Interrogo-me, por vezes, se vale a pena continuar-mos a escrever! Os Caçadores que não pensam na estado em que se encontra a caça no nosso País, julgo, mas até gostaria de ter a certeza, estarão Eles, num estado de hipnotismo causado pelos textos literários dos ilustres autores da ribalta? Porém, eu, as palavras que gostaria de ler, por parte de aqueles que aparecem nos tablóides, seriam mais as palavras que fazem falta, as palavras, que se calhar, jamais as escreveram, as palavras que iniciaram a mudança no sector da caça em Portugal! São só palavras e nada mais! Valem o que valem, parece-me, que valem mais do que as nossas certamente, mas, pelo menos as nossas, reflectem a realidade do sector da caça no nosso País e apontam soluções, o caminho a seguir de forma a mudar a opinião pública, demonstrar o que está mal e o que deveria mudar para algo mais... para muita reflexão! Mas, também há palavras que nos marcam para toda a vida, sem dúvida, aquelas que mais me entristecem, como qualquer um de nós, mas como Caçador que sou, estas, as que vos transcrevo, atrevo-me a dizer, que gostaria de conhecer o autor pessoalmente e aprender ainda mais com Ele. Então foram estas as suas palavras : A ÚLTIMA CAÇADA “Peço que me desculpem alguma falta de firmeza na mão, que já há muito não empunhando a espingarda, conhece agora alguma dificuldade em pegar na pena. Há já mais de dez anos que deixei de caçar, porque a idade mo exigiu, o meu entretém é a leitura e sobretudo da Calibre 12 de tenho pena as páginas não sejam o dobro. É a forma de manter contacto com o mundo a que outrora pertenci, retirado que estou de tudo, aos noventa e dois anos, mortos já os meus amigos até família. Cacei por mais de meio século, quando a minha vida profissional me levou por Beiras, Alentejo e Ribatejo. Foi tempo de caça, de cães, de alguns caçadores e de todas as coisas que recordo com saudade e a vossa revista tem-me ajudado a lembrar ou mesmo informar do que vai passando. Como na minha idade nunca se sabe o amanhã, decidi fazer esta carta, maçadora de agradecimento por ajudarem um velho caçador a ir vivendo um pouco do que se caça ainda. Sou do tempo do terreno dito livre, que assim o era por haver caça e não haver quase caçadores, como sou do tempo das coutadas. Digam o que disserem, a caça tem que ter um dono como as ovelhas, o que é de todos não é de ninguém, como o mel dos enxames silvestres que ninguém aproveita. Outro disparate parece ser a nova lei sobre posse de armas de fogo, acham os políticos de fraco conhecimento das coisas, que esta lei talvez diminua a criminalidade, como se os criminosos actuassem com armas legalizadas e de posse de licenças, é ridículo! Façam leis e políticas económicas e sociais capazes, elas sim terão esse efeito. Digo mesmo que se conduzir ou portar uma arma é um acto de responsabilidade incompatível com alcoolémia, também e mais o é, que o Governo, ministro e demais sejam submetidos ao tal teste de cada vez que forem ao parlamento ou ministérios. É que certas leis, declarações e actuações parecem de ébrios e não de gente de juízo. Perdoem-me e desabafo e vamos ao motivo da carta desta carta. Fiquei vivamente impressionado com o conto que veio na revista, " O Padre Bento ". É uma história de uma sensibilidade extraordinária que releva da caça muito daquilo que muitos nunca entenderão e que é a sua essência : a sua ligação à terra, à vida e á morte. Conheci tantos " Padres Bento" que julgava já não haver hoje ainda quem se lembrasse deles no mundo de hoje. Admira-me haver ainda caçadores a sentir as coisas assim, a ver e perceber um mundo que pensava já não haver. Faz-me sentir orgulhoso em ter na nossa confraria artistas como o foram Aquilino, Bulhão Pato, Miguel Torga, Thomás de Figueiredo e o Sr. D. Carlos de Bragança. Uma actividade quando praticada por gente assim fica privilegiada e tem que ser vista pelo que é, nobre e sã. Ponham nela esses patetas que a querem destruir do sentido profundo que tem, de ligação ao homem e à natureza no seu mais íntimo. Este conto, simples mas soberbo de observação e descrição de outro mundo, um mundo campesino já só de alguns conhecido, poderia figurar em qualquer " Selecta Literária " a par dos de outros grandes mestres e muito podia ensinar aos pobres estudantes de hoje, sobre coisas que são antigas e raras. Este conto fez-me lembrar outros e, no meu vagar e paciência, os fui descobrir em números atrasados da revista. Lá encontrei " A última caçada " - comovente, é o que nos espera. " O furtivo " - magnífico e tocante, outro retrato do um mundo em extinção. " A parábola do caçador " - actual e um magnífico ensaio sobre o saber da caça e da terra por oposição a uma pieguice qualquer dita de conservacionismo. Achei ainda " Ir caçar em Espanha - à do Chico Torres" - quem me dera poder ir, se bem que me parece que fui e até que conheço aquela gente. Também fui com ele à ilha das flores, " por entre terra verde e mar azul ", e outros artigos deste Senhor Escritor que tantas saudades me faz ter do " terreno livre ". Enquanto espero a partida para a última caçada vou lendo este caçador - escritor que se dedica ainda à caça grossa e que alguns artigos lhe vem dedicando, sempre muito bem escritos com cor e animação, embora a mim me façam vibrar pois a ela nunca me dediquei muito. Pedir-lhe-ia sobretudo que me levasse de novo a caçar à do Chico Torres, ou que ele deambulasse pelo " Terreno Livre ", momentos altos de uma revista de caça que está de parabéns por ter colaboradores de nível de gabarito. Talvez um dia venham a experimentar o bem que me sabe lê-lo, aqui neste cantinho, perdido em Lisboa, e não longe já da caça. A todos um grande bem-haja e um abraço deste caçador já com a trouxa para o outro lado, que espero sinceramente seja um paraíso para a caça.” IN C12 ( texto de: Exmo. Senhor João Loureiro ) Pois é, são palavras como estas, que vale a pena ler e reler vezes sem conta, até que consigamos as entender no seu todo! Para reflexão sem dúvida. Ao longo destes anos todos, mesmo até, desde que comecei a caçar, foi aprendendo a ouvir e a entender as palavras que escutei, algumas delas, muito úteis para a minha vida como Caçador, outras até, para a minha vida quotidiana ou para o meu dia-a-dia. Ensinaram-me a ser Homem, a ser um Caçador com respeito à vida, entre todas que ouvi, gostaria de vos deixar algumas, para reflexão individual, que fui lendo e ouvindo por ai! Desde livros e aos artigos que li, à conversa com ás amizades que fiz, mesmo até, à conversa na internet, não sabendo com quem estamos por vezes a falar, são só palavras... as minhas, também as são, para quem as lê, e valem o que valem, sejam elas escritas por alguém! É inegável que algo está mal na caça no nosso País, quem o não reconhecer, reflecte o individualismo hipnotizado que vai na sua alma caçadora! Especialmente para aqueles que pensam estarmos bem! Proponho, desta vez, a relembra uma vez mais, algumas dessas palavras, que a meu meu, nunca é demais voltar a escreve-las vezes sem conta até que...! Recordo as palavras de um confrade num portal na internet conhecido, S. Huberto, onde existe um fórum para caçadores, palavras essas, que também as gostaria de as transcrever. Então foram estas : “Devemos ter em conta, que não necessitamos de nos organizar politicamente, mas sim de exigir àqueles que já estão eleitos que porfiem a nosso favor, e à rápida implementação pelos "Serviços" (AFN's) dos tão discutidos "Planos Globais de Ordenamento Cinegético" pois são as bases mais fiáveis de vir a garantir a rentabilidade da profusão de ZC's que temos ao garantirem a existência de um efectivo cinegético sustentado e sustentador, isto é rentável porque desenvolvido por profissionais, mas acessível a todos. Por fim, acabar com a eterna pulverização de organizações do sector da caça, cada qual sem força nenhuma servindo exclusivamente de palco a quem busca audiência, e os seus "quinze minutos de fama." Eu partilho das suas palavras, concordando com as suas opiniões, mas ponho as minhas dúvidas, de por onde devemos começar, pois, e se calhar, deveríamos começar tudo de novo! Não vejo pessoas capazes de iniciar, neste momento que tanto anseio, processo este, de modo que se garanta uma caça sustentada e rentável, antes isso, seria sem dúvida a necessidade de mudar a mentalidade dos demais ou dos que traduzem a influência negativa para a opinião pública em geral! Em 2007 inscrevi “ Verdades e Consequências no sector da Caça em Portugal “, onde proponha, como o deveríamos fazer. Então foram estas as palavras : “Diz o Artigo nº 13, nº 1 da Constituição da Republica Portuguesa que "Todos os Cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a Lei". Na Caça verifica-se que: Nas Zonas de Caça actuais, os naturais ou residentes na área das Zonas de Caça, têm um tratamento preferencial ! Logo à partida, quase sempre os naturais ou residentes, pagam bastante menos do que os restantes membros, os não naturais ou não residentes ! Verifica-se ainda que, os naturais, para além do referido, praticam o exercício da caça todos os dias, sejam eles a meio da semana, domingos e feriados, sem necessidade de perda de tempo em deslocações e gastos por vezes elevados com as mesmas, com dormidas e alimentação, para além de raras vezes o poderem fazer em dias que não sejam os domingos. Os não residentes ou naturais, pagando mensalidades incomparavelmente superiores, são na verdade quem paga praticamente todas as despesas inerentes ao funcionamento das Zonas de Caça da qual fazem parte. Todos os Caçadores, deveriam ter o direito e a possibilidade de praticarem o tipo ou tipos de Caça da sua preferência. Todos sabemos que há espécies cinegéticas, nomeadamente migratórias, também chamadas de arribação, que escolhem determinados terrenos com características próprias, onde se concentram. Actualmente, todos esses terrenos estão "ocupados" por Zonas de Caça Turísticas ( Coutadas ) ou Associativas onde apenas alguns, e só esses podem caçar ! Acresce o facto de, nestes casos, os beneficiados nada fazerem para alimentar ou zelar pela caça uma vez que ela vem de outras paragens apenas passar alguns meses nesses terrenos. Temos como exemplos mais flagrantes os patos, os pombos torcazes, as narcejas e os tordos. Parece-me não haver casos mais flagrantes de evidentes injustiças e de privilégios do que estes exemplos ! A Lei da Caça devia dar a todos iguais oportunidades e não apenas a alguns como acontece actualmente. Não estaremos muito longe do tempo em que alguém, mesmo sendo Caçador, desconheça que existem várias espécies de Patos Selvagens, que não saibam que o bico da narceja é comprido e que o pombo torcaz é o maior de todos os pombos ! Se por um lado esse futuro Caçador nunca saberá distinguir as espécies de patos, poderá ainda com alguma sorte, abater algum pombo torcaz tresmalhado, um tordo ou galinhola que se aproxime da sua casa em dias de Inverno mais rigoroso! Para além de tudo isso, a Caça nos moldes actuais, jamais poderá permitir que um futuro Caçador possa desfrutar das belezas que os nossos montes e aldeias lhe poderiam proporcionar, não só a ele como aos próprios familiares. Ante o exposto, e tendo em vista concretizar uma ideia sobre o que deve ser a Caça. PROPOSTA: A divisão do território nacional em REGIÕES DE CAÇA, cada uma englobando vários Distritos ou mesmo Províncias, porque não as actuais regiões 5 cinegéticas. Assim, teríamos não as actuais pequenas Zonas de Caça Associativas, Municipais ou outras, mas sim, grandes Regiões ou Zonas de Caça, às quais todos os Caçadores poderiam ter acesso em igualdade de circunstâncias.” Lembro-me em tempos, o texto que escrevi, ser considerado uma “lufada de ar fresco” para muitos, algo essencial para compreender o problema, apontando soluções! Lembro-me ainda, por outros, os que não concordarem em nada ou quase nada do que escrevi... para estes, minha resposta foi e será sempre a mesma : “vocês, serão sempre simples marionetas comandas por quem manda, caçando para onde te mandarem e pagarão aquilo que te exigirem, e os outros”? Gostaria ainda de dizer, e a quem me considerou o “D. Quixote dos Caçadores” , onde vê inimigos por todo o lado, que se um dia, deixarem de estar hipnotizados pelos textos, líricos e de fachada, que só alimentam os seus pensamentos de “Caçador de Sonhos”, que lhes perdo-o. Coitados eles não sabem o que fazem! Ainda surge hoje em dia, em alguns Caçadores, a necessidade de se afirmar como Caçador, porque caça, o que representa a caça para Ele, tentando ir buscar ou explicar através da nossa ancestralidade. Claro, que têm toda a razão e ponto final! Mas, falta qualquer coisa mais...! Como exemplo, foram as palavras de muitos ilustres Caçadores, como foi Miguel de Sousa Tavares, um homem que descobriu que passou a gostar de caçar quase por magia, palavras estas, que no meu entender, vai mais além do a ribalta, pois quando estas saíram publicamente, foi um bater de palmas, que até eu consegui ouvir aqui no Norte do País! Vejam lá! Mas continua a falar qualquer coisa...! Então foram estas as suas palavras : “ Dantes, aos primeiros sinais de Outono, eu entrava em depressão. Mais do que a chegada do Outono, o que me deprimia era o fim do Verão, pois que sempre fui devoto dessa verdade enunciada por Rilke: "só o Verão vale a pena". Imaginar um longo ano pela frente sem as praias e os banhos de mar, sem as noites quentes nos terraços e pátios, as noites em que o luar atravessa a sombra dos pinheiros e vem pousar no chão do quarto onde dormimos de janela aberta, a maresia trazida pelo vento de sueste nas manhãs marítimas, as frutas de Verão nos mercados, o peixe fresco brilhando ainda com luminosidades de prata, as vozes que se transmitem ao longe, dobrando esquinas e ruelas do que resta dos nossos souks em aldeias ou até em Lisboa, tudo isso, imaginar um ano inteiro sem tudo isso, deixava-me irremediavelmente triste e desamparado, como se as marés de equinócio tivessem varrido todas as possibilidades de alegria, todos os dias felizes. Se o Verão morria assim, eu morria também com ele, de cada vez. Mas, há uns anos, tudo mudou. Alguns amigos começaram a levar-me à caça e eu descobri que, além do mar, também havia a terra, e depois do Verão havia o Outono: foi uma descoberta tardia, mas decisiva, como se tivesse descoberto uma quinta estação do ano e, mais do que isso, um novo pretexto para a felicidade. Rapidamente tomei a minha decisão e resolvi tornar-me caçador. Comecei pelo princípio, passo por passo, e são muitos: as aulas e o exame para obtenção da carta de caçador, aprendendo coisas para mim inteiramente desconhecidas, como o ciclo de vida e hábitos dos animais, modalidades de caça, princípios de balística, como criar e treinar cães de caça, etc.” Agora as minhas, pois também sentimentos de Outono : “ Passo a noite mal dormida e pensar no dia de amanhã. Por mais que não queira pensar, não consigo! O Outono liberta em mim sensações que nem eu consigo bem explicar! Numa madrugada fria e húmida, caminho pela serra, olhando para o colorido das folhas caídas no chão, umas castanhas outras vermelhas e amarelas, sinto um arrepio nas costas, sei lá se é do frio ou se é do medo que me salte uma galinhola. Sei lá! De qualquer das formas, continuo a caminhar com o mesmo pensamento. Sinto-me feliz por ser caçador e de receber emanações tal e qual um perdigueiro! Sim, porque para ser caçador é preciso sentir a Natureza, os seus cheiros, ouvir os seus sons, sentir a sua chuva. E por fim, sentado na fraga mais alta, a ver o ribeiro serpentear lá em baixo, até parece que veja as trutas comerem efémeras, nisto, com os binóculos, avisto os lobos no outro lado da encosta fugindo sorrateiramente aos cães da montaria e digo “sou feliz, sou mesmo feliz“. Penso na caça todos os dias, por várias vezes fiz questão de dizer à minha mulher, e Ela, admirada, olha a mim e sorri pensando “deves ser tolinho!“. Hoje, aos 35 anos, sou feliz e sou triste. Sou uma pessoa que vê e sente tudo aquilo que viu e sentiu, ou melhor, sou um autodidacta. Perdiz que mato não mostro, galinhola que me salta não comento, trutas que pesco como-as. A final de contas, estou ansioso no dia de amanhã e só espero acordar ou talvez não e realizar tudo aquilo que penso ou sonho aqui e ali.” Qual a diferença entre ambas? Para quem entender, há muita diferença, a começar por mim, que caço em Portugal, a subir e descer serras a 1.200 a trás de perdizes e MST, caça na Argentina aos patos, por vezes,... e contínua... estou ligado directamente ao mundo rural! Mas continua a dizer que nas suas palavras, falta algo mais...! Quase nasci a caçar! Digo quase, pois desde de tenra idade fazia a minhas armadilhas para caçar melros em pau de mimosa, mais tarde, comprei a minha arma de pressão-ar e já caçava tordos pousados nas oliveiras perto de casa! Ele, reparem, dizendo :” Rapidamente tomei a minha decisão e resolvi tornar-me caçador”. Eu explico, um Caçador não de faz da noite para o dia, o sentir, o querer ser caçador, nasce dentro de cada um de nós, os verdadeiros Caçadores sabem o que quero dizer! Nunca, passa por uma decisão e resolve-se ser um Caçador, tão de repente, porque depois, dá o que dá...! Mas tudo bem! Faço-me entender? Estou certo que a maioria que me entende perfeitamente... depois, vêm as palavras de Maitê Proença, em defesa da caça...! estas, nem se quer vou comentar! Falta algo mais... pena quem pode não o reconhece! Outras, como já disse, manifestam a intenção em querer dizer ou demonstrar a alguém por caçamos, como foi por exemplo de Luíz Pacheco, e muito bem, aqui sim, explicou porque de caçamos, desde há muitos e muitos anos! Foras estas as suas palavras : “uma actividade legítima, com a mística própria de ser tão antiga que remonta aos pré-hominídeos e que os deveria fascinar pela sua ancestralidade e evolução até aos dias de hoje. Os grandes caçadores e os grandes homens, das artes, da cultura, da ciência e da política, os humanistas, que a ela se dedicaram, quer caçando quer estudando-a, deveriam também merecer o Vosso respeito e atenção. Só então poderão falar de caça." Gostei particularmente da sua interversão na SIC, em defesa de nós Caçadores, tentando explicar também que os Caçadores não abandonam os seus cães, pois disse “ nem fazem uma pequena ideia o quanto custa treinar um cão, para o depois os abandonar... não cabe na cabeça de ninguém” O Sr. António Luiz Pacheco, parece-me uma pessoa bastante instruída, útil para nós Caçadores, pelo menos é a impressão que tenho, após troca de alguns palavras com Ele, num fórum de Caçadores, mas o que me custa mesmo, é sabendo disso, alias, como Miguel Sousa Tavares e para não falar em Manuel Alegre, Sousa Cintra, entre outros, que poderiam realmente dignificar a imagem dos Caçadores, e digo todos os Caçadores, no sentido de mudar o conceito actual... mas para quê? Se para Eles parece estar tudo bem? Penso que alguns dos intervenientes, sabem bem o que falta para podermos continuar a caçar com dignidade e respeito! Outras palavras... que desta vez demonstram perfeitamente a diminuição evidente dos Caçadores que deixaram de caçar, foi o caso de Luís Paiva. Foram apenas números, estatísticas bem elaboradas, demonstrando que a prática da caça está a de facto a diminuir. Foram estas as suas palavras : “ Pois o que aconteceu é que, desde 1999 aos dias de hoje, há menos cerca de 30% de potenciais caçadores (portadores da Carta de Caçador) que se resolvem a caçar efectivamente. O que vai de século 21 viu, assim, desaparecer à volta de 1/3 daqueles que caçavam no final da última década do século anterior... Onde devemos então procurar as restantes razões para a redução sistemática dos caçadores? Pois parece-me que é em algo mais subjectivo de detectar e mais difícil de quantificar; a falta de renovação “geracional” do gosto pela Caça. Será esse o factor mais condicionante. Analisando o número de Cartas de Caçador emitidas anualmente e que representa o potencial de novos praticantes, comparando as razões entre esse número e o total de praticantes na mesma época (via licenças emitidas), fácil é concluir que este passou de uns, já por si reduzidos, 2,5% para pouco mais de 1,5%. O que, simplificando, significa que actualmente, para cada 100 caçadores, todas as épocas desistem, em média, cerca de 5 para menos de 2 que surgem de novo. Não tenho dados para saber se os 5% de taxa de abandono (em média e considerando que nas novas licenças tiradas entraram todos os que são caçadores pela primeira vez) neste período correspondem a um número dentro do expectável, numa actividade em que se podem, por razões naturais, ou perder efectivos ou perder a capacidade para alguns deles poderem continuar a caçar. Já estou inclinado a considerar que é muito baixa a taxa de renovação. Mais a mais quando esta, está em queda permanente e consistente, no período em análise. Eu acredito que a questão maior, aquela que é independente do tipo de regime de Caça que vigore, é a falta de motivação para as actividades ligadas ao Campo, por parte da população mais jovem e nos tempos que correm. A urbanização da população e o consequente abandono das zonas rurais onde, por tradição, sempre decorreu a prática da actividade, constituirá a espinha dorsal do problema. A quantidade de estímulos a que estão sujeitos os jovens hoje em dia, com a grande variedade de oferta de distracções e ocupação dos tempos livres (e até é desnecessário enumerar estas, comparando-as com as de, apenas, uma geração atrás), deu uma forte contribuição para esta tendência. Para caçar, usam-se quase sempre armas e há, nos dias de hoje, uma forte pressão para não as tolerar, de todo, nas mãos da sociedade civil, ainda que perfeitamente legalizadas e com fins lúdicos ou desportivos, dificultando-se a sua compra e detenção. Finalmente, a Caça não está na moda nos meios a que os jovens mais facilmente acedem, sendo aí até, vista, geralmente, com censura e como uma actividade retrógrada, cruel e desnecessária. Ao contrário do que já li, não é verdade que lá por fora, o número de caçadores esteja a aumentar ou o número de jovens que entram na Caça se tenha incrementado. Pelo menos, não em todo o lado. Em Espanha, e analisando os números que conheço (de 1990 até 2006), verifica-se que nos seis primeiros anos do século, de 2000 a 2006, o número de licenças de caça emitidas passou de 1.200.875 para 924.524 o que representa um decréscimo de 276.351 (23 %) em seis anos, e é exactamente o mesmo, em termos percentuais, do que se passou por cá nesse período.” Pergunto, querem um facto mais evidente, que a desmotivação está bem patente entre nós, dos que o Sr. Luís Paiva demonstrou ? Para mim, já chega de factos... é evidente e ponto final. Resolve-se ainda escrever sobre o “mata tudo”, “ o caçador de troféus” , “ montarias fora de prazo” e muito bem, com o intuito de demonstrar também o que está mal ou o que deveria mudar, como exemplos, deixovos algo muito bem elucidativo nesta matéria, escrito por Carlos Pontes e Fabiola Costa. Então foi assim : “ Conversas de Montaria : Muitos são da ideia de que se as fêmeas não morressem prenhas, morreriam sem chegar a emprenhar, outros, aqueles mais velhos, dizem que enquanto forem vivos haverá caça suficiente para eles, pois nós, somos da ideia que enquanto a gestão da caça em Portugal for assim, em breves épocas deixaremos de desfrutar das nossas queridas montarias e das solitárias esperas ao luar o onde esperamos pelo verdadeiro troféu, aquele navalheiro que tanto desejamos o lance, que não nos deixa dormir de noite, e ele simplesmente não existe porque nem sequer o deixamos crescer.” Eu dou-lhe toda a razão, como também lhe dou neste outro artigo, que são mais do que meras palavras, ou seja, são úteis, elucidativas e bem reais no panorama nacional. Acontece porém, quando falo em mudar a mentalidade do Caçador actual, refiro-me não só Às suas palavras mas no aspecto global, pois a sector da caça tem que mudar quer queiramos quer não! São estas as suas palavras : “Os caçadores modernos ou os «matam tudo» de hoje” “Começo por pedir desculpa à geração moderna, mas as verdades têm que ser ditas. Antigamente o prazer da caça não era só matar, como hoje se faz. A ordem actual é encher a sacola de qualquer forma, não importa por que processo, a questão é atufulhar a dita, com que hoje nem sequer já alombam, contanto que no dia seguinte se saiba nos espingardeiros que o snr. Fulano matou... tantas! «Que grande Homem! dizem todos os colegas, mas os velhos caçarretas exclamam: «Que grande selvagem!», pois que estes só matavam o que necessitavam para a sua alimentação, e os novos de agora matam para a galeria. O velho caçador do meu tempo tinha a preocupação de matar caça, já se sabe, por isso se munia de uma espingarda, mas só gostava de matar de uma maneira desportiva. Antes de mais nada atendia ao trabalho dos seus cães, fosse ele caçador de caça de pena ou de pêlo. Nunca atirava a distâncias extraordinárias para não estragar a quantidade de peças de caça, como hoje se faz, confiados no tal baguinho da sorte que pode derrubar mais uma à vista, que pode contar para fazer cantar nos espingardeiros. As centenas que se estragam, nisso nem se pensa. Quanto mais valor não tinham os velhos amadores e os poucos que, desses bons tempos, ainda existem, quando ainda não havia estes modernos meios de transporte e que tinham que fazer caminhadas a pé de bons pares de léguas, antes de começar a praticar o seu «sport» predilecto. Se ao cabo de todos este sacrifícios, um cão lhes picava uma peça de caça ou fazia qualquer outra asneira, não se atirava, a-fim-de se lhe dar o devido correctivo, e portanto lá se ia embora uma oportunidade de fazer número, mas que importa isso comparado com o prazer de ter na nossa frente um cão bem ensinado e de primeira ordem! Quanto mais não vale matar uma peça de caça depois de ser bem parada e tirada pelo nosso melhor auxiliar - o cão, do que matar centenas... pelo processo actual, sem arte! Hoje o que interessa é saber-se que se matou um grande número, para fazer constar até... pelo telégrafo! Mesmo os velhos caçadores de coelhos tinham presunção em ter a melhor matilha, cãis bons e bem ensinados, fazendo vir os coelhos às espingardas, com o seu quitador para trazer à mão os coelhos, apanhados a dente pelos podengos, ou mortos a tiro. Mas hoje que prazer há nisso, se os novos muitas vezes nem sequer levam cãis - e o «caçar sem cão é caçar de toleirão», segundo diz o adágio.- Nem pegam nas peças que matam, lá esta o criado para as apanhar: a questão é não perder tempo, porque o companheiro pode ter morto mais uma peça. Que saudades eu tenho do lindo trabalho de boas matilhas com o seu bom quitador, que tive ocasião de ver bastas vezes no Alentejo, devido ao amável convite de velhos companheiros, uns já infelizmente falecidos e outros já retirados das lídes venatórias! Bem sei que para os modernos pouco ou nenhum interêsse isso tem; são velhas utopias dos antigos marteleiros que nada matavam; hoje é que se... mata!... e continua ” Eu, pessoalmente, gostaria muito de não as ler, mas na realidade as coisas são bem diferentes. Pois acontece mesmo. Durante anos e anos por Trás-os-Montes, pude constar muita coisa, muitas palavras... algumas das quais, as mais significativas, também gostaria de vos deixar aqui. É a minha opinião, vale o que vale, mas segundo se falou, não está muito longe da realidade, falo exactamente do furtivismo que é praticado pelos residentes ou naturais nas zonas de caça por todo o País, em particular, falo por onde andei e passei ultimamente. São estas as palavras : ”No meu caso, mas cada caso é um caso é o que penso, é a minha opinião e vale o que vale! Se calhar, até você não está muito longe de o meu pensamento, mas vou explicar, mas se calhar! O Povo de lá, poderia ser sinonimo de bem e boas raízes ou boas rezes! Não querendo pessoalmente atingir ninguém em especial, mas tenho que falar! Felizmente, ainda há boas pessoas por essas bandas, eu conheço muitas boas pessoas, mas vejo também, más pessoas por lá, tendendo ser a maioria, porquê? Mil desculpas se eu estiver enganado, mas penso que não estarei muito longe da verdade em relação à maioria "deles". Contra factos, não há argumentos, ou não é assim, estou a falar das pessoas de habitam onde é costume nós ir-mos caçar, em concreto vou falar de Trás-os-Montes, não generalizando. Já por vários vezes referenciado, e muito bem, por outros confrades, o assunto das mentalidades dos caçadores deve mudar, como por exemplo nos artigos : “o mata tudo” , “ o chico esperto”, “ o gabarola”, por isso, não me vale a pena “bater no ceguinho” ou “bater no cozinheiro” porque a comida não nos agradou! Come e cala-te, mas eu acho que não é bem assim! Caçei no terreno livre durante vários anos. Tempos que recordo com alguma saudade, pelo que conheci em Trás-os-Montes, lugares magníficos, gentes com o rosto retratado do trabalho do campo e as mãos calejadas do dia a dia, locais com mistério envolvido nos nevoeiros do frio do Inverno e do calor da lareira onde pingam as chouriças e os chouriços pendurados nos paus já escuros e gordurosos à espera no corte da navalha. Lugares, alguns dois quais, de encantar a alma, de respirar bem fundo para me sentir ainda envolvido e absorvido naquele espaço temporal, para quem gosta ou aprecia mesmo! Por eleição minha, a região do Barroso, está nas minhas melhores recordações tanto pelas caçadas e pescarias que fiz, assim como pela paisagem envolvente em si. Algo fascinante como já tive oportunidade de vos mostrar num tópico anterior. Toda esta região, para mim, é diferente de todas as outras! Mas só vendo e sentido durante algum tempo, para entenderem realmente o que eu vos quero dizer. Alguns de vós até já visitaram a região, pelo que vos disse, podem ter a certeza que tudo verdade. Aliás, lembro-me de ter dito ao meu companheiro de caça, que quando chegar o dia de ser obrigado e ir caçar para uma associativa, iria para a zona de Montalegre, e assim o fiz, caço actualmente no concelho de Montalegre e Boticas. Mas não é só desta região que gostaria de falar um pouco, mas sim de toda a região transmontana e desta vez, das pessoas que lá vivem, das outras por onde passei muito e muitos anos a caçar, mais concretamente dos caçadores que de lá são, como são, como vivem o seu dia a dia e acima de tudo, o que fazem ou sempre fizeram pela caça às portas das suas aldeias ou das suas casas. Comparativamente os nossos compadres da cidade, sentindo “a necessidade” de irem para lá, pelos motivos que todos nós sabemos, os de lá, sentem a necessidade ou vontade de virem para cá, para as nossas praias, para trabalhar, serem alguém na vida, por exemplo médicos! Conheço alguns. Será assim, eventualmente, que as coisas mudam um pouco na sua maneira de serem ou encarem as coisas da caça, nem por por isso!? Pessoalmente, não perco uma oportunidade de ir para lá para cima, e então, se o motivo for a caça ou a pesca, ainda melhor. Durante muitos anos, fui aprendendo a conviver com “eles”, mas nunca tirei a ideia da minha cabeça, o que realmente querem da caça e de nós em particular. Coisas que se vão entendendo aos poucos, e compreendendo melhor com o passar do tempo, como a sua maneira de estar, ou mesmo ainda, como conviver com “eles” em relação a caça naquelas paragens, por vezes “engolindo grandes sapos!” Sabemos que os caçadores da cidade são uma importante fonte de receita para “eles”quando por exemplo, compram os seus produtos da terra, dormem nas pensões ou comem nos seus restaurantes. Um muito obrigado, por durante todos estes anos termos deixado o nosso dinheiro por essas bandas, só lhes ficava bem. Sabemos que nós, “os de fora”, como nos chamam por vezes, pagam quase a totalidade das despesas inerentes a uma zona de caça, ou seja, comparativamente os caçadores que não são da aldeia ou do concelho, pagam quotas mais elevadas para poderem lá caçar ou serem sócios da zona de caça, por favor às vezes, caso contrário, muitas zonas de caça não existiam ou eram obrigados a desistir em função do preço a pagar de taxas ao Estado, só a título de exemplo. Veja por exemplo no meu caso, não diferente de muitos outros, onde temos que pagar 0,70 cêntimos por hectare, todos os anos, o que representa um custo directo para a associação aproximadamente de 4.200 euros anualmente. Agora vejam, outra vez no meu caso, os residentes não pagam nada, não querem pagar nada, nem se quer lhes passa pela cabeça um dia pagar quaisquer verba! Esquecem porém, que sem este pagamento anual, a associativa não poderiam existir! Quem paga então? Nós “os de fora”. Uma vez, até ouvi dizer, que não nos querem por lá, “- não precisamos de vós para nada...a caça que temos chega bem para nós..! Não sei que será bem assim! Como disse, não perco uma oportunidade de ir para a minha zona de caça, sou daqueles que vive intensamente a caça e o potencial destes terrenos, entendo muito bem o que se tem de fazer por ela para a valorizar ainda mais, entendo ainda como devo lidar com “eles”, os residentes, com calma e sabedoria! Durante os anos que caçei em Trás-os-Montes, sempre constatei que os problemas de gestão eram sempre os mesmos e comuns: uns não pagam nada, outros pagam muito menos ou não querem pagar! Uns caçam durante todo o ano, outros conhecem os melhores locais de caça, conhecendo os melhores locais para as esperas, onde param as lebres e os bandos das perdizes, etc. Por que será? Será por se sentirem “donos e senhores” desses lugares onde nós caçamos juntamente com “eles”, será sabedoria popular e ancestral, será que lhes está no sangue serem furtivos? Será e não será, eu chamaria-lhe outra coisa, mas não vou dizer aqui publicamente. Atrevia-me ainda a dizer que a principal culpa é “deles”, pois nós também a temos, por não haver grandes densidades de espécies cinegéticas, pois não cuidam da caça como deve ser, pelo contrário! Do que pode constar durante estes anos todos, que é um problema comum por todas as zonas onde passei ou caçei. “Eles” sabem muita coisa e ou mesmo tempo não sabem nada! Sempre que me pedem para fazer isto ou aquilo, estou sempre disponível para ajudar, colaborando nos trabalhos necessários a fazer pela caça, pelas espécies, pelos sócios e pela nossa associação. Mas quando chega ao ponto de ter que mendigar, pedindo sistematicamente para me ajudarem, como por exemplo, lavrarem aquele pequeno pedaço campo para semear, a resposta e prontamente negada na maioria das vezes. Eu, olhando para o campo que pretendia lavrar e semear, fico-me a questionar para mim mesmo, ” nem a pagar-lhe eles querem ajudar, mas porquê, este campo está a monte ou é baldio!” Pois assim é difícil de contribuir para a caça ou para as espécies. Outra vez e mais vezes sem conta, a “mentalidade”. Ás vezes, quando se consegue lavrar um bocado aqui ou ali, vêm os pastores e metem as cabras lá dentro para comerem, mesmo sabendo que não lhes pertencem ou não tinham o direito de o fazer! Estes, os “Cabreiros”, ainda se sentem no direito de reclamar a morte de uma ovelha quando o Lobo lhes comem uma ovelha, confundindo por vezes, Lobos com cães selvagens, abandonados muitas das vezes pelos próprios vizinhos deles! Em que ficamos então? Todos os anos, tentamos e digo tentamos, fazer repovoamentos com perdizes e coelhos. Inclusive, os residentes, pedem-nos alguns coelhos para “eles” próprios soltarem nos seus melhores terrenos. Mais uma vez, ajudamos, ou seja, oferecemos-lhes uma certa quantidade de espécies, e lá está o dinheiro outra vez, todos os anos sistematicamente, para “eles” próprios repovoarem onde acharem onde o devem fazer e da melhor forma que sabem. Tem que ser, caso contrário ainda seria bem pior as coisas! Construímos comedouros artificiais para as perdizes, fornecemos-lhe as sementes para alimentarem a caça, porém, vimos a constatar que quase nada aproveitam para seu futuro, como beneficio próprio para os caçadores que iram lá caçar futuramente! No ano passado, fechamos uma zona para fazermos um “santuário de caça”. Colocamos as placas e estas eram logo arrancadas, colocamos comedouros, estes eram logo derrubados pelos pastores para as cabras comerem, colocamos perdizes em jaulas, estas eram roubadas ou vandalizadas! Até nos incendiaram o monte! Enfim, um sem número de dificuldades, quase diárias, que comprometiam seriamente o futuro das aves e coelhos soltos nesta área. Hoje em dia, querem que a zona abra para lá poderem caçar, porquê? Passamos constantemente a vigiar esta zona de caça, entre outras, e quase sempre que lá vamos, vêmos os cães “deles” a vaguearem livremente pelos os terrenos de caça ou santuário. Porquê? “eles”é que mandam, aquilo é “deles”. Vão alimentar o gado com os cães a trás “deles”, vão ao lameiro e levam os cães, os cães vão para qualquer lado com “eles” porquê ? Porque sempre assim foi, desde o tempo antigo, assim será para sempre! Lá está, algo tem que mudar na sua “mentalidade”. O principal problema na gestão é sem dúvida alguma o furtivismo que “eles” praticam muitas e muitas vezes sem conta, diria mesmo, todo o ano, em especial no mês de Agosto, mês este, pois é neste mês em particular se enche de emigrantes, com saudade da aterra e de matar uns colhitos, sempre assim foi e sempre assim será, é como um tradição para muitos “deles”! Chega ao ponto de alimentarem um bando de perdizes durante um certo período de tempo, para que num belo dia para “ele” é só premir o gatilho, para com um tiro só, matarem umas bandada delas, gabando-se posteriormente ao ser compadre! “ - olha para isto pá, é assim que se faz !“ Havia um, e digo havia, porque felizmente foi para o estrangeiro trabalhar, espero que não volte nunca, chegava ao ponto de fazer fumeiro com carne de caça, “ - têm a arca cheia”, dizem os outros de lá, pois sabem muita coisa do que se passa lá em cima e nada fazem para contrariar esta tendência furtiva. Será que comem todos da mesma panela? Talvez. Denunciamos ao SEPNA, prometendo-se que iram tratar do assunto o mais breve possível, isto à mais de um ano, até hoje nada deu frutos! O que me admirava, após ter-mos falado com a brigada, era que conhecia o fulano, alias conhecem ainda mais alguns, mas a maior dificuldade para poderem fazer algo, apanhando os furtivos, prende-se na questão de os apanharem com “ a boca na botija” ou “ como dizem os pescadores, “pela boca morre o peixe”! Mas, se isto passa-se comigo, sempre constatei ou pouco por todo o lado, que um dos graves problemas é o furtivo, que desde sempre, foi habituado a fazer-lo, inclusive, já vem de gerações muito antigas, onde só era preciso dois cartuchos no bolso e uma espingarda e logo ao pé de casa se fazia a sua caçada, foi sempre assim, sempre será, até sangue novo mudar um pouco! Será? Enfim, um sem número de atitudes que me leva a pensar que raio de gente é aquela que lá vive? Desculpem mas assim não pode ser. Todos precisamos uns dos outros. Eu e todos ou nós cá da cidade, precisamos de vocês como vocês precisam de nós, é ou não assim? Sei que irei levar com pouco na cabeça, que se lixe, já estou um pouco habituado que me atirem pedras ou que me ignorem!” Nem de propósito, recordo também as palavras quando pedi em reunião de assembleia geral, em frente a todos os sócios presentes, para falar um pouco, sobre nós! Foram estas as minhas palavras : “ O meu nome é Luís Miguel Novais e sou um sócio recente nesta associação, como já se devem ter apercebido ou já tenham ouvido falar de mim! Desde já aproveito para os cumprimentar a todos e em especial aos que ainda não conheço mas gostaria um dia destes de os conhecer e conviver um pouco! Desde pequeno, quando tinha ainda 12 a 15 anos de idade, já caminha pelo monte com uma fisga na mão e os bolsos cheios de pedras, procurando pássaros para caçar, ao mesmo tempo, procurando ninhos de gaios, pombos, rolas bravas e por vezes, apanhava melros com caniços feitos à mão por mim com pau de mimosa, que depois de secos, ficavam ainda mais duros e resistentes, dizia o meu irmão ! A Este, que me deu a minha primeira cana de pesca, feita em cana da índia e ao meu Pai, devo-lhes muito do que sei ou aprendi hoje em dia, porque para mim, caçar ou pescar, é muito mais do que matar, caso contrário, preferia ir ao talho comprar carne, também dizia o meu Pai a muitos caçadores sempre que podia! Por isso e pelo que tenho assistido até agora, penso que estas actividades, são uma escola de vida que eu recomendo a todos em especial aos mais jovens, futuros caçadores e pescadores, que cuidem da caça e dos rios, como de ser ou convenientemente, pois e só desta forma, poderão ter caça ou pesca com futuro assegurado e praticá-las sustentavelmente! Mais tarde, já na casa dos meus 18 ou 20 e tal anos, gostava de acompanhar os outros caçadores lá da terra na caça aos coelhos! Até comprei uma arma de pressão-de-ar, para matar tordos pousados nas oliveiras bem perto de casa! Foi então nessa altura, que soube que queria ser caçador! Apesar na minha Mãe “ser do contra” e de me ter dado várias tareias quando chegava a casa todo molhado, dizendo-me “ larga esse vicio “,mas nunca larguei a ideia de ser caçador, pois sabia ou sentia que me estava no sangue, claro o que queria mesmo era ser caçador! E foi então e com um brilho nos olhos, que tirei a carta de caçador com 22 anos, dizendo para mim mesmo “ já está, consegui “! Ainda me lembro do meu primeiro dia da caça, já com carta de caçador! Não consegui dormir a noite toda para ir às rolas às 4 na manhã bem perto de casa, quando o dia só nascia às 6:30 h! Claro e como principiante, não consegui acertar em nenhuma, pois não sabia fazer os descontos correctos ao tiro! Havia que aprender mais e muito mais sobre a caça! Hoje em dia, quase em nada mudou, apesar de ter mais um pouco de pontaria e de estar casado com uma mulher maravilhosa que me deu uma filha lindíssima, estas as duas, certamente desesperadas, querem que eu também “largue o vicio”, já que por vezes olham para mim a pensarem certamente “deve estar tolinho, só pensa e fala de caça!“. Desde então nunca mais parei de caçar... caçei desde trás-os-montes a perdizes e javalis, até ao litoral aos patos e narcejas em Aveiro! Não perdia uma montaria aos sábados e ficava triste quando não podia ir caçar quando estava doente, sabendo que os meus Amigos iriam caçar na mesma! Mas dizia para mim mesmo “ ninguém gosta mais de caça do que eu”! Sensações ou pensamentos destes, também certamente já vividos por muitos de vós, porque quem gosta mesmo de caça, gosta do monte, dos cães, do frio, da chuva, das espécies durante todo ano, fica-se com o pensamento nestas coisas inexplicáveis que nos vai na alma e não conseguimos por vezes descrever quando nos perguntam porque caças se gostas tanto dos animais ou da Natureza! E eu respondo, ser caçador é como “um gato que têm que caçar o rato, porque nasceu com este instinto de caçador e de caçar a sua presa, mas é muito mais do que isto, jamais podias compreender!” Hoje em dia, após ver e ouvir muita coisa sobre caça e caçadores, entendo que a caça e os caçadores em geral, devem muito ao que a Natureza lhes dá ou oferece, por isso, têm a obrigação de a ajudar a regenerar dia após dia, ano após ano, não acabando com tudo e respeitando-a ao seu mais alto nível! Quem pensar ao contrário, nunca poderá ser um verdadeiro caçador, será sempre um matador e um irresponsável perante o que faz! Quem me conhece, sabe muito bem como me relaciono com a caça e com os outros caçadores, comprometendo-me a fazer as tarefas que me foram dirigidas, dando sempre o meu melhor, por isso, estou aqui para ajudar e fazer o melhor que sei e o melhor que posso! Sempre o farei, para o bem desta associação e dos seus associados. Penso que isto de caça e caçadores, o mais dificel, como eu costume dizer, não é gerir um couto ou reserva de caça, porque já está tudo inventado ou escrito, mais sim, “gerir as pessoas” ou “sensibiliza-las para isto”, ou seja, respeitar a caça e ajudar-la sempre que necessário e no que for preciso fazer por ela! Deixando conceito de matador e aproveitador de tudo de a caça ou a natureza nos dá! Por exemplo, pergunto a quem sabe, por razão do declínio da codorniz na nossa região? Ou qual a razão de neste momento, haver pouca caça brava na nossa reserva? Poucos de vós saberam a resposta certamente, outros não se interessam simplesmente ou ainda, nunca pararam para pensar um pouco sobre este assunto e outros semelhantes, mas eu digo-vos! Há primeira pergunta, deve-se ao facto da ceifa dos cereais ser feita a quando a criação das mesmas, dai a diminuição evidente desta espécie, juntamente com os herbicidas e pesticidas que se utilizam em outros cultivos. A resposta a segunda pergunta é evidente, deve-se a caça furtiva e procura excessiva que foi praticada ao longo destes anos todos, não dando hipotece à caça de se recuperar nas alturas das criações, tal como ainda hoje se faz aqui e em muitos locais deste País! Há alguma solução, claro que há, cultivar para a caça e manter os cultivos até depois das criações no primeiro caso e denunciar ou acabar com furtivos no segundo caso e diminuir jornadas de caça em relação às quantidades de espécies disponíveis que temos para caçar! É nestes aspectos ou pormenores que eu me refiro quando falo em sensibilizar as pessoas,ou seja, o caçador, o agricultor, os proprietários, o gestor, entre outros, têm que entender de uma vez por todas, como gerir bem a caça e os seus terrenos, para bem de todos nós e do futuro da caça dentro da nossa reserva! Caso contrário, estaremos condenados ao fracasso cada vez mais evidente, testemunhado pelos caçadores mais velhos! Gostaria de dizer ainda e em especial aos jovens caçadores, e a estes principalmente o seguinte : “pensem no vosso futuro como caçadores e defensores da vossa associação, pois não vale a pena pensarem em serem matadores, destruidores ou furtivos, pois tais actos não vos levará a lado nenhum, pelo contrário, mais tarde ou mais cedo, verão que eu tenho razão e acabaram por serem prejudicados e responsabilizados por tais actos ”. Por isso, apelo a todos vós, que tentem de certa forma mudar a vossa mentalidade neste sentido,não generalizando claro, para que todos juntos, tentarmos fazer deste couto um dos melhores do norte do País! Penso, ou melhor tenho a certeza, que temos umas das melhores condições em termos de terrenos para a caçar perdizes e coelhos, lebres, rolas, pombos, codornizes e galinholas entre outras espécies claro. E quando falo em mudar a mentalidade, quero ainda vos dizer o seguinte! Ajudar a defender o que é seu porque é de todos, ou seja, proteger as nossas espécies e terrenos de caça de dia ou de noite, todo o ano contra os furtivos e predadores, respeitar a caça e os outros caçadores, os proprietários, sensibilizar os mais novos, ajudar nos trabalhos que são sempre necessários fazer durante a época de caça e fora desta, respeitar as decisões desta Direcção, pois e só desta forma, poderemos ter uma boa reserva de caça para todos nós! Ao mesmo tempo, lamento pelo que vejo, serem quase sempre os mesmos a terem estas tarefas, dais quais iram ser descritas mais frente, pois só eu e um pequeno grupo de Amigos, trabalhando todos os fins-de-semana durante a época do defeso para todos vós!? Acham bem? Claro que não e não vale a pena baixarem a cara com vergonha ou olharem para o lado como não fosse nada convosco, pois isso, não vos levará a lado nenhum! Penso não ser justo, já que por vezes deixamos de estar com a nossa Família e nossos Amigos, trabalhando imenso para todos vós, para depois ver alguns destes trabalhos irem por “água a baixo” tal como as placas que arrancaram na área de santuário ou sermos criticados por isto ou por aquilo, como foi na abertura às rolas ou mesmo quando fazemos repovoamentos e vemos os vossos cães soltos na serra em plena época de criação de coelhos e perdizes! Muitos de vós disseram que não sabiam dos cevadouros das rolas! A estes digo-lhes, se não sabiam foi porque não se interessaram em saber, nada mais simples e lamento muito, mas para o ano serão feitos novamente, fica aqui o aviso para os mais atentos, caso haja dinheiro para comprar sementes! Por estas razões, digo-vos muito sinceramente, eu e os que trabalharam comigo, não poderemos admitir ou não concordamos com a vossas atitudes ou actos, pois nada fizeram para ajudar ou melhor as coisas dentro da nossa reserva, pelo contrário, ás vezes pioram as coisas! Criticar, é sempre a coisa mais fácil de fazer e têm todo direito de o fazer, já que também são sócios da associação, mas não admito de forma alguma, uma critica de um sócio, sem que este, nada tenha feito para ajudar os outros ou a associação, para além do pagamento da sua quota anual, e isto só para alguns, porque os residentes, tanto quanto eu sei, caçam nos melhores locais da reserva, porque são conhecedores dos mesmos e como se não bastasse, não pagam quota e exigem tudo e mais alguma coisa, se ou menos colaborassem com outras coisas, como por exemplo, cultivar para a caça no seus terrenos ou baldios ou ainda, proteger os nossos terrenos contra os incêndios, não soltar os vossos cães fora da época de caça, denunciarem os furtivos às Autoridades ou Direcção, é que nem isso fazem, excepto 2 ou 3 o que é insuficiente claro. Por isso e neste aspecto, algo tem que mudar certamente, pois deveriam ter vergonha em não colaborar com a nossa associação e deixarem de ser “prejudiciais” à mesma, pensando simplesmente em vocês próprios, porque sócios destes e lamento dizer-lo, não mereciam ser tratados como tal, deveriam ir ao talho comprar a carne se é isso que querem da caça e desta associação! Muitos de vós, pensaram que poderiam caçar dentro da área de santuário, só porque alguém se lembrou de arrancar as placas propositadamente e porque sabem que lá havia bastantes perdizes e coelhos, ou então, porque já não tem placas junto a estrada pensando que lá poderão entrar como pretexto! Desculpem mas estão enganados, pelo menos por enquanto, nunca e de forma alguma, lá poderão caçar até as espécies se recuperem parcialmente ou mesmo totalmente, caso contrário, seria uma perda de tempo e um desperdício de dinheiro! Espero que me entendem, pois a criação desta zona interdita a caça,foi para o vosso bem e para a recuperação das perdizes e dos coelhos. Mas depois sim, mas tenham lá paciência por enquanto e aguardem mais uns tempos, caso contrário tudo ficará decido hoje aqui mesmo! Ao mesmo tempo, aproveito para vos dizer, que voltaremos sempre que possível, a colocar algumas tabuletas neste local e para apanhar os furtivos os guardas vigiaram constantemente esta área com o apoio do SEPNA e colocaremos também câmaras de vigilância diurnas e nocturnas ali e em outros locais onde se tem praticado caça furtiva! Por isso fica o aviso, pois estes actos não podem continuar, vandalismos intencionados não podem ficar impunes! Tal como foi dito, avisaremos também o SEPNA da GNR, sempre que detectarmos algo suspeito nos terrenos da associação. Outros de vós, também pensaram que era só vir caçar no dia da abertura às rolas e matar e matar umas quantas, ou para dizerem no final, que não havia rolas porque não as viram! Eu vi centenas e centenas delas um pouco antes de abrir a caça e durante os cevadouros que preparamos para todos vós, sempre vi muitas e continuamos a ver e a caçar algumas, até depois da abertura da codorniz, mas para isso, é preciso levantar-se cedo e ir para campo procurar aqui ou ali, pois trabalhando para mim é o mesmo que trabalhar para todos vós, ou não é assim?! Eu e os que trabalharam comigo, nunca nos cruzamos com sócios durante a preparação dos cevadouros e outros trabalhos, porque será? Por estas razões, peço a vossa ajuda e a vossa compreensão neste sentido, pois não vale pena criticar sem fundamentar, a estes lamento profundamente a sua maneira de pensar ou de estar nesta associação, pois assim e com atitudes destas, não podemos continuar com este sentimento de trabalho que outros até merecem! Ser sócio de uma associação ou ser caçador, não é ficar em casa todo o ano no defeso e aparecer só para caçar no dia da abertura sem saber por vezes para onde ir caçar, se há caça ou não há e o que fizemos para a manter ou cativa-la! O caçador de hoje deve ser mais colaborador, mais participativo em acções da sua associação, deve ir para a serra ou para o monte ver a caça, deve ajudar no que for preciso, deve entre outras coisas mais, fazer o que deveríamos ter ainda feito e acabamos por não fazer por falta de tempo ou de dinheiro! Eu também gostaria de ficar em casa a descansar junto a minha família ou a conversar com os meus amigos durante o fim de semana! Mas também lhes digo, já o falecido Padre Domingos Barroso, caçador antigo e falecido destas paragens dizia:“ se nada sabes sobre este assunto, toma o teu cafezito e vai-te deitar, pois está provado que tolices não favorecem a digestão, mas se estás aqui para ajudar e entendes mesmo sobre o assunto, então te recebo de braços abertos Amigo, és sempre bem vindo”. Querendo dizer com estas palavras, que por vezes prefiro trabalhar sozinho ou com quem entende mesmo sobre estes assuntos, com grande vontade e espírito de sacrifício para tal, do que mal acompanhado e com intenções de denegrir ou prejudicar esta associação e os restantes associados, ou ainda, com quem não entende nada ou quase nada sobre caça, para além de pegar numa arma na mão e matar e dar opiniões sem entender verdadeiramente a matéria ! Não querendo mais me alongar em conversas chatas e aborrecidas, que no fundo não nos levará a lado nenhum, só lhes digo mais uma coisa, “ estou aqui para trabalhar para todos vós muito seriamente, sem mentiras, sem hipocrisias e a cima de tudo, com grande espírito de vontade e sacrifício, acreditando muito em melhorar estes terrenos de caça para todos nós durante os próximos anos, porque acho ser possível com a vossa ajuda e compreensão, por isso, deixem-nos trabalhar à nossa maneira”. Para terminar, gostaria de partilhar convosco o meu sonho, pois quando aqui cheguei e vi o potencial destes terrenos de caça pela primeira vez, digo a todos vós e garanto-vos que farei desta zona de caça a melhor desta região, mas para isso, volto a repetir, é necessário muito trabalho e a colaboração de todos sem excepções,a começar pela Direcção, para fazermos os seguintes trabalhos, por isso proponho: 1- construção de parques definitivos para repovoamento de perdizes espalhados por toda a zona de caça, completamente seguros e vedados, duradouros e resistentes ao frio e ao calor e com vedação externa; 2 - um centro de criação de coelhos bravos também para repovoamentos, nas mesmas condições que os anteriores; 3 - semear mais e muito mais em vários locais possíveis, alimentando a caça todo o ano, inclusive no inverno; 4 – construir comedouros e bebedouros artificias também para espalhar pela serra junto aos parques e outros espalhados em outros terrenos devidamente protegidos; 5 – acabar com a caça furtiva de uma vez por todas, inclusive denunciar à GNR / SEPNA quem são os infractores; 6 – pedir a todos os sócios desta associação, a divisão da verba paga anualmente ao Estado / AFN pela ocupação dos terrenos para caçar, ou seja, que seja dividida por todos nós, o que libertava automaticamente este valor para outros trabalhos e equipamentos necessários, pois estamos a falar de uns meros 30 ou 35 euros por sócio, ou em alternativa, aumentar a quota em 50 euros e os residentes pagarem uma quota semelhante a este aumento. Mas para isso, temos de trabalhar muito, colaborar melhor e economizar mais. Penso inclusive, que daqui a 6 anos, ou seja, um parque por ano, estaremos em condições de melhor radicalmente o conceito da caça nesta associação, se poder-mos acelerar este processo melhor! Peço-vos que pensem nisto muito seriamente por favor. Outro aspecto, e para não falar no trabalho que todo o processo desactualizado e doloroso em matéria de repovoamentos feito até então, atrevia-me a dizer a todos vós e embora respeito quem gosta deste tipo de caça, chega de caçar de caixa e de soltar peças durante a noite e para o momento, que duram 15 dias no máximo, um processo cansativo e que ninguém colabora, contribuído ao mesmo tempo, como um excelente chamariz para os predadores, como a raposa, porque para mim, isso não é caçar é puro e simplesmente matar e sem interesse desportivo! Se a vossa intenção é treinar os cães, a associação tem campos de treino abertos todo o ano e perdizes para isso! Desculpem, mas é o que penso, pois há alternativas bem melhores, as quais já aqui apresentadas, embora reconheça que uma solta de caça para os interessados seria mais que suficiente e necessária face às evidencias! Peço-vos que pensem nisto profundamente e colaborem com a associação deixando os vossos problemas e intrigas pessoais de parte, pois aqui, só podemos pensar numa coisa, na caça sustentável e no futuro das espécies nos terrenos da nossa associação! Desculpem mais uma vez pelo tempo ou maçada que tiveram em me ouvir, pois tinha que desabafar um pouco com todos vós, por isso não levem a mal. Continuarei a ser o que sou e fazer aquilo que bem sei fazer, já com provas dadas pelos trabalhos realizados, por isso, continuarei a trabalhar até onde me deixarem ou até onde os sócios desta associação quererem ir! Infelizmente as verbas disponíveis para trabalhar são cada vez mais reduzidas, por isso, gostaria ainda de deixar aqui uma palavra de louvor e admiração a todos que contribuíram para os trabalhos já realizados e outros que iram ser realizados, em especial ao Sr. José Manuel, secretário desta associação, porque sem ele, nada disto seria possível ou nem estávamos aqui a falar.” BEM, PALAVRAS À PARTE …! O QUE EU MAIS GOSTARIA DE LER, NÃO SÃO ESTAS CERTAMENTE, MAS SIM, AS PALAVRAS QUE TÃO ANCEIO POR LER, AS QUE TEIMAM EM NÃO APARECER …! “ O SECTOR DA CAÇA ESTÁ NOVO, ADAPTADO A TODOS OS CAÇADORES, RECUMENDA-SE, E OS CAÇADORES SÃO HOJE EM DIA BEM ACEITES PELA NOSSA SOCIEDADE EM GERAL”. FIM