Internacionalização das
Empresas brasileiras:
motivações, barreiras e
demandas de políticas públicas
Brasília
2012
Internacionalização das
Empresas brasileiras:
motivações, barreiras e
demandas de políticas públicas
CONFEDERAÇÃO NACIONAL DA INDÚSTRIA – CNI
Robson Braga de Andrade
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Internacionalização das
Empresas brasileiras:
motivações, barreiras e
demandas de políticas públicas
Brasília
2012
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Qualquer parte desta obra poderá ser reproduzida, desde que citada a fonte.
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C748d
Confederação Nacional da Indústria.
Internacionalização das empresas Brasileiras: motivações, barreiras e demandas
de políticas públicas / Confederação Nacional da Indústria – Brasília : CNI, 2012.
14 p. : il
1.Internacionalização. 2.Empresas Brasileiras. 3.Políticas Públicas I. Título.
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sumário
iNTRODUÇÃO....................................................................... 9
RESULTADOS DA PESQUISA..............................................11
1. Motivações........................................................................................ 11
2. Formas de atuação......................................................................... 12
3. Fatores locacionais...................................................................... 12
4. Formas de financiamento............................................................ 13
5. Barreiras internas......................................................................... 13
6. Barreiras no exterior................................................................... 14
7. Políticas Públicas........................................................................... 14
introdução
A Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica, a
SOBEET, realizou em 2011, em conjunto com o Valor Econômico1 extensa pesquisa com empresas
de capital brasileiro com investimentos no exterior.
A amostra da sondagem reuniu um total de 51 empresas divididas em 20 subsetores distintos. Vale
ressaltar que a SOBEET computou a amostra mais numerosa para uma pesquisa sobre o tema de
internacionalização de empresas no Brasil até o momento.
Além de criar um ranking das Empresas Transnacionais Brasileiras2 – ETBs, a pesquisa buscou apurar
os seguintes pontos:
Principais motivos para realização de investimentos no exterior
•
Os fatores que mais influenciaram a localização das empresas no exterior;
•
As modalidades de atuação das empresas nos mercados internacionais;
•
As principais formas de financiamento das atividades da empresa no exterior;
•
As barreiras internas e externas para a internacionalização das empresas;
•
As iniciativas por parte do Governo Brasileiro que facilitariam o investimento no exterior.
As análises dos tópicos subsequentes se diferenciam da publicação original por terem sido elaboradas
segregando as ETBs em três grandes setores da indústria – bens de consumo, bens intermediários e
bens de capital – além do setor de serviços.
1 A pesquisa foi publicada pela Revista Valor: Multinacionais Brasileiras, setembro de 2011.
2 Ranking que classifica as ETBs, que responderam ao questionário da SOBEET, pelo seu índice de internacionalização,
entendido como a média aritmética entre ativos, número de funcionários e receita obtidos no exterior em relação ao total obtido
pela empresa.
INTRODUÇÃO
Embora o total de participantes da pesquisa que deu origem ao ranking das ETBs tenha sido
de 51 empresas, nem todas as empresas responderam a todos os índices mencionados acima.
Assim, o total de participação com respostas completas somou 36 empresas. A maior parte
dessas empresas é proveniente do setor de serviços e de bens intermediários, conforme divisão
setorial do gráfico a seguir.
Composição setorial da amostra
17 empresas
5 empresas
47%
14%
Setor de serviços
Bens de consumo
Bens intermediários
Bens de capital
11 empresas
31%
3 empresas
8%
Fonte: SOBEET / Valor Econômico. Elaboração: CNI
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Internacionalização das empresas brasileiras: motivações, barreiras e demandas de políticas públicas
resultados
da pesquisa
1. Motivações
O conjunto de motivos para a realização de investimentos no exterior foi o primeiro questionamento
feito às ETBs. No total, foram considerados oito tipos de respostas distintas, que se diferenciam de
acordo com os setores analisados, conforme a tabela abaixo.
Em geral, as empresas do setor industrial investem no exterior em busca de aumento de sua
competitividade, ampliação da economia de escala ou estabelecimento de plataformas de exportação.
Este último motivo mostrou-se bastante importante para as empresas de bens intermediários e,
principalmente, para as de bens de consumo, cujo investimento para estabelecer plataformas de
exportação em outros países foi a opções mais citada.
Para as empresas do setor de serviços, no entanto, metade das motivações apresentadas foram
concentradas em aumento da competitividade internacional da empresa e redução da dependência
do mercado doméstico.
Quais os principais motivos que levaram sua empresa a se internacionalizar?
Bens de
consumo
Bens
intermediários
Bens de
Capital
Serviços
Estabelecer plataformas de exportação
31,2%
16,7%
0,0%
4,1%
Competitividade internacional da empresa
23,4%
27,8%
42,9%
25,3%
Demanda mundial
15,6%
13,9%
14,3%
12,2%
Busca de economias de escala
15,6%
16,7%
14,3%
14,2%
Acompanhar concorrentes no mercado externo
7,8%
8,3%
0,0%
12,8%
Redução da dependência do mercado interno
3,9%
13,9%
14,3%
24,3%
Saturação do mercado brasileiro
2,6%
2,8%
0,0%
5,1%
Incentivos fiscais
0,0%
0,0%
14,3%
0,0%
MOTIVOS
Fonte: SOBEET / Valor Econômico. Elaboração: CNI
RESULTADOS DA PESQUISA
2. Formas de atuação
Em relação às modalidades de entrada em outros países por meio de investimento, foram apontados
pelas empresas quatro tipos de resposta: licenciamentos, escritórios para comercialização, instalação
de unidades próprias no exterior e aquisição de empresas no exterior.
Para os setores de bens de consumo e bens intermediários, a instalação de escritórios voltados
à comercialização foi a modalidade mais citada pelas ETBs, seguida pela instalação de unidades
próprias no exterior.
As indústrias de bens de capital e as empresas do setor de serviços exibiram estratégias de investimento
centradas na instalação, no exterior, de unidades próprias para produção industrial ou prestação de
serviços, com 40% das respostas cada uma. Em seguida, os escritórios voltados à comercialização
foram indicados como a forma mais utilizada pelas empresas desses setores.
Quais as principais formas de atuação da sua empresa nos mercados internacionais?
Bens de
consumo
Bens
intermediários
Bens de
Capital
Serviços
Licenciamento
13,6%
11,5%
20,0%
12,5%
Escritórios voltados à comercialização
40,7%
34,6%
20,0%
25,0%
Unidades de produção / serviços próprios
no exterior
25,4%
26,9%
40,0%
40,6%
Aquisição de empresas estrangeiras
20,3%
26,9%
20,0%
18,8%
FORMAS DE ATUAÇÃO
Fonte: SOBEET / Valor Econômico. Elaboração: CNI
3. Fatores locacionais
A decisão de investir no exterior é influenciada também por questões locais no país de destino do
investimento. No total, sete razões foram apresentadas pelas ETBs como determinantes para a sua
localização no exterior.
As ETBs do setor industrial exibem estratégias similares quanto aos fatores determinantes para a
atuação no exterior. Para as indústrias de bens de consumo e de bens intermediários, o tamanho do
mercado e a possibilidade de acessar mercados regionais e internacionais foram as alternativas mais
citadas. Para a indústria de bens de capital, por sua vez, as duas razões apontadas anteriormente
somam-se à busca por cadeias de produção global, compondo as três razões mais importantes.
Para o setor de serviços, o tamanho do mercado local aparece como a primeira alternativa. Para essas
empresas, entretanto, o crescimento do mercado local surge como opção também importante.
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Internacionalização das empresas brasileiras: motivações, barreiras e demandas de políticas públicas
Quais os fatores mais importantes que influenciam a localização de sua empresa no exterior?
Bens de
consumo
Bens
intermediários
Bens de
Capital
Serviços
Tamanho do mercado
34,0%
26,7%
28,6%
34,6%
Crescimento do mercado local
13,0%
10,0%
0,0%
24,7%
Disponibilidade de mão de obra
1,9%
3,3%
14,3%
4,9%
Acesso a mercados internacionais e/ou
regionais
38,9%
30,0%
28,6%
17,3%
Ambiente estável para o investimento
2,4%
13,3%
0,0%
14,8%
Busca por cadeias de produção globais
9,7%
13,3%
28,6%
2,5%
Outros
0,0%
3,3%
0,0%
1,2%
FATORES LOCACIONAIS
Fonte: SOBEET / Valor Econômico. Elaboração: CNI
4. Formas de financiamento
Ainda que o BNDES possua duas fontes alternativas para financiamento dos investimentos das
empresas no exterior – uma linha específica para o IED e aportes do BNDES Participações S.A. – para
nenhum dos grandes setores analisados os empréstimos do banco de desenvolvimento constituem a
opção mais importante.
Tanto para o setor industrial como para o de serviços, a utilização de capital próprio é a opção de
preferência. Para o setor de bens de capital, no entanto, o uso de capital próprio divide a preferência
com a contração de empréstimos no exterior, alternativa também utilizada por quase um terço das
empresas de bens de consumo.
O setor que mais faz uso das linhas do BNDES é o setor de serviços, com 23,8% do total. Tal
resultado está relacionado com o setor de construção civil, grande tomador de crédito pelo banco de
desenvolvimento.
Quais as principais formas de financiamento das atividades de sua empresa no exterior?
Bens de
consumo
Bens
intermediários
Bens de
Capital
Serviços
BNDES
10,0%
4,8%
0,0%
23,8%
Capital próprio
50,0%
47,6%
40,0%
53,6%
Dívidas no Exterior
30,0%
28,6%
40,0%
15,4%
Banco no exterior
10,0%
19,0%
20,0%
6,0%
FINANCIAMENTO
Fonte: SOBEET / Valor Econômico. Elaboração: CNI
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Internacionalização das empresas brasileiras: motivações, barreiras e demandas de políticas públicas
5. Barreiras internas
Em relação aos obstáculos para internacionalização encontrados dentro do Brasil, foram encontrados
dez tipos diferentes de respostas. Não foi observado um padrão setorial de entraves para a
internacionalização entre as empresas respondentes neste quesito.
As indústrias de bens de consumo identificaram, principalmente, a dificuldade em acessar canais de
distribuição para atingir mercados externos. Em seguida, a falta de conhecimento sobre os mercados
potenciais e a flutuação da moeda brasileira foram os fatores mais citados por esse setor.
Os setores de bens intermediários e de bens de capital possuem, na dianteira, a queixa contra os
custos elevados de logística. Este fator é ainda mais crítico para o setor de bens de capital, apontado
por 40% das empresas. Para os bens intermediários, a elevada carga tributária dentro do Brasil divide,
com os custos de logística, as reclamações como o principal fator inibidor do investimento no exterior.
Para as empresas do setor de serviços, a elevada carga tributária lidera a lista das barreiras internas ao
investimento no exterior, seguida pela concorrência com projetos dentro do Brasil, conforme a tabela
a seguir.
Quais as principais barreiras internas para sua empresa se internacionalizar?
Bens de
consumo
Bens
intermediários
Bens de
Capital
Serviços
Flutuação da moeda brasileira
17,4%
10,3%
20,0%
5,3%
Elevada carga tributária no Brasil
0,0%
20,7%
20,0%
23,7%
Custos elevados de logística
8,7%
20,7%
40,0%
0,0%
Custo do crédito no Brasil
8,7%
10,3%
0,0%
14,5%
Falta de apoio governamental
0,0%
10,3%
0,0%
10,5%
Falta de conhecimento sobre os mercados
potenciais
17,4%
3,4%
0,0%
2,6%
Concorrência com projetos no Brasil
8,7%
6,9%
20,0%
19,7%
Falta de pessoal com competências
necessárias
4,3%
0,0%
0,0%
15,8%
Dificuldade de canais de distribuição em
mercados externos
26,1%
6,9%
0,0%
2,6%
Baixas economias de escala
8,7%
10,3%
0,0%
2,6%
BARREIRAS INTERNAS
Fonte: SOBEET / Valor Econômico. Elaboração: CNI
12
Internacionalização das empresas brasileiras: motivações, barreiras e demandas de políticas públicas
6. Barreiras no exterior
As barreiras encontradas no exterior também foram alvo de questionamento às ETBs. Estas
mencionaram dez respostas distintas e mais uniformes entre si, que variam entre a alta competitividade
nos mercados maduros, riscos de crédito e dificuldade em obter garantias, além de questões tributárias
e de legislação interna.
Dos quatro grandes setores pesquisados, três deles (bens de consumo, bens de capital e serviços)
consideram a elevada competitividade em mercados maduros como o primeiro fator, no exterior, que
inibe o investimento.
As barreiras tributárias, como a falta de acordos para evitar a bitributação e a forma de cobrança dos
tributos sobre lucros, são a alternativa escolhida por um terço das indústrias de bens de capital. São
também a primeira opção mais citada como entrave externo à internacionalização para as indústrias
de bens intermediários, em conjunto com o ambiente regulatório dos países de destino e a dificuldade
de gestão das operações internacionais.
Quais as principais barreiras externas para sua empresa se internacionalizar?
BARREIRAS EXTERNAS
Bens de
consumo
Bens
intermediários
Bens de
Capital
Serviços
Alta competitividade em mercados maduros
35,5%
14,8%
33,3%
28,5%
Ambiente regulatório dos países
29,6%
18,5%
16,7%
13,0%
Prazos e risco de crédito do comprador
externo
0,0%
7,4%
0,0%
1,3%
Barreiras impostas no país de destino do
IED
14,8%
7,4%
0,0%
10,4%
Barreiras tributárias (bitributação e cobrança de
impostos)
14,2%
18,5%
33,3%
8,4%
Legislação de patentes
2,0%
0,0%
0,0%
0,0%
Dificuldades de gestão das operações
internacionais
3,9%
18,5%
16,7%
13,0%
Dificuldades de captação de recursos no
mercado externo
0,0%
3,7%
0,0%
8,6%
Dificuldades de captação de recursos no
mercado interno
0,0%
7,4%
0,0%
7,8%
Dificuldades para obter as garantias para o
financiamento
0,0%
3,7%
0,0%
9,1%
Fonte: SOBEET / Valor Econômico. Elaboração: CNI
13
Internacionalização das empresas brasileiras: motivações, barreiras e demandas de políticas públicas
7. Políticas Públicas
Em relação aos instrumentos de políticas públicas que poderiam ser adotados pelo Governo Brasileiro
a fim de facilitar e fomentar o investimento no exterior, as empresas apontaram seis tipos principais.
Dois deles estão relacionados ao financiamento (crédito ao investimento e à atividade no exterior).
Dois deles estão relacionados à celebração de acordos internacionais (de bitributação e para proteger
os investimentos contra riscos políticos), além de programas de dedução fiscal e apoio informacional.
Os tratados para evitar bitributação são apontados como a primeira opção para as indústrias de bens
intermediários e de bens de capital, sendo que para este último setor, o financiamento à atividade no
exterior é demanda igualmente importante.
A celebração de tratados para proteção contra riscos políticos no exterior é a primeira opção apenas
para as indústrias de bens de consumo e constitui a terceira opção mais assinalada pela indústria de
bens intermediários e para o setor de serviços.
Programas de dedução fiscal no Brasil para investimentos no exterior é a segunda política pública
mais mencionada pelo total de ETBs, a primeira para empresas do setor de serviços e a segunda para
as indústrias de bens intermediários, conforme a tabela abaixo.
Qual iniciativa do Governo brasileiro que mais facilitaria a sua atividade no exterior?
Bens de
consumo
Bens
intermediários
Bens de
Capital
Serviços
Financiamento à atividade no exterior
17,4%
4,3%
33,3%
20,2%
Financiamento ao investimento no exterior
17,4%
13,0%
16,7%
11,5%
Acordos de proteção contra riscos políticos
no exterior
26,1%
13,0%
0,0%
15,4%
Tratados para evitar a bitributação (no Brasil
e no exterior)
13,0%
34,8%
33,3%
17,1%
Programas de dedução fiscal no Brasil
8,7%
21,7%
16,7%
26,9%
Apoio informacional
17,4%
8,7%
0,0%
9,0%
POLÍTICAS PÚBLICAS
Fonte: SOBEET / Valor Econômico. Elaboração: CNI
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CONFEDERAÇÃO NACIONAL DA INDÚSTRIA – CNI
DIRETORIA DE DESENVOLVIMENTO INDUSTRIAL – DDI
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Transnacionais e Globalização Econômica
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Presidente
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Analista Econômica
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