TÍTULO: SERÁ QUE TUBULAÇÕES SOB A RODOVIA RIO-SANTOS SÃO BONS LOCAIS PARA A
PASSAGEM DOS PEIXES?
CATEGORIA: CONCLUÍDO
ÁREA: CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E SAÚDE
SUBÁREA: CIÊNCIAS BIOLÓGICAS
INSTITUIÇÃO: UNIVERSIDADE SANTA CECÍLIA
AUTOR(ES): LUCAS EDUARDO CASIMIRO
ORIENTADOR(ES): JOÃO ALBERTO PASCHOA DOS SANTOS
RESUMO
Esse projeto visou estudar a assembleia de peixes que utilizam as tubulações que são
usadas para permitir a passagem da água dos rios que nascem na Serra do Mar e
desembocam no Canal de Bertioga. O rio desse trabalho foi o Rio Tupi que intercepta
a rodovia, Rio-Santos, no Km 234, na área continental da cidade de Santos, SP, onde
possui duas tubulações paralelas de 53 metros cada. A campanha de coleta foi
realizada em duas réplicas, sendo uma amostral das espécies do rio e outra somente
nas tubulações isoladas com redes de contenção com objetivo de avaliar uma possível
variação e compreensão de espécies oportunistas. A assembleia de espécies de
peixes encontradas no percurso do rio foi maior que a encontrada nos trechos de
tubulações, onde a quantidade de espécies foi elevada, com pequenos peixes que
podem usar o local como abrigo e peixes com preferência de água mais lótica. Esse
estudo pode auxiliar no entendimento da composição e distribuição da ictiofauna em
ambientes de tubulação interceptados por rodovias.
INTRODUÇÃO
O Brasil é o país que possui o maior número de peixes de água doce cerca de 2.122 espécies já catalogadas (Buckup & Menezes, 2003), 21% da
lista mundial –, das quais 134 estão ameaçadas; a maioria dessas espécies
ameaçadas, principalmente as endêmicas, encontra-se nas regiões de Mata
Atlântica no Sul e Sudeste do Brasil, decorrente de suas características
naturais (isolamento geográfico) (Ribeiro et al., 2011; Barbosa & Costa, 2012;
Pereira et al., 2012), pois são as regiões mais desenvolvidas do país, o que
leva a um maior desgaste de seus ecossistemas (Agostinho et al., 2005).
Os riachos da Mata Atlântica são ambientes lóticos, de pequeno porte,
caracterizados por suas formas lineares, fluxo d’água contínuo e unidirecional,
alternância de habitats e leitos instáveis (Uieda & Castro, 1999), possuem uma
diversidade de espécies de peixes estimada em 269 espécies, distribuídas em
89 gêneros e 21 famílias (Abilhoa et al,. 2011). Muitas espécies ainda não
descritas conforme verificado em trabalhos publicados recentemente (Ribeiro
et al., 2011; Barbosa & Costa., 2012; Pereira et al., 2012). Consequentemente,
existem poucos rios no mundo que ainda possuem sua integridade funcional
original (Karr, 1993).
Ao longo dos últimos anos, muitas pesquisas têm sido feitas para avaliar
o efeito das tubulações sobre populações de peixes de regiões temperadas
(Mirati, 1999; Bouska; Paukert, 2009). Podendo ela servir de abrigo ou forçando
o afunilamento da rota de migração de peixes. No caso de riachos, as
atividades humanas têm criado obstáculos à passagem de peixes. Exemplo
disso é a construção de estradas que, por meio de tubulações (culverts), levam
à desestruturação dos canais originais (Forman; Deblinger, 2000), sendo um
local arejado e refugiado da luz, como também proporcionam efeitos deletérios
à fauna aquática. Essas passagens que direcionam o fluxo de água sob
estradas podem limitar por diversas razões físicas (ex. Velocidade de queda e
profundidade da água insuficiente) os movimentos dos peixes a montante e a
jusante, conduzindo fragmentação do habitat (Vos; Chardon, 1998), ampliando
a probabilidade de extinções locais. Alterações nos hábitats, segundo Merona
(1987), têm influência direta sobre as funções biológicas de cada espécie de
peixe, pois ocasionam modificações na complexa estrutura ambiental, afetando as
inter-relações entre os elementos que a compõem, o que pode, consequentemente,
alterar a composicão e abundância da ictiofauna local. As populações de peixes são
rigorosamente dependentes de características particulares de seus habitats
aquáticos, os quais suportam todas as suas funções biológicas, como reprodução,
nutrição e locomoção (Northcote, 1984).
Por esses fatos tornam-se imperativos os levantamentos ictiofaunisticos, tanto
para riachos livres de tubulações, quanto para os interceptados . Assim, a predação
intensificado é um problema adicional que deve ser dirigida ao construir passagens
para peixes. Neste caso, as instalações de passagem acreditamos ser um hotspot
para predação (McLaughlin et al, 2012), ao invés de um corredor de biodiversidade.
OBJETIVO
Avaliar a assembleia existente nas tubulações de um riacho costeiro da Mata
Atlântica, predizendo a possibilidade de que peixes predadores e oportunistas ocupem
esse espaço.
Metodologia/Desenvolvimento
O rio Tupi, localizado na Bacia da Baixada Santista, com nascente na
Serra do Mar e foz no Canal de Bertioga, cruza a rodovia Rio-Santos no Km
234;
Para o presente estudo foram analisadas a assembleia de peixes que
vivem nas tubulações que interceptam a rodovia Rio-Santos.
Foram realizadas duas campanhas de coletas, sendo uma para uma
amostragem dos peixes que vivem no local e uma outra replica somente nos
trechos de tubulações; a captura dos peixes da amostragem do rio foi realizada
por pesca elétrica e em cada tubulação (2), isoladamente, com o método de
rede de arrasto. Duas redes de contenção (5 mm de malha) ficaram dispostas
transversalmente (montante e jusante) das tubulações. O esforço de captura
foi realizado até que nenhum indivíduo fosse mais coletado. Em cada tubulação
foi realizada medidas de batimetria (largura, profundidade e comprimento),
além da medida do diâmetro da tubulação. Os exemplares capturados foram
anestesiados com solução de óleo de cravo até parada de batimento opercular,
posteriormente foram fixados em formol a 10% e conservados em álcool 70%.
A identificação das espécies foi realizada por especialistas do
Laboratório de Peixes Continentais – LAPEC, Universidade Santa Cecília Santos, onde também serão depositados exemplares testemunhos.
RESULTADOS
O rio Tupi apresenta largura média de 7 metros, com profundidade média de 30 centimetros,
com temperatura de 21°C. As tubulações, sendo duas, possuem comprimento de 53 metros,
com profundidade de 17 cm e largura de 2 metros e fundo de concreto. Os dados obtidos
mostram uma diferença na amostragem dos peixes em diferentes ambientes, foram coletados
no percurso do rio 14 espécies, com 91 indivíduos, já nos trechos de tubulações, 6 espécies,
com 362 indivíduos, sendo um local abrigado da luz, com redução da largura do rio e
diferença na profundidade, afetando a vazão da água.
Trecho de Tubulações
Ordem/Família
Characiformes
Characidae
Espécies
Sigla
Deuterodon iguape
Hollandichthys multifasciatus
Mimagoniates microlepis
Digu
Hmul
Mmic
37
6
22
Phsp
226
Sbar
Rfre
69
2
Cyprinodontiformes
Poeciliidae
Phalloceros sp.
Siluriformes
Callichthyidae
Scleromystax barbatus
Heptapteridae
Rhandioglanis frenatus
Quantidade
Peixes coletados no percurso do rio.
Ordem/Família
Characiformes
Characidae
Crenuchidae
Erythrinidae
Cyprinodontiformes
Rivulidae
Poeciliidae
Gymnotiformes
Gymnotidae
Perciformes
Cichidae
Siluriformes
Callichthyidae
Heptapteridae
Trichomycteridae
Espécies
Sigla
Quantidade
Deuterodon iguape
Hollandichthys multifasciatus
Mimagoniates microlepis
Characidium
pterostictum
Hoplias malabaricus
Digu
Hmul
Mmic
Cpte
Hmal
18
Atlantirivulus santensis
Phalloceros sp.
Asan
Phsp
17
13
Gymnotus
Gpan
8
Geophagus brasiliensis
Gbra
1
Scleromystax barbatus
Rhamdia quelen
Rhandioglanis frenatus
Trichomycterus
zonatus
Sbar
Rque
Rfre
Tzon
12
1
3
2
pantherinus
4
11
1
Considerações Finais
O rio Tupi, por ser um rio com pouca atividade antrópica, em seu percurso apresentou
uma gama de variedades de espécies de peixes, e em trechos de tubulações, esse
número diminui, mostrando ser um local não favorável a muitas espécies ali presentes,
por ser refugiado da luz, estreito e com substrato de concreto, onde o percurso do rio
se afunila e a água flui mais rapidamente podendo ser um ponto de estratégia para
peixes predadores ou oportunistas, ou local abrigado para pequenas espécies.
Fontes Consultadas
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