Estudo de superfícies de sólidos 18-12-2006 Maria da Conceição Paiva 1 Estudo de Superfícies de Sólidos - XPS • Métodos de caracterização química e físico-química de superfícies: – Espectroscopia fotoelectrónica de raios X (XPS) – Determnação da energia de superfície – Espectroscopia de Infravermelhos (FTIR - ATR, ou reflectância total atenuada) – Microscopia electrónica de varrimento (SEM) – Microscopia de força atómica (AFM) 18-12-2006 Maria da Conceição Paiva 2 Estudo de Superfícies de Sólidos - XPS – Espectroscopia fotoelectrónica de raios X (XPS) Permite a análise da composição química da superfície de materiais. Faz-se incidir um feixe de fotões sobre a superfície da amostra; a energia dos fotões incidentes é tão elevada (energia da região espectral dos raios X), que é suficiente para arrancar electrões das camadas interiores dos átomos constituíntes do material a analisar. A energia do fotão incidente, hν, é igual à soma da energia de ligação (EL) do electrão ao átomo, com a energia cinética do fotoelectrão (electrão ejectado do átomo, Ek): hν = Ek + EL + φ Approximate ionisation energies for the 1s level [P. W. Atkins, 1994] Element C N O F Energy (eV) 284.5 400 530 690 18-12-2006 Maria da Conceição Paiva 3 Estudo de Superfícies de Sólidos - XPS 18-12-2006 Maria da Conceição Paiva 4 Estudo de Superfícies de Sólidos - XPS hν hν = Ek + EL + φ 18-12-2006 Maria da Conceição Paiva 5 Estudo de Superfícies de Sólidos - XPS Desvios de energia de ligação para o nível C1s devidos à presença de oxidação superficial de diferentes características químicas, e portanto de diferentes tipos de ligação carbono-oxigénio. Group BE shift (eV) Phenol [C. Jones, E. Sammann, 1990] 1.6 Hydroquinone [C. Jones, E. Sammann, 1990] 1.7 Carbonyl [R. Schlögl, H. P. Boehm, 1983] 3-5 Carboxyl [R. Schlögl, H. P. Boehm, 1983] 4.5 π→π* shake-up satellite [C. Kozlowski, P. M. A. Sherwood, 1987] >6 18-12-2006 Maria da Conceição Paiva 6 Estudo de Superfícies de Sólidos - XPS A espessura de amostra que é analisada depende da inclinação da amostra relativamente ao feixe incidente. 18-12-2006 Maria da Conceição Paiva 7 Estudo de Superfícies de Sólidos - XPS Espectro de XPS de fibras de carbono sem e com tratamento superficial oxidante: 18-12-2006 Maria da Conceição Paiva 8 Estudo de Superfícies de Sólidos - XPS • Algumas aplicações: – Análise elementar (qualitativae, quantitativa) – Análise da composição química – As análises são efectuadas à superfície (dimensão mínima da camada superficial que é possível analisar: 30 Å) – Permite a análise da variação da composição ao longo da espessura superficial, variando o ângulo de incidência 18-12-2006 Maria da Conceição Paiva 9 Estudo de Superfícies de Sólidos - XPS • Forma das amostras: – Sólidos – As amostras devem estar limpas de contaminações – Não é possível efectuar análises em materiais com elevadas pressões de vapor • Limitações: – Não é possível detectar H ou He – Limite de detecção 1% – Área de amostra que é possível analisar: 30 microns - 10 mm – Necessita de Ultra-alto-vácuo – Algumas amostras ficam danificadas 18-12-2006 Maria da Conceição Paiva 10 Superfícies de Sólidos – determinação de energia de superfície Determinação de energia de superfície de sólidos usando métodos de molhabilidade 18-12-2006 Maria da Conceição Paiva 11 Superfícies de Sólidos – determinação de energia de superfície W11 = -2 γ1 O trabalho necessário para juntar duas superfícies idênticas ideais no vazio, W11 está relacionado com a energia de superfície do material, γ1 W11 corresponde ao trabalho de coesão num caso ideal, e está normalizado relativamente à área das superfícies. Este trabalho deve ser idêntico ao trabalho necessário para separar o corpo em duas metades. Na realidade o processo de separação é irreversível, devido à dissipação de energia, por isso o trabalho de separação/coesão é maior do que a energia de superfície. Energia de superfície elevada ↔ forte coesão → elevado ponto de ebulição... 18-12-2006 Maria da Conceição Paiva 12 Superfícies de Sólidos – determinação de energia de superfície Superfícies de energia elevada têm tendência para reduzir essa energia por adsorção de contaminantes do meio em que se encontram. 18-12-2006 Maria da Conceição Paiva 13 Superfícies de Sólidos – determinação de energia de superfície Tensão superficial de líquidos: γ é definido pelo trabalho infinitesimal dW necessário para aumentar a superficie numa área infinitesimal dσ: dW = γδσ É necessário exercer trabalho para aumentar a superfície do líquido. Os líquidos tendem a minimizar a sua superfície A energia de superfície dos sólidos é o equivalente à tensão superficial dos líquidos, e estas grandezas estão relacionadas (aproximadamente) com a entalpia de vaporização das substâncias 18-12-2006 Maria da Conceição Paiva 14 Superfícies de Sólidos – determinação de energia de superfície Molhabilidade: é um fenómeno de contacto entre líquidos e superfícies sólidas Molhabilidade parcial Não há molhabilidade Molhabilidade total Totalmente não molhável 18-12-2006 Maria da Conceição Paiva 15 Superfícies de Sólidos – determinação de energia de superfície Equação de Young: 18-12-2006 γ SV = γ SL + γ LV cos θ SL /V Maria da Conceição Paiva 16 Superfícies de Sólidos – determinação de energia de superfície Forças de adesão que actuam sobre os dois corpos que entram em contacto Equação de Dupré: a variação total de energia livre é igual à energia interfacial γ12 γ 12 = γ 1 + γ 2 − W12 Em que γ1 e γ2 são as energias de superfície de 1 e 2 e W12 é o trabalho de adesão 18-12-2006 Maria da Conceição Paiva 17 Superfícies de Sólidos – determinação de energia de superfície γ S = γ SL + γ LV cos θ SL / V + π e • πe – pressão de “espalhamento” do vapor do líquido na superfície do sólido (πe = γS - γSV). Na interface sólido-líquido – equação de Dupré: γ SL = γ S + γ L − WSL • Combinando as equações de Young e de Dupré: WSL = γL (1+ cos θSL/V) + πe 18-12-2006 Maria da Conceição Paiva 18 Superfícies de Sólidos – determinação de energia de superfície Fowkes decompôs o trabalho de adesão em diferentes contribuições: d nd WAB = WAB + WAB nd WAB ≅ 2 γ dA γ Bd + 2 γ nd γ A B Em que: A componente não dispersiva da energia de superfície reflecte a capacidade do sólido para estabelecer interacções polares de curto alcance Deste modo: γ SL = γ S + γ L − 2 (γ Sd γ Ld ) − WSLnd Combinando com a equação de Young-Dupré: cos θ SL / V = 18-12-2006 2 γ Sd γ Ld γL + 2 γ Snd γ Lnd γL πe − −1 γL Maria da Conceição Paiva Desprezável para sólidos de baixa energia de superfície 19 Superfícies de Sólidos – determinação de energia de superfície Os estudos de energia de superfície de sólidos por métodos de molhabilidade envolvem a medição de ângulos de contacto entre diversos líquidos, de tensão superficial conhecida, e a superfície do sólido. Medição da contribuição dispersiva e não dispersiva de superfície de um sólido: cos θ SL / V = 2 γ Sd γ Ld γL a) Sólidos apolares: cos θ SL / V = 2 γ S + WSLnd γL γ Sd , γ Snd da energia −1 γ Ld −1 γL Pois: WSLnd= 0 e γS= γSd Por medição dos ângulos de contacto com vários líquidos de tensão superficial conhecida, verifica-se a variação linear de cos θ com γ Ld γL com declive 2 γ Sd e ordenada na origem − 1 18-12-2006 Maria da Conceição Paiva 20 Superfícies de Sólidos – determinação de energia de superfície b) Sólidos polares: Para determinar a componente não dispersiva, ou polar, da energia de superfície do sólido, fazem-se agora medições de ângulos de contacto com líquidos polares. Neste caso a relação linear indicada no caso anterior não é válida, e mede-se o afastamento da linearidade. 18-12-2006 Maria da Conceição Paiva 21 Superfícies de Sólidos – determinação de energia de superfície 18-12-2006 Maria da Conceição Paiva 22 Superfícies de Sólidos – determinação de energia de superfície Aplicações: Estudo do aumento de energia de superfície por tratamento do sólido Estudo da diminuição de energia de superfície para impermeabilização, imitando a natureza: 18-12-2006 Maria da Conceição Paiva 23