AVALIAÇÃO DOS SERVIÇOS FARMACÊUTICOS EM FARMÁCIAS DE
LEIGOS DO MUNICÍPIO DE CASCAVEL-PR
Gabriela Cinthyane Teixeira (PIBIC/Fundação Araucária-UNIOESTE),
Suelem Leite da Silva (PIBIC/Fundação Araucária-UNIOESTE),
Suzane Virtuoso, Jean Colacite, Simone Maria Menegatti de Oliveira,
Rosangela Aparecida Botinha Assumpção, Patricia Guerrero
(Orientador), e-mail: [email protected]
Universidade Estadual do Oeste do Paraná/Centro de Ciências Médicas e
Farmacêuticas/Cascavel, PR.
Ciências da Saúde e Farmácia
Palavras-chave: serviços, leigos, farmácia.
Resumo
O intuito deste estudo foi avaliar os serviços farmacêuticos em farmácias de
leigos do município de Cascavel-PR, bem como o perfil dos profissionais e
das farmácias. Estudo observacional, descritivo, que por meio de
questionário estruturado aplicado junto ao farmacêutico, fez-se a coleta de
dados. Foram avaliadas 46 farmácias, onde 16 (35%) dos entrevistados
possuem formação generalista, cuja graduação ocorreu predominantemente
no período de 2005 a 2010 (52%). Os farmacêuticos relataram não terem
aprendido alguns dos serviços farmacêuticos durante a graduação,
destacando-se treinamentos de auxiliares (87%), perfuração de lóbulo
auricular (78%) dentre outros. Dos serviços farmacêuticos realizados em
farmácias, destacam-se dispensação de medicamentos (100%) e aplicação
de medicamentos injetáveis (94%). Grande parte dos farmacêuticos
responsáveis técnicos de farmácias de leigos possui formação recente, o
que pode explicar o conhecimento adquirido na graduação referente a estes
serviços.
Introdução
Muitas farmácias têm direcionado suas práticas para atividades com caráter
estritamente comercial, totalmente desvinculadas da assistência à saúde
(OLIVEIRA et al, 2005). Isto, em parte, é resultado das mudanças ocorridas
com a profissão farmacêutica nos últimos tempos. Neste contexto, o
farmacêutico que atua como responsável técnico em farmácia, restringe
suas ações no atendimento das necessidades comerciais, limitando-se a
atividades burocráticas e de gerenciamento, sendo muitas vezes contratado
somente para cumprir exigências legais (OLIVEIRA et al, 2005; DE CASTRO
& CORRER, 2007).
Serviços farmacêuticos são procedimentos de atenção à saúde,
realizados pelo farmacêutico, com vistas a melhoria da saúde da população
Anais do XIX EAIC – 28 a 30 de outubro de 2010, UNICENTRO, Guarapuava –PR.
(CFF, 2001). A execução destes serviços em farmácia constitui uma prática
milenar, que possibilita à farmácia realizar ações voltadas à saúde da
população.
Poucos estudos foram direcionados para avaliação dos serviços
farmacêuticos oferecidos em farmácias (CORRER et al, 2004; DE FRANÇA
FILHO et al, 2008). No município de Cascavel, nenhum estudo evidenciou
como estes serviços são realizados em farmácias, com ênfase nas
farmácias de leigo. Desta forma, este estudo objetivou avaliar os serviços
farmacêuticos em farmácias de propriedade de leigos do município de
Cascavel, bem como o perfil dos profissionais e dos estabelecimentos
farmacêuticos neste município.
Materiais e métodos
Estudo observacional, descritivo, que avaliou os serviços farmacêuticos
realizados em farmácias de leigos do município de Cascavel-PR, privadas,
com ou sem manipulação, abertas ao público. Lista fornecida pelo Conselho
Regional de Farmácia do Paraná foi utilizada para a obtenção dos dados
dos estabelecimentos e dos farmacêuticos pesquisados. O estudo foi
aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa em Humanos da Unioeste
(Parecer n° 341/2009-CEP).
Para a obtenção dos dados foi aplicado um questionário estruturado,
junto ao farmacêutico responsável técnico pela farmácia no período de
novembro de 2009 a junho de 2010. Havendo dois ou mais farmacêuticos
técnicos responsáveis técnicos pela farmácia, o questionário foi aplicado
junto ao diretor técnico. Foram coletados dados de sexo, idade, ensino
público ou privado, tempo de formado, habilitação cursada, curso de pósgraduação realizado, curso de atualização em serviços farmacêuticos e
presença de conteúdos referente aos serviços farmacêuticos na estrutura
curricular do curso. Também foram coletados dados referentes às farmácias,
tais como tipo de farmácia (dispensação, manipulação ou homeopática),
existência de área destinada à venda de artigos de conveniência (drugstore),
ser a farmácia de rede ou independente, número de farmacêuticos e de
atendentes. Foi avaliada a realização dos serviços farmacêuticos previstos
em legislação pela farmácia, sendo alguns aspectos avaliados visualmente
(in loco). Avaliou-se também se o estabelecimento cobra para realizar
determinado serviço farmacêutico. Os resultados foram avaliados pelo
programa estatístico SPSS versão 13, utilizando-se de estatística descritiva.
Resultados e Discussão
Das 112 farmácias privadas cadastradas junto ao Conselho Regional de
Farmácia do Paraná, 63 estabelecimentos preencheram os critérios de
inclusão no estudo. Porém até o momento, a coleta foi realizada em 46
farmácias. Assim, estes são os resultados preliminares deste estudo, cuja
avaliação restringe-se para 46 farmácias.
Anais do XIX EAIC – 28 a 30 de outubro de 2010, UNICENTRO, Guarapuava –PR.
Quanto a localização, 20 (44%) estão situadas no centro do município
e 26 (56%) em bairros. Verificou-se que a maioria são farmácias de
dispensação (91%), sendo que em 22 (48%) existe espaço para artigos de
conveniência e 29 (63%) são de rede. A média de farmacêutico por farmácia
foi de 1,6 ± 0,6 e de atendentes foi de 3,4 ± 1,8, frequência semelhante a
outros estudos (CORRER et al, 2004; DE FRANÇA FILHO et al, 2008).
Dos farmacêuticos entrevistados, 34 (74%) exerce a função de diretor
técnico da farmácia e 12 (26%) de assistente técnico. A média de idade foi
31,8 ± 8,8 anos, sendo 36 (78%) mulheres. Verificou-se que 15 (33%)
tinham a formação da graduação em universidade pública, sendo que a
maioria (52%) graduou-se no período de 2005 a 2010. Destes, 13 (28%) não
possui habilitação, 17 (37%) possui alguma habilitação e 16 (35%) possuem
formação generalista. Apenas 14 (30%) apresentam alguma pós-graduação
concluída, sendo que 11 (24%) estão atualmente cursando pós-graduação.
Verificou-se que 21 (46%) fizeram curso de capacitação em serviços
farmacêuticos.
Na avaliação da aprendizagem dos serviços farmacêuticos no curso
de graduação, observou-se que muitos destes serviços não foram
contemplados na estrutura do curso, conforme informação referida pelos
entrevistados. Verificou-se que 6 (13%) dos farmacêuticos não aprenderam,
na graduação dispensação de medicamentos, 31 (67%) indicação de
medicamentos, 9 (20%) acompanhamento farmacoterapêutico, 8 (17%)
manipulação magistral, 11 (24%) registro de medicamentos controlados, 17
(37%) atividades de caráter administrativo, 1 (2%) verificação da pressão
arterial, 1 (2%) verificação de temperatura corporal, 21 (46%) pequenos
curativos, 18 (39%) determinação de glicemia capilar, 36 (78%) perfuração
de lóbulo auricular, 31 (67%) inaloterapia e 40 (87%) treinamento de
auxiliares. Todos referiram terem aprendido aplicação de medicamentos
injetáveis no curso de graduação. De fato, o ensino focado para os serviços
de atendimento ao usuário é uma característica dos currículos que sofreram
as mudanças impulsionadas pelas Diretrizes Curriculares Nacionais do
Curso de Graduação em Farmácia, da formação generalista (BRASIL, 2002).
Com relação aos serviços oferecidos pelos farmacêuticos nestas
farmácias, a dispensação de medicamentos representa a maior frequência
(100%), sendo oferecida em todas as farmácias pesquisadas. Indicação de
medicamentos (87%), acompanhamento farmacoterapêutico (59%),
manipulação de medicamentos (7%), atividades de caráter administrativo
(37%), aferição de pressão arterial (89%), aferição de temperatura corporal
(76%), pequenos curativos (7%), determinação de glicemia capilar (15%),
administração de medicamentos injetáveis (94%), perfuração de lóbulo
auricular (65%), treinamentos de auxiliares (74%) e registro de
medicamentos controlados (87%). Inaloterapia não é oferecida por nenhuma
das farmácias entrevistadas. Apesar de alguns serviços serem ofertados
pela maioria das farmácias, alguns poderiam ser mais amplamente
aproveitados por estes estabelecimentos. O baixo interesse no investimento
destes serviços pode ser atribuído ao fato do proprietário não possuir
formação técnica, porém este aspecto precisa ser melhor elucidado.
Anais do XIX EAIC – 28 a 30 de outubro de 2010, UNICENTRO, Guarapuava –PR.
A maioria das farmácias oferece estes serviços gratuitamente, com
exceção do serviço de aferição da glicemia capilar, que é cobrado em 5
(71%) das 7 farmácias que oferecem este serviço.
Conclusões
Grande parte dos farmacêuticos responsáveis técnicos de farmácias de
leigos possui formação recente, dentro do currículo generalista, o que pode
explicar o conhecimento adquirido na graduação referente aos serviços
farmacêuticos direcionados ao atendimento de usuários. Contudo, a oferta
destes serviços também depende do interesse do proprietário da farmácia,
visto que muitos destes serviços necessitam de investimento na estrutura e
organização da farmácia.
Referências
BRASIL. Ministério da Educação. Resolução CNE/CES n° 2, de 19 de
fevereiro de 2002. Institui as Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de
Graduação em Farmácia. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 4 de março
de 2002. Seção 1, p.9.
CFF. Resolução nº 357, a qual aprova o regulamento técnico de boas
práticas em farmácia. Brasília, 2001.
Correr, C.J.; Rossignoli, P.S.; Souza, R.A.P.; Pontarolo, R. Profile of pharmacist and estructure and process indicators of Curitiba-PR (Brazil) pharmacies. Seguimento Pharmacoterapeutico, 2004, 2, 37-45.
De Castro, M.S.; Correr, C.J. Pharmaceutical care in community pharmacies:
practice and research in Brazil. The annals of pharmacotherapy, 2007, 41,
1486-1493.
De França Filho, J.B..; Correr, C.A.; Rossignoli, P.; Melchiors, A.C.; Llimós,
F.F.; Pontarolo, R. Perfil dos farmacêuticos e farmácias em Santa Catarina:
indicadores de estrutura e processo. Revista Brasileira de Ciências
Farmacêuticas, 2008, 44, 105-113.
Oliveira, A.B.; Oyakawa, C.N.; Miguel, M.D.; Warumby, S.M.W.; Montrucchio,
D.P. Obstáculos da atenção farmacêutica no Brasil. Revista Brasileira de
Ciências Farmacêuticas, 2005, 41, 409-413.
Anais do XIX EAIC – 28 a 30 de outubro de 2010, UNICENTRO, Guarapuava –PR.
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