XIII JORNADA DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO – JEPEX 2013 – UFRPE: Recife, 09 a 13 de dezembro. DETERMINAÇÃO DO TEOR DE ÁGUA EM SEMENTES DE Enterolobium contortisiliquum (Vell.) Morong Ariana Veras de Araújo1, Monalisa Alves Diniz da Silva Camargo Pinto2, Vanessa Renata de Sousa Barboza3, Ana Carla Vieira de Brito4, Andreson Ferreira Nunes5 Introdução Tamboril ou orelha de negro (Enterolobium contortisiliquum (Vell.) Morong), pertencente a família Fabaceae é uma espécie nativa amplamente distribuída no país, ocorrendo na região Nordeste nos estados da Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e em alguns estados das regiões Centro-oeste, Sul e Sudeste (Morim, 2013). Arbórea de grande porte e rápido crescimento inicial, utilizada no reflorestamento de áreas degradadas, possui madeira leve, macia ao corte empregada na construção de barcos, canoas e brinquedos (Lorenzi, 2008). As sementes de E. contortisiliquum são ortodoxas com tegumento impermeável à água o que facilita armazenar e mantê-las com baixos teores de água, sem a ocorrência de danos ao metabolismo, podendo manter sua qualidade fisiológica por longos períodos (Marcos Filho, 2005). No entanto, a impermeabilidade tegumentar pode vir a ser um mecanismo que impossibilite a perda de água, inviabilizando a determinação da umidade adequada para a conservação das sementes de tamboril. O conteúdo de água presente nas sementes é de vital importância para sua conservação e manejo, uma vez que a atividade fisiológica da semente está diretamente relacionada com o grau de umidade, podendo ter seu processo acelerado ou minimizado em função do teor de água adequado para a espécie, além de ser um importante critério para o estabelecimento de preços ao propiciar a comercialização de sementes com seu real peso de massa seca (Lima Junior et al., 2011). Diversos estudos vêm sendo desenvolvidos com o intuito de aprimorar as metodologias existentes para a determinação do teor de água em sementes, para que estas sejam aplicadas adequadamente para as análises em espécies que ainda não possuem critérios estabelecidos, uma vez que métodos prescritos para obtenção do teor de água com base em uma espécie pode não ser eficiente para outra espécie em particular devido a grande variabilidade entre as espécies florestais. Este trabalho teve como objetivo avaliar a variação no estabelecimento do teor de água de sementes de E. contortisiliquum quando íntegras, escarificadas e cortadas tanto no recipiente tradicional quanto no papel alumínio. Material e Métodos Os frutos de tamboril foram coletados de uma única matriz no município de Custódia, Pernambuco, em Agosto de 2012. Após a coleta, as sementes foram retiradas dos frutos com auxílio de martelo, beneficiadas e mantidas em saco plástico transparente em condições naturais até o início das análises. O experimento foi conduzido no laboratório de Biologia da Universidade Federal Rural de Pernambuco/Unidade Acadêmica de Serra Talhada (UFRPE/UAST) – PE, sob as coordenadas geográficas 38º17’54”W e 07º59’31”S. O delineamento experimental utilizado foi o inteiramente casualizado em esquema fatorial (3x2), onde as sementes foram tomadas ao acaso do lote original e submetidas aos seguintes tratamentos: sementes íntegras, escarificadas com lixa de madeira nº 120 na região oposta ao hilo e sementes cortadas ao meio e em seguida pesadas em balança analítica utilizando como recipientes latas de alumínio (7 cm de diâmetro e 2 cm de altura) e envoltório feito com papel alumínio (18 cm comprimento por 15 cm de largura). Para a aferição do grau de umidade foi utilizado o método de estufa a 105 ± 3 ºC por 24 horas (Brasil, 2009) com duas repetições de 25 sementes para cada tratamento. Os dados obtidos foram submetidos à análise de variância pelo teste F e as médias comparadas pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade através do software ASSISTAT, versão 7.6 beta. Resultados e Discussão De acordo com a Tabela 1 verificou-se que não houve efeito significativo para a interação sementes e recipientes pelo teste F sobre o teor de água das sementes de tamboril, e que ocorreu efeito significativo para os fatores sementes e recipientes isoladamente a 1% de probabilidade. 1 Mestranda do Curso de Pós-Graduação em Produção Vegetal da Universidade Federal Rural de Pernambuco/Unidade Acadêmica de Serra Talhada. Fazenda do Saco, Serra Talhada, PE, Caixa Postal 063, CEP 56900-000. Bolsista CAPES. E-mail: [email protected] 2 Professora Doutora Adjunta da Universidade Federal Rural de Pernambuco/Unidade Acadêmica de Serra Talhada. Fazenda do Saco, Serra Talhada, PE, Caixa Postal 063, CEP 56900-000. E-mail: [email protected] 3 Mestranda do Curso de Pós-Graduação em Produção Vegetal da Universidade Federal Rural de Pernambuco/Unidade Acadêmica de Serra Talhada. Fazenda do Saco, Serra Talhada, PE, Caixa Postal 063, CEP 56900-000. Bolsista FACEPE. E-mail: [email protected] 4 Graduanda do Curso de Engenharia Agronômica da Universidade Federal Rural de Pernambuco/Unidade Acadêmica de Serra Talhada. Fazenda do Saco, Serra Talhada, PE, Caixa Postal 063, CEP 56900-000. E-mail: [email protected] 5 Graduando do Curso de Engenharia Agronômica da Universidade Federal Rural de Pernambuco/Unidade Acadêmica de Serra Talhada. Fazenda do Saco, Serra Talhada, PE, Caixa Postal 063, CEP 56900-000. E-mail: [email protected] XIII JORNADA DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO – JEPEX 2013 – UFRPE: Recife, 09 a 13 de dezembro. Com base nos dados da Tabela 2 observa-se que o tratamento em que as sementes foram submetidas ao corte proporcionou a maior perda de água, o qual diferiu estatisticamente das sementes íntegras (testemunha) e das que sofreram escarificação no lado oposto ao hilo, evidenciando que o fracionamento das sementes com tegumento impermeável facilita e intensifica a saída de água contribuindo satisfatoriamente para a desidratação adequada das sementes. Resultados semelhantes foram obtidos por Andrade et al. (2010) que evidenciaram em sementes de Hymenaea courbaril L. var. stilbocarpa (Hayne) Lee et Lang. (jatobá) que os maiores graus de umidade foram obtidos nas sementes cortadas ao meio e em quatro partes, os quais não diferiram estatisticamente do tratamento por meio da escarificação com lixa em três faces da semente, porém foram superiores ao teor de água obtido nas sementes intactas. Em sementes de Araucaria angustifólia (Bert.) O. Ktze (pinha), Ramos e Bianchetti (1990) concluíram que o uso de sementes inteiras para a determinação do teor de água da espécie não é recomendado, uma vez que a cobertura protetora (tegumento) impede a retirada da umidade das partes internas. Os recipientes utilizados na determinação do teor de água influenciaram significativamente no estabelecimento do teor de água nas sementes de E. contortisiliquum conforme os valores da tabela 3. Com o uso do papel alumínio obtevese cerca de 5,7% de teor de água, diferindo estatisticamente do teor de água alcançado com o uso de latas de alumínio com aproximadamente 7,34%, considerando que a determinação do teor de água a alta temperatura consiste na premissa de que o aquecimento provoca a retirada da água livre das sementes (Lima Junior et al., 2011), assim o papel por possuir uma superfície espelhada, reflete mais os raios infravermelhos, ou seja, aquecendo menos as sementes, já as latas possuem uma superfície mais fosca, o que causa uma maior absorção dos raios infravermelhos, o que vem a provocar um maior aquecimento das sementes e consequentemente maior evaporação d’água. Nery et al. (2004) observaram que o uso do papel alumínio na determinação da umidade em sementes de Tabebuia ochracea (Cham.) Standl. (ipê-do-cerrado) pelo método estufa 103 ºC por 17 horas propiciou o maior erro, ou seja, de 10,0372 enquanto que o uso de cápsulas (latas) de alumínio proporcionou o menor erro experimental, utilizando 1 (um) grama de sementes por repetição por tratamento. Conclusão Para a determinação do teor de água de sementes de E. contortisiliquum recomenda-se o corte das sementes ao meio e/ou que se realize testes variando o tempo de secagem das sementes íntegras com o intuito de estabelecer uma metodologia mais adequada para obter o balanço hídrico satisfatório para esta espécie. Agradecimentos Os autores agradecem a Coordenação de Aperfeiçoamento Pessoal de Nível Superior/CAPES pela concessão de Bolsa de Estudos ao primeiro autor. Referências Andrade, L. A.; Bruno, R. L. A.; Oliveira, L. S. B.; Silva, H. T. F. Aspectos biométricos de frutos e sementes, grau de umidade e superação de dormência de jatobá. Revista Acta Scientiarum. Agronomy, Maringá-PR, v. 32, n. 2, p. 293299, 2010. Brasil, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Regras para análise de sementes. Brasília, 2009, 399p. Lima Junior, M. J. V.; Gentil, D. F. O.; Figliolia, M. B.; Ferraz, I. D. K.; Calvi, G. P.; Rodrigues, F. C. M. P.; Silva, V. S.; Souza, M. M. Manual de procedimentos para análise de sementes florestais. Associação Brasileira de Tecnologia de Sementes, Londrina-PR, 2011. 83p. Lorenzi, H. Árvores Brasileiras: Manual de Identificação e Cultivo de Plantas Arbóreas Nativas do Brasil, v. 01, 5ª ed. Nova Odessa, São Paulo: Instituto Plantarum, 2008. 384p. Marcos Filho, J. Fisiologia de Sementes de Plantas Cultivadas, v. 12, Fundação de Estudos Agrários Luiz de QueirozFEALQ, Piracicaba, 2005. 495p. Morim, M. P. Enterolobium in Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em < http://floradobrasil.jbrj.gov.br/jabot/floradobrasil/FB83154>. Acessado em 17 de outubro de 2013. Nery, M. C.; Carvalho, M. L. M.; Oliveira, L. M. Determinação do grau de umidade de sementes de ipê-do-cerrado Tabebuia ochracea ((Cham.) Standl.) pelos métodos de estufa e forno de micro-ondas. Revista Ciência e Agrotecnologia, Lavras-MG, v. 28, n. 6, p. 1299-1305, 2004. Ramos, A.; Bianchetti, A. Metodologia para a determinação do teor de umidade de sementes de Araucaria angustifolia (Bert.) O. Ktze, Revista Brasileira de Sementes, Londrina-PR, v. 12, n. 3, p. 9-16, 1990. XIII JORNADA DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO – JEPEX 2013 – UFRPE: Recife, 09 a 13 de dezembro. Tabela 1. Valores de F para o teor de água de sementes de E. contortisiliquum, em função do tratamento, recipiente e da interação semente e recipiente. Fator de variação Sementes Recipientes Sementes X Recipientes CV% Efeito significativo a 1% (**) e não significativo (ns); Coeficiente de variação (CV). F 145,3299 ** 59,6291 ** 1,1543 ns 5,65 Tabela 2. Valores médios do teor de água de sementes de E. contortisiliquum, em função dos tratamentos. Tratamentos 1. Sementes íntegras (testemunha) 2. Sementes escarificadas com lixa na região oposta ao hilo 3. Sementes cortadas ao meio DMS CV% Médias seguidas pela mesma letra não diferem entre si pelo teste de Tukey, a 5% de probabilidade. Média 5,02 b 5,47 b 9,07 a 0,80 5,65 Tabela 3. Valores médios do teor de água de sementes de E. contortisiliquum, em função dos recipientes. Tratamentos 1. Latas 2. Papel alumínio DMS CV% Médias seguidas pela mesma letra não diferem entre si pelo teste de Tukey, a 5% de probabilidade. Média 7,34 a 5,70 b 0,52 5,65