RELAÇÃO ENTRE A INTENSIDADE DE CHUVA MÉDIA EM ÁREA E PARÂMETROS DA DISTRIBUIÇÃO DO TAMANHO DE CORDAS DE CÉLULAS DE CHUVA: PARTE II - IMPLICAÇÕES NA UTILIZAÇÃO DE SENSOR MICROONDAS A PARTIR DE PLATAFORMA ESPACIAL. Ricardo Sarmento Tenório Universidade Federal de Alagoas - Departamento de Meteorologia Cidade Universitária - 57072-970 - Maceió – AL E-mail: [email protected] Henri Sauvageot Université Paul Sabatier – Laboratoire d’Aerologie 14, avenue Edouard Belin, 31400 Toulouse France E-mail : [email protected] Byung Hyuk Kwon Universidade Federal de Alagoas - Departamento de Meteorologia Cidade Universitária - 57072-970 - Maceió – AL E-mail: [email protected] ABSTRACT It was demonstrated that an explicit knowledge of the rain cell diameter distribution DDCC is not necessary to obtain the area-averaged rain rate <R>. The DDCC can be replaced by the distribution of the chords of the rain cells (DCCC). The moments of the DCCC are analytically related to the moments of the DDCC. Thus, an equation showing that <R> is a function of the only area-averaged chord length is given. Based on this relation, a very simple method for the measurements of precipitation from the random intersect of the rain cell population by a scanning remote sensor is proposed. In this method, <R> is inferred from the simple estimation of the area-averaged chord length observed, for example, with a radar sampling, in a binary way, a rain cell distribution thresholded at mean rain rate τ. It was suggested that this method can be implemented for area-average rain-rate estimates from a spaceborne microwave sensor. INTRODUÇÃO Já foi demonstrado que a intensidade de chuva média em área (ou frações de área onde a intensidade de chuva é superior a um determinado valor) e os parâmetros da distribuição dos tamanhos de células de chuva obedecem uma relação muito simples (Tenório et al., neste volume). Esta relação foi apresentada de forma clara e de fácil compreensão, calculando-se apenas alguns parâmetros do campo de chuva, por exemplo, através de um radar terrestre. Porém, a resolução espacial da observação do radar tem um limite baixo (Tenório, neste volume) de tal modo que a distribuição do diâmetro de células de chuva (DDCC) observada ficará truncada (t) à esquerda em D = Dt. Tenório et al. (neste volume) mostraram que (NT )t e (<D>)t os valores parciais calculados à partir de uma DDCC truncada, podem ser corrigidos através de um fator de correção (FC) para os momentos da DDCC obtida a partir de dados truncados, isto é, multiplicando (NT)t e (<D>) por eλDt e (Dtλ +1)-1, respectivamente, e obtendo assim, [ π < R >= ( S (τ ) )( N T ) t (< D >) 2 e λDt ( λD t + 1) −2 2 ] (1) O objetivo do presente trabalho é mostrar que, a partir da equação (1), as estimativas de <R> podem ser deduzidas desde que se conheça m0 e m1, momentos estatísticos de ordem zero e um, de uma DDCC. E ainda que, para o cálculo destes momentos, uma determinação explicita da DDCC não será mais necessária. Também foi sugerido que este método possa ser implementado para estimativas de intensidade de chuva através de um sensor microondas a 2035 bordo de plataformas espaciais. Foram apresentados alguns testes e simulações a partir de dados de radar terrestre para apoiar a validação da proposta. CÁLCULO DE <R> A PARTIR DA DISTRIBUIÇÃO DA CORDA DE CÉLULA CHUVA. Figura 1 - Representação esquemática de uma plataforma espacial movendo-se ao longo de uma trajetória T e fazendo uma amostragem do campo de chuva em forma células circulares. O sensor microonda faz uma varredura perpendicular a T, no sentido das linhas retas mais claras. Os segmentos escuros são as cordas observadas. Considere-se um conjunto de janelas distribuídas ao longo de uma varredura azimutal de um radar com baixo ângulo de elevação, através de um campo de células circulares de chuva (isto é, varredura PPI clássica). Da mesma maneira, também pode-se considerar (Figura 1) uma plataforma espacial que descreve uma trajetória (T) e através de um sensor microondas a bordo, realiza uma varredura com trilhas não adjacentes (nonadjacent swaths), perpendicularmente a T, e sobre de um campo de células circulares de chuva. O que é executado pelo sensor é uma amostragem aleatória das cordas l, resultado da intercepção do feixe do sensor pelas células de chuva (no caso de uma varredura PPI, o arco de um de círculo pode ser aproximado pela tangente). A interpretação estatística da amostragem das cordas, em termos de DDCC, requer o conhecimento da relação entre a distribuição de cordas de célula de chuva (DCCC) e a DDCC. A derivação desta relação foi realizada pela primeira vez por Wicksell (1925) quando deduziu a distribuição de corpúsculos esféricos embutidos em tecido orgânico, cortado por um plano arbitrário que interceptavam estes corpúsculos. Utilizando o mesmo método, Vul'fson (1961) inferiu a distribuição do tamanho de células convectivas utilizando-se das flutuações de temperatura observadas a partir de um avião em trajetória reta e horizontal dentro de uma atmosfera de convectiva. A mesma aproximação também foi usada por Yau e Rogers (1984), quando discutiram a distribuição do tamanho de áreas de chuva utilizando dados de pluviômetros. Vul'fson (1961) mostrou que momentos de ordem p da função de distribuição de probabilidade da corda, gp, e os momentos de ordem p + 1 da DCCC, mp + 1, estão relacionados por g p = C( p) m p+1 m1 (2) , onde C(p) é um coeficiente, tal que −1 1 p 1 p + 3 C ( p ) = Γ + 1Γ Γ , 2 2 2 2 (3) e Γ é a função gama; para p = 1, C(p) = π/4. Sabe-se que <D> pode ser obtido através de Tenório et al., equação 07, neste volume, isto é, < D >= 1 NT ∞ ∫0 DN ( D, τ )dD = 2036 m1 , m0 (4) Logo, para p = 1, e utilizando as equações (4) e (3) em (2), obtêm-se m2 = 4 NT g1 . π λ (5) Segundo Tenório et al. (neste volume), o diâmetro médio de células de chuva em área é proporcional a λ -l, logo: D = 1 . λ (6) Vul'fson (1961) e Yau e Rogers (1984), em suas aproximações, afirmaram que o número médio de células com qualquer diâmetro, interceptadas por uma linha L, isto é o número médio de cordas, é dado por: ∞ n = LA −1 N T ∫ Dn(d )dD = LA −1 N T < D > . (7) 0 Usando (4) e (6) em (7), pode-se escrever; (8) NT n = , λ L onde aqui, L é o comprimento da trajetória de medida do sensor distante e n o número de cordas observadas associadas a L. Pode-se calcular g1 através do cálculo das médias das cordas <l>, observadas dentro de uma área A, em um campo de células chuva com intensidades R = τ, onde valores de R<τ são desprezados. Assim, utilizando as equações (8) e (5), obtêm-se m2 = 4n < l >. π L (9) Como visto para os dados de radar, a resolução espacial do sensor microondas tem um mais baixo limite l0, de tal modo que a DCCC observada é truncada à esquerda em l = l0. Assim, <l> na equação (9) também tem que ser corrigido em função do truncamento. É aceitável assumir que a distância x entre uma corda e o centro de uma célula, é distribuída uniformemente entre zero e D/2. Então, se a distribuição D for representada corretamente por uma distribuição exponencial (Tenório, neste volume), a distribuição de cordas será de forma exponencial. Logo, a DCCC pode ser escrita da seguinte forma w(l ,τ ) = w0 (τ )e −αl , (10) onde w0(t) e α são os parâmetros da DCCC. As inclinações da DDCC e DCCC, λ e α, estão relacionadas. A relação é obtida facilmente, escrevendo-se a equação (2) para p =1. Quer dizer, g1 = C1 m2/m1. A partir da integração da equação do enésimo momento estatístico de uma distribuição de N (D, τ) (Tenório et al., neste volume), obtêm-se mn (τ ) = N 0 (τ ) n! . λn +1 Logo, a partir de (11), pode-se obter m2/m1 = 2/λl e g1 = a-1. Com C1 = π/4, obtêm-se 2037 (11) α= (12) 2 λ ≅ 0,64λ . π Utilizando-se das aproximações para a correção dos parâmetros (fator de correção FC) da distribuição calculadas a partir de uma DDCC truncada Tenório et al. (neste volume), pode-se mostrar que n e <l>, o número total de cordas e o comprimento médio das cordas, calculados a partir de uma DCCC truncada à esquerda em l = lt, são (13) n = n eαlt t e < l >= (< l > )t (αl t + 1) , −1 (14) onde o subscrito t refere-se ao truncamento. Como pode-se verificar, a equação (9) pode ser reescrita da seguinte forma m2 = (15) 4 nt (< l >)t eαl (αlt + 1)−1 . π L t Através da equação proposta por Tenório et al. (neste volume), para a estimativa da intensidade média de chuva em área (16) π < R >= S (τ ) m2 , 4 e da equação (15), a intensidade média de chuva em área dentro de uma área A observada é [ < R >= S (τ )e αl (αl t + 1) −1 t ] nL (< l >) . t Figura 2 - Distribuição típica do comprimento de corda w(l,τ) deduzido a partir dos dados do radar de Niamey (Niger). l é o comprimento da corda, τ é o limiar da taxa de chuva. A linha reta é o ajuste realizado com (26); α é a inclinação exponencial, ρ é o coeficiente de correlação, e A é a área observada. O espaçamento entre as linhas retas (trajetória do sensor) é de 15 km. 2038 (17) t Observando esta equação, nota-se que os parâmetros localizados entre colchetes são todos conhecidos. Então, conhecendo-se a relação entre o número total (truncado) de cordas, o comprimento da trajetória e o comprimento médio das cordas, pode-se obter intensidade média de chuva em área, dentro de uma determinada área observada, <R>. De maneira similar F (τ), a fração de área ocupada pelas células de chuva para intensidades de chuva acima de um limiar τ, por unidade de área, pode ser obtida dividindo-se <R> por S (τ), pois <R> está estatisticamente relacionada à F(τ) por uma relação linear da forma R = S (τ )F (τ ) (Doneaud et al., 1984; Chiu, 1988; Lopez et al., 1989; Atlas et al., 1990; Rosenfeld et al., 1990; Kedem et al., 1990; Cheng e Brown, 1993; Sauvageot, 1994; Ramos-Buarque e Sauvageot, 1997; Chèze e Sauvageot, 1997). 3 - TESTES EXPERIMENTAIS Alguns testes experimentais foram efetuados com o objetivo de demonstrar a validade das equações propostas neste trabalho. O conjunto de dados utilizados consiste em dados de radar banda C, coletados em latitudes tropicais em Niamey (Níger - África Ocidental), e em latitudes médias em Toulouse, (sudoeste da França). Os campos de chuva deduzidos das medidas de refletividade radar foram calibrados a partir de uma rede pluviométrica. As informações detalhadas sobre as condições de observação de Niamey estão descritas em Tenório et al. (1995) e Tenório (1996) e de Toulouse, em Tenório et al. (neste volume) e Tenório (1996). Os primeiros testes concernem à forma das distribuições de cordas. Usando o conjunto de dados do radar de Niamey, foram geradas linhas retas paralelas, através de varreduras PPIs, quando então as DCCCs foram elaboradas. A Figura 3 mostra, como um exemplo das DCCCs obtidas, os resultados para um limiar de 2,72 mm h-1 com um espaçamento entre as linhas retas de 15 km. Na Figura 2, a inclinação α foi 0,15 km-1 e o coeficiente de correlação do ajustamento a uma distribuição exponencial foi ρ = 0,97. Os resultados (Tabela 1) dão suporte à conclusão esperada, isto é, que as DCCCs são semelhantes as DDCCs, especialmente no que se refere à forma exponencial, com uma inclinação pouco dependente de τ, e que o fator de correção proposto por Tenório et al. (neste volume) [veja (14)], isto é, CF = (αlt+1)-1, satisfaz a razão <l>/<l>t .Também a razão α/λ é muito próxima do valor teórico obtido com a equação (14), que é 0,64. Tabela 1 - Testes dos parâmetros da distribuição de cordas de células de chuva observadas em Niamey em 1993. As DCCCs são representadas por uma distribuição exponencial equação (10); τ é o limiar de taxa de chuva, α é a inclinação da DCCC, ρ é o coeficiente de correlação da DDCC ajustada, <l> e <l>t, são os comprimentos médios das cordas calculadas usando-se todas as cordas observadas e com um truncamento esquerdo em lt = 5 km. FC = (αlt+1)-1 é o fator de correção (FC) da equação (14), isto é, FC é a inclinação das DDCCs para comparação com α. <l> <l>t <l> /<l>t FC τ α ρ λ α /λ λ -1 -1 -1 (km) (km) (mm h ) (km ) (km ) 0,13 0,14 0,94 6,39 9,83 0,65 0,59 0,20 0,70 0,36 0,14 0,94 6,39 9,83 0,65 0,59 0,19 0,74 1,00 0,14 0,95 6,28 9,72 0,65 0,59 0,22 0,64 2,00 0,15 0,97 6,19 9,49 0,65 0,57 0,20 0,75 2,72 0,15 0,97 6,24 9,53 0,65 0,57 0,21 0,71 4,00 0,15 0,97 6,12 9,42 0,65 0,57 0,19 0,79 5,00 0,16 0,96 6,01 9,37 0,64 0,55 0,20 0,80 6,00 0,16 0,96 5,89 9,34 0,63 0,55 0,21 0,76 Tabela 2 - Testes da equação (15); τ é o limiar de chuva, ρ é o coeficiente de correlação, e C é o coeficiente de proporcionalidade, com C0 = observado e Cc = calculado. C0 Cc Local τ ρ (mm h-1) (mm h-1) (mm h-1) 2,72 0,86 35 27 4,0 0,77 39 29 5,0 0,89 45 31 Niamey 6,0 0,91 50 34 (1993) 7,5 0,92 56 36 Toulouse (1996) 0,36 1 2 2,72 3 3,5 4 <0 0,16 0,75 0,81 0,81 0,48 <0 2039 12 12,5 16,6 19,9 22,1 26,1 34,5 2,6 4,4 9,6 15,1 17,3 22,3 27,3 O segundo teste realizado é em relação à equação (17). A partir dos dados de Niamey, e de Toulouse, os pares experimentais <R> e U, com (`18) U = nt L−1 (< l >) t , foram calculados e plotados na Figura 3, para testar a equação (17) escrita na seguinte forma < R >= C0U , (19) onde C0 é o valor do coeficiente de proporcionalidade observado. O ajustamento foi realizado forçando a ocorrência de zero intercepção, como implica a equação (17). Se S(τ) for conhecido, através da equação (17), pode-se calcular um valor para o coeficiente de proporcionalidade Cc , isto é, C c = S (τ )eαlt (αlt + 1) −1 . (20) Os valores de C0, Cc como também o coeficiente de correlação do ajustamento dos dados observados e plotados na Figura 3, são mostrados na Tabela 2. Os valores de Cc foram calculados utilizando-se os valores de S(τ) computados através de dados de disdrômetro, em chuvas ocorridas no local ou próxima dos sítios das observações do radar (Sauvageot, 1994). Os valores de C0 e τ estão relacionadas de forma linear: - Para Niamey: C 0 = 4, 2τ + 24 , (21) com C0 e τ em mm h-1 e um coeficiente de correlação ρ = 0,9. - Para Toulouse C 0 = 6,5τ + 2,8 , (22) com ρ = 0,9. Os resultados apresentados na Tabela 2 mostram que, para τ em torno de 7,5 mm h-1 em Niamey e 3 mm h-1 em Toulouse, <R> e U estão bem correlacionados, principalmente para Niamey (ρ > 0,9). Os valores de C0 e Cc são semelhantes para Toulouse, mas para Niamey apresentam discrepância de aproximadamente um fator de 1,5. Esta divergência pode ser a falta de representatividade dos valores S(τ) usados para na computação de Cc , visto que, para τ ≥ 5 mm h-1, a maioria da parte estratiforme das linhas de Figura 3 – Intensidade de chuva média em área <R> em instabilidade (squall lines ), o tipo principal de sistema função de U = nt L-1 (<l>), onde nt é o número total de de chuva forte em Niamey, foi suprimida das cordas, L é o comprimento da trajetória de varredura do estatísticas. Assim, o valor satisfatório pode ser mais sensor, e (<l>) é o comprimento médio da corda. U é um alto que o valor computado a partir dos dados do número sem dimensão. As retas são curvas ajustadas, τ é disdrômetro. Finalmente, concluiu-se que o método o limiar e ρ é o coeficiente de correlação. que usa a equação (17) é funcional. Os resultados dos testes apresentados na Tabela 2 não são suficientes nem definitivos para se avaliar plenamente a utilidade da equação (17) para medidas de chuva, porém, podem ser considerados como resultados iniciais encorajadores. 2040 4 - MEDIDAS DE CHUVA ATRAVÉS DE UM SENSOR MICROONDAS EM PLATOFORMA ESPACIAL A observação da distribuição de chuva em escala global foi identificada há muito tempo como uma das chaves principais para a compreensão do ciclo da água e de energia na circulação atmosférica. Seguindo esta orientação, a comunidade científica criou e/ou aperfeiçoou instrumentos capazes de coletar os dados requeridos para as estimativas dos campos de chuva, e desenvolveu métodos e algorítmos que habilitam a extração da distribuição de chuva ao nível da superfície, a partir de dados brutos. Entre as técnicas mais relevantes para observação de chuva global, estão os sensores microondas a bordo de plataformas espaciais: radiômetros infravermelhos e, agora, radar com Tropical Rainfall Measuring Mission (TRMM) (Simpson et al., 1988; Meneghini e Kozu, 1990; Durden et al., 1994). Os sistemas de sensores microondas em plataformas espaciais têm que compor os vários problemas relativos à resolução espacial, a sensibilidade instrumental, e a precisão das medidas. Muitos algorítmos voltados à superação dessas dificuldades, e com o objetivo de estimar a intensidade de chuva a partir dos sinais microondas espaciais, têm sido propostos, testados e comparados através de simulação (Meneghini e Kozu, 1990; Marzoug e Amayenc, 1994; Amayenc et al., 1996). Porém, o problema ainda não foi resolvido. Esse assunto continuar em aberto. Os sensores microondas têm duas desvantagens principais. A primeira é a dificuldade para cobrir a toda a extensão da área de chuva a ser medida. Isto conduziu à utilização de métodos com exigências mínimas em relação ao intervalo de R. Por isso, o método com limiares recebeu atenção especial, pois a sua implementação requer somente a informação se R é maior ou menor que a taxa de precipitação média. Este método foi proposto para as estimativas de precipitação a partir de sensores microondas em plataformas espaciais e sensores infravermelhos (por exemplo, Arkin, 1979; Johard e Desbois, 1992; Atlas e Bell, 1992; Meneghini e Jones, 1993; Johnson el al., 1994). A segunda desvantagem é o tempo necessário para executar as medidas. O campo de chuva normalmente é observado através de uma varredura com passagens perpendiculares à direção do deslocamento da plataforma. Levando em conta a velocidade da plataforma, a área a ser escaneada e o tempo necessário para se obter uma estimativa precisa da refletividade radar em cada pixel, o tempo disponível é um fator crítico. Isso explica a procura por esquemas de escaneamento capazes de reduzir o tempo de medida. Esta redução pode ser alcançada, por exemplo, utilizando-se varreduras com trilhas não adjacentes (nonadjacent swaths). O método proposto neste trabalho talvez possa superar estas dificuldades. 5 - ANÁLISE E CONCLUSÕES A literatura mostra que a distribuição do tamanho de células de chuva para um limiar de intensidade de chuva τ pode ser representada por uma distribuição exponencial na qual o parâmetro exponencial depende de localização geográfica e é independente de τ. A partir deste resultado, foi demonstrado que, integrando a DDCC, pode-se obter novas relações entre os momentos da DDCC e alguns significantes parâmetros do campo de chuva. Baseado nestas relações foi proposto um novo e simples método de medida de intensidade de chuva através de radar. O interessante desse método é que ele permite a minimização das exigências de informação para a dedução de <R>, isto é: - o tempo de medição é reduzido, pois o campo de chuva é observado através de uma varredura com trilhas não adjacentes (nonadjacent swaths) perpendiculares à direção do deslocamento da plataforma; - o intervalo de R a ser medido é mínimo, pois é necessário somente um sensoriamento binário em torno de um limiar τ. Então, baseado nas simulações usando dados de radar terrestre para testar o método proposto, conclui-se que: a) os conceitos básicos são válidos; 2041 b) que esse método oferece um grande potencial para a realização de estimativas da intensidade de chuva média em área ou frações de área onde a intensidade de chuva é superior a um determinado valor, através de sensor microondas a bordo de plataformas espaciais. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AMAYENC, P., J. P. DIGUET, M. MARZOUG, T. TANI. 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