Estudo de impacto dos recursos: Hipertexto/ Vídeo da actividade laboratorial 6 – Estudo de impacto dos recursos: Hipertexto/ Vídeo da actividade laboratorial 104 Estudo de impacto dos recursos: Hipertexto/ Vídeo da actividade laboratorial 6.1 – Descrição do estudo e caracterização da amostra O estudo efectuado pretendeu analisar o impacto dos recursos digitais elaborados no âmbito deste trabalho em professores de Física e Química, dando resposta à seguinte hipótese de investigação: “Será que os recursos digitais elaborados contribuirão para desenvolver nos alunos o gosto pela química e ao mesmo tempo ajudará os alunos a compreender melhor os conteúdos de química que foram abordados?” Para permitir dar resposta à questão apresentada procedeu-se à realização de um estudo de investigação de natureza descritiva e interpretativa optando-se por uma metodologia qualitativa. Segundo BOGDAN E BIKLEN (1994), a abordagem qualitativa é uma metodologia de investigação em que predomina a “descrição, a indução, a teoria fundamentada e o estudo das percepções pessoais”. Deste modo realizaram-se entrevistas semi-estruturadas (ver 6.2) e individuais a professores de Física e Química. Os professores foram avisados atempadamente, da data, hora, duração prevista da entrevista bem como do que se pretendia com a sua realização. Ainda antes de ser efectuada foi fornecido aos professores o link onde se encontram disponíveis os recursos digitais, para o poderem explorar antecipadamente. No entanto, a hiperligação, no hipertexto, que permite a visualização do vídeo laboratorial encontrava-se com alguns problemas técnicos. Os participantes neste estudo foram entrevistados, três pessoalmente e cinco por telefone, com base no guião que se encontra em anexo (ver Anexo II). As questões relacionadas com a contribuição dos recursos digitais elaborados para o entusiasmo dos alunos e aprendizagem dos conteúdos de química, referem-se ao hipertexto que nele inclui o vídeo laboratorial. As entrevistas foram gravadas através de um leitor de MP3 e depois cuidadosamente transcritas (ver Anexo III) e analisadas. Procurámos efectuar a análise da forma mais simples e transparente possível (incluindo tabelas que permitem seguir o rastro da formação das poucas categorias que nos vimos forçados a adoptar, cf. Anexo IV), conscientes das limitações e dificuldades próprias da análise de conteúdo (BARDIN, 2004) e sem nunca perdermos de vista os nossos objectivos modestos. A nossa amostra consiste em 8 professores de Física e Química, 5 (62,5%) do sexo feminino e 3 (37,5%) do sexo masculino, com idades compreendidas entre os 27 e os 43 anos (média = 33,13), com pelo menos 4 e no máximo 20 anos de serviço (média = 8,75). Um dos entrevistados encontrava-se desempregado e os outros 7 105 Estudo de impacto dos recursos: Hipertexto/ Vídeo da actividade laboratorial leccionavam em escolas diferentes, de 5 zonas pedagógicas (Bragança, Viseu, Tâmega, Porto e Baixo Alentejo/Alentejo Litoral, esta última representada por 3 escolas) sendo que 4 integravam os quadros da escola e três os quadros de zona pedagógica. 106 Estudo de impacto dos recursos: Hipertexto/ Vídeo da actividade laboratorial 6.2 – Instrumento de recolha de dados Tal como foi referido no ponto anterior a recolha de dados foi feita através da entrevista. A entrevista é um modo de obter informação das perspectivas e opiniões de diferentes pessoas no que diz respeito a um determinado assunto. As entrevistas podem ser abertas, se o objectivo for fazer emergir hipóteses, ou fechadas, no caso de se pretender verificar hipóteses determinadas à priori. Consoante os casos, uma entrevista pode ser estruturada, quando o discurso da pessoa entrevistada constitui exclusivamente a resposta a perguntas preparadas antecipadamente e planificadas numa ordem precisa, semi-estruturada, quando o entrevistador tem previstas apenas algumas perguntas ou não-estruturada, quando o entrevistador se priva de fazer perguntas que visem uma orientação da conversa. Após a definição dos objectivos da investigação, segue-se a planificação da entrevista e, consequentemente, a formulação das questões que constituirão o guião da respectiva entrevista. As questões do guião devem expressar de forma clara e objectiva aquilo que o investigador pretende apurar, devendo-se dedicar alguma atenção ao formato das questões e ao modo de resposta. Em relação à importância de determinadas questões em detrimento de outras apenas é possível saber quais as mais importantes após a obtenção das respostas. São estas que determinam a relevância da questão colocada pelo entrevistador. As perguntas consideradas mais ricas são aquelas que requerem explicações, uma vez que estas traduzem mais fielmente as ideias manifestadas dos entrevistados. Essas questões devem encorajar os entrevistados a justificarem os seus argumentos. Antes da entrevista propriamente dita, os entrevistados devem ser informados sobre os resultados esperados e motivos da sua selecção. Deve ainda combinar-se a data, a hora e o local da sua realização. No início da entrevista deve ser feita uma breve síntese enquadradora e a questão inicial deve colocar o entrevistado no tema da conversa. Durante a entrevista cabe ao entrevistador saber escutar, contornar possíveis situações de silêncio e quando necessário controlar o fluxo de informação. No fim da entrevista o investigador deve registar observações sobre o comportamento verbal e não verbal do entrevistado e o ambiente em que decorreu. Deste modo poderse-ão levantar hipóteses acerca da autenticidade das respostas obtidas. Por fim, deve analisar e discutir os resultados. Tentámos, na medida do possível, seguir estas recomendações. Para analisar uma entrevista podem ser usadas diversas metodologias, tais como: a analise proposicional e os inventários conceptuais. Na análise proposicional 107 Estudo de impacto dos recursos: Hipertexto/ Vídeo da actividade laboratorial as declarações individuais dos entrevistados são transformadas em proposições. Para analisar esse conteúdo pode ser usado o método da análise proposicional de conceitos (a frequência de cada proposição é tabelada) ou o método da análise diagráfica de textos (os conceitos são representados através de pontos e a relação sintáctica que existe entre eles é representada através de linhas, num gráfico direccional, sendo possível representar o progresso de ideias no texto). Através de inventários conceptuais as ideias dos entrevistados, identificadas na transcrição das entrevistas, constituem o inventário conceptual. Este permite identificar ideias semelhantes partilhadas por grupos de entrevistados, constituindo-se categorias de respostas. O recurso à prática de entrevistas como técnica de recolha de dados apresenta vantagens, mas também tem algumas limitações por se tratar de um método extremamente moroso, no que concerne à realização das entrevistas individuais, transcrição e análise das mesmas. Por ser um método extremamente moroso, requer o uso de amostras pequenas. O entrevistador deverá definir o tipo de entrevista, bem como o formato das questões a aplicar, de acordo com os objectivos que pretende alcançar (PEDROSO, RIBEIRO e FERNANDES, 2005). 108