4º ENCONTRO NACIONAL DE GRUPOS DE PESQUISA – ENGRUP, São Paulo, pp. 574-592, 2008. EDUCAÇÃO RURAL E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL: UMA EXPERIÊNCIA A PARTIR DO ENSINO DA GEOGRAFIA NA ESCOLA ESTADUAL DE ENSINO FUNDAMENTAL NOSSA SENHORA APARECIDA, JULIO DE CASTILHOS, RS EDUCACIÓN RURAL E DESARROLLO SUSTENIBLE: UMA EXPERIÊNCIA A PARTIR DO ENSINO DA GEOGRAFIA NA ESCOLA ESTADUAL DE ENSINO FUNDAMENTAL NOSSA SENHORA APARECIDA, JULIO DE CASTILHOS, RS Vagner Guimarães Ramos Universidade Federal de Santa Maria – RS [email protected] Marilse Beatriz Losekann Universidade Federal de Santa Maria – RS [email protected] Carmen Rejane Flores Wizniewski Universidade Federal de Santa Maria [email protected] Resumo O presente trabalho se refere a um projeto de extensão desenvolvido na Escola Estadual de Ensino Fundamental Nossa Senhora Aparecida, localizada na zona rural do município de Julio de Castilhos, e objetiva de forma geral, uma reflexão coletiva interdisciplinar entre os diversos segmentos da comunidade escolar, no que se refere a potencialização dos saberes locais e do desenvolvimento sustentável. Palavras-chave: Educação rural – Desenvolvimento sustentável – Legislação ambiental Resumen El presente trabajo se refere al desarrollo de um proyecto em la Escola Estadual de Ensino Fundamental Nossa Senhora Aparecida, localizada em la zona rural Del municipio de Julio de Catilhos e tiene como objetivo general hacer uma reflexión colectiva y interdisciplinar entre los diversos sectores de la comunidad de la escuela, em lo que se refiere la potencialización de los saberes locales y Del desarollo sustenible. Palavras-cláven: Educación rural – Desarollo sustenible – Legislación Ambiental 575 4º ENGRUP, São Paulo, 2008. RAMOS, V. G. et AL 1 INTRODUÇÃO / JUSTIFICATIVA A educação rural hoje assume um importante papel para o desenvolvimento das comunidades rurais, pois é através de sua ação-construção educativa que as comunidades escolares do campo buscam uma maior integração social, cultural e econômica além de ser um veículo difusor de conhecimento e saberes sociais. Neste contexto, a escola deve assumir o seu papel como elo integrador das trocas dos saberes e técnicas que apontem para uma nova proposta de desenvolvimento: o desenvolvimento rural sustentável. O presente projeto objetiva, de forma geral, uma reflexão entre os diversos segmentos da comunidade escolar da Escola Estadual de Ensino Fundamental Nossa Senhora Aparecida, localizada no distrito São João dos Mellos, na zona rural de Julio de Castilhos, no Rio Grande do Sul, em torno do Desenvolvimento Sustentável e na busca de uma forma de desenvolvimento que preserve os recursos naturais para as futuras gerações e promova a valorização do espaço agrário e o desenvolvimento do lugar. Figura 1: Localização do município de Julio de Castilhos no Rio Grande do Sul. Fonte: IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Org: RAMOS, Vagner G. 2008. Educação rural e desenvolvimento sustentável: uma experiência a partir do ensino da Geografia na Escola Estadual de Ensino Fundamental Nossa Senhora Aparecida, Julio De Castilhos - RS, pp. 574-592. 576 A educação do campo hoje deve se aproximar da comunidade a qual se insere a escola, conhecer suas especificidades, dinâmicas, limites e possibilidades, na busca de uma unidade de ação sem esquecer a pluralidade sociocultural das escolas rurais. Assim o educador deve de forma permanente conhecer e reconhecer o espaço da escola desenvolvendo em suas práticas educativas a valorização da comunidade da escola rural, respeitando suas especificidades e incorporando na educação formal os saberes sociais passados por diversas gerações. Neste contexto, é necessária a discussão em torno a esses saberes construídos no meio rural, que para Damasceno (1993), esse é entendido como o saber básico que os integrantes de um determinado grupo social necessitam para participar de seu ambiente, mediante o qual o sujeito interfere na vida cotidiana. Frente a isso a geografia como disciplina escolar, tem um importante papel, criando espaços de reflexões que interfiram nas tomadas de decisão das populações envolvidas. Figura 2; Visão panorâmica da comunidade. 577 4º ENGRUP, São Paulo, 2008. RAMOS, V. G. et AL O presente projeto visa, portanto, um aprofundamento teórico e metodológico que relacione os conhecimentos formais e os saberes sociais ao caminho de outro tipo de desenvolvimento possível, que tenha um importante significado na formação das crianças e adolescentes do campo, uma vez que estes são imprescindíveis na busca de um desenvolvimento capaz de melhorar a qualidade de vida do homem do campo, produzir alimentos saudáveis e também trate de preservar os recursos naturais para as futuras gerações camponesas. 2 PROBLEMA Por muito tempo a educação brasileira esteve voltada a práticas distantes da realidade de sua comunidade. Também foi um veículo importante como difusora de tecnologias e programas que beneficiavam governos e empresas relacionadas à produção de tecnologias voltadas às práticas agrárias. A geografia tem um importante papel neste processo, à medida que cria um ambiente de reflexões sobre as formas de uso do espaço. Neste contexto a geografia como disciplina escolar pode assumir esse papel na comunidade escolar. Surgem neste cenário, discussões, projetos, ações ligadas a aspectos teóricos e metodológicos que apontam a educação rural como importante fórum na busca de um desenvolvimento que valorize a agricultura familiar, dentro de uma perspectiva de desenvolvimento sustentável. O presente projeto visa à construção de um canal de troca de saberes e conhecimento do lugar e suas potencialidades produtivas na formação da consciência ambiental e sustentável. 3 OBJETIVOS 3.1 OBJETIVO GERAL O presente projeto pretende, de forma geral, fazer uma reflexão coletiva interdisciplinar entre os diversos segmentos da comunidade escolar da Escola Estadual de Ensino Fundamental Nossa Senhora Aparecida, localizada no Distrito São João dos Mellos, na zona rural de Julio de Castilhos, em torno do Desenvolvimento Sustentável. Educação rural e desenvolvimento sustentável: uma experiência a partir do ensino da Geografia na Escola Estadual de Ensino Fundamental Nossa Senhora Aparecida, Julio De Castilhos - RS, pp. 574-592. 578 OBJETIVOS ESPECÍFICOS • Desenvolver na Escola Estadual de Ensino Fundamental Nossa Senhora Aparecida, um espaço de reflexões em torno ao desenvolvimento sustentável e preservação dos recursos ambientais. • Confeccionar em conjunto com os alunos uma maquete da área em questão; • Fazer uma abordagem participativa da legislação ambiental vigente e as práticas produtivas e de conservação. • Conhecer o espaço onde se insere a escola, no que se refere às características ambientais, com destaque para as áreas de preservação e seus conflitos com as práticas produtivas. 4 REFERENCIAL TEÓRICO A educação brasileira reflete o momento histórico pelo qual passa a nossa sociedade. Ao longo da história a educação tem sido reflexo e ação dos mais diversos segmentos sociais e econômicos vigentes em nosso país. A escola do campo tem permanecido por muito tempo vinculada a uma imagem conservadora no que tange as questões ambientais e agrárias, enfatizando reformas que se adequam às demandas políticas e ideológicas responsáveis pela permanência de uma educação excludente e desarticulada com a realidade agrária, sentida nos princípios do século XXI. Até bem pouco tempo, o sistema educacional brasileiro nunca teve como preocupação fomentar políticas educacionais eficientes que viessem atender as necessidades do campo. Não obstante, a escola brasileira se desenvolveu tendo em sua base conceitual uma prática que privilegia o urbano. Os objetivos desta educação estavam comprometidos com a ideologia de mercado orientados para a criação dos cursos profissionalizantes de formação técnica, visando atender as necessidades do processo de industrialização e do capital. 579 4º ENGRUP, São Paulo, 2008. RAMOS, V. G. et AL A escola do campo tem uma grande responsabilidade, com o educando, sua família e a comunidade como um todo, já que esta pode ser um veículo fundamental para a melhoria da qualidade de vida das comunidades rurais bem como a proposta da construção coletiva que aproxime o homem da terra, incluindo-o em um projeto de inclusão social, onde o educando, filho de agricultor, se sinta valorizado e projete na sua vivência comunitária um novo caminho para o desenvolvimento do campo, o desenvolvimento sustentável. O conceito de desenvolvimento sustentável foi utilizado pela primeira vez na Assembléia Geral da ONU, em 1979, (Gadotti, 2000) indicando que o desenvolvimento poderia ser um processo integral que inclui dimensões culturais, éticas, políticas, sociais, ambientais, e não só econômicas. A busca pelo desenvolvimento sustentável requer entre tantos saberes, conhecimentos provenientes da Ecologia. O mesmo autor afirma: que o maior desafio dos ecologistas é convencer os pobres que não se trata apenas de limpar os rios, despoluir o ar, reflorestar os campos devastados para vivermos melhor num futuro distante. Mas também de dar uma solução, simultaneamente, aos problemas ambientais e aos problemas sociais (GADOTTI, 2000, p.58). Sim, pois os problemas que são tratados pela Ecologia não afetam apenas o meio ambiente, mas também o ser mais complexo da natureza: o ser humano que é dependente da natureza para manter sua sobrevivência, embora seja o animal que mais possua a capacidade de modificá-la. Porém não podemos esquecer que o conceito de “desenvolvimento” não é um conceito neutro. Na atual sociedade, ele nos remete diretamente a idéia de progresso (material). Neste sentido, se fazem necessários debates e apontamentos que nos façam refletir sobre, entre outras coisas, qual é o progresso queremos. O que possibilite o bem-estar do maior número de pessoas? Ou aquele que gera exclusão e miséria? Educação rural e desenvolvimento sustentável: uma experiência a partir do ensino da Geografia na Escola Estadual de Ensino Fundamental Nossa Senhora Aparecida, Julio De Castilhos - RS, pp. 574-592. 580 É de fundamental importância que a escola participe desse processo, para tanto, seus professores devem estar preparados para desenvolver uma reflexão crítica quanto ao aspecto pedagógico das escolas do campo, bem como, elaborar propostas de práticas educativas contextualizadas, que incluam o agricultor como um agente do desenvolvimento do “lugar”. Segundo Caldart (1995), ao elaborar uma proposta de educação do campo não significa dicotomizá-la o deseja-se, isto sim, é trabalhar com as suas especificidades. O rural e o urbano possuem formas de vida diferenciadas, sendo necessário um olhar pedagógico também diferenciado como forma de respeito e valorização ao espaço agrário. À medida que essas “diferenças” forem sendo trabalhadas torna-se mais acessível à superação dos conflitos, extinguindo as discriminações e preconceitos próprios do ensino rural. Conforme Caldart: é a combinação entre estudo e trabalho, quer dizer que na ou através da escola, todos os alunos desde as primeiras séries, devem ter a oportunidade de realizar algum tipo de trabalho produtivo ou socialmente útil, como forma de complementar a educação de sua personalidade e combinado com o ensino da sala de aula. (CALDART, 1995, p.8) Segundo Lucas (1999), a partir dessa perspectiva, à medida que os camponeses são levados a pensar na educação de seus filhos, surgem muitas dúvidas, inseguranças, medos, incertezas que os levam a levantar uma série de questionamentos como: a escola que queremos é esta que hoje está aí? Uma escola que não contempla a nossa realidade, excludente, acrítica! Por que não nos faz pensar e entender como as coisas acontecem? A respeito do que pensam os familiares dos estudantes das escolas do campo, a autora reforça a idéia de que os camponeses querem que a escola de seus filhos tenha conteúdos gerais, trabalhados com a realidade rural, não contemplando somente conteúdos urbanos, que acabam estimulando a ida para a cidade, pois enfatizam que na cidade é 581 4º ENGRUP, São Paulo, 2008. RAMOS, V. G. et AL melhor pela diversidade de atrações, qualidade de vida, abundância de empregos, moradia, meios de transporte, disponibilidades assistências, escolas, hospitais, entre outras vantagens. Uma das preocupações dos camponeses está no ato de planejar um ensino voltado para o meio rural, pois “(...) a educação na realidade camponesa se expressa não apenas no espaço escolar, mas nas diversas formas de manifestação do movimento camponês” (Therrien, 1993, p.08). Uma estrutura curricular para o ensino rural vai muito mais além do que simplesmente elaborar legislações, pois estas desde a década de 1930, sempre foram pensadas em nível de papel, esbarraram na prática, porque tinham no seu bojo determinações que não vinham ao encontro das expectativas do homem do campo, provocando ao longo dos anos estudos e pesquisas, para elucidar as reais condições de precariedades pelas quais vêm passando as escolas rurais. 5 METODOLOGIA Este projeto será desenvolvido através de uma experiência de extensão universitária realizada na Escola Estadual de Ensino Fundamental Nossa Senhora Aparecida, onde serão desenvolvidas atividades integradoras entre os diversos segmentos da comunidade escolar da escola que está situada no Distrito São João do Mellos. As referidas atividades possuem um enfoque na Educação do Campo e no desenvolvimento sustentável. Entre as atividades a serem realizadas destacam-se: A conscientização dos alunos, sobre a importância da preservação ambiental, que deve iniciar em todas as esferas, começando pela escola, lugar onde o saber é apresentado e discutido, até a unidade de produção familiar, local onde a sobrevivência da família dos alunos é gerida. Este processo será desenvolvido levando em conta a importância do convencimento de que cada um é responsável pelo meio ambiente. A forma de desenvolvimento desta etapa será através de diálogos, estudos da realidade próxima, observações do lugar onde a escola está inserida, e palestras temáticas sobre a legislação ambiental e a potencialidade dos recursos ambientais. Educação rural e desenvolvimento sustentável: uma experiência a partir do ensino da Geografia na Escola Estadual de Ensino Fundamental Nossa Senhora Aparecida, Julio De Castilhos - RS, pp. 574-592. 582 Elaboração com o auxílio dos alunos de uma maquete temática da localidade onde se insere a escola, contendo os objetos artificiais, diversos usos e funções do espaço, além dos impactos ambientais resultantes. A Maquete, que será doada à escola, será um importante recurso para compreensão das relações espaciais além de auxiliar na compreensão de conceitos importantes para o ensino da geografia. Assim, contempla-se uma abordagem qualitativa, pois para Ludke & André (1986) “é aquela que se desenvolve numa situação natural, é rica em dados descritivos e tem um plano aberto e flexível e focaliza a realidade de forma complexa e contextualizada” (p.18). Refere-se a uma abordagem qualitativa porque responde a questões muito particulares e se preocupa com um nível de realidade que não pode ser somente quantificado; ela explora um universo de conhecimentos, significações, crenças, experiências e atitudes que se relacionam a um espaço mais íntimo de relações aqui, em específico, a coerência entre o contexto conceitual da pesquisa e as práticas educativas alusivas ao ensino rural. Desta forma estaremos buscando contemplar o modo ambientalista de pensar o mundo, que, segundo Penteado (2003, p.91), “indica a necessidade da participação ampla e diversificada de pessoas nas tomadas de decisões”. A autora refere-se também que todos os elementos do meio ambiente são inter-relacionados, sendo que a repercussão de uma ação sobre o ambiente é sentida muito além do que a escala local onde ocorre tal fenômeno. A busca por envolver toda a comunidade escolar no desenvolvimento deste projeto buscará ampliar e melhorar a previsão dos efeitos positivos que o trabalho desenvolverá na comunidade, através de resgate do poder político que está embutido em cada ser humano, o qual o sistema capitalista, de certo modo, busca ofuscar quando deixa que decisões que afetam a humanidade no geral, sejam tomadas por poucos. O modo de produção ao qual estamos inseridos hoje restringe muito o poder político do ser humano nas mãos de poucos, e a população, de uma maneira geral, é chamada a exercer sua cidadania apenas para participar na resolução dos efeitos das ações tomadas pelos especialistas nos assuntos. Por outro lado, a referida autora 583 4º ENGRUP, São Paulo, 2008. RAMOS, V. G. et AL afirma que: “temos deixado de exercer o nosso poder político, temos deixado as coisas acontecerem. Depois, só nos resta lidar com os resultados” (Penteado, 2003, p. 92). Se aprende a participar, participando. De maneira geral é através da nossa participação em projetos, cursos, especializações, festejos entre outros que “exercemos a nossa cidadania”. A autora afirma que o exercício da cidadania, ou seja, o exercício político do cidadão diz respeito a comportamentos que desenvolvemos para lidar com os nossos direitos e deveres. Educação rural e desenvolvimento sustentável: uma experiência a partir do ensino da Geografia na Escola Estadual de Ensino Fundamental Nossa Senhora Aparecida, Julio De Castilhos - RS, pp. 574-592. 584 6 ATIVIDADES PROGRAMADAS PARA O BOLSISTA Após a escolha da escola para o desenvolvimento do projeto, assim como a turma para a aplicação deste, que é a turma do 5° ano do ensino fundamental, devido as semelhanças entre os conteúdos trabalhados pela turma e o conteúdo a ser desenvolvido por este projeto, traçou-se os objetivos para este trabalho e as atividades cabíveis ao bolsista, visando alcançar os objetivos propostos para esta experiência de extensão, onde destacamos: • Realizar um levantamento teórico e legislação ambiental vigente que embase as atividades que serão desenvolvidas junto à comunidade escolar, e que fundamente o desenvolvimento do projeto; • Escolher uma turma do Ensino Fundamental, onde o trabalho que nos propomos a realizar será aprofundado; • Avaliar medidas práticas que poderão ser implementadas na vida cotidiana junto à Escola e a comunidade geral do Distrito São João dos Mellos e preparar-se para buscar o conhecimento que cada medida exigirá; • Construção da maquete; • Saídas de campo para realização de leituras ambientais; • Publicação dos resultados obtidos durante o desenvolvimento do projeto; • Elaboração do relatório final do projeto. 7 RESULTADOS PRELIMINARES O primeiro contato realizado com a Escola ocorreu no dia 28 de abril do corrente ano. O projeto foi apresentado para a direção da Escola e foi manifestada a intenção de desenvolver um trabalho dentro da área do desenvolvimento rural sustentável. A direção acolheu prontamente e salientou a necessidade de projetos desta natureza com a UFSM, com o fim de melhorar a qualidade de ensino e enriquecer a relação escola, comunidade e Universidade. 585 4º ENGRUP, São Paulo, 2008. RAMOS, V. G. et AL Figura 3; Escola de Ensino Fundamental Nossa Senhora Aparecida. A Escola de Ensino Fundamental Nossa Senhora Aparecida conta com uma área privilegiada, localizada no espaço rural de Julio de Castilhos, onde consegue manter uma horta de tamanho relativamente satisfatório (2000m²), mais a área construída da Escola e uma considerável área de pátio com áreas verdes e espaços para prática de esportes, por parte das crianças e adolescentes. Esta comunidade escolar, prima por fatores importantíssimos ligados a alimentação. Como pode-se observar nas imagens abaixo, a escola produz grande parte do que os alunos consomem na merenda escolar, através do plantio de hortifrutis e frutas e a criação de aves, tendo a partir de então, o que entende-se por segurança alimentar, já que os alunos tem a certeza de que consomem alimentos de qualidade e saudáveis. Educação rural e desenvolvimento sustentável: uma experiência a partir do ensino da Geografia na Escola Estadual de Ensino Fundamental Nossa Senhora Aparecida, Julio De Castilhos - RS, pp. 574-592. Figura 4; Horta situada na escola: Figura 5; Criatório de aves, com produção destinada ao consumo interno na escola. 586 587 4º ENGRUP, São Paulo, 2008. RAMOS, V. G. et AL Figura 6: Cultivo de mudas de árvores nativas (Clube da árvore). Inicialmente o trabalho esta sendo desenvolvido com a 5ª Série, e no futuro será estendido a todas as turmas da escola. As atividades realizadas seguem as etapas previstas, porém, as reflexões teóricas a respeito da preservação ambiental e desenvolvimento sustentável estão sendo desenvolvidos de forma paralela na escola. Para ter-se conhecimento da realidade dos alunos da turma selecionada para realizar o trabalho teórico-prático, o quinto ano do Ensino Fundamental, realizou-se um questionário que foi aplicado em aula aos alunos, com as seguintes perguntas: 1) Qual é a sua idade? 2) O que você faz no turno que não tem aula? 3) Qual é a profissão de seus pais? 4) Quando você terminar os estudos aqui na Escola, para onde vai estudar? 5) Quando for adulto, o que pretende ser? 6) Qual é a sua opinião sobre o campo? É legal ou ruim morar no campo? Por quê? Educação rural e desenvolvimento sustentável: uma experiência a partir do ensino da Geografia na Escola Estadual de Ensino Fundamental Nossa Senhora Aparecida, Julio De Castilhos - RS, pp. 574-592. 7) 588 Você pretende ter uma propriedade rural quando for adulto? Se sim, o que pretende fazer na propriedade (criar animais, plantar frutas, plantar culturas de horta, cultivos anuais...)? 8) Você ajuda seus pais a realizar tarefas quando está em casa? Quais? 9) O que você acha da cidade? Gostaria ou não de morar na cidade? Por 10) Quais as matérias do conteúdo escolar que sente maior dificuldade e quê? qual é a que você mais gosta? Explique. 11) Você conhece a história do lugar onde mora? O que você acha dele? Como ele é? Como gostaria que ele fosse? 12) Você procura cuidar do meio ambiente (recursos naturais)? Como faz 13) Faça um pequeno texto contando sobre a sua vida, sobre o que pretende isso? fazer quando crescer, sobre a origem da sua família, sobre o que você gosta de fazer... Estas questões são de vasta importância, para que possamos deter algumas expectativas futuras para a comunidade, partindo do princípio de que o futuro da localidade dependerá desta geração que esta sendo moldada pelos modelos da educação atual, que na maioria dos casos fomenta entre os jovens, o desejo pelo urbano. A questão ambiental na localidade, está sendo tratada, através de pequenas saídas de campo, em áreas de degradação ambiental nas proximidades da escola, e busca-se fazer uma relação com a Legislação Ambiental vigente. 589 4º ENGRUP, São Paulo, 2008. RAMOS, V. G. et AL Figura 7; Saída de campo, com visitação à uma nascente; A escola encontra-se totalmente “aberta para a comunidade”, sendo local de reuniões, como cursos ministrados no local, visando as relações entre produção e meio ambiente por exmplo, ou ainda serve de palco para reuniões como veremos logo abaixo, uma reunião das mulheres comunidade. Figura 8; Minicurso ministrado pelo SENAR Educação rural e desenvolvimento sustentável: uma experiência a partir do ensino da Geografia na Escola Estadual de Ensino Fundamental Nossa Senhora Aparecida, Julio De Castilhos - RS, pp. 574-592. Figura 9; Reunião das mulheres da comunidade. 590 591 4º ENGRUP, São Paulo, 2008. RAMOS, V. G. et AL 8 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANDRÉ, Marli Elisa. Etnografia e prática escolar. Campinas: Papirus, 1995. BECKER, Dinizar Fermiano (Org.) [et al.]. Desenvolvimento sustentável: necessidade e/ ou possibilidade?. Santa Cruz do Sul: EDUNISC, 1997. BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação nº 9394. República Federativa do Brasil, 20 de dezembro de 1996. BENJAMIN, Cesar; CALDART, Roseli Salete. Projeto popular e escolas do campo. 2. ed. Brasília: 2001 DAMASCENO, Maria Nobre. Educação e Escola no Campo.Campinas.SP. Papirus,1993. GADOTTI, Moacir. Pedagogia da terra. 3.ed. São Paulo: Peirópolis, 2000. GAUTHIER, Clermont [et al.]. 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