ATIVIDADES
NUCLEARES
Newsletter - Ano 4 - n°38 - Junho/2012
MATRIZ LIMPA
Energia nuclear tem papel fundamental
para garantir abastecimento sustentável
Foto: Eletronuclear
Fabíola Amaral
A energia nuclear será imprescindível
para o processo de redução das emissões de
carbono (CO2), responsáveis pela mudança
climática, concluiu o debate sobre a Energia
Nuclear e Desenvolvimento Sustentável, promovido pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), a Agência de Energia
Nuclear (NEA, na sigla em inglês) – entidade ligada à Organização para Cooperação
e Desenvolvimento Econômico (OCDE) – e
a Associação Brasileira de Energia Nuclear
(Aben), em paralelo à Rio+20.
Enquanto a geração térmica fóssil é responsável por até 25% das emissões de carbono, a geração nuclear não provoca emissões.
Por isso, os debatedores frisaram a importância da participação das usinas nucleares nesse processo, contribuindo para a segurança
no abastecimento de energia, com um grande
potencial na mitigação da mudança climática.
De acordo com o assistente da Presidência da Eletrobras Eletronuclear, Leonam dos
Santos Guimarães, as emissões de carbono não declinarão antes de 2030, mesmo se
a matriz elétrica mundial mudar no presente.
Para o executivo, a solução para o problema
não é única. “Será necessário utilizar a energia
nuclear e também o gás natural, as energias
renováveis, os biocombustíveis e a tecnologia
de captura e sequestro de carbono”, disse.
Segundo dados apresentados pela Eletronuclear, 66% das emissões de carbono no
mundo, em 2004, foram oriundos da energia
e da indústria. Um ano depois, apenas 18%
das emissões de carbono no Brasil foram
produto da energia e da indústria. Este percentual reflete a matriz energética brasileira
limpa e renovável, com 80% de participação
da fonte hídrica e com a geração nuclear ocupando 3% da matriz. Estimativas indicam que
em 2020, o Brasil terá uma geração bruta de
785 terawatts-hora (TWh), e a geração média
mundial de eletricidade será de 27.708 TWh.
Segundo o chefe da Seção de Planejamento e Estudos Econômicos da AIEA, Hans-Holger
Rogner, que participou do debate em paralelo à
Rio+20, há uma pressão mundial para o investimento em opções que não emitam gases responsáveis pelo efeito estufa e possam atender
a crescente demanda energética global.
“A energia nuclear não é a única solução
para mitigar a mudança climática e para promover o desenvolvimento sustentável, mas,
Debate no Rio voltou ressaltar a importância da energia nuclear no processo de redução das emissões de carbono (CO2)
certamente, pode ser uma parte integrante
dessa solução”, comentou.
Na ocasião, o chefe da Divisão de Desenvolvimento Nuclear da NEA, Ron Cameron,
ressaltou a necessidade de descarbonizar as
economias do mundo, destacando a energia
nuclear como parte importante dentre as soluções disponíveis. “Entre 1971 e 2004, a energia nuclear evitou emissões cumulativas de
58 gigatoneladas de carbono, em substituição a fontes de combustíveis fósseis”, frisou o
executivo, acrescentando que as dúvidas em
relação ao investimento em energia nuclear
e o atraso na adoção da captura e sequestro de carbono tornam mais difícil evitar que a
temperatura do planeta aumente em 2º centígrados (considerado por cientistas o limite
aceitável para evitar mudanças drásticas no
clima do planeta).
Consequências de Fukushima
Após o acidente ocorrido em Fukushima,
no Japão, o ritmo de desenvolvimento da
energia nuclear deve ficar reduzido no médio
prazo, segundo Cameron, porque a opinião
pública foi fortemente afetada e levará algum
tempo para ser revertida. Ele ressaltou que as
lições desse episódio precisam ser aplicadas
nas usinas nucleares existentes e nas unidades que estão em construção.
No entanto, outros fatores mundiais
acabam contribuindo para a necessidade
de ampliação da geração nuclear. A urgência da redução de emissão de carbono e o
risco geopolítico que se mantém alto para a
utilização do petróleo e, potencialmente, do
gás natural, são questões que atravessam
o crescimento da demanda energética, que
deve triplicar até 2050.
Outro fator favorável à utilização da
energia nuclear frente a outras fontes está
na relação com o uso do solo. Diante da
estimativa de crescimento da população
mundial em cerca de 2 bilhões de habitantes no período de 2010 a 2050, o que, consequentemente, acarreta a necessidade por
espaço para moradias e para a produção de
alimentos, por exemplo, a geração nuclear
apresenta como ponto positivo o fato de ser
a que demanda menos espaço em comparação a outras fontes.
Segundo dados da Eletronuclear, para
gerar 1.000 megawatts (MW), a fonte nuclear necessita apenas de 50 hectares (incluindo estocagem), enquanto hidrelétricas precisam de cerca de 25 mil hectares (incluindo
estocagem); eólicas, de 10 mil hectares
(sem estocagem), e a biomassa, de 400 mil
hectares (sem estocagem) para gerar o mesmo volume de energia.
Expansão
O executivo da NEA, Ron Cameron, acredita que a maior parte do crescimento da geração nuclear irá ocorrer na Ásia, especialmente
na China e na Índia, países que, segundo ele,
têm poucas opções energéticas e têm mantido
ambiciosos programas nucleares.
ATIVIDADES NUCLEARES - Uma publicação da ABDAN (Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Atividades Nucleares). Produzido pela Migre Comunicação.
Editor: Herval Faria (In Memorian). Redação: Fabíola Amaral e Manoel Sampaio.
Programação Visual: Renato Faria. [email protected] / www.atividadesnucleares.com.br
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