Relatos dos Municípios
Apoiados pelo Programa
Amigo de Valor
Triênio 2011 - 2013
Combate às drogas em Abaetetuba tem apoio do Amigo de Valor
As drogas estão presentes em 98% das cidades brasileiras*. Em Abaetetuba, no
Pará, a situação não é diferente e o uso de entorpecentes e de álcool entre
crianças e adolescentes é preocupante. Marcos Vítor*, 14 anos, começou a
consumir drogas ainda na infância. Foi no Centro de Atenção Psicossocial Álcool
e Drogas (CAPS/AD) que o menino encontrou auxílio para combater o vício.
O CAPS/AD atende dependentes químicos desde 2008, mas foi a partir de
junho de 2012, com o apoio do programa Amigo de Valor, do Banco Santander,
que o centro ganhou estrutura e equipamentos adequados para oferecer
atendimento especializado ao público infantojuvenil. “Trabalhar com álcool e
drogas é algo bem complexo, não há uma adesão total ao tratamento. Quando
se trata de criança e adolescente, é ainda pior”, conta Elem Costa dos Santos,
coordenadora do Centro.
No novo anexo Omará do CAPS/AD, além de atendimento médico e psicológico,
as crianças e adolescentes têm acesso a uma ludoteca com tela de cinema e
frequentam oficinas lúdico-pedagógicas, com atividades manuais, esportivas,
jogos intelectuais etc. O objetivo é oferecer atrativos e aumentar a adesão. Os
pais também recebem orientações para fortalecer vínculos familiares e
favorecer o tratamento.
Na opinião da coordenadora, o diferencial do programa é o acolhimento, a
receptividade dos profissionais do Omará. “Muitas vezes eles [os pacientes]
não querem vir, criam uma expectativa de que a família quer se livrar deles,
quer interná-los. Quando chegam aqui, percebem que é totalmente diferente
do que eles pensavam”, diz Santos. “Se eles não forem bem acolhidos, não
retornam”.
O anexo Omará acolheu, desde sua inauguração, 17 crianças e adolescentes,
dez deles continuam a frequentar o centro. No caso de Marcos Vítor ainda há
um longo caminho a ser trilhado. Para agravar sua situação, o menino é
portador de hanseníase. O CAPS/AD também acompanha o tratamento da
doença, que causa muitas dores e lesões.
*Dado da Confederação Nacional de Municípios (CNM)
*Nome fictício
Amigo de Valor e Abelardo Luz unem-se no combate a violações de
direitos
Sebastião* era um menino muito ativo e briguento. Ao longo do ano de 2011,
com apenas 9 anos de idade, passou oito vezes pelo Conselho Tutelar e chegou
a fugir de casa. Cansada, Paula*, sua mãe, pensou em abrir mão de sua
responsabilidade e enviá-lo a uma instituição de acolhimento.
Foi no programa Espaço Cidadão, em Abelardo Luz, Santa Catarina, que o
menino encontrou a oportunidade e a ajuda necessária para mudar seu
comportamento. O programa é apoiado pelo Amigo de Valor, do Banco
Santander, e já atendeu, desde fevereiro de 2012, 65 crianças com direitos
violados.
No início do atendimento, Sebastião teve muita dificuldade em se adaptar ao
grupo de crianças que participavam das oficinas: recusava-se a participar de
qualquer atividade e brigava com os professores e com os colegas de turma.
Para as sessões com a psicóloga, era necessário buscá-lo em casa, caso
contrário, não comparecia.
Hoje, Sebastião é um menino mais sociável. Conseguiu fazer amigos e
frequenta o programa diariamente no contraturno escolar. Aos professores e à
psicóloga, afirma que não fugirá mais de casa e que pretende ajudar sua mãe.
O atual desafio do Espaço Cidadão é convencer Paula a ter uma maior
participação nas atividades e reuniões oferecidas aos pais e responsáveis.
Além do atendimento psicológico, o programa Espaço Cidadão oferece ao seu
público área de lazer com quadra de areia e parque infantil, aulas de educação
física, de dança e de artesanato. “Até então, a única área de lazer a que eles
tinham acesso era um açude onde nadavam”, conta Leonice Dedonatti,
presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente.
*Nomes fictícios
Amigo de Valor apoia Alvarães na luta contra a violência doméstica
Durante quatro anos, Márcia* sofreu abusos sexuais. Foi somente há pouco
mais de um mês que a menina, hoje com 13 anos, conseguiu ajuda para sair de
casa e se afastar do abusador – seu próprio pai. Para superar o trauma, Márcia
conta com o apoio da equipe da Casa de Acolhimento de Alvarães, no Estado
do Amazonas.
A estrutura física da casa de acolhimento – construída com o auxílio do
programa Amigo de Valor, do Banco Santander – ficou pronta em março de
2013. Os atendimentos às crianças e aos adolescentes vítimas de violência
doméstica, abandono e negligência, no entanto, estão em curso desde 2012.
Nesse ano, 30 meninos e meninas contaram com a ajuda de profissionais
especializados, como psicólogo, assistente social, pedagogo e técnico de
enfermagem. Em 2013, com a conclusão da casa,17 crianças foram atendidas.
Márcia, além de obter apoio psicossocial, foi encaminhada a profissionais da
saúde, com o objetivo de fazer exames e de tratar infecções decorrentes dos
abusos. “Ela pensava que estava grávida, mas o exame deu negativo”, conta a
psicóloga Alessandra Duarte de Souza. Atualmente, a adolescente – órfã de
mãe –, mora com uma prima maior de idade, que também recebe orientações
e assistência da equipe da Casa de Acolhimento.
Em pouco mais de um mês, é possível notar mudanças positivas no
comportamento e na vida de Márcia. “Ela chegou ao programa muito nervosa e
desconfiada. Hoje já interage mais com as pessoas”, relata Souza. A
adolescente também retomou os estudos, que havia abandonado por causa do
pai que a mantinha em casa, acorrentada. “Para onde o pai ia, ela ia junto. Se
ele ia trabalhar na roça, ela ia também. Só podia sair com ele.”, diz a psicóloga.
*Nome fictício
Barbalha reativa Casa de Acolhimento com ajuda do Amigo de Valor
Um menino sujo e faminto engatinhava em meio à rodoviária de Barbalha, no
Ceará. Num canto não muito distante estava Ana*, embriagada e inconsciente,
alheia aos riscos a que o filho estava exposto. Foi assim que, em 2012, o
Conselho Tutelar encontrou Expedito*, hoje com dois anos de idade.
Por determinação judicial, Expedito foi encaminhado à Casa de Acolhimento de
Barbalha. Poucos meses antes, o menino não teria uma casa que o acolhesse: o
antigo abrigo estava desativado. Com o apoio do Programa Amigo de Valor, do
Banco Santander, a casa foi reformada e reativada em julho de 2012. Desde
então, dez crianças foram acolhidas.
A passagem de Expedito pela casa foi rápida. Em poucos dias passou a viver
temporariamente com a avó paterna. Desde o início Ana aceitou submeter-se a
tratamento. “A mãe ficou com tanto medo de perder o bebê que ela mesma
pediu ajuda”, conta Maria Isabelle Nascimento, coordenadora da Casa de
Acolhimento.
Ana – que estava grávida – recebeu orientações e iniciou tratamento contra o
alcoolismo no Centro de Atenção Psicossocial – Álcool e Drogas (CAPS/AD).
Após exames, descobriu-se que é portadora do vírus HIV.
Desde a intervenção do Conselho Tutelar, Ana não consome bebidas alcoólicas.
O bebê que ela esperava nasceu com problemas congênitos e morreu um dia
após o nascimento. Mas ela e seu filho Expedito agora vivem juntos na casa dos
avós maternos e a família continua recebendo visitas periódicas e orientações
dos profissionais da Casa de Acolhimento.
*Nome fictício
Amigo de Valor apoia Bom Jardim no combate à negligência e aos
maus-tratos domésticos
Neide* sofre de uma doença rara e incurável que prejudica o sistema
imunológico. Suas crises constantes a impossibilitam de cuidar dos filhos,
Simone* e Mathias*, de 8 e 7 anos. Até poucos meses atrás, quando o pai saía
para trabalhar na roça, as crianças ficavam sozinhas e com a responsabilidade
de cuidar da mãe e da casa. Hoje elas frequentam, no contraturno escolar, o
Instituto Ser Criança, na cidade de Bom Jardim, no Maranhão.
O Instituto recebe apoio do Programa Amigo de Valor, do Banco Santander.
Desde março de 2012, foram atendidas 42 crianças e adolescentes vítimas de
negligência e maus-tratos domésticos. Por enquanto, o Ser Criança funciona em
uma sala do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), mas o prédio
próprio já está em fase de acabamento.
A família de Neide vive em situação de pobreza e, apesar de estar incapacitada
para trabalhar, a mulher não pode ser inscrita em nenhum tipo de auxílio
oferecido pelo governo federal, como o Benefício de Prestação Continuada
(BPC). Isso porque a doença ainda não é reconhecida pelo Sistema Único de
Saúde (SUS). “Nossa assistente social está pesquisando de que forma podemos
ajudá-la para que ela possa receber os benefícios”, conta Dal-Adler Santos
Castro, coordenador do Instituto.
Além de buscar soluções para o problema econômico e de saúde da mãe, a
equipe do Instituto oferece às crianças apoio psicológico. Elas também têm
acesso a uma brinquedoteca e participam de oficinas de música, teatro e
artesanato. “Eles sorriem e ficam mais felizes quando estão no Instituto,
fazendo as atividades”, diz Castro.
*Nome fictício
Amigo de Valor e Brumado unem-se na defesa dos direitos da criança
e do adolescente
Aos 15 anos, Sofia* já havia sido expulsa de três diferentes escolas. Seu
comportamento agressivo – tanto com colegas como com professores – e
problemas enfrentados por sua família – o pai é usuário de drogas –, fizeram
com que a menina fosse encaminhada ao ProFamília, Programa de
Fortalecimento Familiar do município de Brumado, na Bahia, apoiado pelo
Amigo de Valor, do Banco Santander.
Desde que chegou ao programa, o comportamento de Sofia teve uma melhora.
Com a ajuda da equipe do ProFamília, a adolescente conseguiu finalizar o ano
letivo. “Nós conversamos e ela fez todas as provas, mesmo com o prazo já
terminado. Falamos com o diretor de educação do município e explicamos a
situação dela”, conta a assistente social Valdirene Graça Santana. Aprovada, a
menina mostrou-se feliz e decidiu continuar os estudos. “Ela pensava em
desistir, falava que não ia mais para a escola, que não queria mais estudar”,
revela Santana.
Outro desafio do programa é convencer o pai de Sofia a aceitar tratamento. Ele
é usuário de drogas desde antes do nascimento da adolescente. Quando
começou a consumir crack, a situação piorou. Às vezes, agride a esposa. “A
mãe de Sofia trabalha como empregada doméstica e sustenta a casa. Ela relata
que tem que dar dinheiro para ele. Se não dá, ele bate”, diz a assistente social.
A equipe estuda a possibilidade de solicitar internação compulsória para a
realização de tratamento, caso ele continue a negar ajuda.
No ProFamília, além de receber apoio psicossocial, Sofia participa de oficinas
de artes, informática e dança. Assim como ela, mais de 200 outras crianças e
adolescentes – com direitos violados ou em situação de risco e de
vulnerabilidade social – receberam apoio do programa desde sua inauguração,
em abril de 2012.
*Nome fictício
Amigo de Valor ajuda Campos Sales na construção de uma casa de
acolhimento
A vida de Claudia* mal começou, mas a menina já passou por inúmeras
dificuldades. Com apenas um ano de idade, ela vive provisoriamente com uma
família acolhedora em Campos Sales, no Ceará. Sua mãe, Ana Paula*, de 19
anos e usuária de drogas, não sabe dizer quem é o pai de sua filha.
Recentemente, saiu da casa em que vivia com o pai e pediu ajuda ao Centro de
Referência Especializado em Assistência Social (CREAS).
No CREAS, Ana Paula recebeu apoio para arrumar um trabalho, deixar as
drogas e criar a filha em melhores condições. Entretanto, a jovem abandonou a
filha e retornou à casa do pai – acusado de matar sua mãe quando ela tinha
apenas cinco anos. Claudia foi então encaminhada a uma família acolhedora. A
Assistente Social do CREAS realiza, frequentemente, visitas domiciliares para
acompanhar o desenvolvimento da criança e constata um laço afetivo forte
com essa família. Enquanto isso, o Ministério Público investiga uma possível
paternidade, através das providências legais para realização de exame de DNA.
Campos Sales ainda não conta com uma casa de acolhimento que possa
atender a casos como o de Claudia. Atualmente, com o apoio do Programa
Amigo de Valor, do Banco Santander, a prefeitura está construindo uma casa
para atender a essa necessidade. “Nós precisamos disso. O Conselho Tutelar e
o CREAS têm inúmeros casos que poderiam ser assistidos com a ajuda do
Amigo de Valor”, conta a assistente social Maria Geiza Rodrigues Feijó.
Estima-se que até o fim do ano a casa de acolhimento de Campos Sales esteja
pronta para receber crianças ou adolescentes afastados de seus lares. Na casa,
uma equipe de profissionais especializados poderá cuidar da criança e, ao
mesmo tempo, buscar acolhimento familiar para ela, como no caso de Claudia
e outras crianças do município.
*Nome fictício
Amigo de Valor apoia o município de Capela a proteger crianças e
adolescentes contra os maus-tratos
Durante anos, Fernanda*, 13, sofreu negligência e violência doméstica. Seu pai,
quando bebia – o que ocorria com frequência – agredia os filhos e a esposa.
Até que um dia perdeu o controle em público e o Conselho Tutelar do
município de Capela, em Alagoas, foi chamado.
Encaminhada ao programa João de Barro, a adolescente passou a receber
atendimento psicossocial e a frequentar oficinas lúdico-pedagógicas. “Me sinto
feliz aqui no programa porque posso aprender música, me apresentar, brincar e
aprender sobre meus direitos”, conta Fernanda.
O programa conta com o apoio do Amigo de Valor, do Banco Santander e já
atendeu, desde sua criação, em março de 2012, mais de 150 crianças e
adolescentes vítimas de maus-tratos ou em situação irregular de trabalho.
No programa, essas crianças e adolescentes, assim como suas famílias,
recebem o apoio necessário para cessar as situações de violação de direitos e
minimizar os efeitos daquelas já ocorridas. “Com a realização das oficinas nós
não só resgatamos a autoestima dos participantes como também descobrimos
muitos talentos e conseguimos melhorar significativamente a relação entre os
meninos e meninas e suas famílias”, diz a coordenadora do programa Maria
Valdevino Ferreira.
O pai de Fernanda passou por uma clínica de recuperação, mas, infelizmente, o
resultado não foi satisfatório. “Ele voltou para casa e deixou de beber por um
tempo, mas fiz uma visita recentemente e soube que ele voltou a beber”, conta
Ferreira. A situação de violência, no entanto, ainda não se repetiu. Com a
menina inserida no programa, a equipe acompanha de perto a situação
familiar.
*Nome fictício
Com a ajuda do Amigo de Valor, o município de Cardoso Moreira
combate os maus tratos contra crianças e adolescentes
Negligência e maus tratos são os problemas mais comuns entre crianças e
adolescentes de Cardoso Moreira, no Estado do Rio de Janeiro. Em 2011, um
dos casos que estava no Conselho Tutelar sem uma solução adequada era o dos
irmãos Patrícia, Ana e Valter*, com 12, 10 e 8 anos respectivamente. Eles
viviam com os pais e avós maternos em condições precárias de higiene.
Pensando em situações como a dessa família e com o apoio do programa
Amigo de Valor, do Banco Santander, foi implantado no município o programa
Reparar. Desde o início dos atendimentos, em março de 2012, cerca de 30
famílias foram beneficiadas.
Patrícia e os irmãos passaram a ter um acompanhamento psicossocial e a
frequentar a brinquedoteca e oficinas de esportes. Os pais receberam
orientações sobre cuidados e higiene. “Houve avanços, mas ainda tem muito o
que melhorar”, conta o pedagogo Edgard Monzato Almeida.
Quando chegaram ao programa, as crianças tinham feridas nas cabeças e nos
pés, estavam sujas e com piolhos. Na escola, elas eram rejeitadas pelos colegas
por causa da aparência. Apesar de ainda terem alguns problemas relacionados
à higiene, os irmãos já não apresentam feridas.
De acordo com Almeida, depois da higiene, o segundo desafio a ser trabalhado
com essa família é a questão da educação. “Os pais não estudaram e não
percebem a importância da educação”, diz o pedagogo.
*Nome fictício
Em Caruaru, Amigo de Valor ajuda na recuperação de adolescentes
em conflito com a lei
Walter* era um menino problemático e de baixa autoestima. Não era viciado
em drogas psicotrópicas, mas consumia muita bebida alcoólica. Aos 16 anos, foi
pego cometendo ato infracional. No Programa Cidadão, em Caruaru,
Pernambuco, o adolescente encontrou apoio para reestruturar sua vida e viver
em harmonia com a sociedade.
O Programa Cidadão – que é apoiado pelo Amigo de Valor, do Banco Santander
– atende adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas em meio
aberto, aplicadas pelo Poder Judiciário. Os jovens recebem atendimento
psicológico, assessoria jurídica, apoio pedagógico e têm acesso a oficinas de
informática, artes, panificação e protagonismo social. Outras organizações
sociais da comunidade, além da família, são estimuladas a cooperar com o
processo de reintegração social dos adolescentes.
Entre janeiro e dezembro de 2012, mais de 100 meninos foram atendidos.
Atualmente, cerca de 55 frequentam o local por determinação da Vara da
Infância e da Juventude. Quando chegou ao programa, Walter não tinha
documentos e sua autoestima era muito baixa, agravada pela falta dos dentes
da frente. Com a ajuda dos profissionais do Programa Cidadão, o menino
retirou sua documentação e passou a usar uma dentadura.
Hoje, aos 18 anos, com a medida socioeducativa já cumprida e a autoestima
melhorada, Walter vive da renda do seu próprio trabalho e mantém um bom
relacionamento com a família e com a sociedade. “Quando ele tem alguma
dificuldade, ele liga pra mim, conversa comigo e pede orientação”, conta a
assistente social que o atendeu, Sineide Torres de Lima. “É difícil, mas é
possível construir um vínculo com esses meninos”, diz.
Desta forma, o Programa Cidadão, de Caruaru, vem mostrando que as medidas
socioeducativas em meio aberto, quando acompanhadas por um equipe
competente e dotada de metodologia bem fundamentada, conseguem
restaurar a capacidade de desenvolvimento pessoal e de convivência social
saudável dos adolescentes que cometeram atos infracionais.
*Nome fictício
Coxim recebe o apoio do Amigo de Valor em programa
socioeducativo
Aos 17 anos, Marcelo* era viciado em maconha, cigarro comum e já havia
experimentado outros tipos de drogas. Vivia em constante conflito com a
família e já não ia mais à escola. Um dia, envolveu-se num assalto e foi pego.
Por determinação da justiça de Coxim, no Mato Grosso do Sul, o adolescente
passou a frequentar o programa Espaço Cultural do Pantanal.
Criado com o apoio do Amigo de Valor, do Banco Santander, o Espaço Cultural é
um programa socioeducativo que visa reduzir a incidência de atos infracionais.
Desde o início das atividades, em março de 2012, 22 adolescentes foram
atendidos. “Em breve receberemos mais 34”, diz Mônica Moura, gerente do
Sistema Único de Assistência Social (SUAS) do município.
Quando chegou ao programa, Marcelo era agressivo, escondia-se atrás do boné
e não deixava que ninguém o tocasse. Para surpresa da equipe do programa,
aquele adolescente tímido e arredio identificou-se com as oficinas de dança e
de percussão. Aos poucos, seu comportamento sofreu uma grande
transformação. “Hoje ele é monitor na academia da professora de dança”,
conta Moura.
Sua relação com a família também melhorou, mas ainda há problemas que
precisam ser enfrentados. O pai do menino não aderiu ao programa e não
participa das atividades e das reuniões propostas, ao contrário da mãe, que já
compareceu a diversas sessões com a psicóloga do Espaço Cultural. Além da
falta de participação do pai na vida do filho, outro desafio a ser superado é o
desinteresse de Marcelo em continuar os estudos e concluir a escola.
*Nome fictício
Amigo de Valor ajuda o município de Cruz do Espírito Santo a
alfabetizar crianças e a fortalecer vínculos familiares e sociais
Lucas*, 12 anos, vive na zona rural do munícipio de Cruz do Espírito Santo, na
várzea paraibana. Sua família, como tantas outras Brasil afora, diante das
adversidades deixou a educação em segundo plano. Com a ajuda do programa
Brincando Direito(s), o menino não só aprendeu a ler e a escrever: muito além
disso, ele aprendeu a gostar da escola.
O programa, que recebe apoio do Amigo de Valor, do Banco Santander, auxilia
alunos do primeiro ciclo de colégios públicos a alcançarem níveis de
alfabetização esperados para sua idade. Em parceria com os professores, o
Brincando Direito(s) desenvolve práticas alfabetizadoras e adota pedagogias
lúdicas sintonizadas com a vivência e a personalidade das crianças.
Hoje, Lucas consegue ler e escrever e sente prazer em frequentar a escola. “Eu
gosto mais de matemática e português”, conta o menino. Coordenador do
programa, o padre italiano Gabriele Giacomelli, ressalta a necessidade de
transformar a escola em algo mais do que uma obrigação. “Por isso nós
introduzimos a pedagogia lúdica, numa tentativa de fazer a criança se sentir
bem no ambiente escolar”, diz o coordenador.
O programa também realiza visitas domiciliares, a fim de conhecer a realidade
das crianças atendidas: “Ler e escrever às vezes é um objetivo secundário,
porque há outras questões para se resolver com as famílias, com as próprias
crianças e com incapacidade que algumas delas têm de lidar com os colegas”,
conta o padre Giacomelli. Para ele, essas visitas permitem que sejam feitos
ajustes até mesmo no objetivo do atendimento, já que a dificuldade de ler e
escrever muitas vezes é um sintoma da situação em que a criança vive.
Desde sua criação, em fevereiro de 2012, o programa atendeu mais de 100
crianças e adolescentes em dois eixos: além de trabalhar a alfabetização e a
pedagogia lúdica com crianças do primeiro ciclo, o Brincando Direito(s) investiu
na divulgação dos direitos infanto-juvenis entre adolescentes da zona rural.
*Nome fictício
Amigo de Valor apoia Doutor Severiano na garantia dos direitos de
crianças e adolescentes
Joana* tem 10 anos de idade, mas aparenta ter apenas sete. Abandonada pela
mãe, a menina vive com o pai agricultor e dois irmãos numa pequena casa de
taipa na zona rural de Doutor Severiano, no Rio Grande do Norte. Com a ajuda
do Programa de Apoio Sociofamiliar (PASF) o pai e as crianças buscam superar
o abandono e fortalecer os laços familiares.
O PASF recebe apoio do Programa Amigo de Valor, do Banco Santander, e já
acolheu, desde que foi inaugurado em abril de 2012, cerca de 70 crianças e
adolescentes entre 7 e 14 anos. Os atendimentos são realizados em três
núcleos situados na zona rural do município. “Verificamos que havia muitos
maus-tratos na zona rural. O Centro de Referência em Assistência Social (CRAS)
fazia ações pontuais na área, mas não tinha um trabalho consistente”, conta a
assistente social Suzete Maria de Queiroz.
Com a implantação do PASF, as crianças e adolescentes passaram a receber
apoio psicossocial e a participar de atividades individuais e coletivas como
reforço escolar, oficinas socioeducativas e lúdicas de arte, música, dança,
esportivas e de lazer. As famílias também estão recebendo apoio. “O pai de
Joana é considerado o mais carente, mas sempre que convocado comparece ao
programa”, diz Queiroz.
Por meio das oficinas socioeducativas, Joana, que antes era muito tímida,
aprendeu a brincar e a se relacionar com outras crianças. Mas ela ainda sofre
com sua situação. “Moro numa casa que está se desmanchando e minha mãe
foi embora com outro homem”, lamenta Joana. A equipe do PASF trabalha para
melhorar as condições de vida da família, que já foi inscrita em um cadastro
habitacional. “Temos um projeto em parceria com a Fundação Nacional de
Saúde (FUNASA), de substituição das casas de taipa para controle da doença de
chagas”, afirma a assistente social. Atualmente, a única fonte de renda da
família é o Programa Bolsa Família, já que o pai de Joana não possui terras e
planta apenas para subsistência.
*Nome fictício
Com apoio do Amigo de Valor, Estreito oferece proteção especial a
crianças e adolescentes
Adotada quando ainda era um bebê por uma advogada, Gabriela*, hoje com 14
anos, parecia ter finalmente conseguido algo de bom numa vida marcada pelo
abandono. No entanto, esse era apenas o início de um longo período repleto
de maus tratos.
Aos 10 anos, Gabriela nunca havia dormido numa cama. Trabalhava sem
descanso como empregada doméstica, recebia castigos severos e vivia
amarrada. Quando foi finalmente resgatada, apresentava mais de 100 cicatrizes
pelo corpo, além de profundos problemas psicológicos. No Programa Reviver,
do município de Estreito, no Maranhão, a menina recebe ajuda para superar
seus traumas.
O Programa Reviver – que recebe apoio do Amigo de Valor, do Banco
Santander – oferece acompanhamento nutricional, odontológico e psicológico
e oficinas educacionais e esportivas para crianças e adolescentes vítimas de
violência física e psicológica, abuso sexual, maus tratos e abandono. Desde
janeiro de 2012, o programa atendeu 33 crianças e adolescentes entre sete e
17 anos.
Gabriela foi uma dessas adolescentes. Hoje ela vive hoje com a mãe biológica,
que, arrependida do abandono, havia pedido no Ministério Público notícias
sobre a filha. “Elas têm uma boa relação, com algumas dificuldades de
convivência, porque ela [a menina] é descuidada com a higiene, com a
aparência e é difícil de se relacionar”, conta a Fabiana dos Santos Pinheiro,
pedagoga do Reviver.
Quando chegou ao programa, as dificuldades de socialização de Gabriela eram
ainda maiores. “Ela não conversava. A gente falava bom dia e ela não
respondia. Agora ela chega e vem na nossa sala dar bom dia; ela também está
se cuidando melhor”, diz Pinheiro.
A mãe adotiva de Gabriela responde a processo em liberdade.
*Nome fictício
Amigo de Valor apoia Garanhuns no combate à violações dos direitos
infantojuvenis
Lúcia*, 8 anos, vive com a mãe desempregada e mais quatro irmãos no
município pernambucano de Garanhuns. O pai, alcoolista, costumava agredir a
esposa, até que, um dia, abandonou a família. A única fonte de renda de mãe e
filhos é o valor recebido por meio do Programa Bolsa Família. Atualmente,
Lúcia frequenta o Programa Floreando.
Apoiado pelo Amigo de Valor, do Banco Santander, o programa atendeu, desde
março de 2012, aproximadamente 45 crianças e adolescentes que têm seus
direitos violados. O atendimento concentra-se no bairro Massaranduba, onde
vivem cerca de mil famílias carentes. “O bairro é resultado de uma invasão de
terras do Estado e não possui saneamento básico”, diz Aline Rafaele da Silva
Ramos, psicóloga do programa.
No Floreando, Lúcia – que possui um grave déficit cognitivo – recebe apoio
psicossocial e tem acesso a reforço escolar, atividades lúdicas e oficinas com
temáticas variadas. O programa oferece também cursos profissionalizantes e as
famílias recebem orientações e são acompanhadas por meio de visitas
domiciliares.
Graças ao Programa Amigo de Valor, crianças e adolescentes vítimas de
diversos tipos de violações em Garanhuns agora encontram ajuda para
ressignificar as experiências negativas, desenvolver habilidades, fortalecer os
vínculos de afeto da família e esquematizar novos projetos de vida.
*Nome fictício
Amigo de Valor apoia o município de Guia Lopes da Laguna no
combate ao uso de álcool e drogas
Aos 12 anos, Gustavo* abandonou os estudos. O menino vivia em situação de
risco, com grandes possibilidades de vir a se tornar um dependente químico:
enquanto sua mãe trabalhava, o garoto ia para as ruas, onde convivia
diariamente com outros adolescentes também usuários de drogas.
O futuro de Gustavo parecia sombrio, como o de muitas outras crianças e
adolescentes de Guia Lopes de Laguna, no Mato Grosso do Sul, onde o uso de
álcool e drogas é um problema crescente. Mas, graças ao programa Mão Amiga
– apoiado pelo Amigo de Valor, do Banco Santander –, o menino teve uma
oportunidade de transformar sua vida.
Quando chegou ao programa, Gustavo era agressivo, recusava-se a participar
das atividades e não interagia com os colegas. Seu comportamento melhorou
significativamente. Hoje, ele participa das aulas de dança, tênis de mesa e jiu
jitsu, entre outras atividades ofertadas pelo Mão Amiga.
Esse serviço de prevenção e enfrentamento do uso de drogas é inédito no
município. “Não tínhamos nenhum local que trabalhasse a questão do
consumo de álcool e drogas”, conta Elaine Maria Marques, presidente do
Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente.
Assim como Gustavo, outras 50 crianças e adolescentes contaram com a ajuda
do programa, que oferece, além das oficinas lúdico-pedagógicas, atendimento
psicossocial e acompanhamento para os familiares.
*Nome fictício
Amigo de Valor apoia município baiano no combate à violência
doméstica
Filho de pai alcoólatra e de mãe com distúrbios mentais, Eduardo*, 15 anos,
cresceu sofrendo violência física e psicológica. Logo o menino começou a
cometer pequenos furtos e a ser visto pela sociedade de Ibipeba, na Bahia,
como um problema. No entanto, até a criação do programa Semear, nada foi
feito para mudar esta realidade.
No programa, Eduardo passou a ter acompanhamento psicológico e a
participar de oficinas. “Ele identificou-se com a capoeira e hoje destaca-se no
esporte, tem muita habilidade”, conta Ediana de Castro Dourado Santos,
coordenadora do Semear. Além disso, o menino passou a frequentar a escola
com maior regularidade e a respeitar regras.
Desde que o adolescente chegou ao Semear, a vida de sua família sofreu uma
grande transformação. Sua mãe aceitou submeter-se a tratamento psiquiátrico
e passou a tomar medicamentos. Em parceria com o Centro de Referência de
Assistência Social (CRAS), o programa conseguiu cadastrá-la para que passasse
a receber o Benefício de Prestação Continuada (BPC), que transfere um salário
mínimo a pessoas portadoras de deficiências consideradas incapacitantes e que
vivem em situação de pobreza.
A família, que antes não tinha casa própria, também foi beneficiada pelo
Programa Minha Casa, Minha Vida. “Trabalhar violação de direitos não envolve
somente ajudar a criança ou o adolescente que foi vítima. Vai muito além disso,
porque, na maioria das vezes, o problema está dentro da própria família”,
ressalta a coordenadora. O desafio agora é conseguir uma maior participação
do pai de Eduardo, que separou-se da mãe e continua bebendo.
Implantado no município em janeiro de 2012, o Semear – que recebe apoio do
Programa Amigo de Valor, do Banco Santander – já atendeu 78 crianças e
adolescentes vítimas de violência doméstica.
*Nome fictício
Amigo de Valor apoia Indiara na prevenção e no combate ao uso de
drogas
Aos 13 anos, Bruno* foi encontrado acorrentado em sua casa. A medida
desesperada foi sugestão do próprio menino, que se encontrava ameaçado de
morte. À mãe, Bruno afirmou que preferia ficar acorrentado e vivo do que sair
para as ruas e acabar morto. Esse foi o primeiro caso atendido pelo Proviver,
programa de prevenção e combate às drogas do município de Indiara, em
Goiás.
Criado no final de 2011, o programa – que conta com o apoio do Amigo de
Valor, do Banco Santander – oferece oficinas de arte, informática e esportes,
além de suporte médico e psicossocial. Cerca de 60 crianças e adolescentes já
foram atendidos. “A situação do uso de drogas em Indiara é tão grave que hoje
atendemos uma criança com cinco anos que já é usuária de maconha”, conta
Nidiane de Assis Silva, coordenadora do Proviver.
Quando soube que um programa de proteção especial para crianças e
adolescentes usuários de drogas estava sendo planejado, a mãe de Bruno
procurou a equipe responsável e pediu ajuda. O menino começou a usar drogas
por influência de amigos e, para manter o vício, envolveu-se também com o
tráfico.
Como em todo programa de combate ao uso de drogas, a maior dificuldade do
Proviver é conseguir a adesão dos dependentes químicos. “Os casos menos
problemáticos frequentam mais o programa do que os mais problemáticos”, diz
Silva. Para ela, o importante é criar um vínculo com os meninos e meninas
atendidos, para que eles recorram ao programa quando precisarem de ajuda.
“Acreditamos que num momento eles vão perceber que essa situação pode ser
superada”, afirma.
Depois de três meses internado em uma clínica de recuperação, Bruno voltou a
se envolver com o consumo e o tráfico de drogas. Hoje, aos 15 anos, o
adolescente encontra-se novamente internado, dessa vez de forma
compulsória. Enquanto isso, sua família participa de reuniões e recebe apoio e
orientações do Proviver.
*Nome fictício
Amigo de valor apoia Iraí no combate à violência doméstica
Enzo*, 11 anos, filho único de pais presidiários, sofreu muito tempo com a
negligência e a violência doméstica em Iraí, no Rio Grande do Sul. Após a prisão
dos pais quando tinha apenas nove anos, o menino, por determinação da
justiça, passou a morar com sua tia Heloísa.
Com poucos amigos, isolado e revoltado devido a sua história de vida, Enzo
teve sua rotina alterada quando foi encaminhado pelo Centro de Referência
Especializado de Assistência Social (CREAS) ao Programa Amigos da Natureza e
da Vida (Anavi). “Adoro participar das atividades do projeto Anavi,
principalmente das aulas de capoeira, pois lá aprendo várias coisas boas e os
professores são queridos”, relata o menino.
Com o apoio do Programa Amigo de Valor do Banco Santander, o Anavi oferece
acompanhamento psicossocial e oficinas multidisciplinares a crianças e
adolescentes vítimas de maus tratos e busca fortalecer os vínculos familiares e
comunitários.
Quase um ano após o início de suas atividades no Anavi, Enzo está mais
sociável, fez diversos amigos e, segundo a professora, melhorou muito no
rendimento escolar. Sua mãe, Gabriely, cumpriu a pena, saiu da penitenciária e
passou a frequentar as oficinas oferecidas pelo programa – de bordado em
chinelo e de reaproveitamento de alimentos – além do curso profissionalizante
de administradora do lar, feito em parceria com o SENAC. Ela agora luta para
recuperar a guarda do filho. “O projeto Anavi mudou bastante nossa família e
me ajudou muito, ganhei certificado do curso que fiz e até já estou
trabalhando” conta.
“Analisando cada caso, em especial o da família do Enzo, percebemos que
estamos conseguindo atingir nossos objetivos, ajudando a melhorar muito a
realidade desta e de outras famílias”, diz Queli Ceolin, psicóloga e
coordenadora do programa. Da mesma forma que Enzo, outras 79 crianças e
adolescentes são assistidos pelo Projeto ANAVI, que está presente no
município de Iraí desde janeiro de 2012.
*Nome fictício
Com o apoio do Amigo de Valor, Itaberá cria programa para atender
crianças e adolescentes envolvidos com drogas
Quando Laura* tinha apenas cinco anos, sua mãe foi presa por envolvimento
com o tráfico de drogas. Acolhida pela avó, a menina passou a dividir uma
pequena casa de dois cômodos com outras dez pessoas. Antes mesmo de
completar dez anos, já era conhecida em toda Itaberá, município do interior
paulista, em razão de seu comportamento agressivo dentro e fora da escola.
Em 2012, Laura foi encaminhada ao Programa Renascer. Apoiado pelo Amigo
de Valor, do Banco Santander, o programa oferece atendimento psicossocial e
oficinas de artes e esportes para crianças e adolescentes usuários de drogas ou
que convivem com dependentes químicos e que, portanto, encontram-se em
situação de risco.
No Renascer, a menina aprendeu a controlar sua agressividade e a conviver
com outras pessoas. “Ela só sabia relacionar-se batendo ou xingando”, conta
Simone Jurado Simões Lima, coordenadora do programa Renascer. No início,
Laura recusava-se a participar das atividades propostas e comparecia ao
programa apenas para provocar outras crianças.
Encaminhada a um psiquiatra, a menina foi diagnosticada com o transtorno de
Déficit de Atenção com Comportamento Opositor e tendências antissociais, e
passou a tomar medicamento. Hoje, ela ainda apresenta alguns problemas de
comportamento, mas a mudança foi grande. “Na família dela a convivência era
na base do grito e ela cresceu com isso. Mostramos para ela um outro lado,
conversamos, impomos limites, elogiamos”, diz Lima.
Assim como Laura, outras 50 crianças de Itaberá – juntamente com suas
famílias – já receberam apoio do Programa Renascer desde que ele foi criado,
em abril de 2012.
*Nome fictício
Amigo de Valor apoia Itaquaquecetuba na garantia do direito de
crianças e adolescentes à educação
Maria* era uma mãe amorosa e cuidadosa. Viúva, criava sozinha os três filhos
mais novos e fazia com que todos frequentassem a escola. Até que, um dia,
sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Com problemas na mobilidade e
na fala, Maria passou a depender da filha mais velha, Paula*, 30 anos, que se
mostrou ausente e desinteressada. A vida da família tornou-se cada vez mais
precária, até que o Programa Crescendo Cidadão entrou em cena.
O Crescendo Cidadão busca reduzir a evasão escolar do município de
Itaquaquecetuba, no interior do Estado de São Paulo. Criado com incentivo e
suporte do Amigo de Valor, do Banco Santander, o programa atendeu, desde
setembro de 2012, 109 crianças e adolescentes.
Depois que sua mãe sofreu o AVC, Vitor*, 11 anos, o caçula da família, passou a
ser levado à escola pela irmã mais velha, que o deixava na porta e não esperava
para vê-lo entrar no prédio. “Ele levava outra roupa na mochila e ia para o
campo jogar bola. Depois, colocava o uniforme e voltava para casa. A mãe
acreditava que ele estava na escola”, conta a pedagoga Neide de Souza Lima
Rodrigues, coordenadora do programa. Os outros irmãos, de 14 e 16 anos,
sequer estavam matriculados.
Mesmo com dificuldades na mobilidade e na fala, Maria passava o dia nas ruas,
recolhendo lixo para reciclagem. A equipe do programa percebeu que, para
garantir a volta dos meninos aos estudos, era preciso melhorar as condições da
família. Orientou e encaminhou a mãe para que ela passasse a receber o
Benefício de Prestação Continuada (BPC), que transfere um salário mínimo
mensal a pessoas portadoras de deficiências consideradas incapacitantes e que
vivem em situação de pobreza. Além disso, encaminhou Maria para tratamento
médico e fisioterápico.
Após as orientações e o apoio do Crescendo Cidadão, Vitor voltou a frequentar
a escola. Seu irmão de 14 anos ainda resiste, mas o irmão mais velho, de 16
anos – que passou a ser acompanhado este ano, depois que o programa
passou a atender adolescentes com idade mais avançada – demonstrou
interesse em participar das oficinas socioeducativas oferecidas. “Como eles são
muito unidos, isso pode influenciar o irmão de 14 anos a participar também”,
diz Rodrigues.
Com ajuda do Amigo de Valor, Jaguaruana constrói Casa de
Acolhimento
Com apenas 16 anos, Júlia* já era mãe de uma menina. Em Jaguaruana, no
Ceará, dividia uma pequena casa com o pai, o companheiro e a filha. Um dia,
porém, foi abandonada pelo namorado, que passou a viver na mesma rua com
outra mulher. Abalada, a adolescente ingeriu medicamentos em uma tentativa
de suicídio.
No hospital, Júlia revelou não ter intenção de voltar para casa. Foi então
encaminhada para a Casa de Acolhimento de Jaguaruana, construída e mantida
com o apoio do Programa Amigo de Valor, do Banco Santander. Em
funcionamento desde janeiro de 2013, ela tem capacidade para receber,
simultaneamente, 15 crianças e adolescentes. “O ano de 2012 foi dedicado à
construção da casa”, diz a assistente social Márlia de Souza Segundo.
Na Casa de Acolhimento, Júlia recebeu apoio psicológico para superar o
abandono, além de orientações sobre como cuidar da filha. A menina, que na
época tinha oito meses, ficou aos cuidados do avô materno, mas passava os
dias com a mãe adolescente. “Ela passou a dar banho, alimentar e colocar a
criança para dormir, coisa que não fazia antes”, conta a assistente social.
Júlia voltou para a casa do pai e durante seis meses será acompanhada pelos
profissionais da Casa de Acolhimento. A adolescente, que havia abandonado a
escola por causa da gravidez, retomou os estudos. Continua recebendo
orientações da equipe de profissionais e contando com seu pai como
responsável pelos cuidados com sua filha.
*Nome fictício
Amigo de Valor apoia Japonvar na defesa dos direitos infantojuvenis
Há oito anos, Maria* foi abandonada pelo marido. Com três filhos pequenos
para criar, passou a desdobrar-se entre dois trabalhos: durante o dia na roça e à
noite na cidade, como diarista. Tanto tempo fora de casa fez com que ela
descuidasse dos filhos. João, Pedro, e Tiago* – hoje com 11, 13 e 15 anos –
passavam os dias nas ruas de Japonvar, em Minas Gerais, praticando pequenos
furtos e envolvendo-se em brigas. No Programa Resgatando a Cidadania, eles
encontraram ajuda para mudar suas vidas.
O Resgatando a Cidadania tem o apoio do Banco Santander, que, por meio do
Programa Amigo de Valor, destina recursos para programas de atendimento em
municípios críticos do País e oferece apoio técnico para que as equipes locais
possam garantir os direitos de suas crianças e adolescentes.
Atualmente Maria passa mais tempo com seus filhos e participa de grupo
terapêutico voltado para orientação do papel do cuidador. Não fosse a
intervenção do programa, os meninos teriam sido encaminhados para uma
instituição de acolhimento. “Estamos tentando fazer com que Maria se
profissionalize para trabalhar em algo que não exija tanto”, diz o psicólogo
Gilmar Clemente de Souza Junior.
Os meninos frequentam as oficinas de arte, música, dança e informática. Além
disso, contam com atendimento psicológico individual e em grupo. “Este
projeto está sendo muito bom para os meus filhos. Antes eles só ficavam na
rua, com a cabeça vazia. Agora eles estão aprendendo alguma coisa”, conta
Maria.
Desde sua inauguração, em julho de 2012, o Resgatando a Cidadania atendeu
mais de 60 crianças e adolescentes vítimas de negligência ou maus-tratos.
Graças ao programa, Pedro, Tiago e João têm esperança de que sua realidade
irá mudar. “Hoje a gente ajuda a nossa mãe e antes a gente ficava muito na rua,
sem fazer nada”, relata Pedro. “Gosto muito das aulas de violão e de desenhar.
É gostoso colorir”, diz João.
*Nome fictício
Amigo de Valor apoia Limoeiro do Norte no combate à negligência
familiar
Até poucos meses atrás, os irmãos Rubens e Augusto*, de 7 e 9 anos, passavam
boa parte dos dias sozinhos, esperando pela volta dos pais. Há pelo menos
quatro anos o Conselho Tutelar de Limoeiro do Norte, no Ceará, começou a
receber denúncias de que os meninos sofriam com a negligência da família.
Desde então nada tinha sido feito para mudar a situação, até que aconteceu a
implantação do Instituto de Atenção à Infância (IAI).
Com o apoio do Programa Amigo de Valor, do Banco Santander, o IAI já
atendeu, desde agosto de 2012, 12 crianças vítimas de negligência familiar.
Com o dinheiro destinado ao Fundo Municipal por meio do Amigo de Valor, um
prédio abandonado foi reformado e readaptado para ser o espaço do Instituto.
Além de apoio psicossocial, as crianças têm acesso a oficinas lúdicopedagógicas.
Desde que Rubens e Augusto começaram a estudar, suas manhãs de eram
preenchidas pela escola. As tardes, porém, eram passadas em casa. Sem a
companhia e supervisão de um adulto, os meninos não comiam, não cuidavam
da higiene e ficavam expostos a diversos riscos. “Hoje quando chegam da
escola, o carro já está esperando para levá-los ao programa”, conta Maria José
Matos de Barros, presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e
do Adolescente.
Barros ressalta, entretanto, que o IAI não deve substituir a família e que essa é
uma solução temporária. “A família também é trabalhada dentro do programa,
para que a negligência seja superada”, diz.
O pai dos meninos é alcoólatra e não demonstra interesse em participar das
atividades ou em receber tratamento contra a dependência química. Mas a
mãe, que trabalha como diarista, aderiu ao programa e fica atenta às
orientações da psicóloga e da assistente social.
*Nome fictício
Amigo de valor apoia Muqui no combate à violência doméstica
Jonas e Willyan*, de 9 e 7 anos, assim como sua mãe, eram vítimas de violência
doméstica no município de Muqui, no Espírito Santo. O agressor, o próprio pai,
era usuário de drogas e mantinha uma segunda família, na qual se refugiava
após as agressões. Essa história é como muitas outras encontradas Brasil afora.
Mas, nesse caso, um programa, batizado de “Família Feliz”, fez a diferença.
Com o apoio do Programa Amigo de Valor, do Banco Santander, o “Família
Feliz” atende meninos e meninas vítimas de maus tratos domésticos. Ao todo,
desde sua inauguração em abril de 2012, foram atendidas 40 crianças e
adolescentes.
Apesar de todos os esforços, infelizmente nem sempre é possível manter a
família unida. A integridade física de Jonas, Willyan e de sua mãe foi garantida
graças a medidas judiciais. O pai, mesmo após orientações do programa, em
conjunto com o setor de defensoria pública do município, não demonstrou
interesse em repensar suas atitudes e em restabelecer os vínculos familiares.
A pequena família, formada agora somente por mãe e filhos, recebeu auxílio
para recuperar sua autoestima e criar novamente vínculos de respeito e
afetividade. Por meio de atendimento psicossocial e diversas atividades como
oficinas de dança, teatro, artes plásticas e música, o programa busca
interromper a situação de violência, reparar danos cognitivos e emocionais,
promover o protagonismo infantojuvenil e desenvolver a autonomia das
famílias para melhor enfrentar as dificuldades na criação de seus filhos.
Quando chegaram ao programa, as crianças eram muito agressivas. Após a
medida judicial, a saída do pai da casa da família e as inúmeras intervenções da
equipe técnica do programa, uma significativa melhora foi notada,
principalmente na relação dos meninos com seu meio e sua nova organização
familiar.
*Nome fictício
Amigo de Valor apoia Nova Monte Verde no combate aos maustratos domésticos
Verônica*, 16 anos, vive com a mãe, Rosa*, em Nova Monte Verde, cidade do
interior do Mato Grosso. A vida nunca foi fácil para as duas, mas a situação
piorou quando Rosa teve que amputar alguns dedos dos pés por causa da
Hanseníase. Impedida de trabalhar, a mulher não tinha como pagar o aluguel
ou comprar comida e outros itens de necessidade básica.
As dificuldades econômicas deterioraram o relacionamento entre mãe e filha.
Numa discussão por causa de dinheiro, Rosa jogou uma faca em Verônica. O
objeto não acertou a adolescente, mas, assustada com a situação, Verônica
pediu ajuda. Encaminhada à instituição de acolhimento do município, ela
passou a frequentar o Programa Hora Feliz.
Apoiado pelo Amigo de Valor, do Banco Santander, o Hora Feliz oferece
atendimento psicossocial e oficinas de inclusão digital, esportes e artes cênicas.
Desde janeiro de 2012, o programa já atendeu cerca de 75 crianças e
adolescentes vítimas de maus-tratos domésticos.
No caso de Verônica e Rosa, os principais problemas eram a situação
socioeconômica, a saúde da mãe e a defasagem escolar da filha. Elas foram
inscritas no Programa Bolsa Família, cadastradas para receber o Benefício de
Prestação Continuada (BPC) – que transfere um salário mínimo para pessoas
impossibilitadas de trabalhar e que vivem em situação de pobreza – e inscritas
no programa de habitação do município.
A mãe passou a ser acompanhada pelo setor de saúde e, além do tratamento
para a Hanseníase, ela agora tem assistência psicológica. “O medicamento da
Hanseníase altera o humor e o comportamento”, conta a assistente social do
programa, Jorciana Santana.
Na escola, a adolescente sofria por ser muito mais velha do que os colegas de
classe. “Fizemos um plano de aceleração escolar, para que ela conseguisse
passar de ano e se sentir melhor”, diz Santana. Verônica já avançou dois anos e
está mais próxima de atingir o nível de ensino adequado para sua idade.
Depois de dois meses na casa de acolhimento, a juíza autorizou a reintegração
familiar.
*Nome fictício
Município de Nova Porteirinha se reorganiza para o atendimento de
crianças e adolescentes usuários de álcool e outras drogas
Com o apoio do Programa Amigo de Valor, do Banco Santander, o município de
Nova Porteirinha, em Minas Gerais, está finalizando a construção de um Centro
que irá atender crianças e adolescentes usuários de álcool e outras drogas.
Segundo o plano inicial, a nova casa já deveria estar em funcionamento. Porém,
o processo de transição na equipe de gestão do governo local acarretou atrasos
na aprovação e concretização da obra.
Ao longo do ano de 2012, as atividades do Centro de Atendimento Vida Nova
foram realizadas em espaço alugado e na quadra poliesportiva da Prefeitura
Municipal. Porém, após a reorganização administrativa ocorrida com a posse da
nova equipe de gestão municipal, os atuais gestores tomaram ciência da
importância do programa de atendimento e consideraram extremamente
importante dar sequência às suas atividades.
No momento, está sendo providenciada a contratação de uma nova equipe.
Segundo Renata Mendes, Secretária de Assistência Social de Nova Porteirinha,
“a continuidade do projeto é fundamental, pois o uso de drogas por
adolescentes é muito grande no nosso município. A atual gestão vai
disponibilizar condições e ajudar no que for necessário para implementar e
iniciar os atendimentos.”
Estima-se que até o final do segundo semestre de 2013 o Centro esteja pronto
para receber novas crianças e adolescentes e para dar continuidade às
atividades previstas.
Amigo de Valor apoia município de Pedra na garantia de direitos
infantojuvenis
Jorge*, 12 anos, não aceita o novo companheiro da mãe e recusa-se a viver
com ele. Acolhido pela avó já idosa, o menino passou a gastar boa parte de
seus dias nas ruas da cidade de Pedra, em Pernambuco. Chegou a cometer
pequenos furtos, até que foi encaminhado pelo Conselho Tutelar ao Espaço
Cidadão.
Apoiado pelo Programa Amigo de Valor, do Banco Santander, o Espaço Cidadão
atende, desde 2012, crianças e adolescentes submetidos a negligência ou maus
tratos domésticos. Atualmente, são acompanhados 60 meninos e meninas. No
contraturno escolar, eles têm acesso a oficinas de esporte, música e
informática, além de assistência psicossocial.
Jorge estuda à tarde e frequenta o Programa Espaço Cidadão todas as manhãs.
Longe das ruas, o menino não se envolveu novamente em furtos. A avó recebe
orientações e visitas domiciliares, mas, aos 69 anos, revela que já não se sente
em condições de cuidar de crianças. “Ela cria mais três netos”, conta Edna
Vieira Vaz, coordenadora do programa.
A mãe, quando visita o menino na casa da avó, demonstra-se agressiva. “Ela
bate muito nele. Já a convocamos para uma conversa”, afirma Vaz. A equipe do
Espaço Cidadão tem planos de iniciar um curso de geração de renda para as
mães e responsáveis. “É importante que elas participem de algo que possa
melhorar [suas vidas]”, diz a coordenadora.
*Nome fictício
Amigo de Valor apoia Pedro de Toledo na garantia dos direitos de
crianças e adolescentes
Durante muitos anos, Dione* foi vítima de negligência e violência doméstica.
Abandonada pela mãe aos cinco anos de idade, a menina passou a viver com o
pai e os irmãos em uma casa com precárias condições de higiene. Não era raro
o pai voltar para casa embriagado e bater nos filhos. E assim a vida de Dione
seguiu, até ser encaminhada pelo Conselho Tutelar ao programa “O Tesouro da
Vida”.
Com o apoio do Programa Amigo de Valor, do Banco Santander, O programa já
atendeu, desde sua inauguração em junho de 2012, cerca de 70 crianças e
adolescentes vítimas de negligência e maus-tratos no município de Pedro de
Toledo, no interior de São Paulo.
Quando chegou ao programa, Dione era uma menina agressiva e desleixada
com relação à higiene pessoal. Frequentemente recusava-se a participar das
atividades propostas e envolvia-se em conflitos, principalmente com os
meninos. Na escola, era alvo de muitas queixas dos colegas e dos professores.
Aos poucos, o comportamento da adolescente foi mudando. Para participar das
oficinas de contação de histórias – que possibilitam a teatralização de situações
e organizam apresentações mensais – a menina passou a cuidar da aparência.
Hoje ela é uma das adolescentes mais interessadas em participar das
atividades.
Atualmente Dione mora com os irmãos mais velhos. O pai mudou-se para outra
casa e estabeleceu uma nova família. Ele continua bebendo, mas contribui
financeiramente para a manutenção dos filhos. “Não temos na cidade nenhum
local de atendimento para adultos envolvidos com álcool e drogas”, diz a
coordenadora do programa, Leise Pegoraro.
*Nome fictício
Programa Amigo de Valor apoia Picuí no combate ao uso de drogas
Marcos*, 15 anos, vive em situação de extrema pobreza. O menino divide uma
pequena casa com a mãe, o padrasto e mais oito irmãos em um bairro
periférico da cidade de Picuí, na Paraíba. Cercado por traficantes da
comunidade e usuários de drogas – entre eles um irmão, que consome crack –
Marcos passou a ser convocado para trabalhar como “aviãozinho” no tráfico. A
oportunidade para fugir de um futuro sombrio – que até então lhe parecia
inevitável – surgiu com a intervenção do Núcleo de Apoio à Criança e
Adolescente (NACAD).
O NACAD, por meio da parceria com o Programa Amigo de Valor, do Banco
Santander, promove ações voltadas para a prevenção e o enfrentamento do
uso de entorpecentes. Desde sua inauguração, o núcleo atendeu cerca de 50
crianças e adolescentes envolvidos – direta ou indiretamente – com o consumo
de drogas. Em 2013, o atendimento foi ampliado com a abertura de 50 novas
vagas.
Além de atendimento psicossocial, o NACAD oferece oficinas de teatro, dança,
música e atividades esportivas. Quando chegou ao núcleo, Marcos era um
adolescente agressivo, não frequentava a escola e mantinha uma relação
conflituosa com a família. “Ele dá muito trabalho, tem que deixar ‘essas coisas’,
porque isso não tem futuro. Se bem que ele já melhorou muito”, diz a mãe.
Apesar da resistência inicial, foi no teatro que o adolescente encontrou
estímulo para mudar seu comportamento. Depois de algumas conversas com a
equipe do NACAD, o adolescente matriculou-se novamente na escola. A mãe,
analfabeta, começou a estudar à noite, no Programa de Educação de Jovens e
Adultos (EJA).
A família, antes desinteressada, acompanha o desenvolvimento de Marcos e
comparece nas apresentações teatrais do menino. Esta aproximação fortaleceu
os vínculos familiares e refletiu na melhora do comportamento do adolescente
também nas relações intrafamiliares.
*Nome fictício
Amigo de Valor apoia município de Planalto no combate à violência
física e psicológica contra crianças e adolescentes
Carlos* é alcoólatra. Até recentemente, quando estava bêbado – o que
acontecia com bastante frequência – agredia os três filhos e a esposa, Maria*.
Às vezes, expulsava de casa toda a família, que era obrigada a dormir no mato.
A mãe, por sua vez, era negligente e não cuidava dos filhos. A situação da
família começou a mudar após a intervenção do programa Tempo de
Recomeçar e Fortalecer Vínculos Intrafamiliares.
Apoiado pelo Amigo de Valor, o programa atende adolescentes que sofrem
violências físicas e psicológicas. Eles participam de oficinas educativas e têm
acesso a atendimento biopsicossocial individual a fim de reparar os danos
físicos e psicológicos. Os pais são orientados para o fortalecimento dos vínculos
familiares.
Quando chegou ao programa, Carla*, a filha mais velha do casal, hoje com 15
anos, era extremamente tímida, retraída, indefesa, sem autonomia e com
dificuldades extremas de expressão. Desde então, seu comportamento teve
uma melhora notável. Além disso, a menina, assim como toda a família, sofria
com a desnutrição. “Não sobrava dinheiro para comprar alimentos. O pouco
que o pai ganhava, gastava em bebida”, conta Silmara Cabral de Melo,
coordenadora do programa.
Carlos e a esposa, assim como os filhos, passaram a receber apoio da equipe
técnica do programa. Desde o início do acompanhamento, houve avanços nas
questões afetivas entre a mãe e as crianças e nas questões de higiene pessoal e
da casa. O pai está há seis meses internado em tratamento contra o alcoolismo
– por determinação judicial – e recebe a visita dos filhos. A esposa, que
pensava em pedir o divórcio, agora considera a possibilidade de manter o
casamento.
Desde o início dos atendimentos, em abril de 2012, aproximadamente 23
adolescentes e suas famílias receberam o apoio do programa Tempo de
Recomeçar e Fortalecer Vínculos Intrafamiliares.
*Nome fictício
Amigo de Valor apoia Portalegre na garantia do direito de viver em
família
Flávia*, 11 anos, sofria com a negligência e violência doméstica. Um dia sua
mãe – que tem transtorno mental diagnosticado e histórico de internação
psiquiátrica – perdeu o controle em público e o Conselho Tutelar do município
de Portalegre, no Rio Grande do Norte, foi chamado.
A menina foi encaminhada ao Programa de Acolhimento Familiar (AFAM), que
conta com o apoio do Programa Amigo de Valor, operado pela área de RH
Investimento Social do Banco Santander. Desde sua criação, em março de 2012,
o AFAM já atendeu dez meninos e meninas e suas famílias.
O que isso significa? Que Flávia – assim como outras crianças e adolescentes de
Portalegre que, por decisão da justiça, foram separadas temporariamente de
suas famílias de origem – tem a oportunidade de conviver com uma família
substituta. Sem o AFAM, seu destino seria uma instituição de acolhimento.
Para o coordenador do Programa João Valério Alves Neto o que se destaca no
Programa é justamente a não institucionalização da criança e adolescente.
“Nós os colocamos em uma família substituta por três meses e buscamos
refazer os laços familiares entre a criança e a família de origem”, diz.
Durante o período de acolhimento, tanto a criança quanto as famílias
envolvidas recebem do Programa todo o apoio necessário para viabilizar a
reintegração familiar. “Aqui no AFAM eu aprendi um bocado de coisas, aprendi
que eu não posso apanhar, que eu não posso desobedecer e que eu tenho que
ter calma com minha família”, conta Flávia.
Com a ajuda do AFAM e do Programa Amigo de Valor, Flávia e outras crianças e
adolescentes de Portalegre têm a oportunidade de aguardar a reintegração às
suas famílias de origem sem perder o direito de viver em família.
*Nome fictício
Amigo de Valor apoia Porto de Moz no combate ao uso de álcool e
outras drogas
Wilson* tem apenas 13 anos, mas já é viciado em crack. Às vezes foge de casa e
passa dias sem dar notícias. Quando volta, geralmente é recebido com
agressões. Sem saber como lidar com a situação, os pais buscaram ajuda do
Espaço Porto Viver, programa do município de Porto de Moz, no Pará.
Com o apoio do Programa Amigo de Valor, do Banco Santander, o Porto Viver
atende atualmente quatro adolescentes envolvidos com álcool ou outras
drogas, como Wilson. Já o trabalho de prevenção – feito por meio de palestras
em escolas do município –atinge centenas de crianças e adolescentes.
Antes da orientação de especialistas, a reação da família de Wilson contribuía
para aprofundar os problemas e abalar ainda mais os frágeis vínculos
familiares. “Quando ele voltava [para casa], a família acabava batendo e agindo
de forma agressiva. Aí ele fugia de novo”, conta Alessandra Silva Veiga,
psicóloga do Espaço.
Como é comum em casos de envolvimento com drogas, Wilson resiste em
aceitar ajuda e o atendimento é focado na família, principalmente nos pais. “O
caso é bem complexo, mas a família está conseguindo ter um diálogo [com o
adolescente] que antes não conseguia”, diz Veiga.
Após algumas semanas de atendimento, os profissionais do Espaço Porto Viver
comemoram uma vitória: o menino compareceu ao último atendimento em
companhia do pai e da mãe.
*Nome fictício
Amigo de Valor apoia Prado, na Bahia, contra a exploração do
trabalho infantojuvenil
Felipe*, 16 anos, começou a trabalhar quando ainda era criança. Sua avó exigia
que ajudasse a pagar as contas da casa em que moravam. Ou o menino
trabalhava ou não comia. Sua ocupação mais recente era em uma barraca de
praia; não tinha ganho fixo e dependia das gorjetas dadas pelos turistas que
lotam a cidade de Prado, no litoral baiano, entre os meses de novembro e
março. A realidade de Felipe começou a mudar com o Programa Adolescente
Aprendiz.
Apoiado pelo Programa Amigo de Valor, do Banco Santander, o Adolescente
Aprendiz oferece curso de capacitação profissional – acompanhado de uma
bolsa de cem reais – para jovens até então ilegalmente explorados na atividade
turística. A primeira turma formou 37 adolescentes, capacitados para trabalhos
na área de hotelaria e alimentação.
Os esforços do programa, no entanto, ainda esbarram na falta de
conscientização da população, na informalidade das pequenas empresas e no
despreparo de alguns empresários. “Depois da capacitação, quando fomos
encaminhá-los para o primeiro emprego, percebemos que as empresas não
aceitaram por causa do vínculo empregatício”, conta Antonio Leal dos Santos,
presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente
(CMDCA).
De todos os formados na primeira turma, apenas um, o Felipe, conseguiu
emprego formal. “Hoje ele está feliz, estudando e trabalhando num
restaurante”, diz Santos. O CMDCA iniciou um trabalho de conscientização dos
empresários locais e, em conjunto com o Adolescente Aprendiz, continua
tentando encontrar vagas para os jovens.
Há também a necessidade de conscientizar a população do município,
habituada a ver o trabalho infantil e o trabalho adolescente ilegal como algo
natural. Maria*, avó de Felipe, insistia que o menino precisava trabalhar,
mesmo após o início do curso. Os profissionais do programa visitaram Maria e
explicaram que, depois de capacitado, o neto poderia conseguir um trabalho
melhor, legalizado e com remuneração fixa.
*Nome fictício
Amigo de Valor apoia Raposos no combate à violência doméstica
contra crianças e adolescentes
Fernando*, 10 anos, era uma criança emocionalmente instável. Em um
momento estava bem; no outro, destruía móveis e objetos da pequena casa
em que vive com mais 11 pessoas na cidade de Raposos, em Minas Gerais. Esse
comportamento gerava o descontrole de outros familiares, como a avó e a
mãe, que acabavam por agredi-lo. Cansada da situação, a mãe, Joana*, buscou
ajuda do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) e foi encaminhada
para o Programa Arte de Brilhar.
O Arte de Brilhar – apoiado pelo Programa Amigo de Valor, do Banco Santander
– atende meninos e meninas vítimas de negligência e maus-tratos e oferece,
além de assistência psicossocial, oficinas de arte, atividades recreativas, dança,
música, yoga e informática. Desde maio de 2012, 32 crianças e adolescentes
foram atendidos.
No caso de Fernando, a equipe do Arte de Brilhar identificou outros problemas
comportamentais, como a falta de higiene e dificuldades de concentração, de
adaptação às regras e de relacionamento. Encaminhado ao Setor de Saúde
Mental do município, o menino iniciou tratamento psiquiátrico com uso de
medicamento.
Alguns progressos já foram notados. No programa, Fernando fez amizades e
passou a demonstrar mais interesse nas atividades das oficinas. Seu
relacionamento com a família ainda não é o ideal, mas apresentou uma
melhora significativa. “Quando eles [os familiares] sentem mais dificuldade em
lidar com o menino, procuram o programa para pedir ajuda”, conta Bartíria
Cândido dos Santos, coordenadora e pedagoga do Arte de Brilhar.
Essa participação da família também está tendo um efeito positivo no
comportamento de Fernando. O menino, que confessou sentir-se excluído,
hoje sente-se mais acolhido. “Ele consegue ficar mais tempo em casa sem
causar tanta confusão e sem ser agredido pelos familiares”, diz Santos.
*Nome fictício
Amigo de Valor apoia o município de Redentora na luta contra a
negligência e a violência doméstica
Quando ainda era um bebê, Ana*, 13 anos, foi abandonada pela mãe. Criada
pela avó, a menina apresentava um comportamento antissocial e muito
agressivo e vivia em situação de risco. No Centro de Convivência e
Fortalecimento de Vínculos para Crianças e Adolescentes de Redentora, no Rio
Grande do Sul, a menina encontrou a ajuda que necessitava para mudar sua
relação com a família e com a sociedade.
O Centro – que conta com o apoio do Programa Amigo de Valor do Banco
Santander – atende crianças e adolescentes vítimas de abandono, negligência e
violência doméstica. Além de atendimento psicológico, eles têm acesso a
atividades lúdicas e dinâmicas de grupo que favorecem seu desenvolvimento.
Desde sua inclusão no Centro de Convivência, Ana demonstrou algumas
mudanças comportamentais. Seu isolamento social diminuiu e sua confiança
em si e nos outros aumentou. Atualmente ela participa de atividades que
exigem interação com outras crianças e adolescentes, como dança, música,
artes e educação física.
Apesar dos esforços dos profissionais do Centro, ainda não foi possível
melhorar a relação entre mãe e filha. “A mãe agora vive junto com a menina e
com a avó, mas elas brigam como se fossem duas irmãs. A mãe não a considera
como filha”, conta a psicóloga Fernanda Furini, coordenadora do Centro. A
equipe continua acompanhando o caso com atenção para tentar encontrar
caminhos para promover o fortalecimento dos vínculos familiares.
Atualmente, 32 crianças e adolescentes são atendidos pelo Centro de
Convivência. Os pais também são orientados para o fortalecimento dos
vínculos familiares e outras entidades locais são mobilizadas para uma atuação
em rede que beneficie as crianças e favoreça sua permanência na escola.
*Nome fictício
Município de Reserva cria núcleo de proteção contra violências
sexuais com o apoio do Amigo de Valor
Metade da vida de Alice*, 10 anos, foi marcada por abusos sexuais. Os
agressores eram parte de sua própria família: um tio e sete primos. No Núcleo
de Proteção Especial (NPE) do município de Reserva, no Paraná, a menina
encontrou a ajuda necessária para enfrentar o trauma.
O NPE recebe apoio do Programa Amigo de Valor do Banco Santander e já
atendeu, desde sua inauguração em agosto de 2012, aproximadamente 25
crianças e adolescentes vítimas de abuso sexual intrafamiliar, exploração sexual
comercial e outras violências. No Núcleo, eles recebem atendimento
psicossocial e jurídico e, nos casos que não envolvem abusos sexuais,
participam de oficinas culturais e pedagógicas.
Quando chegou ao NPE, Alice tinha dores abdominais, baixa autoestima,
dificuldades de relacionamento e sentimento de culpa e de inferioridade. Hoje,
após um tempo de atendimento no Núcleo, ela desabafa: “Eu, quando era
menor, não sabia o que era isso, achava normal. Fiz uma coisa sem saber que
não podia fazer”.
Ainda há um longo caminho para que Alice possa superar os abusos sofridos,
mas, graças ao programa, ela e outras crianças e adolescentes têm acesso a um
acompanhamento especializado. “Antes não havia esse atendimento no
município. O agressor era punido e nada era feito para ajudar as vítimas”, conta
Tiago Parra Correia, psicólogo do Núcleo.
No caso de Alice, paralelamente ao acompanhamento psicossocial realizado e
supervisionado pelo NPE, foram iniciados os trâmites legais: registro do boletim
de ocorrência, exame médico pericial e abertura processual de medida de
proteção especial via Ministério Público.
Além do atendimento especializado e do auxílio jurídico, o Núcleo realiza
campanhas de estímulo à denúncia e ao enfrentamento da exploração sexual.
*Nome fictício
Banco Santander em defesa dos direitos infantojuvenis
Maria*, 13 anos, é filha de mãe alcoolista e sofreu anos de negligência e
violência doméstica. Ela e suas irmãs vivem em Rio Acima, Minas Gerais, e seu
destino – por determinação da justiça – era uma instituição de acolhimento.
Graças ao Centro de Orientação, Apoio e Proteção a Criança e ao Adolescente
(COAPA), no entanto, essa família terá uma chance de reestruturar-se e
manter-se unida.
O COAPA tem o apoio do Banco Santander, que, por meio do Programa Amigo
de Valor, destina recursos para programas de atendimento em municípios
críticos do País e oferece apoio técnico para que as equipes locais possam
garantir os direitos de suas crianças e adolescentes.
Com o objetivo de evitar o desmembramento da família de Maria, os
profissionais do Centro trabalham em conjunto com o Fórum. A mãe aceitou
iniciar um tratamento com os alcoólicos anônimos e já foi chamada para uma
entrevista de emprego. As crianças que antes ficavam em casa, foram inseridas
na creche municipal. “Está sendo oferecida para ela uma oportunidade de
mudança para evitar o acolhimento”, conta a assistente social do centro Isabela
Romani.
Com o auxílio do COAPA, Maria tem esperança de que sua realidade irá mudar.
“Talvez depois a gente possa até voltar a morar junto, se minha mãe melhorar
– só se ela melhorar”, desabafa a menina. “Fiquei feliz porque arrumaram aula
de violão e de dança do ventre, minhas irmãs estão na creche e fiquei sabendo
que minha mãe está fazendo tratamento nos alcoólicos anônimos – meu pai
falou que é pra quem tem uma doença de beber muito”.
É em iniciativas como a do Banco Santander que programas exemplares como o
de Rio Acima encontram apoio para transformar a vida de crianças e
adolescentes, garantindo seus direitos e contribuindo para o seu pleno
desenvolvimento.
*Nome fictício
Amigo de Valor apoia Rio Verde de Mato Grosso na criação de
programa de medidas socioeducativas
Edgar*, 15 anos, acompanhado de outros três amigos, todos menores de
idade, assaltou uma loja de materiais de construção na cidade de Rio Verde de
Mato Grosso, no Mato Grosso do Sul. Os jovens foram condenados a cumprir
quatro meses de prestação de serviço à comunidade em um órgão público.
Nesse período, fizeram pequenos serviços administrativos, mas a maior parte
do tempo passavam sentados e ociosos na recepção do local.
Casos como esse foram levantados durante o diagnóstico da situação da
criança e do adolescente em Rio Verde de Mato Grosso, realizado com o apoio
do Programa Amigo de Valor, do Banco Santander. Esse diagnóstico tornou
evidente a necessidade de um programa de execução de medidas
socioeducativas no município, voltado a adolescentes em conflito com a lei.
Para atender essa necessidade foi criado, também com o apoio do Amigo de
Valor, o Programa Novos Caminhos. O objetivo desse programa é resgatar
adolescentes autores de atos infracionais por meio do cumprimento de medida
socioeducativa baseada em atividades adaptadas ao perfil e ao potencial de
cada jovem, que favoreçam, especialmente, a inserção no mercado de
trabalho. Atualmente são atendidos 20 adolescentes.
O Programa Novos Caminhos oferece acompanhamento psicossocial aos
adolescentes e a seus pais e responsáveis. Os adolescentes têm acesso também
a oficinas de fotografia, teatro, música e capoeira. Eles são encaminhados para
cursos profissionalizantes disponíveis na rede municipal e seu desempenho
escolar é acompanhado de perto pela equipe do programa. “A participação de
toda a rede é imprescindível para zerarmos a reincidência em atos infracionais
no município”, conta Aline Loubet, presidente do Conselho Municipal dos
Direitos da Criança e do Adolescente.
*Nome fictício
Amigo de Valor une-se ao município de Riversul no combate aos
maus tratos domésticos
Ao longo de seus sete anos de vida, Mara* sofreu com a violência e a
negligência da mãe alcoólatra. Aos dois anos de idade, foi encaminhada a uma
instituição de acolhimento após uma denúncia de que teria sofrido abusos
sexuais por parte do padrasto. A situação se repetiu outras vezes, levando
novamente ao acolhimento da menina.
Mara atualmente frequenta o Viver e Conviver, programa que vem sendo
apoiado pelo Amigo de Valor, do Banco Santander. Funcionando em uma escola
municipal da periferia de Riversul, no Estado de São Paulo, o programa oferece
brinquedoteca, oficina de esportes, canto e informática, além de atendimento
psicossocial.
Os profissionais do Viver e Conviver e Conselho Tutelar do município
acompanham atentamente a família de Mara, que, por ordem judicial, voltou a
viver em casa. “O promotor disse que, se houver mais uma denúncia, a mãe
perderá a guarda definitiva, não só dela [Mara], mas também das outras duas
crianças, uma menina de cinco anos e um bebê”, conta Simone Valério da Cruz,
coordenadora do programa. A avó das crianças também é alcoólatra e a
identidade do pai de Mara é desconhecida.
A mãe, que antes não trabalhava, agora atua na coleta seletiva do município.
De acordo com o vizinhos, ela já não abandona as crianças à noite, como era
seu costume. “Hoje a mãe está, aparentemente, cuidando melhor da menina”,
diz Cruz. O comportamento de Mara também sofreu mudanças: antes ela era
agressiva, agredia os colegas de escola e desrespeitava os professores. Mas
ainda há a suspeita de que o dinheiro ganho na coleta seletiva é gasto em
álcool e drogas.
Assim como Mara, outras 32 crianças vítimas de maus tratos no ambiente
familiar frequentam o programa Viver e Conviver. As oficinas também são
cursadas voluntariamente – duas vezes por semana – por outros alunos da
escola, que vivem em situação de vulnerabilidade.
*Nome fictício
Serra Talhada cria programa para usuários de drogas com o apoio do
Banco Santander
Pedro*, 14 anos, era viciado em maconha, cocaína, crack e cigarro comum. O
menino abandonou a escola, a família e foi viver nas ruas. Até que seu caminho
cruzou com o do Programa de Aprimoramento das Ações de Atendimento aos
Usuários de Drogas de Serra Talhada, em Pernambuco.
Com o apoio do Programa Amigo de Valor, operado pela área de RH
Investimento Social do Banco Santander, o município identificou que o uso de
entorpecentes estava relacionado a grande parte das violações sofridas por
suas crianças e adolescentes, como o abuso e a exploração sexual, maus-tratos,
negligência e envolvimento com o crime.
“Tudo culminava na questão do uso de drogas: tanto uso direto por parte dos
adolescentes quanto por parte da família”, conta Josenildo André Barbosa,
membro do Conselho dos Direitos da Criança e do Adolescente de Serra
Talhada.
Assim nasceu o programa municipal que busca reduzir os danos causados pela
dependência química e que, desde janeiro de 2012, atendeu a 29 crianças e
adolescentes. Nele, são oferecidos atendimento terapêutico, oficinas de música
e artes e atividades de reforço escolar. O trabalho é feito em parceria com a
Secretaria de Saúde do município. “Se um menino entra em crise de
abstinência, nós encaminhamos ao CAPS-AD [Centro de Atenção Psicossocial –
Álcool e Drogas], que prescreve a medicação”.
Com o apoio do Amigo de Valor, o programa de Serra Talhada ajudou Pedro e
outras crianças e adolescentes a superar seus vícios, voltar a frequentar a
escola e viver melhor com sua família. Para que os resultados já alcançados
possam ser mantidos, eles recebem periodicamente a visita de profissionais do
programa, que monitoram o seu desenvolvimento.
*Nome fictício
Amigo de Valor apoia programa que orienta e acompanha familiares
agressores
Enquanto Floriano* jazia alcoolizado e desmaiado no sofá, Raquel*, 2 anos,
chorava em cima da cama. Vinícius*, um bebê de poucos meses, encontrava-se
no chão, embaixo da cama. Não havia sinal da mãe, também alcoólatra. Foi
esse o cenário encontrado por conselheiros tutelares e policiais em uma casa
da cidade de Silva Jardim, no interior do Estado do Rio de Janeiro.
As crianças foram encaminhadas à instituição de acolhimento do município,
onde permaneceram por cerca de um ano e meio. A situação familiar começou
a melhorar em meados de 2012, quando os pais passaram a ser acompanhados
pelo Núcleo de Atendimento ao Familiar Agressor (NAFA).
Desde maio de 2012, o NAFA – que recebe apoio do Programa Amigo de Valor,
do Banco Santander – atendeu cerca de 28 famílias. “Ele [o NAFA] é diferente
dos outros [programas], porque não atende diretamente a criança e o
adolescente”, afirma Andréa de Barros Gomes, psicóloga da prefeitura.
Silva Jardim possui uma boa rede de atendimento, mas as entidades até então
existentes no município focavam sua atuação apenas nas vítimas. Os agressores
não recebiam atenção especializada. “Percebemos que todos os atendimentos
acabavam tendo que começar de novo, como se fosse um ciclo que não se
fechava nunca”, conta Gomes.
O NAFA foi criado para preencher essa lacuna. “Nossa ideia é atender qualquer
familiar que tenha violado os direitos [da criança ou do adolescente]”, explica a
psicóloga. No caso de Floriano e sua mulher, o apoio do programa foi
fundamental para que eles iniciassem o tratamento contra o alcoolismo e
recuperassem a guarda dos filhos.
Em outubro de 2012, as crianças voltaram a viver com os pais. A mãe, quando
comparece ao Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) para tratamento contra a
dependência do álcool, leva junto as crianças para que elas não fiquem
sozinhas. Segundo Gomes, agora as crianças estão bem cuidadas e começarão
a frequentar uma escola de educação infantil.
*Nome fictício
Amigo de Valor apoia Tefé, no Amazonas, no combate aos maustratos e violência doméstica
Cibele*, 11 anos, vivia com o pai e dois irmãos mais novos em Manaus, no
Amazonas. A mãe, Fátima*, moradora de Tefé, no interior do Estado, deixou os
filhos com o ex-marido para casar-se novamente. No entanto, descobriu que as
crianças estavam sofrendo negligência e maus-tratos. Para piorar, Cibele estava
sendo abusada sexualmente. O agressor: o próprio pai.
Quando soube o que acontecia com os filhos, Fátima percorreu os cerca de 520
quilômetros que separam Tefé da capital para resgatá-los. De volta ao interior,
as crianças continuaram tendo alguns de seus direitos violados, já que não
frequentavam a escola. Foi então que o Conselho Tutelar do município
encaminhou os meninos para o Centro de Referência e Acolhimento
Infantojuvenil e Familiar.
Funcionando desde agosto de 2012 – com o apoio do Programa Amigo de
Valor, do Banco Santander –, o Centro já atendeu 60 famílias, somando
aproximadamente 120 crianças e adolescentes vítimas de maus-tratos,
negligência, abandono ou violência doméstica.
No Centro, além de atendimento psicossocial, Cibele e seus irmãos, de sete e
seis anos, têm acesso a oficinas de teatro, dança, esportes e plantação em
horta. Os três voltaram a estudar e foram inscritos no Programa Bolsa Família.
“Hoje, ouvindo essa mãe e essas crianças, vemos que muita coisa mudou”,
conta Jessé da Silva Marins, coordenador do programa.
Por conta dos abusos sexuais sofridos, Cibele é acompanhada também pelo
Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS).
*Nome fictício
Amigo de Valor apoia União dos Palmares na garantia de direitos
infantojuvenis
Os 12 anos de Mário* foram marcados pela pobreza, negligência e abandono.
Órfão de mãe e filho de pai alcoólatra, o menino divide com outras nove
pessoas uma casa de um único cômodo, com piso de terra batida, em União
dos Palmares, Alagoas. Denúncias sobre as condições precárias da família
levaram à intervenção do Conselho Tutelar, que encaminhou o caso ao
Programa de Apoio a Crianças e Adolescentes Vítimas de Maus Tratos (PROAC).
O PROAC – que conta com o apoio do Programa Amigo de Valor, do Banco
Santander – já atendeu, desde fevereiro de 2012, mais de cem crianças e
adolescentes que tiveram seus direitos violados. Além de atendimento
psicológico e assistência social, o PROAC oferece oficinas de esporte,
informática e reforço escolar.
Mário frequentemente faltava nas aulas. As oficinas de reforço escolar do
PROAC ajudaram o menino a melhorar a leitura e a escrita e a ter mais prazer
em frequentar a escola. “Ele é uma criança que gosta de participar [das
atividades]. (...) A grande dificuldade era em relação à alfabetização, mas já
conseguimos grandes avanços com ele”, conta Diego Guilherme Calixto,
coordenador do programa.
A família foi cadastrada para receber o benefício do Programa Bolsa Família. O
pai de Mário recebeu orientações dos profissionais do PROAC e comprometeuse a mudar sua conduta com relação aos filhos. Mensalmente, recebe visitas
domiciliares da assistente social, mas ainda não aderiu a nenhum tratamento
contra o alcoolismo.
Assim como Mário, outros dois irmãos participam do programa, executado por
uma organização não governamental de União dos Palmares. “Com a ajuda do
Amigo de Valor, conseguimos o que tanto a instituição precisava para executar
um programa como esse, que era uma equipe técnica especializada”, diz
Calixto.
*Nome fictício
Amigo de Valor apoia Urubici no enfrentamento ao uso de álcool e
outras drogas
Lucas*, 17 anos, é usuário de maconha, cocaína e álcool. Para sustentar o vício,
cometeu furtos e abandonou os estudos. Sem saber como lidar com a situação,
sua mãe, Juliana*, buscou ajuda. Encaminhada ao Programa Primeiro Passo –
da cidade de Urubici, Santa Catarina –, Juliana voltou a ter esperanças de
mudar a realidade do filho.
O Primeiro Passo, com o apoio do Amigo de Valor, do Banco Santander, oferece
um serviço até então inédito no município. Inaugurado em abril de 2012, o
programa busca combater o uso de drogas e reduzir os danos causados por
elas em adolescentes de 12 a 17 anos de idade e suas famílias. Para isso, são
oferecidos acompanhamento psicossocial e psicoterapêutico e oficinas de
esporte e cultura.
“Aprendi a lidar melhor com meu filho, conhecer mais sobre a doença causada
pelas drogas e estou conseguindo aos poucos ajudá-lo; é difícil, às vezes tenho
vontade de desistir, mas o apoio psicológico e toda a força que o programa dá
me faz continuar a tentar salvar meu filho”, afirma Juliana.
Atualmente, Lucas está internado em uma comunidade terapêutica, após
passar alguns meses em um instituto psiquiátrico para desintoxicação. Em seu
retorno, o adolescente, além do amparo da família, contará com o apoio da
equipe do Primeiro Passo, que irá delinear metas e estratégias para sua
reabilitação.
Com o apoio do Amigo de Valor, o Programa Primeiro Passo vem contribuindo
com Lucas e com outros 42 adolescentes e suas famílias no enfrentamento
desta problemática e na descoberta de novas perspectivas como retorno à
escola, inserção no mercado de trabalho e fortalecimento dos vínculos
familiares e comunitários. As ações do programa serão ampliadas por meio de
encontros periódicos entre a equipe técnica – psiquiatra, psicóloga e assistente
social – e membros das escolas e das comunidades rurais de Urubici.
*Nome fictício
Amigo de Valor apoia Virginópolis no combate à negligência e aos
maus tratos domésticos
Agnaldo*, 12 anos, tem uma saúde frágil e há um ano passou por uma delicada
cirurgia cardíaca. Morador da zona rural de Virginópolis, município de Minas
Gerais, até há poucos meses o menino vivia com os pais, a avó e os irmãos
numa pequena casa sem condições de segurança e higiene. Em 2012, a família
foi acolhida pela Secretaria Municipal de Assistência Social e as crianças foram
inseridas no Programa Aconchego e Cidadania.
O Programa conta com o apoio do Amigo de Valor, do Banco Santander, e
atende crianças e adolescentes vítimas de negligência e maus tratos
domésticos. Nele, a família encontrou a ajuda de que precisava para melhorar
sua vida. O pai, que é alcoólatra, foi encaminhado ao grupo de alcoólicos
anônimos (AA). A mãe – que possui déficit cognitivo – e a avó foram inseridas
no grupo de mulheres do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS).
A família hoje vive numa casa alugada pela prefeitura de Virginópolis e recebe
orientações sobre cuidados com a higiene – tanto da casa como pessoal. Após
as mudanças, foi possível notar melhorias na saúde de Agnaldo, que além do
problema cardíaco sofria também de anemia.
Assim como Agnaldo, outras 31 crianças e adolescentes são atendidas pelo
Programa Aconchego e Cidadania para que tenham a oportunidade de mudar
sua realidade e alcançar o pleno desenvolvimento.
*Nome fictício
Banco Santander apoia o município de Xinguara na luta contra o
trabalho infantil
Você sabia que no Brasil crianças e adolescentes de até 16 anos não podem
trabalhar? A exceção é o trabalho como aprendiz, permitido a partir de 14
anos. Ainda assim, há milhares de pequenos trabalhadores no País. Esses
meninos e meninas muitas vezes deixam de frequentar a escola, de brincar e
de viver uma das fases mais gostosas da vida, o que prejudica o seu
desenvolvimento.
Em Xinguara, no Pará, essa era uma das principais violações sofridas pela
população infantojuvenil. Por isso, com o apoio do Programa Amigo de Valor,
do Banco Santander, o município criou, em 2012, o Programa de Abordagem
Social, cujo objetivo é erradicar o trabalho infantil. “Cento e quarenta casos ao
todo foram abordados e vêm sendo acompanhados”, diz Arlete Francisca
Marques, coordenadora do programa.
Os esforços já renderam frutos: a feira da cidade, antes repleta de meninos e
meninas trabalhadores, ganhou novos ares: quase 100% das crianças e
adolescentes foram retirados da situação de trabalho e incluídos em atividades
socioeducativas e esportivas. Os casos mais graves foram encaminhados a um
centro de atendimento coordenado pelo Centro de Referência de Assistência
Social (CRAS).
Pedro*, 12, trabalhava há três anos como flanelinha no estacionamento da
feira. Seu pai, Edimilson, diz que não sabia dos riscos até ouvir a palestra de
Marques. “Falei para a coordenadora e para a assistente social que elas podiam
ficar tranquilas que meus meninos não iam mais para a feira nem para a rua”,
afirma.
Além de buscar os pequenos trabalhadores e oferecer alternativas às famílias –
para que elas possam viver sem a necessidade de envolver suas crianças no
sustento familiar ou na manutenção de seus lares –, o programa investe na
conscientização da população sobre os prejuízos causados pelo trabalho
infantil. Para isso, são produzidos materiais de divulgação, como cartilhas e
folders.
*Nome fictício
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Relatos dos municípios apoiados entre 2011 e