Rosana Gonçalves1, Diogo Ferreira2, João Dias Pedro2, André Coelho2 1 - Hospital da Luz, Portugal, 2 - Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa, Portugal Metodologia Para a concretização deste trabalho, de carácter descritivo e retrospectivo, optou-se pelo uso de entrevistas estruturadas, via telefónica, a fim de se proceder à recolha de dados. Dos 120 Técnicos de Farmácia que compunham a população, foram entrevistados 89 profissionais, tendo todos concluído o 1º e 2º ciclo, sem interrupção, do curso Bietápico de Licenciatura em Farmácia da ESTeSL, entre os anos lectivos de A evolução temporal do exercício profissional evidencia uma realidade distinta da vivida na década passada, destacando-se, não só a crescente diversificação das funções exercidas pelos Técnicos de Farmácia, mas também a afirmação da Farmácia Comunitária como área de eleição (Figura 2). Esta preferência verifica-se não somente na procura do 1º emprego, mas também aquando da transição de emprego. ÁREAS DE INTERVENÇÃO 70 66,7 F. Hospitalar 60 Percentagem, %.. No sentido de colmatar esta lacuna foi desenvolvido o presente trabalho que visa a caracterização das opções profissionais dos Licenciados em Farmácia pela Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa (ESTeSL), descrevendo algumas das características demográficas da população, o seu percurso profissional, bem como as suas perspectivas futuras. Ainda que tenha sido identificada a Farmácia Hospitalar como principal local de exercício de funções (58% da amostra), é notório que o Técnico de Farmácia tem procurado alargar os seus campos de saber e explorar as mais diversas áreas de intervenção (Figura 1). F. Comunitária 50 Parafarmácia 40 Ensino 30 25,3 Ensaios Clínicos 20 10 2,3 EVOLUÇÃO TEMPORAL DO EXERCÍCIO PROFISSIONAL POR ÁREAS DE INTERVENÇÃO 2000 11,1 Farmácia Comunitária Farmácia Hospitalar 2001 Farmácia Hospitalar 2002 7,1 Farmácia Comunitária Farmácia Hospitalar 2003 14,3 Farmácia Comunitária Farmácia Hospitalar 2004 25 Farmácia Comunitária Farmácia Hospitalar 8,3 Parafarmácia 2005 Farmácia Comunitária Farmácia Hospitalar 14,3 Parafarmácia 7,1 Ensaios Clínicos 7,1 Indústria/Laboratório 2006 Farmácia Comunitária Farmácia Hospitalar 11,1 Parafarmácia 5,6 Indústria/Laboratório 2,3 1,1 1,1 1,1 0 Marketing Farmacêutico Controlo de Salas Limpas Figura 1: Áreas de intervenção. 88,9 100 92,9 É possível verificar, perante os resultados do estudo que a inserção no mercado de trabalho se tem revelado fácil e rápida para os recém-licenciados. De facto, 88,5% da amostra conseguiu empregar-se em menos de um mês (Figura 3). TEMPO DE INSERÇÃO NO MERCADO DE TRABALHO 85,7 60 66,7 Percentagem, % A escassez de informação actualizada acerca da situação profissional dos Técnicos de Farmácia e respectiva inserção no mercado de trabalho actual, constitui uma limitação ao estudo da evolução desta profissão, impedindo o correcto e actualizado conhecimento da classe profissional, das suas características e da identificação das suas limitações e preocupações. Resultados Os resultados alcançados permitem identificar uma população predominantemente feminina (80,9%) e jovem (média de idades de 26 +/- 2,6 anos). Relativamente à formação destes profissionais verifica-se que há um esforço para complementarem os estudos, havendo 16,8% que completaram já cursos de pós-graduação ou mestrado. Observase ainda uma clara prevalência de profissionais a exercerem na Região de Lisboa e Vale do Tejo de 92%. 42,9 28,6 50,6 50 37,9 40 30 20 9,2 10 1,2 1,2 0 38,8 44,4 Menos de uma semana Uma a quatro semanas Um a três Três a seis Seis meses meses meses a um ano Figura 3: Tempo de Inserção no Mercado de Emprego. 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 PERSPECTIVAS PROFISSIONAIS FUTURAS Percentagem, % 30 28,1 Figura 2: Evolução Temporal do Exercício Profissional por Áreas de Intervenção. 25 Não Sabe/Não Responde Relativamente ao futuro do Técnico de Farmácia, na perspectiva do próprio, a Farmácia Comunitária revela-se, como sendo a área de eleição (Figura 4). 1999/2000 e 2005/2006. Farmácia Comunitária Percentagem, % Introdução 20 Indústria/Laboratório 16,4 Parafarmácia 16,4 Farmácia Hospitalar 15 Investigação 10,2 10 Conclusão Ensino 9,6 9,6 Ensaios Clínicos Del. de Informação Médica Outro 5 4,1 2,1 2,1 1,4 0 São duas as grandes áreas de intervenção dos Técnicos de Farmácia, a Farmácia Hospitalar e a Figura 4: Perspectivas Profissionais Futuras. Comunitária, sendo a tendência profissional actual o exercício de funções ao nível da última. Temse verificado, no entanto, preocupação dos Técnicos de Farmácia na prossecução dos estudos superiores e no alargamento das áreas de intervenção, o que contribuirá, também, para um maior reconhecimento e afirmação da profissão. A inserção no mercado de emprego para estes profissionais é relativamente fácil, ocorrendo de forma rápida, verificando-se um nível de oferta de emprego elevado e ausência de taxas de desemprego significativas. Nota-se uma tendência clara para um fluxo migratório para o litoral e grandes centros urbanos, condicionado pela oferta de emprego que é aí superior. Bibliografia • Gonçalves RM, Ferreira, DA. Opções Profissionais dos Licenciados em Farmácia pela Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa desde o ano 2000 [Trabalho Realizado no Âmbito da Unidade Curricular de Investigação Aplicada em Farmácia]. Lisboa: Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa; 2007. • Associação dos Institutos Superiores Politécnicos Portugueses. Avaliação do curso de farmácia da escola superior de tecnologia da saúde de Lisboa: relatório de avaliação externa. [Online]. 2005 [cited 2006 Dec 12]; [28 screens]. Available from: URL:http://www.adispor.pt/docs/rel_2004_2005/saude/j7/lisboa_farmacia.pdf • Direcção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho. Profissões: guia de caracterização profissional: técnico de farmácia. 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