EDIÇÃO PDF Directora Graça Franco Segunda-feira, 29-09-2014 Edição às 08h30 Editor Raul Santos O que vai fazer António Costa se chegar a primeiroministro? Ainda há escolas sem professores na terceira semana de aulas Vhils esburacou o Teatro Nacional D. Maria II. E isso é arte Portugal é campeão da Europa de ténis de mesa Colocação de professores contratados de Educação Moral "correu bem" "Violência contra idosos é desumana". O apelo de Francisco na jornada mundial dos avós Verão regista menor número de “Este cravo é vosso” incêndios da última década LUÍS ANTÓNIO SANTOS CÓNEGO JOÃO AGUIAR "Fazem-nos falta homens e mulheres de coração limpo e de cabeça lúcida" Dennis Kimetto estabelece novo recorde mundial da maratona 2 Segunda-feira, 29-09-2014 REPORTAGEM Vitória de costa a Costa. "Vamos para o Marquês comemorar?" Houve doces, salgados, apelos à união e uma marcha triunfal. Por João Carlos Malta (texto) e Joana Bourgard (imagem) "Já se demitiu", solta um apoiante de António Costa enquanto olha para as imagens das televisões que chegam de Seguro no Largo do Rato, sem som. A informação corre, já confirmada, como um rastilho para detonar a primeira explosão de alegria no Fórum Lisboa, quartel-general do presidente da Câmara de Lisboa. Acto reflexo: gritos de júbilo. "Costa, Costa, Costa!", "vitória, vitória, vitória!". Até aí, no ar nunca chegou a haver tensão. Entre os apoiantes de Costa não havia dúvidas. Ainda não eram muitos os que se juntavam perto da lisboeta Avenida de Roma, talvez porque a noite eleitoral prometia ser muito longa. Era a primeira vez que um partido abria uma eleição à sociedade civil. Mas, afinal, em três horas tudo ficou resolvido. A onda Costa arrebatou o PS e a vitória foi arrasadora. Minutos depois, Costa faria um discurso de união, mas os apoiantes, extasiados com a confirmação do triunfo, não perderam tempo para dar um recado ao adversário da noite. "A ver se ele aproveita e arruma já a secretária", atirou um adepto em êxtase. Uma figura de proa do PS e apoiante acérrimo de Costa atira também uma daquelas frases irrepetíveis em "on": "Acaba agora uma fase negra da história do PS". Docinhos, salgadinhos e uma "ganda abada" Antes, já os telemóveis fervilhavam em mensagens e em ligações à internet na procura de mais informações sobre os resultados finais. Mas as vitórias precisam de força. E a campanha de Costa preparou uns "docinhos" e um "salgadinhos" regados com copo de vinho, uma cerveja ou uma Coca-Cola, mediante o gosto do apoiante socialista. "Eh pá! De cada vez que passo há mais comida", diz uma mulher entusiasmada. Um jovem atira para um amigo: "Estás sempre onde há comida". E ri-se. Foto: Joana Bourgard/RR Junto ao balcão do bar, o ambiente era animado e sentindo que o adversário tinha ido ao tapete houve quem quisesse fazer um autêntico "finish him". "‘Ca ganda’ abada pá: 90 a 10. 'Jasus'!", gritava um amigo para outro, enquanto metia mais um salgado à boca. O resultado final foi muito menos desequilibrado. Mas àquela hora ninguém queria saber. A marcha triunfal O número de pessoas que chegam ao local onde ocorreria o discurso de vitória não pára de aumentar. Já é certa a vitória. Ana Catarina Mendes, directora nacional da campanha, vai ao púlpito e avisa as hostes: "Daqui a 15 minutos haverá o discurso no anfiteatro". O povo socialista começa a ocupar a sala. Sorrisos para todos os lados, abraços sem término, e fotos, muitas fotos, para mais tarde recordar. Os notáveis começam a chegar: Fernando Medina, Vieira da Silva, Costa Pina, Ana Paula Vitorino e muitos outros. As pessoas já lá estavam e a boa moldura humana assegurada, mas era preciso criar a imagem televisiva. Faltavam as bandeiras para o folclore que estes momentos exigem. Um, dois, três, quatro elementos do "staff" da campanha tratam do assunto. Pouco tempo depois, não havia quem não segurasse um pau com a bandeira do PS ou de Portugal. Poucos minutos depois começa o burburinho: Costa é vencedor, o agora candidato socialista a primeiroministro vai entrar no palco. Um momento de suspense, até que soa uma marcha triunfal. É o sinal: vem aí o vencedor. Já longe das mangas de camisa e das sapatilhas que tinha mostrado às televisões quando votava de manhã, Costa entra em palco com um cravo ao peito, braços levantados, punho cerrado. "PS, PS, PS" ecoa mecânico e grandiloquente em toda a sala. O mestre-de-cerimónias está no palco e atira o cravo para o público. Já ninguém se deve lembrar daquele momento que a campanha de Seguro tinha feito um "spot" de promoção da campanha em que se via alguém, que se intuía ser Costa, cortar a dita flor abrilista. Voltemos ao Fórum Lisboa e a Costa claro. Tem o seu estado-maior ao lado: Manuel Alegre, Ferro Rodrigues, Carlos César e Ana Catarina Mendes. O discurso é curto, tem dez minutos divididos em três pontos: elogiar a mobilização que o PS conseguiu, unir o partido dizendo que não há derrotados e apontar baterias ao Governo: "Este é o primeiro dia dos últimos do actual Governo", dispara Costa. O administrador da EDP "cidadão" O agora candidato a primeiro-ministro do PS, e muito provável futuro secretário-geral, sai de palco depois de dizer que quer devolver a Portugal "confiança no futuro". Acabam as palavras de consagração e começa o hino nacional. O vitorioso candidato sai de palco ao ritmo dos abraços dos camaradas. São esses camaradas que ficam para fazer agora os comentários às televisões, às rádios e aos jornais. Encontramos entre eles João Marques da Cruz, membro comissão executiva da EDP, que, com a bandeira do PS em punho, fala à Renascença. "Estas eleições são a prova de que quando os partidos se abrem às pessoas a adesão é sempre boa", diz. "Nasce um novo ciclo para o PS e para o país". A conversa prossegue até à pergunta inevitável: "Numa campanha em que as acusações de promiscuidade entre negócios e política foram feitos a António Costa, nomeando apoiantes que o personificam, sendo Marques da Cruz administrador da EDP, não se sentiu atingido?". "Separo totalmente as minhas responsabilidades como cidadão e profissionais. Estou cá como cidadão", dispara Marques da Cruz. Insistência: "Não o ofendeu?" "Nas campanhas eleitorais dizem-se coisas que as pessoas, posteriormente, e a frio não se revêem", responde. Um partido "muito unido" Se o dia foi marcante para António Costa, também para Fernando Medina marcará a sua história pessoal. Ele é o número dois de Costa na Câmara de Lisboa. 3 Segunda-feira, 29-09-2014 "É um dia muito especial e de esperança", avança de imediato Fernando Medina à Renascença. Não acha que o PS saia enfraquecido de uma campanha com muitos ataques pessoais – "o PS provou que é maior do que si próprio". E Fernando Medina já se sente futuro presidente da Câmara? Nada disso, afirma ele. "Hoje estou só a comemorar um grande dia para o qual lutei muito". Nesta altura, já o anfiteatro do Fórum Lisboa começava a esvaziar-se. Não sem antes de dois jovens de menos de 20 anos passarem em corrida e gritarem entre gargalhadas: "Agora é para o Marquês, não é?". Os apoiantes seguiram para a entrada daquele espaço que pertence a autarquia lisboeta. Um deles, o deputado João Galamba. Alinha no discurso de Medina. "O PS sai reforçado, e internamente muito unido", avança. Costa sai diminuído de uma batalha desgastante? "Não, este é um resultado muito forte". A pergunta que se segue é quando espera que Costa comece a apresentar propostas concretas. "Isso é o que se diz", diz Galamba apressado. E, de seguida, diz: "Leia a moção e veja as propostas". Camané presente, mas o fado foi triunfal Outros notáveis do PS continuam as reacções sobre reacções. O momento exige e os directos das televisões também. Mário Lino, ex-ministro de Sócrates, desmultiplica-se. Mas também há vozes da cultura: Camané ou António Pedro Vasconcelos. Nisto, um vendedor da revista "Cais" passa pela reportagem da Renascença. "É um bom local para vender?", atiramos. "Ó homem, eu não falo com jornalistas, vocês só querem fotografias", responde. "Vende-se sempre qualquer coisa". Segue de imediato, sem parar, na tentativa de vender mais um exemplar. Foto: Joana Bourgard/RR Mais à frente no palco da vitória e, apesar das acusações de que só tinha as elites com ele, Beatriz Vaz, professora reformada, e Albina Fonseca, doméstica, não quiseram perder o momento da saída de Costa. Estão com ele e estas coisas são para a posteridade. Não chegaram a tempo de ver o discurso, mas queriam vê-lo ainda assim. "Queremos apoiá-lo a mudar de política. Ele foi um bom presidente da Câmara", justificam. Mas o que é que o distingue de Seguro? Aí entram numa análise mais pessoal: "Tem mais conhecimentos e é mais maduro". O pano começava a cair na noite em que o Fórum Lisboa foi um fórum iniciático daquilo que Costa quer que seja um tubo de ensaio para a vitória nacional daqui a um ano. Esta segunda-feira é o primeiro dia do resto da vida de António Costa, mas antes houve tempo, como o próprio disse, para "beber uma imperial". Portugal é campeão da Europa de ténis de mesa Alemanha, campeã em título, derrotada em Lisboa. Marcos Freitas em acção. Foto: Tiago Petinga/EPA A selecção portuguesa venceu o campeonato europeu de ténis de mesa por equipas. Portugal derrotou a Alemanha, a campeã em título. No Pavilhão Atlântico, em Lisboa, Portugal venceu os germânicos por 3-1 num jogo emotivo perante milhares de pessoas, incluindo o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho. Marcos Freitas foi o jogador em destaque ao derrotar dois alemães. Primeiro, Mengel por triplo 11-8. Depois, Boll no jogo decisivo por 12-10, 5-11, 11-6 e 11-9. Tiago Apolónia derrotou Ovtchanov por 11-7, 11-2, 11-13 e 11-9. A única derrota da noite foi de João Monteiro perante Boll por 7-11, 1-11 e 8-11. É um resultado histórico da selecção nacional perante a Alemanha que tinha seis títulos conquistados. Foi a primeira final e com vitória de Portugal. 4 Segunda-feira, 29-09-2014 Verão regista menor número de incêndios da última década O ministro da Administração Interna reagiu com humor aos dados divulgados este domingo: "devo ser o único português que gostou" deste Verão, disse. (IPMA), o Verão deste ano registou a segunda temperatura mais baixa dos últimos 25 anos, tendo-se apenas verificado uma onda de calor em Junho. Julho foi o mês mais chuvoso deste século. Colocação de professores contratados de Educação Moral "correu bem" Os docentes de EMRC foram, pela primeira vez, colocados através de concurso, à semelhança dos docentes do quadro, e não por indicação dos Secretariados Diocesanos. Por Ana Lisboa A época mais crítica em incêndios florestais termina na próxima terça-feira, com o menor número de fogos da última década e o terceiro com menos área ardida. Durante a fase "Charlie", que começou a 1 de Julho, estiveram mobilizados 9.697 operacionais, 2.027 veículos e 49 meios aéreos, além dos 237 postos de vigia da responsabilidade da GNR, segundo o Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Florestais (DECIF). O relatório provisório de incêndios florestais do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) indica que, entre 1 de Janeiro e 15 de Setembro, registaram-se 6.958 ocorrências de fogo, o menor número em 10 anos, depois de em 2007 se terem verificado 9.852. Em comparação com o mesmo período de 2013, as ocorrências de fogo diminuíram este ano para mais de metade, adianta o relatório do ICNF, sublinhando que 2014 é o terceiro melhor ano desde 2004 em termos de área de área ardida, com 19.021 hectares de espaços florestais destruídos pelas chamas. Um valor cerca de sete vezes menos do que no mesmo período de 2013. De acordo com o ICNF, este ano registaram-se 26 grandes incêndios, que queimaram 10.983 hectares de espaços florestais, cerca de 58 por cento do total da área ardida. O maior incêndio verificou-se em Nisa, no distrito de Portalegre, a 25 de agosto, que consumiu uma área de espaços florestais de 2.268 hectares. “O único português que gostou do verão” O dispositivo de combate a incêndios florestais foi este ano reforçado com mais 250 bombeiros e quatro meios aéreos e custou 85 milhões de euros, mais 14 milhões de euros do que em 2013. O ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, já reagiu com humor aos dados provisórios sobre o número de incêndios, afirmando que deverá ser "o único português que gostou" deste Verão. Segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera "Correu bem" o processo de colocação dos professores contratados da disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC). A avalição é feita pelo departamento de Educação Moral e Religiosa Católica, organismo da Comissão Episcopal da Educação Cristã e da Doutrina da Fé, depois de os docentes de EMRC terem sido, pela primeira vez, colocados através de concurso, à semelhança dos docentes do quadro, e não por indicação dos Secretariados Diocesanos. Fernando Moita, o novo responsável pelo Departamento de Educação Moral e Religiosa Católica, diz à Renascença que tudo “correu dentro das expectativas", não havendo "rigorosamente nada a apontar, alguma divergência, alguma ilegalidade, alguma discriminação em relação a estes professores”. A decisão de mudança de procedimento resultou de “um diálogo longo, mas muito cordato, entre o Ministério da Educação e a Conferência Episcopal Portuguesa, através da Comissão Episcopal da Educação Cristã e da Doutrina da Fé”, explica Moita. Os concursos para a colocação de docentes ainda não terminaram e, assim, ainda há muitos professores de EMRC por colocar. Muitos outros, contudo, viram os seus contratos ser renovados, o que constitui "um sinal muito positivo, porque vemos que as escolas reconhecem o trabalho que os professores desta disciplina fizeram ao longo do ano passado e gostariam de continuar a contar com eles no próximo ano lectivo”. Para este ano, há uma novidade para todos os docentes de EMRC: “Podem candidatar-se a qualquer horário, a qualquer escola de todo o país”. Até agora, estes professores podiam concorrer apenas e escolas no território da Diocese a que pertencem. 5 Segunda-feira, 29-09-2014 Ainda há escolas sem professores na terceira semana de aulas LUÍS ANTÓNIO SANTOS “Este cravo é vosso” A escola EB 2 3 Professor Fernando Noronha Feio, no concelho de Oeiras, fecha portas a meio da tarde por falta de assistentes operacionais. Por João Cunha Três semanas depois do início do ano lectivo, ainda há eescolas a funcionar a "meio gás", em alguns pontos do país. Em alguns casos, por falta de professores, noutros, por falta de auxiliares. A escola EB 2 3 Professor Fernando Noronha Feio, do Agrupamento de Linda-a-Velha e Queijas, no concelho de Oeiras, é um dos exemplos. O estabelecimento fecha portas a meio da tarde, por falta de assistentes operacionais, situação que representa um grande transtorno para muitos pais. Na primeira semana, a escola esteve fechada por falta de professores. Na segunda, encerrou às quatro da tarde, por falta de auxiliares, e, durante a terceira semana, que agora começa, o cenário deverá manterse. Para os pais, há uma primeira preocupação: que não haja tempo para compensar o tempo perdido. “Depois de uma semana de atraso, esta semana a escola acaba mais cedo do que o horário previsto. É uma situação difícil de gerir”, desabafa uma mãe. Porque a maioria dos pais trabalha durante o período da tarde, não conseguem sair mais cedo, todos os dias, para ir buscar os filhos à escola. A muitos, valem os avós para gerir a situação. “Tenho pedido alguma colaboração de familiares, dos avós, que vivem aqui perto. Se não fosse isso, era muito complicado”, conta um pai. Dizem outros que, apesar da falta de auxiliares, a situação não os afecta. “O horário do meu filho é impecável. Muitas vezes, sai ao meio dia, outras vezes, sai às três”, diz uma mãe. A escola abriu concurso público para contratar quatro assistentes, em regime de contrato de trabalho a termo certo, a tempo parcial, até 12 de Junho de 2015. O período de trabalho diário é de quatro horas, remuneradas de acordo com a legislação em vigor. Talvez os gestos tenham passado despercebidos à maioria. Até mesmo à maioria dos militantes e apoiantes do Partido Socialista que ontem votaram em António Costa. Mas o candidato ganhador teve, na sua curta declaração de vitória, dois momentos de comunicação política muito devedores a um comportamento aceitável. O mais significativo, foi o ‘esquecimento’ do seu opositor. O experiente e talentoso vencedor da noite eleitoral não pronunciou uma palavra sequer sobre António José Seguro - nem elogio, nem crítica, nem coisa nenhuma. O outro momento (que, em termos cronológicos, precedeu o primeiro) foi a subida ao palco com um cravo na mão para, de imediato, o atirar de forma deliberada à plateia sublinhando o gesto com as palavras ‘este cravo é vosso’. Não era um cravo qualquer, como todos bem sabemos; era um cravoresposta ao outro que – também num momento infeliz de propaganda bacoca – os apoiantes de Seguro haviam usado num anúncio. Nem um nem outro deveriam ter lugar numa disputa partidária. Tal como aconteceram as coisas, um e o outro fizeram por se merecer, no pior sentido. Uma das mais famosas citações atribuídas a Winston Churchill diz algo do género: ‘Na guerra, determinação; na derrota, desafio; na vitória, magnanimidade’. António Costa perdeu, ontem à noite, uma oportunidade soberana para começar a ‘mobilizar Portugal’, como diz pretender, logo a partir de casa. A ‘voz da mudança’ em quem muitos – militantes e não militantes – votaram de forma expressiva não devia ter começado o caminho apresentando-se como a ‘voz da vingança’. Fica-nos, de uma noite de vitória contundente, a imagem de alguém que não soube estar à altura do momento ou que, no mínimo, cedeu à tentação fácil da soberba. E, nesse particular, António Costa fez-nos lembrar Cavaco Silva depois da sua segunda vitória nas presidenciais. Estranhas companhias, António, estranhas companhias... 6 Segunda-feira, 29-09-2014 “Escaramuça” em Braga por “razões alheias” às primárias socialistas PSP confirma incidente, concelhia do PS também, mas garantem que nada teve a ver com o acto eleitoral. REPORTAGEM José e Antónia não puderam participar nesta história As primárias do PS foram históricas. Foi a primeira vez em que um partido português pediu à sociedade que participasse na sua vida interna. Mas nem todos puderam pôr o seu nome nesta história. Foto: RR (arquivo) A PSP foi chamada à escola André Soares, em Braga, onde decorrem as votações para as eleições primárias do PS devido a uma "escaramuça" por "razões alheias" ao acto eleitoral, adiantou à Lusa fonte da PSP. Segundo explicou à Lusa o presidente da Federação Distrital de Braga, Joaquim Barreto, houve uma "troca de palavras" entre um militante do PS "conhecido por arranjar confusão" e uma outra militante "mas nada relacionado com o acto eleitoral". "Sim, é verdade que fomos chamados ao local onde estão a decorrer as votações mas não por causa do acto em si", afirmou à Lusa fonte da PSP. "O que aconteceu foi que um militante do PS que já é conhecido por estas coisas terá insultado uma outra militante e a família reagiu. É um episódio triste mas que não tem nada a ver com o que hoje se está aqui a decidir", explicou Barreto, contactado pela Lusa. Militantes e simpatizantes socialistas escolhem este domingo o candidato a primeiro-ministro do partido entre António José Seguro ou António Costa. Foto: Joana Bourgard/RR Por João Carlos Malta (texto) e Joana Bourgard (vídeo) José e Antónia são viúvos e vivem juntos. Gostam do PS. Foram ao Largo do Rato porque queriam votar. Mas? "Mas esquecemo-nos de nos inscrever", diz José, que toma a liderança do casal quando a altura é de responder às questões. Não sabia que era preciso inscrever-se para votar? "Sabia, mas pensava que trazendo o meu cartão de cidadão que conseguia", revela o reformado de 74 anos. Não conseguiu. E com Antónia voltou para casa frustrado. Este foi um dos relatos que a Renascença recolheu junto do Largo do Rato, em Lisboa, a meio da tarde de domingo, mas que se terá repetido em várias mesas de voto. Assim aconteceu no Centro Comercial da Mouraria. Pedro Assunção, coordenador da secção da Almirante Reis da concelhia de Lisboa, contou pelo menos 30 ou 40 dezenas de pessoas que chegaram à mesa de voto e bateram com o nariz. "Apesar de o acto ter sido muito divulgado, houve muita gente a quem passou ao lado a necessidade de se inscrever. Pensavam que isto depois seria como numa eleição nacional em que basta a identificação", explica Pedro Assunção. Foram sobretudo pessoas com mais de 60 anos a quem esta situação sucedeu. Uma viagem a Arganil e menos dois votos para Costa Voltemos a Antónia e José que, vivendo na capital, têm um terreno no interior do país que os leva a longos períodos fora de Lisboa. Deixaram passar o tempo de inscrição. Ele, José, é socialista desde sempre. Foram 40 anos no ministério do Trabalho e agora que os reformados, diz, estão a ser atacados, quis participar. Costa era o eleito. Porquê? "O que é que o Seguro fez? Nada". 7 Segunda-feira, 29-09-2014 "Fui perguntar se podia votar, ali dentro. Mas o funcionário disse que não. Tinha de me ter inscrito. Fico com pena", lamenta José Silva. Mas pelo menos uma consolação: não foi o único. "Disse-me também que já tinha vindo muita gente aqui com o mesmo pedido e a quem aconteceu o mesmo", acrescenta. Neste mesmo momento, enquanto José falava, outro simpatizante do PS sai em passo acelerado da sede do PS a vociferar: "Isto é uma vergonha. Devia ser aqui a votação e querem que vá votar a outro lado". Durante os cerca de 45 minutos que a Renascença esteve no local, várias pessoas deslocaram-se ao balcão de entrada do Largo do Rato. Os recepcionistas não sabiam que responder. Pegavam no telefone e ligavam para um elemento da Comissão Eleitoral. Costa Correia, de 65 anos, foi um deles. "Vim só esclarecer onde votava. Tenho duas casas e não sabia se votava em Lisboa ou Oeiras". Dois minutos depois, saiu do local rumo a Oeiras com o problema resolvido. Um segurista junto ao ex-gabinete de Costa. E um costista que bebe um "portozinho" Uns quilómetros à frente, no Centro Comercial da Mouraria, perto de onde António Costa teve o gabinete de presidência da Câmara, o fim de tarde contrastou as longas filas de dez minutos que de manhã os votantes enfrentaram. Às 17h00 já haviam votado na Mouraria mais de 1.200 pessoas. O local é um dos pontos de maior multiculturalidade de Lisboa, mas para quem o tivesse esquecido bastava olhar para o tecto e ver os candeeiros chineses que adornavam o espaço onde se instalaram as mesas de voto das históricas primárias socialistas. Aí encontramos Fernando Guerra, de 74 anos, militante do PS. Acha que esta votação é saudável, mas não perdoa a Costa o desafio a Seguro. "É a primeira vez que isto acontece na história do PS. É a primeira vez que um líder democraticamente eleito não chega a eleições", defende. A polémica do dia foi a SMS enviada pela candidatura de Costa aos militantes, mas Guerra não culpa o candidato adversário. "Sabe, isso são camaradas meus que, na ânsia de um lugar ao sol, usam métodos que só os políticos de curta duração usam", critica. Do outro lado da barricada, Vítor Carvalho, um reformado de 72 anos, não tem dúvidas: "Seguro não mostrou garra suficiente". Quanto ao futuro do ainda líder, disse depender de como Seguro "aceitasse a derrota". E, no caso de vitória, vai comemorar para a rua? "Fico em casa, a beber um portozinho". A correr para votar Mais à frente, junto à tradicional Avenida de Roma, visitamos a escola secundária Rainha D. Leonor. As lojas asiáticas e indianas dão lugar a um anfiteatro forrado a madeira, onde estão duas mesas de voto. Falta meia hora para encerrar a votação. Entra um casal com duas crianças com menos de cindo anos. Uma solta: "Também quero votar, também quero". O local, com menos de dez pessoas àquela hora, estava silencioso, mas ganha vida. O pai dos menores é Jorge Pedreira, que foi secretário de Estado da Educação do primeiro Governo Sócrates. Esta eleição era importante para o PS? "Era absolutamente necessário para que haja uma alternativa depois de este momento terrível que o país vive", responde. O partido ganhou com a crispação entre os dois candidatos? "Gostava que as discussões fossem mais substanciais, mas não foi possível", disse, resignado, o agora professor universitário que votou na condição de simpatizante. "Não foi pelos debates que fiquei mais esclarecido", reconhece. Avança que nas europeias o partido não capitalizou o descontentamento e deixa a descoberto a opção que tomou. António Costa conseguirá unir o partido? "Tem um ano para isso. Haverá algumas feridas, mas ele será capaz", responde. O tempo está a acabar, os responsáveis da mesa voto vêem se chega alguém antes de dar por terminado o acto eleitoral. E quase ao soar do gongo, chega o último votante daquela mesa de voto. Em passo de corrida. "Só me lembrei quatro minutos antes do fecho que era a votação era hoje", diz o reformado, António Pegas, de 65 anos. Não quis ficar de fora, apesar de dizer que o "debate interno foi pobre". "Falaram zero do que era importante", resume. Ainda assim, não faltou à chamada. "Temos de escolher, temos de optar." António chegou apressado e depressa saiu. Fim de "festa". Antes de fechar as portas da escola, dois funcionários do PS que presidiram ao acto eleitoral dizem, de forma enfática, para um camarada que sai rumo a casa: "Viva a democracia participativa!". O outro responde fugidiamente: "Viva". PS em mudanças até ao fim do ano A recomposição da estrutura do PS só deve estar terminada entre Novembro e início de Dezembro. António Costa celebra vitória nas primárias. Foto: Miguel A. Lopes/Lusa Por Eunice Lourenço A vitória de António Costa e a consequente demissão de António José Seguro nas primárias de domingo abrem as portas a um processo de mudança no PS que ainda só começou e que só deve terminar quase no fim do ano. Agora é preciso eleger o secretário-geral, marcar o congresso e cumprir todos os procedimentos estatutários. Na noite de domingo, a presidente do partido, Maria de Belém, disse apenas que serão cumpridos os estatutos, sem esclarecer processos ou prazos. E sem revelar se vai desempenhar as funções de secretário-geral. Os estatutos do PS não têm nenhuma norma específica 8 Segunda-feira, 29-09-2014 sobre a demissão do secretário-geral, mas dizem que o presidente do partido "acumula as funções de secretário-geral em caso de ausência ou impedimento prolongados do respectivo titular". Ora, Seguro anunciou não só que se demitia, mas que cessava naquele momento as suas funções, o que é entendido pelos dois lados das primárias como uma declaração de impedimento e de que não está disponível para assegurar as funções até à eleição do próximo secretário-geral. Mas para terça-feira já está marcada uma reunião comissão política. Foi marcada ainda pela direcção de Seguro e anunciada perante a revolta dos deputados que queriam discutir a polémica proposta de redução dos lugares no Parlamento. Agora, servirá para discutir os próximos passos do processo de mudança em curso. Perante a demissão do secretário-geral é preciso convocar eleições directas para o cargo, nas quais dos dois candidatos só Costa será candidato (Seguro garantiu que não). Podem, no entanto, aparecer candidatos para além do vencedor das primárias. Ana Catarina Mendes pode substituir Alberto Martins Depois da eleição directa do novo líder, em que já só vão votar militantes e com as quotas em dia, terá lugar o congresso, para aclamação do secretário-geral e da sua estratégia. Mas também não termina aí o processo. O congresso elege a nova comissão nacional que, depois, ainda tem de reunir para eleger a comissão política e o secretariado, que é no fundo a direcção do partido. Com todos estes passos, a recomposição da estrutura do PS só deve estar terminada entre Novembro e início de Dezembro. Entretanto, também será preciso substituir a direcção da bancada parlamentar, já que Alberto Martins também se demitiu na noite das primárias. Ana Catarina Mendes, directora de campanha de António Costa, é dada como provável sucessora no cargo em que será necessário unir uma bancada que Seguro nunca controlou. Para mais tarde, ficará a mudança na Câmara de Lisboa. António Costa deve continuar no lugar para onde foi eleito e lhe servirá de palco político nos próximos tempos e só passará o testemunho ao seu "vice", Fernando Medina, em função do calendário eleitoral para as legislativas do próximo ano. O que vai fazer António Costa se chegar a primeiroministro? António Costa venceu as eleições primárias do PS, indicam os dados provisórios. Eis o que o autarca de Lisboa prometeu fazer se chegar a primeiro-ministro. Foto: Joana Bourgard/RR Por Carolina Rico Em concordância com a sua "moção política sobre as grandes opções de Governo", António Costa reafirmou as intenções de desenvolver uma agenda para a década, "assumir uma nova atitude na Europa" e lançar "um Programa de Recuperação Económica" na sua campanha para as primárias. Costa pretende continuar a presidência da Câmara de Lisboa até às eleições legislativas, a altura devida para fazer promessas, considera. "Compromissos concretos só daqui por um ano”, disse em entrevista à Renascença. Eis o que prometeu fazer o recém-eleito candidato do Partido Socialista a primeiro-ministro se vencer as eleições legislativas: - Aumentar o salário mínimo nacional para um valor de referência de 522 euros no próximo ano e "construir com os parceiros sociais um novo acordo de médio prazo que defina os critérios e uma trajectória para o aumento do salário mínimo nos próximos anos"; - Repor as pensões ao nível de 2011. Em entrevista à Renascença, Costa disse ainda que quer garantir aos pensionistas que “não vão sofrer novos cortes no futuro”; - Adoptar um "programa ambicioso de reformas a tempo parcial sob condição de contratação de jovens desempregados" para diminuir o desemprego jovem; - Baixar o IVA da restauração. Sem avançar números, Costa manifestou interesse em “reponderar das tabelas do IVA”, de modo a torná-las "mais compatíveis com as actividades económicas portuguesas"; - Combater a fraude e evasão fiscais através do reforço de competências das polícias e do Fisco; - Apostar na cultura. Ainda antes do período de campanha, Costa afirmou que "a cultura precisa de um 9 Segunda-feira, 29-09-2014 ministério, precisa de uma visão"; - Combater a precariedade laboral. Como? Tornando "menos atractivo para os empregadores, nomeadamente via diferenciação da TSU, o recurso às formas precárias de trabalho, por comparação com as formas mais estáveis"; - Maior controlo da legislação laboral. "Introduzir nas regras de contratação pública e de acesso aos apoios públicos a apresentação por parte das empresas de garantias de verificação da conformidade com os princípios da legislação laboral em vigor"; - Mais apoios sociais, com políticas a que permitam a "transferências de recursos para as famílias com crianças e jovens em situação de pobreza com medidas complementares do lado do sistema educativo e do sistema de saúde"; - Acabar com a política de austeridade que “penalizou muito a economia portuguesa ao longo da última década e meia”. “Os portugueses não viveram acima das suas possibilidades”, disse Costa à Renascença. Temos que mudar essa política para podermos ter resultados; - Lançar um grande programa de reabilitação urbana, que “permitisse reabsorver milhares de pessoas desempregadas no sector da construção”, mobilizando fundos comunitários; - Criar um seguro de desemprego europeu, isto é, "um fundo de estabilização macroeconómica sob a forma de um sistema de seguro de desemprego europeu, ou um seguro contra choques conjunturais na zona euro provocados por quebras intensas de actividade económica"; - Procurar “alianças com outros Estados-Membros” na prossecução dos “objectivos estratégicos” de Portugal; - Suavizar Tratado Orçamental europeu. "Estudar em profundidade as possibilidades que um recálculo do défice estrutural" e adequar a trajectória de ajustamento ao ciclo económico, em especial no caso de situações de recessão económica graves"; - Adoptar um plano de recuperação económica para ajudar o país a recuperar dos “traumas” provocados pela intervenção externa, “um programa de fisioterapia que ajude a reconstituir o músculo e a autonomia dos movimentos” à economia; - Criar um "programa nacional de apoio à economia social e solidária" e promover "instrumentos como a Banca Ética, a Responsabilidade Social das empresas e os contratos públicos com cláusulas sociais"; - Rever "o sistema eleitoral para a Assembleia da República e do sistema de governo das autarquias". Quer uma "reforma do sistema eleitoral no sentido de uma representação proporcional personalizada, introduzindo círculos uninominais"; - Descentralizar competências para as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional, "com a eleição dos respectivos órgãos de governo por todos os autarcas de cada região, até ao nível de freguesia"; - "Consolidar um sistema de formação de adultos, numa lógica de aprendizagem ao longo da vida, assente em actividades de requalificação profissional". O PCP olha para as primárias do PS e vê uma "uma farsa" "A questão que se coloca ao país não está em saber quem vão ser os futuros protagonistas da política de direita", diz Jerónimo de Sousa. Foto: João Relvas/Lusa (arquivo) O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, classificou este domingo como "uma farsa" as eleições primárias do PS, que decorreram ao longo do dia, considerando que os socialistas apenas querem "esconder responsabilidades passadas e intenções futuras". "Para o PCP a questão que se coloca ao país não está em saber quem vão ser os futuros protagonistas da política de direita, como dissimuladamente a farsa das chamadas eleições para primeiro-ministro quis impor e o que o PS deliberadamente promoveu, seguramente para esconder responsabilidades passadas e intenções futuras", afirmou Jerónimo, no encerramento da sessão pública de abertura da campanha "A força do povo por um Portugal com futuro", que decorreu num hotel em Lisboa. Para os comunistas, acrescentou, a questão decisiva é "romper com o ciclo infernal de alternância sem alternativa". Por isso, defendeu o secretário-geral do PCP, mais importante do que "passar a ver pelas costas" o primeiro-ministro e líder social-democrata, Pedro Passos Coelho, e o vice-primeiro-ministro e líder dos democratas-cristãos, Paulo Portas, "é a efectiva substituição da políticas que ao longo deste 38 anos foram executadas por PS, PSD e CDS". Na sua intervenção, Jerónimo de Sousa anunciou ainda a apresentação na terça-feira, na Assembleia da República, de um projecto de resolução do PCP com "uma proposta clara de ruptura". "Terá como adversários os grupos monopolistas que vão parasitando o país, uma proposta que se eleva perante o lodaçal que marca muitas das querelas artificialmente construídas para esconder as muitas semelhanças entre os três partidos que nos últimos 38 anos estiveram no Governo", disse. Segundo o secretário-geral comunista, a "proposta integrada" tem como objectivo "resgatar o país da dependência e do declínio", fixando calendários, as 10 Segunda-feira, 29-09-2014 condições e opções da política nacional com vista à renegociação da dívida e à criação de condições para Portugal preparar a saída do euro e da União Europeia. Um dia histórico no PS. As primárias minuto a minuto Sampaio na décima reunião do Grupo de Arraiolos Chefes de Estado reunidos durante dois dias em Braga com Ucrânia e Imigração na agenda. Por Eunice Lourenço Jorge Sampaio que, enquanto Presidente da República, foi o mentor da criação do Grupo de Arraiolos, é como que o convidado de honra da décima reunião deste grupo que reúne chefes de Estado de países membros da União Europeia, mas que por não terem funções executivas não participam nos Conselhos Europeus. A reunião decorre segunda e terça-feira em Braga. Este grupo informal – que ficou com o nome da vila onde decorreu a primeira reunião, em 2003 - junta os Presidentes de nove países: Portugal, Alemanha, Polónia, Eslovénia, Itália, Áustria, Finlândia, Hungria e Letónia. Neste encontro de Braga juntam-se os Presidentes da Bulgária e da Estónia. E na agenda vão estar temas centrais da agenda europeia, como a questão ucraniana e a pressão migratória. A Ucrânia entra na agenda deste encontro pelo tema da energia, escolhido para a primeira sessão de trabalho, na segunda-feira de manhã. À tarde o tema será a imigração, nomeadamente a crescente pressão que a União Europeia tem vindo a sentir. E Jorge Sampaio vai ser o relator dessa segunda sessão de trabalho. Segundo fonte da Presidência, o convite a Sampaio para participar no encontro justifica-se pelo próprio tema, em que o antigo Presidente será uma “maisvalia”, mas também por ser o fundador do Grupo de Arraiolos e esta ser a décima edição. Na terça-feira, o tema é o papel da investigação e da inovação na promoção do crescimento e na criação de emprego e, antes da sessão de trabalho, os Presidentes visitam o Laboratório Ibérico de Nanotecnologia. Neste mesmo dia, é ouvido perante o Parlamento Europeu o comissário indicado por Portugal, Carlos Moedas, que deve ficar com a pasta da Investigação no executivo da União. Todos estes encontros temáticos decorrem no Mosteiro de Tibães e são fechados à comunicação social. Mas os dois dias de reunião são fechados com uma conferência de imprensa final. Para além dos encontros temáticos e dos almoços e jantares haverá ocasião para vários bilaterais, a começar por dois que estão marcados logo para segunda-feira de manhã: os Presidentes da Finlândia e da Bulgária vieram mais cedo para terem reuniões bilaterais com Cavaco Silva. Sindicato quer mais 25 mil enfermeiros. Ministro fala em números "fantasiosos" Paulo Macedo lembrou que o executivo vai colocar mais 1.700 profissionais entre Outubro deste ano e Outubro de 2015. O ministro da Saúde classificou de "fantasioso" o número de 25 mil enfermeiros que os sindicalistas consideram precisos para as necessidades do país. "A hipótese de recrutar 25 mil pessoas tem falta de credibilidade e o país não tem possibilidade nem oportunidade, nem em termos de equidade em relação a outras profissões" de fazer tais contratações, disse. Sobre os 25 mil profissionais considerados precisos para as necessidades do país, o ministro disse que estes são "de números fantasiosos". Paulo Macedo lembrou que o executivo vai colocar mais 1.700 enfermeiros entre Outubro deste ano e Outubro de 2015. O ministro reiterou que não entra na guerra de números com os sindicatos sobre a greve dos enfermeiros, que decorreu na quarta-feira e quintafeira, garantindo, contudo, que os níveis de adesão apresentados pelos sindicalistas "não podem estar correctos". Os sindicatos que convocaram a paralisação alegam que esta teve uma adesão superior a 80%. "A única certeza que há sempre em todas as greves é que os números avançados pelos sindicatos nunca são os anunciados previamente", disse o ministro, à margem da Conferência "Reconhecimento da Qualidade no Serviço Nacional de Saúde (SNS)", que decorre em Lisboa. Para Paulo Macedo, os únicos números certos são os que se apuram através das folhas de remuneração. "O resto é subjectivo", disse. Porque estão cansados os nossos enfermeiros? Nem todos os salários mínimos dão desconto de TSU Silva Peneda e Daniel Bessa debatem acordo que actualiza SMN para 505 euros. Fórmula encontrada "não é motivo de orgulho", diz o ex-ministro da Economia. Por José Bastos Nem todos os salários mínimos terão desconto da TSU. 11 Segunda-feira, 29-09-2014 Não é provável que as empresas passem a contratar só pela remuneração mais baixa permitida por lei. Duas teses defendidas pelo presidente do CES (Conselho Económico e Social) na semana em que confederações patronais e UGT actualizaram o SMN para 505 euros. “Têm sido ditos muitos disparates. Já ouvi dizer que a Segurança Social vai financiar o aumento do salário mínimo. O desconto na Taxa Social Única só se aplica aqueles que contrataram até Maio”, afirma Silva Peneda, no Conversas Cruzadas deste domingo. “Não faz sentido dizer que as empresas não contratarão mais acima do salário mínimo, até porque a medida tem horizonte temporal: é durante 15 meses e termina a 31 de Dezembro de 2015. Não é ‘ad aeternum”, acentua o presidente do Conselho Económico e Social. Já Daniel Bessa questiona a cedência do governo aos condicionalismos impostos pelas confederações patronais. “Não gostei muito da ideia de baixar as contribuições para a Segurança Social como uma compensação aos empresários para o aumento do salário mínimo.” “No meu país, gostava de ter empresários a quem não fosse necessário oferecer qualquer benesse, qualquer 'cenoura' para passar o salário mínimo de 485 para 505 euros”, diz. “Quando vamos por esse mundo fora gostamos de dizer coisas positivas sobre o nosso país. Temos também de estar preparados para os contraargumentos que vêm do lado dos outros” observa. Daniel Bessa: “Acho pobrezinho!” “Eu, habitualmente, vou preparado para ouvir muitas coisas, mas não vou gostar se alguém um dia se lembra de me dizer: ‘está bem, mas na lá sua terra os empresários lá do seu país, de quem você até diz coisas simpáticas, precisaram que o governo pagasse uma parte do custo que resulta de aumentar o salário mínimo de 485 para 505 euros...” Enfim. Acho isto pobrezinho”, faz notar Daniel Bessa. Silva Peneda sustenta que o desconto foi decisivo para um entendimento que, ainda assim, deixou a CGTP de fora. “Sem o desconto da TSU não havia acordo. É a minha leitura. O Governo valorizou muito a necessidade deste acordo. Quis fazê-lo”. “O Governo poderia ter decidido sobre o salário mínimo unilateralmente. Mas quis dar visibilidade e o envolvimento no acordo. Poderia ter decidido à vontade, mas valorizou a componente do acordo”, sustenta o ex-ministro do Emprego e Segurança Social. Daniel Bessa discorda dos patrões: “Então os empresários disseram é assim, ou não havia acordo? Lá teve que ser, então, mas não é motivo de orgulho para ninguém”, assinala o ex-ministro da Economia que diz pretender dar ao debate “um contributo pela positiva”. “Estaria de acordo se o Governo tivesse dito aos empresários: ‘faço o desconto da contribuição para a Segurança Social, mas não para contratos a termo certo, só quando estes trabalhadores estiverem sem prazo. Mais: até posso fazer o desconto retroactivo desde o dia em que o colaborador foi admitido, mas vale se o contrato se transformar....’", sugere Daniel Bessa aduzindo razões. “Porque, sabe, em Portugal há muitos contratos...Outro dia fomos surpreendidos pelo facto do Instituto do Emprego e Formação Social estar, de alguma forma, a contribuir com dois terços dos postos de trabalho criados. É muito posto de trabalho para ser criado com o apoio do Instituto do Emprego", sustenta o presidente da Cotec-Portugal. Silva Peneda contrapõe que a Segurança Social em tudo o que são medidas activas de emprego sempre teve um papel importante. “Lembro-me, quando era ministro do Emprego e Segurança Social, que, por exemplo, para incentivar o emprego de portadores de deficiência dava-se às empresas a possibilidade de ter um desconto na contribuição”. “Entendia-se ser uma medida importante de integração de um grupo social e, portanto, as empresas que o fizessem deviam ter um incentivo. O prémio era descontos para a Segurança Social. Não é nada de novo a Segurança Social entrar neste tipo de situação”, nota Silva Peneda. Silva Peneda: “mérito é de Mota Soares” O presidente do órgão constitucional de consulta e concertação na área económica e social defende que a mexida no salário mínimo “é um bom sinal”, apesar de “longe de outro tipo de compromissos assumidos em tempos idos”. Silva Peneda considera que “o Governo poderia ter decidido unilateralmente, a lei permite-o”, identificando o papel desempenhado pela tutela “uma acção que tem de ser reconhecida”. “O mérito absoluto deste entendimento é do ministro Mota Soares. Claramente. Eu poderia dizer que foi assinado nas instalações do CES – de que sou responsável - mas o mérito é todo do ministro”, observa. “Assumi ter tido uma quota-parte do êxito no acordo feito em 2011 na Concertação Social, mas aqui, neste caso, o mérito é exclusivo do ministro Pedro Mota Soares”, defende Silva Peneda. “Eu falo com os parceiros, conheço a realidade e houve uma altura em que não acreditava muito no acordo: pelo menos que algumas Confederações Patronais fossem assinar o acordo. Com a sua persistência e tenacidade o ministro Mota Soares lá conseguiu”, conclui. Panfletos distribuídos em defesa da vida Iniciativa antecipa a Caminhada pela Vida de dia 4 de Outubro, em Lisboa. Decorreu este domingo a primeira acção de sensibilização para a Caminhada pela Vida. Quinze jovens voluntários participaram na distribuição de panfletos a quem passava na zona do Chiado, em Lisboa. Tomás Anunciação, responsável pelo movimento “Lobby pela Vida”, explicou à Renascença qual o objectivo deste evento. “Queremos dar a conhecer o testemunho da alegria da vida desde a concepção até à morte natural. É um caminho que vale a pena percorrer e que queremos que todos percorram connosco”, disse. 12 Segunda-feira, 29-09-2014 Para os jovens voluntários este evento tem como objectivo sensibilizar as pessoas para o valor da vida. A Caminhada pela Vida realiza-se no próximo dia 4 de Outubro, pelas 15h00, entre o Largo Camões e a Assembleia da República, em Lisboa. CÓNEGO JOÃO AGUIAR "Fazem-nos falta homens e mulheres de coração limpo e de cabeça lúcida" Com o tema “Uma rede de pessoas”, as jornadas reflectiram também sobre o exemplo de proximidade do Papa Francisco. Por Paula Costa Dias As Jornadas Nacionais das Comunicações Cociais, em Fátima, terminaram com a convicção de que a falta de meios tecnológicos não pode ser desculpa para se fazer melhor, até porque a grande aposta deve incidir nas pessoas. “Mais do que as tecnologias fazem-nos falta homens e mulheres de coração limpo e de cabeça lúcida. É minha convicção que é editorial o desafio que temos por diante”, disse o director do Secretariado Nacional das Comunicações Sociais. O cónego João Aguiar disse ainda que os meios de comunicação têm de, "para além da informação, de estar dispostos a dar explicação, interpretação, ao comentário” e a “dar as razões da nossa esperança.” Com o tema “Uma rede de pessoas”, as jornadas reflectiram também sobre o exemplo de proximidade que o Papa Francisco dá. Uma cultura de encontro que urge colocar em prática, avançou o presidente da Comissão Episcopal da Cultura e Comunicação Social, D. Pio Alves. "Esta nota que, não só nas palavras mas principalmente nos gestos que o Papa nos transmite, de que o Evangelho é transmitido principalmente pelo testemunho e, se fizer falta, pelas palavras - uma mensagem que é não simplesmente para a hierarquia, mas é para o todo da Igreja". “É essa proximidade que todos temos de cultivar. Sem pôr de lado, como é evidente, a necessidade da Igreja nas suas estruturas, e quando na paróquia as pessoas são recebidas, de que sejam recebidas com qualidade, que sejam tratadas com respeito”, disse. Outro dos desafios que sai destas jornadas é a necessidade de aproveitar melhor os meios existentes a nível local para trabalhar em rede. "Violência contra idosos é desumana". O apelo de Francisco na jornada mundial dos avós O Papa apelou ao encontro entre gerações no combate ao abandono dos mais velhos. "As casas dos idosos deviam ser os pulmões da humanidade", disse. O Papa Francisco está reunido este domingo com mais de 40 mil idosos e avós de 20 países que enchem a praça de São Pedro, no Vaticano, onde está também o Papa emérito Bento XVI. “O encontro entre os jovens e os idosos é um encontro cheio de alegria, cheio de fé e cheio de esperança. Não há futuro para um povo sem este encontro entre as gerações”, disse Francisco na celebração da homilia dominical. Francisco chamou a atenção para a ruptura nas relações entre os jovens e a sua família, cujo “resultado é um grave empobrecimento para o povo”, não tem futuro porque que “cancela as suas raízes”. Francisco sublinhou que a violência muitas vezes exercida sobre os idosos é desumana, assim como o abandono, e lembrou que os “idosos são a memória de um povo”, capazes de, nas provações mais difíceis, agir como árvores que continuam a dar fruto”, porque têm uma maior capacidade para perceber coisas que os mais novos ainda não alcançaram. Não pode haver instituições onde os idosos são esquecidos e abandonados, entregues à solidão, alertou o Papa Francisco. “As casas dos idosos deviam ser como os pulmões da humanidade, dos países e das sociedades”. Esta “jornada mundial” dos avós, promovida pelo Conselho Pontifício para a Família da Santa Sé levou também ao Vaticano um casal iraquiano, refugiado em Erbil por causa da guerra, que partilhou a sua história com o Papa. 13 Segunda-feira, 29-09-2014 FRANCISCO SARSFIELD CABRAL Os alemães e o euro O euro barato estimula a economia e afasta a deflação. A cotação da moeda única fechou na sexta-feira a 1 dólar e 27 cêntimos. Pilotos da Air France anunciam fim da greve O sindicato dos pilotos anunciou o fim da paralisação mais longa da história da empresa sem conseguir satisfazer suas reivindicações. Por Francisco Sarsfield Cabral Enquanto a economia americana acelera a sua recuperação, a zona euro estagna. Uma das poucas boas notícias europeias é a descida na cotação do euro, que fechou na sexta-feira a 1 dólar e 27 cêntimos. Há um mês estava quase em 1.40. O euro barato estimula a economia e afasta a deflação, ao subir o preço das importações. Já as medidas anunciadas pelo BCE em Junho não produziram, até agora, efeitos significativos no aumento de crédito bancário às empresas. Draghi tomará medidas não convencionais na próxima quinta-feira? Diz-se que a Alemanha concordaria com tais medidas se a França e a Itália concretizassem as reformas prometidas. Mas estas tardam e, de qualquer modo, só a médio prazo haverá resultados. Mais grave é a subida da contestação alemã ao BCE. O ministro das Finanças W. Schauble disse não estar feliz com a perspectiva de compra de activos pelo BCE, cuja estratégia de relançamento económico também é criticada pelo governador do Bundesbank. E o partido alemão anti-euro cresce, reflectindo uma opinião pública cada vez menos satisfeita com a moeda única. Foto: DR O sindicato dos pilotos da companhia aérea Air France, em greve há duas semanas, anunciou este domingo à agência de notícias France Press o fim da paralisação, a mais longa da história da empresa, sem conseguir satisfazer suas reivindicações. "As condições para um diálogo não foram reunidas. Decidimos assumir nossas responsabilidades retirando o movimento de greve", declarou à AFP o porta-voz do sindicato, Guillaume Schmid. O líder sindical indicou que "as discussões prosseguirão em um clima mais sereno". A paralisação, motivada pelo desenvolvimento pela Air France de uma filial de baixo custo, a Transavia, fez com que metade dos aviões da companhia permanece em terra desde 15 de Setembro. Com 54% dos pilotos em greve, a companhia garante apenas 45% dos voos este domingo. A normalização dos serviços deverá acontecer nos próximos dois ou três dias. A última ronda de negociações entre a direcção da Air France e os pilotos teve início sábado à noite e terminou neste domingo com um "texto que não convenceu", disse o porta-voz sindical. Pilotos contra a expansão A companhia francesa, a segunda maior empresa de transporte aéreo da Europa, atrás apenas da alemã Lufthansa, estima que a greve tenha causado um prejuízo de entre 15 e 20 milhões de euros por dia. A companhia aérea quer-se expandir no mercado de voos de baixo custo e captar as "oportunidades de crescimento" que esse segmento pode oferecer. Os pilotos da Air France temem que o plano de expansão da filial de baixo custo Transavia na Europa venha acompanhado de demissões, à medida que a empresa aumente suas bases fora da França e contrate pilotos em outros países e com outras condições laborais. Além disso, temem a imposição ode condições de 14 Segunda-feira, 29-09-2014 trabalho menos vantajosas, como mais horas de serviço e salários mais baixos. A direcção do sindicato propôs o abandono do projecto de desenvolvimento da filial e em nenhum momento quis ceder na questão do contrato único. Obama reconhece que EUA subestimaram Estado Islâmico na Síria As forças norte-americanas alargaram a sua ofensiva militar à Síria depois de vários dias só no norte do Iraque. Foto: Valda Kalnina/EPA O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, reconhece que os serviços secretos norte-americanos subestimaram a ameaça dos jihadistas do Estado Islâmico na Síria. Em entrevista ao programa “60 minutos”, da CBS, Barack Obama disse que, ao mesmo tempo, o país confiou em demasia na capacidade do Exército iraquiano de lutar contra os terroristas. Obama diz que, durante a guerra civil na Síria, os radicais puderam reconstituir-se e tirar vantagem do caos. Na última semana, os Estados Unidos alargaram os ataques aéreos à Síria, depois de em Agosto terem dado início aos bombardeamentos no Iraque. ETA tenta referendo no País Basco Catalunha vai avançar para consulta no dia 9 de Novembro. No dia em que a Catalunha marcou o referendo, o grupo separatista basco ETA publicou um comunicado onde avisa que há cada vez mais pessoas que querem decidir o futuro do País Basco. A ETA considera que há uma maioria suficiente para dar passos decisivos. Este sábado, o presidente do governo da Catalunha Artur Mas assinou o decreto que abre caminho à consulta para dia 9 de Novembro. “Este decreto é um desafio que pomos nas vossas mãos para decidirem e construírem o vosso futuro. Decidirão um caminho que representará o antes e o depois da muito longa história da Catalunha”, disse Mas. Convocado referendo à independência da Catalunha O presidente do governo regional assinou este sábado o decreto que convoca oficialmente o referendo popular. Conselho de Ministros reúne na segunda-feira. A Catalunha vai mesmo decidir, a 9 de Novembro, se quer ou não a independência. O decreto que convoca o referendo popular foi assinado este sábado, pelo presidente do governo regional. Artur Mas assinou o documento esta manhã, numa cerimónia oficial no Palau de la Generalitat, sede do governo regional. No seu discurso, o presidente do governo regional afirmou que a Catalunha “quer falar, quer ser ouvida, quer votar e este é o tempo certo para o fazer”. Durante a assinatura do decreto, centenas de pessoas concentraram-se à porta do palácio, com bandeiras e gritos a favor da independência. O presidente do Governo espanhol vai convocar o Conselho de Ministros para uma reunião extraordinária na segunda-feira, cabendo depois ao ministro da Fazenda e da Administração Pública, Cristóbal Montoro, solicitar um parecer ao Conselho de Estado. Para o governo de Madrid esta consulta popular é ilegal. Mariano Rajoy tenciona analisar recursos que permitam travar o pedido dos independentistas, que vai ser entregue à Advocacia do Estado para que o apresente no Tribunal Constitucional. A consulta de 9 de Novembro terá duas perguntas: "quer que a Catalunha se converta num Estado?" e, em caso afirmativo, "quer que este Estado seja independente?". Vão poder votar os eleitores maiores de 16 anos que tenham condição política catalã, incluindo os que vivem no estrangeiro, mas neste caso devem pedir previamente a inscrição. Também os cidadãos de outros países membros da União Europeia que vivem na Catalunha há pelo menos um ano, ou de outros países mas a viver na região espanhola há pelo menos três anos estão aptos para votar. [Notícia actualizada às 12h40] 15 Segunda-feira, 29-09-2014 Portugal confiante na eleição para o Conselho de Direitos Humanos da ONU Votação está marcada para 21 de Outubro. cumprimento das suas obrigações em matéria de direitos humanos", mencionou Rui Machete. Na sua intervenção, o chefe da diplomacia portuguesa aproveitou para expressar reconhecimento à anterior alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, "pelo extraordinário trabalho desenvolvido, tantas vezes em circunstâncias especialmente difíceis" e referiu, por outro lado, que será "um privilégio" trabalhar com o novo responsável, Zeid Al-Hussein. Moedas puxa galões da resposta à crise para "conquistar" eurodeputados arquivo Lusa O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros português mostrou-se confiante na eleição de Portugal para o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, comprometendo-se, perante a Assembleiageral da ONU, a defender a universalidade destes direitos. No seu discurso durante a 69ª Assembleia-Geral das Nações Unidas, que decorre em Nova Iorque, Rui Machete recordou as "propostas e compromissos" que Portugal apresentou no âmbito da sua candidatura, "com o objectivo de promover e proteger a universalidade, indivisibilidade, inalienabilidade e interdependência de todos os direitos humanos - civis, culturais, políticos e sociais". "Se eleito, Portugal exercerá o seu mandato convicto de que o sistema das Nações Unidas de protecção dos direitos humanos deve permanecer forte, independente e exigente. Portugal é, aliás, parte, sem reservas, de oito dos tratados fundamentais de direitos humanos das Nações Unidas e de todos os respectivos protocolos adicionais", acrescentou o ministro. A votação, que está marcada para 21 de Outubro, é encarada por Portugal "com expectativa mas também com esperança" porque, "se for eleito, Portugal será, pela primeira vez, membro de tão importante órgão", disse, recordando que, no âmbito do segundo exame periódico universal do Conselho de Direitos Humanos, realizado em Abril passado, o país "mereceu amplo reconhecimento". Portugal, acrescentou, "tem participado activamente nos 'fórum' multilaterais de direitos humanos, em particular no Conselho de Direitos Humanos, onde apresenta anualmente resoluções sobre o direito à educação e sobre os direitos económicos, sociais e culturais". "Esperamos, no decurso dos próximos três anos, ter a oportunidade de contribuir ainda mais significativamente, pois acreditamos na capacidade do Conselho para apoiar os Estados-membros no No questionário escrito enviado ao Parlamento Europeu, o futuro comissário português diz que governar Portugal em crise deu-lhe "uma verdadeira percepção dos desafios enfrentados pela Europa hoje". Por Daniel Rosário, em Bruxelas Carlos Moedas já fez chegar ao Parlamento Europeu as respostas a um questionário escrito que antecipa a decisiva audição a que será submetido na próxima terça-feira. São duas perguntas comuns a todos os candidatos a comissários e três específicas à pasta da Investigação, Ciência e Inovação, cuja resposta o ainda governante português fez chegar aos eurodeputados na última sexta-feira, mesmo em cima do prazo limite. Ao longo de cinco páginas, Moedas promete colaborar de perto com os eurodeputados ao longo dos próximos cinco anos, assume alguns compromissos e invoca o seu percurso pessoal e a crise em Portugal para explicar porque se considera a pessoa adequada para desempenhar este cargo. Logo de início, Moedas explica que serviu o Governo do seu país durante o que classifica como "uma das piores crises económicas das últimas décadas", para concluir que a complexidade dos problemas nacionais e as suas ramificações internacionais deram-lhe "uma verdadeira percepção dos desafios enfrentados pela Europa hoje". Especificamente em relação ao pelouro que irá ocupar, define que o seu principal objectivo será colocar o mesmo em sintonia com as prioridades estabelecidas pelo presidente eleito Jean-Claude Juncker para criar um "novo impulso para o emprego, crescimento e investimento". O secretário de Estado invoca ainda a sua experiência profissional de 18 anos no sector privado, em sectores como o ambiente, a indústria financeira e imobiliário. No campo das suas futuras responsabilidades, enquanto comissário da Investigação, Ciência e Inovação, Carlos Moedas compromete-se a "completar a Área Europeia de Investigação" e a facilitar o investimento em "estruturas de educação, investigação 16 Segunda-feira, 29-09-2014 e inovação", além de "maximizar sinergias com a implementação dos fundos europeus ao nível nacional e regional". Esta é a prova escrita. A oral está marcada para terçafeira de manhã. Leia o que respondeu Carlos Moedas ao "teste" do Parlamento Europeu Rock in Rio já tem nomes para os Estados Unidos Festival também vai ter edição no Brasil em 2015. O festival Rock in Rio revelou esta sexta-feira os primeiros nomes da primeira edição nos Estados Unidos. Metallica, Linkin Park, No Dout e John Legend são alguns músicos que irão fazer o cartaz do Rock in Rio Las Vegas, festival agendado para os dias 8, 9, 15 e 16 de Maio. A assinalar 30 anos de história, o festival, que regressa em 2016 a Lisboa, conta também com a presença de Taylor Swift no palco principal e dos Deftones no palco sunset. Em Nova Iorque, a organização do Rock in Rio confirmou também a presença de Katy Perry e John Legend na edição do Rock in Rio Brasil em 2015. memória daquela sala de espectáculos. Está mais habituado a intervir em paredes exteriores ou em espaços abandonados, mas, desta vez, Vhils aceitou o desafio de entrar pela porta principal do D. Maria II e procurar a memória do edifício que ardeu há 50 anos. O artista explica as caras que esculpiu nas paredes do Salão Nobre do Nacional. “Foi uma série de retratos de pessoas que se foram relevantes para a história do espaço que sofreu um grande incêndio que destruiu parte dele. O que tentei fazer foi libertar a história que estava dentro daquele espaço e torna-la visível", diz. Vhils defende que todas as paredes e muros têm história. Por isso, aceitou o desafio de levar o seu trabalho, normalmente exterior, para dentro do teatro. A exposição, que abriu portas este sábado e estará patente até 31 de Julho de 2015, pode ser visitada às sextas-feiras e sábados entre as 15h00 e as 18h00, e de quarta-feira a domingo 30 minutos antes do início dos espectáculos da Sala Garrett. RIBEIRO CRISTOVÃO Viva o ténis de mesa! Está de parabéns o desporto português por este sucesso, que oxalá seja aproveitado para dar à modalidade o incremento que passa agora justificar mais do que nunca. Vhils esburacou o Teatro Nacional D. Maria II. E isso é arte Exposição vai estar patente até 31 de Julho de 2015. Por Ribeiro Cristovão Foto Filipe Imagens Por Maria João Costa O artista urbano Vhils andou a "esburacar" as paredes do Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa. A exposição abriu este sábado. Vhils, nome artístico de Alexandre Farto, esculpiu nas paredes do teatro várias imagens que marcam a A "vingança" portuguesa sobre a Alemanha depois da humilhação que nos foi infligida no último Campeonato do Mundo de Futebol, surgiu ontem através de uma modalidade da qual entre nós raramente se fala, a não ser em momentos como este, o ténis de mesa. Após uma jornada heroica que fica para a história, a seleccção nacional conquistou pela primeira vez o título de campeã da Europa, batendo na final a Alemanha, que já havia ganho seis edições desta competição. Tendo eliminado nas meias-finais a Suécia e a Croácia, portugueses e alemães disputaram uma final emotiva em que a nossa representação foi mais forte e digna de ostentar o título. Está de parabéns o desporto português por este sucesso do ténis de mesa, que oxalá seja aproveitado para dar à modalidade o incremento que passa agora justificar mais do que nunca. 17 Segunda-feira, 29-09-2014 No plano futebolístico, o clássico de Alvalade ocupa o grande espaço. Um jogo de grande qualidade, emotivo, e de resultado incerto até ao derradeiro apito. Dividido o domínio por leões e dragões, nas primeira e segunda partes, respectivamente, o resultado final acabou por beneficiar sobretudo o Benfica, vencedor na Amoreira de um Estoril que só soçobrou após ter ficado reduzido a dez unidades. As diferenças pontuais após a sexta jornada, pese embora sua importância, não são determinantes. Ficam 28 jornadas por disputar e, até ao fim, à história deste campeonato não faltarão certamente muitos e curiosos capítulos. Para já, mais importante, é a ronda europeia que se segue. Veremos então se os desafios de âmbito nacional recentes deixaram ou não marcas nos compromissos difíceis que todos têm à porta. FC PORTO Quaresma “fora de jogo” Jogador ficou fora dos convocados para a partida da Champions na Ucrânia. REVISTA DA IMPRENSA DESPORTIVA Aumento salarial em tempo de crise "William passa a ganhar dez vezes mais" é o título maior do diário A Bola. O jornal sublinha: "Sporting valoriza a sua pérola". O Record destaca o Sporting-Chelsea, através de declarações de José Mourinho. "Vi um bom Sporting", afirma o treinador do Chelsea. No jornal O Jogo, destaque para o FC Porto com o título "Óliver e Tello a abrir". O diário da Controlinvetse antecipa que os dois espanhóis que entraram em Alvalade serão titulares frente ao Shaktar. Em todos os jornais, destaque para o título europeu de Portugal em ténis de mesa. O extremo Ricardo Quaresma não integra a lista de convocados do FC Porto para o jogo com o Shakhtar Donetsk. Depois de ter sido substituído ao intervalo no jogo contra o Sporting, o “7” ficou agora de fora das escolhas de Julen Lopetegui para a deslocação à Ucrânia. Além de Quaresma, também ficaram “fora de jogo” o médio Casemiro, lesionado, e o defesa Diego Reyes, por não estar inscrito na Champions. O técnico espanhol chamou Ricardo, Maicon, Quintero e Ricardo Pereira para esta partida da segunda jornada da fase de grupos da Liga dos Campeões. Convocados: Guarda-redes: Fabiano, Andrés Fernandez e Ricardo; Defesas: Danilo, Martins Indi, Marcano, Maicon e Alex Sandro; Médios: Rúben Neves, Evandro, Herrera, Óliver e Quintero; Avançados: Brahimi, Tello, Adrien, Jackson Martínez, Aboubakar e Ricardo Pereira. 18 Segunda-feira, 29-09-2014 I LIGA/FUTEBOL Guimarães goleado na Madeira Resultados da 6ª jornada. I Liga, Jornada 6 Vitória Setúbal - Nacional (18h00) BOAVISTA 3-2 GIL VICENTE AROUCA 0-1 ACADÉMICA MARÍTIMO 4-0 V. GUIMARÃES MOREIRENSE 0-0 PENAFIEL SPORTING 1-1 FC PORTO ESTORIL 2-3 BENFICA Sp BRAGA 3-0 RIO AVE PINTO DA COSTA “Foram-me ao bolso” e a culpa foi de Passos e Cavaco Líder dos dragões fala do “caso BES”, mas também do jogo com o Sporting e do novo e antigo seleccionadores. O presidente do FC Porto, Pinto da Costa, disse que o clube, enquanto instituição, não sentiu muito a falência do BES mas reconhece que, pessoalmente, acabou por se sentir lesado. Em entrevista ao Porto Canal, Jorge Nuno Pinto da Costa culpou o primeiro-ministro e o Presidente da República. "Fui prejudicado com a falência do BES em números significativos. Nunca tive acções do BES em 50 anos que joguei na bolsa. Mas quando vi as acções a descer e ouvi Passos Coelho a dizer que o banco era seguro e tinha almofada para pagar o dobro das dívidas, quando ouvi Cavaco Silva a dizer o mesmo, eu, que confiava nas suas palavras, fui comprar acções do BES. Senti-me vigarizado, foram-me ao bolso. Agora, não faço ideia se ambos vão indemnizar os que enganaram. Mas pelo BES não fui enganado", disse. Noutro âmbito, o presidente do FC Porto considerou “justíssimo” o empate (1-1) em Alvalade, jogo da jornada seis da I Liga. “Tenho de aceitar. Foi o que foi. Cada um marcou um golo, ambos resultantes de erros. Até nisso ficaram as duas equipas ficaram empatadas. O Sporting teve uma bola na barra, o FC Porto teve duas jogadas, do Herrera e do Jackson, e uma grande penalidade não assinalada. Mas isso fica para a história”. Nesta entrevista, Pinto da Costa aproveitou para elogiar a escolha de Fernando Santos para seleccionador nacional. “Fiquei muito contente com a escolha de Fernando Santos. Somos grandes amigos e tenho uma grande admiração pessoal por ele. Ser seleccionador era um sonho que ele tinha e que consegue alcançar. Neste momento, é a solução certa. É um homem sério, com princípios de vida, integro, conhecedor do futebol e inteligente”. O antigo técnico nacional não foi esquecido. O líder dos dragões diz que ficou surpreendido com “a renovação de Paulo Bento antes do Mundial”. “E surpreendeu-me a presença dele no banco no jogo com a Albânia. A era Paulo Bento devia ter terminado após o Mundial”. Kwiatkowski sucede a Rui Costa. Polaco é o novo campeão do mundo de ciclismo Nos outros lugares do pódio chegaram o australiano Simon Gerrans e o espanhol Alejandro Valverde. O polaco Michal Kwiatkowski, da Omega PharmaQuick Step, sagrou-se campeão do mundo de ciclismo de estrada, sucedendo ao português Rui Costa. Na prova em linha de Elites nos Mundiais de Ponferrada, Espanha, Kwiatkowski, de 24 anos, fez os 254 quilómetros em 6:29.07 horas chegando um segundo à frente de um pequeno grupo que tinha fugido ao pelotão. Rui Costa, que tinha a camisola arco iris conquistada na época passada, chegou em 23º lugar, a sete segundos do vencedor. Nos outros lugares do pódio chegaram o australiano Simon Gerrans e o espanhol Alejandro Valverde. 19 Segunda-feira, 29-09-2014 Dennis Kimetto estabelece novo recorde mundial da maratona O atleta queniano, de 30 anos, completou a maratona, em Berlim, em menos de duas horas e três minutos. Dennis Kimetto. Foto: Rainer Jensen/EPA O queniano Dennis Kimetto estabeleceu este domingo um novo recorde do mundo da maratona, ao completar a prova de Berlim em 2:02.57 horas, registo que supera a antiga marca (2:03.23 horas) do compatriota Wilson Kipsang, há um ano, também na capital alemã. O atleta de 30 anos tornou-se no primeiro homem a completar uma maratona em menos de duas horas e três minutos, depois de no último quilómetro e meio do percurso ter ultrapassado os quenianos Emmanuel Mutai e Geoffrey Kamworor. Matemática? Portugueses sabem e vencem Olimpíadas Pelo segundo ano consecutivo, alunos portugueses conquistam medalhas. Três alunos portugueses ganharam duas medalhas de ouro e uma de bronze nas Olimpíadas Ibero- Americanas de Matemática. David Martins, da escola secundária de Mirandela, que conquistou uma medalha de ouro, repetiu o resultado de 2012 na Bolívia. Francisco Andrade, da escola secundária do Padrão da Légua, Matosinhos, conseguiu a segunda medalha de ouro para Portugal. Henrique Aguiar, da escola secundária José Estevão, Aveiro, conquistou uma medalha de bronze. A equipa portuguesa era ainda constituída por David Andrade, da Escola Secundária de Albufeira, o mais novo e estreante nas Olimpíadas. Em dois anos consecutivos, Portugal obteve três medalhas de ouro, duas de prata e duas de bronze. O ministro da Educação, Nuno Crato, felicitou a equipa. A competição decorreu em San Pedro Sula, nas Honduras, e contou com 82 alunos de 22 países. Página1 é um jornal registado na ERC, sob o nº 125177. É propriedade/editor Rádio Renascença Lda, com o nº de pessoa colectiva nº 500725373. 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