Mestrado Integrado em Medicina Veterinária Ciências Veterinárias A Tuberculose Bovina na Divisão de Intervenção Veterinária de Vila Real para o Triénio 2008-2010 ANA CATARINA COELHO MOURA NEVES Orientador: Professora Doutora Alexandra Sofia Miguéns Fidalgo Esteves Co-orientador: Doutor Tiago Nuno Dias e Neto UNIVERSIDADE DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO VILA REAL, 2011 “Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo…” Fernando Pessoa II RESUMO O Mycobacterium bovis principal agente etiológico da Tuberculose Bovina tem perpetuado os seus efeitos na população bovina nacional mesmo após longos anos de implementação de programas de erradicação. Actualmente, o nosso país encontra-se no estádio final de exterminação da doença, no entanto, nos últimos dois anos observou-se um inesperado aumento dos indicadores epidemiológicos nas principais regiões produtoras de bovinos, Alentejo, Norte e Centro. As causas continuam incertas, existindo a possibilidade de novas fontes de infecção (espécies silvestres), diminuição da sensibilidade das provas de diagnóstico e mesmo uma redução no zelo pelos diferentes intervenientes no controlo da doença associado à confiança de que seria uma enfermidade do passado. Um exemplo disso mesmo é a região alvo deste estudo, a área controlada pela Divisão de Intervenção Veterinária de Vila Real que muito contribui para a manutenção da doença na região de Trás-os-Montes, apresentando em 2010 uma prevalência de explorações positivas de 1,66% e incidência de 1,45%, o que corresponde a um aumento de mais de 4 vezes relativamente a 2008. Foram analisados os vários surtos da doença para o triénio 2008-2010 e verificou-se que o concelho de Vila Real é o principal responsável pelos incrementos brutais nos indicadores epidemiológicos na área de intervenção da Divisão de Intervenção Veterinária de Vila Real. A vigilância da doença a partir do matadouro demonstrou a sua importância no controlo da doença nesta região, uma vez que foram detectados por este método 25,9% dos casos de tuberculose bovina ocorridos no triénio. A análise dos inquéritos epidemiológicos foi inconclusiva, embora qualquer uma das causas apontadas anteriormente possa explicar estes aumentos. No entanto, é necessário para esta zona do País mais estudos, não só pela realização de um maior número de inquéritos epidemiológicos bem como, pela investigação da importância das espécies silváticas nesta região. No futuro próximo será provavelmente necessário um controlo mais estrito, tanto ao nível das práticas de maneio nas explorações e na execução e interpretação da prova da intradermotuberculinização, bem como o desenvolvimento de estudos epidemiológicos mais específicos que permitam obter respostas mais rápidas e fiáveis acerca das possíveis fontes de infecção, com o objectivo de adequar as medidas de controlo a aplicar em termos de momento oportuno e grau de agressividade. A nível nacional o esforço tem de ser conjunto, e considerando a possibilidade de novas fontes de infecção em muitas regiões nasce a necessidade de desenvolver novas medidas de controlo e novas técnicas de diagnóstico mais sensíveis e mais céleres. III ABSTRACT Mycobacterium bovis, main agent of Bovine Tuberculosis has perpetuated its effects on the national cattle population despite the implementation of eradication programs years ago. Although our country is in the final stage of the disease extermination, in the last two years, a sudden increase of the epidemiological indicators in the main cattle-producing regions (Alentejo, North and Center) has been noticed. The causes remain uncertain, raising the possibility for new sources of infection such as wildlife, a decrease on the effectiveness of diagnostic tests and even a reduction in the zeal paid by the professionals on the control of the disease, associated with the confidence that this is a problem that belongs to the past. One example of this situation, is the target region of this study, the area controlled by the Veterinary Division of Intervention of Vila Real, which greatly contributed to the ongoing of the disease in the region of Trás-os-Montes, presenting in 2010 a prevalence of positive herds of 1,66% and an incidence of 1.45%, that correspond to an increase of more than 4 times comparing to 2008. A vast number of outbreaks occurred during the period between 2008 and 2010 were analyzed and the results show that the council of Vila Real is the main responsible for a relevant increase in epidemiological indicators within the area of intervention of the Division of Veterinary Intervention in Vila Real. The surveillance of the disease within the slaughterhouse revealed to be of imperative importance in this area of study, since 25.9% of the cases of bovine tuberculosis occurred in the three year period were detected through the use of this method. The analysis of epidemiological studies was inconclusive, although any of the causes mentioned above could explain these increases. However, there is the need for further studies in this region of the country based on a larger number of epidemiological surveys and a consistent investigation on the importance of sylvan species. In the future, a stricter control will probably be necessary, in terms of farm management practices, implementation and interpretation of the intradermal test and the development of more specific epidemiological studies to obtain in a rapidly and precise way the sources of possible infections, with the objective of adapting the control measures to apply in an opportune moment and aggressive degree. A national effort has to be set and, considering new sources of infection in other regions, a further need to develop more effective and urgent measures, as well as new diagnostic techniques, grows. IV ÍNDICE CAPÍTULO I – INTRODUÇÃO ----------------------------------------------------------------- 1 CAPÍTULO II – REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ---------------------------------------------- 2 2.1. Caracterização da Tuberculose Bovina nos Países Desenvolvidos ------------------- 2 2.1.1. Etiologia ---------------------------------------------------------------------------------------- 2 2.1.1.1. Género Mycobacterium spp.--------------------------------------------------------------- 2 2.1.1.1.1. Características Gerais ------------------------------------------------------------------ 2 2.1.1.1.2. Classificação ------------------------------------------------------------------------------ 3 2.1.1.1.3. Complexo Mycobacterium tuberculosis ---------------------------------------------- 3 2.1.1.1.3.1. Mycobacterium bovis ---------------------------------------------------------- 4 2.1.1.1.3.2. Mycobacterium caprae -------------------------------------------------------- 5 2.1.1.1.4. Outras Micobactérias ------------------------------------------------------------------- 5 2.1.2. Epidemiologia --------------------------------------------------------------------------------- 5 2.1.2.1. Prevalência e Distribuição ---------------------------------------------------------------- 5 2.1.2.2. Espécies Susceptíveis ao Mycobacterium bovis ---------------------------------------- 8 2.1.2.2.1. Interacção do Mycobacterium bovis – Bovinos ------------------------------------- 8 2.1.2.2.1.1. Transmissão da Doença e Fontes de Infecção ------------------------------ 8 2.1.2.2.1.2. Factores de Risco ------------------------------------------------------------- 10 2.1.2.2.2. Interacção do Mycobacterium bovis - Espécies Silváticas ----------------------- 13 2.1.2.2.3. Interacção do Mycobacterium bovis - Humanos ---------------------------------- 14 2.1.3. Diagnóstico ----------------------------------------------------------------------------------- 17 2.1.3.1. Diagnóstico in vivo ------------------------------------------------------------------------ 17 2.1.3.1.1. Exame Clínico --------------------------------------------------------------------------- 17 2.1.3.1.2. Teste da Intradermotuberculinização ---------------------------------------------- 18 2.1.3.1.3. Testes in vitro -----------------------------------------------------------------------------21 2.1.3.1.3.1. Teste Interferão-Gamma ----------------------------------------------------22 2.1.3.2. Diagnóstico post mortem ----------------------------------------------------------------- 23 V 2.1.3.2.1. Detecção de Lesões Características da Tuberculose ---------------------------- 23 2.1.3.2.1.1. Achados Macroscópicos ----------------------------------------------------- 23 2.1.3.2.1.2. Exame Histopatológico ------------------------------------------------------ 23 2.1.3.2.2. Detecção e Identificação dos Membros do Complexo Mycobacterium tuberculosis------------------------------------------------------------------------------- 24 2.1.3.2.2.1. Métodos Bacteriológicos ------------------------------------------------------------- 25 2.1.3.2.2.1.1. Baciloscopia ---------------------------------------------------------------- 25 2.1.3.2.2.1.2. Cultura ---------------------------------------------------------------------- 25 2.1.3.2.2.2. Métodos Moleculares ----------------------------------------------------------------- 27 2.1.3.2.2.2.1. Técnicas de Amplificação de Ácidos Nucleicos -----------------------27 2.1.3.2.2.2.2. Métodos de Genotipagem --------------------------------------------------28 2.1.3.2.2.2.2.1. Restriction Endonuclease Analysis (REA) ----------------- 30 2.1.3.2.2.2.2.2. Restricion Fragment Length Polymorphism (RFLP) ------ 30 2.1.3.2.2.2.2.3. Spoligotyping --------------------------------------------------- 31 2.1.3.2.2.2.2.4. Mycobacterial Interspersed Repetitive Unit – Variable Number Tandem Repeats (MIRU-VNTR) -------------------32 2.1.4. Controlo --------------------------------------------------------------------------------------- 33 2.1.4.1. Controlo do Mycobacterium bovis nos Efectivos Bovinos ------------------------- 33 2.1.4.2. Controlo do Mycobacterium bovis nas Espécies Silváticas ------------------------- 36 2.1.4.3. Controlo do Mycobacterium bovis na Espécie Humana ---------------------------- 37 2.2. Tuberculose Bovina em Portugal Continental ------------------------------------------ 39 2.2.1. Caracterização da População Bovina --------------------------------------------------- 39 2.2.2. Programa de Erradicação da Tuberculose Bovina ---------------------------------- 40 2.2.2.1. Estratégias do Plano de Erradicação -------------------------------------------------- 42 2.2.2.1.1. Classifcação Sanitária das Explorações ----------------------------------- 42 2.2.2.1.2. Métodos de Diagnóstico Oficiais ------------------------------------------- 43 2.2.2.1.3. Medidas de Vigilância em Explorações Oficialmente Indemnes ---- 44 2.2.2.1.4. Medidas de Profilaxia e Polícia Sanitária ---------------------------------45 2.2.2.1.5. Inquérito Epidemiológico ---------------------------------------------------- 47 VI 2.2.2.1.6. Controlos Sanitários para Retoma ou Subida de Classificação ----- 48 2.2.2.1.7. Acções de Acompanhamento ---------------------------------------------- 48 2.2.3. A Importância da Inspecção Sanitária na Segurança Sanitária dos Alimentos 48 2.2.3.1. O Contributo da Inspecção Sanitária no Plano de Erradicação da Tuberculose Bovina--------------------------------------------------------------------------------------- 49 2.2.3.1.1. Na Vigilância da Doença ------------------------------------------------------------- 49 2.2.3.1.2. Nos Abates Sanitários ----------------------------------------------------------------- 51 2.2.3.1.2.1. Considerações Gerais ---------------------------------------------------- 52 2.2.3.1.2.2. Organização dos Abates -------------------------------------------------- 52 2.2.3.1.2.3. Controlo de Documentação ---------------------------------------------- 53 2.2.3.1.2.4. Inspecção ante mortem --------------------------------------------------- 53 2.2.3.1.2.5. Abate ------------------------------------------------------------------------ 53 2.2.3.1.2.6. Inspecção post mortem e Colheita de Amostras ----------------------- 54 2.2.3.1.2.7. Conservação e Envio das Amostras --------------------------------------55 2.2.3.1.2.8. Marca de Salubridade ----------------------------------------------------- 55 2.2.4. O Papel do Laboratório no Programa de Erradicação da Tuberculose Bovina 56 2.2.5. Evolução da Situação Epidemiológica da Tuberculose Bovina ------------------- 59 2.2.6. Novas Abordagens à Doença ------------------------------------------------------------- 67 2.2.6.1. A Importância das Espécies Silvestres como Reservatório ------------------------- 67 2.2.6.1.1. Medidas de Controlo --------------------------------------------------------- 69 2.2.6.1.2. Inspecção Sanitária de Peças de Caça Maior --------------------------- 69 2.2.6.2. O Desenvolvimento da Epidemiologia Molecular ----------------------------------- 70 CAPÍTULO III – ESTÁGIO CURRICULAR NA DIVISÃO DE INTERVENÇÃO VETERINÁRIA DE VILA REAL -------------------------------------------------------------- 73 CAPÍTULO IV – A TUBERCULOSE BOVINA NA DIVISÃO DE INTERVENÇÃO DE VILA REAL NO TRIÉNIO 2008-2010 -------------------------------------------------- 74 4.1.Caracterização da Área em Estudo -------------------------------------------------------- 74 4.2. Objectivos e Justificação do Estudo ------------------------------------------------------- 76 4.3. Materiais e Métodos -------------------------------------------------------------------------- 80 VII 4.3.1. Recolha de dados ---------------------------------------------------------------------------- 80 4.3.2. Processamento de dados -------------------------------------------------------------------- 80 4.4. Resultados -------------------------------------------------------------------------------------- 81 4.4.1. Avaliação dos Modos de Detecção da Doença ----------------------------------------- 81 4.4.2. Explorações positivas à Prova da Intradermotuberculinização Comparada ------ 81 4.4.2.1. Caracterização das Explorações em Estudo ------------------------------- 84 4.4.2.2. Distribuição Geográfica -------------------------------------------------------- 84 4.4.2.3. Acções Sanitárias perante a Doença ----------------------------------------- 85 4.4.3. Explorações com Surpresas de Necrópsia ----------------------------------------------- 86 4.4.3.1. Análise Global -------------------------------------------------------------------- 86 4.4.3.2. Análise dos Casos Positivos ---------------------------------------------------- 88 4.4.3.2.1. Caracterização das Explorações e Animais em Estudo ----------- 89 4.4.3.2.2. Distribuição Geográfica ----------------------------------------------- 90 4.4.3.2.3. Acções perante a Doença --------------------------------------------- 90 4.4.4. Total de Explorações Positivas ----------------------------------------------------------- 91 4.4.4.1. Caracterização do Total de Explorações ------------------------------------ 93 4.4.4.2. Distribuição Geográfica -------------------------------------------------------- 94 4.4.4.3. Descrição da Evolução da Doença -------------------------------------------- 94 4.4.5. Análise dos Inquéritos Epidemiológicos ------------------------------------------------- 95 4.4.5.1. Modo de Detecção da Doença nas Explorações ---------------------------- 96 4.4.5.2. Caracterização dos Efectivos Bovinos --------------------------------------- 96 4.4.5.3. Factores de Risco ---------------------------------------------------------------- 96 4.4.5.3.1. Avaliação de Contactos -------------------------------------------------------- 96 4.4.5.3.1.1. Entre animais da mesma exploração ------------------------------ 96 4.4.5.3.1.2. Com outros animais ------------------------------------------------- 97 4.4.5.3.2. Outros Factores de Risco ------------------------------------------------------ 99 4.4.5.4. Possíveis Origens da Infecção e Medidas de Controlo Recomendadas Recomendadas-------------------------------------------------------------------- 100 VIII 4.5. Discussão -------------------------------------------------------------------------------------- 102 CAPÍTULO V – CONCLUSÕES -------------------------------------------------------------- 112 5.1. No Contexto Regional (Divisão de Intervenção de Vila Real) ---------------------- 112 5.2. No Contexto Nacional ----------------------------------------------------------------------- 113 CAPÍTULO VI – REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CAPÍTULO VII - ANEXOS Anexo 1 – Condições para a Subida e Descida de Estatuto Sanitário de um Efectivo, de acordo com o Plano de Erradicação da Tuberculose Bovina Anexo 2 - Sequência de Informações Utilizadas na Identificação de uma Ocorrência de Tuberculose Bovina IX ÍNDICE DE FIGURAS Figura 1 - Distribuição da Tuberculose Bovina no Mundo no segundo semestre de 2010. Figura 2 – Classificação sanitária dos Países da União Europeia, Noruega e Suiça relativamente à Tuberculose Bovina. Figura 3 – Diferentes técnicas de Genotipagem desenvolvidas nas últimas décadas. Figura 4 – Prevalência de explorações e animais positivos em Portugal Continental desde 2003. Figura 5 - Causas de introdução da doença nos efectivos resultante da análise dos inquéritos epidemiológicos a nível nacional em 2009 e 2010. Figura 6 – Área epidemiológica de risco para a tuberculose dos animais de caça maior em Portugal Continental. Figura 7 – Mapa representativo da organização institucional da Região Norte. Figura 8 – Comparação do número total de explorações entre Portugal Continental (PC), Região Norte (RN), Trás-os-Montes (TM) e DIV de Vila Real (DIV VR) para o triénio. Figura 9 - Comparação do número total de animais entre Portugal Continental (PC), Região Norte (RN), Trás-os-Montes (TM) e DIV de Vila Real (DIV VR) para o triénio. Figura 10 – Concelhos pertencentes à DIV de Vila Real e respectivo código. Figura 11 – Prevalência da Tuberculose Bovina em explorações entre 2001 e 2010. Comparação entre os valores nacionais (PC), da DSVR do Norte (RN) e da DSVR do Alentejo (AL). Figura 12 – Prevalência da Tuberculose Bovina em animais entre 2001 e 2010. Comparação entre os valores nacionais (PC), da DSVR do Norte (RN) e da DSVR do Alentejo (AL). Figura 13 - Prevalência da Tuberculose Bovina em explorações entre 2008 e 2010. Comparação entre valores nacionais (PT), da DSVR do Norte (RN), Trás-os-Montes (TM) e DIV Vila Real (DIV VR). Figura 14 - Incidência da Tuberculose Bovina em explorações entre 2008 e 2010. Comparação entre valores nacionais (PT), da DSVR do Norte (RN), Trás-os-Montes (TM) e DIV Vila Real (DIV VR). Figura 15 – Distribuição das explorações em estudo por classes relativamente ao número de animais. Figura 16 – Distribuição geográfica das explorações e animais positivos para o triénio. Figura 17 – Número de comunicações de suspeita de Tuberculose Bovina (DDOs) e respectivos resultados laboratoriais por ano. Figura 18 – Caso de suspeita de Tuberculose Bovina ao abate normal com resultado laboratorial negativo – Linfoma. Figura 19 – Distribuição das explorações em estudo por classes relativamente ao número de animais. Figura 20 - Análise do número de explorações e animais ―surpresa de necrópsia‖ por concelho para o triénio. Figura 21– Distribuição das explorações em estudo por classes relativamente ao número de animais. Figura 22 – Distribuição das explorações positivas de Tuberculose Bovina no triénio por concelho para o universo total. X ÍNDICE DE QUADROS Quadro 1 – Interpretação dos resultados da prova de intradermotuberculinização simples. Quadro 2 – Interpretação dos resultados da prova de intradermotuberculinização comparada. Quadro 3 – Condições para a realização da prova da tuberculina em efectivos oficialmente indemnes (T3). Quadro 4 – Condições para a realização da prova da tuberculina em efectivos não oficialmente indemnes (T2 e T2.1). Quadro 5 – Número de casos de surpresas de necrópsia entre 2008 e 2010 em Portugal Continental. Quadro 6 – Resultados dos exames histopatológicos entre 2005 e 2009 de acordo com o tipo de abate. Quadro 7 – Resultados dos exames histopatológicos entre 2008 e 2009 de acordo com o tipo de abate. Quadro 8 – Principais localizações de lesões macroscópicas características de tuberculose. Quadro 9 – Resultados dos exames bacteriológicos realizados em Portugal Continental para o triénio. Quadro 10 – Condições para a realização da prova da tuberculina em efectivos oficialmente indemnes (T3) a partir de 2003. Quadro 11 – Condições para a realização da prova da tuberculina em efectivos oficialmente indemnes (T3) a partir de 2006. Quadro 12 – Ocorrência de Tuberculose Bovina em Portugal Continental entre 2008 e 2010. Quadro 13 – Condições para a realização da prova da tuberculina em efectivos oficialmente indemnes (T3) a partir de 2010. Quadro 14 - Comparação do número de casos ―surpresa de necrópsia‖ entre Portugal Continental (PC), DSVR do Norte (RN), Trás-os-Montes (TM) e DIV de Vila Real (DIV VR) para 2009 e 2010. Quadro 15 - Comparação trienal dos indicadores epidemiológicos entre a região de Trásos-Montes (TM) e a DIV de Vila Real (DIV VR). Quadro 16 – Modo de detecção dos casos de TB entre 2008 e 2010. Quadro 17 – Descrição do número de casos tuberculino positivos e duplamente duvidosos por exploração, na DIV de Vila Real para o triénio. Quadro 18 – Número de animais duvidosos à prova da IDTC por ano, para a DIV de Vila Real (DIV VR) e para as explorações do universo do estudo. Quadro 19 – Situação epidemiológica trienal para a DIV de Vila Real. Quadro 20 – Número de animais sujeitos a abate sanitário no triénio. Quadro 21 – Diagnóstico laboratorial da TB para os casos em estudo. Quadro 22 – Listagem de diferentes diagnósticos em achados de necrópsia com resultado laboratorial negativo. Quadro 23 – Descrição dos casos surpresa de necrópsia na DIV Vila Real para o triénio. XI Quadro 24 – Relação entre as explorações com animais tuberculino-positivos e com surpresas de necrópsia por ano. Quadro 25 – Caracterização dos animais ―surpresas de necrópsia‖. Quadro 26 – Avaliação do modo de confirmação laboratorial da doença. Quadro 27 – Caracterização dos isolados. Quadro 28 – Descrição do total de explorações positivas na DIV de Vila Real entre 2008 e 2010. Quadro 29 – Situação epidemiológica trienal para a DIV de Vila Real relativamente ao universo total do estudo. Quadro 30 – Análise do número de animais infectados por exploração Quadro 31 – Análise da evolução da doença no triénio. Quadro 32 – Factores de risco associados a contactos entre bovinos da mesma exploração Quadro 33 – Outros factores de risco associados a contactos entre bovinos da mesma exploração. Quadro 34 – Factores de risco associados a contactos entre bovinos de diferentes explorações ou com outras espécies. Quadro 35 – Avaliação do tempo e forma de contacto quando estes existem com animais de outras explorações. Quadro 36 – Outros factores de risco na introdução da doença num efectivo. Quadro 37 – Outros factores de risco. Quadro 38 – Factores de risco associados com práticas de maneio e higiene nas explorações. Quadro 39 - Avaliação da possível origem da doença nas explorações em estudo. XII LISTA DE ABREVIATURAS E ACRÓNIMOS ADS - Agrupamentos de Defesa Sanitária ANF – Autoridade Nacional Florestal AS - Abate Sanitário BAAR – Bacilo Álcool-Ácido Resistente BCG – Bacilo Calmette-Guérin CDC - Centers for Disease Control and Prevention CE – Comissão Europeia CEE - Comunidade Económica Europeia CIS - Corpos de Inspecção Sanitária CMT – Complexo Mycobacterium tuberculosis DDO – Doença de Declaração Obrigatória DGHC – Directorate-General for Health and Consumers DGV- Direcção Geral de Veterinária DIV- Divisão de Intervenção Veterinária DNA – Ácido Desoxirribonucleico DSVR – Direcção Serviços Veterinários Regionais EDM – Entre-Douro e Minho EFSA – European Food Safety Authority ELISA – Enzima- Linked Immunosorbent Assay EM – Estado-Membro EUA – Estados Unidos da América HPC - Hexadecylpyridinium IDTC – Intradermotuberculinização Comparada IDTS – Intradermotuberculinização Simples IE – Inquérito Epidemiológico IFAP – Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas XIII IFN – γ – Interferão-Gamma IS – Inspecção Sanitária ITS – Internal Transcribed Spacer LNIV - Laboratório Nacional de Investigação Veterinária MAB – Marca Auricular Bovina MGIT – Mycobacteria Growth Indicator Tube MIRU-VNTR – Mycobacterial Interspersed Repetitive Unit – Variable Number Tandem Repeats MOE - Marca Oficial de Exploração MOTT - ―Mycobacteria Other Than Tubercle Bacilli‖ MV – Médico Veterinário MVC – Médico Veterinário Coordenador MVE – Médico Veterinário Executor MVO – Médico Veterinário Oficial NOI – Não Oficialmente Indemne OI – Oficialmente Indemne OIE – Organização Internacional de Epizootias OMS – Organização Mundial de Saúde OPP – Organização dos Produtores Pecuários PCR – Polimerase Chain Reaction PE – Plano de Erradicação PETB – Plano de Erradicação da Tuberculose Bovina PISA – Programa Informático de Saúde Animal PPCB - Peripneumonia Contagiosa dos Bovinos PPD – Purified Protein Derivative RD – Direct Region REA – Restriction Endonuclease Analysis RFLP – Restriction Fragment Length Polymorphism XIV RN – Região Norte SB – Spoligotype Bovis SNIRA – Sistema Nacional de Identificação Animal SO – Serviços Oficiais TB - Tuberculose Bovina TCH – Hidrazida do ácido tiofeno-2-carboxílico TM – Trás-os-Montes TRACES - Trade Control and Expert System UE – União Europeia VIH – Vírus da Imunodeficiência Humana µm - micrómetros XV AGRADECIMENTOS No final desta jornada quero deixar uma palavra a todos que de perto a vivenciaram comigo mostrando-lhes o meu carinho, respeito e amizade. Obrigado do fundo do coração aos meus tios-avós, tia Gina e tio Carlos são os meus super amigos e protectores; ao meu namorado paciente e companheiro; à minha querida amiga de infância Sara e sua família que é a minha segunda casa; às minhas divertidas e por vezes insanas amigas que fiz na universidade (Ana, Filipa, Inês, Irene, Mafalda, Maria Inês, Teresa, Sílvia e respectivos noivos e namorados); aos meus companheiros de risota (Falcão, Nuno, Patrick, Zé, Zé André) e a todos os outros amigos e colegas com quem passei momentos que marcaram esta fase de forma inesquecível, por mais que os nossos futuros se tornem paralelos. Um grande obrigado a todos os novos amigos que conquistei por esse mundo fora, são a minha fonte de energia e de aventura. Um obrigado também a toda a família e especialmente à prima Rita, à tia Sara, à tia Marise e à Ana pelos miminhos e carinho. Obrigado aos meus amigos de quatro patas, Alf e a Vicky que foram as grandes companhias dos serões de estudo e que deixaram muitas saudades. Obrigada à Prof. Alexandra e ao Dr. Tiago pela participação neste último passo. Obrigada pela oportunidade de estágio que me proporcionaram que para além de me introduzir à realidade prática da veterinária permitiu conhecer pessoas fantásticas e companheiras na DIV de Vila Real que me ajudaram e protegeram como se fosse parte da equipa. A todos um grande obrigado e um até sempre! XVI CAPÍTULO I – INTRODUÇÃO A manifestação de diferentes doenças infecciosas é imputada à existência de inúmeros patógenos, naturalmente transmissíveis, de forma directa ou indirecta, entre os animais. Esta variedade de agentes infecciosos é responsável por enormes perdas económicas, quer ao nível produtivo, quer ao nível dos efectivos. Um agravamento deste problema acontece quando a saúde pública é comprometida pela transmissão de enfermidades dos animais aos humanos, as designadas zoonoses. A Organização Internacional de Epizootias (OIE) listou muitas dessas doenças, nomeandoas Doenças de Declaração Obrigatória (DDO). Assim, o impacto da Tuberculose Bovina como zoonose e as suas consequências económicas nos sistemas de produção e no comércio internacional de animais levaram a incluí-la no quadro das doenças de bovinos de notificação obrigatória. A tuberculose dos bovinos define-se como uma doença contagiosa de evolução crónica caracterizada pela observação em exame post mortem de lesões granulomatosas típicas. O grande protagonista desta saga é o Mycobacterium bovis, um agente patogénico altamente resistente e infeccioso que interage com um vasto leque de hospedeiros perpetuando as suas acções e efeitos ao longo de séculos. Nos países desenvolvidos, apesar dos esforços para a erradicação deste agente, novos desafios se impoêm associado à possibilidade de existência de diferentes ciclos epidemiológicos, que incluem as espécies silváticas, para além de limitações nas medidas de controlo existentes que colocam em risco todo este longo, complexo e dispendioso processo. Portugal encontra-se numa fase de pré-erradicação da doença, no entanto o último triénio trouxe algumas preocupações associado ao aumento dos indicadores epidemiológicos em certas regiões do país, que atrasam o reconhecimento do País como oficialmente livre da doença. Assim, nesta dissertação desenvolveu-se um estudo retrospectivo da Tuberculose Bovina e do combate à mesma no nosso País e numa região em específico (a área inserida na Divisão de Intervenção de Vila Real) de forma a tentar perceber as causas dos aumentos verificados e as medidas implementadas para contrariá-los. 1 CAPÍTULO II – REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 2.1. Caracterização da Tuberculose Bovina nos Países Desenvolvidos 2.1.1. Etiologia A Tuberculose Bovina (TB) é definida como uma doença infecciosa provocada por bactérias do género Mycobacterium, sendo o principal agente etiológico, o Mycobacterium bovis e com menor frequência o Mycobacterium caprae (Schiller et al., 2011). 2.1.1.1. Género Mycobacterium spp. 2.1.1.1.1. Características Gerais A maioria das micobactérias são saprófitas de vida livre no solo ou na água, no entanto, uma pequena parte adaptou-se eficazmente ao ambiente intracelular, tornando-se o principal agente etiológio de muitas doenças dos animais e humanos (Rastogi et al., 2001; Songer e Post, 2005). As micobactérias são polimórficas, porém, grande parte apresenta morfologia bacilar ou cocobacilar e mais raramente formas filamentosas (Skoric et al., 2007). Caracteristicamente são bacilos delgados, rectos ou ligeiramente curvos, variando nas suas dimensões entre 1 a 10 µm de comprimento e 0,2 a 0,6 µm de largura, imóveis, não esporulados, não capsulados e não flagelados (Rastogi et al., 2001; Quinn et al., 2004). São classificadas como bacilos gram-positivas, podendo ser aeróbias estritas ou microaerófilas e não produzem toxinas (Quinn et al., 2004). A nível estrutural têm uma parede celular bastante complexa constituída por elevado conteúdo lipídico que inclui ácidos micólicos e outros lípidos complexos além de polissacáridos e proteínas (Shinnick e Good, 1994; Hoffman et al., 2008). Os componentes lipídicos e as proteínas constituem, respectivamente, 60% e 15% do peso da parede celular (Murray et al., 2006). Os ácidos micólicos são ácidos gordos de elevado peso molecular (60 a 90 carbonos) (Shinnick e Good, 1994) e completam 40 a 60% do peso do envelope celular (Dubnau et al., 2000). Estes, são directamente responsáveis pela impermeabilização da superfície da micobatéria, conferindo-lhe características hidrofóbicas e resistência à maioria dos desinfectantes, dos antibacterianos e à dessecação (Hoffman et al., 2008), bem como, a álcool-ácido resistência (Murray et al., 2006). Assim, são caracterizados como bacilos álcool-ácido resistentes (BAAR), que se traduz no facto de conseguirem reter a fucsina de Ziehl-Neelsen a quente (Murray et al., 2006), mesmo após tratamento com álcool-ácido, pois, os ácidos micólicos impedem a eliminação dos corantes absorvidos (Quinn et al., 2011). 2 2.1.1.1.2. Classificação Em finais do século XIX, foi indigitado o género Mycobacterium por Lehmann e Neumann com o objectivo de incluir os bacilos da lepra (bacilo de Hansen) e da tuberculose (Bacilo de Koch) (Shinnick e Good, 1994). A origem desta designação provém do grego Mycos (= fungo) e está relacionada com o facto das micobactérias formarem uma película à superfície dos meios de cultura líquidos semelhante a um micélio (Skoric et al., 2007). Actualmente, a inclusão de múltiplas espécies neste mesmo género Mycobacterium está relacionado com a partilha de algumas características, nomeadamente, a estrutura de ácidos micólicos, a álcool-ácido resistência dos bacilos e o alto conteúdo em guanina e citosina no DNA, entre os 61-71% (Lévy-Frébault e Portaels, 1992; Rastogi et al., 2001) com excepção do Mycobacterium leprae que tem cerca de 58% (Rastogi et al., 2001). Assim, as bactérias causadoras da tuberculose são, taxonomicamente, microorganismos pertencentes à classe Actinobacteria, ordem Actinomycetales, família Mycobacteriaceae e género Mycobacterium (Garrity et al., 2004). O género Mycobacterium é o único da família Mycobacteriaaceae (Stackebrandt et al., 1997) e engloba diversas micobactérias responsáveis por doenças nos animais e humanos, como aquelas pertencentes ao Complexo Mycobacterium tuberculosis (CMT), bem como numerosas espécies saprófitas presentes no ambiente mas que podem ocasionalmente provocar doença, conhecidas como micobactérias atípicas, não tuberculosas ou ―mycobacteria other than tubercle bacilli‖ (MOTT) (Katoch, 2004; Skoric et al., 2007). De acordo com a lista do pesquisador J.P. Euzéby, ―List of Prokaryotic names with Standing in Nomenclature” o género Mycobacterium spp. alberga 154 espécies e 13 subespécies, conforme o site www.bacterio.cict.fr/m/mycobacterium.html, acedido em 07/10/2011. Muitas espécies do género Mycobacterium spp. possuem a capacidade de provocar doença ao Homem e aos animais, exaltada actualmente por diferentes causas de imunossupressão, nomeadamente, pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH). Todavia, duas espécies merecem especial destaque pela perpetuação dos seus efeitos, século após século, nas populações humanas, o M. leprae e o M. tuberculosis (Shinnick e Good, 1994; Rastogi et al., 2001). 2.1.1.1.3. Complexo Mycobacterium tuberculosis O Complexo Mycobacterium tuberculosis agrupa várias espécies filogeneticamente muito próximas associadas à tuberculose humana e animal. Este complexo inclui: M. tuberculosis, M. africanum, M. bovis, o M. bovis BCG, o M. microti (Brosch et al., 2002; Motoswy et al., 2002), o M. canettii (van Soolingen et al., 1997), o M. pinnipedii (Cousins et al., 2003) e o M. caprae (Aranaz et al., 2003). As espécies reunidas neste complexo são agentes patogénicos que dependem do hospedeiro para a sua sobrevivência, no entanto, a preferência por determinado hospedeiro não é 3 estrita, uma vez que todos os membros do CMT podem causar doença em humanos e noutros mamíferos que não eram inicialmente considerados como hospedeiros primários (Smith et al., 2009; Quinn et al., 2011). O CTM inclui ainda duas variantes raras e com diferenças fenotípicas e genotípicas significativas, designados por dassie bacillo (isolado de Procavia capensis) (Cousins et al., 1994; Mostowy et al., 2004) e oryx bacilli, cuja posição dentro do complexo não é ainda concreta (Huard et al., 2006). Os membros do CMT caracterizam-se por apresentar reduzida diversidade genética uma vez que possuem 99,9% de semelhança nucleotídica ao nível do DNA (Sreevatsan et al., 1997) e sequências idênticas de 16S rRNA (Böddinghaus et al., 1990). No entanto, as espécies demonstram variabilidade ao nível do fenótipo, espectro de hospedeiros, distribuição geográfica e patogenicidade (Brosch et al., 2002). Todavia, prevê-se que com os avanços da tecnologia molecular, a identificação de novas diferenças genéticas entre estirpes de espécies actualmente conhecidas promova um aumento no número de espécies deste complexo (Tortoli, 2006). Recentemente, um estudo realizado por Alexander e colaboradores (2010) reconheceu uma nova espécie que poderá futuramente ser incluída neste complexo, denominada por M. mungi e isolada numa população de mangustos (Mungos mungo) no Botswana. 2.1.1.1.3.1. Mycobacterium bovis O Mycobacterium bovis é o principal agente etiológico da tuberculose em bovinos, embora apresente uma enorme variedade de hospedeiros, incluindo o homem (O´Reilly e Daborn, 1995). Trata-se de uma micobactéria intracelular, de crescimento lento e microaerófila (Quinn et al., 2004) que causa doença crónica, progressiva e principalmente respiratória (de la Rua Domenach, 2006). O genoma de M. bovis foi completamente sequenciado, sendo constituído por cerca de 4000 genes (Henwinson et al., 2006). A similariedade com o genoma do M. tuberculosis é de 99,95% (Garnier et al., 2003). Esta proximidade genética entre as duas espécies exige uma distinção precisa entre elas através de técnicas culturais, bioquímicas e moleculares e não apenas com base em características biológicas e físicoquímicas (de la Rua Domenach, 2006), o que actualmente é de enorme importância devido à resistência que este agente apresenta à pirazinamida, medicamento utilizado no combate à tuberculose humana (Thoen et al., 2006). O M. bovis foi o precursor da estirpe vacinal atenuada laboratorialmente, M. bovis Calmette-Guérin (BCG), utilizada até à actualidade na profilaxia da doença em humanos (Garnier et al., 2003). Este agente infeccioso está classificado como patógeno de risco biológico 3 para a saúde pública (Thoen et al., 2006) portanto, é exigido medidas de precaução máxima na manipulação deste agente (Quinn et al., 2011). 4 2.1.1.1.3.2. Mycobacterium caprae O Mycobacterium caprae até ser considerado espécie (Aranaz et al., 2003), foi inicialmente descrito como uma sub-espécie do M. tuberculosis (Aranaz et al., 1999) e posteriormente como sub-espécie do M. bovis (Niemann et al., 2002). Este agente é considerado uma espécie patogénica, pois já foi isolado num grande número de animais sintomáticos e com menor frequência apresenta carácter zoonótico (Prodinger et al., 2002; Kubica et al., 2003). Apesar de ter como hospedeiro natural e preferencial os caprinos (Aranaz et al., 1999), foi também isolado em bovinos, camelos, javalis selvagens, veados (Gortazar et al., 2005) e mesmo de um tigre Siberiano (Lantos, 2003) em diversos países da Europa Central e do Sul (Erler et al., 2004). Considerando as características bioquímicas e culturais, esta espécie é indistinguível do M. bovis, no entanto, apresenta sensibilidade à pirazinamida (Tortoli, 2006). Normalmente, recorre-se às técnicas moleculares para a sua diferenciação (Prodinger et al., 2005; OIE, 2009). 2.1.1.1.4. Outras Micobactérias O Mycobacterium tuberculosis é a principal causa da tuberculose em humanos, no entanto, pode infectar bovinos e interferir na prova da tuberculina. É menos patogénico para esta espécie, não causando doença progressiva e desaparecendo com a eliminação da fonte humana de infecção (Ocepeck et al., 2005) contudo, foi isolado na Índia em leite não pasteurizado demonstrando uma possibilidade de transmissão deste agente do bovino ao homem (Srivastava et al., 2008). Alguns estudos referem que os bovinos podem ser infectados mais frequentemente por M. tuberculosis em regiões com elevadas prevalências de tuberculose humana (Chen et al., 2009; Michel et al., 2010). A existência de estirpes de M. tuberculosis adaptadas aos bovinos e que permitam a transmissão do agente entre bovinos e destes para humanos não está completamente clarificada (Michel et al., 2010). No geral, os bovinos são resistentes às micobactérias do Complexo Mycobacterium avium (Dvorska et al., 2004), embora estas provoquem reacções inespecíficas à tuberculinização dificultando o diagnóstico da TB (Monaghan et al.,1994; Barry et al., 2011). 2.1.2. Epidemiologia 2.1.2.1. Prevalência e Distribuição A TB é uma doença que pelo seu carácter infeccioso encontra-se disseminada por todo o globo terrestre, contudo, os valores dos indicadores epidemiológicos variam consoante a realidade de cada país (Michel et al., 2010). 5 Na actualidade, apesar de apresentarem uma situação epidemiológica diversificada, a maioria dos países desenvolvidos alcançou uma fase avançada de controlo e alguns mesmo a erradicação da doença, embora o panorama nos países em vias de desenvolvimento seja verdadeiramente diferente e complexa (Cosivi et al., 1998; Michel et al., 2010). No entanto, observa-se um reemergir da TB em alguns países industrializados, como na Nova Zelândia, no estado de Michigan nos Estados Unidos da América (EUA), no Reino Unido, na Irlanda e em Espanha associado aos reservatórios selvagens que ameaçam os PE em vigor (Thoen et al., 2009). Na Figura 1 observa-se a distribuição da TB no mundo relativamente ao segundo semestre de 2010. Da análise da mesma verifica-se a importância da doença nos países em vias de desenvolvimento. Figura 1 - Distribuição da Tuberculose Bovina no Mundo no segundo semestre de 2010. Fonte: http://web.oie.int/wahis/public.php?page=disease_status_map Ao nível da União Europeia (UE), segundo a última actualização em Novembro de 2010 do Anexo I da Decisão 2003/467/CE (Figura 2), catorze Estados-Membros (EM) (Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Eslováquia, Eslovénia, Estónia, Finlândia, França, Holanda, Luxemburgo, Polónia, República Checa e Suécia), algumas regiões da Itália e do Reino Unido (Escócia) em conjunto com a Noruega e a Suiça (não Estados-Membros) devido a acordos comerciais, apresentavam o estatuto de oficialmente indemne (OI) (DirectorateGeneral for Health and Consumers [DGHC], 2011). 6 Figura 2 – Classificação Sanitária dos Países da União Europeia, Noruega e Suiça relativamente à Tuberculose Bovina. Fonte: DGHC, 2011. No entanto, em 2009, alguns dos Estados-Membros OI reportaram casos de tuberculose bovina. No total, 160 efectivos foram positivos ao M. bovis: na Bélgica (2), França (97), Alemanha (23), Polónia (37) e Eslováquia (1), este último associado com animais importados. Apenas a ocorrência de alterações significativas nos indicadores epidemiológicos pode levar a Comissão Europeia (CE) a decidir pela suspensão ou revogação do estatuto em relação à doença de determinado país. Os restantes países da Europa, apresentam perante a TB situações muito variadas (até mesmo entre regiões do mesmo país), contudo, em geral revela-se uma redução ligeira do número de explorações infectadas comparativamente aos anos anteriores. No universo dos EM com estatuto não oficialmente indemne (NOI), seis destes não reportaram nenhum caso de TB (Bulgária, Cipre, Estónia, Letónia, Lituânia e Malta) para o mesmo ano. Nos restantes EM com estatuto NOI, a prevalência da doença manteve-se estável relativamente a 2008, excepto na Irlanda do Norte e Inglaterra em que ocorreu um aumentou significativo da percentagem de explorações positivas (6.12 % e 5.41 % respectivamente), sendo os países com situação mais preocupante até ao momento. De uma forma geral, a proporção de efectivos infectados ou positivos na UE com M. bovis, entre 2008 e 2009, diminuiu de 0,53% para 0,45%, enquanto que a proporção nos países membros com estatuto NOI aumentou ligeiramente, de 0,65% para 0,77%, embora este aumento esteja relacionado com a declaração da Polónia e da Eslovénia como oficialmente indemnes em 2009 (European Food Safety Authority [EFSA], 2011). 7 2.1.2.2. Espécies Susceptíveis ao Mycobacterium bovis O Mycobacterium bovis, no universo dos agentes patogénicos existentes é um dos mais complexos, não só pela variedade de hospedeiros susceptíveis que apresenta mas também pelo carácter altamente infeccioso que promove interacções da infecção entre animais domésticos, fauna silvestre e humanos (Morris et al.,1994; O’Reilly e Daborn, 1995). Apesar da diversidade de espécies susceptíveis ao M. bovis, somente algumas actuam como hospedeiros perpetuadores da infecção, conseguindo por transmissão horizontal, transferi-la efectivamente para outras espécies (Morris et al., 1994; Cousins, 2001). Algumas espécies domésticas são responsáveis pela manutenção da infecção, nomeadamente os bovinos (de la Rua-Domenach, 2006), os caprinos (Crawshaw et al., 2008) bem como, diversos mamíferos selvagens que serão abordados posteriormente (Cousins, 2001). Apesar dos ovinos (Malone et al., 2003; Houlihan et al., 2008), equinos (Monreal et al., 2001), gatos (Monies et al., 2006), cães (Gay et al., 2000) e suínos (Thoen et al., 2009) poderem ser infectados após exposição a M. bovis, estes animais são incapazes de manter a infecção dentro da espécie quando não há reinfecção por um hospedeiro de manutenção, sendo denominados hospedeiros fundo de saco (blind-end spillover host) (Morris et al., 1994; O`Reilly e Daborn, 1995). Ainda assim, deste grupo algumas espécies são mais susceptíveis ao agente, como os suinos e os cães enquanto os equinos, ovinos e gatos parecem ser mais resistentes (Thoen et al., 2009). Em 2009, segundo dados da EFSA, foram reportados casos de M. bovis em ovinos (Alemanha, Irlanda e Reino Unido), em caprinos (França, Irlanda e Portugal), em suínos (França, Alemanha e Reino Unido), em cães (Reino Unido) e em gatos (França, Alemanha e Reino Unido) (EFSA, 2011). Relativamente aos pássaros assume-se que no geral sejam resistentes a M. bovis (CFSPH, 2009). Um outro hospedeiro preocupantemente susceptível ao M. bovis é o Homem (Moda et al., 1996). 2.1.2.2.1. Interacção de Mycobacterium bovis - Bovinos O principal hospedeiro natural e reservatório de manutenção do M. bovis para outros animais e humanos são os bovinos (Bos Taurus e Bos indicus) (de la Rua-Domenach, 2006). 2.1.2.2.1.1. Transmissão da Doença e Fontes de Infecção As vias de infecção da doença nos bovinos podem ser influenciadas por diversos factores como a idade e comportamentos naturais dos animais, bem como, pelo meio ambiente, clima e práticas de maneio animal adoptadas na exploração (Neill et al., 2001; Pollock e Neill, 2002). 8 Actualmente, a transmissão da doença de um animal infectado para um animal susceptível, pode ocorrer de forma directa pela via aerógena proporcionado pelo contacto entre bovinos ou ainda entre bovinos e espécies selvagens reservatório da doença ou indirectamente a partir de produtos contaminados disseminados no ambiente (Neill et al., 2001). Assim, a principal via de transmissão do M. bovis em bovinos é a respiratória (Menzies e Neill, 2000; Cousins, 2001) existindo porém outras portas de entrada para o bacilo, nomeadamente a via digestiva, considerada secundária à propagação respiratória (Menzies e Neill, 2000). Com menor frequência são consideradas as vias de transmissão intra-uterina e a genital, pelo coito ou inseminação artificial com sémen ou material contaminado (Menzies e Neill, 2000; Phillips et al., 2003). A transmissão transplacentária é considerada muito rara ou inexistente em bovinos (Neill et al., 1994; O’Reilly e Daborn, 1995). A infecção por via intra-mamária é possível, embora rara e está associada a material de ordenha contaminado (Neill et al., 1994). A transmissão pseudo-vertical pode ser considerada pela infecção dos vitelos através do leite contaminado da progenitora (Menzies e Neil, 2000). A autocontaminação é possível em animais infectados por via oral, pois, após a ruminação ou eructação (Philips et al., 2003) podem inalar aerossóis contaminados podendo ocorrer infecção por via respiratória (Humblet et al., 2009). A transmissão por via aerógena tem como principal fonte de infecção aerossóis contaminados provenientes de animais infectados (Michel et al., 2010), isto devido à elevada taxa de sobrevivência do agente etiológico em aerossóis (Menzies e Neill, 2000; Gannon et al., 2007), para além de serem apenas necessários cerca de 10 organismos para estabelecer a infecção (Quinn et al., 2011). A transmissão por via oral pode ocorrer por ingestão de leite (mais frequente em animais jovens e apenas comum em países onde a doença é endémica) ou através de pastos, alimentos ou água contaminados com secreções ou excreções de animais infectados, embora seja raro (Neill et al., 1994; Menzies e Neill, 2000). Todavia, a transmissão por via oral, exige a ingestão de doses muito superiores de M. bovis comparado com a transmissão aerógena (Morris et al., 1994; Quinn et al., 2011). Assim, o bovino infectado além de eliminar mais vulgarmente o agente para o meio ambiente através da respiração (aerossóis, descargas nasais) pode também fazê-lo, nas excreções (fezes, urina) e em secreções (vaginais, uterinas, sémen ou no leite) (Morris et al., 1994; Neill et al., 2001), bem como, através de material purulento de abcessos cutâneos ou de lesões abertas (Radostitis et al., 2007), actuando estes resíduos como fontes de infecção para um animal susceptível. Contudo, actualmente estas fontes de infecção ocorrem de forma esporádica (Neill et al., 2001). A excreção do agente nas fezes, pode estar associada com a deglutição de muco contaminado proveniente do trato respiratório ou associado a lesões intestinais, embora também seja raro (Pollock e Neill, 2002). 9 Assim, o contágio de forma indirecta é possível devido à resistência intrínseca desta micobactéria que lhe permite sobreviver por vários meses no meio ambiente, dependendo da exposição à luz solar, temperatura e humidade (Menzies e Neill, 2000; Phillips et al., 2003). 2.1.2.2.1.2. Factores de Risco Ao longo do tempo diversos factores de risco associados ao hospedeiro ou independentes deste têm sido estudados (Michel et al., 2010) de forma a avaliar a sua influência na variação da prevalência da doença entre regiões ou países (Griffin et al., 1996; Marangon et al., 1998). Relativamente a factores de risco associados com o hospedeiro foi observado que a idade do animal pode influenciar a susceptibilidade à doença. Verificou-se uma maior incidência da doença em animais adultos embora possa estar associado ou à maior possibilidade de adquirir a doença com o passar dos anos (Morris et al., 1994) ou a infecções adquiridas enquanto jovens mas que ficaram em estado latente (Palmer e Waters, 2006). Quanto ao género do animal não está solidamente comprovado como factor predisponente da doença, contudo, uma maior frequência da doença em fêmeas estará provavelmente associado com factores comportamentais dos próprios animais, bem como o tempo de vida útil mais prolongado associado ao processo de reprodução e aleitamento (Humblet et al., 2009). Também se verifica em países onde não existem medidas de controlo efectivas, que a incidência da doença é mais elevada em bovinos leiteiros do que em bovinos de carne mas tal pode estar apenas associado com o sistema de produção praticado que promove contactos frequentes entre os animais e pela vida útil mais prolongada, aumentando a probabilidade de infecção (Morris et al., 1994; Cosivi et al., 1998). Algumas evidências sugerem que dentro da família Bovidae, as raças pertencentes à subespécie Bos taurus indicus são mais resistentes que as raças pertencentes à sub-espécie Bos taurus taurus (Omer et al., 2001; Ameni et al., 2007), embora as opiniões não sejam unânimes. Embora não definitivamente comprovado reconhece-se a possibilidade de alguns factores influenciarem as respostas imunes dos animais, diminuindo a resistência à doença e consequentemente gerando a progressão rápida da mesma. Estes factores podem ser deficiências nutricionais, stresse, gestação, doenças intercorrentes e infecções virais imunossupressoras (diarréia viral bovina) (Pollock e Neill, 2002; Abalos e Retamal, 2004). No entanto, os factores de risco independentes do hospedeiro são de maior importância devido à superior capacidade de predisposição da doença dentro de um efectivo ou entre efectivos (Michel et al., 2010). Diversos estudos revelam que o factor de risco independente do hospedeiro mais importante para a transmissão da doença é o facto de animais de uma exploração manterem 10 contactos mais ou menos próximos entre si, com bovinos de outras explorações, com outras espécies domésticas e com animais selvagens (Humblet et al., 2009). A infecção por M. bovis é mais provável quanto maior a proximidade entre os animais, por isso, a introdução e a manutenção da TB num efectivo é fortemente influenciada pelas características da unidade de criação, como o sistema de produção (intensivo ou extensivo), o tamanho do efectivo, as medidas de maneio e de biossegurança aplicadas bem como, os movimentos efectuados por esses animais (Goodchild e Clifton-Hadley, 2001). A principal via de transmissão da TB nestes casos é a aerógena, pois o contacto entre animais facilita a transmissão de aerossóis (Menzie e Neill, 2000). Os contactos entre animais da mesma exploração são fortemente influenciados pelo tamanho do efectivo, a densidade animal por hectare e pelo sistema de produção (Humblet et al., 2009). O tamanho do efectivo e a densidade animal por hectare são importantes quando há exposição à doença pois, aumentam os contactos entre os animais, no entanto, são directamente influenciados pelo sistema de produção (Brooks-Pollock e Keeling, 2009). Normalmente, os sistemas de produção intensivos onde os animais estão estabulados proporcionam um aumento de proximidade e, portanto maior possibilidade de disseminação da doença (Humblet et al., 2009), embora alguns estudos demonstrem uma redução do risco de infecção em efectivos estabulados associado provavelmente a um maior controlo de diferentes variáveis (contactos com animais de diferentes origens; maneio) pelo detentor (Omer et al., 2001). Sob condições extensivas, características de maneio como a aglomeração de animais de diferentes origens em pontos de abeberamento ou alimentação aumenta a probabilidade de transmissão da infecção (O’Reilly e Daborn, 1995). De notar que o sistema de produção extensivo define os contactos entre bovinos dentro da mesma exploração mas também entre explorações, entre bovinos e reservatórios selvagens, bem como entre bovinos e fontes ambientais. Os contactos com animais de outras espécies ou bovinos de outras explorações podem ser proporcionados por meio de movimentação animal entre explorações (Gilbert et al., 2005), através de eventos agropecuários (feiras, leilões), por compra (Gopal et al., 2006) ou aluguer de um animal (partilha de touros (Kaneene et al., 2002)) ou pela prática de transumância (Humblet et al., 2009). Embora nos países desenvolvidos a transmissão de tuberculose bovina entre espécies domésticas seja considerada um evento raro (Humblet et al., 2009) é necessário ter em conta os caprinos como reservatório do M. caprae e transmissor deste agente aos bovinos (Duarte et al., 2008). Outro factor predisponente para a doença está relacionado com a existência de reservatórios na fauna silvestre e os possíveis contactos que podem manter com as explorações pecuárias pois, favorecem um ciclo de transmissão do agente entre bovinos - espécies silváticas bovinos (Michel et al., 2010). 11 Outras práticas de maneio não associadas à promoção de contactos podem actuar como factores de risco e predispor ou disseminar a doença numa exploração. Por exemplo, a utilização de estrume dos animais como fertilizante em pastos utilizados posteriormente na alimentação directa ou indirecta de bovinos pode actuar como factor de risco na transmissão da doença por via oral ou mesmo por via aérogena através da inalação de aeressóis contaminados durante o espalhamento do mesmo (Griphin et al., 1993). Ainda, a utilização de pastos por animais livres da doença posteriormente à de animais infectados pode predispor à infecção pela contaminação do pasto com fezes, embora improvável uma vez que foi provado experimentalmente que as micobactérias não são frequentemente e regularmente excretadas nas fezes dos bovinos mesmo em casos de infecção forte (Neill et al., 2001) e que associado a comportamentos naturais dos bovinos eles não pastam em locais próximos de fezes (Philips et al., 2003). No entanto quando as fezes são decompostas, as micobactérias sob as condições ideais podem sobreviver por longos períodos no solo (Humblet et al., 2009). Actualmente, falhas na sensibilidade e especificidade dos testes de diagnóstico podem ser um factor de risco no sentido de gerar falsos-negativos bem como, a ocorrência de erros na execução correcta das provas. Nos países desenvolvidos com baixas prevalências da doença ou aqueles considerados oficialmente indemnes a diminuição da frequência dos testes ou a não realização dos mesmos, restringindo-se a vigilância da doença ao matadouro, pode ser considerado factor de risco no reaparecimento da doença (Humblet et al., 2009; Schiller et al., 2011). A diminuição da manipulação dos animais associada com a emergência do mercado biológico onde a intervenção humana ou veterinária no desenvolvimento do animal não é desejada aumenta o risco de erros na execução e leitura da prova da tuberculina. O mesmo se passa com os animais em sistema extensivo e principalmente com raças bravas. A taxa de abate numa exploração quando elevada actua como forma de vigilância da doença, uma vez que esta é promovida ao nível do matadouro, assim sendo, efectivos com baixa taxa de abate e baixa taxa de reposição indica menor vigilância da doença ao nível do matadouro, estando mais susceptíveis à doença (Humblet et al., 2009). Importantes factores de risco que afectam os vitelos principalmente em países sem medidas de controlo efectivas são a ingestão de leite contaminado (Zanini et al., 1998) e a manutenção do animal com a progenitora (Evangelista e de Anda, 1996; Philips et al., 2003). Relativamente à sobrevivência do agente no ambiente é controversa e varia entre países, dependendo do clima e das práticas de maneio (Humblet et al., 2009). O M. bovis é um microorganismo de parasitismo intracelular facultativo embora apresente capacidade de sobrevivência por longos períodos no meio ambiente, nas instalações, nos veículos de transporte e na pastagem em condições de humidade e temperatura favoráveis e ao abrigo da luz (Ayele et al., 2004). Este agente resiste melhor em ambientes secos a baixas temperaturas, podendo apresentar-se viável entre seis meses a dois anos no solo, até um ano na água, por dois anos no pasto, nas fezes por dois a cinco meses conforme a 12 estação do ano e nos produtos de origem animal até aproximadamente 10 meses (O’Reilly e Daborn, 1995; Phillips et al., 2003; Ayele et al., 2004). A água corrente pode ser contaminada com excrementos de bovinos ou animais selvagens doentes (Sheffield et al., 1997), podendo actuar como fonte de infecção para outros bovinos aquando o abeberamento através de salpicos de água, tendo como porta de entrada o tracto respiratório (Philips et al., 2003). Esta resistência ambiental é muito importante, associado com os sistemas de produção praticados e com a prática de fertilização dos terrenos agrícolas com estrume de bovino (Ayele et al., 2004). 2.1.2.2.2. Interacção de Mycobacterium bovis - Espécies Silváticas Actualmente, é reconhecido que o M. bovis afecta diversas populações de animais silváticos de vida livre ou em cativeiro em todo o mundo, embora a maioria das espécies actuem como hospedeiros acidentais (Thoen et al., 2009). No entanto, a grande preocupação reside no facto de algumas destas espécies serem comprovadamente hospedeiros de manutenção do M. bovis disseminando activamente o agente (de Lisle et al., 2002; Corner, 2006). Assim, as espécies silváticas tornaram-se uma preocupante fonte de infecção para os animais domésticos e para os humanos, bem como, uma ameaça às espécies protegidas (Amanfu, 2006; Thoen et al., 2009). Perante este contexto, os países desenvolvidos estão em alerta, pois as medidas drásticas de controlo que foram implementadas ao longo dos anos, permitindo a erradicação ou a diminuição da prevalência a níveis muito baixos de M. bovis em ruminantes domésticos, vêem-se agora ameaçadas pela existência de reservatórios selvagens que representam um alto risco de transmissão deste agente aos bovinos (Palmer, 2007). Nos países desenvolvidos, dentro do considerável universo de espécies silváticas reconhecidas como reservatório da doença, destacam-se pelas implicações que têm nos programas de erradicação da TB, o marsupial da Nova Zelândia (Trichosurus vulpecula) (Coleman e Cooke, 2001), o bisonte americano (Bison bison) e algumas espécies da família Cervidae (Cervus elaphus manitobensis e Odocoileus virginianus) no Canadá (Nishi et al., 2006; Wobeser, 2009), o veado da cauda-branca (Odocoileus virginianus) nos EUA (O´Brien et al., 2006), o texugo europeu (Meles meles) em Inglaterra e na Irlanda (Murphy et al., 2010) e o javali (Sus scrofa) e o veado (Cervus elaphus) em Espanha (de Mendoza et al., 2006; Naranjo et al., 2008). Na Europa, o relatório da EFSA relativo a 2009, apontou como principais responsáveis pela manutenção da doença, o veado (Cervus elaphus) (casos reportados M. bovis nesta espécie em Espanha, França, Hungria, Irlanda, Portugal e Reino Unido), o texugo-europeu (Meles meles) (casos reportados em Espanha, França, Irlanda e Reino Unido) e o javali (Sus scrofa) (casos reportados em Espanha, França, Itália e Portugal). Também foi detectado no mesmo ano, M. bovis em animais de zoo na Irlanda e em Portugal, em raposas em Espanha e em alpacas e antílopes no Reino Unido (EFSA, 2011). 13 A transmissão entre as espécies silvestres e os animais domésticos ocorre normalmente por via aerógena devido ao contacto directo em momentos de partilha de pastagens, pontos de abeberamento e de alimentação ou indirectamente pela contaminação das zonas de pastoreio e pontos de água comuns com fezes, urina e secreções de animais selvagens infectados. Pode também ocorrer por via oral pelo acesso a vísceras ou cadáveres de animais infectados sendo os cães, raposas e javalis animais mais susceptíveis embora os herbívoros possam ser afectados quando pastam em zonas próximas (Philips et al., 2003; Humblet et al., 2009). A transmissão aos humanos tem carácter ocupacional ou lúdico, sendo mais susceptíveis veterinários, tratadores, caçadores e manipuladores de carcaças (Amanfu, 2006; de la RuaDomenach, 2006). Pode ocorrer de uma forma indirecta pelo consumo de animais infectados ou mal cozinhados (carne de caça) ou ainda pela utilização de equipamentos e utensílios mal higienizados (facas de preparação de peças de caça usadas no corte de alimentos) ou directamente pela inalação do agente através de contacto com animais infectados ou durante a manipulação de carcaças infectadas bem como, pela via cutânea através de um corte ou ferida nas mãos (Wilkins et al., 2003; AFN e DGV, 2010). 2.1.2.2.3. Interacção de Mycobacterium Bovis - Humanos O Mycobacterium bovis é um agente patogénico muito poderoso na história da humanidade pela sua facilidade de transmissão aos animais e ao Homem e pela capacidade de perpetuar a sua acção por longos séculos. Assim, a Tuberculose Bovina toma a conotação de zoonose (doença ou infecção naturalmente transmissível entre os animais vertebrados e o Homem) elevando a importância em determinar concretamente o risco de transmissão deste agente aos humanos (Abalos e Retamal, 2004). A tuberculose humana é considerada globalmente como uma importante doença infecciosa porque apesar de curável é altamente mortífera, com cerca de dois milhões de mortes por ano e 9 milhões de novos casos, situação agravada pelo aparecimento do VIH e resistências aos antibióticos utilizados na terapêutica (WHO, 2011). A doença em humanos é normalmente causada pelo M. tuberculosis, mas um número indeterminado de casos, associado com a incapacidade de distinção dos dois agentes por métodos simples, tem como agente o M. bovis (Abalos e Retamal, 2004) A diferenciação entre as espécies M. tuberculosis e M. bovis só é possível através de testes de cultura e bioquímicos específicos e com recurso a técnicas de biologia molecular (Genotipagem) (de la Rua Domenach, 2006). A contribuição do M. bovis para a tuberculose humana em determinado país ou região está intrinsecamente relacionada com prevalência da Tuberculose Bovina e das medidas de controlo adoptadas nesta espécie, bem como, com as condições sócio-económicas e a própria higiene alimentar (Moda et al., 1996). As vias de transmissão da doença de bovinos para humanos são a aerógena, por inalação de aerossóis contaminados associado ao contacto directo com animais ou carcaças infectadas e 14 a via digestiva, pelo consumo de leite e produtos lácteos não fervidos ou pasteurizados (Moda et al., 1996; Thoen et al., 2006). O M. bovis sobrevive no leite podendo ser encontrado por períodos de tempo variáveis em lacticínios produzidos com leite não pasteurizado (iogurte e queijo-creme até 14 dias e na manteiga cerca de 100 dias após preparação). Actualmente, nos países desenvolvidos o risco de contaminação pelo leite é reduzido uma vez que a pasteurização é obrigatória. Contudo, alguns surtos da doença associados ao consumo de queijos confeccionados com leite não pasteurizado, normalmente importados de países endémicos, continuam a acontecer (Harris et al., 2007; Rodwell et al., 2008). A transmissão de M. bovis através do consumo de carne, nos países desenvolvidos não constitui perigo para a saúde pública devido à rigorosa inspecção existente em matadouros, para além da baixa incidência do agente no tecido muscular e da invulgariedade associada à ingestão de carne crua nas nossas sociedades (de la Rua-Domenech, 2006). Porém, o consumo de carne de caça não controlada (como peças de caça ou abates clandestinos em casa) e geralmente mal cozinhada pode constituir risco (Moda et al., 1996). Embora rara e autolimitante, pode ocorrer transmissão pela via transcutânea de M. bovis ao homem, afectando principalmente as pessoas que manuseiam carcaças infectadas (Grange, 2001). Não está referenciado nenhum caso de infecção humana a partir de uma fonte ambiental directa (Biet et al., 2005). Estão também documentados casos de indivíduos, especialmente imunocomprometidos, infectados com M. bovis BCG, vacina viva atenuada utilizada na prevenção da tuberculose humana (Grange, 2001; Huard et al., 2003). Assim, nos países desenvolvidos a doença assume um carácter profissional, ocorrendo mais frequentemente entre os indivíduos que lidam directamente com animais infectados ou com produtos provenientes destes. Deste modo, agricultores, tratadores, magarefes, veterinários, pessoal de laboratório e empregados de zoológicos são classes de risco podendo manifestar a doença principalmente na forma pulmonar (transmitida por aerossóis) (Thoen et al., 2006). No entanto, a causa mais comum de tuberculose humana por M. bovis na Europa e em países onde já se alcançou a erradicação há décadas é a reactivação endógena do foco primário em indivíduos adultos associado com infecções adquiridas na infância ou na juventude (de la Rua Domenach, 2006; Moonan et al., 2009). O aumento da tuberculose zoonótica, principalmente em centros urbanos, pode também estar associado ao elevado número de imigrantes provenientes de áreas endémicas (Lobue et al., 2003). A propagação homem-homem do M. bovis, tem sido reportada principalmente entre indivíduos imunocomprometidos (Lobue et al., 2004; Evans et al., 2007; Shrikrishna et al., 2009; Bilal et al., 2010), mas muitos autores consideram estes casos esporádicos de pouco significado epidemiológico (Good e Duignan, 2011). Uma situação importante associada a esta interacção M. bovis - Humanos que pode colocar em risco a erradicação deste agente nos bovinos é possibilidade de transmissão da doença dos humanos para os bovinos (Good e Duignan, 2011). Tal é possível uma vez que a 15 distinção do agente em caso de infecção humana não é muitas vezes preconizado não sendo possível adoptar o tratamento ideal, nem tomar medidas preventivas (evitar os contactos com animais), actuando este indivíduo infectado como reservatório de manutenção da doença (DGHC, 2010). Normalmente, a transmissão da doença é directa, pela via aerógena ou pode ocorrer indirectamente, através de alimento contaminado com urina de humanos afectados ao nível uro-genital (O´Reilly e Daborn, 1995; Grange, 2001). No início do século XX, a infecção humana por M. bovis constituía 25% de todos os casos de tuberculose nos países desenvolvidos (O´Reilly e Daborn, 1995). A tuberculose zoonótica era muito referenciada na literatura como uma doença infantil, transmitida por via digestiva pelo consumo de leite de bovinos infectados e que afectava os linfonodos cervicais (escrofulose), o trato intestinal e as meninges (Thoen et al., 2006). Mais tarde, com o reconhecimento pela Organização Mundial de Saúde (OMS) do risco que constituía a TB para a saúde pública, desencadeou-se a implementação por parte dos governos de medidas de controlo de carácter obrigatório como a inspecção das carcaças no matadouro, a pasteurização do leite e posteriormente os planos de erradicação baseados no teste-abate de todos os efectivos bovinos (Michel et al., 2010). Assim, actualmente nos países desenvolvidos a infecção por M. bovis nos humanos é considerada esporádica, embora alguns autores considerem os resultados de tal subestimados uma vez que a diferenciação entre as espécies apenas começou a ser realizada há alguns anos (de la Rua Domenach, 2006) e mesmo na actualidade muitos laboratórios não utilizam as técnicas adequadas à distinção das espécies (Thoen et al., 2006) Dados da EFSA referem que o número de casos de tuberculose humana devido a M. bovis aumentou 7,5% em 2008 comparativamente a 2007. Cinco países, Alemanha, Irlanda, Holanda, Espanha e Reino Unido representaram 94,8% dos casos confirmados em 2008. Além disso, 15.7 % dos casos confirmados, foram reportados pela Holanda que é um país oficialmente indemne de TB. Igualmente aos anos anteriores, a média mais alta de tuberculose humana por M. bovis foi em indivíduos de idade igual ou superior a 65 anos tanto em países OI como em NOI. As razões de tal podem estar relacionadas com a exposição associada com carácter ocupacional e a longos períodos de incubação antes do aparecimento de sinais clínicos (EFSA, 2011). Em Portugal não está determinada a importância do M. bovis na tuberculose humana, contudo, um estudo verificou que este agente estava implicado em 3,7% dos casos de tuberculose humana avaliados por Spoligotyping. No entanto, tal valor foi justificado pela possibilidade de tratar-se de uma infecção por M. bovis BCG, associado à vacinação, ou à utilização de terapias com base em BCG recombinante, ou ainda, infecção por M. africanum devido à proximidade das duas espécies (David et al., 2004). No entanto, alguns autores apontam para a possibilidade de aumento da incidência da tuberculose por M. bovis em humanos associado à actual interface entre a tuberculose nos bovinos e espécies silváticas proporcionando a transmissão através de actividades de carácter ocupacional ou lúdico (Michel et al., 2010) mas principalmente associam um 16 possível eclodir da doença com a resistência de M. bovis aos antibióticos de eleição no tratamento (pirazinamida) e com a síndrome de imunodeficiência adquirida (SIDA) que favorece a progressão da doença embora, tal seja mais preocupante nos países em vias de desenvolvimento (Abalos e Retamal, 2004). 2.1.3. Diagnóstico O diagnóstico definitivo da TB deve incluir um conjunto de ferramentas que permitam fornecer uma resposta fiável no mais curto espaço de tempo, uma vez que dificuldades relativamente à inespecificidade dos sinais clínicos da doença, à obtenção do isolamento de M. bovis a partir de amostras do animal vivo e à reduzida produção de anticorpos durante o estádio inicial da enfermidade contribuem para a fragilidade dos diagnósticos clínico, bacteriológico e sorológico quando utilizados isoladamente (de la Rua Domenach et al., 2006). Actualmente, nos Planos de Erradicação da Tuberculose Bovina (PETB), a doença é diagnosticada in vivo pelo exame clínico e pela prova da tuberculina e post mortem através de exames anatomopatológicos com confirmação histopatológica e bacteriológica das lesões suspeitas (OIE, 2009). O progresso da biologia molecular tem desenvolvido técnicas mais avançadas, baseadas na amplificação dos ácidos nucleicos (Reacção em Cadeia da Polimerase (PCR)) e na Genotipagem que permitem um diagnóstico mais célere e discriminativo com potencial de, futuramente, serem integradas como ferramentas diagnósticas em muitos Planos de Erradicação (PE) (Collins, 2011). 2.1.3.2. Diagnóstico in vivo 2.1.3.1.1. Exame Clínico A importância do diagnóstico clínico no PETB é relativa, uma vez que, esta enfermidade provoca sinais clínicos muito inespecíficos e a evidência de tal sintomatologia ocorre apenas em estados avançados da doença. Além disso, em países desenvolvidos, este último facto, é cada vez menos frequente associado à implementação de PE onde são realizados rastreios regulares para eliminação precoce dos animais positivos (de la Rua Domenach et al., 2006). Porém, o exame físico torna-se importante em animais com casos avançados de doença em que o teste tuberculínico pode perder sensibilidade pela possibilidade de ocorrência do fenómeno de anergia à tuberculina (de la Rua Domenach, 2006). Assim, associado à localização das lesões, os animais podem apresentar fraqueza, perda de peso e apetite, temperatura ondulante, episódios diarreicos, sinais respiratórios (tosse, dispneia), hipertrofia dos gânglios linfáticos superficiais, mastite e metrite (Radostitis et al., 2007). 17 2.1.3.1.2. Teste da Intradermotuberculinização Actualmente, segundo recomendação da OIE e de acordo com a legislação europeia o método de diagnóstico in vivo utilizado como instrumento base nos programas de controlo e erradicação da TB em todo o mundo é a prova da tuberculina. A sua escolha prende-se com o facto de ser um teste com boa sensibilidade e especificidade, além da facilidade de execução e baixo custo (OIE, 2009). A tuberculinização é uma medida da imunidade celular produzida por indivíduos previamente expostos a antigénios micobacterianos (Monaghan et al., 1994; Pollock et al., 2006; de la Rua Domenach et al., 2006), permitindo detectar animais infectados em fases precoces da doença, ou seja, a partir das 3 a 6 semanas após exposição ao bacilo (de la Rua Domenach et al., 2006; OIE, 2009). O método baseia-se na injecção intradérmica de derivados antigénicos de proteínas purificadas (PPD) e na subsequente detecção de uma reacção alérgica de hipersensibilidade do tipo IV ou tardia, caracterizada por um infiltrado de células mononucleares no local da inoculação que promove macroscopicamente a formação de edema e endurecimento progressivo no local da aplicação atingindo o seu pico por volta das 48-72 horas pósinoculação e diminuindo em seguida (Pollock et al., 2005; de la Rua-Domenech et al., 2006). Assim, para a utilização da prova da tuberculina como ferramenta diagnóstica num programa de controle e erradicação é indispensável que o procedimento seja padronizado quanto à produção das tuberculinas, equipamentos de aplicação, local de administração e critérios de leitura e interpretação (OIE, 2009). As tuberculinas utilizadas são derivados proteicos purificados (PPD – Purified Protein Derivative), obtidos laboratorialmente a partir do crescimento e tratamento térmico de colónias de M. bovis e M. avium (Pollock et al., 2005; de la Rua-Domenech et al., 2006). A concentração proteica e a potência das tuberculinas requerem aferição por métodos químicos e biológicos, baseados na comparação de tuberculinas padrão e devem ser expressas em unidades internacionais (UI). Em muitos países, a potência da tuberculina bovina é considerada aceitável se a potência estimada garantir uma dose de pelo menos 2000 UI (+-25%). Em bovinos com sensibilidade alérgica diminuída uma dose maior de tuberculina bovina é necessária, no entanto, o volume de cada dose não deve exceder os 0,2 ml (OIE, 2009; Good e Duignan, 2011). Os testes alérgicos cutâneos podem ser simples ou comparativos. No teste da intradermotuberculinização simples (IDTS), utiliza-se apenas a tuberculina bovina, sendo classificado pelo local de aplicação em: intradermotuberculinização simples caudal (prega da cauda) e intradermotuberculinização simples cervical (tábua do pescoço). A prova da intradermotuberculinização de comparação (IDTC) recorre a duas tuberculinas, bovina e aviária, com aplicação simultânea, e o local mais comum de inoculação é na tábua do pescoço (Monaghan et al., 1994; Schiller et al., 2010). 18 A prova comparada apresenta maior especificidade que os testes simples, pois permite a distinção entre uma infecção por M. bovis ou por exposição a outras micobactérias ou géneros relacionados (Pollock et al., 2005; Schiller et al., 2010), uma vez que os bovinos infectados com M. bovis tendem a apresentar uma maior resposta à tuberculina bovina do que à aviária, enquanto que infecções com outras micobactérias promovem o inverso. Tal, proporciona um menor número de falsos-positivos (de la Rua Domenach et al., 2006). A decisão para a utilização do teste simples ou comparado geralmente depende da prevalência da TB e do nível de exposição ambiental aos outros microorganismos sensíveis (OIE, 2009; Schiller et al., 2010). Os procedimentos na aplicação e leitura do teste da tuberculina são muito importantes para obtenção de resultados fidedignos. O local de eleição de injecção da tuberculina é a região cervical (terço médio da tábua do pescoço) por ser uma zona mais limpa e com maior sensibilidade oferecendo reacções mais expressivas (de la Rua-Domenech et al., 2006). Quando utilizado o teste simples caudal, a dose de tuberculina a utilizar deve ser maior para compensar as diferenças de sensibilidade. Nas zonas de injecção, a pele deve apresentar-se limpa e íntegra e o local da inoculação é determinado pela realização de tricotomia numa área quadrada com cinco centímetros de lado. O passo seguinte é o registo da espessura da prega de pele medida com cutímetro tendo atenção à uniformidade relativamente à tensão exercida no aparelho para não haver disparidade de resultados. O teste simples consiste na injecção intradérmica de tuberculina bovina e o teste comparado envolve a utilização de tuberculina bovina e aviária em duas zonas de inoculação diferentes, normalmente no mesmo lado do pescoço com uma distância de aproximadamente 12 a 15 cm. Excepcionalmente, em animais jovens, poderá ser aplicada uma tuberculina em cada lado do pescoço sempre que não seja possível separar suficientemente os pontos de inoculação num só lado. As seringas são esterilizadas, destinadas exclusivamente à realização desta prova, uma para cada tuberculina, devendo ser garantido que não ocorrem trocas das mesmas no momento da inoculação. O aparecimento de uma pequena bolha intradérmica (pápula) visível ou palpável em cada ponto de injecção é indicativo de uma correcta inoculação, caso tal não se verifique é aconselhável uma nova inoculação cinco centímetros distante da primeira. A leitura dos resultados da prova será realizada mediante nova medição da espessura da prega de pele em cada ponto de inoculação 72 horas (+/- 4h) depois. É aconselhável que todo o procedimento seja realizado pelo mesmo operador, desde a primeira mensuração até à interpretação dos resultados (OIE, 2009). A interpretação das reacções à prova simples baseia-se na observação clínica e no aumento registado da espessura da prega da pele nos pontos de inoculação. 19 A presença de sinais clínicos, tais como edema difuso ou extenso, exsudado, necrose, dor ou reacção inflamatória dos canais linfáticos da região ou dos gânglios é sempre definida como resultado positivo. Além disso, em efectivos confirmados com infecção por M. bovis qualquer aumento de volume palpável ou visível deve ser considerado positivo. O aumento da espessura da prega de pele (ΔB) deve ser calculado pela subtracção do valor da medida da prega de pele, setenta e duas horas após a inoculação (B72) com o valor da medida da prega de pele registada no dia da inoculação (B0), ou seja, (ΔB= B72–B0), isto para a prova de intradermotuberculinização simples (Quadro 1) (OIE, 2009). Quadro 1 – Interpretação dos resultados da prova de intradermotuberculinização simples. Fonte: OIE, 2009. Interpretação de Resultados da IDTS Positiva (e/ou) Duvidosa Negativa Sinais Espessura Sinais Espessura Sinais Espessura Clínicos prega pele Clínicos prega pele Clínicos prega pele Sim ΔB ≥ 4 mm Não 2>ΔB <4mm Não ΔB≤ 2mm Em relação ao teste da IDTC o aumento da espessura da dobra da pele deve ser calculado da seguinte forma: subtracção entre a medida da prega de pele 72 horas após a inoculação e a medida da prega de pele registada no dia da inoculação para a tuberculina aviária (ΔA) e para a tuberculina bovina (ΔB). A interpretação da prova será realizada a partir do resultado apresentado pela diferença entre ΔB e ΔA (Quadro 2) (2DGV, 2005; 6DGV, 2009). Quadro 2 - Interpretação dos resultados da prova de intradermotuberculinização comparada. Fonte: 2 DGV, 2005; 6DGV, 2009. Interpretação de Resultados da IDTC ΔB-ΔA (mm) Sinais Clínicos ΔB<2 -Ausentes ΔB<ΔA <0 Ausentes ΔB>ΔA 1a4 Ausentes ΔB>ΔA >4 Presentes (e/ou) Interpretação Negativo Negativo Duvidoso Positivo Quando o local de inoculação é a prega da cauda, a interpretação padrão é que qualquer alteração visível ou palpável seja considerada positiva. Porém, outras interpretações podem ser consideradas, nomeadamente, qualquer aumento de volume palpável ou visível no local de injecção de espessura superior a quatro milímetros comparativamente à prega caudal oposta é considerado positivo, bem como, um aumento igual ou superior a oito milímetros em animais com apenas uma prega de pele caudal (OIE, 2009; Schiller et al., 2010). 20 As diferentes formas de interpretação devem ser adoptadas consoante a prevalência da doença e os factores de risco associados como, por exemplo, a existência de reservatórios selvagens. Portanto, uma interpretação mais estrita pode ser utilizada, principalmente em populações de alto risco ou em animais com contactos frequentes (OIE, 2009). Os animais com reacções duvidosas devem ser testados novamente 42 dias depois da última tuberculinização (em algumas áreas os intervalos são maiores, 60 dias para bovinos e 120 para veados). Este intervalo mínimo para repetição do teste visa evitar a ocorrência de resultados falso-negativos, uma vez que após a tuberculinização ocorre a dessensibilização do animal, na qual há uma diminuição temporária na capacidade de responder a novos testes (Buddle et al., 2009). Apesar da fiabilidade desta ferramenta de diagnóstico existem diversos factores envolvidos na diminuição da sua sensibilidade e especificidade. Apesar da sensibilidade média da prova da tuberculina ser boa permitindo detectar a infecção em fases iniciais (3 a 6 semanas após exposição ao agente) (Thom et al., 2006), a testagem de animais antes deste período de tempo pode promover falsos-negativos (Good e Duignan, 2011). Por esta razão, se existir suspeita de infecção recente de uma exploração ou efectivo, deve ser considerado atrasar a prova de forma a reduzir a probabilidade de falsos-negativos (OIE, 2009). Porém, outras causas são apontadas no aumento de falso-negativos como animais em fases avançadas da doença, pois o excesso de antigénios circulantes pode desencadear uma imunossupressão ou anergia, incapacitando o organismo de reagir às tuberculinas (Thom et al., 2006) bem como, situações de imunossupressão associadas com o pós-parto, administração de corticosteróides e outras doenças (de la Rua-Domenach et al., 2006). A dessensibilização à tuberculina pelo não cumprimento de intervalos entre testagens bem como, erros associados com os procedimentos ou com a tuberculina utilizada podem também originar falsos-negativos (de la Rua-Domenech et al., 2006; OIE, 2009). A diminuição da especificidade da prova está principalmente associada a reacções cruzadas com micobactérias ambientais (de la Rua-Domenach et al., 2006). Além disso, é necessário ter em conta que é uma prova diagnóstica que não responde correctamente a espécies não bovinas e não cervídeas (OIE, 2009). 2.1.3.2.3. Testes in-vitro Alguns testes de diagnóstico in vitro foram desenvolvidos ao longo do tempo, embora sejam mais utilizados como complemento ao teste intradérmico, uma vez que a sua complexidade e custo não permite o seu uso como testes de rotina (Wedlock et al., 2002). Assim, estes testes complementares têm como objectivo maximizar a detecção de animais infectados ou por vezes confirmar os resultados de um teste intradérmico. Estão disponíveis actualmente, testes que medem a imunidade celular, como a prova do interferão-gamma (IFN-γ) que utiliza o teste ELISA (Enzima-Linked Immunosorbent Assay) como o método de detecção do interferão e o teste da proliferação de linfócitos que 21 detecta respostas imunes mediadas por células. Existem também provas que medem a imunidade humoral como o teste ELISA que detecta respostas aos anticorpos (OIE, 2009). 2.1.3.1.3.1. Teste Interferão-Gamma O teste do IFN-γ também é uma prova oficial de diagnóstico na UE, sendo normalmente utilizado como teste complementar à prova da tuberculina (OIE, 2009). O teste para detecção de IFN-γ bovino é uma prova in vitro que mede a resposta de imunidade celular específica à infecção por M. bovis. Esta prova baseia-se na quantificação de IFN-γ produzido em amostras sanguíneas de animais infectados, após estimulação com tuberculina bovina. Os bovinos infectados com M. bovis produzem linfócitos T, os quais respondem rapidamente à estimulação in vitro com a tuberculina bovina, produzindo elevados níveis de citoquina IFN-γ. Isto acontece pela capacidade dos linfócitos sanguíneos de animais infectados por M. bovis reconhecerem antígenos micobacterianos espécie – específicos presentes na tuberculina bovina (de la Rua-Domenech et al., 2006). Este teste é realizado em duas fases, inicialmente a amostra de sangue do animal suspeito é incubada com tuberculina bovina e aviária durante 16 a 24 horas, seguida de detecção e quantificação do IFN-γ produzido, através de um teste ELISA (Schiller et al., 2010). Em animais previamente sensibilizados por M. bovis, há uma maior produção de IFN-γ na estimulação com a tuberculina bovina (de la Rua-Domenech et al., 2006). A interpretação dos resultados varia entre países sendo normalmente baseada nos níveis de prevalência da doença e exposição a micobactérias ambientais, bem como, no protocolo em utilizado (Schiller et al., 2010). A sensibilidade desta prova é considerada superior à prova da IDTC (Vordermeier et al., 2008) embora o inverso ocorra em relação à especificidade tornando-o inapropriado como teste único em zonas de baixa prevalência da doença (Gormley et al., 2006), no entanto, estudos incluindo a utilização de dois antigénios específicos do Complexo Mycobacterium tuberculosis, o ESAT-6 e o CFP-10 têm demonstrado aumentos na especificidade da prova (Aagaard et al., 2010). Outras desvantagens com esta prova baseiam-se na necessidade de entregar as amostras de sangue no laboratório até 8 horas após a colheita e de as manter a temperaturas máximas de 26ºC (de la Rua-Domenech et al., 2006) bem como, a aparente diminuição de sensibilidade em presença da paratuberculose (Álvarez et al., 2009). O facto de ser um teste in vitro torna-o bastante vantajoso uma vez que é um procedimento não invasivo, que não interfere com o estado imunitário do animal e portanto não necessita de período refractário para repetição do mesmo. Para além disso, exibe uma rapidez de resposta, interpretação mais objectiva dos resultados (independente do operador) e facilita o maneio dos animais sendo apenas necessário uma única contenção para a colheita de sangue (de la Rua-Domenech et al., 2006). 22 2.1.3.3. Diagnóstico post mortem O diagnóstico post mortem compreende os exames anátomo-histopatológicos e a análise bacteriológica. Tal, permite controlar o diagnóstico realizado em campo e avaliar a eficácia das provas tuberculínicas. Actualmente, com o desenvolvimento da biologia molecular, diversas técnicas moleculares podem ser utilizadas como complemento, no entanto, devido à sua exigência técnica e algumas limitações só são executadas em situações específicas. Assim, a tradicional cultura microbiana continua a ser o procedimento de diagnóstico definitivo número um dos PE (OIE, 2009). 2.1.3.2.1. Detecção de Lesões Características de Tuberculose 2.1.3.2.1.1. Achados Macroscópicos A detecção de lesões características de tuberculose pode ocorrer durante o exame de inspecção sanitária post mortem em matadouros. Posteriormente estas lesões devem ser encaminhadas para exame histopatológico, no entanto, apenas o isolamento bacteriológico do M. bovis fornece um diagnóstico definitivo (Parra et al., 2008). Os tubérculos típicos da tuberculose, em estágios iniciais da doença são mais frequentemente observados nos gânglios linfáticos da cabeça e do tórax (Neill et al., 1994; Whipple et al., 1996; Cassidy, 2006). Antes da implementação de programas de controlo da doença, as lesões nos pulmões, predominantemente nos lóbulos caudais, eram bastante frequentes, embora ainda possam ocorrer em estádios intermédios da doença (Van Rhijn et al., 2008). Casos de tuberculose generalizada com envolvimento do úbere e vísceras (Neill et al., 2001), bem como na forma miliar são raras (Van Rhijn et al., 2008). Foram já descritos casos de tuberculose nas tonsilas dos bovinos (Cassidy et al., 1999). Macroscopicamente, lesões nodulares de 1 mm a 2 cm de diâmetro, confluentes ou não, de cor branca a amarelada, envolvida por cápsula fibrosa e contendo exsudato com aspecto caseoso no interior, podendo apresentar mineralização são compatíveis com tuberculose (Neill et al., 2001; SAG, 2004), no entanto, muitos processos inflamatórios granulomatosos apresentam características morfológicas semelhantes às descritas (Parra et al., 2008). Assim, alguns diagnósticos diferenciais devem ser tidos em conta como infecções bacterianas por Corynebacterium pyogenes, Actinomyces bovis, Actinobacillus lignieresi, fungos, parasitoses e processos neoplásicos (Cousins, 2001). 2.1.3.2.1.2. Exame Histopatológico Através de técnicas histopatológicas é possível observar características compatíveis com tuberculose, nomeadamente, a organização da lesão granulomatosa pela coloração 23 hematoxilina e eosina e a presença de bacilos através da coloração de Ziehl-Neelsen (Varello et al., 2008). Na microscopia histológica, o granuloma apresenta-se como um centro de necrose caseosa, podendo apresentar calcificação, rodeado por camadas concêntricas de macrófagos, células epitelióides, células gigantes multinucleadas de Langhans, linfócitos e presença ou não de bacilos (SAG, 2004; Pollock et al., 2006). As lâminas histológicas também podem ser submetidas à coloração especial pelo método de Ziehl-Neelsen ou pelo método de Kinyoun. Neste tipo de coloração, os BAAR podem ser observados sob microscopia óptica de luz em objectiva de imersão, aparecendo os bacilos corados em vermelho contrastando com o restante corte histológico corado a azul pelo azul de metileno, ou a verde, pelo verde malaquita, conforme a técnica (Varello et al., 2008; CFSH, 2009). Estas propriedades tintoriais são também características aos microorganismos dos géneros Nocardia, Rhodococcus e Corynebacterium, tornando difícil a diferenciação (Quinn et al., 2004). O exame histopatológico pode ser utilizado como único meio de diagnóstico em regiões com alta prevalência da doença, devido à economia de tempo no fornecimento de resultados relativamente ao exame bacteriológico (Corner, 1994). No entanto, apesar de se tratar de um método rápido e barato, apresenta limitações, associado ao facto de outros agentes produzirem lesões semelhantes à TB, dificultando o diagnóstico (Wards et al., 1995; Cousins, 2001), embora possibilite descartar outras causas de doença (parasitas, neoplasias). 2.1.3.2.2. Detecção e Identificação dos Membros do Complexo Mycobacterium tuberculosis Actualmente a confirmação da infecção faz-se por isolamento da bactéria num meio de cultura selecionado e sua subquente identificação por testes de cultura e bioquímicos ou por técnicas moleculares (OIE, 2009). A identificação das espécies do CMT tem actualmente particular importância para perceber as possibilidades de infecções cruzadas mas também associado com a resistência natural do M. bovis à pirazinamida, antibiótico utilizado no tratamento da tuberculose humana (Thoen et al., 2006). Com o evoluir das técnicas moleculares a diferenciação ao nível da estirpe tem sido possível e fornece importantes respostas em relação aos ciclos epidemiológicos da doença (Collins, 2011). Nos PETB, o diagnóstico bacteriológico com isolamento e tipificação da micobactéria, torna-se particularmente importante em fases avançadas dos PE à medida que a prevalência da doença diminui, pois além de permitir uma vigilância epidemiológica mais eficaz, possibilita a identificação de espécies que provocam reacções cruzadas e a confirmação da infecção em animais que não apresentam lesões macroscópicas visíveis mas reagem à tuberculina (Wedlock et al., 2002). 24 2.1.3.2.2.1. Métodos Bacteriológicos Os procedimentos microbiológicos básicos para o diagnóstico etiológico das doenças causadas por micobactérias incluem: pesquisa BAAR por microscopia directa (baciloscopia) e a cultura dos agentes. As amostras apropriadas para utilização no laboratório são gânglios linfáticos, lesões tecidulares, aspirados e leite (Quinn et al., 2011). 2.1.3.2.2.1.1. Baciloscopia O M. bovis pode ser pesquisado pela visualização microscópica directa de amostras frescas coradas pelo método de Ziehl-Neelsen para pesquisa de BAAR (Quinn et al., 2004). A baciloscopia directa não é tão importante no diagnóstico da TB como o é na tuberculose humana, uma vez que na maioria das lesões macroscópicas não são observados BAAR ao exame directo por não atingirem as concentrações mínimas para serem visualizados, cerca de 10.000 por mililitro (Wards et al., 1995), além de que, esta técnica não permite a diferenciação dos membros da família Mycobacteriaceae e outros microrganismos tais como Corynebacterium, Nocardia e Rhodococcus que têm as mesmas características tintoriais (Quinn et al., 2004). 2.1.3.2.2.1.2. Cultura A cultura para isolamento e identificação do agente (M. bovis, M. caprae e M. tuberculosis) representa o diagnóstico definitivo da doença em termos dos PETB, porém é uma técnica muito morosa. É recomendado a cultura de amostras de gânglios linfáticos da cabeça e do tórax quando não são detectadas lesões visíveis post mortem em animais tuberculino positivos ou interferão positivos (OIE, 2009). Os principais factores que influenciam o sucesso do isolamento do agente são: as condições assépticas da colheita, o tempo de acondicionamento da amostra, o processo de descontaminação, o meio de cultura utilizado e as condições de incubação (Corner, 1994). Todos os procedimentos de cultura devem ser processados de acordo com as normas standardizadas e regulamentadas pela OIE (OIE, 2009). As micobactérias são altamente exigentes no que se refere a nutrientes quando comparadas com outras bactérias patogénicas. Essas características facilitam a multiplicação de microorganismos menos exigentes, que podem competir com M. bovis e prejudicar o seu crescimento, o que torna indispensável a descontaminação das amostras previamente à tentativa de isolamento. A descontaminação pode ser feita pela utilização de detergentes (HPC- hexadecylpyridinium chloride), bases (hidróxido de sódio a 2-4%) ou ácidos (ácido oxálico 5%) (Rowe e Donaghy, 2008; OIE, 2009). 25 Normalmente, a cultura do M. bovis baseia-se na utilização combinada de meios de cultura sólidos e líquidos (Rowe e Donaghy, 2008). Os meios indicados para o cultivo de M. bovis são os sólidos à base de ovo, principalmente, os meios de Stonebrink e o Lowenstein-Jensen com piruvato ou piruvato e glicerol. Contrariamente à maioria das bactérias que consomem o glicerol para obter energia, o M. bovis utiliza o piruvato como fonte de carbono. Esta diferença metabólica do M. bovis é consequência de uma mutação no gene da enzima catalisadora de glicerol, que se traduz no pouco crescimento bacteriano em meios que têm como única fonte de carbono o glicerol (Henwinson et al., 2006). Podem ser utilizados outros meios sólidos à base de ágar enriquecido com soro ou sangue, como o Middlebrook 7H10 ou 7H11, juntamente com meios líquidos como o sistema radiométrico BACTEC 460 (Becton Dickinson) ou o sistema BACTEC Mycobacteria Growth Indicator Tube (MGIT) (Becton Dickinson) (Hines et al., 2006). Segundo o manual da OIE, as culturas devem ser incubadas por um período mínimo de oito semanas, sendo o ideal entre as dez a doze semanas, a 37ºC com ou sem dióxido de carbono. O crescimento de M. bovis ocorre dentro de 3-6 semanas dependendo do meio usado (OIE, 2009; Quinn et al., 2011). Os critérios utilizados para a identificação dos isolados são baseados no crescimento e na velocidade de crescimento de colónias em meios selectivos, nas características morfológicas das colónias, no resultado positivo à coloração Ziehl-Neelsen de amostras das colónias e no perfil bioquímico (Quinn et al., 2011), podendo também ser confirmado através das técnicas moleculares (Rowe e Donaghy, 2008). A cultura do M. bovis apresenta crescimento disgónico com colónias apresentando relevo e com rugosidade central e que quebram facilmente (Quinn et al., 2011). O crescimento do M. bovis é inibido pela hidrazida do ácido tiofeno-2-carboxílico (TCH) e proporcionado pelo piruvato, assim sendo, pode utilizar-se o meio Lowenstein-Jensen sem TCH ou com piruvato como meio de cultura selectivo (Quinn et al., 2004). Verifica-se também que o crescimento deste agente neste meio é pobre na presença de glicerol e maior na presença de piruvato (Quinn et al., 2011). O meio Bactec (Becton Dickinson) não contém glicerol pelo que favorece o crescimento de M. bovis (OIE, 2009). Uma combinação de testes bioquímicos podem ser utilizados para a diferenciação entre o M. bovis e o M. tuberculosis, nomeadamente, o teste de produção de niacina (detecção de M. tuberculosis); o teste de redução de nitratos a nitritos (detecção de M. tuberculosis); testagem da susceptibilidade ao TCH (hidrazida do ácido tiofeno-2-carboxílico) (M. bovis é inibido e M. tuberculosis cresce) e o teste de produção de pirazinamidase (enzima ausente em M. bovis). Assim, característicamente o M. bovis não produz niacina, não reduz nitratos, é resistente ao antibiótico pirazinamida e sensível à TCH e algumas estirpes demonstram sensibilidade à cicloserina (Quinn et al., 2011). Embora a cultura continue a ser a técnica oficial de confirmação da infecção esta apresenta várias desvantagens nomeadamente, baixa sensibilidade associada à necessidade de grande 26 quantidade de bacilos muitas vezes eliminados devido aos métodos drásticos de descontaminação; grande quantidade de amostras inviáveis que chegam aos laboratórios (OIE, 2009); longo período de tempo até à obtenção de resultados e impossibilidade de identificar estirpes dentro da mesma espécie (Wards et al., 1995; Collins, 2011). Tal, tem estimulado o progresso no desenvolvimento de novas técnicas, sendo os métodos moleculares um exemplo de tal, no entanto, ainda com várias limitações. 2.1.3.2.2.2. Métodos Moleculares O desenvolvimento das técnicas de diagnóstico molecular progrediu com a sequenciação do DNA das micobactérias tendo todo o potencial para catalisar uma revolução ao nível do diagnóstico desta enfermidade (Collins, 2011). A grande vantagem das técnicas moleculares é que permitem reduzir o tempo necessário para identificar membros do Complexo M. tuberculosis (Collins, 2011), quer a partir de culturas (sondas de DNA – Sistema accuprobe, Gen Probe®) quer a partir da amostra (técnicas de amplificação dos ácidos nucleicos) (van Soolingen, 2001) embora em termos de PE sejam apenas utilizadas de forma complementar associado a algumas limitações a nível de custos, complexidade e sensibilidade (OIE, 2009). Uma outra técnica molecular em uso crescente na actualidade é a Genotipagem, ferramenta primordial da epidemiologia molecular. Assim, as técnicas de diagnóstico molecular mais importantes ao nível da Tuberculose Bovina são as baseadas na amplificação de ácidos nucleicos (PCR) associado com a rápida confirmação da doença e a Genotipagem, pois fornece informações preciosas para o ciclo epidemiológico desta enfermidade (Collins, 2011). 2.1.3.2.2.2.1. Técnicas de Amplificação de Ácidos Nucleicos Entre as técnicas de amplificação de ácidos nucleicos, a mais utilizada é a PCR que reproduz e amplifica ciclicamente uma sequência específica de DNA da micobactéria. Este método têm sido utilizado para a detecção e identificação do agente, tanto em isolados de culturas como em amostras clínicas (Collins, 2011). Na utilização directa em isolados do M. bovis, os avanços da tecnologia do PCR, demonstrado por diversos estudos (Amaro et al., 2008; Parra et al., 2008), têm consequentemente permitido o aperfeiçoamento dos pontos críticos da técnica como os métodos de extracção de DNA e de controlo da contaminação, no entanto, ao nível dos PE esta não pode ainda substituir a cultura uma vez que certas limitações no método persistem (Collins, 2011), embora forneça resultados preliminares mais rápidos (1 ou 2 dias para um conjunto de amostras) (Wards et al., 1995). Actualmente, uma das grandes limitações é o facto de os resultados negativos não serem fiáveis (Taylor et al., 2007; Parra et al., 2008) e para além disso, os resultados da PCR não apresentam coerência quando aplicados a amostras com evidência de baixo número de bacilos (Collins, 2011). 27 Apesar destas limitações na utilização directa em amostras biológicas, actualmente é uma técnica muito utilizada na detecção e confirmação de membros do CMT após cultura (Collins, 2011) e até estão referenciados estudos acerca do recurso da mesma na diferenciação do M. bovis e do M. tuberculosis (Mishra et al., 2005). Diversos primers têm sido utilizados ao longo dos tempos para amplificar diferentes sequências-alvo de forma a detectar membros do CMT, nomeadamente, a sequência ITS (Internal Transcribed Spacer, a região entre os genes 16 s–23 s rRNA), as sequências de inserção IS6110 e IS1081, genes que codificam proteinas do CMT como mpb70 e mpb64, e o 38kDa antigénio b (Rowe e Donaghy, 2008). No entanto, apenas a análise de polimorfismos nucleotídicos únicos ou variações no número de cópias destas regiões permite a distinção ao nível da espécie ou estirpe (2Cousins et al., 1998). Para a identificação específica de um isolado de M. bovis têm sido utilizada a técnica PCR tendo como objectivo verificar alterações de nucleóticos simples em genes específicos como do gene pncA e oxyR (de los Monteros et al., 1998) e do gene gyrB (Niemann et al., 2000) e o padrão de presença ou ausência de regiões de diferença RD (Huard et al., 2003; Warren et al., 2006). O M. caprae pode ser diferenciado do M. bovis pela ausência da mutação M. bovisespecífica nos genes pncA e gyrB (Aranaz et al., 2003). 2.1.3.2.2.2.2. Métodos de Genotipagem A genotipagem é actualmente um elemento essencial para o estudo epidemiológico da doença (2Cousins et al., 1998), pois permite identificar as diferentes estirpes de uma mesma espécie recorrendo a uma parte ou à totalidade do genoma da micobactéria (Figura 3) (Durr et al., 2000). Deste modo, a aplicação estratégica da genotipagem poderá determinar o sucesso de um programa de erradicação da Tuberculose Bovina uma vez que auxilia: na determinação da fonte de infecção de M. bovis num efectivo permitindo a detecção precoce de surtos e a avaliação de formas de transmissão e contactos não suspeitos; no conhecimento da dinâmica da transmissão (distribuição geográfica nacional e internacional e por espécie animal das diferentes estirpes permitindo monitorizar a circulação das mesmas (MilianSuazo et al., 2008) e na influência dos factores de risco (Haddad et al., 2004; Collins, 2011). A um outro nível a genotipagem é também usada na investigação da filogenia dos membros do CMT e suas estirpes de forma a descrever a sua evolução (Brosch et al., 2002). Os marcadores mais comuns para aplicação de técnicas de genotipagem são escolhidos de acordo com o objectivo do estudo (epidemiológico, filogenético, entre outros) e tendo em conta o seu potencial polimórfico e estabilidade, de forma a diferenciar estirpes sem relação epidemiológica entre si. Estes compreendem: a sequência de inserção IS6110, a região de 28 repetição directa (DR), as sequências polimórficas ricas em GC e as sequências repetidas em tandem (VNRT) (Haddad et al., 2004). Presentemente, as técnicas de genotipagem mais utilizadas para os membros do CMT são o Spoligotyping e a análise MIRU-VNTR (Mycobacterial Interspersed Repetitive Unit – Variable Number Tandem Repeats) que recorrem a uma técnica simples (PCR) para amplificação de regiões do genoma polimórficas específicas, produzindo padrões que podem ser traduzidos em código numérico permitindo uma interpretação directa e global (dentro e entre laboratórios) (Duarte et al., 2007). Técnicas de Genotipagem Genoma Completo REA (Restriction Endonuclease Analyses) Genoma Parcial Sequências aleatórias baseadas no PCR Sequências Repetidas Específicas PFGE (Pulsed Field Gel Electrophoresis) Não baseadas no PCR Baseadas no PCR RFLP (Restriction Fragment Length Polymorphism) Sequências de inserção: IS6110 IS1081 Regiões directas repetidas: RD Sequência polimórfica rica em GC: PGRS Regiões directas repetidas: Spoligotyping Loci repetidos em tandem: VNTR RAPD (Random Amplified Polymorphic Deoxyribonucleic Acid) IS6110ampliprinting Figura 3 – Diferentes técnicas de Genotipagem desenvolvidas nas últimas décadas. Adaptado de Durr et al., 2000. Qualquer técnica de genotipagem demonstra a sua eficiência pela capacidade discriminatória que possui, ou seja, ―pela probabilidade de dois isolados, escolhidos ao acaso numa população e sem relação epidemiológica, serem diferenciados pela(s) mesma(s) técnica(s)‖ calculada pelo índice de Gaston e Hunter (Hunter e Gaston, 1988). O Spoligotyping apresenta discriminação moderada, no entanto, pode ser aplicado a um grande número de isolados, enquanto que o MIRU-VNTR fornece a melhor discriminação relativamente a todos os outros métodos, à excepção do REA. 29 Os métodos de tipagem RFLP-IS6110 e o PGRS, encontram-se actualmente em uso embora sejam mais lentos que o Spoligotyping e menos discriminatórios que o MIRU-VNTR, no entanto podem ser utilizados de forma fiável em várias questões epidemiológicas (Collins, 2011). 2.1.3.2.2.2.2.1. Restriction Endonuclease Analysis (REA) Este foi o primeiro método utilizado na genotipagem de isolados de M. bovis. Foi desenvolvido na Nova Zelândia com o principal objectivo de obter dados epidemiológicos acerca do seu importante reservatório de manutenção na fauna selvagem, o Trichosurus vulpecula (Collins, 1999). Embora possua um elevado poder discriminatório, actualmente, apenas é utilizado na Nova Zelândia, pois é uma técnica complexa e de difícil interpretação (Durr et al., 2000; Collins, 2011). 2.1.3.2.2.2.2.2. Restriction Fragment Length Polymorphism (RFLP) Muitas técnicas são baseadas em identificar polimorfismos dentro de regiões específicas do genoma do M. bovis, exemplo de tal é o RFLP, um melhoramento da técnica REA. O passo fundamental desta técnica é a selecção de um elemento do DNA que usado com a prova irá revelar polimorfismos ou diferenças no DNA entre isolados. A escolha de provas baseadas em elementos repetitivos de DNA é preferível uma vez que aumenta o potencial de revelar polimorfismos. Esses elementos repetitivos utilizados nesta técnica são: as sequências de inserção IS6110 e IS1081, a sequência polimórfica rica em GC (PGRS) e a sequência DR (Direct Repeat) (Durr et al., 2000). Apesar dos resultados interessantes esta é uma prova exigente e morosa que necessita de pessoal altamente qualificado, para além de requerer grandes quantidades de DNA e portanto, observa-se uma tendência geral para a sua substituição por outras técnicas de execução mais rápida e prática (Pandolfi et al., 2008). RFLP- IS6110 É a técnica usada para observação do polimorfismo na sequência de inserção IS6110, que é específica para os membros do Complexo M. tuberculosis. O que permite a distinção de estirpes é a diferença na localização e no número de cópias desta sequência (IS6110) (Haddad et al., 2004). No entanto, uma vez que grande parte dos isolados de M. bovis possuem apenas uma ou poucas cópias de IS6110 e consequentemente reduzido polimorfismo, a utilização desta região genómica torna-se inapropriada (1Cousins et al., 1998). 30 RFLP- IS1081 Embora os estudos demonstrem polimorfismo limitado desta sequência de inserção em isolados de M. bovis (Skuce et al., 1994; Aranaz et al., 1998), apresenta utilidade na distinção de M. bovis BCG de outras estirpes de M. bovis (Van Sooligen et al., 1992). A combinação de resultados de diferentes provas RFLP pode ser utilizado quando um elevado grau de discriminação é pretendido (Durr et al., 2000). 2.1.3.2.2.2.2.3. Spoligotyping O desenvolvimento de técnicas mais rápidas e que permitam a utilização de grande número de amostras tem demonstrado muito interesse. Estes métodos dependem da PCR para amplificação de sequências de DNA (Collins, 2011). O Spoligotyping (Spacer Oligonucleotide Typing), desenvolvido por Kamerbeek e colaboradores (1997) baseia-se na detecção de polimorfismos dentro do locus cromossomal particular, denominado região "Direct Repeat‖ (DR), unicamente presente em bactérias do CMT. A região DR, consiste em sequências repetidas directas de 36 pares de base, intercaladas por sequências espaçadoras variáveis (spacers) de 35 a 41 pares de base. Uma região DR e seus spacers adjacentes são denominados - Direct Variant Repeat (DVR) (Kamerbeek, et al., 1997; Haddad et al., 2004). As estirpes variam no número de DRs e na presença ou ausência de determinados spacers na DR, num total de 43 possíveis (Haddad et al., 2004). Resumidamente, a técnica de Spoligotyping baseia-se na amplificação por PCR dos spacers da região DR de cada isolado. Os produtos de PCR são posteriormente desnaturados e hibridados numa membrana contendo diferentes oligonucleotídios covalentemente ligados (Haddad et al., 2004). Nas membranas de hibridação (perfil de spoligotyping), a presença ou ausência de cada um dos oligonucleotídios espaçadores é avaliada recorrendo a um conjugado de estreptavidina-peroxidase e visualizado numa película autoradiográfica. Assim, cada um dos espaçadores presentes produz uma banda escura, enquanto a inexistência de determinado espaçador é indicada pela ausência de banda na respectiva posição. O perfil de spoligotyping obtido pode ser transformado em código binário (0 representa a ausência da sequência espaçadora e 1 a presença da mesma), tornando possível a comparação do perfil obtido com outros existentes em bases de dados internacionais http://www.mbovis.org (Duarte et al., 2007). Nesta, cada perfil é designado por SB (Spoligotype Bovis) seguido de quatro algarismos, como por exemplo, SB1174 (Centers for Disease Control and Prevention [CDC], 2009). Os isolados de M. bovis apresentam uma típica ausência dos DVRs 3, 9, 16 e do 39 ao 43. 31 Embora o poder discriminatório do Spoligotyping seja modesto, é o método mais aconselhado para estudos epidemiológicos (Haddad et al., 2004) sendo, actualmente utilizado em larga escala pelas diversas vantagens que apresenta em isolados de M. bovis (Collins, 2011). É um método de simples execução, de possível utilização num grande número de isolados de forma rápida, pouco exigente na concentração e qualidade do DNA (Haddad et al., 2004) para além de permitir comparações dentro e entre laboratórios pela possibilidade de apresentação dos resultados num sistema binário (Collins, 2011). 2.1.3.2.2.2.2.4. Mycobacterial Interspersed Repetitive Unit – Variable Number Tandem Repeats (MIRU-VNTR) A técnica MIRU-VNTR, desenvolvida por Supply e colaboradores (2000 e 2001) baseia-se na determinação do número de cópias de sequências nucleotídicas que se repetem de forma adjacente (em tandem) (VNTRs – Variable Number Tandem Repeats), em regiões do genoma (loci) para identificar polimorfismos entre diferentes estirpes (Duarte et al., 2007). No caso específico das micobactérias, estas repetições em tandem são conhecidas como MIRUs (Mycobacterial Interspersed Repetitive Units) e são sequências com cerca de 40 a 100 pares de bases dispersas em determinadas regiões intergénicas (Supply et al., 2006). As regiões do genoma (loci) são escolhidas de acordo com a sua estabilidade e poder discriminatório enquanto o número de loci analisados depende da espécie do CMT e da finalidade do estudo (Duarte et al., 2007). No caso do M. bovis, a escolha do conjunto dos loci mais apropriados para genotipagem não é consensual nem está uniformizada para todos os laboratórios (Duarte et al., 2010). A técnica baseia-se na amplificação por PCR de cada locus e posterior avaliação do peso molecular dos produtos de PCR por eletroforese em gel de agarose (Collins, 2011), deste modo, é possível o cálculo do número de repetições em tandem para cada locus em estudo, com base no tamanho do produto amplificado (Supply et al., 2001; Allix-Béguec et al., 2008). Esta técnica tem um maior poder discriminatório relativamente ao Spoligotyping, embora associado a algumas limitações técnicas em isolados de M. bovis (a escolha do conjunto de loci mais apropriados) continua a ser utilizada em segundo plano, contudo o seu uso em conjunto com outras técnicas tem revelado grande utilidade em estudos epidemiológicos pelo aumento no poder de discriminação entre estirpes e pelo facto de assentarem em regiões independentes do genoma (Duarte et al., 2007; Duarte et al., 2010). Assim, a aplicação de técnicas de biologia molecular na identificação de micobactérias permite estabelecer diagnósticos mais rápidos e fiáveis, para além de dar resposta a questões epidemiológicas até então inconclusivas (Collins, 2011). 32 2.1.4. Controlo 2.1.4.1. Controlo do Mycobacterium bovis nos Efectivos Bovinos O reconhecimento da dimensão da problemática Tuberculose Bovina na produtividade dos efectivos bovinos e da sua importância para a saúde pública apenas foram evidenciados no início do século XX com o desenvolvimento da indústria leiteira nos EUA e na Europa (Abalos e Retamal, 2004). Assim, nos EUA iniciou-se uma forte campanha contra a doença baseada na inspecção sanitária de carcaças (Essey e Koller, 1994) que alastrou-se aos outros países e posteriormente enriquecida com medidas de higiene alimentar (a pasteurização do leite) e medidas de controlo da doença nos efectivos bovinos após o desenvolvimento da tuberculina (Good e Duignan, 2011). A globalização dos mercados trouxe novas exigências em relação à saúde animal, assim, nos países desenvolvidos, as razões que no passado sensibilizavam para o controlo da doença, actualmente têm um maior impacto e praticamente impõem o seu controlo e erradicação (Gordejo e Vermeersch, 2006; Ribeiro, 2010). A implementação de um PETB na actualidade prende-se essencialmente com o potencial risco zoonótico desta doença e com as perdas económicas associadas à acentuada quebra na produtividade dos animais infectados e com as fortes restrições ao comércio nacional e internacional de animais e seus produtos quando provenientes de áreas não livres da doença (Cousins, 2001; Wedlock et al., 2002). Actualmente, um Programa de Erradicação é um plano complexo de estratégias de várias naturezas (médica, sanitária, administrativa) adaptadas à realidade de cada país tendo como objectivo final a erradicação a curto ou a médio prazo (5DGV, 2009; 8DGV, 2011). Para a sustentabilidade de um PE este deve ser dividido em duas fases, uma inicial para o controlo da doença, pela adopção de medidas que proporcionem uma diminuição sucessiva de focos e uma segunda fase de vigilância de forma a garantir a erradicação (Schiller et al., 2011) A aplicação das medidas de controlo iniciam-se com uma rotina de testes tuberculínicos e posterior abate dos animais reagentes em explorações localizadas em áreas com elevada incidência da doença (Schiller et al., 2011). Tal permite eliminar fontes de infecção e prevenir a movimentação destes animais o que promoveria uma disseminação do agente (Collins, 2006). Quando o programa já atingiu grande parte das explorações e a prevalência da doença sofreu uma quebra considerável agrega-se a essa estratégia a vigilância de novos focos a partir do matadouro sendo pouco requisitados os diagnósticos definitivos (Collins, 2006). Nos estágios mais avançados do plano, em resultado da diminuição da incidência da doença, torna-se essencial o diagnóstico definitivo baseado na cultura e no isolamento do patógeno (Wedlock et al., 2002). Deste modo, a inspecção sanitária post mortem dos animais previne a entrada de carne imprópria para consumo na cadeia alimentar bem como, permite aos serviços veterinários o 33 rastreamento da exploração de origem de forma a detectar possíveis animais infectados que actuam como perpetuadores da infecção (Collins, 2006). No entanto, os planos de erradicação da actualidade são mais complexos e integram também um conjunto de medidas profilácticas, de acordo com a região afectada, que eliminam, diminuem ou evitam a dispersão da doença, nomeadamente, o controlo da movimentação animal, o abate seleccionado, o abate total, o maneio dos reservatórios selvagens, entre outras medidas de maneio e biossegurança. Assim, o controlo do trânsito animal através de testes de pré-movimentação e verificação documental, é uma ferramenta essencial para evitar a deslocação de animais de explorações/áreas infectadas para explorações/áreas livres de doença (Wedlock et al., 2002), e com crescente importância, associado com as actuais limitações nas medidas de controlo (falha na sensibilidade das provas de diagnóstico) em países com baixa prevalência ou oficialmente indemnes e com o intenso comércio animal (Schiller et al., 2011). O abate total é uma medida que pode ser adoptada em casos específicos, pois torna-se mais rentável a nível financeiro e epidemiológico que a testagem contínua em regiões ou áreas problemáticas (Wedlock et al., 2002). O abate selecionado de animais com idade igual ou superior a cinco anos nos estádios finais do PE ou quando a prevalência da doença era superior a 3% teve sucesso na Austrália (Cousins e Roberts, 2001). Também é extremamente importante adequar as medidas de controlo tendo em conta o sistema típico de produção de cada região e as práticas de maneio adoptadas pelos produtores pecuários. Assim, o espalhamento de estrumes em terrenos que servirão de pasto ou colheita de alimento para os animais deve ser evitado, principalmente se o efectivo está infectado, ou pelo menos deve ser feito o armazenamento do estrume antes deste ser utilizado e nunca com os animais no local, de forma a evitar a transmissão por via aerógena. Após um surto da doença numa região, os animais devem ser afastados das fontes de água naturais e os utensílios utilizados no seu abeberamento limpos regularmente. É também fundamental, o leite de animais confirmados ou duvidosos não ser utilizado na alimentação dos vitelos (Philips et al., 2003). Outras medidas devem ser implementadas de forma a evitar contactos de bovinos criados em sistemas extensivos com animais de explorações contíguas ou espécies silváticas, como o adequado isolamento através de cercas ou muros (Humblet et al., 2009). Relativamente às limpezas e desinfecções depois de um surto da doença, estas devem ser minuciosas e sempre considerando as resistências e sensibilidades do M. bovis. O M. bovis apresenta resistência a diversos desinfectantes químicos, com excepção dos produtos que desnaturam proteínas como os fenóis a 5%, o formol a 3%, o glutaraldeído, o formaldeído, soluções à base de iodo e em casos de baixa concentração de matéria orgânica, o hipoclorito de sódio a 1% pode ser efectivo, embora todos exijam longo período de contacto para inactivação (Morris et al.,1994; CFSPH, 2009). 34 É uma bactéria pouco resistente ao calor, como tal processos que envolvam temperaturas elevadas tais como: o calor húmido (121°C) por um período mínimo de 15 minutos (CFSPH, 2009), a pasteurização (no caso do leite, utilizando temperaturas de 63,5ºC por 30 minutos ou 72ºC por 15 segundos) (de la Rua Domenach, 2006), a exposição à luz solar ou à radiação ultravioleta torna-se eficiente na eliminação deste microorganismo (Ayele, 2004). Actualmente o tratamento dos bovinos infectados com este agente patogénico é proibido e os estudos para o desenvolvimento de uma vacina progridem, de forma a ultrapassar as limitações relacionadas com a aplicação da BCG humana aos animais pois, não fornece uma protecção completa aos bovinos e interfere nos resultados das provas diagnósticas. As soluções investigadas para eliminar estas limitações tem sido a recombinação da BCG com outro tipo de vacinas e a utilização de baixas doses de BCG por via mucosa (Buddle et al., 2011). Por outro lado, também têm sido desenvolvidos testes para diferenciar animais vacinados de não vacinados, de forma a ser possível a utilização da BCG nos bovinos (Whelan et al., 2010). O sucesso de um programa de erradicação é influenciado por diversos factores, contudo é certo que seja proporcional ao grau de comprometimento e articulação de todas as entidades envolvidas no mesmo (Cousins, 2001). O compromisso político nestes planos quer a nível financeiro, quer a nível de legislação é essencial, pois permitem uma estabilidade e cumprimento das medidas a adoptar. Uma vez que o controlo e erradicação da TB exige um grande nível de competência e esforço é essencial uma relação estreita entre os serviços de saúde pública e sanidade animal que proporcione circulação de informação de forma a agilizar e reformular as medidas a aplicar, bem como a formação constante das várias entidades envolvidas nas diversas abrangências do plano. É também fundamental a integração nestes planos das instituições de educação e investigação, de forma a obter respostas a muitas questões que continuam em aberto, bem como da própria indústria pecuária com o intuito de incentivar e sensibilizar para a realidade actual da doença (Abalos e Retamal, 2004). Ainda, é fulcral uma evolução dinâmica das estratégias implementadas, devendo ser remodeladas e reajustadas conforme as circunstâncias para atingir sempre os objectivos propostos (Good e Duignan, 2011). Na União Europeia, de acordo com a legislação em vigor, um EM ou região é considerado oficialmente indemne de tuberculose bovina quando todas as seguintes condições descritas são cumpridas. Assim, é requerido que todos os bovinos se encontrem identificados e registados de acordo com a legislação comunitária; que a todos os bovinos abatidos seja realizada a inspecção post mortem oficial, e para um período de tempo de seis anos consecutivos a percentagem anual de efectivos confirmados como infectados não seja superior a 0,1% e ainda que 35 99,9% dos efectivos possua o estatuto de oficialmente indemne no final de cada um desses anos (Gordejo e Vermeersch, 2006). Embora, a maioria dos países desenvolvidos tenham iniciado PETB desde há muitos anos e o contéudo destes planos sejam equivalentes, os resultados são bastante heterógéneos. Actualmente os PETB na Europa enfrentam alguns desafios uma vez que o abate total por questões económicas não é facilmente implementado, o comércio nacional e internacional é mais intenso complicando o controlo da movimentação animal, os testes de diagnóstico apresentam falhas consideráveis e o aparecimento de reservatórios selvagens impedem a erradicação efectiva da doença (Schiller et al., 2011). 2.1.4.2. Controlo do Mycobacterium bovis nas Espécies Silváticas Os reservatórios selvagens têm sido grandes contribuidores para a perpetuação da doença nos bovinos nos países desenvolvidos (Michel et al., 2010). Embora a real prevalência da doença nestas espécies seja desconhecida associado com a inexistência de planos de epidemiovigilância e muitas vezes pelo único contacto destas com o homem ser por questões lúdicas (caça e safaris) ou ocupacionais (tratadores de animais, veterinários, entre outros) a sua presença em alguns países tem sido evidenciada pela ocorrência de surtos aparentemente inexplicáveis nos efectivos bovinos (de Lisle et al., 2002; Duarte et al., 2007). Todavia, a erradicação nestas espécies depois de estabelecida a doença é extremamente difícil, exigindo por vezes o abate total das populações infectadas, como ocorreu na Austrália com o búfalo-asiático (Bubalus bubalis) (Corner, 2006). Assim, até à actualidade as únicas medidas de controlo existentes passam pela detecção de animais infectados e pelo controlo das populações, embora ambas apresentem fragilidades (Aranaz et al., 2004). A detecção da tuberculose nestas espécies é débil, baseando-se essencialmente no diagnóstico post mortem, pela observação de lesões características com confirmação laboratorial por histopatologia e bacteriologia, uma vez que os exames ante mortem apresentam fortes limitações (de Lisle et al., 2002; Gortazar et al., 2011), embora os estudos demonstrem progressos significativos nos últimos anos nesta matéria (Chambers, 2009; Gortazar et al., 2011). Para além disso, a observação clínica da doença de pouco vale, pois, na maioria dos casos os sintomas são inespecíficos ou ausentes (Thoen et al., 2009). O controlo da doença passa muitas vezes pelo controlo das populações que envolve a redução activa da mesma através do abate de indivíduos ou passiva através da eliminação da alimentação artificial em épocas de carência (de Lisle et al., 2002) podendo mesmo ser necessário o abate total, embora seja considerada uma medida drástica sendo muitas vezes impraticável por questões de contestação social e associado à protecção legal de espécies ameaçadas (Aranaz et al., 2004; O´Brien et al., 2011). Assim, a opção mais viável é a intensificação das campanhas de erradicação da doença nos bovinos em áreas de prevalência elevada e limitar os contactos entre bovinos e fauna 36 silvática (Aranaz et al., 2004), embora já tenha sido comprovado a manutenção do agente mesmo na ausência da doença nos efectivos bovinos, o que exige procedimentos mais rigorosos como a inspecção post-mortem obrigatória com consequente diagnóstico histopatológico, bacteriológico e molecular, bem como a utilização experimental de vacinas (Gortazar et al., 2011). Relativamente às espécies selvagens residentes em zoos ou parques é importante aquando a aquisição de animais estes serem provenientes de locais livres de doença e imposta uma quarentena antes da integração dos animais. Em casos de detecção da doença nestes locais é fundamental uma limpeza e desinfecção profunda das instalações e equipamentos (Thoen et al., 2009). Actualmente, já existem avanços no desenvolvimento de vacinas para diferentes espécies silváticas que seriam uma opção de valor inestimável especialmente em situações onde a interferência no ecossistema não é desejável ou em casos de espécies ameaçadas. Actualmente diversos estudos têm sido realizados de forma a ir ao encontro da fórmula ideal que permita a vacinação destas espécies tendo em conta o número de indivíduos, o método de vacinação, a taxa de cobertura vacinal, a eficácia da vacina e os custos associados à produção e aplicação das mesmas. Obviamente que existe uma certa limitação pelo facto de se tratarem de espécies de difícil maneio, portanto, o ideal será o desenvolvimento de uma vacina de aplicação única para administração oral através de um isco. Estudos têm sido realizados com a aplicação da BCG por via oral com resultados interessantes uma vez que as limitações desta vacina nos bovinos, como a sensibilização ao teste intradérmico e a protecção incompleta não são preocupantes nas espécies selvagens pois, as provas dérmicas são raramente preconizadas e não é necessário uma protecção total nestas espécies (Buddle et al., 2011). 2.1.4.3. Controlo de Mycobacterium bovis na Espécie Humana Desde a antiguidade que a ligação existente entre a TB e a tuberculose humana compromete os esforços e a preocupação das autoridades sanitárias (Gordejo e Vermeersch, 2006) podendo concluir-se que a tuberculose humana estará sempre dependente do controlo efectivo dos seus agentes causais (Radostitis et al., 2007). A implementação de programas de erradicação da tuberculose em bovinos e a pasteurização do leite nos países desenvolvidos, ao longo do último século permitiu reduzir drasticamente a ocorrência da doença em humanos por M. bovis (Wedlock et al., 2002). Actualmente, o controlo deve dirigir-se para os produtos importados, legal ou ilegalmente, de países onde a doença é endémica (comum entre o México e os EUA), através da detecção dos mesmos e pela formação da população em geral para o risco de consumo de produtos não pasteurizados (Rodwell et al., 2008). Obviamente que um controlo efectivo da doença nos bovinos e nas espécies silváticas contribuirá positivamente para a diminuição de casos de tuberculose por M. bovis nos humanos (Moda et al., 1996). 37 Actualmente, associado à resistência do M. bovis à pirazinamida (medicamento de primeira linha de defesa da tuberculose humana) é fundamental realizar a diferenciação da estirpe em cada ocorrência da doença em humanos de forma a direccionar o tratamento e a impedir que estes indivíduos actuem como reservatórios para os bovinos (Thoen et al., 2006; Hadorn e Stärk, 2008). Quanto às classes directamente em risco como agricultores, tratadores, magarefes, caçadores, veterinários e técnicos que lidam directamente com a doença dos bovinos e espécies silváticas, quando a presença da doença é conhecida ou bastante provável (como em abates sanitários, leitura de provas da IDTC com resultado positivo) devem adoptar uma conduta adequada no maneio destes animais, protegendo-se com o vestuário adequado (máscara e luvas) e evitando um contacto próximo, frequente ou desprotegido com os animais ou carcaças (Wilkins et al., 2008). Assim, a comunicação entre os organismos que trabalham em saúde animal e saúde humana é fundamental para a eficácia dos planos de erradicação da tuberculose em bovinos mas também para a acompanhar as pessoas em risco de tuberculose zonótica (Abalos e Retamal, 2004). 38 2.2. Tuberculose Bovina em Portugal Continental 2.2.1. Caracterização da População Bovina O último recenseamento agrícola realizado em 2009, indicou um total de 1430 285 cabeças de bovinos distribuídas por 50 035 explorações. A produção bovina em Portugal Continental está essencialmente repartida por duas regiões: o Alentejo que detêm 39% do efectivo nacional, quase exclusivamente dirigido para a produção de carne e a bacia leiteira de Entre-Douro e Minho que compreende 18% do efectivo total nacional, sendo a região com o maior efectivo leiteiro de Portugal Continental. O efectivo leiteiro corresponde a 20% do efectivo nacional, encontrando-se essencialmente distribuído pelas regiões de Entre Douro e Minho, Beira Litoral e o arquipélago dos Açores. Em comparação com o ano de 1999, é notória uma quebra acentuada do número de explorações bovinas (-51%), no entanto, o efectivo teve um ligeiro incremento (+1%) que se traduziu num aumento superior a duas vezes na dimensão média do efectivo bovino por exploração, passando das 13, 8 cabeças/exploração para 28,6, porém com variações regionais relevantes. Esta redução no número de explorações relaciona-se principalmente com o encerramento de um grande número de explorações leiteiras com efectivos de pequena dimensão, fortemente associado aos custos de produção dos sistemas de produção leiteira sem retorno na venda do leite mas também com a reorientação da pecuária nacional para sistemas de produção de carne extensivos. Em Portugal, os sistemas de produção de bovinos são divididos em extensivos ou intensivos (com estabulação livre ou presa, de acordo com a possibilidade de movimentos dentro da instalação) sendo também classificados de acordo com a predominância na produção de estrume ou de chorume. No nosso país, os sistemas livres são mais comuns nas explorações para produção de carne com produção de estrume enquanto que a estabulação presa/livre com produção de chorume é mais considerada para os efectivos leiteiros. Na região de Entre-Douro e Minho a estabulação de bovinos é mais expressiva apresentando 43% do seu efectivo estabulado enquanto que no Alentejo (9%) os valores de estabulação são mínimos pela forte expressão de sistemas extensivos. Considerando o tipo de estabulação, o regime livre é o mais frequentemente utilizado, estando presente em 71% das explorações com animais estabulados enquanto que a estabulação presa atinge 39% das explorações. Nos sistemas de estabulação, a produção de estrume é predominante em 76% das explorações enquanto que a produção de chorume em 41%, sendo mais comum nas explorações com efectivos de maiores dimensões e de produção leiteira (INE, 2011). O efectivo bovino nacional é constituído por vacas aleitantes de raças autóctones (Alentejana, Arouquesa, Barrosã, Brava, Cachena, Garvonesa, Marinhoa, Maronesa, 39 Mertolenga, Minhota, Mirandesa, Preta, Ramo Grande, Jarmelista e Algarvia), de raças exóticas produtoras de carne (Limousine, Charolesa e Salers), por animais descendentes dos seus cruzamentos, bem como, vacas leiteiras da raça Frísia. As raças autóctones correspondem a cerca de 20% do efectivo bovino nacional (4DGV, 2007). 2.2.2. Programa de Erradicação da Tuberculose Bovina Actualmente, os PETB nos diversos países do mundo estão adaptados à especificidade de cada região. Na UE, as políticas de erradicação da doença em causa visam salvaguardar a saúde pública e permitir o livre trânsito de animais para a concretização de um mercado único europeu. Deste modo, fica a cargo de cada EM, o cumprimento do objectivo primordial de cada programa apresentado que é a erradicação da doença no mais curto espaço de tempo, podendo para tal receber apoio financeiro comunitário (Gordejo e Vermeesch, 2006). As responsabilidades de cada país pertencente à UE são definidas pela Directiva 64/432/ECC do Conselho de 26 Junho de 1964, relativa a problemas de fiscalização sanitária em matéria de comério intracomunitário de animais. Nesta directiva assentam temas como os critérios de classificação de efectivos, as condições para a obtenção de estatuto de oficialmente indemne e os testes de diagnóstico oficiais de apoio à erradicação. Não obstante, cada EM que ainda não alcançou o estatuto OI, pode desenvolver PE nacionais, de forma a actuar especificamente nas causas de perpetuação da doença. A erradicação desta enfermidade depende intrínsecamente da estrutura organizacional a nível pecuário adoptada pelo País e forçosamente da articulação de todas as entidades intervenientes na execução e coordenação do PE. Portugal foi organizado em cinco regiões, Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve, dirigidas pela Direcção Geral de Veterinária (DGV) a nível central e regionalmente pelas Direcções dos Serviços Veterinários Regionais (DSVR). Por sua vez, cada uma destas regiões subdivide-se em uma ou mais Divisões de Intervenção Veterinária (DIV) que intercedem a nível local, reunindo um total de 22 em todo o País. As entidades directamente intervenientes nos PE são: a DGV, os Corpos de Inspecção Sanitária (CIS), o Laboratório Nacional de Investigação Veterinária (LNIV), as Organizações de Produtos Pecuários (OPP) e os produtores pecuários. Em território nacional, a DGV e as DSVRs são responsáveis pela definição de estratégias, coordenação e controlo da execução dos PE. As DIVs, têm um papel executante a nível local e são as transmissoras directas de dados à DGV. Os CIS realizam o controlo nos matadouros e comunicam todas as lesões suspeitas de TB. O LNIV tem a cargo o diagnóstico da doença e agentes implicados. O Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas (IFAP) é o promotor de indemnizações. As OPPs são entidades privadas, geridas por um Médico Veterinário Coordenador (MVC), que associam todos os criadores pecuários de determinada área geográfica. 40 São um elo fundamental, uma vez que executam as acções de campo, nomeadamente, a vigilância das explorações, a realização das provas de diagnóstico, o controlo da movimentação animal e a transmissão de informação aos produtores. Estas têm de apresentar, para aprovação da DGV, um programa sanitário anual. A escolha do Médico Veterinário (MV) que ficará responsável por executar as acções do programa nos efectivos, durante o respectivo ano, fica à escolha do produtor pecuário (6DGV, 2009; Pombo, 2010; 8 DGV, 2011). Normalmente, os PETB em Portugal Continental são elaborados para um período de vigência de um ano, com o objectivo de diminuir a prevalência da doença de forma a alcançar a erradicação a médio prazo. A Região Autónoma dos Açores rege-se por um plano específico (6DGV, 2009; 8DGV, 2011). De forma a implementar e supervisionar um PE torna-se fundamental a existência de bases de dados que permitam obter e cruzar informações variadas, tais como, identificação e história do animal, características da exploração, histórico de doença na exploração, movimentação animal, entre outros dados. Para este efeito, foram desenvolvidas duas ferramentas essenciais: o Sistema Nacional de Identificação Animal (SNIRA) e o Programa Informático de Saúde Animal (PISA.net). O SNIRA permite a rastreabilidade dos bovinos e encontra-se regulamentado pelo DecretoLei n.º 142/2006 de 27 de Julho que estabelece as normas para o registo das explorações e para a identificação, registo e circulação dos animais da espécie bovina. Todas as explorações de bovinos devem estar registadas e são identificadas por uma marca oficial de exploração (MOE). Esta é constituída por um código de cinco dígitos que permite individualizar a exploração na DSVR e no respectivo concelho. A título de exemplo, temos a marca de exploração AB12Y em que a primeira letra identifica a DSVR que combinada com a segunda, indica o concelho onde se localiza a exploração. A matrícula da exploração para o concelho considerado é dada pelos dois algarismos e letra finais que podem variar na ordem. A identificação dos bovinos é obrigatória até aos 20 dias de idade e faz-se pela aposição de duas marcas auriculares iguais, uma em cada pavilhão auricular. No prazo máximo de 14 dias, a autoridade competente emite um passaporte individual para cada animal que é análogo a um bilhete de identidade. Este documento fornecerá informações acerca de todas as explorações pelas quais o animal transitou, bem como as diferentes acções de natureza sanitária efectuadas e a classificação do efectivo ao qual pertencia o indivíduo. O produtor pecuário fica responsável por manter actualizado o livro de registo das existências e das deslocações dos bovinos (RED), com a indicação do número de animais existentes na exploração e o registo de entradas e saídas. Informações como, nascimentos, mortes, quedas de brincos ou deslocações de um determinado animal devem ser comunicadas ao SNIRA no prazo máximo de 4 dias. As irregulariedades detectadas durante as visitas regulares das OPPs às explorações, como o número incorrecto de animais presentes no efectivo, deverão ser comunicadas à DSVR que procederá à instauração de processos de infracção sanitária. 41 Assim, esta ferramenta informática é essencial para obter a qualquer momento dados sobre uma determinada exploração, como o número de animais, a identificação individual de bovinos, o passaporte dos mesmos, entre outros registos (IFAP, 2009; Sales, 2010; 8DGV, 2011). O Programa Informático de Saúde Animal (PISA.net) é o sistema oficial de informação e gestão de saúde animal que permite o acesso a diversas informações como, as explorações sujeitas a acções de saneamento, os resultados das acções de profilaxia e polícia sanitária, bem como a respectiva classificação sanitária. Tal permite a interligação de todas as entidades envolvidas através do conhecimento profundo da situação sanitária de cada exploração (Cardoso, 2010; 8DGV, 2011). 2.2.2.1. Estratégias do Plano de Erradicação Com a intensificação do combate à TB, as principais estratégias do PETB nacional foram definidas e sistematizadas pelo Decreto-Lei nº 272/2000 de 8 de Novembro e assentam essencialmente na classificação sanitária de todos os efectivos, na utilização de um método de diagnóstico oficial de testagem em vida, na imposição de medidas de vigilância para explorações OI, na vigilância em matadouros e na aplicação de medidas de profilaxia e polícia sanitária perante a ocorrência de suspeitos ou confirmados como infectados. Entende-se por animal suspeito aquele que: é clinicamente suspeito; com reacção positiva (ou duas reacções duvidosas consecutivas) à prova da IDTC; com reacção duvidosa à IDTC (apenas nos efectivos confirmados como infectados (T2.1), sempre que, no mesmo rastreio, se verifique pelo menos um bovino reagente à IDTC); positivo à prova interferão-gamma (IFN-γ); animal com lesões suspeitas detectadas em exame post mortem (DDO) e sempre que houver contacto regular com animais sensíveis à TB provenientes de outros efectivos. Um animal infectado é aquele que a presença de TB foi confirmada através do isolamento de M. bovis, M. tuberculosis ou M. caprae na análise laboratorial ou pela observação de lesões características de tuberculose nos exames histopatológicos (6DGV, 2009; 2Fonseca, 2010). 2.2.2.1.1. Classificação Sanitária das Explorações Todos os efectivos bovinos e as áreas por estes ocupadas são objecto de classificação obrigatória relativamente à TB. A classificação de áreas, tem como base, a área mínima de uma DIV. As classificações sanitárias de efectivos actualmente existentes são: T3 - oficialmente indemne e T2 - não oficialmente indemne. O PE admite ainda as classificações T2.1 e T3S. A classificação T2.1 é considerada NOI e utilizada em efectivos com confirmação da doença, isto é, animais positivos à IDTC ou com lesões suspeitas em exame post mortem que apresentaram lesões características de tuberculose nos exames histopatológicos e/ou isolamento de M. bovis, M. tuberculosis ou M. caprae na análise bacteriológica. É ainda 42 baseada nesta classificação, o cálculo da incidência da doença ao nível dos relatórios técnicos. A suspensão da classificação (T3S) é atribuída quando ocorre suspeita de infecção de um efectivo OI (6DGV, 2009; 8DGV, 2011). São elegíveis ao estatuto OI (T3) os efectivos bovinos em que: todos os animais estejam isentos de sinais clínicos de TB; todos os bovinos sujeitos à prova de rotina (IDTC), realizada conforme a percentagem anual de efectivos confirmados como positivos (T2.1) para a área da DIV, apresentem resultados negativos e, ainda, todos os animais elegíveis demonstrem reacção negativa à prova da IDTC, 30 dias antes da sua introdução num novo efectivo (Decreto-Lei nº 272/2000). Um efectivo é declarado NOI (T2) sempre que: um inquérito epidemiológico (IE) determine a possibilidade de infecção no efectivo; o efectivo não reúna as condições para ser classificado como OI e sempre que exista a necessidade de implementar medidas de luta contra a TB que o justifiquem (6DGV, 2009). 2.2.2.1.2. Métodos de Diagnóstico Oficiais O método de diagnóstico oficial é a prova da intradermotuberculinização de comparação (IDTC) in vivo, prevista no Decreto-Lei nº 157/98 de 9 de Junho. Em determinadas situações, este pode ser complementado com o teste do interferão-gamma (IFN-γ). O método de confirmação da doença baseia-se na realização de exames anatomohistopatológicos e bacteriológicos para isolamento de bactérias do género Mycobacterium. Segundo a legislação nacional e comunitária, a IDTC é uma prova local intradérmica que deve ser realizada pelo MV e a periocidade e idade do animal para realização da mesma depende da classificação sanitária dos efectivos. A interpretação actual da prova é a mesma que a referida no Quadro 2. Os animais com resultado positivo à prova da IDTC, são submetidos a abate sanitário dentro dos 30 dias após a notificação oficial do proprietário. Aqueles com resultados duvidosos, depois de devidamente isolados, são submetidos a uma nova intradermotuberculinização passado um período mínimo de 42 dias. Os animais em que nesta segunda prova apresentem resultados não negativos são considerados positivos (duplamente duvidosos). Nos efectivos confirmados como infectados com tuberculose (T2.1), será implementado o abate dos animais duvidosos à prova da IDTC sem realização de segunda prova, sempre que se verifique a presença de pelo menos um bovino reagente ao mesmo teste (2DGV, 2005; 8DGV, 2011). Em situações específicas e mediante avaliação dos indicadores apresentados pelos resultados da IDTC e/ou histórico de resultados ou na sequência de IE à exploração pode ser recomendado a aplicação do teste interferão-gamma (IFN-γ). Assim, esta prova é recomendada nas explorações NOI que apresentem registos frequentes de animais duvidosos à prova da IDTC e como forma de evitar o abate total em explorações com 43 positividade crónica ou nos efectivos que apresentem uma percentagem significativa de animais positivos a um único controlo sanitário (2DGV, 2005; 6DGV, 2009; 8DGV, 2011). A metodologia deste exame consiste em colher amostras de sangue a todos os bovinos do efectivo com mais de seis semanas de idade, 42 dias após a última IDTC e proceder de seguida a nova prova de IDTC a todo o efectivo (2DGV, 2005; 8DGV 2011). A decisão de abate sanitário acontece quando todos os animais apresentam resultado positivo ao teste do interferão-gamma (IFN-γ), no entanto, os animais positivos à IDTC devem ser abatidos sem esperar resultados do teste complementar. A subida de estatuto ocorre se for demonstrada negatividade a ambas as provas (6DGV, 2009). No caso de ocorrer animais interferão-gamma positivos e IDTC negativos, a subida de estatuto sanitário fica dependente de um resultado negativo às provas do interferãogamma consequentes. O LNIV é a entidade oficial responsável pela execução das provas de diagnóstico definitivo bem como pela emissão dos resultados que devem ser remetidos exclusivamente para as DSVR de origem das amostras e serviços centrais da DGV . A confirmação da infecção concretiza-se no isolamento do agente M. bovis ou M. tuberculosis e/ou na observação de lesões histopatológicas características de tuberculose. Actualmente, o bacilo M. caprae também é diferenciado e o seu isolamento resulta em confirmação da infecção, embora não conste no PETB nacional. A recepção de resultados de apenas um dos exames mesmo que negativo não permite tirar conclusões sobre a confirmação da infecção no efectivo portanto deve ser aguardado a recepção dos dois exames, o que no caso do exame bacteriológico pode levar 6 a 8 semanas. Se por algum motivo um dos exames não se realizar, a suspensão do estatuto será retirado em face da avaliação de risco resultante de IE efectuado e da obtenção do resultado negativo nas provas de rastreio efectuadas para retoma de estatuto (6DGV, 2009). 2.2.2.1.3. Medidas de Vigilância em Explorações Oficialmente Indemnes As medidas de vigilância para explorações com estatuto OI são de cumprimento obrigatório de forma a manter a indemnidade. Implicam controlos de rotina, a vários níveis, nomeadamente, o teste de rastreio em vida de bovinos periodicamente e o controlo da movimentação animal, pois, todos os animais que entram numa exploração têm de ser provenientes de efectivos com estatuto OI e com resultados negativos nos testes de prémovimentação. Estas medidas serão mantidas até à completa erradicação da doença. Em efectivos OI de TB (T3), a realização da prova IDTC de rotina depende das percentagens anuais de efectivos bovinos confirmados como infectados com TB (T2.1), para aquela DIV, durante os dois períodos de vigilância mais recentes (Quadro 3) (6DGV, 2009). 44 Quadro 3 – Condições para a realização da prova da tuberculina em efectivos oficialmente indemnes (T3). Fonte: 8DGV, 2011. % Efectivos Bovinos T2.1 >1 ≤1 e > 0,2 ≤0,2 Elegibilidade Todos > 6 semanas Fêmeas > 6 semanas Todos > de 24 meses Periocidade IDTC Anualmente Anualmente Anualmente 2.2.2.1.4. Medidas de Profilaxia e Polícia Sanitária A aplicação de medidas de profilaxia e polícia sanitária são essenciais para evitar a disseminação da doença, sendo destinadas às explorações suspeitas (T2 e T3S) e confirmadas com infecção pelo agente (T2.1) com o intuito de recuperarem ou alcançarem o estatuto OI (T3). Nas explorações com estatuto OI (T3) sempre que ocorre uma falha nas medidas de vigilância, esta classificação sanitária é suspensa passando a T3S. Na causa de tal pode estar, um resultado positivo ou duvidoso a um controlo sanitário, uma surpresa de necrópsia, o incumprimento dos prazos para os testes de rastreio ou a introdução irregular de animais por falta de testes de pré-movimentação ou proveniência de efectivos de estatuto sanitário inferior. A retirada de estatuto sanitário OI de uma exploração, determina a localização e controlo de todos os efectivos epidemiologicamente relacionados, incluindo o controlo de todos os animais que abandonaram a exploração, desde a última prova da IDTC negativa. Tendo sempre como alvo, o melhoramento da classificação sanitária das explorações, são impostas medidas de profilaxia e polícia sanitária: O sequestro sanitário da exploração de origem ou da qual provêm o(s) animal(is). O sequestro sanitário de uma exploração proíbe a circulação de animais de explorações NOI, excepto se destinados a abate imediato ou a explorações de engorda mediante a obtenção de uma guia sanitária de circulação emitida pela DSVR. Os passaportes dos animais ficam retidos pelos serviços oficiais (SO). O isolamento do(s) animal(is) suspeito(s). O abate sanitário dos suspeitos com colheita de material para diagnóstico laboratorial, quando requisitado. A realização da prova de rastreio a todo o efectivo 42 dias após o abate do último animal suspeito. 45 A limpeza e desinfecção profunda de instalações e utensílios que é da responsabilidade do proprietário e supervisionada pela OPP. A implementação de um ciclo de controlos sanitários para retoma ou subida de estatuto sanitário. Estas medidas complementam-se com a supervisão das OPPs relativamente à diligência do isolamento dos animais suspeitos e acompanhamento das medidas sanitárias impostas com consequente comunicação à DIV ou DSVR em caso de incumprimentos (6DGV, 2009; 8 DGV, 2011). Em explorações não OI, a realização dos testes de rastreio para subida de estatuto estão resumidos na Quadro 4. Quadro 4 – Condições para a realização da prova da tuberculina em efectivos não oficialmente indemnes (T2 e T2.1). Fonte: 8DGV, 2011. Condições Elegibilidade Ciclo de controlos (nº de provas e o intervalo de tempo entre elas) T2 Todos > 6 semanas 2 IDTC --- 6 meses T2.1 Todos > 6 semanas x IDTC * 2 IDC ---60 dias 1 IDC----6 meses Legenda: * - x corresponde às IDTC necessárias até todos os animais reagirem negativamente a uma IDTC realizada 42 dias após retirada do último animal reagente (7DGV, 2011). As DSVR, exercendo a sua função de coordenadora e reguladora dos PE podem realizar controlos com ou sem pré-aviso às explorações de forma a assegurar o cumprimento das diversas medidas sanitárias do PE. Assim, são realizados controlos periódicos às explorações para verificar a identificação animal, a documentação de suporte na aquisição ou venda de animais, a conformidade dos registos no livro de existências, bem como, a movimentação de bovinos. Estas entidades são também responsáveis pelo controlo do leite de animais pertencentes a um efectivo infectado. Assim o leite de animais positivos deverá apenas ser consumido por animais da mesma exploração após tratamento térmico adequado e o leite proveniente de animais negativos só poderá sair da exploração caso venha a ser submetido a tratamento térmico adequado, de acordo com o Regulamento (CE) nº 853/2004 de 29 de Abril (8DGV, 2011). O abate total de um efectivo ou unidade epidemiológica (conjunto de explorações que partilham os mesmos factores de risco) é uma medida de profilaxia e polícia sanitária mais drástica que pode ser determinada pela DSVR, proposto pelo detentor ou pela OPP, em determinadas situações, nomeadamente, na inexistência de melhorias da classificação sanitária nos últimos seis meses; no isolamento de bactérias do género Mycobacterium 46 bovis ou tuberculosis; sempre que o abate total proporcione o melhoramento da situação epidemiológica em determinada área geográfica ou ainda em casos de impossibilidade de implementação de medidas de profilaxia e polícia sanitária previstas no Decreto-Lei n.º 272/2000 de 8 de Novembro. Uma vez que o abate total implica um período de inutilização dos terrenos (vazio sanitário), a proposta de tal deve ser fundamentada em IE e assinado um termo de compromisso pelo proprietário no cumprimento das regras estabelecidas (6DGV, 2009; 8DGV, 2011). O abate total deve ser concluído nos 15 dias seguintes ao IE seguido de um período de vigilância das medidas impostas. Durante o período de vazio sanitário, as desinfecções da exploração (inicial e final) e do equipamento, são da responsabilidade do proprietário, que procederá à limpeza com lavagem e remoção de todo o material, alimentos e estrumes, utilizando desinfectantes aprovados e com acompanhamento da OPP e DSVR (8DGV, 2011). Terminado este período, a introdução de animais só será permitida após vistoria dos SO à exploração (6DGV, 2009). 2.2.2.1.5. Inquérito Epidemiológico O IE é a ferramenta que permite fazer uma avaliação epidemiológica das explorações suspeitas de infecção mas também daquelas em que a doença já foi confirmada. Sempre que ocorre uma suspensão da classificação sanitária de uma exploração no PISA, é exigida rapidez de acção na conclusão do IE (10 dias) em impresso próprio emitido pela DGV (modelo 758/DGV), de forma a evitar a disseminação da doença. A concretização do IE é da responsabilidade das DSVR e envolve dois momentos: um primeiro baseado na recolha prévia de dados a partir do SNIRA e do PISA.net, direccionado para o cruzamento de informações relativas às explorações. Os dados exigidos são referentes à história do animal; às características e histórico da exploração (datas e resultados dos rastreios realizados nos últimos 3 anos e histórico das classificações sanitárias dos últimos 5 anos); movimentação animal (dados dos animais introduzidos na exploração; testes de pré-movimentação de animais introduzidos e dados dos animais saídos da exploração referentes aos últimos 12 meses) bem como, resultados laboratoriais e georeferenciamento das explorações de forma a verificar as explorações confinantes. O segundo momento da realização do IE acontece com a visita de um Médico Veterinário Oficial (MVO) da DIV à exploração para avaliar as condições do meio, de maneio e biossegurança que facilitem a introdução ou acção de possíveis fontes de infecção (6DGV, 2009). A conclusão desta avaliação permitirá identificar explorações de contacto ou epidemiologicamente relacionadas e possibilitar o controlo da disseminação da doença através da aplicação de medidas de profilaxia e polícia sanitária antecipadamente (6DGV, 2009; 8DGV, 2011). 47 2.2.2.1.6. Controlos Sanitários para Retoma ou Subida de Classificação Ver Anexo 1 2.2.2.1.7. Acções de Acompanhamento A nível nacional, com o intuito de apreciar a evolução dos indicadores epidemiológicos e reavaliar as estratégias activas são realizadas encontros periódicos com as DSVR (8DGV, 2011). Internacionalmente, a evolução dos programas de erradicação dos EM é monitorizada pela Comissão Europeia (CE), através de uma Task Force, que tem como objectivos avaliar a eficácia das medidas de erradicação e o custo/benefício dos programas co-financiados (Gordejo e Vermeersch, 2006). 2.2.3. A Importância da Inspecção Sanitária na Segurança Sanitária dos Alimentos A partir da década de 80, as preocupações com a segurança e qualidade dos alimentos destacaram-se, associado às importantes crises na segurança dos alimentos, nomeadamente a dioxina e a encefalopatia espongiforme bovina (Mckean, 2001). Tal vincou a importância da Inspecção Sanitária na elevação dos níveis de segurança sanitária dos alimentos. A Inspecção Sanitária engloba uma diversidade de procedimentos e técnicas de controlo aplicados exclusivamente pelo MVO ao longo da cadeia comercial (produção, transformação e distribuição) de forma a garantir a higio-sanidade, genuinidade e nutritividade dos alimentos, eliminando potenciais riscos para a saúde humana e animal. Portugal como EM é responsável pelo cumprimento de todas as políticas de controlo da segurança sanitária dos alimentos estabelecidas pela UE (1DGV, sem data). As zoonoses como doenças transmissíveis dos animais ao Homem, directamente a partir destes ou indirectamente através da ingestão de produtos de origem animal contaminados são uma das grandes causas da quebra do ciclo ―segurança dos alimentos, qualidade dos alimentos e saúde pública‖ (Norrung e Buncic, 2008). Entre diversos agentes zoonóticos, que continuam a ser uma preocupação para a indústria da carne, encontra-se o bacilo da TB que pode ser transmitido através da inalação do agente ou da ingestão de leite ou derivados não pasteurizados (Doyle e Erickson, 2006; Thoen et al., 2006). Assim, a inspecção dos animais e suas carnes nos matadouros tem por finalidade garantir a vigilância epidemiológica de doenças (Schiller et al., 2011) e fornecer ao consumidor alimentos que reúnam as condições de qualidade, salubridade e segurança adequadas (1DGV, sem data). 48 2.2.3.1. O Contributo da Inspecção Sanitária no Plano de Erradicação da Tuberculose Bovina O Inspector Sanitário é um recurso humano imprescindível, pois o seu papel de vigilante de possíveis riscos sanitários, garante aos consumidores alimentos salubres para além de alertar para potenciais ameaças ao PE. No âmbito do PETB, o seu papel é fundamental uma vez que o matadouro será o último local de fiscalização do cumprimento da legislação a vários níveis, nomeadamente, da movimentação animal e das medidas de profilaxia sanitária obrigatórias. Tem ainda um papel preponderante na vigilância da doença pela detecção de animais infectados durante o exame ante mortem e post mortem (5DGV, 2009). A inspecção sanitária de carcaças iniciou-se, em princípios do século XIX nos EUA com o objectivo de controlar a tuberculose humana provocada pelos bovinos. Todos os animais que apresentassem lesões características da doença eram rejeitados para consumo humano. Ao longo do tempo, medidas como o tratamento do leite consumido pelos vitelos e o nascimento e criação de animais em áreas livres de doença tornaram os achados de tuberculose à inspecção post mortem mais raros (Essey e Koller, 1994). Actualmente, e embora o papel da transmissão de M. bovis pela carne não esteja claramente demonstrado (de la Rua Domenach, 2006), a inspecção sanitária de carcaças no matadouro não é apenas um ponto de controlo da doença para evitar a transmissão do bacilo aos humanos mas sim uma extensão ao PE que permite a vigilância de novos focos da doença (Collins, 2006). Embora a prevalência da TB em Portugal relativamente ao panorama europeu seja reduzida, é a quarta causa de rejeição de carne bovina a nível nacional (DGHC, 2010). 2.2.3.1.1. Na Vigilância da Doença Embora os actos de inspecção sanitária de rotina não se desenvolvam tão pormenorizadamente como nos casos de abate sanitário, a detecção de lesões características de tuberculose pode ocorrer durante o exercício do exame de rotina de inspecção sanitária post mortem em matadouros (Parra et al., 2008), sendo responsável pela identificação de um número significativo de novas ocorrências da doença em explorações pecuárias (Collins, 2006). Assim, actualmente associado à redução da incidência da doença, é promovido na maioria dos PETB dos países desenvolvidos, a recolha sistemática ao abate de lesões características de tuberculose com posterior diagnóstico laboratorial, uma vez que diversos patógenos provocam lesões semelhantes (Parra et al., 2008). Embora apresente baixa sensibilidade é um método muito utilizado na vigilância da tuberculose em países OI (muitas vezes, o único) e NOI como um complemento ao teste intradérmico (Schiller et al., 2011) pelo facto de ser um método de vigilância passiva de custo moderado (Hadorn e Stärk, 2008). Este tipo de vigilância deve ser mantida 49 principalmente em zonas com baixa prevalência ou em regiões já consideradas OI (Schiller et al., 2011). Na actualidade, o PETB em Portugal Continental valoriza fortemente os resultados post mortem em matadouro (6DGV, 2009), pois a detecção precoce de lesões suspeitas permite agir antecipadamente no controlo da disseminação da infecção, através do rastreamento até ao efectivo de origem e outros relacionados epidemiologicamente ou por proximidade (Collins, 2006). De acordo com o PETB nacional, sempre que durante um abate normal são detectadas lesões suspeitas de TB, o CIS deve proceder à recolha de amostras para diagnóstico laboratorial. Todas as amostras recolhidas devem estar identificadas com os seguintes dados: a marca auricular bovina (MAB) do animal; a descrição do material recolhido; o nome do detentor do animal; a MOE e concelho relativo à exploração de origem; o motivo da colheita (suspeita de tuberculose) e, finalmente, a data da recolha. O envio das amostras ao LNIV deve ser acompanhada pelo modelo de requisição de análise devidamente preenchido (modelo 760/DGV) e assegurando as temperaturas de conservação. Ainda, o CIS fica responsável de comunicar a suspeita de DDO à DIV/DSVR da área em que se insere o estabelecimento de abate que retransmite a informação à DSVR da área de proveniência dos animais, caso seja diferente, através do envio de impresso próprio (―Comunicação de Suspeita de DDO‖) devidamente preenchido juntamente com uma cópia da requisição de análise enviada ao LNIV, uma cópia do passaporte do bovino em causa e uma cópia da declaração de deslocação do animal. Após um achado de necrópsia confirmado é imposta imediatamente a classificação T2.1 à exploração ficando esta sujeita a um ciclo de controlos para retomar o estatuto T3 com posterior realização de IE de forma a avaliar a possível origem da infecção (6DGV, 2009). No último triénio a importância deste método de vigilância têm sido evidenciada a nível nacional, pelo forte aumento de casos em 2009 e 2010 (Quadro 5). Estes casos tem sido avaliados cuidadosamente, pois diferentes e importantes causas podem estar associadas a tal. Quadro 5 – Número de casos de surpresas de necrópsia entre 2008 e 2010 em Portugal Continental. Fonte: Relatórios Técnicos PETB Portugal Continental (DGV). Surpresas de Necrópsia Ano 2008 2009 2010 Número 20 58 101 Em 2009, um estudo epidemiológico baseado na tipificação dos abates em quatro categorias (L – animais abatidos por testagem positiva a tuberculinização/interferão; T – animais abatidos na sequência de abate total; S – surpresas de matadouro; P – animais 50 abatidos na sequência de abate parcial) demonstrou que a categoria S ocorreu na grande maioria em animais provenientes de explorações localizadas no Centro e Alentejo (1Fonseca, 2010; DGHC, 2010). 1 Cunha e colaboradores (2011), apontam como possíveis razões destes aumentos a maior eficácia da vigilância no matadouro conseguida pela forte aposta na formação dos envolvidos neste exercício ou ainda, estar associado com alterações na potência ou composição das novas tuberculinas, o que poderá diminuir a sensibilidade do teste intradérmico. Em 2010, perante os indicadores epidemiológicos apresentados algumas medidas suplementares foram implementadas relativamente às suspeitas de matadouro. Assim, a ocorrência de uma primeira suspeita em matadouro (DDO) em determinada exploração implica a apresentação de um plano de controlo da execução da prova da IDTC pelo MVC da OPP aos Médicos Veterinários Executores (MVE), no prazo máximo de trinta dias. Os rastreios de retoma de estatuto serão sempre acompanhados pela DGV, em ambas as fases da prova e elaborado o respectivo IE. Caso o IE forneça indícios de irregulariedade na execução da IDTC, é proposta de imediato a suspensão do respectivo MVE e em situações em que são detectadas inconformidades na execução da IDTC em 5% das equipas de campo da OPP, poderá também ser avaliada a suspensão do MVC (1Fonseca, 2010; DGHC, 2010). Deste modo, para uma vigilância da doença a partir dos matadouros eficaz é fundamental inspectores sanitários fortemente sensibilizados para a importância da sua função neste complexo processo, colaborando com rigor nos quatro passos fundamentais: pesquisa exaustiva de lesões, rigor no preenchimento de dados e informações, qualidade das amostras recolhidas e correcta e célere circulação da informação (Collins, 2006). Uma vigilância sanitária eficaz complementada com diagnósticos bacteriológicos e moleculares (Genotipagem) pode contribuir grandemente para a erradicação da doença (Collins, 2006), embora já existam estudos no desenvolvimento de técnicas moleculares que permitam a detecção directa de M. bovis em amostras biológicas o que reduziria drasticamente o tempo de confirmação da infecção (Parra et al., 2008). 2.2.3.1.2. Nos Abates Sanitários O abate sanitário (AS) é uma medida de polícia sanitária compreendida nas estratégias do PETB, com suporte na legislação nacional. De acordo com o PETB, o AS é imposto sempre que for identificado um animal suspeito, isto é, clinicamente suspeito, com reacção positiva ou duplamente duvidosa à prova da IDTC ou ainda apresentando positividade ao teste interferão-gamma (IFN-γ). Estes abates são efectuados sob vigilância oficial até 30 dias após notificação oficial do proprietário. Pretende-se em 2011 abater 75% dos animais antes do prazo de 15 dias, de 51 forma a reduzir o tempo de exposição de um animal suspeito ao meio que o rodeia (8DGV, 2011). 2.2.3.1.2.1. Considerações Gerais Todos os bovinos sujeitos a abate sanitário são marcados indelevelmente, a fogo ou com substância cáustica, com um triângulo equilátero com cerca de 50 mm de lado na parte média da região antero-superior da tábua esquerda do pescoço, de acordo com a Portaria nº 789/1973 de 13 Novembro e Portaria nº 205/2000 de 05 de Abril. Tal, é da responsabilidade da DIV de origem dos animais (6DGV, 2009). A recolha, acompanhamento no transporte e no abate dos animais fica a cargo da DIV ou de uma entidade idónea, mediante contrato de adjudicação, ou ainda, dos próprios proprietários, mediante autorização e supervisão por parte da DIV (Portaria nº 205/2000 de 05 de Abril). Os animais destinados a AS são obrigatoriamente transportados directamente para o matadouro pré-definido, sendo totalmente proibido qualquer contacto com animais cujo destino seja diferente daquele (Decreto-Lei n.º 142/2006 de 27 de Julho). Os abates sanitários têm lugar apenas em matadouros homologados (sujeito a concurso público prévio na DGV) localizados na DSVR da exploração de origem ou então em matadouros pertencentes a outras DSVR sempre que se justifique (Portaria nº 205/2000 de 05 de Abril). O AS está organizado pelas mesmas etapas que um abate normal, no entanto apresenta algumas condições especiais. 2.2.3.1.2.2. Organização dos Abates A realização de um AS está sujeita a calendarização e a comunicação ao Inspector Sanitário do matadouro antecipadamente, pela DIV de origem dos animais (Portaria nº 205/2000 de 05 de Abril). Devem ser fornecidas informações acerca: do motivo do abate; da data prevista da recepção dos animais; do número de animais a abater e respectivos números de identificação animal; da MOE de origem com a identificação do proprietário e localização da exploração e a indicação dos animais previstos para colheita de amostras (6DGV, 2009). Após a chegada dos animais ao estabelecimento de abate, estes devem ser alojados em parques isolados e próprios para animais nestas condições. É importante a preparação dos recipientes, antes do abate, relativos a cada animal e a cada órgão ou material a colher. Os frascos deverão ser em duplicado, de acordo com o tipo de exame laboratorial a realizar. Na identificação dos frascos deve constar o número de identificação animal, a espécie, o nome do detentor, a MOE e a descrição da amostra colhida (6DGV, 2009). 52 2.2.3.1.2.3. Controlo de Documentação Todos os bovinos sujeitos a AS devem fazer-se acompanhar de determinados documentos para verificação por parte do CIS, nomeadamente, a guia de trânsito para abate imediato (Modelo 249/DGV) carimbada com a designação ―abate sanitário‖ bem legível; o passaporte individual (no qual se confere a idade do animal, o estatuto sanitário da exploração e o resultado da sanidade individual); a declaração de deslocações (modelo 253/DGV); a informação relativa à cadeia alimentar (IRCA); o comprovativo da última higienização válida da viatura transportadora (Circular nº 111/DIS de 17/12/2009; DecretoLei n.º 142/2006 de 27 de Julho; 5DGV, 2009) e a folha de requisição de análises para recolha de amostras (modelo 759/DGV) devendo estar parcialmente preenchida, por parte da DIV de proveniência a identificar as estruturas para recolha (Circular nº 589/Direcção de Serviços de Saúde e Protecção Animal de 29/04/2009). 2.2.3.1.2.4. Inspecção ante mortem Na inspecção em vida destes animais, deverá ser confirmado o isolamento dos mesmos, o número de identificação individual e a marcação obrigatória. Nestes abates, a inspecção ante mortem deverá ser reforçada, concentrando-se nos sistemas passíveis de afecção com o objectivo de detectar algum sinal indicativo da doença em causa (ruídos respiratórios anormais, animais magros), embora na TB os sinais clínicos praticamente são inexistentes na actualidade e quando presentes são bastante inespecíficos. O MVO deverá reprovar algum animal quando os sinais clínicos assim o justifiquem e ainda definir a ordem do abate conforme a condição geral dos mesmos (5DGV, 2009). 2.2.3.1.2.5. Abate O AS deve obedecer às condições higio-sanitárias definidas na legislação, sendo efectuadas por pessoal preparado e utilizando o equipamento adequado (Portaria nº 205/2000 de 05 de Abril). Para tal, o vestuário normal do matadouro deve ser reforçado com máscara de nariz e boca, viseira, luvas e mangas descartáveis (5DGV, 2009). Por questões de higiene e segurança alimentar, estes abates deverão ser realizados no final do abate normal de todas as espécies ou em linha específica. Seguidamente, deve procederse à limpeza e desinfecção dos equipamentos e instalações, definida e supervisionada pelo Inspector Sanitário (Portaria nº 205/2000 de 05 de Abril) no sentido de evitar o risco de contaminação de outras carcaças, da cadeia de abate e do pessoal presente no matadouro (Regulamento (CE) N.º 854/2004 de 29 de Abril). 53 2.2.3.1.2.6. Inspecção post mortem e Colheita de Amostras Nos países onde existe um bom programa de controlo, os animais infectados apresentam-se com poucas lesões e a maioria destas localizam-se no sistema respiratório, no entanto, por vezes são demasiado pequenas e facilmente não detectadas ao olho humano (CFSH, 2009). À medida que a prevalência da doença diminui, um maior número de animais reagentes à prova da tuberculina não apresenta lesões visíveis da doença, o que não significa directamente um caso de falso-positivo, portanto é exigido um exame post mortem mais cuidadoso bem como o diagnóstico laboratorial (Cousins, 2001). Estes casos podem indicar animais em estádios iniciais da doença, animais infectados por M. bovis mas em estado de latência ou ainda animais expostos a antigénios de micobactérias ambientais que originam reacções cruzadas no teste de diagnóstico (de la Rua-Domenach et al., 2006). Uma vez que no AS, o exame post mortem deve ser ainda mais pormenorizado e meticuloso, o MVO poderá solicitar à DIV/ DSVR, que o CIS seja adequado em número (Portaria nº 205/2000 de 05 de Abril). A inspecção post mortem de animais positivos à prova da IDTC para além dos procedimentos gerais obrigatórios realizados de forma mais meticulosa e exaustiva deve incluir o exame cuidadoso e metódico de alguns órgãos e respectivos gânglios linfáticos. Assim, deve-se inspecionar as cabeças, com seccionamento dos gânglios retrofaríngeos, parotídeos e mandibulares, bem como, as vísceras, principalmente o pulmão com inspecção visual, palpação e incisões repetidas dos gânglios brônquicos e mediastínicos. Inspecção visual do fígado e incisão do gânglio hepático; visualização e incisões repetidas nos gânglios mesentéricos com inspecção visual dos intestinos e do mesentério. Outro ponto de inspecção é o úbere, com visualização, palpação e incisões sistemáticas profundas em todos os quartos e seccionamento dos gânglios retromamários. Um último ponto deverá ser na carcaça, após o corte longitudinal, de forma visualizar a pleura, o peritoneu o diafragma e os rins, bem como, proceder-se à inspecção, palpação e incisão dos gânglios renais e regionais (6DGV, 2009). O PETB define que devem ser recolhidas amostras a todos os animais sujeitos a AS, para exame histopatológico e bacteriológico, independentemente de apresentarem lesões ou não, excepto nos efectivos onde já foi isolado o agente – T2.1 onde a recolha só é efectuada em presença de lesões (8DGV, 2011). O material para confirmação laboratorial da doença deve ser colhido nos gânglios linfáticos e órgãos parenquimatosos como o pulmão, fígado e baço na presença de lesões. De recolha obrigatória mesmo na ausência de lesões visíveis são: os gânglios retrofaríngeos, mediastínicos e mesentéricos bem como, o pulmão (5DGV, 2009). Aquando a presença de lesões deve-se obter fragmentos com espessura de até um centímetro abrangendo preferencialmente a zona de transição entre a área lesada e a aparentemente normal (Cassidy et al., 1999). 54 Após o exame post mortem e recepção dos exames laboratoriais, o MVO emite a decisão de aprovação ou rejeição dos animais, conforme legislação em vigor (Regulamento (CE) N.º 854/2004 de 29 de Abril). Decisão sanitária: Rejeição total se durante a inspecção post mortem, forem identificadas lesões tuberculosas localizadas em vários órgãos, gânglios ou partes da carcaça, indicando um processo generalizado. Rejeição parcial se identificada apenas uma lesão tuberculosa num gânglio linfático, órgão ou parte de carcaça, com remoção das estruturas atingidas ou das regiões drenadas no caso de lesão ganglionar (Regulamento (CE) N.º 854/2004 de 29 de Abril). De notar que as carcaças provenientes de explorações com classificação sanitária (T2.1 – explorações confirmadas com doença), se não apresentarem lesões visíveis ao abate e resultados laboratoriais negativos são aprovadas para consumo. 2.2.3.1.2.7. Conservação e Envio das Amostras Após recolha e identificação das amostras, estas são conservadas de acordo com o tipo de exame requerido. Para o exame histopatológico as amostras devem ser conservadas em formol 10% e a conservação pelo frio (refrigeração ou congelação) visa garantir a execução do exame bacteriológico. As amostras refrigeradas (2-8 ºC) devem ser enviadas no próprio dia para o LNIV. Caso não seja possível, devem ser congeladas (-20 ºC no máximo) e enviadas o mais rapidamente, de forma a permitir o exame bacteriológico (6DGV, 2009). 2.2.3.1.2.8. Marca de Salubridade Às carcaças aprovadas, é aposta a marca de salubridade oval de forma a impedir a sua entrada no comércio intracomunitário como carnes frescas (Regulamento (CE) n.º 854/2004 de 29 de Abril; 5DGV, 2009). Estas poderão ser comercializadas pela DIV de proveniência dos animais e o valor entregue ao IFAP; pelos respectivos adjudicatários contratados, servindo como forma de pagamento do serviço (Portaria nº 205/2000 de 05 de Abril) ou pelos proprietários. Os devidos processos de indemnização são pagos pelo IFAP tendo em conta o valor base, o valor zootécnico e valor de aptidão da exploração (Despacho conjunto 530/2000 de 2 de Maio). A indemnização é atribuída após verificação na exploração e através da consulta no SNIRA do cumprimento das medidas impostas no sequestro sanitário (6DGV, 2009). 55 2.2.4. O Papel do Laboratório no Programa de Erradicação da Tuberculose Bovina Actualmente, o PETB em Portugal Continental contempla o recurso ao diagnóstico laboratorial por histopatologia e bacteriologia para confirmação da doença em animais sujeitos a abate sanitário bem como, nas surpresas de necrópsia (8DGV, 2011). Tal, é preconizado principalmente pelo LNIV. O diagnóstico laboratorial é extremamente importante uma vez que o diagnóstico baseado na observação de lesões características é falível associado com o grande número de agentes que provocam lesões semelhantes (Cousins, 2001). O facto do exame histopatológico, em termos do PE, confirmar a presença de doença, tendo em conta que o exame bacteriológico é moroso e o exame macroscópico é falível, constitui uma forma de prevenção da disseminação da doença desde que este resultado seja rapidamente comunicado. O resultado do exame bacteriológico deve incluir sempre a definição do agente isolado e a conclusão de um exame histopatológico com resultado positivo não dispensa a execução do exame bacteriológico. A comunicação dos resultados das análises por parte do LNIV é enviada à DIV de proveniência dos animais. O CIS do matadouro poderá receber de igual forma o resultado, de uma forma meramente informativa, por parte do LNIV ou da DIV de proveniência dos animais (6DGV, 2009). Por outro lado, a partir do estudo do tipo e localização das lesões é possível concluir certas característivas epidemiológicas da doença como a identificação das vias de infecção e excreção (Neill et al., 2001; Cassidy, 2006). No exame post mortem, pode ser presumida a via de transmissão tendo em conta a localização da lesão primária (Philips et al., 2003). A distribuição das lesões tuberculosas ao nível do tracto respiratório e gânglios linfáticos relacionados, na maioria dos bovinos que foram naturalmente infectados, revela a importância da infecção por esta via (Crews, 1991; Corner, 1994; Whipple et al., 1996). 1 Cunha e colaboradores (2011) no seu trabalho de revisão compilou os dados relativos ao número de amostras enviadas para o LNIV consoante o tipo de abate, entre 2005 e 2009, bem como, os resultados histopatológicos (Quadro 6 e 7). 56 Quadro 6 – Resultados dos exames histopatológicos entre 2005 e 2009 de acordo com o tipo de abate. Fonte: 1Cunha et al., 2011. Categoria do Abate Totais Histopatologia (+) Histopatologia (-) Abate de Consumo 297 170 127 Abate Sanitário Sem dados Total 433 203 933 245 104 519 188 99 414 Legenda: Histopatologia (+): resultado positivo; Histopatologia (-): resultado negativo. Quadro 7 – Resultados dos exames histopatológicos entre 2008 e 2009 de acordo com o tipo de abate. Fonte: 1Cunha et al., 2011. 2008 Categoria do abate 2009 Abate de Consumo Nº 54 % 33 Nº 130 % 35 Abate Sanitário Sem dados Total Histopatologia (+) Histopatologia (-) 62 50 166 92 74 37 30 100 55 45 204 36 370 222 148 55 10 100 60 40 Legenda: Histopatologia (+): resultado positivo; Histopatologia (-): resultado negativo; Nº: número de amostras. A partir da análise destes dados é possível inferir alguns pontos críticos ao PE. Um primeiro relativamente há comunicação entre entidades, uma vez que verificou-se um número de 203 amostras sem dados relativamente à categoria de abate para o período considerado, no entanto a análise dos dados por ano, demonstra que tal tem vindo a diminuir (Quadro 6). Uma outra preocupação apresentada por estes dados é a ocorrência de surpresas de necrópsia confirmadas como positivas e que têm aumentado ao longo do tempo e com destaque para o ano de 2009 (Quadro 7). E ainda, um terceiro ponto crítico a considerar é o número bastante relevante de animais reagentes à prova da tuberculina, com resultado histopatológico negativo (1Cunha et al., 2011) que poderá estar associado com infecções cruzadas (de la Rua Domenach et al., 2006) (Quadro 6 e 7). Relativamente à distribuição das lesões macroscópicas demonstrou-se uma maior frequência nos gânglios linfáticos, principalmente os do tracto respiratório (n= 32,8% entre 933 amostras) seguido pelos gânglios linfáticos da cabeça (18,3%), corroborando os diversos estudos assentes neste tema (Corner, 1994; Neill et al., 1994; Whipple et al., 57 1996), tal também pode indicar que em Portugal a principal via de transmissão da doença é a aerógena (Quadro 8). Quadro 8 – Principais localizações das lesões macroscópicas características de tuberculose. Fonte: 1Cunha et al., 2011. Gânglios Linfáticos Afectados Outros Órgãos Afectados Órgão Cabeça Tórax Abdominal Desconhecido Cabeça e tórax Cabeça e abdómen Tórax e abdómen Cabeça, tórax e abdómen Total (%) 95 (18,3) 170 (32,8) 8 (1,5) 189 (36,4) 23 (4,4) 3 (0,6) 14 (2,7) 1 (0,2) Pulmões Fígado 149 21 Microscopicamente, os granulomas localizados nos pulmões por vezes apresentavam-se próximo dos bronquíolos o que permite a drenagem de material infectante para o lúmen e posteriormente a sua excreção para o ambiente, embora a técnica de Ziehl-Neelsen demonstrou um baixo número de BAAR. Em animais reagentes à tuberculina mas sem lesões visíveis detectou-se a existência de pequenos granulomas, sem centro necrótico e formado apenas por células epitelióides e gigantes multinucleadas, o que representa um estádio inicial de infecção (1Cunha et al., 2011) O exame bacteriológico a nível nacional é realizado de acordo com as normas da OIE (OIE, 2009). Em Portugal, na maioria dos casos encaminhados para exame bacteriológico, foi isolado M. bovis, tanto em espécies domésticas como silvestres (1Cunha et al., 2011), embora já tenha sido isolado M. caprae em bovinos de sistema extensivo e em javalis selvagens (Duarte et al., 2008; Matos et al., 2010). 1 Cunha e colaboradores (2011) refere que no período entre 2002 e 2010, mais de 30% das 5477 amostras enviadas para exame bacteriológico foram positivas, tendo sido isolado M. bovis em 92% destas e M. caprae em cerca de 1% (n=23). Assim, 7% das amostras estão associadas com infecções cruzadas por micobactérias do Complexo Mycobacterium avium. No Quadro 9 apresenta-se para o triénio, os valores oficiais do número de amostras testadas em Portugal Continental e neste universo aquelas onde foi isolado o agente. Os aumentos em 2009 e 2010 são notórios. 58 Quadro 9 –Resultados dos exames bacteriológicos realizados em Portugal Continental para o triénio. Fonte: PISA.net - Relatório Técnico PETB Portugal Continental (DGV). Ano 2008 2009 2010 2.2.5. Teste Bacteriológico Número de amostras Número de amostras testadas positivas 50 24 300 193 977 517 % 48,0 64,3 52,9 Evolução da Situação Epidemiológica da Tuberculose Bovina A ocorrência da TB e outras doenças no universo animal compromete a economia pecuária, associado com a diminuição de produtividade e com limitações ao comércio internacional (Amanfu, 2006), para além de potenciar o risco de transmissão das mesmas às espécies silvestres protegidas e /ou ameçadas bem como à população humana (Michel et al., 2010). Assim, nas últimas décadas, a importância do controlo da saúde animal na produção pecuária tomou uma posição de destaque. Actualmente, a organização institucional responsável pela sanidade animal em Portugal apresenta uma capacidade de intervenção fortalecida relativamente às existentes anteriormente. Alicerces essenciais desta estrutura sanitária são as diferentes entidades públicas e privadas envolvidas, bem como, as ferramentas de controlo animal desenvolvidas como o SNIRA, o sistema TRACES (programa informático direccionado para o controlo da importação e exportação de animais vivos e seus produtos) e o programa PISA. Em Portugal, até à década de oitenta, o controlo da sanidade animal era da responsabilidade exclusiva dos serviços oficiais, inicialmente a cargo da Direcção Geral de Pecuária e das Intendências Veterinárias e posteriormente das Zonas Agrárias. Por esta altura, o controlo das doenças animais prendia-se essencialmente com medidas para debelar surtos e não em esforços para a erradicação das mesmas. Com a adesão à Comunidade Económica Europeia (CEE), em 1986, houve uma grande necessidade de adaptação por parte dos serviços veterinários às regras comunitárias, que visavam a erradicação de doenças contagiosas como forma de permitir o livre trânsito intra–comunitário e a constituição de um mercado único europeu. Assim, enfermidades como a tuberculose e a brucelose passaram a ser objecto de PE. As primeiras directivas comunitárias relativamente à erradicação de doenças foram: a Directiva 64/432/EEC do Conselho de 26 Junho de 1964 – relativa a problemas de fiscalização sanitária em matéria de comércio intracomunitário de animais da espécies bovina e suina e a Directiva 78/52/EEC do Conselho de 13 de Dezembro de 1977 – que definiu os critérios comunitários aplicáveis aos planos nacionais de erradicação acelerada da tuberculose, brucelose e leucose enzoótica nos bovinos. 59 Em resposta a estas necessidades foram criados os Agrupamentos de Defesa Sanitária (ADS), datando o primeiro de 1988, em Santa Maria da Feira. Iniciou-se a implementação dos PE da tuberculose e da brucelose bovina pela adopção de medidas de profilaxia, nomeadamente, a interdição do trânsito animal em explorações infectadas e proibição da venda de leite para consumo dos animais positivos à brucelose. A PeriPneumonia Contigiosa Bovina (PPCB) e a leucose bovina, pela sua gravidade, foram também incluídas nos PE posteriores. Assim, as ADS através do envolvimento de toda a comunidade pecuária por meio das cooperativas e através da mobilização dos MV conseguiram gerir as actividades de controlo ligadas à sanidade animal dos ruminantes em Portugal de forma sistemática e coordenada. No entanto, o controlo eficaz destas importantes enfermidades só foi conseguido aquando a constituição das OPPs. A organização interna destas entidades bem como os recursos humanos por elas disponibilizados permitiram, através de saneamento bianual, realizar a cobertura da totalidade dos efectivos pecuários, medida que até então nunca tinha sido concluída. Desta forma, as actuais OPPs contribuíram de forma decisiva para o sucesso na erradicação da PPCB e para o controlo das restantes doenças (Ribeiro, 2010). Em Portugal, o Decreto-Lei n.º 39:209 de 14 de Maio de 1953 classificou a TB como Doença de Declaração Obrigatória (DDO) (2DGV, 2005; 8DGV, 2011). A implementação duma rede nacional de ADS que concretizaram o Plano Acelerado de Erradicação da Tuberculose Bovina, impulsionado e co-financiado pela UE promoveu uma forte redução na incidência de TB a partir de 1988 (Almeida et al., 2006). A árdua tarefa de classificar o estatuto sanitário de todos os efectivos bovinos de Portugal Continental aconteceu entre 1988 e 1989. Inicialmente, tal foi alcançado, através da implementação de testes periódicos da prova da IDTC, a intervalos de seis meses, a todos os animais com idade superior a seis semanas de idade. Os resultados negativos a duas provas IDTC consecutivas nomeavam o efectivo de OI (T3), a ocorrência de um resultado não negativo a pelo menos uma das provas da IDTC, declarava o efectivo de NOI (T2) (1Fonseca, 2010). Em 1992, Portugal apresentou à CE um Plano Trienal de Erradicação da TB o qual foi aprovado (Decisão do Conselho 92/299/CE). A implementação de um sistema de teste-abate, através da realização da prova simples a todos os animais com idade superior a seis semanas e posterior abate dos reagentes permitiu um significativo progresso no controlo da doença, a partir deste ano. O teste do interferão-gamma (Bovigam®) começou a ser utilizado em efectivos NOI em animais com reacções duvidosas ao teste intradérmico ou em explorações cronicamente infectadas (1Cunha et al., 2011). Um novo programa, com vista à obtenção de suporte financeiro é apresentado em 1996, no entanto, Portugal teve de implementar os PE dos anos seguintes sem apoios da CE (8DGV, 2011). 60 Mais tarde, o Decreto-Lei nº 272/2000 veio estabelecer as normas técnicas de execução do PETB em Portugal e os procedimentos relativos à classificação sanitária de efectivos e áreas, em conformidade com a legislação comunitária (6DGV, 2009). Entretanto, devido ao importante esforço financeiro que representa o combate a esta doença e tendo em conta a necessidade de recorrer a um reforço de medidas com vista à sua erradicação, foi proposto à aprovação da CE, os PETB de 2001 a 2004 (3DGV, 2006). Em 2001, 95,6% das explorações de bovinos já estava certificada como OI - T3 (Almeida et al., 2006). Por esta altura, apesar das taxas globais de TB a nível nacional serem reduzidas, existiam regiões problemáticas, apresentando taxas muito superiores às nacionais, como, por exemplo, as regiões do Alentejo e Trás-os-Montes. Em 2003, todos os efectivos bovinos estavam classificados quanto à TB o que permitiu tomar medidas mais concretas em relação às áreas de maior prevalência da doença. Desta forma, inicia-se um período de vigilância do estatuto T3. Assim, implementa-se que a frequência da aplicação do teste da tuberculina varia com a percentagem da média de efectivos infectados nos últimos dois anos na área/DIV de inserção dos efectivos (Quadro 10) (1Fonseca, 2010). Quadro 10 - Condições para a realização da prova da tuberculina em efectivos oficialmente indemnes (T3) a partir de 2003. Fonte: 1Fonseca, 2010. % Efectivos bovinos T2.1 >1 ≤ 1 e > 0,2 ≤ 0,2 Elegibilidade Todos > 6 meses Todos > 12 meses Todos ≥ 24 meses Periocidade IDTC Anualmente Anualmente Anualmente Também neste ano, decidiu-se testar todos os bovinos de todas as explorações, uma vez que tinham sido reduzidos em 50% nos anos anteriores como o solicitado pela Directiva 64/432/CEE. Os objectivos desta medida suplementar seriam aumentar a frequência de testes em efectivos infectados e em explorações relacionadas com estas, bem como averiguar mais eficazmente a necessidade de recurso ao teste interferão-gamma (IFN-γ) em efectivos com problemas crónicos, de forma a evitar abates totais. Em Junho do mesmo ano, o subgrupo de especialistas da Task Force reuniu-se em Portugal para acompanhamento do PETB. Por esta altura, a País começava a tomar consciência da verdadeira luta que é a erradicação da TB, uma vez que estava tão próximo do objectivo, no entanto, a prevalência e a incidência da doença permaneciam estagnadas desde 2000. Do ponto de vista nacional, as dificuldades para erradicar a doença, prendiam-se com problemas de ordem logística, técnica e social. A execução e monitorização do programa era realizada com recursos humanos limitados em número e formação, para além de trabalharem conjuntamente em diferentes PE. 61 Existia ainda uma forte desarticulação com as diversas entidades envolvidas, por exemplo, o controlo da movimentação ilegal era da responsabilidade da polícia, no entanto, esta não possuía qualquer tipo de formação na área para actuar eficazmente. Relativamente ainda a questões de ordem logística, sentia-se necessidade de maior disponibilidade de testes de diagnóstico de forma a melhorar as taxas de cobertura. A nível técnico, tornava-se essencial nesta fase da campanha a comunicação de informação detalhada dos matadouros aos SO e a confirmação laboratorial da infecção mesmo em casos de lesões consistentes com TB, no entanto, o exame bacteriológico é moroso, o que tem implicações nas decisões a tomar em tempo útil. O facto dos dados epidemiológicos serem obtidos por diferentes fontes poderia estar na causa de certos erros como a falha de controlo de certos efectivos. E cada vez mais tornava-se primordial clarificar a ocorrência da doença em espécies silvestres. Os desânimos de ordem social eram mais um entrave à erradicação. O aparecimento de animais ―single reactors‖, provocou sentimentos de frustação aos veterinários e descredibilidade perante o produtor, bem como o finaciamento do programa diminuir ano a ano, implicando mais um esforço ao criador pecuário. A Task Force concluiu que a base para o sucesso do programa seria comunicar e monitorizar, de forma a todos os pormenores serem considerados. Foi fortemente aconselhado, a formação de todos os intervenientes neste PE, principalmente nas áreas de colheita e análise de dados, epidemiologia e execução de testes de diagnóstico. Era fundamental uma monitorização criteriosa do plano de forma constante e geral, analisando o progresso do mesmo e efectuando o controlo e a supervisão das OPP, incluindo a supervisão da prova da tuberculina. Exigia-se atenção redobrada na ocorrência de ―single reactors‖. Em tais casos, proceder a uma investigação minuciosa da história do animal, do histórico da exploração e recolher informação laboratorial para determinação do primeiro teste de seguimento à exploração. Seria necessário também, desenvolver um trabalho coordenado com os matadouros e CIS para recolher e analisar informação de forma detalhada bem como, realizar um controlo rígido da movimentação animal (DGHC, 2003). Estas conclusões impulsionaram a alterações e reformas significativas ao PETB desde 2005. Os programas sanitários passaram a ser aprovados anualmente para melhor gestão das medidas a adoptar e definiram-se áreas ou unidades epidemiológicas de actuação, de forma, a cada caso ser tratado de forma particular. Uma das novas medidas sanitárias era orientada para os efectivos T2.1 onde seria implementado o abate dos animais duvidosos à IDTC, sempre que se verificasse a presença de pelo menos um bovino reagente (positivo) à mesma prova. Reforçou-se também a utilização do teste do interferão-gamma (IFN-γ). 62 Nos abates sanitários, impôs-se o isolamento do Mycobacterium através da colheita de material (órgaos e linfonodos) a todos os bovinos, excepto os provenientes de efectivos T2.1. Dedicou-se especial atenção à formação de todos os intervenientes na erradicação da TB, desde a formação teórica e prática de técnicos e MVE sobre TB, à formação de MV em epidemiologia até à criação de manuais de apoio. De forma a combater as incoerências do trabalho de campo com a IS (achados de necrópsia), apostou-se na informação dos matadouros e na formação de IS em PE. Melhorou-se a monitorização por parte das DSVR, nomeadamente, na avaliação eficaz das OPP no terreno com a supervisão da prova da IDTC, no incentivo da implementação dos testes de pré-movimentação e na imposição de algumas medidas de organização, como a definição do número máximo de cabeças normais (entenda-se, uma vaca corresponde a uma cabeça normal) a intervencionar pelo MVE e a calendarização prévia dessas acções. Iniciou-se uma avaliação intensa da situação epidemiológica e a análise aprofundada dos IE, de forma a pesquisar quais as principais origens de infecção. Como forma de avaliar a interacção das espécies silváticas no PE, desenvolveram-se planos de vigilância, definiram-se áreas de risco e divulgou-se o guia de boas práticas para gestores de caça (2DGV, 2005; 3DGV, 2006; 6DGV, 2009; 7DGV, 2010; 1Fonseca, 2010; 2 Fonseca, 2010; 8DGV, 2011). Desde 2006 foram estipulados testes de pré-movimentação de bovinos de forma a obter um melhor controlo do trânsito animal. No decorrer deste ano, aplicou-se uma nova regra, os animais com resultados duvidosos à prova da IDTC são submetidos a nova prova 42 dias depois, qualquer resultado não negativo nesta última prova resulta em abate sanitário. A frequência de aplicação do teste de rastreio também se altera (Quadro 11) (3DGV, 2006). Quadro 11 - Condições para a realização da prova da tuberculina em efectivos oficialmente indemnes (T3) a partir de 2006. Fonte: 3DGV, 2006. % Efectivos Bovinos T2.1 <1 <0,2 Elegibilidade Todos > 12 meses Todos > 24 meses Periocidade IDTC Anualmente Anualmente Com a intervenção activa de todas as entidades e cada vez mais focalizados nos objectivos, o sistema adoptado parecia estar a funcionar, comprovado pela descida progressiva das taxas de prevalência ano após ano (Figura 4). 63 % explorações positivas % animais positivos 1 0,9 0,8 0,6 0,4 0,2 0,26 0,13 0,27 0,09 0,22 0,06 0,18 0,05 0,2 0,14 0,05 0,03 0 2003 2004 2005 2006 2007 0,26 0,11 2008 0,08 2009 2010 Figura 4 – Prevalência de explorações e animais positivos em Portugal Continental desde 2003. Fonte: 1 Fonseca, 2010. Apesar do desenvolvimento e melhoramento dos PETB ao longo de vários anos terem permitido o progresso do estatuto sanitário dos efectivos nacionais, em 2009 e 2010 ocorreu um significativo aumento do número de explorações e animais positivos em determinadas regiões do País (Figura 4 e Quadro 12). Quadro 12 – Ocorrência de Tuberculose Bovina em Portugal Continental entre 2008 e 2010. Fonte: PISA.net - Relatório Técnico PETB Portugal Continental (DGV). Ano Nº Explorações Positivas 2008 2009 2010 43 76 320 Nº Novas Explorações Positivas 30 59 254 Nº Animais Positivos 264 885 2767 Estas regiões (Norte, Centro e Alentejo) concentram grande parte da produção bovina nacional, o que demonstra por si só a importância destas subidas nos indicadores epidemiológicos. A região do Alentejo é a mais fortemente afectada nos dois anos referidos, tanto ao nível de explorações positivas como em número de animais. Para o mesmo período, a região Norte comparativamente à região Centro apresenta o maior número de explorações positivas mas esta última por sua vez demonstrou o maior número de animais positivos (PISA.net Relatórios Técnicos PETB Portugal Continental). Estas diferenças geográficas podem estar relacionadas com o tamanho dos efectivos, com o sistema de produção praticado ou ainda com a presença de reservatórios de manutenção na fauna silvática (1Cunha et al., 2011). Um estudo que resultou da análise dos IE a nível nacional em 2009 e 2010 demonstrou as principais causas de introdução da doença nos efectivos (Figura 5) (1Fonseca, 2010). 64 2010 2009 26 25 Contacto directo com espécies silváticas 21 44 19 15 29 6 28 7 Contacto directo com outras explorações 26 Introdução de animais Falhas nos testes de prémovimentação Partilha de equipamentos 5 7 2 Recorrência Origem desconhecida/Outras Origens Figura 5 – Causas de introdução da doença nos efectivos resultante da análise dos inquéritos epidemiológicos a nível nacional em 2009 e 2010. Fonte: 1Fonseca, 2010. O total destes resultados é superior a 100%, uma vez que em determinadas explorações duas ou mais causas foram consideradas em simultâneo. Assim, a avaliação dos indicadores epidemiológicos conduziu a uma nova alteração das condições de aplicação do teste de rastreio em 2010 (Quadro 13). Quadro 13 - Condições para a realização da prova da tuberculina em efectivos oficialmente indemnes (T3) a partir de 2010. Fonte: 7DGV, 2010. % Efectivos bovinos T2.1 >1 ≤ 1 e >0,2 ≤0,2 Elegibilidade Todos > 6 semanas Fêmeas > 6 semanas Todos ≥ 24 meses Periocidade Anualmente Anualmente Anualmente Em Abril de 2010, sub-grupo Task Force regressou a Portugal para mais uma vez avaliar a evolução do PETB. Nesta reunião, foram evidenciados os esforços realizados pelos diferentes intervenientes na erradicação da TB desde a última análise dos pontos críticos em 2003. Todas as reformas adoptadas a partir de 2005 foram, ao longo do tempo, intensificando-se e melhorando de forma a atingir os objectivos a que o País se propôs. No entanto, a Task Force reforçou algumas recomendações para a erradicação da doença ser efectiva. 65 Primeiramente, evidenciou a importância de realização de mais estudos epidemiológicos detalhados a partir das bases de dados existentes de forma a permitir uma actualização e adaptação constante das medidas de erradicação a adoptar. Exemplos de tal, são a avaliação cuidadosa de dados referentes a explorações infectadas, como o histórico de testes de rotina uma vez que pode indicar necessidade de alteração da prova (para a simples) ou da sua interpretação (mais estrita), bem como, a análise de outros dados pode informar acerca da presença de factores de risco ou de novas fontes de infecção, o que vai permitir andar um passo à frente da doença e actuar com medidas preventivas. Ao nível dos matadouros seria importante avaliar a taxa de submissão, isto é relacionar o número de lesões submetidas a diagnóstico laboratorial com o número de animais abatidos uma vez que é esperado um grande número de lesões visíveis submetidas a análise laboratorial aliado ao facto de muitas infecções bacterianas e parasitárias provocarem lesões semelhantes. Será particularmente importante investigar os casos de surpresa de necrópsia e suas possíveis causas, uma vez que o número de lesões submetidas a análise e onde a doença foi detectada foi muito superior ao que seria de esperar no último estádio da erradicação. Associado a esta realidade seria importante avaliar a tuberculina, uma vez que houve alteração da fonte de tuberculina e a sua potência não foi testada, bem como os procedimentos inerentes à prova de rastreio. O cruzamento das diferentes formas de diagnóstico é também essencial para permitir a detecção de qualquer falha de sensibilidade de um dos testes. Quanto às populações silváticas será inevitável recorrer a um conjunto de medidas para impedir efectivamente os contactos, quebrando o ciclo de transmissão. Mais uma vez torna-se crucial apostar na comunicação. Todas os intervenientes do PE devem ter acesso ao PISA de forma a facilitar a comunicação entre as diferentes autoridades e organizações. O desenvolvimento de canais de comunicação formal onde todo o histórico de informação relativamente a amostras e a resultados de testes possa ser partilhada é essencial, pois permite uma actuação mais rápida das investigações no campo e nos laboratórios. Relativamente à tuberculose humana por M. bovis seria importante verificar a veracidade da ausência de casos, uma vez que neste último estádio de erradicação pode indicar ou constituir a manutenção de fontes de infecção. Por vezes, os meios de rotina utilizados para detectar o M. tuberculosis não são elegíveis para o M. bovis. Outra importante ponte de comunicação a ser criada é entre as autoridades veterinárias e as autoridades responsáveis pela saúde publica, tal traria benefícios para a vigilância e controlo das diferentes zoonoses (DGHC, 2010) Portugal encontra-se numa fase de pré-erradicação da doença e todos os esforços devem ser considerados para reverter a situação dos últimos dois anos, por todos os motivos inerentes a uma doença infecciosa mas também pelos elevados custos que esta situação acarreta para o País, desde a testagem periódica de efectivos, abate sanitário de animais infectados ou 66 totalidade de efectivos e respectivas indemnizações, entre outras iniciativas de controlo e erradicação da doença. Embora existam compensações, os prejuízos económicos para os produtores são elevados resultante do sequestro das suas explorações (Gordejo e Vermeersch, 2006; 8DGV, 2011). Actualmente, o financiamento do PETB é feito pela UE, pelo governo nacional e muitas vezes pelos próprios produtores quando o orçamento não é suficiente (DGHC, 2010). Assim, o próximo objectivo relativamente à doença é adquirir a curto/médio prazo o reconhecimento das Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores e de certas DSVR/DIV do continente como regiões oficialmente indemnes. Portanto, nos próximos anos pretende-se reforçar medidas e implementar novas estratégias. Estas compreendem a implementação de uma metodologia de rigor na realização e supervisão da prova de IDTC e a penalização de incumprimentos. Será avaliado a alteração na interpretação da prova (mais estrita), promovido o abate total em determinadas regiões e reforçado o controlo da movimentação animal através da articulação das bases de dados. A aposta na formação contínua intensifica-se, passando a obrigatória em 2011 para os MVE das OPPs. Novos estudos epidemiológicos da doença nas espécies domésticas e no ciclo silvestre serão impulsionados de forma a impor medidas de controlo eficazes (1Fonseca, 2010; 2 Fonseca, 2010; DGHC, 2010). 2.2.6. Novas Abordagens à Doença 2.2.6.1. A Importância das Espécies Silvestres como Reservatório Em Portugal, ao longo dos últimos anos, associado com as dificuldades sentidas na erradicação da TB e no aumento da incidência da doença em espécies silvestres (2Cunha et al., 2011), desenvolveram-se alguns estudos acerca do papel da fauna silvática, principalmente do javali (Sus scrofa) (Duarte et al., 2007; Santos et al., 2009) e do veado (Cervus elaphus) na perpetuação da doença (Duarte et al., 2008; Matos et al., 2010; VieiraPinto et al., 2011). Encontrando-se o nosso País num estádio final de erradicação da TB, a existência de um hospedeiro de manutenção silvático pode ser um factor de risco na reintrodução da doença em explorações bovinas indemnes (Duarte et al., 2007). Embora não existam dados oficiais, considera-se que a população de javalis e veados tem aumentado significativamente nas últimas décadas, no nosso território (Vingada et al., 2010). Tal pode estar relacionado com a falta de predadores naturais, com o aumento de reservas de caça ou com determinadas práticas de gestão cinegética destas espécies, como o melhoramento de vedações bem como a suplementação alimentar e de água em momentos de escasseio (de Mendonza et al., 2006; 1Cunha et al., 2011). De acordo com a Autoridade Nacional Florestal (ANF) alguns factores de risco estão presentes em certas regiões do continente como a sobrepopulação de veados e a partilha de 67 áreas de pastoreio, alimentação e abeberamento em épocas de carência alimentar que proprociona contactos entre veados infectados e bovinos (Amador, 2010). Segundo os estudos, os casos de tuberculose nas espécies silváticas estão aparentemente limitados a estas duas espécies e geograficamente, ao contrário da tuberculose nos bovinos que se encontra disseminada por todo o território nacional (2Cunha et al., 2011), no entanto, verifica-se que acompanham a ocorrência de surtos da doença nos bovinos, o que indiciou um possível ciclo de infecção bovinos - espécies silváticas - bovinos (Santos et al., 2009; Duarte et al., 2010). Actualmente, estão definidas duas áreas epidemiológicas de risco, as regiões de Idanha-aNova (Distrito Castelo branco) e Moura-Barrancos (Distrito de Beja) (Figura 6), embora sejam necessários mais estudos a nível nacional para perceber a realidade da situação, bem como ao nível da Península Ibérica (2Cunha et al., 2011). Para além disso, outras espécies silvestres devem ser consideradas em futuras pesquisas como a raposa pelo seu hábito de se alimentar de restos de carcaças e o texugo pelas importantes relações sociais que promove. Apesar destas duas regiões estarem geograficamente separadas apresentam algumas características comuns que podem contribuir para a transmissão da doença entre espécies silváticas e domésticas. Em ambas as zonas predominam explorações com efectivos de grandes dimensões, de aptidão carne em sistema extensivo onde prevalecem as maiores taxas de tuberculose e para além disso são conhecidas como importantes zonas de caça destas espécies (1Cunha et al., 2011). Figura 6 – Área epidemiológica de risco para a tuberculose dos animais de caça maior em Portugal Continental. Fonte: Amador, 2010. 68 Neste contexto, torna-se essencial investigar aprofundadamente a epidemiologia desta doença na fauna silvática nacional (identificar os hospedeiros de manutenção e determinar a distribuição geográfica da doença nessas populações), incluindo esforços para desvendar a situação da doença em Espanha, principalmente em zonas fronteiriças com características ecológicas idênticas. A partir destas informações será possível formular estratégias de controlo direccionadas especificamente para estas espécies (2Cunha et al., 2011). A interferência das espécies de caça grossa no PETB é dupla, primeiro como reservatório de manutenção da doença e segundo como potencial perigo para a Saúde Pública associado ao exercício da caça, tornando-se fundamental a sensibilização de todos os envolvidos para o risco de transmissão da doença (2DGV, sem data). 2.2.6.1.1. Medidas de Controlo Tendo em conta os factores de risco a que as explorações bovinas estão sujeitas torna-se fundamental desenvolver estratégias específicas para o controlo da transmissão da doença interespecífica, bem como criar uma boa rede de vigilância. Actualmente, nas duas áreas epidemiológicas de risco iniciou-se a aplicação de medidas de controlo específicas que permitem a epidemiovigilância da doença nestas espécies (9DGV, 2011). De momento, a inspecção oficial post mortem nas reservas de caça é obrigatória se a carne for comercializada e deverão ser implementados esforços na separação física destas espécies e bovinos domésticos (9DGV, 2011). Tal pode ser conseguido através de vedações e separação das zonas de alimentação e abeberamento das diferentes espécies (1Cunha et al., 2011), bem como pelo reforço destes pontos em épocas de escassez de forma a evitar a coabitação (Amador, 2010). Em áreas altamente infectadas será importante controlar a densidade animal, pela não suplementação alimentar em épocas de carência ou pela intensificação da caça. Às entidades gestoras da caça aconselhou-se a melhoria das condições físicas e estruturais dos locais de concentração dos animais abatidos e o registo e comunicação de alterações do estado de saúde da fauna silvestre à DGV para posterior recolha de amostras para diagnóstico laboratorial (AFN e DGV, 2010; Amador, 2010; 9DGV, 2011). Relativamente às explorações pecuárias inseridas nestas áreas de risco, foi determinada a execução da prova da IDTC a todos os bovinos com idade superior a seis semanas, semestralmente, quando a prevalência da doença é superior a 2% (Amador, 2010). Seria importante também promover acções de sensibilização junto dos produtores pecuários de forma a incentivar a tomada de medidas para evitar contactos entre as diferentes espécies (2Cunha et al., 2011) 2.2.6.1.2. Inspecção Sanitária de Peças de Caça Maior Após a caçada, todas as peças de caça maior destinadas ao consumo humano devem ser submetidas a um exame inicial de inspecção in loco que compreende a análise das vísceras, 69 do corpo do animal e a avaliação da informação fornecida pelo caçador (este, deverá reportar qualquer comportamento anormal do animal no momento antes do abate). Deverá ser realizado no mais curto espaço de tempo após o abate, pelo MV autorizado ou por pessoa devidamente formada pela DGV (caçador, gestor cinegético, guarda de recursos florestais) nas condições de higiene adequadas de forma a evitar possíveis contaminações. Qualquer suspeita de tuberculose ou outras lesões características anormais durante este exame inicial leva à reprovação total da carcaça. O objectivo deste exame é certificar a inexistência de sinais que indiquem possível risco sanitário. De acordo com o Regulamento (CE) nº 853/2004 de 29 de Abril, se estas peças forem destinadas ao mercado para consumo humano são obrigatoriamente encaminhadas para centro de preparação de caça aprovado pela DGV ou matadouro licenciado em inspecção de caça grossa onde será realizado um exame post mortem pelo inspector sanitário. Sempre que houver suspeita de doença ao exame inicial ou post mortem são recolhidas amostras para análise laboratorial. Em Portugal, os vários estudos apontam os pulmões e gânglios linfáticos mesentéricos como as principais localizações de lesões nos veados (1Cunha et al., 2011; Vieira-Pinto et al., 2011). Quanto aos javalis, desenvolvem lesões nos gânglios linfáticos mandibulares e também nos mesentéricos, indicando transmissão por via respiratória e oral (Santos et al., 2009; Vieira-Pinto et al., 2011) . Em caso de resultados laboratoriais positivos, os mesmos são emitidos para a respectiva DSVR com o objectivo de rapidamente serem implementadas medidas que previnam a disseminação da infecção em explorações pecuárias de contacto. Nestas, procede-se à verificação do estatuto sanitário e dos controlos efectuados, bem como, à realização de IE. O detentor deve ser informado e aconselhado na implementação de eventuais medidas preventivas (manutenção de vedações e selecção de locais de pastoreio, abeberamento e depósito de alimento). Em explorações de contacto com confirmação da doença e com elevada probabilidade de coabitação com espécies silváticas deve ser promovido acções de cooperação com as entidades responsáveis pelos efectivos das espécies silváticas, que envolvam métodos de delimitação de contacto entre os animais, suplemento de alimento e pontos de abeberamento ou a separação definitiva das populações (6DGV, 2009). 2.2.6.2. O Desenvolvimento da Epidemiologia Molecular Nos últimos anos a investigação epidemiológica da tuberculose por M. bovis ou por M. caprae intensificou-se através da abordagem das recentes técnicas de genotipagem. 70 Anteriormente a esta revolução, os indícios de possível transmissão da doença entre bovinos e espécies silvestres eram apenas fundamentados nas informações recolhidas nas explorações através da realização de IE (Duarte et al., 2007). Uma vez que a epidemiologia da doença nestas espécies tem implicações no PETB, esta poderosa ferramenta diagnóstica poderá fornecer detalhes acerca das rotas de transmissão das estirpes do M. bovis e M. caprae e do seu potencial de disseminação entre espécies domésticas e silvestres, a nível nacional e regional (1Cunha et al., 2011). Assim, desde 2009, o LNIV preconiza a análise molecular de todos os isolados de M. bovis e M. caprae de animais de pecuária e de espécies silváticas recorrendo à técnica de Spoligotyping, por vezes complementada pela técnica MIRU-VNTR, embora seja uma iniciativa não integrante do PE (1Cunha et al., 2011). A relação epidemiológica de isolados de espécies silváticas e domésticas foi analisada entre 2002-2009, baseando-se nos seus genótipos e localização geográfica (Duarte et al., 2008; Duarte et al., 2010; 2Cunha et al., 2011). Assim, neste período, a caracterização molecular de 546 isolados de M. bovis (49 perfis) e 22 isolados de M. caprae (1 perfil) de cinco espécies animais diferentes (bovino, caprino, ovino, javali e veado) resultou em cinquenta perfis espoligotipo (www.mbovis.org). Apenas um pequeno número de perfis está limitado a uma região específica, encontrando-se os outros dispersos por todo o território nacional (Matos et al., 2010). Destaca-se a região de EDM que exibe a maior diversidade de estirpes relativamente aos isolados de bovinos domésticos (1Cunha et al., 2011). Os espoligotipos mais comuns foram o SB0121 (23%) e o SB0119 (12%). Relacionando este resultado com dados internacionais, verificou-se que o spoligotipo SB0121 também é o perfil mais frequente em Espanha (Rodriguez et al., 2010), o segundo mais frequente em França (Haddad et al., 2001) e em Itália encontra-se entre os cinco primeiros (Boniotti et al., 2009). Tal facto pode estar relacionado com o comércio regular de animais entre estes países (1Cunha et al., 2011). Nos ungulados selvagens estudados no nosso País foram identificados 27 perfis espoligotipo, onze destes exclusivos dos veados e cinco dos javalis, enquanto que os restantes partilhados entre si ou com os bovinos domésticos (2Cunha et al., 2011). Assim, a nível nacional a relação genética entre isolados de bovinos e espécies silvestres (veado e javali) foi confirmada (Duarte et al., 2008 ; Duarte et al., 2010) sugerindo uma fonte comum, no entanto, a prevalência relativa da estirpe M. bovis predominante varia de acordo com o hospedeiro. Assim, SB0121 e SB0119 são mais comuns em bovinos, o SB0121 e SB0122 em veados enquanto que nos javalis, o SB1264 e SB0121 predominam (1Cunha et al., 2011; 2Cunha et al., 2011). Outra técnica de genotipagem que tem vindo a ser utilizada em estudos no nosso País é a MIRU-VNTR em isolados de M. bovis e M. caprae. Esta é uma ferramenta com grande potencial para avaliar a existência de efectivos infectados com estirpes diferentes. Os resultados obtidos por Duarte e colaboradores,(2010) demonstraram que existe uma elevada diversidade genética das estirpes portuguesas implicadas na tuberculose animal. 71 Assim, os diversos estudos apoiados em ambas as técnicas de genotipagem permitiram confirmar que nas regiões de Idanha-a-Nova (Distrito Castelo branco) e Moura-Barrancos (Distrito de Beja), o javali (Sus scrofa) e o veado (Cervus elaphus) estão infectados com M. bovis ou M. caprae, evidenciando a possibilidade de actuarem como reservatórios e estando directamente implicados em alguns surtos regionais da doença nos últimos anos (Duarte et al., 2010; 1Cunha et al., 2011). Um dado importante para a investigação epidemiológica da doença está relacionada com o facto da existência de similariedade genotípica de estirpes ao nível da Península Ibérica, o que sugere contacto entre as espécies nas zonas fronteiriças (2Cunha et al., 2011). A Genotipagem se futuramente integrada como ferramenta diagnóstica nos PE poderá auxiliar eficazmente na confirmação de suspeitas de transmissão entre efectivos bovinos, desvendar fontes de infecção não demonstradas em IE e determinar o real papel da fauna silvestre na manutenção da doença (Duarte et al., 2010). 72 CAPÍTULO III – ESTÁGIO CURRICULAR NA DIVISÃO DE INTERVENÇÃO VETERINÁRIA DE VILA REAL O estágio curricular do Mestrado Integrado em Medicina Veterinária teve a duração de 4 meses, com início a 22 de Setembro de 2010 e término a 31 de Janeiro de 2011. Durante este período, acompanhei os Médicos Veterinários Oficiais e Auxiliares Oficiais em suas variadas funções, nomeadamente, na inspecção sanitária de abates normais e sanitários e nos diferentes controlos realizados, na forma de vistorias, inquéritos, apreensões, entre outros, para seguimento dos planos desenvolvidos pela Direcção Geral de Veterinária, como por exemplo, os planos de Higiene Pública Veterinária (PICOP – Plano Integral de Controlo Oficial de Pisciculturas; PACE – Plano de Aprovação e Controlo de Estabelecimentos; PIGA – Plano de Inspecção de Géneros Alimentícios) e os planos de Sanidade Animal (Planos de Erradicação e Planos de Vigilância de Doenças), sobre os quais irei dar especial atenção neste estudo. Desenvolvi a prática de inspecção sanitária em alguns dos estabelecimentos de abate controlados pela Divisão de Intervenção Veterinária de Vila Real, pertencente à Direcção de Serviços Veterinários Regionais da região Norte, da Direcção Geral de Veterinária, nomeadamente: Matadouro Aleu em Vila Real, Matadouro Fumados Douro em Armamar, o matadouro Beira Lamego e Marinel ambos em Lamego e mais frequentemente no matadouro Regional do Alto Tâmega e Barroso em Montalegre e no matadouro PECCarnagri em Penafiel. Este estágio permitiu-me desenvolver habilidade prática bem como, conhecer os diversos fundamentos técnicos e legais desta área da Medicina Veterinária, que considero ser uma base essencial para o exercício da profissão em qualquer uma das suas vertentes. 73 CAPÍTULO IV – A TUBERCULOSE BOVINA NA DIVISÃO DE INTERVENÇÃO DE VILA REAL NO TRIÉNIO 2008-2010 4.1. Caracterização da Área em Estudo A área em estudo será a abrangida pela Divisão de Intervenção Veterinária de Vila Real. Segundo a orgânica da DGV, Portugal está dividido em cinco regiões: Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve. A região Norte (RN) engloba Entre-Douro e Minho (EDM) e Trás-os-Montes (TM). Esta última inclui três DIVs: a de Bragança, a de Douro Sul e a de Vila Real (Figura 7). Figura 7 – Mapa representativo da organização institucional da Região Norte. Fonte: DSVRN Segundo dados oficiais, na RN estão mais de 50% do número de explorações de bovinos do continente, sendo a segunda região com o maior efectivo bovino (23%) depois do Alentejo (39%) (Figura 8 e 9). No entanto, são explorações de pequenas dimensões, com efectivos relativamente pequenos e predominantemente de aptidão carne criados em sistema extensivo. O Recenseamento Agrícola de 2009 aponta para a região de TM, um total de 64.502 bovinos distribuídos por 5.286 explorações. O regime de produção baseia-se essencialmente no pastoreio. A RN inclui mais de 40% das explorações do nosso país que pastoreiam animais na exploração ou em baldios. Este último tipo de pastoreio é muito característico desta região, sendo praticado por 20% das explorações com pastoreio na região de EDM e em 18% das explorações com pastoreio de TM, comparativamente aos 10% a nível nacional. O período médio de utilização das pastagens em TM é de cerca de 9,9 meses (INE, 2011). 74 As pastagens de montanha (lameiros) constituem o principal recurso alimentar para a pecuária das zonas de montanha de TM, alternando entre o pastoreio directo e a cultura forrageira proveniente do corte do feno no fim do ciclo vegetativo destes prados (Pires et al., 1994). As principais raças bovinas autóctones exploradas na RN são: a Maronesa, a Mirandesa, a Barrosã e a Arouquesa (Rosário, 2004). É também na RN que se abate 40 a 50% dos bovinos do País, em 16 matadouros, o que corresponde a cerca do dobro em relação à região de Lisboa e Vale do Tejo e do triplo relativamente à região Centro. As vacas representam aproximadamente 16% do volume total de abate e os machos adultos 3% (SmartDocs). 60.000 50.000 40.000 PT 30.000 20.000 10.000 0 55.9% 10.2% 6.6% 2008 56.8% TM 10.4% 7.6% 2009 RN 57.1% 10.2% 7.0% DIV VR 2010 Figura 8 – Comparação do número total de explorações entre Portugal Continental (PC), Região Norte (RN), Trás-os-Montes (TM) e DIV de Vila Real (DIV VR) para o triénio. Fonte: PISA.net - Relatórios Técnicos do PETB Portugal Continental, Trás-os-Montes e DIV de Vila Real (DGV). 1.500.000 1.000.000 500.000 PT 26,7% 4,0% 2,8% 0 2008 RN 28,3% 5,9% 4,3% 2009 TM 26,3% 5,8% DIV VR 3,4% 2010 Figura 9 – Comparação do número total de animais entre Portugal Continental (PC), Região Norte (RN), Trás-os-Montes (TM) e DIV de Vila Real (DIV VR) para o triénio. Fonte: PISA.net - Relatórios Técnicos do PETB Portugal Continental, Trás-os-Montes e DIV de Vila Real (DGV). A área de intervenção da DIV de Vila Real compreende os concelhos de Alijó, Boticas, Chaves, Mesão Frio, Montalegre, Murça, Peso da Régua, Sabrosa, Santa Marta de Penaguião, Valpaços, Vila Pouca de Aguiar e Vila Real (Figura 10). Nestes concelhos, predominam explorações de pequenas dimensões de bovinos de carne, do tipo familiar, 75 embora exista alguma produção leiteira, principalmente localizada nos concelhos de Chaves e Vila Pouca de Aguiar. Legenda: ER: Alijó; EE: Boticas; EB: Chaves; EZ: Mesão Frio; EA; Montalegre; EJ: Murça; FA: Peso da Régua; EP: Sabrosa; EW: Santa Mata de Penaguião; EG: Valpaços; EF: Vila Pouca de Aguiar; EN: Vila Real. Figura 10 – Concelhos pertencentes à DIV de Vila Real e respectivo código. Fonte: DSVRN. Segundo dados oficiais da DGV relativos a 2010, existem 42.452 animais distribuídos desigualmente pelos vários concelhos abrangidos pela DIV de Vila Real. Estes animais encontram-se em cerca de 3640 explorações, sendo o encabeçamento médio de animais por exploração de 11,7 (PISA.net - Relatório Técnico PETB DIV Vila Real, 2010). 4.2. Objectivos e Justificação do Estudo As reformas aos Planos de Erradicação da Tubeculose Bovina implementadas desde 2003 permitiram a diminuição progressiva da prevalência da doença em explorações e nos animais por todo o território nacional, tendo-se registado em 2008 uma prevalência de explorações positivas de apenas 0,11% em Portugal Continental (Figura 11). A evolução não se apresenta tão regular, ao nível dos animais, registando-se maiores oscilações, ao longo do tempo, no número de bovinos positivos à prova da IDTC (Figura 12). 76 5 4,5 4 3,5 PC 3 RN 2,5 AL 2 1,5 1 0,5 0 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 Figura 11 – Prevalência da Tuberculose Bovina em explorações entre 2001 e 2010. Comparação entre os valores nacionais (PC), da DSVR do Norte (RN) e da DSVR do Alentejo (AL). Fonte: PISA.net e Relatórios Técnicos PETB (DGV). 0,5 0,45 0,4 0,35 0,3 PC 0,25 RN 0,2 AL 0,15 0,1 0,05 0 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 Figura 12 – Prevalência da Tuberculose Bovina em animais entre 2001 e 2010. Comparação entre os valores nacionais (PC), da DSVR do Norte (RN) e da DSVR do Alentejo (AL). Fonte: PISA.net e Relatórios Técnicos PETB (DGV). A situação epidemiológica de Portugal em relação à TB varia de acordo com a região em causa. O Norte e o Alentejo foram as principais regiões que contribuíram para a perpetuação da doença sendo frequente apresentarem valores de prevalência da doença bastante superiores à média nacional (Figura 11 e 12). Apesar das taxas globais nacionais relativamente à doença tenderem para a erradicação, desde 2009 ocorreu um significativo aumento da prevalência e incidência da TB nas 77 explorações e nos animais, principalmente nas regiões anteriormente referidas, e em 2010 verificou-se um incremento a este aumento, no entanto, disseminado por todo o País (PISA.net - Relatórios Técnicos PETB). Para as alterações verificadas nos indicadores epidemiológicos da RN contribuiram as duas regiões que a constituem (EDM e TM). Em TM, a área de intervenção da DIV de Vila Real evidenciou-se pelo forte contributo que deu para este quadro epidemiológico. Entre 2008 e 2009 a prevalência e a incidência da TB nas explorações desta área mantinha um perfil de diminuição, no entanto, entre 2009 e 2010 ocorreu um aumento considerável destes indicadores (Figura 13 e 14), embora ao nível da prevalência da doença nos animais o aumento tenha sido gradual ao longo do triénio. PT RN 1,4 1,2 1 0,8 0,6 0,4 0,2 0 2008 TM DIV VR 2009 2010 Figura 13 - Prevalência da Tuberculose Bovina em explorações entre 2008 e 2010. Comparação entre valores nacionais (PT), da DSVR do Norte (RN), Trás-os-Montes (TM) e DIV Vila Real (DIV VR). Fonte: PISA.net - Relatórios Técnicos PETB (DGV). PT RN TM DIV VR 1,2 1 0,8 0,6 0,4 0,2 0 2008 2009 2010 Figura 14 - Incidência da Tuberculose Bovina em explorações entre 2008 e 2010. Comparação entre valores nacionais (PT), da DSVR do Norte (RN), Trás-os-Montes (TM) e DIV Vila Real (DIV VR). Fonte: PISA.net - Relatórios Técnicos PETB (DGV). Em 2010, verificou-se também um incremento significativo de surpresas do número de necrópsia de TB na área de intervenção da DIV de Vila Real (Quadro 14). Tal facto desencadeia reacções e activa todos os mecanismos de alerta sanitário de forma a descobrir a origem da infecção para debela-la eficazmente, uma vez que, Portugal encontra-se no último estádio de erradicação da doença. 78 Quadro 14 - Comparação do número de casos “surpresa de necrópsia” entre Portugal Continental (PC), DSVR do Norte (RN), Trás-os-Montes (TM) e DIV de Vila Real (DIV VR) para 2009 e 2010. Fonte: Pisa.net - Relatórios Técnicos PETB (DGV). 2009 2010 Total PC 58 101 179 RN 15 33 50 TM 7 20 31 DIV VR 4 18 26 No ano de 2010, cerca de um terço dos achados de matadouro a nível nacional ocorreram na RN e com forte destaque para a área de intervenção da DIV de Vila Real, pois a maioria dos casos localizados na região de TM ocorreu em animais de explorações controladas por esta DIV (Quadro 14). O Quadro 15, reflecte mais uma vez a importância da DIV de Vila Real relativamente às outras DIVs na manutenção da doença em TM, uma vez que quase todos os indicadores descritos apresentam pelo menos metade dos casos localizados nesta DIV. Quadro 15 - Comparação trienal dos indicadores epidemiológicos entre a região de Trás-os-Montes (TM) e a DIV de Vila Real (DIV VR). Fonte: PISA.net - Relatórios Técnicos PETB (DGV). Total Explorações Total de Animais Explorações Positivas Novas Explorações Positivas Animais para Abate Sanitário Surpresas de Necrópsia 2008 4320 48146 7 7 TM 2009 5912 84008 13 11 2008 2781 34041 7 7 DIV VR 2009 4189 54776 6 4 2010 5430 74615 45 36 2010 3640 42452 36 28 10 33 231 10 22 215 4 7 20 4 4 18 A realidade anterior e a nossa participação nas funções de inspectora sanitária estagiária, suscitaram interesse de análise desta situação. Para melhor compreender a dinâmica da doença na área de intervenção da DIV de Vila Real foi realizado um estudo retrospectivo entre 2008 e 2010. Desta forma, pretende-se com este estudo contribuir para uma melhor caracterização da epidemiologia da doença na área de intervenção da DIV de Vila Real e as suas implicações na prevalência da TB na região de Trás-os-Montes. 79 Assim, foram analisadas as possíveis causas relacionadas com as flutuações na prevalência e incidência da doença ao longo do último triénio e salientou-se a importância da inspecção sanitária durante o abate para o PETB. Deste modo, os objectivos específicos deste trabalho são: a) Demonstrar a evolução da TB entre 2008 e 2010 na área de intervenção da DIV de Vila Real e posicioná-la no contexto nacional; b) Identificar as explorações de bovinos com surtos confirmados de TB entre 2008 e 2010 na área de intervenção da DIV de Vila Real; c) Caracterizar as referidas explorações, com base no tamanho do efectivo, no tipo de produção, na evolução da doença com o tempo, nos factores de risco identificados e na possibilidade de contacto com espécies silvestres; d) Avaliar os casos de surpresa de matadouro e determinar possíveis causas; e) Identificar as principais acções a tomar perante a doença; f) Identificar possíveis obstáculos à erradicação da doença. 4.3. Materiais e Métodos 4.3.1. Recolha de dados Os dados necessários para realizar o estudo retrospectivo dos casos de TB na DIV de Vila Real para o triénio, foram retirados a partir do programa informático PISA.net (Programa Informático de Saúde Animal) e do SmartDocs (sistema informático de gestão documental e processual utilizado na Direcção de Serviços Veterinários Regionais do Norte). Para cada ano do triénio em estudo foram analisados os Relatórios Técnicos do Plano de Erradicação da Tuberculose Bovina em Ruminantes para Portugal Continental, Trás-osMontes e DIV de Vila Real de forma a realizar uma análise comparativa. No sentido de avaliar os casos de animais reagentes à intradermotuberculinização recorreuse às listagens de animais positivos e duvidosos extraídas do PISA.net. As surpresas de necrópsia foram analisadas a partir das Declarações de Doença Obrigatória emitidas entre 1 Janeiro de 2008 e 31 Dezembro de 2010, bem como recorrendo-se aos resultados laboratoriais realizados nos Laboratórios de Referência. Com o objectivo de avaliar as possíveis causas na origem destes focos foram recolhidos e analisados os inquéritos epidemiológicos disponíveis. 4.3.2. Processamento de dados Para organização e planeamento de toda a informação recolhida criou-se uma base de dados com o programa Microsoft Office Excel 2010, com o qual também foram realizados os gráficos e tabelas apresentados. 80 4.4. Resultados 4.4.1. Avaliação dos Métodos de Detecção da Doença A vigilância da TB na DIV de Vila Real é realizada pela complementariedade entre duas ferramentas diagnósticas essenciais: o teste da intradermotuberculinização comparada e a vigilância nos matadouros. No Quadro 16 diferencia-se a forma como foram detectados os casos de tuberculose no período em estudo – através do aparecimento de animais positivos ou duplamente duvidosos no teste de rastreio (na exploração) ou pela detecção de surpresas ao abate (no matadouro). Quadro 16 – Modo de detecção dos casos de Tuberculose Bovina entre 2008 e 2010. Fonte: PISA.net Relatórios Técnicos PETB DIV Vila Real (DGV). Método de detecção Exploração Matadouro Total Nº animais 2008 8 5 13 Nº animais 2009 21 8 29 Nº animais 2010 77 21 101 Total % 106 34 100 74,1 25,9 100 Em relação ao método de detecção da doença é de notar que 74,1% foi por meio do teste de rastreio (IDTC) e 25,9% como surpresa de matadouro, além do elevado aumento no número de animais detectados em 2010 por ambos os métodos. 4.4.2. Explorações Positivas à Prova da Intradermotuberculinização Comparada O PETB para a DIV de Vila Real segue os critérios do PETB nacional, portanto baseia-se na testagem em vida dos animais periodicamente, consoante a percentagem de efectivos T2.1. No Quadro 17 é apresentada uma descrição detalhada das explorações positivas à prova de rastreio para o período compreendido entre 2008 e 2010. De forma a manter a confidencialidade dos detentores das respectivas explorações, a marca da exploração foi alterada por um código constituído por duas letras referentes ao concelho e números em sequência. Para o último triénio foram detectadas pela prova da tuberculina 106 animais positivos em 44 explorações diferentes, resultando numa média de 2,4 animais por exploração. 81 Quadro 17 – Descrição do número de casos tuberculino positivos e duplamente duvidosos por exploração na DIV de Vila Real para o triénio. Fonte: PISA.net – Listagens de Resultados de Animais (DGV). ME BT1 BT2 BT3 BT4 BT5 BT6 BT7 BT8 BT9 BT10 BT11 BT12 BT13 BT14 CH1 CH2 CH4 MT1 MT2 MT5 MT7 MT8 MT10 MT11 MT15 VPA2 VPA3 VPA4 VPA5 VR1 VR4 VR5 VR6 VR7 VR9 VR10 VR11 VR12 VR13 VR14 Concelho Boticas Boticas Boticas Boticas Boticas Boticas Boticas Boticas Boticas Boticas Boticas Boticas Boticas Boticas Chaves Chaves Chaves Montalegre Montalegre Montalegre Montalegre Montalegre Montalegre Montalegre Montalegre VP Aguiar VP Aguiar VP Aguiar VP Aguiar Vila Real Vila Real Vila Real Vila Real Vila Real Vila Real Vila Real Vila Real Vila Real Vila Real Vila Real Freguesia Alturas do Barroso Alturas do Barroso Alturas do Barroso Alturas do Barroso Alturas do Barroso Alturas do Barroso Cerdedo Cerdedo Dornelas São Salvador Viveiro São Salvador Viveiro São Salvador Viveiro São Salvador Viveiro São Salvador Viveiro Mairos Mairos Paradela Chã Chã Morgade Mourilhe Padroso Paredes do Rio Reigoso Sarraquinhos Bornes de Aguiar Stª Marta da Montanha Soutelo de Aguiar Telões Andrães Justes Lordelo Lordelo Mondrões Pena Pena Pena Pena Pena Pena 2008 An. + An. duv 1 Ocorrências de TB 2009 An. + An. Duv 1 1 2 1 An. + 2010 An. duv 1 1 1 2 1 1 1 1 1 1 1 2 2 4 2 1 1 6 1 1 1 1 3 5 2 1 1 1 1 2 5 4 1 1 1 1 2 4 3 1 9 1 3 6 2 3 1 1 1 1 1 2 1 2 1 1 1 2 3 1 1 1 5 82 2 11 2 4 1 Vila Real Pena 12 3 VR15 Vila Real Torgueda 2 VR17 Vila Real Vila Marim 1 1 VR18 Vila Real Vila Marim 2 3 VR19 Total 44 8 8 21 5 77 54 Legenda: An. +: animais com reacção positiva ou duplamente duvidosa à prova da IDTC; An. Duv : animais com resultado duvidoso à prova da IDTC. É notório o aumento crescente do número de animais positivos, bem como de explorações ao longo dos anos com grande destaque para 2010. De realçar ainda, o facto de três destas explorações (BT7; VR10 e VR14) possuírem outras espécies animais, nomeadamente, ovinos e caprinos. No entanto, é também demonstrado um grande número de animais duvidosos que à segunda testagem reagiram negativamente à mesma prova, no ano de 2010. No Quadro 18 estão os valores totais relativamente ao número de animais duvidosos para a DIV de Vila Real. Verifica-se que em 2010, ocorreu um aumento abrupto de duvidosos (95 animais), e neste universo, 54 animais pertencem às exploraçãos positivas descritas anteriormente. Quadro 18 – Número de animais duvidosos à prova da IDTC por ano para a DIV de Vila Real (DIV VR) e para as explorações do universo do estudo. Fonte: PISA net. - Relatórios Técnicos PETB DIV Vila Real e Listagens de Resultados de Animais Duvidosos (DGV). Ano 2008 2009 2010 Nº Animais Duvidosos à IDTC DIV VR 26 9 95 Nº Explorações do Universo (44) 4 2 24 Nº Animais do Universo (44) 8 5 54 Assim, confirmou-se que de 2008 para 2009 a prevalência e incidência de explorações positivas mantinha um perfil de diminuição enquanto que ao nível da prevalência da doença nos animais o mesmo não aconteceu, ocorrendo um ligeiro aumento. No ano de 2010, tudo se alterou bruscamente e os incrementos nos indicadores epidemiológicos são notáveis (Quadro 19). 83 Quadro 19 – Situação epidemiológica trienal para a DIV de Vila Real. Fonte: PISA.net - Relatórios Técnicos PETB DIV Vila Real (DGV). Ano Nº Total Explorações Nº Expl. Positivas Nº Novas Expl. Positivas Prevalência (%) Incidência (%) Nº Total Animais NºAnimais Positivos Prevalência (%) 2008 2781 7 7 0,22 0,22 34.041 8 0,03 2009 4189 6 4 0,19 0,13 54.776 21 0,07 2010 3640 37 28 1,25 0,97 42.452 77 0,29 4.4.2.1. Caracterização das Explorações em Estudo As explorações em estudo são de animais de aptidão para produção de carne, havendo apenas uma exploração de produção de leite. As raças exploradas são predominantemente uma mistura de animais de raça autóctone Maronesa e Barrosã e animais de raças exóticas Limousine ou Charolesa e seus possíveis cruzamentos. A finalidade geral destas explorações é a produção de animais de aptidão carne para reprodução, sendo predominante o sistema de exploração extensivo. Quanto à dimensão dos efectivos foram criadas três classes de forma a inserir as várias explorações (0-15 animais; 16-30 animais e mais de 30 animais), atendendo ao facto que para tal foram utilizadas as listagens referentes ao ano de 2010. O valor zero foi considerado por algumas explorações encontrarem-se em vazio sanitário no ano referido. A maioria dos concelhos afectados apresentam efectivos de pequenas dimensões bem como, a maioria das explorações positivas à TB deste estudo, pois 36 (82%) das explorações positivas compreende no seu efectivo um máximo de 15 animais (Figura 15). 11% 0-15 16-30 7% 30 82% Figura 15 – Distribuição das explorações em estudo por classes relativamente ao número de animais. Fonte: PISA.net – Listagens de Animais por exploração (DGV). 4.4.2.2. Distribuição Geográfica Relativamente à distribuição das explorações positivas à prova da IDTC para o triénio, Vila Real é o concelho mais afectado seguido logo pelo concelho de Boticas, embora ao nível do 84 número de animais infectados, Vila Real e Montalegre apresentem maior número de bovinos positivos (Figura 16). Nº Animais Nº Explorações Boticas Boticas 15 4 14 8 17 Chaves 3 55 Montalegre 5 V.P.Aguiar 7 21 Chaves Montalegre V.P.Aguiar Vila Real Vila Real Figura 16 – Distribuição geográfica das explorações e animais positivos para o triénio. Fonte: Quadro 17. 4.4.2.3. Acções Sanitárias perante a Doença Após a detecção da doença na exploração, os animais são enviados para abate sanitário e ao exame de inspecção post mortem são colhidas amostras para diagnóstico laboratorial. Durante o período em estudo, foram alvo de abate sanitário por suspeita de tuberculose 247 bovinos, 106 animais positivos ao teste de diagnóstico (IDTC) e 140 coabitantes (animais por desmamar ou associados com abates totais) provenientes de todos as explorações em análise. Destes 106 animais positivos ao teste de diagnóstico apenas 4 apresentaram ao abate lesões características de tuberculose (Quadro 20). Quadro 20 – Número de animais sujeitos a abate sanitário no triénio. Fonte: PISA.net - Relatórios Técnicos PETB DIV Vila Real (DGV). 2008 2009 2010 Total Animais Sujeitos a Abate Sanitário IDTC Positivos Coabitantes Com lesões Sem lesões Com lesões Sem lesões 0 8 0 2 0 21 0 1 4 73 0 137 4 102 0 140 Total 10 22 215 247 A recolha de amostras para exame histopatológico e bacteriológico em abate sanitário é realizada a todos os animais com presença ou não de lesões visíveis. No entanto, explorações classificadas como T2.1, a infecção por M. bovis já foi confirmada em recolhas 85 anteriores, sendo apenas recolhido material para histopatologia no caso de haver lesões visíveis. Quadro 21 – Diagnóstico laboratorial da Tuberculose Bovina para os casos em estudo. Fonte: PISA.net – Listagem de Resultados de Provas de Animais (DGV). 2008 2009 2010 Total Exame de confirmação da doença H+B H 9 1 9 3 36 8 54 12 B 1 2 1 4 Legenda: H+B – Histopatologia e bacteriologia; H – Só histopatologia; B - Só bacteriologia. O número total de exames de confirmação não é compatível com o número total de animais (106 animais e apenas 70 exames) por três motivos, o referido anteriormente em que não é realizada colheita em animais provenientes de explorações T2.1, pelo facto de em 2008 o programa Smartdocs não estar completamente funcional o que leva a que muitos dados não se encontrem informatizados e pelo não acesso aos resultados laboratoriais negativos (Quadro 21). Como demonstrado no Quadro 21, a confirmação da doença é mais frequentemente obtida pelo resultado dos dois exames (histopatologia e bacteriologia) embora existam casos em que não houve lesões compatíveis com tuberculose ao exame histopatológico mas isolou-se o agente, bem como o oposto. Não foi possível determinar as decisões sanitárias relativamente às carcaças dos animais sujeitos a abate sanitário. 4.4.3. Explorações com Surpresas de Necrópsia A TB é uma doença de declaração obrigatória (DDO). Quando ocorre detecção de lesões suspeitas ao abate normal é da responsabilidade do Inspector Sanitário comunicar essa suspeita em impresso próprio e remete-la directamente para a DIV da área em que se insere o estabelecimento de abate bem como, proceder à recolha de amostras para diagnóstico laboratorial. Tais acções permitem a imposição de sequestro sanitário da exploração de origem dos animais e aplicação de medidas de profilaxia e polícia sanitária. 4.4.3.1. Análise Global do Triénio De 1 de janeiro de 2008 a 31 Dezembro de 2010 foram emitidas 41 DDOs por suspeita de lesões de tuberculose ao abate normal ou abate sanitário de outras doenças (brucelose e 86 leucose) nos matadouros abrangidos pela DIV de Vila Real. Destas, 34 com confirmação laboratorial de TB (Figura 17). 100 80 7 60 34 2 21 40 20 0 0 5 5 5 8 13 23 2008 2009 2010 41 Nº animais com resultado negativo Nº animais com resultado positivo Nº DDOs Total Figura 17 – Número de comunicações de suspeita de Tuberculose Bovina (DDOs) e respectivos resultados laboratoriais por ano. Fonte: PISA.net e SmartDocs. Apesar das lesões características da TB apresentarem aspecto tipíco, existe um grande número de agentes patogénicos que provocam lesões semelhantes, sendo o diagnóstico pela observação destas lesões falível (Figura 18). No período em estudo, ocorreram 7 casos de suspeita de doença não confirmada por exames laboratoriais (Quadro 22). Diagnósticos Diferenciais Actinogranulomatose Generalização metastásica de neoplasia maligna Linfadenite piogranulomatosa Linfadenite parasitária Sinais de parasitismo Linfadenite piogranulomatosa Broncopneumonia purulenta com granulomas de centro caseoso Figura 18 - Caso de suspeita de Tuberculose Bovina ao abate normal com resultado negativo – Linfoma. Fonte: Matadouro PEC-Carnagri, 2010. Quadro 22 – Listagem de diferentes diagnósticos em achados de necrópsia com resultado laboratorial negativo. Fonte: SmartDocs – Resultados Laboratoriais. 87 4.4.3.2. Análise dos Casos Positivos No Quadro 23 estão descritas as explorações com ocorrência de surpresas de necrópsia por ano e concelho, sendo o aumento muito superior em 2010, tanto ao nível de explorações como de animais. Na maioria dos casos, as explorações visadas apresentam apenas um animal por ano com lesões típicas de tuberculose ao abate normal, no entanto, algumas apresentaram dois e três animais no mesmo ano em abates diferentes ou no mesmo abate. Quadro 23 – Descrição dos casos surpresa de necrópsia na DIV de Vila Real no triénio. Fonte: PISA.net e SmartDocs. MOE Concelho Freguesia Ocorrência de Surpresas de Necrópsia Nº 2009 Nº 2010 animais animais X X x 3 X 1 X X x 1 X X X X X x 1 X X X X X 1 x 2 1 X X X x 1 2 2008 BT15 CH3 CH5 MT2 MT3 MT4 MT6 MT9 MT10 MT11 MT12 MT13 MT14 MT15 VPA1 VPA2 VR2 VR3 VR7* VR8 VR11* VR12* VR14 VR15 VR16 Boticas Chaves Chaves Montalegre Montalegre Montalegre Montalegre Montalegre Montalegre Montalegre Montalegre Montalegre Montalegre Montalegre VP Aguiar VP Aguiar Vila Real Vila Real Vila Real Vila Real Vila Real Vila Real Vila Real Vila Real Vila Real Sapiões Mairos Sigirei Chã Chã Meixedo Morgade Paradela Paredes do Rio Reigoso Salto Salto Salto Sarraquinhos Afonsim Bornes de Aguiar Borbela Campeã Mondrões Mondrões Pena Pena Pena Pena Ribeira de Machados Vila Marim X X X X Nº animais 1 1 VR20 Vila Real X Total 4 5 5 8 19 Legenda: X – Ocorrência da doença na exploração; a cor azul - indica as explorações com surpresas necrópsia e animais positivos ao teste de rastreio em momentos anteriores ou posteriores à surpresa necrópsia; * - surpresas de necrópsia suspeitas de tuberculose durante abate sanitário de brucelose. 88 1 1 1 1 2 1 1 1 1 1 3 1 1 1 2 1 2 24 de de Foi possível verificar que em 2010, oito das explorações apresentaram animais positivos ao teste de rastreio, mas também casos de surpresa ao abate, três dos quais o achado de matadouro ocorre no prazo máximo de 15 dias após IDTC de rastreio negativa (Quadro 24). Quadro 24 – Relação entre as explorações com animais tuberculino-positivos e com surpresas de necrópsia por ano. Fonte: PISA.net e SmartDocs. Nº explorações IDTC Positivas 2008 2009 2010 7 5 28 Surpresa de Necrópsia 4 4 11 Ambas 0 1 8 4.4.3.2.1. Caracterização das Explorações e dos Animais em Estudo As explorações em estudo inserem-se nas características referidas anteriormente para as explorações positivas à prova de rastreio. A maioria dos concelhos afectados apresentam efectivos de pequenas dimensões, 11 (69%) das explorações com surpresas de necrópsia apresentam entre 0 e 15 animais (Figura 19). 12% 0-15 19% 16-30 69% 30 Figura 19 – Distribuição das explorações em estudo por classes, relativamente ao número de animais. Fonte: PISA.net – Listagens de Animais por exploração (DGV). Relativamente às características dos animais ―achados de matadouro‖, observa-se uma certa tendência de ocorrência da doença em animais mais velhos e especialmente fêmeas (Quadro 25). 89 Quadro 25 – Caracterização dos animais “surpresa de necrópsia”. Fonte: PISA.net. e SmartDocs. Raça Nº animais Idade Nº animais Sexo Nº animais Maronesa Cruzado de Carne Barrosã Leite Sem dados 12 13 Até 6 meses 7-12 meses 3 8 Macho Fêmea 8 20 2 1 6 13-48 meses + 48 meses Sem dados 1 16 6 Sem dados 6 4.4.3.2.2. Distribuição Geográfica Nº Explorações 1 2 10 Nº Animais Boticas 1 Chaves 2 10 4 Chaves 15 Montalegre Boticas 4 13 Montalegre V.P. Aguiar V.P. Aguiar Vila Real Vila Real Figura 20 - Análise do número de explorações e animais “surpresa de necrópsia” por concelho e para o triénio. Fonte: Quadro 23. De acordo com a Figura 20, o concelho com maior número de explorações afectadas no último triénio foi o Montalegre seguido imediatamente pelo concelho de Vila Real, embora relativamente ao número de animais a situação seja inversa. 4.4.3.2.3. Acções perante a Doença A recolha de amostras das lesões suspeitas em casos de achado de necrópsia é sempre obrigatória, pois os exames laboratoriais confirmam a existência ou não de infecção. Não foi possível analisar de forma coerente as lesões macrocópicas e histopatológicas uma vez que em muitos casos não está referido na DDO e por outro lado, nos resultados laboratoriais fornecidos pelo LNIV também não é realizada, na maioria dos casos, uma descrição detalhada das lesões observadas em exame histopatológico. Das 41 suspeitas de TB por achado de necrópsia, 34 foram confirmadas laboratorialmente, sendo que em 3 dos casos não foi possível isolar o agente (Quadro 26). No entanto, no 90 âmbito do PE qualquer resultado histopatológico compatível com TB e/ou isolamento do agente confirma a infecção. Quadro 26 – Avaliação do modo de confirmação laboratorial da doença. Fonte: PISA.net. – Listagem de Resultados de Provas de Animais (DGV). Histopatologia e isolamento Apenas Histopatologia Apenas Isolamento Casos confirmados 31 3 0 Em 33 dos casos o agente isolado foi o M. bovis, tendo ocorrido um isolamento de M. tuberculosis e nenhum caso de M.caprae (Quadro 27). Quadro 27 – Caracterização dos isolados. Fonte: PISA.net. – Listagem de Resultados de Provas de Animais (DGV). Agente Mycobacterium bovis Mycobacterium tuberculosis Total Número de isolamentos 33 1 34 % 97,1 2,9 100 4.4.4. Total de Explorações Positivas Assim, para o período em análise registou-se um total de 60 explorações positivas na DIV de Vila Real. Este universo de explorações incluí aquelas em que a doença foi detectada tanto pelo teste de rastreio como por surpresa de necrópsia e confirmada em pelo menos um animal. No Quadro 28 é apresentada uma descrição detalhada das explorações positivas à TB para o período compreendido entre 2008 e 2010 tanto por IDTC positivas como por achados de matadouro. Quadro 28 - Descrição do total de explorações positivas na DIV de Vila Real entre 2008 e 2010. Fonte: PISA.net – Listagens de Resultados de Animais à IDTC na DIV de Vila Real e SmartDocs. ME BT1 BT2 BT3 BT4 BT5 Concelho Boticas Boticas Boticas Boticas Boticas Freguesia 2008 Nº animais + 1 Alturas do Barroso Alturas do Barroso Alturas do Barroso Alturas do Barroso Alturas do Barroso Ocorrências de TB 2009 Nº animais + 2010 Nº animais + 1 1 1 2 91 BT6 BT7 BT8 BT9 BT10 BT11 BT12 BT13 BT14 BT15 CH1 CH2 CH3 CH4 CH5 MT1 MT2 MT3 MT4 MT5 MT6 MT7 MT8 MT9 MT10 MT11 MT12 MT13 MT14 MT15 VPA1 VPA2 VPA3 VPA4 VPA5 VR1 VR2 VR3 VR4 VR5 VR6 VR7 VR8 VR9 VR10 VR11 VR12 Boticas Boticas Boticas Boticas Boticas Boticas Boticas Boticas Boticas Boticas Chaves Chaves Chaves Chaves Chaves Montalegre Montalegre Montalegre Montalegre Montalegre Montalegre Montalegre Montalegre Montalegre Montalegre Montalegre Montalegre Montalegre Montalegre Montalegre VP Aguiar VP Aguiar VP Aguiar VP Aguiar VP Aguiar Vila Real Vila Real Vila Real Vila Real Vila Real Vila Real Vila Real Vila Real Vila Real Vila Real Vila Real Vila Real Alturas do Barroso Cerdedo Cerdedo Dornelas São Salvador Viveiro São Salvador Viveiro São Salvador Viveiro São Salvador Viveiro São Salvador Viveiro Sapiões Mairos Mairos Mairos Paradela Sigirei Chã Chã Chã Meixedo Morgade Morgade Mourilhe Padroso Paradela Paredes do Rio Reigoso Salto Salto Salto Sarraquinhos Afonsim Bornes de Aguiar Stª Marta da Montanha Soutelo de Aguiar Telões Andrães Borbela Campeã Justes Lordelo Lordelo Mondrões Mondrões Pena Pena Pena Pena 1 1 1 1 1 1 1 1 2 2 1 4 2 1 1 3 1 6+1 1 1 1 1 1 1 1 2 1 1+1 3+2 1 1 1 5+1 1 2+3 1 1 1 1 1 1 1 92 1 2 1 1 1 3+2 1 2 11 2 6 2+1 3+2 Vila Real Pena 1 VR13 Vila Real Pena 1+1 VR14 Vila Real Pena 1 12 VR15 Vila Real Ribeira de Machados 2 VR16 Vila Real Torgueda 2 VR17 Vila Real Vila Marim 1 VR18 Vila Real Vila Marim 2 VR19 Vila Real Vila Marim 2 VR20 Total 13 29 101 Legenda: X – ocorrência de pelo menos um caso de TB no ano indicado; a azul– achados de necrópsia. Com um universo total de 60 explorações positivas, a situação do triénio altera-se um pouco ao nível dos indicadores epidemiológicos que aparecem agravados (Quadro 29). Quadro 29 – Situação epidemiológica trienal para a DIV de Vila Real relativamente ao universo total do estudo. Fonte: Pisa.net - Relatórios Técnicos PETB DIV de Vila Real (DGV) e Quadro 28. Ano Nº Total Explorações Nº Explorações Positivas Nº Novas Expl. Positivas Prevalência (%) Incidência (%) Nº Total Animais Nº Animais Positivos Prevalência (%) 2008 2009 2010 2781 4189 3640 11 10 48 11 8 42 0,34 0,32 1,66 0,34 0,35 1,45 34041 54776 42452 13 29 101 0,04 0,10 0,39 4.4.4.1. Caracterização do Total de Explorações A caracterização das explorações neste universo é igual ao referido anteriormente. Assim, concluiu-se que 47 (79%) explorações tinham menos de 15 animais, sendo o perfil de produção mais encontrado nesta região do País. Entre 16-30 animais temos 8 (13%) explorações e com mais de 30 animais temos apenas 5 explorações (8%) (Figura 21). 13% 0-15 16-30 8% > 30 79% Figura 21 – Distribuição das explorações em estudo por classes relativamente ao número de animais. Fonte: PISA.net – Listagens de Animais por exploração (DGV). 93 4.4.4.2. Distribuição Geográfica A maioria das explorações positivas encontram-se no concelho de Vila Real, Montalegre e Boticas, bem como, os maiores números de animais positivos. As restantes localizavam-se nos concelhos de Chaves e Vila Pouca de Aguiar. Todos os outros concelhos abrangidos pela DIV de Vila Real não apresentavam qualquer exploração com resultados positivos ou infecção confirmada para o período em estudo (Figura 21). 160 140 120 100 48,9% 33,3% 80 60 40 20 13,3% 25,0% 7,7% 8,3% 23,8% 25,0% Nº explorações positivas Nº animais positivos 6,3% 8,3% 0 Figura 21 – Distribuição das explorações positivas de Tuberculose Bovina no triénio por concelho para o universo total. Fonte: Quadro 28. Em Vila Real, 5 das explorações apresentam três ou mais animais infectados, sendo um concelho com grande disseminação da doença entre explorações e dentro da mesma exploração (Quadro 30). Quadro 30 – Análise do número de animais infectados por exploração. Fonte: Quadro 28. Concelho Boticas Chaves Montalegre VPA VR Nº Expl. Infectadas 15 5 15 5 20 Nº Expl. (1 animal +) 11 2 10 4 9 Nº Expl. (2 animais +) 4 1 2 0 6 Nº Expl. (3 animais +) 0 2 3 1 5 4.4.4.3. Descrição da Evolução da Doença De forma a avaliar a evolução da doença das explorações analisadas, verificou-se que 52 destas teve apenas TB num dos anos do período em estudo, 7 dessas explorações em 2 anos 94 consecutivos ou não e apenas uma das explorações apresentou casos de tuberculose nos três anos (Quadro 31). Quadro 31 – Evolução da doença no triénio. Nº Explorações com TB = 60 1 ano 2 anos consecutivos 2 anos não consecutivos 3 anos 52 6 86,(6)% 11,(6)% 1 1 1,(6)% Sempre que numa exploração ocorra um resultado positivo ou duvidoso à prova de rastreio, um achado de matadouro ou uma suspeita baseada em inquérito epidemiológico (contactos epidemiologicamente relevantes com explorações suspeitas ou infectadas; entrada no efectivo de animais de estatuto inferior ou incumprimento nos testes de rotina), o estatuto de oficialmente indemne dessa mesma exploração é suspenso até se iniciar o respectivo processo de saneamento com vista à recuperação do estatuto T3. No universo das 60 exlorações todas passaram por um processo de suspensão pela ocorrência de animais duvidosos, duplamente duvidosos ou positivos à prova de IDTC bem como pelo aparecimento de achados de matadouro, no entanto, nenhuma das outras causas provocou a descida de estatuto destas explorações. Para o mesmo período de estudo não houve nenhuma recorrência da doença, ou seja T2-T3T2, isto é, após todo o processo de saneamento descrito nos PE e de recuperarem estatuto T3, estes efectivos não voltaram a ter casos confirmados de TB. Nos restantes casos, após a detecção da doença foram tomadas as acções de saneamento necessárias para a subida de estatuto, tendo esse objectivo sido alcançado no próprio ano de detecção, após vários anos de saneamento ou continuando em saneamento após o período em análise. Na actualidade, do universo das 60 explorações, 15 recuperaram o estatuto oficialmente indemne (T3), duas encerraram actividade e 43 continuam em processo de teste-abate para a recuperação do estatuto ou a cumprir um período de vazio sanitário. Entre as 15 explorações que recuperaram o estatuto OI, em quatro delas, tal foi conseguido no próprio ano, em oito no ano seguinte à ocorrência da doença e em três em anos posteriores. 4.4.5. Análise dos Inquéritos Epidemiológicos Toda a exploração em que é detectado e confirmado um animal positivo à TB independentemente do modo de detecção é necessário realizar um inquérito epidemiológico 95 pelas autoridades oficiais de forma a descobrir a fonte de infecção com o objectivo de prevenir a disseminação da doença. Os inquéritos disponíveis até à data de realização deste trabalho foram em número 16 e são relativos a suspeitas de infecção por positividade ao teste de rastreio e por surpresas ao abate de consumo, sendo os restantes em consequência da detecção de explorações epidemiologicamente relacionadas. Com apenas 16 inquéritos disponíveis não será possível tirar conclusões com alto nível de confiança, no entanto, é possível analisar os dados e demonstrar a importância do inquério epidemiológico no plano de erradicação. 4.4.5.1. Modo de Detecção da Doença nas Explorações Durante o período em estudo, das 60 explorações positivas foram realizados 16 inquéritos epidemiológicos, sete dos quais na sequência de achados de matadouro, cinco associados a animais positivos à prova da IDTC e quatro relativos a explorações epidemiologicamente relacionadas. 4.4.5.2. Caracterização dos Efectivos Bovinos No universo das 16 explorações temos um total de 441 bovinos. As explorações em estudo são de animais de aptidão para produção de carne, havendo apenas uma exploração de produção de leite. A finalidade geral destas explorações é a produção de animais de aptidão carne para reprodução. Deste modo, todas as explorações, à excepção de três apresentam um sistema de exploração extensivo que utiliza o pastoreio no seu processo produtivo, com valores de encabeçamento relativamente reduzidos. 4.4.5.3. Factores de Risco Existem diversos factores de risco que foram analisados em diversos estudos e que podem ser determinantes na variação da prevalência da TB entre regiões. 4.4.5.3.1. Avaliação de Contactos 4.4.5.3.1.1. Entre animais da mesma exploração Pretende-se avaliar todas as formas de contacto entre os animais que coabitam na mesma exploração. Estes contactos estão muitas vezes dependentes do regime da exploração, do maneio em grupos, do número de hectares por animal e das condições para isolamento de animais doentes ou suspeitos. De notar que as explorações epidemiologicamente relacionadas também foram contabilizadas na análise de todos os factores. 96 Associado ao sistema de produção extensivo, a maioria das explorações pratica o regime de pastoreio, considerando também o regime misto nesta afirmação uma vez que neste mesmo regime o pastoreio representa cerca de 80%, muito embora existam períodos de estabulação. Para além disso, devido às características das explorações fortemente direccionadas para a produção de carne, os animais são mantidos em grupos produtivos na maioria destas explorações (Quadro 32). Quadro 32 – Factores de risco associados a contactos entre bovinos da mesma exploração. Fonte: SmartDocs - Inquéritos Epidemiológicos PETB (DGV). Regime da exploração Pastoreio Estabulação Misto 6 3 7 Maneio de grupos Produtivos Etários Não tem 12 2 2 Relativamente à área disponível por animal, a grande parte das explorações possui menos de 0,5 hectares por animal (Quadro 33). Uma vez que, quando um animal é suspeito de doença, uma das medidas de profilaxia sanitária é o isolamento dos mesmos, esta é uma característica relevante na avaliação da transmissão da doença. Pelo demonstrado no Quadro 33, a maioria das explorações analisadas apresenta condições de isolamento entre boas a excelentes. Quadro 33 – Outros factores de risco associados a contactos entre bovinos da mesma exploração. Fonte: SmartDocs - Inquéritos Epidemiológicos PETB (DGV). Hectares por animal <0,5 <1 56,25% 31,25% Condições de isolamento 2 3 8 2 1 5 4 1 Legenda: Classificação das condições de isolamento (1=excelente; 4=inexistente). 4.4.5.3.1.2. Com outros animais Os contactos com bovinos de outras explorações bem como, com outras espécies domésticas e silváticas são de extrema importância para a disseminação da doença e imposição de novos ciclos epidemiológicos. Assim, torna-se essencial analisar estes possíveis contactos que podem ser promovidos através de vedações entre explorações contíguas, pela movimentação de animais entre explorações ou em eventos agropecuários ou pela prática de transumância ou do pastoreio comum. 97 Quadro 34 – Factores de risco associados a contactos entre bovinos de diferentes explorações ou com outras espécies. Fonte: SmartDocs - Inquéritos Epidemiológicos PETB (DGV). Transumância ou Pastoreio Comum Sim Não 7 9 Explorações Contacto Sim Não 10 6 Contacto com outras espécies Sim Não ? 6 8 2 Biossegurança das vedações 1 2 3 4 2 6 2 6 Legenda: Classificação da biossegurança das vedações: 1=excelente a 4=inexistente. Mais de metade das explorações inquiridas apresenta explorações bovinas em contiguidade ou nas proximidades enquanto que relativamente à biossegurança das vedações os resultados são intermédios entre boas e inexistentes, porém, é necessário ter em conta que muitas explorações nesta região praticam o pastoreio em terrenos baldios ou em privados no entanto, sem quaisquer vedações. Algumas das explorações afirmam existir contactos com caprinos de outras explorações ou do possível contacto dos seus efectivos com javalis ou cabras selvagens. Outro factor de risco muito relevante na promoção de contactos entre bovinos de diferentes proveniências ou com outras espécies é a prática da transumância. No entanto, é impossível determinar as explorações que realmente optam por esta prática pois, o inquérito epidemiológico não faz a diferenciação entre transumância e pastoreio comum (Quadro 34). Relativamente às explorações que referiram contactos com bovinos de outras explorações, foi classificado esse contacto quanto ao tempo e à forma (Quadro 35). Quadro 35 – Avaliação do tempo e forma de contacto quando estes existem com animais de outras explorações. Fonte: SmartDocs - Inquéritos Epidemiológicos PETB (DGV). Tempo de contacto Frequente Acidental 5 5 PC e CP 6 Forma do contacto Vedações Ambas anteriores 2 2 Legenda: PC: pastos comuns; CP: caminhos partilhados. Assim, a forma de contacto mais frequente é através do pastoreio comum e de caminhos partilhados enquanto o tempo desse contacto apresenta-se como frequente ou acidental no mesmo número de casos. Outros factores de risco que proporcionam o contacto entre animais de diferentes proveniências é a introdução de animais num efectivo (Quadro 36). 98 Quadro 36 – Outros factores de risco na introdução da doença num efectivo. Fonte: SmartDocs Inquéritos Epidemiológicos PETB (DGV). Introdução de Animais Sim Não Não refere 13 2 1 Testes Pré-Movimentação Não Não refere 8 2 Sim 6 Na maioria das explorações existe entrada de animais, embora estejam apenas representados seis explorações com testes de pré-movimentação. Nas explorações referidas como ―não‖ nos testes de pré-movimentação apenas uma não os realizou realmente para além de ter violado o sequestro. Relativamente às outras explorações os testes não eram aplicáveis por se tratarem de movimentação de animais com idade inferior a seis semanas ou por não ocorrer introdução de animais na exploração nos últimos 12 meses, uma vez que é o período verificado aquando da realização do IE (Quadro 36). Ainda associado com a introdução de animais, a origem de reprodutores é um factor a considerar quando são adquiridos fora da exploração e também pelo facto de serem os animais que por mais tempo estarão na exploração (Quadro 37). Quadro 37 – Outros factores de risco. Fonte: SmartDocs - Inquéritos Epidemiológicos PETB (DGV). Origem Reprodutores TB nos últimos 5 anos AR CE AR e CE N/A Sim Não 6 6 3 1 4 12 Legenda: AR: auto-reposição; CE: comércio externo; N/A: não aplicável. Em 4 das explorações em estudo ocorreu tuberculose bovina nos últimos cinco anos que pode estar ainda associado à reemergência da doença actual nos mesmos efectivos (Quadro 37). 4.4.5.3.2. Outros Factores de Risco Outros factores de risco associados à TB, embora mais raros, são a fonte de água, os efluentes, as condições de higiene e desinfecção bem como, a partilha de equipamentos. A forma de abeberamento dos efectivos está fortemente relacionada com o sistema de produção. As explorações que praticam o pastoreio livre, a fonte de água é superficial (ribeiros, regos), as que praticam pastoreio limitado tanto pode ser por águas superficiais que atravessem os terrenos como por água da rede pública para encher recipientes. As explorações que praticam sistema intensivo utilizam principalmente água da rede pública, existindo apenas uma das explorações que utiliza águas subterrâneas (poço). Praticamente em todas as explorações deste universo realizam uma limpeza de 15 em 15 dias (retiram o estrume e mudam as camas dos animais) e desinfectam as instalações uma 99 vez por ano. As condições higiénicas em 50% dos casos é considerada suficiente (Quadro 38). O estrume retirado das camas dos animais, em todas as explorações tratadas é utilizado em terrenos agrícolas dos proprietários e apenas um produtor refere que utiliza nos pastos onde os animais se alimentam. Existe ainda alguns casos de partilha de equipamentos entre explorações principalmente em diferentes explorações do mesmo proprietário ou em explorações de familiares (Quadro38). Quadro 38 – Factores de risco associados com práticas de maneio e higiene nas explorações. Fonte: SmartDocs - Inquéritos Epidemiológicos PETB (DGV). Boas 5 Condições Higiénicas Suficientes Más 8 2 ? 1 Partilha de Equipamentos Sim Não 5 11 4.4.5.4. Possíveis Origens da Infecção e Medidas de Controlo Recomendadas Embora a origem da infecção da doença permaneça incerta em muitas das explorações, o factor de risco mais frequentemente mencionado e mais provável de causar a doença num efectivo é a introdução de animais, apesar de neste estudo só estar comprovado numa das explorações pela violação de sequestro de uma terceira (Quadro 39). Quadro 39 – Avaliação da possível origem da doença nas explorações em estudo. Fonte: SmartDocs Inquéritos Epidemiológicos PETB (DGV). Possível Causa Número de Explorações Introdução de animais (sem contactos) Introdução de animais (violação sequestro) Introdução de animais (com contactos) Contactos (pastoreio livre; explorações de contacto) Paratuberculose Transmissão humano-animal 5 1 1 3 1 1 Relativamente às medidas de controlo das explorações em estudo foram as descritas na revisão bibliográfica. Nas explorações em que houve animais reagentes à prova de rastreio recorreu-se ao isolamento dos mesmos e ao abate sanitário com posterior implementação de ciclos de reinspecções para retoma do estatuto, embora em duas delas optou-se pelo abate total. Nas explorações detectadas por surpresa de necrópsia é imposto um teste de rastreio imediato a todos os animais de idade superior a seis semanas. No caso de algum destes 100 animais reagir à prova da IDTC, o que ocorreu em três das explorações, é realizado o procedimento descrito anteriormente. Em duas das explorações optou-se pelo abate total embora não tenham apresentado animais reagentes após surpresa de necrópsia. Outras duas explorações apesar de apresentarem apenas um caso de surpresa de necrópsia, sem animais tuberculino reagentes posteriormente, continuam em sequestro para realização de ciclos de reinspecções. No total das 12 explorações suspeitas, duas recuperaram o estatuto, em quatro optou-se pelo abate total, numa considerou-se ser paratuberculose (embora nunca comprovado) e as restantes continuam em sequestro. Relativamente às explorações epidemiologicamente relacionadas, apenas uma recuperou o estatuto. 101 4.5. Discussão A implementação de sucessivos Planos de Erradicação da Tuberculose Bovina foram o elemento fulcral para a melhoria significativa do estatuto sanitário dos efectivos nacionais permitindo a Portugal atingir a fase de pré-erradicação da doença. No entanto, o objectivo primordial, que é a erradicação da mesma, tem sido difícil de alcançar o que continua a ser motivo de preocupação para as entidades oficiais e para os produtores devido à importância sanitária e económica desta enfermidade. Os resultados apresentados neste trabalho demonstraram a importância que as explorações infectadas inseridas na área de intervenção da DIV Vila Real têm na prevalência da doença na região de Trás-os-Montes e os principais factores de risco associados a estas explorações positivas que provavelmente conduziram ao aumento brusco dos indicadores epidemiológicos em 2010. Embora este estudo tenha possibilitado uma análise mais detalhada da realidade epidemiológica desta área relativamente à doença, bem como, concluir acerca de alguns pontos críticos ao PE vigente, não foi possível apontar uma causa definitiva da origem destes novos surtos do último triénio. Este estudo incidiu num total de 60 novas explorações positivas à TB entre 2008 e 2010 detectadas tanto por teste de rastreio oficial (IDTC) como por surpresa de necrópsia durante o abate normal e teve como objectivos caracterizar as mesmas e discutir hipóteses quanto à origem da infecção. A importância da prova de rastreio na DIV de Vila Real O PETB é aplicado na integridade nas explorações bovinas localizadas nos concelhos abrangidos pela DIV de Vila Real. Para o último triénio foi avaliado o modo de detecção da doença de forma a analisar a eficácia de cada uma das ferramentas de vigilância, a prova de campo (IDTC) e o matadouro. Segundo o actual PE, o teste da intradermotuberculinização é realizado em todos os efectivos (excepto as explorações de engorda e acabamento) anualmente, sendo a idade de realização dependente da percentagem da média de efectivos confirmados como infectados (T2.1) nos últimos dois anos na área/DIV de inserção desses efectivos. Estão excluídas as explorações de engorda e acabamento devido ao facto destas explorações só receberem animais de explorações oficialmente indemnes (T3) com testes de pré-movimentação, para além de estes animais terem apenas como único destino o abate (6DGV, 2009). De acordo com o Relatório Técnico relativo ao PETB para a área de intervenção da DIV de Vila Real, considerando apenas animais positivos à prova da IDTC, a prevalência e a incidência da doença em explorações positivas teve uma ligeira descida entre 2008 e 2009, 102 no entanto, sofreu um aumento abrupto em 2010. Quanto à prevalência da doença nos animais tem vindo a aumentar desde 2008, embora com maior destaque em 2010. Para o período de estudo considerado foram detectadas 44 explorações infectadas através do teste de rastreio. O concelho mais afectado pela doença no triénio, ao nível do número de explorações foi Vila Real logo seguido pelo concelho de Boticas enquanto que o maior número de animais positivos foram identificados no concelho de Vila Real e Montalegre. Caracteristicamente, todas as explorações infectadas possuem efectivos de pequenas dimensões em sistema extensivo (à excepção de duas), atendendo ainda que três das explorações possuiam outras espécies domésticas, nomeadamente ovinos e caprinos. Embora, a importância de determinadas espécies domésticas na transmissão da doença aos bovinos não esteja devidamente comprovada é considerado factor de risco o contacto frequente destas com os bovinos, sendo mais preocupante os caprinos e os suínos, embora actualmente esta última espécie seja produzida essencialmente de forma intensiva (Humblet et al., 2009). No entanto, os caprinos têm sido objecto de estudo pelo facto do M.caprae, que tem como principal hospedeiro esta espécie, já ter sido isolado em bovinos (Duarte et al., 2008). No âmbito do PETB, o isolamento deste agente confirma a doença nos efectivos bovinos. Em seguimento das políticas do PE foram enviados para abate 106 animais positivos de 44 explorações diferentes com adição de 140 animais coabitantes (animais por desmamar ou relativos a abate total). Entre os animais positivos à prova da tuberculina apenas 4 apresentaram lesões típicas de tuberculose indicando provavelmente estádios de infecção precoce nos outros animais. Os exames laboratoriais (histopatologia e bacteriologia) só são preconizados em animais pertencentes a explorações T2 ou quando existe lesões visíveis em explorações T2.1. Foi apenas conhecido a recolha de amostras a 70 destes animais positivos à prova da IDTC (nos resultados apresentados não foram contabilizados os casos com recolha mas exame laboratorial negativo), dentro dos quais 12 não foram isoladas micobactérias do Complexo Mycobacterium tuberculosis mas apresentavam lesões típicas à histopatologia e 4 não apresentavam lesões características de tuberculose ao exame histopatológico mas onde foram isoladas o agente. Tal pode simplesmente estar associado com más amostras relativamente ao corte ou à conservação ou aos métodos aplicados no diagnóstico laboratorial, como a descontaminação da amostra que leva muitas vezes à destruição de bacilos dificultando o isolamento do agente (Wards et al., 1995; OIE, 2009). Assim, concluiu-se que a prova da tuberculina foi sensível em 74,1% dos animais testados, no entanto, apresentou um número considerável de animais duvidosos em 2010, que posteriormente, na segunda testagem apresentaram resultado negativo. Contudo, não foi possível determinar o número de falsos-positivos relativamente a animais positivos à prova da tuberculina mas com exame laboratorial negativo, ou seja, que não apresentaram lesões histopatológicas nem isolamento do agente, o que poderá estar relacionado com diferentes causas, como, por exemplo, infecções cruzadas com micobactérias ambientais (de la Rua Domenach et al., 2006). 103 A importância da vigilância em matadouro na DIV de Vila Real Paralelamente a este método de vigilância, encontra-se a inspecção sanitária post mortem que detectou 25,9% dos casos de tuberculose bovina na DIV de Vila Real, o que representa 18,9% dos casos surpresa de necrópsia a nível nacional (179 para o triénio). Assim, no último triénio foram emitidas 41 DDOs por suspeita de lesões de tuberculose ao abate normal ou abate sanitário de outras doenças, de animais pertencentes à área de intervenção da DIV de Vila Real, das quais 34 foram confirmadas laboratorialmente como TB. Estes valores demonstram por si só a importância da vigilância em matadouro como complemento do PE através da identificação de animais infectados mas não detectados pela prova de rastreio, garantindo assim, para além da não entrada no mercado de carne insalubre, a limitação da doença através do rastreamento da exploração de origem do animal de forma a descobrir e debelar a origem da infecção. Os concelhos de Vila Real e Montalegre foram os que apresentaram o maior número de animais surpresa de abate com confirmação laboratorial para o triénio, com 15 e 13 casos respectivamente. Este resultado é coerente, relativamente ao concelho, com os resultados da prova da IDTC, em que a mesma região (Vila Real) apresenta as maiores taxas de animais positivos, demonstrando forte disseminação da doença. Em 33 dos casos isolou-se o agente típico da TB, o M. bovis e houve um caso de isolamento de M. tuberculosis. Ficou demonstrada um certa tendência do surgimento da doença em animais do sexo feminino de idade mais avançada, embora os estudos existentes não sejam coerentes em relação a estes duas características como factores de risco, sendo mais provável que esteja relacionado com os sistemas produtivos em que as fêmeas atingem uma idade mais avançada associado com as fases de reprodução e aleitamento (Humblet et al., 2009). Embora, em estádios finais da erradicação da doença, o número de casos detectados em matadouro tende a aumentar, associado ao aparecimento de animais falsos-negativos aos testes de rastreio (Collins, 2006) o aumento de número de casos principalmente no ano de 2010 é verdadeiramente alarmante e acusa alguns pontos críticos ao PE. Tais aumentos podem ser explicados por alterações na potência ou composição das novas tuberculinas, o que pode diminuir a sensibilidade da prova (1Cunha et al., 2011; DGHC, 2010) ou com a perícia dos inspectores sanitários que foram intensivamente estimulados com formação contínua na área, ao longo dos últimos anos (1Cunha et al., 2011). No entanto, em 2010 verificou-se que em três das explorações o achado de necrópsia ocorre no prazo máximo de 15 dias após prova de rastreio negativa. Tal realidade pode ser explicada por falhas de sensibilidade do teste de diagnóstico ou pela existência de irregulariedades na execução da prova de rastreio. Diversos factores relacionados directa (falta de experiência ou de profissionalismo) ou indirectamente (deficiente contenção dos animais, equipamento defeituoso) com o 104 operador, durante os procedimentos de administração e leitura, podem conduzir a resultados não fidedignos. Falhas associadas directamente ao procedimento de administração da prova são: a não realização da tricotomia, a injecção de pouca quantidade de tuberculina, a injecção subcutânea em vez de intradérmica, pontos de inoculação não suficientemente espaçados, a utilização de tuberculina fora de validade ou exposta a luz e calor por longos períodos de tempo. As irregulariedades relacionadas com a leitura prendem-se com erros na medição da prega de pele (não medição ou medição da prega de pele depois da inoculação), na identificação do animal testado, na leitura dos resultados fora do tempo recomendado (72 +/- 6 horas após a inoculação) e ainda, dificuldade na interpretação dos índices e desvalorização de reacções pequenas (de la Rua Domenach et al., 2006; Palmeiro, 2010). Nos casos retratados neste estudo não se pode indicar falhas na cobertura (apesar da cobertura das explorações inseridas na DIV Vila Real não ser total), pois todos os animais apresentavam último saneamento no mesmo ano ou em anos anteriores (mas dentro do período estabelecido pelo PE). A diminuição da sensibilidade à prova, que também contribui para o aumento de falsosnegativos, pode estar relacionada com utilização da mesma em infecções recentes (o desenvolvimento da hipersensibilidade tardia ocorre entre 3 a 6 após a exposição ao M. bovis) ou com incumprimentos nos intervalos de testagens bem como, com fases avançadas da doença que pode provocar anergia ou imunosupressão associadas ao pré e pós-parto, administração de córticos ou outras doenças (de la Rua Domenach, 2006; Quinn et al., 2011). No entanto, associado com a baixa sensibilidade deste método, verificaram-se ainda sete casos de suspeita de necrópsia com lesões típicas, embora laboratorialmente os resultados demonstram a presença de outras doenças. Todavia, este é um ponto positivo que demonstra o profissionalismo dos Inspectores Sanitários face à doença, uma vez que no âmbito do PE é aconselhado o envio para análise de todas as lesões com determinadas características (Parra et al., 2008; DGHC, 2010). Análise Global do Triénio para a DIV de Vila Real Assim, na área de intervenção da DIV de Vila Real para o triénio de 2008-2010 verificouse um universo de 60 explorações positivas detectadas por teste de rastreio e por surpresa ao abate. Atendendo a este quadro observa-se um agravamento dos indicadores epidemiológicos para esta região, com o seu pico em 2010 indicando valores de 1,66 e 1,45 de prevalência e incidência de explorações positivas, respectivamente. As explorações em estudo são todas de animais de aptidão para a produção de carne, sendo o principal sistema de produção do tipo extensivo com valores de encabeçamento relativamente reduzidos. A caracterização das explorações em estudo demonstrou que se trata na sua maioria de explorações com reduzido número de animais, 79% tem menos de 15 animais. Estas pequenas explorações são a subsistência de muitos núcleos familiares, 105 portanto a introdução da doença nestes efectivos de reduzidas dimensões pode ter consequências muitos graves na sobrevivência destes produtores pecuários. Embora, seja Montalegre, o concelho com maior número de animais, maior número de explorações e maior dimensão média de efectivo bovino por exploração, todos estes factores que potenciam o contacto entre os animais e a disseminação da infecção nas explorações, é o concelho de Vila Real que apresenta o maior número de animais e explorações positivas, ou seja, este concelho apresenta 20 explorações positivas com 70 animais positivos no total. Tal, pode ser explicado pela forte movimentação animal de e para a freguesia da Pena, que posteriormente foi tratada como uma Unidade Epidemiológica pela detecção de um grande número de animais infectados, bem como pela partilha de factores de risco entre as explorações da freguesia. Para além disso, Vila Real apresenta o maior número de explorações (5) com três ou mais animais infectados o que demonstra algum grau de disseminação da doença dentro da mesma exploração. As diferenças no número de animais positivos por concelho e entre explorações poderá estar associado à proximidade e contacto directo ou indirecto com a fonte de infecção: se directo, pode relacionar-se com à área disponível per capita (menores encabeçamentos reduz os contactos e consequentemente a disseminação da doença) e com medidas de maneio adoptadas na exploração (o pastoreio comum aumenta os contactos entre animais de diferentes proveniências); se indirecto, as medidas de maneio têm também um grande peso (rotação de pastos frequente diminui contacto com excreções contaminadas; o espalhamento do estrume em terrenos não utilizados pelos animais). A análise da evolução da doença ao longo do triénio demonstrou que a maioria das explorações teve a doença num único ano, embora seja uma afirmação controversa, uma vez que a maioria dos casos ocorreu em 2010, pelo que não saberei se apresentarão casos no futuro. No entanto, a ocorrência de casos na mesma exploração em dois ou três anos consecutivos demonstra o poder de transmissão do agente e a difícil erradicação do mesmo quando imposto num efectivo. Num único caso, a doença ocorreu em dois anos não consecutivos o que pode indicar estado de latência do agente, novas fontes de infecção ou simplesmente comportamentos de risco por parte do detentor. Após detecção do foco de tuberculose, as explorações em causa iniciaram os respectivos ciclos de saneamento com vista à recuperação do estatuto T3, no entanto este é um processo que varia em termos de duração pois, está dependente do cumprimento e eficácia das medidas impostas e do grau de disseminação da doença. Tal, é demonstrado pelos resultados em que algumas explorações alcançaram os objectivos mais rapidamente que outras, tendo em conta que a maioria encontra-se ainda em processo de saneamento. O facto de não ter ocorrido nenhuma recorrência da doença demonstra eficácia na sua eliminação embora, apenas 15 explorações recuperaram o estatuto oficialmente indemne, o que demonstra mais uma vez a dificuldade de remoção completa do M. bovis de um efectivo. 106 Análise dos Inquéritos Epidemiológicos Através da análise dos IE foi possível verificar os factores de risco mais importantes nas explorações inseridas na área de intervenção da DIV de Vila Real. A realização de IE após detecção da doença em efectivos pela prova de rastreio, surpresa de necrópsia ou por suspeita de incumprimentos é parte integrante do PE. O principal objectivo deste é verificar se a infecção foi introduzida numa exploração via bovinos infectados, embora também permita pesquisar quais os factores de risco associados à transmissão da doença naquele efectivo ou naquela área epidemiológica bem como, as explorações animais epidemiologicamente relacionadas com aquela em que a infecção foi revelada. Tal, se realizado de forma célere e rigorosa pode permitir uma acção preventiva muita mais eficaz e até ajudar a compreender a epidemiologia da doença naquela zona. No entanto, este é um mecanismo laborioso que devido ao grande número de casos exige recursos humanos em número considerável e que ao nível da DIV de Vila Real não estão disponíveis. Assim, normalmente em caso de infecção ou suspeita num efectivo são tomadas medidas de profilaxia imediatas, como o sequestro e isolamento dos animais suspeitos, com posterior abate sanitário dos mesmos, porém o IE fica em segundo plano. Muitas vezes, o resultado destes inquéritos revela-se inconclusivo, podendo tal, estar relacionado com incoerências nas informações fornecidas pelo proprietário da exploração, pela dificuldade de análise dos factores de risco (é muito difícil comprovar numa exploração isolada se existe contactos com outros bovinos ou outras espécies) ou pela necessidade de realização de diversos IE a explorações epidemiologicamente relacionadas que podem ou não pertencer à área de intervenção daquela DIV. Em certas situações, uma provável origem da doença destaca-se, contudo por questões financeiras e logísticas não é possível confirmá-la laboratorialmente, recorrendo por exemplo, às técnicas de análise molecular das estirpes envolvidas. Assim, após a avaliação da situação pelo MVO, pode ser recomendado ciclos de reinspecções para recuperação do estatuto ou o abate total do efectivo, para além de medidas de higiene profunda de equipamentos e instalações. Da análise dos IE disponíveis, concluiu-se que em sete das explorações, após a análise de todos os factores de risco, a origem mais provável da infecção deveria estar na movimentação de animais pela introdução de bovinos, embora todas as explorações apresentassem testes de pré-movimentação negativos (considerando que só é avaliado o período referente aos 12 meses anteriores à suspeita, o que pode ser insuficiente) e reinspecções consequentes aos efectivos de origem também negativas, considerando-se, portanto, a origem da doença incerta, excepto num caso em que foi comprovado a violação do sequestro. À excepção desta última em que existem contactos frequentes com outros animais, todas as outras explorações ou produziam em sistema intensivo ou extensivo com pastoreio limitado e não apresentavam explorações de contacto. É também de notar que em 107 certos casos, o animal movimentado para a exploração denunciada como infectada transitou em algum momento por explorações inseridas na Unidade Epidemiológica da Pena. Esta Unidade Epidemiológica foi criada no final de 2008 pelo facto de um conjunto de explorações partilharem os mesmos factores de risco que compreendem contactos muito próximos proporcionados pelo pastoreio comum, facilitando a disseminação da doença. Engloba oito explorações pertencentes à freguesia da Pena no concelho de Vila Real, cinco das quais inseridas no universo deste estudo. O objectivo desta decisão foi sanear todas as explorações como se de uma se tratasse, ou seja, o sequestro é imposto a todas e apenas é retirado quando todas as explorações apresentarem resultados negativos nos intervalos de tempo definidos. O abate total de uma unidade epidemiológica pode ocorrer quando, na sequência da aplicação das medidas convencionais, não se observa uma evolução positiva em relação ao controlo da doença e exemplo de tal foi a Unidade da Pena, na qual se acabou por optar por esta medida mais drástica. Seguidamente, a causa de infecção mais frequente, apresentada em três das explorações, foi baseada nos contactos que os animais dessas explorações mantêm com animais de outras proveniências, através do pastoreio livre em montanha (transumância), do pastoreio comum ou com explorações contíguas. Numa outra exploração foi finalmente descortinado que a causa não era a tuberculose mas provavelmente a paratuberculose e numa outra, a fonte de infecção do bovino foi o próprio detentor, tendo sido isolado deste animal M. tuberculosis, embora neste agente não sejam ainda conhecidas implicações epidemiológicas e patológicas graves para os bovinos (Michel et al., 2010) A paratuberculose tem sido estudada mais aprofundadamente pela preocupação que certos estudos demonstraram na sua capacidade de diminuir a sensibilidade na prova do interferão-gamma (IFN-γ) quando a co-infecção está presente (Alvarez et al., 2009).Esta foi uma exploração problemática pela constante aparecimento de animais reagentes à prova da IDTC mas sempre com resultados laboratoriais negativos. Deste modo, considerou-se a hipótese de paratuberculose, embora nao tenham sido preconizados exames para o comprovar uma vez que, posteriormente, a fonte que provocava a reacção de animais à prova da IDTC desapareceu e a exploração foi infectada por leucose. Assim, pode assumir-se que a maioria dos casos de transmissão da doença em explorações inseridas na área de intervenção da DIV de Vila Real é devido a contactos (promovidos de diferentes formas) entre bovinos de diferentes proveniências. Tal é corroborado por diversos estudos, nomeadamente o estudo nacional que compreendeu a análise de todos os IE disponíveis para o ano de 2009 e 2010 (1Fonseca, 2010), indicando como factores de risco mais importantes na transmissão da doença, o facto dos animais de uma exploração manterem contactos mais ou menos próximos com bovinos de outras explorações (através das vedações, nos pastos ou pela introdução de novos animais), com outros animais domésticos (detenção na mesma exploração, através de vedações ou por meio de eventos agropecuários) ou ainda com espécies silvestres (através de vedações, pastoreio livre, transumância) (Humblet et al., 2009). 108 Neste estudo, verificou-se que são várias as causas que influenciam directamente os contactos entre animais, nomeadamente, o sistema de produção (intensivo ou extensivo) (Kaneene et al., 2002), o tamanho do efectivo, as medidas de maneio adoptadas (regime da exploração e maneio em grupos) e de biossegurança da exploração (vedações, condições de isolamento, testes de pré-movimentação) bem como, a movimentação (introdução e saída) de animais (Goodchild e Clifton-Hadley, 2001). Os efectivos avaliados variavam entre 9 e 76 animais e a grande maioria praticava maneio em grupos (12 explorações), este pode ser um factor de risco importante uma vez que proporciona contactos entre animais de idades diferentes em que um mais velho pode manter a doença em estádio latente e transmiti-la aos outros animais em fases posteriores. Apesar de encabeçamentos médios reduzidos, o número de hectares por animal também é reduzido promovendo a proximidade, tanto nos casos de sistemas intensivos como nos casos de pastoreio limitado. Sempre que é detectado um animal suspeito este deve ser isolado dos restantes até ao abate sanitário que pode levar até 30 dias, existindo o objectivo de em 2011 reduzir este prazo em 15 dias em 75% dos casos, uma vez que estes animais poderão ser fonte do agente para outros animais, para o ambiente e para o pessoal que lida com o animal (8DGV, 2011). Todas as explorações consideradas possuíam condições entre boas a excelentes para o isolamento de animais suspeitos não actuando esta característica como factor de risco na transmissão da doença. Das explorações inquiridas, 3 apresentam sistema de produção intensivo e 12 sistema de produção extensivo, entre as quais, 6 em regime de pastoreio e 7 em regime misto, embora o pastoreio represente cerca de 80% nestas últimas. Entre as explorações que praticam o regime de pastoreio ou misto (13 explorações), em sete destas trata-se de pastoreio livre em montanha (transumância) ou em terrenos baldios comunitários (pastoreio comum) enquanto que nas restantes o pastoreio é limitado a uma área privada e em alguns casos encontrando-se os pastos vedados. Normalmente, os sistemas de produção intensivos onde os animais estão estabulados proporciona um aumento de contactos e disseminação da doença (Humblet et al., 2009) por via aérogena (Menzies e Neill, 2000) e esta é geralmente introduzida no efectivo pela aquisição de animais doentes. Nas três explorações com sistema intensivo, um dos casos foi o da aparente paratuberculose, enquanto que nos outros dois casos a origem da doença mantém-se incerta, embora o único factor de risco presente foi a introdução de animais, contudo com testes de pré-movimentação com resultados negativos. O sistema de produção extensivo embora defina os contactos entre bovinos dentro da mesma exploração também pode ser responsável pelos contactos entre animais de outras explorações e reservatórios selvagens, bem como entre bovinos e fontes ambientais. Assim, verificou-se que os contactos entre bovinos de diferentes proveniências era bastante frequente e tal era proporcionado por um lado pela prática de pastoreio comum ou da transumância (em 7 das explorações), por outro lado, a maioria das explorações inquiridas 109 possuia explorações contíguas (9 das explorações), podendo os contactos ocorrer através de vedações e caminhos partilhados. A prática de transumância muito típica desta região é outro factor de risco importantíssimo, pois, além de promover contactos entre bovinos de diversas proveniências permite também contacto com outras espécies domésticas (cabras) ou silváticas (javalis, cabras selvagens). Os contactos com espécies silváticas podem ser proporcionados em momentos de escasseio de alimentos e água que conduz à aglomeração de diferentes animais num mesmo ponto, disseminando a doença entre si e mesmo para o ambiente pela utilização, por exemplo de fontes de água estagnadas ou de curso lento. Mesmo no caso de pastoreio limitado, se não existirem barreiras eficazes, algumas espécies silváticas, como os javalis, conseguem forçar a entrada em busca de alimento (de Mendoza et al., 2006; Humblet et al., 2009). Alguns dos detentores inquiridos revelaram a possibilidade de contactos com javalis e na maioria das explorações, tal seria possível pela inexistência de impedimentos à sua entrada ou pela prática da transumância, no entanto, não existem estudos que comprovem esta interacção da doença entre bovinos e javalis nesta região. Nas explorações em que o sistema de exploração é intensivo, ou extensivo sem prática de pastoreio comum e sem explorações de contacto, a transmissão da doença é na maioria das vezes proporcionada pela movimentação de animais. Assim, a movimentação animal é também um factor de risco que potencia contactos de animais de diferentes proveniências, embora no caso de introdução de animais actualmente esteja minorizado pela imposição dos testes de pré-movimentação (um bovino com mais de 12 meses só pode ser deslocado para outra exploração T3 se apresentar reacção negativa a uma IDTC realizada 30 dias antes da sua saída do efectivo de origem). Das explorações inquiridas, três apresentaram casos de tuberculose bovina nos últimos cinco anos, o que por si só já é um factor de risco importante, uma vez que pode estar associado com a manutenção da doença nos pastos, em algum animal (forma latente) ou associado a comportamentos de risco tomados pelo detentor (introdução de animais sem testes de pré-movimentação, utilização de pastos infectados, entre outras). Outros factores de risco de menor importância estão associados com o ambiente (fontes de água; utilização de pastos contaminados; utilização dos estrumes) e as condições higiénicas da exploração (limpeza e desinfecção e partilha de equipamentos). Dos inquéritos analisados a maioria das explorações utilizam água da rede pública embora esta permaneça em tanques ou banheiras nos pastos (água estagnada) e logo a seguir a utilização mais frequente de águas superficiais (ribeiros, regos) para o abeberamento dos animais, associado aos sistemas de produção extensivos. Outra questão bastante importante é a utilização dos estrumes e camas dos animais. A maioria das explorações distribui estes materiais em terrenos agrícolas adjacentes sendo a entrada dos animais impedida, embora possa ocorrer acidentalmente, no entanto, uma exploração afirmou utilizá-los nos pastos dos animais o que pode actuar como fonte de infecção. Quanto às condições higiénicas no geral foram classificadas como suficientes, porém ainda existe uma realidade relevante que é a partilha de equipamentos (6) entre explorações infectadas e não infectadas. 110 Embora poucos IE reconheçam a origem definitiva da doença ficou demonstrada a importância da forma típica de criação de bovinos nesta região que promove contactos frequentes entre animais de diversas proveniências, por diferentes formas, propiciando a disseminação da doença. Existe, porém, uma questão importante a resolver ao nível da epidemiologia nas espécies silvestres pois, alguns IE referem possíveis contactos com javalis ou cabras selvagens mas não existem estudos nesta região que comprovem a transmissão interespecífica (javali, cabras selvagens, raposas, texugos) embora, os contactos entre estas espécies sejam totalmente possíveis associados precisamente ao tipo de sistema de produção. Seria também interessante ter mais IE disponíveis a nível local e nacional, para comparação das possíveis fontes de infecção e verificar a relação destas fontes com as diferentes regiões. Assim, estes novos focos trazem consequências negativas ao Plano de Erradicação, tanto ao nível da produção pecuária, pois possibilitam a disseminação e perpetuação de uma doença altamente infecciosa que provoca importantes baixas nos efectivos e limita o comércio dos animais e seus produtos, para além de provocar algum constrangimento social às comunidades rurais mais orgulhosas nos seus animais. Embora o oposto também se verifique, ou seja, o desleixo em relação à doença por parte de alguns criadores por considerarem uma enfermidade do passado. Impactos brutais desta enfermidade são também as consequências económicas derivadas dos avultados gastos contínuos em saneamento e indemnizações, bem como a saúde pública em geral pelo risco aumentado da doença ser transmitida aos detentores dos animais pelo contacto frequente que têm com eles, bem como, o risco de transmissão a todos os intervenientes que trabalham directa ou indirectamente na exterminação da doença (veterinários, magarefes, transportadores, entre outros). 111 CAPÍTULO V – CONCLUSÕES 5.1. No Contexto Regional (Divisão de Intervenção Veterinária de Vila Real) Assim, conclui-se que na área de intervenção da DIV de Vila Real, a prevalência e incidência da doença sofreu o maior aumento em 2010, tendo como principal responsável o concelho de Vila Real. Demonstrou-se também a importância da ocorrência da doença nesta DIV para a prevalência da TB na região de Trás-os-Montes. Verificou-se que os factores de risco mais frequentemente apontados nestas explorações são a introdução de novos animais e os contactos mantidos com bovinos de outras proveniências, associado fortemente ao tipo de produção pecuária existente nesta região, embora a origem da infecção na maioria das explorações continue incerta. Sumariamente, existe uma certa tendência nas explorações que praticam o regime de pastoreio livre, a doença ser transmitida por contactos com outros bovinos enquanto que, nas explorações em que o pastoreio é limitado ou não existe, associado também à não existência de exlorações contíguas, a trasmissão da doença ocorrer por introdução de animais. No entanto, seria importante a realização de todos os inquéritos epidemiológicos em falta, de forma a promover uma boa investigação dos casos detectados e determinar realmente os factores de risco mais relevantes nesta região, para as medidas de controlo do PE serem dirigidas nesse sentido. A vigilância em matadouro demonstrou ser efectiva nesta área embora o crescente aumento de surpresas de necrópsia no triénio possa estar associado a diferentes causas. O grande número de duvidosos em que à segunda testagem resultaram em negativos bem como o crescente número de surpresas de necrópsia devem ser considerados para avaliar a sensibilidade da prova de rastreio actual. O referido estudo retrospectivo também demonstrou indícios de erro humano que deverão ser avaliados. Uma interpretação mais estrita da prova deverá ser considerada ou mesmo o recurso a novas provas de diagnóstico. Importante seria também, investigar concretamente o papel das espécies silváticas na região Norte (javali, raposa, texugo), uma vez que não existem estudos da importância destas espécies na transmissão da doença nesta zona do País, bem como da transmissão do M. caprae pelos caprinos, pois poderá vir a ser motivo de preocupação. Foi demonstrado um caso raro de infecção de um bovino por M. tuberculosis com fonte de infecção mais provável o próprio detentor. A obtenção da indemnidade desta região é uma questão sensível e de difícil alcance associado à própria estrutura típica de criação de animais (pastoreio comum e transumância). Provavelmente a erradicação da doença nesta região terá de passar por medidas drásticas, nomeadamente por abates sanitários totais, esperando que a fonte da doença não se encontre em espécies silvestres ou no ambiente, ou pela reestruturação 112 completa da forma de produção de bovinos desta região, passando pelo impedimento de pastoreio comum e da transumância. 5.2. No Contexto Nacional A nível nacional existe a possibilidade da Tuberculose Bovina ser uma doença reemergente, tendo como responsáveis, principalmente, as regiões do Alentejo e Norte. Importa portanto unir esforços para que todo um trabalho até agora desenvolvido e todo um esforço financeiro realizado não seja derrubado. Assim, torna-se fundamental a realização de estudos epidemiológicos aprofundados acerca das possíveis fontes de infecção, o melhoramento das estratégias até agora implementadas, a consideração de novos métodos de diagnóstico e principalmente despertar novamente os produtores pecuários para esta realidade. Na vertente dos estudos epidemiológicos seria muito importante a pesquisa exaustiva das fontes de infecção mais ou menos frequentes a nível local, regional e nacional através da realização e análise de mais inquéritos epidemiológicos e recorrendo às inovadores técnicas moleculares. Algumas correcções aos IE deveriam ser consideradas como a distinção da característica pastoreio comum e transumância uma vez que pode indicar diferentes fontes de infecção bem como, o alargamento da data de análise relativamente aos testes de prémovimentação de animais introduzidos. A questão da transmissão interespecífica deve ser verdadeiramente analisada pelo risco que implica para as explorações indemnes e ponderada a criação de uma comissão responsável pela vigilância da doença nos reservatórios selvagens, bem como, a implementação de medidas de controlo com carácter obrigatório. Como reforçado pela Task Force todas as fontes de infecção devem ser consideradas, portanto, é fundamental a identificação em medicina humana da espécie envolvida nos casos de tuberculose, pois pode significar a manutenção do agente. A troca de informação entre entidades deverá ser mais efectiva e célere, desde o correcto e completo preenchimento de documentos requisitados até à recepção de resultados e imposição de medidas. A sensibilização dos produtores pecuários para a doença e para o seu controlo também faz parte do sucesso do PE, uma vez que o não aparecimento de sinais clínicos, a invisibilidade da quebra da produção (pela ocorrência de single-reactors ou pelo próprio tipo de produção com abate muito cedo dos animais), bem como os custos associados ao saneamento dos efectivos, leva a facilitismos por parte dos detentores. O dever de proteger a pecuária nacional torna peremptório conquistar novamente a confiança do produtor pecuário em relação ao meios utilizados no diagnóstico e combate à doença. Assim, deverá ser considerada a utilização das técnicas moleculares associadas a sistemas de informação geográfica, como medidas do PE, com o objectivo de melhor compreender a epidemiologia da doença e obter resposta a tantos inquéritos epidemiológicos inconclusivos. 113 O desenvolvimento de ferramentas diagnósticas e de controlo mais específicas, por exemplo, para detecção de animais anérgicos e em estado de latência serão decisivas na eliminação do agente. É também importante promover a formação dos produtores pecuários mais novos em áreas como sanidade e saúde pública para obter uma participação mais activa e de cooperação por parte dos grandes intervenientes da pecuária. Assim, ficou demonstrado que a Tuberculose Bovina continua a ser uma fragilidade sanitária dos efectivos bovinos em Portugal Continental e associado à forte crise económica que se avizinha para o sector, podendo ser prejudicial para as questões da sanidade animal, todos os esforços por parte dos intervenientes directos e indirectos neste processo devem ser impulsionados para combater a doença em contra-relógio. 114 CAPÍTULO VI – REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Aagaard, C., Govaerts, M., Meikle, V., Gutiérrez-Pabello, J.A., McNair, J., Andersen, P., Suárez-Güemes, F., Pollock, J., Espitia, C. e Cataldi, A. (2010). Detection of bovine tuberculosis in herds with different disease prevalence and influence of paratuberculosis infection on PPDB and ESAT-6/CFP10 specificity. Preventive Veterinary Medicine, 96: 161-169. Abalos, P. e Retamal, P. (2004). Tuberculosis: una zoonosis re-emergente? Rev. sci. tech. Off. int. Epiz., 23 (2): 583-594. 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Decreto-Lei N.º 142/2006 de 27 de Julho. Diário da República nº 144, I Série. Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas. Lisboa. Directiva 64/432/CEE do Conselho de 26 de Junho de 1964. Jornal Oficial nº 121. Conselho da Comunidade Económica Europeia. Bruxelas. Portaria N.º 205/2000 de 05 de Abril. Diário da República nº 81 - I Série – B. Portaria N.º 789/1973 de 13 Novembro. Diário da República nº 265 - I Série. Regulamento (CE) 853/2004 do Parlamento Europeu e do Conselho de 29 de Abril de 2004. Jornal Oficial da União Europeia nº L 139. Parlamento Europeu e Conselho da União Europeia. Estrasburgo. Regulamento (CE) N.º 854/2004 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 29 de Abril de 2004. Jornal Oficial das Comunidades Europeias nº L 226. Parlamento Europeu e Conselho da União Europeia. Estrasburgo. Para a realização deste trabalho foram gentilmente cedidos variados dados oficiais da DGV, nomeadamente, relatórios técnicos do plano de erradicação da Tuberculose Bovina, listagens de diversos dados (animais, resultados laboratoriais, resultados à prova de rastreio), comunicações de suspeita ao abate, inquéritos epidemiológicos e imagens, retirados do PISA.net, SmartDocs e SNIRA. 133 CAPÍTULO VII – ANEXOS Anexo 1 – Condições para a subida e descida de estatuto sanitário de um efectivo, de acordo com o Plano de Erradicação da Tuberculose Bovina. Fonte: 8DGV, 2011. Anexo 2 – Sequência de informações utilizadas na identificação de uma ocorrência de Tuberculose Bovina A. Declaração de Doença Obrigatória (DDO) DOENÇAS DE DECLARAÇÃO OBRIGATÓRIA COMUNICAÇÃO DE SUSPEITA DE D.D.O. MATADOURO_____________________ Nº APROV P ___-____ CE____________, 06 de Setembro de 2010. Para efeitos do cumprimento da obrigatoriedade da comunicação de casos suspeitos ou confirmados de qualquer das doenças de declaração obrigatória, disposta no artigo 1º do Decreto lei nº 39:209 de 14 de Maio de 1953 e artº 4º do Dec. Lei nº 202/91 de 5 de junho relativos às doenças de comunicação obrigatória à DGV e à Comissão, respectivamente, comunica-se que foi nesta data, 1 pelas ______ horas, durante o exame ante/ post-mortem , efectivada a suspeita da doença: ____________________________, nº _____ Mod.760/01 -052011 Espécie Nº animais suspeitos Nº de animais do lote Raça Código da exploração de origem Nome do último detentor Morada Idade aproximada dos animais Identificação individual dos animais (Bov. e Peq. Rum) Sinais clínicos observados: Lesões caseocalcárias nos gânglios brônquicos e mediastínicos B. Imposição do Sequestro Modelo 760/DGV – Folha de requisição de análises para amostras recolhidas em bovinos com suspeita de de tuberculose detectada em matadouro. C. Resultado da Reinspecção ao Efectivo Modelo 759/DGV - Folha de requisição de análises para amostras recolhidas em bovinos submetidos a abate sanitário por Tuberculose. D. Resultados Laboratoriais dos Animais Sujeitos a Abate Sanitário E. Alguns dados utilizados na realização do Inquérito Epidemiológico Modelo 758/DGV – Inquérito Epidemiológico