Número de homicídios cresce em VG PÁGINA 3 quinta [email protected] ‘SÉTIMO MANDAMENTO’ Integrantes de quadrilhas ficavam dia todo dentro de agências e ordem era matar vítimas se ações fossem frustradas; durante investigações, 2 criminosos morreram Gaeco desarticula 4 grupos e prende 35 TANIA RAUBER DA REDAÇÃO uatro grupos que atuavam em “saidinhas de banco” foram desarticulados e 35 pessoas presas pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) na operação “Sétimo Mandamento”. Outros 9 acusados são procurados. Eles foram responsáveis por, pelo menos, 38 roubos nos últimos 3 meses, em que foram levados, aproximadamente, R$ 400 mil. O Gaeco descobriu que integrantes da quadrilha permaneciam o dia todo dentro de agências para identificar as vítimas. Eram “escolhidas” as que faziam saques acima de R$ 2 mil. Por dia, em média, 5 crimes eram planejados pelos acusados. Além de “saidinhas”, eles também praticavam assaltos em estabelecimentos comerciais e residências e arrombamentos de caixas eletrônicos. O promotor Arnaldo Justino da Silva explicou que os roubos eram tratados como “trabalho” pelos criminosos e os “lucros” utilizados para uma vida de regalias. Os integrantes das “equipes” desempenhavam 4 funções distintas, a de olheiro, piloto, pegador ou catador, e apoio. Todos agiam sob comando do “líder”, que muitas vezes atuava como “apoio” para se manter no controle das ações. O olheiro permanecia horas dentro dos bancos observando a movimentação. Quando um cliente fazia o saque, ele passava as características (roupa, cabelo, acessórios), o valor ou quantidade de “montes” de dinheiro levados pela vítima, além do veículo em que ela saiu. Apartir daí o piloto entrava em ação. De motocicleta, ele seguia a vítima, mantendo contato com o pegador e o apoio/líder que também os acompanhavam em um veículo. Quando encontravam um ponto considerado seguro, eles agiam. O pegador/catador subia na motocicleta e seguia com o piloto até a vítima. Em posse de arma de fogo, exigiam o dinheiro, muitas vezes sob grave ameaça. “Eles já sabiam onde o dinheiro estava, na bolsa ou no bolso da vítima. Também sabiam o valor e exigiam o total”. Depois de pegar o montante, piloto e pegador seguiam até o veículo onde estava o apoio e entregavam o “pacote”. Em seguida, o líder mantinha contato com todos os integrantes e marcava o local para divisão do dinheiro, que era feita de forma igualitária. Um dos pontos escolhidos por eles era o lava-jato do acusado Claudinei Ferreira Pontes, que participou, em 2009, de uma tentativa de assalto ao Banco do Brasil de Chapada dos Guimarães. Aação foi frustrada e 5 bandidos mortos pela Polícia. Os grupos tinham até mesmo um sistema de “vale” Q para os integrantes. Quando precisavam de dinheiro, eles entravam em contato com o líder e pediam “trabalho”. Se não tinha nada previsto, o chefe oferecia o vale. O pagamento seria feito em outra ação. Parcerias - Apesar de serem 4 grupos distintos, alguns membros participavam de ações planejadas por mais de um. Rodrigo Giovani Rodrigues de Alencastro é apontado como um dos olheiros mais requisitados pelos bandos. No início, ele atuava só no horário de almoço. Após ser demitido, passou a dedicar-se exclusivamente ao crime. Usava o uniforme de uma empresa onde trabalhou por um período para não levantar suspeitas. Em uma conversa interceptada é confirmado que ele participou de um assalto em uma agência na avenida Coronel Escolástico. Crime realizado pelo grupo de Bruno Jardel Santana, o Brunão. Rodrigo entrou no banco e avisou Bruno que 2 homossexuais estavam fazendo um saque. O líder comunicou que o piloto já estava nas proximidades do local aguardando a hora certa para agir e pediu para que o olheiro desse uma “bina” (toque) quando as vítimas estivessem saindo para que eles ficassem “espertos”. Rodrigo passou uma mensagem para Bruno e avisou que “tá com o de shorts”, referindo-se ao dinheiro. Em seguida enviou outro torpedo pedindo para eles aguardassem que “o shorts branco pegou o dinheiro, o outro de calça tá pegando mais”. Vários outros diálogos como este foram monitorados pelo Gaeco e as ações frustradas. Em duas delas, os policiais flagraram o roubo e 2 bandidos foram Rio seca em Poconé e falta água na torneira PÁGINA 4 A GAZETA - 1B CUIABÁ, 15 DE DEZEMBRO DE 2011 Operação em números 90 dias de investigação; 44 mandados de prisão; 28 mandados de busca e apreensão; 14 dos acusados já são condenados por roubo; 38 roubos em 3 meses; depósito e foi baleada. Quando as ações eram frustradas, os líderes davam ordens expressas aos pegadores para matar as vítimas. “São acusados de alta periculosidade, muitos já respondendo por outros crimes e que aterrorizavam as vítimas”. Biombos - As investigações foram feitas com vigilância nas agências e mapeamento horários e locais da ação dos criminosos. Segundo o promotor Arnaldo Justino, os grupos escolhiam as Rodinei Crescêncio agências que ainda não implantaram biombos nos Promotor Arnaldo Justino afirma que grupos escolhiam agências caixas. “Está provado que a que ainda não implantaram biombos nos caixas eletrônicos ausência de biombos é o principal motivador para as saidinhas. Em todos os casos, detectamos que as vítimas estão cautelosas, Grupo I tomando todos os cuidados para não chamar a atenção”. O procurador chefe do Gaeco, Paulo Prado, criticou Líder - Bruno Jardel Santana a falta de segurança nas agências e anunciou que uma Rodrigo Giovani Rodrigues de Alencastro ação civil pública será proposta pelo Ministério Público Uelington Amorim de Arruda para exigir a instalação dos biombos, já cobrada há anos Jodevan Santos de Assunção pelo Sindicato dos Bancários do Mato Grosso. “Os Luiz Fernando da Silva Campos bancos não têm uma pessoa capacitada para observar Jefferson Gomes Galvão que um suspeito passa várias Diogo Teles Cadette horas dentro da agência, sem Paulo César Alves da Cruz fazer nada, só observando”. O comandante geral da Erik Felipe da Silva Almeida Polícia Militar, coronel Osmar Paulo Magaiver Ferreira dos Santos Lino Farias, também ressaltou que espera uma redução de Grupo II Tarzan - Vamo trampa hoje? 70% nos crimes de saidinha Bruno - Desse jeito não dá para trabalhar. enquanto a quadrilha estiver Líder - Márcio da Silva Luz Tarzan - O que aconteceu: Não tá trampando? presa. Porém, destaca também a Fabiano Machado Rodrigues Bruno - Tem 4 a 5 caras do Gaeco em cada porta de banco, não dá para trabalhar. necessidade dos bancos Sidney da Silva Monteiro Tarzan - Não esquenta a cabeça não. Isso vai durar 4 a 5 dias só. reforçarem a segurança interna. Juliano Rodrigo dos Santos Eles não têm efetivo e logo vão ter que cuidar de outras coisas. “Enquanto eles (acusados) Tamires Fernanda de Arruda Bruno - Isso é ordem daquele safado do Silval. estiverem presos teremos mais Jair da Silva Tarzan - Vamos dar um tempo, ir pra outro lugar. tranquilidade, mas a Polícia não Eduardo Ortt Barbosa pode fazer tudo sozinha. Luiz Eduardo de Souza Depois desse diálogo, o grupo combinou uma ação no interior do Estado. Estamos com homens nas ruas, Maurício de Amorim próximos às agências, mas não Dhomas Henrique de Lima Faria vamos conseguir combater Oilquerson de Arruda Neves todos os crimes”. Leandro Borges Soares mortos. Um deles no dia 18 de outubro. Após Edmiar Ormeneze cometerem uma saidinha próximo de um banco na Arrombamentos - O envolvimento do grupo avenida do CPA, piloto e pegador foram perseguidos com ataques a bancos também foi confirmado. Dois dos Paulo César Andrade de Jesus por uma equipe e 1 deles acabou baleado. O assalto era acusados participaram do assalto no Banco do Brasil de José Augusto Dias realizado pelo grupo de Bruno. Pelo menos 8 ações Poxoréu (251 km ao sul de Cuiabá), na madrugada de Jackson Luiz de Souza Furtado foram lideradas por ele no período das investigações. ontem. Eles explodiram um caixa eletrônico e fugiram José Helber Corrêa dos Santos No dia 4 de novembro, o acusado foi preso e, em 3 veículos. Quatro foram presos, entre eles Lúcio Francisco José de Sá Souza mesmo na Penitenciária Central do Estado (PCE), Conceição Silva, conhecido como “Pipoca”, que estava Will Robson de Araújo Guimarães conseguiu contato com os comparsas e ordenou um com mandado de prisão em aberto. O outro envolvido Oeder Pontes Nunes crime de “chegadinha” no Banco Santander na avenida conseguiu fugir. Parte do dinheiro, R$ 125 mil, foi do CPA. Na ação, a vítima chegava para fazer um recuperada com o grupo enrolada em um lençol. Lúcio Grupo III já é condenado por tentativa de homicídio e responde a outros processos por roubo, uso de documentos falsos e Líder - José Augusto de Figueiredo Ferreira receptação. Daniel Ramos da Silva Na casa de outro acusado, no bairro Jardim Paraíso Willian Winter Fagundes de Souza Santos 2, foi apreendida uma emulsão de explosivo e outros Hayston Santana Cailos materiais. Luiz Carlos Alves Júnior Maria José da Silva Apreensões - Além de armas, material explosivo e dinheiro, 30 veículos foram apreendidos em cumprimento a mandados de busca e apreensão. Eles Grupo IV pertenciam aos acusados e serão leiloados. Aintenção é que o dinheiro seja utilizado para indenizar as vítimas Líder - Edimilson Ferreira Lima dos crimes. Edinilson de Almeida da Silva O nome da operação é uma alusão ao 7º Joel Alves da Silva mandamento - não roubar. Edilson Campos Martins Fabrício Monteiro Pontes Durante 90 dias de investigações, vários Lúcio Conceição da Silva acusados foram presos em flagrante, Claudinei Ferreira Pontes como foi o caso de Jodevan Santos após Marcelo Henrique Bezerra da Silva trocar tiros com policiais no centro da Capital Interceptação mostra criminosos preocupados com ação do Gaeco Otmar de Oliveira/Arquivo