TRATAMENTO DE SEMENTES DE FEIJÃO-MACASSAR ARMAZENADAS
109
PRODUTOS NATURAIS E FOSFETO DE ALUMÍNIO NO TRATAMENTO DE SEMENTES
DE FEIJÃO-MACASSAR (Vigna unguiculata (L.) Walp.) ARMAZENADAS1
KILSON PINHEIRO LOPES2, RISELANE DE LUCENA ALCÂNTARA BRUNO3, GENILDO BANDEIRA BRUNO3
E ADAILSON PEREIRA DE SOUZA3
RESUMO - Os pequenos agricultores, no Nordeste, com frequência utilizam produtos naturais no
tratamento de sementes, o que deve ser estimulado, por razões sócio-econômicas e ecológicas.
Objetivando avaliar a eficiência de alguns desses produtos, sementes de feijão-macassar, var.
Cariri, foram misturadas com raspas de fumo em rolo, cascas dos frutos de laranja cravo, frutos de
pimenta do reino, na razão de 10g para cada produto por kg de sementes; óleo de soja - 10ml/kg
de sementes e com fosfeto de alumínio - 0,10g/kg de sementes. Sementes não tratadas constituiramse a testemunha. O acondicionamento foi em recipientes metálicos, sendo estes mantidos em
ambiente não controlado, no município de Solânea, PB, durante 180 dias. As avaliações realizadas
prévio ao armazenamento e posteriormente a cada 45 dias, constaram da determinação do grau de
umidade, dos teste de germinação e vigor (primeira contagem da germinação e velocidade de
emergência das plântulas) e do exame de sementes infestadas. O delineamento experimental foi o
inteiramente casualizado, em esquema fatorial seis (produtos) x cinco (períodos de armazenamento),
com quatro repetições. As sementes tratadas com fumo em rolo, pimenta-do-reino e cascas de
laranja, apresentaram comportamento semelhante às tratadas com fosfeto de alumínio, com baixo
nível de infestação por insetos e manutenção da qualidade física e fisiológica durante o
armazenamento.
Termos para indexação: produtos naturais, infestação, qualidade fisiológica.
NATURAL PRODUCTS AND ALUMINIUM PHOSPHINE ON TREATMENT OF
STORED COWPEA (Vigna unguiculata (L.) Walp.) SEEDS
ABSTRACT - The small producers in Northeast of Brazil frequently use natural products for seed
treatment. This practic must be encouraged social, due economic and ecological reasons. Aiming
to evaluate the efficiency of some products, seeds of cowpea var. Cariri, were mixed to fragments
of processed tobacco leaves, peels of tangerine fruits, black pepper - 10g of each product by kg of
seeds; and soybean oil - 10ml/kg of seeds. Seeds treated with aluminium phosphine - 0.10g/kg of
seeds and untreated seeds also were evaluated. The seeds were packaged into metalic recipients
and montained at uncontrolled environment, in Solânea, Paraíba State, during 180 days. Previosly
to storage and to each 45 days during storage, were made the determination of the moisture degree,
and realizated tests for germination, vigor (first germination count and speed of germination index)
and insect infestation index. A completely randomized experimental design was employed, at
factorial scheme six (products) x five (storage periods), with four replicates. The seeds treated
with processed tobacco leaves, peels of tangerine, black pepper and aluminium phosphine chemical
showed equal efficience on the control of insect infestation and mainutence of physical and
physiological quality of seeds during storage.
Index terms: natural products, infestation, physiological quality.
1
Aceito para publicação em 15.11.2000; pesquisa financiada pelo PIBIC/
CNPq.
2
Engo Agro, Mestrando do Curso de Pós-Graduação em Agronomia, Depto.
de Fitotecnia, CCA/UFPB; Cx. Postal 22, 58397-000, Areia-PB.
3
Profes. Adjuntos do Depto. de Fitotecnia e de Solos, CCA/UFPB; e-mail:
[email protected]
INTRODUÇÃO
O controle de pragas em armazenamento é feito normalmente pelo expurgo dos grãos ou sementes através de fumigantes e/ou aplicação de inseticidas em polvilhamento. SaRevista Brasileira de Sementes, vol. 22, nº 2, p.109-117, 2000
110
K.P. LOPES et al.
bendo-se da alta toxicidade dos inseticidas empregados em
tal prática, nos últimos anos os estudos com produtos naturais no tratamento de sementes armazenadas vêm sendo intensificados, visando além da proteção dos grãos e/ou sementes contra fungos e insetos de armazenamento, um menor risco de intoxicação ao agricultor e ao consumidor (Boff &
Almeida, 1996 e Shabelsky & Yaniv, 1998).
Segundo Cavalcanti-Mata (1987) e Hara et al. (1997), o
agricultor nordestino processa e armazena seus produtos de
forma inadequada às condições regionais. Após colhidas, as
sementes são geralmente postas para secar em condições naturais, por exposição ao sol, estando sujeitas às variações
ambientais de temperatura e umidade. Por ocasião do armazenamento de sua produção, devem ser observadas as condições mínimas para tal prática, como umidade inicial, impurezas, contaminações por fungos e/ou insetos, embalagem,
ambiente, dentre outros cuidados, indispensáveis na manutenção da qualidade dos grãos e/ou sementes, da colheita até
o período de comercialização ou plantio, respectivamente.
Os níveis de danos em sementes dependem das condições do lote a partir do início da armazenagem e do controle
dos fatores ambientais durante essa fase (Popinigis, 1988). É
nesse período em que os grãos são atacados por grande número de espécies de insetos, normalmente conhecidos como
pragas de armazenamento, causando elevados prejuízos naqueles produtos.
Dentre os insetos de armazenamento, considerados como
pragas chaves, destacam-se alguns da família Bruchidae, popularmente conhecidos por gorgulho, caruncho ou bicho-dofeijão. O Callosobruchus maculatus, é um dos insetos pertencentes àquela família, considerado o de maior importância no Nordeste do Brasil, por atacar o feijão do gênero Vigna,
o mais explorado naquela região (Braccini & Picanço, 1995).
Quando não controlados, estragam as sementes, perfurandoas e conferindo-lhes mau aspecto comercial, consumindo suas
reservas nutritivas, refletindo na produção de plântulas fracas ou anormais, quando não destroem o embrião, impedindo-lhe a germinação. Ademais, os gorgulhos elevam a temperatura e umidade das sementes, criando condições para o
desenvolvimento de fungos (Vieira et al., 1993).
O tratamento de sementes segundo Menten (1996), no
sentido mais abrangente, envolve a aplicação de diversos processos e substâncias às sementes, objetivando sua preservação ou aperfeiçoamento de seu desempenho, garantindo a
produtividade das plantas; já no sentido restrito e mais tradicional, o tratamento de sementes visa, exclusivamente, o controle de agentes causais de doenças que interferem na produtividade das plantas.
Revista Brasileira de Sementes, vol. 22, nº 2, p.109-117, 2000
O controle químico alternativo, através do uso de inseticidas não convencionais, tem sido indicado como uma prática adequada e de baixo custo, principalmente para pequenas
propriedades. Tal controle, consiste no uso de óleos vegetais,
frutos de pimenta do reino e extratos de plantas. Estes inseticidas atuam normalmente de forma repelente sobre as pragas
do feijoeiro armazenado (Braccini & Picanço, 1995).
Para pequena quantidade de sementes, Vieira et al. (1993)
recomendam a utilização de óleos vegetais (5-10ml/kg de sementes) ou banha de porco (1kg por 15 sacos de feijão), terra
de formigueiro, areia, cinza, calcário, pó de batedura, pimenta do reino ou ainda manter o feijão em temperatura inferior a
10°C. Segundo Faroni et al. (1995), a terra de formigueiro,
seca ou molhada e a pimenta do reino “moída” na dosagem
de 250g/60kg de feijão, controlaram eficientemente, durante
oito meses, a infestação por Acanthoscelides obtectus em sementes de feijão Phaseolus sp., enquanto que o óleo vegetal
apresentou um bom controle até quatro meses após sua aplicação.
Shabelsky & Yaniv (1998) trataram 25 diferentes espécies de plantas de valor econômico, com quatro óleos vegetais, e verificaram que não houve inibição da germinação e
do vigor das sementes frente aos efeitos da origem e composição do óleo.
Com base nas considerações anteriores, o trabalho foi
realizado com o objetivo de testar produtos naturais, comumente empregados no tratamento de sementes pelos agricultores nordestinos, visando o controle de pragas de armazenamento e consequente manutenção da qualidade fisiológica
das sementes de feijão-macassar.
MATERIAL E MÉTODOS
Foram utilizadas sementes de feijão-macassar, variedade Cariri, colhidas no ano de 1997, adquiridas da Empresa
Estadual de Pesquisa Agropecuária da Paraíba (EMEPA-PB),
com sede no município de Alagoinha, PB. Prévio ao acondicionamento, foram misturados às sementes, para efeito de tratamento, os produtos naturais: FR - raspas de fumo em rolo
(Nicotiana tabacum L.); CL - cascas do fruto de laranja-cravo (Citrus reticulata L.) desidratadas e moídas “pó” e PR frutos de pimenta-do-reino (Piper nigrum L.) desidratados e
moídos “pó”, na proporção de 10g/kg de sementes; OS - óleo
de soja (Glycine max (L.) Merrill), 10ml/kg de sementes; tratamento com o produto químico FA - à base de fosfeto de
alumínio (Gastoxin-pastilhas), na proporção de 0,10g/kg de
sementes e TS - sementes não submetidas à tratamento, sendo este considerado a testemunha. Logo após o tratamento,
TRATAMENTO DE SEMENTES DE FEIJÃO-MACASSAR ARMAZENADAS
111
Umidade (%)
as sementes foram acondicionadas em recipientes metálicos
plântulas - calculado com base na fórmula proposta por
(silos) com capacidade para 1kg de sementes, os quais foram
Maguire (1962).
mantidos em armazém aberto, sem controle das condições
O delineamento experimental empregado foi inteiramente
ambientais, no município de Solânea, PB, microrregião do
casualizado, em esquema fatorial 6x5 (cinco produtos + uma
Brejo Paraibano, no período de outubro de 1997 à abril de
testemunha e cinco períodos de armazenamento), com quatro
1998.
repetições, para cada tratamento. Os dados obtidos foram subA avaliação da qualidade fisiológica das sementes foi
metidos à análise de variância, com aplicação do Teste F. Para
realizada no Laboratório de Análise de Sementes da Univertanto, aqueles que não apresentavam uma distribuição norsidade Federal da Paraíba, no início e a cada 45 dias de armazemal e homogeneidade de variância, foram transformados em
namento, sendo as análises realizadas de acordo com as Rearco-seno (X/100)0,5. Efetuou-se o desdobramento dos cinco
graus de liberdade referentes aos períodos de armazena-mento,
gras para Análise de Sementes (Brasil, 1992).
procedendo-se a análise de regressão, sendo escolhido o modeAs sementes de cada tratamento foram analisadas quanlo de maior grau significativo quando o desvio da regressão
to ao: grau de umidade - determinado pelo método da estufa
foi não significativo, do contrário, optou-se por apresentar os
a 105±3°C durante 24 horas, efetuando-se duas repetições de
resultados da tendência seguida pelos pontos observados.
50g por tratamento (Brasil, 1992); exame de sementes infestadas - foram empregadas quatro repetições de 100 sementes imersas em água durante 24 horas e posteriormente
RESULTADOS E DISCUSSÃO
realizado corte transversal e observadas individualmente, para
As condições climáticas do período experimental regisa verificação da presença de ovos, larvas, insetos adultos e/ou
traram, inicialmente, precipitações inferiores a 5mm, tornandanos causados pelos mesmos; germinação - realizada com
do-se mais frequentes a partir de dezembro, variando de
quatro subamostras de 50 sementes, utilizando-se como
128,20mm a 39,10mm mensais. As temperaturas foram semsubstrato o papel germitest, em forma de rolo, umedecido
pre crescentes, atingindo uma média de 23,2°C em março,
com água na proporção de 2,5 vezes o seu peso seco, mantiregistrando-se um pequeno decréscimo em abril.
dos em germinador a 25°C, sendo as avaliações das plântulas
A umidade das sementes (Figura 1), no início do armazefeitas aos cinco e oito dias, conforme as Regras para Análise
namento, encontrava-se na média de 9,8%, estando dentro
de Sementes (Brasil, 1992); primeira contagem da germinação - foi avaliada em conjunto com o teste de germiFR
CL
PR
OS
FA
TS
24
nação, contando-se o número de plântulas normais no
quinto dia após a semeadura
20
(Nakagawa, 1999); velocidade de emergência das
plântulas - efetuada em campo com quatro subamostras
16
de 50 sementes, semeadas
em canteiros, contendo sulcos de 2,5m de comprimen12
to, espaçadas de 0,3m, com
20 sementes por metro linear a uma profundidade de
8
0,05m, em regime diário de
0
45
90
135
180
irrigação, sendo as avaliações feitas diariamente atraPeríodo de armazenamento (dias)
vés do número de plântulas
FIG. 1. Umidade de sementes de feijão-macassar var. Cariri, tratadas com diferentes produtos
emergidas até completa estanaturais e um produto químico durante o armazenamento. Solânea, PB. 1997/1998.
bilização e o índice de veloFR - fumo em rolo; CL - cascas de laranja; PR - pimenta-do-reino; OS - óleo de soja; FA - fosfeto de alumínio e TS cidade de emergência das
sementes não tratadas.
Revista Brasileira de Sementes, vol. 22, nº 2, p.109-117, 2000
112
K.P. LOPES et al.
dos padrões estabelecidos pela CESM-PB (1989) e recomendado por Carvalho (1994) e Peske (1998). Sementes tratadas
com os produtos naturais CL, FR, PR e o produto químico
FA apresentaram pequenas variações no grau de umidade
durante o armazenamento, sendo os valores registrados inferiores a 12%, enquanto àquelas tratadas com OS e as não
submetidas ao tratamento (TS), tenderam aumentar sua umidade com o período de armazenamento.
Na Figura 2 encontra-se a representação gráfica das
equações de regressão do vigor na primeira contagem do teste de germinação, em função dos períodos de armazenamento,
para as sementes de feijão-macassar submetidas aos diferentes tratamentos. Observa-se que houve um acréscimo no vigor das sementes de feijão-macassar, atingindo valores máximos aos 80 dias de armazenamento, para sementes tratadas
com o produto natural FR e, em torno dos 70 dias para aque-
FUMO EM ROLO
CASCAS DE LARANJA
100
100
80
80
60
60
40
40
y^ = 45,1714 + 0,929048**X - 0,00590829**X2
20
20
R2 = 0,9790**
y^ = 51,3286 + 0,705397**X - 0,00507937**X2
R2 = 0,8319**
0
0
0
45
90
135
180
0
45
Vigor (%)
135
180
ÓLEO DE SOJA
PIMENTA DO REINO
100
100
80
80
60
60
y^ = 44,6571 + 1,17302**X - 0,0171958**X2 + 0,0000521262**X3
R2 = 0,9969**
40
40
20
90
^ = 47,7714 + 0,716825**X - 0,00504409**X2
y
20
R2 = 0,8712**
0
0
0
45
90
135
0
180
45
FOSFETO DE ALUMÍNIO
135
180
SEMENTES NÃO TRATADAS
100
100
80
80
60
60
40
40
20
90
y^ = 47,9714 + 0,693492**X - 0,00467372**X2
20
R2 = 0,9116**
0
0
0
45
90
135
180
0
45
90
135
180
Período de armazenamento (dias)
FIG. 2. Primeira contagem da germinação de sementes de feijão-macassar var. Cariri, tratadas com produtos naturais e um
produto químico, durante o armazenamento.
Revista Brasileira de Sementes, vol. 22, nº 2, p.109-117, 2000
113
TRATAMENTO DE SEMENTES DE FEIJÃO-MACASSAR ARMAZENADAS
las tratadas com CL e PR, à semelhança do produto químico
FA. A partir daqueles períodos, a redução no vigor das sementes testadas foi contínua até o final do armazenamento.
Contudo, tal redução foi mais acentuada quando as sementes
foram tratadas com OS, seguidas daquelas não tratadas (TS).
Estes resultados confirmam relatos de Lima et al. (1999), que
observaram em sementes de feijão-macassar, tratadas com
diferentes produtos naturais e com fosfeto de alumínio, um
acréscimo no vigor aos 30 dias de armazenamento, registrando-se, logo em seguida, decréscimos em função do tempo de
armazenamento.
Comparando-se os resultados da primeira contagem (Figura 2), com os de germinação (Figura 3), percebe-se que o
vigor das sementes de feijão-macassar foi mais afetado que a
viabilidade, apresentando curvas mais acentuadas, apesar da
redução na germinação ser bem mais precoce a partir das pri-
FUMO EM ROLO
CASCAS DE LARANJA
90
100
90
100
75
80
75
80
60
60
45
60
60
45
40
30
20
R2 = 0,9945**
0
0
Arco-Seno (X/100)1/2 da germinação
0
45
90
135
^
y = 73,7641 + 0,0480705**X - 0,00145154**X2
15
20
R2 = 0,7761**
0
180
0
0
45
90
135
180
ÓLEO DE SOJA
PIMENTA DO REINO
90
100
75
80
90
100
75
80
60
60
60
60
45
45
40
30
^
y = 73,592 - 0,00647536**X - 0,000942953**X2
15
20
R2 = 0,7875**
0
0
0
45
90
135
40
30
^
y = 73,1986 - 0,296003**X
15
20
r2 = 0,9399**
0
0
0
180
45
FOSFETO DE ALUMÍNIO
90
135
180
SEMENTES NÃO TRATADAS
90
100
90
100
75
80
75
80
60
60
45
60
60
45
40
30
15
Germinação (%)
15
40
30
^ = 68,7535 + 0,1858**X - 0,00196342**X2
y
40
30
^
y = 69,0188 + 0,670738**X - 0,0117349nsX2 + 0,000041197**X3
20
R2 = 0,9815**
0
0
0
45
90
135
180
20
15
0
0
0
45
90
135
180
Período de armazenamento (dias)
FIG. 3. Germinação de sementes de feijão-macassar var. Cariri, tratadas com produtos naturais e um produto químico,
durante o armazenamento.
Revista Brasileira de Sementes, vol. 22, nº 2, p.109-117, 2000
114
K.P. LOPES et al.
meiras semanas de armazenamento para sementes tratadas
com CL, PR, OS e sementes não tratadas (TS). Verifica-se
ainda, que o acréscimo no vigor das sementes tratadas com
os produtos naturais PR, CL e FR, além do produto químico
FA (Figura 2), não ocorreu para a germinação, na maioria
dos tratamentos, exceto para sementes tratadas com FR, à
semelhança daquelas tratadas com o produto químico FA,
chegando a atingir aos 45 dias, acréscimos na ordem de 6% e
8%, respectivamente, em relação ao valor de germinação constatado no início do armazenamento (Figura 3). Felismino et
al. (1999) verificaram que sementes de feijão-macassar tratadas com produtos naturais e químicos, aplicados puros e misturados, mantiveram sua germinação praticamente inalterada
nos três primeiros meses de armazenamento.
À semelhança do que ocorreu para o vigor na primeira
contagem da germinação (Figura 2), novamente o OS foi o
tratamento utilizado nas sementes que promoveu um maior
decréscimo nos valores de germinação, conforme se observa
pela equação de regressão linear, apresentando aos 180 dias
uma germinação de 21% (Figura 3). Quanto as sementes não
tratadas, houve drástica redução da germinação a partir dos
45 dias de armazenamento, apresentando-se aos 180 dias totalmente inviáveis. Por outro lado, para os produtos PR, CL e
FR, houve uma redução menos acentuada na percentagem de
germinação, da mesma forma que o produto químico FA, chegando a apresentar ao final do armazenamento germinação
na ordem de 51; 48; 44 e 60%, respectivamente. Resultados
semelhantes foram obtidos por Araújo et al. (1985), quando
utilizaram um produto à base de fosfina, na dosagem de
20cm 3/m3 de sementes de Phaseolus vulgaris L., verificando
que após quatro meses de armazenamento, houve queda pronunciada na germinação. Mangueira (1999) observou que tratamentos alternativos aplicados nas sementes armazenadas,
pouco influenciaram a viabilidade das sementes de Phaseolus
vulgaris L. var. Carioca, as quais mantiveram alta qualidade
fisiológica durante o armazenamento.
Com base nos resultados apresentados na Figura 3, observa-se que as sementes de feijão-macassar apresentaram
valores de germinação bastante satisfatórios quando submetidas ao tratamento com FR, alcançando aos 135 dias
percentuais na ordem de 73%, estando de acordo com o padrão mínimo (70%), estabelecido pela CESM-PB (1989).
Na Figura 4 pode-se visualizar mais uma vez que os
tratamentos naturais à base de FR, CL, PR e o produto químico FA, foram os que se destacaram, mantendo baixos níveis
de infestação ao longo do armazenamento das sementes de
feijão-macassar. Observa-se que logo após o tratamento, houve
uma tendência de redução na infestação das sementes trata-
Revista Brasileira de Sementes, vol. 22, nº 2, p.109-117, 2000
das com os produtos naturais CL e PR, à semelhança do produto químico FA. Contudo, o tratamento com CL promoveu
uma maior redução na infestação das sementes aos 45 dias de
armazenamento. Estas tenderam a aumentar lentamente sua
infestação, a partir daquele período até o final do armazenamento. Resultados semelhantes foram obtidos por Faroni
et al. (1995); Matos & Germano (1997) e Lima et al. (1999)
que utilizando tratamentos alternativos no controle de pragas
durante o armazenamento de feijão Phaseolus vulgaris L. var.
Cariri, destacaram a casca de laranja e a pimenta-do-reino
moídas como sendo de grande eficiência no controle da
infestação por insetos ao longo do armazenamento. Ainda
com referência à pimenta-do-reino, Boff & Almeida (1996)
observaram o efeito de extratos no controle de pragas de armazenamento, causando a mortalidade das larvas de Sitotroga
cerealella Oliv. Almeida et al. (1999) verificaram que o extrato de Piper nigrum L., seguido pelos extratos de Citrus
vulgaris L., Croton tiglium L. e Crysanthemum sp., na dosagem de 3ml, foram eficientes no controle do inseto adulto
Sitophilus spp., na ordem de 100, 99, 98 e 97%, respectivamente, quando aplicados na forma de vapor.
Sementes tratadas com FR, apesar de não promoverem
redução na infestação, mantiveram-na constante, apresentando um pequeno acréscimo após 135 dias de armazenamento. Já as sementes tratadas com OS, igualmente àquelas que não receberam tratamento (TS), aumentaram sua
incidência com o período de armazenamento, chegando estas
a atingir 100% de infestação aos 90 dias, enquanto aquelas,
aos 135 dias.
Quanto a velocidade de emergência das plântulas em
campo (Figura 5), houve um acréscimo no vigor das sementes tratadas com os produtos naturais FR, PR e CL e o produto químico FA, da mesma forma que o verificado na primeira
contagem da germinação (Figura 2). Contudo, este acréscimo foi mais acentuado nas sementes tratadas com PR, chegando a manter valores máximos de vigor até próximo aos 76
dias de armazenamento. Mais uma vez, sementes tratadas com
OS e as não tratadas (TS), reduziram seu vigor na medida em
que se passou o período de armazenamento, cujos dados se
ajustaram à equação de regressão linear.
Comparando-se o vigor das sementes na primeira contagem da germinação (Figura 2) com a velocidade de emergência das plântulas em campo (Figura 5), percebe-se que o comportamento foi semelhante para a maioria dos tratamentos,
comprovando-se a eficiência dos produtos naturais FR, CL e
PR, que à semelhança do produto químico FA, mantiveram o
vigor das sementes de feijão-macassar em níveis ótimos num
período compreendido entre os 60 a 80 dias de armazenamento.
115
TRATAMENTO DE SEMENTES DE FEIJÃO-MACASSAR ARMAZENADAS
FUMO EM ROLO
CASCAS DE LARANJA
90
100
90
R2 = 0,7977**
80
60
75
80
R2 = 0,9774**
60
60
45
60
45
40
30
15
0
0
Arco-Seno (X/100)1/2 da infestação
40
30
45
90
135
20
15
0
0
180
20
0
0
45
PIMENTA DO REINO
135
180
ÓLEO DE SOJA
90
100
90
100
80
75
80
^ = 26,6069 - 0,243834*X + 0,00276506*X2 - 0,00000882231*X3
y
75
90
R2 = 0,9862**
60
60
45
60
60
45
40
30
40
30
20
15
0
0
0
45
90
135
Infestação (%)
75
100
^ = 25,4519 - 0,494271**X + 0,00600151**X2 - 0,000019637**X3
y
^
y = 26,127 + 0,164733*X - 0,00269279nsX2 + 0,0000108959**X3
20
15
0
0
180
0
45
FOSFETO DE ALUMÍNIO
90
135
180
SEMENTES NÃO TRATADAS
90
100
90
100
80
75
80
^ = 26,6402 - 0,3491nsX + 0,00378218**X2 - 0,0000110256**X3
y
75
R2 = 0,9896**
60
60
45
60
60
45
40
30
40
30
20
15
0
0
0
45
90
135
180
15
^y = 25,9109 + 1,36613**X - 0,00931466**X2 + 0,0000205264**X3
20
R2 = 0,9983**
0
0
0
45
90
135
180
Período de armazenamento (dias)
FIG. 4. Infestação por insetos em sementes de feijão-macassar var. Cariri, tratadas com produtos naturais e um produto
químico, durante o armazenamento.
Revista Brasileira de Sementes, vol. 22, nº 2, p.109-117, 2000
116
K.P. LOPES et al.
FUMO EM ROLO
CASCAS DE LARANJA
12
12
9
9
6
6
^
y = 8,40326 + 0,0591726**X - 0,000449031**X2
3
y^ = 8,16809 + 0,0308544*X - 0,000257639*X2
3
2
R = 0,9800**
0
R2 = 0,6736**
0
0
45
90
135
180
0
45
Vigor
PIMENTA DO REINO
12
9
9
6
6
180
135
180
135
180
^
y = 9,14564 - 0,0330243**X
y^ = 7,95245 + 0,0569959nsX - 0,000373533**X2
3
R2 = 0,7759**
0
r2 = 0,8528**
0
0
45
90
135
180
0
FOSFETO DE ALUMÍNIO
45
90
SEMENTES NÃO TRATADAS
12
12
9
9
6
6
^
y = 8,42944 + 0,0422363*X - 0,000305697**X2
3
135
ÓLEO DE SOJA
12
3
90
^ = 9,22601 - 0,0443551**X
y
3
R2 = 0,9158**
0
r2 = 0,9736**
0
0
45
90
135
180
0
45
90
Período de armazenamento (dias)
FIG. 5. Velocidade de emergência das plântulas em campo de sementes de feijão-macassar var. Cariri, tratadas com produtos
naturais e um produto químico, durante o armazenamento.
Revista Brasileira de Sementes, vol. 22, nº 2, p.109-117, 2000
TRATAMENTO DE SEMENTES DE FEIJÃO-MACASSAR ARMAZENADAS
Qualidade fisiológica e sanitária de sementes de feijão (Vigna
unguiculata (L.) Walp. e Phaseolus vulgaris L.) tratadas com
produtos químicos e naturais e armazenadas em ambiente não
controlado. Revista Brasileira de Sementes, Brasília. v.12,
n.1, p.198-207, 1999.
CONCLUSÕES
! Os produtos naturais à base de raspas de fumo em rolo, pó
de cascas dos frutos de laranja cravo e de frutos de pimenta-do-reino moídos são eficientes no controle da infestação
por insetos das sementes armazenadas, a semelhança do
produto químico à base de fosfeto de alumínio;
! ao nível de pequenas propriedades, sementes de feijãomacassar podem ser tratadas com produtos naturais à base
de fumo em rolo, cascas do fruto de laranja cravo e frutos
de pimenta-do-reino moídos, em substituição ao produto
químico à base de fosfeto de alumínio e, armazenadas por
até 80 dias, sem afetar suas qualidades física e fisiológica.
117
HARA, T.; ALMEIDA, F.A.C. & CAVALCANTI-MATA, M.E.R.M.
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Revista Brasileira de Sementes, vol. 22, nº 2, p.109-117, 2000
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