RISCOS OCUPACIONAIS DOS TRABALHADORES DE ENFERMAGEM: UMA REVISÃO BIBLIOGRÁFICA Luana Rodrigues Muller¹ Bruna Zuqueto Tadielo² Juliane Umann³ Regiane Porsch Delavechia² Rosângela Marion da Silva4 Introdução: Atualmente, esforços em vários setores têm sido empregados, visando à redução de acidentes e de doenças relacionadas ao trabalho e, embora as empresas ainda tenham como objeto central a produtividade e o lucro, algumas começam a direcionar ações na busca de melhores condições de trabalho. Alguns hospitais também já reconhecem a necessidade de oferecer melhores condições de trabalho, com vistas a melhorar a assistência prestada a seus clientes. O trabalho de enfermagem é executado em diversos locais, mas são os hospitais que abrigam o maior número de profissionais. O ambiente hospitalar apresenta uma série de situações, atividades e fatores potenciais de risco aos profissionais, os quais podem produzir alterações leves, moderadas ou graves e podem causar acidentes de trabalho e/ou doenças profissionais nos indivíduos a eles expostos. O ambiente hospitalar envolve a exposição dos profissionais de saúde e demais trabalhadores a uma diversidade de riscos, especialmente os biológicos. Por isso, a adoção de normas de biossegurança no trabalho em saúde é condição fundamental para a segurança dos trabalhadores, qualquer que seja a área de atuação, pois os riscos estão sempre presentes. Segundo Mastroeni (2004, p.25), biossegurança ou segurança biológica refere-se “a aplicação do conhecimento, com a finalidade de prevenir a exposição do trabalhador, laboratório e ambiente a agentes potencialmente infecciosos ou bioriscos”. As doenças infectocontagiosas se destacam como as principais fontes de transmissão de microrganismos para pacientes e para profissionais. Outra importante fonte de contaminação refere-se ao contato direto com fluidos corpóreos durante a realização de procedimentos invasivos ou por meio da manipulação de artigos, roupas, lixo e até mesmo as superfícies contaminadas, sem que medidas de biossegurança sejam utilizadas. Uma das formas de reduzir a exposição do profissional com materiais biológicos é por meio do uso de Equipamentos de Proteção individual (EPIs). Segundo a Norma Regulamentadora (NR-6) EPI é todo dispositivo de uso individual destinado a proteger a saúde e a integridade física do trabalhador, incluindo luvas, aventais, protetores oculares, faciais e auriculares, protetores respiratórios e para os membros inferiores. É responsabilidade do empregador o fornecimento do EPI adequado ao risco e o treinamento dos trabalhadores quanto à forma correta de utilização e conservação. Objetivo: identificar os riscos ocupacionais a que estão expostos os trabalhadores de enfermagem e a principal forma de reduzir a exposição a esses riscos. Materiais e métodos: Trata-se de um estudo realizado a partir de uma pesquisa bibliográfica, utilizou-se para isso publicações nacionais sobre biossegurança, saúde do trabalhador, riscos ocupacionais em enfermagem e uso de EPIs, valendo-se da base de dados LILACS. Efetuou-se uma primeira leitura dos títulos e resumos dos artigos pesquisados, posteriormente, foram selecionados cinco que tinham maior compatibilidade com a temática e destes foram utilizados três. A pesquisa foi realizada no período de dezembro de 2007 a março de 2008 e os artigos selecionados foram publicados entre os anos de 2004 a 2007. Resultados: A equipe de enfermagem é muito sujeita a exposição por material biológico. Este número elevado de exposições relaciona-se ao fato de os trabalhadores da saúde terem contato direto na assistência aos pacientes e também ao tipo e à freqüência de procedimentos realizados. Constatou-se que os riscos ocupacionais identificados pelos trabalhadores de enfermagem aparecem em maior número quando relacionados ao cuidado direto aos pacientes tais como: presença de sangue, secreções, fluidos corpóreos por incisões, sondagens, cateteres, expondo os trabalhadores a esse contato. Evitar exposição ocupacional a sangue é o principal caminho para prevenir a transmissão de patógenos a trabalhadores da saúde. Estes estão expostos ao risco destas infecções por meio de ferimento percutâneo (ocasionado por picada de agulha ou corte com objeto agudo) ou contato de membrana, mucosa ou pele (por meio de rachadura de pele ou dermatite) com sangue ou outros fluidos corpóreos potencialmente infectados. Para evitar os riscos de contaminação, os trabalhadores da área da saúde devem conhecer e adotar no seu cotidiano as medidas de Precauções Padronizadas (PPs). Essas medidas são usadas para reduzir o risco de expansão de agentes patógenos causadores de infecções conhecidas e desconhecidas, prevenindo a expansão de infecção, geralmente vinculada a sangue, fluidos, secreções, excreções corporais, pele lesada, membranas e mucosas. A lavagem das mãos, o manuseio cuidadoso dos instrumentos perfuro cortantes e o uso de EPIs são recomendadas como medida preventiva de contaminação. As luvas são indicadas sempre que houver possibilidade de contato com sangue, secreções e excreções, com mucosa ou pele não íntegra. As máscaras, gorros e óculos de proteção devem ser usados na realização de procedimentos em que haja possibilidade de respingo de sangue ou outros fluidos corpóreos nas mucosas da boca, do nariz e dos olhos do profissional. Capotes (aventais) são recomendados nos procedimentos com possibilidade de contato com material biológico, inclusive superfícies contaminadas. As botas são indicadas para a proteção dos pés em locais úmidos ou com quantidade significativa de material infectante. Constatou-se por meio da leitura do material selecionado que os acidentes com material biológico é o principal risco que o profissional de enfermagem está exposto e o uso de EPIs é principal forma de proteção do trabalhador de enfermagem, desde que seja utilizado de forma correta. Conclusão: Por serem prestadores de assistência ininterrupta, 24 horas por dia, os trabalhadores de enfermagem são os que mais permanecem em contato físico com os doentes. Conseqüentemente, estão mais sujeitos ao risco de infecção, pois os riscos de acidentes mais evidenciados relacionam-se diretamente à assistência ao paciente. Identificou-se como principais riscos biológicos a exposição a sangue, excretas/secreções e/ou fluidos corpóreos. Diante disto, todo procedimento nessa área deve ser executado com cautela e segurança deve haver uma concentração de esforços e recursos para reconhecimento dos riscos no ambiente de trabalho, treinamento e conscientização de práticas seguras e fornecimento de forma contínua e uniforme dos dispositivos de segurança aos trabalhadores da área da saúde. Todo paciente desconhecido do ponto de vista sorológico deve ser atendido por profissional protegido por óculos, máscara de proteção biológica, luvas e avental de mangas longas. Devem ser realizadas orientações periódicas sobre biossegurança e conscientização do trabalhador a fim de se obter uma melhor adesão desses profissionais para o uso de EPIs, bem como a disponibilidade desses equipamentos para o trabalhador de enfermagem. Todas as medidas possíveis de serem adotadas para minimizar os riscos de acidentes do profissional de saúde devem ser consideradas. Palavras-chave: riscos ocupacionais, enfermagem do trabalho, biossegurança. Área temática: saúde do trabalhador. 1. Autora/relatora, Acadêmica do 7º semestre do Curso de Enfermagem da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) – RS. Membro do Grupo de Estudos e Pesquisa em Enfermagem e Saúde (GEPES)/ UFSM. Rua Duque de Caxias, n° 840,apto 202. Centro, Santa Maria- RS. E-mail: [email protected] 2. Autora, Acadêmica do 7º semestre do Curso de Enfermagem da UFSM. Membro do GEPES/ UFSM. 3. Autora, Acadêmica do 7º semestre do Curso de Enfermagem da UFSM. 4. Autora. Enfermeira, Mestranda do PPGEnf da Universidade Federal de Santa Maria-UFSM-RS. Membro do Grupo de Pesquisas: Trabalho, Saúde, Educação e Enfermagem. Linha de Pesquisa: Saúde do Trabalhador.