Revista Eletrônica Novo Enfoque, ano 2013, v. 16, n. 16, p. 13 – 24
A UTILIZAÇÃO DE UM AMBIENTE VIRTUAL NO APOIO PEDAGÓGICO
BARRETO, Ana Lúcia de Oliveira 1
ANTUNES, Ernani José 2
ARAÚJO, Ivanildo da Silva 3
Resumo
Este trabalho tem por finalidade investigar como as interações entre os diferentes atores do
processo ensino-aprendizagem envolvidos em um ambiente sociointeracionista (professor, aluno
e objeto de aprendizagem) de modo a favorecer uma aprendizagem significativa, reduzindo os
níveis de reprovação de alunos com dificuldade de aprendizagem utilizando recursos
tecnológicos que geram ambientes dinâmicos, permitindo assim, que nossos objetos de estudo
tornem-se manipuláveis ainda que virtualmente. Essa abordagem agrega significado aos
conteúdos matemáticos, auxiliando na compreensão dos mesmos pelo aprendizado com a
plataforma Moodle – um espaço virtual de ação pedagógica que objetiva a aprendizagem e o
trabalho colaborativo – em sua atuação no Ensino Básico e na Formação de Professores. Diante
das demandas impostas pela prática letiva e pelo apelo da comunicação virtual que caracteriza a
sociedade contemporânea, o uso desta plataforma educacional foi adotado pelo setor, sob uma
postura investigativa, com os objetivos de aproximar os novos recursos computacionais das
práticas de Ensino de Matemática, de experimentar novas metodologias utilizando esses recursos
e de ampliar as possibilidades de atuação acadêmica e pedagógica. Vale destacar a utilização de
cursos on-line apoiando a prática pedagógica do ensino regular no âmbito do Ensino Básico;
armazenando e organizando os dados acadêmicos, promovendo a ampliação da comunicação e a
relação professor-aluno, aluno-aluno, professor-professor, assim como o desenvolvimento da
colaboração a projetos coletivos. Pode-se, assim, provocar uma reflexão sobre a prática docente
diante das mudanças que regem a sociedade contemporânea.
Palavras-Chave: Processo ensino-aprendizagem; Ambiente colaborativo; Apoio pedagógico.
1
Professora Mestre (CMRJ), e-mail: [email protected]
2
Professor Mestre da Universidade Castelo Branco (UCB), Campus Realengo, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. e-mail:
[email protected]
3
Acadêmico da Universidade Castelo Branco (UCB), Campus Realengo, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. e-mail:
[email protected]
Abstract
This study aims to investigate how the interactions between the different actors of the learning
process involved in a social interaction environment (teacher, student and learning object) in
order to promote meaningful learning, reducing the levels of disapproval of students with
difficulty learning using technology resources that generate dynamic environments, thus
allowing our objects of study become manipulable even virtually. This approach adds meaning
to mathematical content, assisting in the understanding of them by learning with Moodle - a
virtual pedagogical action that focuses on learning and collaborative work - for her performance
in Basic Education and Teacher Training. Faced with the demands imposed by teaching practice
and the appeal of virtual communication that characterizes contemporary society, the use of this
educational platform has been adopted by industry under an investigative attitude, with the goals
of bringing new computing resources practices Mathematics Teaching, to try new methods using
these resources and expand the possibilities of academic achievement and educational. Notably,
the use of online courses supporting the teaching practice of regular education under the Basic
Education; storing and organizing data academics, promoting the expansion of communication
and the teacher-student, student-student, teacher-teacher, as well as the development of
collaboration collective projects. One can thus cause a reflection on teaching practice in the face
of changes that govern contemporary society.
Keywords: the teaching-learning environment, educational support.
1. Introdução
A educação a distância (EAD) decorre da necessidade de novas propostas de estudo,
pelas quais o aluno não tem uma delimitação geográfica e nem uma sala de aula presencial para
buscar sua qualificação. O aluno estuda onde e quando desejar, num universo escolar disperso,
existindo uma separação física entre professor e aluno. Surge a demanda por novas estratégias
didáticas, que incluam as ferramentas de interação do processo ensino-aprendizagem. Assim,
ocorre grande ênfase no conteúdo das mensagens trocadas entre os alunos e os docentes,
havendo uma interação social ocorrida em ambientes virtuais. A separação entre professor e
aluno com uma intermediação pedagógica múltipla centrada no processo ensino-aprendizagem
intermediada de forma colaborativa, argumentativa, dialética e investigativa pode reduzir os
níveis de reprovação e diminuir as deficiências que os alunos carregam no tocante a
aprendizagem no ensino da Matemática. Nesta intermediação pedagógica, o aluno é motivado a
tornar-se mediador pedagógico ao lado de seu professor diante de todos os presentes.
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Diante desse panorama, refletimos sobre as possibilidades de ampliação do contato dos
alunos com a Matemática, garantindo qualidade e interesse, sem necessariamente exigir
ampliação ou alteração de grade curricular.
2. Procedimentos Metodológicos
A Internet, vista como mola propulsora de uma revolução na comunicação, é responsável
por mudanças sociais intensas (na economia, na política, na cultura, na educação etc.), que geram
profundos impactos na formação do cidadão contemporâneo. O homem se rende à comunicação
virtual. A utilização, cada vez mais intensa, dos recursos da tecnologia para a produção e a
circulação de informação torna necessária a reflexão sobre esse tipo de comunicação e, mais
especificamente, como ela chega à escola e interfere no comportamento dos estudantes. Em que
medida essa nova ordem intervém na estrutura de comunicação escolar; na organização lógica do
pensamento; na capacidade de leitura, interpretação e escrita; na relação qualitativa com a
informação são exemplos de questionamentos imperativos. O desafio que se impõe à
comunidade escolar é a adequação a essa transformação, promovendo a discussão e a pesquisa
com esse foco. A reflexão não deve buscar qualificar o modelo que se apresenta como positivo
ou negativo, mas avaliar como ele pode e deve ser utilizado para enriquecer as práticas
pedagógicas.
A pesquisa pode ser entendida como um processo de investigação orientada por um
método com o objetivo de levantar, explorar e analisar dados para criação, formalização e/ou
renovação de áreas do conhecimento visando reduzir os níveis de reprovação na disciplina
Matemática para alunos do 1̊ ano do Ensino Médio. A observação dos ambientes virtuais foi
realizada pelos autores deste projeto de forma direta intensiva - participativa.
Quanto à natureza do estudo, a pesquisa se desenvolveu de forma qualitativa,
caracterizada segundo uma abordagem fenomenológica-hermenêutica. Para Fiorentini, Garnica e
Bicudo (2004, p.111), a pesquisa que segue essa abordagem “se movimenta, colocando suas
interrogações, buscando seus dados, construindo sua rede de significados”. Os autores destacam
ainda que essa rede “se transforma conforme a perspectiva pela qual é olhada”. Fiorentini e
Lorenzato (2009, p.65) completam esse pensamento quando afirmam que nessa abordagem a
solução dos problemas educacionais surge através da interpretação e compreensão dos
significados atribuídos pelos sujeitos que experienciam o fenômeno.
No tocante a fonte de dados, foi utilizada a modalidade de pesquisa de campo. Para
Santos (2004, p.27), “pesquisa de campo é aquela que recolhe os dados in natura, como
percebidos pelo pesquisador”. O estudo foi realizado em uma escola da rede pública (Colégio
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Militar do Rio de Janeiro – CMRJ) do munícipio do Rio de Janeiro. Foi analisado com o uso de
um ambiente multimídia de caráter sociointeracionista que proporciona uma aprendizagem
significativa em turmas do 1º ano do Ensino Médio, com um gestor tecnológico do ambiente, um
coordenador de tutoria, um tutor da disciplina de Matemática e alunos com dificuldade de
aprendizagem (voluntários) na presente disciplina, utilizando um Ambiente Virtual de
Aprendizagem.
A coleta de dados foi efetuada através de quatro etapas principais. A primeira, referente à
análise da importância dos ambientes multimídias sociointeracionistas como objeto de
aprendizagem no ensino de Matemática. Esse processo foi executado através de uma pesquisa
dos alunos com dificuldade em pré-requisitos na aprendizagem da disciplina em estudo e índices
de reprovação. Um segundo momento foi caracterizado pela aplicação de um pré-teste na turma
com o intuito de se analisar qualitativamente quais são as dificuldades de aprendizagem que os
alunos possuem acerca dos principais conceitos envolvidos na disciplina, verificando
principalmente se a deficiência seria em pré-requisitos ou no conteúdo que está sendo aplicado.
Esse pré-teste foi caracterizado por questões contendo assuntos voltados em conteúdos de anos
anteriores e assuntos interdisciplinares. Uma terceira etapa foi realizada através de uma
observação participante com o intuito de investigar como o uso do objeto de aprendizagem
proposto utilizando em um ambiente virtual auxilia o docente a proporcionar uma aprendizagem
significativa a seus alunos. Thiollent (2011) afirma que “essa etapa da pesquisa constitui um
experimento de ensino”. Borba (2004) afirma que nessa modalidade de pesquisa o professorpesquisador pode analisar detalhadamente as atividades pedagógicas apresentadas aos
estudantes. Para Fiorentini e Lorenzato (2009), a “observação in loco facilita a compreensão do
significado” que os observados dão a realidade.
A observação possibilita um contato pessoal e estreito do pesquisador com o
fenômeno pesquisado, o que apresenta uma série de vantagens. Em primeiro
lugar, a experiência direta é sem dúvida o melhor teste de verificação da
ocorrência de um determinado fenômeno (LÜDKE e ANDRÈ, 1986, p.26 apud
FIORENTINI e LORENZATO, 2009, p.108).
As observações previstas nesta etapa ocorreram em uma aula que foi realizada com a
utilização do objeto de aprendizagem e suas ferramentas como produto final dessa pesquisa. Essa
observação foi estruturada e obteve como registro de pesquisa o número de participantes no
ambiente virtual, bem como a inserção de dúvidas/participação utilizando uma plataforma da
Web 2.0 que atenderá o conhecimento. Esse mecanismo de registro era apenas para coleta de
dados da pesquisa, não sendo divulgadas as respostas dos participantes. Através da análise dos
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dados coletados, foi possível estudar como o ambiente multimídia sociointeracionista favorece a
aprendizagem significativa no apoio pedagógico.
2.1 O Moodle no Estudo de Matemática no CMRJ
O Moodle é uma ferramenta CSCL (Computer Supported Collaborative Learning) escrita
em php (http://www.php.net) habilitada a promover aprendizado colaborativo na Internet
(MATTOS, 2008, p.2). A utilização do Moodle pelo Setor Curricular de Matemática do CMRJ
no processo ensino-aprendizagem converge para o entendimento de que a incorporação de um
novo recurso deve se desenvolver gradativamente e com qualidade.
É certo que a escola é uma instituição que há cinco mil anos se baseia no
falar/ditar do mestre, na escrita manuscrita do aluno e, há quatro séculos, em um
uso moderado da impressão. Uma verdadeira integração da informática supõe o
abandono de um hábito antropológico mais que milenar, o que não pode ser
feito em alguns anos (LEVY, 1997, p.8).
Nesse propósito, mantendo uma postura investigativa, os docentes do Setor Curricular de
Matemática do CMRJ e os alunos do 1º ano do Ensino Médio que frequentam esse colégio têm
utilizado o Moodle, de forma progressiva, como um recurso do processo de ensinoaprendizagem que visa a aumentar a qualidade da interação com os conteúdos acadêmicos e o
contato entre os professores e estudantes. Não centramos a observação numa atividade
específica, mas como ferramenta da rotina acadêmica, ou seja, observamos a utilização dessa
ferramenta como parte do nosso cotidiano e do nosso planejamento didático. Ressaltamos, ainda,
o nosso entendimento de que as atividades que serão relatadas aqui não podem ser classificadas
como ensino a distância no seu senso mais geral. Os envolvidos no curso não estão
geograficamente distantes e mantêm uma rotina acadêmica tradicional de uma escola de Ensino
Básico.
O Moodle permite criar três formatos de cursos: social, semanal e modular. O curso
social é baseado nos recursos de interação entre os participantes e não em um conteúdo
estruturado. A plataforma Moodle tem um grande número de recursos que flexibilizam
sobremaneira a implantação de diversas filosofias de avaliação dos alunos. Podemos realizar as
avaliações do projeto nos seguintes aspectos:
Avaliação por acessos: O Moodle fornece uma ferramenta denominada log de
atividades, que permite colocar em gráfico os acessos dos participantes ao site,
que ferramentas utilizaram, que módulos ou materiais ou atividades acessou, em
que dia, em que hora, a partir de que computador e por quanto tempo.
Avaliação por participação: As intervenções dos alunos no ambiente (perguntas
e respostas, atividades colaborativas, entradas) também são separadas sob o perfil
do aluno, permitindo uma rápida avaliação. Existem ferramentas específicas que
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permitem ao professor passar ensaios, exercícios e tarefas, com datas e horários
limites para entrega.
Avaliação somativa e formativa: A plataforma permite a criação de enquetes,
questionários, com grande variedade de formatos. Essas avaliações podem ser
submetidas aos alunos em datas específicas, possuindo tempo máximo para
resposta. Os critérios de avaliação usados na disciplina são definidos pelo
professor responsável do projeto, e podem ser constituídos de uma mescla de
todos os tipos acima relacionados com coleta das notas de exercícios e provas
realizadas, graus e aqueles concedidos pelas contagens de acesso e de
participações, que podem ser coletados em uma única base de dados e utilizada
conjuntamente para avaliar o aluno.
O Ambiente Virtual de Aprendizagem baseado no Moodle possui todas as ferramentas
que os professores necessitam para construir o ambiente on-line. Inicialmente o tutor foi treinado
extensamente na filosofia pedagógica e no uso eficiente, rápido e de qualidade dos recursos
disponíveis no ambiente. Outras ferramentas, no entanto, permitem interações mútuas, como o
caso das ferramentas fórum, wiki, diário, mensagens (e-mail), que permitem discussões
assíncronas entre os participantes. Nestes casos, os participantes interferem nas interações uns
dos outros, e a interação vai sendo construída, de forma gradativa durante o processo, sem
previsibilidade e as mensagens são criadas e significadas a partir da interação. As questões
iniciais postadas nos fóruns de discussão, ou os tópicos de discussão abertos nestas ferramentas
de debate virtual desencadeiam a construção compartilhada do conhecimento, em situações de
ensino-aprendizagem que superam em qualidade, a interação presencial.
2.2 Administração do Ambiente, Coordenador de Tutoria, Tutoria e o Aluno
A pesquisa em questão teve a participação dos alunos do 1º Ano de Ensino Médio do
Colégio Militar do Rio de Janeiro, através do Ambiente Virtual de Aprendizagem MOODLE,
com acessos semanais, monitorado e gerenciado pelo professor de Tecnologia Educacional, um
dos autores deste projeto, assistido pelo coordenador de tutoria, também autor do projeto. O
coordenador de tutoria é profissional da área de Matemática em fase de doutoramento, assim
como o tutor do projeto, responsável pela motivação dos alunos, com principal finalidade de
reduzir os níveis de reprovação no Ensino da disciplina de Matemática.
Foi feito um acompanhamento minucioso e contínuo das atividades realizadas pelos
alunos e junto ao tutor, adotar estratégias para o aumento da participação e envolvimento dos
alunos na disciplina em estudo.
O coordenador de tutoria esteve atento às demandas e reclamações dos alunos,
principalmente relacionadas a problemas técnicos relacionados à utilização da plataforma, bem
como os problemas envolvendo o cotidiano e relacionamento destes com o tutor. Utilizou-se em
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quase a totalidade do curso a disponibilização de um canal de interação direto entre coordenador
de tutoria e aluno, principalmente para resolução de problemas entre os alunos e tutor.
2.3 Material Didático
Os alunos receberam materiais didáticos especialmente elaborados para o projeto, como
Notas de Aula por conteúdo na disciplina, que ora estava sendo ministrada no bimestre ou
instrumentos e objetos específicos de uma disciplina.
2.4 Relações de Conflito
Em geral, a relação tutor-aluno foi muito cordial e amistosa, mas ocorreram casos de
alunos que não se adaptaram ao sistema de ensino, pois havia uma mentalidade onde o tutor
deveria ter uma postura tradicional de professor de ensino presencial. Em suma, de acordo com
Esquincalha (2009), o papel do tutor a distância no projeto, remeteu-se a: conhecer o material
didático da disciplina em que iria atuar e o sistema de tutoria; prestar serviços de tutoria aos
alunos no Ambiente Virtual de Aprendizagem, sob a responsabilidade do professor-orientador do
projeto em que estivesse atuando; propor, em consonância com o professor-orientador, as
atividades de avaliação da aprendizagem, bem como os critérios de correção; acompanhar as
avaliações e discutir os resultados com o professor-orientador do projeto.
O grupo de estudo contou com 20 alunos e acompanhado por um mediador pedagógico,
designado como tutor, que é um aluno do 3˚ período do curso de licenciatura em Matemática da
Universidade Castelo Branco.
A primeira semana de trabalho junto ao tutor foi apresentar o projeto, a fim de que
compreendesse em detalhes a proposta, e também para que pudessem tirar suas dúvidas a
respeito do uso da plataforma Moodle.
Na segunda semana, foi proposto um fórum de discussão sobre a qualidade da
comunicação e o exercício da tutoria como mediadora e incentivadora da aprendizagem
individual e coletiva, a partir da disponibilização para leitura, de textos voltados à educação a
distância.
O objetivo da terceira semana foi dar formação ao tutor para confeccionar um plano de
trabalho, com foco nos conteúdos bimestrais do Currículo Mínimo do 1˚ ano do Ensino Médio e,
Notas de Aulas específicas. Com isso, foi apresentado um material didático produzido para o
curso, além de vivenciar as eventuais dificuldades pelas quais os cursistas poderiam passar.
Para Gervai (2007), a mediação pedagógica, em termos gerais, é o processo de
intervenção pedagógica de um elemento intermediário (o coordenador de tutoria com os tutores,
e os tutores com os professores cursistas) em uma relação (com o curso, com a coordenação,
com o material didático, com o ambiente). A relação deixa de ser direta e passa a ser mediada
por esse elemento.
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2011
Bimestres
1º
2º
3º
2012
4º
1º
2º
3º
4º
Atividades
Encaminhamento do projeto de pesquisa
Revisão Bibliográfica
Construção do Ambiente
Aplicação do Pré-teste
Aplicação do ambiente em aula
Aplicação do Pós-teste
Análise dos dados
Publicação dos resultados
Tabela 01 – Plano de Estudo
3. Análise de Dados
Na pesquisa em tela, a interpretação e análise de dados permitem conceitos importantes para serem
analisados no projeto. Percebeu-se que houve uma significativa melhora nos graus dos alunos na disciplina
de Matemática e que a grande dificuldade dos alunos está nos pré-requisitos que atendam a disciplina. Isto
foi observado ao longo dos fóruns realizados, pois muitos alunos apresentavam dificuldades em uma
simples resolução de equações do 1º grau. Para isso, houve reforço de alguns assuntos, nos fóruns temáticos,
a fim de resgate de conhecimentos necessários para conhecer as definições envolvendo função do 1º grau,
assunto este de predomínio no corrente ano de ensino no Ensino Médio.
Segue abaixo um gráfico da significativa melhora dos alunos com notas abaixo de 5,0 no corrente
ano, nos 1º e 2º bimestres dos quais 149 alunos, 16 alunos eram do Ensino a Distância dos 20 inscritos no
presente curso dado, ou seja, houve uma recuperação de aprendizagem de 80%.
Tabela 02 – Comparativo de Alunos com nota Parcial (AP) com média abaixo de 5
20
3.1 Experiências de Ensino e Aprendizagem como Apoio do Moodle
No CMRJ o uso do Moodle para o ensino de Matemática atinge cerca de 300 alunos do Ensino
Básico. Assim, diante da inquestionável preocupação em relação à ética e ao uso correto da internet, como
política de segurança, exige-se dos estudantes um cadastramento em que sejam identificados pela turma a
que pertencem. Essa estratégia se mostra útil no controle e reconhecimento, por parte dos administradores
da plataforma, das ações e identidades dos participantes cadastrados, sejam eles atuantes ou não. Munidos
de cadastramento e inscrição, os estudantes passam a ter acesso à plataforma educacional de qualquer
computador com acesso à Internet.
Nesta apresentação destacamos os resultados observados no percurso acadêmico das
possibilidades de utilização desse recurso.
Diante de estudantes no meio de sua formação de Ensino Médio, o objetivo específico da
utilização da plataforma Moodle vai de encontro da demanda pela eficácia na relação tempo de
dedicação/qualidade do estudo. Dentre as diferentes atividades realizadas pelos alunos do 1º ano
do Ensino Médio em 2011, destacam-se a resolução de listas de exercícios em páginas de edição
colaborativas (wiki) e testes on–line (TOL). A prova do 2º bimestre 2011 foi realizada em sala
de aula, mas foi oferecida aos alunos a oportunidade de conquistar uma pontuação extra para
compor a nota. Para isso seria necessário que os alunos apresentassem no Moodle, via wiki,
soluções das sete questões da prova em uma lista de exercícios disponibilizada a partir da data de
aplicação da prova. O prazo estipulado para conclusão da tarefa foi de dois dias. Após esse prazo
a colaboração na wiki não foi mais permitida e o gabarito oficial foi divulgado. Cada aluno
poderia responder a, no máximo, uma pergunta. Caso alguma solução estivesse errada ou
incompleta, outro aluno poderia apresentar uma complementação ou solução alternativa, porém
não poderia alterar a resposta dada pelo outro aluno. Os alunos foram instruídos a utilizar cores
diferentes para facilitar a identificação de suas soluções. Observou-se uma participação ativa na
resolução da tarefa, principalmente pelos alunos com bom desempenho. Além de melhorar suas
notas, puderam oferecer um auxílio aos alunos que não sabiam resolver as questões. O TOL–
2011 foi aplicado às três turmas do 1º ano do Ensino Médio, totalizando 90 alunos avaliados.
Consistiu em uma prova objetiva de cinco questões com cinco opções cada. Foi uma avaliação
de caráter obrigatório e equivalente a um teste tradicional com escala de notas variando de 0,0 a
10,0 pontos e computada no cálculo da média do 2º bimestre 2011. Para tornar a avaliação
obrigatória, o professor fez um levantamento de quantos alunos tinham acesso à internet banda
larga ou discada. Aqueles que não tinham acesso poderiam utilizar o laboratório de informática
do colégio para realizar a atividade. Assim todos tiveram oportunidade de realizar o teste on-line.
O desempenho dos alunos está apresentado em Marinho (2008).
21
4. Discussão de resultados
Os resultados da pesquisa são apresentados no gráfico a seguir e mostram que o aluno
tutor se preocupou em gerenciar os fóruns de discussão, com resolução de tarefas zelando pela
organização das discussões e não permitindo conversas que não versassem sobre os temas
propostos. Percebemos também que, de maneira geral, o tutor se preocupou em promover a
reflexão dos cursistas, postando mensagens que os fizessem repensar nas dificuldades na
disciplina e identificar as falhas no conceito cognitivo da disciplina (pré-requisitos). Assim,
nessa mesma perspectiva fizemos vínculos de forma direta ao ambiente computacional propondo
ambientes de aprendizagens cooperativos de forma a reduzir a deficiência de aprendizagem nesta
disciplina.
Assim, em nossa prática, temos consciência de que estamos dando os primeiros passos na
direção das possibilidades dessa ferramenta no processo de ensino-aprendizagem de Matemática
no Ensino Básico. Muito há que se explorar. Em nossos cursos on-line síncronos ou assíncronos
privilegiamos a comunicação entre alunos e alunos/professores; o desenvolvimento colaborativo
de projetos coletivos, armazenamento e a organização de dados acadêmicos. Há necessidade de
estratégias diferenciadas de ensino-aprendizagem para cada série ou segmento da educação
básica. Priorizamos atenção às ações em que podemos garantir gerência consciente e análise
criteriosa em respeito às especificidades da etapa acadêmica.
Gráfico 01: Resultado do 2º Bimestre dos alunos do 1º Ano – Ensino Médio
5. Conclusão
Como professores, somos responsáveis pela organização de experiências que possam
oferecer melhores condições de aprendizagem para os alunos. Embora não seja fácil traçar a
linha que marca a divisão entre a componente individual e a componente coletiva do processo de
construção do conhecimento, acreditamos que não é possível ignorar o aspecto decisivo da
22
segunda. Nesse sentido, acreditamos que experimentar os avanços tecnológicos que determinam
as práticas de comunicação da sociedade contemporânea é fundamental para garantir o papel da
escola de formação básica. Reafirmando nosso compromisso com a educação pública e de
qualidade, esperamos ainda, com este relato, estimular a reflexão sobre a prática docente e
apontar possibilidades de mudanças.
Nesta pesquisa, as práticas de mediação pedagógica em um ambiente virtual se
caracterizam como novidade à medida que os alunos envolvidos, gestor tecnológico, tutor e
coordenador-pesquisador se inserissem nesta modalidade de Educação, possuindo ou não algum
conhecimento a seu respeito procurando.
Assim, procuramos observar as práticas de mediação utilizadas por um grupo de 20
alunos voluntários, realizando intervenções por meio de instruções realizadas nos canais de
comunicação entre coordenação de projeto, tutor e alunos. Esta observação participante visou à
redução das dificuldades em conceitos de pré-requisitos na disciplina, minimizando as falhas de
aprendizagem, com a confecção de notas de aula e discussões sobre a mesma em forum temático.
Neste ínterim, observou-se que os alunos intergiram na plataforma, com discussões na mesma e
tiragem de dúvidas entre tutor e os próprios alunos, caracterizando uma mediação colaborativa e
participativa. Diante do exposto, houve uma pequena melhora dos alunos que se habilitaram ao
projeto, podendo se concluir que a modalidade de ensino praticada pode ser oferecida para
regiões de difícil acesso a recuperação, bastando possuir apenas pessoal qualificado e disponível
para o apoio pedagógico.
6. Referências
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da Anped. Caxambu: 2004.
ESQUINCALHA, A. C. Guia do Tutor dos Cursos de Pós-Graduação do LANTE/UFF.
Niterói: LANTE/UFF, 2009
FIORENTINI, D.; GARNICA, A. V. M.; BICUDO, M. A. V. Pesquisa Qualitativa em
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GERVAI, S. M. S. A Mediaçã
online. São
Paulo: Bertalanffy, v.L, 2007.
LEVY, P. As Tecnologias da Inteligência - o futuro do pensamento na era da informática.
Rio de Janeiro: Editora 34, 1997.
23
MATTOS, F. R. P.; GUIMARÃES, L. C.; BARBASTEFANO, R. G.; DEVOLDER, R.G. & DIAS, U.
MathChat: um módulo de chat matemático integrado ao Moodle. In: IV Colóquio de História e
Tecnologia no Ensino de Matemática, 2008, Rio de Janeiro. IV Colóquio de História e Tecnologia no
Ensino de Matemática. Rio de Janeiro: LIMC/UFRJ, 2008.
MARINHO, F.C.V.; VIEIRA, E. R.; MEIRELLES, R. M. C. & CUNHA, J. L. Avaliações on–line:
quebrando paradigmas. In: VI Seminário de Pesquisa em Educação Matemática do Estado do Rio
de Janeiro. Rio de Janeiro, 2008.
REGO, T. C. Vygotsky: Uma perspectiva Histórico-Cultural da Educação. Rio de Janeiro:
Vozes, 1999. 138 p.
SANTOS, A. R. D. Metodologia Científica a construção do conhecimento. Rio de Janeiro:
DP&A editora, 2004.
THIOLLENT, M. Metodologia da Pesquisa-Ação. São Paulo: Cortez, 2011.
24
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