Educação & Oportunidade Uma publicação do Senac edição 5 - segundo semestre / 2013 Complete seu time o Senac prepara profissionais para o mercado de trabalho visando os grandes eventos esportivos Entrevista Necessidade de qualificação contínua Ensino Superior Prêmio Internacional de Produção Contábil Apresentação Compromisso com a Copa de 2014 Chegamos à quinta edição da revista Educação e Oportunidade comemorando o momento ímpar que o Brasil vivencia em sua história. Sem dúvida, o país está no centro das atenções no mundo, principalmente quando o assunto é futebol. Depois de sediar a Copa das Confederações, estamos em contagem regressiva para a Copa do Mundo da Fifa de 2014. O cenário não poderia ser melhor para o setor do comércio de bens, serviços e turismo. Milhares de turistas estrangeiros vão desembarcar por aqui com grandes expectativas e potencial para consumo. Mas é preciso saber receber esse público com excelência, por isso capacitação é a palavra de ordem neste momento. E o Senac está de portas abertas para que os empresários possam capacitar seus colaboradores, afinal somos referência em termos de qualificação profissional. Convidamos o leitor para saborear, nas páginas desta revista, as contribuições do Senac para o país da Copa. Nosso foco principal é qualificação de mão de obra para receber com padrão de excelência os turistas do mundo inteiro. Mas o objetivo não é ser referência apenas para a Copa do Mundo. Queremos ser reconhecidos como instituição inovadora na área educacional. No futuro, poderemos contemplar com orgulho o imenso legado de profissionais preparados para o mercado de trabalho. Desejo a todos uma ótima leitura! Luciano de Assis Fagundes Diretor Regional do Senac Educação e Oportunidade - 5 - 2013 3 Sumário 8 Aldo Rebelo fala à Educação e Oportunidade sobre a importância da capacitação e as novas oportunidades para o Brasil 22 4 Educação e Oportunidade - 5 - 2013 De olho nas oportunidades, o Senac oferece qualificação profissional para atender os grandes eventos internacionais 14 Sempre atento ao mercado, Senac lança cursos inovadores. Introdução ao Estudo da Cerveja Apresentação Compromisso com a Copa de 2014 03 Editorial Nossa contribuição para o país do futebol 07 Curtas 12 Artigo Ensino/Aprendizagem de Língua Inglesa no PRONATEC/COPA – EMPRESA: uma experiência colaborativa 16 20 Relatos de pesquisas Formação continuada Diamantina muito além das fronteiras 26 18 Técnico O instrutor e ex-aprendiz Ítalo Carvalho tem hoje a missão de ensinar, motivar e inspirar os alunos de Aprendizagem Comercial Viagens por terras e letras 28 Artigo TURISMO É BUSINESS: do conceito ao negócio 30 Artigo Mobilidade urbana e a Copa do Mundo 2014 no Brasil: os impactos do evento na transformação e melhoria do transporte de pessoas na cidade-sede de Belo Horizonte 34 Em Ação Ações para uma sociedade inclusiva 36 Aumentando o time 38 Aluno e professor do curso de Ciências Contábeis recebem prêmio internacional 32 Opinião Bola na Trave não Altera o Placar 39 Alunos Busca pela capacitação 40 Dicas 42 Educação e Oportunidade - 5 - 2013 5 Expediente Publicação semestral do Senac, instituição integrante do Sistema Fecomércio MG e Sindicatos. PRESIDENTE DO CONSELHO REGIONAL Lázaro Luiz Gonzaga DIRETOR REGIONAL Luciano de Assis Fagundes DIRETOR REGIONAL ADJUNTO Dimitri Lara de Oliveira SUPERINTENDENTE EDUCACIONAL INTERINO Francine Pena Povoa de Melo Reis SUPERINTENDENTE FINANCEIRO Jairo Gonçalves da Silva MEMBROS DO CONSELHO EDITORIAL Thaisa Almeida Galvão Pimenta Maria do Carmo Vidal Bastos Franciane Rodrigues Bretas Machado Vanilde Lopes Muniz Priscila Azevedo Batista Raquel Soares de Amorim Tiago da Costa Carvalho COLABORADORES Ana Roberta da Cruz Márcia Araújo Misson PROJETO GRÁFICO E EDITORIAL Prefácio Comunicação www.prefacio.com.br REDAÇÃO Marina Alves - (MG 09768 JP) Beatriz Maciel - (MG 18503 JP) REVISÃO E EDIÇÃO Ana Cristina de Faria Chaves DIAGRAMAÇÃO E PRODUÇÃO GRÁFICA Alex de Souza Carvalho FOTOS Fernando Machado/ Estúdio 53, Wérica Diniz, Assessoria Ministério do Esporte, Senac DN, Franciane Rodrigues, Alex de Souza, arquivo pessoal. IMPRESSÃO EGL Editores Gráficos Ltda As opiniões expressas nos artigos assinados são de estrita responsabilidade de seus autores. 6 Educação e Oportunidade - 5 - 2013 Francine Pena Povoa de Melo Reis Superintendente Educacional Interina do Senac Editorial Nossa contribuição para o país do futebol “A Pátria em Chuteiras.” A frase de Nelson Rodrigues, escritor, dramaturgo e jornalista brasileiro, e apaixonado por futebol, virou título de um de seus livros de crônicas sobre futebol e novamente vem à tona com a realização da Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014 aqui no Brasil, inclusive com jogos na capital mineira. O país é a bola da vez e se prepara para se destacar dentro e fora de campo no ano que vem. Estádios modernos foram construídos – incluindo a reforma do Mineirão, na Pampulha –, novos hotéis estão surgindo e muitas obras são realizadas pensando na mobilidade urbana. Mas não basta investir apenas em infraestrutura. Sabemos que não adianta termos o mais belo estádio do mundo, hotéis cinco estrelas e restaurantes renomados se não soubermos receber com qualidade os turistas estrangeiros. É preciso investir pesado na capacitação de profissionais que vão ter contato com esse público internacional, seja o taxista, a camareira, o garçom ou o policial militar. Nesse cenário, podemos dizer que o Senac em Minas marcou um gol de placa! Estamos desenvolvendo, desde 2010, com a Copa do Mundo da África do Sul, ações para contribuir com o país. Nesta edição da revista Educação e Oportunidade, a quinta que lançamos com muito carinho, trabalhamos justamente a importância da capacitação para receber um evento internacional de grande porte como a Copa do Mundo. Nossa matéria de capa revela as medidas que o Senac está realizando para contri- buir com o país, seja o portfólio diferenciado, que vai desde qualificação profissional à pós-graduação, parcerias com governos, adesão ao Pronatec Copa, entre outros. Na seção entrevista, o Ministro do Esporte, Aldo Rebelo, ressalta uma pesquisa que revela o quanto os turistas estrangeiros e nacionais ficam satisfeitos com a qualidade dos serviços e com a hospitalidade. Aldo considera que temos mão de obra qualificada, mas precisamos seguir capacitando os trabalhadores. Dessa forma, é fundamental a atuação do Senac na ampliação de programas de desenvolvimento profissional. Quando a bola rolar em junho de 2014, teremos a certeza de que contribuímos para a qualificação da mão de obra, para receber os cerca de sete milhões e meio de turistas estrangeiros previstos. E o que é melhor, teremos cumprido nossa missão de reescrever histórias e transformar nossa sociedade. Temos orgulho de capacitar profissionais para atender com competência as oportunidades de emprego que já surgiram e vão surgir até o evento internacional e de deixar um legado de bons profissionais que vão usufruir dessa herança depois da Copa do Mundo. Boa leitura! Educação e Oportunidade - 5 - 2013 7 Entrevista “Capacitação e novas oportunidades para o Brasil” Quem é José Aldo Rebelo Figueiredo é nascido em Alagoas, escritor e jornalista, formado pela universidade paulista Gama Filho. Com mais de 30 anos de trajetória política, tendo sido eleito seis vezes deputado federal pelo estado de São Paulo, Aldo ocupa, desde outubro de 2011, o cargo de Ministro do Esporte 8 Educação e Oportunidade - 5 - 2013 Entrevista Profissionais capacitados agora, além de se beneficiarem diretamente da Copa e das Olimpíadas, vão seguir usufruindo dessa herança. Responsável pela coordenação das ações dos órgãos do Governo Federal envolvidos na organização da Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014 e dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos Rio 2016, Aldo Rebelo falou à revista Educação e Oportunidade a respeito do crescimento gerado pela realização de grandes eventos no país e da necessidade de qualificação contínua da mão de obra para atendimento ao setor turístico. Além disso, o ministro também destacou quais as lições aprendidas com a Copa das Confederações e quais serão os benefícios e o legado deixados nas cidades que sediarão os próximos grandes eventos esportivos. Se tomarmos como exemplo a Copa das Confederações, qual setor carece de mais capacitação profissional e em que o Brasil ainda precisa se aprimorar nesse sentido? Pesquisas realizadas durante a Copa das Confederações com turistas estrangeiros e nacionais mostraram que as pessoas ficaram satisfeitas com a qualidade dos serviços e com a hospitalidade. O setor de prestação de serviços, os hotéis, restaurantes, a rede de transporte público, os receptivos de aeroportos, as estações de trens, os portos, são muito exigidos em grandes eventos. Já temos mão de obra qualificada nessa área, porém precisamos seguir qualificando os trabalhadores. Para isso, o governo federal mantém o Pronatec Copa, programa de qualificação de mão de obra. Além disso, os governos estaduais, o governo do Distrito Federal e as prefeituras também oferecem cursos de qualificação profissional. Os trabalhadores brasileiros estão bem preparados para oferecer bons serviços e produtos durante a Copa e as Olimpíadas, e isso também pode ser constatado fora dos períodos de grandes eventos. Quem vem ao Brasil, quase sempre volta. É claro que temos deficiências, como a prática de preços abusivos, ou a carência de trabalhadores que falem outras línguas, mas estamos trabalhando para superar essas dificuldades. Educação e Oportunidade - 5 - 2013 9 Entrevista Qual é a importância da oferta de capacitações pelo Sistema S (Senac, Sesi, Sesc) na qualificação profissional para atuação no mercado que atenderá às demandas dos grandes eventos esportivos? A ampliação de programas de qualificação profissional é sempre importante. Não só em função de grandes eventos que acontecem eventualmente no Brasil, mas como política permanente. A capacitação é parte fundamental do ciclo virtuoso que começa com a realização da Copa da FIFA e dos jogos A ampliação de programas de qualificação profissional é sempre importante. Não só em função de grandes eventos que acontecem eventualmente no Brasil, mas como política permanente. olímpicos e paraolímpicos. O Brasil terá uma enorme exposição com as transmissões dos jogos para o mundo inteiro. Cada turista que circular em nossas cidades com um telefone celular será um potencial divulgador do que vivenciar aqui. Além disso, os empresários serão os maiores interessados em ter mão de obra cada vez melhor para aproveitar esse ciclo virtuoso. Para a Copa do Mundo, o país precisa capacitar mais pessoas para atuar nos setores turísticos ou seria melhor qualificar os profissionais já empregados? Uma ação não exclui a outra. Precisamos aprofundar a qualificação de quem já está empregado e qualificar ainda mais pessoas para atender à demanda, que será crescente durante e depois dos grandes eventos. O que se pôde aprender com a realização da Copa das Confederações no Brasil? A realização da Copa das Confederações só reafirmou a importância do planeja- 10 Educação e Oportunidade - 5 - 2013 mento e do cumprimento de prazos estabelecidos nos cronogramas. Quanto mais cedo se termina uma obra, quanto mais gente se especializa com antecedência, mais testes prévios podem ser feitos. Na Copa das Confederações tivemos jogos em seis estádios. Dois estádios foram entregues no prazo pré-estabelecido, quatro tiveram atrasos. Nestes, não houve tempo para a realização de testes. Entre as principais queixas dos entrevistados nas pesquisas feitas durante aquele torneio estavam a qualidade e os preços dos serviços nos estádios. Houve falta de produtos, preços elevados, demora no atendimento. Com mais prazo, esses problemas poderiam ter sido evitados. Quais marcos ainda são considerados críticos para a realização de grandes eventos esportivos no Brasil? Não há marcos críticos. Em junho e julho tivemos a Copa das Confederações e a Jornada Mundial da Juventude junto à visita do Papa Francisco. Quem veio ao Brasil para a Copa das Confederações e os brasileiros Entrevista que viajaram para assistir os jogos se manifestaram muito satisfeitos em relação à prestação de serviços, mesmo considerando que durante a Copa tivemos manifestações em todas as cidades-sede. Nenhum incidente grave ocorreu de forma a prejudicar a movimentação dos torcedores, das delegações e muito menos dos jogos. Na visita do Papa tivemos três milhões de pessoas reunidas no mesmo lugar. Também ocorrendo na maior normalidade. Qual o total de investimentos para a realização da Copa do Mundo e qual a expectativa de retorno desse investimento em emprego e renda? O total de investimentos para a Copa do Mundo, hoje, é de R$ 28 bilhões. A Ernest Young, empresa de consultoria norte-americana, publicou um trabalho, em cooperação com a Fundação Getúlio Vargas, analisando os impactos socioeconômicos do evento. Esse estudo revela que a Copa tem potencial de geração de 3,6 milhões de empregos. Ou seja, a Copa pode gerar mais que um Uruguai de empregos no Brasil. Ainda segundo esse estudo, para cada real investido pelo setor público, a Copa gera R$ 3,4 de investimento do setor privado. O BNDES, por exemplo, colocou à disposição uma linha de financiamento para a rede hoteleira de quase R$ 1 bilhão e praticamente esgotou. Todas as sedes serão impactadas, nesse sentido, pela Copa de 2014. Esse legado é imensurável e trará resultados em longo prazo com o incremento do turismo, o aumento dos investimentos internacionais e a consequente geração de empregos. Qual legado esses grandes eventos deixará para as cidades-sede e para os profissionais brasileiros? Durante esses grandes eventos, o país se mostra a si mesmo e se expõe ao mundo. A audiência de televisão durante os jogos supera os dois bilhões de pessoas. E as transmissões, a cobertura das emissoras de rádio, dos jornais, das revistas, dos veículos virtuais e as informações que cada turista pode enviar por meio de seus tablets e telefones não se limitam aos jogos, aos estádios. Nossas atrações turísticas, as oportunidades de negócios, tudo será mostrado ao mundo durante a Copa e as Olimpíadas. Esse legado é imensurável e trará resultados em longo prazo com o incremento do turismo, o aumento dos investimentos internacionais e a consequente geração de empregos. Profissionais capacitados agora, além de se beneficiarem diretamente da Copa e das Olimpíadas, vão seguir usufruindo dessa herança. O legado mensurável é o das obras, que deixam nossas cidades mais seguras e confortáveis para os turistas e, principalmente, para quem vive aqui. Educação e Oportunidade - 5 - 2013 11 Curtas Aluna de cozinha entre as melhores do mundo A aluna do Senac em Minas Gabriela Melo está entre as melhores do mundo. A jovem de 22 anos conquistou o 7º lugar na ocupação Cozinha, na 42ª WorldSkills, uma das mais importantes competições do mundo na área de educação. Gabriela ficou a 30 décimos da medalha de bronze, com 71,53 pontos, e recebeu um diploma de excelência, concedido aos competidores com as melhores notas. O evento internacional foi realizado em julho, em Leipzig, na Alemanha, com a participação de instituições de educação profissional de 61 países. Gabriela estudou no Senac Barbacena e, para chegar até a Alemanha, passou pelas etapas estadual e nacional da Olimpíada do Conhecimento. O resultado confirma o Senac como referência em gastronomia. “Tive ótimos professores e, com o treinamento, fui buscando novidades e aperfeiçoando pratos para chegar aonde cheguei.” A 43ª edição do evento será em São Paulo, de 11 a 16 de agosto de 2015. Laboratório aproxima teoria e prática empresarial A teoria aprendida em sala de aula ganhou um reforço de peso para os alunos dos cursos de Administração, Ciências Contábeis e de Gestão de Qualidade da Faculdade Senac em Minas. O Laboratório de Simulação Empresarial e Empreendedorismo (LSEE) iniciou suas atividades no 2º semestre do ano passado com a missão de reforçar o espírito empreendedor dos alunos. Trata-se de uma técnica de treinamento e desenvol- 12 Educação e Oportunidade - 5 - 2013 vimento gerencial, uma vez que permite a capacitação gerencial, através da revisão e assimilação de conceitos apreendidos. “Espera-se que, através da simulação, seja possível estabelecer relações empresariais com o ambiente externo, levando os discentes a decidirem sobre fatos e situações que levem ao sucesso do empreendimento administrado por eles”, explica o professor Leonardo de Oliveira Leite, coordenador do LSEE. Curtas Tapetes temáticos transformam vidas Um projeto desenvolvido em duas turmas do Jovem Aprendiz do Senac Araxá transformou a realidade dos alunos. Ao perceber que os estudantes estavam desmotivados, a orientadora do curso Mônica Goulart propôs o Reciclando Vidas, em que restos de malhas que iriam para o lixo se transformaram em tapetes temáticos nas mãos dos participantes. “Trabalho em equipe, motivação, liderança, criatividade, iniciativa, companheirismo e aumento da autoestima foram desenvolvidos durante o projeto”, conta. Técnico de Informática escalado na Copa das Confederações A Copa das Confederações, realizada em junho no Brasil, com três jogos na capital mineira, foi uma experiência única para Wendel Vilaça de Assis, de 25 anos, Técnico de Informática no Senac Belo Horizonte. Apreciador de futebol, ele foi selecionado pela Federação Internacional de Futebol (Fifa) para atuar como voluntário na área de Tecnologia da Informação (TI). O caminho foi longo até a atuação no Mineirão: inscrição, cursos, prova de inglês e treinamento on-line e presencial. “Ajudamos nos relatórios feitos pelas equipes de TI. Éramos os olhos da Fifa e auxiliamos os responsáveis do Comitê Organizador Local”. A experiência foi produtiva. “Aprendi a trabalhar com ferramentas de Workflow, gerenciamento de projetos e equipe, tive contato com serviços de telecomunicações usados para conexões de internet entre continentes”, revela Wendel, que faz questão de agradecer a todos da Gerência de Desenvolvimento de Produtos do Senac pelo apoio e incentivo recebido. Educação e Oportunidade - 5 - 2013 13 Inovação Compromisso com o novo Com uma trajetória consolidada em ofertar cursos diferenciados, o Senac está sempre atento a mudanças, avanços e transformações sociais e mercadológicas. Com o aumento dos anos de dedicação aos estudos pelos brasileiros, a preocupação em disponibilizar novas opções de capacitações tem ganho cada vez mais relevância dentro da instituição, traduzida em seu portfólio de cursos. Atentos à missão de contribuir para o desenvolvimento social a partir de ações educacionais inovadoras, o Senac tem desenvolvido e disponibilizado continuamente novas programações, como três novos cursos inovadores, que reforçaram recentemente esse compromisso. O curso Mercado de Luxo tem como objeti- O curso Introdução ao Estudo da Cerveja desenvolve conceitos desde os ingredientes até os diferentes tipos de copos para servir a bebida 14 Educação e Oportunidade - 5 - 2013 Inovação vo desenvolver as habilidades dos trabalhadores atuantes nessa área, capacitando-os a atender um público exigente de forma diferenciada. A instituição elaborou um curso com carga horária de 60 horas, que engloba desde diferenciações entre necessidade e luxo até os processos de evolução do consumo. “A situação econômica do Brasil atualmente nos mostra que o mercado classe ‘A’ tem crescido e aumentado o número de pessoas com acesso a produtos de alto valor agregado. Nesse sentido, o Senac tem se atentado a essas questões no momento de elaborar novas estratégias para atender essa nova necessidade de capacitação da mão de obra para atuação no segmento do luxo”, afirma o assessor técnico Tiago Carvalho. Desafio que exige empenho e dedicação no desenvolvimento da grade. “Temos que agir proativamente no mercado, a fim de encontrarmos especialistas e bibliografias adequadas”, complementa o assessor técnico André Carvalho. Outra proposta inovadora é o curso Organização de Casamentos. Pioneira em Minas Gerais, a capacitação possibilita ao aluno aprender todas as questões relacionadas ao processo de elaboração de um casamento, considerando as diferentes religiões e as possibilidades de investimentos para a realização da celebração. A proposta possibilita ao aluno se especializar nesse tipo de cerimônia através de aulas teóricas e visitas técnicas a espaços religiosos, salões de festa e bufês. Além disso, ao fazer o curso, o aluno receberá ainda uma lista com diferentes tipos de fornecedores e um checklist completo com as atividades a serem executadas durante o processo de produção do evento. A expectativa é que a primeira turma seja iniciada ainda em setembro deste ano. DE OLHO NO MERCADO DAS BEBIDAS Tendo em vista que Minas Gerais é hoje considerado polo da cerveja artesanal no país, o curso Introdução ao Estudo da Cerveja foi desenvolvido com o objetivo de ampliar a discussão a respeito do mercado, da elaboração e do consumo desse produto. A ideia é desenvolver, durante as 40 horas do curso, conceitos que envolvem o mundo da cerveja, perpassando desde os ingredientes até os diferentes tipos de copos para servir a bebida. Por meio de aulas conceituais e visita técnica a uma micro cervejaria, o aluno é iniciado aos saberes sobre o tema de forma teórica e prática. Para a coordenadora de educação, Micheline Martins, “o Senac está sempre um passo à frente na concepção de cursos inovadores. Com pioneirismo e um olhar atento temos construído produtos diferenciados para satisfazermos o mercado e as expectativas dos alunos”, pontua. Quem fez o curso concorda. “Embora tenha sido considerado um curso de ‘introdução’, a grade teve um conteúdo amplo, dando bases sólidas para o estudo da bebida, superando minhas expectativas e sem deixar confuso os conhecedores apenas da ‘loira gelada’ de boteco”, afirmou o aluno da primeira turma, Lucas Firmino. DIFERENCIAL DE MERCADO Outra inovação é incluir, no já existente curso de Sommelier do Senac BH, um módulo prático por meio de uma visita técnica a uma vinícola, agregando maior valor à capacitação. Educação e Oportunidade - 5 - 2013 15 Artigo FLÁVIA DE PAULA CORRÊA Supervisora Pedagógica – SENAC/NPE Especialista em Administração de Sistemas de Informação – CEFET/MG LUCIANO CÉSAR ALVES DE DEUS Orientador de Curso – SENAC/NPE Mestre em Estudos Linguísticos – POSLIN/FALE/UFMG RÚBIA DE SALES SOARES Orientadora de Curso – SENAC/NPE Especialista em Leitura e Produção de Textos – POSLIN/FALE/UFMG Ensino/Aprendizagem de Língua Inglesa no PRONATEC/COPA – EMPRESA: uma experiência colaborativa O Núcleo de Pós-Graduação e Educação a Distância do Senac em Minas em parceria com o Ministério do Turismo por meio do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (PRONATEC), em iniciativa inédita em Belo Horizonte, ofertou o curso Inglês Aplicado aos Serviços Turísticos, desenvolvido pelo Senac em Minas, aos colaboradores do Mercado Central de Belo Horizonte. A proposta era desenvolver habilidades básicas de comunicação em Língua Inglesa visando o atendimento aos visitantes estrangeiros que diariamente percorrem esse tradicional ponto turístico da cidade, e se multiplicarão em função da Copa do Mundo de Futebol, organizada pela FIFA, no Brasil em 2014. As turmas que participaram dessa iniciativa inovadora possuíam um perfil geral semelhante. Ao analisarmos critérios educacionais, tais como a experiência prévia de aprendizagem da Língua Inglesa e o tempo necessário fora da sala de aula, para rever e aprofundar as formas de comunicação escrita e oral, constatamos que a maioria dos alunos apresentava experiências pequenas e ultrapassadas de aprendizado da língua estrangeira, com ensino tradicional da disciplina, ou seja, focado no ensino da gramática. Além disso, também confirmamos que devido à carga horária de trabalho dos 16 Educação e Oportunidade - 5 - 2013 alunos, eles possuíam grande dificuldade em se dedicar aos estudos fora da sala de aula. As experiências anteriores de aprendizagem dos alunos ocorreram dentro de uma linha comportamental de ensino/aprendizagem de línguas em que o aprendizado se dá por meio da imitação e memorização em um processo mecânico de formação de hábitos. A partir dessa constatação, adotamos uma abordagem de ensino que aliava critérios educacionais e sociais em que o aluno é visto como sujeito ativo, ou seja, o aprendizado está relacionado à participação ativa dele e à interação social aluno/aluno, aluno/professor e aluno/sociedade. Com o objetivo de executar essa proposta, utilizamos os recursos didáticos disponibilizados pelo Senac em Minas para que os alunos aproveitassem ao máximo o tempo que estavam em sala de aula. Adotamos uma postura pedagógica de mediadores/facilitadores. Após a exposição das funções comunicativas, os alunos produziam e apresentavam diálogos pequenos em sala de aula, sob a nossa orientação, inclusive com a realização de feedback logo após a apresentação de cada grupo. Essa prática, previamente utilizada em cada sala, foi aplicada entre as turmas, através das diversas oportunidades em que realizamos atividades em Artigo conjunto. Oportunidades em que todos eram motivados a exercitar o conhecimento apresentado em sala de aula com os demais colegas. Nesses momentos, o aproveitamento do ambiente profissional para as interações com a Língua Estrangeira era o ponto-chave da proposta. Os grupos de alunos foram incentivados a tratar situações simuladas do ambiente de trabalho em contextos ampliados. O objetivo era buscar o melhor atendimento ao público de forma a estabelecer uma comunicação eficaz em outro idioma. Assim, os aspectos que envolviam a prática profissional do atendimento ao público, especialmente ao turista que busca o Mercado Central como referência cultural e gastronômica do estado, foram amplamente abordados no contexto prático do uso do idioma nas estratégias de ensino/aprendizagem. Para formalizar a conclusão do curso pelos participantes e verificar a retenção das funções e estratégias comunicativas, conduzimos uma avaliação composta de uma parte escrita e de compreensão auditiva geral e específica. Os resultados obtidos foram analisados quantitativamente e qualitativamente, o que nos permitiu constatar que apesar das dificuldades específicas apresentadas, os alunos desenvolveram habilidades comunicativas importantes durante o curso. A partir dos resultados obtidos, redigimos um relatório individual dos alunos e apresentamos a eles. Essa atividade contemplou todas as etapas do processo desenvolvido no curso pelos alunos e possibilitou uma autoavaliação de modo que eles estabeleceram uma relação entre o resultado final e a avaliação realizada. É importante enfatizar que o processo de ensino/aprendizagem de uma língua estrangeira é extenso e que a fluência em determinado idioma é alcançada em um processo contínuo de apresentação, compreensão, uso e aperfeiçoamento de estratégias comunicativas. A experiência de ensino de língua inglesa no PRONATEC/COPA – EMPRESA se encaixa perfeitamente nesse modelo de aprendizagem, pois permite ao aluno se envolver ativamente no seu aprendizado e estabelecer as conexões necessárias ao desenvolvimento de sua competência e autonomia de estudos, que irão inserir nessa dinâmica as etapas essenciais para a compreensão das diversas formas de comunicação. Essa proposta de trabalho também contou com o professor Sérgio Lombardi, que ministrou um seminário de extrema importância para os alunos do Mercado Central sobre medidas e conversões, e a supervisora Flávia Corrêa que nos apoiou desde o início desse projeto, enfatizando que essa nova maneira de se trabalhar com o idioma deveria utilizar práticas educativas condizentes com a formação profissional e estabelecer o diálogo com o conhecimento por meio de atividades significativas, ao adotar o ambiente profissional também como ambiente pedagógico para o ensino do idioma. Em última instância, essa experiência colaborativa realizada no Núcleo de Pós-Graduação do Senac em Minas representou para os envolvidos uma oportunidade ímpar de desenvolvimento pessoal e profissional, onde obtivemos resultados satisfatórios em relação ao ensino/aprendizagem da língua inglesa. A experiência acima descrita representa, assim, uma das ações empreendidas pelo Núcleo de Pós-Graduação na busca para contribuir para o desenvolvimento da sociedade brasileira, através de um ensino de excelência, conectado com os anseios sociais atuais. Referências LIGHTBOWN, P.M. & SPADA, N. How languages are learned. Oxford University Press, 1999. NUNAN, D. Second language teaching and learning. Heinle & Heinle Publishers, 1999. RICHARDS, J.C. & RODGERS. Approaches and methods in language teaching. Cambridge University Press, 2001. VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente. Martins Fontes, 1984. Confira os artigos completos em www.mg.senac.br/educacaoeoportunidade Educação e Oportunidade - 5 - 2013 17 Talentos Jovens pratas da casa O Senac está atento a novos talentos que surgem em sala de aula 18 Educação e Oportunidade - 5 - 2013 Talentos Além de capacitar alunos para o mercado de trabalho, o Senac está atento a novos talentos que surgem na sala de aula, e acompanha com muito orgulho aqueles que trocam o lugar de aprendiz para o de orientador ou instrutor. Ítalo Geovani Germano de Carvalho fez o curso de Aprendizagem Comercial e hoje está do outro lado, sendo um exemplo de motivação para muitos jovens. Já o ex-aluno Kleverthon Christian Mendes Silva ensina uma nova profissão para estudantes das turmas de Garçom, Barista e Barman. “Devemos pegar as oportunidades que temos na vida, porque sabendo aproveitá-las o nosso sucesso é garantido. Obrigado, Senac em Minas, eu me incluo nessa história.” Ítalo Geovani Germano de Carvalho “Gosto muito do que faço. Decidi trabalhar como professor quando comecei o curso de Garçom. Fui me dedicando até chegar a essa conquista.” Kleverthon Christian Mendes Silva Quando era aluno de uma turma de Aprendizagem Comercial, Ítalo Geovani Germano de Carvalho, de 20 anos, foi chamado à mesa da orientadora Denise Bueno, que percebeu que ele estava triste na sala de aula. O jovem explicou para ela que passava por momentos difíceis na família e por dificuldades financeiras. E se surpreendeu com a reposta. “A orientadora me disse que via em mim um futuro promissor e que sonhava em me ver onde ela estava, orientando os jovens aprendizes. Ela ainda acrescentou que iria me encontrar pelos corredores do Senac como colega de trabalho”. O tempo passou e Ítalo fez outros cursos, passou a dar aulas de informática e voltou para o Senac, justamente para lecionar, como previu sua antiga orientadora, que, aliás, ganhou um forte abraço ao encontrá-lo no corredor. Desde o início deste ano, Ítalo tem a missão de ensinar, motivar e inspirar os alunos de Aprendizagem Comercial, muitos deles com uma vida marcada por dificuldades. “Levo para eles minha história. Mesmo sendo de família simples, sem muitos conhecimentos, se acreditarmos no nosso potencial, podemos alcançar grandes objetivos na vida, como eu conquistei o meu de lecionar para eles. Temos que aprender a valorizar os momentos da vida”, afirma ele que se diz apaixonado pelo que faz no Senac. Aos 18 anos, Kleverthon Christian Mendes Silva, hoje com 23 anos, trocou a cidade de Matipó, no Leste de Minas, pela capital mineira. Logo conseguiu um trabalho como copeiro de um restaurante e quis fazer o curso de Garçom no Senac. O empenho do jovem dentro da sala de aula despertou a atenção dos orientadores, que o convidaram para participar das Olimpíadas do Conhecimento em 2009. O resultado confirmou a escolha. Kleverthon foi campeão mineiro da competição. Ele, então, começou a se preparar para a etapa nacional do evento. Fez curso de Barista, Barman e Cozinheiro. Infelizmente, em razão de um problema de diferença de carga horária, o jovem não pôde participar da competição, mas não desanimou. “Passei a ser instrutor em várias unidades do Senac no interior. E, depois de um ano, vim lecionar no Senac BH”, conta. Há três anos, ele é orientador dos cursos de Garçom, Barista e Barman. “Professor não ganha dinheiro no Brasil, mas o trabalho é viciante, porque a transformação na vida do jovem é gratificante. Mudamos a perspectiva de vida dos alunos que vêm buscar o curso. Esse acontecimento motiva qualquer trabalhador”, sintetiza o orientador. Educação e Oportunidade - 5 - 2013 19 Relatos de pesquisas Incentivo à produção acadêmica O desenvolvimento científico amplia conhecimento e compartilha experiências QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO: UM ESTUDO SOBRE A ESCALA DE SERVIÇO DA FUNÇÃO DE ORIENTADOR DE MERCADO DA CENTRAL SATURF DE GOVERNADOR VALADARES SEBASTIÃO GOMES DE OLIVEIRA JÚNIOR Bacharel em Direito, formado pela Univale, em Governador Valadares/MG. Pós-graduando em Gestão Estratégica de Pessoas pelo Senac Minas. E-mail: [email protected] PATRÍCIA ANDRADE DINIZ Professora orientadora. Mestre em Administração. MSc. Patrícia Diniz. E-mail: [email protected] RESUMO: A economia mundial, as relações sociais e políticas, a tecnologia e a organização produtiva têm provocado impactantes mudanças no mundo do trabalho, com consequências significativas na saúde e qualidade de vida do trabalhador. Nos dias atuais, o homem tem se sobrecarregado, trabalhando em horários noturnos ou irregulares, em serviços que funcionam, ininterruptamente, para que bens e serviços sejam produzidos. Sendo assim, atualmente, além de razões tecnológicas e econômicas, os turnos estão sendo introduzidos, de forma crescente, em função do atendimento à sociedade moderna. Dessa forma, paralelamente tem surgido o interesse de estudiosos sobre Qualidade de Vida no Trabalho (QVT). Alguns estudiosos citam que os trabalhos em turnos têm sido motivos de queixas dos trabalhadores, sendo de forma mais expressiva nos turnos da noite. Nesse contexto, esta pesquisa tem por objetivo analisar de que maneira a escala de serviço da função de orientador de mercado, que atua na Central SATURF/GV, interfere na Qualidade de Vida no Trabalho desse profissional. Para tanto, metodologicamente, utiliza a pesquisa qualitativa, quanto à abordagem; quanto aos fins, a pesquisa descritiva, por meio de um estudo de caso, quanto aos meios, além da pesquisa participante. A coleta de dados é realizada por meio de entrevistas semiestruturadas com todos os funcionários que têm a função de orientador de mercado e o gerente da Central SATURF/GV; sendo estes, universo e amostra desta pesquisa. Como resultado conclui-se que a escala de trabalho dos orientadores de mercado desta empresa não tem grande interferência negativa na qualidade de vida desses trabalhadores. O CPC 22 E SUA INFLUÊNCIA NO NÍVEL DE DISCLOSURE DAS EMPRESAS DO SETOR DE CONSTRUÇÃO E ENGENHARIA CARLOS ALBERTO DE SOUZA Faculdade Senac Minas. E-mail: [email protected] VANDA AP. OLIVEIRA DALFIOR Faculdade Pitágoras. E-mail: [email protected] RESUMO: O objetivo da pesquisa é investigar o nível de disclosure das empresas do setor de Construção e Engenharia, listadas no Novo Mercado da BM&FBovespa, em relação às informações por segmento de acordo com as exigências do CPC 22. Complementarmente, a proposta abrange a exploração da associação entre o nível de disclosure e as características econômicas como tamanho, lucro, rentabilidade e endividamento. Os dados foram coletados em maio de 2012, onde identificou-se 24 companhias abertas do setor de Construção e Engenharia que negociam suas ações na BM&FBovespa. Utilizou-se a técnica documental para identificar, analisar e classificar as divulgações das informações por segmento. Poste- 20 Educação e Oportunidade - 5 - 2013 riormente, foi realizada Análise de Correspondência para verificar a associação entre a variável “Nota de Disclosure” e características econômicas das empresas, sendo elencadas variáveis referentes a tamanho, lucro, rentabilidade e endividamento. No que tange aos resultados obtidos, verificou-se que apenas seis dos 13 itens de evidenciação constantes da métrica foram divulgados por mais de 50% das companhias analisadas. Além disso, dessas 24 companhias, nenhuma apresentou todos os itens de evidenciação requeridos. Desse modo, as variáveis Tamanho, Lucro, Endividamento e Rentabilidade não estão associadas positivamente à divulgação de informação por segmento pela entidade. Relatos de pesquisas LIDERANÇA E AS CARACTERÍSTICAS DE UM LÍDER SERVIDOR: UM ESTUDO DE CASO DE UM CENTRO DE SAÚDE DE CURRAL DEL REY GILMAR VOLMIR DE SOUZA Graduado em Odontologia pela UFMG. Pós-graduado em Odontologia Coletiva pela F.O.U.F.M.G. Pós-graduando em Gestão Estratégica de Pessoas pela Faculdade Senac Minas. E-mail: [email protected] PATRÍCIA ANDRADE DINIZ Professora orientadora. Mestre em Administração. MSc. Patrícia Diniz. E-mail: [email protected] RESUMO: A globalização da economia e a consequente concorrência em nível mundial exige que as organizações mantenham-se fortes nos ambientes organizacionais e em processos sociais internos, por meio de recursos humanos interessados e compromissados. O sucesso organizacional pode advir do cuidado com as pessoas e do estilo ideal de liderança, tendo como ponto importante as novas habilidades dos líderes, focadas na otimização das competências humanas e no autoconhecimento, que conferem o desenvolvimento de uma liderança mais eficaz, na qual o líder servidor potencializa o processo rotineiro com a ação dedicada de liderados entusiasticamente motivados por sua pessoa. Dentre os estilos de liderança, a Liderança Servidora é uma opção ao escolher servir à humanidade, transcen- dendo o mundo organizacional e fundamentando-se no que há de melhor no ser humano. Nesse contexto, esta pesquisa apresenta vários estilos de liderança conforme a literatura, dando ênfase à Liderança Servidora, e busca analisar se as características apresentadas pela atual gestora do Centro de Saúde da Família (CSF) refletem o conceito e o estilo de uma liderança servidora. Para isso, segue uma linha qualitativa, quanto à abordagem; exploratória e descritiva, quanto aos fins; quanto aos meios, estudo de caso e pesquisa participante, utilizando como instrumento de coleta de dados o questionário. Como resultado, fica evidente que todas as características da Liderança Servidora estudadas nesta pesquisa compõem o estilo de liderar da atual gestão do Centro de Saúde da Família. O PROFISSIONAL COACH E AS PERSPECTIVAS DE ATUAÇÃO NO MERCADO DE TRABALHO POLIANE FERNANDES MATTOS MÁLTARO Pós-graduanda em Gestão Estratégica de Pessoas Senac Minas. Graduada em Ciências Contábeis. E-mail: [email protected] PATRÍCIA ANDRADE DINIZ Professora orientadora. Mestre em Administração. MSc. Patrícia Diniz. E-mail: [email protected] RESUMO: As amplas mudanças acontecidas na sociedade com a globalização acarretaram alterações culturais, sociais e econômicas, causando um grande intercâmbio dos mercados mundiais, resultando numa evolução tecnológica que causou troca de conhecimentos em passo acelerado. Com todos esses fatores acontecendo velozmente, aumentaram a rivalidade das organizações e, como consequência, a necessidade de inovar e criar habilidades para resistir no mercado. Sendo assim, a transformação é um amplo desafio, e o mercado está aberto para profissionais preparados a ajudar pessoas a serem o que desejam com métodos voltados para suas competências, causando impactos positivos no indivíduo e ao seu redor, cooperando para seu progresso. Dessa forma, o objetivo desta pesquisa é analisar as perspectivas de atuação do profissional coach no mercado de trabalho. Para tanto, utiliza a pes- quisa qualitativa, quanto à abordagem; quanto aos fins, exploratória e descritiva; quanto aos meios, assume a forma de pesquisa de campo; em consonância com a pesquisa bibliográfica e as entrevistas. A coleta de dados é realizada por meio de entrevistas semiestruturadas, além do uso da técnica Bola de Neve (Snowball). Como resultado percebe-se que os profissionais coaches têm clareza em sua atuação e ciência de que seu trabalho pode transformar a vida pessoal e profissional das pessoas e têm expectativas de que este profissional possa ser visto como um parceiro da organização e que estes coaches possam entender a necessidade de se ter uma formação adequada para atuar na área, visto que ainda não há uma legislação que regulamente a profissão. Confira os relatos de pesquisa completos em www.mg.senac.br/educacaoeoportunidade Educação e Oportunidade - 5 - 2013 21 Capa Os alunos do Senac estão se qualificando para os grandes eventos em Minas Gerais Que venha a Copa do Mundo! 22 Educação e Oportunidade - 5 - 2013 Capa O Brasil é a bola da vez no turismo internacional. Depois de sediar a Copa das Confederações da FIFA, em junho, e a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), em julho, todas as atenções se voltam para outro grande evento mundial: a tão esperada Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014. Números comprovam que o país é o destino de milhares de estrangeiros. Nos últimos cinco anos, cerca de cinco milhões de turistas visitaram o Brasil anualmente, mas a expectativa é que esse número aumente 50% em 2014 em razão da Copa do Mundo. Essa “invasão” é sinônimo de oportunidades em vários setores. Estima-se que até o evento internacional, mais de 700 mil empregos sejam criados no país nos setores de infraestrutura, no turismo e em serviços como saúde e hotelaria. Somente no período anterior à Copa das Confederações, o setor de bares, lanchonetes, restaurantes e cafés abriu três mil vagas na capital mineira. Se as oportunidades estão surgindo, também há a necessidade de se estar preparado para “fazer bonito” fora de campo e conquistar cada vez mais turistas, além de melhorar a infraestrutura e a qualidade do atendimento da população local. Atento a esse cenário, o Senac vem desenvolvendo uma série de ações visando preparar a população mineira para receber os turistas que virão a Minas Gerais. O foco principal está na qualificação de mão de obra dos profissionais, seja dos empresários ou de seus colaboradores, para atuarem em diversos setores da economia, como nas áreas de Turismo e Hospitalidade, Comércio, Informática, Gestão, Comunicação e Saúde. “Cerca de 20% a 30% dos mais de sete milhões de turistas estrangeiros que virão ao Brasil no ano que vem devem, em algum momento (antes, durante ou depois da Copa), passar por Belo Horizonte, cidades adjacentes ou outro local de Minas. É um público diferenciado, que gasta mais, usufrui das condições da cidade, mas vai exigir mais, pois está habituado a viajar, a lidar com produtos e serviços de melhor qualidade e remunerar em função disso. Não vamos esquecer nosso público local, mas vamos melhorar nosso serviço para atingir esse cliente e, consequentemente, levar essa melhora para os consumidores locais”, explica André Luiz Carvalho, assessor técnico da Diretoria Regional – Especialista do Eixo de Turismo do Senac. O Senac em Minas oferece mais de 350 cursos em seu portfólio (pagos, gratuitos e in company), em diversos segmentos. Para o Mundial de futebol, os destaques são os cursos de formação inicial e continuada, técnicos, graduação tecnológica e pós-graduação nas áreas de Turismo e Hospitalidade. As vagas estão disponíveis em 37 unidades distribuídas pelo Estado. André Carvalho, assessor técnico da Diretoria Regional, destaca que os investimentos para os eventos internacionais irão permanecer à disposição da população Educação e Oportunidade - 5 - 2013 23 Capa Ludimila Kai, gerente do Projeto Receptividade na Copa, afirma que a capacitação consolidase como um dos principais legados das Copas de 2013 e 2014 ao promover tamanha transformação social O Senac também realizou parcerias com os governos federal e estadual, estimulando oportunidades de qualificação profissional para os trabalhadores dos setores do comércio de bens, serviços e turismo. Na linha de frente está o Pronatec Copa, criado pelo governo federal e que oferece cursos sob demanda do Ministério do Turismo. São ofertados 12 cursos do Pronatec Copa em Belo Horizonte e no interior. 24 Educação e Oportunidade - 5 - 2013 Além disso, há os cursos gratuitos de capacitação e técnicos por meio do Programa Senac de Gratuidade (PSG), que contempla estudantes com renda per capita de até dois salários mínimos federais e que estejam cursando ou tenham concluído a educação básica. “Capacitação é trabalhar a pessoa não só tecnicamente, mas também no aspecto comportamental. Ela sabe o que fazer e porque fazer. Este é o papel do Senac, preparamos pessoas para essa nova realidade”, afirma André. Os preparativos para a Copa começaram há alguns anos. Ainda em 2010, uma equipe do Senac acompanhou os bastidores da Copa do Mundo da África do Sul para conhecer os aspectos positivos e não repetir os erros cometidos. Essa experiência é compartilhada através de palestras aos empresários dos setores do comércio de bens, serviços e turismo de Minas. PESQUISA Apesar das ações desenvolvidas em todas as unidades do Senac para a Copa do Mundo, uma situação ainda preocupa. Uma pesquisa desenvolvida pela Fecomércio, que entrevistou 302 empresários no comércio varejista de Belo Horizonte em maio deste ano, para averiguar se esses empresários realizam cursos de qualificação e capacitam seus funcionários com o objetivo de assegurar o bom desempenho da empresa diante do mercado e das constantes inovações e transformações, aponta que 62,5% dos empresários pretendem capacitar seus empregados para eventos de grande porte, como a Copa do Mundo 2014. Gabriel de Andrade Ivo, economista e responsável pela pesquisa, ressalta que há uma diferença entre a pretensão e a prática. “Não podemos dizer que as empresas não estão qualificando. Elas estão, sim, mas não da forma que deveriam. Porque é um evento diferenciado, inovador, que traz muito recurso para empresa e para a atividade econômica como um todo. E o empresário poderia estar capacitar seu colaborador com maior vontade”, explica Gabriel. Segundo dados da Secretaria de Estado Extraordinária da Copa do Mundo (Secopa), desde 2012 foram identificadas aproximadamente 15 mil pessoas capacitadas. Ludimila Kai, gerente do Projeto Receptividade na Copa, explica que a Secopa tem feito um trabalho de conscientização sobre capacitação com empresários junto às Associações e Entidades, como por exemplo, a ABIH, Abrasel, CDL, Acminas, com foco em ampliar o número de pessoas capacitadas. As principais demandas são por cursos de idiomas, e Capa nas áreas de turismo, bares e restaurantes e rede hoteleira. “É a grande oportunidade que temos de mostrar a todos os torcedores a receptividade mineira de forma profissional. Precisamos estar preparados para receber os visitantes em todos os âmbitos e inserirmos de vez Belo Horizonte na rota turística nacional e internacional”, afirma Ludimila. Ela ainda acrescenta a importância do Senac na capacitação, que fará a diferença mesmo após o evento internacional. “A oferta de cursos de capacitação é tanto uma oportunidade de crescimento profissional como também um impulso à inserção de mão de obra mais qualificada ao mercado de trabalho. A capacitação consolida-se, assim, como um dos principais legados das Copas de 2013 e 2014 ao promover tamanha transformação social, sendo o Senac nosso principal parceiro dessa ação”, conclui. O assessor técnico do Senac André Carvalho concorda que a mudança positiva será sentida após o evento internacional. “Quando implementamos melhorias, seja de infraestrutura ou melhora na capacitação dos prestadores de serviços, passamos a perceber um melhor nível de qualidade nas empresas. Essa melhoria não se encerra no fim do evento, permanece à disposição da população, no atendimento mais cortês do lojista, na tratativa diferenciada do garçom, no compromisso do prestador com o cliente.” INGLÊS FLUENTE Integrantes das polícias Militar e Civil, do Corpo de Bombeiros Militar e da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil, também estão se preparando para ser um diferencial nos eventos aqui no Brasil. Através da parceria entre o Senac e a Secopa, 740 membros das corporações estão participando do curso Inglês Aplicado a Serviços Turísticos. As aulas começaram em janeiro deste ano e vão até fevereiro do ano que vem. Vanessa de Siqueira Lima Reis, supervisora pedagógica do Senac, explica que a parceria surgiu com o objetivo de coordenar, acompanhar e fiscalizar as ações e os projetos que envolvem os aspectos de preparação para os eventos futebolísticos que o Brasil receberá em 2014. “É de fundamental importância essa parceria com o intuito de preparar, capacitar e orientar a corporação de policiais militares e civis para atendimento eficaz aos estrangeiros que iremos receber”, afirma. No Senac Sete Lagoas, alunos do curso Inglês Aplicado aos Serviços Turísticos vivenciaram a teoria vista em sala de aula em um contexto real. Eles fizeram uma visita técnica a uma cafeteria da cidade. O atendimento foi realizado em inglês, já que o proprietário é fluente no idioma. Além da conversação, o instrutor realizou dinâmicas em inglês e os alunos mostraram que podem sim oferecer serviços de qualidade na Copa do Mundo. Educação e Oportunidade - 5 - 2013 25 Formação continuada Diamantina muito além das fronteiras Por meio do Projeto Vesperata, o Senac Diamantina capacita profissionais envolvidos nos famosos concertos realizados das sacadas dos casarões coloniais da cidade histórica Desde quando ainda era chamada Tijuco, que em Tupi significa lama, Diamantina já atraia para os garimpos bandeirantes de todo o Brasil. Hoje, quase três séculos depois 26 Educação e Oportunidade - 5 - 2013 de sua fundação, a cidade continua a atrair a atenção de viajantes nacionais e internacionais. Mais de 150 mil turistas passeiam anualmente pelo município. Formação continuada Considerando todo esse mercado turístico que move a cidade, o Senac Diamantina vem buscando alinhar os cursos do portfólio às demandas do município. Com a proposta de formar e capacitar profissionais, além de contribuir para o sucesso dos eventos de Diamantina, a unidade firmou parcerias com hotéis, pousadas e comércio local com o objetivo de garantir que novos profissionais e trabalhadores que já atuam nesse mercado ampliem suas habilidades no desenvolvimento de suas atribuições. Por meio de parceria firmada entre o Senac e o Ministério do Turismo, a unidade de Diamantina abriu inscrições para cinco cursos – Garçom, Auxiliar de Cozinha, Recepcionista, Camareira e Organizador de Eventos – pelo Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (PRONATEC). Ao todo, 465 vagas para essas capacitações foram ofertadas, o que movimentou e mobilizou a cidade. Ainda visando as capacitações ligadas ao turismo, a unidade também ministra os cursos de Agente de Informações Turísticas e Inglês e Espanhol Aplicados aos Serviços Turísticos. Já os famosos concertos realizados das sacadas dos casarões coloniais da histórica Diamantina agora ganham mais com qualificação no atendimento ao visitante. Por meio do Projeto Vesperata, a unidade oferece cursos que capacitam os agentes envolvidos com as apresentações musicais a desenvolverem novas habilidades. A iniciativa tem as perspectivas de possibilitar uma reciclagem dos trabalhadores que já atuam na rede de atendimento, além de aumentar a motivação profissional. Antes do início das atividades em sala, o Senac realiza uma consultoria in loco em cada bar e restaurante que atendem à Vesperata, definindo estratégias para aprimorar o atendimento e criar impactos positivos nos estabelecimentos. Além disso, também é realizada uma consultoria gastronômica, que visa o desenvolvimento e aprimoramento de pratos que satisfaçam e encantem os clientes. Reconhecido como referência em educação profissional na cidade, o Senac Diamantina tem contribuído efetivamente para a qualidade de atendimento ao visitante e para o su- cesso dos eventos e das festas organizadas no município. De acordo com a diretora de escola da unidade, Thâmara de Souza Goulart, as expectativas de mudanças e as novas oportunidades são pontos centrais para a alta procura e realização das capacitações. “O grande diferencial do Senac Diamantina em suas atuações tem sido o encantamento gerado nos alunos, que vislumbram novas possibilidades de crescimento”, ressalta Thâmara. Além disso, com todas essas ofertas, a unidade tem contribuído para o crescimento educacional e econômico da cidade. “Nossos alunos terminam os cursos sempre com propostas de empregos e com ideias de empreendedorismo visando o desenvolvimento individual e profissional. Além de deixar na cidade a marca da competência do Senac em Minas, contribuímos também para a geração de renda de famílias, com o desenvolvimento do turismo e a satisfação dos visitantes”, afirma a diretora. Educação e Oportunidade - 5 - 2013 27 Técnico Viagens por terras e letras Assim como já nos alertava o poeta português José Saramago para o fato de que “a leitura é, provavelmente, uma outra maneira de estar em um lugar”, o Projeto Leia, Escreva e Faça uma Viagem, desenvolvido por Valéria Faria de Alcântara, orientadora do curso Técnico em Guia de Turismo do Senac Belo Horizonte, possui o objetivo de estimular a criação de roteiros para viagens através da leitura e da escrita, possibilitando a cognição em relacionar linguagem oral e escrita à prática de um guia de turismo. A partir dessa proposta, os alunos escolheram lugares inusitados ou mesmo favoritos para descrever e elaborar textos a respeito desses espaços. Para cada local elegido, o aluno deveria construir uma rota de viagem e, durante o desen- 28 Educação e Oportunidade - 5 - 2013 volvimento da disciplina, era necessário que ele contasse a história do lugar, mostrasse os pontos turísticos, escrevesse dicas importantes e criasse cartazes ou outros materiais para a propaganda do ambiente selecionado. Além disso, para a criação das rotas turísticas, era necessária a apresentação de tipologias textuais que contemplassem narração, descrição, argumentação, exposição e injunção. De acordo com o coordenador e assessor de turismo do Senac, Marcelo Alcântara Prates, a proposta da capacitação é preparar, de forma diferenciada, profissionais para as exigências do segmento turístico, subsidiando-os na aquisição de conhecimentos e habilidades específicas da área. “Por meio do curso, o profissional é estimulado a superar os obstáculos que se apresentam diante de uma nova profissão e, através do desenvolvimento de competências, adquire a segurança necessária para atuação no mercado. A aplicação das regras da comunicação oral e escrita à prática do Guia proporcionaram ainda mais qualidade e assertividade no desenvolvimento das competências pelo aluno”, ressalta Prates. OLHAR DIFERENCIADO Foi diante do questionamento de um de seus alunos a respeito da necessidade do estudo de textos durante o curso de Guia de Turismo, que a instrutora e idealizadora do Projeto Leia, Escreva e Faça uma Viagem, Valéria Faria de Alcântara, começou a pensar em estratégias para trabalhar textos orais e escritos de forma mais agradável e eficiente. A construção de rotas de via- Técnico gem apareceu como pano de fundo para tratar a temática. O ambiente em sala de aula tornou-se então um verdadeiro palco de oportunidades turísticas, recheado de ótimas performances dos alunos. “Encontrei nessa ideia o tema ideal para colocar em prática a nova proposta. A situação de aprendizagem foi organizada para que os desafios e as situações pessoais surgissem em sala de forma semelhan- te àquela como aparecem na vida, na sociedade e no trabalho”, ponderou Valéria. A atenção e elaboração de um diagnóstico sobre o perfil dos alunos foram fundamentais para que pontos importantes pudessem ser trabalhados com os futuros guias, sem que a dinâmica deixasse de ser envolvente. Para que esse olhar diferenciado sobre o aluno não se perca, Valéria dá a dica. “O professor deve estar atento às transformações no comportamento, atitude e conhecimento aos quais os jovens estão passando, percebendo dificuldades e necessidades e, baseando-se nelas, traçar metas e objetivos a serem alcançados. Além disso, a flexibilidade quanto aos questionamentos, dúvidas e comentários devem levar o instrutor à reflexão do conteúdo, de forma a incentivar os alunos a enriquecerem-se cada vez mais”. Alunos do curso Guia de Turismo que participaram do Projeto Leia, Escreva e Faça uma Viagem, idealizado pela instrutora Valéria Faria de Alcântara Educação e Oportunidade - 5 - 2013 29 Artigo ANDRÉ LUIZ CARVALHO Administrador e Bacharel em Turismo, com MBA em Gestão Empresarial e Especialização em Gestão Educacional. Assessor Técnico do Senac em Minas. Professor universitário, consultor empresarial e palestrante nas áreas de turismo, eventos, varejo e empregabilidade. TURISMO É BUSINESS: do conceito ao negócio O conceito de turismo ainda não é muito difundido no Brasil, tampouco seus desdobramentos na economia das regiões ou municípios em que se pratica. É comum encontrarmos pessoas que ainda associam a prática do Turismo exclusivamente com o lazer, ou a condição apenas emissiva, ou seja, a saída da pessoa do seu local de origem. A condição genuinamente brasileira de bem receber visitantes em sua casa, como é o caso do estado de Minas Gerais, tem na gastronomia do fogão a lenha, nos seus mares de montanhas e na gente hospitaleira, um amplo potencial para converter o bem receber em negócios. O Relatório Anual da United Nations World Travel Organization (UNWTO), nomenclatura oficial da Organização Mundial do Turismo (OMT), publicou com grande ênfase em sua edição de 2013 que, pela primeira vez na história mundial, o turismo internacional ultrapassou a marca de 1 bilhão de viajantes. A celebração fica a cargo da expectativa pela continuidade da média de crescimento no ano de 2013, o que traz impactos benéficos para economias em crise, como por exemplo, o mercado europeu. Segundo Relatório da World Travel Market Latin America (WTM Latam), em 2011 a América 30 Educação e Oportunidade - 5 - 2013 Latina recebeu cerca de 66 milhões de turistas em atividades de lazer e mais de 10 milhões de visitantes em busca de negócios. O cinco maiores receptivos foram México, Brasil, Argentina, Chile e República Dominicana. Apesar do potencial realçado pelo indicativo de crescimento no número de visitantes no Brasil, estimulado por diversos fatores, como por exemplo, os megaeventos esportivos, ainda há resistência no investimento em melhorias na sua cadeia de valor, em especial do setor privado. Este é o resultado apontado em pesquisa da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio MG), aplicada junto ao varejo no mês de março de 2013, há poucos meses do início da Copa das Confederações no país, tendo a capital do Estado, Belo Horizonte, elencada entre suas cidades-sede, que apontou que “88,7% dos empresários sabem que a chegada de muitos turistas a Belo Horizonte (...) é motivo de atenção especial em seus estabelecimentos. No entanto, 82,3% ainda não começaram os investimentos para suprir tal demanda.” (Fecomércio MG, 2013). Há um cenário de dificuldades relacionado à identificação e ao investimento em capacitação da mão de obra, como apontou pesquisa nacional Artigo por amostragem, realizada entre 2010 – 2011 pelo Departamento Nacional do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), com resultados publicados em 2012. A referida pesquisa destacou que 45% dos entrevistados afirmam que a maior dificuldade é de encontrar candidatos com experiência, e mais de 39% citam a dificuldade de encontrar candidatos com conhecimento técnico para as vagas disponíveis. A análise do ponto de vista do empreendedor do varejo é fundamental para entendermos a cadeia produtiva do turismo e sua abrangência. Esse empreendedor precisa investir para a melhora e evolução de seus negócios. E para tal investimento, o que sinaliza o potencial de retorno são as informações do mercado. Se considerarmos a tendência de crescimento do volume de clientes, teremos um primeiro ponto favorável aos investimentos. Se confrontarmos com a dificuldade de boa performance do segmento pela escassez profissional, teremos um cenário duvidoso que pode gerar incertezas para o empresário quanto à vantagem de investimentos. Assim, como caracterizar um ponto de vista ao empresário para decidir pela aposta nas melhorias desse segmento, ainda que sua atividade-fim seja relacionada a outro? Há motivos econômicos que justificam o potencial de crescimento dos negócios e, assim, o retorno dos investimentos. A UNWTO aponta em seu relatório que o crescimento do mercado de turismo movimentou mais US$ 1 bilhão em 2012, comparado com o ano anterior, enquanto que o World Travel & Tourism Council (WTTC) indica que o total financeiro movimentado pela atividade no mundo, direta e indiretamente, chega a 9% do Produto Interno Bruto (PIB) global, o equivalente a mais de US$ 6,6 trilhões. Apesar da pujança mun- dial, no Brasil a atividade movimentou apenas cerca de R$ 150 bilhões – 3.4% do PIB nacional. Um olhar sobre os segmentos de maior crescimento revela ainda novos destaques para o Brasil. Segundo a Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), no Brasil o Turismo de Negócios “responde por mais de 60% do total movimentado pelo setor e cresce, em média, 12% ao ano”. Em movimentação financeira, “só em impostos, a Indústria de eventos é responsável por arrecadação superior a R$ 4 bilhões/ano”. Em 2012, o Brasil ocupou a 5ª colocação no ranking de eventos internacionais da Internacional Congress and Convention Association (ICCA), entidade que registra mundialmente as atividades do setor de eventos internacionais. Assim, o Turismo detém argumentos para consolidar sua condição de segmento econômico de destaque. Para tanto, urge receber investimentos públicos, mas não obstante, é ainda um empreendimento de alto potencial de retorno para investimentos privados, do qual depende para melhora de seu qualitativo. Com o bem receber desse povo acolhedor, desde que aliado à melhora dos investimentos, o Brasil tem o necessário para evoluir no cenário do Turismo mundial. Referências ANDRADE, José Vicente de. Turismo: fundamentos e dimensões. São Paulo: Ática, 1992. BARRETTO, Margarita. Manual de iniciação ao estudo do turismo. 18ª ed. Campinas: Papirus, 2009. DIAS, Reinaldo. Planejamento do turismo: política e desenvolvimento do turismo no Brasil (atualizado com o Plano Nacional de Turismo 2003/2007 de 29-4-2003). São Paulo: Atlas, 2003. TAKASAGO, Milene, MOLLO, Maria de Lourdes Rollemberg. O turismo e a economia do DF: uma análise da matriz de insumo-produto regionalizada. In: Impacto do turismo na economia do DF. Brasília: Senac, 2008. Confira o artigo completo em www.mg.senac.br/educacaoeoportunidade Educação e Oportunidade - 5 - 2013 31 Ensino superior De olho no mercado sem perder o foco na academia Pesquisa realizada por aluno e professor do Senac recebe 1º lugar em premiação internacional “A situação econômica e financeira das empresas com negociação suspensa na BOVESPA e os modelos de previsão de falência”. Foi com esse projeto que o aluno do curso de graduação em Ciências Contábeis da Faculdade Senac, unidade Contagem, Diego Henrique Araújo dos Santos, ganhou, junto ao professor/orientador Carlos Alberto de Souza, o Prêmio Internacional de Produção Contábil Técnico-Científica Professor Doutor Antônio Lopes Sá. A pesquisa, que ficou em primeiro lugar dentre as propostas enviadas para premiação, que ocorreu durante a IX Convenção de 32 Educação e Oportunidade - 5 - 2013 Contabilidade de Minas Gerais, no mês de junho, em Belo Horizonte, teve como objetivo analisar a aplicação de modelos idealizados por autores consagrados das áreas administrativas e contábeis para a previsão de insolvências (ou seja, de empresas que não têm condições de quitar dívidas contraídas), em oito organizações com registros suspensos na bolsa de valores de São Paulo. O estudo foi realizado a partir do Projeto de Iniciação Científica (PIC) da Faculdade Senac, em 2012, iniciativa na qual, após proposta aprovada, o aluno recebe uma bolsa no valor de R$ 120,00 e Ensino superior precisa se dedicar, no mínimo, duas horas semanais presenciais ao desenvolvimento do projeto. Para o orientador e professor do curso Carlos Alberto, esse modelo de pesquisa reforça a importância da iniciação científica e ainda condiciona melhor o aluno quando em atuação no mercado. “O desenvolvimento desse trabalho deu um destaque ainda maior à Faculdade e mostrou ser viável explorar essa área mesmo aos alunos que estudam à noite e trabalham durante o dia. O Diego é prova de que isso é possível. Além disso, com o PIC o curso de graduação em Ciências Contábeis garante que o futuro contabilista esteja capacitado a compreender as questões científicas, técnicas, sociais, econômicas e financeiras, em âmbito nacional e internacional e nos diferentes modelos de organização”, ressalta Carlos. Atualmente no último período da graduação, o aluno ganhador do prêmio afirma que ganhar foi uma grande surpresa e antecipa alguns de seus planos profissionais. “Há seis anos atuo no setor contábil. Fiz o curso para auxiliar, depois para fortalecer e garantir o reconhecimento desse profissional no mercado de trabalho. Para a Faculdade Senac esse cenário também não poderia ser diferente. De acordo com a coordenadora do curso, Carolina Cardoso, o corpo docente está sempre considerando as necessidades do mercado para propor e aplicar novos conceitos e propostas. “Temos que pensar em vários âmbitos ao oferecer um curso. A Faculdade Senac em Minas propõe um currículo desenvolvido para que o contador alcance uma formação sólida. O Laboratório Contábil e o Núcleo de Consultoria Contábil, por exemplo, são dois de nossos principais diferenciais. Por meio deles os alunos podem trabalhar com as rotinas contábeis para empresas que nos procuram no sentido de prestação de consultorias gratuitas. Essa é uma forma de ganharem experiência, expertise e melhorar o currículo. Tudo isso sem deixar de lado a iniciação científica. Ao pensarmos nossa grade, colocamos sempre em conjunto iniciação científica e mercado”, afirma a coordenadora. técnico e agora a graduação em contabilidade, e venho colhendo os frutos dessa dedicação. Estudar a problemática da pesquisa me proporcionou uma evolução nos âmbitos pessoais, acadêmicos e profissionais. Ver em alunos de períodos anteriores ao meu a vontade de seguir esse caminho também foi outra grande satisfação. Apresentei a pesquisa em algumas salas e até isso foi positivo, já que pretendo continuar os estudos na área e, posteriormente, lecionar”, conta Diego. EFICIÊNCIA E RECONHECIMENTO Celebrado pelo Conselho Federal de Contabilidade como o ano da contabilidade no Brasil, 2013 tem sido um tempo de grande relevância OUTROS DESTAQUES Além da premiação recebida durante a IX Convenção de Contabilidade de Minas Gerais, após quatro anos de abertura do curso, a unidade Contagem formou, no primeiro semestre deste ano, sua primeira turma de Ciências Contábeis. Ainda este ano, outros dois produtos escritos por alunos do curso foram publicados, sendo um deles um artigo na revista do IX Simpósio de Excelência em Gestão e Tecnologia e outro um trabalho de conclusão de curso no periódico do Congresso Internacional em Administração. Educação e Oportunidade - 5 - 2013 33 Artigo CÍNTIA APARECIDA DE RESENDE Pós-graduada em Administração Pública da Faculdade Senac em Minas. E-mail: [email protected] Mobilidade urbana e a Copa do Mundo 2014 no Brasil: os impactos do evento na transformação e melhoria do transporte de pessoas na cidade-sede de Belo Horizonte A Copa do Mundo de 2014 no Brasil é um evento de proporções planetárias que atrairá milhares de pessoas para o nosso país e que, atualmente, se tornou o principal foco de programas e projetos governamentais em infraestrutura e serviços em diversos segmentos nas cidades-sede eleitas. Dentre os segmentos contemplados, a mobilidade urbana provavelmente é um dos mais relevantes. Sua importância se faz tanto para atender à demanda pontual de circulação dos turistas a serem recebidos para a Copa do Mundo quanto para contemplar as necessidades dos habitantes das cidades-sede e entornos, os quais atualmente sofrem com as deficiências em mobilidade e que herdarão os projetos concretizados nessa área, quer sejam bem-sucedidos quer não. Com isso em mente, o pre- 34 Educação e Oportunidade - 5 - 2013 sente artigo tem o objetivo de analisar se os projetos e as ações governamentais em mobilidade urbana voltados para a realização da Copa do Mundo 2014 na cidade-sede de Belo Horizonte estão alinhados com as principais necessidades da capital no que se refere ao transporte de pessoas. Isso porque os megaeventos esportivos como a Copa do Mundo são tidos como catalisadores de aceleração dos países-sede no que se refere ao processo de investimento em áreas cruciais que já deveriam ter ocorrido, particularmente em relação à infraestrutura urbana, e um dos setores estratégicos que já está recebendo grandes obras e investimentos governamentais para a Copa 2014 é a mobilidade urbana. Mobilidade urbana é a condição em que se realizam os deslocamentos de pessoas e cargas no espaço urbano. Em Belo Horizon- te, as principais deficiências em transporte de pessoas diagnosticadas estão relacionadas ao sistema viário, ao transporte individual, ao sistema metropolitano e ao transporte coletivo municipal, devido ao seu baixo desempenho. A operacionalização das possíveis soluções para esses problemas depende de grandes investimentos nos diversos segmentos do sistema de mobilidade e a grande oportunidade para atrair e executar esses empreendimentos é a Copa do Mundo 2014. De acordo com informações governamentais, são oito os projetos e as ações em mobilidade urbana para a Copa 2014 destinados à capital. Juntos, eles somam mais de um bilhão e quatrocentos milhões de reais. São eles o Boulevard Arrudas / Tereza Cristina, BRT Antônio Carlos / Pedro I, BRT Área Central, BRT Cristiano Machado, Corredor Pedro II e Artigo Obras Complementares nos BRTs Antônio Carlos / Pedro I e Cristiano Machado, Expansão da Central de Controle de Trânsito, Via 210 (Ligação Via Minério / Tereza Cristina) e Via 710 (Andradas / Cristiano Machado). Ao se tecer um paralelo entre os projetos voltados para o evento e os problemas relacionados ao transporte de pessoas diagnosticados na capital mineira, observa-se que a maioria das ações governamentais busca solucionar prioritariamente dois deles: os relacionados ao transporte coletivo e os relativos ao sistema viário. O estudo dos empreendimentos voltados para a rede viária revela a busca por melhorias na circulação dos veículos motorizados, com o alargamento das vias arteriais, como as Avenidas Pedro I e II, Antônio Carlos, Cristiano Machado e Tereza Cristina, recuperação do pavimento e construção de vias de conexão entre corredores. Porém, essas ações estão concentradas nas vias estratégicas à realização da Copa do Mundo. Poucas e pontuais também são as iniciativas para promover a ligação entre os corredores arteriais. Apenas os projetos das vias 210 e 710 preveem a implantação dessas conexões. A implantação do BRT em dois importantes corredores arteriais de Belo Horizonte surge como a principal estratégia governamental na resolução das deficiências relacionadas ao transporte coletivo para a Copa 2014. Embora os projetos do BRT incluam a implantação de duas estações de integração, a ausência de projetos voltados para a estruturação de uma rede troco-alimentada mais abrangente e integrada ao sistema metropolitano limita seus benefícios. Três dos empreendimentos para a Copa 2014 contam com iniciativas de priorização de tráfego para o transporte coletivo motorizado convencional, contemplando as avenidas Pedro II, Tereza Cristina e a Área Central com a adoção de faixa exclusiva e de vias preferenciais para ônibus. Trata-se, mais uma vez, de ações concentradas regionalmente, assim como serão seus benefícios. Nenhum dos projetos levantados prevê a melhoria do sistema sobre trilhos da capital. De acordo com as informações pesquisadas, o BRT será o sistema alternativo ao metrô para o transporte de massas no evento. Não existem, também, iniciativas específicas voltadas para a resolução dos problemas relacionados ao transporte individual, ao sistema de pedestres ou ao sistema metropolitano. Os possíveis benefícios observados para esses segmentos serão aqueles decorrentes de outros projetos. Frente a tudo o que foi exposto, conclui-se que, embora os projetos voltados para a Copa do Mundo 2014 contemplem algumas das necessidades da cidade-sede de Belo Horizonte em relação ao transporte de pessoas, trata-se de um atendimento parcial, demonstrando que a principal preocupação do Poder Público ao selecionar os empreendimentos em mobilidade para a Copa 2014 foi o atendimento ao evento. Assim, a cidade perde uma oportunidade única de garantir investimentos para a execução de importantes projetos que poderiam, ao mesmo tempo, atender ao evento e assegurar soluções mais robustas e com resultados a longo prazo para os problemas relacionados ao transporte de pessoas na capital mineira. Referências BHTRANS. Empresa de Transporte e Transito de Belo Horizonte S/A. Diagnóstico e Prognóstico Preliminar do Plano de Mobilidade Urbana de Belo Horizonte. Belo Horizonte, 2008. Disponível em: <http://www.bhtrans.pbh.gov.br/portal/page/portal/portal publicodl/ BHTRANS/A%20Empresa/publicacoes/PlanMob-BH-DiagProgPrelimOut2008. pdf>. Acesso em: 28 fev. 2013. BRASIL. Ministério do Esporte. 4º Balanço das Ações para a Copa (1º Ciclo): Cidade-sede de Belo Horizonte. Dezembro 2012. Disponível em: <http://www.copa2014.gov.br/ sites/default/ files/publicas/12272012_balanco_belohorizonte.pdf >. Acesso em: 18 fev. 2013. Confira o artigo completo em www.mg.senac.br/educacaoeoportunidade Educação e Oportunidade - 5 - 2013 35 Em ação Intérprete acompanha aluna com deficiência auditiva em sala de aula, uma das ações de inclusão desenvolvidas pelo Senac em Minas Ações para uma sociedade inclusiva Adequações arquitetônicas para acessibilidade, capacitação de alunos com deficiência e encaminhamento de profissionais com deficiência a vagas de emprego. Ações como essas fazem parte dos projetos desenvolvidos pelo Senac para reduzir as barreiras encontra- 36 Educação e Oportunidade - 5 - 2013 das pelas pessoas com deficiência. Nessa trajetória de inclusão, que começou em 2002, um importante passo foi dado no ano passado com a criação da Comissão de Ações Inclusivas Senac em Minas. Na pauta estão várias ações que visam a construção de uma sociedade onde todos possam conviver igualitariamente. Railda Mendes Sena, presidente da Comissão de Ações Inclusivas, explica que, desde o início deste ano estão ocorrendo mudanças que propõem um atendimento com qualidade ao aluno com deficiência. Entre Em ação elas estão a capacitação de docentes para favorecer o processo de ensino aprendizagem do aluno com deficiência e o treinamento de funcionários para atendimento adequado a esse público. Também foi elaborada uma cartilha sobre a convivência com a pessoa com deficiência, com o objetivo de trabalhar as barreiras atitudinais, através da informação. Outra ação é o auxílio às empresas que precisam cumprir a lei de cotas. O trabalho tem apresentado resultados positivos. Ana Roberta da Cruz, membro da comissão, cita o exemplo de uma empresa da área hospitalar que admitia pessoas com deficiência apenas para auxiliar administrativo e passou a contratá-las em diversos cargos, como técnico de enfermagem e farmacêutico. Ana Roberta acredita que apesar dos avanços conquistados, ainda há muito a ser feito para uma sociedade mais inclusiva. “Não adianta mudar barreiras arquitetônicas se a pessoa não tem a inclusão dentro do coração. Se a sociedade não perceber que todos têm direito ao trabalho, à saúde, ela não vê sentido em colocar uma rampa para o outro. Existe uma lei, mas é importante que as pessoas tenham interesse em conviver com o outro”. APRENDIZES INTEGRADOS Apesar de não ter a obrigatoriedade do cumprimento da cota de aprendiz por ser uma empresa formadora, o Senac optou por fazer diferente, como explica Jaqueline Salgado, também integrante da Comissão de Ações Inclusivas. “Desenvolvendo o programa de Jovem Aprendiz em que qualificamos jovens com deficiência para o mercado de trabalho, decidimos integrá-los ao nosso quadro e estamos efetivando alguns deles”, afirma. INCLUSÃO EM SALA DE AULA Scarlet O’hanna Rezende de Oliveira Pinto, de 25 anos, deficiente auditiva, conta que enfrenta dificuldades no seu dia a dia por causa de sua limitação. Mas ela encontrou uma grande oportunidade no Senac Barbacena. Scarlet está fazendo o curso Técnico em Secretariado, e conta com uma intérprete de libras que a acompanha. Frequentar uma sala de aula para se capacitar contribuiu para a elevação da autoestima da jovem. “Sempre desejo aprender e fazer cursos, mas muitos lugares não têm intérprete. O Senac abriu a oportunidade para mim e para outros surdos da região”. O intérprete é apenas uma das ações de inclusão desenvolvidas pelo Senac Barbacena. No primeiro semestre, o aluno Cássio Otávio Ferreira, deficiente visual teve um computador com monitor de 42 polegadas, material impresso com fonte em tamanho personalizado e o conteúdo gravado em áudio à disposição na sala de aula. Cássio Otávio Ferreira, deficiente visual teve à disposição na sala de aula um computador com monitor de 42 polegadas Educação e Oportunidade - 5 - 2013 37 Em ação Aumentando o time Com o objetivo de contribuir para a disseminação do conhecimento profissionalizante e promover novas iniciativas educacionais, o Senac em Minas firmou uma aliança que tem dado bons resultados. Desde 2012, a instituição tornou-se parceira do Tio Flávio Cultural, projeto que atua no setor de gestão, consultoria e educação, na realização de palestras, seminários e encontros destinados a estudantes, profissionais atuantes no mercado de trabalho e empresas de diferentes setores. Encontros Empresariais, apoio ao Movimento de Empresa Júnior (MEJ), eventos aos jovens aprendizes e palestras em shoppings são partes desse projeto que conta com o aporte técnico do Senac em Minas. Atualmente, mais de 20 mil pessoas já foram beneficiadas em função dessa união, que tem como novo norteador desenvolver propostas que considerem o desenvolvimento profissional e a disseminação de novas ideias para mudar a realidade do mercado mineiro, inclusive visando à melhoria do desempenho da prestação de serviços durante os jogos da Copa do Mundo FIFA em Belo Horizonte. De acordo com o idealizador do projeto, Flávio Tófani, carinhosamente conhecido como Tio Flávio, a proposta para o final de 2013 e primeiro semestre de 2014 é ofertar opções de capacitações e atualizações de conteúdo considerando as necessidades mercadológicas exigidas para o período de realização dos jogos na capital mineira. “Estamos com uma programação que vai abordar, em palestras gratuitas, temas que contemplam a qualificação pessoal e a análise de oportunidades. Iremos realizar, por exemplo, ações voltadas para os prestadores de serviço, contando com o suporte do Banco de Oportunidades do Senac em Minas, com vistas a atrair taxistas, trabalhadores do comércio, da rede hoteleira, do setor de bares e restaurantes, cafeterias e afins a compreenderem e se prepararem da melhor forma para o mês da 38 Educação e Oportunidade - 5 - 2013 realização do evento na cidade”, informa Tio Flávio. Além de iniciativas em Belo Horizonte, a parceria já possibilitou a promoção de eventos em Governador Valadares, Juiz de Fora, Montes Claros, Pouso Alegre, Divinópolis, Curvelo, entre outras cidades. Para a coordenadora do Banco de Oportunidades, Ana Roberta da Cruz, por meio da apresentação das instituições parceiras antes do início das palestras e seminários, é possível dar maior visibilidade ao portfólio do Senac, divulgar o Banco de Oportunidades e ampliar o networking da instituição. “Nesses espaços temos a chance de trocar cartões com várias empresas e falamos para mais de 100, às vezes 200 empresas ao mesmo tempo. Se fôssemos visitar cada uma levaria um tempo incomparavelmente maior. Essa é uma ótima ocasião para que essas empresas tenham acesso ao Senac e nós a elas. E esse é um ganho enorme para o Senac”, pontua Ana Roberta. ENTENDA OS PROGRAMAS Encontros Empresariais: iniciativa destinada a empresas e empresários que têm como objetivo estabelecer trocas entre os participantes e criar uma rede de relacionamento. Tio Flávio Cultural: o projeto visa disseminar novas ideias no mercado e promover o compartilhamento de conhecimento por meio de palestras, blogs, artigos, revistas etc., tudo com acesso gratuito a qualquer interessado. Tio Flávio Cultural Jovem Aprendiz: semelhante ao Tio Flávio Cultural, mas voltado especificamente para atender as necessidades dos jovens aprendizes. Tio Flávio Cultural – MEJ: encontros com jovens empreendedores visando reforçar sua atuação no mercado. Opinião Bola na Trave não Altera o Placar “Bola na trave não altera o placar. Bola na área sem ninguém pra cabecear. Bola na rede pra fazer um gol! Quem não sonhou ser um jogador de futebol?” Bem... Pra ser sincero, ser um jogador de futebol passou bem distante dos meus planos de vida. Talvez, até mesmo por não ter tanta intimidade assim com a parte “redonda” do jogo apesar de arriscar uma “pelada” de vez em quando. Mas mesmo não sendo um jogador nato, uma regra é clara para qualquer um, entendedor ou não da arte futebolística: Bola na trave não altera o placar! Não adianta se o passe foi de letra, se houve um drible magnífico ou se foi em um toque de calcanhar. Se não balançar a rede não é gol! E assim funciona também o jogo da vida real, nosso campeonato diário onde temos por obrigação consagrar nossas empresas campeãs. E o problema maior acontece quando percebemos que assim como nos clubes de futebol, em nossa “partida” corporativa estamos rodeados de “pernas de pau”. Profissionais que enfeitam demais e jogam de menos! Como os “fominhas” dos gramados prendem a bola ao invés de lembrar que existe time e que a vitória depende do trabalho de todos. Estes, com suas “firulas” podem até enganar um ou outro gestor: Partem para o ataque... Um chapéu no primeiro concorrente... Por baixo das pernas da crise financeira... Com uma ginga de corpo deixam pra trás as adversidades do mercado... Driblam mais um... Driblam outro... Mas quando chegam na cara do gol..... Chutam pra fora!!! A torcida grita, reclama! Mas não é por menos, diferente de uma simples partida de futebol, o jogo corporativo é como se cada dia representasse uma final de copa do mundo. Isso porque o troféu não está disponível para empresas amadoras ou mal preparadas. Para vencer no mundo dos negócios as organizações precisam contar com jogadores de verdade que, além de suar a camisa, queiram treinar de forma permanente a pontaria e disparar chutes certeiros rumo ao Gol. Procure melhorar seu toque trabalhando cada vez mais em equipe. Busque aperfeiçoar sua visão de jogo analisando bem o mercado. Multiplique suas competências! Aprenda a cobrar o “escanteio” e se fazer presente na área para cabecear. Treine sua mira! Concentre-se nos objetivos de sua empresa, chute firme, balance as redes, corra para o abraço e comemore seu gol! Seja um verdadeiro artilheiro do mundo dos negócios! Seu time precisa muito de você ! WILFRED SACRAMENTO COSTA JUNIOR Gerente regional Centro Norte do Senac em Minas, Professor Universitário, Administrador de Empresas, Especialista em Gestão Educacional, Pós-Graduado em Marketing e Negócios pela Fundação Getúlio Vargas e Mestre em Marketing e Gestão de Pessoas. E-mail: [email protected] Educação e Oportunidade - 5 - 2013 39 Alunos Busca pela capacitação Se por um lado o Senac se preocupa em oferecer uma enorme variedade de cursos para atender as demandas do mercado, desde os cursos de Aprendizagem Comercial e Capacitação até a Pós-Graduação, por outro, há sempre alunos sedentos por novos conhecimentos. E eles sabem da importância de investir em capacitação, ainda mais com as perspectivas positivas proporcionadas pelos eventos que irão acontecer no país. “O curso não apenas me ensinou a como se comportar no mercado de trabalho, mas me ajudou a superar obstáculos. Quando entrei no Senac, sofria de síndrome do pânico, tinha medo de andar sozinha, de altura e até mesmo de ficar no Senac, pois minha sala era no 8° andar. Cheguei a pensar em pedir o desligamento. Mas hoje agradeço a direção por não ter me mudado de andar, pois vi que sou capaz de superar barreiras. Agradeço ao Senac, à minha turma e, principalmente, à minha orientadora que não me deixou desistir. Aprendi a trabalhar em equipe, a exercitar a paciência e a ter força de vontade.” Vanessa Pacheco do Amaral, aluna do curso Aprendizagem Comercial em Serviços Administrativos (Senac Belo Horizonte) “O corpo docente do curso nos prepara para entender a gastronomia por um ponto de vista crítico e, acima de tudo, mercadológico. A importância da formação para mim é a profissionalização de uma mão de obra com habilidades e competências que vão para além do que há no mercado hoje em Belo Horizonte. Isso gera uma expectativa de formação inovadora, claro que com muito estudo e dedicação. Eventos turísticos de grande porte, como a Copa do Mundo, são palcos de atuação significantes, pois estaremos mais do que especializados para atender as demandas.” Guilherme Aragão Cardoso, aluno do curso Tecnologia em Gastronomia (Faculdade Senac, em Belo Horizonte) 40 Educação e Oportunidade - 5 - 2013 Alunos “Aprendi que ser recepcionista não é apenas receber pessoas em festas e eventos, mas se pratica no dia a dia, no jeito de se portar e se autoavaliar. O curso teve grande importância na minha vida, pois aprendi a ser mais profissional e penso em fazer faculdade de Eventos para abrir uma empresa. Nos eventos que vão acontecer, terei a oportunidade de colocar em prática o que aprendi, principalmente na Copa do Mundo, em que haverá inúmeras oportunidades. Agradeço ao Senac, através do Pronatec, pela oportunidade que me estabeleceu.” Jefferson Oliveira de Jesus, aluno do curso de Recepcionista de Eventos (Senac Belo Horizonte) “Com formação em História, sempre gostei de arte e gastronomia, e meu sonho era trabalhar com alimentos, principalmente na área de confeitaria. Escolhi o Senac para me formar como cozinheira, confeiteira e cake design, já que a instituição é referência em gastronomia e hotelaria no país. Pretendo abrir uma confeitaria e dar aulas na área, e o curso me capacita para isso. Sou muito grata ao Senac por essa realização pessoal. Cozinhar não é apenas servir, é proporcionar alegria, lembranças e sensações prazerosas a quem degusta.” Érika Mendes Souza, aluna da PósGraduação MBA em Gastronomia (Senac Barbacena) “Por ser multidisciplinar, o curso oferece ótima base de conhecimento para o aluno desenvolver as competências necessárias para se destacar na profissão. As disciplinas apresentadas em sala de aula complementam-se com as visitas técnicas, aliando teoria e prática. Com o crescimento da atividade turística e com as oportunidades proporcionadas por megaeventos que o país vem recebendo, já está aumentando a demanda por profissionais, como os guias de turismo. O mercado irá buscar aqueles diferenciados, mais qualificados e preparados para atender o turista. O curso será fundamental para meu crescimento e desenvolvimento profissional.” Ygor Teles Lauar, aluno do curso Técnico em Guia de Turismo (Senac Belo Horizonte) Educação e Oportunidade - 5 - 2013 41 Dicas Professor lança livro sobre ataque e proteção às redes sem fio Em um mundo cada vez mais plugado em tecnologia, um assunto não pode ficar de fora: a segurança das redes sem fio. Atento aos problemas recentes enfrentados pelos usuários, o orientador de cursos do Técnico em Redes de Computadores do Senac em Minas, Marcos Flávio Araújo Assunção, publica seu oitavo livro, o Wireless Hacking: ataques e segurança de redes sem fio Wi-Fi, lançado no início de setembro pela Editora Visual Books. A obra, que é pioneira no Brasil devido ao enfoque, mostra o quanto as redes wireless estão desprotegidas e aborda as principais ameaças, métodos utilizados por invasores para acessar as redes e maneiras de impedir que esses métodos funcionem. Além disso, o autor aponta sugestões inovadoras para resolver os problemas relacionados à segurança. O livro é indicado para estudantes e profissionais da área, sendo uma ferramenta para que eles possam analisar os riscos e desenvolver uma proteção adequada para as redes sem fio nas empresas. O livro pode ser adquirido pelo site da Editora Visual Books (www.visualbooks.com.br) e nas livrarias. Atendimento dos garçons e trabalho infantil são temas de cartilhas Atento aos assuntos relevantes do cotidiano, o Senac lançou mais duas cartilhas: Atendimento que faz a Diferença: uma boa pedida!, destinada a auxiliar os garçons no relacionamento com os clientes, e Trabalho Infantil Doméstico: Entendendo a Questão, que objetiva informar e alertar sobre a proibição legal e os malefícios causados às crianças que são submetidas ao trabalho doméstico. Káttia Norberto Pereira, redatora da cartilha sobre o trabalho infantil, explica que o material foi elaborado numa perspectiva interativa, através de perguntas e respostas, com um projeto gráfico diferenciado, que privilegia o tema. Há também fragmentos do depoimento de uma vítima do trabalho infantil. “Usamos uma linguagem acessível, de forma que as pessoas possam pegar a cartilha e encontrar respostas de imediato”, explica Káttia. Já a cartilha Atendimento que faz a Diferença: Uma Boa Pedida! surgiu com o objetivo de contribuir com bares, restaurantes e lanchonetes para melhorar o atendimento ao cliente, como explica Mônica Simin, coautora do material. “Vivenciamos situações de pessoas reclamando muito do atendimento nesses locais e, então, quisemos contribuir para ajudá-los a repensar as práticas no atendimento”. A cartilha ainda oferece outras dicas aos atendentes, como apresentação pessoal e higiene na manipulação de alimentos. Acesse a coleção de cartilhas no site do Senac (www.mg.senac.br) 42 Educação e Oportunidade - 5 - 2013