Relatos dos Municípios Apoiados pelo Programa Amigo de Valor Triênio 2011 - 2013 Combate às drogas em Abaetetuba tem apoio do Amigo de Valor As drogas estão presentes em 98% das cidades brasileiras*. Em Abaetetuba, no Pará, a situação não é diferente e o uso de entorpecentes e de álcool entre crianças e adolescentes é preocupante. Marcos Vítor*, 14 anos, começou a consumir drogas ainda na infância. Foi no Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS/AD) que o menino encontrou auxílio para combater o vício. O CAPS/AD atende dependentes químicos desde 2008, mas foi a partir de junho de 2012, com o apoio do programa Amigo de Valor, do Banco Santander, que o centro ganhou estrutura e equipamentos adequados para oferecer atendimento especializado ao público infantojuvenil. “Trabalhar com álcool e drogas é algo bem complexo, não há uma adesão total ao tratamento. Quando se trata de criança e adolescente, é ainda pior”, conta Elem Costa dos Santos, coordenadora do Centro. No novo anexo Omará do CAPS/AD, além de atendimento médico e psicológico, as crianças e adolescentes têm acesso a uma ludoteca com tela de cinema e frequentam oficinas lúdico-pedagógicas, com atividades manuais, esportivas, jogos intelectuais etc. O objetivo é oferecer atrativos e aumentar a adesão. Os pais também recebem orientações para fortalecer vínculos familiares e favorecer o tratamento. Na opinião da coordenadora, o diferencial do programa é o acolhimento, a receptividade dos profissionais do Omará. “Muitas vezes eles [os pacientes] não querem vir, criam uma expectativa de que a família quer se livrar deles, quer interná-los. Quando chegam aqui, percebem que é totalmente diferente do que eles pensavam”, diz Santos. “Se eles não forem bem acolhidos, não retornam”. O anexo Omará acolheu, desde sua inauguração, 17 crianças e adolescentes, dez deles continuam a frequentar o centro. No caso de Marcos Vítor ainda há um longo caminho a ser trilhado. Para agravar sua situação, o menino é portador de hanseníase. O CAPS/AD também acompanha o tratamento da doença, que causa muitas dores e lesões. *Dado da Confederação Nacional de Municípios (CNM) *Nome fictício Amigo de Valor e Abelardo Luz unem-se no combate a violações de direitos Sebastião* era um menino muito ativo e briguento. Ao longo do ano de 2011, com apenas 9 anos de idade, passou oito vezes pelo Conselho Tutelar e chegou a fugir de casa. Cansada, Paula*, sua mãe, pensou em abrir mão de sua responsabilidade e enviá-lo a uma instituição de acolhimento. Foi no programa Espaço Cidadão, em Abelardo Luz, Santa Catarina, que o menino encontrou a oportunidade e a ajuda necessária para mudar seu comportamento. O programa é apoiado pelo Amigo de Valor, do Banco Santander, e já atendeu, desde fevereiro de 2012, 65 crianças com direitos violados. No início do atendimento, Sebastião teve muita dificuldade em se adaptar ao grupo de crianças que participavam das oficinas: recusava-se a participar de qualquer atividade e brigava com os professores e com os colegas de turma. Para as sessões com a psicóloga, era necessário buscá-lo em casa, caso contrário, não comparecia. Hoje, Sebastião é um menino mais sociável. Conseguiu fazer amigos e frequenta o programa diariamente no contraturno escolar. Aos professores e à psicóloga, afirma que não fugirá mais de casa e que pretende ajudar sua mãe. O atual desafio do Espaço Cidadão é convencer Paula a ter uma maior participação nas atividades e reuniões oferecidas aos pais e responsáveis. Além do atendimento psicológico, o programa Espaço Cidadão oferece ao seu público área de lazer com quadra de areia e parque infantil, aulas de educação física, de dança e de artesanato. “Até então, a única área de lazer a que eles tinham acesso era um açude onde nadavam”, conta Leonice Dedonatti, presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente. *Nomes fictícios Amigo de Valor apoia Alvarães na luta contra a violência doméstica Durante quatro anos, Márcia* sofreu abusos sexuais. Foi somente há pouco mais de um mês que a menina, hoje com 13 anos, conseguiu ajuda para sair de casa e se afastar do abusador – seu próprio pai. Para superar o trauma, Márcia conta com o apoio da equipe da Casa de Acolhimento de Alvarães, no Estado do Amazonas. A estrutura física da casa de acolhimento – construída com o auxílio do programa Amigo de Valor, do Banco Santander – ficou pronta em março de 2013. Os atendimentos às crianças e aos adolescentes vítimas de violência doméstica, abandono e negligência, no entanto, estão em curso desde 2012. Nesse ano, 30 meninos e meninas contaram com a ajuda de profissionais especializados, como psicólogo, assistente social, pedagogo e técnico de enfermagem. Em 2013, com a conclusão da casa,17 crianças foram atendidas. Márcia, além de obter apoio psicossocial, foi encaminhada a profissionais da saúde, com o objetivo de fazer exames e de tratar infecções decorrentes dos abusos. “Ela pensava que estava grávida, mas o exame deu negativo”, conta a psicóloga Alessandra Duarte de Souza. Atualmente, a adolescente – órfã de mãe –, mora com uma prima maior de idade, que também recebe orientações e assistência da equipe da Casa de Acolhimento. Em pouco mais de um mês, é possível notar mudanças positivas no comportamento e na vida de Márcia. “Ela chegou ao programa muito nervosa e desconfiada. Hoje já interage mais com as pessoas”, relata Souza. A adolescente também retomou os estudos, que havia abandonado por causa do pai que a mantinha em casa, acorrentada. “Para onde o pai ia, ela ia junto. Se ele ia trabalhar na roça, ela ia também. Só podia sair com ele.”, diz a psicóloga. *Nome fictício Barbalha reativa Casa de Acolhimento com ajuda do Amigo de Valor Um menino sujo e faminto engatinhava em meio à rodoviária de Barbalha, no Ceará. Num canto não muito distante estava Ana*, embriagada e inconsciente, alheia aos riscos a que o filho estava exposto. Foi assim que, em 2012, o Conselho Tutelar encontrou Expedito*, hoje com dois anos de idade. Por determinação judicial, Expedito foi encaminhado à Casa de Acolhimento de Barbalha. Poucos meses antes, o menino não teria uma casa que o acolhesse: o antigo abrigo estava desativado. Com o apoio do Programa Amigo de Valor, do Banco Santander, a casa foi reformada e reativada em julho de 2012. Desde então, dez crianças foram acolhidas. A passagem de Expedito pela casa foi rápida. Em poucos dias passou a viver temporariamente com a avó paterna. Desde o início Ana aceitou submeter-se a tratamento. “A mãe ficou com tanto medo de perder o bebê que ela mesma pediu ajuda”, conta Maria Isabelle Nascimento, coordenadora da Casa de Acolhimento. Ana – que estava grávida – recebeu orientações e iniciou tratamento contra o alcoolismo no Centro de Atenção Psicossocial – Álcool e Drogas (CAPS/AD). Após exames, descobriu-se que é portadora do vírus HIV. Desde a intervenção do Conselho Tutelar, Ana não consome bebidas alcoólicas. O bebê que ela esperava nasceu com problemas congênitos e morreu um dia após o nascimento. Mas ela e seu filho Expedito agora vivem juntos na casa dos avós maternos e a família continua recebendo visitas periódicas e orientações dos profissionais da Casa de Acolhimento. *Nome fictício Amigo de Valor apoia Bom Jardim no combate à negligência e aos maus-tratos domésticos Neide* sofre de uma doença rara e incurável que prejudica o sistema imunológico. Suas crises constantes a impossibilitam de cuidar dos filhos, Simone* e Mathias*, de 8 e 7 anos. Até poucos meses atrás, quando o pai saía para trabalhar na roça, as crianças ficavam sozinhas e com a responsabilidade de cuidar da mãe e da casa. Hoje elas frequentam, no contraturno escolar, o Instituto Ser Criança, na cidade de Bom Jardim, no Maranhão. O Instituto recebe apoio do Programa Amigo de Valor, do Banco Santander. Desde março de 2012, foram atendidas 42 crianças e adolescentes vítimas de negligência e maus-tratos domésticos. Por enquanto, o Ser Criança funciona em uma sala do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), mas o prédio próprio já está em fase de acabamento. A família de Neide vive em situação de pobreza e, apesar de estar incapacitada para trabalhar, a mulher não pode ser inscrita em nenhum tipo de auxílio oferecido pelo governo federal, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC). Isso porque a doença ainda não é reconhecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “Nossa assistente social está pesquisando de que forma podemos ajudá-la para que ela possa receber os benefícios”, conta Dal-Adler Santos Castro, coordenador do Instituto. Além de buscar soluções para o problema econômico e de saúde da mãe, a equipe do Instituto oferece às crianças apoio psicológico. Elas também têm acesso a uma brinquedoteca e participam de oficinas de música, teatro e artesanato. “Eles sorriem e ficam mais felizes quando estão no Instituto, fazendo as atividades”, diz Castro. *Nome fictício Amigo de Valor e Brumado unem-se na defesa dos direitos da criança e do adolescente Aos 15 anos, Sofia* já havia sido expulsa de três diferentes escolas. Seu comportamento agressivo – tanto com colegas como com professores – e problemas enfrentados por sua família – o pai é usuário de drogas –, fizeram com que a menina fosse encaminhada ao ProFamília, Programa de Fortalecimento Familiar do município de Brumado, na Bahia, apoiado pelo Amigo de Valor, do Banco Santander. Desde que chegou ao programa, o comportamento de Sofia teve uma melhora. Com a ajuda da equipe do ProFamília, a adolescente conseguiu finalizar o ano letivo. “Nós conversamos e ela fez todas as provas, mesmo com o prazo já terminado. Falamos com o diretor de educação do município e explicamos a situação dela”, conta a assistente social Valdirene Graça Santana. Aprovada, a menina mostrou-se feliz e decidiu continuar os estudos. “Ela pensava em desistir, falava que não ia mais para a escola, que não queria mais estudar”, revela Santana. Outro desafio do programa é convencer o pai de Sofia a aceitar tratamento. Ele é usuário de drogas desde antes do nascimento da adolescente. Quando começou a consumir crack, a situação piorou. Às vezes, agride a esposa. “A mãe de Sofia trabalha como empregada doméstica e sustenta a casa. Ela relata que tem que dar dinheiro para ele. Se não dá, ele bate”, diz a assistente social. A equipe estuda a possibilidade de solicitar internação compulsória para a realização de tratamento, caso ele continue a negar ajuda. No ProFamília, além de receber apoio psicossocial, Sofia participa de oficinas de artes, informática e dança. Assim como ela, mais de 200 outras crianças e adolescentes – com direitos violados ou em situação de risco e de vulnerabilidade social – receberam apoio do programa desde sua inauguração, em abril de 2012. *Nome fictício Amigo de Valor ajuda Campos Sales na construção de uma casa de acolhimento A vida de Claudia* mal começou, mas a menina já passou por inúmeras dificuldades. Com apenas um ano de idade, ela vive provisoriamente com uma família acolhedora em Campos Sales, no Ceará. Sua mãe, Ana Paula*, de 19 anos e usuária de drogas, não sabe dizer quem é o pai de sua filha. Recentemente, saiu da casa em que vivia com o pai e pediu ajuda ao Centro de Referência Especializado em Assistência Social (CREAS). No CREAS, Ana Paula recebeu apoio para arrumar um trabalho, deixar as drogas e criar a filha em melhores condições. Entretanto, a jovem abandonou a filha e retornou à casa do pai – acusado de matar sua mãe quando ela tinha apenas cinco anos. Claudia foi então encaminhada a uma família acolhedora. A Assistente Social do CREAS realiza, frequentemente, visitas domiciliares para acompanhar o desenvolvimento da criança e constata um laço afetivo forte com essa família. Enquanto isso, o Ministério Público investiga uma possível paternidade, através das providências legais para realização de exame de DNA. Campos Sales ainda não conta com uma casa de acolhimento que possa atender a casos como o de Claudia. Atualmente, com o apoio do Programa Amigo de Valor, do Banco Santander, a prefeitura está construindo uma casa para atender a essa necessidade. “Nós precisamos disso. O Conselho Tutelar e o CREAS têm inúmeros casos que poderiam ser assistidos com a ajuda do Amigo de Valor”, conta a assistente social Maria Geiza Rodrigues Feijó. Estima-se que até o fim do ano a casa de acolhimento de Campos Sales esteja pronta para receber crianças ou adolescentes afastados de seus lares. Na casa, uma equipe de profissionais especializados poderá cuidar da criança e, ao mesmo tempo, buscar acolhimento familiar para ela, como no caso de Claudia e outras crianças do município. *Nome fictício Amigo de Valor apoia o município de Capela a proteger crianças e adolescentes contra os maus-tratos Durante anos, Fernanda*, 13, sofreu negligência e violência doméstica. Seu pai, quando bebia – o que ocorria com frequência – agredia os filhos e a esposa. Até que um dia perdeu o controle em público e o Conselho Tutelar do município de Capela, em Alagoas, foi chamado. Encaminhada ao programa João de Barro, a adolescente passou a receber atendimento psicossocial e a frequentar oficinas lúdico-pedagógicas. “Me sinto feliz aqui no programa porque posso aprender música, me apresentar, brincar e aprender sobre meus direitos”, conta Fernanda. O programa conta com o apoio do Amigo de Valor, do Banco Santander e já atendeu, desde sua criação, em março de 2012, mais de 150 crianças e adolescentes vítimas de maus-tratos ou em situação irregular de trabalho. No programa, essas crianças e adolescentes, assim como suas famílias, recebem o apoio necessário para cessar as situações de violação de direitos e minimizar os efeitos daquelas já ocorridas. “Com a realização das oficinas nós não só resgatamos a autoestima dos participantes como também descobrimos muitos talentos e conseguimos melhorar significativamente a relação entre os meninos e meninas e suas famílias”, diz a coordenadora do programa Maria Valdevino Ferreira. O pai de Fernanda passou por uma clínica de recuperação, mas, infelizmente, o resultado não foi satisfatório. “Ele voltou para casa e deixou de beber por um tempo, mas fiz uma visita recentemente e soube que ele voltou a beber”, conta Ferreira. A situação de violência, no entanto, ainda não se repetiu. Com a menina inserida no programa, a equipe acompanha de perto a situação familiar. *Nome fictício Com a ajuda do Amigo de Valor, o município de Cardoso Moreira combate os maus tratos contra crianças e adolescentes Negligência e maus tratos são os problemas mais comuns entre crianças e adolescentes de Cardoso Moreira, no Estado do Rio de Janeiro. Em 2011, um dos casos que estava no Conselho Tutelar sem uma solução adequada era o dos irmãos Patrícia, Ana e Valter*, com 12, 10 e 8 anos respectivamente. Eles viviam com os pais e avós maternos em condições precárias de higiene. Pensando em situações como a dessa família e com o apoio do programa Amigo de Valor, do Banco Santander, foi implantado no município o programa Reparar. Desde o início dos atendimentos, em março de 2012, cerca de 30 famílias foram beneficiadas. Patrícia e os irmãos passaram a ter um acompanhamento psicossocial e a frequentar a brinquedoteca e oficinas de esportes. Os pais receberam orientações sobre cuidados e higiene. “Houve avanços, mas ainda tem muito o que melhorar”, conta o pedagogo Edgard Monzato Almeida. Quando chegaram ao programa, as crianças tinham feridas nas cabeças e nos pés, estavam sujas e com piolhos. Na escola, elas eram rejeitadas pelos colegas por causa da aparência. Apesar de ainda terem alguns problemas relacionados à higiene, os irmãos já não apresentam feridas. De acordo com Almeida, depois da higiene, o segundo desafio a ser trabalhado com essa família é a questão da educação. “Os pais não estudaram e não percebem a importância da educação”, diz o pedagogo. *Nome fictício Em Caruaru, Amigo de Valor ajuda na recuperação de adolescentes em conflito com a lei Walter* era um menino problemático e de baixa autoestima. Não era viciado em drogas psicotrópicas, mas consumia muita bebida alcoólica. Aos 16 anos, foi pego cometendo ato infracional. No Programa Cidadão, em Caruaru, Pernambuco, o adolescente encontrou apoio para reestruturar sua vida e viver em harmonia com a sociedade. O Programa Cidadão – que é apoiado pelo Amigo de Valor, do Banco Santander – atende adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas em meio aberto, aplicadas pelo Poder Judiciário. Os jovens recebem atendimento psicológico, assessoria jurídica, apoio pedagógico e têm acesso a oficinas de informática, artes, panificação e protagonismo social. Outras organizações sociais da comunidade, além da família, são estimuladas a cooperar com o processo de reintegração social dos adolescentes. Entre janeiro e dezembro de 2012, mais de 100 meninos foram atendidos. Atualmente, cerca de 55 frequentam o local por determinação da Vara da Infância e da Juventude. Quando chegou ao programa, Walter não tinha documentos e sua autoestima era muito baixa, agravada pela falta dos dentes da frente. Com a ajuda dos profissionais do Programa Cidadão, o menino retirou sua documentação e passou a usar uma dentadura. Hoje, aos 18 anos, com a medida socioeducativa já cumprida e a autoestima melhorada, Walter vive da renda do seu próprio trabalho e mantém um bom relacionamento com a família e com a sociedade. “Quando ele tem alguma dificuldade, ele liga pra mim, conversa comigo e pede orientação”, conta a assistente social que o atendeu, Sineide Torres de Lima. “É difícil, mas é possível construir um vínculo com esses meninos”, diz. Desta forma, o Programa Cidadão, de Caruaru, vem mostrando que as medidas socioeducativas em meio aberto, quando acompanhadas por um equipe competente e dotada de metodologia bem fundamentada, conseguem restaurar a capacidade de desenvolvimento pessoal e de convivência social saudável dos adolescentes que cometeram atos infracionais. *Nome fictício Coxim recebe o apoio do Amigo de Valor em programa socioeducativo Aos 17 anos, Marcelo* era viciado em maconha, cigarro comum e já havia experimentado outros tipos de drogas. Vivia em constante conflito com a família e já não ia mais à escola. Um dia, envolveu-se num assalto e foi pego. Por determinação da justiça de Coxim, no Mato Grosso do Sul, o adolescente passou a frequentar o programa Espaço Cultural do Pantanal. Criado com o apoio do Amigo de Valor, do Banco Santander, o Espaço Cultural é um programa socioeducativo que visa reduzir a incidência de atos infracionais. Desde o início das atividades, em março de 2012, 22 adolescentes foram atendidos. “Em breve receberemos mais 34”, diz Mônica Moura, gerente do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) do município. Quando chegou ao programa, Marcelo era agressivo, escondia-se atrás do boné e não deixava que ninguém o tocasse. Para surpresa da equipe do programa, aquele adolescente tímido e arredio identificou-se com as oficinas de dança e de percussão. Aos poucos, seu comportamento sofreu uma grande transformação. “Hoje ele é monitor na academia da professora de dança”, conta Moura. Sua relação com a família também melhorou, mas ainda há problemas que precisam ser enfrentados. O pai do menino não aderiu ao programa e não participa das atividades e das reuniões propostas, ao contrário da mãe, que já compareceu a diversas sessões com a psicóloga do Espaço Cultural. Além da falta de participação do pai na vida do filho, outro desafio a ser superado é o desinteresse de Marcelo em continuar os estudos e concluir a escola. *Nome fictício Amigo de Valor ajuda o município de Cruz do Espírito Santo a alfabetizar crianças e a fortalecer vínculos familiares e sociais Lucas*, 12 anos, vive na zona rural do munícipio de Cruz do Espírito Santo, na várzea paraibana. Sua família, como tantas outras Brasil afora, diante das adversidades deixou a educação em segundo plano. Com a ajuda do programa Brincando Direito(s), o menino não só aprendeu a ler e a escrever: muito além disso, ele aprendeu a gostar da escola. O programa, que recebe apoio do Amigo de Valor, do Banco Santander, auxilia alunos do primeiro ciclo de colégios públicos a alcançarem níveis de alfabetização esperados para sua idade. Em parceria com os professores, o Brincando Direito(s) desenvolve práticas alfabetizadoras e adota pedagogias lúdicas sintonizadas com a vivência e a personalidade das crianças. Hoje, Lucas consegue ler e escrever e sente prazer em frequentar a escola. “Eu gosto mais de matemática e português”, conta o menino. Coordenador do programa, o padre italiano Gabriele Giacomelli, ressalta a necessidade de transformar a escola em algo mais do que uma obrigação. “Por isso nós introduzimos a pedagogia lúdica, numa tentativa de fazer a criança se sentir bem no ambiente escolar”, diz o coordenador. O programa também realiza visitas domiciliares, a fim de conhecer a realidade das crianças atendidas: “Ler e escrever às vezes é um objetivo secundário, porque há outras questões para se resolver com as famílias, com as próprias crianças e com incapacidade que algumas delas têm de lidar com os colegas”, conta o padre Giacomelli. Para ele, essas visitas permitem que sejam feitos ajustes até mesmo no objetivo do atendimento, já que a dificuldade de ler e escrever muitas vezes é um sintoma da situação em que a criança vive. Desde sua criação, em fevereiro de 2012, o programa atendeu mais de 100 crianças e adolescentes em dois eixos: além de trabalhar a alfabetização e a pedagogia lúdica com crianças do primeiro ciclo, o Brincando Direito(s) investiu na divulgação dos direitos infanto-juvenis entre adolescentes da zona rural. *Nome fictício Amigo de Valor apoia Doutor Severiano na garantia dos direitos de crianças e adolescentes Joana* tem 10 anos de idade, mas aparenta ter apenas sete. Abandonada pela mãe, a menina vive com o pai agricultor e dois irmãos numa pequena casa de taipa na zona rural de Doutor Severiano, no Rio Grande do Norte. Com a ajuda do Programa de Apoio Sociofamiliar (PASF) o pai e as crianças buscam superar o abandono e fortalecer os laços familiares. O PASF recebe apoio do Programa Amigo de Valor, do Banco Santander, e já acolheu, desde que foi inaugurado em abril de 2012, cerca de 70 crianças e adolescentes entre 7 e 14 anos. Os atendimentos são realizados em três núcleos situados na zona rural do município. “Verificamos que havia muitos maus-tratos na zona rural. O Centro de Referência em Assistência Social (CRAS) fazia ações pontuais na área, mas não tinha um trabalho consistente”, conta a assistente social Suzete Maria de Queiroz. Com a implantação do PASF, as crianças e adolescentes passaram a receber apoio psicossocial e a participar de atividades individuais e coletivas como reforço escolar, oficinas socioeducativas e lúdicas de arte, música, dança, esportivas e de lazer. As famílias também estão recebendo apoio. “O pai de Joana é considerado o mais carente, mas sempre que convocado comparece ao programa”, diz Queiroz. Por meio das oficinas socioeducativas, Joana, que antes era muito tímida, aprendeu a brincar e a se relacionar com outras crianças. Mas ela ainda sofre com sua situação. “Moro numa casa que está se desmanchando e minha mãe foi embora com outro homem”, lamenta Joana. A equipe do PASF trabalha para melhorar as condições de vida da família, que já foi inscrita em um cadastro habitacional. “Temos um projeto em parceria com a Fundação Nacional de Saúde (FUNASA), de substituição das casas de taipa para controle da doença de chagas”, afirma a assistente social. Atualmente, a única fonte de renda da família é o Programa Bolsa Família, já que o pai de Joana não possui terras e planta apenas para subsistência. *Nome fictício Com apoio do Amigo de Valor, Estreito oferece proteção especial a crianças e adolescentes Adotada quando ainda era um bebê por uma advogada, Gabriela*, hoje com 14 anos, parecia ter finalmente conseguido algo de bom numa vida marcada pelo abandono. No entanto, esse era apenas o início de um longo período repleto de maus tratos. Aos 10 anos, Gabriela nunca havia dormido numa cama. Trabalhava sem descanso como empregada doméstica, recebia castigos severos e vivia amarrada. Quando foi finalmente resgatada, apresentava mais de 100 cicatrizes pelo corpo, além de profundos problemas psicológicos. No Programa Reviver, do município de Estreito, no Maranhão, a menina recebe ajuda para superar seus traumas. O Programa Reviver – que recebe apoio do Amigo de Valor, do Banco Santander – oferece acompanhamento nutricional, odontológico e psicológico e oficinas educacionais e esportivas para crianças e adolescentes vítimas de violência física e psicológica, abuso sexual, maus tratos e abandono. Desde janeiro de 2012, o programa atendeu 33 crianças e adolescentes entre sete e 17 anos. Gabriela foi uma dessas adolescentes. Hoje ela vive hoje com a mãe biológica, que, arrependida do abandono, havia pedido no Ministério Público notícias sobre a filha. “Elas têm uma boa relação, com algumas dificuldades de convivência, porque ela [a menina] é descuidada com a higiene, com a aparência e é difícil de se relacionar”, conta a Fabiana dos Santos Pinheiro, pedagoga do Reviver. Quando chegou ao programa, as dificuldades de socialização de Gabriela eram ainda maiores. “Ela não conversava. A gente falava bom dia e ela não respondia. Agora ela chega e vem na nossa sala dar bom dia; ela também está se cuidando melhor”, diz Pinheiro. A mãe adotiva de Gabriela responde a processo em liberdade. *Nome fictício Amigo de Valor apoia Garanhuns no combate à violações dos direitos infantojuvenis Lúcia*, 8 anos, vive com a mãe desempregada e mais quatro irmãos no município pernambucano de Garanhuns. O pai, alcoolista, costumava agredir a esposa, até que, um dia, abandonou a família. A única fonte de renda de mãe e filhos é o valor recebido por meio do Programa Bolsa Família. Atualmente, Lúcia frequenta o Programa Floreando. Apoiado pelo Amigo de Valor, do Banco Santander, o programa atendeu, desde março de 2012, aproximadamente 45 crianças e adolescentes que têm seus direitos violados. O atendimento concentra-se no bairro Massaranduba, onde vivem cerca de mil famílias carentes. “O bairro é resultado de uma invasão de terras do Estado e não possui saneamento básico”, diz Aline Rafaele da Silva Ramos, psicóloga do programa. No Floreando, Lúcia – que possui um grave déficit cognitivo – recebe apoio psicossocial e tem acesso a reforço escolar, atividades lúdicas e oficinas com temáticas variadas. O programa oferece também cursos profissionalizantes e as famílias recebem orientações e são acompanhadas por meio de visitas domiciliares. Graças ao Programa Amigo de Valor, crianças e adolescentes vítimas de diversos tipos de violações em Garanhuns agora encontram ajuda para ressignificar as experiências negativas, desenvolver habilidades, fortalecer os vínculos de afeto da família e esquematizar novos projetos de vida. *Nome fictício Amigo de Valor apoia o município de Guia Lopes da Laguna no combate ao uso de álcool e drogas Aos 12 anos, Gustavo* abandonou os estudos. O menino vivia em situação de risco, com grandes possibilidades de vir a se tornar um dependente químico: enquanto sua mãe trabalhava, o garoto ia para as ruas, onde convivia diariamente com outros adolescentes também usuários de drogas. O futuro de Gustavo parecia sombrio, como o de muitas outras crianças e adolescentes de Guia Lopes de Laguna, no Mato Grosso do Sul, onde o uso de álcool e drogas é um problema crescente. Mas, graças ao programa Mão Amiga – apoiado pelo Amigo de Valor, do Banco Santander –, o menino teve uma oportunidade de transformar sua vida. Quando chegou ao programa, Gustavo era agressivo, recusava-se a participar das atividades e não interagia com os colegas. Seu comportamento melhorou significativamente. Hoje, ele participa das aulas de dança, tênis de mesa e jiu jitsu, entre outras atividades ofertadas pelo Mão Amiga. Esse serviço de prevenção e enfrentamento do uso de drogas é inédito no município. “Não tínhamos nenhum local que trabalhasse a questão do consumo de álcool e drogas”, conta Elaine Maria Marques, presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente. Assim como Gustavo, outras 50 crianças e adolescentes contaram com a ajuda do programa, que oferece, além das oficinas lúdico-pedagógicas, atendimento psicossocial e acompanhamento para os familiares. *Nome fictício Amigo de Valor apoia município baiano no combate à violência doméstica Filho de pai alcoólatra e de mãe com distúrbios mentais, Eduardo*, 15 anos, cresceu sofrendo violência física e psicológica. Logo o menino começou a cometer pequenos furtos e a ser visto pela sociedade de Ibipeba, na Bahia, como um problema. No entanto, até a criação do programa Semear, nada foi feito para mudar esta realidade. No programa, Eduardo passou a ter acompanhamento psicológico e a participar de oficinas. “Ele identificou-se com a capoeira e hoje destaca-se no esporte, tem muita habilidade”, conta Ediana de Castro Dourado Santos, coordenadora do Semear. Além disso, o menino passou a frequentar a escola com maior regularidade e a respeitar regras. Desde que o adolescente chegou ao Semear, a vida de sua família sofreu uma grande transformação. Sua mãe aceitou submeter-se a tratamento psiquiátrico e passou a tomar medicamentos. Em parceria com o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), o programa conseguiu cadastrá-la para que passasse a receber o Benefício de Prestação Continuada (BPC), que transfere um salário mínimo a pessoas portadoras de deficiências consideradas incapacitantes e que vivem em situação de pobreza. A família, que antes não tinha casa própria, também foi beneficiada pelo Programa Minha Casa, Minha Vida. “Trabalhar violação de direitos não envolve somente ajudar a criança ou o adolescente que foi vítima. Vai muito além disso, porque, na maioria das vezes, o problema está dentro da própria família”, ressalta a coordenadora. O desafio agora é conseguir uma maior participação do pai de Eduardo, que separou-se da mãe e continua bebendo. Implantado no município em janeiro de 2012, o Semear – que recebe apoio do Programa Amigo de Valor, do Banco Santander – já atendeu 78 crianças e adolescentes vítimas de violência doméstica. *Nome fictício Amigo de Valor apoia Indiara na prevenção e no combate ao uso de drogas Aos 13 anos, Bruno* foi encontrado acorrentado em sua casa. A medida desesperada foi sugestão do próprio menino, que se encontrava ameaçado de morte. À mãe, Bruno afirmou que preferia ficar acorrentado e vivo do que sair para as ruas e acabar morto. Esse foi o primeiro caso atendido pelo Proviver, programa de prevenção e combate às drogas do município de Indiara, em Goiás. Criado no final de 2011, o programa – que conta com o apoio do Amigo de Valor, do Banco Santander – oferece oficinas de arte, informática e esportes, além de suporte médico e psicossocial. Cerca de 60 crianças e adolescentes já foram atendidos. “A situação do uso de drogas em Indiara é tão grave que hoje atendemos uma criança com cinco anos que já é usuária de maconha”, conta Nidiane de Assis Silva, coordenadora do Proviver. Quando soube que um programa de proteção especial para crianças e adolescentes usuários de drogas estava sendo planejado, a mãe de Bruno procurou a equipe responsável e pediu ajuda. O menino começou a usar drogas por influência de amigos e, para manter o vício, envolveu-se também com o tráfico. Como em todo programa de combate ao uso de drogas, a maior dificuldade do Proviver é conseguir a adesão dos dependentes químicos. “Os casos menos problemáticos frequentam mais o programa do que os mais problemáticos”, diz Silva. Para ela, o importante é criar um vínculo com os meninos e meninas atendidos, para que eles recorram ao programa quando precisarem de ajuda. “Acreditamos que num momento eles vão perceber que essa situação pode ser superada”, afirma. Depois de três meses internado em uma clínica de recuperação, Bruno voltou a se envolver com o consumo e o tráfico de drogas. Hoje, aos 15 anos, o adolescente encontra-se novamente internado, dessa vez de forma compulsória. Enquanto isso, sua família participa de reuniões e recebe apoio e orientações do Proviver. *Nome fictício Amigo de valor apoia Iraí no combate à violência doméstica Enzo*, 11 anos, filho único de pais presidiários, sofreu muito tempo com a negligência e a violência doméstica em Iraí, no Rio Grande do Sul. Após a prisão dos pais quando tinha apenas nove anos, o menino, por determinação da justiça, passou a morar com sua tia Heloísa. Com poucos amigos, isolado e revoltado devido a sua história de vida, Enzo teve sua rotina alterada quando foi encaminhado pelo Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) ao Programa Amigos da Natureza e da Vida (Anavi). “Adoro participar das atividades do projeto Anavi, principalmente das aulas de capoeira, pois lá aprendo várias coisas boas e os professores são queridos”, relata o menino. Com o apoio do Programa Amigo de Valor do Banco Santander, o Anavi oferece acompanhamento psicossocial e oficinas multidisciplinares a crianças e adolescentes vítimas de maus tratos e busca fortalecer os vínculos familiares e comunitários. Quase um ano após o início de suas atividades no Anavi, Enzo está mais sociável, fez diversos amigos e, segundo a professora, melhorou muito no rendimento escolar. Sua mãe, Gabriely, cumpriu a pena, saiu da penitenciária e passou a frequentar as oficinas oferecidas pelo programa – de bordado em chinelo e de reaproveitamento de alimentos – além do curso profissionalizante de administradora do lar, feito em parceria com o SENAC. Ela agora luta para recuperar a guarda do filho. “O projeto Anavi mudou bastante nossa família e me ajudou muito, ganhei certificado do curso que fiz e até já estou trabalhando” conta. “Analisando cada caso, em especial o da família do Enzo, percebemos que estamos conseguindo atingir nossos objetivos, ajudando a melhorar muito a realidade desta e de outras famílias”, diz Queli Ceolin, psicóloga e coordenadora do programa. Da mesma forma que Enzo, outras 79 crianças e adolescentes são assistidos pelo Projeto ANAVI, que está presente no município de Iraí desde janeiro de 2012. *Nome fictício Com o apoio do Amigo de Valor, Itaberá cria programa para atender crianças e adolescentes envolvidos com drogas Quando Laura* tinha apenas cinco anos, sua mãe foi presa por envolvimento com o tráfico de drogas. Acolhida pela avó, a menina passou a dividir uma pequena casa de dois cômodos com outras dez pessoas. Antes mesmo de completar dez anos, já era conhecida em toda Itaberá, município do interior paulista, em razão de seu comportamento agressivo dentro e fora da escola. Em 2012, Laura foi encaminhada ao Programa Renascer. Apoiado pelo Amigo de Valor, do Banco Santander, o programa oferece atendimento psicossocial e oficinas de artes e esportes para crianças e adolescentes usuários de drogas ou que convivem com dependentes químicos e que, portanto, encontram-se em situação de risco. No Renascer, a menina aprendeu a controlar sua agressividade e a conviver com outras pessoas. “Ela só sabia relacionar-se batendo ou xingando”, conta Simone Jurado Simões Lima, coordenadora do programa Renascer. No início, Laura recusava-se a participar das atividades propostas e comparecia ao programa apenas para provocar outras crianças. Encaminhada a um psiquiatra, a menina foi diagnosticada com o transtorno de Déficit de Atenção com Comportamento Opositor e tendências antissociais, e passou a tomar medicamento. Hoje, ela ainda apresenta alguns problemas de comportamento, mas a mudança foi grande. “Na família dela a convivência era na base do grito e ela cresceu com isso. Mostramos para ela um outro lado, conversamos, impomos limites, elogiamos”, diz Lima. Assim como Laura, outras 50 crianças de Itaberá – juntamente com suas famílias – já receberam apoio do Programa Renascer desde que ele foi criado, em abril de 2012. *Nome fictício Amigo de Valor apoia Itaquaquecetuba na garantia do direito de crianças e adolescentes à educação Maria* era uma mãe amorosa e cuidadosa. Viúva, criava sozinha os três filhos mais novos e fazia com que todos frequentassem a escola. Até que, um dia, sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Com problemas na mobilidade e na fala, Maria passou a depender da filha mais velha, Paula*, 30 anos, que se mostrou ausente e desinteressada. A vida da família tornou-se cada vez mais precária, até que o Programa Crescendo Cidadão entrou em cena. O Crescendo Cidadão busca reduzir a evasão escolar do município de Itaquaquecetuba, no interior do Estado de São Paulo. Criado com incentivo e suporte do Amigo de Valor, do Banco Santander, o programa atendeu, desde setembro de 2012, 109 crianças e adolescentes. Depois que sua mãe sofreu o AVC, Vitor*, 11 anos, o caçula da família, passou a ser levado à escola pela irmã mais velha, que o deixava na porta e não esperava para vê-lo entrar no prédio. “Ele levava outra roupa na mochila e ia para o campo jogar bola. Depois, colocava o uniforme e voltava para casa. A mãe acreditava que ele estava na escola”, conta a pedagoga Neide de Souza Lima Rodrigues, coordenadora do programa. Os outros irmãos, de 14 e 16 anos, sequer estavam matriculados. Mesmo com dificuldades na mobilidade e na fala, Maria passava o dia nas ruas, recolhendo lixo para reciclagem. A equipe do programa percebeu que, para garantir a volta dos meninos aos estudos, era preciso melhorar as condições da família. Orientou e encaminhou a mãe para que ela passasse a receber o Benefício de Prestação Continuada (BPC), que transfere um salário mínimo mensal a pessoas portadoras de deficiências consideradas incapacitantes e que vivem em situação de pobreza. Além disso, encaminhou Maria para tratamento médico e fisioterápico. Após as orientações e o apoio do Crescendo Cidadão, Vitor voltou a frequentar a escola. Seu irmão de 14 anos ainda resiste, mas o irmão mais velho, de 16 anos – que passou a ser acompanhado este ano, depois que o programa passou a atender adolescentes com idade mais avançada – demonstrou interesse em participar das oficinas socioeducativas oferecidas. “Como eles são muito unidos, isso pode influenciar o irmão de 14 anos a participar também”, diz Rodrigues. Com ajuda do Amigo de Valor, Jaguaruana constrói Casa de Acolhimento Com apenas 16 anos, Júlia* já era mãe de uma menina. Em Jaguaruana, no Ceará, dividia uma pequena casa com o pai, o companheiro e a filha. Um dia, porém, foi abandonada pelo namorado, que passou a viver na mesma rua com outra mulher. Abalada, a adolescente ingeriu medicamentos em uma tentativa de suicídio. No hospital, Júlia revelou não ter intenção de voltar para casa. Foi então encaminhada para a Casa de Acolhimento de Jaguaruana, construída e mantida com o apoio do Programa Amigo de Valor, do Banco Santander. Em funcionamento desde janeiro de 2013, ela tem capacidade para receber, simultaneamente, 15 crianças e adolescentes. “O ano de 2012 foi dedicado à construção da casa”, diz a assistente social Márlia de Souza Segundo. Na Casa de Acolhimento, Júlia recebeu apoio psicológico para superar o abandono, além de orientações sobre como cuidar da filha. A menina, que na época tinha oito meses, ficou aos cuidados do avô materno, mas passava os dias com a mãe adolescente. “Ela passou a dar banho, alimentar e colocar a criança para dormir, coisa que não fazia antes”, conta a assistente social. Júlia voltou para a casa do pai e durante seis meses será acompanhada pelos profissionais da Casa de Acolhimento. A adolescente, que havia abandonado a escola por causa da gravidez, retomou os estudos. Continua recebendo orientações da equipe de profissionais e contando com seu pai como responsável pelos cuidados com sua filha. *Nome fictício Amigo de Valor apoia Japonvar na defesa dos direitos infantojuvenis Há oito anos, Maria* foi abandonada pelo marido. Com três filhos pequenos para criar, passou a desdobrar-se entre dois trabalhos: durante o dia na roça e à noite na cidade, como diarista. Tanto tempo fora de casa fez com que ela descuidasse dos filhos. João, Pedro, e Tiago* – hoje com 11, 13 e 15 anos – passavam os dias nas ruas de Japonvar, em Minas Gerais, praticando pequenos furtos e envolvendo-se em brigas. No Programa Resgatando a Cidadania, eles encontraram ajuda para mudar suas vidas. O Resgatando a Cidadania tem o apoio do Banco Santander, que, por meio do Programa Amigo de Valor, destina recursos para programas de atendimento em municípios críticos do País e oferece apoio técnico para que as equipes locais possam garantir os direitos de suas crianças e adolescentes. Atualmente Maria passa mais tempo com seus filhos e participa de grupo terapêutico voltado para orientação do papel do cuidador. Não fosse a intervenção do programa, os meninos teriam sido encaminhados para uma instituição de acolhimento. “Estamos tentando fazer com que Maria se profissionalize para trabalhar em algo que não exija tanto”, diz o psicólogo Gilmar Clemente de Souza Junior. Os meninos frequentam as oficinas de arte, música, dança e informática. Além disso, contam com atendimento psicológico individual e em grupo. “Este projeto está sendo muito bom para os meus filhos. Antes eles só ficavam na rua, com a cabeça vazia. Agora eles estão aprendendo alguma coisa”, conta Maria. Desde sua inauguração, em julho de 2012, o Resgatando a Cidadania atendeu mais de 60 crianças e adolescentes vítimas de negligência ou maus-tratos. Graças ao programa, Pedro, Tiago e João têm esperança de que sua realidade irá mudar. “Hoje a gente ajuda a nossa mãe e antes a gente ficava muito na rua, sem fazer nada”, relata Pedro. “Gosto muito das aulas de violão e de desenhar. É gostoso colorir”, diz João. *Nome fictício Amigo de Valor apoia Limoeiro do Norte no combate à negligência familiar Até poucos meses atrás, os irmãos Rubens e Augusto*, de 7 e 9 anos, passavam boa parte dos dias sozinhos, esperando pela volta dos pais. Há pelo menos quatro anos o Conselho Tutelar de Limoeiro do Norte, no Ceará, começou a receber denúncias de que os meninos sofriam com a negligência da família. Desde então nada tinha sido feito para mudar a situação, até que aconteceu a implantação do Instituto de Atenção à Infância (IAI). Com o apoio do Programa Amigo de Valor, do Banco Santander, o IAI já atendeu, desde agosto de 2012, 12 crianças vítimas de negligência familiar. Com o dinheiro destinado ao Fundo Municipal por meio do Amigo de Valor, um prédio abandonado foi reformado e readaptado para ser o espaço do Instituto. Além de apoio psicossocial, as crianças têm acesso a oficinas lúdicopedagógicas. Desde que Rubens e Augusto começaram a estudar, suas manhãs de eram preenchidas pela escola. As tardes, porém, eram passadas em casa. Sem a companhia e supervisão de um adulto, os meninos não comiam, não cuidavam da higiene e ficavam expostos a diversos riscos. “Hoje quando chegam da escola, o carro já está esperando para levá-los ao programa”, conta Maria José Matos de Barros, presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente. Barros ressalta, entretanto, que o IAI não deve substituir a família e que essa é uma solução temporária. “A família também é trabalhada dentro do programa, para que a negligência seja superada”, diz. O pai dos meninos é alcoólatra e não demonstra interesse em participar das atividades ou em receber tratamento contra a dependência química. Mas a mãe, que trabalha como diarista, aderiu ao programa e fica atenta às orientações da psicóloga e da assistente social. *Nome fictício Amigo de valor apoia Muqui no combate à violência doméstica Jonas e Willyan*, de 9 e 7 anos, assim como sua mãe, eram vítimas de violência doméstica no município de Muqui, no Espírito Santo. O agressor, o próprio pai, era usuário de drogas e mantinha uma segunda família, na qual se refugiava após as agressões. Essa história é como muitas outras encontradas Brasil afora. Mas, nesse caso, um programa, batizado de “Família Feliz”, fez a diferença. Com o apoio do Programa Amigo de Valor, do Banco Santander, o “Família Feliz” atende meninos e meninas vítimas de maus tratos domésticos. Ao todo, desde sua inauguração em abril de 2012, foram atendidas 40 crianças e adolescentes. Apesar de todos os esforços, infelizmente nem sempre é possível manter a família unida. A integridade física de Jonas, Willyan e de sua mãe foi garantida graças a medidas judiciais. O pai, mesmo após orientações do programa, em conjunto com o setor de defensoria pública do município, não demonstrou interesse em repensar suas atitudes e em restabelecer os vínculos familiares. A pequena família, formada agora somente por mãe e filhos, recebeu auxílio para recuperar sua autoestima e criar novamente vínculos de respeito e afetividade. Por meio de atendimento psicossocial e diversas atividades como oficinas de dança, teatro, artes plásticas e música, o programa busca interromper a situação de violência, reparar danos cognitivos e emocionais, promover o protagonismo infantojuvenil e desenvolver a autonomia das famílias para melhor enfrentar as dificuldades na criação de seus filhos. Quando chegaram ao programa, as crianças eram muito agressivas. Após a medida judicial, a saída do pai da casa da família e as inúmeras intervenções da equipe técnica do programa, uma significativa melhora foi notada, principalmente na relação dos meninos com seu meio e sua nova organização familiar. *Nome fictício Amigo de Valor apoia Nova Monte Verde no combate aos maustratos domésticos Verônica*, 16 anos, vive com a mãe, Rosa*, em Nova Monte Verde, cidade do interior do Mato Grosso. A vida nunca foi fácil para as duas, mas a situação piorou quando Rosa teve que amputar alguns dedos dos pés por causa da Hanseníase. Impedida de trabalhar, a mulher não tinha como pagar o aluguel ou comprar comida e outros itens de necessidade básica. As dificuldades econômicas deterioraram o relacionamento entre mãe e filha. Numa discussão por causa de dinheiro, Rosa jogou uma faca em Verônica. O objeto não acertou a adolescente, mas, assustada com a situação, Verônica pediu ajuda. Encaminhada à instituição de acolhimento do município, ela passou a frequentar o Programa Hora Feliz. Apoiado pelo Amigo de Valor, do Banco Santander, o Hora Feliz oferece atendimento psicossocial e oficinas de inclusão digital, esportes e artes cênicas. Desde janeiro de 2012, o programa já atendeu cerca de 75 crianças e adolescentes vítimas de maus-tratos domésticos. No caso de Verônica e Rosa, os principais problemas eram a situação socioeconômica, a saúde da mãe e a defasagem escolar da filha. Elas foram inscritas no Programa Bolsa Família, cadastradas para receber o Benefício de Prestação Continuada (BPC) – que transfere um salário mínimo para pessoas impossibilitadas de trabalhar e que vivem em situação de pobreza – e inscritas no programa de habitação do município. A mãe passou a ser acompanhada pelo setor de saúde e, além do tratamento para a Hanseníase, ela agora tem assistência psicológica. “O medicamento da Hanseníase altera o humor e o comportamento”, conta a assistente social do programa, Jorciana Santana. Na escola, a adolescente sofria por ser muito mais velha do que os colegas de classe. “Fizemos um plano de aceleração escolar, para que ela conseguisse passar de ano e se sentir melhor”, diz Santana. Verônica já avançou dois anos e está mais próxima de atingir o nível de ensino adequado para sua idade. Depois de dois meses na casa de acolhimento, a juíza autorizou a reintegração familiar. *Nome fictício Município de Nova Porteirinha se reorganiza para o atendimento de crianças e adolescentes usuários de álcool e outras drogas Com o apoio do Programa Amigo de Valor, do Banco Santander, o município de Nova Porteirinha, em Minas Gerais, está finalizando a construção de um Centro que irá atender crianças e adolescentes usuários de álcool e outras drogas. Segundo o plano inicial, a nova casa já deveria estar em funcionamento. Porém, o processo de transição na equipe de gestão do governo local acarretou atrasos na aprovação e concretização da obra. Ao longo do ano de 2012, as atividades do Centro de Atendimento Vida Nova foram realizadas em espaço alugado e na quadra poliesportiva da Prefeitura Municipal. Porém, após a reorganização administrativa ocorrida com a posse da nova equipe de gestão municipal, os atuais gestores tomaram ciência da importância do programa de atendimento e consideraram extremamente importante dar sequência às suas atividades. No momento, está sendo providenciada a contratação de uma nova equipe. Segundo Renata Mendes, Secretária de Assistência Social de Nova Porteirinha, “a continuidade do projeto é fundamental, pois o uso de drogas por adolescentes é muito grande no nosso município. A atual gestão vai disponibilizar condições e ajudar no que for necessário para implementar e iniciar os atendimentos.” Estima-se que até o final do segundo semestre de 2013 o Centro esteja pronto para receber novas crianças e adolescentes e para dar continuidade às atividades previstas. Amigo de Valor apoia município de Pedra na garantia de direitos infantojuvenis Jorge*, 12 anos, não aceita o novo companheiro da mãe e recusa-se a viver com ele. Acolhido pela avó já idosa, o menino passou a gastar boa parte de seus dias nas ruas da cidade de Pedra, em Pernambuco. Chegou a cometer pequenos furtos, até que foi encaminhado pelo Conselho Tutelar ao Espaço Cidadão. Apoiado pelo Programa Amigo de Valor, do Banco Santander, o Espaço Cidadão atende, desde 2012, crianças e adolescentes submetidos a negligência ou maus tratos domésticos. Atualmente, são acompanhados 60 meninos e meninas. No contraturno escolar, eles têm acesso a oficinas de esporte, música e informática, além de assistência psicossocial. Jorge estuda à tarde e frequenta o Programa Espaço Cidadão todas as manhãs. Longe das ruas, o menino não se envolveu novamente em furtos. A avó recebe orientações e visitas domiciliares, mas, aos 69 anos, revela que já não se sente em condições de cuidar de crianças. “Ela cria mais três netos”, conta Edna Vieira Vaz, coordenadora do programa. A mãe, quando visita o menino na casa da avó, demonstra-se agressiva. “Ela bate muito nele. Já a convocamos para uma conversa”, afirma Vaz. A equipe do Espaço Cidadão tem planos de iniciar um curso de geração de renda para as mães e responsáveis. “É importante que elas participem de algo que possa melhorar [suas vidas]”, diz a coordenadora. *Nome fictício Amigo de Valor apoia Pedro de Toledo na garantia dos direitos de crianças e adolescentes Durante muitos anos, Dione* foi vítima de negligência e violência doméstica. Abandonada pela mãe aos cinco anos de idade, a menina passou a viver com o pai e os irmãos em uma casa com precárias condições de higiene. Não era raro o pai voltar para casa embriagado e bater nos filhos. E assim a vida de Dione seguiu, até ser encaminhada pelo Conselho Tutelar ao programa “O Tesouro da Vida”. Com o apoio do Programa Amigo de Valor, do Banco Santander, O programa já atendeu, desde sua inauguração em junho de 2012, cerca de 70 crianças e adolescentes vítimas de negligência e maus-tratos no município de Pedro de Toledo, no interior de São Paulo. Quando chegou ao programa, Dione era uma menina agressiva e desleixada com relação à higiene pessoal. Frequentemente recusava-se a participar das atividades propostas e envolvia-se em conflitos, principalmente com os meninos. Na escola, era alvo de muitas queixas dos colegas e dos professores. Aos poucos, o comportamento da adolescente foi mudando. Para participar das oficinas de contação de histórias – que possibilitam a teatralização de situações e organizam apresentações mensais – a menina passou a cuidar da aparência. Hoje ela é uma das adolescentes mais interessadas em participar das atividades. Atualmente Dione mora com os irmãos mais velhos. O pai mudou-se para outra casa e estabeleceu uma nova família. Ele continua bebendo, mas contribui financeiramente para a manutenção dos filhos. “Não temos na cidade nenhum local de atendimento para adultos envolvidos com álcool e drogas”, diz a coordenadora do programa, Leise Pegoraro. *Nome fictício Programa Amigo de Valor apoia Picuí no combate ao uso de drogas Marcos*, 15 anos, vive em situação de extrema pobreza. O menino divide uma pequena casa com a mãe, o padrasto e mais oito irmãos em um bairro periférico da cidade de Picuí, na Paraíba. Cercado por traficantes da comunidade e usuários de drogas – entre eles um irmão, que consome crack – Marcos passou a ser convocado para trabalhar como “aviãozinho” no tráfico. A oportunidade para fugir de um futuro sombrio – que até então lhe parecia inevitável – surgiu com a intervenção do Núcleo de Apoio à Criança e Adolescente (NACAD). O NACAD, por meio da parceria com o Programa Amigo de Valor, do Banco Santander, promove ações voltadas para a prevenção e o enfrentamento do uso de entorpecentes. Desde sua inauguração, o núcleo atendeu cerca de 50 crianças e adolescentes envolvidos – direta ou indiretamente – com o consumo de drogas. Em 2013, o atendimento foi ampliado com a abertura de 50 novas vagas. Além de atendimento psicossocial, o NACAD oferece oficinas de teatro, dança, música e atividades esportivas. Quando chegou ao núcleo, Marcos era um adolescente agressivo, não frequentava a escola e mantinha uma relação conflituosa com a família. “Ele dá muito trabalho, tem que deixar ‘essas coisas’, porque isso não tem futuro. Se bem que ele já melhorou muito”, diz a mãe. Apesar da resistência inicial, foi no teatro que o adolescente encontrou estímulo para mudar seu comportamento. Depois de algumas conversas com a equipe do NACAD, o adolescente matriculou-se novamente na escola. A mãe, analfabeta, começou a estudar à noite, no Programa de Educação de Jovens e Adultos (EJA). A família, antes desinteressada, acompanha o desenvolvimento de Marcos e comparece nas apresentações teatrais do menino. Esta aproximação fortaleceu os vínculos familiares e refletiu na melhora do comportamento do adolescente também nas relações intrafamiliares. *Nome fictício Amigo de Valor apoia município de Planalto no combate à violência física e psicológica contra crianças e adolescentes Carlos* é alcoólatra. Até recentemente, quando estava bêbado – o que acontecia com bastante frequência – agredia os três filhos e a esposa, Maria*. Às vezes, expulsava de casa toda a família, que era obrigada a dormir no mato. A mãe, por sua vez, era negligente e não cuidava dos filhos. A situação da família começou a mudar após a intervenção do programa Tempo de Recomeçar e Fortalecer Vínculos Intrafamiliares. Apoiado pelo Amigo de Valor, o programa atende adolescentes que sofrem violências físicas e psicológicas. Eles participam de oficinas educativas e têm acesso a atendimento biopsicossocial individual a fim de reparar os danos físicos e psicológicos. Os pais são orientados para o fortalecimento dos vínculos familiares. Quando chegou ao programa, Carla*, a filha mais velha do casal, hoje com 15 anos, era extremamente tímida, retraída, indefesa, sem autonomia e com dificuldades extremas de expressão. Desde então, seu comportamento teve uma melhora notável. Além disso, a menina, assim como toda a família, sofria com a desnutrição. “Não sobrava dinheiro para comprar alimentos. O pouco que o pai ganhava, gastava em bebida”, conta Silmara Cabral de Melo, coordenadora do programa. Carlos e a esposa, assim como os filhos, passaram a receber apoio da equipe técnica do programa. Desde o início do acompanhamento, houve avanços nas questões afetivas entre a mãe e as crianças e nas questões de higiene pessoal e da casa. O pai está há seis meses internado em tratamento contra o alcoolismo – por determinação judicial – e recebe a visita dos filhos. A esposa, que pensava em pedir o divórcio, agora considera a possibilidade de manter o casamento. Desde o início dos atendimentos, em abril de 2012, aproximadamente 23 adolescentes e suas famílias receberam o apoio do programa Tempo de Recomeçar e Fortalecer Vínculos Intrafamiliares. *Nome fictício Amigo de Valor apoia Portalegre na garantia do direito de viver em família Flávia*, 11 anos, sofria com a negligência e violência doméstica. Um dia sua mãe – que tem transtorno mental diagnosticado e histórico de internação psiquiátrica – perdeu o controle em público e o Conselho Tutelar do município de Portalegre, no Rio Grande do Norte, foi chamado. A menina foi encaminhada ao Programa de Acolhimento Familiar (AFAM), que conta com o apoio do Programa Amigo de Valor, operado pela área de RH Investimento Social do Banco Santander. Desde sua criação, em março de 2012, o AFAM já atendeu dez meninos e meninas e suas famílias. O que isso significa? Que Flávia – assim como outras crianças e adolescentes de Portalegre que, por decisão da justiça, foram separadas temporariamente de suas famílias de origem – tem a oportunidade de conviver com uma família substituta. Sem o AFAM, seu destino seria uma instituição de acolhimento. Para o coordenador do Programa João Valério Alves Neto o que se destaca no Programa é justamente a não institucionalização da criança e adolescente. “Nós os colocamos em uma família substituta por três meses e buscamos refazer os laços familiares entre a criança e a família de origem”, diz. Durante o período de acolhimento, tanto a criança quanto as famílias envolvidas recebem do Programa todo o apoio necessário para viabilizar a reintegração familiar. “Aqui no AFAM eu aprendi um bocado de coisas, aprendi que eu não posso apanhar, que eu não posso desobedecer e que eu tenho que ter calma com minha família”, conta Flávia. Com a ajuda do AFAM e do Programa Amigo de Valor, Flávia e outras crianças e adolescentes de Portalegre têm a oportunidade de aguardar a reintegração às suas famílias de origem sem perder o direito de viver em família. *Nome fictício Amigo de Valor apoia Porto de Moz no combate ao uso de álcool e outras drogas Wilson* tem apenas 13 anos, mas já é viciado em crack. Às vezes foge de casa e passa dias sem dar notícias. Quando volta, geralmente é recebido com agressões. Sem saber como lidar com a situação, os pais buscaram ajuda do Espaço Porto Viver, programa do município de Porto de Moz, no Pará. Com o apoio do Programa Amigo de Valor, do Banco Santander, o Porto Viver atende atualmente quatro adolescentes envolvidos com álcool ou outras drogas, como Wilson. Já o trabalho de prevenção – feito por meio de palestras em escolas do município –atinge centenas de crianças e adolescentes. Antes da orientação de especialistas, a reação da família de Wilson contribuía para aprofundar os problemas e abalar ainda mais os frágeis vínculos familiares. “Quando ele voltava [para casa], a família acabava batendo e agindo de forma agressiva. Aí ele fugia de novo”, conta Alessandra Silva Veiga, psicóloga do Espaço. Como é comum em casos de envolvimento com drogas, Wilson resiste em aceitar ajuda e o atendimento é focado na família, principalmente nos pais. “O caso é bem complexo, mas a família está conseguindo ter um diálogo [com o adolescente] que antes não conseguia”, diz Veiga. Após algumas semanas de atendimento, os profissionais do Espaço Porto Viver comemoram uma vitória: o menino compareceu ao último atendimento em companhia do pai e da mãe. *Nome fictício Amigo de Valor apoia Prado, na Bahia, contra a exploração do trabalho infantojuvenil Felipe*, 16 anos, começou a trabalhar quando ainda era criança. Sua avó exigia que ajudasse a pagar as contas da casa em que moravam. Ou o menino trabalhava ou não comia. Sua ocupação mais recente era em uma barraca de praia; não tinha ganho fixo e dependia das gorjetas dadas pelos turistas que lotam a cidade de Prado, no litoral baiano, entre os meses de novembro e março. A realidade de Felipe começou a mudar com o Programa Adolescente Aprendiz. Apoiado pelo Programa Amigo de Valor, do Banco Santander, o Adolescente Aprendiz oferece curso de capacitação profissional – acompanhado de uma bolsa de cem reais – para jovens até então ilegalmente explorados na atividade turística. A primeira turma formou 37 adolescentes, capacitados para trabalhos na área de hotelaria e alimentação. Os esforços do programa, no entanto, ainda esbarram na falta de conscientização da população, na informalidade das pequenas empresas e no despreparo de alguns empresários. “Depois da capacitação, quando fomos encaminhá-los para o primeiro emprego, percebemos que as empresas não aceitaram por causa do vínculo empregatício”, conta Antonio Leal dos Santos, presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA). De todos os formados na primeira turma, apenas um, o Felipe, conseguiu emprego formal. “Hoje ele está feliz, estudando e trabalhando num restaurante”, diz Santos. O CMDCA iniciou um trabalho de conscientização dos empresários locais e, em conjunto com o Adolescente Aprendiz, continua tentando encontrar vagas para os jovens. Há também a necessidade de conscientizar a população do município, habituada a ver o trabalho infantil e o trabalho adolescente ilegal como algo natural. Maria*, avó de Felipe, insistia que o menino precisava trabalhar, mesmo após o início do curso. Os profissionais do programa visitaram Maria e explicaram que, depois de capacitado, o neto poderia conseguir um trabalho melhor, legalizado e com remuneração fixa. *Nome fictício Amigo de Valor apoia Raposos no combate à violência doméstica contra crianças e adolescentes Fernando*, 10 anos, era uma criança emocionalmente instável. Em um momento estava bem; no outro, destruía móveis e objetos da pequena casa em que vive com mais 11 pessoas na cidade de Raposos, em Minas Gerais. Esse comportamento gerava o descontrole de outros familiares, como a avó e a mãe, que acabavam por agredi-lo. Cansada da situação, a mãe, Joana*, buscou ajuda do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) e foi encaminhada para o Programa Arte de Brilhar. O Arte de Brilhar – apoiado pelo Programa Amigo de Valor, do Banco Santander – atende meninos e meninas vítimas de negligência e maus-tratos e oferece, além de assistência psicossocial, oficinas de arte, atividades recreativas, dança, música, yoga e informática. Desde maio de 2012, 32 crianças e adolescentes foram atendidos. No caso de Fernando, a equipe do Arte de Brilhar identificou outros problemas comportamentais, como a falta de higiene e dificuldades de concentração, de adaptação às regras e de relacionamento. Encaminhado ao Setor de Saúde Mental do município, o menino iniciou tratamento psiquiátrico com uso de medicamento. Alguns progressos já foram notados. No programa, Fernando fez amizades e passou a demonstrar mais interesse nas atividades das oficinas. Seu relacionamento com a família ainda não é o ideal, mas apresentou uma melhora significativa. “Quando eles [os familiares] sentem mais dificuldade em lidar com o menino, procuram o programa para pedir ajuda”, conta Bartíria Cândido dos Santos, coordenadora e pedagoga do Arte de Brilhar. Essa participação da família também está tendo um efeito positivo no comportamento de Fernando. O menino, que confessou sentir-se excluído, hoje sente-se mais acolhido. “Ele consegue ficar mais tempo em casa sem causar tanta confusão e sem ser agredido pelos familiares”, diz Santos. *Nome fictício Amigo de Valor apoia o município de Redentora na luta contra a negligência e a violência doméstica Quando ainda era um bebê, Ana*, 13 anos, foi abandonada pela mãe. Criada pela avó, a menina apresentava um comportamento antissocial e muito agressivo e vivia em situação de risco. No Centro de Convivência e Fortalecimento de Vínculos para Crianças e Adolescentes de Redentora, no Rio Grande do Sul, a menina encontrou a ajuda que necessitava para mudar sua relação com a família e com a sociedade. O Centro – que conta com o apoio do Programa Amigo de Valor do Banco Santander – atende crianças e adolescentes vítimas de abandono, negligência e violência doméstica. Além de atendimento psicológico, eles têm acesso a atividades lúdicas e dinâmicas de grupo que favorecem seu desenvolvimento. Desde sua inclusão no Centro de Convivência, Ana demonstrou algumas mudanças comportamentais. Seu isolamento social diminuiu e sua confiança em si e nos outros aumentou. Atualmente ela participa de atividades que exigem interação com outras crianças e adolescentes, como dança, música, artes e educação física. Apesar dos esforços dos profissionais do Centro, ainda não foi possível melhorar a relação entre mãe e filha. “A mãe agora vive junto com a menina e com a avó, mas elas brigam como se fossem duas irmãs. A mãe não a considera como filha”, conta a psicóloga Fernanda Furini, coordenadora do Centro. A equipe continua acompanhando o caso com atenção para tentar encontrar caminhos para promover o fortalecimento dos vínculos familiares. Atualmente, 32 crianças e adolescentes são atendidos pelo Centro de Convivência. Os pais também são orientados para o fortalecimento dos vínculos familiares e outras entidades locais são mobilizadas para uma atuação em rede que beneficie as crianças e favoreça sua permanência na escola. *Nome fictício Município de Reserva cria núcleo de proteção contra violências sexuais com o apoio do Amigo de Valor Metade da vida de Alice*, 10 anos, foi marcada por abusos sexuais. Os agressores eram parte de sua própria família: um tio e sete primos. No Núcleo de Proteção Especial (NPE) do município de Reserva, no Paraná, a menina encontrou a ajuda necessária para enfrentar o trauma. O NPE recebe apoio do Programa Amigo de Valor do Banco Santander e já atendeu, desde sua inauguração em agosto de 2012, aproximadamente 25 crianças e adolescentes vítimas de abuso sexual intrafamiliar, exploração sexual comercial e outras violências. No Núcleo, eles recebem atendimento psicossocial e jurídico e, nos casos que não envolvem abusos sexuais, participam de oficinas culturais e pedagógicas. Quando chegou ao NPE, Alice tinha dores abdominais, baixa autoestima, dificuldades de relacionamento e sentimento de culpa e de inferioridade. Hoje, após um tempo de atendimento no Núcleo, ela desabafa: “Eu, quando era menor, não sabia o que era isso, achava normal. Fiz uma coisa sem saber que não podia fazer”. Ainda há um longo caminho para que Alice possa superar os abusos sofridos, mas, graças ao programa, ela e outras crianças e adolescentes têm acesso a um acompanhamento especializado. “Antes não havia esse atendimento no município. O agressor era punido e nada era feito para ajudar as vítimas”, conta Tiago Parra Correia, psicólogo do Núcleo. No caso de Alice, paralelamente ao acompanhamento psicossocial realizado e supervisionado pelo NPE, foram iniciados os trâmites legais: registro do boletim de ocorrência, exame médico pericial e abertura processual de medida de proteção especial via Ministério Público. Além do atendimento especializado e do auxílio jurídico, o Núcleo realiza campanhas de estímulo à denúncia e ao enfrentamento da exploração sexual. *Nome fictício Banco Santander em defesa dos direitos infantojuvenis Maria*, 13 anos, é filha de mãe alcoolista e sofreu anos de negligência e violência doméstica. Ela e suas irmãs vivem em Rio Acima, Minas Gerais, e seu destino – por determinação da justiça – era uma instituição de acolhimento. Graças ao Centro de Orientação, Apoio e Proteção a Criança e ao Adolescente (COAPA), no entanto, essa família terá uma chance de reestruturar-se e manter-se unida. O COAPA tem o apoio do Banco Santander, que, por meio do Programa Amigo de Valor, destina recursos para programas de atendimento em municípios críticos do País e oferece apoio técnico para que as equipes locais possam garantir os direitos de suas crianças e adolescentes. Com o objetivo de evitar o desmembramento da família de Maria, os profissionais do Centro trabalham em conjunto com o Fórum. A mãe aceitou iniciar um tratamento com os alcoólicos anônimos e já foi chamada para uma entrevista de emprego. As crianças que antes ficavam em casa, foram inseridas na creche municipal. “Está sendo oferecida para ela uma oportunidade de mudança para evitar o acolhimento”, conta a assistente social do centro Isabela Romani. Com o auxílio do COAPA, Maria tem esperança de que sua realidade irá mudar. “Talvez depois a gente possa até voltar a morar junto, se minha mãe melhorar – só se ela melhorar”, desabafa a menina. “Fiquei feliz porque arrumaram aula de violão e de dança do ventre, minhas irmãs estão na creche e fiquei sabendo que minha mãe está fazendo tratamento nos alcoólicos anônimos – meu pai falou que é pra quem tem uma doença de beber muito”. É em iniciativas como a do Banco Santander que programas exemplares como o de Rio Acima encontram apoio para transformar a vida de crianças e adolescentes, garantindo seus direitos e contribuindo para o seu pleno desenvolvimento. *Nome fictício Amigo de Valor apoia Rio Verde de Mato Grosso na criação de programa de medidas socioeducativas Edgar*, 15 anos, acompanhado de outros três amigos, todos menores de idade, assaltou uma loja de materiais de construção na cidade de Rio Verde de Mato Grosso, no Mato Grosso do Sul. Os jovens foram condenados a cumprir quatro meses de prestação de serviço à comunidade em um órgão público. Nesse período, fizeram pequenos serviços administrativos, mas a maior parte do tempo passavam sentados e ociosos na recepção do local. Casos como esse foram levantados durante o diagnóstico da situação da criança e do adolescente em Rio Verde de Mato Grosso, realizado com o apoio do Programa Amigo de Valor, do Banco Santander. Esse diagnóstico tornou evidente a necessidade de um programa de execução de medidas socioeducativas no município, voltado a adolescentes em conflito com a lei. Para atender essa necessidade foi criado, também com o apoio do Amigo de Valor, o Programa Novos Caminhos. O objetivo desse programa é resgatar adolescentes autores de atos infracionais por meio do cumprimento de medida socioeducativa baseada em atividades adaptadas ao perfil e ao potencial de cada jovem, que favoreçam, especialmente, a inserção no mercado de trabalho. Atualmente são atendidos 20 adolescentes. O Programa Novos Caminhos oferece acompanhamento psicossocial aos adolescentes e a seus pais e responsáveis. Os adolescentes têm acesso também a oficinas de fotografia, teatro, música e capoeira. Eles são encaminhados para cursos profissionalizantes disponíveis na rede municipal e seu desempenho escolar é acompanhado de perto pela equipe do programa. “A participação de toda a rede é imprescindível para zerarmos a reincidência em atos infracionais no município”, conta Aline Loubet, presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente. *Nome fictício Amigo de Valor une-se ao município de Riversul no combate aos maus tratos domésticos Ao longo de seus sete anos de vida, Mara* sofreu com a violência e a negligência da mãe alcoólatra. Aos dois anos de idade, foi encaminhada a uma instituição de acolhimento após uma denúncia de que teria sofrido abusos sexuais por parte do padrasto. A situação se repetiu outras vezes, levando novamente ao acolhimento da menina. Mara atualmente frequenta o Viver e Conviver, programa que vem sendo apoiado pelo Amigo de Valor, do Banco Santander. Funcionando em uma escola municipal da periferia de Riversul, no Estado de São Paulo, o programa oferece brinquedoteca, oficina de esportes, canto e informática, além de atendimento psicossocial. Os profissionais do Viver e Conviver e Conselho Tutelar do município acompanham atentamente a família de Mara, que, por ordem judicial, voltou a viver em casa. “O promotor disse que, se houver mais uma denúncia, a mãe perderá a guarda definitiva, não só dela [Mara], mas também das outras duas crianças, uma menina de cinco anos e um bebê”, conta Simone Valério da Cruz, coordenadora do programa. A avó das crianças também é alcoólatra e a identidade do pai de Mara é desconhecida. A mãe, que antes não trabalhava, agora atua na coleta seletiva do município. De acordo com o vizinhos, ela já não abandona as crianças à noite, como era seu costume. “Hoje a mãe está, aparentemente, cuidando melhor da menina”, diz Cruz. O comportamento de Mara também sofreu mudanças: antes ela era agressiva, agredia os colegas de escola e desrespeitava os professores. Mas ainda há a suspeita de que o dinheiro ganho na coleta seletiva é gasto em álcool e drogas. Assim como Mara, outras 32 crianças vítimas de maus tratos no ambiente familiar frequentam o programa Viver e Conviver. As oficinas também são cursadas voluntariamente – duas vezes por semana – por outros alunos da escola, que vivem em situação de vulnerabilidade. *Nome fictício Serra Talhada cria programa para usuários de drogas com o apoio do Banco Santander Pedro*, 14 anos, era viciado em maconha, cocaína, crack e cigarro comum. O menino abandonou a escola, a família e foi viver nas ruas. Até que seu caminho cruzou com o do Programa de Aprimoramento das Ações de Atendimento aos Usuários de Drogas de Serra Talhada, em Pernambuco. Com o apoio do Programa Amigo de Valor, operado pela área de RH Investimento Social do Banco Santander, o município identificou que o uso de entorpecentes estava relacionado a grande parte das violações sofridas por suas crianças e adolescentes, como o abuso e a exploração sexual, maus-tratos, negligência e envolvimento com o crime. “Tudo culminava na questão do uso de drogas: tanto uso direto por parte dos adolescentes quanto por parte da família”, conta Josenildo André Barbosa, membro do Conselho dos Direitos da Criança e do Adolescente de Serra Talhada. Assim nasceu o programa municipal que busca reduzir os danos causados pela dependência química e que, desde janeiro de 2012, atendeu a 29 crianças e adolescentes. Nele, são oferecidos atendimento terapêutico, oficinas de música e artes e atividades de reforço escolar. O trabalho é feito em parceria com a Secretaria de Saúde do município. “Se um menino entra em crise de abstinência, nós encaminhamos ao CAPS-AD [Centro de Atenção Psicossocial – Álcool e Drogas], que prescreve a medicação”. Com o apoio do Amigo de Valor, o programa de Serra Talhada ajudou Pedro e outras crianças e adolescentes a superar seus vícios, voltar a frequentar a escola e viver melhor com sua família. Para que os resultados já alcançados possam ser mantidos, eles recebem periodicamente a visita de profissionais do programa, que monitoram o seu desenvolvimento. *Nome fictício Amigo de Valor apoia programa que orienta e acompanha familiares agressores Enquanto Floriano* jazia alcoolizado e desmaiado no sofá, Raquel*, 2 anos, chorava em cima da cama. Vinícius*, um bebê de poucos meses, encontrava-se no chão, embaixo da cama. Não havia sinal da mãe, também alcoólatra. Foi esse o cenário encontrado por conselheiros tutelares e policiais em uma casa da cidade de Silva Jardim, no interior do Estado do Rio de Janeiro. As crianças foram encaminhadas à instituição de acolhimento do município, onde permaneceram por cerca de um ano e meio. A situação familiar começou a melhorar em meados de 2012, quando os pais passaram a ser acompanhados pelo Núcleo de Atendimento ao Familiar Agressor (NAFA). Desde maio de 2012, o NAFA – que recebe apoio do Programa Amigo de Valor, do Banco Santander – atendeu cerca de 28 famílias. “Ele [o NAFA] é diferente dos outros [programas], porque não atende diretamente a criança e o adolescente”, afirma Andréa de Barros Gomes, psicóloga da prefeitura. Silva Jardim possui uma boa rede de atendimento, mas as entidades até então existentes no município focavam sua atuação apenas nas vítimas. Os agressores não recebiam atenção especializada. “Percebemos que todos os atendimentos acabavam tendo que começar de novo, como se fosse um ciclo que não se fechava nunca”, conta Gomes. O NAFA foi criado para preencher essa lacuna. “Nossa ideia é atender qualquer familiar que tenha violado os direitos [da criança ou do adolescente]”, explica a psicóloga. No caso de Floriano e sua mulher, o apoio do programa foi fundamental para que eles iniciassem o tratamento contra o alcoolismo e recuperassem a guarda dos filhos. Em outubro de 2012, as crianças voltaram a viver com os pais. A mãe, quando comparece ao Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) para tratamento contra a dependência do álcool, leva junto as crianças para que elas não fiquem sozinhas. Segundo Gomes, agora as crianças estão bem cuidadas e começarão a frequentar uma escola de educação infantil. *Nome fictício Amigo de Valor apoia Tefé, no Amazonas, no combate aos maustratos e violência doméstica Cibele*, 11 anos, vivia com o pai e dois irmãos mais novos em Manaus, no Amazonas. A mãe, Fátima*, moradora de Tefé, no interior do Estado, deixou os filhos com o ex-marido para casar-se novamente. No entanto, descobriu que as crianças estavam sofrendo negligência e maus-tratos. Para piorar, Cibele estava sendo abusada sexualmente. O agressor: o próprio pai. Quando soube o que acontecia com os filhos, Fátima percorreu os cerca de 520 quilômetros que separam Tefé da capital para resgatá-los. De volta ao interior, as crianças continuaram tendo alguns de seus direitos violados, já que não frequentavam a escola. Foi então que o Conselho Tutelar do município encaminhou os meninos para o Centro de Referência e Acolhimento Infantojuvenil e Familiar. Funcionando desde agosto de 2012 – com o apoio do Programa Amigo de Valor, do Banco Santander –, o Centro já atendeu 60 famílias, somando aproximadamente 120 crianças e adolescentes vítimas de maus-tratos, negligência, abandono ou violência doméstica. No Centro, além de atendimento psicossocial, Cibele e seus irmãos, de sete e seis anos, têm acesso a oficinas de teatro, dança, esportes e plantação em horta. Os três voltaram a estudar e foram inscritos no Programa Bolsa Família. “Hoje, ouvindo essa mãe e essas crianças, vemos que muita coisa mudou”, conta Jessé da Silva Marins, coordenador do programa. Por conta dos abusos sexuais sofridos, Cibele é acompanhada também pelo Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS). *Nome fictício Amigo de Valor apoia União dos Palmares na garantia de direitos infantojuvenis Os 12 anos de Mário* foram marcados pela pobreza, negligência e abandono. Órfão de mãe e filho de pai alcoólatra, o menino divide com outras nove pessoas uma casa de um único cômodo, com piso de terra batida, em União dos Palmares, Alagoas. Denúncias sobre as condições precárias da família levaram à intervenção do Conselho Tutelar, que encaminhou o caso ao Programa de Apoio a Crianças e Adolescentes Vítimas de Maus Tratos (PROAC). O PROAC – que conta com o apoio do Programa Amigo de Valor, do Banco Santander – já atendeu, desde fevereiro de 2012, mais de cem crianças e adolescentes que tiveram seus direitos violados. Além de atendimento psicológico e assistência social, o PROAC oferece oficinas de esporte, informática e reforço escolar. Mário frequentemente faltava nas aulas. As oficinas de reforço escolar do PROAC ajudaram o menino a melhorar a leitura e a escrita e a ter mais prazer em frequentar a escola. “Ele é uma criança que gosta de participar [das atividades]. (...) A grande dificuldade era em relação à alfabetização, mas já conseguimos grandes avanços com ele”, conta Diego Guilherme Calixto, coordenador do programa. A família foi cadastrada para receber o benefício do Programa Bolsa Família. O pai de Mário recebeu orientações dos profissionais do PROAC e comprometeuse a mudar sua conduta com relação aos filhos. Mensalmente, recebe visitas domiciliares da assistente social, mas ainda não aderiu a nenhum tratamento contra o alcoolismo. Assim como Mário, outros dois irmãos participam do programa, executado por uma organização não governamental de União dos Palmares. “Com a ajuda do Amigo de Valor, conseguimos o que tanto a instituição precisava para executar um programa como esse, que era uma equipe técnica especializada”, diz Calixto. *Nome fictício Amigo de Valor apoia Urubici no enfrentamento ao uso de álcool e outras drogas Lucas*, 17 anos, é usuário de maconha, cocaína e álcool. Para sustentar o vício, cometeu furtos e abandonou os estudos. Sem saber como lidar com a situação, sua mãe, Juliana*, buscou ajuda. Encaminhada ao Programa Primeiro Passo – da cidade de Urubici, Santa Catarina –, Juliana voltou a ter esperanças de mudar a realidade do filho. O Primeiro Passo, com o apoio do Amigo de Valor, do Banco Santander, oferece um serviço até então inédito no município. Inaugurado em abril de 2012, o programa busca combater o uso de drogas e reduzir os danos causados por elas em adolescentes de 12 a 17 anos de idade e suas famílias. Para isso, são oferecidos acompanhamento psicossocial e psicoterapêutico e oficinas de esporte e cultura. “Aprendi a lidar melhor com meu filho, conhecer mais sobre a doença causada pelas drogas e estou conseguindo aos poucos ajudá-lo; é difícil, às vezes tenho vontade de desistir, mas o apoio psicológico e toda a força que o programa dá me faz continuar a tentar salvar meu filho”, afirma Juliana. Atualmente, Lucas está internado em uma comunidade terapêutica, após passar alguns meses em um instituto psiquiátrico para desintoxicação. Em seu retorno, o adolescente, além do amparo da família, contará com o apoio da equipe do Primeiro Passo, que irá delinear metas e estratégias para sua reabilitação. Com o apoio do Amigo de Valor, o Programa Primeiro Passo vem contribuindo com Lucas e com outros 42 adolescentes e suas famílias no enfrentamento desta problemática e na descoberta de novas perspectivas como retorno à escola, inserção no mercado de trabalho e fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários. As ações do programa serão ampliadas por meio de encontros periódicos entre a equipe técnica – psiquiatra, psicóloga e assistente social – e membros das escolas e das comunidades rurais de Urubici. *Nome fictício Amigo de Valor apoia Virginópolis no combate à negligência e aos maus tratos domésticos Agnaldo*, 12 anos, tem uma saúde frágil e há um ano passou por uma delicada cirurgia cardíaca. Morador da zona rural de Virginópolis, município de Minas Gerais, até há poucos meses o menino vivia com os pais, a avó e os irmãos numa pequena casa sem condições de segurança e higiene. Em 2012, a família foi acolhida pela Secretaria Municipal de Assistência Social e as crianças foram inseridas no Programa Aconchego e Cidadania. O Programa conta com o apoio do Amigo de Valor, do Banco Santander, e atende crianças e adolescentes vítimas de negligência e maus tratos domésticos. Nele, a família encontrou a ajuda de que precisava para melhorar sua vida. O pai, que é alcoólatra, foi encaminhado ao grupo de alcoólicos anônimos (AA). A mãe – que possui déficit cognitivo – e a avó foram inseridas no grupo de mulheres do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS). A família hoje vive numa casa alugada pela prefeitura de Virginópolis e recebe orientações sobre cuidados com a higiene – tanto da casa como pessoal. Após as mudanças, foi possível notar melhorias na saúde de Agnaldo, que além do problema cardíaco sofria também de anemia. Assim como Agnaldo, outras 31 crianças e adolescentes são atendidas pelo Programa Aconchego e Cidadania para que tenham a oportunidade de mudar sua realidade e alcançar o pleno desenvolvimento. *Nome fictício Banco Santander apoia o município de Xinguara na luta contra o trabalho infantil Você sabia que no Brasil crianças e adolescentes de até 16 anos não podem trabalhar? A exceção é o trabalho como aprendiz, permitido a partir de 14 anos. Ainda assim, há milhares de pequenos trabalhadores no País. Esses meninos e meninas muitas vezes deixam de frequentar a escola, de brincar e de viver uma das fases mais gostosas da vida, o que prejudica o seu desenvolvimento. Em Xinguara, no Pará, essa era uma das principais violações sofridas pela população infantojuvenil. Por isso, com o apoio do Programa Amigo de Valor, do Banco Santander, o município criou, em 2012, o Programa de Abordagem Social, cujo objetivo é erradicar o trabalho infantil. “Cento e quarenta casos ao todo foram abordados e vêm sendo acompanhados”, diz Arlete Francisca Marques, coordenadora do programa. Os esforços já renderam frutos: a feira da cidade, antes repleta de meninos e meninas trabalhadores, ganhou novos ares: quase 100% das crianças e adolescentes foram retirados da situação de trabalho e incluídos em atividades socioeducativas e esportivas. Os casos mais graves foram encaminhados a um centro de atendimento coordenado pelo Centro de Referência de Assistência Social (CRAS). Pedro*, 12, trabalhava há três anos como flanelinha no estacionamento da feira. Seu pai, Edimilson, diz que não sabia dos riscos até ouvir a palestra de Marques. “Falei para a coordenadora e para a assistente social que elas podiam ficar tranquilas que meus meninos não iam mais para a feira nem para a rua”, afirma. Além de buscar os pequenos trabalhadores e oferecer alternativas às famílias – para que elas possam viver sem a necessidade de envolver suas crianças no sustento familiar ou na manutenção de seus lares –, o programa investe na conscientização da população sobre os prejuízos causados pelo trabalho infantil. Para isso, são produzidos materiais de divulgação, como cartilhas e folders. *Nome fictício