CONTEXTUALIZANDO A HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO ESPECIAL NO RIO GRANDE DO SUL – ESCOLA ANTÔNIO FRANCISCO LISBOA UM ESTUDO DE CASO. Vanusa Zimmermann – Universidade Federal de Santa Maria - UFSM Jorge Luiz da Cunha – Universidade Federal de Santa Maria – UFSM(Orientador) Esta pesquisa aborda a história institucional da educação especial no Rio Grande do Sul, nos últimos 50 anos( 1954-2002), tendo como referência um estudo de caso da Escola Especial Antônio Francisco Lisboa. A escola, nasceu oficialmente em Santa Maria em 26 de junho de 1954. Teve na sua direção, coordenação e presidência a professora Haidée C. Zorzan por um período de 40 anos. Foi uma iniciativa particular, de caráter filantrópico e destaca-se por ter sido uma das primeiras instituições de Educação Especial do Rio Grande do Sul, pioneira em Santa Maria. . Hoje, após 48 anos de história, é a uma escola original em suas características, com grande infra-estrutura, atendendo um número significativo de 350 alunos, sempre adaptando-se as novas modalidades de atendimentos da educação especial. A institucionalização da educação especial surgiu no século XVIII oferecendo as primeiras oportunidades educacionais a indivíduos portadores de deficiências. No século XIX, a educação especial se caracterizou por um trabalho educacional, mas ainda em internatos e hospitais psiquiátricos. No Rio grande do Sul, só na metade do século XX é que surgem as primeiras escolas especiais. E no final daquele século é que a educação especial realmente conquista seu espaço a partir de princípios de integração e inclusão. O objetivo desta pesquisa é investigar o processo histórico- político- pedagógico da Escola Especial Antônio Francisco Lisboa e suas influências na comunidade de Santa Maria. Para isso, elaboramos o projeto denominado ‘Memórias da Educação Especial’. Pois, trabalhar com memória significa ação, construção e reconstrução dos acontecimentos, que se entrecruzam entre o passado e o presente, entre os espaços e o tempo, entre o individual e o coletivo. Trabalhar com a memória não significa resgatar a percepção que uma pessoa teve no passado, mas implica em trabalhar com uma organização, uma composição em permanente elaboração, de sentimentos, significados, imagens, representações e valores, no processo de constituição de uma identidade, revelando mais da subjetividade da pessoa e da estrutura cultural pelo qual se orienta do que dos fatos passado. (LORENZI, 2000, p.28) A memória é dotada de significados, que podem ser expressos, através de fatos que marcam a vida das pessoas, através do registro de imagens e lembranças ou ainda, através de relatos, onde as falas são construídas e reconstruídas através de uma releitura do sujeito que a produz. A memória estabelece-se sobre os espaços ocupados, sobre a realidade vivida pelo grupo e as imagens das lembranças são construídas pelo material que os entrevistados possuem a disposição.(VON SIMSON, 1996, p. 228) Destacamos, além de fotos e entrevistas, outros documentos tradicionais, que nos permitem trabalhar com a diversidade de informações e com as diferenças num processo que busca transformação. Como estratégia para elaboração e melhor compreensão da pesquisa, traçamos o perfil da instituição, evidenciando categorias, a partir de períodos históricos, levando em consideração aspectos históricos, políticos e pedagógicos marcantes em cada período. Em nossa investigação trabalhamos com levantamento bibliográfico e documental, análise dos documentos, registros e produções escritas. Além das produções orais, que nos mostram fatos significativos da vida da instituição. Conforme nos coloca o autor THOMPSON, o entrevistador-pesquisador deve observar que: A História oral é uma técnica que contribui na produção de documentos históricos, preenchendo lacunas dos documentos escritos. Esta técnica não grava apenas lembranças do passado, mas reflexões e opiniões daqueles cujas vidas estão ainda comprometidas com atividades públicas. (THOMPSON ,1992, p. 92) Nesse enfoque, a História Oral como subsídio das Histórias de Vida e através da Entrevista, enquanto técnicas de coleta de dados, permitem compreender os fatos numa nova dimensão e buscar elementos a partir da Memória. Esta, que é responsável pelo processamento das emoções e da integração das informações no momento que interage com o conhecimento e com a compreensão daquela realidade. Hoje, a função da memória é o conhecimento do passado que se organiza, ordena o tempo, localiza cronologicamente. Na aurora da civilização grega ela era vidência e êxtase. O passado revelado desse modo não é o antecedente do presente, é a sua fonte.( BOSI,1994, p. 89) Valorizando as memórias, através de fontes orais, trabalhamos com entrevistas abertas, que nos relatam fatos significativos referentes a vida da instituição, levando em consideração as recomendações de THOMPSON(1992). Levou-se em consideração todas as fontes de pesquisa, traçando um perfil desta instituição desde suas origens até hoje, onde foi delineado o contexto a ser investigado, enfatizando técnicas a partir da História Oral e da História de Vida. No primeiro contato, o entrevistado recebeu um resumo da história da escola, elaborado a partir de referências como livros de atas, fotos, recortes de jornais, além de outras informações investigadas. Em seguida, o entrevistado narrou fatos a partir da sua memória, tendo como referencia o período que acompanhou a trajetória da instituição em pesquisa, o que vivenciou, do que e participou e o que observou. Finalmente, realizamos mais um encontro com o entrevistado, onde foram trabalhadas questões referentes as memórias e imagens, através de fotos que registraram momentos da história da escola. Este processo tem possibilitado a manifestação de sentimentos, de emoções, de lembranças do pensamento, assim como, também possibilitou, de acordo com o conteúdo das falas, que se fizessem perguntas não programadas, mas necessárias naquele momento, trazendo informações relevantes para a pesquisa. Pois, “... não são as palavras que interessam e sim o que elas contêm.”( MEIHY, 1996, p. 58) É relevante salientar que, foram entrevistados uma amostra significativa de profissionais que trabalharam e/ou que ainda trabalham na instituição. As entrevistas foram gravadas, transcritas e usadas com autorização dos entrevistados. A investigação das fontes contou também com apoio de colaboradores e dos entrevistados, que contribuíram com fotos e documentos, enriquecendo o trabalho. Valorizamos a pesquisa qualitativa que permite elaborar meios e estratégias mais adequadas para entender e resolver problemas de pesquisa. Para LÜDKE (1986), na pesquisa qualitativa, o pesquisador tem como objetivo abordar a realidade a fim de melhor compreendê-la. Tratando-se de um estudo de caso, o pesquisador deve levar em conta o contexto em que se situa e os elementos principais, retratando as experiências de forma dinâmica, permitindo o contato direto entre o pesquisador e a realidade investigada. Dessa forma, permite o contato direto entre o pesquisador e a realidade investigada. A pesquisa qualitativa a partir do estudo de caso permite que se coletam e registram dados de um caso particular ou de vários casos a fim de organizar um relatório ordenado e crítico de uma experiência, ou avaliá-la analiticamente, objetivando tomar decisões a seu respeito ou propor uma ação transformadora.( CHIZZOTTI,1995,p. 102) De acordo com os dados levantados até o presente momento, entendemos que, a educação especial influenciou claramente no desenvolvimento das sociedades em diferentes épocas, no mundo ocidental. Essas sociedades foram transformadas em sua realidade sócio- econômica, a partir da introdução de novas técnicas e descobertas que influenciaram o progresso industrial. Aqui reforçam-se os grupos sociais menos favorecidos, entre eles os deficientes. Essas sociedades sofreram sérias modificações na sua estrutura social, o que refletiu diretamente na educação. No campo educacional, enquanto ocorria a extensão e a qualificação da escola pública regular, cresciam também aquelas instituições “separadas”, paralelas as escolas regulares para aqueles que, de alguma maneira, eram diferentes. Trata-se de uma política que, embora sustentada por um discurso democratizante, tem concretamente obstaculizado esse acesso aos membros das camadas populares, quer sejam eles normais ou excepcionais.( BUENO,1993, p. 141) Pode-se dizer que a sociedade, assim como as instituições filantrópicas assistenciais ou não, exerceram influência crescente nas políticas da educação especial, embora, em alguns momentos, tenham reforçado o assistencialismo e a segregação desses grupos. Enquanto ocorriam a extensão e a qualificação da escola pública regular, cresciam também aquelas instituições “separadas” para aqueles que, alguma maneira, eram diferentes. (...) a educação especial que nasce sob a bandeira da ampliação de oportunidades educacionais aos que fogem da normalidade, na medida em que desvela culturais os que determinantes subjazem às sócio-econômicosdificuldades de integração do aluno diferente, na escola e na sociedade, serve de instrumento para a legitimação de sua segregação. (BUENO,1993, p. 99) Os dados históricos mostram, por um lado, a participação e, por outro, a exclusão do deficiente, o que caracteriza o desenvolvimento da sociedade capitalista e permeia o desenvolvimento do processo institucional da educação especial.. O Rio Grande do Sul, segundo autores abordados, nos mostra as seguintes referências: BUENO cita a criação do Instituto Pestallozzi na área de Deficiência Mental em Canoas – 1923, o Instituto Santa Luzia na área de Deficiência Visual em Porto Alegre – 1941, além da escola Professor Alberto Duarte em Pelotas - 1949.(BUENO,1994, p.87). Já PITTA e DANESE(2000) na sua obra “Retratando a História da Educação Especial em Porto Alegre”, situa o início da Educação Especial em Porto Alegre, em 1954, com a criação da Secretaria de Educação e Cultura – SEC, que fazia parte do Serviço de Orientação e Educação Especial – SOEE, assegurado pela lei 2346, de 23 de janeiro de 1954. Ainda, nesta obra a autora diz que: foi em 1955 a implantação da “primeira escola especial do Rio Grande do Sul – a Escola Especial Experimental, destinada ao atendimento dos portadores de deficiência mental.”(PITTA e DANESE,2000, p. 30). Outros dados coletados nos relatos dos entrevistados nos mostram, nesse período, o registro da Escola Antônio Francisco Lisboa, fundada em 26 de junho de 1954, em Santa Maria(interior do estado).E o registro da escola “Earl Carlson”, em Rivera/o Livramento, fundada em 06 de abril de 1948, conforme conta a fundadora Eloir Fialho: “ El dia 20 de mayo de 1948, después de organizar la comisión directiva y de um trabajo preliminar junto a la sociedad, se iniciaron las atividades de la Escuela “Earl Carlson” de rehabilitacion psicomotriz de Rivera y Sant’Ana do Livramento”.( FIALHO,1990, p.4) Em 17 de agosto de 1956, o Jornal de Rivera publicou um artigo com o seguinte título: “El combate a la Parálisis Infantil”. Após a Segunda Guerra Mundial, principalmente nos anos de 1948 à 1956, o Brasil , assim como a sua fronteira sul(Uruguai), tiveram sérios problemas de epidemias como por exemplo: a Poliomielite causando Paralisia Infantil. Isso trouxe influências significativas para o início do processo de institucionalização da educação especial, tanto que, a 1º turma da escola Antônio Francisco Lisboa(1954) é composta por Deficientes Físicos, na sua maioria vítimas de Poliomielite/Paralisia Infantil. O mesmo fato já havia acontecido na escola “Earl Carlson”(1948), na fronteira Rivera/Livramento, conforme nos relata a fundadora Eloir Fialho, sobre sua pesquisa realizada em 1947, onde foi feito o 1° senso de crianças com deficiência e foram alarmantes os números de Deficientes Físicos vítimas dessas epidemias. Nasciam nessa época, as primeiras escolas especiais do Rio Grande do Sul, para absorver um grande número de crianças com deficiências físicas que não eram aceitas pelas escolas regulares. Segundo dados investigados esses conhecimentos de educação especial e de um trabalho de reabilitação tiveram uma influencia norte americana. Foram trazidos para o Uruguai pelo médico Earl Carlson que era deficiente físico, e através das fronteiras chega ao Brasil. “Earl Carlson – En el año de 1947, cuando se inició el movimiento en las ciudades de Rivera y Livramento, com la finalidad de fundar la Escuela de reeducación psioco motriz “Earl Carlson”, se difundió un libro com el título de “Yo naci asi”(Born that way). Este libro, fue traducido del inglés para el castellano, por la Directora y fundadora de la Escuela “Franklin Delano Roosevelt”, de Montevideo, com la colaboración de una colega de trabajo. “ Yo naci asi” fue publicado en Buenos Aires por la Editorial Médica Quirurgica, en el año de 1943. Este libro fue escrito por el Dr. Earl Carlon, médico norteamericano y através de sus páginas, narra su vida, desde su nascimiento, hasta la edad adulta. Paralítico cerebral, cuenta las dificultades que enfrentó, como venció sus limitaciones físicas y como llegó a graduarse como médico para dedicarse a las personas que sufrián su misma enfermedad. Los principios que rigieron la vida de este médico, sus conocimientos, experiencias aplicados en clínicas, fundadas por Earl carlson para tratamiento de paralíticos cerebrales, llegaron a la Escuela Franklin Delano Roosevelt, de Montevideo através de fisioterapeutas uruguayos, que estudiaron en esos centros y expandieron sus esperiencias. Desde esta ciudad llegaron los conocimientos de este médico, através de su libro a la frontera de RiveraLivramento. En reuniõn, la Comision Directiva de la Escuela Earl carlson decidió dar este nombre a la obra de reabilitación fundada en la frontera. Los principios, que orientaron la vida e este médico, sirviron de orientación para regir las actividades de esta obra (FIALHO,1990, p. 9) Esses dados nos mostram que a Educação Especial começa a se desenvolver primeiro no interior do estado, através da fronteira com o Uruguai e logo depois na capital através do apoio da SEC – Secretaria de Educação e Cultura e da SOEE – Secretaria de Orientação em Educação Especial, devido uma necessidade social e educacional, já que as crianças vítimas dessas epidemias, conforme acima citadas, não estavam sendo aceitas pelas escolas da época. Essas crianças precisavam também de acompanhamento e reabilitação. Com isso, as escolas especiais crescem rápido com auxílio da área da saúde, dando ênfase ao desenvolvimento clínico-pedagógico. Nesse contexto, concretizou-se a Clínica de Reabilitação da escola Antônio Francisco Lisboa, com uma equipe multidisciplinar e com ‘conceito A’. Conceito esse, estabelecido pelos órgãos que fiscalizavam e financiavam esse trabalho na escola, LBA – Legião Brasileira de Assistência, que atualmente é denominado Conselho Nacional de Assistência Social . Conforme relato: “...em poucos meses a Lisboa virou centro de excelência, e foi a única clínica do estado que ficou no nível chamado “A” dentro dos critérios da LBA.( ....) então durante esses 7, 8 anos que eu tive lá a coisa funcionou nesse sentido assim hô, de atendimentos padrão, a pessoa que tava lá dentro tinha todos os atendimentos com o mesmo nível.”(SECHELLA) O objetivo do trabalho multidisciplinar era reabilitar e integrar essas crianças nas escolas regulares, fato que aconteceu em pequenos números. Pois, a grande maioria das crianças no decorrer da história, ficaram “segregadas” nas escolas especiais. Para MAZZOTTA(1999) esse fato evidencia a ausência de uma Política Nacional de Educação Especial clara e coerente. Aspecto que permitiu a grande expansão de iniciativas particulares, inclusive com recebimento de recursos públicos, influenciados por um modelo de atendimento clínico-pedagógico, com influências presente até hoje. Enfim, evidenciamos que as instituições educacionais, de caráter filantrópicoassistencial, na área de educação especial, vão se expandir no Brasil depois da Segunda Guerra Mundial; devido a epidemias de Poliomielite que causaram Paralisia Infantil, deixaram um grande número de crianças com deficiências que não foram absorvidas pela escola regular/normal. Essas categorias nos mostram não somente a história da educação especial no Brasil, como também as dificuldades da escola regular/normal de lidar com a questão da diferença. E a partir da década de 50, começaram a multiplicar-se as instituições de Educação Especial, com a ampliação do sistema regular de ensino, inclusive com deficiências identificadas a partir das escolas regulares. O Estado aumentou as oportunidades com abertura de classes especiais, principalmente para deficientes mentais, junto as escolas públicas. Essas classes nascem e crescem para absorver as deficiências leves, já que os problemas são detectados dentro do sistema escolar. (FERREIRA,1994, p. 32). Porém, mesmo com essa iniciativa do governo de criar classes especiais dentro das escolas regulares, não houve avanços no caminho de uma educação inclusiva. Isso, confirmou ainda mais a questão da discriminação e da exclusão das pessoas portadoras de necessidades especiais que continuaram a ser segregadas, dentro das próprias escolas regulares. Apesar de conhecermos a história tradicional da educação especial e de instituições que se originaram de iniciativas particulares, é extremamente importante a pesquisa centrada em estudos de casos particulares e fundamentados na memória dos sujeitos envolvidos. E que os resultados nos ajudam a dar conta da complexidade, que combina elementos objetivos e subjetivos na trajetória da Educação Especial no Brasil. E, o trabalho com memória valoriza, além do processamento das emoções, a integração das informações, através das imagens, das lembranças, permitindo um conhecimento e uma compreensão mais amplas dos acontecimentos Valorizando fontes diversificadas podemos verificar influências que são significativas até hoje, fazendo uma nova leitura dos fatos, interpretando o passado para compreender os significados do presente, evidenciando novos conhecimentos, novos significados e novas compreensões desta realidade para a educação especial, de um modo geral, e para a comunidade de Santa Maria, de um modo particular. BIBLIOGRAFIA: BUENO, J. G. S. Educação Especial Brasileira: integração e segregação do aluno diferente. São Paulo: Educ, 1994. BOSI, E. Memória e Sociedade: lembranças de velhos. São Paulo: Companhia das Letras, 1994. CHIZZOTTI, A. A pesquisa em ciências sociais e humanas. São Paulo: Cortez,1995. FIALHO, E. A . Uma Escuela Ilamada “Earl Carlson.documento manuscrito. Porto Alegre, 1990(18 pag.) LORENZI, M. G. R. História de vida – Professores de História do Ensino Superior. Dissertação de Mestrado.PPGE/UFSM, 2000. LUDKE, M. Pesquisa em educação: Abordagens Qualitativas. São Paulo.1986. MEIHY, J. C. S. B. Manual de história oral. São Paulo: Loyola, 1996. MAZZOTTA, M. J. S. Educação Especial no Brasil: História e Políticas Públicas. São Paulo: Cortez, 1999. POLÍTICA NACIONAL DE EDUCAÇÃO ESPECIAL. Brasília: ME e Desporto/SEE, 1994. PITTA, I. e DANESE, M. Retratando a Educação Especial em Porto Alegre. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2000. FERREIRA, J. R. A Exclusão da Diferença. São Paulo: Unicamp, 1994. THOMPSON, P. A voz do passado – História Oral. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992.