, respeito muito a historia de tortura, não, eu recebi um choque, os investigadores diziam “esse militares querem só essa coisa de professor, nós achamos que o senhor tem mais coisas para nos dar então o nosso chefe...” que era o delegado Nelson (...)42 “...esta pedindo para o coronel para que ele ...” então isso é tortura também, então essa tortura o pessoal de Araras pode ter sofrido “...ele está pedindo emprestado porque se nos emprestarem o senhor um dia no dia seguinte o senhor chega aqui não com essa panca ‘não conheço quem estava na tribuna’ ‘não sei quem estava na plateia’, o senhor vem de joelho correndo e dizendo ‘pergunta logo porque eu quero falar bastante’”. Parra e Tesca, claro que o negocio de Araras fazia parte, graças a Deus, do meu prontuário, um bom prontuário, mas o sequestro foi no meu escritório e foi por causa do movimento de professores, mas o pessoal do DOPS achava que eu precisava falar de outras coisas. Ver. Breno: Dr. Darci, eu havia perguntado mais sobre aquele negocio da coligação ararense do prefeito Milton, o senhor teve algum tipo de relação com o prefeito Milton de proximidade, de adversidade? Sr. Darci: Não, eu acho que nós éramos, as posturas não eram colidentes, não eram paralelas, as posturas politicas de nós dois eram completamente diferentes. Leme naquela ocasião um prefeito também populista e quando eu digo populista de direita é bem... Ver. Breno: Orlando Leme Franco? Sr. Darci: Orlando Leme Frente! Porque tinha o delegado que era Orlando Rozante que era torturador. O populista de direita houve certa copia do estilo do Jânio, uma atitude de direita, uma linguagem aparentemente progressista, então Milton tinha aparentemente votação popular, a coligação acabou porque a descrição que se faz da coligação não podia, alias, 12 anos, a primeira não foi, ela chamou-se coligação mas houve eleição para fazer, seu Chico foi eleito prefeito e depois montou a coligação, oque foi genial, e quando me avisaram para não ir, que provavelmente ia dar galho, até era um amigo meu da politica universitária, da Politec, ele falou “você vai se danar! Porque Araras é assim”, agora para você ter uma ideia de quando tem questão politica eu vou dar uma é pior, mas agora eu vou fazer coisa pior do que eu acusei o Max Baruto e o Buzon. Quando deu o bote tocaram o Cleto, que era um bom delegado, para fora daqui, ai os operários falaram “nós vamos fazer uma marcha com tambor e tocha, faixa” Dr. Cleto e Dr. Darci intocável, eu consegui segurar tocha, eu queria segurar a marcha, ou a lata, não consegui segurar nem a marchar nem a lata, era batendo lata e eram centenas, tanto eram centenas, isso é documentado fotograficamente, de modo que se alguém vier prestar conta é prova documental , o Ivan Zurita esteve nessa passeata, fotografado na mina classe porque eu falei para os trabalhadores, eu falei primeiro da janela e depois desci, o 42 Fala Incompreensível Ivan Zurita ta fotografado, basta ver agitação politica até por interesses eleitoreiros como o Baggio e o Baruto descrevem aqui , o Ivan Zurita, não fez a passeata, mas quando a passeata estava na minha casa estava o Ivan lá, quem te viu e quem te vê. Ver. Breno: Dr. Darci, nesse período o senhor tinha uma militância politica mais não tinha uma militância partidária, posteriormente que o senhor se filiou no MDB e se lançou candidato? Sr. Darci: É, até é uma coisa importante para você saber. Com a crise econômica, alguns tentaram examinar a seguinte coisa: o governo vai tentar fazer alguma coisa para tentar dividir as oposições, vai haver uma mudança politica eleitoral, politica partidária, um grupo pequeno, primeiro de 10 pessoas, um que estava o Plinio, o Almino, eu, disse “quem sabe nessa mudança a gente alarga e cria um partido nacional popular socialista, então nós nos dedicamos a fazer isso, desse movimento que foi chamado de articulação, não é a do PT, é a articulação do partido nacional popular democrático socialista, nós éramos chamados de articulação, desse movimento surgiu a candidatura do Fernando Henrique, mas ideia era o seguinte, se passasse de um milhão de votos, esse um milhão de votos seria destinado a criar uma partido socialista, o Fernando Henrique se compôs com o Montoro e mandou na ultima reunião desse grupo pelo Chico Oliveira, foi só portador, coitado, disse o seguinte “nós temos que nos diluir no PMDB” e eu como votei no Fernando para senador, é algo que eu vou pagar no juízo final politico, porque ele fez acordo com o Montoro, suplente de senador, o Montoro se elegeu, quatro anos senador e deu no que deu, então eu não sou tão inocente quanto eu finjo, muitas coisinhas que eu tenho que responder, essa por ai eu tenho que responder, não fui a decisão, quer dizer a decisão iria ser o Befort, mas o Befort não podia ser elegido, Fernando Henrique era inelegível, mas até isso a justiça eleitoral permitiu que ele fosse elegível , eu fui impugnado, mas eu era elegível tinha mais de 10 anos, ele tinha menos de 10 anos que foi candidato em 78 e a punição dele era de 69, agora também tem o seguinte, já que é para botar banca, eu sou do Ato 1 ele é do Ato 5. Ver. Breno: Dr. Leonardo quer fazer algum questionamento? Dr. Leonardo: Eu só gostaria de agradecer a oportunidade de ter vivenciado essa tarde com o depoimento do Dr. Darci a quem eu já conhecia na época que ele era coordenador geral dos grupos de estudo do mistério público e dizer que ouvi-lo e sobre tudo no ponto em que o senhor disse que o que o senhor vivenciou e oque o senhor fazia hoje é reconhecido na constituição federal como dever do ministério publico, então oque eu posso dizer da minha felicidade de estar aqui e que eu vou procurar honrar, junto com os meus colegas promotores a atuação que o senhor teve naquela época e fazer com que o ministério público possa honrar essa historia de vida que fez com que a nossa instituição chegasse ao ponto em que ela esta hoje, só tenho agradecer, então foi uma alegria reencontra-lo aqui Doutor. Sr. Darci: Obrigado Leonardo Sr. Fabio Cressoni: Agradecer por poder conhece-lo, recebe-lo assim como os demais né, e é uma historia, de fato, viva como farsa, como tragédia, mas é importante que ela seja rememorada né dentro desses três eixos, mas especificamente o ultimo que é questão da justiça social, eu fui anotando varias coisas e um dos nossos focos específicos aqui enquanto comissão é tentar entender melhor a questão da intervenção e os processos e os desdobramentos após o afastamento do então atual prefeito Milton Severino, a chegada do coronel Puppo e eu penso que a sua fala é muito significativa para nós aqui hoje, no sentido de aprender um pouco mais a historia do município de Araras que também serve um pouco para entender a historia do país né. Araras aparece em alguma obras, colegas, o Raimundo Faoro Jr no segundo volume “Os donos do poder” ele cita o município, o Victor Nunes Leal, também cita para exemplificar aquilo que você nos ensinou hoje nessa aula de história e essa questão das três coligações é algo que eu não discuto mais, eu já escrevi algumas coisas a respeito disso também e é a ausência total da mediação institucional e uma chave de leitura nova, pelo menos eu não havia pensado, não havia refletido tanto sobre isso e eu sai daqui hoje tentando pensar melhor essa analogia com o Milton porque talvez uma esvaziamento depois de doze anos, “vamos colocar quem agora? Vamos chamar quem para esse processo?” porque quem chamou o Milton foi o Ivan, a primeira eleição do Milton é pela UDN, como historiador tentando dar uma respostas em termos de âmbito local para comissão já tinha uma clareza, já tinha uma nitidez desse processo, mas eu não havia parado para pensar nessa situação posterior a coligação na ausência da mediação politica e da mediação institucional e hoje a gente sai daqui com um “Plus”, com uma chave de leitura a mais para tentar refletir e tentar entender melhor aquele episodio que ele tem um evento especifico que é o evento do afastamento e depois da intervenção, mas ele tem que ser entendido em uma estrutura maior que é era estrutura da formação da historia politica brasileira e como isso impacta localmente aqui no nosso caso porque num outro depoimento, só rapidamente para retomar e exemplificar isso, Araras era a cidade dos dois mandões locais, verdade não eram barões, eles eram dois tropeiros que vieram da região de Atibaia, de Jundiaí, e mais tarde ganharam titulo de baronato por outros motivos, você vai e olha para a destruição de títulos nobiliárquicos, o baronato deu no final, havia interesse para esse tipo de articulação, mas Araras foi uma cidade que de 1906 até a primeira coligação com o Graziano, essa parentela única da família Lacerda ela rachou, rachou porque um membro da parentela não aceitou a disputa da câmara municipal que na época era a intendência que também era o presidente, então o Rodolfo Coimbra, que é o pai do Cesário Coimbra, ele briga com o cunhado, com o Justiniano, ai a parentela se divide e de 1909 a até o inicio da década de 40 isso aqui são os exemplos que o Raimundo Faoro dá, que o Victor Nunes leal dá, que está exposto e oque que acontece, essa paz romana... Sr. Darci: A paz do cemitério Sr. Fabio Cressoni: É, sim, a paz romana, durante três mandatos e dai talvez a, vou usar uma expressão chula, talvez no final o Milton como todo como todo, precisaria de mais hipóteses para aferir isso, mas o Milton como todo bom populista, como fez o Vargas, como outras lições da historia nos dão ele dava banana para quem os apoiou né, o Vargas quando ele precisou dos comunistas, quando ele precisou dos integralistas é uma areia movediça o populismo né, ele pode caminhar para esquerda ou para a direita com muita tranquilidade, com muita facilidade, e o Milton talvez ele dava a banana para o Ivan e talvez daqui para frente a gente segue explorando isso também, tentando entender os desdobramentos também disso. Sr. Darci: Professor é o seguinte, em primeiro lugar a repressão começa mais ideológica, mas quando ela se aprofunda, o caráter populista na interessa saber se é de direita, (...)43 Jano, não interessa saber se é de direita, o fato de movimentar o povo era muito mal visto, o populismo é atingido. Ouço dizer, quando houve a intervenção, não terá sido motivo da intervenção, mas durante a intervenção constou que eu viria dinamitar o serviço de abastecimento de agua, que eu fui tido com até mais militante e mais categorizado eu acho que fui, parece que constou isso, a intervenção não terá sido por causa disso bastava as atitudes, o senhor falou do Getúlio, Jânio por exemplo destruiu todos os partidos ao começar pelo PDC do (...)44 e o PDC como era ideológico nesse instante, não antes, botou o Jânio pra fora, os oriundos pelo Lebret da ação católica e foram para ação politica, Queiroz Filho, Arruda Sampaio, expulsaram o Janio prefeito de São Paulo, agora durante a intervenção parece que constou que eu viria aqui para explodir, se constou ou me foi imputado existiu essa preocupação de alguém, ontem eu estava vendo Ribeirão que foi um lugar que eu atuei, seguramente não tenho, pode ser que indiretamente, quando criaram as forças armadas de libertação nacional, pode ser que tenha havido esse projeto ou esse plano, foi imputado a mim durante a intervenção, eu viria explodir o serviço de abastecimento de agua, agora eu devo pedir desculpa porque eu me meti em fase histórica e vi que você entendem muito mais disso aqui, quando eu falei da aristocracia cafeeira que caiu, alias por sinal, um neto dos barões ai, andou foragido porque foi condenado num crime de contrabando, Hernani Lacerda de Oliveira se não me engano com Carlos Novo de Niemeyer, irmão do Oscar, eles foram réus aqui. O Dante Buzana disse “quando eu fui para lá eu falei ‘nossa’”, eu fui lá e falei “um baita agitador”, então eu via processo trabalhista, tem esse do Cabrini, “ahh, mas é a tarefa dele processo trabalhista”, acidente de trabalho, acidente de trabalho cabe ai também na agitação só que tem uma coisa, tem uma cara da Torque, não, da cerâmica (...)45 que era no meio da baixada, varizes, varizes na medicina legal normalmente é de trabalho ereto estático, fácil, descobri um livro de medicina legal francesa que dava varizes como moléstia profissional da postura ereta ambulante, dinâmica, movi e ganhei, então quando eu vinha fazer campanha pra deputado vinha gente que dizia “se eu pegar ele no meio da rua eu atropelo e mato”, mas este velho com varizes porque empurrava cerâmica na olaria Michelin, ele chorava quando me via, mas era acidente 43 Fala Incompreensível 44 Fala Incompreensível 45 Fala Incompreensível do trabalho. Ai o Dante continuo vendo, e era o seguinte, um parecer difícil naquela ocasião que o tribunal como faz com frequência, copiou o meu parecer sem aspas e sem dar credito, eu dei opinião de guarda de menores em favor do pai que era um bancário, a mulher deixou por outro e largou com ele duas filhas, ai ela voltou, se reconciliaram, com meia aspas, ele sem aspas e ela com duas aspas, reconciliada, ela fez a mala das meninas e dias depois foi embora levando as filhas, o meu parecer foi favorável a busca e apreensão do pai embora fossem filhas meninas e tenha a idade que normalmente devem ficar com a mãe, a mãe é nociva porque o exemplo moral da mãe, não o fato de abandonado o pai, o fato de ter simulado a reconciliação, é nefasto para as crianças, ai o Dante “ai eu comecei a ver que em outros campos do direito trabalhava direitinho, sabe que você era um bom promotor” por isso que quando o Paulo Figueiredo falou que era difícil ele falou “é realmente muito difícil, ele foi um promotor muito bom” mas também o nosso presidente o Cosenzo, diz que na placa de prata que tem ai no fórum dos cem anos, dizem que a dominação local foi lá e corroeu meu nome, corroído por acido. Ver. Breno: O nome do senhor está lá sim, não sei se está arranhado, mas está lá. Doutor Antonini, o senhor não quer contar nada desse período que o senhor ficou? Não quer acrescentar nada? De algum episodio que o senhor viu, do Milton, da intervenção, do interventor...? ele é mais tímido que o senhor né? Tem muita historia ali, mas o senhor faz o favor de convencê-lo a contar essas historias, a mandar, quem sabe... Sr. Darci: (...)46 o passional está aqui e mais eu costumo dizer, a Regina Antonini e o Antonini se dizem ateus, se dizem para todo mundo, eu descobri que eles na verdade são santos, que eles são santos é unanime, eles são únicos que não dizem e não dizem porque sabem que são e mais ainda eu fui a única pessoa que descobri única que pessoa que descobri. Regina Antonini e José Roberto Antonini são agentes secretos de Deus, é verdade, são agentes secretos de Deus. Pega uma pessoa fraca como a Regina Palermo lá de Campinas, dão uma nela ela já renegou Deus, cospe e tal ai eles sempre falam “Deus é que a gente pegou pesado”, de mim ela já falam “esse não adianta”, porque o Antonini foi o que falou isso “como é que o cara pode ser cristão e de esquerda?” essa foi a ultima quer dizer, a pensada “Eu Sou de esquerda não quero o cristianismo!” não “sou de esquerda porque sou cristão” , esse não adianta. Eu estou querendo ir para o céu estou pedindo pra eles e pra minha filha, um filho meu dizia da minha filha “você mora com a mamãe, trabalha com o papai e ajuda a criar sua sobrinha então você vai para o céu” então eu estou pedindo referencia, os dois, é bom vocês saberem, são agentes de Deus, eram agentes secretos até eu desmascara-los e quando eu falou ai todo mundo da razão, mas é verdade tem todas as figuras da bondade, oque eles tem de bondade só de conviver com eles acho que eu vou para o céu, por osmose você que sentou ai, a Karen, a Eliane, esse já estão garantidos, porque quando chegar São Pedro não ousa quem tem um 46 Microfone sem som pouco de cheiro de Antonini São Pedro já sabe que se ele pedir os documentos certidão de batismo a voz lá fala “ohhh!”. Ver. Breno: Ahh! Tudo isso é pela carona. Sr. Darci: Essa carona e a outra também eu estou querendo que ele assegure a próxima. Ver. Breno: Senhor queria falar mais alguma coisa? Sr. Darci: Não cutuca Ver. Breno: O que foi que o senhor sobre, brevemente, “por cima de cadáver de promotor”, do livro, eu fiz anotação, oque que é isso? O que foi essa publicação? Que o senhor disse que houve uma publicação. Foi uma acusação? “Cadáver de promotor” alguém que falou isso? Sr. Darci: (...)47 Ela fala no livro que foram na casa do velho, o velho são todos pais, e é engraçado, o Maízo, o Zé Franzini, o pai o mandou ele embora para São Carlos, em São Carlos se envolveu com muita gente inclusive com gente da luta armada, até teve um episodio gozado que eles tinham uma republica e a republica durante muito tempo foi anômala porque durante certa parte do tempo ela era uma republica e durante parte do tempo era um aparelho. Então um dia quando todos viajaram, o Paulo Reali, promotor, o Maízo veio pra Araras, quando voltaram tinha uma buraco de tiro na parede, tinha havido uma reunião do Marighella, da eles falaram “Não, precisa por ordem, ou é republica ou é aparelho porque senão daqui a pouco nós vamos...” então no caso o velho, pai do Maízo, mandou o Maízo embora, ele andou se cruzando com gente melhor do que eu, o pai do Dante Delbem mandou ele embora, não, uma vez o Maízo, um dos Ulson, medico, que depois me atendeu foi la na minha casa e falou “nós vamos continuar frequentando, mas não pode isso, isso pode, caça rã pode, fritar rã pode, pode musica popular, não pode politica” eu falei “oh! Quatorze anos ultimato? Eu é pacote fechado, é com casca e tudo, não vem me dar ultimato” até hoje o Maízo tem magoa de mim, quatorze anos pressionado pelo pai foi me ar ultimato oque podia fazer na minha casa, então o Dante Delbem o pai também mandou embora porque, imagina, contaminava, a minha família foi embora porque não havia mais convivência, eu ia nas solenidades, o cargo de promotor precisava ir, fora disso os operários me recebiam, os operários coitados para me receber gastavam oque não tinham, eu ia na casa de um operário então vermute, vinho e o “escambal”, não podia nem frequentar a casa dos meus companheiros porque eram (...)48, minha família foi embora antes, minha família, os daqui eu até não sei, a minha filha que nasceu depois de 69 dizem que era filha do Kassab, é possível que os que convivessem aqui também tivessem sentido isto. Agora, o Dante foi pra São Paulo, estava na republica de estudantes dai “você é da onde?” “eu sou de Araras” “tem um promotor lá em Araras, você 47 Microfone sem som 48 Microfone sem som não?” “não, eu caçava rã, ia na casa dele...” “nossa! Conta mais!” e um dia o Dante foi na minha casa e disse “meu pai me mandou embora porque eu convivia com você, mas agora em São Paulo eu sou um baita prestigio na republica porque eu te conheço então é uma coisa anômala porque aqui eu não posso estar com você e lá em São Paulo ‘não porque sou amigo, porque como, frito rã’” o Dante foi falar, coitadinho, esses meninos pagaram muito caro por serem meus amigos, muito. Ver. Breno: Muito Obrigado, nós ficamos muito felizes... Sr. Darci: Eu é que fico. Ver. Breno: ... A câmara municipal de poder recebe-lo aqui, dessa disposição do senhor, se o senhor lembrar de alguma outra coisa, pode mandar, mandar por escrito, podemos marcar outro, nós ficamos muito felizes de tê-lo conosco nesta câmara. Sr. Darci: As pessoas podem vir falar aqui, mas se as pessoas, mencionadas e não mencionadas , que eu as terei esquecido, não as que eu gosto, as que eu supostamente não gosto, eu volto para debater tranquilamente, mesmo tendo mentido a respeito da capacidade intelectual de um ou de outro ... Ver. Breno: Muito Obrigado.