UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” PROJETO A VEZ DO MESTRE PROJETO: UMA POSSIBILIDADE PARA RESOLUÇÃO DOS PROBLEMAS AMBIENTAIS Por: Denise Maria dos Santos Orientadora Profª. Drª. Vera Lucia Vaz Agarez Belo Horizonte 2010 2 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” PROJETO A VEZ DO MESTRE PROJETO: UMA POSSIBILIDADE PARA RESOLUÇÃO DOS PROBLEMAS AMBIENTAIS Apresentação Candido de Mendes monografia como à requisito Universidade parcial para obtenção do grau de especialista em Educação Ambiental Por: Denise Maria dos Santos 3 AGRADECIMENTOS Aos meus parentes e amigos, pela paciência. Por tudo conquistado até este momento, por todas as dificuldades e vitórias. Aos meus pais, vocês foram meus pilares, obrigada por acreditarem e confiarem em mim. Aos meus filhos e marido, muito amor. Aos meus alunos, que vocês consigam realizar seus sonhos. Ao meu co-orientador Leonardo Silva da Costa e Orientadora Vera Lucia Vaz Agarez, pela ajuda e auxilio na realização deste trabalho. 4 DEDICATÓRIA Dedico esse trabalho aos meus filhos. 5 RESUMO A presente monografia foi elaborada com o objetivo de incentivar o desenvolvimento de projetos de Educação Ambiental pelos educadores da Escola Dinorah Magalhães Fabri, indicando caminhos como a interdisciplinaridade e um protagonismo juvenil mais envolvido com a comunidade no sentido de uma maior preocupação com o meio ambiente. Fica evidente a importância de sensibilizar os estudantes e a comunidade para que ajam de modo responsável e com consciência, conservando o ambiente limpo e saudável. Entendendo-se a Educação Ambiental como um componente essencial no processo de formação e educação permanente, podendo ser abordada e direcionada para a resolução de problemas da comunidade, contribuindo assim para o envolvimento ativo do público, tornando o sistema educativo mais relevante e realista. 6 METODOLOGIA Após pesquisas em revistas, livros e Projeto Político Pedagógico da escola em questão que falam sobre a importância da utilização de Projetos em Educação essa monografia foi escrita. Após percorrermos os arredores da escola pudemos observar os lixos que se acumulam nas esquinas, nas ruas, nos lotes vagos (ver anexos de 1 a 8) surgiu a preocupação de como podemos envolver os professores e funcionários (educadores) da Escola Dinorah Magalhães Fabri de um modo geral a participarem de um projeto em que possam mudar essa realidade, que leve os alunos a se preocuparem e a mudar o lugar onde vivem. A proposta tem como eixo a reflexão coletiva sobre a prática e a experiência de vida profissional do educador, com o objetivo de proporcionar o máximo de aproveitamento de sua capacidade produtiva. As ações terão como fundamento o aprender fazendo e a resolução de problemas gerados a partir de temas, como o problema de lixo que se encontra no bairro onde se localiza a escola em que os educadores trabalham. Num processo de contato com os alunos que acontece de “idas e vindas” para que possam desenvolver atividades em serviço que serão objeto de discussão em encontros que poderão se programados de acordo com a disponibilidade dos profissionais e do calendário da escola. A metodologia trabalhará a idéia de que os projetos em Educação Ambiental são atualmente essenciais e extremamente importantes na educação, sendo, portanto imprescindíveis que tais projetos sejam utilizados em sala de aula e fora dela. A avaliação dessa metodologia será principalmente através da participação dos professores e profissionais da escola, que produzirão atividades que versarão sobre a preocupação com a sujeira exposta no bairro e da importância de um ambiente limpo. 7 O envolvimento dos profissionais da escola com o projeto, terá como retorno uma mudança de postura dos alunos e da comunidade em questão como principal direção o seu reconhecimento local e torná-lo detentor de um projeto como este que visa uma integração de todas as disciplinas e de todos os profissionais da escola. Do ponto de vista pedagógico os projetos configuram um potencial instrumento de trabalho aos educadores e contribui para a formação de profissionais que se percebam como sujeitos deflagradores de um processo contínuo, que terão a sua disposição conceitos específicos para a compreensão das características da Educação Ambiental crítica e emancipatória, socialmente comprometida e engajada. Esses conceitos são originados no campo libertário da educação popular. Esta concepção libertária de educação emana de Paulo Freire, da educação popular e de outros educadores e teóricos do ambientalismo. (FERRARO JR, 2005, p.12) Agradecemos a direção da Escola Municipal Dinorah Magalhães Fabri pela atenção e por nos permitirem um acesso à documentação para que pudéssemos fazer essa pesquisa. 8 SUMÁRIO INTRODUÇÃO 9 CAPÍTULO I A Vila Cemig 15 CAPÍTULO II 21 A importância da Educação Ambiental CAPÍTULO III 27 O trabalho com projetos 3.1 - O professor e os projetos 30 3.2 - Alunos e professores protagonistas 34 CONCLUSÃO 39 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA 42 WEBGRAFIA 46 ANEXOS 47 ÍNDICE 55 FOLHA DE AVALIAÇÃO 56 9 INTRODUÇÃO O que se observa no cotidiano da vida das pessoas é que na medida em que a sociedade mergulha no consumo, deixa-se para trás marcas de sua passagem em todos os locais por onde convive com outras pessoas e realiza algum tipo de atividade, traduzidos em forma de resíduos. O rápido crescimento demográfico e a falta de planejamento de locais apropriados e planejados com infra-estrutura para a cidade acarretam graves problemas relacionados ao meio ambiente e à saúde humana, cujas responsabilidades são transferidas à coletividade e esta precisa definir formas de convivência e de melhoria no sistema. A contribuição que o lixo produzido pelo consumo dessa enorme população prejudica a qualidade de vida do planeta. É impressionante a quantidade de tipos de lixos que conseguimos produzir: lixo orgânico, lixo inorgânico, lixo reciclável, lixo radiativo e lixo que também é matéria prima para reciclagem e uma forma de ganhar a vida para muitas pessoas. Podemos imaginar a quantidade de restos plásticos, pilhas usadas, embalagens de papel. O lixo é um problema em todas as partes do mundo. Em qualquer lugar que as pessoas vão, elas tendem a deixar resíduos de sua presença. Há anos atrás o lixo não era um problema tão grande, pois alimentos e objetos eram embalados em materiais naturais. Estes materiais se desfaziam rapidamente e eram absorvidos pelo solo, mas, hoje em dia os materiais utilizados demoram muito tempo para se decompor. Grande quantidade de lixo pode ser reciclado e reutilizado. Existem pessoas que têm o lixo das grandes cidades como uma forma de ganhar dinheiro, reaproveitando e vendendo para indústrias de que dele necessitam. 10 A necessidade de energia, alimentos, transporte, moradia, saúde e produção de lixo pode vir a causar impactos crescentes nas comunidades. A concentração populacional e o processo de industrialização trouxeram, a partir do século XX, aumento da quantidade de lixo e também mudanças na sua composição. Ao lixo, que até então era formado por restos de alimentos, cascas e sobras de vegetais e papéis, foram sendo incorporados novos materiais como vidro, plásticos, isopor, borracha, alumínios entre outros de difícil decomposição. Para se ter uma idéia, enquanto que os restos de comida deterioram-se rapidamente e o papel demora entre 3 a 6 meses para se decompor, o plástico dura mais de cem anos e o vidro cerca de 1 milhão de anos quando jogados na natureza. As políticas públicas geralmente não tratam os problemas ambientais de maneira prioritária e emergencial, temos resultado desta postura a proliferação de doenças, exposição da população à miséria, ferindo os direitos constitucionais dos cidadãos: dignidade a pessoa humana, saúde e direito ao meio ambiente equilibrado e qualidade de vida. Existe uma necessidade de repensar o problema do lixo e resíduos produzidos por essa sociedade, afinal, trata-se de um dos principais fatores que contribuem para a degradação do meio ambiente. O país tem enfrentado problemas com a destinação do lixo e com uma ausência de uma política que co-responsabilize o poder público, iniciativa privada e cidadãos, e seja implementada mediante instrumentos como educação ambiental e múltiplas técnicas de manejo de resíduos urbanos, e um acompanhamento eficiente em todas as fases do processo. Uma ampla articulação entre poder público e sociedade, pode evitar improvisações quanto à destinação do lixo. Entretanto, tal união de esforços requer que os agentes que fazem parte da comunidade sejam atuantes e 11 procurem unir esforços para as diversas ações que venham a contribuir para uma destinação adequada dos resíduos por eles mesmos produzidos. “Os denominadores do espaço capitalista conseguiram conciliar o desenvolvimento econômico com a preservação da natureza com a qualidade de não vida do e cidadão brasileiro...”(GOMES, 1988, p.35) Podemos formar uma consciência comunitária sobre a importância da opção pelo consumo de produtos que não afrontem o meio-ambiente que sejam recicláveis de acordo com um manejo adequado e, além disso, gerar benefícios sociais e econômicos à própria comunidade. Podemos enquanto professores compartilhar algumas considerações de ações educativas visando potencializar indivíduos e a comunidade como um todo para realizar ações que venham a contribuir com a melhoria da qualidade de vida da população e com a conservação ambiental. Considerando a importância de temas ambientais e uma visão ampliada do mundo, inserido no tempo e no espaço podemos dizer que a escola se sobressai, são espaços privilegiados de atividades destinadas a sensibilizar o aluno a buscar valores que conduzam a uma convivência harmoniosa com o meio ambiente. Os objetivos da Política Nacional de Resíduos Sólidos, entre outros são: estabelecer e formar uma consciência comunitária sobre a importância da opção pelo consumo de produtos e serviços que não afrontem o meio ambiente e com menor geração de resíduos sólidos e de seu adequado manejo. A Vila Cemig está localizada na Regional Barreiro, distrito de Belo Horizonte – MG, podemos observar que na formação inicial dessa vila não 12 houve um planejamento , trata-se de um aglomerado de casas, que se distribuem em pequenas vielas, existe dificuldade de circulação de automóveis e ônibus, além disso ainda há o transtorno de lixo e resíduos que ficam por longo tempo expostos em calçadas e até mesmo no meio das ruas, atrapalhando o fluxo de pessoas e veículos. O fato é que essa ocupação humana irregular favorece o acúmulo de sujeira em locais inadequados e aumenta a possibilidade do aparecimento de animais sinantrópicos que podem prejudicar a saúde dos seus moradores. A grande maioria dos alunos que da Escola Dinorah Magalhães Fabri, residem na Vila Cemig e no Conjunto Esperança (bairro vizinho) da Regional Barreiro em Belo Horizonte. É uma região onde se concentra uma população de baixo poder aquisitivo, baixa renda familiar com altos índices de desemprego, violência e exclusão social. Reconhecida pelo poder público com um dos principais bolsões de miséria da cidade. (Projeto Político Pedagógico). A falta de conscientização, de que é preciso conservar o ambiente em que se vive, pode ser vista em várias situações, pois nota-se que moradores jogam lixo nos becos, nas ruas, nos lotes vagos. Tal atitude resulta na proliferação de insetos e roedores, em mau cheiro e no aumento do risco de transmissão de doenças. Segundo informações do centro de saúde que atende a essa população neste bairro já foi diagnosticado casos de dengue, leptospirose e leishmaniose Dessa maneira, podemos identificar a necessidade de ações de educação ambiental no local. Essas doenças, tratam-se de zoonoses e quase sempre estão relacionadas a um ambiente favorável a proliferação desses artrópodes transmissores (insetos no caso da dengue e leishmaniose) e leptospirose que tem como seu principal transmissor os roedores. 13 É importante que a comunidade que vive em regiões que favorecem o aparecimento dessas doenças acima citada tenham consciência de que a falta de controle do lixo, causada pela ação de seu ato ou omissão pode em muito afetar sua própria vida. “A Educação Ambiental deve chegar a todas as pessoas, onde elas estiverem – dentro e fora das escolas,nas associações comunitárias, religiosas, culturais, esportivas, profissionais, etc. – ela deve ir aonde estão as pessoas.” (Dias, 2004, p.110). Tal conflito nos leva a questionar em como os profissionais da escola podem atuar e minimizar o dano causado pelo impacto do lixo na comunidade aplicando seus conhecimentos e seu compromisso enquanto educadores deste público alvo. Não se trata apenas de verificar a pura e simples aplicação de coleta adequada, transporte e destinação de resíduos, pois tais medidas não são suficientes para promover uma Educação Ambiental voltada para a qualidade de vida, é preciso que a escola crie formas, enquanto promotora de cidadãos que se envolvam com o meio ambiente onde vivem. “Não dá para dizer que a educação crie a cidadania de quem quer que seja. Mas sem a educação é difícil construir a cidadania. A cidadania se cria com uma presença ativa, crítica, decidida, de todos nós com relação à coisa pública. Isso é dificílimo, mas é possível. A educação transformação, educação não é mas sozinha a chave é para a indispensável. não faz, A mas sem ela também não é feita a cidadania.” (Paulo Freire, 14 1995, p.74). 15 CAPÍTULO I A Vila Cemig A Vila Cemig está localizada na Regional Barreiro, em Belo Horizonte, sendo vizinho dos Bairros Flávio Marques Lisboa e Conjunto Esperança. A Vila Cemig recebeu esse nome, dado pelos moradores, devido à subestação de luz da Cemig, próxima do local. Em pesquisas realizadas no site www.favelaeissoai.com.br , pudemos conhecer o histórico do bairro, segundo moradores mais antigos da comunidade, a área ocupada pela vila pertencia à antiga Fazenda Bonsucesso. A área verde possuía várias nascentes de água, que eram atrativos para as pessoas e serviam como referência de localização, já que a princípio não existiam ruas na vila. De acordo com a Urbel – Cia. Urbanizadora de Belo Horizonte, as primeiras ocupações ocorreram no final da década de 1950. Apesar de a comunidade ainda não ter completado meio século, algumas das primeiras pessoas a habitarem o local já faleceram. Segundo a Companhia Urbanizadora, em 1959, José Rita e José Nogueira, atualmente falecidos, se instalaram com suas famílias onde hoje é a Rua Ema. Dona Heliodora dos Santos, viúva do Sr. Juvercino Romano dos Santos, também conta que foi uma das primeiras moradoras da vila, chegando à vila por volta de 1962, onde construiu a residência onde ainda mora na Rua Clara. No início, residiam na vila somente estas três famílias. A forma de acesso às casas se dava por trilhas da antiga fazenda. Segundo D. Heliodora, as famílias construíram e residiram na vila tranquilamente, até que a polícia começou a intimidá-los a abandonarem suas casas, sob a alegação de invasão de terreno. De acordo com as informações da Urbel, os conflitos entre policiais e comunidade perduraram até 1972, quando 40 famílias já moravam na vila. 16 Do final de 1972 até meados de 1973, houve um aumento de moradores em torno de 90%. Já em 1975, a vila contava com uma população em torno de aproximadamente 4000 pessoas. Segundo dados da URBEL/PBH, era interesse comum de a população local apoiar a criação de uma Associação de Moradores para representar os moradores perante as reivindicações de melhorias e direitos públicos. Em 1977 foi fundada a Associação PróMelhoramento da Vila Cemig, tendo o Senhor Juvercino como primeiro presidente. Em 1979, a associação contava com cerca de 2400 sócios e se reuniu para primeira construção coletiva da vila, a Capela Nossa Senhora Aparecida. Com apoio do Padre Jeremias os moradores lutaram para conseguir energia elétrica, água encanada, esgoto e ônibus pra atender à vila. A instalação da energia elétrica exigiu a abertura e definição de ruas, quando então os moradores se uniram em mutirão e abriram as 17 principais ruas da Vila. Entretanto, ainda hoje existem na vila alguns pontos que não possuem iluminação legalizada, como é o caso do local conhecido pelos moradores como Antenas, situado próximo às antenas da subestação da Cemig. Como fruto do trabalho da Associação foi criada uma creche comunitária para os filhos dos moradores e implantado posto médico na vila. Em 1984, a Associação promoveu uma manifestação em prol do título de propriedade dos imóveis da vila, que resultou no comparecimento do então Governador de Minas Gerais, Tancredo Neves à comunidade. A ação culminou na conquista de 692 títulos de propriedades e alguns outros em fase de regularização. Hoje existem muitas propriedades que ainda não têm documentação regularizada. A Vila foi uma das incluídas, na década de 1980, no PRODECOM – Programa de Desenvolvimento das Comunidades, do Governo do Estado, 17 sendo conquistada nessa época a instalação de redes de esgoto e água, a urbanização de ruas, que contou com a participação dos moradores em mutirão, e uma sede para Associação Comunitária. Na mesma época, como iniciativa do Sr. José Ramos, a praça da comunidade ganhou o Cruzeiro, ponto de referência na vila. Ele carregou nas costas a cruz que hoje fica no local, desde a Igreja Cristo Redentor, na entrada do Bairro Flávio Marques Lisboa, até a praça, que ficou conhecida como Praça do Cruzeiro Dados demográficos da Vila Cemig de acordo com informações obtidas no site: www.favelaeissoai.com.br: Área: 282.000; Localização: Regional Barreiro; Número de domicílios: 1.853 (2000) e 2.310 (2002); População total residente: 6.947 (2000) e 6.400 (2002); Áreas críticas: área de risco (médio, alto e iminente); Áreas com declividade acima de 47%; Faixa de servidão da CEMIG; Taxa de alfabetização: 82,5%; Esgotamento sanitário:73,4% ligados à rede geral de esgoto ou pluvial; Abastecimento de água: 90,2% abastecidos através de rede geral; Coleta de lixo: 81,0% coletados por serviço de limpeza. A Escola Municipal Dinorah Magalhães Fabri está entre a Vila Cemig e o Conjunto Esperança. Situa-se na Rua Pavão, sem número., na regional Barreiro de Belo Horizonte. Foi criada e denominada pelo Decreto municipal número 5232 de 27 de dezembro de 1985. Inicialmente a escola só atendia os alunos do primeiro e segundo ciclo do ensino fundamental (antiga primeira a quinta série), mas de acordo com a necessidade do bairro foi estendido até o terceiro ciclo, que compreende então o ensino fundamental completo. 18 Um dos problemas observados aos arredores da escola na Vila Cemig é o lixo sólido jogado nas ruas e resíduos resultantes de construção civil. O processo de acumulação de dejetos que nem sempre possui um lugar adequado tende a aumentar, uma vez que a população aumenta e gera elevação no consumo, e consumo significa lixo. BOJADSEN, 1997, afirma: “ O lixo só se torna lixo, quando descartado e abandonado em lugares inadequados e sem tratamento específico” (p.12) Segundo a SLU (Serviço de Limpeza Urbana) de Belo Horizonte, o bairro é assistido pelo serviço de coleta de lixo, três vezes por semana, mesmo assim a população ainda utiliza locais impróprios, como encostas, córregos e terrenos baldios para jogar o lixo. A situação se complica porque algumas ruas não possuem coleta de lixo, pois o caminhão da prefeitura não consegue passar devido à largura da mesma e com isso alguns moradores têm que percorrer uma distância de sua casa até a rua mais próxima onde a coleta ocorre, muitas vezes eles acabam optando por jogar em algum lote desocupado. A população do bairro acaba por negligenciar os sérios danos que tais ações podem causar a espécie humana, diante disto, destaca-se: a dispersão de insetos e pequenos animais como moscas, mosquitos, baratas e ratos, hospedeiros de doenças como a dengue, leptospirose e a leishmaniose. É necessário que os moradores identifiquem como é feito o descarte de lixo de sua residência e relacione os problemas de saúde e ambiente ocasionado pelo mau acondicionamento do lixo Às vezes é difícil estimular a participação da comunidade, pois muitos que ali vivem ainda não têm garantido instrumentos de acesso a cidadania, como: uma moradia digna, alimento, emprego, boa escola, bons salários, etc. 19 Para Philippi Jr; Pelicioni (2005), a sociedade capitalista urbanoindustrial e seu atual modelo de desenvolvimento econômico e tecnológico têm causado crescentes impactos sobre o ambiente, e a percepção desse fenômeno vem ocorrendo de maneiras diferentes por ricos e pobres. É possível acreditar que seres humanos explorados, injustiçados e desprovidos de seus direitos de cidadãos consigam compreender que não devam explorar outros seres vivos, como animais e plantas e manter um ambiente limpo e saudável. Aceitar sem questionamento o modelo de desenvolvimento baseado no consumo desenfreado tem levado o ser humano a adotar atitudes que acabam resultando em diferenças sociais crescentes, miséria, fome e em inúmeras perdas biológicas De acordo com Minini (2008), a Educação Ambiental deve propiciar às pessoas uma compreensão crítica e global do ambiente. Esclarecer valores e desenvolver a atitude que lhe permitam adotar uma posição consciente e participativa de recursos naturais, para a melhoria da qualidade de vida e a eliminação da pobreza extrema e do consumo desenfreado. A escola pode e deve desempenhar o papel de preparar cidadãos, conscientizando-os para a sua cidadania, porém, segundo Freire (1987), não existe uma consciência antes e um mundo depois e nem vice-versa, pois a intencionalidade da consciência humana não morre na espessura de um envoltório sem reverso. Ela tem dimensão sempre maior que os horizontes que a circundam. Segundo este prisma, a escola sozinha não pode conscientizar. Conscientização é um processo pessoal, portanto não pode ser imposta e acontecer de fora para dentro, para que esse processo aconteça e até se torne 20 mais rápido é preciso que todos participem dele para promoverem a sensibilização, processo inicial externo que desencadeia a conscientização. A escola deve repensar sobre sua função social e através da Educação Ambiental revelar os interesses dos grupos sociais que estão engajados a resolver os problemas ambientais, pois assim a escola se consolidará na sociedade como instituição preocupada com a realidade da comunidade. Para Freire (1997) o ato pedagógico dever ir além da simples instrução reguladora, deve estar a serviço do conhecimento emancipatório. A moral e a ética da autonomia compreendem formas de interação educativa através da qual as pessoas devam adquirir consciência das relações múltiplas que constroem ao viver em sociedade, de estar no mundo e em contato com a vida da natureza, vida esta, que a humanidade transforma e que, nas últimas décadas, é capaz de colocá-la em risco. Sem a ingenuidade que podemos transformar de imediato a comunidade, podemos dar alguns passos nessa direção. “O educador e a educadora críticos não podem pensar que, a partir do curso que coordenam ou do seminário que coordenam ou de seminário que lideram, podem transformar o país. Mas podem demonstrar que é possível mudar. E isso reforça nele a importância de sua tarefa político-pedagógica.” p.126-127). (Paulo Freire, 1979, 21 CAPÍTULO II A Importância da Educação Ambiental A Constituição Federal Brasileira de 1988, garante em seu artigo 225, no Capítulo VI que: “Todos têm direito ao meio ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”, e ainda no seu parágrafo primeiro, inciso VI assegura a efetividade desse direito, incumbindo ao Poder Público: “promover a Educação Ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para preservação do meio ambiente”. A questão ambiental nos últimos anos tem sido amplamente discutida em várias áreas de conhecimento, uma vez que a sociedade moderna foi despertada devido ao avanço da destruição dos recursos naturais. Uma das formas para o combate à destruição da natureza é a conscientização da sociedade sobre este tema, buscando soluções para paralisar a destruição e ainda inverter a situação com ações de recuperação do meio ambiente. Uma das ferramentas disponíveis, de baixo custo e com efeito duradouro é a inclusão de Educação Ambiental de forma adequada, inserida nas escolas de Ensino Fundamental e Médio. Para que os objetivos de Educação Ambiental sejam atingidos, é necessário o uso adequado desta ferramenta, com ações de ensinoaprendizagem, seja da sociedade, da escola ou de outros setores envolvidos com este mesmo objetivo. São necessários estudos sobre técnicas que estão sendo utilizadas nas escolas, ou que venham a ser utilizadas por esta sobre a questão de 22 Educação Ambiental, e propor na medida do possível, as soluções para que a formação do aluno permita-lhe ser um cidadão consciente, disseminador e formador de consciências acerca da importância de preservar o meio ambiente e ainda promover o desenvolvimento da sociedade. Cabe ressaltar que várias campanhas de reciclagem tentam chamar a atenção sobre a alarmante quantidade de lixo gerado por cada indivíduo. Porém, a reciclagem é paliativa, o bom seria a diminuição da geração de lixo uma solução mais sustentável e eficaz. As ações pedagógicas devem superar a mera transmissão de conhecimentos ecologicamente corretos, assim como as ações de sensibilização, embora o cognitivo e o afetivo sejam importantes, devemos nos contextualizar na realidade sócio ambiental em que a escola está inserida. Para Dias (2004), a Educação Ambiental é um conjunto de conteúdos e práticas ambientais, orientadas para a resolução dos problemas concretos do ambiente, através do enfoque interdisciplinar e de uma participação ativa e responsável de cada indivíduo da comunidade. A ação pedagógica e a realidade social potencializam e estimulam a formação de alunos que se envolverão em questões ambientais. A Educação Ambiental se constitui numa forma abrangente de educação, e pode atingir todos os cidadãos, através de um processo pedagógico participativo permanente que desafia e incita o educando a uma consciência crítica sobre a problemática ambiental, compreendendo-se como crítica a capacidade de captar os problemas ambientais. Existe uma relação entre conservação ambiental e bem estar social, em que o professor deve optar pelo desenvolvimento de capacidades e 23 competências dos estudantes para se enfrentar problemas, buscando caminhos para incentivar a ação de grupos de indivíduos. Segundo Paulo Freire (1987, p.70), “Quanto mais se problematizam os educandos, como seres no mundo e com o mundo, tanto mais se sentirão desafiados, quanto mais obrigados a responder ao desafio. Desafiados, compreendem o desafio na própria ação de captá-lo. Mas, precisamente captam o desafio como um problema em suas conexões com outros, num plano de totalidade, e não como algo petrificado, a compreensão tende a tornar-se crescentemente crítica...” Na perspectiva de Freire, a educação não é neutra, e a escola deve enfrentar os problemas sociais, ajudando os estudantes a questionarem a sua realidade. É necessário e urgente desenvolver na comunidade escolar a Educação Ambiental para que se compreendam os problemas, e então desenvolva meios para defender o seu habitat. Pode-se atuar em Educação Ambiental criando-se na escola, situações capazes de envolver professores de todas as disciplinas e também a comunidade, qualquer trabalho deve incluir a relação com a cidade e seus moradores. Lutar por melhorias na infra-estrutura do bairro e convocar as famílias, associações de moradores para debater problemas e as possíveis soluções 24 são formas eficientes de envolver alunos em atividades que certamente de forma benéfica em seu comportamento e atitudes. A Educação Ambiental é um dos meios mais indicados para se resgatar valores que incluem o respeito pela diversidade cultural e biológica, fundamentais para a conservação de um convívio harmônico entre as comunidades e o meio em que vivem. Segundo Layrargues, 2002. A proposta praticada pelo IBAMA “ é um processo educativo eminentemente político, que visa o desenvolvimento nos educandos de uma consciência crítica acerca das instituições, atores e fatores sociais geradores de riscos e respectivos conflitos sócio ambientais.” A questão ambiental diz respeito ao modo como a sociedade se relaciona com o meio em que vive. Nesse meio ambiente estão implicadas as relações sociais e as complexas relações entre o meio físico-químico e orgânico. Existem diversas áreas do conhecimento que têm competência para decidir sobre ela e tem muito a dizer. A prática educativa precisa ser um ato de apreciação e construção do conhecimento sobre o mundo. Há também de perceber que determinado problema ambiental, ou mesmo conceber sua existência, não se trata apenas do conhecimento, mas também dos problemas sociais e políticos que ocorrem em determinados contextos sociais e políticos. É importante analisar desde as causas da existência dos resíduos até a destinação final do lixo, buscar uma solução coletiva para compreender o problema e superá-lo. Existem possibilidades para trabalhos de Educação ambiental que intentem fortalecer a organização comunitária e auxiliar na costura de parcerias para a realização e consolidação de transformações tendo em vista a 25 necessidade de continuidade, ao longo do tempo, de um processo educativo que propicie um aumente da participação popular nas tomadas de decisões. De acordo com Costa e Pinto (2001) “problematizar a relação entre conservação ambiental e bem estar social, partindo do desenvolvimento de capacidades e competências locais para o enfrentamento dos problemas”. Para abordagem de conteúdos, devem-se ultrapassar as fronteiras das disciplinas e inclusive do chamado saber popular, podem e devem se articular, buscando a construção de um entendimento de determinada realidade a partir de aspectos sociais, econômicos e ecológicos. No ano de 1977 em Tbilisi, capital da Geórgia, a ONU através de seu Programa para o Ambiente (PNUMA) juntamente com a UNESCO, realizou a Primeira Conferência Intergovernamental sobre Educação Ambiental, conhecida como Conferência de Tbilisi considerada referência internacional para a formulação de atividades de Educação Ambiental. Segundo Dias (2004), baseado na Conferência de Tbilisi, são finalidades da Educação Ambiental: 1. Promover a compreensão da existência e da importância da interdependência econômica, social, política e ecológica. 2. Proporcionar a todas as pessoas a possibilidade de adquirir os conhecimentos, o sentido dos valores, o interesse ativo e as atitudes necessárias para protegerem e melhorarem o meio ambiente. 3. Induzir novas formas de conduta, nos indivíduos e na sociedade, a respeito do meio ambiente. A Conferência de Tbilisi considera a Educação Ambiental como sendo: “um processo permanente na qual indivíduos tornam-se conscientes do seu ambiente e adquirem, conhecimentos, valores, habilidades, experiências e a 26 determinação para agir individual e coletivamente, prevenindo e resolvendo problemas presentes e futuros”. 27 CAPÍTULO III O Trabalho com Projetos A opção de trabalhar com projetos de educação ambiental para atuar nos problemas sociais enfrentados pelas comunidades onde se inserem as escolas vêm buscar uma mudança de postura em relação à prática pedagógica, procurando dar um novo significado aos tempos, espaços e conteúdos, na perspectiva de transformar a escola e a sala de aula em um espaço democrático, sintonizado ao mundo contemporâneo e com a realidade dos alunos. Os professores devem assumir o papel de líderes, e contagiar os colegas com idealismo que seduz os alunos a participar dos projetos. Quando isso acontece, os alunos e professores fortalecem seus relacionamentos e passam a cuidar do ambiente escolar e a se interessar pelo o que acontece fora dele. Visa-se enriquecer as discussões ambientais e dar maior significado ao processo educativo para fornecer instrumentos que potencializam capacidades dos agentes sociais escolares (professores, funcionários e outros). Como atores de sua própria história responsáveis pela transformação do meio em que se encontram. A escola visa solucionar problemas locais e, desta forma, objetivam também contribuir para a melhoria da qualidade de vida da população e a conservação do meio ambiente, deve-se buscar caminhos para fortalecer processos participativos em busca de ações que almejem o bem estar de todos. “É indispensável um trabalho de educação em questões ambientais, visando tanto as gerações jovens, como os 28 adultos, dispensando a devida atenção aos setores menos privilegiados, para assentar as bases de uma opinião pública bem informada e de uma conduta responsável, dos indivíduos, das empresas e das comunidades, inspirada no sentido de responsabilidade, relativamente à proteção melhoramento meio ambiente do sua e em toda a sua dimensão humana.” (BRASIL, 2001) E sendo a educação ambiental um processo de educação política que possibilita a aquisição de conhecimento e habilidades, como a formação de valores e atitudes que transformam em práticas de cidadania. Envolve uma visão ampla de mundo, como também a clareza da finalidade do ato educativo, uma posição política e competência técnica para programar projetos a partir do conhecimento teórico dos docentes e da participação de todos os envolvidos. Um projeto de Educação Ambiental para ser efetivo deve promover simultaneamente, o desenvolvimento de conhecimento, de atitudes e de habilidades necessárias à preservação e melhoria da qualidade ambiental. . Para Jolibert (1994), “A pedagogia de projetos permite viver numa escola alicerçada no real, aberta a múltiplas relações com o exterior: nela a criança trabalha “para valer” e dispõe dos meios para afirmar-se. Essa prática lhe permite: - não depender mais apenas das escolhas dos adultos; - viver experiência positiva do confronto com os outros (aportes mútuos e conflitos a serem superados) e da solidariedade; - decidir e comprometer-se após a escolha; - projetar-se no tempo através do planejamento de suas 29 ações e de seus aprendizados; - assumir responsabilidades; - ser “agente de seus aprendizados, produzindo algo que tem um sentido e uma unidade.” (p.21) Como conceber e tratar a articulação entre as instâncias do projeto de Educação Ambiental para que de fato seja reconstruída na escola uma nova forma de ensinar integrando os conteúdos curriculares na perspectiva de trazer ao aluno uma consciência ambiental e o desejo de atuar como agente de mudanças. “... é preciso lembrar que a educação exige intencionalidade e recusa o espontaneísmo na ação. Mas que desarmado, também se beneficia de um espírito disposto a reconstruir e abrir caminhos à força da imaginação”. (Aranha, p. 86, 1989). Com projetos, o aluno aprende com o processo de produzir, de pesquisar. O papel do professor não é só o de transmitir informação, cabe ao professor realizar mediações necessárias para que o aluno possa encontrar sentido naquilo que está aprendendo. Para Hernandes (1998), Os projetos de trabalho: “Apontam outra maneira de representar o conhecimento Escolar baseado na aprendizagem da interpretação da realidade, orientada para o estabelecimento de relações entre a vida dos alunos e professores e o conhecimento que as disciplinas (que nem sempre coincidem com o das disciplinas escolares) e outros saberes não disciplinares vão elaborando. Tudo isso para favorecer o desenvolvimento interpretação de estratégias de indagação, e do processo seguido ao estudar um 30 tema ou um problema, que, por sua complexidade, favorece o melhor conhecimento dos alunos e dos docentes de si mesmos e do mundo em que vivem.” (p.90-91) 3.1 - O professor e os projetos É fundamental que todos os professores integrem em seus projetos questões relacionadas ao meio ambiente. A Educação ambiental deve perpassar de modo articulado, por todas as disciplinas com o objetivo não apenas de informar, mas, sobretudo, de desenvolver atitudes necessárias à preservação do meio ambiente O professor precisa ter clareza e intencionalidade pedagógica para que intervenha no processo de aprendizagem do aluno. Deve propiciar também o estabelecimento de relações interpessoais entre os alunos e respectivas dinâmicas sociais, valores e crenças próprias do contexto em que vivem. “O trabalho com projetos não deve ser visto como uma opção puramente metodológica, mas como uma maneira de repensar a função da escola”. (Hernandez, 1998, p.14). Trabalhar com projetos, além de ser um desafio ao professor, pode propiciar ao aluno um modo de aprender baseado na integração entre os conteúdos das várias áreas do conhecimento, pois deve existir a parceria entre os protagonistas (gestor, professor, alunos) da comunidade escolar em busca de soluções que permitem viabilizar a realização de práticas pedagógicas, tendo em vista a aprendizagem para a vida. Os projetos permitem articular as disciplinas, buscam analisar os problemas sociais existentes e contribuir para a sua solução por meio da 31 prática concreta dos alunos e da comunidade escolar. Para educação ambiental é uma forma mais ágil e participativa de professores e educadores, muitas vezes, de pensamentos divergentes juntarem suas contribuições e de olharem a realidade de vários lados. Levar para a sala de aula temas da atualidade e do ambiente local onde a escola se localiza e tratá-lo de forma interdisciplinar em projetos duradouros que mexam com a comunidade, é provavelmente a melhor forma de atuação dos docentes. Com os conteúdos ambientais permeando todas as disciplinas do currículo e contextualizados com a realidade da comunidade, a escola permitirá ao aluno fazer uma relação de fatos, aumentando sua capacidade de perceber o mundo de uma forma integral. Aprender fazendo, agindo, experimentando, é o modo mais natural, intuitivo e fácil de aprender. O ser humano aprende pela experimentação ativa do mundo. O aluno deve ser sensibilizado para ações ambientais e fora da escola ele será capaz de dar sequência a comportamentos ambientalmente corretos, pois esses devem ser aprendidos na prática, no cotidiano da vida escolar. “... no ensino deve prevalecer o interesse de buscar novas ações metodologias pedagógicas, que permitam à equipe de professores ver o conteúdo de forma interdisciplinar , e não em compartimentos estanques...”. (Maria Lúcia de Arruda Aranha, 1989, p.35). A natureza interdisciplinar da Educação Ambiental exige uma prática integradora e dialógica, contextualizada com as realidades locais, onde não há a hierarquização de funções dos agentes (professores e funcionários da escola) para o sucesso desta prática. 32 O fundamental para a constituição de um projeto é a coragem de romper com as limitações do cotidiano convidando os alunos à reflexão sobre questões importantes da vida real, como o meio ambiente em que vivem e dos problemas que virão pela indiferença por ele. Os alunos são provocados a agir e seguirem rumo aos seus desejos e apreensões verdadeiras. Podemos apontar a Conferência de Tbilisi que abrange: “a importância da Educação Ambiental extrapola as atividades da escola tradicional”. Aproveitou-se do entendimento para delegar ainda mais responsabilidade aos alunos e aos agentes que conduzem a educação escolar de que sua competência para lidar com a questão do lixo extrapola o ambiente escolar, abrangendo também a família, aos locais de lazer entre outros. Desta maneira as atividades educacionais tornam-se eficazes na medida em que abrangem a totalidade dos espaços em que a escola está inserida e também aos grupos sociais. A atenção deve se voltar para a sensibilização das pessoas em relação aos fatos que ocorrem no meio ambiente. Segundo Dias (2004) na Conferência de Tbilisi: “A Educação Ambiental é um processo de reconhecimento de valores e clarificações de conceitos objetivando o modificando desenvolvimento as das habilidades atitudes em relação ao meio, para entender e apreciar as inter-relações entre os seres humanos, suas culturas e seus meios biofísicos. A Educação Ambiental também está relacionada com a prática das tomadas de decisões e a ética que conduzem para a melhoria da qualidade de vida.” As metodologias teóricas e práticas de projetos podem ocorrer por intermédio de aulas críticas, palestras, oficinas, saídas a campo. Esses processos oferecem possibilidades aos professores de atuarem de maneira a 33 incluir em seus trabalhos a comunidade escolar e do bairro para coletar dados e resgatar o passado do local, conhecer e levantar os problemas ambientais. “Uma educação transformadora envolve não só uma Visão ampla do mundo, como também a clareza e a finalidade do ato educativo, uma posição política e competência técnica para programar projetos e a partir do aporte teórico e formador profissional competente”. (JR Philippi; Pelicioni, 2005) Os projetos podem ter uma abordagem direcionada para a resolução de problemas, isso contribui para o envolvimento ativo do público, torna o sistema educativo mais relevante e realista, fazendo uma relação entre o ambienta natural e social, visando um crescente bem estar da comunidade. O projeto para educação ambiental deve ser por meio de ações. Vai se fazer algo. Transformar. Movimentar. Participar. Mudar a realidade por meio de uma prática refletida. É fundamental o desencadeamento de projetos em que os alunos façam coisas. Realizem, dentro e fora da escola. Falem e debatam com os outros, juntem matérias, escrevam suas idéias, observem modelos de locais apropriados para se viver adequadamente, pintem, exercitem seus corpos, enviem seu grito de guerra pelos ares, pelas redes digitais, pelo mundo afora e que este mundo seja para ele melhor. A expectativa de proliferação de práticas sociais que promovam a emergência de uma consciência ecológica que produza efeitos a partir de uma mudança cultural que repercuta da sala de aula para a comunidade e viceversa em desejos socialmente compartilhados, portanto, não apenas individuais, mas em conjunto com uma comunidade que merece ter um ambiente saudável. A educação ambiental pode buscar sua fundamentação enquanto projeto educativo que pretende transformar a sociedade. 34 3. 2 - Alunos e professores protagonistas O aluno e professores precisam ser os protagonistas de um projeto com a clara opção de participação, desde a sua elaboração, os objetivos que precede sua execução, avaliação e reformulação. Alvarez Leite define os Projetos de Trabalho como uma postura pedagógica. Para a autora: “Nesta postura, o processo de aprendizagem centra-se na resolução de problemas significativos para o grupo de alunos. Estes problemas geram uma série de necessidades de aprendizagem que vão dando o eixo de estudo e pesquisa ao grupo. Os conhecimentos, assim, passam a ser uma ferramenta para se compreender melhor a realidade que se vive. Alunos e professores deixam de serem sujeitos passivos diante de um programa pré-determinado, passando a ser protagonistas de um ensino/aprendizagem. rico processo de Os conteúdos das disciplinas ganham significado, estudados dentro de um contexto que lhes dá sentido. O tempo deixam e espaço escolares de ser organizados de forma rígida, sendo repensados atividades construírem segundo a necessidade do grupo. As desenvolvidas permitem aos suas próprias alunos estratégias de estudo e pesquisa. O confronto de opiniões e o diálogo garantem uma vida de grupo, ao mesmo tempo, democrática e cooperativa”. A mediação do professor é fundamental, aluno precisa reconhecer sua autoria no projeto, mas , também precisa sentir a presença do professor 35 que ouve, orienta e questiona. O professor deve sensibilizar o aluno a buscar valores que conduzam a uma convivência harmoniosa com o ambiente e as demais espécies que habitam o planeta, auxiliando-o a analisar criticamente os princípios que tem levado a destruição inconseqüente dos recursos naturais e a extinção de diversas espécies. Saber como os alunos e professores percebem o ambiente onde se localiza a escola, suas fontes de satisfação e insatisfação são de fundamental importância, pois só assim, conhecendo a cada uma, será possível a realização de um trabalho com bases locais, partindo da realidade de nossa comunidade. Conservar um ambiente saudável, de modo responsável e com consciência, respeitar os direitos próprios e de toda a comunidade tanto local como internacional. “...criar condições para que, no ensino formal, Educação a Ambiental seja um processo contínuo e permanente, através de ações interdisciplinares globalizantes e da instrumentação dos professores; procurar a integração entre escola e comunidade, objetivando a proteção ambiental em harmonia com o desenvolvimento sustentado”. (Dias, 2004). Na perspectiva de Freire, a educação não é neutra, escola deve enfrentar os problemas sociais, ajudando os estudantes a perceberem e questionarem a sua realidade. Nós temos de encontrar formas para que cada aluno compreenda os fenômenos naturais, as ações humanas e sua conseqüência para consigo, para os outros seres vivos e o ambiente. É importante que cada aluno desenvolva suas capacidades e adote uma postura e comportamentos sociais que colaborem para a construção de uma sociedade mais justa, em um ambiente saudável. 36 A aprendizagem será mais efetiva se a atividade estiver adaptada às situações da vida real da cidade, ou do meio em que vivem alunos e professores. Devemos priorizar a participação da comunidade nos aspectos relativos ao conhecimento e melhoria de seu próprio ambiente como incentivar atividades que envolvam a comunidade da região. A Educação Ambiental exige uma prática que integra as disciplinas, contextualizada com as realidades locais, onde a participação de todos os agentes que atuam na educação é fundamental importância para o sucesso desta prática. A comunidade precisa ter consciência da necessidade de se planejar a ocupação do solo nas grandes cidades, e dar a devida atenção ao o que é necessário para se ter condições mínimas de moradia, trabalho, transporte e lazer. Além de ser um problema de saneamento básico, o lixo é uma problemática social, pois se adequadamente gerenciado, é capaz de criar empregos e minimizar os impactos a natureza e ao meio ambiente. “O conteúdo mais indicado deve ser originado do levantamento da problemática ambiental vivida cotidianamente pela comunidade a ser trabalhada e que se queira resolver” (REIGOTA, 1994). O projeto de Educação Ambiental não deve se restringir a apenas um único ano letivo ele deve ser modificado de acordo com as necessidades explicitadas na realidade vigente, e coexistir junto das disciplinas em séries ou ciclos variados de forma a resgatar constantemente a necessidade da comunidade e da escola. Todo ano podem-se criar novos temas de acordo com os acontecimentos vivenciados pelos educandos e educadores. 37 Para trabalhar com a Educação Ambiental é importante desenvolver atividades com as crianças em espaços diversos - jardins, parques, museus, se for o caso de ser da realidade das crianças, e utilizar estes espaços como estruturas educadoras. Educando diferente, inclusive conversando sobre as contrariedades que vivenciamos como a questão da separação do lixo e da falta da coleta seletiva. É importante saber primeiro o que eu posso fazer para melhorar o meu relacionamento com o meio ambiente, pois esta mudança deve ser espontânea, e não deve ocorrer pela crítica ou pelo dedo apontado aos outros que ainda não se sensibilizaram para a importância de cuidar do meio ambiente. É desta forma que os educadores podem oferecer para as crianças uma visão de mundo, lembrando que somos capazes de perceber que tudo está relacionado entre si, e que dependemos uns dos outros para viver. Nesse contexto, local onde a escola está inserida o projeto deve ter os seguintes objetivos: - Prever e evitar desastres ambientais, tendo como preocupação maior aqueles que podem ser irreversíveis; - Permitir que os moradores se tornem cidadãos informados e produtivos do mundo moderno; - Assegurar um ambiente que dê segurança e alegria às pessoas; - Transformar o ambiente em torno da escola enriquecedor, aos quais as pessoas se sintam econômica e emocionalmente conectadas; - Promover, por meio de ações a conscientização sobre a questão do lixo; - Difundir a idéia de que o lixo pode ser uma fonte de renda e economia da natureza; - Organizar campanhas publicitárias de reciclagem e reutilização do lixo; - Diagnosticar problemas associados à questão do lixo relacionados à saúde; 38 - Organizar palestras com médicos do Centro de Saúde local; - Criar banners, os quais irão divulgar a proposta do projeto; - Organizar oficinas de Educação Ambiental na escola; - Produzir material didático-pedagógico sobre a gestão do lixo. “A produção de lixo tem atingido índices insustentáveis a tal ponto que a proliferação de vetores de doenças e a contaminação dos recursos hídricos estão entre as principais conseqüências dessa situação. Em contrapartida, a conscientização das novas gerações e a reciclagem do lixo vem se apresentando como estratégia eficiente e eficaz na resolução problemas, trazendo redução do dos enormes contribuições para a volume do lixo a ser tratado e para a diminuição do desperdício de matérias-primas e energia”. (Campos, p.19-20, 1999). O Projeto de Educação Ambiental a ser desenvolvido junto a e escola e comunidade, parte da ação na escola e se difunde pelo conhecimento e busca por mudanças de atitudes em relação aos problemas econômicos, sociais e ambientais que cercam a questão do lixo. Finalmente, o que se busca são melhores condições de vida, dignidade, elevando a qualidade de vida. Para atingir esses resultados pressupomos padrões mínimos de saúde individual, coletiva e meio ambiente equilibrado, com participação ativa de todos os profissionais da educação, alunos e comunidade. 39 CONCLUSÃO Os projetos em educação ambiental permitem uma articulação entre as disciplinas, buscam analisar os problemas sociais existentes e contribuir para a sua solução por meio de práticas concretas dos alunos e da comunidade escolar. É necessário e urgente desenvolver na comunidade escolar a educação ambiental para que compreendam os problemas, e então desenvolvam meios em defesa de seu habitat e sua qualidade de vida. O ambiente escolar é um dos locais cuja discussão a respeito das problemáticas ambientais, como as relacionadas ao lixo e outros temas, devem ser efetivadas de maneira interdisciplinar, pois é na conjugação das diversas disciplinas que se compõe o planejamento de projetos, para que tomando o tema lixo no contexto local, eles possam articular o conteúdo das suas disciplinas com a temática escolhida. A metodologia de trabalho com projetos amplia o entendimento e a compreensão, possibilitando encontrar melhores soluções para a atuação e consequente solução para a atuação dos problemas abordados na escola. A escola é o espaço ideal para que seja promovido o debate deste tema e para formação de opinião, construção de valores e promoção da mudança de comportamento, fundamentais para que sejam resolvidos ou diminuídos os problemas ambientais, apontando caminhos alternativos para a sua solução. Na Conferência Intergovernamental de Educação Ambiental de Tbilisi, realizada em 1977, foram deliberadas e documentadas quarenta e uma recomendação que trazem uma série de propostas, sendo que a 40 recomendação de número três é destinada a escola, um papel específico da educação: “transformar progressivamente, através da Educação Ambiental, atitudes e comportamentos para que todos os membros da comunidade tenham consciência das responsabilidades (...) contribuindo para a busca de uma nova ética baseada no respeito pela natureza, no respeito pelo homem e sua dignidade e no respeito pelo futuro, bem como na exigência de uma qualidade de vida acessível a todos com o espírito geral de participação.” (MEC, 1998). A questão ambiental precisa ser incorporada nas escolas e comunidades para que haja compreensão dos problemas ambientais e que possam lutar por seus direitos a um ambiente sadio. A escola pode contribuir para a construção de sujeitos com contextos socioambientais concretos, com o aporte simultâneo de várias áreas do conhecimento, para uma efetiva mudança de postura com relação ao meio ambiente escolar e comunitário. Espera-se, que com a efetivação de um Projeto de Educação Ambiental na Vila Cemig, acrescentar aos alunos, conhecimentos sobre a temática ambiental, buscando incentivar maior sensibilização quanto a importância, o funcionamento, os problemas e a sustentabilidade do meio ambiente, resultando assim, em mudanças de atitudes dos participantes. A Educação Ambiental tem a natureza interdisciplinar e em se tratando do estudo sobre a escola exige uma capacitação e preparo para o trabalho em equipe, sendo assim, necessário um esforço conjunto para tratar as questões ambientais de uma forma que envolva a comunidade escolar em torno de um projeto. 41 Acredita-se também alcançar indiretamente as famílias da comunidade através da propagação dos conhecimentos pelos participantes, o que poderá gerar difusão das informações a um número cada vez maior de pessoas. E conseqüentemente, contribuir para a diminuição dos problemas ambientais locais, como por exemplo, o problema do lixo. 42 BIBLIOGRAFIA ALVARES LEITE, L.H. (Org.). Projetos de trabalho: repensando as relações entre escola e cultura. Belo Horizonte: Ed. Balão Vermelho, 1988. ARANHA, M. História da educação. São Paulo: Moderna, 1989. BRASIL, Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil, 1988. Brasília: Senado Federal, Centro Gráfico, 1988. 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