PERCEPÇÃO AMBIENTAL DOS USUARIOS DA AVENIDA JKPALMAS-TOCANTINS SOBRE SUA ARBORIZAÇÃO
1
Adelzon Aires Marinho
[email protected]
1
Murilo Ribeiro Brito
[email protected]
1
Richard Antonio Souza Mesquita
[email protected]
2
Prof: MSc. Alexandre Barreto Almeida dos Santos
[email protected]
RESUMO
Esse artigo analisa a opinião dos usuários da Avenida JK da cidade de Palmas – TO, em
relação à percepção ambiental relativa à arborização urbana, procurando levantar,
informações quanto ao conhecimento de cada usuário sobre as questões. Na sua primeira parte
é apresentada uma revisão bibliográfica, trazendo informações sobre a importância da
arborização e os inúmeros benefícios que trazem a sociedade. Foi então realizado um breve
questionário não tendencioso, através de pesquisa de campo expondo aspectos referentes à
percepção ambiental de 60 entrevistados. Os resultados obtidos foram transformados em
porcentagem e a conclusão mostra a percepção ambiental assim como a influência do sexo,
idade, escolaridade e meio de locomoção em relação a algumas questões específicas que
foram propostas.
PALAVRAS CHAVES: Avenida JK, Percepção Ambiental, Arborização Urbana.
ABSTRAT
This article examines the views of users of the Avenue of JK Palmas - TO, in relation to
environmental perception relative to urban areas, seeking to gather information about the
knowledge of every user on the issues. In its first part presents a literature review, providing
information about the importance of Afforestation and the many benefits they bring to
society. It was then carried out a brief questionnaire unbiased, through field research exposing
environmental aspects related to the perception of 60 respondents. The results were
transformed into percentage and the conclusion shows the environmental perception and the
influence of sex, age, education and means of transportation in relation to some specific issues
that have been proposed.
KEYWORDS: Avenida JK, Environmental Awareness, Urban Afforestation.
INTRODUÇÃO
Há muito tempo, o homem vem trocando o meio rural pelo meio urbano, com isso os
centros urbanos foram crescendo e a cada dia necessitando de mais espaços para que as
pessoas venham a se fixar. A partir daí com toda essa expansão, o meio ambiente urbano
passara a sofrer conseqüências que com o passar do tempo traria problemas significativos á
qualidade de vida. A vegetação, que uma vez existia em ambientes naturais, foi
gradativamente sendo subtraídas para que novos espaços fossem sendo adquiridos, levando
conseqüentemente há uma desarmonia entre homem e meio ambiente.
A transformação da paisagem em um cenário urbano modifica os elementos naturais,
como solo, temperatura, umidade, nebulosidade, mecanismos de vento, pluviosidade, flora e
fauna. Esses elementos naturais são responsáveis, no geral, pelas condições de conforto
ambiental e de qualidade do ar (SANTOS; TEIXEIRA, 2001).
Com a promulgação da nova Constituição, em 1988, criou-se o Estado de Tocantins.
A Cidade de Miracema do Tocantins foi escolhida como Capital provisória, até que em 1989
iniciou-se a construção da Cidade de Palmas, planejada para ser a Capital definitiva do
Estado, com território desmembrado do antigo município goiano de Taquarussu, que passou a
fazer parte, como distrito, do município de Palmas, junto com Taquaralto e do Município
Porto Nacional. A Capital foi transferida para Palmas em 1990 e os poderes constituídos
foram transferidos da capital provisória, Miracema, para o plano diretor da nova cidade
(CONHEÇA PALMAS 2010).
Tendo sido a cidade de Palmas, capital do Estado do Tocantins, planejada para ser o
centro irradiador de desenvolvimento deste Estado, sua evolução urbana tem chamado a
atenção para a realização de estudos que buscam avaliá-la sob os aspectos econômicos,
sociais e ambientais. Sua construção objetivou, segundo os seus idealizadores, dar um novo
impulso para o desenvolvimento do Estado, equilibrando, em termos geográficos, o seu
crescimento econômico, articulando as áreas mais desenvolvidas das margens da Rodovia
Belém-Brasília com as regiões estagnadas e ainda por desenvolver da parte leste do Estado
(Vidal e Souza, 1992:28).
Ainda nos primeiros anos de ocupação da cidade, um grande contingente de população
migrante se instalou em áreas periféricas da cidade, antes que as quadras do Plano Diretor
Básico fossem ocupadas, contrariando o processo de ocupação a partir do núcleo central. Os
mecanismos de formação de preço e de acesso a terra designaram boa parte da demanda por
moradia, sobretudo, para os bairros satélites de Taquaralto e dos Jardins Aureny's (I, II, III e
IV), bairros formados fora da área do Plano Diretor Básico, e para as quadras ARNO 31,32 e
33, ocupadas, principalmente, através de invasões de terrenos (VIDAL E SOUZA, 1992:02).
O presente trabalho foi realizado no centro da cidade de Palmas - TO, na Avenida
Juscelino Kubitschek a conhecida JK- teve como objetivo geral avaliar a percepção ambiental
e aos benefícios trazidos por uma arborização adequada das áreas, a fim de focar a
arborização urbana existente no local.
2. REFERENCIAL TEÓRICO
2.1 ARBORIZAÇÃO URBANA
Entende-se por arborização urbana toda cobertura vegetal de porte arbóreo existente
nas cidades, essa vegetação ocupa, fundamentalmente, três espaços distintos: as áreas livres
de uso público e potencialmente coletivas, citadas anteriormente; as áreas livres particulares e
áreas que acompanham o sistema viário (OLIVEIRA, 2005).
2.2 SAÚDE
A área verde tem função de se constituir em um espaço "social e coletivo", sendo
importante para a manutenção da qualidade de vida. Por facilitar o acesso de todos,
independentemente da classe social, promove integração entre os homens (Martins Júnior,
1996). Segundo Bianchi (1989), a arborização contribui também para atenuar a poluição
visual, pois as árvores são componentes que conferem forma aos ambientes urbanos e
desempenha um papel importante, delimitando espaços, caracterizando paisagens, orientando
visualmente e valorizando imóveis, além de integrar vários componentes do sistema.
2.3 PERCEPÇÃO AMBIENTAL
O efeito do ambiente sobre o comportamento humano não é analisado de forma
isolada ou não direcionada, considera-se o contexto em que ele ocorre. Enfatiza-se a relação
recíproca, ou seja, tanto o ambiente influencia o comportamento, quanto é influenciado por
ele (OKAMOTO, 2002).
2.3 MICRO CLIMA
No caso do ambiente urbano, verifica-se que o acelerado crescimento demográfico,
conjugado a outras variáveis do espaço urbano, contribuem de forma significativa nas
alterações dos elementos climáticos. A cidade imprime modificações nos parâmetros de
superfície e da atmosfera que, por sua vez, conduzem a uma alteração no balanço de energia
(Lombardo, 1990).
3. METODOLOGIA
O trabalho foi desenvolvido por meio de uma pesquisa de opinião pública através de
um questionário fechado, cujo tema principal foi arborização da Avenida JK. Esta pesquisa
foi aplicada em horários distintos e em pontos diferentes da avenida bem como em dias
distintos, com perguntas diretas e objetivas. Foi feito também para um levantamento
bibliográfico para onde tiramos informações para melhor embasamento do artigo.
Os
dados
levantados
na
aplicação
do
questionário
foram
sistematizados
estatisticamente para melhor entendimento e discussão dos resultados.
4. RESULTADOS E DISCURSÕES
4.1 Nos gráficos abaixo, um breve levantamento no perfil dos entrevistados.
Sexo
43 %
57 %
2%
29 %
Homens
Mulheres
Idade
51 %
< 20
20 a 40
> 40
Nos dos gráficos acima pode se perceber que a maioria dos transuentes da avenida Jk são do
sexo masculino estando assim com uma porcentagem de 57% enquanto o sexo feminino esta
com 43% do publico que utiliza as avenida. Assim também pode se observar que a faixa etária
que predomina é entre vinte e 40 anos sendo uma porcentagem considerável de 51%.
Meio de Locomoção
Ecolaridade
26 %
Ônibus
36 %
44 %
20 %
Automóvel
31 %
1º Grau
2º Grau
43 %
Motocicleta
3º Grau
Foi levantado também o meio de locomoção dos usuários da avenida, e como pode ser visto
no gráfico acima 44% das pessoas usam como locomoção o transporte coletivo nesse caso
ônibus. As pessoas que possuem automóvel próprio são apenas 20% e motocicletas 36%.
4.2 Opiniões dos Entrevistados
Você Gosta de Avenidas Arborizadas?
100 %
Sim
Não
Gráfico 1: Você gosta de avenidas arborizadas?
Fonte: 2010.
Pôde-se perceber que por unanimidade todas as pessoas entrevistadas gostam de
avenidas arborizadas. Foi também questionado o porquê da resposta: uma parte respondeu que
avenida arborizada possui mais sombra para descansar, outra parte fez uma colocação sobre a
temperatura do ambiente que fica mais “fresco”, isso mostra então que as pessoas percebem
que a arborização melhora em muito o clima do ambiente.
O que você acha da arborização desses
canteiros?
35 %
65 %
Bem Arborizado
Mal Arborizado
Gráfico 2: O que você acha da arborização desses canteiros?
Fonte: 2010.
Fica observado neste que, a maioria das pessoas entrevistadas acha a Avenida JK bem
arborizada sendo essas pessoas 65% dos entrevistados, e apesar da avenida se mostrar bem
com seus canteiros com bastantes arvores ainda existe pessoas que acham que ainda pode se
tornar melhor pois a pesquisa mostrou que 35% dos usuários da avenida acha que a avenida
pode melhorar sua arborização.
Sobre as Árvores
37 %
35 %
Fazem Sombra
28 %
Fazem Pouca Sombra
Poderia Fazer Mais
Gráfico 3:Sobre as árvores
Fonte: 2010.
Ao serem interrogados sobre as arvores plantadas na avenida 37% dos entrevistados falaram
que poderia ser arvores de melhor sombreamento, e 28% afirmaram que as arvores ali
existentes fazem pouca sombra e 35% disseram estar satisfeitos com a sombra que as arvores
ali proporcionam.
A ventilação nesta avenida é adequada?
30 %
Sim
70 %
Não
Gráfico 4: A ventilação nesta avenida é adequada?
Fonte: 2010.
Pode-se abservar no gráfico acima que 70% dos usuários estão satisfeitos com a ventilação da
avenida e falaram que a mesma é adequada, enquanto outros 30% não acham a ventilação da
avenida adequada.
Qual é o Período de Maiores Ruídos?
0
11 %
Manhã
A tarde
89 %
A noite
Gráfico 5:Qual é o período de maiores ruídos?
Fonte: 2010.
Observa acima que consideravelmente 89% dos usuários da avenida JK afirmaram que o
período de maiores ruídos na avenida é o período da manhã.
Qual o tipo de poluição desta rua que
mais incomoda?
2%
8%
Sonora
89 %
Atmosférica
Ambas
Gráfico 6: Qual tipo de poluição desta rua que mais incomoda?
Fonte: 2010.
Ao serem interrogados sobre as fontes de poluição que mais incomoda 89% responderam que
é a poluição sonora enquanto outros 8% acharam que é a poluição atmosférica e 2% acham
que as duas fontes de poluição incomoda por igual.
Você está satisfeito com a arborização
desta avenida?
35 %
65 %
Sim
Não
Gráfico 7: Você está satisfeito com a arborização desta avenida?
Fonte: 2010.
No quesito de satisfação com a arborização da avenida 65% dos entrevistados se mostraram
satisfeitos e outros 35% se manifestaram pela não satisfação com a arborização ali existentes.
Você acha necessária a arborização?
2%
Sim
Não
98 %
Gráfico 8: Você acha necessária a arborização?
Fonte: 2010.
Pode ser observado no gráfico acima que consideravelmente 98% dos usuários da avenida JK
acham que a arborização é necessária e apenas 2% responderam que não.
Você acha que a avenida poderia ser
mais arborizada?
6%
Sim
73 %
Não
Gráfico 9: Você acha que a avenida poderia ser mais arborizada?
Fonte: 2010.
Nota-se que os transuentes da avenida são consciente que a mesma deveria ser mais
arborizadas pois quanto mais arvores ali estiver melhor e mais agradável se torna o micro
clima daquela avenida.
5. Considerações Finais
Esse trabalho de pesquisa incluiu revisão bibliográfica, referente aos assuntos relativos
à arborização urbana e os aspectos ambientais relevantes, análise dos dados coletados nos
questionários aplicados aos usuários da Avenida JK, dando ênfase na sua percepção
ambiental.
Mesmo sem formação técnica, as pessoas têm uma opinião sobre a arborização urbana
e são capazes de perceber mudanças e alterações na paisagem da cidade. Constatou-se que os
entrevistados foram participativos respondendo ao questionário. Percepção ambiental engloba
o inter-relacionamento entre o comportamento e o ambiente, considerando tanto o ambiente
como a paisagem urbana; as características dessa área de conhecimento destacou a visão
contextualizada do comportamento humano, a percepção dos entrevistados, de forma que cabe
salientar que a interação desses fatores ocorrem em um espaço físico e temporal que exerce
fundamental importância para o desenvolvimento de toda a comunidade e as potencialidades
das pessoas que nele convivem.
Cada ser humano percebe e reage diferentemente sobre o ambiente, reconhecendo que
a arborização, além de suas funções básicas ambientais, funciona no cotidiano da população
como elemento referencial marcante.
A pesquisa mostra, também que, entre a população entrevistada, há consenso em
relação ao gosto pela existência da vegetação e ao reconhecimento de sua importância para a
paisagem e como atenuante da poluição. Os resultados mostraram que o sexo, a idade, a
escolaridade e o meio de locomoção dos entrevistados influenciou em algumas das questões
abordadas, mas a analise efetuada não permite a compreensão dos motivos dessa diferença na
percepção.
Embora essas percepções sejam subjetivas para cada indivíduo, admite-se que existam
recorrências comuns, seja em relação às percepções e imagens pessoais, seja em relação às
condutas possíveis; por isto, também se admite que a consideração a repertórios de imagens e
expectativas compartilhadas pela população.
A população reconhece que ao mesmo tempo deve atender as necessidades das
gerações atuais e futuras, com reflexos positivos evidentes junto à qualidade de vida de todos.
Atitudes e comportamentos geram conseqüências futuras; o ato de perceber e agir num
ambiente urbano provavelmente acarreta alterações que serão visíveis futuramente.
6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BIANCHI, C. G. Caracterização e análise das áreas verdes urbanas de Jaboticabal-SP.
1989. 56 p. Monografia (Graduação)- Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias,
Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho".
CONHEÇA
PALMAS
2010,
Disponível
em:
<http://www.palmas.to.gov.br/portal/conheca_palmas, Acesso em 10/12/210.
LOMBARDO, M.A. Vegetação e clima. ENCONTRO NACIONAL DE ARBORIZAÇÃO
URBANA, Curitiba, 1990. Resumos. Curitiba: FUPEF, 1990.p.1-13.
MARTINS JUNIOR, O.P. Uma cidade ecologicamente correta. Goiânia: A B Editora, 1996.
224 p.
OLIVEIRA, E.Z. A percepção ambiental da arborização urbana dos usuários da Avenida
Afonso Pena entre as ruas Calógeras e Ceará da cidade de Campo Grande-MS. Campo
Grande, UNIDERP, 2005. 125p. (Dissertação de Mestrado).
OKAMOTO, J. Percepção ambiental e comportamento. São Paulo: Mackenzie, 2002.
SANTOS, N. R. Z; TEIXEIRA, I. F. “Arborização de vias públicas, ambiente X vegetação”.
Santa Cruz do Sul: Instituto Souza Cruz, 2001.
VIDAL E SOUZA, C. A Construção de Palmas nos Discursos de Políticos e Urbanistas.
Dissertação de Mestrado. Brasília; DAN/UNB, 1992.
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