Graduação em Engenharia Ambiental e Urbana
Caracterização dos Compostos Orgânicos
Voláteis no Entorno do Polo Petroquímico
de Capuava, Mauá – SP
Trabalho de Graduação
Aluna: Mônica Maria Brumatti
Orientadora: Profa. Dra. Cláudia Boian
Co-Orientadora: Profa. Dra. Adalgiza Fornaro
Santo André – SP
2013
Mônica Maria Brumatti
Caracterização dos Compostos Orgânicos
Voláteis no Entorno do Polo Petroquímico
de Capuava, Mauá – SP.
Trabalho
de
Conclusão
Graduação
apresentado
Engenharia
Ambiental
e
de
Curso
de
no
curso
de
Urbana
na
Universidade Federal do ABC – UFABC,
campus Santo André.
Orientadora: Profa. Dra. Cláudia Boian
Co-Orientadora: Profa. Dra. Adalgiza Fornaro
Santo André
2013
2
Brumatti, Mônica Maria.
Caracterização
dos
Compostos
Orgânicos Voláteis no Entorno do
Polo
Petroquímico
de Capuava, Santo André – SP /
Mônica Maria Brumatti. – Santo
André, SP: UFABC,2013. 40 p.
3
Mônica Maria Brumatti
CARACTERIZAÇÃO DOS COMPOSTOS ORGÂNICOS VOLÁTEIS NO
ENTORNO DO POLO PETROQUÍMICO DE CAPUAVA, MAUÁ – SP
Esse trabalho de graduação foi julgado e aprovado para obtenção do
bacharelado no curso de Engenharia Ambiental e Urbana na
Universidade Federal do ABC.
Santo André – SP, 09 de outubro de 2013.
_______________________________
Prof. Dr. Ricardo de Souza Moretti
Coordenador do Curso
_______________________________
Profa. Dra. Cláudia Boian
Orientadora (UFABC)
_______________________________
Profa. Dra. Adalgiza Fornaro
Co-Orientadora (USP)
_______________________________
Profa. Dra. Janaína de Souza Garcia
(UFABC)
4
DEDICATÓRIA
A meus pais, minha irmã, Daniel e aos
meus amigos Marco, Junior e Jéssica.
5
Agradeço,
À Deus por ter me colocado em minha família, diante das oportunidades que
tive e por ter me dado força durante todas as fases difíceis da minha trajetória.
A meus pais por terem me apoiado desde o início do período de
aprendizagem, deixando clara a importância do conhecimento, por terem me
apoiado quando decidi deixar nossa casa para ingressar no ensino superior e por
todo apoio econômico e emocional durante a graduação.
À minha irmã Simone, que acompanha diariamente meu trabalho e dedicação
a UFABC desde 2009, por seu apoio emocional e encorajador.
Aos meus amigos Jéssica, Juninho e Marco que me apoiam desde o início da
graduação.
À Prof. Dra. Cláudia Boian pela orientação deste trabalho, auxiliando e
colaborando sempre para seu bom desenvolvimento e conclusão.
À Prof. Dra. Adalgiza Fornaro, pela co-orientação deste trabalho.
À Pamela Alejandra Diminutti (doutoranda) e Thiago Nogueira (pós doutor),
do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de
São Paulo (IAG/USP) pelo auxílio nas análises cromatográficas dos dados.
Ao Daniel por todo apoio e compreensão durante a segunda metade da
graduação.
Às minhas amigas Diana, Camila e Carol, da Engenharia Ambiental e Urbana
pelo apoio dado durante a parte final da graduação.
A todos que direta ou indiretamente auxiliaram na realização deste trabalho.
6
EPÍGRAFE
"Obstáculo é aquilo que você enxerga,
quando tira os olhos do seu objetivo."
Autor: Henry Ford
7
RESUMO
Os compostos orgânicos voláteis (COVs) são uma classe de contaminantes com
características bastante diferenciadas do restante dos poluentes atmosféricos. O
número de espécies orgânicas na atmosfera é elevado e as pressões de vapor de
muitas delas fazem com que a transição entre as fases gasosa e particulada seja
frequente. Estes compostos na atmosfera urbana e industrial são provenientes
principalmente da exaustão do motor de veículos e outros processos que utilizam a
queima de combustíveis fósseis, armazenamento e distribuição de petróleo, o uso
de solventes e outros processos industriais. Inúmeros efeitos dos COVs são
reconhecidos, tais como sua contribuição para a depleção do ozônio estratosférico,
formação do ozônio troposférico, efeitos tóxicos, cancerígenos e mutagênicos na
saúde humana e aumento do efeito estufa. No Brasil, apesar dos conhecidos efeitos
adversos dos COVs, não existem regulamentações para o controle de emissões
destes compostos. Este trabalho teve por objetivo fazer uma avaliação dos COVs na
região de influência do Polo Petroquímico de Capuava, Mauá, SP. As amostras de
ar foram coletas em dois pontos: P1 (Universidade Federal do ABC, Santo André,
SP) e P2 (Escola Estadual Profa. Sada Umeizawa, Mauá, SP). Estas coletas foram
feitas em tubos TENAX TA, próprios para este fim, e analisadas em laboratório pelo
método de cromatografia gasosa FID. As medidas foram realizadas após a
passagem de uma frente fria, representando uma atmosfera limpa, sem a presença
de plumas envelhecidas. Foram medidas concentrações baixas de HCs, sendo que
os de maiores concentrações foram em P1 (1,2,4 trimetilbenzeno, BTEX, ndodecano e trans-2-hexano) e P2 (1,2,4 trimetilbenzeno, BTEX, n-dodecano, nhexano). Com relação aos BTEX em P1 e P2 as maiores concentrações foram
medidas para o tolueno e o m,p-xilenos. As análises das razões B/T e X/E
mostraram que as fontes de emissão em ambos os pontos de medidas foram
predominantemente
veicular;
estando
em
concordância
com
os
dados
meteorológicos de direção e velocidade dos ventos e do ponto de vista fotoquímico
as plumas eram jovens, com as fontes próximas aos locais de medidas, conforme o
esperado.
Palavras-Chaves:
compostos
orgânicos
voláteis,
poluição
atmosférica,
cromatografia gasosa.
8
ABSTRACT
The volatile organic compounds (VOCs) are a class of contaminants with different
characteristics from the others atmospherics pollutants. The number of organic
species in the atmosphere is high and the vapor pressure of them contributes to
transition of gas phase to particulate are frequent. These compounds in the urban
and industrial atmosphere are from mainly of the exhaust of motor vehicles and other
process that use fossil fuels burning, storage and distribution of petroleum, the use of
solvents and other industrial processes. Several effects of COVs are recognized,
such as the contribution to stratospheric ozone depletion, tropospheric ozone
formation, toxic, carcinogenic and mutagenic human health effects and enhancement
of the greenhouse effect. In spite of this, there is not regularization for the control of
the emissions of these compounds in Brazil. The objective of this work was to
evaluate the VOCs in the region of influence of Petrochemical Complex of Capuava,
Mauá, SP). The air samples were collected in two points: P1 (Universidade Federal
do ABC, Santo André, SP) e P2 (Escola Estadual Profa. Sada Umeizawa, Mauá,
SP). These samples were made in TENAX TA tubes, appropriate for this, and they
were analyzed in labor through gas chromatography FID. The measurements were
made after the passage of frontal cold, meaning a clean atmospheric, without the
presence of aged plumes. It was measured low concentrations of hydrocarbons, with
higher concentrations for P1 (1,2,4-trimethylbenzene, BTEX, n-dodecane and trans2-hexene) and P2 (1,2,4-trimethylbenzene, BTEX, n-dodecane, n-hexene). For the
BTEX in P1 and P2 the higher concentrations were measured for toluene and m,pxylenes. The analyses of B/T and X/E ratios showed that the emissions sources in
both
measurements
points
were
mainly
vehicular;
in
concordance
with
meteorological data of winds’ direction and speed and the point of view of
photochemical age the plumes were fresh, with the sources near to the local of
measurements, as expected.
Key words: volatile organic compounds, atmospheric pollution, gas chromatography.
9
LISTA DE FIGURAS
Figura 1 - Localização geográfica do Polo Petroquímico de Capuava com relação à
Universidade Federal do ABC (UFABC) e o centro de Santo André (SP). ............... 15
Figura 2 - Ponto de amostragem P1 – UFABC, Santo André - SP. ......................... 18
Figura 3 - Ponto de amostragem P2 - Escola Estadual Profa. Sada Umeizawa,
Mauá - SP. .............................................................................................................. 18
Figura 4 - Tubo Tenax TA utilizado para amostragem de ar. ................................... 19
Figura 5 - Sistema de amostragem de ar (tubo TENAX TA e bomba a vácuo) e
medidor de fluxo. ..................................................................................................... 20
Figura 6 - Cromatograma. ....................................................................................... 21
Figura 7 - Sistema cromatográfico do Laboratório de Análise dos Processos
(LAPAT), no IAG/USP. ............................................................................................ 22
Figura 8 - Emissão de hidrocarbonetos versus Capacidade instalada. .................... 23
Figura 9 - Imagens do satélite GOES - 13, no infravermelho para: (a) 02/06/2013,
0:00 UTC; (b) 03/06/2013 9:00 UTC; (c) 04/06/2013 9:00 UTC; (d) 05/06/2013 9:00
UTC......................................................................................................................... 24
Figura 10 - Localização dos pontos de amostragem P1 e P2, do Polo Petroquímico
de Capuava da Estação Meteorológica do IAG/USP, Água Funda, SP e da CETESB,
São Caetano do Sul, SP (SCS). .............................................................................. 25
Figura 11 - Concentração de HCs pesados em P1. ................................................. 27
Figura 12 - Concentração de HCs pesados em P2. ................................................. 28
Figura 13 - Média das concentrações horárias dos HCs, medidos no IAG/USP, na
primavera de 2012. ................................................................................................. 30
Figura 14 - BTEX em P1. ........................................................................................ 31
Figura 15 - BTEX em P2. ........................................................................................ 31
Figura 16 - BTEX no IAG/USP. ............................................................................... 32
10
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 - Propriedades do material TENAX TA. .................................................... 19
Tabela 2 - Estimativa das emissões atmosféricas de poluentes (CO – monóxido de
carbono; HCs; NOx – óxidos de nitrogênio; SOx – óxidos de enxofre e MP – material
particulado) relativa à queima de combustíveis nas fontes estacionárias
correspondentes às refinarias de petróleo em Cubatão, São José dos Campos e
Paulínia. .................................................................................................................. 23
Tabela 3 - Dados meteorológicos da Estação Meteorológica IAG/USP - SP, da
CETESB São Caetano do Sul - SP e da CETESB Marginal Tietê Ponte dos
Remédios – SP para 04/06/2013. ............................................................................ 25
Tabela 4 - Dados meteorológicos da Estação Meteorológica IAG/USP - SP, da
CETESB São Caetano do Sul - SP e da CETESB Marginal Tietê Ponte dos
Remédios – SP para 05/06/2013. ........................................................................... 26
Tabela 5 - Razões Benzeno/Tolueno (B/T); m,p-Xilenos/Etilbenzeno (X/E) em P1, P2
e IAG/USP. .............................................................................................................. 33
11
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO .................................................................................................... 13
2. OBJETIVO........................................................................................................... 17
3. ÁREA DE ESTUDO ............................................................................................. 17
4. MATERIAIS E MÉTODOS ................................................................................... 18
4.1. Amostragem do Ar em Tubos TENAX TA ..................................................... 19
4.2. Análise das Amostras .................................................................................... 20
5. RESULTADOS E DISCUSSÕES......................................................................... 22
5.1. Estimativa das Emissões de Hidrocarbonetos da Refinaria de Capuava em
Função da Capacidade Instalada ......................................................................... 22
5.2. Campanha de Medidas de COVs ................................................................. 24
6. CONCLUSÃO ...................................................................................................... 33
7. SUGESTÕES PARA TRABALHOS FUTUROS ................................................... 34
8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................................... 35
12
1. INTRODUÇÃO
Os compostos orgânicos voláteis (COVs) são uma classe de contaminantes com
características bastante diferenciadas do restante dos poluentes atmosféricos. O
número de espécies orgânicas na atmosfera é elevado e as pressões de vapor de
muitas delas fazem com que a transição entre as fases gasosa e particulada seja
frequente. Assim, existe uma variedade de compostos orgânicos presentes
simultaneamente como vapores e como partículas no ar ambiente. Por definição, um
COV é uma substância cuja pressão de vapor a 20 ºC é inferior à pressão
atmosférica normal (1,013×105 Pa) e maior do que 130 Pa. O termo COV é, por
vezes, estendido aos compostos semi-voláteis e engloba não só os hidrocarbonetos
(HCs, compostos de carbono-hidrogênio), mas também outras funções orgânicas,
como, por exemplo, as que contêm oxigênio (aldeídos, cetonas, alcoóis, éteres,
etc.), nitrogênio (aminas, etc.) cloro (PCBs, polivinilclorados). É também frequente
utilizar o termo HC menos o metano (HCNM), uma vez que este último é, em geral,
estudado separadamente (Alves et al., 2006). Os COVs são também classificados
em leves e pesados, sendo o primeiro aqueles que possuem até cinco carbonos na
sua composição. Na Tabela 1, anexo I, são mostradas as propriedades físico
químicas (fórmula molecular, massa molar, densidade e fórmula estrutural) dos 36
hidrocarbonetos pesados (C6 até C12) analisados neste estudo.
Os COVs (excetuando o metano) são encontrados na troposfera em
concentrações variando desde partes por bilhão (ppbv) até partes por trilhão (pptv),
(Alves et al., 2006). Estes compostos na atmosfera urbana e industrial são
provenientes principalmente da exaustão do motor de veículos e outros processos
que utilizam a queima de combustíveis fóssil, armazenamento e distribuição de
petróleo, o uso de solventes e outros processos industriais (Cetin et al., 2003). As
refinarias de petróleo e petroquímicas são geralmente instalações industriais
grandes. Suas operações estão associadas com a emissão de vários compostos
orgânicos na atmosfera, dentre eles o grupo dos COVs aromáticos (benzeno,
tolueno, etil benzeno e xilenos), coletivamente chamados de BTEX. Neste trabalho
sforam analisados os hidrocarbonetos pesados (que vão desde C6H6 até C12H26) que
representam boa parte dos compostos aromáticos. Estes compostos são emitidos
principalmente a partir dos processos de produção industrial, de armazenamentos
em tanques e áreas de resíduos (Kalabokas et al., 2001). Em áreas urbanas e
13
industrializadas o grupo do BTEX, constitui mais de 60% dos COVs (Tiwari et al.,
2010). Ressaltamos que estes compostos apresentam efeitos tóxicos, cancerígenos
e mutagênicos sobre a saúde humana (Zaccarelli-Marino, 2012), (Hsieh et al., 2006).
De um modo geral, inúmeros efeitos dos COVs são reconhecidos, tais como a
sua contribuição para a depleção do ozônio estratosférico, a formação do ozônio
troposférico, os efeitos tóxicos e cancerígenos na saúde humana e o aumento do
efeito estufa (Dewulf and Langenhove, 1999). No Brasil, apesar dos conhecidos
efeitos adversos dos COVs, não há padrão de qualidade do ar para estes poluentes.
A maioria dos fenômenos de poluição e movimentação atmosférica acontece na
parte mais baixa da atmosfera, chamada de Camada Limite Planetária (CLP), que
sofre variações de acordo com tempo e espaço, podendo variar de alguns metros a
cerca de 2 km (Moreira, 2007), (Seinfeld e Padis, 1998).
Na região da cidade de São Paulo, grande parte das emissões de poluentes
atmosféricos é devida à imensa frota de veículos automotores (de diferentes idades),
rodando com os mais diversos tipos de combustíveis (etanol, gasolina, diesel, GNV,
mistura diesel/biodiesel). Porém a Região do Grande ABC (Santo André, São
Bernardo, São Caetano do Sul, Mauá, Diadema, Ribeirão Pires e Rio Grande da
Serra) apresenta singularidades porque além de uma frota significativa de veículos
automotores, possui um forte caráter industrial. Na cidade de Mauá, que faz divisa
com Santo André, existem dois polos industriais (Capuava e Sertãozinho) e um
grande Polo Petroquímico onde está localizada a refinaria da Petrobrás de Capuava
(RECAP). Estes polos transformaram a cidade de Mauá em um dos maiores parques
industriais do país. O Polo Petroquímico de Capuava dista cerca de 6 km da região
central de Santo André, Figura 1.
14
Figura 1 - Localização geográfica do Polo Petroquímico de Capuava com relação à
Universidade Federal do ABC (UFABC) e o centro de Santo André (SP).
A RECAP tem uma capacidade instalada de 49 mbbl/dia (milhões de barris/dia),
produzindo principalmente os seguintes derivados do petróleo: propeno, gás
liquefeito de petróleo (GLP), gasolina, óleo diesel metropolitano (que apresenta
baixo teor de enxofre) e solventes especiais, (Petrobrás, 2013). A RECAP apresenta
uma peculiaridade com relações a demais, por ser a única com localização no
entorno de área residencial e por estar inserida numa planta industrial de
manufaturados de subprodutos de petróleo, ocupada por 14 indústrias produzindo
polietileno e polipropietileno, a partir da destilação da nafta e várias substâncias
intermediárias que são usadas como matéria prima para a manufatura de outros
produtos (Zaccarelli-Marino, 2012).
Poucos estudos sobre a poluição atmosférica na região do ABC e seus impactos
foram desenvolvidos. Podemos citar os trabalhos de (i) Saiki, et al., (2006) que
utilizaram espécies de liquens para fazer um biomonitoramento da poluição
atmosférica no município de Santo André. De acordo com este estudo existem
regiões no município onde a poluição está mais concentrada, na região de Capuava
foram medidas as maiores concentrações de As, Ba, Cd, Co, Cr, Cs, Fe, La, Na, Sb,
Sc, U e Zn; (ii) Savóia et al., 2009 fizeram um biomonitoramento dos riscos
genotóxicos, utilizando bioensaios TRAD-MCN, desenvolvido com a espécie
Tradescantia pallida “Purpurea”, em períodos do ano aonde os riscos são maiores e
em áreas da cidade de Santo André contaminadas por diferentes poluentes
15
atmosféricos. Os resultados mostraram que as condições do meio ambiente
observadas nas regiões urbanizadas e industrializadas de Santo André são
desgastantes o suficiente para promover o aumento do dano cromossômico em
células polens mãe na inflorescência da Tradescantia pallida “Purpurea”; (iii)
Zaccarelli-Marino, 2012 realizou um estudo para investigar se havia um aumento na
incidência de tireoidismo autoimune crônico em indivíduos que moram perto do Polo
Petroquímico de Capuava, na divisa entre Santo André e Mauá. No período de
quinze anos (1989 a 2004), foram analisados 6.306 pacientes de ambos os sexos,
com idades de 5 a 78 anos, divididos em dois grupos de acordo com o local de sua
residência: Grupo 1- 3.356 pacientes, residentes da área próxima ao Polo
Petroquímico de Capuava que manufatura produtos do petróleo. Esta área industrial
foi chamada de Região A e é ocupada por 14 indústrias que produzem polietileno e
polipropileno a partir da destilação da nafta e de várias substâncias intermediárias
que são usadas como matéria prima para a manufatura de outros produtos.
Diferentemente dos outros complexos industriais do setor, cujo planejamento urbano
das cidades nas quais estão instalados proibe a construção de moradias nas
imediações, na região do Grande ABCD casas e edificações foram construídas bem
próximas ao Polo Petroquímico de Capuava, tornando a região densamente
povoada. Grupo 2 - 2.950 pacientes, residentes nas vizinhanças de outra área
industrial com indústrias predominantemente de aço e sem refinarias de produtos do
petróleo. Esta área localiza-se nas vizinhanças dos municípios de Santo André, São
Bernardo do Campo e São Caetano do Sul, e dista cerca de 8,5 km da Região A.
Esta área industrial foi chamada de região B e foi tratada como um grupo de
controle. Históricos clínicos foram registrados e exames físicos foram feitos em todos
os pacientes selecionados para este estudo (6.306 pacientes). Cada paciente tinha
morado na Região A ou B por mais de 10 anos na mesma casa, com o mesmo
endereço e os controles foram selecionados por terem situação social e econômica
similar. Os resultados mostraram um considerável aumento de incidência de
tireoidismo autoimune crônico em indivíduos que moram perto do Polo Petroquímico
de Capuava, que manufatura subprodutos do petróleo, em comparação com os que
moram nas vizinhanças da área com indústrias de aço, sugerindo que fatores
ambientais, incluindo agentes poluidores químicos, poderiam agir como antígenos
que atuam na glândula tireoide como um gatilho externo que inicia o processo de
formação do anticorpo tireoidiano, causando o tireoidismo autoimune crônico. O
16
autor destaca que uma das limitações do presente estudo foi a não determinação
específica destes agentes poluidores.
Apesar de diversos estudos na Região Metropolitana de São Paulo acerca da
poluição atmosférica, poucas informações tratam sobre a singularidade da região do
Grande ABC. A motivação para o desenvolvimento deste projeto veio: (i) da falta de
estudos mais específicos sobre a problemática da poluição do ar para a Região do
Grande ABC, levando em conta a vocação industrial deste local e a presença de um
grande Polo Petroquímico nas adjacências, aliados ao crescente contingente de
emissões por fontes veiculares, que integram o inventário de emissões da região; (ii)
da inexistência de medidas de COVs para a Região do Grande ABC. Por serem as
primeiras medidas de COVs na região e no entorno do Polo Petroquímico de
Capuava, esperamos com este trabalho realizar uma avaliação preliminar da área de
estudo e fornecer subsídios para estudos futuros mais detalhados sobre a influência
das emissões do Polo Petroquímico na qualidade do ar e na saúde humana na
região de Santo André e Mauá, SP.
2. OBJETIVO
Caracterizar os COVs, com destaque para os hidrocarbonetos de C6 até C12, na
região de influência do Polo Petroquímico de Capuava.
3. ÁREA DE ESTUDO
A área de estudada compreende os pontos de amostragem de ar nas cidades de
Santo André, SP e Mauá, SP.
Estes pontos foram escolhidos de forma a
representar as emissões: (i) numa região próxima ao Polo Petroquímico e com
contribuição significativa de fontes móveis (P1 – UFABC, localizada na Avenida dos
Estados, corredor de ligação entre as cidades Mauá, Santo André e São Caetano e
São Paulo e cerca de 5 Km à noroeste do Polo (Figura 1) ; (ii) na área de influência
do Polo Petroquímico de Capuava (P2 – Escola Estadual Profa. Sada Umeizawa),
que dista cerca de 2 Km à sudeste do mesmo. As Figuras 2 e 3 mostram os pontos
de amostragem P1 e P2, respectivamente.
17
Figura 2 - Ponto de amostragem P1 – UFABC, Santo André - SP.
Figura 3 - Ponto de amostragem P2 - Escola Estadual Profa. Sada Umeizawa,
Mauá - SP.
18
4. MATERIAIS E MÉTODOS
4.1. Amostragem do Ar em Tubos TENAX TA
A amostragem de ar para posterior análise dos COVs é realizada por tubos
TENAX TA, uma resina de polímero especificamente concebida para a retenção de
compostos voláteis e semi-voláteis na atmosfera (Figura 4). A Tabela 1 mostra as
propriedades destes tubos.
Figura 4 - Tubo Tenax TA utilizado para amostragem de ar.
Tabela 1 - Propriedades do material TENAX TA.
FONTE: SEELEY, et al., 2005
Propriedades do Material (TENAX TA)
Estrutura química
Polímero poroso óxido resina 2,6-difenileno
Limite de temperatura
350 °C
Afinidade por água
Baixo
Área superficial específica
35 m2/g
Volume de poro
2,4 cm3/g
Tamanho médio de poro
200 nm
Densidade
0,25 g/cm3
Granulometria
60/80 mesh
Neste trabalho, a entrada de ar para os tubos foi feita com o auxílio de uma
bomba a vácuo (método ativo), utilizando um fluxo constante (0,3 L/min) à baixa
pressão, com o período de coleta de uma hora. A Figura 5 mostra o sistema de
amostragem de ar (tubo TENAX TA e bomba a vácuo) e medidor de fluxo.
19
Figura 5 - Sistema de amostragem de ar (tubo TENAX TA e bomba a vácuo) e
medidor de fluxo.
4.2. Análise das Amostras
As amostras foram analisadas no Laboratório de Análise de Processos (LAPAT),
no IAG/USP, utilizando a técnica de cromatografia com detector FID (Flame
Ionization Detector). A cromatografia é um método físico-químico de separação, no
qual os componentes a serem separados são distribuídos entre duas fases: a fase
estacionária, e a fase móvel. No caso da cromatografia, a fase móvel é o próprio gás
de arraste que consiste num gás inerte (não reage com a amostra), de alta pureza.
Normalmente são utilizados como gases de arraste nitrogênio, hélio ou hidrogênio. A
fase estacionária fica inerte dentro da coluna, e é por onde o gás de arraste irá fluir.
A amostra será injetada na coluna e levada pelo gás de arraste. O componente da
amostra que tiver maior afinidade com a fase estacionária demorará mais tempo
para ser eluído que os que tiverem menor interação (Silveira, 2009). Para o
reconhecimento de cada composto existe um padrão de calibração de acordo com o
tempo de retenção. O detector é um dispositivo que qualifica e/ou quantifica os
componentes separados pela coluna cromatográfica. No detector FID a amostra é
queimada em chama de hidrogênio e oxigênio, e é gerada uma corrente elétrica que
é proporcional à concentração de analito, em seguida a corrente passa por um
conversor de sinal e é registrado (Silva et al., 2004).
20
O resultado da análise é o cromatograma, que corresponde ao pico de corrente
elétrica (em microVolts) em função do tempo de retenção de cada composto (em
minutos), Figura 6.
Figura 6 - Cromatograma.
Neste trabalho, as amostras foram analisadas por um sistema cromatográfico Perkin Elmer com dois detectores de ionização de chama (CG/FID modelo Clarus
500), acoplado a um módulo de dessorção térmica (Figura 7). O duplo sistema
CGFID contêm dois detectores FID e duas colunas analíticas: coluna PLOT (Porous
Layer Open Tubular) para a fração mais volátil separada e coluna de BP-1 metil
silicone para os HCs menos voláteis.
Cada cartucho TENAX TA é automaticamente transferido para um sistema
de dessorção térmica controlada. Todo vapor gerado passa primeiro por uma coluna
de metil-silicone (50m x 0,22m x 1 µm), da qual a partir do controle de tempo, do
fluxo e da temperatura, a amostra é direcionada para duas colunas distintas, a PLOT
e a BP1, para separação dos HCs mais e menos voláteis, respectivamente. No total
foram determinados 36 HCs pesados.
21
Figura 7 - Sistema cromatográfico do Laboratório de Análise dos Processos
(LAPAT), no IAG/USP.
5. RESULTADOS E DISCUSSÕES
5.1. Estimativa das Emissões de Hidrocarbonetos da Refinaria de Capuava em
Função da Capacidade Instalada
Com base no inventário de emissões da CETESB - Companhia de Tecnologia e
Saneamento Ambiental (CETESB, 2006) e nos dados de capacidade instalada de
refinarias (Petrobras, 2013), estimou-se a emissão de hidrocarbonetos da Refinaria
de Capuava. Segundo o inventário de emissões da CETESB, as indústrias
petroquímicas contribuem com uma grande emissão de monóxido de carbono (CO),
HCs, nitrogenados (NO x) e material particulado (MP) para a atmosfera (Tabela 2).
22
Tabela 2 - Estimativa das emissões atmosféricas de poluentes (CO – monóxido de
carbono; HCs; NOx – óxidos de nitrogênio; SOx – óxidos de enxofre e
MP – material particulado) relativa à queima de combustíveis nas fontes
estacionárias correspondentes às refinarias de petróleo em Cubatão,
São José dos Campos e Paulínia.
FONTE: CETESB, (2006); Petrobrás, (2013).
Emissões de Poluentes (t/ano) – CETESB (2006)
Empresa
Município
Petrobrás S.A. –
RPBC (Refinaria
de Presidente
Bernardes)
Petrobrás S.A. –
REVAP (Refinaria
do Vale do
Paraíba)
Petrobrás S.A. –
REPLAN
(Refinaria de
Paulínia)
CO
HC
NOx
SOx
MP
Capacidade
Instalada (mbbl/dia)
Petrobrás ( 2013)
Cubatão (SP) 1607,19 2070,06 3879,45 7452,41 406,12
172
São José dos
Campos (SP)
741,9
3382,9
5434,4
9291,8
1300,9
252
Paulínia (SP)
2267
6271
7584
12074
1201
356
Com base nos dados de capacidade instalada e emissão de HCs da Tabela 2,
fizemos uma extrapolação para estimar a emissão da RECAP em toneladas/ano
(t/ano), tendo sido estimado o valor de 989,8 t/ano, como mostra a Figura 8.
Emissão HCs (ton/ano)
7000
6000
5000
4000
y = 737,66*exp(0,006x)
R² = 0,9999
3000
2000
1000
0
0
50
100
150
200
250
300
350
400
Capacidade instalada (mbbl/dia)
Figura 8 - Emissão de hidrocarbonetos versus Capacidade instalada.
23
5.2. Campanha de Medidas de COVs
As amostragens de ar foram realizadas nos dias 04 e 05 de junho de 2013, nos
pontos P1 e P2, respectivamente. As amostras foram coletadas a cada 1h, no
período das 8h15min até 11h15min, numa condição meteorológica pós-frontal (após
a passagem de uma frente fria), conforme mostram as imagens de satélite da Figura
9 (a-d).
(a)
(b)
(c)
(d)
Figura 9 - Imagens do satélite GOES - 13, no infravermelho para: (a) 02/06/2013,
0:00 UTC; (b) 03/06/2013 9:00 UTC; (c) 04/06/2013 9:00 UTC; (d)
05/06/2013 9:00 UTC
FONTE: CPTEC/INPE, (2013).
Para o período de amostragem do ar foram utilizados os dados meteorológicos
(temperatura, precipitação, direção, velocidade do vento e radiação solar global)
24
provenientes da Estação CETESB de São Caetano do Sul, SP – SCS (distante
cerca de 7,5 km com relação ao Polo Petroquímico, na direção nordeste), da
Estação Meteorológica do IAG/USP, Água Funda, SP (distante cerca de 15 km com
relação ao Polo Petroquímico, na direção oeste) e da estação CETESB Marginal
Pinheiros (Ponte dos Remédios) - SP, conforme mostra a Figura 10. Os parâmetros
meteorológicos para os dias 04 e 05/06/2013 são mostrados nas Tabelas 3 e 4.
Figura 10 - Localização dos pontos de amostragem P1 e P2, do Polo Petroquímico
de Capuava da Estação Meteorológica do IAG/USP, Água Funda, SP e
da CETESB, São Caetano do Sul, SP (SCS).
Tabela 3 - Dados meteorológicos da Estação Meteorológica IAG/USP - SP, da
CETESB São Caetano do Sul - SP e da CETESB Marginal Tietê Ponte
dos Remédios – SP para 04/06/2013.
Horário
Temperatura média
(°C) - Estação
Meteorológica
IAG/USP
04/06/2013
Precipitação (mm)
Direção dos
Estação
ventos
Meteorológica
CETESB SCS
IAG/USP
Velocidade média
dos ventos (m/s)
CETESB SCS
RADG
(Radiação solar
global) W/m²
8:00-9:00
14,4
0
NO
0,7
265
9:00-10:00
17,0
0
O
1,2
435
10:00-11:00
17,4
0
ENE
1,1
490
25
Tabela 4 - Dados meteorológicos da Estação Meteorológica IAG/USP - SP, da
CETESB São Caetano do Sul - SP e da CETESB Marginal Tietê Ponte
dos Remédios – SP para 05/06/2013.
Horário
Temperatura média
(°C) - Estação
Meteorológica
IAG/USP
05/06/2013
Precipitação (mm)
Direção dos
Estação
ventos
Meteorológica
CETESB SCS
IAG/USP
Velocidade média
dos ventos (m/s)
Cetesb SCS
RADG
(Radiação solar
global) W/m²
8:00-9:00
17,2
0
ESSE
1,4
324
9:00-10:00
18,5
0
SE
1,6
498
10:00-11:00
19,9
0
SE
1,6
627
As Figuras 11 e 12 mostram, respectivamente, as concentrações dos HCs
pesados para os pontos de amostragem P1 e P2.
26
0,0
trans-2-hexeno
tolueno
estireno
p-etiltolueno
p-dietilbenzeno
o-xileno
o-etiltolueno
n-undecano
n-propilbenzeno
n-octano
n-nonano
9:15h-10:15h
n-hexano
n-heptano
n-dodecano
n-decano
m,p-xilenos
m-etiltolueno
metilciclopentano
metilciclohexano
m-dietilbenzeno
8:15h-9:15h
isopropilbenzeno
etilbenzeno
ciclohexano
benzeno
3-metil-hexano
3-metil-heptano
2-metil-hexano
2-metil-heptano
2,4-dimetilpentano
2,3-dimetilpentano
2,3,4-trimetilpentano
2,2,4-trimetilpentano
1,3,5-trimetilbenzeno
1,2,4-trimetilbenzeno
1,2,3-trimetilbenzeno
HCs (µg/m3)
2,0
1,8
10:15h-11:15h
1,6
1,4
1,2
1,0
0,8
0,6
0,4
0,2
Figura 11 - Concentração de HCs pesados em P1.
27
trans-2-hexeno
tolueno
estireno
p-etiltolueno
p-dietilbenzeno
o-xileno
o-etiltolueno
n-undecano
n-propilbenzeno
n-octano
n-nonano
n-hexano
9:15h-10:15h
n-heptano
n-dodecano
n-decano
m,p-xilenos
m-etiltolueno
metilciclopentano
metilciclohexano
m-dietilbenzeno
8:15h-9:15h
isopropilbenzeno
etilbenzeno
ciclohexano
benzeno
3-metil-hexano
3-metil-heptano
2-metil-hexano
2-metil-heptano
2,4-dimetilpentano
2,3-dimetilpentano
2,3,4-trimetilpentano
2,2,4-trimetilpentano
1,3,5-trimetilbenzeno
1,2,4-trimetilbenzeno
1,2,3-trimetilbenzeno
HCs (µg/m3)
2,0
10:15h-11:15h
1,8
1,6
1,4
1,2
1,0
0,8
0,6
0,4
0,2
0,0
Figura 12 - Concentração de HCs pesados em P2.
28
As concentrações mais elevadas foram medidas em P1 e os HCs com valores
mais elevados foram: P1 (1,2,4 trimetilbenzeno, BTEX, n-dodecano e trans-2hexano) e P2 (1,2,4 trimetilbenzeno, BTEX, n-dodecano, n-hexano), Como as
amostragens foram realizadas após a passagem de uma frente fria, espera-se uma
atmosfera mais limpa (sem a presença de plumas envelhecidas) sob a influência das
emissões locais. De acordo com os dados meteorológicos de direção e velocidade
do vento (ver Tabela 3), o ponto P1 estava sob a influência de parcelas de ar vindas
de áreas urbanas (São Caetano do Sul e Santo André), passando pela região da
Avenida do Estado que representa uma fonte significativa de emissões veiculares
(fluxo médio de veículos de 12.000 veículos/h, Proieti, 2013). Em P2, de acordo com
os dados de direção e velocidade de vento (ver Tabela 4) as parcelas de ar
presentes no local de amostragem durante a medição não estavam sob a influência
das emissões do Polo Petroquímico de Capuava.
Em P1 as concentrações diminuíram com o tempo e em P2 observou-se o
contrário. Como as concentrações dos HCs em uma parcela de ar em área urbana
podem decrescer por dispersão, deposição e reações químicas ou aumentar em
função de emissões recentes, entende-se que em P1 as reações químicas estejam
consumindo rapidamente os HCs e em P2 os aumentos em função do tempo sejam
devido às emissões recentes e baixa dispersão.
Na Figura 13 são apresentadas, como uma referência preliminar, as
concentrações médias horárias das medidas realizadas no IAG/USP, no período da
primavera de 2012, pela mesma técnica utilizada neste trabalho. No IAG/USP as
concentrações médias dos HCs estavam bem elevadas com relação a P1 e P2. Os
HCs de maiores concentrações foram: 1,2,3 trimetilbenzeno, 1,2,4 trimetilbenzeno
1,3,5-trimetilbenzeno, 2-metil-heptano, m-dietilbenzeno, m-etiltolueno, n-decano, nnonano e tolueno. Ressaltamos que, estes dados do IAG/USP servem apenas como
uma referência preliminar, uma vez que correspondem a valores horários médios de
um período de cerca de três meses, de uma estação do ano (primavera) diferente da
que foram realizadas as medidas em P1 e P2 (outono), com concentrações
bastantes elevadas, pois as medidas foram realizadas num período em que houve
vários episódios de poluição.
29
0,0
trans-2-hexeno
tolueno
estireno
p-etiltolueno
p-dietilbenzeno
o-xileno
o-etiltolueno
n-undecano
n-propilbenzeno
n-octano
n-nonano
n-hexano
n-heptano
n-dodecano
n-decano
m-etiltolueno
metilciclopentano
metilciclohexano
m-dietilbenzeno
p-xileno
9:15h-10:15h
isopropilbenzeno
etilbenzeno
ciclohexano
benzeno
3-metil-hexano
3-metil-heptano
8:15h-9:15h
2-metil-hexano
2-metil-heptano
2,4-dimetilpentano
2,3-dimetilpentano
1,3,5-trimetilbenzeno
1,2,4-trimetilbenzeno
1,2,3-trimetilbenzeno
HCs (µg/m³)
4,0
3,6
10:15h-11:15h
3,2
2,8
2,4
2,0
1,6
1,2
0,8
0,4
Figura 13 - Média das concentrações horárias dos HCs, medidos no IAG/USP, na primavera de 2012.
FONTE: IAG/USP, (2013).
30
Conforme mencionado neste trabalho, o BTEX corresponde a um grupo
importante de HCs, assim analisamos estes compostos com mais detalhes. As
Figuras 14 a 16 mostram as concentrações horárias dos BTEX em P1, P2 e
IAG/USP, respectivamente.
BTEX (µg/m³)
4,0
3,2
2,4
8:15h-9:15h
1,6
9:15h-10:15h
10:15h-11:15h
0,8
0,0
Figura 14 - BTEX em P1.
BTEX (µg/m³)
4,0
3,2
2,4
8:15h-9:15h
1,6
9:15h-10:15h
10:15h-11:15h
0,8
0,0
Figura 15 - BTEX em P2.
31
BTEX (µg/m³)
4,0
3,2
2,4
8:00h-9:00h
1,6
9:00h-10:00h
10:00h-11:00h
0,8
0,0
Figura 16 - BTEX no IAG/USP.
FONTE: IAG/USP, (2013).
Com relação aos BTEX, em P1 e P2 as maiores concentrações foram
medidas para o tolueno e o m,p-xilenos e no IAG/USP tolueno, etilbenzeno e pxileno. Ressaltamos que para estes horários não foi medido o composto m-xileno
para o IAG/USP.
A razão benzeno/tolueno (B/T) pode ser usada para estimar a origem das fontes;
se essa razão estiver entre 0,2 e 0,5 às emissões predominantes podem ser
consideradas de origem veicular (Martins et al., 2008). A Tabela 5 mostra valor
médio destas razões em P1 e P2. Com base nos resultados podemos inferir que em
ambos os pontos de amostragem a fonte predominante é veicular, estando em
concordância com a análise dos dados meteorológicos (ver Tabelas 3 e 4). No
IAG/USP a fonte predominante também é veicular.
A razão m,p-xilenos/etilbenzeno (X/E) é usada como um indicativo da idade
fotoquímica da pluma, isto porque o etilbenzeno tem um tempo de vida longo (cerca
de 1,6 dia), sendo menos reativo em contraposição aos xilenos que são os mais
reativos (tempo de vida entre 11-20h), (Ho et al., 2004). Esta razão também é
utilizada para indicar a distância entre o ponto de coleta e a fonte. Nos pontos P1 e
P2 os valores médios foram 2,2 e 1,8, respectivamente (Tabela 5), indicando uma
pluma jovem do ponto de vista fotoquímico e que as fontes de emissão estão
32
próximas ao local de medida. Para São Paulo os valores da razão X/E, para
diferentes fontes de emissão, obtidas em diferentes estudos estão geralmente entre
2,8 e 4,6 (Martins, 2008).
Tabela 5 - Razões Benzeno/Tolueno (B/T); m,p-Xilenos/Etilbenzeno (X/E) em P1, P2
e IAG/USP.
Local
P1
P2
USP
B/T
0,2
0,3
0,5
X/E
2,2
1,8
-
6. CONCLUSÃO
Este trabalho teve por objetivo caracterizar os COVs na região de influência do
Polo Petroquímico de Capuava. Ressaltamos que se trata de uma avaliação
preliminar, em que foram realizadas pela primeira vez medidas de COVs na Região
do Grande ABC. Assim, esperamos que este trabalho forneça subsídios para
estudos futuros sobre a influência das emissões do Polo Petroquímico na qualidade
do ar na região de Santo André e Mauá.
As medidas foram realizadas após a passagem de uma frente fria, representando
uma atmosfera limpa, sem a presença de plumas envelhecidas. Foram medidas
concentrações baixas de HCs, sendo que os de maiores concentrações foram em
P1 (1,2,4 trimetilbenzeno, BTEX, n-dodecano e trans-2-hexano) e P2 (1,2,4
trimetilbenzeno, BTEX, n-dodecano, n-hexano).
Em P1 as concentrações diminuíram com o tempo e em P2 observou-se o
contrário. Como as concentrações dos HCs em uma parcela de ar em área urbana
podem decrescer por dispersão, deposição e reações químicas ou aumentar em
função de emissões recentes, entende-se que em P1 as reações químicas estejam
consumindo rapidamente os HCs e em P2 os aumentos em função do tempo sejam
devido às emissões recentes.
Com relação aos BTEX, em P1 e P2 as maiores concentrações foram medidas
para o tolueno e o m,p-xilenos. As análises das razões B/T e X/E mostraram que as
fontes de emissão em ambos os pontos de medidas foram predominantemente
veicular, estando em concordância com os dados meteorológicos de direção e
33
velocidade dos ventos e do ponto de vista fotoquímico as plumas eram jovens, com
as fontes próximas aos locais de medidas, conforme o esperado.
7. SUGESTÕES PARA TRABALHOS FUTUROS
Considerando que este foi um trabalho de avaliação preliminar, com as primeiras
medidas de COVS na Região do Grande ABC, sugerimos que sejam realizados
estudos futuros com uma amostragem maior de dados, em diferentes períodos do
ano, a fim de: (i) analisar a sazonalidade dos COVs na região; (ii) avaliar a
variabilidade das concentrações nos períodos da manhã e da tarde (iii) realizar
estudos mais aprofundados da influência da meteorológica local nas concentrações
destes compostos; (iv) avaliar a influência do Polo Petroquímico de Capuava na
região.
34
8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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36
Anexo I
37
Tabela 1 – Propriedades físico químicas dos HCs analisados neste estudo.
Hidrocarboneto
Fórmula
Molecular
Massa Molar
(g/mol)
Densidade
(g/cm³)
1,2,3-trimetilbenzeno
C9H12
120,19
0,89
1,2,4-trimetilbenzeno
C9H12
120,19
0,87
1,3,5-trimetilbenzeno
C9H12
120,19
0,87
2,2,4-trimetilpentano
C8H18
114,23
0,69
2,3,4-trimetilpentano
C8H18
114,23
0,72
2,3-dimetilpentano
C7H16
100,20
0,70
2,4-dimetilpentano
C7H16
100,20
0,67
2-metil-heptano
C8H18
114,23
0,70
2-metil-hexano
C7H16
100,20
0,68
3-metil-heptano
C8H18
114,23
0,71
3-metil-hexano
C7H16
100,20
0,69
Benzeno
C6H6
78,11
0,88
Fórmula estrutural
38
Cont. Tabela 1
Ciclohexano
C6H12
84,16
0,78
Etilbenzeno
C8H10
106,17
0,87
isopropilbenzeno
C9H12
120,19
0,86
m-dietilbenzeno
C10H14
134,22
0,86
metilciclohexano
C7H14
98,19
0,77
metilciclopentano
C6H12
84,16
0,75
m-etiltolueno
C9H12
120,19
0,86
m-xileno
C8H10
106,17
0,87
p-xileno
C8H10
106,17
0,87
n-decano
C10H22
142,28
0,74
n-dodecano
C12H26
170,33
0,75
n-heptano
C7H16
100,20
0,71
n-hexano
C6H14
86,16
0,69
n-nonano
C9H10
128,26
0,72
n-octano
C8H18
114,23
0,70
n-propilbenzeno
C9H12
120,19
0,86
n-undecano
C11H24
156,31
0,74
o-etiltolueno
C9H12
120,19
0,89
39
Cont. Tabela 1.
o-xileno
C8H10
106,17
0,88
p-dietilbenzeno
C10H14
134,22
0,86
p-etiltolueno
C9H12
120,19
0,86
Estireno
C8H8
104,15
0,90
Tolueno
C7H8
92,14
0,87
trans-2-hexeno
C6H12
84,16
0,68
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Caracterização dos Compostos Orgânicos Voláteis no