Pará: a nova fronteira dos investimentos minerais
Eugenio Carlos Lopes Victorasso*
Uma vez superada a onda de incerteza proveniente da crise que assolou a economia mundial
em 2009, os investimentos minerais voltaram a emergir com mais intensidade em 2010. A
recuperação da demanda internacional e o consequente impulso nas cotações dos minerais,
estimularam as empresas a investir em novos projetos, ampliar os já existentes, ou avançar na
cadeia produtiva por meio da verticalização. Este é o cenário que melhor retrata a situação do
investimento mineral no Estado do Pará.
Na qualidade de nova fronteira de oportunidades, o Pará receberá US$ 40 bilhões em
investimentos do setor mineral até 2014. Serão US$ 25,6 bilhões em investimentos da
indústria extrativa, com destaque para a ampliação da produção de minério de ferro em
Carajás, além do novo projeto S11D que, sozinho, responderá por um incremento de 90
milhões t/ano. Os investimentos também impulsionarão a produção de cobre, níquel, bauxita
e ouro no Estado.
Os elos que ligam a extração à transformação mineral também serão intensificados até 2014.
Além de receber uma nova refinaria de alumina em Barcarena, o Pará adentrará de vez na
siderurgia por meio da produção de bobinas e placas de aço, possibilitando inúmeros
desdobramentos industriais que tornarão oportuno o surgimento de empresas de material
ferroviário, naval, tubos, móveis, botijões, eletrodomésticos, entre outros segmentos
intensivos neste insumo. Serão US$ 11,2 bilhões a serem investidos na indústria de
transformação mineral, o que consolidará a indústria de base no Estado, culminando em
significativos efeitos multiplicadores sobre o emprego e a renda local. Considerando-se que
para cada emprego direto gerado na indústria extrativa, outros treze postos de trabalho serão
criados ao longo da cadeia produtiva, estima-se que o setor mineral empregará mais de 142
mil pessoas a partir da consolidação da siderurgia no estado. Outros US$ 3,2 bilhões serão
investidos em infraestrutura, transporte e novos negócios da indústria mineral, com destaque
para as ampliações da Estrada de Ferro Carajás e do porto de Vila do Conde. O setor também
investirá em atividades complementares à mineração tais como a produção de biodiesel e
reflorestamento.
No Estado das grandes oportunidades, os desafios não são menores. Neste sentido, o Pará
deve preparar-se para receber os novos projetos, facilitando os investimentos e adotando uma
gestão voltada à competitividade empresarial. Em que pese o reconhecido avanço
governamental no sentido de promover a verticalização mineral, alguns desafios ainda
precisam ser vencidos, entre eles: superar a escassez de mão-de-obra qualificada. A carência
de trabalhadores qualificados na cadeia produtiva mineral ainda é um dos principais
obstáculos enfrentados pelo setor. Cita-se, em especial, a carência de geólogos e engenheiros
cujo número de profissionais formados a cada ano não é suficiente para suprir a demanda
local da mineração.
No que concerne à transformação mineral, além da escassez de mão-de-obra qualificada, o
segmento também necessita de um maior fornecimento de energia elétrica, fator essencial
para aumentar a produção de eletrointensivos, notadamente, do alumínio. Além das indústrias
minerais que investirão bilhões no Pará, é também necessário atrair fornecedores
tecnologicamente mais avançados, de tal sorte que as boas práticas e a tecnologia possam ser
transferidas para as empresas locais. Existem muitas oportunidades de negócios para
empreendedores paraenses, entretanto, em termos gerais, a qualificação dos produtos e
serviços ainda precisa melhorar para atingir plenamente o nível de expectativa do setor
mineral.
A competitividade das empresas também é afetada pela infraestrutura de transportes, cujas
estradas em mau estado de conservação oneram o custo dos insumos utilizados nas plantas
minerais. O mesmo vale para a infraestrutura de comunicação, cujo acesso à internet no
interior do Estado ainda é precário, não obstante a iniciativa elogiável do programa
governamental Navega Pará, que levará internet banda larga a dois milhões de pessoas nas
diversas regiões paraenses. Da mesma forma, espera-se ansiosamente pela conclusão das
eclusas de Tucuruí e pela consolidação da hidrovia Araguaia-Tocantins, que possibilitarão
interligar o Centro-Oeste ao Porto de Vila do Conde, em mais de 2.800 km de vias navegáveis.
Outro grande desafio é formar uma cultura mineral no Pará. É preciso desmistificar o setor,
defender a sua convivência pacífica e sustentável com o bioma amazônico, provando-se que é
possível associar competitividade a equilíbrio socioambiental na Região. Este movimento em
defesa da mineração no Pará ganhou mais força e voz com a criação do Sindicato das
Indústrias Minerais do Estado do Pará - o Simineral. A criação do sindicato trouxe a prática do
associativismo para o universo da mineração industrial. Com o Simineral, consegue-se reunir
empresas em torno de uma agenda comum, estimular a troca de experiências e planejar ações
voltadas ao desenvolvimento setorial.
A mineração é a atividade de maior participação no PIB industrial e a que mais investe no Pará.
A cada ano, confirma-se que o custo de oportunidade da atividade é positivo tanto para o
Estado, sua sociedade e meio ambiente, quanto para as empresas, comprovando-se que
investir no Pará é um bom negócio para todos.
*Eugenio Carlos Lopes Victorasso, presidente do Sindicato das Indústrias Minerais do Estado do Pará Simineral
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