ALTERAÇÃO TEMPORAL DA QUADRA CHUVOSA NO MUNICÍPIO DE RIO LARGOAL, NOS ÚLTIMOS OITO ANOS. Alexandre Ferreira Calheiros ¹, Micejane da Silva Costa¹, , Antonio Cardoso Ferreira¹ ,Evanilson Vicente dos Santos¹,Ronabson Cardoso Fernandes¹,Manoel da Rocha Toledo Filho² RESUMO O presente estudo tem como objetivo analisar a existência de possíveis modificações no padrão de chuva no município de Rio Largo – AL, nos últimos oito anos através de uma série de 93 anos de dados (1912 – 2005). Para a realização do mesmo, foram utilizados dados de precipitação pluviométrica obtidos no NÚCLEO DE ABSORÇÃO E TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA (NATT) vinculada a COOPERATIVA DOS PRODUTORES DE AÇÚCAR E ÁLCOOL DO ESTADO DE ALAGOAS. Os dados são da USINA UTINGA LEÃO localizada no referido município, onde notou-se a alteração da quadra chuvosa que historicamente começava em Abril, sendo alterada para o mês da Maio, em função dos possíveis distúrbios nos mecanismos causadores de chuva em nossa região. Essa alteração da quadra chuvosa foi mostrada através do teste T de student, usando cálculos estatísticos e planilhas eletrônicas. ABSTRACT The present study it has as objective to analyze the existence of possible modifications in the rain standard in the city of Rio Largo - AL, in the last eight years through a series of 93 years of data (1912 - 2005). For the accomplishment of the same, they had been used given of rainy precipitation gotten in NÚCLEO DE ABSORÇÃO E TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA (NATT) tied to the COOPERATIVA DOS PRODUTORES DE ACUCAR E ALCOOL DO ESTDADO DE ALAGOAS. The data are of USINA UTINGA LEÃO located in the related city, where it was noticed alteration of squares rainy that history it started in April, being modified for the month of the May, in function of the possible riots in the .causing rain mechanisms in our region. This alteration of rainy squares was shown through test T of student, using statistical calculations and electronic spread sheets. Palavras-Chaves: Precipitação pluviométrica, quadra chuvosa. ______________________________ 1 Alunos do curso de Graduação em Meteorologia, ICAT/UFAL. Br. 104 km 14, CEP 57702-970. Maceió, AL 2 Prof. do Instituto de Ciências Atmosféricas, E-mail: [email protected], ICAT/UFAL. Br. 104 km 14, CEP 57702-970. Maceió, AL INTRODUÇÃO A precipitação pluviométrica é de fundamental importância para a região de Alagoas. Como o estado se situa na faixa tropical, as variações temporal e espacial da temperatura, além de não determinarem as estações características (estação úmida e estação seca), não é uma variável tão estudada na região como é a precipitação. Estudos de precipitação pluviométrica são de grande importância para a sociedade, especialmente na região Nordeste do Brasil (NEB). A precipitação é parte do ciclo hidrológico, um mecanismo natural, e restabelece as perdas de água continental. O tipo de vida de uma região pode ser estabelecido pela distribuição temporal e espacial da precipitação, que é um fator que condiciona o clima. A água é fundamental em processos produtivos da agricultura e da indústria. No município de Rio Largo-AL, a maior parte de sua zona rural é constituída de plantações de feijão, milho, mandioca, batata, banana e cana-de-açúcar. O regime hídrico é extremamente importante para a agricultura. Segundo Moura et al. (2002), o regime pluviométrico no estado de Alagoas é caracterizado por um período chuvoso e um período seco. A estação úmida para o leste do nordeste brasileiro (NEB) é caracterizada por um aumento da quantidade de precipitação nos meses de Abril, Maio, Junho e Julho (AMJJ) conhecidos como quadra chuvosa. Os mecanismos dinâmicos produtores de precipitação no Nordeste brasileiro podem ser classificados em mecanismos de grande escala, que são responsáveis por aproximadamente 30 a 80% da precipitação observada, de acordo com o local, e mecanismos de meso e micro escalas, que completam os totais observados, Molion (2002). A Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), os sistemas frontais, a alta do Atlântico Sul e os vórtices ciclônicos são alguns dos sistemas que atuam e sustentam o regime de chuva no Nordeste Brasileiro, (HASTENRATH & HELLER (1977); KOUSKY (1979); HASTENRATH & LAMB (1977); GAN & KOUSKY (1986)). Porém, de acordo com Yamazaki & Rao (1977) e Chan (1990), um dos principais determinantes de precipitação para a região do NEB são distúrbios como as ondas nos ventos alísios predominantes do Atlântico Sul, que se associam à formação de nuvens convectivas que se propagam de leste para oeste. O presente trabalho tem como objetivo analisar a existência de possíveis modificações no padrão de chuvas no município de Rio Largo-AL ao longo dos últimos 8 anos, através da observação de uma série histórica de precipitação pluviométrica de 1912 a 2005. MATERIAL E MÉTODOS Para a realização deste trabalho foram utilizados dados de precipitação Pluviométrica obtidos no Núcleo de Absorção e Transferência de Tecnologia (NATT) da Cooperativa Regional dos Produtores de Açúcar e Álcool do estado de Alagoas. O Município de Rio Largo (9º29' 4'' S , 35º 49' 54'', 45m) acha-se situado na parte Leste do Estado de Alagoas, na Zona fisiográfica do Litoral, integrando a Micro-Região (9º29' 4'' S , 35º 49' 54'' e 45m ), apresenta um clima tropicalizado, úmido, herdando as influências litorâneas, sendo "quente-úmido" no verão e "frio-úmido" no inverno.Os dados são da Usina Utinga Leão, localizada também no referido município de Rio Largo/AL. O período de observação foi de 93 anos (1912 – 2005), sendo realizado uma média para os primeiros 85 anos (1912 – 1997) e outra para os últimos 8 anos de observação (1998 – 2005). Após o cálculo desta média, através de um software de planilhas eletrônicas, foram confeccionados alguns gráficos para melhor visualização dos dados analisados. Para análise das médias de precipitação, utilizou-se o teste de T de student, ao nível de 5% de significância. O calculo da estatística T para a distribuição T de student é dado por: t= X1 − X 2 σ 1 / N1 + 1 / N 2 2 2 onde σ = N1s1 + N 2 s 2 N1 + N 2 − 2 Onde: X1 = média do primeiro grupo a ser comparado; X2 = média do segundo grupo a ser comparado; N1 = tamanho da amostra do primeiro grupo; N2 = tamanho da amostra do segundo grupo; s12 = variância amostral do primeiro grupo; s22 = variância amostral do segundo grupo. RESULTADOS E DISCUSSÃO Analisando a Figura 1, que mostra a distribuição média mensal de precipitação pluviométrica para o município de Rio Largo de 1912 a 1997, observa-se que historicamente, na região em estudo, os meses mais chuvosos são Abril (221,5mm), Maio (322,4mm), Junho (300,2mm) e Julho (274,0mm), caracterizando a estação úmida da região (quadra chuvosa). Observa-se também que à medida que se afasta do centro do gráfico, para a esquerda ou para a direita, existe uma diminuição da precipitação pluviométrica, de forma que os dados se ajustam a uma distribuição normal de probabilidades. 300 250 200 150 100 50 Dez Out Nov Set Jul Ago Mai Jun Abr Mar Jan 0 Fev Precipitação Pluviométrica (mm) 350 Meses Figura 1 – Distribuição média mensal da precipitação (mm) para o município de Rio LargoAL, no período de 1912 a 1997. A Figura 2 mostra a distribuição média mensal da precipitação para o local em estudo, no período de 1998 a 2002. Neste período, os meses mais chuvosos, em média, foram Maio (243,9mm), Junho (434,9mm), Julho (283,6mm) e Agosto (225,0mm). No mês de Abril, que 500 400 300 200 100 Dez Out Nov Set Jul Ago Mai Jun Abr Mar Fev 0 Jan Precipitação Pluviomérica (mm) climatologicamente marca o início da quadra chuvosa, a precipitação foi de 181,6mm. Meses Figura 2 – Distribuição média mensal da precipitação (mm) para o município Rio Largo-AL, no período de 1998 a 2005. Ao aplicar testes estatísticos no período de estudo, observou-se que o mês de início da quadra chuvosa apresentou uma diminuição na média de precipitação pluviométrica de 221,5mm na média histórica para 181,6mm na média do período de 1998-2005, diminuição esta equivalente a 18,01%. Analisando-se o mês de agosto, verifica-se que a média de precipitação pluviométrica aumentou de 174,4mm no período de 1912-1997 para 225,0mm nos últimos oito anos do estudo. Este aumento foi de 29,01%. Mesmo estes resultados não sendo estatisticamente significativos ao nível de 5%, percebe-se que a contribuição da precipitação no mês de agosto revelou-se mais forte para a mudança da quadra chuvosa, houve também uma média muito significativa de precipitação no mês Junho (434,9mm). No ano de 2006, o mês de abril apresentou uma precipitação pluviométrica um pouco menor que a média (207,0mm) do período 1912 a 1997. Isto corresponde a uma diferença de 14,5mm abaixo da média, ou 93,45% da média. CONCLUSÕES No entanto ainda é cedo para determinar se estas mudanças no padrão de precipitação pluviométrica para o município de Rio Largo-AL são significativas, é importante manter uma contínua observação deste parâmetro meteorológico. Provavelmente, esta variação está ocorrendo por conta de uma modificação nos mecanismos de macro escala causadores de chuva na região do Nordeste Brasileiro (NEB). A mudança do início da quadra chuvosa do mês de Abril para o mês de maio pode levar a mudança em diversos setores da sociedade, principalmente como a agricultura, construção civil, entre outros. Nota-se então que houve uma alteração na quadra chuvosa (AMJJ), que normalmente tinha seu início no mês de Abril, para Maio, em função de possíveis distúrbios nos mecanismos causadores de chuva em nossa região ficando alterada da seguinte forma (MJJA). REFÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS FIGUEIREDO, J.O.G.R.; MOURA, M.A.L.; TENÓRIO, R.S.; QUERINO, C.A.S.; ALBUQUERQUE, J.K. Aspectos da pluviometria anual, intranual e interanual nas mesorregiões e microrregiões de Alagoas. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE METEOROLOGIA, 12, 2002, Foz do Iguaçu. Anais... Foz do Iguaçu. CAVALCANTI, A.S.; LEMES, M.A.M.; MOLION, L.C.B.; et al. Análise dos fenômenos meteorológicos interventores na produção sucroalcooleira do estado de Alagoas. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE METEOROLOGIA, 12., 2002, Foz do Iguaçu. Anais... Foz do Iguaçu. 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