2005 International Nuclear Atlantic Conference - INAC 2005 Santos, SP, Brazil, August 28 to September 2, 2005 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ENERGIA NUCLEAR - ABEN ISBN: 85-99141-01-5 BOMBA ELETROMAGNÉTICA DE CORRENTE CONTÍNUA APLICADA NO CONTROLE DE ESCOAMENTO DE METAIS LÍQUIDOS UTILIZADOS EM REATORES RÁPIDOS Eduardo M. Borges1, Francisco A. Braz Filho2 e Lamartine N. F. Guimarães3 Instituto de Estudos Avançados (IEAv) Centro Técnico Aeroespacial (CTA) São José dos Campos, SP [email protected], [email protected], [email protected] RESUMO Bombas eletromagnéticas utilizam o princípio de Faraday, no qual a interação de corrente elétrica e campo magnético gera a força magnetomotriz que controla o escoamento de metais líquidos. Neste trabalho utiliza-se o programa computacional BEMC-1 para avaliar a possibilidade da aplicação de bombas eletromagnéticas no controle de escoamento de reatores rápidos refrigerados a metais líquidos como Sódio, Chumbo e Bismuto. Apresenta-se ainda a comparação de resultados teóricos e dados experimentais de ensaios de uma bomba eletromagnética de corrente contínua, operando em circuitos a Mercúrio, validando o esquema de análise. 1. INTRODUÇÃO Bombas eletromagnéticas utilizam o princípio de Faraday, no qual a interação de corrente elétrica e campo magnético geram a força magnetomotriz, que controla o escoamento do fluido. Sem partes móveis e com alta confiabilidade, este equipamento controla o escoamento de um metal líquido de alta condutividade elétrica e térmica num circuito fechado e facilita a circulação natural do líquido em caso de falhas ou acidentes em um reator nuclear. No reator rápido experimental norte americano EBR-II o escoamento de Sódio líquido do circuito secundário é controlado por bombas eletromagnéticas de corrente contínua [1]. Reatores refrigerados a Sódio, como o IFR [2] e o PRISM [3], utilizam conceitos avançados de segurança inerente e passiva. No PRISM prevê-se a utilização de bombas eletromagnéticas de corrente alternada no circuito primário de refrigeração. Reatores rápidos refrigerados a Chumbo, a Bismuto ou com combinação de metais líquidos estão sendo projetados usando conceitos avançados de segurança [4, 5]. No Instituto de Estudos Avançados (IEAv) se projetou e ensaiou a primeira bomba eletromagnética (EM) de corrente contínua nacional, que funcionou satisfatoriamente em ensaios estáticos e dinâmicos, em circuitos fechados a mercúrio especialmente desenvolvidos para este fim [6]. Este trabalho utiliza o programa computacional BEMC-1 [7] (desenvolvido para projetar e avaliar o desempenho de bombas eletromagnéticas de corrente contínua), compara resultados teóricos e dados experimentais da bomba EM, operando com Mercúrio, e avalia a possibilidade da aplicação de bombas eletromagnéticas no controle do escoamento de reatores rápidos refrigerados a metais líquidos como Sódio, Chumbo e Bismuto. 2. SIMULAÇÕES O programa BEMC-1, escrito em linguagem C++, foi elaborado com o objetivo de se poder avaliar, cada etapa do desenvolvimento de uma bomba eletromagnética de corrente contínua, possibilitando alteração em todos os parâmetros importantes de projeto. Definido o fluido a ser bombeado e suas propriedades, assim como, a geometria e materiais do canal da bomba, calcula-se as resistências elétricas envolvidas. Em seguida são calculados o campo magnético e a pressão estática fornecidas pela bomba EM, em função das correntes elétricas impostas. Com o BEMC-1 pode-se obter os pontos de operação do sistema, ou seja, a vazão e pressão dinâmica fornecida pela bomba, operando em circuitos fechados, calculando as perdas de carga do circuito em função da vazão, do seu diâmetro e do comprimento equivalente. A bomba eletromagnética de corrente contínua (EM) é formada por um magneto tipo C, com entreferro de 20 mm e 2000 espiras. A Figura 1 apresenta o esquema da bomba EM. A corrente de campo, fornecida pela fonte HP-6030A (com fundo de escala de 10 A), pode gerar um campo magnético máximo de 0,90 Wb/m2. Outra fonte de corrente contínua, com fundo de escala de 800 A, fornece a corrente principal, que interage com o campo magnético e produz no fluido (interno ao canal da bomba) a força magnetomotriz que controla o escoamento. Com base na geometria do canal da bomba, ou seja, altura do canal (a) de 10 mm, largura do canal (b) de 30 mm e o comprimento útil (c) de 70 mm pode-se, com o programa BEMC-1, avaliar o desempenho teórico da bomba EM, operando com os metais líquidos. A Tabela 1 apresenta as propriedades dos metais líquidos de interesse para reatores rápidos, simulados nesta avaliação. magneto tipo C bobina eletrodo canal Figura 1. Esquema da bomba EM com magneto tipo C Tabela 1. Propriedades dos metais líquidos simulados pelo BEMC-1 Propriedade \ metal Temperatura (oC) Resistividade elétrica (ohm.m) Massa específica (Kg/m3) Viscosidade dinâmica (N.s/m2) INAC 2005, Santos, SP, Brazil. Mercúrio 20 9.3 e-7 1340 1.5 e-3 Sódio 500 2.0 e-7 830 2.4 e-4 Chumbo 500 2.1 e-7 10470 1.78 e-3 Bismuto 500 1.34 e-6 9900 1.0 e-4 As Figuras 2 e 3 apresentam, respectivamente, os dados experimentais de pressão estática e de vazão da bomba EM operando em circuitos a Mercúrio e compara-se a resultados teóricos obtidos com o BEMC-1. 2.0E+4 600 A experimental pressão estática (N/m2 ) 1.6E+4 400 A 1.2E+4 8.0E+3 200 A 4.0E+3 0.0E+0 1 2 3 corrente de campo (A) 4 5 Figura 2. Curvas teóricas e experimentais de pressão estática da bomba EM 6 experimental 600 A 5 vazão (l/ min) 400 A 4 3 200 A 2 1 2 4 6 corrente de campo (A) 8 10 Figura 3. Curvas teóricas e experimentais de vazão de Mercúrio Observa-se uma boa concordância dos resultados teóricos e experimentais, apresentados nas Figuras 2 e 3, o que valida o programa BEMC-1 e possibilita a avaliação de uso de outros metais líquidos na bomba EM. Para tanto, estuda-se o desempenho teórico da bomba EM, operando com os metais líquidos de interesse. Levantando-se as curvas dinâmicas teóricas (para possíveis conjuntos de valores de campo magnético e corrente principal, fornecidos INAC 2005, Santos, SP, Brazil. pelas fontes de corrente disponíveis) e a curva teórica de perda de carga no circuito dinâmico (com diâmetro interno de 12,2 mm e comprimento equivalente de 3,8 m), obtidas com o programa BEMC-1. Os pontos de interseção das curvas são os pontos de operação do sistema. A Figura 4 apresenta os pontos de operação teórica do sistema, representados pela interseção das curvas teóricas de desempenho da bomba EM operando com Mercúrio com a curva teórica de perda de carga do circuito dinâmico, obtidos com o BEMC-1. 5.0E+4 circ 3.8 m pressão dinâmica (N/m2 ) 4.0E+4 I= 800 A, B= 0.9 Wb 3.0E+4 2.0E+4 I= 600 A, B= 0.75 Wb 1.0E+4 I= 400 A, B= 0.63 Wb I= 200 A, B= 0.46 Wb 0.0E+0 0 4 8 12 vazão (l/min) 16 20 Figura 4. Curvas teóricas de desempenho da bomba EM operando com Mercúrio A Figura 5 apresenta as curvas teóricas de desempenho da bomba EM operando com Sódio e a curva teórica de perda de carga do circuito dinâmico, obtidos com o BEMC-1. 6.0E+4 pressão dinâmica (N/m2 ) I= 800 A, B= 0.9 Wb 4.0E+4 I= 600 A, B= 0.75 Wb 2.0E+4 I= 400 A, B= 0.63 Wb circ 3.8 m I= 200 A, B= 0.46 Wb 0.0E+0 0 4 8 12 vazão (l/min) 16 20 Figura 5. Curvas teóricas de desempenho da bomba EM operando com Sódio INAC 2005, Santos, SP, Brazil. A Figura 6 apresenta as curvas teóricas de desempenho da bomba EM operando com Chumbo e a curva teórica de perda de carga do circuito dinâmico, obtidos com o BEMC-1. 6.0E+4 pressão dinâmica (N/m2 ) circ 3.8 m 4.0E+4 I= 600 A, B= 0.75 Wb I= 800 A, B= 0.9 Wb 2.0E+4 I= 400 A, B= 0.63 Wb I= 200 A, B= 0.46 Wb 0.0E+0 0 4 8 12 vazão (l/min) 16 20 Figura 6. Curvas teóricas de desempenho da bomba EM operando com Chumbo A Figura 7 apresenta as curvas teóricas de desempenho da bomba EM operando com Bismuto e a curva teórica de perda de carga do circuito dinâmico, obtidos com o BEMC-1. 5.0E+4 circ 3.8 m pressão dinâmica (N/m2 ) 4.0E+4 I= 800 A, B= 0.9 Wb 3.0E+4 I= 600 A, B= 0.75 Wb 2.0E+4 I= 400 A, B= 0.63 Wb 1.0E+4 I= 200 A, B= 0.46 Wb 0.0E+0 0 4 8 12 vazão (l/min) 16 20 Figura 7. Curvas teóricas de desempenho da bomba EM operando com Bismuto INAC 2005, Santos, SP, Brazil. Na Tabela 2 apresentam-se os pontos de operação dinâmica da bomba eletromagnética de corrente contínua, operando com a sua máxima capacidade, em função das fontes disponíveis, ou seja, com a corrente principal (I) máxima de 800 A e campo magnético (B) máximo de 0,90 Wb/m2, para os metais líquidos simulados com o BEMC-1. Tabela 2. Pontos de operação da bomba EM para os metais líquidos simulados Parâmetro\Fluido Vazão (l/min) Pressão (N/m2) Mercúrio 7,3 41200 Sódio 14,5 10400 Chumbo 7,2 34600 Bismuto 10,4 36500 3. COMENTÁRIOS E CONCLUSÃO Para a avaliação de desempenho da bomba EM operando com os metais líquidos de interesse pode-se obter os pontos de operação do sistema bomba-circuito, definidos pela interseção das curvas dinâmicas e de perda de carga de cada fluido. Nota-se que no caso de Mercúrio tanto a pressão dinâmica como a perda de carga para a mesma vazão são as maiores delas. No caso do Bismuto sua curva de operação é próxima à do Mercúrio, mas com menor perda de carga. As curvas dinâmicas da bomba EM operando com Chumbo e com Sódio apresentam inclinações praticamente iguais, pois as suas resistividades elétricas são muito próximas. A perda de carga para o Sódio apresenta valores inferiores, em função de sua massa específica e de sua viscosidade dinâmica serem menores, mostrando maior facilidade de bombeamento do Sódio comparado aos outros metais líquidos simulados. Os resultados teóricos, obtidos com o BEMC-1, mostraram a viabilidade da utilização de bombas eletromagnéticas para o controle de escoamento de metais líquidos, considerados de interesse para remoção de calor, em reatores nucleares rápidos. REFERÊNCIAS 1. G. L. Lentz, et al., “EBR-II - Twenty Years of Operation Experience”. Proceeding of Symposium on Fast Breeder Reactors: Experience and Trends, Lyon, France, (1985). 2. W. H. Hannum, Ed., “The Technology of the Integral Fast Reactor and Its Associated Fuel Cycle”, Prog. Nucl. Energy, 31 (1997). 3. W. Kwant, et al., “PRISM Reactor Design and Development”. Proceedings of Safety of Next Generation Power Reactors Meeting, Washington, USA, (1988). 4. A. Santos and J. A. Nascimento, “An Integral Lead Reactor Concept for Developing Countries”, Nuclear Technology, 140, 3, pp. 233 - 254, (2002). 5. V. O. Myasnikov, et al., “Conceptual Design of Module Fast Reactor of Ultimate Safety Cooled by Lead-Bismuth Alloy”, Trans. Am. Nucl. Soc., 67, 1, pp. 151, (1993). 6. E. M. Borges, et al., “Ensaios de Pressão Estática de Bomba Eletromagnética de Corrente Contínua”. XIII Congresso Brasileiro de Engenharia Mecânica, Belo Horizonte, Brasil, (1995). 7. E. M. Borges, et al., “Software for CD Electromagnetic Pump Simulation – BEMC-1”, Proceedings of International Congress of Mechanical Engineering – COBEM, São Paulo, Brazil, (2003). INAC 2005, Santos, SP, Brazil.