ANÁLISE DAS INFORMAÇÕES DA EQUIPE DE ENFERMAGEM SOBRE O SISTEMA DE MEDICAMENTO EM UNIDADE DE EMERGÊNCIA Nadja Maria dos Santos (Docente UPE); Thereza Christina da Cunha Lima Gama (Docente UPE); Priscylla Helena Alencar Falcão Sobral (Docente UPE); Roberto Luiz Pereira dos Santos (Docente UPE) [email protected] RESUMO Introdução: As unidades de emergência são áreas de alto risco para ocorrência de erros relacionados a medicamentos. Nesse cenário, a equipe de enfermagem vivencia uma dicotomia: ao passo que é mais vulnerável a erros, a categoria tem grande potencial de evitá-los ou interceptá-los nos processos iniciais ou finais do sistema, tornando- se importante meio de prevenção. Objetivos: Identificar os tipos de erros e fatores de risco presentes no Sistema de Medicação da Emergência do HUT de Petrolina e as sugestões de profissionais de enfermagem para prevenção. Métodos: Estudo exploratório, descritivo e quantitativo que utilizou questionário semi-estruturado. Participaram da pesquisa 10 enfermeiros, 04 residentes e 43 técnicos de enfermagem. Os dados foram organizados em freqüências absolutas e relativas e distribuídos em tabelas e quadros através do programa Microssoft Excel para melhor visualização e interpretação das informações. Resultados: Os erros mais frequentes foram os relacionados ao preparo e administração (52,5%); ao registro (24,74 %); e à prescrição (13,63%). Receberam destaque a prescrição médica ilegível (20%) e a falta de atenção do profissional que prepara e administra (17,4%) como fatores de risco. As sugestões relacionadas aos profissionais que prescrevem, preparam e/ou administram as medicações representam 68,37% das respostas. Conclusão: Conhecer os erros de medicação e fatores desencadeantes possibilitará ao serviço o gerenciamento seguro do sistema, visando a prevenção e a minimização de riscos para o usuário, serviço e equipe. É essencial planejar ações de prevenção e a valorização das demandas dos profissionais de enfermagem, evidenciados no estudo como os mais vulneráveis às falhas. Descritores: erros de medicação; serviço hospitalar de emergência; enfermagem em emergência; prevenção de acidentes. ANALYSIS OF NURSING TEAM INFORMATION ABOUT THE SYSTEM OF MEDICINE IN EMERGENCY UNIT Abstract Introduction: The emergency units are areas of high risk for medication-related errors. In this scenario, the nursing staff experience a dichotomy: while it is more vulnerable to errors, the category has great potential to avoid them or cut them in the initial or final processes of the system, making it important means of prevention. Objectives: Identify the types of errors and risk factors present in the System of Emergency Medication HUT Petrolina and suggestions for nursing professionals for prevention. Methods: This exploratory, descriptive and quantitative used semi-structured questionnaire. Participants were 10 nurses, 04 residents and 43 nursing technicians. The data were organized in absolute and relative frequencies and distributed in tables and charts through the program Microssoft Excel for better visualization and interpretation of information. Results: The most frequent errors were related to the preparation and administration (52.5%), the log (24.74%) and prescription (13.63%). Were highlighted to illegible prescription (20%) and lack of professional attention that prepares and administers (17.4%) as risk factors. Suggestions related to professionals who prescribe, prepare and / or administer medications represent 68.37% of the responses. Conclusion: Knowing medication errors and triggers enable the secure service management system, aimed at preventing and minimizing risks to the user, service and staff. It is essential to plan prevention activities and appreciation of the demands of nursing professionals, evidenced in the study as the most vulnerable to failures. Keywords: medication errors, hospital emergency service, emergency nursing, prevention of accidents. INTRODUÇÃO Incidentes com medicamentos têm sido tratados de forma relevante entre os profissionais, instituições e autoridades sanitárias por suas repercussões de impacto mundial que estão intimamente relacionadas ao aumento da morbidade, da estadia hospitalar e do ônus gerados para o sistema de saúde (RISSATO et al, 2008). As Unidades de Emergência são áreas de alto risco para ocorrência desses incidentes, sobretudo devido à assistência rápida e imediata requerida e pela intensa dinâmica de trabalho (OLIVEIRA et al, 2005). Erros de medicação são definidos como qualquer evento evitável que pode causar ou conduzir ao uso inapropriado da medicação ou dano ao paciente enquanto a medicação está no controle do profissional de saúde, paciente ou consumidor. Podem estar associados à prática profissional, produtos da saúde, aos procedimentos e sistemas, incluindo a prescrição, comunicação da prescrição, rótulo, embalagem e nomenclatura dos produtos, composição, dispensação, distribuição, administração, educação, monitorização e uso (KAWANO et al, 2008). Para Miasso et al (2006) o fato de a enfermagem atuar no preparo e administração dos medicamentos, ponta final do sistema de medicação, faz com que muitos erros cometidos lhes sejam atribuídos. Por outro lado, a equipe de enfermagem representa oportunidade de interceptar e/ou evitar erros, tornandose uma importante barreira de prevenção. Medidas preventivas são através de novos conhecimentos, condutas e ações bem planejadas que visem proteger todos os envolvidos, principalmente o usuário. (CASSIANI, 2005; KAWANO, 2006). O fato de este ser um fenômeno pouco estudado nos setores de emergência e de representar riscos reais e potenciais ao serviço, ao profissional e ao usuário motivou a realização deste estudo. É possível que seus resultados fomentem o planejamento de estratégias preventivas que certamente refletirão na melhoria da qualidade do cuidado, na redução da morbidade hospitalar por erros de medicação e consequente redução de custos para o sistema de saúde. OBJETIVOS Identificar os tipos de erros relacionados a medicação mais frequentes no no setor de Emergência do Hospital de Urgências e Traumas (HUT) do município de Petrolina-PE, seus fatores de risco e as sugestões de profissionais de enfermagem do setor para preveni-los. MÉTODOS Tratou-se de pesquisa quantitativa, descritiva e exploratória, realizada no setor de Emergência do Hospital de Urgências e Traumas (HUT), no município de Petrolina-PE. A emergência do HUT segue a classificação de risco em urgências adotada pelo Ministério da Saúde (MS) (2009) segundo a qual o setor é dividido nos eixos vermelho (paciente grave e com risco de morte) e azul (pacientes aparentemente não graves), compreendendo as salas vermelha, amarela, verde e azul. Participaram do estudo membros da equipe de enfermagem e residentes de enfermagem do setor, mediante assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). A amostra foi composta por 57 profissionais, sendo 10 enfermeiros, 43 técnicos de enfermagem e 04 residentes de enfermagem dos turnos diurnos e noturnos. Os dados foram coletados no mês de Março de 2012 nos períodos diurnos e noturnos, através de questionário semi-estruturado, auto-aplicável, contendo 09 questões de múltipla escolha. Os sujeitos tiveram a opção de assinalar um ou mais itens na resposta, como também de expressar respostas divergentes das propostas em espaço destinado a este fim. As expressões divergentes relatadas foram categorizadas e agrupadas por semelhança de conteúdo. Os dados foram selecionados, organizados e distribuídos em frequências absolutas e relativas, através do programa Microsoft Office Excel 2007, para melhor visualização, comparação e interpretação das informações. O estudo encontra-se de acordo com os referenciais básicos da bioética, apresentados pela Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde do Ministério da Saúde e foi aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa da UPE. RESULTADOS E DISCUSSÃO Dos cinquenta e sete participantes da pesquisa, 17,5% eram enfermeiros, 07 % residentes de enfermagem e 75,5 % técnicos de enfermagem. Ressalta-se que no HUT, os profissionais de enfermagem de nível médio são todos técnicos. Quanto ao turno de trabalho, a maior parte dos sujeitos (54%) atuava durante o dia, ao passo que 46% durante a noite. Em relação ao sexo, 75% dos participantes eram mulheres e 25% homens. Historicamente, o predomínio de mulheres na profissão de enfermagem pode ter origem no desenvolvimento da profissão no Brasil, onde desde meados do século XIX, as ações e os serviços de enfermagem eram desenvolvidas empiricamente por irmãs de caridade, com repercussões até os dias atuais (FRANCO et al, 2010). Os erros de medicação mais comuns identificados pela equipe de enfermagem no setor de Emergência do HUT foram: a não administração da medicação prescrita (17,7%); o não registro da medicação administrada (15,2%); a administração da droga prescrita fora do horário recomendado (14,1%); os horários abertos incorretamente (9,6%); e as falhas na prescrição medicamentosa (8,1%). Em menor frequencia, aparecem as técnicas incorretas na administração, os erros de dosagem e a medicação administrada no paciente errado. Estudo brasileiro demonstrou que a não administração da medicação contribui para a interrupção do tratamento medicamentoso prescrito para o paciente com repercussões negativas para sua recuperação (OLIVEIRA et al, 2005). Outra pesquisa, realizada na clínica médica de um Hospital em Ribeirão Preto, mostra que entre os erros de medicação mais presentes estão os erros de dose (24,3%), os erros de horário (22,9%) e uso de medicamentos não autorizados (13,5%). Aqui, os erros de horário, assim como no presente estudo, também aparecem em segundo lugar (TEIXEIRA e CASSIANI, 2010). A literatura mostra que os erros de medicação são objeto de investigação, porém os setores de emergência não tem sido alvo frequente de pesquisas neste campo. Notadamente, os tipos e as frequências dos erros de medicação variam entre as pesquisas e estão relacionados à maneira como o Sistema de Medicação está organizado em cada instituição ou setor e às suas particularidades. Entre os fatores potenciais para ocorrência de erros, se sobressaíram no estudo a prescrição médica ilegível com 20% das respostas, a falta de atenção do profissional desde o preparo até a administração da medicação com 17,4%, a imperícia dos profissionais e as falhas na comunicação entre os membros da equipe de enfermagem, ambas com 12,3%. É importante ressaltar que os erros nem sempre são produto de falha humana, podendo resultar de falhas no sistema, porém persiste a cultura de atribuir a culpa da falha ao profissional da enfermagem. Deste modo, frequentemente erros de medicação são subnotificados devido ao medo das medidas administrativas e punições que podem ser aplicadas ao profissional envolvido, aliados ao sentimento de culpa e às preocupações com a gravidade do erro (FRANCO et al, 2010). Os profissionais de enfermagem da Emergência do HUT sugerem como ações preventivas o planejamento, realização e participação de atividades de educação permanente sobre o tema, seguido de informatização de prescrição médica, checar o horário na prescrição imediatamente após a administração da droga, identificar o paciente antes da administração da droga, conhecer as vias de administração dos medicamentos e conferir se o horário está aberto corretamente. Estes achados são pertinentes com as evidencias científicas, onde encontramos que a contínua educação de todos os profissionais da equipe médica, de farmácia e enfermagem pode auxiliar nas atividades de segurança do paciente. Contudo, medidas sistêmicas como mudanças na estrutura hospitalar, nas condições de trabalho, na comunicação e interação entre setores e pessoas, a informatização do sistema, com adequação do sistema de prescrição eletrônica, implantação de dose unitária, são estratégias que realmente favoreceram a segurança dos pacientes (MIASSO, GROU et al, 2006). CONCLUSÃO O estudo evidenciou que apesar da maior vulnerabilidade aos erros, a equipe de enfermagem tem potencial influencia na prevenção de sua ocorrência. Os resultados apontam para a necessidade de gerenciamento dos erros relacionados a medicações no setor de Emergência estudado, e, para tanto, há evidências de que um sistema de registro e notificação destes eventos constitui medida eficaz na redução, prevenção e controle. Há que ser considerada, pelos gestores do local estudado, a necessidade de implantação de programa de educação permanente para os profissionais, o que certamente embasará a atuação da equipe envolvida no sistema de medicamentos da organização e refletirá na prestação de cuidados qualificados e fundamentados cientificamente. Com isso será possível contribuir para o desenvolvimento de uma cultura organizacional voltada para a segurança dos usuários, com repercussões positivas no campo profissional e institucional. BIBLIOGRAFIA CASSIANI, S. H. B. A segurança do paciente e o paradoxo no uso de medicamentos. Rev Bras Enferm, v. 58, n. 1, p. 95-9, jan.-fev., 2005. FRANCO, J. N.; RIBEIRO, G.; D’INNOCENZO, M.; BARROS, B. P. A. Percepção da equipe de enfermagem sobre fatores causais de erros na administração de medicamentos. Ver. Bras. Enferm. Vol 63, n. 6, p. 927-32, Nov-dez, 2010. KAWANO, D. F.; PEREIRA, L. R. L.; UETA, J. M.; FREITAS, O. Acidentes com medicamentos: como minimizá-los? Ver. Bras. de Ciências Farmacêuticas, vol. 42, n. 4, out.- dez., 2006. MIASSO, A. I.; GROU, C. R.; CASSIANI, S. H. B.; SILVA, A. E. B. C.; FAKIH, F. T. Erros de medicação: tipos, fatores causais e providências tomadas em quatro hospitais brasileiros. Ver. Esc. Enferm. USP, vol. 40, n. 4, p. 524-32, 2006. MIASSO, A. I.; SILVA, A. E. B. C.; CASSIANI, S. H. B.; GROU, C. R.; OLIVEIRA, R. C.; FAKIH, F. T. O processo de preparo e administração de medicamentos: identificação de problemas para propor melhorias e prevenir erros de medicação. Ver. Latino-am Enfermagem, v. 14, n. 3, p. 354-63, mai.- jun., 2006. OLIVEIRA, R. C.; CAMARGO, A. E. B.; CASSIANI, S. H. B. Estratégias para prevenção de erros de medicação no Setor de Emergência. Rev Bras Enferm, v. 58, n. 4,p. 399-404, jul.-ago., 2005. RISSATO, M. A R.; LIEBER- ROMANO, N. S.; LIEBER, R. R. Terminologia de incidentes com medicamentos no contexto hospitalar. Cad. Saúde Pública, v. 24, n. 9, v. 1965-1975, Rio de Janeiro, set., 2008. TEIXEIRA, T. 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