O USO DAS RODAS PEDAGÓGICAS COMO INSTRUMENTO PARA A GESTÃO DE UM CURSO NA MODALIDADE A DISTÂNCIA Ana Maria da Silveira Turrioni Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI [email protected] ou [email protected] Eliana de Fátima Souza Salomon Benfatti Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI [email protected] Rita de Cássia Magalhães Trindade Stano Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI [email protected] João Batista Turrioni Universidade Federal de Itajubá – UNIFEI [email protected] Abstract. This paper describes the use of one approach named “Pedagogical Circle” with the objective of evaluate the management process of one postgraduate course using distance learning. First a theoretical foundation was developed using papers about management of technological projects. After that the approach was used to improve the participation of the team in the project. The results showed that the approach reach the specifications of the theoretical base. Resumo. Este artigo descreve a utilização da abordagem denominada “Roda Pedagógica” com o objetivo de realizar a avaliação da gestão do curso de Especialização Gestão de Pessoas e de Projetos Sociais na modalidade Ensino a Distância. Inicialmente é realizada uma fundamentação teórica com base em fontes que tratam a gestão de projetos de base tecnológica. A seguir é utilizada a Roda Pedagógica com a finalidade de envolver os participantes do projeto no aperfeiçoamento da gestão do mesmo. A técnica utilizada mostrou-se adequada quando comparada com os requisitos estabelecidos na fundamentação teórica. 1. INTRODUÇÃO A Educação a Distancia (EaD), com o uso de novas tecnologias de informação e comunicação, é uma modalidade de ensino que vem recebendo muita atenção por parte de instituições públicas e privadas. As vantagens na adoção desta modalidade são inúmeras, sendo que as que têm sido mais discutidas são a facilidade de acesso e a flexibilidade que os alunos têm para programarem as atividades de formação de acordo com suas disponibilidades de tempo. Entretanto, o caminho para a consolidação desta modalidade de ensino nas Instituições está se mostrando difícil e cheio dos obstáculos. Assim, faz-se necessária uma discussão de instrumentos para a gestão destes projetos em EaD de forma a permitir sua institucionalização. Este artigo discute uma alternativa para apoiar o processo de gestão destes projetos, tendo como objetivo principal analisar a adequação do uso de atividades denominadas como “Rodas Pedagógicas” no apoio ao processo de gestão desta modalidade de educação. Esta proposta justifica-se em função dos diversos fatores que impactam a sustentabilidade deste tipo de projeto, entre os quais se destacam: a multifuncionalidade das equipes, a falta de infraestrutura adequada nas instituições, as inovações tecnológicas introduzidas, a formação do pessoal que atuará no processo, a resistência dos docentes que não aceitam a quebra do paradigma do ensino presencial. Assim, com todos estes obstáculos, discutir como atuar na gestão é uma forma de garantir continuidade e qualidade desta modalidade de ensino, bem como um dos aspectos fundamentais para as instituições públicas e privadas que estão desenvolvendo propostas em EaD. A pesquisa foi desenvolvida a partir da experiência vivenciada na Universidade Federal de Itajubá – UNIFEI, no curso de especialização a distância em Gestão de Pessoas e de Projetos Sociais, que já vem adotando a prática das denominadas Rodas Pedagógicas no período de 2008 a 2010. Este trabalho relata o uso desta prática para a discussão e apoio à gestão deste curso e foi desenvolvido a partir de dados coletados nas Rodas Pedagógicas como instrumento de gestão participativa. 2. A GESTÃO DE MUDANÇAS NA EDUCAÇÃO A educação é um setor onde as mudanças são realizadas de forma lenta, o que contrasta com a realidade de outros setores sociais. Este aspecto surpreende uma vez que os profissionais que atuam no setor educacional primam por sua capacitação sendo que este é um requisito básico para o exercício profissional neste setor. Segundo Moran (2008) as mudanças no setor educacional dependem da gestão institucional, mas também de mudanças de cada individuo no sentido da adoção de atitudes diferentes diante da profissão e da carreira profissional. O desenvolvimento destas atitudes depende do perfil profissional de cada individuo que normalmente se caracterizam em automotivados e desmotivados. Os primeiros são mais ativos e não se detêm diante dos obstáculos, os segundos são mais dependentes precisam ser monitorados, orientados, dirigidos. Com base nesta observação Moran (2008) propõe 4 posturas profissionais: Indiferentes – são aqueles que não mudam, simplesmente porque desconhecem que a mudança está acontecendo. Previsíveis – são aqueles que aprendem o modelo e tendem a repeti-lo permanentemente. Proativos – são os que buscam soluções alternativas, novas tecnologias e a implantação de mudanças. Acomodados – são os que não assumem o compromisso com a mudança e resistem às propostas nesta direção. É importante ressaltar que a atitude das pessoas não é inata, elas podem ser aprendidas modificadas, não são definitivas, assim as posturas profissionais podem mudar em função das ações que são desenvolvidas com a equipe durante a implantação do projeto. A mudança deve ocorrer em direção à postura proativa como apresentado na tabela 1. Tabela 1. Posturas profissionais durante a mudança organizacional Passivo Ativo Inconsciente Consciente INDIFERENTES ACOMODADOS PREVISÍVEIS PROATIVOS Para Oliveira (2010) a mudança organizacional pode ser entendida como fruto de uma ruptura que pode gerar contradições por estar baseada no construto social anterior gerando no indivíduo uma situação de impasse: modificar seus valores ou conservá -los resistindo aos novos projetos. As pessoas não resistem à mudança propriamente dita, mas a possibilidade de saída da zona de conforto. As causas da resistência estão relacionadas a diferentes percepções da realidade e as incertezas que ameaçam interesses próprios. Este complexo fenômeno precisa ser efetivamente considerado na implantação de novos projetos com ênfase em inovação tecnológica. Por isso, um dos fatores mais importantes no processo de mudança é a atitude das pessoas, que devidamente esclarecidas podem apoiar a implantação. Bassani et al (2003) destacam a necessidade de capacitação do pessoal para o desenvolvimento de projetos de base tecnológica. A base para o processo de mudança passa então por um processo que conta com os seguintes meios: Preparar os participantes em termos de competência e motivação. Aumentar a satisfação dos envolvidos no projeto. Manter políticas éticas e de comportamento socialmente responsável. Neste contexto Bassani et al (2003), propõem o desenvolvimento dos seguintes processos de apoio a mudança: Agregar pessoas; Desenvolver pessoas; Recompensar pessoas; Monitorar pessoas; Manter pessoas. Com base nestes processos são então identificadas forças impulsionadoras e forças restritivas para o sucesso do processo de mudança: Forças impulsionadoras – Esclarecimento da contribuição individual no processo de mudança, melhoria das condições de trabalho dos envolvidos, comprometimento da equipe. Forças restritivas – Falta de liderança, pouca ênfase na capacitação, excesso de atividades realizadas simultaneamente. Albertin e Amaral (2010) discutem fatores críticos para projetos inovadores, identificando como os seguintes fatores universais de sucesso: Confiança mútua; Compromisso; Flexibilidade; Aprendizado; Continuidade; Boas relações na equipe de trabalho; Liderança. Silva(2009) ao analisar o processo de gestão na implantação de processos inovadores em uma Faculdade de Medicina, conclui que a adoção de um sistema de gestão onde a comunicação institucional seja otimizada de forma a melhorar a capacidade de dialogar, pode levar a uma maior delegação de responsabilidades e conseqüentemente uma maior capacidade de gestão. Estes trabalhos fornecem a base referencial que apoiou a análise da utilização das Rodas Pedagógicas como instrumento de mudança e aperfeiçoamento do processo de gestão dentro do curso de Especialização em Gestão de Pessoas e de Projetos Sociais da UNIFEI. 3. O uso das Rodas Pedagógicas como instrumento de apoio a melhoria do processo de Gestão no Curso de especialização a distância em Gestão de Pessoas e de Projetos Sociais da UNIFEI. 3.1 As Rodas Pedagógicas As Rodas Pedagógicas são um instrumento de envolvimento e integração dos participantes do projeto do curso de especialização a distancia em Gestão de Pessoas e de Projetos Sociais. Participam desta atividade todos os envolvidos com o projeto, ou seja, professores, tutores, técnicos e assistentes administrativos. As atividades são realizadas mensalmente e já tem a sua programação definida anualmente, com os temas e datas de realização a fim de garantir a participação de todos os envolvidos. Não apenas a participação dos envolvidos como, a cada roda pedagógica, a temática definida corresponde ao que o participante sugere, sempre de acordo com suas singularidades e suas habilidades como profissional ou como praticante de algum “hobby” ou atividade extraescolar que lhe dê satisfação. Assim a idéia da Roda Pedagógica é de explorar outras qualidades e habilidades da equipe no sentido de propiciar espaço para refletir sobre o projeto do curso, a partir de uma ótica singular como culinária, pintura, literatura e outros conforme as singularidades dos sujeitos que compõem a equipe de trabalho. Nestas atividades são discutidas desde questões pedagógicas e administrativas, inseguranças e temores até formas de melhorar a integração da equipe. Como as reuniões são abertas e participativas diversas atividades foram sendo desenvolvidas no decorrer do ano, cada uma com uma dinâmica, usando recursos didáticos diferenciados (pincéis, violão e voz, ingredientes culinários entre outros temas). Ao final de cada Roda Pedagógica faz-se uma avaliação e síntese da mesma e ali surgem necessidades antes não observadas que provocam, por vezes, a redefinição da programação anual das próximas Rodas Pedagógicas. Assim surgiu a proposta de discussão da forma como o projeto estava sendo conduzido a fim de fortalecê-lo como proposta de uma gestão diferenciada, garantindo a melhoria dos resultados esperados. A partir desta proposta realizou-se a Roda Pedagógica Intitulada “O Iceberg e a Gestão da EaD”. Este artigo relata os resultados obtidos e a forma como os mesmos foram utilizados pela Coordenação do Curso. 3.2 – Roda Pedagógica: O Iceberg e a Gestão da EaD O curso de especialização a distancia em Gestão de Pessoas e de Projetos Sociais tem duração de 18 meses e já vem sendo realizado desde julho de 2007, tendo formado mais de 250 especialistas, sendo considerado como um dos melhores programas de formação na modalidade de ensino a distância em avaliação conduzida pelo MEC em junho de 2010. A roda pedagógica para a discussão do processo de Gestão contou com a participação de 27 pessoas (o grupo é composto por 34 pessoas entre professores, tutores, técnicoadministrativos) sob a responsabilidade da revisora do curso e de uma docente do referido curso e foi estruturada a partir do conceito de Iceberg que é apresentado na figura 1. Nele pode ser visto a proposta colocada para os participantes, ou seja, a identificação daqueles fatores de gestão que eram invisíveis a coordenação, uma vez que estavam submersos dificultando a visualização dos mesmos. Figura 1. Iceberg 3.3 – Dados Coletados A Roda Pedagógica para a discussão dos problemas de Gestão do Projeto “Curso de Especialização a Distância em Gestão de Pessoas e de Projetos Sociais” (CEGPPS) foi estruturada em três momentos. No momento inicial os condutores da atividade apresentaram um vídeo com a as características de um Iceberg e um texto apresentando a analogia entre o Iceberg a Gestão do Projeto CEGPPS. A seguir, os participantes foram convidados a se reunir em grupos e responder as questões propostas que foram as seguintes: a) Qual a importância da Gestão dentro do processo de Ensino-Aprendizagem a distância? b) Quais são os fatores que impactam a Gestão Processo de Ensino-Aprendizagem a distância? c) Quais as mudanças necessárias na gestão do processo, quando ocorre a alteração da modalidade presencial para a modalidade a distância? d) Quais as mudanças propostas para o Projeto CEGPPS? As respostas obtidas são apresentadas na tabela 2, de forma a permitir a análise por parte da coordenação. Tabela 2. Respostas obtidas na consulta aos participantes do projeto A GRUPO 01 Conduzir atividades de apoio ao projeto B C Modalidade a distância Falta de Recursos. Falta de infraestrutura Institucional GRUPO 02 Desenvolver e implantar novas tecnologias Falta de uma política Institucional Insegurança em relação a sustentabilidade do projeto GRUPO 03 Estabelecer atividades que permitam a transposição do presencial para o virtual Falta de comunicação entre os participantes do projeto D Eliminar a função centralizadora do professor. Apoiar a solução de problemas técnicos. Eliminar atitude conservadora. Definir a estrutura organizacional do projeto. Contratação de docentes para atuação integral na modalidade a distância. Compartilhar as experiências realizadas. Revisão do Projeto Pedagógico. Repensar os ambientes de aprendizagem. Repensar as mudanças necessárias para a nova modalidade de ensino. Incentivar as Rodas Pedagógicas. Buscar novas tecnologias de informação e comunicação. Falta de infraestrutura GRUPO 04 Articular o foco das atividades de forma a garantir a realização dos objetivos planejados Falta de clareza nos objetivos. Rotatividade de pessoal. Repensar atividades de envolvimento dos alunos. Estabelecer procedimentos para condução das disciplinas. Revisar o processo seletivo. A análise das respostas obtidas demonstra que as mesmas podem ser divididas em 03 grupos: Questões ligadas à infraestrutura e tecnologia Questões ligadas aos envolvidos no projeto Questões ligadas aos procedimentos para a gestão do projeto. Na Questão A o foco ficou na infraestrutura e tecnologia, ou seja, para os participantes a principal atividade da equipe de gestão é a introdução de novas tecnologias. Em uma primeira análise esta resposta pode ser considerada preocupante, uma vez que nem os integrantes do projeto conseguem perceber claramente qual seria a finalidade do processo de gestão, colocando o foco na introdução de novas tecnologias, como se as tecnologias em si pudessem sustentar um projeto de cunho educacional e formativo. Na Questão B, novamente o grupo focou a falta de infraestrutura, demonstrando que este aspecto realmente assume um papel fundamental na percepção dos participantes. Entretanto, surge também a questão da integração com a Instituição, destacando a sensibilidade dos participantes em relação à falta de apoio Institucional. Na Questão C, o destaque foram os aspectos ligados aos envolvidos no projeto, apresentando propostas relativas à postura dos professores e dos alunos e direcionando a discussão das mudanças necessárias para aspectos ligados à capacitação do pessoal para trabalhar no novo ambiente educacional. Finalmente, a Questão D apresenta sugestões ligadas aos três aspectos citados, demonstrando a riqueza dos resultados obtidos, pois os participantes conseguiram identificar aspectos ligados à tecnologia, às pessoas e ao sistema de gestão. 3.4 Ações da coordenação decorrentes da análise dos dados. Após a realização da Roda Pedagógica o “ O Iceberg e a Gestão da EaD” a coordenação do projeto, mediante os resultados das discussões, decidiu desenvolver as seguintes atividades: 1- Solicitação de Apoio institucional para a alocação de uma área adequada para a consolidação da infraestrutura do projeto. 2- Redefinição de estrutura organizacional com o estabelecimento das funções de todos os envolvidos no projeto. 3- Consolidação das atividades de acompanhamento do projeto, e retorno aos envolvidos sobre os aperfeiçoamentos necessários. 4- Revisão dos critérios na seleção dos candidatos aos novos cursos. 5- Revisão do processo de seleção de tutores. 6- Incentivo à publicação de pesquisas relacionadas ao andamento do projeto. 3.5 Análise dos resultados A coordenação usou todas as informações obtidas durante a Roda Pedagógica “O Iceberg e a Gestão da Ead”, a atividade foi gravada e os participantes do projeto podem retornar à informação e analisá-la sempre que o desejarem. Os envolvidos no projeto tiveram oportunidade de dialogar com a coordenação e desta forma puderam se sentir como parte do processo de mudança, o que pode trazer mudanças nas posturas profissionais de cada um. Todas estas ações foram implantadas, demonstrando que a liderança do projeto estava atenta às observações dos participantes, o que pode refletir positivamente na participação maior de todos nas próximas Rodas Pedagógicas. Foram desenvolvidos textos científicos relatando os resultados obtidos com a utilização das Rodas Pedagógicas, conforme propostas elaboradas durante a realização das mesmas. 4. Considerações Finais Os resultados obtidos confirmam a teoria analisada neste trabalho, pois ficaram claras algumas das considerações propostas pelos trabalhos já publicados relacionados ao processo de mudança, a saber: Adoção de Gestão Participativa (Silva, 2009), evidenciada pela construção coletiva das ações necessárias para o processo de gestão do projeto em análise. Confiança mútua, compromisso, boas relações na equipe de trabalho, liderança (Albertin e Amaral, 2010), evidenciada pela participação de toda a equipe do projeto e pela implantação das ações propostas. Mudança para a postura proativa (Moran, 2008), evidenciada pela elaboração e proposição deste artigo, que foi desenvolvido por integrantes do projeto analisado. Todas estas evidências permitem a consideração que as Rodas Pedagógicas se constituem em um instrumento eficaz para a condução de mudanças no processo de gestão de um projeto de implantação e consolidação de um curso na modalidade a distância. Ou seja, esta Roda Pedagógica contribuiu para fortalecer a própria Roda Pedagógica como um dos meios para se efetuar a gestão do grupo. 5. Agradecimentos Os autores deste artigo agradecem ao apoio da CAPES através das bolsas que apóiam a implantação do projeto. A FAPEMIG pelo apoio ao desenvolvimento do trabalho e a participação no congresso. A UNIFEI, pelo apoio através do fornecimento da infraestrutura necessária para a consolidação do projeto. E a coordenação do curso de especialização em Gestão de Pessoas e de Projetos Sociais, pela capacidade de liderança e coragem em conduzir este processo de mudança tão ambicioso e complexo. Referências Bibliográficas ALBERTIN, V. A.; AMARAL, D. C. Contexto da parceria como qualificador da gestão de projetos universidade-empresa. Produção, São Paulo, v.20, n.2, p. 224-236, 2010. BASSANI, D.T.L.; NIKITIUK, S.; QUELHAS, O. A empresa como sede do conhecimento. Produção, São Paulo, v.13, n.2, p. 42-56, 2003. MORAN, J. M. A educação que desejamos: novos desafios e como chegar lá. 3ª edição Campinas: Papirus, 2008. OLIVEIRA, O.J.; PINHEIRO, C.R.M.S. Implantação de sistemas de gestão ambiental ISO 14001: uma contribuição na área de gestão de pessoas. Gestão & Produção, São Carlos, v.17, n.1, p. 51-61, 2010. SILVA, R. H. A. Avaliação do processo de gestão na implantação de processos inovadores na Faculdade de Medicina de Marília: Aspectos da resiliência docente e discente. Avaliação, Campinas, v.14, n.2, p.471-485, 2009.