EDUCAÇÃO AMBIENTAL NO MUNICÍPIO DE GOVERNADOR VALADARES: PERCEPÇÃO DE EDUCADORES DA REDE MUNICIPAL. Jéssica Prates Cantarino, Aluna do 5º período de Tecnologia em Gestão Ambiental do IFMG, campus Governador Valadares, [email protected] MSc. Luiz Fernando da Rocha Penna - Professor do Curso de Tecnologia em Gestão Ambiental do IFMG, campus Governador Valadares. RESUMO: A presente pesquisa foi desenvolvida na região de Governador Valadares. O objetivo da pesquisa é analisar a percepção de educadores da rede de ensino básico sobre a educação ambiental em Governador Valadares. Para realização da pesquisa, foi aplicado um questionário com doze questões abordando a prática da educação ambiental e sua introdução na estrutura curricular, para uma amostra de nove professores do município de Governador Valadares, selecionados aleatoriamente. Conforme os resultados obtidos, os educadores têm conhecimento sobre a educação ambiental e veem sua importância no desenvolvimento deste no ambiente escolar. E que se mostram com disposição para desenvolverem os conteúdos e as atividades propostas sobre educação ambiental. Palavra-chave: Educação Ambiental; percepção; Governador Valadares. ABSTRACT: This research was developed in the region of Governador Valadares. The objective of the research is to analyze the perception of educators in the municipal network on environmental education in Governador Valadares. To conduct the survey, a questionnaire with twelve questions addressing the practice of environmental education and its introduction into the curriculum, for a sample of nine teachers in the municipality of Governador Valadares, was applied randomly selected. According to the results, educators have knowledge about environmental education and see its importance in the development of the school environment. And with that show willingness to develop the content and proposed activities on environmental education. Keyword: Environmental Education; perception; Governador Valadares. 1 INTRODUÇÃO As questões ambientais apresentam-se como um assunto de relevância social na atualidade e torna-se cada vez mais nítida a crise ambiental provocada pela relação utilitarista que o homem vem estabelecendo com a natureza e a consequente degradação do meio ambiente. Nesse contexto vê-se a necessidade de uma nova consciência, comportamento e comprometimento frente a esta situação a fim de minimizar as consequências destas atitudes que comprometem a vida da atual e futura geração. Frente à problemática ambiental a educação ambiental assume um papel de destaque no desenvolvimento de projetos ambientais que visem sanar ou reconhecer os problemas pré-existentes e a partir desta visualização fomentar possibilidades de tomadas de decisões para a melhoria do meio socioambiental e possíveis medidas adotadas para minimizar esta situação. A problemática ambiental, tanto nos aspectos mais amplos, como a contaminação dos cursos de água, a poluição atmosférica, a devastação das florestas, a caça indiscriminada e a redução ou mesmo destruição das espécies da fauna e da flora, além de muitas outras formas de agressão ao meio ambiente tem promovido questionamentos sobre as formas de ocupação e exploração que o homem tem destinado ao meio ambiente natural e nos remete a uma necessária reflexão sobre os desafios para mudar as formas de pensar e agir em torno da questão ambiental numa perspectiva contemporânea (CASTRO, 2002). Conforme Castro (2002) a questão ambiental deixou de ser uma preocupação restrita a profissionais envolvidos com problemas dessa ordem. Vemos atualmente que esse tema envolve a todos, uma vez que cada um de nós está sujeito aos efeitos dos problemas ambientais, tanto regional ou globalmente. Isso significa que a referida temática transcende o envolvimento não apenas de biólogos, de geógrafos ou de ecologista, mas estende-se a todos os cidadãos, ou ainda, atores sociais. Mas falar de ator social significa remeter ao conceito de ação, que pode ser entendida enquanto possibilidade de obter informação para produzir mudança. Para Jacobi (2001) atualmente, a questão ambiental está presente no cotidiano da sociedade contemporânea e assim a Educação Ambiental desponta como possibilidade de reencantamento, abrindo possibilidades de novos conhecimentos, metodologias e habilidades na perspectiva de uma educação interdisciplinar. Conforme Penteado (2003) a escola é sem sombra de dúvida o local ideal para se promover este processo. As disciplinas escolares são os recursos didáticos através dos quais os conhecimentos científicos de que a sociedade já dispõe são colocados 1 ao alcance dos alunos. As aulas são o espaço ideal de trabalho com os conhecimentos e onde se desencadeiam experiências e vivências formadoras de consciência mais vigorosas porque alimentadas no saber. Entende-se que diante da questão ambiental é necessário esforço de todos no intuito de sensibilizar as pessoas por meio da informação para as questões ambientais e mobilizá-las para a modificação de atitudes nocivas e a apropriação de posturas benéficas à preservação ao meio ambiente. A inserção da Educação Ambiental no contexto educação passa a configurar uma forma de promover a construção do conhecimento, visando despertar nos envolvidos a sensibilidade, o conhecimento, a competência, a responsabilidade e a participação em relação às questões ambientais. Assim, a Educação Ambiental possibilita repensar práticas sociais e o papel dos docentes como transmissores de um conhecimento necessário para que os discentes adquiram uma compreensão eficaz do meio ambiente global e local, da interdependência dos problemas e soluções e da importância da responsabilidade de cada um para construir uma sociedade mais igualitária e ambientalmente sustentável. Para uma melhor compreensão e, até mesmo uma inserção na temática proposta, será abordado de forma breve a evolução histórica no contexto mundial e no Brasil da educação ambiental. Segundo Braga (2003) a problemática ambiental tornou-se um dos assuntos mais discutidos do momento. A sociedade sofre uma profunda crise, a qual não se pode caracterizar como ambiental, mas, sim, civilizatória. O crescimento populacional, o modelo de produção e o consumo desigual dos habitantes do planeta tornam quase incompatíveis com a qualidade de vida humana e a manutenção dos ambientes físicos e da integridade dos organismos. Para Barreto (2006) a questão ambiental vem sendo considerada cada vez mais urgente e importante para a sociedade, pois o futuro da humanidade depende da relação estabelecida com a natureza e o uso dos seus recursos naturais disponíveis. Surge então a necessidade de uma educação ambiental (EA), que é uma educação política e visa à construção de cidadania nacionais e planetárias, que é crítica dos sistemas autoritários, tecnocráticos e populistas e busca alternativas sociais, éticas e justas para as gerações atuais e futuras (REIGOTA, 1992). Conforme Rosa (2001) as reflexões emergentes sobre o desenvolvimento econômico, associadas a uma grande intervenção no meio ambiente, transformaram os anos 60 num período pródigo de reflexões e eventos relacionados com a questão ambiental. A partir do livro de Rachel Carson, “Primavera Silenciosa”, referindo-se ao som do silêncio causado pela ausência de insetos e de pássaros na primavera, promoveu-se uma discussão na comunidade internacional relacionando-se a 2 diminuição da qualidade de vida, com o uso exacerbado de produtos de síntese química na produção agrícola, contaminando os alimentos e deixando resíduos no meio ambiente. Em março de 1965, na Conferência de Educação da Universidade de Keele, Inglaterra, definia que a Educação Ambiental deveria ser uma matéria indispensável para a formação do cidadão (LEONARDI, 2002). No ano de 1975, realizou-se em Belgrado o Encontro Internacional de Educação Ambiental, onde foram discutidos os princípios e orientações, para o Programa Internacional de Educação Ambiental UNESCO/UPUMA. Nesse mesmo momento ocorreu também a formulação da Carta de Belgrado, que alertou o mundo quanto às consequências do crescimento econômico e tecnológico sem limites. “A Educação Ambiental é citada como um dos elementos mais críticos para que se possa combater com mais rapidez a degradação da biosfera“ (LEFF, 1999). Em 1987, trezentos especialistas de cem países, mais alguns observadores, se reuniram em Moscou, para o Congresso Internacional de Educação e Formação Ambiental, novamente promovido pela UNESCO. O congresso teve como objetivo central discutir as dificuldades encontradas e os progressos alcançados em relação à Educação Ambiental, em virtude das propostas feitas na Conferência de Tbilisi (DIAS, 1991). Para Dias (1991) a Primeira Conferência Intergovernamental sobre Educação Ambiental, em Tbilisi, foi o evento mais importante para a evolução da EA no mundo, pois contribuiu para definir os objetivos e características da Educação Ambiental, estabelecendo recomendações e estratégias pertinentes no plano nacional e internacional. Em 1988, foi promulgada uma nova Constituição Brasileira, vigente até os dias atuais, que contém um capítulo sobre o meio ambiente (DIAS, 1991), e estabelece no artigo 225 que: “(...) todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum ao povo, essencial a sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e a coletividade o dever de defendê-lo para as presentes e futuras gerações”. Logo em 1989, criou-se o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), com a finalidade de formular, coordenar e executar a Política Nacional do Meio Ambiente. Segundo Dias (2000), um dos grandes erros cometidos após a criação do IBAMA foi o não investimento em capacitação profissional de seus servidores e a criação de cargos comissionados, o que levou à 3 fragmentação dessa instituição em um organograma extremamente denso, propício ao estabelecimento da burocracia purulenta. Em 1989, ocorreu, em São Paulo, o I Fórum de Educação Ambiental em que um dos objetivos do encontro foi elaborar uma definição de educação ambiental. Concluiu-se que a educação ambiental não poderia se circunscrever aos limites de uma única disciplina, mas deveria apropriar-se dos espaços das disciplinas já existentes nos currículos. Neste mesmo ano, a Lei de Diretrizes e Bases (LDB), em tramitação no Congresso Nacional, propunha que a educação ambiental deveria ser incluída em todos os níveis de escolaridade, sem constituir nova e exclusiva disciplina. Artigos acadêmicos, textos de divulgação científica e publicações começaram a proliferar (AMARAL, 1995). No ano de 1992 realizou-se no Brasil, na cidade do Rio de Janeiro, a Conferência Mundial de Meio Ambiente e Desenvolvimento - Rio 92, que culminou na articulação de tratados, acordos e convenções para a sustentabilidade da vida na Terra. Como resultado apresentou-se um plano de ação para o presente século, visando o equilíbrio e o respeito à vida – batizada Agenda 21 - se configura numa carta de compromissos assumidos em relação ao ambiente, constituindo-se como estratégia de sobrevivência a todos os seres vivos. (BARBIERE, 1998). Em função da Constituição Federal de 1988 e dos compromissos internacionais assumidos durante a RIO-92, foi criado em dezembro de 1994, pela Presidência da República, o Programa Nacional de Educação Ambiental (PRONEA), compartilhado pelo então Ministério do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e da Amazônia Legal e pelo Ministério da Educação e do Desporto, com as parcerias do Ministério da Cultura e do Ministério da Ciência e Tecnologia. O PRONEA foi executado pela Coordenação de Educação Ambiental do MEC e pelos setores correspondentes do MMA/IBAMA, responsáveis pelas ações voltadas respectivamente ao sistema de ensino e à gestão ambiental, embora também tenha envolvido em sua execução outras entidades públicas e privadas do país (BRASIL, 2005). O Ministério da Educação (MEC), em 1997, publicou os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), que têm como objetivo apontar metas qualitativas que buscam auxiliar o professor na tarefa de formação do aluno. Servem como referência e apoio para que o professor desenvolva uma prática educativa adequada às necessidades sociais, políticas, econômicas e culturais de seus alunos, considerandolhes interesses e motivações. Neles os conteúdos de meio ambiente são colocados integrados ao currículo através da transversalidade, podendo ser tratados nas diversas áreas do conhecimento, de modo a impregnar toda a prática educativa e, ao mesmo tempo, criar uma visão global abrangente da questão ambiental (BARRETO, 2006). 4 Em 1999, foi promulgada a lei da Política Nacional de Educação Ambiental PNEA (Lei nº 9795/99), que em seu primeiro artigo conceitua a Educação Ambiental como os processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade”. No segundo artigo diz que: A Educação Ambiental deve ser encarada como um componente essencial e permanente da educação nacional, tanto no ensino formal quanto no não-formal, devendo abranger todos os níveis e modalidades de ensino, englobando, assim, a Educação Infantil, o Ensino Fundamental, o Ensino Médio, a Educação Superior, a Educação Especial, a Educação Profissional e a Educação de Jovens e Adultos. Este estudo é importante para analisarmos as eventuais estratégias pedagógicas desenvolvidas pelos professores com relação ao meio ambiente, pois a partir delas possivelmente serão formados pessoas atentas às questões ambientais atuais. A relevância desse trabalho está em levantar questões pertinentes que podem se configurar como objeto de pesquisas futuro e fornecer subsídios para estudos em andamento nessa temática, ou mesmo para as políticas públicas para a educação ambiental (EA). Este trabalho teve como objetivo geral analisar a percepção de educadores da rede municipal sobre a educação ambiental em Governador Valadares. E específicos, verificar qual é a percepção dos professores em relação à educação ambiental no ambiente escolar e investigar quais são as estratégias pedagógicas usadas pelos professores no desenvolvimento do trabalho com a Educação Ambiental. 2 PROCEDIMENTO METODOLÓGICOS 2.1 Caracterizações da área de estudo A cidade de Governador Valadares é um município Brasileiro no leste do estado de Minas Gerais, na mesorregião do Vale do Rio Doce, conhecida também como A Princesa do Vale, com uma população estimada em 2013 de 275.568 habitantes, com uma área aproximadamente 2.342,319 Km2 (IBGE-2010), como mostra a Figura 01. 5 Figura 01 – Localização geográfica do município de Governador Valadares Fonte: RAMOS (2013) Autor: CRUZ & RAMOS (2013). Os educadores entrevistados da pesquisa moram em diferentes bairros dentro do município, do qual também atuam em áreas e escolas diversas. 2.2 Tipos de estudo Tratou-se de uma pesquisa exploratória qualitativa onde Gil (2002) diz que “a pesquisa exploratória visa a um acesso mais próximo com o problema investigado e oferece informações sobre determinada temática, facilitando a delimitação de um assunto para estudo e contribui para aprofundar conceitos ainda preliminares, facilitando a construção de hipóteses. Seu principal objetivo é o aprimoramento das ideias e o seu planejamento flexível permite que se considere a variedade de aspectos identificados em relação ao fato estudado. Na maioria dos casos, assume a forma de pesquisa bibliográfica ou de estudo de caso, pois envolve: levantamento bibliográfico, entrevistas e análise de exemplos que possam contribuir na compreensão do problema”. 6 A partir de características estudadas para a pesquisa científica, fazendo uso de materiais didáticos como livros, artigos, dissertações, teses e leis, assim como suas principais etapas e objetivos, a pesquisa desenvolve uma análise sobre como a educação ambiental é articulada e sua importância no ambiente escolar, através das percepções dos educadores de ensino da rede municipal. 2.3 Técnicas de coleta e análise de dados Para a coleta de dados foi realizado uma pesquisa em campo, do qual foram selecionados professores aleatórios para responderem o questionário, em apêndice, com 12 questões fechadas e abertas sobre a educação ambiental no contexto escolar e as atividades desenvolvidas pelos professores, abordando a consciência ambiental e sua importância, foram entregues 10 questionários para a pesquisa. Dentre esses, foram entregues três questionários em uma escola, que pediu para não ser identificada, situada no bairro de Nossa Senhora Lourdes, no dia 21 de março de 2014, do qual foram devolvidos dois respondidos após duas semanas. Os outros oito questionários foram entregues aos professores restantes, escolhidos aleatoriamente, do qual sete foram respondidos e o último foi entregue dia 9 de maio de 2014. No intuito de preservar a identidade dos entrevistados, eles foram identificados por ordem alfabética, entrevistado A, B, C e assim sucessivamente. Sendo selecionados referentes à sequência de entrega dos questionários respondidos. Para a realização da análise e discussão dos dados não foram considerados as escolas que trabalham e a área que atuam como um parâmetro de análise, sendo as escolas e a áreas de atuação diversas. As entrevistas foram transcritas literalmente e somente após ler e reler as transcrições, assim pode-se chegar à conclusão dos resultados. 4 RESULTADOS E DISCUSSÕES A apresentação e discussão dos resultados seguirão a linha dos recursos disponíveis após análise dos questionários respondidos pelos professores, o modelo do questionário utilizado encontra-se no apêndice A. Das nove entrevistas realizadas, uma foi feita com uma supervisora pedagógica identificada como Entrevistada A, uma diz ser professora em ciências, geografia, história e arte identificada como Entrevistada B, uma professora de sociologia identificada como Entrevistada C, uma professora de língua portuguesa 7 identificada como Entrevistada D, um técnico de segurança no trabalho identificado como Entrevistado E, uma professora leciona língua portuguesa e inglesa identificada como Entrevistada F, uma professora de história identificada com Entrevistada G, duas professoras de ciências e biologia identificadas como Entrevistada H e Entrevistada I. Dos nove entrevistados, quatro trabalham com ensino fundamental e médio e três só com ensino fundamental, o técnico em segurança no trabalho não informou à turma que leciona e a supervisora pedagógica é pedagoga da escola que trabalha, não atuando literalmente em salas de aula. Dos entrevistados, oito são do sexo feminino e um do sexo masculino, dentre esses três obtêm a faixa etária de 21 a 30 anos, três obtêm de 31 a 40 anos e três obtêm acima de 40 anos. Em relação à formação acadêmica dos professores entrevistados verifica-se que todos obtêm o 2º grau completo do quais alguns optaram em prosseguir com os estudos tendo o 3º grau completoe/ou especialização. Figura 02: Formação Acadêmica dos entrevistados. Outros 11% Especialização 21% 2º Grau Completo 47% 3º Grau Completo 21% Fonte: Própria, Maio 2014. Analisando a Figura 02 constou-se que 47% dos entrevistados possuem o 2º grau completo, 21% disseram ter o 3º grau completo, 21% optaram pela especialização e 11% possuem outras formas acadêmicas, como cursos técnicos ou está pós graduando. Verificou-se conhecimento que sobre a os professores educação entrevistados ambiental e veem declararam sua que importância têm no desenvolvimento deste no ambiente escolar. Dos entrevistados, seis tratam da temática ambiental em sala de aula ao longo do ano, uma dessas, a Entrevistada C, também faz em ocasiões pontuais. Como a Entrevistada A não atua em sala de aula, 8 não respondeu.Dentre esses, mesmo tendo conhecimento sobre a educação ambiental, apenas quatro já desenvolveram projetos extracurriculares sobre a EA. Para o desenvolvimento da temática ambiental em sala de aula, na quinta pergunta, foram questionados sobre quais os meios utilizados. Figura 03: Meios para desenvolvimento de atividades sobre EA 5% 7% 9% 7% 3% 10% 8% 7% 12% 8% 10% 14% Teatro Desenhos Cartilhas Passeios Painéis Educativos Vídeos Palestras Brincadeiras Músicas Debates Coleta e separação do lixo outros Fonte: Própria, Maio 2014. Com a Figura 03, consta-se que os meios mais utilizados para o desenvolvimento de atividades sobre a educação ambiental são os vídeos (14%), os painéis educativos (12%), palestras (10%) e debates (10%). Foram citados em outros, atividades como “nenhum” (Entrevistada F), como também, “confecção de objetos (recicláveis)” (Entrevistada I) e “construção de paródias pelos alunos, plantio de mudas no pátio da escola” (Entrevistada C). Assim, também fora questionados se na escola do qual trabalham possui esses recursos para realização de tais atividades. 9 Figura 04: A escola possui os recursos citados? 33% 45% Sim Não 22% Só Alguns Fonte: Própria, Maio 2014. Conforme se observa na figura 04, dos educadores entrevistados 45% disseram que possuem os recursos na escola, 22% disseram que não e 33% disseram que possuem só alguns dos recursos do qual procuraram também como citado pela Entrevistada D “Através de esforços dos professores e dos próprios alunos”, outra “Alguns sim, mas a maioria, procuramos em reportagens, na internet, e os próprios alunos trazem para a discussão” disse a Entrevistada G e o Entrevistado E disse “Cada fase foi adaptada aos recursos áudio visuais da escola”. Com isso pode-se perceber o interesse dos professores em desenvolverem atividades interativas, onde fazem com que os alunos busquem também meios para a realização desses projetos. Algumas questões, que foram apresentados aos entrevistados, consideradas importantes para o desenvolvimento dessa pesquisa, serão transcritas juntamente com suas reais respostas dadas no questionário. Na questão de número nove foram questionados sobre quais as dificuldades ou problemas encontrados na prática de educação Ambiental, as respostas foram de diversas formas.Inicia-se, a seguir, a descrição dos resultados da pesquisa. “O enfrentamento de maus hábitos que acabam por interferir em uma efetiva prática de conservação e cuidados com o ambiente. Tais hábitos mudam com a verdadeira apreensão do conhecimento. Este seria o desafio do professor” (Entrevistada A). 10 “Exatamente colocar a prática em ação, transformando ‘o meio’ de uma ação educativa” (Entrevistada B). “A dificuldade que percebo é ainda a educação ambiental não ser de fato efetivada nas escolas, como é proposta na Lei de EA” (Entrevistada C). “Os maiores problemas são de condições estruturais, pois as escolas públicas não oferecem estrutura adequada para desenvolvimento de projeto extraclasse e não há interesse do governo em oferecer melhorias. Outro problema é cultura, pois há uma cultura no Brasil de se ‘levar vantagem em tudo’, por isso não se dão à devida importância em preservar para garantir a existência” (Entrevistada D). “Infelizmente os seres humanos ainda não se aperceberam dos reais problemas que já estão acontecendo” (Entrevistado E). “Apoio da escola” (Entrevistada F). “Além de material, locais apropriados para uma visitação ou análise” (Entrevistada G). “A falta de apoio por parte da escola, que muitas das vezes fica a desejar” (Entrevistada H). “O problema que vejo está apenas nos recursos que precisamos para transformar o lixo em objetos aproveitáveis ao nosso dia a dia” (Entrevistada I). Pode-se perceber que muitos veem a importância da educação ambiental em sua prática necessitando mudanças de hábitos como dizem as entrevistadas A e B. E que os recursos, como também a estrutura das escolas, para a realização de projetos com educação ambiental são ineficazes, como diz a entrevistada D, “(...), pois as escolas públicas não oferecem estrutura adequada para desenvolvimento de projeto extraclasse”. Na questão de número dez, foram questionados se considera importante a implantação da temática ambiental na grade curricular de cada disciplina, as respostas foram taxativas e unânimes pelo sim. As respostas foram semelhantes e de diversas formas. Como dadas as respostas das entrevistadas B e G, respectivamente: “Porque a educação ambiental é uma dimensão de educação e atividade intencional da prática social objetivando o desenvolvimento das habilidades e modificando atitudes em 11 relação ao meio, conduzindo para melhorar a qualidade de vida”. “Porque infelizmente nem todos os professores sabem como introduzir esse tema nos conteúdos propostos a serem trabalhados durante o ano letivo”. Pode-se constatar que os professores estão cientes das responsabilidades socioeducativas a eles confiadas, existindo consenso da importância do tema educação ambiental no contexto escolar. 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS A pesquisa foi feita com o intuito de analisar a percepção da EA dos educadores em seu ambiente escolar, assim, considerando a temática abordada e análise do contexto dos questionários respondidos pode-se notar que em todas as entrevistas todos tinham conhecimento sobre a educação ambiental e veem sua importância no desenvolvimento deste no ambiente escolar. É possível perceber, através do que foi exposto, que a Educação Ambiental é um caminho possível para mudança de atitudes e, por consequência, o mundo, permitindo ao aluno construir uma nova forma de compreender a realidade na qual vive, estimulando a consciência ambiental e a cidadania. Assim, pode inferir que a Educação Ambiental pode ser entendida como um processo participativo, no qual o educando assume o papel de elemento central do processo de ensino/aprendizagem pretendido, participando ativamente do diagnóstico de problemas ambientais buscando as suas soluções, sendo preparado como agente transformador das atuais condutas populares, através do desenvolvimento de habilidades e da formação de atitudes, ou através de uma conduta ética condizente ao exercício da cidadania. Percebeu-se que os professores entrevistados se mostram com disposição para desenvolverem os conteúdos e as atividades propostas sobre educação ambiental, criando projetos de acordo com suas possibilidades, inovando conteúdos para complementarem os livros didáticos, demonstrando motivação, interesse e vontade em fazer acontecer. Portanto, diante de tais informações pode-se reconhecer que os professores estão no caminho certo, buscando conscientizar os alunos a repensarem suas atitudes, mudando os hábitos para preservação do meio ambiente, por meio da educação ambiental. Mas vale ressaltar, que não basta incluir a educação ambiental 12 na estrutura curricular de cada disciplina lecionada, é necessário também propiciar aos professores, conhecimento necessário dos conteúdos a serem ministrados por meio de cursos e treinamentos, bem como fornecer recursos financeiros suficientes para o desenvolvimento de projetos, envolvimento dos alunos, professores, funcionários, pais, comunidade e governo, para que haja motivação, vontade e reconhecimento da importância da educação ambiental para a formação de cidadãos conscientes sobre o cuidado com o meio ambiente e com a sobrevivência do planeta. 5 REFERÊNCIAS AMARAL, I. A., 1995. Em busca da planetização do ensino de Ciências para a Educação Ambiental. Tese de doutorado. Faculdade de Educação, Universidade Estadual de Campinas. BARBIERE, José Carlos. Desenvolvimento e meio ambiente - as estratégias de mudanças da agenda 21. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 1998. BARRETO, V.P., 2006. A Educação Ambiental como proposta reflexiva da realidade. Centros de estudos gerais aplicados. Monografia do Curso de Pedagogia. UFF. Disponível em: <http://www.academia.edu/766448/Monografia_Educacao_Ambiental_conceitos_e_ab ordagens_pelos_alunos_de_licenciatura_da_UFF> Acesso em: 29 de abril de 2014. BRAGA, A. R., 2003. A Educação Ambiental como proposta reflexiva da realidade. Centros de estudos gerais aplicados. Monografia do Curso de Pedagogia UFF. BRASIL, Parâmetros Curriculares Nacionais: Meio Ambiente e saúde- MEC/Brasília, 1997. ______. Programa Nacional de Educação Ambiental – ProNEA/Ministério do Meio Ambiente, Diretoria da Educação Ambiental; Ministério da Educação. Coordenação Geral de Educação Ambiental. – 3. ed. Brasília: Ministério do Meio Ambiente, 2005. ______. Lei nº 9795 de 27 de abril de 1999. Dispõe sobre a educação ambiental, institui a Política Nacional de Educação Ambiental e dá outras providências. Brasília, 2000. Disponível em: <http://presrepublica.jusbrasil.com.br/legislacao/110259/lei-daeducacao-ambiental-lei-9795-99#art-1> Acesso em: 29 de abril de 2014. CASTRO, Ronaldo Souza de (Orgs) et al. Sociedade e meio ambiente: a educação ambiental em debate. 2. Ed. – São Paulo: Cortez, 2002. 13 DIAS, G.F. 1991. Os quinze anos da Educação Ambienta no Brasil: um depoimento. Em aberto, Brasília. ______. Fundamentos da educação Ambiental. Brasília: Universa, 2000. GIL, A.C. Como elaborar projetos de pesquisa. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2002. IBGE; Instituto Brasileiro e Geografia e Estatística. Disponível em: http://www.ibge.gov.br/cidadesat/link.php?codigo=312770 Acesso em: 10 de abril. 2014. JACOBI, P.R. Diálogo, sustentabilidade e utopia. In. SEGURA, Denize de Souza Baena. Educação ambiental na escola pública. São Paulo, FAPESP, 2001. LEFF, E. Educação ambiental e desenvolvimento sustentável. In: REIGOTA, M. (org.) Verde cotidiano: o meio ambiente em discussão. Rio de Janeiro: DP&A, 1999. LEONARDI, M.L.A., A educação ambiental como um dos instrumentos de superação da insustentabilidade da sociedade atual. In: CAVALCANTI, C. (org.) Meio Ambiente desenvolvimento sustentável e políticas públicas. São Paulo: Cortez, 2002. LAKATOS, E.M. MARCONI, M.A. Fundamentos de metodologia científica. 6. ed. 3. reimpr. São Paulo: Atlas, 2006. PENTEADO, H. D. Meio Ambiente e formação de professores. 5ª ed. São Paulo: Cortez, 2003. RAMOS, L. A. Análise geoestatística da distribuição de casos de dengue em Governador Valadares (MG) e sua relação com variáveis sociais e ambientais.2013. 27 f. Trabalho de conclusão de curso (Graduação em Tecnologia em Gestão Ambiental) - Instituto Federal Minas Gerais, Governador Valadares. 2013. REIGOTA, M. Por uma filosofia da Educação ambiental. 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Desde já, agradecemos sua participaçãoe colaboração: Identificação do professor: Nome:_______________________ (Identificado por letra) Sexo: ( ) Feminino ( ) Masculino Idade:____________________ Escolaridade: ( ) 2º grau completo ( ) Especialização ( ) 3º grau incompleto ( ) Mestrado ( ) 3º grau completo ( ) Doutorado ( ) Outros: ____________________ Disciplina que leciona:________________________________ Quanto tempo você atua nessa área? ( ) Menos de 1 ano ( ) De 1 a 5 anos ( ) De 6 a 10 anos ( ) Mais de 10 anos Turmas que leciona:___________________________________ Há quanto tempo trabalha nesta escola?___________________ Só trabalha nesta? ( ) Sim ( ) Não 15 QUESTÕES: 1) Você sabe qual é o conceito de Educação Ambiental? ( ) Sim ( ) Não _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ 2) Você trata da temática ambiental em sala de aula? ( ) Sim ( ) Não De que maneira?_________________________________________________ _______________________________________________________________ Em quais turmas?________________________________________________ Por quê?_______________________________________________________ ______________________________________________________________ 3) Quais são os conteúdos da sua disciplina que você relaciona com a EA?_______ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ São ocasiões pontuais ou desenvolvidas ao longo do ano letivo?__________________________________________________________ 4) Você já participou e/ou desenvolveu algum projeto de EA? Se SIM: Título do projeto:____________________________________________ Responsáveis (orientadores):__________________________________ __________________________________________________________ Instituição pertencente:_______________________________________ Ano:______________________________________________________ Tempo de duração:__________________________________________ Temática:__________________________________________________ Qual foi o objetivo do projeto?________________________________________ Qual é sua avalição?____________________________________________________ _____________________________________________________________________ Qual a sua participação na elaboração destes projetos?________________________ _____________________________________________________________________ 5) Quais os meios utilizados pela escola, para desenvolver atividades com os alunos sobre Educação Ambiental? ( ) Teatro 16 ( ) Desenhos ( ) Cartilhas ( ) Passeios ( ) Painéis Educativos ( ) Vídeos ( ) Palestras ( ) Brincadeiras ( ) Músicas ( ) Debates ( ) Coleta e separação do lixo ( ) Outros _______________________________________________________ 6) A escola possui os recursos citados? Se não, como os encontrou?________ _____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ 7) Existe algum tema que ainda não foi trabalhado por você e que gostaria de ser trabalhado no futuro? ( ) Sim ( ) Não Qual?__________________________________________________________ Por quê?______________________________________________________________ _____________________________________________________________________ 8) Você se sente satisfeito com os trabalhos de Educação Ambiental desenvolvidos na sua escola? Por quê?____________________________________________________ _____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ 9) Quais as dificuldades ou problemas encontrados na prática de Educação Ambiental?____________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ 10)Você considera importante a implantação da temática ambiental na grade curricular? ( ) Sim ( ) Não Por quê? ______________________________________ 17 _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ 11) Existe alguma orientação da direção da escola e/ou Superintendência de Ensino para trabalhar a temática ambiental? ( ) Sim ( ) Não Qual?________________________________________________________________ _________________________________________________________ 12) Como você vê a Educação Ambiental na formação do aluno?___________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ 18