Revista Eletrônica Novo Enfoque, ano 2013, v. 16, n. 16, p. 13 – 24 A UTILIZAÇÃO DE UM AMBIENTE VIRTUAL NO APOIO PEDAGÓGICO BARRETO, Ana Lúcia de Oliveira 1 ANTUNES, Ernani José 2 ARAÚJO, Ivanildo da Silva 3 Resumo Este trabalho tem por finalidade investigar como as interações entre os diferentes atores do processo ensino-aprendizagem envolvidos em um ambiente sociointeracionista (professor, aluno e objeto de aprendizagem) de modo a favorecer uma aprendizagem significativa, reduzindo os níveis de reprovação de alunos com dificuldade de aprendizagem utilizando recursos tecnológicos que geram ambientes dinâmicos, permitindo assim, que nossos objetos de estudo tornem-se manipuláveis ainda que virtualmente. Essa abordagem agrega significado aos conteúdos matemáticos, auxiliando na compreensão dos mesmos pelo aprendizado com a plataforma Moodle – um espaço virtual de ação pedagógica que objetiva a aprendizagem e o trabalho colaborativo – em sua atuação no Ensino Básico e na Formação de Professores. Diante das demandas impostas pela prática letiva e pelo apelo da comunicação virtual que caracteriza a sociedade contemporânea, o uso desta plataforma educacional foi adotado pelo setor, sob uma postura investigativa, com os objetivos de aproximar os novos recursos computacionais das práticas de Ensino de Matemática, de experimentar novas metodologias utilizando esses recursos e de ampliar as possibilidades de atuação acadêmica e pedagógica. Vale destacar a utilização de cursos on-line apoiando a prática pedagógica do ensino regular no âmbito do Ensino Básico; armazenando e organizando os dados acadêmicos, promovendo a ampliação da comunicação e a relação professor-aluno, aluno-aluno, professor-professor, assim como o desenvolvimento da colaboração a projetos coletivos. Pode-se, assim, provocar uma reflexão sobre a prática docente diante das mudanças que regem a sociedade contemporânea. Palavras-Chave: Processo ensino-aprendizagem; Ambiente colaborativo; Apoio pedagógico. 1 Professora Mestre (CMRJ), e-mail: [email protected] 2 Professor Mestre da Universidade Castelo Branco (UCB), Campus Realengo, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. e-mail: [email protected] 3 Acadêmico da Universidade Castelo Branco (UCB), Campus Realengo, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. e-mail: [email protected] Abstract This study aims to investigate how the interactions between the different actors of the learning process involved in a social interaction environment (teacher, student and learning object) in order to promote meaningful learning, reducing the levels of disapproval of students with difficulty learning using technology resources that generate dynamic environments, thus allowing our objects of study become manipulable even virtually. This approach adds meaning to mathematical content, assisting in the understanding of them by learning with Moodle - a virtual pedagogical action that focuses on learning and collaborative work - for her performance in Basic Education and Teacher Training. Faced with the demands imposed by teaching practice and the appeal of virtual communication that characterizes contemporary society, the use of this educational platform has been adopted by industry under an investigative attitude, with the goals of bringing new computing resources practices Mathematics Teaching, to try new methods using these resources and expand the possibilities of academic achievement and educational. Notably, the use of online courses supporting the teaching practice of regular education under the Basic Education; storing and organizing data academics, promoting the expansion of communication and the teacher-student, student-student, teacher-teacher, as well as the development of collaboration collective projects. One can thus cause a reflection on teaching practice in the face of changes that govern contemporary society. Keywords: the teaching-learning environment, educational support. 1. Introdução A educação a distância (EAD) decorre da necessidade de novas propostas de estudo, pelas quais o aluno não tem uma delimitação geográfica e nem uma sala de aula presencial para buscar sua qualificação. O aluno estuda onde e quando desejar, num universo escolar disperso, existindo uma separação física entre professor e aluno. Surge a demanda por novas estratégias didáticas, que incluam as ferramentas de interação do processo ensino-aprendizagem. Assim, ocorre grande ênfase no conteúdo das mensagens trocadas entre os alunos e os docentes, havendo uma interação social ocorrida em ambientes virtuais. A separação entre professor e aluno com uma intermediação pedagógica múltipla centrada no processo ensino-aprendizagem intermediada de forma colaborativa, argumentativa, dialética e investigativa pode reduzir os níveis de reprovação e diminuir as deficiências que os alunos carregam no tocante a aprendizagem no ensino da Matemática. Nesta intermediação pedagógica, o aluno é motivado a tornar-se mediador pedagógico ao lado de seu professor diante de todos os presentes. 14 Diante desse panorama, refletimos sobre as possibilidades de ampliação do contato dos alunos com a Matemática, garantindo qualidade e interesse, sem necessariamente exigir ampliação ou alteração de grade curricular. 2. Procedimentos Metodológicos A Internet, vista como mola propulsora de uma revolução na comunicação, é responsável por mudanças sociais intensas (na economia, na política, na cultura, na educação etc.), que geram profundos impactos na formação do cidadão contemporâneo. O homem se rende à comunicação virtual. A utilização, cada vez mais intensa, dos recursos da tecnologia para a produção e a circulação de informação torna necessária a reflexão sobre esse tipo de comunicação e, mais especificamente, como ela chega à escola e interfere no comportamento dos estudantes. Em que medida essa nova ordem intervém na estrutura de comunicação escolar; na organização lógica do pensamento; na capacidade de leitura, interpretação e escrita; na relação qualitativa com a informação são exemplos de questionamentos imperativos. O desafio que se impõe à comunidade escolar é a adequação a essa transformação, promovendo a discussão e a pesquisa com esse foco. A reflexão não deve buscar qualificar o modelo que se apresenta como positivo ou negativo, mas avaliar como ele pode e deve ser utilizado para enriquecer as práticas pedagógicas. A pesquisa pode ser entendida como um processo de investigação orientada por um método com o objetivo de levantar, explorar e analisar dados para criação, formalização e/ou renovação de áreas do conhecimento visando reduzir os níveis de reprovação na disciplina Matemática para alunos do 1̊ ano do Ensino Médio. A observação dos ambientes virtuais foi realizada pelos autores deste projeto de forma direta intensiva - participativa. Quanto à natureza do estudo, a pesquisa se desenvolveu de forma qualitativa, caracterizada segundo uma abordagem fenomenológica-hermenêutica. Para Fiorentini, Garnica e Bicudo (2004, p.111), a pesquisa que segue essa abordagem “se movimenta, colocando suas interrogações, buscando seus dados, construindo sua rede de significados”. Os autores destacam ainda que essa rede “se transforma conforme a perspectiva pela qual é olhada”. Fiorentini e Lorenzato (2009, p.65) completam esse pensamento quando afirmam que nessa abordagem a solução dos problemas educacionais surge através da interpretação e compreensão dos significados atribuídos pelos sujeitos que experienciam o fenômeno. No tocante a fonte de dados, foi utilizada a modalidade de pesquisa de campo. Para Santos (2004, p.27), “pesquisa de campo é aquela que recolhe os dados in natura, como percebidos pelo pesquisador”. O estudo foi realizado em uma escola da rede pública (Colégio 15 Militar do Rio de Janeiro – CMRJ) do munícipio do Rio de Janeiro. Foi analisado com o uso de um ambiente multimídia de caráter sociointeracionista que proporciona uma aprendizagem significativa em turmas do 1º ano do Ensino Médio, com um gestor tecnológico do ambiente, um coordenador de tutoria, um tutor da disciplina de Matemática e alunos com dificuldade de aprendizagem (voluntários) na presente disciplina, utilizando um Ambiente Virtual de Aprendizagem. A coleta de dados foi efetuada através de quatro etapas principais. A primeira, referente à análise da importância dos ambientes multimídias sociointeracionistas como objeto de aprendizagem no ensino de Matemática. Esse processo foi executado através de uma pesquisa dos alunos com dificuldade em pré-requisitos na aprendizagem da disciplina em estudo e índices de reprovação. Um segundo momento foi caracterizado pela aplicação de um pré-teste na turma com o intuito de se analisar qualitativamente quais são as dificuldades de aprendizagem que os alunos possuem acerca dos principais conceitos envolvidos na disciplina, verificando principalmente se a deficiência seria em pré-requisitos ou no conteúdo que está sendo aplicado. Esse pré-teste foi caracterizado por questões contendo assuntos voltados em conteúdos de anos anteriores e assuntos interdisciplinares. Uma terceira etapa foi realizada através de uma observação participante com o intuito de investigar como o uso do objeto de aprendizagem proposto utilizando em um ambiente virtual auxilia o docente a proporcionar uma aprendizagem significativa a seus alunos. Thiollent (2011) afirma que “essa etapa da pesquisa constitui um experimento de ensino”. Borba (2004) afirma que nessa modalidade de pesquisa o professorpesquisador pode analisar detalhadamente as atividades pedagógicas apresentadas aos estudantes. Para Fiorentini e Lorenzato (2009), a “observação in loco facilita a compreensão do significado” que os observados dão a realidade. A observação possibilita um contato pessoal e estreito do pesquisador com o fenômeno pesquisado, o que apresenta uma série de vantagens. Em primeiro lugar, a experiência direta é sem dúvida o melhor teste de verificação da ocorrência de um determinado fenômeno (LÜDKE e ANDRÈ, 1986, p.26 apud FIORENTINI e LORENZATO, 2009, p.108). As observações previstas nesta etapa ocorreram em uma aula que foi realizada com a utilização do objeto de aprendizagem e suas ferramentas como produto final dessa pesquisa. Essa observação foi estruturada e obteve como registro de pesquisa o número de participantes no ambiente virtual, bem como a inserção de dúvidas/participação utilizando uma plataforma da Web 2.0 que atenderá o conhecimento. Esse mecanismo de registro era apenas para coleta de dados da pesquisa, não sendo divulgadas as respostas dos participantes. Através da análise dos 16 dados coletados, foi possível estudar como o ambiente multimídia sociointeracionista favorece a aprendizagem significativa no apoio pedagógico. 2.1 O Moodle no Estudo de Matemática no CMRJ O Moodle é uma ferramenta CSCL (Computer Supported Collaborative Learning) escrita em php (http://www.php.net) habilitada a promover aprendizado colaborativo na Internet (MATTOS, 2008, p.2). A utilização do Moodle pelo Setor Curricular de Matemática do CMRJ no processo ensino-aprendizagem converge para o entendimento de que a incorporação de um novo recurso deve se desenvolver gradativamente e com qualidade. É certo que a escola é uma instituição que há cinco mil anos se baseia no falar/ditar do mestre, na escrita manuscrita do aluno e, há quatro séculos, em um uso moderado da impressão. Uma verdadeira integração da informática supõe o abandono de um hábito antropológico mais que milenar, o que não pode ser feito em alguns anos (LEVY, 1997, p.8). Nesse propósito, mantendo uma postura investigativa, os docentes do Setor Curricular de Matemática do CMRJ e os alunos do 1º ano do Ensino Médio que frequentam esse colégio têm utilizado o Moodle, de forma progressiva, como um recurso do processo de ensinoaprendizagem que visa a aumentar a qualidade da interação com os conteúdos acadêmicos e o contato entre os professores e estudantes. Não centramos a observação numa atividade específica, mas como ferramenta da rotina acadêmica, ou seja, observamos a utilização dessa ferramenta como parte do nosso cotidiano e do nosso planejamento didático. Ressaltamos, ainda, o nosso entendimento de que as atividades que serão relatadas aqui não podem ser classificadas como ensino a distância no seu senso mais geral. Os envolvidos no curso não estão geograficamente distantes e mantêm uma rotina acadêmica tradicional de uma escola de Ensino Básico. O Moodle permite criar três formatos de cursos: social, semanal e modular. O curso social é baseado nos recursos de interação entre os participantes e não em um conteúdo estruturado. A plataforma Moodle tem um grande número de recursos que flexibilizam sobremaneira a implantação de diversas filosofias de avaliação dos alunos. Podemos realizar as avaliações do projeto nos seguintes aspectos: Avaliação por acessos: O Moodle fornece uma ferramenta denominada log de atividades, que permite colocar em gráfico os acessos dos participantes ao site, que ferramentas utilizaram, que módulos ou materiais ou atividades acessou, em que dia, em que hora, a partir de que computador e por quanto tempo. Avaliação por participação: As intervenções dos alunos no ambiente (perguntas e respostas, atividades colaborativas, entradas) também são separadas sob o perfil do aluno, permitindo uma rápida avaliação. Existem ferramentas específicas que 17 permitem ao professor passar ensaios, exercícios e tarefas, com datas e horários limites para entrega. Avaliação somativa e formativa: A plataforma permite a criação de enquetes, questionários, com grande variedade de formatos. Essas avaliações podem ser submetidas aos alunos em datas específicas, possuindo tempo máximo para resposta. Os critérios de avaliação usados na disciplina são definidos pelo professor responsável do projeto, e podem ser constituídos de uma mescla de todos os tipos acima relacionados com coleta das notas de exercícios e provas realizadas, graus e aqueles concedidos pelas contagens de acesso e de participações, que podem ser coletados em uma única base de dados e utilizada conjuntamente para avaliar o aluno. O Ambiente Virtual de Aprendizagem baseado no Moodle possui todas as ferramentas que os professores necessitam para construir o ambiente on-line. Inicialmente o tutor foi treinado extensamente na filosofia pedagógica e no uso eficiente, rápido e de qualidade dos recursos disponíveis no ambiente. Outras ferramentas, no entanto, permitem interações mútuas, como o caso das ferramentas fórum, wiki, diário, mensagens (e-mail), que permitem discussões assíncronas entre os participantes. Nestes casos, os participantes interferem nas interações uns dos outros, e a interação vai sendo construída, de forma gradativa durante o processo, sem previsibilidade e as mensagens são criadas e significadas a partir da interação. As questões iniciais postadas nos fóruns de discussão, ou os tópicos de discussão abertos nestas ferramentas de debate virtual desencadeiam a construção compartilhada do conhecimento, em situações de ensino-aprendizagem que superam em qualidade, a interação presencial. 2.2 Administração do Ambiente, Coordenador de Tutoria, Tutoria e o Aluno A pesquisa em questão teve a participação dos alunos do 1º Ano de Ensino Médio do Colégio Militar do Rio de Janeiro, através do Ambiente Virtual de Aprendizagem MOODLE, com acessos semanais, monitorado e gerenciado pelo professor de Tecnologia Educacional, um dos autores deste projeto, assistido pelo coordenador de tutoria, também autor do projeto. O coordenador de tutoria é profissional da área de Matemática em fase de doutoramento, assim como o tutor do projeto, responsável pela motivação dos alunos, com principal finalidade de reduzir os níveis de reprovação no Ensino da disciplina de Matemática. Foi feito um acompanhamento minucioso e contínuo das atividades realizadas pelos alunos e junto ao tutor, adotar estratégias para o aumento da participação e envolvimento dos alunos na disciplina em estudo. O coordenador de tutoria esteve atento às demandas e reclamações dos alunos, principalmente relacionadas a problemas técnicos relacionados à utilização da plataforma, bem como os problemas envolvendo o cotidiano e relacionamento destes com o tutor. Utilizou-se em 18 quase a totalidade do curso a disponibilização de um canal de interação direto entre coordenador de tutoria e aluno, principalmente para resolução de problemas entre os alunos e tutor. 2.3 Material Didático Os alunos receberam materiais didáticos especialmente elaborados para o projeto, como Notas de Aula por conteúdo na disciplina, que ora estava sendo ministrada no bimestre ou instrumentos e objetos específicos de uma disciplina. 2.4 Relações de Conflito Em geral, a relação tutor-aluno foi muito cordial e amistosa, mas ocorreram casos de alunos que não se adaptaram ao sistema de ensino, pois havia uma mentalidade onde o tutor deveria ter uma postura tradicional de professor de ensino presencial. Em suma, de acordo com Esquincalha (2009), o papel do tutor a distância no projeto, remeteu-se a: conhecer o material didático da disciplina em que iria atuar e o sistema de tutoria; prestar serviços de tutoria aos alunos no Ambiente Virtual de Aprendizagem, sob a responsabilidade do professor-orientador do projeto em que estivesse atuando; propor, em consonância com o professor-orientador, as atividades de avaliação da aprendizagem, bem como os critérios de correção; acompanhar as avaliações e discutir os resultados com o professor-orientador do projeto. O grupo de estudo contou com 20 alunos e acompanhado por um mediador pedagógico, designado como tutor, que é um aluno do 3˚ período do curso de licenciatura em Matemática da Universidade Castelo Branco. A primeira semana de trabalho junto ao tutor foi apresentar o projeto, a fim de que compreendesse em detalhes a proposta, e também para que pudessem tirar suas dúvidas a respeito do uso da plataforma Moodle. Na segunda semana, foi proposto um fórum de discussão sobre a qualidade da comunicação e o exercício da tutoria como mediadora e incentivadora da aprendizagem individual e coletiva, a partir da disponibilização para leitura, de textos voltados à educação a distância. O objetivo da terceira semana foi dar formação ao tutor para confeccionar um plano de trabalho, com foco nos conteúdos bimestrais do Currículo Mínimo do 1˚ ano do Ensino Médio e, Notas de Aulas específicas. Com isso, foi apresentado um material didático produzido para o curso, além de vivenciar as eventuais dificuldades pelas quais os cursistas poderiam passar. Para Gervai (2007), a mediação pedagógica, em termos gerais, é o processo de intervenção pedagógica de um elemento intermediário (o coordenador de tutoria com os tutores, e os tutores com os professores cursistas) em uma relação (com o curso, com a coordenação, com o material didático, com o ambiente). A relação deixa de ser direta e passa a ser mediada por esse elemento. 19 2011 Bimestres 1º 2º 3º 2012 4º 1º 2º 3º 4º Atividades Encaminhamento do projeto de pesquisa Revisão Bibliográfica Construção do Ambiente Aplicação do Pré-teste Aplicação do ambiente em aula Aplicação do Pós-teste Análise dos dados Publicação dos resultados Tabela 01 – Plano de Estudo 3. Análise de Dados Na pesquisa em tela, a interpretação e análise de dados permitem conceitos importantes para serem analisados no projeto. Percebeu-se que houve uma significativa melhora nos graus dos alunos na disciplina de Matemática e que a grande dificuldade dos alunos está nos pré-requisitos que atendam a disciplina. Isto foi observado ao longo dos fóruns realizados, pois muitos alunos apresentavam dificuldades em uma simples resolução de equações do 1º grau. Para isso, houve reforço de alguns assuntos, nos fóruns temáticos, a fim de resgate de conhecimentos necessários para conhecer as definições envolvendo função do 1º grau, assunto este de predomínio no corrente ano de ensino no Ensino Médio. Segue abaixo um gráfico da significativa melhora dos alunos com notas abaixo de 5,0 no corrente ano, nos 1º e 2º bimestres dos quais 149 alunos, 16 alunos eram do Ensino a Distância dos 20 inscritos no presente curso dado, ou seja, houve uma recuperação de aprendizagem de 80%. Tabela 02 – Comparativo de Alunos com nota Parcial (AP) com média abaixo de 5 20 3.1 Experiências de Ensino e Aprendizagem como Apoio do Moodle No CMRJ o uso do Moodle para o ensino de Matemática atinge cerca de 300 alunos do Ensino Básico. Assim, diante da inquestionável preocupação em relação à ética e ao uso correto da internet, como política de segurança, exige-se dos estudantes um cadastramento em que sejam identificados pela turma a que pertencem. Essa estratégia se mostra útil no controle e reconhecimento, por parte dos administradores da plataforma, das ações e identidades dos participantes cadastrados, sejam eles atuantes ou não. Munidos de cadastramento e inscrição, os estudantes passam a ter acesso à plataforma educacional de qualquer computador com acesso à Internet. Nesta apresentação destacamos os resultados observados no percurso acadêmico das possibilidades de utilização desse recurso. Diante de estudantes no meio de sua formação de Ensino Médio, o objetivo específico da utilização da plataforma Moodle vai de encontro da demanda pela eficácia na relação tempo de dedicação/qualidade do estudo. Dentre as diferentes atividades realizadas pelos alunos do 1º ano do Ensino Médio em 2011, destacam-se a resolução de listas de exercícios em páginas de edição colaborativas (wiki) e testes on–line (TOL). A prova do 2º bimestre 2011 foi realizada em sala de aula, mas foi oferecida aos alunos a oportunidade de conquistar uma pontuação extra para compor a nota. Para isso seria necessário que os alunos apresentassem no Moodle, via wiki, soluções das sete questões da prova em uma lista de exercícios disponibilizada a partir da data de aplicação da prova. O prazo estipulado para conclusão da tarefa foi de dois dias. Após esse prazo a colaboração na wiki não foi mais permitida e o gabarito oficial foi divulgado. Cada aluno poderia responder a, no máximo, uma pergunta. Caso alguma solução estivesse errada ou incompleta, outro aluno poderia apresentar uma complementação ou solução alternativa, porém não poderia alterar a resposta dada pelo outro aluno. Os alunos foram instruídos a utilizar cores diferentes para facilitar a identificação de suas soluções. Observou-se uma participação ativa na resolução da tarefa, principalmente pelos alunos com bom desempenho. Além de melhorar suas notas, puderam oferecer um auxílio aos alunos que não sabiam resolver as questões. O TOL– 2011 foi aplicado às três turmas do 1º ano do Ensino Médio, totalizando 90 alunos avaliados. Consistiu em uma prova objetiva de cinco questões com cinco opções cada. Foi uma avaliação de caráter obrigatório e equivalente a um teste tradicional com escala de notas variando de 0,0 a 10,0 pontos e computada no cálculo da média do 2º bimestre 2011. Para tornar a avaliação obrigatória, o professor fez um levantamento de quantos alunos tinham acesso à internet banda larga ou discada. Aqueles que não tinham acesso poderiam utilizar o laboratório de informática do colégio para realizar a atividade. Assim todos tiveram oportunidade de realizar o teste on-line. O desempenho dos alunos está apresentado em Marinho (2008). 21 4. Discussão de resultados Os resultados da pesquisa são apresentados no gráfico a seguir e mostram que o aluno tutor se preocupou em gerenciar os fóruns de discussão, com resolução de tarefas zelando pela organização das discussões e não permitindo conversas que não versassem sobre os temas propostos. Percebemos também que, de maneira geral, o tutor se preocupou em promover a reflexão dos cursistas, postando mensagens que os fizessem repensar nas dificuldades na disciplina e identificar as falhas no conceito cognitivo da disciplina (pré-requisitos). Assim, nessa mesma perspectiva fizemos vínculos de forma direta ao ambiente computacional propondo ambientes de aprendizagens cooperativos de forma a reduzir a deficiência de aprendizagem nesta disciplina. Assim, em nossa prática, temos consciência de que estamos dando os primeiros passos na direção das possibilidades dessa ferramenta no processo de ensino-aprendizagem de Matemática no Ensino Básico. Muito há que se explorar. Em nossos cursos on-line síncronos ou assíncronos privilegiamos a comunicação entre alunos e alunos/professores; o desenvolvimento colaborativo de projetos coletivos, armazenamento e a organização de dados acadêmicos. Há necessidade de estratégias diferenciadas de ensino-aprendizagem para cada série ou segmento da educação básica. Priorizamos atenção às ações em que podemos garantir gerência consciente e análise criteriosa em respeito às especificidades da etapa acadêmica. Gráfico 01: Resultado do 2º Bimestre dos alunos do 1º Ano – Ensino Médio 5. Conclusão Como professores, somos responsáveis pela organização de experiências que possam oferecer melhores condições de aprendizagem para os alunos. Embora não seja fácil traçar a linha que marca a divisão entre a componente individual e a componente coletiva do processo de construção do conhecimento, acreditamos que não é possível ignorar o aspecto decisivo da 22 segunda. Nesse sentido, acreditamos que experimentar os avanços tecnológicos que determinam as práticas de comunicação da sociedade contemporânea é fundamental para garantir o papel da escola de formação básica. Reafirmando nosso compromisso com a educação pública e de qualidade, esperamos ainda, com este relato, estimular a reflexão sobre a prática docente e apontar possibilidades de mudanças. Nesta pesquisa, as práticas de mediação pedagógica em um ambiente virtual se caracterizam como novidade à medida que os alunos envolvidos, gestor tecnológico, tutor e coordenador-pesquisador se inserissem nesta modalidade de Educação, possuindo ou não algum conhecimento a seu respeito procurando. Assim, procuramos observar as práticas de mediação utilizadas por um grupo de 20 alunos voluntários, realizando intervenções por meio de instruções realizadas nos canais de comunicação entre coordenação de projeto, tutor e alunos. Esta observação participante visou à redução das dificuldades em conceitos de pré-requisitos na disciplina, minimizando as falhas de aprendizagem, com a confecção de notas de aula e discussões sobre a mesma em forum temático. Neste ínterim, observou-se que os alunos intergiram na plataforma, com discussões na mesma e tiragem de dúvidas entre tutor e os próprios alunos, caracterizando uma mediação colaborativa e participativa. Diante do exposto, houve uma pequena melhora dos alunos que se habilitaram ao projeto, podendo se concluir que a modalidade de ensino praticada pode ser oferecida para regiões de difícil acesso a recuperação, bastando possuir apenas pessoal qualificado e disponível para o apoio pedagógico. 6. Referências BORBA, M. C. A pesquisa qualitativa em educação matemática. Anais da 27ª reunião anual da Anped. Caxambu: 2004. ESQUINCALHA, A. C. Guia do Tutor dos Cursos de Pós-Graduação do LANTE/UFF. Niterói: LANTE/UFF, 2009 FIORENTINI, D.; GARNICA, A. V. M.; BICUDO, M. A. V. 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