11o Encontro Espírita sobre O Céu e o Inferno
Tema: “Medo da Morte”
Centro Espírita Léon Denis
Tema: “Medo da Morte”
22 de novembro de 2015
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11o Encontro Espírita sobre O Céu e o Inferno
Tema: “Medo da Morte”
Coordenação Geral: Homero Dias de Carvalho
Coordenação Imediata: Maria Lucia Alcantara de Carvalho
Organização do Conteúdo: Grupo de Estudos Espíritas Lúcia Moreira
Finalização: Setor Editorial do CELD
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11o Encontro Espírita sobre O Céu e o Inferno
Tema: “Medo da Morte”
INFORMAÇÕES GERAIS
8h às 8h30min
Chegada / Recepção
8h30min às 9h
Abertura/Deslocamento
9h às 10h45min
Estudo
10h45min às 11h
Intervalo
11h às 12h45min
Estudo
12h50min às 13h
Encerramento
Ano
Tema
2014
O Futuro e o Nada
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11o Encontro Espírita sobre O Céu e o Inferno
Tema: “Medo da Morte”
Sumário
INTRODUÇÃO
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1 - Causas que originam o medo da morte
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2 - O fenômeno da morte à luz da Doutrina Espírita
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3 - Os mortos nunca voltaram para contar?
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Estudo de Casos
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1º Caso: Senhor Cardon, Médico
14
2º Caso: Um Médico Russo
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4 - Conclusão
21
Aprender a viver bem para morrer bem
21
Por que os espíritas não temem a morte
21
O papel esclarecedor e consolador da Doutrina Espírita
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Textos complementares
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11o Encontro Espírita sobre O Céu e o Inferno
Tema: “Medo da Morte”
Objetivo Geral
Estudar as ideias contidas no cap. II do livro O Céu e o Inferno,
“Receio da Morte”.
Objetivos Específicos
Identificar as causas que originam o receio da morte;
analisar, à luz da Doutrina Espírita, o fenômeno da morte;
reconhecer a morte do corpo físico como transformação, do ponto
de vista material e, do ponto de vista espiritual, sua condição de espírito
imortal;
reconhecer a função esclarecedora e consoladora da Doutrina Espírita;
identificar os conceitos da Doutrina Espírita como instrumento de
transformação moral;
reconhecer a necessidade de viver bem para morrer bem.
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11o Encontro Espírita sobre O Céu e o Inferno
Tema: “Medo da Morte”
INTRODUÇÃO
No livro O Céu e o Inferno, Allan Kardec nos convida a meditar sobre um
tema do qual muitas pessoas não gostam sequer de falar, quanto mais analisar,
procurar saber mais e se preparar para quando ocorrer: A MORTE.
Todavia, não pensar na morte não impede que ela venha! Pois a morte é
um fenômeno natural, inerente ao processo da vida material dos seres vivos,
independente do Reino ao qual pertençam. Querendo ou não, pensando nela ou
não, todos nós passaremos pela experiência da morte, pois, como diz o dito
popular, “para morrer basta estar vivo”.
Por isso, neste 11o Encontro Espírita sobre O Céu e o Inferno, alicerçados no pensamento do mestre de Lyon, convidamos todos os companheiros a
refletir sobre a morte, como também, a procurar entender o porquê dos medos, a
visualizar, através do raciocínio e de depoimentos dos próprios espíritos, o que
ocorre com a alma e nos prepararmos para este dia, que, com certeza, chegará.
1 - Causas que originam o medo da morte
a) Instinto de Conservação:
É uma lei natural, Lei Divina, portanto, o empenho em conservar a vida
física. É a lei de conservação. Graças a ela, esforçamo-nos por evitar situações
de risco e pôr-nos a salvo, resguardando a vida material.
Em O Livro dos Espíritos, na pergunta 702, indaga o Sr. Allan Kardec:
“O Instinto de Conservação é uma lei da Natureza?”
E obtém a resposta:
“Sem dúvida; é dado a todos os seres vivos, qualquer que seja o
grau de sua inteligência; em uns ele é puramente maquinal, em outros,
ele é raciocinado.”
Em O Céu e o Inferno, capítulo II, item 2:
“O receio da morte é um efeito da sabedoria da Providência e uma
consequência do instinto de conservação comum a todos os seres vivos.
Ele é necessário, enquanto o homem não está bastante esclarecido
sobre as condições da vida futura, como contrapeso à tendência que,
sem esse freio, o levaria a deixar prematuramente a vida terrestre, e a
negligenciar o trabalho na Terra que deve servir para o seu próprio adiantamento.”
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11o Encontro Espírita sobre O Céu e o Inferno
Tema: “Medo da Morte”
E o que é o Instinto de Conservação?
“O Instinto é a força oculta que incita os seres orgânicos a
atos espontâneos e involuntários, tendo em vista a sua conservação.”
A Gênese, cap. III – “O Bem e o Mal”, item 11.
“Com que objetivo Deus deu a todos os seres vivos o instinto de sua conservação?
“Todos devem concorrer para os desígnios da Providência;
foi por isso que Deus lhes deu a necessidade de viver. E, ademais,
a vida é necessária ao aperfeiçoamento dos seres; eles o sentem,
instintivamente, sem disso se aperceberem.”
O Livro dos Espíritos, questão 703.
O Instinto de Conservação permite a continuidade da vida, inclusive a humana, no nosso planeta, pois é através dele que buscamos nos proteger e desenvolver mecanismos e tecnologias que prolonguem a vida corporal. Sem este
instinto, a vida pereceria com uma rapidez estrondosa. Por exemplo, um bebê
não choraria quando estivesse com fome ou algum desconforto, impedindo a
utilização da reencarnação como meio de evolução para os espíritos.
Sem ele não procuraríamos a cura para os males do corpo nem o
alimento que o mantém. Diante de qualquer dificuldade, sucumbiríamos pela
inércia ou pela falta de cuidado.
Portanto, como explica Kardec, o instinto de conservação é indispensável
para a manutenção da vida corporal.
b) Apego à vida material:
Buscamos suprir as necessidades inerentes à vida material e, em muitas
ocasiões, extrapolamos. Queremos mais e mais e mais... Exercitamos o egoísmo, a ambição, o orgulho, a indiferença e, apegando-nos aos prazeres físicos e
às posses materiais, fazemos predominar em nós, espíritos, a nossa natureza
material, em prejuízo da nossa verdadeira essência, a natureza espiritual.
De O Livro dos Espíritos, na nota de Kardec, à questão 941, selecionamos o trecho seguinte:
“O homem carnal, mais preso à vida corporal do que à vida
espiritual, tem, na Terra, penas e gozos materiais; sua felicidade está na
satisfação fugidia de todos os seus desejos. Sua alma, constantemente
preocupada e angustiada pelas vicissitudes da vida, conserva-se numa
ansiedade e numa tortura perpétuas. A morte o assusta, porque duvida
do seu futuro e porque deixa na Terra todas as suas afeições e todas as
suas esperanças...”
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11o Encontro Espírita sobre O Céu e o Inferno
Tema: “Medo da Morte”
Neste caso, a morte representa a perda de tudo o que importava para ele:
corpo, bens, prazeres, títulos, posição social, família, amigos...
c) Conceitos religiosos ortodoxos:
Temos aprendido, ao longo dos tempos, que só há uma vida; a ideia da
unicidade da existência tem exacerbado em nós o anseio de gozar esta vida ao
máximo, sem nos preocupar em nos aprofundar em questões transcendentais.
Além disso, a noção de continuidade da existência, após a morte do
corpo, indicava-nos lugares circunscritos, onde haveria gozos ou penas com características materiais: o Céu ou o Inferno. De um lado, a beatitude contemplativa perpétua e a indiferença pelo sofrimento alheio; de outro lado, as horríveis e eternas torturas de condenados ardendo no fogo infernal sem ser consumidos. E tudo isso, com a aquiescência de Deus, que, portanto, não admitia a
possibilidade da transformação de seus filhos “pecadores”...
A partir do ano de 593, aprendemos que existia um outro lugar para onde
poderíamos ir, após a morte do corpo: o Purgatório. Local de sofrimentos mais
moderados – o fogo não era tão intenso – do qual os pecadores poderiam sair,
não por seus esforços próprios, mas pelas preces pagas, as indulgências, de
outros, ou dos próprios ainda em vida, em sua intenção.
“Uns, condenados sem remissão; outros, esperando a boa vontade dos vivos; outros, ainda, vivendo as delícias paradisíacas ad eterno... O quadro que a religião traça sobre o assunto, é preciso admitir, não
é muito sedutor nem muito consolador. Nele se veem, de um lado, as
contorções dos condenados que pagam em torturas e chamas sem fim os
erros de um momento, e para quem os séculos sucedem aos séculos
sem esperança de alívio nem de piedade, e o que é ainda mais implacável, para quem o arrependimento não produz o efeito desejado. De outro
lado, as almas abatidas e sofredoras do purgatório, que esperam sua
liberdade da boa vontade dos vivos que rezarão ou farão rezar por elas, e
não por seus esforços para progredir. Essas duas categorias compõem a
imensa maioria da população do outro mundo. Acima dessas almas está
o muito restrito plano dos eleitos, desfrutando, durante a eternidade, de
uma beatitude contemplativa. Essa eterna inutilidade, preferível, sem
dúvida, ao nada, não deixa de ser uma fastidiosa monotonia.”
O Céu e o Inferno, 1a Parte, cap. II, item 6.
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11o Encontro Espírita sobre O Céu e o Inferno
Tema: “Medo da Morte”
d) Receio do aniquilamento:
Acabar. Desaparecer.
É este o grande temor daqueles extremamente apegados à vida e aos
prazeres materiais, que sequer cogitam das questões espirituais; é o grande temor daqueles outros que, desiludidos, inseguros, incertos de que realmente
existe algo para além da morte do corpo.
Citamos, sobre isto, do capítulo II, item 4, de O Céu e o Inferno, o seguinte trecho:
“(...) O receio da morte resulta, portanto, da insuficiência de conhecimentos sobre a vida futura; mas ele indica a necessidade de viver e o medo de que
a destruição do corpo seja o fim de tudo; ele é assim provocado pelo desejo
secreto da sobrevivência da alma, ainda encoberta pela dúvida (...)” (Grifo
nosso.)
Mas o que causa este receio excessivo e muitas vezes doentio?
A vaga noção da Vida Futura.
Allan Kardec fez este questionamento aos espíritos, na questão 941 de O
Livro dos Espíritos:
“O temor da morte é, para muitas pessoas, uma causa de perplexidade; de onde se origina esse temor, visto que elas têm diante de si o
futuro?”
“É sem motivo que têm esse temor; mas, que queres? Se procuram persuadi-las, quando jovens, de que há um inferno e um paraíso,
mas que é mais certo irem para o inferno, porque lhes dizem que o que
está na Natureza constitui um pecado mortal para a alma. Então, quando
se tornam adultas, se têm um pouco de juízo, não podem admitir isso e
se tornam ateias ou materialistas; é assim que são levadas a acreditar
que, além da vida presente, nada mais há. Quanto às que persistiram nas
suas crenças de infância, elas temem aquele fogo eterno que deve
queimá-las sem as consumir.”
O Livro dos Espíritos, questão 941.
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11o Encontro Espírita sobre O Céu e o Inferno
Tema: “Medo da Morte”
2 - O fenômeno da morte à luz da Doutrina Espírita
Já buscando a informação doutrinária, citamos, neste tópico, trechos do
livro Temas da Vida e da Morte, de autoria de Manoel Philomeno de Miranda,
em psicografia de Divaldo Pereira Franco, que, com muita clareza, nos elucidam
as dúvidas que possamos ter a respeito.
Além destes, citamos, também, questões de O Livro dos Espíritos.
a) O que acontece com o corpo?
O envoltório material que serve de instrumento de expressão do espírito,
durante sua encarnação, é reprocessado pela Natureza: “o pó retorna ao pó”.
• A transformação do ponto de vista material.
Em O Livro dos Espíritos, na pergunta 155, temos:
“Como se opera a separação da alma e do corpo?”
“Sendo rompidos os elos que a retinham, ela se desprende.”
E, em Manoel Philomeno de Miranda:
“Etimologicamente, morte significa ‘cessação completa da vida do homem, do animal, do vegetal’”.
“Genericamente, porém, morte é transformação”(...)
“A morte é o fenômeno biológico, término natural da etapa física, que dá
início a novo estado de transformação molecular.”
“A morte é ocorrência inevitável, em relação ao corpo, que, em face dos
acontecimentos de vária ordem, tem interrompidos os veículos de preservação e
de sustentação do equilíbrio celular, normalmente em consequência da ruptura
do fluxo vital que se origina no ser espiritual, anterior, portanto, à forma física.”
“Biologicamente, começa-se a morrer desde quando se começa a viver,
pois que as transformações celulares se dão incessantemente.”
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11o Encontro Espírita sobre O Céu e o Inferno
Tema: “Medo da Morte”
b) O processo de desligamento do corpo do espírito; a imantação do espírito ao corpo.
“A desencarnação é o fenômeno de libertação do corpo somático
por parte do Espírito, que, por sua vez, se desimanta dos condicionamentos e atavismos materiais, facultando a si mesmo liberdade de
ação e de consciência(...)”
“A desencarnação real ocorre depois do processo da morte orgânica, diferindo em tempo e circunstância, de indivíduo para indivíduo(...)”
“A desencarnação pode ser rápida, logo após a morte, ou se
alonga em estado de perturbação, conforme as disposições psíquicas
e emocionais do ser espiritual(...)”
“(...) Tendo-se em vista que o homem procede do mundo espiritual. A morte é o veículo que o reconduz à origem, onde cada qual
ressurge com as características definidoras das suas conquistas.”
“Morrer é, portanto, muito fácil, isto é, interromper o ciclo orgânico, o que, entretanto, não significa deixar de viver, desde que, indestrutível, a vida ressurge sob outro aspecto, sem que haja
cessação do seu curso, ou outra qualquer forma de aniquilamento...” (Grifo nosso.)
“(...) Encerrando a vida biológica apenas, a morte, na condição de
hábil cirurgiã, interrompe somente os laços que prendem o Espírito ao
corpo físico, dependendo daquele a liberação emocional deste último.”
c) A transformação do ponto de vista espiritual.
• O estado de perturbação.
Em O Livro dos Espíritos, na questão 163, temos:
“A alma, ao deixar o corpo, tem imediatamente consciência de si
mesma?”
“Consciência imediata não é bem o termo; ela fica durante algum
tempo em perturbação.”
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11o Encontro Espírita sobre O Céu e o Inferno
Tema: “Medo da Morte”
E ainda, na questão 159:
“Que sensação experimenta a alma, no momento em que se reconhece no mundo dos espíritos?”
“Isso depende; se fizeste o mal com o desejo de praticá-lo, no primeiro momento, tu te sentirás envergonhado de tê-lo feito. Para o justo, é
bem diferente: ela fica como que aliviada de um grande peso, pois não
teme nenhum olhar perscrutador.”
Complementando com a questão 165:
“O conhecimento do Espiritismo exerce uma influência sobre a duração, mais ou menos longa, da perturbação?”
“Uma influência muito grande, visto que o Espírito compreendia,
antecipadamente, a sua situação; porém, a prática do bem e a consciência pura são o que tem maior influência.”
E em Manoel Philomeno de Miranda:
“Como efeito da conduta moral e das aspirações a que se vincula
o Espírito, o seu estado de perturbação após a morte do corpo perdura
por breve ou largo tempo, fenômeno natural quanto lógico.”
“Quase todos os desencarnados experimentam a turbação que sucede ao desprendimento da matéria. A intensidade e o prazo variam conforme as condições de cada um.”
“As pessoas que viveram para o prazer, usufruindo sensações e
gozos desenfreados, recusam-se a compreender a ocorrência libertadora,
já que prosseguem fixados aos sentidos e apetites a que se vincularam,
sofrendo inenarráveis angústias por não serem atendidos nos hábitos
antigos, mesmo que se esforcem até quase à exaustão.”
“Outros indivíduos, que eliminaram da mente qualquer possibilidade de sobrevivência ao cadáver, hibernam-se experimentando inconcebíveis pesadelos que decorrem dos fenômenos biológicos em contínua
transformação e que neles se impõem por tempo indeterminado.”
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11o Encontro Espírita sobre O Céu e o Inferno
Tema: “Medo da Morte”
“Os que foram arrebatados por morte violenta, por imprevidência,
precipitação ou desleixo, em atos suicidas, continuam imantados aos despojos putrescíveis por muito tempo.”
“Todo e qualquer hábito longamente cultivado impregna o indivíduo, que se lhe submete, mesmo quando dele deseja libertar-se.”
d) O estado de lucidez – reconhecimento da condição de espírito imortal.
“O conhecimento da vida espiritual e as ações edificantes, trabalhando o metal do caráter humano, são o passaporte e a passagem que
facultam a viagem feliz, com uma chegada ditosa, sem embaraço ou impedimento na travessia da aduana da morte.”
“Morrer é desnudar-se diante da vida, é verdadeira bênção que
traz o Espírito de volta ao convívio da família de onde partiu...” (Grifo
nosso.)
“O homem deve sempre reservar alguns momentos diários para
meditar a respeito da viagem de volta e, conscientemente, reunir a valiosa bagagem que irá conduzir, única de que se poderá utilizar ao transpor
a fronteira do mundo físico.”
Temas da Vida e da Morte, Manoel P. de Miranda
Capítulos:
“Temor da Morte”; “Morte e Desencarnação”;
“Processo Desencarnatório”; “Perturbação no Além-Túmulo”.
3 - Os mortos nunca voltaram para contar?
É muito comum ouvir-se de pessoas descrentes na continuidade da vida,
que se rotulam como materialistas, ateias, ou que simplesmente não querem
“esquentar a cabeça”, a afirmativa de que os mortos nunca voltaram para
contar. O livro O Céu e o Inferno põe-na por terra. Pleno de depoimentos de
espíritos desencarnados, nas mais diversas condições evolutivas, registros de
grande valia para nosso esclarecimento, lições de vida, solidificando em nós a
certeza de que somos espíritos imortais, filhos queridos de Deus, em caminhada evolutiva; ora num corpo material, ora fora dele. E quantos mortos
continuam vindo nos contar, nos falar de sua situação boa ou má, exortando-nos
a fazer o melhor de nós, buscando agir de conformidade com a Lei de Deus?
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11o Encontro Espírita sobre O Céu e o Inferno
Tema: “Medo da Morte”
ESTUDO DE CASOS
Estudaremos, agora, dois depoimentos contidos na obra. Um, de um espírito feliz: Um médico russo; outro, de um espírito em condição mediana: o Sr.
Cardon.
1o Caso: Senhor Cardon, Médico
“O Senhor Cardon passara uma parte de sua vida na marinha mercante,
como médico de um baleeiro, e ali havia adquirido hábitos e ideias um pouco
materialistas; indo viver na aldeia de J..., exercia a modesta profissão de médico
do campo. Há algum tempo ele obtivera a certeza de que era portador de uma
hipertrofia do coração, e, sabendo que essa doença é incurável, a ideia da morte
o lançava em uma inquietante melancolia da qual nada podia afastá-lo. Dois
meses antes, aproximadamente, ele predisse o dia certo da sua morte; quando
se viu perto de morrer, reuniu a família em torno dele, para lhe dizer o último
adeus. Sua mulher, sua mãe, seus três filhos e outros parentes estavam juntos à
volta do seu leito; no momento em que sua mulher tentou levantá-lo, ele se
vergou, tornando-se de uma lividez cadavérica, seus olhos se fecharam, e pensaram que estava morto. Sua mulher, para esconder esse espetáculo aos filhos,
colocou-se diante dele. Após alguns minutos, ele reabriu os olhos; sua fisionomia, por assim dizer, iluminada, tomou uma expressão de radiosa beatitude, e
ele exclamou:
‘Oh! Meus filhos, procedei sempre de maneira a merecer esta inefável
felicidade reservada aos homens de bem; vivei segundo a caridade, se tiverdes
alguma coisa, dai uma parte àqueles que têm falta do necessário.
Minha querida mulher, eu te deixo numa situação que não é favorável;
temos dinheiro para receber, mas, eu te suplico, não atormentes aqueles que
nos devem; se estão em dificuldades, espera que possam pagar, e àqueles que
não puderem fazê-lo, perdoa; Deus te recompensará por isso.
Tu, meu filho, trabalha para sustentar tua mãe; sê sempre um homem
honesto e não faças nada que possa desonrar a nossa família. Toma esta cruz
que era de minha mãe, não a deixes nunca, e que ela te lembre sempre meus
últimos conselhos...
Meus filhos, ajudai-vos e sustentai-vos mutuamente; que a boa harmonia
reine entre vós; não sejais vaidosos nem orgulhosos, perdoai aos vossos inimigos, se quereis que Deus vos perdoe...’
Depois, fazendo seus filhos se aproximarem, estendeu suas mãos sobre
eles e acrescentou: ‘Meus filhos, eu vos abençoo’. E seus olhos se fecharam,
desta vez para sempre, mas sua fisionomia conservou uma expressão tão
imponente que, até o momento em que foi enterrado, uma grande quantidade de
pessoas veio contemplá-lo com admiração.
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11o Encontro Espírita sobre O Céu e o Inferno
Tema: “Medo da Morte”
Esses interessantes detalhes nos foram transmitidos por um amigo da
família, então, pensamos que uma evocação podia ser instrutiva para todos, ao
mesmo tempo em que seria útil ao espírito.”
“Evocação
R. Estou perto de vós.
P. Contaram-nos vossos últimos momentos que nos encheram de admiração. Poderíeis ser bastante generoso para nos descrever, melhor do que o fizestes, o vistes no intervalo do que se poderia chamar vossas duas mortes?
R. O que eu vi... poderíeis vós compreender o que vi? Não sei, porque eu
não conseguiria encontrar expressões capazes de tornar compreensível o que
eu pude ver durante alguns instantes em que me foi possível deixar meus restos
mortais.
P. Tendes ideia de onde estivestes? É longe da Terra, em um outro planeta, ou no Espaço ?
R. O espírito não conhece o valor das distâncias do mesmo modo que as
considerais. Levado não sei por qual agente maravilhoso, eu vi esplendor de um
céu como apenas em sonhos poderia se realizar. Esse trajeto através do infinito
foi feito tão rapidamente que eu não posso dizer com precisão o tempo que meu
espírito gastou com ele.
P. Atualmente desfrutais da felicidade que entrevistes?
R. Não; bem que eu queria poder desfrutá-la, mas Deus não pode
recompensar-me assim. Eu me revoltei muitas vezes contra os pensamentos
benignos que meu coração ditava, e a morte parecia-me uma injustiça. Médico
incrédulo, eu havia adquirido na arte de curar uma aversão contra a segunda
natureza, que é nosso impulso inteligente, divino; para mim a imortalidade da
alma era uma ficção adequada a seduzir as naturezas pouco elevadas; no entanto, o nada me apavorava, porque muitas vezes amaldiçoei esse agente misterioso que fere sempre e sempre. A filosofia me havia perturbado os sentidos
sem me fazer compreender toda a grandeza do Eterno, que sabe repartir a dor e
a alegria para o ensino da humanidade.
P. Por ocasião da vossa verdadeira morte, logo reconhecestes o estado
em que vos encontráveis?
R. Não, só reconheci durante a transição que meu espírito sofreu para
percorrer os lugares etéreos; mas, após, a morte real, não; foram necessários
alguns dias para o meu despertar.
Deus concedera-me uma graça, pela seguinte razão: minha incredulidade
inicial não mais existia; antes da minha morte, eu passara a acreditar porque,
depois de haver investigado cientificamente a matéria pesada que me fazia
definhar, eu encontrara, ao final das razões terrestres, apenas a razão divina;
ela me havia inspirado, consolado, e minha coragem era mais forte que a dor.
Eu bendizia o que antes amaldiçoara; o fim me parecia a libertação. A ideia de
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11o Encontro Espírita sobre O Céu e o Inferno
Tema: “Medo da Morte”
Deus é grande como o mundo! Oh! Que suprema consolação na prece, que
proporciona emoções que não se podem exprimir por palavras; ela é o elemento
mais seguro da nossa natureza imaterial; por ela eu compreendi, acreditei firmemente, soberanamente, e é por isso que Deus, considerando minhas boas
ações, desejou me recompensar antes de terminar a minha encarnação.
P. Poderíamos dizer que estáveis morto na primeira vez?
R. Sim e não; tendo o espírito deixado o corpo, naturalmente a carne
morreria; porém, retomando a posse da minha morada terrestre, a vida retornou
ao corpo que sofrera uma transição, um sono.
P. Nesse momento sentíeis os laços que vos prendiam ao vosso corpo?
R. Sem dúvida; o espírito tem um laço difícil de romper, é preciso o último
estremecimento da carne para que ele possa entrar em sua vida natural.
P. Como foi que, por ocasião da vossa morte aparente e durante alguns
minutos, vosso espírito pôde se libertar instantaneamente e sem perturbação,
enquanto que a morte real foi seguida de uma perturbação por vários dias?
Parece que no primeiro caso, com os laços entre a alma e o corpo subsistindo
mais que no segundo, o desligamento devia ser mais lento, mas o que aconteceu foi o contrário.
R. Muitas vezes fazeis a evocação de um espírito encarnado, e dele
recebeis respostas reais; eu me encontrava na condição desses espíritos. Deus
me chamava, e seus servidores me diziam: “Vinde...” Eu obedeci, e agradeço a
Deus pela graça especial que ele me concedeu; pude ver o infinito da sua
grandeza e compreendê-la. Obrigado a vós que me permitistes, antes da morte
real, instruir meus parentes para que todos tenham boas e justas encarnações.
P. De onde vinham as belas palavras que, após o vosso retorno à vida,
dirigistes a vossa família?
R. Elas eram o reflexo do que eu tinha visto e entendido; os bons espíritos inspiraram minhas palavras e animavam minha fisionomia.
P. Que impressão acreditais que a vossa revelação tenha causado nos
assistentes e em vossos filhos em particular?
R. Surpreendentemente, profunda; a morte não é mentirosa; por mais
ingratos que possam ser, os filhos, diante da encarnação que se finda, sempre
se inclinam. Se pudéssemos perscrutar o coração dos filhos junto a um túmulo
entreaberto, veríamos apenas sentimentos verdadeiros, tocados profundamente
pela mão secreta dos espíritos que dizem a todos os pensamentos: “Tremeis se
estás em dúvida, a morte é a reparação, a justiça de Deus”; e eu vos asseguro,
apesar dos incrédulos, que meus amigos e minha família acreditaram nas palavras que pronunciei antes de morrer. Eu era o intérprete de um outro mundo.
P. Dissestes que não desfrutais da felicidade que entrevistes; então sois
infeliz?
R. Não, já que eu acreditava antes de morrer, e isto de alma e de consciência. A dor constrange neste mundo, mas fortalece para o futuro espiritual.
Observai que Deus soube levar em conta as minhas preces e a minha crença
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Tema: “Medo da Morte”
absoluta nele; estou certo sobre o caminho da perfeição, e chegarei ao objetivo
que me foi permitido entrever. Orai, meus amigos, por este mundo invisível que
preside vossos destinos; essa troca fraternal é a caridade; é uma alavanca
poderosa que põe em comunicação os espíritos de todos os mundos.
P. Quereis dirigir algumas palavras à vossa mulher e aos vossos filhos?
R. Peço a todos os meus para crerem em Deus poderoso, justo, imutável;
na prece que consola e alivia; na caridade que é o ato mais puro da encarnação
humana. Peço que se lembrem de que se pode dar pouco: o óbolo do pobre é o
mais meritório diante de Deus, que sabe que um pobre dá muito, mesmo dando
pouco; é preciso que o rico dê muito e frequentemente para merecer tanto
quanto ao pobre. O futuro é a caridade, a benevolência em todas as ações; é
crer que todos os espíritos são irmãos, não se prevalecendo nunca de todas as
vaidades pueris.
Família bem-amada, tereis rudes provas, mas sabei aceitá-las corajosamente, refletindo que Deus as vê.
Dizei frequentemente esta prece:
Deus de amor e de bondade, que tudo nos dá e sempre, concedei-nos
essa força que não recua diante de nenhuma aflição; tornai-nos bons, mansos e
caridosos, pequenos pela fortuna, grandes pelo coração. Que nosso espírito
seja espírita na Terra para melhor vos compreender e vos amar.
Que vosso nome, ó meu Deus” emblema de liberdade, seja o objetivo
consolador de todos os oprimidos, de todos aqueles que têm necessidade de
amar, de perdoar e de crer.”
2o Caso: Um Médico Russo
“O senhor P. era um médico de Moscou, tão ilustre por suas eminentes
qualidades morais quanto por seu saber. A pessoa que o evocou apenas o conhecia por sua refutação e só tivera com ele relações indiretas. A comunicação
original foi em língua russa.
P. (Após a evocação). Estais aqui?
R. Sim. No dia da minha morte, eu vos persegui com a minha presença,
mas resististes a todas as tentativas que fiz para vos fazer escrever. Havia escutado vossas palavras a meu respeito, e isso ma fez conhecer-vos, então tive o
desejo de conversar convosco para vos ser útil.
P. Por que vós, que fostes tão bom, sofrestes tanto?
R. Foi uma bondade do Senhor que desejou por esse meio fazer-me
sentir duplamente o preço da minha libertação, e fazer também com que eu me
adiantasse o mais possível aqui na Terra.
P. O pensamento da morte vos causou terror?
R. Não, eu tinha muita fé em Deus.
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11o Encontro Espírita sobre O Céu e o Inferno
Tema: “Medo da Morte”
P. A separação foi dolorosa?
R. Não; o que chamais de o último momento não é nada; experimentei
apenas um abalo muito curto, e logo depois, senti-me muito feliz por estar livre
da minha miserável carcaça.
P. Que aconteceu então?
R. Tive a felicidade de ver muitos amigos virem ao meu encontro e me darem
as boas-vindas, especialmente aqueles a quem eu tive a satisfação de ajudar.
P. Que região habitais? Estais em um planeta?
R. Tudo o que não é um planeta é o que chamais o Espaço, e é nele que
estou. Mas quantas gradações nessa imensidade da qual o homem não pode
fazer uma ideia! Quantos degraus nessa escada de Jacó que vai da Terra ao
céu, quer dizer, do envilecimento da encarnação em um mundo inferior como o
vosso até a depuração completa da alma! Lá onde estou, só se chega depois de
muitas provas, o que significa após muitas encarnações.
P. Diante desse raciocínio, tivestes muitas existências?
R. Como poderia ser de outro modo? Nada é excepcional na ordem
imutável estabelecida por Deus; a recompensa só pode vir após a vitória obtida
na luta; e quando a recompensa é grande, é preciso, necessariamente, que a
luta também o tenha sido. Mas a vida humana é tão curta que a luta é real
apenas por intervalos, e esses intervalos são as diferentes existências sucessivas; ora, visto que estou sobre um dos degraus já elevados, é certo que atingi
esta felicidade por uma continuidade de lutas nas quais Deus permitiu que eu,
algumas vezes, alcançasse a vitória.
P. Em que consiste a vossa felicidade?
R. Isso é mais difícil de vos fazer compreender. A felicidade de que desfruto é um contentamento de mim mesmo, não dos meus méritos porque isto
seria orgulho, e o orgulho é próprio dos espíritos censuráveis, mas um contentamento, por assim dizer, no amor de Deus, no recolhimento da sua bondade
infinita; é a alegria profunda de ver o bem; de se dizer: talvez eu tenha contribuído para o melhoramento de alguns daqueles que se elevaram em direção ao
Senhor. Fica-se identificado com o bem-estar; é uma espécie de fusão entre o
espírito e a bondade divina. Tem-se o dom de ver os espíritos mais purificados,
de compreendê-los nas suas missões e de saber que também chegaremos a
esse ponto; no infinito incomensurável, se entreveem as regiões resplandecentes do fogo divino que se é ofuscado, mesmo contemplando-as através do véu
que ainda as encobre. Mas o que vos digo? Compreendeis minhas palavras?
Esse fogo de que vos falo, acreditais, por exemplo, que ele seja semelhante ao
Sol? Não, não; é qualquer coisa de indizível ao homem, porque as palavras
exprimem apenas os objetos, as coisas físicas ou metafísicas das quais ele tem
conhecimento pela memória ou pela intuição da alma, enquanto que, não podendo ter essa memória do desconhecido absoluto, não existem termos que lhe
possam dar a percepção desse desconhecido. Mas ficai sabendo: já é uma
imensa felicidade pensar que se pode progredir infinitamente.
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11o Encontro Espírita sobre O Céu e o Inferno
Tema: “Medo da Morte”
P. Tivestes a bondade de dizer que quereis ser-me útil; eu vos pergunto,
em quê?
R. Posso ajudar nos vossos desfalecimentos, sustentar nas vossas fraquezas, consolar em vossas aflições. Se vossa fé, enfraquecida por qualquer
abalo que vos perturbe, vier a vacilar, chamai por mim; Deus me dará palavras
para fazer-vos lembrar dele e vos reconduzir para ele. Se vos sentirdes prestes
a sucumbir sob o peso de tendências que reconheceis condenáveis, chamai por
mim; eu vos ajudarei a levar a vossa cruz, assim como em um tempo passado
Jesus foi ajudado a levar a sua, aquela que devia nos proclamar tão claramente
a verdade, a caridade. Se enfraquecerdes sob o peso das vossas aflições, se o
desespero se apoderar de vós, chamai por mim; eu virei vos tirar desse abismo,
falando-vos de espírito para espírito, chamando-vos para os deveres que vos
são impostos, não por considerações sociais e materiais, mas pelo amor que
sentireis em mim, amor que Deus pôs em meu ser para transmiti-lo àqueles que
ele pode salvar.
Sem dúvida, tendes amigos na Terra, esses talvez partilhassem vossas
dores, e talvez já vos tenham salvo. Nos desgostos, vós ides procurá-los, ides
lhes levar vossas lamentações e vossas lágrimas, e eles vos dão, em troca
desse indício de afeição, seus conselhos, seu apoio, seus carinhos. Muito bem!
Não pensais que um amigo daqui seja também uma boa coisa? Não é
consolador poder dizer: quando eu morrer, meus amigos da Terra estarão junto
a mim, orando por mim, e chorando sobre mim, porém, meus amigos do Espaço
estarão na soleira da vida, e virão, sorrindo, para me conduzir ao lugar que eu
tiver merecido por minhas virtudes.
P. Por que mereci a proteção que desejais me conceder?
R. Eis aqui por que me liguei a vós desde o dia da minha morte: eu vos vi
espírita, bom médium e sincero adepto; entre aqueles que deixei no mundo,
inicialmente vi apenas vós, então resolvi vir contribuir para vos adiantar, no
vosso interesse sem dúvida, porém, ainda mais no interesse de todos aqueles a
quem deveis instruir na verdade. Vós o vedes, Deus vos ama bastante para vos
tornar um missionário; pouco a pouco, todos os que estão em volta de vós
partilham vossas crenças; os mais rebeldes ao menos vos escutam, e um dia os
vereis acreditar em vós. Não vos canseis; caminhai sempre apesar das pedras
na estrada; tomai-me como bastão para vos apoiardes em vossa fraqueza.
P. Não ouso acreditar que mereço um tão grande favor.
R. Sem dúvida estais longe da perfeição; mas vosso entusiasmo em
propagar as santas doutrinas, em sustentar a fé daqueles que vos escutam, em
pregar a caridade, a bondade, a benevolência, mesmo quando procedem mal
convosco, vossa resistência aos próprios instintos de cólera, que poderíeis satisfazer tão facilmente contra aqueles que vos atormentam ou desconhecem vossas intenções, vêm, felizmente, servir de contrapeso ao que tendes de mau em
vós, e ficai sabendo que o perdão é um poderoso contrapeso.
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11o Encontro Espírita sobre O Céu e o Inferno
Tema: “Medo da Morte”
Deus vos cobre de graças pela faculdade que vos concedeu e que cabe a
vós aumentar pelos próprios esforços, a fim de trabalhardes de forma mais eficaz pela salvação do próximo. Vou vos deixar, mas contai comigo. Tratai de
moderar vossos pensamentos terrestres e viver mais frequentemente com vossos amigos daqui.”
Estes casos estão contidos em O Céu e o Inferno, Segunda Parte –
Exemplos, capítulo II — Espíritos Felizes (Um Médico Russo) e capítulo III –
Espíritos em uma Condição Mediana (Sr. Cardon).
Após o estudo dos casos, preencha a tabela a seguir:
Casos
Sr. Cardon
Caráter
Religiosidade
Situação espiritual
Receio da morte
Ideia sobre a vida futura
Tempo de perturbação
20
Um Médico Russo
11o Encontro Espírita sobre O Céu e o Inferno
Tema: “Medo da Morte”
Responda:
• Qual o objetivo da experiência de quase-morte vivida pelo Sr. Cardon?
• Quais as atividades com que se ocupa o médico russo no plano espiritual?
4 - Conclusão
•
Aprender a viver bem para morrer bem.
“A doutrina da reencarnação, isto é, a que consiste em admitir para o Espírito muitas existências sucessivas, é a única que corresponde à
ideia que fazemos da Justiça de Deus para com os homens que se
acham em condição moral inferior, a única que pode nos explicar o futuro
e embasar nossas esperanças, visto que nos oferece o meio de reparar
os nossos erros, através de novas provas. A razão no-la indica e os
Espíritos a ensinam.”
O Livro dos Espíritos, questão 171 – comentário de Kardec.
A certeza de que a vida continua, de que somos espíritos imortais, momentaneamente vivenciando uma das inumeráveis encarnações, faz com que
tanto a vida quanto a morte tornem-se estações de parada na viagem, rumo ao
destino de todos nós: a perfeição.
Assim, o sentimento de temor da morte desaparece, pois, se os próprios
mortos voltaram para nos informar sobre a vida futura, não há como duvidar.
•
Por que os espíritas não temem a morte.
Inicialmente, há de se destacar que Kardec não fez uma pergunta, mas,
sim, uma afirmação.
Ele afirmou que os espíritas não temem a morte, pois a Doutrina Espírita
transforma completamente a perspectiva do futuro.
A vida futura deixa de ser uma hipótese para ser uma realidade, através
da observação. Deixa de ser uma esperança e passa a ser uma certeza.
21
11o Encontro Espírita sobre O Céu e o Inferno
Tema: “Medo da Morte”
“O que lhes serve de apoio não é somente a esperança, é a certeza: eles
sabem que a vida futura não é mais que a continuação da vida presente
em melhores condições, e a esperam com a mesma confiança com que
esperam o nascer do Sol após uma noite de tempestade.”
O Céu e o Inferno, 1a Parte, cap. II, item 9.
São os próprios habitantes desse mundo que nos vêm descrever a sua
situação. Aí os vemos em todos os graus da escala espírita, em todas as fases
da felicidade e da imperfeição. Assistimos, enfim, a todas as peripécias da vida
de além-túmulo. Tais testemunhos se coadunam com a lógica em relação à Justiça e à Bondade de Deus.
“7o - A Justiça de Deus sendo infinita, o bem e o mal são rigorosamente levados em conta; se não há uma só ação má, um só mau pensamento que não tenha as suas consequências fatais, não há uma só boa
ação, um só bom impulso da alma, em uma palavra, o mais pequeno mérito que seja perdido, mesmo entre os mais perversos, porque é um início
de progresso.”
“8o - A duração do castigo está subordinada à melhora do espírito
culpado. Nenhuma condenação, por um tempo determinado, é pronunciada contra ele. O que Deus exige para colocar um fim aos sofrimentos é o
arrependimento, a expiação e a reparação, em uma palavra, uma melhora séria, efetiva, e um retorno sincero ao bem.”
O Céu e o Inferno, 1a Parte, cap. VIII, “Código Penal da Vida Futura”.
Eis o porquê de os espíritas encararem a morte calmamente e se
revestirem de serenidade nos seus últimos momentos sobre a Terra.
Em vez de perdidos no Espaço, os nossos entes queridos estão ao redor
de nós. O mundo corporal e o espiritual se relacionam incessantemente. Podemos nos relacionar com eles através do pensamento, da prece e da mediunidade.
Desaparece a sensação de perda, portanto, não havendo mais razão para o receio.
“(...) a morte nada tem de assustador; não é mais a porta para o
nada, mas a porta da liberdade que abre para o desterrado a entrada de
uma morada de felicidade e de paz.”
O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. II, item 5.
Após estas reflexões, com a realidade da Vida Futura sendo trazida pelos
próprios habitantes, de forma clara, lógica e consoladora, com certeza concluímos que Kardec tem razão, ao afirmar que os espíritas não temem a morte. Ou
seja, se somos espíritas, não devemos temer a morte.
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11o Encontro Espírita sobre O Céu e o Inferno
Tema: “Medo da Morte”
O nosso querido professor José Jorge afirmava, bem-humorado, quando
encarnado, não ter medo de morrer, mas, sim, vergonha.
Será que esse também é o nosso caso?
Será que estou aproveitando a minha encarnação?
Se a minha condição no plano espiritual depende diretamente de mim,
das minhas ações, sentimentos e pensamentos, o que estou semeando para o
futuro?
“A morte nenhum temor inspira ao justo, porque, com a fé, ele tem
a certeza do futuro; a esperança faz com que aguarde uma vida melhor e
a caridade, cuja lei praticou, dá-lhe a certeza de que, não encontrará no
mundo onde vai entrar, nenhum ser cujo olhar deva temer.”
O Livro dos Espíritos, questão 941.
“O homem moral, que se elevou acima das necessidades factícias
criadas pelas paixões, experimenta, desde este mundo, gozos desconhecidos pelo homem material. A moderação de seus desejos dá ao seu
Espírito a calma e a serenidade. Feliz pelo bem que faz, não há para ele
decepções, e as contrariedades deslizam sobre a alma, nenhuma impressão dolorosa deixando nela.”
O Livro dos Espíritos, questão 941 – comentário de Kardec.
A fé que a Doutrina Espírita nos traz é a certeza da Justiça e da Misericórdia de Deus, através da vida futura e da bênção da reencarnação.
•
O papel esclarecedor e consolador da Doutrina Espírita
O estudo destituído de preconceitos e levado a efeito com seriedade e
dedicação evidencia a função esclarecedora e consoladora da Doutrina Espírita.
Quantas mães, quantos filhos, pais e amigos têm sido socorridos, orientados, amparados, consolados pelo Espiritismo!
A Terceira Revelação retoma o ensinamento do Cristo na sua pureza e
simplicidade, insistindo na ideia de Deus Pai, que quer que seus filhos (toda a
humanidade) cresçam em todos os aspectos, alcancem o grau máximo de perfeição que lhes é dado atingir, construam sua felicidade, através do exercício do
amor, da prática de sua Lei.
E, no tocante à morte, mostra-nos que ela não é senão uma estação, em
nossa trajetória de espíritos imortais caminhando para Deus.
23
11o Encontro Espírita sobre O Céu e o Inferno
Tema: “Medo da Morte”
Sobre a supremacia dos atributos divinos, citamos, de O Livro dos Espíritos, da nota de Kardec à questão 13:
Deus é eterno; imutável; imaterial; único; todo-poderoso; soberanamente justo e bom.
No livro A Gênese, Kardec dedica um capítulo para refletir sobre Deus, do
qual destacamos:
“Deus é soberanamente justo e bom. A providencial sabedoria das
Leis Divinas se revela tanto nas mais pequenas como nas maiores coisas, e essa sabedoria não permite que se duvide nem da sua justiça, nem
da sua bondade.”
(...) “A soberana bondade implica na soberana justiça, porque se
Deus agisse injustamente ou com parcialidade em uma só circunstância,
ou com relação a uma só das suas criaturas, não seria soberanamente
justo e, consequentemente, não seria soberanamente bom.”
A Gênese, cap. II, item 14.
Em O Céu e o Inferno, 1a parte, capítulo 2, item 9, temos:
“Não sendo mais permitida a dúvida sobre o futuro, o receio da morte
não tem mais razão de ser; vê-se sua chegada a sangue frio, como uma
libertação, como a porta da vida, e não como a do nada.” (Grifo nosso.)
Ainda em O Céu e o Inferno, nosso patrono Sanson, em sua mensagem,
como espírito feliz, nos ensina:
“(...) Eu sou espírito: minha pátria é o Espaço, meu futuro é Deus,
que resplandece na imensidade...” (Grifo nosso.)
Acima de tudo, tenhamos CONFIANÇA EM DEUS!
Confiemos em que cada um está tendo a encarnação de que necessita
para evoluir e que todos somos amparados pelos amigos espirituais, que estão
sempre dispostos a nos auxiliar.
Por fim, aproveitemos a nossa existência, no sentido de cultivar virtudes,
conquistas morais, amizades e aprender a encarar as dificuldades da trajetória,
com calma e resignação.
Mas que, em momento algum, esqueçamos de agradecer a Deus a oportunidade de já ter este conhecimento, que nos oferece as ferramentas necessárias para nos despedirmos da vida material, com a paz, a alegria e a consciência
tranquila daquele que aproveitou ao máximo esta oportunidade.
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11o Encontro Espírita sobre O Céu e o Inferno
Tema: “Medo da Morte”
Textos complementares:
I
“Lembre-se de que a vida é curta. Enquanto ela dura, esforce-se
para adquirir o que veio procurar nesse mundo: o verdadeiro aperfeiçoamento. Possa o seu ser espiritual daqui sair mais puro do que quando
aqui entrou! Acautele-se das armadilhas da carne; reflita que a Terra é
um campo de batalha, onde a matéria e os sentidos abandonam a alma
num assalto perpétuo. Lute com coragem contra as paixões vis; lute pelo
espírito e pelo coração, corrija seus defeitos, adoce seu caráter, fortifique
sua vontade. Que seu pensamento se afaste das vulgaridades terrestres
e escape para o céu luminoso!”
“Lembre-se de que tudo o que é material é efêmero. As gerações
passam como as ondas do mar, os impérios desmoronam-se, os próprios
mundos perecem, os sóis se apagam; tudo foge, tudo se dissipa. Mas há
três coisas que vêm de Deus e são imutáveis como ele; três coisas que
resplandecem acima do reflexo das glórias humanas: a Sabedoria, a Virtude, o Amor! Conquiste-os pelos seus esforços e, alcançando-os, elevarse-á acima do que é passageiro e transitório, para desfrutar do que é
eterno!”
Depois da Morte, Conclusão.
II
“Nunca se morre sozinho, da mesma forma que nunca se nasce
sozinho. Os invisíveis que temos conhecido, amado, assistido neste mundo, vêm auxiliar o moribundo a se desembaraçar das últimas correntes do
cativeiro terrestre.”
O Grande Enigma, cap. XV.
III
“O conhecimento do futuro espiritual, o estudo das leis que presidem à desencarnação são de grande importância para a preparação para
a morte. Eles podem atenuar nossos derradeiros instantes e tornar nosso
desprendimento fácil, permitindo-nos reconhecer-nos mais rápido no mundo novo que nos é franqueado.”
Depois da Morte, “A Hora Derradeira”.
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11o Encontro Espírita sobre O Céu e o Inferno
Tema: “Medo da Morte”
IV
“Cada um de nós deve encarar esse fenômeno como o de ida para
o mais além, para o mais elevado. Que o ser humano, que o homem em
geral, entenda que essa passagem, mostrando a continuidade da existência do espírito, traz uma outra responsabilidade: a responsabilidade de se
viver bem para se morrer bem. E mais: que do outro lado seremos exatamente como fomos aqui na Terra. Procuremos, portanto, viver em paz,
equilibrados, voltados para o bem e sempre, e sempre, amando ao semelhante. Com isso, estaremos criando, dentro de nós, condições adequadas para uma vida espiritual futura em paz.”
Palavras do Coração, Espírito Dr. Hermann.
V
“Graças a Deus!
Balthazar, pela graça infinita de Deus.
Falamos da necessidade que o homem possui de desenvolver a fé, a
determinação e o amor. Esses três pontos de vista, se encarados como
estímulos de vida, ensinarão a todos os encarnados e desencarnados que
precisamos fortemente conduzir os nossos destinos para o encontro de Deus.
Pela fé, encontramos a figura paternal de Deus e a do Mestre
Jesus, que nos farão sentir não somente a sua presença, mas o seu amor
e a força que nos conduzirá para todos os recantos do Universo, sempre
buscando a elevação e o trabalho consequente, o trabalho da renovação.
Por outro lado, a determinação caracteriza aqueles que já sabem
pensar o que querem. Quando o espírita e cristão de um modo geral
entenderem que o progresso de seu espírito será conseguido à custa do
próprio esforço, o homem passará, determinadamente, a fazer todas as
coisas necessárias para chegar ao grande objetivo, que será conseguido
pela determinação, que é o de trabalhar em nome de Deus e para Deus.
Sem determinação nada se consegue, nem mesmo se pode dizer
que se alcançará o equilíbrio e a confiança, e a fazer com que o trabalho, o
serviço no bem, seja realizado com tranquilidade, segurança e continuidade.
Por outro lado, o amor nos aproxima das criaturas: sem amor, não
conseguiremos a proximidade de ninguém, tampouco desenvolveremos
os próprios recursos do sentimento. Quem não for capaz de desenvolver
o sentimento não servirá para conduzir ninguém, pois se pelo puro raciocínio as coisas andassem, melhor seria que a Terra fosse comandada por
máquinas, porque, então, estas, sem paixões, nos conduziriam perfeitamente, sem margem de erro. Mas se isso ocorresse, o homem se sentiria
infeliz, por não poder expressar aquilo que vai dentro d’alma.
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11o Encontro Espírita sobre O Céu e o Inferno
Tema: “Medo da Morte”
Portanto, o amor contempla também o sentimento da convivência
sem intolerância nem vaidade. É necessário desenvolver, tanto quanto a
fé, a determinação e o amor, com vistas ao progresso do homem, e só
assim ele alcançará os pináculos do equilíbrio, na busca eternal de progresso, de amor, de caridade...
Que a vida que Deus nos dá seja bem aproveitada por todos aqueles que aqui estão, uma vez que, diante das lutas por que a sociedade
terrena passa, diante das lutas por que as instituições passam, diante da
lutas que em todas as casas existem, se não houver fé, determinação e
amor, o homem não alcançará a paz tão necessária ao seu progresso.
Que Deus nos ajude a alcançar esse objetivo e nos traga sempre
a sua paz!
Graças a Deus!
Balthazar, pela graça infinita de Deus.
Paz!”
Pela Graça Infinita de Deus, “Fé, Determinação e Amor”.
VI
Mensagem de Altivo Carissimi Pamphiro
“A desencarnação é um momento muito pequeno nas nossas vidas, e temos que nos acostumar com esta situação desde que nos situamos no lado de cá.
Para uns, é prazeroso ver os amigos, ver aqueles que estão ao
nosso lado nos abraçando, ver velhos companheiros de longa jornada,
que estão quase que batendo palmas para nós, que estamos ali começando a abrir os olhos. Mas, para muitos é um susto, é um momento de
advertência, é um momento de tristeza, porque não esperavam, não estavam preparados. Outros até, correm atrás do corpo tentando fazer com
que ele volte à vida. Isso não é possível e nem será possível.
Assim, temos que compreender que a vida nos traz muitas situações diferentes com as quais temos que nos acostumar. São vertentes
diferentes que despontam à nossa frente, de acordo, e muito de acordo
mesmo, com as nossas atitudes na vida terrena.
Se, por um lado, ter conhecimento na vida terrena da vida espiritual é importante, agir, pensar de maneira equilibrada, harmônica, cristã é
fundamental para que possamos encontrar com esse equilíbrio, também,
na vida espiritual.
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11o Encontro Espírita sobre O Céu e o Inferno
Tema: “Medo da Morte”
Se, por um lado, estamos conhecendo a vida espiritual pelos olhos
da vida material, é porque estamos estudando a Doutrina Espírita, que
nos faz conhecer esse outro lado e nos preparando, pouco a pouco, para
este dia que há de vir.
Mas a vida espiritual é muito mais ampla, bonita, muito mais alegre
para aqueles que vivenciaram com energia, com fé, com coragem, com
alegria dia a dia a vida cristã, trabalhos espirituais voltados para o bem.
Isso a casa espírita propicia para todos nós, que estamos aqui, agora,
conhecendo, estudando, analisando, ponderando e, até mesmo, questionando, o que é muito bom para podermos daí extrair elementos, muitas
vezes, novos para nossas conclusões íntimas.
O certo é que todos virão para o lado de cá. Isso está consumado. É
de saber como cada um deseja vir. Cada dia que se passa todos assinam o
seu passaporte. Cada noite que adentra deve ser feita uma reflexão a
respeito de como foi esse comportamento, como é que me portei, como agi
perante a família, perante o meu semelhante, no trabalho, na casa espírita,
na minha religião. Porque se formos cobrados –, e isso ninguém vai ficar
apontando o dedo para nós, após a perda do corpo físico –, então, nós
mesmos iremos cobrar esta atitude. E, de repente, ao passarmos pelas
nossas lembranças –, o que também é muito comum, quando chegamos do
lado de cá –, começaremos a ver um monte de coisas diferentes, o que
deixamos de fazer, o que fizemos errado e que nos dão um desequilíbrio
interno, capaz de gerar um desassossego, um descompasso no nosso
perispírito. E os espíritos que estão do nosso lado compreendem, veem
esse descompasso e compreendem, por que são irmãos. Mas esse
descompasso pode ser muito perigoso para muitos que estão desavisados,
que são pegos de surpresa e, de repente, não têm mais para onde ir, o que
fazer e não sabem como se portarem e são quase que denunciados pelas
luzes, pelo seu perispírito e eles se veem à mercê de uma confusão.
Mas a desencarnação de um espírito bom, é boa. Não fiquem com
medo não. É rápida. É como se estivéssemos num sono gostoso e, quando abríssemos os olhos, víssemos os amigos, parentes, nossos entes
queridos. Isso é bom vocês saberem. Isso faz com que vocês possam se
esforçar para serem bons. Não é só ficar na casa espírita sentado assistindo às pessoas falarem: como é bom ser bom. Temos que ser bons,
porque temos que ser bons. Agir no bem, trabalhar no bem, fazer a
caridade. Não se pode falar muita coisa. Cada um terá o seu momento. E
esperamos que todos que aqui estão e os que estão ouvindo, possam
perceber que o esforço que fazem dia a dia, que as lágrimas que derramam dia a dia, para domar as tendências perniciosas, más, para trabalhar efetivamente no bem do semelhante, contará e muito para a chegada
do lado de cá. Não só pela recepção amorosa, carinhosa dos benfeitores, dos
amigos, esses parentes que já falamos, mas pelo bem-estar, isso não se pode
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11o Encontro Espírita sobre O Céu e o Inferno
Tema: “Medo da Morte”
passar para vocês. O bem-estar que é estar junto de um lugar onde nos
querem bem e nos sentimos bem, alegres em profusão. Mas, como
sabemos que a Doutrina nos orienta e ensina, e como também agora tenho
visto, muitos estão a desejar e precisam, rapidamente, fazer essa correção
para não se verem pegos de repente, de uma maneira súbita, pelo
desencarne e passarem para esse lado de uma maneira tortuosa, triste e até
deselegante, porque muitos ficam desequilibrados, mesmo, com toda essa
situação. Quando não, ficam dormindo, porque acham que não tem nada do
lado de cá, e se colocam como se estivessem dormindo por algum período,
até que a consciência comece a cobrar uma atitude diferente.
Assim, meus irmãos, vocês precisam ler, meditar, ponderar, analisar. E concluir que é preciso agir no bem, é isso que verdadeiramente
contará para o nosso equilíbrio emocional, espiritual e para fazer com que
a nossa vida, quer terrena, quer espiritual, e principalmente, a espiritual,
seja aquela vida de alegria que todos nós esperamos ter.
Muitos, infelizmente, nesta vida terrena, não têm possibilidades nem
alegrias, só têm dificuldades, dores e sofrimentos e perguntam o tempo
todo: “Por que eu? Por que comigo? Enquanto todo mundo está fazendo
isso e aquilo outro, estou aqui sem a vista, com diabetes, hipertenso?”...
Ao invés de ficarem reclamando da vida, das dores, dos sofrimentos, das
lutas, que é compreensível, sabemos disso, mas é improdutivo, comecem
a trabalhar no bem, a agir no bem, a fazer o bem, isso vai fazer com que
cada vez mais as mentes se desliguem da dor, do sofrimento, daquele
sentimento de dor que muitos trazem, para poder compartilhar com outros
companheiros alegrias, atitudes, benesses e até mesmo, as tristezas, que
quando compartilhadas, pelo menos, se pode ter uma pessoa que ouça
nossas dores. Mas não fiquem parados, deprimidos, chorosos, isso não
vai fazer com que vocês ganhem, como muitos falam, ganhem o céu. O
céu é uma conquista. O plano espiritual é uma conquista, delineada por
Deus e que os benfeitores espirituais nos dão pelos conselhos, pelo
sentimento de fraternidade, pelo incentivo e também pelo trabalho no
bem que eles nos empurram, nos incentivam para que cada um de vocês
possam executar. Enfim, ajam, não fiquem parados. Todos esses
conhecimentos espirituais devem servir para alguma coisa, para fazer o
bem, senão sentamos 20, 30 anos numa cadeira escutando. O
intelectualismo é bom, não há dúvida, ajuda no discernimento, na ponderação, no raciocínio, mas se não agirmos, não vai adiantar nada. Vamos passar para este lado ainda pensando no que poderia fazer de bom.
A reencarnação ajudará a fazer com que aquele que assim pensa e faz,
comece a ter uma outra oportunidade de poder agir no bem. É assim que
acontece com todos nós. Passamos um tempo pensando, perdendo
oportunidades e, de repente, vem um desatino só e queremos fazer tudo
ao mesmo tempo. Nem sempre se consegue isso.
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11o Encontro Espírita sobre O Céu e o Inferno
Tema: “Medo da Morte”
Que Deus abençoe a todos, Altivo.
Um abraço para todos que aqui estão e estão me ouvindo.
Que Deus abençoe o nosso Centro, a Doutrina Espírita e o desenvolvimento dos trabalhos no bem, que esta e outras tantas casas desenvolvem na face terrena. Muita paz.”
(Mensagem recebida pelo médium Luiz Carlos Dallarosa, no CELD, RJ, em 10/3/2007. TEMA:
“Perturbação Espiritual” – L.E. – questões 163 a 165.)
VII
Mensagem de Neuza Trindade
“Fui convidada pelo nosso querido Dr. Hermann a falar na noite de hoje.
Vim para cá de surpresa, de repente, sem saber, como encarnada,
que aquele sábado seria a última vez que meu corpo entraria nesta Casa
amada de todos nós. Como encarnada, não sabia, mas, como espírito,
depois recordei que já vinha sendo preparada para tal. Não há surpresa;
o que há é a não lembrança dos avisos e preparos. O que relatei foi inerente ao meu caso.
Quando o coração parou de bater, senti como que um baque
íntimo; não foi dor, mas uma pressão, uma sensação de que perdia o
controle da situação, algo comparável a quando se acorda de um sonho
em que se está caindo, sem muita noção mesmo. E, com o conhecimento
espírita, pensei: “estou desencarnando”. E devo confessar a vocês que,
na hora, dá um sentimento de perda, a gente pensa nos que ficam;
quem iria cuidar da irmã, do marido, da casa, de tudo? Mas aí, nessa
hora, foi como se a consciência me falasse: “Não foi para isso que te
preparaste a vida inteira?” Isto me fez serenar, me fez orar e, passadas
algumas horas, já estava mais serena e já sentada na sala, como quem
repousa, como quem cochila...
Ouvi toda uma azáfama em torno do quarto em que estava meu
corpo; familiares chegando, amigos chegando, mas não conseguia muito
atinar com o que ocorria agora. Só uma sensação de leveza, mas de uma
certa não reação, como ficamos quando tomamos um remédio para
dormir e ainda não dormimos nem estamos acordados. Confesso a vocês
que não percebi os guias espirituais de pronto, de imediato; somente
com o passar das horas é que adormeci. Fui acordada, no mesmo
local, por benfeitor querido ao meu coração, dizendo: “Neuza, vamos lá
ver as últimas homenagens de seus amigos a você”... E me deixei conduzir por ele até junto ao meu corpo, onde todos estavam, próximo do horário do
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11o Encontro Espírita sobre O Céu e o Inferno
Tema: “Medo da Morte”
sepultamento. Foi aí que percebi o carinho de muitos amigos e entes
queridos, foi aí que senti na alma as vibrações que emanavam de todos
vocês.
E, quando tudo acabou, pude, com mais clareza, perceber os
amigos queridos; pude abraçar Altivo, Cidinha, Gildo, Elvira e tantos
outros amigos que conviveram comigo nesta Casa que ajudamos e onde
fomos ajudados; pude rever os benfeitores que muitas vezes vi pela
vidência, que me era fácil, e aí, com todo esse alvoroço que ocorreu
desde o momento que o coração parou de bater, é que pude perceber
algo que falei para os benfeitores e amigos: “Nem senti que morri...” E
sorri para todos, como eu sempre gostei de sorrir, e pude seguir com eles
para região de refazimento.
Trabalhem, queridos amigos, pois o trabalho suaviza as agruras da morte e nos torna aptos para vivermos, pelo menos com desapego, no Plano Espiritual.
Sou sempre a Tia Neuza, a Neuza Trindade.”
(Grifos nossos.)
(Mensagem psicografada pelo médium Mário Coelho em 26/9/2015, no CELD.)
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Tema: “Medo da Morte”
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