A AUTOIMAGEM DOS CLIENTES COM AFECÇÕES CUTÂNEAS HOSPITALIZADOS
Patrícia Britto Ribeiro de Jesus1, Euzeli da Silva Brandão2, Enéas Rangel Teixeira3,
Iraci dos Santos 4
Os primeiros contatos com clientes com afecções cutâneas hospitalizados tiveram início durante o
4º período do curso de graduação em enfermagem, que me levaram a refletir sobre as influências do
acometimento cutâneo na vida dessas pessoas, principalmente no que tange à alteração da
autoimagem. Objetiva-se com o estudo Discutir como os clientes acometidos por afecções cutâneas
hospitalizados percebem sua autoimagem e analisar as influências da autoimagem na vida dos
mesmos.Tratar sobre dimensões vivenciais que envolvem o adoecimento cutâneo é indispensável
para promoção de um cuidado de enfermagem mais holístico e sensível do ser humano, no sentido
de atender maneiras de cuidados que vão além dos procedimentos técnicos. Além de contribuir para
prática de enfermagem, este estudo poderá contribuir para o ensino de enfermagem dermatológica,
que requer estudos aprofundados e pesquisas. Estudo de natureza descritiva e exploratória com
abordagem qualitativa, realizado nas enfermarias clínicas de um Instituto de Saúde no Município de
Niterói. Foram 09 clientes, adultos e idosos de ambos os sexos acometidos por afecções cutâneas. O
período de coleta de dados ocorreu entre 23 de julho e 05 de novembro de 2009. Técnicas de
pesquisa: levantamento de dados em prontuários e a realização de entrevista semi-estruturada com
uso de formulário próprio. O trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da
Instituição, sob o número Certificado de Apresentação para Apreciação Ética (CAAE) nº
1
Enfermeira. Graduada pela Escola de Enfermagem Aurora de Afonso Costa. Especialista em Enfermagem MédicoCirúrgica e Controle de Infecção em Assistência à Saúde. Aluna do curso de Mestrado em Enfermagem pela UERJ.Email de contato: [email protected]
² Enfermeira. Graduada em Enfermagem,Especialista em Enfermagem Intensivista e Mestre em Enfermagem pela
Faculdade de Enfermagem da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.Especialista em Enfermagem Dermatológica
pela Sociedade Brasileira de Enfermagem em Dermatologia (SOBENDE - São Paulo. Assumiu em maio de 2009 a
Diretoria da Associação Brasileira de Enfermagem em Dermatologia (SOBENDE) - Regional Rio de Janeiro.
Atualmente é Professora Assistente do Departamento de Fundamentos de Enfermagem e Administração da Escola de
Enfermagem Aurora de Afonso Costa da Universidade Federal Fluminense e Doutoranda do Programa de Pósgraduação em Enfermagem pela Faculdade de Enfermagem da Universidade do Estado do Rio de Janreiro. Membro da
Comissão Nacional de Elaboração das Diretrizes Nacionais para o Tratamento de Feridas.
³ Enfermeiro e psicólogo. Psicoterapeuta corporal de linha reichiana. Doutor em Enfermagem/UFRJ. Pós-doutorando
em Psicologia Clínica na área de psicossomática/PUC-SP. Prof . Titular da EEAAC/UFF.
4
Enfermeira. Graduação em Enfermagem pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Mestrado em Enfermagem
pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e Doutorado em Enfermagem pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Livre-Docente em Pesquisa em Enfermagem pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Professora Titular de
Pesquisa em Enfermagem pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Professora Adjunta da Faculdade de
Enfermagem da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, atuando no Programa de Pós-Graduação em Enfermagem
(Mestrado e Doutorado) e no Curso de Graduação em Enfermagem. Líder do Grupo de Pesquisa "Concepções Teóricas
do Cuidar em Saúde e Enfermagem". Bolsista de Produtividade em Pesquisa CNPq.
0055.0.258.000-09. Os dados foram tratados tendo por base a análise de conteúdo, por Bardin
(1)
.
Para a caracterização dos sujeitos investigados considerou-se um levantamento em relação ao perfil
etário, sexo e diagnóstico médico, onde sendo constatado que a maioria dos sujeitos está na faixa
entre 40-49 e 50-59 anos. Com a interpretação e análise das unidades de registro, foram construídas
duas categorias: Sentimentos decorrentes da percepção da afecção cutânea e o Estigma Social na
vida dos clientes com afecções cutâneas. Na primeira categoria, os sentimentos expressados foram
de medo, frustração e insegurança decorrentes do acometimento cutâneo. Essas consequências
sofridas pelos clientes com afecções cutâneas referem-se ao fato de ser uma questão evidente,
exposta na pele, que não pode ser escondida da sociedade (2). Na segunda categoria, as alterações na
autoimagem são alvo de estigmas sociais. Seja pelo receio de ser transmissível ou por ter uma
aparência que não é aceita pela sociedade, de modo a gerar estigmas sociais. As influências
negativas da doença cutânea na vida desses clientes foram percebidas em todos os depoimentos,
mesmo naqueles que negaram, confirmando que a pessoa que tem a sua imagem alterada fica
vulnerável a repercussões emocionais e sociais. Tal fato leva a esta clientela a utilizar algumas
estratégias que vão desde o isolamento do corpo, até o isolamento social, caracterizado pelo contato
restrito aos familiares e amigos mais íntimos, e também a negação de sua condição. Para facilitar a
avaliação holística do cliente, sugere-se o formulário de admissão do cliente com afecções cutâneas,
além da realização de grupos de apoio
(3)
. Essas estratégias podem facilitar a aquisição de
informações e promover a troca de conhecimentos/experiências entre os clientes e equipe de
enfermagem e outros profissionais de saúde.
Referências
1. Bardin L. Análise de conteúdo. Tradução Luís Antero Reto e Augusto Pinheiro. Lisboa: Edições
70; 1994.
2. Brandão ES, Santos I. Promovendo o conforto e a auto-estima de pessoas com afecções cutâneas
– Paradigma sociopoético. In: Santos I, Figueiredo NMA, Padilha MICS, Cupello AJ, Souza SROS,
Machado WCA. Enfermagem Assistencial no Ambiente Hospitalar: realidade, questões, soluções.
São Paulo: Atheneu; 2004. p.395-405.
3.Santos I, Brandão ES. O Cuidar/Pesquisar em Dermatologia. In: Brandão ES, Santos I.
Enfermagem em Dermatologia: cuidados técnico, dialógico e solidário. Rio de Janeiro: Cultura
Médica; 2006. p.11-53.
Elaborado a partir do Trabalho de Conclusão de Curso, intitulado como “Influências da autoimagem na vida dos clientes com afecções cutâneas hospitalizados”, 2009, Escola de Enfermagem
Aurora de Afonso Costa, Universidade Federal Fluminense. Orientador: Euzeli da Silva Brandão.
Co-orientador: Enéas Rangel Teixeira.
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