Teoria das Opções Reais na Otimização de Custos do Transporte Público Urbano: Comprar ou Vender um Ônibus? Autoria: Ana Paula Rodrigues da Costa Resumo Esta pesquisa objetiva apresentar um modelo que propõem identificar o momento que poderá ser exercida a opção de vender ou comprar um veículo da frota de ônibus do sistema de transporte público urbano, por meio da aplicação da Teoria de Opções Reais (TOR). A teoria utilizada neste estudo, a TOR, foca no Modelo Binomial em Tempo Discreto. Metodologicamente, para desenvolvimento do modelo, apoiou-se em dados de uma empresa de ônibus tradicional do Espírito Santo. O modelo proposto é validado por meio de exemplo numérico que identifica o momento para a tomada de decisão. 1 1 INTRODUÇÃO O sistema de transporte público urbano está inserido em um ambiente de incertezas e mudanças constantes, dessa forma há ocorrência de variáveis que reduzem a eficiência e aumentam os custos do sistema de transporte público urbano por ônibus no Brasil, (FELDENS, 2006). Feldens (2006) apresenta algumas dessas variáveis tais como a flutuação da demanda de passageiros nos centros urbanos, o aumento dos preços dos insumos das empresas de transporte acima da inflação e a aquisição de novas tecnologias que oneram significativamente o sistema de transporte. As incertezas desse segmento, também, foram analisadas num estudo elaborado por Brasil (2006) com a constatação que muitas dessas incertezas dependem de variáveis externas ao sistema, provocadas pela baixa prioridade ao transporte público nas políticas locais e metropolitanas e a baixa capacidade de investimento e planejamento da mobilidade urbana pelo poder público. Assim, ações para a melhoria do transporte público urbano, tais como tomadas de decisões que minimizem os custos de manutenção, políticas que reduzam as incertezas técnicas, acompanhamento eficaz das oscilações de preço dos insumos, dentre outras, são medidas a serem adotadas. Neste contexto, o objetivo desta pesquisa é propor um modelo para identificar o momento que poderá ser exercida a opção de vender ou comprar um veículo da frota de ônibus do sistema de transporte público urbano. Estudos sobre a questão de gestão de frota foram desenvolvidos por Valente et al (2003), cujas pesquisas tiveram como objetivo relacionar à gestão de frota com minimização de custos, inclusive os custos de manutenção. Valente et al (2003) afirmam que quando o veículo é novo os custos de manutenção são baixos, cobrindo basicamente as revisões de rotina e a substituição de componentes, porém depois de certa idade, esses custos vão aumentando. Já Murty e Naikan (1995) destacam a importância da análise do custo de manutenção em relação a disponibilidade do ativo e o lucro da empresa. Murty e Naikan (1995), ainda, desenvolveram um modelo em que indicam até quando é lucrativo para a empresa incorrer nos custos de manutenção para ter garantia da disponibilidade total e integral do seu ativo. Assim, ao consultar trabalhos acadêmicos como os estudos de Valente et al (2003) e Murty e Naikan (1995) se contextualiza a questão de pesquisa deste estudo, pois, se os custos de manutenção aumentam de acordo com a evolução da idade média da frota e se a evolução dos custos correspondentes deve ser limitada para não onerar demasiadamente o fluxo de caixa, estabelece-se a questão: Qual o momento em que poderá ser exercida a opção de comprar ou vender um veículo da frota de ônibus do sistema de transporte público urbano otimizando os custos, por meio da análise da evolução do custo de manutenção, utilizando a metodologia da Teoria das Opções Reais (TOR)? Atualmente, o sistema de transporte público urbano da Grande Vitória vem adotando a idade média do sistema de frota de ônibus convencional de 4,2 anos em média (COMPANHIA DE TRANSPORTES URBANOS DA GRANDE VITÓRIA, 2008). Essa métrica foi estabelecida por sugestão de estudos realizados em outros Estados e é fortemente influenciada por cenários políticos, econômicos e financeiros. A Teoria das Opções Reais (TOR) como base metodológica neste estudo, mostrou-se a mais adequada, devido o objeto de estudo, o ônibus, estar envolvido em um contexto de irreversibilidade de investimento, incertezas e flexibilidades em relação à política de substituição da frota, variação dos preços insumos, insegurança técnicas, fluxo de caixa 2 gerado, prestação de serviço de transporte público urbano, flutuação do valor de mercado, dentre outras variáveis. A técnica propõe primeiramente o cálculo do valor esperado do ônibus e depois a comparação com o valor de mercado. E numa abordagem de opções se estabelece a análise da opção mais rentável, se continua, compra ou vende o ônibus. Importante citar que a abordagem de aplicar o uso de Opções Reais na política de substituição de equipamentos foi recomendada por Feldens (2006). Assim, o estudo justificase por aplicar a metodologia da TOR num contexto de otimização de resultados e na tomada de decisão, com um modelo proposto que considera a irreversibilidade, incerteza e flexibilidade no segmento de transportes público de passageiros. 2 METODOLOGIA Esta pesquisa aplicou a metodologia empírica e o referencial teórico foi construído por consultas a livros de conhecimento técnico, científico, periódicos, anais de encontros acadêmicos, sistemas de busca por meio da internet, teses, dissertações e legislações pertinentes ao tema. Na etapa de obtenção das informações, os dados dos ônibus modelo convencional foram extraídos de uma das empresas permissionárias do sistema de transporte público urbano. A amostra de dados extraída em uma das empresas permissionárias é significativa, pois o objetivo da pesquisa é propor um modelo para identificar o momento que poderá ser exercida a opção de vender ou comprar um veículo da frota de ônibus do sistema de transporte público urbano. Assim sendo é importante ressaltar que os resultados apresentados neste estudo poderão resultar em conclusões diferentes quando aplicado em outro contexto de variáveis. Optou-se pelo estudo do ônibus modelo convencional por ser o mais representativo da frota total do sistema de transporte público urbano (COMPANHIA DE TRANSPORTES URBANOS DA GRANDE VITÓRIA 2008). A representatividade que o ônibus convencional possui é conseqüência das suas características de versatilidade como opção para demandas menores ou maiores, podendo também ser indicado para demandas médias (VALENTE et al,, 2003). Assim, a empresa permissionária citada possui uma frota de 144 ônibus, conforme posição datada em 18 de outubro de 2009, sendo que desse total 126 ônibus são do tipo convencional. A frota dessa empresa representa 9,2% de toda a frota do sistema de transporte público urbano. A coleta de dados se deu por meio de levantamentos e relatórios fornecidos pelo setor contábil e de manutenção estruturando assim a base de dados. No setor contábil foram extraídas informações referentes ao fluxo de caixa pela análise da demonstração de resultado dos últimos três anos. Foi obtido, também, o custo de capital da empresa por meio dos contratos que indicam a taxa de remuneração do capital próprio e de terceiros. As variáveis econômicas nesse fluxo de caixa foram isoladas e foram consideradas somente as movimentações com impactos financeiros da demonstração de resultado, ou seja, não foi considerado, por exemplo, os valores de depreciação e valores da reserva de reavaliação de ativos. No setor de manutenção foi identificada manutenção do tipo preventiva e manutenção do tipo corretiva, Sendo que os dados de custeio destas manutenções são apurados por veículo diariamente essa forma, ao se obter os dados no setor de manutenção, estes foram categorizados na seguinte ordem: informação da característica do ônibus convencional (nº, placa e nº, chassis); data de aquisição; custo mensal de manutenção por veiculo, dos anos de 2007, 2008 e 2009 (período preliminar), fluxo de caixa operacional gerado por veículo, custo de capital da empresa e valor de mercado do ônibus. 3 Importannte ressaltarr que os cuustos de maanutenção analisados a são peças e acessórios,, rodaggem, lubrifficantes e mão-de-obra e representam os itens de custo de manutenção m o relaccionados ao sistema. Atualmeente, o sistem ma de transporte públicco urbano da d Grande V Vitória vem adotando a idadee média do d sistemaa de frota de ônibu us convenccional de 4,2 anos em médiaa (COM MPANHIA A DE TRAN NSPORTES URBANOS S DA GRA ANDE VITÓ ÓRIA, 2008). Essa idaade média foi f convencionada por meio de suugestão de estudos reaalizados em m outroos Estados e é fortemennte influencciada por cen nários políticos, econômicos e financeiros. Como baase metodoológica a TOR mostro ou-se a mais adequadaa por meio do modeloo binom mial em tem mpo discretto, uma vezz que a anállise de vendder ou com mprar um ôn nibus é umaa questtão de opções reais, possuindo p a três con as ndições básicas para a precificaçção de umaa opçãão: irreversibbilidade, inccerteza e fleexibilidade. Os prim meiros estuddos sobre a TOR forram desenvvolvidos naa década dee 70 peloss pesquuisadores Black B e Schholes (19733) e Cox, Ross R e Rubbinstein (19979), Mais tarde estess estuddos sofreraam adaptaçõões por ouutros pesqu uisadores como Dixit e Pindyck k (1994) e Copeeland e Antiikarov (20001). No entannto, como limitação e desafio, a TOR enffrenta dificculdades dee aplicação,, deviddo sua com mplexidade teórica e matemáticaa avançadaa, limitandoo uma maior difusão,, (BRA ANDÃO, 20002). 3 MO ODELO PR ROPOSTO O A primeira etapa daa aplicação do modelo o proposto é o cálculo do valor essperado porr ônibuus que tendde a ser deccrescente coom o passarr do tempo, pois o fluxxo de caixa do períodoo decreesce devidoo à evoluçãoo do custo de d manutençção com o passar p dos annos. Como seegunda etappa, busca-sse o valor de mercaddo, considerrando que o valor dee merccado do ônibbus também m tende a deecrescer com m a evoluçãoo do tempo. Na terceira etapa, iddentifica-se o comportaamento do valor de meercado e co ompara com m o coomportamennto do vallor esperaddo por ôniibus, Nessee momentoo a análisee pode serr desennvolvida e a tomada dee decisão poode ser exerrcida. A opção de venda poderá p ser exercida e no ponto em que q o valorr de mercad do superar o valorr esperado do d ônibus, como c segue na Figura 1 que ilustraa este momeento: Figura 1, Momento daa venda Fonte: Dadoos da pesquisa. 4 Em conttrapartida, o momentoo de exercerr a opção de d compra será aquelee em que o valorr esperado superar s o vaalor de merccado como segue s na Figura 2: Figura 2, 2 Momento da d compra Fonte: Daados da pesquissa. Outra feerramenta importante ao se utilizar a TOR R é a árvorre binominal discreta,, confo forme Figuraa 3 que seguue como exxemplo de um ma opção de d venda: F Figura 3 - Diaagrama de árvvore de decissão Fonte: Adaptadoo de Brealey e Myers M (1998), Diante do d exposto o cálculo do d modelo proposto será detalhaado a seguirr com umaa sériee de fluxos de d caixa desscontados: FC1 FC 2 V = VPL + ... + (1 + r ) (1 + r ) 2 Ou seja: n FCt VPL = ∑ t =1 (1 + r ) t Dessa foorma estabeelece-se umaa série futu ura de fluxoos de caixa descontados em que o modeelo resumiddo é uma vaariação do VPL V com série futura de FCD a um ma taxa de crescimento c o e a um u custo de capital: 5 FCt +1 (1 + g ) + FCt +1 (1 + g ) 2 FCt +1 (1 + g ) 3 + + ... (1 + k ) (1 + k ) 2 (1 + k ) 3 Formando assim uma progressão geométrica (P,G,) pela seqüência numérica dos fluxos de caixas gerados: FCt +1 (1 + g ) + FCt +1 (1 + g ) 2 FCt +1 (1 + g ) 3 1FCt = + + ... (1 + k ) (1 + k ) 2 (1 + k ) 3 FCt = FCt +1 (1 + g ) 2 FCt +1 (1 + g ) 3 1+ g FCt = + + ... 1+ k (1 + k ) 2 (1 + k ) 3 Ao subtrair a fórmula torna-se reduzida: FCt +1 (1 + g ) FCt = k −g (-) ( ) onde: FCt = valor esperado do ônibus FCt +1 = fluxo de caixa anual por ônibus g = taxa de crescimento do custo de manutenção k = custo de capital da empresa Portanto, ao aplicar a fórmula reduzida será obtido o valor esperado do ônibus que quando comparado com o valor de mercado poderá ser possível avaliar as seguintes opções: Se FC (t) > FC (t*) = poderá ser exercida opção de compra Se FC (t) < FC (t*) = poderá ser exercida opção de venda Se FC (t) = FC (t*) = indiferente vender ou comprar onde: FC (t) = valor esperado do ônibus FC (t*) = valor de mercado do ônibus Ou seja, quando o valor esperado do ônibus for maior que valor de mercado poderá ser exercido a opção de compra, e ao contrário, quando o valor esperado do ônibus for menor que valor de mercado, a opção de venda poderá ser exercida. 3.1 AS VARIÁVEIS DO MODELO Em relação ao modelo proposto, sua implementação dependerá do cálculo das variáveis explicativas que são: fluxo de caixa anual por veículo, taxa de crescimento do custo de manutenção, custo de capital da empresa e valor de mercado do ônibus. Ao elaborar uma alocação de custeio visado obter mais profundidade e alcance dos resultados, a taxa de crescimento do custo de manutenção foi calculada de forma não constante. Assim, o modelo proposto além de considerar a taxa de crescimento do fluxo de manutenção de forma não constante, também considera o cálculo das variáveis explicativas fluxo de caixa anual por veículo, custo de capital da empresa e valor de mercado do ônibus. Para um melhor entendimento sobre as variáveis segue a identificação de cada uma delas: 3.1.1 Fluxo de caixa anual por veículo Esta variável será calculada pela divisão do Fluxo de Caixa do exercício pelo número de Veículos da Frota no ano, A escolha desta variável deve-se a variação inversamente proporcional que o fluxo de caixa possui com o custo de manutenção, pois, quanto maior o custo de manutenção menor será o fluxo de caixa obtido pela empresa. Segue a fórmula: 6 FC = t +1 FCanual nº.veículos 3,1,2 Taxa de crescimento não constante do custo de manutenção Para o cálculo da taxa de crescimento do custo de manutenção (“g”) deve ser desenvolvido um modelo de regressão linear múltipla. O resultado obtido por meio dessa regressão será utilizado na apuração do “g”, obtendo a relação do custo de manutenção (variável dependente) com a idade da frota (variável independente). Assim sendo, o modelo de regressão linear múltipla desenvolvido segue abaixo: Custo = β 0 + β 99 .idade + β 01 .idade + β 06 .idade + β 07 .idade onde: Custo = custo de manutenção β 0 = interseção de custo β 99 .idade = coeficiente variação por idade de veículos adquiridos - ano de 1999 β 01.idade = coeficiente variação por idade de veículos adquiridos - ano de 2001 β 06 .idade = coeficiente variação por idade de veículos adquiridos - ano de 2006 β 07 .idade = coeficiente variação por idade de veículos adquiridos - ano de 2007 O objetivo de desenvolver o modelo de regressão linear múltipla é analisar a variação da variável resposta (variável dependente) em relação a variável explicativa (independente) de acordo com a evolução dos custos de manutenção de forma não constante em relação a idade do ônibus, considerando assim, a evolução do custo de manutenção em relação ao período de aquisição do veículo. Ao interpretar o resultado da regressão linear múltipla deve-se verificar um aumento do custo de manutenção para cada unidade de acréscimo na idade da frota e um valor constante denominado B0 que refere-se a parcela do custo de manutenção que não é afetado pela idade da frota. O “g” a ser aplicado na fórmula continua negativo, uma vez que representa o decréscimo do fluxo de caixa em relação ao acréscimo da taxa de crescimento do custo de manutenção. Deve-se dividir o resultado do valor da regressão linear múltipla pela variável Fluxo de Caixa Anual por Veículo, como segue na fórmula abaixo: g= β 0 + β 99 .idade + β 01 .idade + β 06 .idade + β 07 .idade FCt A variável FCt é calculada pela divisão do Fluxo de Caixa do exercício pelo número de Veículos da Frota no ano. 3.1.3 Custo de capital da empresa Esta variável identifica a taxa que remunera todo o capital do investimento, ou seja, a taxa que remunera tanto o capital de terceiros quanto o capital próprio, Os percentuais do custo de capital da empresa se dará pelo levantamento da taxa de capital de terceiros e da taxa de capital próprio da empresa. k = custo de capital da empresa 3.1.4 Valor de mercado A variável denominada Valor de Mercado resulta da avaliação no mercado de determinado veículo, Este valor dependerá de algumas informações sobre o veículo no 7 momento da avaliação, A principal informação para a valorização do veículo refere-se à marca, modelo e ano de fabricação do veículo. 3,4 ESTUDO DE CASO QUANDO A TAXA DE CRESCIMENTO DO CUSTO É NÃO CONSTANTE Partindo para a aplicação, a aplicação do modelo se inicia com a divisão do fluxo de caixa ano de 2008 pelo número da frota daquele ano, obtendo o valor do fluxo de caixa esperado por ônibus: FCanual 5.764.689,17 FCt +1 = = = 45.751,50 nº.veículos 126 Aplica-se a fórmula de regressão linear múltipla para a obtenção dos dados da evolução do custo de manutenção para cada unidade de acréscimo na idade da frota: Custo = β 0 + β 99 .idade + β 01 .idade + β 06 .idade + β 07 .idade Temos então o resultado da regressão linear múltipla por ano de aquisição dos veículos: Custo = 394,15 + 1.250,51.idade + 1.237,32.idade + 472,01.idade + 177,87.idade O resultado da regressão linear múltipla indica um aumento do custo de manutenção em relação a cada unidade de acréscimo na idade da frota, a um valor constante cerca de R$ 394,15 (parcela do custo de manutenção que não é afetado pela idade da frota). Divide-se a seguir o resultado da regressão pelo valor do fluxo de caixa anual: g= 394,15 + 1.250,51.idade + 1.237,32.idade + 472,01.idade + 177,87.idade 45.751,50 A composição da frota de ônibus possui veículos fabricados no ano de 1999, 2001, 2006, 2007 e 2008, Assim as taxas de crescimento do custo de manutenção não constante serão as seguintes: 394,15 + 1.250,51.12 + 1.237,32.0 + 472,01.0 + 177,87.0 g 99 = = 0,34 45.751,50 g 01 = 394,15 + 1.250,51.0 + 1.237,32.12 + 472,01.0 + 177,87.0 = 0,33 45.751,50 g 06 = 394,15 + 1.250,51.0 + 1.237,32.0 + 472,01.12 + 177,87.0 = 0,13 45.751,50 394,15 + 1.250,51.0 + 1.237,32.0 + 472,01.0 + 177,87.12 = 0,06 45.751,50 394,15 + 1.250,51.0 + 1.237,32.0 + 472,01.0 + 177,87.0 g 08 = = 0,01 45.751,50 g 07 = Assim apura-se a taxa de crescimento do custo de manutenção anual, como segue: Tabela 1: Evolução taxas de crescimento custo mautenação variação por ano Ano Veic, 1999 2001 2006 2007 2008 Tx, Cresc, Custo “g” 0,34 0,33 0,13 0,06 0,01 Nota. Fonte: dados da pesquisa 8 Observa-se que as taxas de crescimento do custo de manutenção confirmam que quanto maior a idade média da frota, maior será o crescimento do custo de manutenção. Importante ressaltar que o cálculo do valor presente líquido deve ser efetuado considerando o resultado do “g” como negativo, pois o mesmo impacta no decréscimo do fluxo de caixa à medida que o mesmo evolui com a respectiva evolução da idade média da frota. Assim, aplica-se a fórmula para obter o valor do fluxo de caixa descontado: FC t = FC t +1 (1 + g ) Ao aplicarmos a fórmula do valor do fluxo de caixa descontado, calcula-se em seguida o valor presente dos fluxos de caixa futuros. Para que o valor presente dos fluxos de caixas futuros fossem obtidos em uma sequência anual foi utilizada a interpolação linear de valores, conforme tabela que segue com o cálculo do valor presente líquido dos fluxos de caixas futuros: Tabela 2: Evolução Fluxo de Caixa Gerado por Taxa Custo Manutenção não Constante, Ano VPL Cálculo do "g" Valor Fluxo de Caixa Futuro 2008 2007 2006 2005 2004 2003 2002 2001 2000 45.751,50 45.751,50 45.751,50 45.751,50 45.751,50 45.751,50 45.751,50 45.751,50 45.751,50 1999 V0.(1+g)/(Ki-g) (1+(-g)) (1+(-g)) (1+(-g)) (1+(-g)) (1+(-g)) (1+(-g)) (1+(-g)) (1+(-g)) (1+(-g)) (1-0,01) (1-0,06) (1-0,13) (1-0,13) (1-0,13) (1-0,13) (1-0,13) (1-0,13) (1-0,33) 45.751,50.(1+(-0,34)) (0,15-(-0,34)) 0,99 0,94 0,87 0,87 0,87 0,87 0,87 0,87 0,67 45.293,99 43.006,41 39.803,81 39.803,81 39.803,81 39.803,81 39.803,81 39.803,81 30.653,51 61.624,47 Nota. Fonte: dados da pesquisa. Os percentuais da taxa de capital de terceiros e da taxa de capital próprio da empresa objeto do estudo de caso, após apuração é cerca de 15% a,a, Logo: K= 15 % a,a, Este percentual da taxa de capital de terceiros e da taxa de capital próprio corresponderá ao custo de oportunidade que será descontado do valor do fluxo de caixa ano a ano. Importante citar que o último fluxo de caixa descontado é a perpetuidade do fluxo e o cálculo do valor descontado do fluxo é demonstrado na tabela a seguir: Tabela 3: Evolução fluxo de caixa no tempo com taxa crescimento custo manutenção não constante Ano Valor fluxo gerado T0 198.771.60 T1 183.293.37 T2 167.780.96 T3 153.144.03 T4 138.142.20 Nota. Fonte: dados da pesquisa. Os valores de mercado pesquisados não se alteraram e os dados obtidos pela tabela da Fundação da Instituição de Pesquisas Econômicas (FIPE) levaram em consideração: 9 • • • • Modelo do ônibus: Convencional com Câmbio Manual Adaptado; Tipo de Carroceria: Ciferal; Marca: Mercedes Benz; Chassi: OF 1722; Após pesquisa os valores de mercado apurados foram os seguintes: Tabela 4: Valor de mercado ônibus por ano Ano 2008 2007 2006 2005 2004 Valor Tabela FIPE 225.000.00 210.000.00 174.000.00 140.000.00 120.000.00 Nota. Fonte: dados da pesquisa Calculado os valores do modelo para a tomada de decisão deve-se comparar o valor esperado do ônibus por fluxo de caixa com o valor de mercado, assim representado: Tabela 5: Evolução fluxo de caixa e valor de mercado com taxa crescimento custo manutenção não constante, Ano T0 T1 T2 T3 T4 Valor fluxo gerado 198.771.61 183.293.37 167.780.96 153.144.03 138.142.20 Tabela FIPE 225.000.00 210.000.00 174.000.00 140.000.00 120.000.00 Nota. Fonte: dados da pesquisa Observa-se que até o ano t2 o valor do fluxo gerado fica inferior ao valor de mercado, invertendo-se posteriormente nos anos t3 e t4, conforme ilustra na Figura 4: Figura 4. Valor do Fluxo Gerado com Taxa Custo Manutenção para Crescimento não Constante versus Valor Mercado Fonte: Dados da pesquisa. 10 Logo, para este estudo de caso, a opção a ser exercida é de compra e a mesma poderá ser exercida a partir do 2º ano de uso, pois o valor esperado do ônibus a partir deste período supera o valor de mercado. 4 CONCLUSÃO O estudo atingiu seu objetivo ao apresentar um modelo que identifica o momento em a opção de vender ou comprar um veículo da frota de ônibus do sistema de transporte público urbano pode ser exercida. Assim, por meio do modelo proposto, a pesquisa identificou quando o sistema de transporte público urbano deve exercer a opção de vender e comprar um ônibus por meio da modelagem e valoração da teoria das opções reais. A metodologia apresentada analisou as variáveis de fluxo de caixa, o custo de manutenção por veículos e o custo de capital da empresa, apresentando um modelo que foi detalhado e testado neste estudo e, posteriormente, comparado com o valor de mercado. A modelagem da Teoria das Opções Reais ao mensurar o valor do ônibus esperado permitiu comparar, verificar e testar com o valor de mercado e assim estabelecer uma métrica de tempo na tomada de decisão, Esse modelo naturalmente pode ser aplicado em outras modalidades de negócios e segmentos empresariais, tais como indústrias e transportadoras, desde que possuam ativos que requeiram custo de manutenção. Apesar do processo no estudo de caso ter sido elaborado de forma detalhada e testada, os resultados poderão ser diferentes quando aplicado em outro contexto ou momento e, possivelmente será, Como recomendação para estudos futuros, há a sugestão para a análise de outras variáveis tais como tempo movimentação cíclica dos veículos, tempo de parada ótima, velocidade operacional e tempo de viagem, Inclusive replicar esta modelagem da TOR em tempo contínuo, Outra sugestão seria a renovação da frota sob impacto econômico no resultado empresarial, impacto no meio ambiente ou impacto na qualidade de vida dos usuários, acrescentando as variáveis qualitativas tais como qualidade, conforto, meio ambiente, entre outras. REFERÊNCIAS BLACK, F.; SHOLES, M. “The pricing of option and corporate liabilities”. Journal of Political Economy, v, 81, n,3, p, 637-654, May-June, 1973. BRANDÃO, L. E. 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