INSTRUMENTOS EXTRA CLASSE UTILIZADOS NO 1 APRENDIZADO DE SOLOS. Ricardo Simão Diniz Dalmolin , Antônio Carlos de Azevedo1 , Dalvan José Reinert, Ari Zago1 ; Departamento de Solos, CCR, Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, RS. CEP 97119-900. E-mail, [email protected] Palavras chave: Museu de solos, Viagens de Estudo, Ensino O Setor de Morfologia, Gênese e Classificação de Solos do Departamento de Solos, CCR, UFSM, dispõe de várias alternativas extra classe para reforçar os conceitos que envolvem o aprendizado sobre solos. Um instrumento didático muito importante utilizado nesta filosofia é o Museu de Solos, que foi fundado há 24 anos se constituindo num importante apoio não só no ensino mas também na extensão. No Museu de Solos tem-se a disposição 36 monolitos das principais classes de solos do Estado do Rio Grande do Sul, bem como mapas pedológicos, geológicos e relevo do Estado. Algumas das principais rochas e minerais constituintes dos solos também se encontram no Museu. Este ambiente fica a disposição dos alunos das disciplinas de Morfologia e Gênese do Solo e Classificação de Solos do curso de Agronomia e das disciplinas básicas de solos dos cursos de Zootecnia e Engenharia Florestal. No Museu de Solos os alunos tem os primeiros contatos com conceitos fundamentais para o aprendizado podendo associar por exemplo a distribuição de solos com o material de origem, relevo e clima estabelecendo as relações existentes considerando os fatores e processos de formação de solos, oportunizando uma experiência visual importante na elaboração das concepções de feições morfológicas. Um exemplo disto é uma sequência de monolitos dispostos no Museu na qual se percebe as variações em cor e percentual de carbono orgânico dos solos num trajeto oeste-leste do Planalto Médio aos Campos de Cima da Serra do RS (KAMPF e SCHWERTMANN, 1983; BUENO, M.E. et al, 1995). Associado as frequentes visitas ao Museu de Solos os alunos tem a oportunidade de participar de viagens de estudos, com duração de dois dias, que é uma experiência adotada ha vários anos e que tem apresentado resultados muito positivos. Os alunos tem a oportunidade de visualizar no campo as informações recebidas em aula teórica e também no Museu de solos, provocando uma ampla discussão com os Professores que acompanham a viagem. Na disciplina de Morfologia e Gênese do Solo, é oferecida uma viagem a Depressão Central, Serra do Sudeste e Campanha do RS que proporciona aos participantes o contato com as principais classes de solos ocorrentes nesta região, sendo observados as características geológicas, ambientais, as principais características morfológicas e suas implicações no uso agrícola. Na disciplina de Classificação de Solos, o Roteiro da viagem de estudos é o Planalto e Campos de Cima da Serra do RS, na qual os alunos tem contato com diferentes tipos de solos condicionados por variação de relevo e clima principalmente. Nesta viagem, os alunos se organizam em grupos para fazerem a apresentação dos perfis representativos das principais classes de solos. A responsabilidade das discussões fica com os alunos que recebem orientação dos professores que acompanham a viagem. Sempre que possível, com o objetivo de aperfeiçoar o ensino e estimular a pesquisa, durante a viagem são recolhidas amostras de solos e material geológico para análises, estudos e comparações dos diferentes fatores que levam a sua formação. Vários trabalhos foram realizados (ZAGO, A. et al 1994; SILVA , V.R. et al 1995; BUENO, M.E. et al 1995) inclusive com a elaboração de um documentário em vídeo (ALMEIDA, P.S.G. et al 1994), que servem de apoio as discussões em sala de aula. Na última viagem de estudos da disciplina de Classificação de Solos, dias 25 e 26 de Novembro de 1995, os alunos responderam a um questionário para avaliar a importância da realização desta viagem, onde para cada questão foi atribuído uma nota de 1 a 10. Houve participação de 32 alunos dos 38 participantes da viagem. Os resultados das principais questões são apresentadas no quadro 1. Quadro 1. Notas atribuídas pelos alunos da disciplina de Classificação de Solos a avaliação da viagem de estudos ao Planalto e Campos de Cima da Serra do RS. QUESTÃO FREQUÊNCIA DE NOTAS (%) 5 6 7 8 9 10 -----------------------------------------------------------------------------------------------------------1. Relação viagem de estudos/conhecimentos teóricos adquiridos. 2. Importância da realização da viagem de estudos. 3. Participação dos Professores e relação Aluno-Professor. 4. Participação efetiva do aluno na viagem de estudos. 5. Viagem de estudo como instrumento de aprendizado dos conceitos de solos. 6. Interesse na viagem de estudos caso não envolvesse “nota” (bônus). -- -- 15,6 34,4 -- -- -- 9,4 34,4 56,2 -- -- 3,1 12,5 6,2 78,2 -- -- -- -- 3,1 -- 40,6 9,4 12,5 18,7 31,3 37,5 3,1 18,7 21,9 56,3 6,2 34,4 46,9 9,4 Pela alta frequência de notas altas atribuídas as questões, fica evidente a importância da viagem de estudos e o que ela representa no aprendizado do aluno, especialmente na melhoria da relação Aluno-Professor (maior frequência de nota 10) e como instrumento de aprendizado dos conceitos sobre solos. De fato, em conversas informais durante as viagens, fica evidente a satisfação do aluno em experienciar, principalmente através da visão, as características ambientais e internas das unidades de solos, sendo mesmo comum o uso do termo “visualizar”no momento em que o aluno estabelece estas relações. A heterogeneidade de opiniões se manifesta nas questões 3 e 6, com um pequeno aumento da frequência de notas mais baixas. A orientação dos professores das disciplinas citadas é de que o aluno procure ampliar a capacidade de estabelecer relações num crescendo Sala de Aula--> Museu de Solos--> Viagem de Estudos, no sentido de se construir uma concepção teórica prévia, a ser aprimorada ao longo desta trajetória. Neste sentido, as viagens são realizadas no terço final do semestre, de modo a minimizar o caráter empírico do aprendizado no campo. Referências Bibliográficas: ALMEIDA, P.S.G.; DALMOLIN, R.S.D.; AZEVEDO, A.C. de; ZAGO, A. Documentário sobre a viagem de estudos aos solos do Planalto e Campos de Cima da Serra do RS. In: I Jornada Integrada de Pesquisa, Extensão e Ensino, 1994, Santa Maria. Anais... Universidade Federal de Santa Maria. BUENO, M.E.; SILVA, V.R.; AZEVEDO,A.C. de. Ação do Clima, Relevo e Porcentagem de Argila na Variação dos teores de Carbono em alguns solos do RS. In: II Jornada Integrada de Pesquisa, Extensão e Ensino, 1995, Santa Maria. Anais... Universidade Federal de Santa Maria. KAMPF, N.; SCHWERTMANN,V. Goethite and Hematite in a climosequência in Southern Brazil and their Application in Classification of Kaolinitic Soils. Geoderma, 29:27-39, Elsevier scientific Publishing Company, Amsterdam, 1983. SILVA, V.R.; BUENO, M.E.; AZEVEDO,A.C. de. Determinação do coeficiente de Variação de quantificação de carbono orgânico em solos do RS pelo método de NELSON E SOMMERS (1986). In: II jornada Integrada de Pesquisa, Extensão e Ensino, 1995, Santa maria. Anais... Universidade Federal de Santa Maria. ZAGO, A. ; AZEVEDO, A. C. de; SCHUCH, L.A. Pedogênese e Características de Solos: Dois Exemplos Didáticos no Rio Grande do Sul. In: 46o Reunião Anual da SBPC, 1994, Vitória. Anais... Universidade Federal do Espírito Santo.