Perfil do agressor dos casos notificados de violência na Bahia entre 2009 e 2010 Luana Moura CamposI Gilvânia Patrícia do Nascimento Paixão II Nadirlene Pereira GomesIII Luana Araújo dos ReisIV Milca Ramaiane da Silva CarvalhoV I Graduanda em Enfermagem. Universidade Federal da Bahia (UFBA), Salvador Bahia. II Mestranda em Enfermagem da Universidade Federal da Bahia. Salvador Bahia. III Doutora em Enfermagem. Professora Adjunta da Escola de Enfermagem da UFBA. Salvador Bahia. IV Mestranda em Enfermagem da Universidade Federal da Bahia. Salvador Bahia. V Mestranda em Enfermagem da Universidade Federal da Bahia. Salvador Bahia. Introdução: Em se tratando de saúde, a violência reúne um dos principais gastos para o Sistema Único de Saúde (SUS), sendo considerado um problema de saúde pública, principalmente por poder atingir a todos. Dessa forma, pode se dizer que a violência está inserida em diversos contextos sociais. No entanto, para haver intervenção nesse problema faz-se necessário uma análise dos autores da agressão da violência doméstica e urbana, com a perspectiva de educação em saúde. Objetivo: Identificar o Perfil dos autores da violência notificada na Bahia nos anos de 2009 e 2010. Metodologia: O estudo pode ser definido como pesquisa descritiva, exploratória, documental e quantitativa. Os dados utilizados foram coletados no Portal eletrônico da Diretoria de Informação em Saúde (DIS) / Secretaria Municipal de Saúde (SESAB), através da Ficha de Notificação da Violência Doméstica Sexual e/ou Outras Violências. O presente estudo foi aprovado por Comitê de Ética e Pesquisa da Escola de Enfermagem da UFBA. Resultados/Análise: Na Bahia, foram registrados 2.347 casos de violência no ano de 2009 e 4.065 casos no ano de 2010, totalizando 6.412 casos. Quando delimitamos o número de casos notificados por sexo do autor da agressão observa-se um elevado número de Ignorado/ Branco, n=3.378. Desconsiderando esse número, utilizamos o universo de 3.034 casos, com isso, percebemos que na maioria dos casos notificados, o autor da agressão pertence ao sexo masculino, com n = 2.352, 77,5 % dos casos. Em seguida os casos em que o autor da agressão pertence ao sexo feminino possui n = 531, 17,5% dos casos e ambos os sexos equivale a 151 casos, 5% do total. Para a VD, observa-se que o maior número de casos notificados em ambos os anos (n = 1.368), possui como autor da agressão o sexo masculino, representando aproximadamente 65% do total de casos. Desconsiderando o número de casos nos itens Ignorado/Branco e ambos os sexos, e utilizando dessa forma, um universo de 1.806 casos, observa-se que o percentual de casos notificados em que o agressor é do sexo masculino sobe para aproximadamente 85% do total. Conclusão: Os homens, neste estudo foram caracterizados por ter maior número de notificações como agressor dentro de casa como também na violência urbana (em domicílio e fora dele). Esse problema pode ser justificado pelas relações de poder que o homem realiza na sua construção social ao longo da história. Ainda hoje, é extremamente enraizado culturalmente que ao homem cabe a função de disciplinar os filhos, prover o lar e demonstrar coragem em ambos os contextos. Com isso, é perceptível a necessidade de se discutir gênero com a comunidade em geral com a finalidade de se trabalhar com reeducação familiar para se atingir a prevenção da violência. PALAVRAS-CHAVE: Violência; Gênero e saúde; Perfil epidemiológico; Enfermagem; Violência doméstica.