Trabalho Submetido para Avaliação - 30/04/2012 10:32:56 PERCEPÇÃO DOS USUÁRIOS DE UM PROGRAMA DE REABILITAÇÃO CARDÍACA A CERCA DO PROCESSO DE REABILITAÇÃO ISABELA LENCINA RODRIGUES ([email protected]) / Enfermagem/UFSM, Santa Maria-RS SILVIAMAR CAMPONOGARA ([email protected]) / Enfermagem/UFSM, Santa Maria-RS KARINE ROSSATO ([email protected]) / Enfermagem/UFSM, Santa Maria-RS CIBELE CIELO ([email protected]) / Enfermagem/UFSM, Santa Maria-RS LETICE DALLA LANA ([email protected]) / Enfermagem/UFSM, Santa Maria-RS MARLUSSI SILVEIRA ([email protected]) / Enfermagem/UFSM, Santa Maria-RS CLAUDIANE BOTTOLI ([email protected]) / Enfermagem/UFSM, Santa Maria-RS Palavras-Chave: PERCEPÇÃO; REABILITAÇÃO; ENFERMAGEM Atualmente as doenças cardíacas acometem inúmeros brasileiros, afetando a qualidade de vida das pessoas, devido às limitações impostas pelo adoecimento. Doenças cardiovasculares são a primeira causa de morte no Brasil, acometendo cerca de treze milhões de pessoas no mundo¹. Assim, a reabilitação cardíaca objetiva reinserir o usuário na sociedade, enfocando na retomada de suas atividades diárias. Para isso, é preciso conhecer o público que realiza reabilitação cardíaca a fim de desenvolver ações na reabilitação e, consequentemente, traçar melhores intervenções interdisciplinares com essa população. Para tanto, é necessário dispor de uma equipe multiprofissional, a fim de se avaliar a reinserção do portador da doença em seu contexto sócio econômico e cultural. A equipe do programa do estudo em questão é composta por médico cardiologista, fisioterapeuta, nutricionista, educador físico, psicólogo e enfermeiro. O objetivo é conhecer a percepção dos usuários de um programa de reabilitação cardíaca acerca do seu processo de adoecimento e reabilitação. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de caráter exploratório-descritivo, buscou visualizar o contexto e obter informações acerca do que as pessoas sabem², valorizando a subjetividade das ações³. O local de estudo foi um ambulatório de reabilitação cardíaca do programa de reabilitação cardíaca secundária nas doenças cardiovasculares (Revicárdio). Os dados foram coletados entre setembro e outubro de 2011 através de entrevista semi-estruturada. A amostra se deu com 10 pacientes inseridos no Revicárdio no período de coleta de dados, apresentavam diagnóstico médico de cardiopatia crônica, foram previamente atendidos na consulta de enfermagem e que aceitaram participar do estudo. Os sujeitos foram escolhidos aleatoriamente, até a saturação dos dados que foram analisados conforme a análise de conteúdo proposta por Bardin4. Após a análise, identificaram-se 3 categorias: “Conhecimentos a cerca de sua cardiopatia”, onde os sujeitos mencionam utilizar-se de ferramentas como meios eletrônicos, livro, jornais, conversa com profissionais da saúde e até mesmo no exercício de suas profissões para obter conhecimento da doença. Observou-se que parte dos entrevistados já dispunha de algumas informações e/ou orientações referentes aos sinais e sintomas de sua doença cardiológica. Estes também reconhecem como causas principais de sua doença cardiovascular fatores hereditários e a associação de patologias como a diabetes. Sabe-se que, freqüentemente, as doenças cardíacas estão associadas a outras patologias, que constituem doenças que influenciam nas capacidades e tolerâncias fisiológicas do indivíduo. Já outros, não referiam dúvidas em relação à doença quando questionados. A outra categoria “Medo e tranquilidade em relação a cirurgia cardíaca” mostra que surgiram dois sentimentos relacionados a este procedimento cirúrgico: o medo, pelo fato de ser algo desconhecido a eles e, após realizá-la, a tranqüilidade, pelo fato de não terem ocorrido intercorrências e a recuperação ter sido rápida. Pode-se dizer que a cirurgia cardíaca desperta nos pacientes uma explosão de fantasias e medos que permeiam seus planos e rotina, remetendo-os a uma situação-limite, em que vida e morte estão em jogo. Neste sentido, a enfermagem deve atuar utilizando seus conhecimentos científicos e humanos, a fim de minimizar suas ansiedades, angústias, estresses, deixando-o verbalizar suas dúvidas, medos, raivas e demais sentimentos que possam emergir neste momento. “Processo de reabilitação”, expõe que o processo da doença coronariana envolve muitas modificações no estilo de vida, sendo estas obtidas por meio de hábitos saudáveis, dieta equilibrada, interrupção do tabagismo, redução da massa corporal e prática de exercícios físicos. Os entrevistados demonstraram que, participar do projeto de reabilitação, trouxe benefícios na vida, como ter maiores cuidados com dieta alimentar, praticar atividades físicas, apoio profissional para sanar dúvidas e expor suas dificuldades em relação a tais mudanças. O fato de ter que parar de trabalhar marca, significativamente, suas vidas, já que, a maioria se encontra em idade produtiva. A maioria dos sujeitos destaca que passou a viver com grandes limitações físicas e/ou emocionais, e percebem a reabilitação como um processo valoroso. No entanto consideram que dependerá de cada um a responsabilidade do autocuidado, prevenção e promoção de sua saúde. Ficou clara a necessidade do conhecimento das percepções que sujeitos acometidos por cardiopatias fazem de seu processo saúde/doença, para que assim se possam sustentar as ações desenvolvidas na reabilitação e, dessa forma, traçar intervenções adequadas para essa população. Assim, percebe-se a reabilitação como atividade multidisciplinar, a qual compreende uma atuação integrada com vistas a inserção do usuário na família e na sociedade, buscando maximizar seu potencial funcional e sua autonomia física, emocional e social. REFERÊNCIAS: Organização Mundial da Saúde; Cuidados inovadores para condições crônicas: componentes estruturais de ação. Relatório Mundial.Brasília: Organização Mundial de Saúde (OMS)/MS, 2010, 105p.; http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/linhas_cuidado_hipertensao_diabetes.pdf; abril-2012.. Gil, AC.; Métodos e Técnicas de Pesquisa Social.; São Paulo; Atlas; 2006. Minayo, MCS.; O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde.; Rio de Janeiro; Abrasco; 2008.. Bardin, L.; Análise de conteúdo.; Portugal; Lisboa; 2007.