Estudo experimental do escoamento a jusante das rodas e estator de uma turbina Wells biplano através de Particle Image Velocimetry Bruno Miguel Monteiro Fernandes Dissertação para a obtenção do grau de mestre em Engenharia Mecânica Júri Presidente: Professor Luís Eça Orientador: Professor Luís Gato Co-orientador: Doutor João Henriques Vogal: Professor Edgar Fernandes Maio de 2011 Agradecimentos Este trabalho contou com a participação de diversas pessoas. O seu envolvimento foi crucial para a sua realização e assim sendo quero aqui deixar os meus sinceros agradecimentos aos seguintes: Ao Professor Luís Gato pela oportunidade que me foi dada. Pela orientação e apoio dados para a realização deste trabalho e ainda pela persistência e motivação transmitida durante os períodos mais delicados que este trabalho atravessou. Ao Doutor João Henriques que na qualidade de co-orientador superou quaisquer expectativas, acompanhando sempre o trabalho de perto. Pela participação activa na resolução dos problemas mais cruciais que surgiram ao longo do trabalho. A sua participação na realização do trabalho foi fundamental para o sucesso desta dissertação. Ao pessoal das oficinas pela disponibilidade demonstrada, quer na realização de diversas peças, com uma qualidade sempre impressionante, quer na montagem da instalação. São eles os senhores Norberto Marques, Carlos Antunes, Pedro Alves e Joaquim Frade. Ao Doutorando Nuno Serra que antes do inicio deste trabalho se encontrava a realizar um trabalho experimental com recurso a PIV e me permitiu acompanhar os seus ensaios e partilhou comigo o conhecimento adquirido até então. Ao colega João Alves que partilhou comigo informações úteis ao trabalho, obtidas durante o seu trabalho de fim de curso que incidiu sobre a mesma turbina. Ao Doutorando Gonçalo Silva, pela ajuda na calibração do laser e conselhos que me ajudaram a compreender melhor a técnica envolvida. Aos Doutorandos Rui Gomes e Miguel Lopes pelos conselhos e participação na resolução de pequenos problemas que surgiram durante a realização do trabalho Ao Professor Edgar Fernandes e Professor António Moreira pela sugestão dada para a utilização de um ciclone como gerador de partículas. Esta solução foi a adoptada na realização do trabalho e as suas participações mesmo que de uma forma pontual foram cruciais para o sucesso do trabalho. Ao meu colega Daniel Fonte pela ajuda com o software MatLab, utilizado na construção de diversos gráficos apresentados ao longo do trabalho. Aos meus colegas Diogo Silvério e Nelson Homem pela ajuda dada no transporte de estruturas necessárias à construção da instalação. Não posso deixar de lembrar aqui também o meu colega Nuno Justino que juntamente com os colegas atrás mencionados demonstraram um grande sentido de companheirismo ao longo de todo o nosso comum percurso académico. Por fim quero agradecer a toda a minha família pelo apoio e sacrifício, sem o qual nunca teria tido esta oportunidade. I II Resumo Este trabalho foi motivado pela necessidade de um estudo experimental do escoamento numa turbina Wells que permitisse uma comparação e validação de simulações numéricas já realizadas. O trabalho consistiu no projecto de toda a instalação necessária às medições, sistema de sincronização do equipamento de medição e turbina, janelas para acesso óptico ao interior da conduta, estrutura de suporte do equipamento, conduta de exaustão, gerador de partículas e alvos de calibração. Para testar o equipamento de sincronização foram efectuados diversos ensaios com um pequeno ventilador. A turbina Wells, sobre a qual se incidiu este trabalho experimental, é uma turbina de configuração alternativa ao habitual. Trata-se de uma turbina biplano, sendo que as duas rodas, com 4 pás cada, se encontram separadas por um estator com 19 pás. Os ensaios foram realizados para três posições distintas: uma para uma posição imediatamente a seguir ao primeiro rotor, a segunda a seguir ao estator e a seguir ao segundo rotor da turbina. Para os ensaios realizados a seguir ao primeiro e segundo rotor foram realizados 20 ensaios para planos meridionais de 4,5° em 4,5°, cobrindo assim um passo da roda. Para os ensaios realizados a seguir ao estator foram realizados apenas 5 ensaios para planos também meridionais com um afastamento de 4°, cobrindo assim uma secção de 20° ligeiramente superior ao passo do estator, aproximadamente 19°. Os ensaios foram realizados para 3 coeficientes de caudais diferentes: 0,18, 0,25 e 0,30. Através dos mapas tridimensionais de velocidade obtidos foram construídos 81 gráficos referentes às três componentes da velocidade para 3 secções paralelas ao plano de rotação, para cada uma das 3 janelas e 3 caudais. Este trabalho permitiu ainda adquirir conhecimento importante que será certamente aproveitado em trabalhos futuros. Palavras-chave: Particle Image Velocimetry, Turbina Wells, Coluna de Água Oscilante, Turbomáquinas III IV Abstract This work was motivated by the need for an experimental study of the flow through a turbine that Wells allowing a comparison and validation of numerical simulations carried. The work consisted in the project of all structures required for the measurement system, synchronization of the measurement equipment and turbine, windows for optical access to the interior of the turbine conduct, structures to support PIV equipment, exhaust condut, generating particles system, and calibration targets. To test the synchronization equipment several measurements were made with a small fan. The Wells turbine subject to testing is an alternative to the usual configuration. It is a biplane turbine, and the two rotors have four blades each, these are separated by a stator with 19 blades. The tests were performed for three different positions: the first to a position immediately following the first rotor, the second after the stator and finally another after the second turbine wheel. For tests performed after the first and second rotor, 20 measurements were made for different planes with a variation in angle between each of them of 4.5°, thus covering a wheel tread. For tests performed after the stator, 5 tests were conducted for planes with a spacing of 4° degrees, thus covering a section of slightly above 20° which is slightly larger than the stator tread of approximately 19°. The tests were performed for three different flow coefficients, 0.18, 0.25 and 0.30. Through the threedimensional maps that were obtained by PIV, 81 graphics were constructed relating to all three velocity components for three sections parallel to the plane of rotation for each of the three windows and three flow rates. This work allowed acquiring important knowledge that surely will be used in future applications of a PIV technique regarding turbomachinery. Keywords: Particle Image Velocimetry, Wells Turbine, Oscillating Water Column, Turbomachines V VI Lista de abreviaturas e símbolos Abreviaturas CAO Coluna de Água Oscilante CCD Charge Couple Device DEHS Di-ethyl-exyl-sebacat DLT Direct Linear Transform INETI Instituto Nacional de Engenharia, Tecnologia e Inovação IST Instituto Superior Técnico PIV Particle Image Velocimetry LDV Laser Doppler Velocimetry LED Light Emitting diode LSV Laser Speckle Velocimetry MOS Metal-Oxyde-Semicondutor Nd:YAG Neodymium com adição de yttrium aluminium (Y3Al5O12) PSV Particle Streak Velocimetry Símbolos Gregos Ângulo de ataque Ângulo de inclinação do eixo das câmaras relativamente ao plano de medição Ângulo de inclinação dos sensores CCD para aplicação da condição de Sheimflug Deslocamento sofrido por uma partícula no tempo decorrido entre dois pulsos de laser t Tempo decorrido entre os dois pulsos de laser de uma medição Espessura do plano de luz Estimativa do deslocamento fraccional através do método centro de massa Estimativa do deslocamento fraccional através do método gaussian fit Estimativa do deslocamento fraccional através de uma função parabólica Parte fraccional do deslocamento de uma partícula λ Comprimento de onda Viscosidade dinâmica do fluído VII Massa especifica do fluído Massa especifica das partículas φ Diâmetro dos pontos do alvo Ф Coeficiente de caudal Símbolos alfanuméricos a Aceleração do fluído A Área do alvo de calibração Área da secção da turbina D Resistência Lado de uma célula de interrogação Diâmetro médio das partículas tendo em conta a difracção de luz Diâmetro médio das partículas Distância do centro da lente ao centro do plano de medição Parâmetro adimensional que relaciona a abertura do diafragma com o diâmetro da lente de uma câmara fotográfica F Índice de luz incidente num pixel H Altura do alvo de calibração L Sustentação L’ Largura do alvo de calibração M Factor de ampliação N Velocidade de rotação da turbina Q Caudal R Ciclo de correlação cruzada S Espaçamento entre os pontos do alvo de calibração s,t Deslocamento de uma partícula em pixéis Parte inteira do deslocamento de uma partícula υ Componente da velocidade (eixo dos xx) Velocidade da extremidade das pás da roda da turbina Velocidade de uma partícula U* Velocidade adimensionalizada pela velocidade de entrada v Componente da velocidade (eixo dos yy) Volume de uma célula de interrogação w Velocidade relativa VIII Z Distância do centro do alvo de calibração ao centro do plano de luz na direcção normal ao plano de luz Indíces inferiores c secção da conduta e partículas tendo em conta dispersão de luz i Célula de interrogação lens lente da câmara fotográfica p partícula tip extremidade da pá IX X Índice Agradecimentos ....................................................................................................................................... I Resumo ................................................................................................................................................... III Lista de figuras...................................................................................................................................... XIII Lista de tabelas ..................................................................................................................................... XIX Introdução ............................................................................................................................................... 1 1.1. Objectivos e conteúdo da dissertação ..................................................................................... 3 Particle Image Velocimetry (PIV) ............................................................................................................. 5 2.1. Partículas marcadoras (seeding particles) ................................................................................ 5 2.2. Fonte de luz e formação de um plano de luz ........................................................................... 7 2.3. Captação de imagens em PIV ................................................................................................... 8 2.4. Células de Interrogação ............................................................................................................ 8 2.5. Processamento de imagens obtidas ....................................................................................... 10 2.6. Qualidade da correlação ........................................................................................................ 11 2.7. Deslocamentos ao nível do sub-pixel ..................................................................................... 11 2.8. Validação dos vectores calculados ......................................................................................... 13 2.8.1. Média global ........................................................................................................................ 13 2.8.2 – Média local ........................................................................................................................ 14 2.8.3. Mediana local ...................................................................................................................... 14 2.9 – PIV 3D ....................................................................................................................................... 14 2.9.1. Calibração das câmaras ....................................................................................................... 15 Descrição do equipamento utilizado ..................................................................................................... 19 3.1. Equipamento de PIV da Dantec .................................................................................................. 19 3.1.1. Fonte de luz ......................................................................................................................... 19 3.1.2. Câmaras Flowsense 2M ....................................................................................................... 22 3.1.3. Software utilizado................................................................................................................ 23 3.1.4. Timerbox .............................................................................................................................. 23 3.1.5 – Partículas marcadoras (seeding particles) ......................................................................... 25 3.2. Sistema de sincronização da turbina com o equipamento de PIV ............................................. 29 3.2.1 Encoder incremental óptico ................................................................................................. 29 3.2.2. Montagem do encoder ........................................................................................................ 29 XI 3.2.3 Processamento dos sinais de saída do encoder ................................................................... 31 3.3. Peças produzidas para instalação experimental ........................................................................ 32 3.3.1. Janelas em acrílico ............................................................................................................... 32 3.4.2 – Estrutura de suporte do equipamento PIV........................................................................ 34 3.4.3. Fixação do encoder ao veio do ventilador ........................................................................... 36 3.4.4. Conduta de exaustão ........................................................................................................... 37 3.4.5. Alvos e respectivo suporte .................................................................................................. 37 Ensaios com o ventilador ...................................................................................................................... 41 4.1. Instalação experimental ............................................................................................................. 41 4.2. Definições utilizadas nas medições ............................................................................................ 43 4.3. Resultados .................................................................................................................................. 43 4.3. Funções aplicadas às fotografias tiradas durante as medições ................................................. 43 Ensaios na Turbina Wells biplano .......................................................................................................... 49 5.1. Descrição geral da turbina.......................................................................................................... 49 5.2. Planos de medição e pontos de funcionamento da turbina ...................................................... 52 5.4. Procedimento Experimental....................................................................................................... 54 5.5. Definições das medições e tratamento dos dados .................................................................... 55 5.6. Erros associados ......................................................................................................................... 57 5.7. Resultados .................................................................................................................................. 58 5.8. Problemas encontrados nos ensaios e sua resolução ................................................................ 72 Conclusões............................................................................................................................................. 76 Bibliografia............................................................................................................................................. 78 XII Lista de figuras Figura 1.1 - Turbina Wells e esquema representativo das forças induzidas pelo escoamento nas suas pás. ----- 2 Figura 2.1 - Configuração típica em medições através de PIV e subdivisão das imagens adquiridas em células de interrogação. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ 6 Figura 2.2 - Dispersão de luz por uma partícula em função do seu diâmetro. -------------------------------------------- 7 Figura 2.3 - Exemplo de medição através de PIV. a) Primeira foto, b) segunda foto e c) mapa de vectores obtido através de uma correlação entre as duas imagens. ---------------------------------------------------------------------- 9 Figura 2.4 - Cálculo do deslocamento de uma partícula. a) Primeira foto; b) segunda foto; c) célula de interrogação marcada em a); d) célula de interrogação marcada em b); e) pico da correlação (deslocamento medido na célula marcada em a) e b). ------------------------------------------------------------------ 10 Figura 2.5 - Pico de correlação relativamente à figura 2.4 e). a) Simplificação do pico de correlação da figura 2.4 e); b) valor mais alto da correlação e os valores da correlação para os dois pixéis adjacentes da direcção vertical e . ----------------------------------------------------------------------------------------------- 12 Figura 2.6 - Diferentes estágios envolvidos no tratamento das imagens. -------------------------------------------------- 13 Figura 2.7 - PIV estereoscópico, configuração típica. ---------------------------------------------------------------------------- 15 Figura 2.8 – Fotografias de um alvo utilizado para calibração das câmaras em PIV. ------------------------------------ 16 Figura 2.9 - Campo de vectores 2D das duas câmaras e mapa 3D construído. ------------------------------------------- 16 Figura 2.10 - Exemplo de fotografias tiradas sem aplicação da condição de Sheimpflug. ----------------------------- 16 Figura 3.1 - Lâmpada e cristal Yag presentes no equipamento de Laser. --------------------------------------------------- 19 Figura 3.2 - Componentes constituintes do laser. -------------------------------------------------------------------------------- 20 Figura 3.3 - Elementos que compõem equipamentos de laser Nd:YAG duas cavidades. ------------------------------ 20 Figura 3.4 - Acumulação de energia e disparo do Q-switch. ------------------------------------------------------------------- 21 Figura 3.5 - Espelhos de calibração do laser. --------------------------------------------------------------------------------------- 21 Figura 3.6 - Máquina fotográfica Dantec FlowSense 2M e respectivo suporte. ------------------------------------------ 22 Figura 3.7 - Rotação dos sensores das câmaras. ---------------------------------------------------------------------------------- 23 Figura 3.8 - Ligações dos equipamentos (laser e câmaras) à timerbox. (Dynamic Studio) ----------------------------- 24 Figura 3.9 - Diagrama exemplificativo do accionamento do equipamento através de um agente externo ------ 24 Figura 3.10 - Máquina de fumo utilizada durante os ensaios experimentais. --------------------------------------------- 26 Figura 3.11 - Sonda para dispersão do fumo (SolidWorks). -------------------------------------------------------------------- 26 Figura 3.12 - Fotografia durante ensaios com recurso a fumo. --------------------------------------------------------------- 26 XIII Figura 3.13 – Nebulizador. -------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 27 Figura 3.14 - Fotografia das partículas de etilenoglicol. ------------------------------------------------------------------------- 27 Figura 3.15 - Gerador de partículas tipo ciclone. ---------------------------------------------------------------------------------- 28 Figura 3.16 - Fotografia típica durante ensaios com recurso a pó de talco. ----------------------------------------------- 28 Figura 3.17 - Encoder e codewheel --------------------------------------------------------------------------------------------------- 29 Figura 3.18 - Suporte construído nas oficinas do IST. a) Montagem de codewheel e encoder ----------------------- 30 Figura 3.19 - Estrutura de suporte do encoder montado sobre o veio da turbina (SolidWorks) --------------------- 30 Figura 3.20 – Placa que contém o processador dsPIC 30F4013 --------------------------------------------------------------- 31 Figura 3.21 - Contador, pulsos de trigger e passagem pela posição zero --------------------------------------------------- 31 Figura 3.22 - Projecto e foto das janelas em acrílico. a) Janela de maior dimensão (60 mm), b) janela de menor dimensão (100 mm) --------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 33 Figura 3.23 - Posição das janelas.------------------------------------------------------------------------------------------------------ 33 Figura 3.24 - Sistema de atravessamento utilizado em a) e e em b) . ------------------------------------------------- 34 Figura 3.25 - Suporte do sistema de atravessamento da figura 3.24 a). a) Projecto e b) fotografia ---------------- 35 Figura 3.26 - Placa para fixar a estrutura em ao sistema de 4 apoios. ---------------------------------------------------- 35 Figura 3.27 - Estrutura de suporte de equipamento PIV. a) Projecto, b) fotografia ------------------------------------- 36 Figura 3.28 - Marcas que permitem quantificar a rotação da barra em torno do eixo da turbina ------------------ 36 Figura 3.29 - Pequeno ventilador utilizado nos ensaios de teste do encoder incremental. --------------------------- 37 Figura 3.30 - Ligação do veio do ventilador ao veio do encoder. ------------------------------------------------------------- 37 Figura 3.31 – Conduta de exaustão --------------------------------------------------------------------------------------------------- 38 Figura 3.32 - Alvos utilizados para calibração das máquinas fotográficas. a) Alvo utilizado nas duas janelas de menor dimensão e b) alvo utilizado na janela de maior dimensão. ------------------------------------------------- 39 Figura 3.33 - Suporte para alvos de calibração. ----------------------------------------------------------------------------------- 39 Figura 3.34 - Fotografia da rede entupida. ------------------------------------------------------------------------------------------ 74 Figura 4.1 - Instalação experimental. a) Montagem experimental 1, b) montagem experimental 2 e c) montagem experimental 3. ----------------------------------------------------------------------------------------------------- 42 Figura 4.2 - Mapa tridimensional de velocidade (escala em m/s) ------------------------------------------------------------ 42 Figura 4.3 - Fotografias tiradas para calibração das câmaras. a) Posição -6mm, b) posição 0mm, c) posição +6mm. -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 45 Figura 4.4 - Fotografias obtidas durante um ensaio. a) Fotografia câmara 1, b) fotografia câmara 2. ------------- 45 XIV Figura 4.5 - Intensidade de luz média, para duas fotografias pertencentes à mesma medição. a) Câmara 1, b) câmara 2.----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 46 Figura 4.6 - Imagens finais para as quais será calculado o deslocamento das partículas. a) Câmara 1, b) câmara 2. --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 46 Figura 4.7 - Mapa vectorial sobreposto com as fotografias. a) Câmara 1 e b) câmara 2. ------------------------------ 46 Figura 4.8 - Mapa vectorial final. a) Câmara 1, b) câmara 2. ------------------------------------------------------------------- 47 Figura 5.1 – Instalação Experimental. a) Instalação completa; b) Pormenor de área onde são efectuadas as medições. ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 50 Figura 5.2 – Fotografias da instalação experimental. a) Suporte das câmaras e laser; b) suporte de câmaras e laser e janelas dispostas ao longo da conduta; c) ventilador, motor, difusor e ligação à conduta de exaustão; d) conduta de exaustão -------------------------------------------------------------------------------------------- 51 Figura 5.3 - Posições das janelas para acesso óptico ----------------------------------------------------------------------------- 51 Figura 5.4 - Evolução do rendimento da turbina com o coeficiente de caudal [15]. ------------------------------------ 52 Figura 5.5 - Planos para os quais foram efectuadas as medições, primeira e terceira janela. a) Disposição dos planos ao longo do passo do rotor. b) Distância do plano de rotação ao plano que intersecta o centro dos planos de medição. ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 53 Figura 5.6 – Planos de medição estator. --------------------------------------------------------------------------------------------- 54 Figura 5.7 - Representação das posições das câmaras e laser em relação ao plano de luz ---------------------------- 54 Figura 5.8 – Exemplo de calibração. a) Calibração obtida para câmara 1; b) calibração obtida para câmara 2. - 55 Figura 5.9 – Deslocamentos reais e deslocamentos medidos no caso de uma escolha incorrecta do intervalo de tempo entre pulsos de laser. a) Deslocamento real no plano (x,y); b) vista da componente perpendicular do deslocamento (deslocamento real); c) deslocamento medido no plano (x,y); d) vista da componente perpendicular do deslocamento (deslocamento medido). ------------------------------------------------------------- 56 Figura 5.10 - Exemplos de mapas 3D (Mapas apresentados correspondem a medições efectuadas para a primeira janela e caudal 1) para as seguintes posições de disparo no encoder. a) 1328; b) 1353; c) 1378, d) 1403. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 58 Figura 5.11 (continuação 5.10) - Exemplos de mapas 3D (Mapas apresentados correspondem a medições efectuadas para a primeira janela e caudal 1) para as seguintes posições de disparo no encoder. e) 1428; f) 1453; g) 1478; h) 1503; i) 1528; j) 1553. ---------------------------------------------------------------------------------- 59 Figura 5.12 - Mapa vectorial 3D com as linhas para as quais se retiraram os vectores (janela 1,2 e janela 3). a) Extracção de vectores para construção do plano 1; b) Extracção de vectores para construção do plano 2; c) Extracção de vectores para construção do plano 3. ------------------------------------------------------------------ 60 Figura 5.13 – Gráfico da velocidade axial (dynamic studio).a) Variação da velocidade axial (figura 5.12 a)); b) variação da velocidade axial (figura 5.12 b)); c) variação da velocidade axial (figura 5.12 c)). --------------- 61 Figura 5.14 - Secção da conduta com as células ----------------------------------------------------------------------------------- 62 Figura 5.15 – Posição dos plano relativamente à posição do rotor ---------------------------------------------------------- 62 Figura 5.16 - Variação do caudal em função da posição do rotor da turbina, para todos os planos, caudais e janelas (Índices 1,2 e 3 correspondem ás janelas 1,2 e 3). a) Caudal 1 – Vectores extraídos para os 3 XV planos; b) Caudal 2 – Vectores extraídos para os 2 planos; c) Caudal 3 – Vectores extraídos para os 3 planos. -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 63 Figura 5.17 (continuação figura 5.15) - Variação do caudal em função da posição do rotor da turbina, para todos os planos, caudais e janelas (Índices 1,2 e 3 correspondem ás janelas 1,2 e 3). a) Caudal 1 – Vectores extraídos para os 3 planos; b) Caudal 2 – Vectores extraídos para os 2 planos; c) Caudal 3 – Vectores extraídos para os 3 planos. ------------------------------------------------------------------------------------------------------ 64 Figura 5.18 (continuação 5.16)- Variação do caudal em função da posição do rotor da turbina, para todos os planos, caudais e janelas (Índices 1,2 e 3 correspondem ás janelas 1,2 e 3). a) Caudal 1 – Vectores extraídos para os 3 planos; b) Caudal 2 – Vectores extraídos para os 2 planos; c) Caudal 3 – Vectores extraídos para os 3 planos. ------------------------------------------------------------------------------------------------------ 65 Figura 5.19 (continuação figura 5.17)- Variação do caudal em função da posição do rotor da turbina, para todos os planos, caudais e janelas (Índices 1,2 e 3 correspondem ás janelas 1,2 e 3). a) Caudal 1 – Vectores extraídos para os 3 planos; b) Caudal 2 – Vectores extraídos para os 2 planos; c) Caudal 3 – Vectores extraídos para os 3 planos. ------------------------------------------------------------------------------------------------------ 66 Figura 5.20 - Secção da conduta ------------------------------------------------------------------------------------------------------- 70 Figura 5.21 - Gráfico corresponde à componente de velocidade axial para o plano 1 da janela 1 ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ Err or! Bookmark not defined. Figura 5.22 - Distribuição da velocidade axial, radial e tangencial ao longo da secção da conduta (janela 1 – caudal 1, plano1, 2 e 3). a) Velocidade axial (plano 1, 2 e 3); b) velocidade radial (plano 1,2 e 3); c) velocidade tangencial (plano 1,2 e 3). --------------------------------------------------------------------------------------- 72 Figura 5.23 - Fotografia de estrutura em cartolina ------------------------------------------------------------------------------- 73 Anexo A.1 - Distribuição da velocidade axial, radial e tangencial ao longo da secção da conduta (janela 1 – caudal 2, plano1, 2 e 3).a) Componente axial (Plano 1,2 e 3); b) componente radial (Plano 1,2 e 3); c) componente tangencial (Plano 1,2 e 3) ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ Err or! Bookmark not defined. Anexo A.2 - Distribuição da velocidade axial, radial e tangencial ao longo da secção da conduta (janela 1 – caudal 3, plano1, 2 e 3). a) Componente axial (plano 1,2 e 3); b) componente radial (plano 1,2 e 3); c) componente tangencial (plano 1,2 e 3). ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ Err or! Bookmark not defined. Anexo A.3 - Distribuição da velocidade axial, radial e tangencial ao longo da secção da conduta (janela 2 – caudal 1, plano1, 2 e 3); a) Componente axial (plano 1,2 e 3); b) componente radial (plano 1,2 e 3); c) componente tangencial (plano 1,2 e 3) ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ Err or! Bookmark not defined. Anexo A.4 - Distribuição da velocidade axial, radial e tangencial ao longo da secção da conduta (janela 2 – caudal 2, plano1, 2 e 3); a) Componente axial (plano 1,2 e 3); b) componente radial (plano 1,2 e 3); c) componente tangencial (plano 1,2 e 3). ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ Err or! Bookmark not defined. XVI Anexo A.5 - Distribuição da velocidade axial, radial e tangencial ao longo da secção da conduta (janela 2 – caudal 3, plano1, 2 e 3); a) Componente axial (plano 1,2 e3); b) componente radial (plano 1,2 e 3); c) componente tangencial (plano 1,2 e 3). ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ Err or! Bookmark not defined. Anexo A.6 - Distribuição da velocidade axial, radial e tangencial ao longo da secção da conduta (janela 3 – caudal 1, plano1, 2 e 3); a) Componente axial (plano 1,2 e 3); b) componente radial (plano 1,2 e 3); c) componente tangencial (plano 1,2 e 3). ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ Err or! Bookmark not defined. Anexo A.7 - Distribuição da velocidade axial, radial e tangencial ao longo da secção da conduta (janela 3 – caudal 2, plano1, 2 e 3); a) Componente axial (plano 1,2 e 3); b) componente radial (plano 1,2 e 3); c) componente tangencial (plano 1,2 e 3) ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ Err or! Bookmark not defined. Anexo A.8 - Distribuição da velocidade axial, radial e tangencial ao longo da secção da conduta (janela 3 – caudal 3, plano1, 2 e 3); a) Componente axial (plano 1,2 e 3); b) componente radial (plano 1,2 e 3); c) componente tangencial (plano 1,2 e 3). ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ Err or! Bookmark not defined. XVII XVIII Lista de tabelas Tabela 2.1 - Materiais e diâmetros de partículas utilizadas em PIV. --------------------------------------------------------- 7 Tabela 5. 1 – Definições utilizadas para o cálculo dos campos de velocidades tridimensionais---------------------- 57 Tabela 5. 2- Erro no cálculo da velocidade axial relativamente à velocidade axial média calculada a partir do caudal medido através dos manómetros de pressão. ------------------------------------------------------------------- 67 Tabela 5. 3- Velocidade axial média na janela i adimensionalizada pela velocidade axial à entrada, XIX . -------- 69 XX Capítulo 1 Introdução O presente trabalho surge na sequência de intensa investigação que tem vindo a ser realizada no Instituto Superior Técnico em conversão de energia a partir de fontes renováveis. Desde 1977 que têm sido realizados diversos trabalhos experimentais e numéricos sobre turbinas Wells e de Acção, utilizadas em sistemas de conversão de energia das ondas pelo principio de Coluna de Água Oscilante (CAO). A turbina Wells foi inventada pelo Professor Allan Wells da Queen´s University of Belfast em 1976 tem sido a opção mais comum para a conversão de energia num sistema de coluna de água oscilante. Na sua forma mais simples o rotor de uma turbina Wells consiste em várias pás com perfil simétrico posicionadas à volta do cubo do rotor, com o plano das suas cordas normais ao eixo de rotação. Devido a esta configuração, a turbina irá rodar sempre no mesmo sentido independentemente da direcção do escoamento. É por este motivo que a turbina Wells se diz ter características auto-rectificadoras. O escoamento numa turbina eólica de eixo vertical foi medido em [1] recorrendo a uma técnica Particle Image Velocimetry (PIV) com apenas uma câmara (bidimensional), com o objectivo de estudar a libertação de vórtices no bordo de fuga da pá. As imagens obtidas foram divididas em células de 32x32 células com um factor de sobreposição de 50%, para uma área de medição de 120x100mm. Foram efectuadas medições a partir de um número de aquisições entre 30 a 100. Em [2] ensaios experimentais recorrendo a PIV-3D foram conduzidos com o objectivo de estudar o escoamento a jusante de uma turbina eólica de eixo horizontal. Também neste trabalho se recorreu ao uso de um sistema de trigger fazendo-se 4 ensaios de 30 em 30° de forma a cobrir um passo da turbina de 3 pás. O trigger utilizado neste trabalho é muito semelhante ao encoder incremental óptico utilizado no trabalho presente. As técnicas de 3D-PIV e de Laser Doppler Velocimetry (LDV) foram utilizadas para caracterizar os perfis de velocidade axial e tangencial no rotor de uma pequena turbina hidráulica axial [3]. Foi também realizada uma comparação entre as duas técnicas. As duas técnicas permitem obter resultados satisfatórios mas o PIV permitiu uma análise do escoamento bastante mais detalhada. Neste trabalho foi utilizado um encoder incremental óptico como trigger do sistema, permitindo controlar o momento de aquisição dos dados. O escoamento numa câmara de combustão pressurizada de pequenas dimensões foi analisado em [4] recorrendo a uma técnica baseada em 3D-PIV, obtendo-se através de montagens relativamente simples o campo vectorial de velocidades de todo o volume da câmara. Apenas na zona de mistura, devido ao difícil acesso óptico, foi utilizada uma técnica de Doppler Global Velocimetry (DGV). 1 Figura 1.1 - Turbina Wells e esquema representativo das forças induzidas pelo escoamento nas suas pás. Investigação das variações de velocidade, densidade e libertação de vórtices nas pás de uma turbina VKI-1 foi realizada em [5]. Neste trabalho utilizou-se uma técnica de 3D-PIV para a determinação do campo de velocidades e visualização da libertação de vórtices nas pás da turbina. O intervalo de tempo escolhido entre cada um dos pulsos foi de 1 μs e utilizou-se uma frequência de disparo de 15 Hz. As medições foram realizadas entre as pás da turbina. As partículas utilizadas, de Di-ethyl-exyl-sebacat (DEHS), foram inseridas no escoamento através de um gerador de partículas comercial (AGF 2.0D). Para cada medição efectuada foram utilizados dados provenientes de 300 aquisições diferentes. As imagens obtidas pelas câmaras foram divididas por células de interrogação de 32x32 pixéis utilizando-se um factor de sobreposição de 50% entre as células. A posição do pico da correlação foi determinada através do modelo gaussian fit. Conseguindo-se uma resolução de 1/10 pixéis no cálculo do deslocamento das partículas. Um filtro do tipo limite foi aplicado, este tipo de filtro consiste na definição de um intervalo de valores sendo que os vectores que se encontrem fora deste intervalo são rejeitados. Foi ainda aplicado um filtro do tipo média local, o campo utilizado para aplicação deste filtro foi de 5x5 células. A calibração das câmaras foi efectuada através de um alvo de configuração típica de 100x100mm. As turbinas hidráulicas quando funcionam a carga parcial muitas vezes causam a ocorrência de cavitação no difusor. O escoamento nestas situações é muito complexo formando-se uma “corda de cavitação”. Este fenómeno foi estudado numa turbina Francis em [6] através da técnica 2D-PIV. Um aspecto importante neste trabalho foi a utilização de uma transformação de coordenadas para corrigir a distorção óptica induzida pela superfície cónica do difusor. Também foi utilizado um filtro no qual todos os vectores que se encontrem fora de um intervalo definido pelo utilizador são excluídos e ainda o critério definido como detectabilidade. 2 Uma técnica baseada em 2D-Piv foi também utilizada para analisar o escoamento em torno das pás de um propulsor [7]. Neste trabalho uma turbina Scaba SRGT foi ensaiada num tanque onde foram feitas as medições em diversos planos. A sincronização entre as pás do propulsor e o sistema de aquisição foi feita através do uso de um encoder incremental óptico. Os resultados obtidos foram comparados com os obtidos através de simulações em CFD confirmando-se uma boa concordância entre eles. Em [8] um trabalho muito semelhante foi aplicado a uma turbina Rushton. 1.1. Objectivos e conteúdo da dissertação Este trabalho teve como objectivo a caracterização do escoamento a jusante das rodas e estator de uma turbina Wells biplano. A análise experimental foi efectuada através da técnica de PIV. Esta técnica permite a medição de campos vectoriais da velocidade para posições específicas da turbina permitindo assim uma caracterização do escoamento em função da posição do rotor. Espera-se ainda que este trabalho permita a caracterização do escoamento na turbina Wells biplano em condições de operação antes e depois do ponto óptimo de funcionamento e ainda para um ponto depois da entrada em perda da turbina. O trabalho presente pode ser dividido nas seguintes fases: estudo da técnica de medição de escoamentos através de PIV; desenvolvimento de um sistema electrónico de sincronização do movimento do rotor com o sistema PIV; teste do sistema utilizando um pequeno ventilador com uma velocidade de rotação constante de 1500rpm; instalação do sistema PIV no banco de ensaios numa turbina Wells no laboratório de mecânica dos fluidos do IST; medição do campo de velocidades do escoamento a jusante do primeiro rotor, estator e segundo rotor da turbina; No Capítulo 2 é apresentada uma introdução à técnica do PIV, procedimentos experimentais a utilizar e o processo de tratamentos dos dados. A descrição dos equipamentos utilizados neste trabalho, as estruturas de suporte projectadas e a instalação experimental é feita no capítulo 3. As medições foram realizadas recorrendo a um sistema electrónico baseado num encoder incremental óptico para garantir a sincronização da turbina com o sistema de medição. Antes da realização dos ensaios na turbina este dispositivo foi testado de modo a garantir o seu correcto funcionamento. Para isso foi utilizado um pequeno ventilador acoplado a um motor eléctrico com uma velocidade de rotação constante (1500 rpm). O capítulo 4 descreve o funcionamento deste sistema e são apresentados alguns dos resultados obtidos. No capítulo 5 é descrito o procedimento experimental seguido durante os ensaios realizados no banco de ensaios do laboratório de mecânica de fluidos, são ainda apresentados os resultados obtidos. As conclusões e discussão dos resultados obtidos neste trabalho são apresentadas no capítulo 6. 3 4 Capítulo 2 Particle Image Velocimetry (PIV) A técnica de PIV permite a medição da velocidade de partículas presentes no escoamento que são iluminadas por um plano de luz criado a partir de um feixe de laser. Uma configuração de uma instalação PIV encontra-se representada na figura 2.1. Em PIV, para efectuar medições é utilizado um feixe de laser que é convertido numa folha planar de luz com uma espessura . Uma lente com um poder de ampliação M é focada na folha de luz e produz uma imagem de uma porção da sua área. A intensidade de luz deverá ser constante em toda a área iluminada. Este método requer a captura de pelo menos duas imagens distintas, separadas por um intervalo de tempo . No método mais usual é utilizado um laser de duas cavidades para gerar dois pulsos de luz pouco afastados um do outro no tempo. Uma ou duas câmaras são utilizadas para capturar duas imagens separadas. As câmaras captam as posições de partículas marcadoras que foram dispersas no escoamento. A distância percorrida pelas partículas entre as duas fotos permite calcular a sua velocidade. O laser e as câmaras são sincronizados por um controlador externo. 2.1. Partículas marcadoras (seeding particles) As partículas que se utilizam em PIV, sobre as quais se incidem as medições, são um elemento essencial em PIV. Devem por isso ser escolhidas cuidadosamente de forma a permitir medir com precisão a sua velocidade e assim a velocidade do escoamento. Para isso não devem influenciar o escoamento e devem permitir uma boa reflexão da luz que sobre elas incide. De acordo com a lei de Stokes, uma velocidade induzida sobre partículas esféricas de pequena dimensão num escoamento é dada por (1) onde e é a aceleração do fluído, a viscosidade dinâmica do fluído, corresponde ao diâmetro da partícula e são as massas volúmicas da partícula e fluído respectivamente. Verifica-se imediatamente que esta velocidade será tanto menor quanto menor for a diferença . Facilmente se conclui que quanto mais próxima a massa especifica de das partículas for da massa especifica de do fluído, menor será a influência das partículas no escoamento. 5 Figura 2.1 - Configuração típica em medições através de PIV e subdivisão das imagens adquiridas em células de interrogação. O escoamento pode ser afectado pelas partículas não só devido à diferença de massas volúmicas mas também pela sua dimensão, forma e número de partículas por unidade de volume. O tamanho e a forma das partículas afectam a resistência exercida pelo fluido que as rodeia. O tamanho das partículas também influencia as variações locais de velocidades. Em escoamentos turbulentos é, por isso, importante garantir que a dimensão das partículas é suficientemente pequena para ser sensível às variações constantes de direcção e velocidade do escoamento. O número de partículas por unidade de volume de fluido afecta o escoamento devido à interacção entre elas. Assim, este número de partículas deve ser tal que a distância entre elas seja várias vezes superior aos seus diâmetros [14,15]. Na tabela 2.1 é apresentada uma lista dos materiais e diâmetros de partículas mais utilizados em PIV. Nas medições efectuadas através de PIV utilizam-se partículas com diâmetros comparáveis ao comprimento de onda de luz incidente, λ. O diâmetro das partículas encontra-se usualmente entre 0.1 – 50 µm e o comprimento de onda da luz do laser é geralmente 0.532 µm. Nestes casos, em que o diâmetro das partículas é comparável ao comprimento de onda da luz incidente, a teoria de Lorenz-Mie [10] aplica-se à dispersão da luz (scattering light) nas partículas. Esta teoria prevê que a dispersão da luz seja maior para partículas maiores e que a dimensão espacial da dispersão é afectada pela dimensão da partícula, figura 2.2. Na prática, a forma e orientação das partículas representam um importante papel na dispersão da luz. Esta influência é, no entanto, mais difícil de quantificar. Em PIV a dispersão da luz no plano paralelo ao plano de luz são as mais importantes na identificação das partículas. Estas são muitas vezes baixas e uma maior densidade de partículas no escoamento é necessária. Quando as medições são feitas com recurso a duas câmaras, capítulo 2.9, todas as fontes de reflexão são importantes uma vez que as câmaras se encontram posicionadas a um ângulo normalmente de 45° em relação à normal ao plano de luz. 6 Partículas utilizadas em escoamentos gasosos Material Diâmetro (µm) Alumina (Óxido de Alumínio) <8 Glicerina 0.1 a 5 Óleo de Silicone 1a3 Silica (Dióxido de Sílicio) 1a5 Dióxido de Titânio 0.1 a 1 Água 1a2 Partículas utilizadas em escoamentos líquidos Pó de alumínio <10 Bolhas de gás 5 a 500 Esferas de vidro 10 a 150 Esferas de latéx 0.5 a 90 Leite 0.3 a 3 Pólen de pinheiro 30 a 50 Tabela 2.1 - Materiais e diâmetros de partículas utilizadas em PIV. Figura 2.2 - Dispersão de luz por uma partícula em função do seu diâmetro [12]. 2.2. Fonte de luz e formação de um plano de luz Desde as primeiras aplicações de PIV que os lasers, Q-switched Nd:YAG, têm sido escolhidos como fonte de iluminação do sistema. Isto deve-se principalmente aos seguintes motivos: estes lasers permitem pulsos de luz muito curtos, entre 5 e 10 ns, criando um efeito de “congelamento” do deslocamento; a versão de duas cabeças (dois lasers) permite que o utilizador facilmente varie o intervalo de tempo entre o primeiro e segundo pulso, este tempo corresponde ao intervalo entre a primeira e segunda foto, providenciando grande flexibilidade ao sistema; permite uma elevada gama de energia de saída, desde 15 mJ até valores superiores a 400 mJ, permitindo uma vasta gama de aplicações; 7 são compactos, estáveis e mecanicamente sólidos não necessitando de grande manutenção; permitem ainda um leque elevado de frequências de disparo, até 100 Hz. 2.3. Captação de imagens em PIV As câmaras mais utilizadas hoje em dia em PIV são do tipo CCD (charge couple device). Nestas câmaras, cada pixel corresponde a um condensador MOS (metal-oxyde-semicondutor) que é carregado ao converter os fotões incidentes em electrões. Cada pixel está isolado dos restantes, desta forma fotões que atinjam um destes condensadores são convertidos numa carga eléctrica que não é perturbada pela carga nos condensadores adjacentes. A leitura é feita pela diferença de potencial em cada pixel e o output é dado numa escala de cinza. A uma carga eléctrica elevada corresponde um pixel branco e a uma carga eléctrica baixa irá corresponder o negro. Existem dois modos de capturar as duas imagens consecutivas necessárias ao cálculo da velocidade das partículas: cross-correlation mode – em que são captadas duas fotos de forma independente; auto-correlation mode – é captada uma só foto como resultado da sobreposição da segunda imagem na primeira imagem. No entanto, a dificuldade de distinguir que pontos de luz pertencem à primeira imagem e quais os que pertencem à segunda levaram ao desuso da técnica de auto-correlation mode. 2.4. Células de Interrogação A análise teórica demonstrou que em vez de serem processadas imagens de toda a área de medição simultaneamente, ou as imagens de todas as partículas separadamente, é preferível dividir cada imagem em áreas de interrogação, designadas por células, onde é calculado um vector de velocidade [14,15,16]. Em cada uma destas células, de área , é calculada a média dos deslocamentos verificados no seu interior. Ao escolher um comprimento o utilizador deverá garantir uma elevada probabilidade de encontrar um número significativo de partículas no volume de cada uma das células (2) mantendo, no entanto, uma distância entre partículas que permita a sua distinção. A investigação realizada provou que a relação óptima entre e o diâmetro fotografado da partícula é de (1) na grande maioria das situações. Isto traduz-se numa dimensão óptima de células de 16x16 ou 32x32 pixéis [8] ou de 64 x 64 pixéis [9]. Segundo [12] é aconselhado o uso, sempre que possível, de células com uma área de 32x32 pixéis. A decisão da dimensão é de grande importância uma vez que determina a resolução do 8 sistema de medição PIV, e deverá ter em conta o tipo de escoamento sobre o qual incidem as medições e o valor de . a) b) c) Figura 2.3 - Exemplo de medição através de PIV. a) Primeira foto, b) segunda foto e c) mapa de vectores obtido através de uma correlação entre as duas imagens. ⁄ Esta decisão depende ainda se o tamanho de da célula projectada no escoamento é aceitável em relação à distância percorrida por uma partícula no intervalo de tempo entre a primeira e segunda foto. No caso de escoamento altamente turbulento, a escala de comprimento com interesse seria a escala microscópica de Kolmogorov [11,13] que, regra geral, é muito pequena para ser resolvida através de PIV. É assumido que as partículas, dentro de uma célula de interrogação, se deslocam sem rotação, ou seja caso a partícula descreva uma trajectória circular dentro da célula de interrogação esta não será detectada. Em cada uma das células é feita uma correlação entre a primeira e segunda imagem de cada par produzindo um vector deslocamento correspondente. Esse deslocamento dividido pelo tempo entre a primeira e a segunda foto resulta no vector velocidade (2) Uma vez calculado o vector velocidade da partícula , é apresentado um mapa de vectores com cada vector colocado no centro da célula respectiva. Na figura 2.3 são apresentadas 3 imagens, as duas primeiras correspondem à primeira e segunda foto de uma medição e a terceira imagem corresponde ao mapa de vectores obtido. Alguns vectores são ocultados de forma a tornar a imagem mais legível. Convencionalmente utiliza-se um laser do tipo flash-pumped Nd-YAG, com os quais se podem atingir frequências máximas de 30 Hz que são claramente inferiores às necessárias para medir alguns escoamentos não permanentes e altamente turbulentos. Frequências superiores a 1 KHz foram atingidas utilizando lasers do tipo diode-pumped Nd-YAG, combinados com máquinas fotográficas digitais de alta velocidade. Configurações deste tipo são conhecidas como time-resolved PIV. A grande desvantagem destes métodos é a baixa energia por pulso que limita o seu campo de aplicação. 9 Figura 2.4 - Cálculo do deslocamento de uma partícula. a) Primeira foto; b) segunda foto; c) célula de interrogação marcada em a); d) célula de interrogação marcada em b); e) pico da correlação (deslocamento medido na célula marcada em a) e b) [14]. 2.5. Processamento de imagens obtidas Como foi dito atrás, em PIV utiliza-se geralmente o método conhecido por cross-correlation em que a primeira e a segunda foto de cada medição são guardadas separadamente e depois processadas. Este método corresponde ao modo de aquisição de imagens. Posteriormente é aplicada uma correlação a cada uma das imagens para identificação da posição de cada uma das partículas. Este método calcula a posição das partículas e determina o deslocamento médio dentro de cada uma das células. O método é conhecido também por crosscorrelation, também é comum a aplicação de uma correlação conhecida por adaptive-correlation que tem vindo a ganhar popularidade. Neste método é aplicada a cada uma das células a seguinte função, ∑∑ onde (3) corresponde ao pico do ciclo de correlação entre primeira imagem para a célula . Os índices e a segunda imagem correspondem à localização do pixel dentro da célula e corresponde às coordenadas do deslocamento sofrido pela partícula dentro dessa célula. As figuras 2.4 a) e b) mostram um par de imagens interrogação. As figuras 2.4 c) e d) mostram a célula e com a respectiva grelha de células de de cada uma das imagens. Na figura 2.4 10 e) é apresentado o resultado da equação (5) para esta célula. A correlação contém um pico que tem um máximo para . Percebe-se assim que o deslocamento máximo de uma partícula entre fotos deverá ser inferior a Se o deslocamento de uma partícula for superior a mas inferior a . , significa que pelo menos parte das partículas já não estarão presentes na segunda foto. O pico da correlação irá passar para o ponto – Caso o deslocamento seja superior a . então representa a correlação de duas imagens não relacionadas e o resultado final será apenas ruído. Na condição de todos os parâmetros terem sido correctamente escolhidos, a grande maioria das partículas deverá estar dentro da mesma célula para cada par de imagens. Se assim for, o pico da correlação irá estar localizado numa posição relativamente a zero que corresponde ao deslocamento médio das partículas que se encontram dentro dessa célula. 2.6. Qualidade da correlação A qualidade da correlação pode ser determinada. Para isso o procedimento geralmente adoptado [14,15] é o de normalizar o plano de correlação. O rácio entre o pico mais alto e o plano de correlação irá providenciar informação importante que está directamente relacionada com a qualidade da correlação. Para isso utiliza-se a função (6) para normalizar a correlação ∑ ̅ ∑ onde ̅ é a média de ∑ ∑ ̅ )( ( ̅ ) ̅) ( √( e ̅ é a média de ̅ ) (4) . Um resultado desta equação próximo da unidade significa uma variação muito baixa entre os resultados obtidos para pares de imagens da mesma célula de interrogação, enquanto um valor próximo de zero irá significar o contrário. 2.7. Deslocamentos ao nível do sub-pixel Para reduzir o erro na determinação do deslocamento das partículas, ou seja aumentar a resolução do sistema, é possível fazer uma análise a nível do sub-pixel. Qualquer deslocamento medido pelas câmaras irá sempre ser de pelo menos um pixel, se forem incluídos os valores adjacentes ao máximo calculado para . O centro do pico da correlação pode ser calculado com uma precisão da ordem do sub-pixel. O deslocamento pode ser decomposto em (5) onde e são o deslocamento em pixéis (parte inteira do deslocamento), fraccional do deslocamento, sendo 11 e corresponde à parte Figura 2.5 - Pico de correlação relativamente à figura 2.4 e). a) Simplificação do pico de correlação da figura 2.4 e); b) valor mais alto da correlação e os valores da correlação para os dois pixéis adjacentes da direcção vertical e [14] (6) Na ausência de uma estimativa de e o erro associado à posição das partículas é de ±0.5 pixel. Assim, a um deslocamento de uma partícula de 8 pixéis dentro de uma célula de 32x32 pixéis está associado um erro de ⁄ ⁄ . Se a mesma célula for digitalizada para 256x256 pixéis o erro será de . Para picos de correlação estreitos a sua largura é suficientemente pequena para que apenas os pixéis adjacentes ao do pico contenham informação importante. Em PIV, regra geral, os picos de correlação são suficientemente estreitos para que assim seja. Como exemplo, mostra-se na figura 2.5 o pico de correlação simplificado da figura 2.4 e). Na figura 2.5 a) é apresentada uma ampliação deste pico de correlação e na figura 2.5 b) o valor mais alto da correlação os valores da correlação para os dois pixéis adjacentes da direcção vertical e e . As funções mais utilizadas são conhecidas por center-of-mass, parabolic fit e gaussian fit. A estimativa através da aplicação do método center-of-mass é calculada a partir de (7) Este método ignora a superioridade do pico uma vez que este pode ser inferior que ou . Através da função parabolic fit, é assumido que o pico tem a forma de uma parábola. Pode-se assim então aplicar (8) A expressão (10), ao contrário de (9), requer que haja um pico e| uma vez que | | tem de ser superior a | | |. A função Gaussian fit (11) é a mais utilizada [9]. (9) 12 Figura 2.6 - Diferentes estágios envolvidos no tratamento das imagens [14]. Nesta equação tem de ser um pico e claramente uma ponderação entre e para . Todos os métodos realizam normalizados por um valor no denominador. Através do método de center-of-mass será sempre dado um valor como resultado. Este método não tem quaisquer restrições. O método de gaussian-fit é de todos o que tem mais restrições. Assim sendo, a primeira solução é a mais robusta e a terceira a menos. No entanto, através do método center-of-mass não é sequer condição que pico, enquanto no método gaussian-fit assume-se que seja um é um pico da correlação, usando ainda informação relativa à forma desse pico. Assim, destes três métodos o último é considerado o mais preciso e o primeiro o menos preciso [9]. A figura 2.6 mostra um diagrama onde são apresentados os diferentes estágios descritos até aqui necessários numa medição de qualidade através de PIV. 2.8. Validação dos vectores calculados As medições efectuadas em PIV são baseadas em médias de várias medições. Assim, deverá ser aplicado algum tipo de filtro que possa eliminar não só vectores que se encontrem afastados dessa média como também reduzir o ruído presente em todas as medições. Keane e Adrian [9] propuseram uma técnica conhecida por detectabilidade (detectability). Definiu-se detectabilidade como o rácio entre o valor mais alto do pico da correlação com o segundo mais alto, sugerindo que se este valor for superior a 1,2 – 1,5 o vector é valido. Este critério é muitas vezes utilizado, no entanto Westerweel [9] demonstrou que qualquer um dos critérios propostos abaixo apresenta melhores resultados. Westerweel propõe 3 critérios diferentes, média global, média local e mediana local. 2.8.1. Média global É normal em medições efectuadas através de PIV vectores de algumas células serem muito diferentes dos restantes. Se for o vector correspondente à célula 13 então a média global será dada por, ∑ A variância será dada por , onde (10) é a variância do campo de velocidades e a variância do erro. Uma possibilidade será a escolha de uma variância aceitável do sinal e eliminar os vectores que não estejam dentro desse limite. Na prática, a variância da velocidade é muito superior que a variância do erro pelo que aplicar um limite ao erro é difícil. Por este motivo, é normalmente definido um intervalo aceitável sendo eliminados todos os vectores que não se encontrem dentro dele. 2.8.2 – Média local Ao invés de comparar cada vector com as propriedades globais dos vectores, neste caso cada vector é comparado com os seus vectores vizinhos. São eliminados todos os vectores cuja variação em relação aos seus vizinhos exceda um limite definido como aceitável. Para o fazer, aplica-se a seguinte expressão ̅̅̅̅̅ ∑( ) (11) Tipicamente utiliza-se uma vizinhança de 3x3 células, ou seja, . O usual será invalidar todos os vectores que estiverem demasiado afastados da média dos vectores da sua vizinhança. Este método conduz à suavização de alguns vectores inválidos pelo que, uma pré-eliminação de vectores inválidos melhora significativamente os resultados. Um método comum é a aplicação deste método posteriormente ao método definido anteriormente [9]. 2.8.3. Mediana local O valor da mediana será o valor numa sequência . Neste método, os vectores são distribuídos de forma ascendente. Assim os vectores inválidos estarão colocados na extremidade de cada sequência. Este método é aplicado localmente da mesma forma que no método da média local. Segundo Westerweel este método é o mais adequado [9]. 2.9 – PIV 3D De forma a ser possível o cálculo de uma terceira componente do vector velocidade, recorre-se a uma segunda câmara. Na figura 2.7 apresenta-se uma configuração típica para medições tridimensionais. O ângulo utilizado entre as câmaras deverá ser de 45°, sendo o ângulo entre os eixos das duas câmaras de 90° [14,15,16]. No entanto, foram obtidos resultados sem perda considerável de qualidade com ângulos de 30° e de até 15° [14]. 14 Figura 2.7 - PIV estereoscópico, configuração típica [14]. 2.9.1. Calibração das câmaras Na prática a calibração é feita através de várias fotografias tiradas pelas duas câmaras a um alvo às quais é depois aplicado um modelo de calibração. O alvo de calibração, figura 2.8, contêm pontos negros sobre um fundo branco, ou vice-versa. Estes pontos têm posições bem definidas em . Os parâmetros dos modelos são calculados comparando a posição destes pontos em cada uma das fotos tiradas. Devido à perspectiva, as câmaras fotografam uma área trapezoidal do alvo (ou plano de luz) pelo que não é possível fazer uma sobreposição completa das imagens recebidas pelas duas câmaras. Por este motivo, o campo de velocidades 3D não é calculado para toda a área fotografada pelas câmaras, figura 2.9. Um ângulo diferente de 90° provoca uma imagem parcialmente desfocada, figura 2.10. A focagem das câmaras é feita para um plano paralelo à lente. Na presente configuração, o plano de luz está inclinado a 45°. Assim, os pontos não se encontram todos à mesma distância da lente da câmara. De forma a corrigir uma imagem parcialmente desfocada deve ser aplicada uma técnica conhecida como Scheimpflug condition. Trata-se de inclinar os CCD chips das câmaras a um ângulo . Este ângulo pode ser determinado de acordo com a seguinte expressão, (12) onde lente. é um parâmetro adimensional que relaciona a abertura do diafragma da câmara com o diâmetro da é o ângulo representado na figura 2.7 e é a distância aproximada do centro da lente ao centro do plano de medição, ou seja do alvo. 15 Figura 2.8 – Fotografias de um alvo utilizado para calibração das câmaras em PIV [14]. Figura 2.9 - Campo de vectores 2D das duas câmaras e mapa 3D construído [14]. Figura 2.10 - Exemplo de fotografias tiradas sem aplicação da condição de Sheimpflug [14]. 16 Na prática é mais comum determinar este valor iterativamente até se conseguir a melhor focagem possível. Para uma calibração bem sucedida são necessárias pelo menos 3 fotos por câmara para posições diferentes do alvo no eixo perpendicular à superfície do alvo, , de modo a garantir que as posições permitam uma correcta calibração das imagens em , ou seja, no plano de luz. Por exemplo ao utilizar-se um alvo com 10 mm de espessura, se forem tiradas fotografias com o seu centro nas posições câmara 1 irá estar calibrada no intervalo , mm e e a câmara 2 no intervalo duas câmaras se encontram calibradas em mm, a pelo que as . No caso de as fotos serem tiradas com o alvo nas posições 1 vai estar calibrada no intervalo , mm e e a câmara 2 no intervalo mm a câmara , pelo que esta calibração não será adequada. Após ter sido tirado o conjunto de fotografias necessários à calibração é aplicado sobre as mesmas um modelo de calibração. Este modelo pode ser linear ou não linear. Um exemplo de um modelo linear é o seguinte ( ) [ ]( ) (13) baseado na geometria óptica leva a uma transformação linear directa (DLT). Este tipo de transformação não descreve fenómenos não lineares como distorção da imagem provocada por baixa qualidade da lente ou refracções de luz que possam ocorrer pela passagem por uma superfície cilíndrica. Quando fenómenos não lineares são importantes recomenda-se o uso de um modelo polinomialde 3ª ordem [14]. Este tipo de modelos é estritamente empírico pelo que não existem fundamentos físicos para justificar a sua utilização [14]. Existem no entanto situações experimentais em que estes modelos proporcionam resultados superiores aos conseguidos através de DLT. Em muitas situações, quer por motivos de acesso ou de dimensão da área onde se pretende fazer as medições, é necessário construir um alvo para a calibração das câmaras. Existem algumas regras que devem ser respeitadas. O espaçamento entre os pontos do alvo devem respeitar a seguinte condição, √ onde √ (14) é a área do alvo. Esta condição garante que os pontos são suficientemente grandes para se distinguirem nas imagens e que também existe um número significativo de pontos na imagem. O espaçamento dos pontos deve ainda garantir que pelo menos 5 pontos estão presentes tanto na direcção vertical como horizontal, independentemente da área do alvo. Assim sendo altura, a largura do alvo e a deve respeitar a seguinte condição, (15) 17 Uma vez decidido o espaçamento entre os pontos, os diâmetros dos pontos são definidos respeitando as seguintes condições: Diâmetro ponto no centro do alvo (ponto 0): (16) Diâmetro de um ponto genérico: (17) Diâmetro dos pontos do eixo central: (18) 18 Capítulo 3 Descrição do equipamento utilizado Para a realização deste trabalho foi necessária a montagem de uma instalação experimental com alguma complexidade. Para isso foram projectadas e construídas várias estruturas de suporte com diversas aplicações. 3.1. Equipamento de PIV da Dantec O equipamento utilizado em PIV estereoscópico (3D) consiste num laser de duas cavidades (dual cavity), duas câmaras digitais CCD, um computador com um software de controlo e hardware específicos instalados. Todo o hardware e o software utilizado nas medições foi adquirido à empresa Dantec Dynamics. 3.1.1. Fonte de luz O laser utilizado tem duas fontes de luz. O laser emitido atravessa um meio (laser medium) que no caso é do tipo Nd:YAG, figura 3.1, que corresponde a um cristal de neodymium com adição de yttrium aluminium (Y3Al5O12). Este tipo de laser é o mais comum em PIV. Na figura 3.2 é apresentado um diagrama representativo dos componentes presentes no do equipamento. O feixe de luz produzido em cada uma das cavidades tem um comprimento de onda de 1064 nm, que se encontra na região dos infra-vermelhos. As câmaras utilizadas em PIV não são sensíveis a este comprimento de onda e a radiação emitida neste comprimento de onda não é visível a olho nu, aumentando a dificuldade do alinhamento dos feixes emitidos. Por este motivo é utilizado um gerador harmónico e um separador harmónico. Estes componentes estão incluídos no grupo Harmonics da figura 3.2. Ao atravessar o gerador harmónico a luz passa para um comprimento de onda de 532 nm que corresponde a luz visível verde. Os infra-vermelhos residuais são separados através do separador harmónico, figura 3.3. Figura 3.1 - Lâmpada e cristal Yag presentes no equipamento de Laser [12]. 19 Figura 3.2 - Componentes constituintes do laser [12]. Figura 3.3 - Elementos que compõem equipamentos de laser Nd:YAG duas cavidades [12]. A utilização de duas fontes de luz deve-se à necessidade de produzir dois pulsos de luz com grande intensidade de energia separados por intervalos de tempo muito curtos, muitas vezes de apenas alguns µs. Cada cavidade de laser é operada no modo Q-Switch. O que significa que existe um interruptor óptico antes do cristal Nd:YAG que apenas permite a passagem de luz quando accionado. Desta forma é possível garantir que a luz das lâmpadas apenas atravessa o meio quando foi acumulada uma determinada energia no cristal. A energia acumulada no meio é assim libertada no momento definido, figura 3.4. O resultado é um potente feixe de luz com uma duração entre 5 a 10ns, criando um efeito estroboscópico fundamental em PIV. 20 Figura 3.4 - Acumulação de energia e disparo do Q-switch [12]. Figura 3.5 - Espelhos de calibração do laser [12]. As duas fontes de laser provocam dois pulsos de laser distintos mas com características idênticas. Os dois pulsos têm de ser sobrepostos para que a folha de luz criada por cada um ilumine as mesmas partículas. Este alinhamento é possível através da regulação de pequenos espelhos desenhados para esse efeito, figura 3.5. Devido a vibrações provocadas pelo transporte do equipamento durante a montagem da instalação experimental, o espelho marcado como Polarizer Assembly na figura 3.5 sofreu um desalinhamento. O resultado foi o desalinhamento do segundo laser sobre o primeiro. Neste espelho estão montados dois parafusos que permitem o ajuste do segundo laser em relação ao primeiro nas direcções vertical e horizontal. É necessária uma calibração de forma a alinhar o segundo laser com o primeiro (fixo). Para isso utilizou-se um alvo branco posicionado em frente ao laser. Os lasers foram disparados contra este alvo e os espelhos regulados através dos pequenos parafusos até que os dois feixes de luz fossem coincidentes. Este procedimento foi feito de forma iterativa com o alvo numa posição próxima da fonte de luz e uma afastada alguns metros da fonte da luz [14]. 21 Figura 3.6 - Máquina fotográfica Dantec FlowSense 2M e respectivo suporte. 3.1.2. Câmaras Flowsense 2M Neste trabalho utilizaram-se duas câmaras da Dantec Dynamics com lentes Nikkon, modelo FlowSense 2M, figura 3.6. Estas câmaras utilizam um chip CCD progressivo de alto desempenho. No que diz respeito às medições através de PIV, estas câmaras têm a capacidade de gravar imagens com uma resolução de 8 ou 10 bits, a resolução utilizada foi de 10 bits. Este tipo de câmara é muito sensível à luz com um comprimento de onda de 532 nm. No entanto, não é insensível à luz natural pelo que se utilizou um filtro sobreposto à lente das câmaras que deixa passar apenas luz com comprimentos próximos de 532 nm. Deste modo foi possível garantir que durante as medições apenas a luz reflectida pelas partículas e, inevitavelmente, as reflexões residuais atinjam os sensores das câmaras. Cada um dos sensores presentes nas câmaras tem 1600x1186 pixeis, sendo esta a resolução máxima da câmara. Uma vez que estas câmaras estarão montadas sobre uma barra, figura 3.6, é necessário que elas permitam um ajustamento da sua posição em relação ao plano de luz. 22 Figura 3.7 - Rotação dos sensores das câmaras [12]. Para isso é possível rodar as câmaras sobre um eixo marcado na figura 3.7 como CCD-axis. De forma a aplicar a condição de Sheimpflug, é ainda possível ajustar o ângulo do sensor CCD em relação ao eixo da lente da câmara através do CCD tilt adjust, figura 3.7. Esta barra possui duas calhas em cada um dos seus 4 lados, permitindo o correcto posicionamento das duas câmaras e do laser. A fixação é feita através de porcas em T. 3.1.3. Software utilizado O software utilizado foi o Dynamic Studio, versão 2.30, fornecido pela Dantec Dynamics. Este software permite o controlo de diversos parâmetros associados ao equipamento de aquisição. Depois de efectuadas as medições, as imagens são tratadas através deste software. Sendo aplicadas várias funções às fotografias até se chegar a um mapa de vectores tridimensional. 3.1.4. Timerbox A placa de sincronização encontra-se montada no computador. A esta placa liga-se a timerbox. As duas câmaras encontram-se ligadas a outras duas placas também instaladas no computador. Toda a informação referente ao equipamento chega assim ao computador através destas placas. Todos os equipamentos envolvidos na medição encontram-se ligados à timerbox através de cabos coaxiais: câmaras, laser e o sistema electrónico baseado no encoder incremental que funciona como trigger do sistema. A timerbox é responsável pela sincronização de todos os equipamentos envolvidos. A timerbox controla o disparo da lâmpada de flash (flash lamp) e do Q-switch. As câmaras são também accionadas pela timerbox no momento em que o laser é disparado, aplicando a técnica de frame stradling. Nesta técnica, o primeiro pulso de laser é disparado imediatamente antes da primeira foto e o segundo pulso de laser é disparado imediatamente a seguir à segunda foto, permitindo a maior frequência de aquisição por parte das câmaras fotográficas. O esquema das ligações efectuadas entre todo o equipamento encontra-se representado na figura 3.9. 23 Figura 3.8 - Ligações dos equipamentos (laser e câmaras) à timerbox. (Dynamic Studio) Figura 3.9 - Diagrama exemplificativo do accionamento do equipamento através de um agente externo [12]. Estas ligações permitem o controlo do disparo da lâmpada e o atraso do Q-Switch. O sinal do trigger externo é recebido pela timerbox no terminal In 1, figura 3.8. Este sinal tem de ter 5V e uma duração superior a 100 µs. O atraso utilizado entre as lâmpadas e o Q-switch foi de 190 µs, sendo que o atraso ideal se encontra entre 180 a 200 µs [9]. Na figura 3.9 é apresentado um diagrama dos sinais de entrada e saída do equipamento do laser no modo de sincronização exterior das lâmpadas do equipamento. Verifica-se que desde que um sinal de trigger chega até a timerbox, até que o laser seja disparado, se decorrem 190.3 µs, tendo em conta que 190 µs corresponde ao tempo entre o accionamento da lâmpada e que no accionamento do Q-switch existe um atraso de aproximadamente 0.3µs. 24 3.1.5 – Partículas marcadoras (seeding particles) Um problema crucial em PIV consiste na identificação das partículas mais apropriadas aos ensaios a realizar. As partículas utilizadas durante os primeiros ensaios a um pequeno ventilador foram produzidas por uma máquina de fumo. Estes ensaios destinaram-se a testar o funcionamento do sistema de sincronização. Esta solução não se revelou ser eficiente para o caso da turbina Wells. A máquina de fumo funciona com uma solução à base de glicose. Esta mistura é vaporizada no interior da máquina e libertada a para o exterior. O vapor ao entrar em contacto com o ar exterior condensa formando pequenas gotículas, criando assim um efeito de fumo. O equipamento utilizado neste trabalho corresponde ao modelo 1700 das máquinas de fumo produzidas pela Rosco, figura 3.10. Este tipo de máquinas é na grande maioria das vezes usado em espectáculos. No entanto, a sua aplicação em PIV é também muito comum devido às características das partículas geradas e à sua facilidade de utilização. As dimensões das particulas segundo o fabricante encontram-se numa gama entre os 0.25 e os 0.60µm. No caso dos ensaios realizados na turbina Wells, optou-se inicialmente pela utilização da mesma máquina de fumo que tinha sido empregue nos ensaios com o pequeno ventilador. No entanto, esta máquina produz o fumo recorrendo a uma bomba que actua por meio de um pistão. Desta forma o fumo é libertado de forma pulsada tornando difícil garantir uma distribuição homogénea de fumo por todo o plano de luz. De forma a procurar solucionar este problema decidiu-se utilizar uma segunda máquina de fumo em simultâneo para que a distribuição de fumo na conduta fosse mais homogénea. Esta solução não se revelou eficiente pelo que foi rapidamente abandonada. Experimentou-se então utilizar um tubo com difusor furado na extremidade de forma a espalhar o fumo produzido junto ao plano de medição, figura 3.11. No entanto, as gotículas formavam uma nuvem de fumo que não permitia a identificação de cada uma das partículas correctamente, figura 3.12. Chegou-se assim à conclusão que a solução teria de passar pelo uso de outro tipo de partículas. Decidiu-se então usar de um nebulizador hospitalar, com uma capacidade de 500 ml, com a intenção de atomizar etilenoglicol, figura 3.13. Etilenoglicol é um álcool largamente utilizado como anti-congelante no circuito de refrigeração dos motores de automóveis. No entanto, o caudal de gotículas libertado por um nebulizador é muito reduzido para uma aplicação deste tipo. Teria de se recorrer ao uso de um largo número de nebulizadores, tornando esta hipótese pouco atraente. 25 Figura 3.10 - Máquina de fumo utilizada durante os ensaios experimentais. Figura 3.11 - Sonda para dispersão do fumo (SolidWorks). Figura 3.12 - Fotografia durante ensaios com recurso a fumo. 26 Figura 3.13 – Nebulizador. Figura 3.14 - Fotografia das partículas de etilenoglicol. Experimentou-se então atomizar o etileno glicol com recurso a uma pistola de pintura, conseguindo-se os melhores resultados até então, figura 3.14. Estes resultados continuavam, ainda assim, com uma qualidade insatisfatória porque as partículas não reflectiam a luz de forma ideal. Optou-se finalmente pela utilização de um gerador de partículas sólidas. O gerador de partículas utilizado foi do tipo ciclone. Este gerador possui duas entradas de ar, figura 3.15. As entradas de ar são feitas de modo a que o ar entre tangencialmente no gerador de partículas, criando no seu interior um ciclone. As partículas que se pretendem dispersar no escoamento são colocadas no seu interior. Estas partículas são pulverizadas para o exterior por uma única saída que se encontra no centro do ciclone onde a pressão é mais baixa. O gerador de partículas encontra-se ligado a um depósito de ar pressurizado. Sempre que a pressão no seu interior cai abaixo de um limite pré-definido, no caso cerca de 2 bar, é accionado um compressor que cessa o seu funcionamento no momento em que a pressão atinge o limite superior definido pelo utilizador, no caso cerca de 5 bar. 27 Figura 3.15 - Gerador de partículas tipo ciclone. Figura 3.16 - Fotografia típica durante ensaios com recurso a pó de talco. Inicialmente pretendia-se utilizar pó de alumina mas devido à sua toxicidade e o seu elevado custo optou-se por experimentar pó de talco. Os resultados foram de uma qualidade muito superior aos conseguidos anteriormente, como se demonstra na figura 3.16. Esta foi a solução final adoptada. 28 Figura 3.17 - Encoder e codewheel 3.2. Sistema de sincronização da turbina com o equipamento de PIV É necessário utilizar um método que garanta que a posição angular das pás da turbina se mantém constante no momento em que são efectuadas as medições. Por esse motivo foi imprescindível a utilização de um encoder incremental óptico que funciona como trigger do sistema acoplado ao veio da turbina. 3.2.1 Encoder incremental óptico Na figura 3.17 apresenta-se uma fotografia do encoder utilizado, Agilent AEDB-9140-A13. Este é constituído por um pequeno disco de alumínio (codewheel) com diversas janelas junto à sua extremidade e o respectivo encoder. O encoder foi fixado numa estrutura projectada especialmente para esse propósito. O disco de alumínio tem um movimento de rotação solidário com o do veio da turbina, sendo fixado ao veio por meio de um ponto. A montagem é feita para que o disco passe na ranhura existente no encoder. Num dos lados do encoder existe uma fonte de luz, light emitting diode (LED), que atravessa uma lente de policarbonato colocada imediatamente a seguir ao LED. Esta lente tem como objectivo transformar a luz difusa emitida pelo LED em feixes paralelos de luz. Os feixes de luz atravessam ou não o disco de alumínio atingindo do lado oposto um circuito integrado que detecta a incidência de luz. O disco posicionado entre a fonte de luz e o circuito integrado interrompe a passagem de luz consoante a posição das janelas existentes na sua extremidade. O circuito integrado utiliza foto-diodos que detectam ou não a incidência de luz, emitindo cada um deles um sinal quando iluminados que é depois processado. Uma variação na geometria das janelas para um ponto no disco permite detectar a sua passagem e assim medir o número de rotações realizadas. 3.2.2. Montagem do encoder De forma a permitir a fixação do encoder ao veio da turbina e também ao veio do pequeno motor onde este foi testado, foi projectado um pequeno suporte. Este suporte foi inteiramente produzido nas oficinas do IST, figura 3.18. 29 a) b) Figura 3.18 - Suporte construído nas oficinas do IST. a) Montagem de codewheel e encoder b) suporte completo. Figura 3.19 - Estrutura de suporte do encoder montado sobre o veio da turbina (SolidWorks) O suporte tem como objectivo fixar o encoder e permitir o movimento de rotação do disco, que se encontra fixo ao veio por meio de um ponto. Consiste em duas peças cilíndricas que são aparafusadas uma à outra. Numa das faces da peça em forma de disco existem dois furos roscados onde o encoder é aparafusado e dois furos que permitem a entrada das guias do encoder. Foram montados ainda dois rolamentos em cada uma das peças cilíndricas para permitir a rotação do veio com o suporte fixo. Durante os ensaios na turbina este conjunto encontra-se montado no interior do nariz da turbina estando aparafusado à cruzeta que suporta o próprio nariz, figura 3.19. 30 Figura 3.20 – Placa que contém o processador dsPIC 30F4013 Figura 3.21 - Contador, pulsos de trigger e passagem pela posição zero 3.2.3 Processamento dos sinais de saída do encoder Os sinais de saída do encoder são recebidos por um processador dsPIC 30F4013, figura 3.20. Um código escrito na linguagem Pascal é responsável pelo tratamento dos sinais e pela geração dos pulsos de trigger. Este programa é responsável pela contagem dos pulsos recebidos a partir do encoder e pela comparação com um valor definido pelo utilizador. Sempre que a contagem atinge o valor pré-determinado é disparado um pulso de +5V que funciona como trigger do sistema. Este pulso é recebido pela timerbox que é responsável pela sincronização de todos os equipamentos envolvidos na aquisição de dados. O disco que passa pelo encoder, interrompendo a incidência de luz nos foto-diodos, possui 500 janelas. Com o objectivo de aumentar a resolução do sistema de medição utilizou-se no código a contagem de todas as transições ascendentes e descendentes. Desta forma a resolução do contador incremental é de 360°/2000. 31 Na figura 3.21 apresenta-se a evolução da contagem incremental e os seus diferentes ciclos. É mostrado ainda o momento de “disparo” do trigger a ser recebido pelo equipamento de medição (PIV) e o sinal recebido através do canal I do encoder correspondente ao 0 do codewheel. Um ciclo do contador é definido por três fases, referidas no gráfico como ciclo 3, 2 e 1. No primeiro ciclo do contador existe uma fase inicial cuja função é a de apenas garantir que o ciclo seguinte se inicia na posição 0 do contador. Esta fase corresponde ao ciclo 4 no gráfico da figura 3.21. Quando se inicia uma medição ou simplesmente uma contagem, a posição do veio muito dificilmente irá coincidir com a posição 0 do codewheel. Por este motivo, surge a necessidade de o contador se iniciar com um ciclo cuja única função é garantir que a contagem do ciclo seguinte se inicia na posição 0, este é o ciclo 4 representado a azul no gráfico. Neste ciclo o contador inicia a contagem independentemente da posição do veio, e vai sendo incrementado até se atingir a posição 0 no codewheel, iniciando-se o ciclo 3 representado a castanho no gráfico. No gráfico a contagem inicia-se na posição 1200 do codewheel, no entanto, numa situação real irá começar numa qualquer posição entre 0 e 2000. Como se pode ver no gráfico, no fim deste ciclo o contador está a 800 iniciando de qualquer forma um novo ciclo, pois recebeu a indicação que se tinha atingido o ponto 0 do codewheel através do sinal I. Este sinal corresponde à evolução da série zero no gráfico da figura 3.21 e está representado a preto. No ciclo 3 o contador inicia agora a contagem na posição 0 do codewheel atingindo esta posição apenas quando o veio tiver feito uma rotação completa. Inicia-se a fase seguinte, ciclo 2 representado a verde, esta fase é exactamente igual à anterior o contador é incrementado até se atingir a posição 0 iniciando-se a fase seguinte. É no ciclo 1 (representado a amarelo no gráfico), última fase do ciclo do contador, que se dá a transição para o flanco ascendente (+5V) do sinal de trigger. Esta transição acontece num valor definido pelo utilizador (800 no gráfico) e implementado no programa que foi previamente transferido para o processador. O sinal de trigger irá transitar para o flanco descendente apenas quando se finalizar o ciclo 3 seguinte. Este sinal encontra-se representado a vermelho no gráfico da figura 3.21. No momento em que durante o ciclo 3 é atingido o valor no contador para o qual foi definido o disparo do sinal de trigger o contador reinicia e ao atingir a posição 0 do codewheel transita para um novo ciclo, o ciclo 3. O processo repete-se até que o equipamento seja desligado. 3.3. Peças produzidas para instalação experimental 3.3.1. Janelas em acrílico Foram produzidas 3 peças em acrílico que funcionaram como janelas, permitindo a visualização do escoamento no interior da turbina para 3 posições distintas, figura 3.22 e 3.23. O material escolhido foi o acrílico (cristal) devido à baixa reflexão de luz e menor fragilidade quando comparado com o vidro. 32 a) b) Figura 3.22 - Projecto e foto das janelas em acrílico. a) Janela de maior dimensão (60 mm), b) janela de menor dimensão (100 mm) Figura 3.23 - Posição das janelas. Das três peças produzidas, duas são de dimensões mais reduzidas, figura 3.22 b), e uma de dimensões um pouco maiores, figura 3.22 a). As janelas foram projectadas de forma a cobrir 60° da superfície da conduta, ou seja 1/6 do perímetro da conduta. As suas espessuras são de 9 mm, sendo que a espessura das abas das janelas são de 3 mm. Isto significa que a superfície interior da janela não cria nenhuma descontinuidade na superfície interior da conduta que tem uma espessura de 6 mm. As janelas foram produzidas utilizando a própria conduta como molde. Este método permitiu minimizar os custos de produção, uma vez que não foi necessária a construção de moldes. A primeira janela encontra-se posicionada imediatamente a seguir ao primeiro rotor da turbina, enquanto a segunda está imediatamente antes do segundo rotor. Entre estas duas janelas encontra-se o estator o que limita a dimensão destas duas janelas. Estas duas janelas têm uma largura de 80 mm, 20 dos quais são ocupados pelas abas onde se encontram os furos para os parafusos. Assim a largura útil às medições é de 60 mm. A terceira janela encontra-se imediatamente a seguir ao segundo rotor, não tendo quaisquer limitações de espaço devido à presença de um estator. Por este motivo, esta janela tem dimensão maior do que as restantes. Como a calibração das câmaras foi feita utilizando um suporte para os alvos fixo na conduta 33 interior, a janela foi limitada pelo comprimento da conduta interior. Assim a largura desta janela é de 120 mm, 20 mm dos quais são ocupados pelas duas abas onde se encontram os furos para os parafusos. a) b) Figura 3.24 - Sistema de atravessamento utilizado em a) e e em b) . 3.4.2 – Estrutura de suporte do equipamento PIV Uma estrutura relativamente complexa teve de ser construída de forma a permitir um deslocamento preciso do equipamento de medição, laser e câmaras. Esta estrutura permite o deslocamento de uma barra, onde estão montadas as câmaras e o laser nas direcções e . Permite ainda a rotação da mesma barra segundo o eixo da turbina. Para a construção deste suporte foram aproveitadas algumas peças existentes no laboratório do Pavilhão de Mecânica IV do IST. As restantes peças foram projectadas exclusivamente para esta aplicação. O movimento da estrutura em e é garantido por um sistema de atravessamento, figura 3.24 a). Este encontrava-se no laboratório do Pavilhão de Mecânica IV do IST. O movimento no eixo de (altura) foi conseguido através de um outro sistema de atravessamento também já existente, figura 3.24 b). De forma a fixar o sistema de atravessamento da figura 3.24 a) ao da figura 3.24 b) foi produzido um conjunto de peças que formam um suporte do sistema, figuras 3.25 e 3.26. 34 a) b) Figura 3.25 - Suporte do sistema de atravessamento da figura 3.24 a). a) Projecto e b) fotografia Figura 3.26 - Placa para fixar a estrutura em ao sistema de 4 apoios. Este conjunto foi fixado a um sistema de quatro apoios que permite o nivelamento de todo a estrutura através de níveis. O sistema de quatro apoios foi aproveitado a partir de um dispositivo de calibração de medidores de binários que se encontrava em desuso. A ligação da estrutura apresentada na figura 3.26 a este sistema foi feita através de uma placa, produzida para este trabalho, onde se aparafusou a estrutura de suporte, figura 3.27. Uma outra estrutura foi ainda produzida para permitir a fixação da barra na qual são montadas as câmaras e o laser, figura 3.27. Esta é depois ligada ao sistema de atravessamento apresentado. É esta estrutura que permite a rotação da barra em torno do eixo da turbina. O movimento de rotação pode ser medido através de marcas que foram feitas tanto na barra de suporte como na chapa na qual a barra se encontra fixada, figura 3.28. As marcas foram feitas para uma escala de ±10° espaçadas por 0,5°. Esta barra encontra-se fixa à estrutura através de parafusos e de porcas em T colocadas nas duas calhas existentes de cada um dos lados da barra. Como se pode ver na figura 3.28 a barra encontra-se suportada por 12 parafusos. 35 a) b) Figura 3.27 - Estrutura de suporte de equipamento PIV. a) Projecto, b) fotografia Figura 3.28 - Marcas que permitem quantificar a rotação da barra em torno do eixo da turbina 3.4.3. Fixação do encoder ao veio do ventilador 36 O encoder incremental óptico antes de utilizado na turbina foi testado num pequeno ventilador. Para isso foram feitas algumas peças que permitiram a sua fixação ao veio do ventilador figura 3.29, e montagem da pequena instalação experimental. Figura 3.29 - Pequeno ventilador utilizado nos ensaios de teste do encoder incremental. Figura 3.30 - Ligação do veio do ventilador ao veio do encoder. Foram produzidas as seguintes peças; um pequeno veio, uma união do veio do ventilador ao veio do encoder, figura 3.30. Foi ainda produzida uma pequena estrutura em acrílico para fixação do suporte do encoder. 3.4.4. Conduta de exaustão Para não acumular o fumo ou as partículas de pó de talco no laboratório onde se realizaram os ensaios da turbina, foi desenhada e construída uma conduta de exaustão, ligando a saída do difusor do ventilador a uma janela do edifício, figura 3.31. 3.4.5. Alvos e respectivo suporte Como foi dito anteriormente, antes de uma medição através da técnica de PIV é necessário calibrar as câmaras fotográficas necessárias às medições. Para isso recorrem-se ao uso de alvos, figura 3.32. Para a instalação experimental montada não existiam alvos adequados, pelo que tiveram de ser construídos novos 37 alvos. Foram assim construídos dois alvos, um para ser utilizado nas calibrações referentes às duas primeiras janelas e um outro para a ser empregue na terceira janela de maior dimensão. Figura 3.31 – Conduta de exaustão No que diz respeito às dimensões do alvo, estas são as mesmas das janelas em largura e cerca de 80 mm em altura. A sua construção foi feita utilizando uma placa de kline com 10 mm de espessura e de elevada densidade. Duas impressões com os pontos negros foram coladas nos dois lados de cada um dos alvos, para que os pontos de cada um dos lados se encontrem coincidentes. A base destes alvos foi construída em alumínio. Nestas bases foram feitos 4 furos para permitir a sua fixação no suporte da figura 3.33. O alvo propriamente dito foi ligado à base através de 4 cantos colados muito cuidadosamente nas superfícies do alvo e base. Estes alvos foram posteriormente fixados à conduta interior da turbina de forma a se fazerem as ditas calibrações. O raio de curvatura da face interior do suporte da figura 3.33 é igual ao raio da conduta interior da turbina. Durante as calibrações das câmaras o suporte foi cuidadosamente colado na conduta interior da turbina. Os alvos foram então aparafusados ao suporte. Os seis pares de furos do suporte foram feitos a laser de forma a garantir o maior rigor possível nas suas posições. 38 (a) (b) Figura 3.32 - Alvos utilizados para calibração das máquinas fotográficas. a) Alvo utilizado nas duas janelas de menor dimensão e b) alvo utilizado na janela de maior dimensão. Figura 3.33 - Suporte para alvos de calibração. 39 40 Capítulo 4 Ensaios com o ventilador 4.1. Instalação experimental Foi montada uma pequena instalação para a realização dos primeiros testes ao equipamento. Um esquema desta instalação encontra-se na figura 4.1. Realizaram-se ensaios para 3 posições distintas do ventilador em relação ao plano de medição. Para isso manteve-se fixa a estrutura de suporte das câmaras e do laser e fez-se variar apenas a posição do ventilador. O conjunto motor/ventilador representado na figura 4.1 corresponde ao apresentado na figura 3.29. Nesta fotografia não se encontra montado o suporte do encoder. O veio montado no suporte do encoder foi ligado ao veio do motor por meio de dois pontos, um de cada um dos lados de um veio oco, figura 3.30. Uma das principais dificuldades na montagem de uma instalação para medições através de PIV passa pela eliminação das reflexões de luz de forma eficiente. Estas não só são responsáveis por uma redução na qualidade final dos resultados como também por eventuais danos nos sensores das câmaras. Quando este trabalho foi iniciado uma das câmaras encontrava-se já danificada. Este dano terá sido causado por reflexões de laser. Os danos provocados por estas reflexões surgem como pixéis brancos numa fotografia. Assim nestes pixéis não é possível captar luz reflectida pelas partículas logo, identificar as suas posições e respectivo deslocamento. Em todas as fotografias obtidas a partir destas câmaras é visivel o dano provocado pelas reflexões, figuras 4.3 a 4.8. Todas as medições efectuadas neste trabalho foram feitas com recurso a esta câmara. Assim, desde o inicio deste trabalho, o risco de danificar o equipamento devido a reflexões não controladas de laser esteve sempre muito presente. Houve, por isso, um cuidado especial na protecção das lentes das câmaras de reflexões fortes. O ventilador foi pintado de preto e as restantes superfícies atingidas pelo laser foram cobertas por um pano negro. Com pulsos de luz de baixa intensidade de energia, lentes tapadas e um alvo branco confirmou-se que as câmaras não eram atingidas por reflexões. Também através do histograma das fotografias obtidas se pode identificar a intensidade de luz que atingem os sensores, no entanto este procedimento apenas deverá ser efectuado depois de confirmada não existência de fortes reflexões que possa atingir as lentes das câmaras. 41 a1) a2) b1) b2) c1) c2) Figura 4.1 - Instalação experimental. a) Montagem experimental 1, b) montagem experimental 2 e c) montagem experimental 3. Figura 4.2 - Mapa tridimensional de velocidade (escala em m/s) 42 Os ensaios foram realizados numa sala fechada, sem circulação de ar e incidência de luz natural. Através da máquina de fumo da Rosco, foram dispersas partículas marcadoras junto à zona de medição. O funcionamento do próprio ventilador foi responsável pela distribuição de partículas de forma uniforme no interior da sala. 4.2. Definições utilizadas nas medições O principal objectivo destes ensaios era o de obter experiência para os futuros ensaios na turbina e ao mesmo tempo confirmar o correcto funcionamento de todo o sistema e em particular do encoder. O sinal de trigger é disparado, no máximo, uma vez a cada três rotações. Uma vez que o motor eléctrico utilizado era síncrono a sua velocidade de rotação era de 1500 rpm. Desta forma a frequência de medição foi de aproximadamente 8,33 Hz. 4.3. Resultados Para procurar verificar o correcto funcionamento do encoder utilizou-se os pulsos do laser numa sala sem qualquer iluminação. Estes pulsos de luz iluminam o ventilador “congelando” o seu movimento (efeito estroboscópico), através de pequenas marcas que se fizeram na superfície do ventilador, observou-se que o ventilador era iluminado sempre na mesma posição. Chegando mesmo a dar a ilusão de que o motor se encontrava parado. Na figura 4.2 é apresentado a título ilustrativo um gráfico tridimensional para uma posição em que o ventilador se encontra mais próximo do centro do plano de medição. As componentes de velocidade no plano de medição são da mesma ordem de grandeza da componente perpendicular ao plano representada pela escala de cor. 4.3. Funções aplicadas às fotografias tiradas durante as medições Até se conseguirem os mapas vectoriais tridimensionais de velocidade apresentados até aqui foram aplicadas uma série de funções às fotografias originais. Na figura 4.3 o índice 1 corresponde às fotografias obtidas a partir da câmara 1, e o índice 2 corresponde às fotografias obtidas a partir da câmara 2. Na figura 4.1 a câmara 1 corresponde à câmara da esquerda e a câmara 2 á da direita. As posições para que as fotografias, mencionadas na legenda da figura 4.4, foram obtidas correspondem à posição do centro do alvo em relação ao eixo do plano de medição que é atravessado pela folha de luz. Uma vez que o alvo tem uma espessura de 10mm as fotografias obtidas correspondem às posições -1mm, -11mm, +5mm, -5mm, +11mm, +1 mm respectivamente. A calibração foi feita através de um modelo de transformação de coordenadas linear, DLT. Este foi sobreposto nas imagens e encontra-se representado a verde. A sobreposição da calibração obtida com as fotografias permite comprovar que a calibração foi bem sucedida. 43 Na figura 4.4 apresenta-se como exemplo, uma das fotografias obtidas a partir de uma das medições. Em todos os ensaios realizados neste trabalho aplicou-se uma função sobre as imagens com o objectivo de reduzir os erros induzido por reflexões, ou simplesmente luz difusa que não é tratada como partículas no escoamento, que se mantêm constante para duas fotografias da mesma medição. Na figura 4.5 são apresentadas as imagens correspondentes à média de luz incidente nos pixéis para as duas fotografias referentes à mesma medição. Às imagens apresentadas na figura 4.5 são depois subtraídas às apresentadas na figura 4.6 obtendo-se as imagens da figura 4.6 onde se distingue mais facilmente cada uma das partículas. A função designada por adaptive-correlation foi aplicada às imagens da figura 4.6, onde foram definidas células de 32x32 pixéis com um overlap de 25% entre células. Foi aplicado um filtro do tipo gaussian fit para o cálculo da posição das partículas ao nível do sub-pixel. Dentro de cada uma destas células será calculado o vector do deslocamento médio. Cada um dos vectores é validado pelo método de mediana local. Dividindo esse vector pelo tempo decorrido entre a primeira e segunda foto é obtido o vector velocidade bidimensional. Na figura 4.7 são apresentadas as imagens da figura 4.6 com o mapa vectorial de velocidades sobreposto. Estes mapas vectoriais são bidimensionais e distintos, devido à perspectiva de cada uma destas câmaras. Um mapa idêntico aos apresentados na figura 4.7 é obtido para cada par de imagens de cada uma das câmaras que corresponde a cada uma das medições. No caso dos ensaios realizados com o ventilador foram feitos 50 medições por ensaio, o que corresponde a 50 mapas de vectores para 50 pares de imagens, para cada uma das câmaras. Posteriormente são aplicados ainda dois filtros, um que elimina vectores que se encontrem consideravelmente afastados do vector médio de velocidade e ainda um filtro que calcula o valor médio para um determinado intervalo de células adjacentes substituindo cada um dos vectores pelo vector obtido. Este último não altera os resultados de forma significativa. O seu efeito pode ser descrito como uma suavização dos resultados obtidos, tornando mais fácil a sua leitura. O resultado obtido depois de aplicadas estas duas funções é o apresentado na figura 4.8. 44 Figura 4.3 - Fotografias tiradas para calibração das câmaras. a) Posição -6mm, b) posição 0mm, c) posição +6mm. Figura 4.4 - Fotografias obtidas durante um ensaio. a) Fotografia câmara 1, b) fotografia câmara 2. 45 Figura 4.5 - Intensidade de luz média, para duas fotografias pertencentes à mesma medição. a) Câmara 1, b) câmara 2. Figura 4.6 - Imagens finais para as quais será calculado o deslocamento das partículas. a) Câmara 1, b) câmara 2. Figura 4.7 - Mapa vectorial sobreposto com as fotografias. a) Câmara 1 e b) câmara 2. 46 Figura 4.8 - Mapa vectorial final. a) Câmara 1, b) câmara 2. Depois de obtidos os restantes mapas idênticos ao da figura 4.7 para cada uma das medições é feita uma média dos vectores obtidos para cada uma das células de interrogação e reproduzido um mapa vectorial que corresponde à média dos deslocamentos para cada uma das células de interrogação e para cada uma das câmaras. Estes mapas são combinados e através da calibração feita para cada uma das câmaras é criado um mapa vectorial tridimensional, como o apresentado na figura 4.3. 47 48 Capítulo 5 Ensaios na Turbina Wells biplano 5.1. Descrição geral da turbina O trabalho experimental incidiu-se sobre o escoamento numa turbina Wells biplano. Esta turbina tem dois rotores separados por um estator de 19 pás. Os dois rotores são idênticos, com 4 pás de secção NACA 0015 e uma corda de 115 mm. O banco de ensaios incluí um motor/geradoque controla a velocidade de rotação da turbina e de um motor que acciona o ventilador que controlam a rotação da turbina e de um ventilador montado na extremidade oposta. Na figura 5.1 apresenta-se um diagrama da configuração da montagem experimental. Ao variar a velocidade de rotação do ventilador (13) faz-se variar o caudal que atravessa a turbina que é medido através da diferença de pressão entre a câmara de pleno (12), depois da passagem pelos favos de abelha (10), e a pressão após a contracção (11) à saída da câmara. O ar entra na conduta e atravessa o primeiro rotor (1), estator (não representado na figura 5.1) e o segundo rotor (2). À saída da turbina o escoamento tem uma forte componente de swirl. Assim, o ar é forçado a passar pelos favos de abelha no interior da câmara de pleno de forma a eliminar esta componente. A pressão utilizada para calcular o caudal corresponde à pressão a montante destes favos de abelha. Na figura 5.2 apresentam-se algumas fotografias da instalação experimental. 49 a) Instalação experimental 1 Rotor 1 2 Rotor 2 3 Janela 1 4 Janela 2 5 Janela 3 6 Câmara CCD 1 7 Câmara CCD 2 8 Laser 9 Estrutura de suporte 10 Favos de abelha 11 Contracção 12 Câmara de pleno 13 Ventilador 14 Conduta de exaustão 15 Estator b) Figura 5.1 – Instalação Experimental. a) Instalação completa; b) Pormenor de área onde são efectuadas as medições. 50 Figura 5.2 – Fotografias da instalação experimental. a) Suporte das câmaras e laser; b) suporte de câmaras e laser e janelas dispostas ao longo da conduta; c) ventilador, motor, difusor e ligação à conduta de exaustão; d) conduta de exaustão Figura 5.3 - Posições das janelas para acesso óptico 51 5.2. Planos de medição e pontos de funcionamento da turbina As medições foram realizadas para três posições diferentes: a jusante do primeiro rotor, estator e segundo rotor. Estas posições correspondem às janelas 1, 2 e 3 da figura 5.3 respectivamente. Para cada uma destas posições foram realizados ensaios para três coeficientes de caudais distintos: antes e depois do ponto óptimo de funcionamento da turbina e um terceiro após entrada em perda. O gráfico apresentado na figura 5.4, representa a evolução do rendimento da turbina com o caudal para diferentes velocidades de rotação. Rendimento vs Coef. Caudal 0,7 1500 RPM 0,6 1750 RPM 0,5 2000 RPM Rendimento 0,4 [η] 0,3 2200 RPM 2500 RPM 0,2 2750 RPM 0,1 0 0,05 0,1 0,15 0,2 0,25 0,3 0,35 Coef. Caudal [ø=Uentrada/Utip] Figura 5.4 - Evolução do rendimento da turbina com o coeficiente de caudal [15]. O coeficiente de caudal utilizado por [15] é dado por (19) com (20) sendo tip o caudal volumétrico, c área da secção da conduta, a velocidade de rotação da turbina em rad/s e a velocidade da extremidade das pás. O gráfico 5.4 representa a evolução das curvas de rendimento para várias velocidades de rotação da turbina. Para algumas velocidades de rotação não foi possível atingir coeficientes de caudal elevados devido a limitações impostas por perdas de carga ao longo das condutas e potência do ventilador. Como se pode observar no gráfico, apenas a curva referente a 1500 rpm atinge o coeficiente de 0,3. Analisando o gráfico observa-se facilmente que o ponto óptimo de funcionamento da turbina encontra-se para um coeficiente de caudal de compreendido entre 0,20 e 0,23 aproximadamente. Assim foram escolhidos os seguintes coeficientes de caudal para os ensaios através de PIV, 0,18, 0,25 e 0,3. Estes coeficientes serão designados daqui em diante como coeficiente de caudal 1, 2 e 3 respectivamente. 52 Figura 5.5 - Planos para os quais foram efectuadas as medições, primeira e terceira janela. a) Disposição dos planos ao longo do passo do rotor. b) Distância do plano de rotação ao plano que intersecta o centro dos planos de medição. Durante a realização do trabalho uma conduta teve de ser montada no difusor do ventilador ligando-o ao exterior do edifício onde a turbina se encontra instalada, figura 5.1 e figura 5.2. A presença desta conduta impõe uma perda de carga importante. Por este motivo os ensaios foram realizados para uma velocidade de rotação de 1250 rpm de forma a serem necessários caudais mais baixos para atingir o coeficiente de caudal máximo pretendido, 0,3. Para cada uma das janelas, foram feitos vários ensaios variando a posição de disparo do laser através do encoder incremental óptico. Para as janelas 1 e 3 foram feitos 20 ensaios para cada um dos coeficientes de caudal. Estes ensaios foram feitos variando a posição do encoder de modo a que cada um deles correspondesse a um plano com um variação angular de 4,5° em relação ao ensaio anterior, figura 5.5. Os 20 ensaios correspondem a uma rotação de 90° do rotor, o passo de cada um dos rotores. Na figura 5.5 apresentam-se os planos para os quais foram realizadas medições nas janelas 1 e 2. A espessura de cada um dos planos na figura corresponde à espessura aproximada da folha de luz criada pelo laser, entre 3 a 4 mm. Na figura 5.5 está representada também a distância do plano de rotação ao plano que atravessa o centro dos planos de medição. Esta distância é de 80 mm na primeira janela e de 100 mm na terceira. Para a janela 2 foram feitos ensaios para apenas 5 planos. O estator é constituído por 19 pás, tendo assim um passo de aproximadamente 19°. Estes 5 planos desfasados por 4° permitem o varrimento de 20°, ou seja um pouco mais do que o passo do estator, figura 5.6. Todos os ensaios foram realizados com as câmaras e o laser posicionado em relação ao plano de medição como representado na figura 5.7. A distância do eixo da barra de suporte das câmaras e laser ao eixo da turbina é de 665 mm. Para os ensaios efectuados na janela 2, figura 5.7, o plano de luz foi rodado em relação ao estator mas manteve-se sempre a posição relativa ao eixo da turbina. A barra de suporte manteve sempre uma posição tangente à circunferência de raio 665 mm e 53 origem no eixo da turbina. O plano central da figura 5.7 é o próprio plano meridional, 0° de inclinação, este plano intersecta a origem da pá do estator junto à conduta interior. Figura 5.6 – Planos de medição estator. Figura 5.7 - Representação das posições das câmaras e laser em relação ao plano de luz 5.4. Procedimento Experimental De forma a garantir que o plano de luz se encontrava no plano meridional que intersecta o eixo da turbina foram feitas marcas, tendo como referência os furos para os parafusos que fixam as diferentes secções da conduta e ainda níveis para garantir que o plano de luz seria o mais plano possível. Antes do posicionamento da estrutura em relação às janelas foi feita uma calibração do laser, tal como descrito em 3.1.1. Uma vez montadas as câmaras e o laser realizou-se o procedimento de calibração. Este procedimento foi repetido para as 3 janelas. A calibração das câmaras para cada uma das janelas foi feita com recurso à 54 estrutura apresentada na figura 3.33. Para a primeira e segunda janela utilizou-se o alvo apresentado na figura 3.32 a). Para a terceira janela utilizou-se o alvo da figura 3.32 b). Figura 5.8 – Exemplo de calibração. a) Calibração obtida para câmara 1; b) calibração obtida para câmara 2. 5.5. Definições das medições e tratamento dos dados Para cada um dos ensaios foram tiradas 150 pares de fotografias por câmara. O intervalo de tempo entre fotografias foi de 15, 13 e de 10 µs correspondendo respectivamente aos caudais 1, 2 e 3. Este intervalo de tempo corresponde ao tempo entre o disparo do primeiro pulso e o segundo pulso de laser. O deslocamento óptimo das partículas medido pelas câmaras é de 8 pixéis [12,14]. Para obter este deslocamento médio deveria ser utilizado um tempo entre fotografias de 80, 60 e 50 µs. A utilização de 15, 13 e 10 µs deve-se ao facto de ser necessário garantir que as partículas presentes na primeira fotografia encontrem-se também presentes na segunda. Utilizando o intervalo de tempo que corresponde ao deslocamento ideal, as partículas iluminadas pelo primeiro pulso de laser não seriam as mesmas para o segundo pulso. Os valores acima mencionados foram escolhidos após testes realizados para diferentes tempos entre fotografias. Os melhores resultados obtidos correspondiam a deslocamentos médios de 0,6 mm. Na figura 5.10 explica-se este fenómeno com um exemplo onde o tempo entre fotografias é superior ao necessário para garantir que a grande maioria das partículas se encontre dentro da folha de luz no primeiro e no segundo pulso de laser. 55 Figura 5.9 – Deslocamentos reais e deslocamentos medidos no caso de uma escolha incorrecta do intervalo de tempo entre pulsos de laser. a) Deslocamento real no plano (x,y); b) vista da componente perpendicular do deslocamento (deslocamento real); c) deslocamento medido no plano (x,y); d) vista da componente perpendicular do deslocamento (deslocamento medido). Na figura 5.9, as partículas vermelhas e pretas são as mesmas. As pretas representam a posição ocupada pelas partículas aquando do primeiro pulso de laser e as vermelhas a posição ocupada no momento de disparo do segundo pulso. O deslocamento real das partículas encontra-se representado na figura 5.9 a) e b). No entanto, apenas as partículas que se encontram dentro da folha de luz, representada a verde, serão visíveis nas fotografias, quer na primeira como na segunda de cada medição. Deste modo os deslocamentos medidos não serão iguais aos deslocamentos reais. Por este motivo não foi possível utilizar um tempo entre o primeiro e segundo pulso de laser superior. Em [26] este problema é contornado utilizando uma sonda no interior da conduta de um compressor, onde são efectuadas as medições, que controla a posição do plano de luz. Desta forma é possível variar a posição do plano de luz consoante as condições do escoamento para as quais são feitos os ensaios. Foram utilizadas células de interrogação com 32x32 pixéis de área, um overlap entre células de 25%. O tratamento aplicado às fotografias até se obter o mapa vectorial tridimensional final foi idêntico ao aplicado no caso do ventilador. Sendo apenas que às fotografias não foi aplicado o critério de média local. Foi aplicada ainda o critério descrito na secção 2.8 e designado por detectabilidade. 56 Partículas utilizadas Tempo entre pulsos de luz Células de interrogação Correlação Filtros aplicados 0,18 10 Área [pixéis] 32x32 Pó de talco Coef. caudal 0,25 13 0,3 15 Overlap 25% Função para o cálculo do Validação do pico Tipo de correlação deslocamento ao nível do de correlação sub-pixel Adaptive Detectability Gaussian-fit Funções Eliminar reflexões presentes nas fotografias Eliminar vectores que se encontrem demasiado afastados do valor médio Tabela 5. 1 – Definições utilizadas para o cálculo dos campos de velocidades tridimensionais 5.6. Erros associados A velocidade induzida nas partículas pela acção da gravidade poderá influenciar medições efectuadas através de PIV. No caso presente tal não acontece, a aceleração imposta pela gravidade é de aproximadamente 9,8 m/s e o tempo entre as duas fotografias de uma mesma medição é da ordem do micro-segundo. O efeito da gravidade sobre as partículas de talco é assim desprezável. Uma origem importante de erro no cálculo dos vectores de velocidade surge do facto de se ter utilizado um tempo entre pulsos de laser muito curto. A consequência é o curto deslocamento das partículas, o deslocamento médio das partículas é de cerca de 2 pixéis, o que na ausência de uma do deslocamento das partículas ao nível do sub-pixel provocaria um erro na determinação do deslocamento médio de 25%. Para minimizar este erro, é aplicado um cálculo adicional que se estabelece através de uma interpolação por uma curva gaussiana entre os coeficientes de correlação vizinhos ao pico correspondente ao deslocamento das partículas. A qualidade dos resultados só pode ser explicada pela utilização do modelo gaussian fit e por aquisição de um elevado número de medições por ensaio. Outra fonte de erro importante é a reflexão de luz, criadas pela acumulação de talco no veludo no interior da conduta que por vezes se torna significativa e impede a detecção de partículas no interior do plano de luz. Ocasionalmente aparecem assim vectores nulos juntos à parede. Estes vectores não são contabilizados na média final, pelo que não a influenciam, no entanto, o número de vectores utilizados no cálculo do vector médio torna-se por vezes reduzido nesta região. 57 5.7. Resultados Foram realizados 135 ensaios, por este motivo, apresentar aqui todos os mapas vectoriais obtidos tornaria este trabalho desnecessariamente extenso. Apresenta-se assim apenas alguns dos mapas obtidos a título de exemplo. a) b) c) d) Figura 5.10 - Exemplos de mapas 3D (Mapas apresentados correspondem a medições efectuadas para a primeira janela e caudal 1) para as seguintes posições de disparo no encoder. a) 1328; b) 1353; c) 1378, d) 1403. 58 e) f) g) h) i) j) Figura 5.11 (continuação 5.10) - Exemplos de mapas 3D (Mapas apresentados correspondem a medições efectuadas para a primeira janela e caudal 1) para as seguintes posições de disparo no encoder. e) 1428; f) 1453; g) 1478; h) 1503; i) 1528; j) 1553. 59 Para garantir que os resultados têm uma qualidade aceitável foi feita uma medição do caudal através dos mapas obtidos e comparou-se com os caudais medidos através dos manómetros de pressão existentes no laboratório. Para isto extraiu-se a componente axial da velocidade, dos mapas vectoriais obtidos para 3 pontos igualmente espaçados entre si, figuras 5.10 e 5.11. a) b) c) Figura 5.12 - Mapa vectorial 3D com as linhas para as quais se retiraram os vectores (janela 1,2 e janela 3). a) Extracção de vectores para construção do plano 1; b) Extracção de vectores para construção do plano 2; c) Extracção de vectores para construção do plano 3. Para cada uma das linhas marcadas na figura 5.12 foram extraídos as 36 componentes da velocidade axial, uma vez que em cada linha estão presentes 36 vectores. Para cada um dos ensaios foram assim retiradas 36 vectores referentes à velocidade axial para 3 posições igualmente afastadas axialmente, como se mostra na figura 5.12. Na figura 5.13 é apresentado um gráfico da variação destes 36 vectores para uma dessas posições a título de exemplo. 60 Velelocidade axial[m/s] 14 12 10 8 6 4 2 0 200 220 240 260 280 Posição radial [mm] Velocidade axial [m/s] a) 14 12 10 8 6 4 2 0 200 220 240 260 280 Posição radial [mm] Velocidade axial [m/s] b) 14 12 10 8 6 4 2 0 200 220 240 260 280 Posição radial [mm] c) Figura 5.13 – Gráfico da velocidade axial (dynamic studio).a) Variação da velocidade axial (figura 5.12 a)); b) variação da velocidade axial (figura 5.12 b)); c) variação da velocidade axial (figura 5.12 c)). Com o intuito de comprovar a qualidade dos resultados obtidos calcularam-se os valores médios da componente axial de cada conjunto de 36 vectores. A área da conduta foi então dividida em células com um afastamento de 4,5°,afastamento de cada um dos planos de medição, figura 5.14. 61 Figura 5.14 - Secção da conduta com as células Figura 5.15 – Posição dos plano relativamente à posição do rotor Na figura 5.14, as circunferências representam a conduta exterior e interior da conduta. À área entre cada uma das linhas corresponde cada uma das células e as linhas a tracejado definem a posição do plano de luz, ou seja os pontos utilizados no cálculo do valor médio da velocidade axial. Foi depois admitido que dentro de cada uma das células o valor da velocidade axial era constante e igual ao valor médio calculado. Na figura 5.15 está representado o rotor e a sua posição relativamente aos planos de medição. 62 A posição do plano de luz varia apenas relativamente à posição do primeiro e segundo rotor da turbina, através da posição de disparo do laser, como explicado anteriormente. O sentido de rotação do rotor é o dos ponteiros do relógio. Assim, cada um dos planos desenhado na figura corresponde a um movimento do rotor de 4,5° em relação ao plano anterior. No caso das medições efectuadas na segunda janela, o plano de luz foi rodado em torno do eixo da Velocidade axial média (U/Uentrada) turbina, figura 5.7. Da mesma forma a secção foi dividida em células, com um afastamento neste caso de 4°. 2 1,8 1,6 1,4 1,2 1 0,8 0,6 0,4 0,2 0 Plano1 Plano2 Plano3 0 15 30 45 60 75 90 Posição angular [˚] Velocidade axial média (U/Uentrada) a1) 2 1,8 1,6 1,4 1,2 1 0,8 0,6 0,4 0,2 0 Plano1 Plano2 Plano3 0 15 30 45 60 75 90 Posição angular [˚] b2) Figura 5.16 - Variação da velocidade axial em função da posição do rotor da turbina, para todos os planos, caudais e janelas (Índices 1,2 e 3 correspondem ás janelas 1,2 e 3). a) caudal 1 – vectores extraídos para os 3 planos; b) caudal 2 – vectores extraídos para os 2 planos; c) caudal 3 – vectores extraídos para os 3 planos. 63 Velocidade axial média (U/Uentrada) 2 1,8 1,6 1,4 1,2 1 0,8 0,6 0,4 0,2 0 Plano1 Plano2 Plano3 0 15 30 45 60 75 90 Posição angular [˚] c1) Velocidade axial média (U*) 1,2 1,1 1 Plano1 0,9 Plano2 0,8 Plano3 0,7 0,6 -10 -5 0 5 10 Posição do plano de luz [º] a2) Velocidade axial média (U*) 1,2 1,1 1 Plano1 0,9 Plano2 0,8 Plano3 0,7 0,6 -10 -5 0 5 10 Posição do plano de luz [º] Figura 5.17 (continuação figura 5.15) - Variação da velocidade axial em função da posição do rotor da turbina, para todos os planos, caudais e janelas (Índices 1,2 e 3 correspondem ás janelas 1,2 e 3). a) caudal 1 – vectores extraídos para os 3 planos; b) caudal 2 – vectores extraídos para os 2 planos; c) caudal 3 – vectores extraídos para os 3 planos. 64 Velocidade axial média (U*) 1,2 1,1 1 Plano1 0,9 Plano2 0,8 Plano3 0,7 0,6 -10 -5 0 5 10 Posição do plano de luz [º] c2) Velocidade axial média (U/Uentrada) 1,4 1,2 1 0,8 Plano1 0,6 Plano2 0,4 Plano3 0,2 0 0 15 30 45 60 75 90 Posição angular [˚] a3) Velocidade axial média (U/Uentrada) 1,4 1,2 1 0,8 Plano1 0,6 Plano2 0,4 Plano3 0,2 0 0 15 30 45 60 75 90 Posição Encoder b3) Figura 5.18 (continuação 5.16)- Variação da velocidade axial em função da posição do rotor da turbina, para todos os planos, caudais e janelas (Índices 1,2 e 3 correspondem ás janelas 1,2 e 3). a) caudal 1 – vectores extraídos para os 3 planos; b) caudal 2 – vectores extraídos para os 2 planos; c) caudal 3 – vectores extraídos para os 3 planos. 65 1,6 Velocidade axial média (U/Uentrada) 1,4 1,2 1 Plano1 0,8 Plano2 0,6 Plano3 0,4 0,2 0 0 15 30 45 60 Posição Encoder 75 90 c3) Figura 5.19 (continuação figura 5.17)- Variação da velocidade axial em função da posição do rotor da turbina, para todos os planos, caudais e janelas (Índices 1,2 e 3 correspondem ás janelas 1,2 e 3). a) caudal 1 – vectores extraídos para os 3 planos; b) caudal 2 – vectores extraídos para os 2 planos; c) caudal 3 – vectores extraídos para os 3 planos. As medições nos gráficos apresentados na figura 5.15, 5.16, 5.17, 5.18 e 5.19 correspondem, no caso das medições efectuadas para a primeira e terceira janela, aos planos apresentados na figura 5.13 e 5.14. O plano inicial corresponde à posição de disparo de 1078 do encoder (eixo das abcissas), os seguintes planos correspondem a um incremento de 25 até se atingir o ponto 1578 que corresponde à repetição do ponto 1078. No caso das medições a jusante do estator, janela 2, as medições foram feitas apenas para planos distintos, sendo que os valores finais não correspondem à repetição do plano inicial, por este motivo os valores finais não são tão próximos dos iniciais como nos restantes gráficos. O erro no cálculo do caudal/velocidade axial em relação ao valor medido através dos manómetros de pressão é apresentado na tabela 5.1. 66 Primeira janela Coeficiente Caudal 0,18 Variação % Coeficiente Caudal 0,25 Coeficiente Caudal 0,30 Plano1 Plano2 Plano3 Plano1 Plano2 Plano3 Plano1 Plano2 Plano3 1,012 1,011 0,956 0,972 1,002 0,995 0,960 1,005 1,024 1,222 1,098 4,378 2,837 0,219 0,466 3,963 0,544 2,437 Segunda janela Coeficiente Caudal 0,18 Variação % Coeficiente Caudal 0,25 Coeficiente Caudal 0,30 Plano1 Plano2 Plano3 Plano1 Plano2 Plano3 Plano1 Plano2 Plano3 0,993 0,988 0,983 1,010 1,003 0,991 1,056 1,061 1,053 0,655 1,212 1,743 0,985 0,305 0,940 5,600 6,121 5,266 Terceira janela Coeficiente Caudal 0,18 Variação % Coeficiente Caudal 0,25 Coeficiente Caudal 0,30 Plano1 Plano2 Plano3 Plano1 Plano2 Plano3 Plano1 Plano2 Plano3 0,907 0,894 0,912 0,985 0,961 0,967 0,997 0,994 1,001 9,343 10,567 8,755 1,510 3,918 3,253 0,264 0,563 0,064 Tabela 5. 2- Erro no cálculo da velocidade axial relativamente à velocidade axial média calculada a partir do caudal medido através dos manómetros de pressão. Como se pode observar na tabela 5.1, a variação máxima da velocidade axial média em relação à velocidade axial de entrada é regra geral muito baixa Os mapas tridimensionais do vector velocidade obtidos não permitem um fácil entendimento da variação da velocidade em função da posição do rotor e da posição tangencial do plano de medição no caso do estator. Por este motivo optou-se por representar as 3 componentes da velocidade para as mesmas 3 secções para as quais foram feitos os testes de caudal. A cada intersecção dos mapas tridimensionais com as 3 secções da conduta que os intersectam correspondem 36 valores, assim cada uma das células representada na figura 5.13 foi subdividida em 36 células às quais correspondem cada um dos 36 valores extraídos. Na tabela 5.1 verifica-se que a variação média é de 2,7%. Apenas para as medições referentes à janela 3 e caudal 1 se obtém variações mais significativas, próximas de 10% e isto deve-se muito provavelmente a um erro na leitura dos valores dos manómetros durante as medições. Estas variações são afectadas por erros nas medições através de PIV e também erros associados aos próprios manómetros, assim para determinar a qualidade dos resultados através de PIV talvez faça mais sentido analisar a variação de caudal de plano para plano, esta variação é apresentada na tabela 5.2. Analisando a tabela 5.2 verifica-se que a variação nunca atinge a décima, confirmando-se assim uma grande precisão dos resultados obtidos. A qualidade dos resultados confirma também que o passo escolhido entre os diferentes planos de medição é suficientemente pequeno para uma análise correcta do escoamento. 67 Também os mapas tridimensionais de velocidade obtidos confirmam a elevada qualidade dos resultados, analisando os mapas apresentados na figura 5.10 e 5.11. verifica-se uma conformidade praticamente perfeita entre os ensaios. Consegue-se mesmo verificar o deslocamento do escoamento, mantendo as suas características, de plano para plano. Analisando os gráficos da figura 5.15, 5.16, 5.17, 5.18 e 5.19, verifica-se que os valores finais para a posição de disparo no encoder de 1578 estão muito próximos para os valores iniciais para uma posição de disparo de 1078 para as 3 secções para as quais se apresenta a variação da velocidade axial em função da posição da roda da turbina. Verifica-se ainda através dos gráficos apresentados na figura 5.15, 5.16, 5.17 e 5.18 que a velocidade axial é muito mais elevada junto às pás da turbina, existe uma grande variação desta componente entre os planos junto às pás e entre as pás. Esta diferença tende a aumentar com o caudal, se para um caudal de 0,18 na janela 1 se tem uma diferença de cerca de essa diferença atinge aproximadamente já para um coeficiente de 0,3 . A velocidade axial máxima é superior para os planos mais próximos à roda do que para os mais afastados, a velocidade mínima é assim superior para os planos mais afastados do que para os planos mais próximos. Outra característica facilmente confirmada através destes gráficos é que o valor máximo e mínimo ocorre sempre para a mesma posição de disparo do encoder, ou seja mesmo plano de medição. Nas medições efectuadas para a janela 3 verifica-se que a variação entre máximo e mínimo é muito menos intensa e que deste modo a velocidade axial é menos afectada pela segunda roda do que pela primeira. No caso de dos ensaios para um coeficiente de caudal de 0,18 a variação entre planos de medição é muito baixa, cerca de 0,5, e a variação entre secções é mesmo praticamente nula. Apenas para os ensaios relativos a um caudal de 0,3 se verifica um perfil das curvas de variação da velocidade axial média próximo aos obtidos para a janela 1 mas ainda assim com uma variação inferior. No caso das medições efectuadas para a segunda janela verifica-se que a oscilação da velocidade axial é muito baixa, e que essa oscilação se encontra em torno de 1. Apenas no caso dos ensaios realizados para um caudal de 0,25 estes valores se encontram um pouco acima de 1 levando a querer que estes ensaios foram realizados para um coeficiente de caudal ligeiramente acima de 0,25. Em relação aos gráficos obtidos através da extracção da variação das 3 componentes da velocidade ao longo de linhas igualmente afastados ao longo do plano de medição, apresentados em anexo, verifica-se que o perfil de variação da velocidade se encontra muito próximo de plano para plano o que mais uma vez é uma confirmação da qualidade dos resultados. Também através destes gráficos é possível confirmar que a velocidade axial é superior na região das pás, mais propriamente na região imediatamente antes da pá. A gama de velocidades tende a encurtar a medida que nos afastamos do plano de rotação. Nos gráficos obtidos para janela 1 e 3 observam-se diferenças significativas, o que seria de esperar devido à diferença do vector de entrada para as duas rodas. Se no caso do primeiro rotor o vector deverá ser completamente axial o que não é o caso para o segundo rotor. 68 Primeira janela Coeficiente Caudal 0.18 Variação % Coeficiente Caudal 0.25 Coeficiente Caudal 0.30 Plano1 Plano2 Plano3 Plano1 Plano2 Plano3 Plano1 Plano2 Plano3 1,012 1,011 0,956 0,972 1,002 0,995 0,960 1,005 1,024 0,019 0,018 0,037 0,018 0,012 0,005 0,036 0,009 0,028 Segunda janela Coeficiente Caudal 0.18 Variação % Coeficiente Caudal 0.25 Coeficiente Caudal 0.30 Plano1 Plano2 Plano3 Plano1 Plano2 Plano3 Plano1 Plano2 Plano3 0,993 0,988 0,983 1,010 1,003 0,991 1,056 1,061 1,053 0,005 0,000 0,005 0,009 0,002 0,010 0,001 0,004 0,003 Terceira janela Coeficiente Caudal 0.18 Variação % Coeficiente Caudal 0.25 Coeficiente Caudal 0.30 Plano1 Plano2 Plano3 Plano1 Plano2 Plano3 Plano1 Plano2 Plano3 0,907 0,894 0,912 0,985 0,961 0,967 0,997 0,994 1,001 0,003 0,011 0,008 0,014 0,010 0,004 0,000 0,003 0,004 Tabela 5. 3- Velocidade axial média na janela i adimensionalizada pela velocidade axial à entrada, . A seguir ao estator verifica-se que a velocidade axial se mantém aproximadamente constante, junto a região da pá (do estator) esta decai para cerca de 0,5 mas nos restantes planos tem uma variação apenas ligeira. O vector de saída do estator tem uma componente radial muito baixa, variando entre +0,12 e -0,20 sendo que nas medições efectuadas para a janela 1 esta variação encontra-se compreendida entre +0,35 e 0,71 observando-se assim uma redução de até 70% no caso do valor máximo. Em relação à componente tangencial, esta mantém-se aproximadamente constante para todos os planos e tem um valor de cerca de 0,76 para os três planos. Verifica-se assim a diferença do vector de entrada para o primeiro e segundo rotor. A posição ao longo da secção das áreas para onde a velocidade axial é máxima/mínima não varia consideravelmente com a posição da secção (a1, a2, a3). No entanto existe uma variação nítida no caso da velocidade radial e tangencial, a posição destas regiões marcadas a vermelho/azul têm uma tendência para sofre uma rotação no sentido contrário ao da rotação da roda. Esta variação também se dá em intensidade, que diminui à medida que nos afastamos do plano de rotação. Assim pode-se facilmente concluir que estas variações se devem a intersecção do plano (gráfico) com a esteira das pás da turbina. 69 a) Legenda 1 Rotor 1 2 Estator 3 Rotor 2 Primeira Janela (medições efectuadas a jusante do primeiro rotor) 4 Plano 1 5 Plano 2 6 Plano 3 Segunda Janela (medições efectuadas a jusante do estator) 7 Plano 1 8 Plano 2 9 Plano 3 Terceira Janela (medições efectuadas a jusante do segundo rotor) 10 Plano 1 11 Plano 2 12 Plano 3 b) Figura 5.20 - Posição dos planos paralelos ao plano de rotação para os quais serão apresentados os campos de velocidade. Na figura 5.20 são apresentados num diagrama as posições dos planos para os quais serão apresentados a distribuição de velocidade para o passo das rodas e estator da turbina. Na figura 5.20 a) é vísivel não só a posição destes planos como também a posição dos planos de luz, ou seja, dos planos de medição através de PIV. Na figura 5.21 apresentam-se 9 gráficos correspondentes às 3 componentes de velocidade obtidas para os ensaios realizados para a janela 1, para um coeficiente de caudal de 0,18 e para cada um dos 3 planos apresentados na figura 5.20 b). Os restantes gráficos serão apresentados em anexo devido à sua extensão, no total serão apresentados 81 gráficos. 70 a1) a2) a3) b1) b2) b3) 71 c1) c2) c3) Figura 5.21 - Distribuição da velocidade axial, radial e tangencial ao longo da secção da conduta (janela 1 – caudal 1, plano1, 2 e 3). a) Velocidade axial (plano 1, 2 e 3); b) velocidade radial (plano 1,2 e 3); c) velocidade tangencial (plano 1,2 e 3). 5.8. Problemas encontrados nos ensaios e sua resolução Desde o inicio do trabalho até a sua conclusão surgiram problemas que impuseram condições à sua realização e levaram ao prolongamento do tempo necessário à realização do trabalho. Existem basicamente dois parâmetros que levantaram maiores dificuldades na realização deste ensaio e que se impõem como cruciais à aplicação de PIV: eliminação das reflexões parasitas e a escolhas das partículas marcadoras. A eliminação das reflexões de laser é fundamental em PIV. Estas são responsáveis por uma redução da qualidade nas medições e também por potenciais danos nos sensores das câmaras utilizadas. A densidade de energia utilizada irá variar com as partículas utilizadas, mas de uma forma geral em PIV utilizam-se sempre densidades altas o que torna as reflexões de luz um problema comum na aplicação desta técnica. De modo a reduzir estas reflexões pintaram-se as condutas da turbina com tinta preta, no entanto, apesar de uma redução significativa da intensidade de luz reflectida esta continuava a ser demasiado forte. 72 Experimentou-se ainda a utilização de uma tinta fluorescente, a luz ao incidir numa superfície fluorescente deverá ser reflectida num comprimento de onda diferente. A utilização de filtros sobre as lentes das câmaras que apenas deixam passar luz com um comprimento de onda de 532 nm seria assim uma solução ao problema. Mas mais uma vez as reflexões continuavam demasiado intensas, de onde se pode concluir que apenas parte da luz incidente era reflectida num comprimento de onda diferente de 532 nm. Decidiu-se então adquirir um material apropriado, concebido propositadamente para este fim, o de eliminar reflexões de luz. Foi assim adquirido através da empresa Thorlabs um tecido aveludado tratado especificamente para a redução da reflexão de luz incidente. A utilização deste tecido permitiu uma redução drástica das reflexões mas ainda assim insuficientes para permitir a medição da velocidade junto à conduta interior sem correr o risco de danificar o equipamento. Por este motivo a área fotografada pelas câmaras teve de ser reduzida junto à parede. Este tecido, tem como contrapartida, no que diz respeito a PIV, provocar brilhos localizados que são tratados como partículas no escoamento, produzindo vectores aberrantes. Estes podem ser eliminados aplicando um filtro que elimina vectores que se afastem demasiado do vector médio, no entanto estes brilhos podem ainda ofuscar partículas que produziriam vectores correctos úteis à medição. A utilização de veludo autocolante surgiu como uma alternativa vantajosa, uma vez que permite uma redução das reflexões similar e não produz brilhos localizados que serão depois tratados como partículas. Para além desta vantagem o veludo autocolante é muito mais barato. Figura 5.22 - Fotografia de estrutura em cartolina Ainda para eliminar as reflexões de luz na conduta exterior da parede foi construído uma simples, mas eficaz, estrutura em cartolina e instalada como se mostra na figura 5.23. O veludo auto-colante foi ainda colocado na superfície das janelas, na zona de contacto entre a estrutura em cartolina e as janelas de modo a eliminar as reflexões na janela. O pó de talco tem tendência para se acumular no veludo e superfície interior da janela, por este motivo ao fim de 4 a 6 ensaios consecutivos o equipamento tinha de ser desligado para se limpar a janela e substituir o veludo autocolante. 73 Inicialmente o suporte do encoder foi montado directamente sobre o veio da turbina. O suporte fixo à craveira não tem liberdade de movimento e o veio que o atravessava pelos dois rolamentos também não tinha liberdade de movimento. A turbina chegou a ser ensaiada a 2000 rpm pelo que um empenamento provocou uma fractura por fadiga do material. A peça foi recuperada e um novo encoder foi adquirido. De forma a evitar este problema utilizou-se um veio separado fixo no suporte do encoder e ligado ao veio da turbina através de uma união elástica. Deste modo pequenos empenos e vibrações não serão suficientes para provocar a fractura do veio. Durante os primeiros ensaios com pó de talco surgiu ainda outro problema. O escoamento atravessa uma câmara de pleno onde existem favos de abelha que têm a função de eliminar o swirl introduzido pela passagem pelos rotores da turbina escoamento. A seguir a estes, existe ainda uma fina rede. O etilenoglicol que tinha sido usado anteriormente não evaporou e acumulou-se nas paredes da conduta e também na rede. Desta forma o pó de talco utilizado nos ensaios acumulou-se aí, levando ao entupimento da instalação. Por este motivo esta rede teve de ser removida. Figura 5.23 - Fotografia da rede entupida. 74 75 Capítulo 6 Conclusões A presente dissertação caracterizou o escoamento numa turbina Wells biplano utilizando a técnica PIV. Os dois rotores têm quatro pás cada um e o estator intermédio tem 19 pás. Os ensaios foram realizados para três posições distintas: uma para uma posição imediatamente a seguir ao primeiro rotor (janela 1), a segunda a seguir ao estator (janela 2) e finalmente uma outra a seguir ao segundo rotor da turbina (janela 3). Para isso foram instaladas três janelas ao longo da conduta exterior da turbina. Os ensaios foram realizados para três coeficientes de caudais diferentes: 0,18, 0,25 e 0,30. Estes coeficientes foram escolhidos em função do ponto óptimo de funcionamento da turbina que verificou-se encontrar para um valor próximo de 0,22. O coeficiente de caudal 0,30 é um ponto de funcionamento após entrada em perda da turbina. Foram obtidos mapas de vectores de velocidade instantâneos em planos perpendiculares ao eixo de rotação, para cada uma das três posições axiais, com um detalhe que não é possível com recurso a técnicas experimentais mais comuns como a utilização de tubos de Pitot. Os planos escolhidos para a medição dos vectores velocidade não foram paralelos às linhas de corrente do escoamento. Desta forma, o tempo entre fotografias de uma mesma medição teve de ser reduzido para garantir que as partículas fotografadas no primeiro pulso de luz estão presentes também na fotografia do segundo pulso. Esta redução do tempo entre fotos implica uma redução no deslocamento das partículas e assim, um aumento do erro associado ao cálculo da sua posição. Uma forma de melhorar este problema pode passar pelo projecto de condutas com janelas cuidadosamente seleccionadas, posicionadas de forma a permitir o estudo do escoamento em pontos especialmente interessantes e que permitam a criação de um plano de luz o mais próximo possível de uma posição paralela ao deslocamento esperado. Uma solução talvez mais eficaz pode ser encontrada em [16], onde se usa uma sonda cuja posição no interior da conduta para criação do plano de luz é controlada por um braço articulado. Neste trabalho é utilizada apenas uma câmara (2D) o que permite uma mais fácil variação da posição da câmara em função da posição do plano de luz. A estrutura utilizada no suporte das câmaras e do laser permitiu um posicionamento preciso em torno do eixo da turbina. No entanto, é uma estrutura muito pesada tornando o seu deslocamento muito difícil. Desta forma, caso se pretenda aplicar esta técnica de forma regular em diversas configurações de turbinas, poderá ser justificável a aquisição de um suporte de câmaras automatizado que permita o seu posicionamento de forma rápida e precisa. Em futuros trabalhos, é aconselhável o uso de estruturas de suporte dos alvos de calibração e dos próprios alvos mais robustas. As estruturas utilizadas para o trabalho revelaram-se frágeis, tal como os próprios alvos, que ao fim de vários meses de trabalhos se danificaram. As calibrações conseguidas nos ensaios finais não foram feitas de forma ideal mas, permitiram resultados com grande qualidade. Sugere-se a construção de 76 suportes e alvos em aço com ligações roscadas. O sistema de fixação à conduta interior deverá também ser mais sofisticado, eventualmente também com ligações roscadas. A solução ideal poderá passar mesmo por trabalhar mecanicamente a conduta interior de forma a não ser necessário um suporte. Desta forma será possível poupar imenso tempo para a realização das calibrações e melhorar a qualidade das mesmas, uma vez que são um elemento chave nesta técnica. Uns dos aspectos fundamentais para o sucesso de qualquer experiência utilizando a técnica de PIV são as partículas utilizadas para calcular a velocidade do escoamento. Das várias experiencias realizadas ficou claro que as partículas de fumo e de etilenoglicol não são adequadas para esta aplicação. Deve-se claramente recorrer ao uso de partículas sólidas. No presente trabalho experimental foram utilizadas partículas de pó de talco. A melhor solução encontrada para dispersar partículas de forma uniforme no escoamento foi um gerador do tipo ciclone. Contudo, o gerador de partículas encontra-se ligado a um depósito de ar pressurizado. Sempre que a pressão no seu interior cai abaixo de um limite pré-definido, no caso cerca de 2 bar, é accionado um compressor que cessa o seu funcionamento no momento em que a pressão atinge o limite superior definido pelo utilizador, no caso cerca de 5 bar. A diferença entre o limite máximo e mínimo é de cerca de 3 bar. Assim, a quantidade de partículas inserida no escoamento depende mais da pressão do ar no depósito do que da quantidade de partículas no interior do gerador. Um controlo de caudal mais apertado ou um depósito com maior capacidade poderá minorar este problema. Comprovou-se também que o uso de um sistema electrónico baseado num encoder incremental óptico é uma boa solução para a sincronização da posição da turbina com o equipamento PIV. Este sistema é relativamente barato e permite uma resolução angular adequada ao trabalho realizado. De uma forma geral a qualidade dos resultados foi boa como se comprova a partir da pequena diferença entre a variação do caudal medido através de PIV e os valores medidos através dos manómetros de pressão. Verificou-se que a variação média é de cerca de 2,7%. Apenas para as medições referentes à janela 3 e para o caudal de 0.18 se obtém variações mais significativas, próximas de 10%. Esta discrepância deve-se muito provavelmente a um erro na leitura dos valores dos manómetros durante as medições. A qualidade dos resultados confirma também que o passo escolhido entre os diferentes planos de medição é suficientemente pequeno para uma análise correcta do escoamento. Os mapas tridimensionais dos vectores velocidade obtidos confirmam a elevada qualidade dos resultados. Da análise dos resultados verifica-se ainda que a velocidade axial é muito mais elevada junto às pás da turbina, pois existe uma grande variação desta componente entre os planos junto às pás e entre as pás. Esta diferença tende a aumentar com o caudal. A velocidade axial máxima é superior para os planos mais próximos à roda do que para os mais afastados. Garantindo a conservação do caudal, a velocidade mínima é assim superior para os planos mais afastados do que para os planos mais próximos. Outra característica facilmente confirmada através destes gráficos é que o valor máximo e mínimo ocorre sempre para a mesma posição de disparo do encoder, ou seja, no mesmo plano de medição. 77 Bibliografia [1] C.S. Ferreira, G.v. Kuik, G.v. Bussel F.Scarano, Visualization by PIV of dynamic stall on a vertical axis wind turbine, Artigo de investigação, Delft University of Technology, Kluyverweg, 2008. [2] F. Massouh, I. Dobrev, Exploration of the vortex wake behind of wind turbine rotor, The Science of Making Torque from Wind, Artigo de investigação, Journal of Physics: Conference series 75, 2007. [3] J.M. Gagnon, M. Iliescu, G.D. Ciocan, C. 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Wernet, Application of DPIV to study both steady state and transient turbomachinery flows, National Aeronautics and Space Administration, Glenn Research Center, Cleveland, 2001. 78 Anexos a1) a2) a3) b1) b2) b3) Anexo A.1 – (continua na página seguinte) 79 c1) c2) c3) Anexo A.1 - Distribuição da velocidade axial, radial e tangencial ao longo da secção da conduta (janela 1 – caudal 2, plano1, 2 e 3).a) Componente radial (Plano 1,2 e 3); b) componente axial (Plano 1,2 e 3); c) componente tangencial (Plano 1,2 e 3) 80 a1) a2) a3) b1) b2) b3) Anexo A.2 – (continua na página seguinte) 81 c1) c2) c3) Anexo A.2 - Distribuição da velocidade axial, radial e tangencial ao longo da secção da conduta (janela 1 – caudal 3, plano1, 2 e 3). a) Componente radial (plano 1,2 e 3); b) componente axial (plano 1,2 e 3); c) componente tangencial (plano 1,2 e 3). 82 a1) a2) a3) b1) b2 b3) Anexo A.3 – (continua na página seguinte) 83 c1) c2) c3) Anexo A.3 - Distribuição da velocidade axial, radial e tangencial ao longo da secção da conduta (janela 2 – caudal 1, plano1, 2 e 3); a) Componente radial (plano 1,2 e 3); b) componente axial (plano 1,2 e 3); c) componente tangencial (plano 1,2 e 3) 84 a1) a2) a3) b1) b2) b3) Anexo A.4 – (continua na página seguinte) 85 c1) c2) c3) Anexo A.4 - Distribuição da velocidade axial, radial e tangencial ao longo da secção da conduta (janela 2 – caudal 2, plano1, 2 e 3); a) Componente radial (plano 1,2 e 3); b) componente axial (plano 1,2 e 3); c) componente tangencial (plano 1,2 e 3). 86 a1) a2) a3) b1) b2) b3) Anexo A.5 – (continua na página seguinte) 87 c1) c2) c3) Anexo A.5 - Distribuição da velocidade axial, radial e tangencial ao longo da secção da conduta (janela 2 – caudal 3, plano1, 2 e 3); a) Componente radial (plano 1,2 e3); b) componente axial (plano 1,2 e 3); c) componente tangencial (plano 1,2 e 3). 88 a1) a2) a3) b1) b2) b3) Anexo A.6 – (continua na página seguinte) 89 c1) c2) c3) Anexo A.6 - Distribuição da velocidade axial, radial e tangencial ao longo da secção da conduta (janela 3 – caudal 1, plano1, 2 e 3); a) Componente radial (plano 1,2 e 3); b) componente axial (plano 1,2 e 3); c) componente tangencial (plano 1,2 e 3). 90 a1) a2) a3) b1) b2) b3) Anexo A.7 – (continua na página seguinte) 91 c1) c2) c3) Anexo A.7 - Distribuição da velocidade axial, radial e tangencial ao longo da secção da conduta (janela 3 – caudal 2, plano1, 2 e 3); a) Componente radial (plano 1,2 e 3); b) componente axial (plano 1,2 e 3); c) componente tangencial (plano 1,2 e 3). 92 a1) a2) a3) b1) b2) b3) Anexo A.8 – (continua na página seguinte) 93 c1) c2) C3) Anexo A.8 - Distribuição da velocidade axial, radial e tangencial ao longo da secção da conduta (janela 3 – caudal 3, plano1, 2 e 3); a) Componente radial (plano 1,2 e 3); b) componente axial (plano 1,2 e 3); c) componente tangencial (plano 1,2 e 3). 94