PETROBRÁS
SERVIÇO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL
MEMÓRIA DA PETROBRÁS
FUNDAÇÃO G~TÜLIO VARGAS
CENTRO 'tm PESQUISA E DOCUMENTAÇÃO
DE HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA DO BRASIL
Henrique Miranda
(depoimento)
MIRANDA, Henrique. Henrique Miranda
(depoimento; 1987) . Rio de Janeiro,
CPDOC/FGV - SERCOM/Petrobrás, 1988.
73p. dato
("Projeto Mem6ria da Pe-
trobrás" )
Proibida a publicação no todo ou em
parte; permitida a citação.
Permitida a cópia xerox.
A citação deve ser textual, com indicação de fonte.
Ij
1988
.
ficha técnica;
tipo de entrevista:
entrevistadores:
temática
Plínio de Abreu Ramos e José Luciano Mattos
Dias
levantamento bibliográfico e roteiro:
Plínio de Abreu Ramos e
José Luciano de Mattos Dias
conferência da transcrição:
sumário:
texto:
José Luciano de Mattos Dias
Leda Maria Marques Soares.
leitura final:
José Luciano de Mattos Dias
técnico de som:
datilógrafa:
local:
data:
José Luciano de Mattos Dias
Clodomir
Olivei~a
Gomes
Márcia de Azevedo Rodrigues
Rio de Janeiro - RJ
setembro de 1987
duração:
2 hs
fitas cassete:
15 min
03
páginas datilografadas:
73
Esta entrevista foi realizada na vi
gência do convênio entre o CPDOC/FGV
e o SERCOM/Petrobrás. É obrigatório
o crédito as instituições mencionadas.
Clube Mil·i tar: a caminhada pela avenida Rio' Branco
até o CEDPEN; a pressão popular sobre a Câmara dos
Deputados durante a Campanha do Petr6leo; a posi~
ção da imprensa na campanha; os generais Raimundo
Sampaio e Estevão Leitão de Carvalho; partidipação
do entrevistado na Campanha do Petr61e01; estrutura
organizacional do CEDPEN;. o r-e Laoionamérit;o doCEDPEN
'com as câmaras mun i.c í.pa i.sr a expulsão<jIe Ma~os Pimenta do Centro de Estudos e Defesa do Petroleo; a
fundação de Emancipação;' 'par t'Lc í.paçâordo entrevi§.
tado na direção doperi6dico; a amplitude da frente única; o Estatuto do Petr6leo na câmara Fede~
r-a Lr a oposição à mensagem en t r equ.i.s t.e 'de, Dutra;'
as repercussões da 'ordÊúü do general Canrobert ' Pereir~ da Costa dentro do Exército; o Plano' Salte;
a mensagem de Vargas de criação;
da
,P~trobr~s
(1951); o rompimento com Matos Plmenta;ra mensagem
de 'Vargas; o substutivo Euzébio Roc hare a "'posição
do Centro do Petr6leo nas eleições
presidenciais
de1950; a articulação' da elelção, de' membros 'do
Centro para as câmaras dos neput.edo s'« e: dos Ve r'e'a-:
'dores; caracterização 'dos candidatos à presidência
'da República; a emenda
Bilac
Pinto
;!a:;:posição
'da
.
.'
. ,
, ..
I
.
-,.
.
UDN durante â Campanha do Petroleo;o,âcordo entre
.Ge t.ú L'i.o e o Centro do Petróleo no gabinete , deCa[pariema r o governo de Juscelino; o' Acordo Militar
'Brasil-Estados Unidos; a pressão da ,"guerra-fria "
sobre os militares; a gestão de Estillac; adesão
dos deputados
,à Campanha
do Petr6leodurante
ogo,
,
,
I
•
verno Vargas; o governo Vargas; a composlçao so'cial da Campanha do Petr6leo; difusão· da campanha
nas associações de bairro; governadores que combateram a campanha' durante o governo " Du t r-a r- ameaças
ao monopólio estatal após sua implantação.
Entrevista:5u24~~9.1987~
P.R. -Miranda! hossapii~eirape~gunta ~ a seguinte:: em
,
:
.
que epoca e em· que
Ao
~'!. ';_~
c~rcunstanc~as
i
se deu o seu primeiro en
volvimento com:o problema ~rasileiro do petr61eo?
H.M. - Em primeiro lugar, dada à relevância do problema do
abastecimento de petróleo 'no curso da Guerra
Mundial,
Por~m,
tive a minha atenção levada para este assunto.
termos de preocupação com o problema nacional
do
eu
em
petr6-
leo, eu indicaria a ~poca de meados do ano de 1947,dizendo
melhor, julho-agosto de '47, quando se realizaram no
Clube
Militar as conferências'de Juarez Távora, seguidas das cOll
ferências - tamb~m no plural - memoráveis do general Horta
Barbosa.
Foi então que eu realmente passei
a
estudar
o
problema nacional do p~tr61eo e as quest6es a ele relati~
vas: como a questão do
~bastecimento,
o peso da importân-
I
cia em d61ares para a importação do famoso 61eo negro e as
quest6es de ordem t~cnica e de ordem financeira.
P.R. -Mas nos anos 30, por exemplo, a Constituinte de 34
estabeleceu na Constituição uma distinção entre a propriedade do solo e a propriedade do subsolo.
Pode-se presumir
que naquela ~poca o problema do petróleo já havia extrapolado da área do Poder Executivo e sensibilizado
de
certa
forma o meio parlamentar?
H.M. - A imprensa sempre focalizou a questão do
petr61eo.
Se consultarmos, por exemplo, as coleç6es
dos
Biblioteca Nacional, que são as melhores,
veremos
questão do abastecimento do petróleo, como
sempre uma preocupaçao.
eu
jornais
que
dizia,
na
a
era
Agora, foi no curso da Guerra Mun
dial que o problema se tornou agudo, porque nasceu a questão da vinda do pet ró Leo pelos navios petroleiros, na qua.l
02
o Esta~o-Maior das Forças Armad~s tixou
suas at~nç~es.
as
de
Havia inclusive um projeto do general Manuel
em
resolveria
construção de uma estrada litorânea, que
"i
grande pa-rte;o problema da distribuição nacional do petróI
leo, então totalmente importado .
. ',i'
Depois da Guerra Mundial ~<ainda em 45,
COITI
mui to, maior força, as discussões
o
se aprofundaram
das Forças Armadas e, em consequencia,
com ~ais ~nfase,
. .
......
,
..
'
'
Isto
oplnlao publlca.
notadaméht.e
por exemplo, a atuação de ~ITI Cordeiro,
":'.'.
,
,
i
.
,
'
petróleo
de,qu~lquer
maneira.
i
disêúss~es;setravaram.
'
\
É de Lembr a rva
posição
...
.'
tériodaA~ricultura com Juarez Távora, aquela' linh~ toda, .
-, que foi a
"Não há petróleo no Brasil"
de Oppenheim
primeira posição dos famosos - àquele tempo chamados - trus
tes, hoje as conhecidas mu Ltinacio;nais
J.D.
ou
transnacionais.
De qualquer forma, no ano de 1938 nós te~os a impor
É im-
tância da criação do Conselho Nacional do Petróleo.
portante para nós
~ercebermos
se esse tipo de atividade do
governo tinha repercussao pública, mesmo
no
contexto
do
Estado Novo .
. M~'?",",:";Eúr lh8"diria que era ainda:n~tada'mente e'priÍ1c:ipi:il;;';";
I'; .
,'i"·',y·';',,,
riiénÚ:~·'ii.iin~'~Í>;~bcupação mi, li tar .
;. ,~<.<-:<:'_' . .; 0<·\:' . :,'~'i';'.\':
;,:t·
.
~ ~ '. : ':'. ~ ,:,;. '.
Veja- '.quem foi
"
,
do Petróleo:
:-.
um general.
".é"
vque
"'-'. ':~., "::.'(>'; ~" {-:;':;:/':.. ,:.-~".:; ". ',~ .'.
<.'
E hav'ia.:':'rtoEs't9-:
do:';'Mai~fCda~;'Forças Armadas - ou o
.
,."
';,"J;t
r ""
fosseist.~:ilaquele'
.;,:".,',":';,'
i'
Estado-Maior do Exército
estudos longos~\prolon,--.
taia~depend~ncia em que se encontrava
.
;j
..
ao~abaBtec:imen~o de petról~o. . Então,
Nacional do Petróleo. "
:,!
E
nasceu
03
com o general Horta Barbosa, um nacionalista
de
primeira
,
agua, de primeiro quilate, que foi o criador da tese afinal vitoriosa, e que posteriormente foi atingida pelas pro
vid~ncias da ditadura pela quest;o dos
com Geisel, em 75.
contratos de risco
Mas isso aí já é avançar muito.
P.R. - Nós temos uns documentos que nos foram cedidos pelo
A
•
,~
Drault Ernanl, de umas reunloes havidas no Conselho Federal do Comércio Exterior, durante o Estado Novo, das quais
resultou a criaç;o do Conselho Nacional do Petróleo. E nós
verificamos através desses documentos,
com
os
discursos,
com os votos e tudo o mais, que toda a
representaç;o
ci-
vil empresarial n? Conselho - com exceção do Euvaldo Lodi
- dizia ser favorável
à entrega do petróleo
,
iniciativa
a
privada, mas que tomaria posiç;o contrária porque esta era
a opini;o do Estado-Maior do Exército.
H.M. - É o. que eu estou reportando.
P. R. -Era um documento enviado pelo general Góis Monteiro, mas muito ambivalente, como tudo aquilo
Góis.
que
,
e
o
do
E esse documento, quando chegou no Conselho Federal
do Comércio Exterior, foi muito alterado no sentido nacionalista por influência do capi t;o Ibá Jobim Meireles,
que
era um dos assessores do general Horta Barbosa.
H.M.
Ibá Meireles.
Correto.
P.R. - E segundo, talvez você tenha conhecimento,
houve
também uma grande interférência do general Estev;o Leit;o
de Carvalho, que nessa época era subchefe' do
do Exército.
Estado-Maior
Você acha q:ue f o i." essa pr eocupaçâo
que deu um caráter de segurança nacional
ao
militar
prob kema ,
ou
foi a ditadura, propriamente, que impediu que ele extrapolasse para a opinião pública?'
, I
.
"
i
H. M. ,-,- Foi o caráter da discussão : mi L'i t a r ,'
::-.
. ';.
ligava realmente
à questão de segurança
O problema se
Você
nacional .
,
e isto eu digo,insuspei
o Góis Monteiro
citou o Góis:
'I
tadamente,porque sempre fui radicalmente contrário a
te homem tenebroso que se chamouG6is Monteiro
fato se preocupava em que o Brasil
çao.
E o interessante~
realmente r
es-
ele· de
,9ncaminhasse uma solu-'
~
o, seguinte~
,o ,Góis
Monteiro eracnazista, e por isso antiamericano.
são coisas.d~história!
,nos valeu!
·,-A;'criação ,do Conselho Nacio"naldo
'parte do discur~ó nacionalista
por exemplo, a questão do aço
e
da
sou mui to c e t i.oo em torno desse problema' do
,
,
'
Aqui na Fundação:~.
riácionalista de Vargas.
Mas havia o discurso::
.
\"
":';';Si~; ha.via'6discurso.
··'~J;ii~~~·seriipr~':
":)
-
"-.,---
"
'.
-
•
~portun{s~a~ oGetJi~8 qJ'~
o' Getúlio'
,".
De acordo.
"
.>
.'
•
•
-.
â' mão' direi t.a e tirava com a' e sque rda ,
ricos ...
'CIos
Esse ~ o Getúlio que eu,conheci.',
cad~là'qUatrb' ~ê:
dizemdo'isso porque fui para a
ouviu?
pa
At~ fo~amcadeias bem
as"q;Je.eutive depois na ditadura militar.
mais
s~at~s.d4 q~e
Mas digo
pei6'segu1.ri J,
.
.
.
havia.o
processo de, .í.ndu s t r .í.a Li ze çâo , ,'
:,.
.
.
de··niI1du~trialiZação forçou
o; governo, a. enveredar,,;porrnedi:.'
ditas nacionalistas.
',<
~
o,'
I
-.'
"
',:
Daí . todaessal:presença,
-. ;".: 1<7
Getúlio era o dono do poder!.
semp~~!'r))e~d~
e ,depois ainda houve um lamentável ..
,culpádos .somos nós,. o povo, ,que
pelo voto não ~ verdade?
'de
volta
i,
Desgraçadamente
com
aquele
fim
05
trágico,' lamentado por todos..
ta para
Ninguém é tão antigetulis-
deixar'4e,reco~hecer a
ren~ncia
grandeza da
de Vargas, a ~nica ren~ncia que ele teve
em
vida, porque as outras lhe. foram impostas.
toda
final
a
sua
Ele renunciou
à vida como primeiro e ~nico episódio de ren~ncia na sua
vida~
Então foi o processo ~~
industrialização do país,
n
o~~rescimento
econ8mico, que levou à necessidade de discu
tir esses problemas.
Quer dizer, o aspecto teórico, o a..ê.
pecto pOlítico, nasceu da realidade econ8mica.
minha interpretação.
tão da siderurgia.
,
.'
É essa a
,
GetullO compareceu al como na quesNa realidade, ele pleiteava
americano uma sider~rgica.
junto ao
Ante a negativa, ele negociou
depois a sider~rgica de Volta Redonda.
P.R. - Miranda, depois do Estado Novo algumas medidas foram tomadas no campo da política do petróleo.
Digamos a.§.
sim, antes de 1939, antes da criação do Conselho Nacional
do Petróleo, prevalecia aquele ponto de vista
dos geólo-
gos americanos e de alguns brasileiros,
Glycon
como
de
Paiva, Irnack do Amaral e outros, de que nao existia petróleo no Rec8ncavo Baiano.
Com a criação do Conselho Na
cional do Petróleo em janeiro de 1939;
poço de Lobato.
foi
descoberto
o
Você atribui a desmistjficação da inexi..ê.
tência do petróleo no Brasil à presença do Estado, efetivada através da criação do Conselho?
H.M. - Não
~xclusivamente.
Eu atribuo
existência de um esforço de governo.
Havia realmente.
duo" ao ditador
principalmente
Não
,
a
contesto isso.
Não se pode atribuir apenas ao indiví-
I; .
Get~lio
Vargas.
Na realidade, o contexto
era inteiramente favorável a que se chegasse ao descobri-
*
O Conselho Nacional do Petróleo foi criado em 7 de julho de 1938.
06
cio 'pet:róleo. ';
merrto .
•
e
Porque' a tese dominante
I' . .:
oficial' do
"
i
da Agricultura, aquei~ (pie' repontaria':Ínais~ltar':"
"no Clube Militar'" com' a voz
do petróleo.
de
'Como :Mr.
Tácito' escreveu' o"l;ivro
.
_
.
•
i,
,;:..;
afirmava que,pao havla petroleo,
.~ ' .. "
"
em~er;;"
buscar pe t.r-ó l.eo. no mar .:~ "
é produzido principalmente ,'.,.po
Mas ele existe
em
,
,
,
',por coincidência,>
"
..~-
o.·
.,':
,::.'.:
o'ex-gOvernador do Amazonas,
,
.>;
,
•
,
,~:
'I
: . . ., ;:.
Reis", uma veneranda figura, presidente ,:de; honra
i
:Camp~nha de Defesa e' pelo De s envo L vimento',8a',
E':ele me contava que , em palácio', quand;o
Link'lhe dizia:
água!'"
"Na Amazônia há mais petróleo
Esta frase é extraordinária!
dadeiramente uma bandeira.
,'g~"'~rn~dor:,
do
que
Pode representar ver
Este mesmo
Link,
viria
dizer
para a Petrobrás, em seu famoso relatório, o famoso "relatório Link", que não há petróleo no Brasil.
Plínio, no início eu fiz uma referência a
vro editado pel~Fundação Get~lio Vargas,
- me engano, sobre a era Vargas.
se nao
de
John
Wirth,
Ali está bem desen-
do nacionalismo, na era de
I
juntamente com-o'. general'
erttão> o . presidente:
" : :,J:
de abordar um outro
que é· o seguinte:
geólogos. do; Ministéri6 'da, Agricultur:a.,
técnicos americanos
um li-
07
tratados, no sentido de insistir na tecla de que no Brasil
não havia petróleo era exatamente para
manter
um mercado
cativo das empresas norte-americanas que exportavam os derivados, para o Brasil, certo?
H.M.
Correto.
~
a justa interpretação.
P.R. - A descoberta de petróleo em Lobato,
já na
atuação do Conselho Na6ional do Pet~óleo,
vinha
fase
de
de
certa
forma contrariar esses interesses.
H.M. - Correto.
,
Eram os fatos se superpondo
as
teses
do
imperialismo.
P.R.
Houve um confronto!?
H.M. - Realmente.
A
presença fIsica daquilo que se busca-
va, isto é Getúlio lambuzando as mãos,
negra - não é nenhum
tro~adilho
apresentando ama0
- do petróleo
foi um choque na opinião pública nacional!
raiz da Càmpanha do Petróleo.
foi sensibilizado!
Porque o
de
Lobato
Eu ponho ai a
povo
brasileiro
Não tenho dúvida nenhuma de que Getú-
lio era um caudilho!
Um caudilho de altIssima
na história do Brasil!
Então o cuidado
que
de ir a Lobato, sujar as maos no petróleo,
expressa0
Getúlio
teve
exibi-las
para
os fotógrafos, ai está um fato que viria mais tarde a traduzir-se no ânimo, no entusiasmo popular pela Campanha do
Petróleo.
E o jovem aproveitou logo.
J.D. - Corno, concretamente, se utilizou esse fato, a desco
berta do petróleo?
Corno era a difusão na imprensa? Qual o
tipo de abordagem que era dado?
H.M.
Àquele tempo era exclusivamente, podemos dizer,atra
1,.
-
vés da imprensa ede repercussõês nó Parlamento.
cursos que se
faz~am ...
Mas não havia
nenhum
Discurmovimento
08
unl tário em defesad6 petróleo .
Esse movimentô
em' defesa
só viria a nascer em'meados de 47.
bistóriadaluta pelo monopólioestatal.QuarehEa~
a:meu ver~.
. :'1
é
o marco inicial;
Constituinte de 46, na hora da
';,
go': 153 .d a Constituição, o assunto não teria, sido
ventila":'
A Constituinte'não havia criado de certa,forma
condi~
,
- '
do?
de inspiração para a futura deflagração
da
campanha?
,
Bernardes:denunciaria mais tarde
da:;câmara~ quando ele acusou um agente
i
datri~
da, ,:: Staridard
I"""
ter; influído ...
•
.
J.,
•_ •
-
i : ~:
.
-Mi. :Schoppel.
i
Exatamente, o hóspede do hotel Glória,;e
-
.
..
"
~ra
,
"
da,pelo'gi:meral Dutra!
.
I
I
Isso não deve ser esquecido!
Este
uma grande figura, Mr. Schoppell
homem', influiu
,na redação do artigo da Constituição, exatamente aquele de
que eles se valeriam para a entrega do
petróleo,; para
redação, do Estatuto do Petróleo, por Odilon
,~;
,
a
Bragé, manda-
do em mensagem por Dutra como anteprojeto
em '-janeiro
48.
desenvolvimento
Aí já estamos entrando no que foi
o
de
da campanha "O 'petróleo é no s so",
P.R. -
Exatamente.
Então foram as conferências
de
Horta
Barbosa ...
"
.:-.:
·i
'Primeiro'; as de Juarez' Távora, e eulh'edigo o~;;:de:':' -..
-
.
.:
.'
.
.
no Clube Militar predominava a linha::na:êiona:Üstc:i'"
"',
< , ; : , , ' .....•.'.
.'
e democratica"acusada de linha ,esquerdista"
Eucitaria, por exemplo ,Francisco "" Te:L:keira,
.
" ... :.'.!
.'~
o brigadeiro
Te~xeira,
111 Zona Aérea
do 111 ComandO grande
09
meu . . Pois bem: o Teixeira, ino Clube.Militar,· procurou
de~
senvolver na Comissão de, Estudos conferências e debatesso
bre os problemas econômicos.·
petróleo.
E um dos
problemas
Quem deveria falar·sobre o petróleo?
ral, para eles.
foi
Um
o
gene-
E esse general foi aquele que sempre ti-
nha tratado do petróleo negando a sua existência, ou aceitando a tese:
Juarez Távora.
o tiro saiu .pela
culatra.
Houve certa decepção, quase desespero em alguns sócios do
Clube Militar ante as teses entreguistas de Juarez Távora.
Todos sabem qual era a posição de Juarez:
ção do petróleo, fosse por quem fosse.
posição de Lobato àquele tempo.
era a explora-
Essa
também era
a
Eu nao lamento dizer que
Lobato tinha essa posição negativa, porque depois ele a su
perou.
como
E eu poderia até contar este cuento,
foi
a
mudança da posição de Lobato, que é muito interessante.
J.D. - Mas a administração do Clube Militar nessa época era
de oposição à corrente de Dutra?
H.M.
Era.
Era uma corrente nacionalista.
P.R. -
Pois é, Miranda, eu queria fazer uma pergunta a
re~
nas elei-
peito. disso, retroagindo um pouco, que é a seguinte:
ções de 1944, ainda no tempo da ditadura, segundo o depoimento que nós temos, por sinal excelente, do Pinto Guedes,
ele dizia que nessas eleições se defrontaram
os
generais
Valentim Benício da Silva, que era o candidato do Dutra e
,
. *,
do Góis, e o general Salvador Cesar
Obi.no
que
já era
o
candidato da corrente que mais tarde iria se filiar à posição,do Estillac.
H. M. - É.· Eu definiria essa corrente como
crática e nacionalistá.
alguns marxistas.
Não há dúvida
de
realmente
que
demo-
havia
ali
Não tenho dúvidas em declarar isto, por
* Em 1944 o candidato de oposição à chapa dutrista foi o
general José Pessoa.
la
queve Le st se declaravam como tal.
Por' exemplo, 'está aí di . . .
i,
,
so
"podemos'
teressaexpréssão, o Nélson Werneçk Sodré, que era membro
,,:
" 'i
'
dadiretória do Clube Militar àquele tempo;
um Fra~cisco' '
;',
i
que,' sempre foi um homem, de esquerda, e declarada
I
~le'foiofundador e primeiro presideni~"a~
.uma
são 'inte;gradas basicamente por "
,,':
':'
"
..•.•• '.
:
,'oi
.
<nhainsidó' 'cassados -'-·0
:';',':::\·A."','\,·O:"",·
'tinhamsI~ô' par~icipantes"
ativíssim08da
vários deles presos ~'tortuiados em
eu
então vereador, e fiz não sei quantos discursos
em defesa
desses militares, como o Fortuna·to de Oliveira,
por
pIo.
exem-
Um grande nome.
P.R. - Joaquim Inácio Cardoso, Leandro
de Miranda Figuei-
redo ...
H.M. - Joaquim Inácio Cardoso ..·.
Fortunato, nosso heróina
Grande Guerra 1. foi o criador do Senta a
pua";
foi ele quem
fez aquele desenho, aliás feio.
queria pergunt~r;~ 's~~uint~~
o general César
obirid
foi'
r: :'
P.R~
- Mas riesEe período em que ele' foi
1",
*
r'
,
em 44, derrotando o candidato 'do
11
o problema do. 'petróleo-já havia aflorado em termos de debates?
H.M.
Não em termos nacionais, mas em termos de preocupa-
çoes internas dos diretores'do Clube Militar.
atribuo a vitória da Campanha do Petróleo
forças!
Olhe,
a
uma
Se não tivesse havido a confluência
dos
eu
soma
de
setores
militares com o instrumento fundamental que era o Clube Mi
li tar ...
Então a presença. de César Obino foi decisiva! Ao
lado-dele, um Artur Carnaúba, meu Deus! Não precisaria citar ninguém mais!
Um Leitão de Carvalho, um Raimundo Sam-
paio, um Felicíssimo Cardoso!
tava no Clube Militar!
Vejam vocês o grupo que es-
Junto a isso, a União Nacional dos
Estudantes, que foi vanguardeira na Campanha
do
Petróleo
desde, eu diria, o final de 47, os parlamentares,
o moviA soma
mento sindical, o movimento popular democrático.
de tudo isso é que iria constituir o Centro
Defesa do Petró+eo e da Economia Nacional.
de
Estudos
e
Maria Augusta,
que já esteve por aqui, deve ter falado longamente do CenE de-
tro com aquele entusiasmo justo que lhe é peculiar.
,
a
ve ter dito que coordenou e dirigiu nacionalmente
panha do primeiro ao último dia etc. e tal!
a razao.
Realmente foi 1SSO mesmo.
Eu
Ela tem toda
depois
gostaria
de contar a história do Centro do Petróleo,
cam-
como ele nas-
ceu e como ele se desenvolveu.
~NTERRUPÇÃO DE FI'rA]
d~
ofici-
ais nacionalistai, alguns dos quais eram marxistas.
E os
J.D. - O senhor tinha falado antes sobre o grupo
positivistas, mantinham-se ainda em maioria
H.M. - De maneira nenhuma!
Meu pa1 era
ç
nesse
grupo?
positivista.
Eu
12
tenho uma história de positivista, formação como tal.
católico<positivista e depois fui para
o
';Fui
isso
marxismo
\
é uma coisa' sabida de todos, nao e s t ou negando aqtiiloque
Esse1trajetointelectual era comum?
Eu
.
.
não diria comum, mas ocorreu' muitas vezes.
I
.
,"
Esse' Fe"rnando
ro foi católico, positivista e marxista.
_
.. :
..,'
".
LoboCarnei-
Lobo Carneiro.
citaria um grande amigo meu:
,':.
Eu,"
I
.
'
;1
Luís Lôbó Carneiro, a quem eu atribuo fundamentalmente;
-t."."
•
a~~iis~ ~o:istafut~do Petróleo!
A ele se .de ve 'a
-:o'"
Ao ·'Clube ;Militar: ' a' presença das forças ,~rmadas.
tud~ntes;abs parlamentares
se'ri~i~dO::;;Pot~,·da
,,' ,,:;
Aos
e ao movimento sindical ,i' a
màssa pr-opr í.emen t.e <dita, aql1elaque 13:cor ' :
,
;1.
.
.',
.,
' , , '
.,"
comJ..cJ..os, 'às" passeatas, as palestras e as
u~àsoma'd~
.:
fatores.
a
.;: (
.~
quem,
"A que o senhor atribui, ~pr6fessor
vitória da Campanha do Petróleo?"
<~ós"?'cb~Jf:~e~d'id6'que' ela
única ~",
,
,~'.
-', \
.~
só seria vitoriosa 'com o
De frente única!
'.
: '.c:
'.
o unJ..co
Qde e,
,
para o desenvolvimento dos problemas;~a
E
detéll1ei
i;tNô~ 6bed~'cemois à tradição ess~ncialmente'
.
.
Então nós tínha~os na': Campahl1~?
."
Petróleo a comissão de bairro, a comissão muni~ipaL o' cen
t.r-o : estadual, os cent.roacr eqd ona í.s e depois
'cional.
o' centro
na-
Toda essa escala fUnciona~a ~rgani~adamen~e. Hou-
~~ um toque militar em tudo isso, eu nao nego.
P.~.- A~or~, ogene~al Salvado~~ésar
Obino;
I
I
que
,
era
'
o
pr'esidente dó ChlbeMili tar em cujag~~;tão o Clube começou
adebáteroproblema, foi ganho p~rà lI;;" campanh~' 'cit:favésda
articula~ãódeoutras forçasóu d~f6rça~ d~
dentro doClu
'13
be: Militar,'. ou; ele 2 tomou a iLnd.c í.atdva.j decchemar ,para;dent.r o do CLube : o.vdebat.e do.problema?/) ! .'.r
,
.
H.M. - Não.
Eu atribuo ao envolvimento do Cesar Obino ...
Ele não' era um homem depe~sa~ento de' vanguarda.
P.R.
Como ele era, o CésarObino?
!~
H.M. - Primeiro, era um-homem militar, basicamente.
do, era um democrata; ele realmente. aceitava
Segun
presença
a
das várias correntes de pensamento no Clube Militar, coisa
que é muito rara, não é?
Porque um milico,
estabelece uma ordem do dia e "Obedeçam
quando
ou
se
É a história do Clube Militar desde a derrota
Leal.
chega,
retirem".
do Estillac
É o Clube Militar atual.
P.R. - Mas o general Obino sofria ...
H.M. - Ele foi envolvido por Artur Carnaúba, Leitão de Car
valho, Raimundo Sampaio, Francisco Teixeira,
neck Sodré. e Humberto Freire de Andrade,
Nélson
um nome
Wer-
que
nao
pode ser esquecido.
P.R.
Todos muito amigos meus.
H.M. - Exato.
Militar.
Todos eles enVolveram a
direção
E o governo soube o que fazer
com
lhando-os pelo Brasil inteiro, quando houve
P. R. - Mas o general Obino sofria pressões
do
Clube
eles,
espa-
derrota.
a
do
Dutra
deixa
de
e
do
Góis em virtude dessa ... ?
H.M. - Em certa medida, um militar nunca
pressoes.
sofrer
Esta é. a lição de quem já viveu algum tempo em
quartel ou em navio.
Mas ele não obedecia.
~
P.R. - Tudo bem, Miranda.
Mas dentro das
forças
.
armadas
ele tinha um nível de respeitabilidade?
H. M. - Tinha e se fazia valer desse prestígio.
Ele
compa-
14
. recia, por exemplo, para presidlr um ato
no
Mili~
CLu'be.'
Éra o general césar Obino que estava falando, quer
não era um pau-mandado, não era um instrumento pas.;'\
Eu e s t oujd Lz endo que a. doutrina
democráticâe· na-
cionalista foi levada ao Clube por esta,
permita-me a pa-
- bonito, não? :.. . ·essa 'plêiadedeoficiais
E ele foi um oficial',
e nacionalistas.
A
foi um
,
pos a altura do movimento.
em 1947 existiu a
Depóisdaquele resultado
Teixeira: e os demais procuraram
"E agora, o que vamos fazer?"
Sugestão
imediata:
chamar aquele que falará em oposição a Juarez Távora.
mos chamar Horta Barbosa."
ele, sim, positivista.
Júlio Caetano
Horta
Eu o
conheci
mui to pessoalmente para poder afirmar aqui
sei.
I
Podem usá-lo daqui a dez anos,
risos
Barbosa,
Artur Carnaúba era apresentado co-
mo positivista, mas era marxista.
poimento.
Va-
neste
muito
meu
talvez,
e
de~
nao
J.:
'._,'
e a campanha?
Logo que o general Horta Barbo-
levou em duas. conferências/a', sua
que,era a,tese fundada no. aequ í.rrt ej . rac'iocínio.
petróleo ou é: monopólio ou oligopólio
dos
t.r úa'te ss ,
é monopólio' do Estado; não há, uma terceira soluç.ão~!A
ceira solução que um Rafael Correia de
de Petróleo, pretendeu
ele foi
15
so
digo
1SSO
com ênfase -, ele e o Matos Pimenta,
sa terceira solução não havia.
A empresa
mista
foi
idéia do Roberto Sisson, que também se
afastou
do Petróleo, porque o Centro se tornou
rigorosamente,
transigentemente monopolista.
Pois bem:
es-
do
uma
Centro
in-
eu posso contar
agora a história da origem do Centro do Petróleo?
É opor-
tuno?
P.R. ,- Pode, claro, exatamente.
Nós vamos chegar lá.
nas para fazer uma pergunta que represente,
pecto de ligação ...
assim,
Ape
um as-
o general Horta lançou sua tese, e a
tese começou a sensibilizar alguns setores da opinião pública.
Então o Centro de Defesa do Petróleo
função dessa preocupaçao, quer dizer, dessa
nasceu
em
projeção
do
problema nas áreas mais sensíveis da opinião pública, quan
do os estudantes começaram
a
se pronunciar em são Paulo, a
Francisco ... ?
erguer torres de petróleo no Largo de são
H.M. - Você apresentou com muita justeza o
cenário.
Era
exatamente isso.
as
que
':voce
citou.
As forças presentes eram
E já havia a compreensão da importância
econômica
Nós come-
do petróleo, porque tínhamos sido pedagógicos.
çamos explicando o que era o petróleo:
petróleo?"
A
"Você sabe o que é
Então
Davam as respostas mais complicadas.
nós dizíamos o que era petróleo, qual sua
importância,
e
ainda explicávamos que do petróleo saíam os numerosos deri
vados: o povo em geral, à massa em geral não
sabia que
a
gasolina era resultante do craqueamento do petróleo. Então
fomos pedagógicos durante alguns meses com as conferências
do general Horta Barbosa em mãos.
Quando,
em
janeiro
de
I;
48, o Dutra mandou o anteprojeto do Estatuto
do
Petróleo
para a Câmara, já havia algum nível na campanha,
já havia
uma certa consciência popular nacional sobre a importância
16.
do problema do petróleo, que ~e tornou
,
numero
problema
o
I
um;
48
De
o problema central, durante cinco anos.
nós bebémos', comemos e dormimos' com petróleo ,sem
a
53
dúvida
Parlamento, UNE , militares; estudantes ';":'intelec':"
alguma'
Nessa época 'v~cê era memb~o da Liga
F·
.,
Figti~i~
da Tijuca, que era presidida pelo general Euclides
redo, não era isso?
o
governo de Dutra é ápontado sempre como um gover-
nodetnodráilco.
Mentira total~
nao é verdade?
Foi uma
di t~dur~:,
E de fato o Dutra
Dutra pe'rseguiu, o Dutra mat.ou ,
todos
fech~'~isind'ica-
sempre
fa'iando
no
não sabia ler.
uma coisa mais simples.
Sabe-se
"Géneral, o senhor já leU: otaf liv~'o?"
,
E
,o,':
"Eu não leio livros, s6 leio o Regulamento
'Exérci to. "
Isso: era o Dutra,
exato?:
o Dutra fechou op~rtido
Comunista.,
, I
[ FINAL DA FITA l-A
J
foi o fechamento do Partido
de Dutra como r~acionário~ .
foi apenak' u~ episódio do reacionarismo do governo
tra.
Nós procuramos então resistir a esse
fascistizaç'ão.
Eu era participante de um grupo de: profes-
sores na Tijuca que em 38 tinha organizado
famoso Curso General Gomes Carneiro - um
teirá
a~ua' história •escrita' e louv~da,.'
náriod~
,'-:.'
"
processo
mUitas coisas
um
dia
porque
import~~tíss'i~as n~st'es
colégi~,
esse
el~
o
curso
foi ce-
,
palS.
Bem,
17
nesse: cur-so: e s t.avam. o BayardLDemaria Boiteaux,r que
,
um
e
nome muito conhecido, o Guilhe~me GomesCarneiro~ o comandante Afonso Aranha PargaNina,
o
".i:> ," t .
-'~' ' ;
:
!
:
.i
"i
\",:
'~':
.:
comandante"
Gomes
Car-
neiro e numerosos professores, por coincidência, mera coin
.
;'--';'f:""'
I',
'.
-
'
.
[iro~izando]
cidência, Plínio, todos e:es esquerdistas.
Então nós resolvemos organizar na Tij~ca uma
-~
~
-
entidade
de
fechamento
do
ri
('.
resistência" ao processo de fascisti~ação.
0'\\
•
J.D.
Quando?
H.M. -
Isso foi agosto, setembro de 47.
partido foi em maio de 47, então dois,
o
três
meses
,
."
nos
constltulmos
a Liga Antifascista da Tijuca,
nome adotado.
que foi o
A Liga nasceu no Curso General Gomes Carnei
ro, do qual eu era diretor,
,
depois
.
ver a.os putros
professores.
I .
juntamente
com
o
Boiteaux
Na Liga Antifascista da
e
Tiju-
ca, cujo nome é bem característico, mas pitorescamente era
da Tijuca, não era nacional, nem sequer do Rio de ,Janeiro
- nós éramos pretensiosos ao extremo -
tínhamos um elo, e
esse elo veio a produzir realmente coisas muito
teso
importan-
Numa das reuniões, das quais participavam homens co-
,
mo o general Euclides Figueiredo, o pai desse fascista al,
general Figueiredo - eu hoje estou usando muito a palavra
fascista, hoje estou meio zangado
e d , Nuta
[risos]
Bartlett James, figura extraordinária de
mulher,
andava
Interessante,
quase comumente com uma pistola na bolsa ...
num dos comícios que foram dissolvidos
pela
polícia,
g~itando
"Não
corram!
me lembro dela
quem!
Permaneçam!
lembrar:
ao microfone:
Se jamos homen s l"
[risos]
"D. Nuta, a senhora é mulher!"
eu
Fi-
Eu tive que
Essa era a fibra
\.
de d. Nuta.
E lá estava também o general,
então coronel,
Felicíssimo Cardoso - eu já o citei aqui várias vezes.Quem
era ele?
Membro do Clube Militar", atuante junto à direto-
18
I
ria do Clube Militar.
Ele fói o elo entre o Clube Militar
\
e a Liga Antifascista da Tijúca.
,_
J.D. -
.1
N
Essa vinculaçao se repetia nas outras organlzaçoes,
'\
aqU'êlêl i outrá, de Ipanema, à qual o Lobo
car~eiro e~a fili.ado?
H.M: -Eu vou continuar e nós veremos esse elo.
A Liga An
se
tifascista constituiu uma comissão integrada,
nao
.
falha
a
me
.'
,
memória, por Nicanor Nascimento, que era um políti
r:'
. .
.
co"c3.ifld~r do sécUlo passado - em 1897 ele
~
ou
Laranjeiras,
tais cóJrio o' Centro Democrático Cate te -
"
ad~()'gad~' d~"
foi
I
I:,'
_
.
.
me'ili.'pai~~ bastava citar esse fato -
Ca r r e r a Guerra, Behedi.i'
to Calheiros Bonfim, Bayard Boiteaux'e
eu,
as:duél.s:;,teses:a do' general Juarez Távora
Bóft~'B~i-bosal. "Não
e
a'
é fácil' concluir' que nós 'rlo$6:Fonu.'l1c
•• , '
mos
para
•
J
'
pel~: tese' do general Horta Barbosa. Eroniiarido] A;li...:.
ga Antifascista adotou a tese do general Horta 'Barbosa.
E
nós nos ligamos ao Clube Militar, à União Nacional dos Estudantes, e fomos num crescendo, até que
em abril de 1948
- minha memória não está falhando ainda,
já
anos - nós promovemos uma conferência I.no
estou
com
auditório
ABI - a ABI teve um grande papel em tudo isso.
70
da
E ali, eu,
que estou depondo, propus que se fundasse um Centro Nacional, - o nome ainda era esse - de Estudos e Defesa do Petróleo, que mais tarde, por proposta'do
general,lRaimundo
pâ:3saria a 'ser Centro 'de Estudos
.
e
.
. ....
-'estendendo-se até - da Economia::Naciónàl.
',;
de~Jtemente a!'proposta
:
foi 'aprovada
;',
.
por:unanirriídâ~e;tEeram
conferenci'stas, entre outros, Artur Carnaúba - vejam o elo
com o Clube Militar
Quem era?
e Luís Hildebrando
Primo do general Júlio Caetano
Ho r-tia.
Barbosa.
Horta
Barbosa.
Estão vendo todos os' elos, os fios se :entrelaç;aridJ, adom--"
tecido?Poisbem(
No dia. 9
19
primeira reuni~o do Centro rec~m-fundado, quando foi eleito o Luís Hildebrando Horta Barbosa para presidente efetivo e eu para secretário-geral.
E continuei secretário-geat~
ral durante toda a vida do Centro do Petr6leo,
ve aào pela polícia, em 64, com o golpe militar.
sua in-
Ele con-
tinuou existindo clandestinamente e eu continuei como secretário-geral teimosamente.
,
J .D. -
o senhor tocou num porrto importante, que e justa-
mente a
articulaç~o
entre o Clube Militar e as associações
de bairros, enfim, -as associações de moradores , Agora, e com os
políticos?
Já havia políticos, deputados eleitos envolvi-
dos nesse momento de
H.M. -
articulaç~o
do Centro?
Basta citar o membro da Liga Antifascista
ca, que era deputado federal, e note, pela UDN:
Figueiredo.
E Heitor Beltr~o - aliás,
eu nao
da
Tiju-
Euclides
tinha
lem-
brado ainda a grande figura do meu querido Heitor Beltr~o.
Às vezes, de maldade, eu apresentava Heitor Beltr~o: "Agora vai falar Heitor Beltr~o, político de tradições democrá
ticas, advogado da
fera!
Associaç~o
"Mas o meu ami-
Depois ia para a tribuna e àizia:
go Henrique Miranda sabe que eu tenho o
esquerdo."
filho dele.
Ele ficava uma
Comercial."
coraçao
Isso eu lembro de vez em quando
do
lado
ao
H~lio,
com
o
o
Uma grande figura tamb~m.
J.D. - Essa vinculaç~o de políticos da
UDN
Centro
nesse início foi casual?
H.M. -
Nasceu em grande parte pela oposiç~o a Dutra.
óbvio e coincidência:
todos n6s contra a
Dutra, nao ~ verdade?
É claro que Dutra
a UDN.
É o
fascitizaçao de
n~o
governou sem
Na Bahia, por exemplo, Mangabeira, a quem eu visi-
tei, fez a aliança, a
coligaç~o,
a
coaliz~o,
que
nome
se
20
i
f'!
queira dar, do. PSD com a UDN.
P.R. - Agora, em 48 o general José Pessoa
i
sidente do Clube Militar*.
foi eleito pre-
A orientação do Clube em rela-
'\
çãoao pfoblema foi alterada?·
H.M. - Abrandou-se a participação.
tipo.
José Pessoa .. era outro
Esse era um egocêntrico, um autoritário.
participação reduziu-se, mas a presença
do
ainda continuou na Campanha do Petróleo.
Então
Clube
a
Militar
A tese do mono-
estatal só deixou de ser bandeira do Clube com a der
d~~stillac Leal.
."
Essa éa história verdadeira •
'i
Em 47 foi elei to presidente da UNE
grande memória passada e de atos
~e~ioráv~is.
Roberto
Gusmão "
recentes
Mas esse é um outro problema.
Oiha a agulhada!
[risos]
Corno se deu, então, esse tipo de aproximação? -por'
~-."
qtie3havi' uma ,íntima ligação entre a UNE
o Centro .. ,; Os
e
procuraram o .Centro ou o Centro procurou os es~
que você' poderia depor melhor do que eu,
~o
outro lado, eu estava' do
procurar uma interpretação
lado' de
justa.
•t.udarrt.e s tómaram eles .próprios a . iniciativa
~
,
ca.
Os es-
da~~'inpÉmha,
I
entusiasmados pelo lançamento da tese Horta
Barbosa,
i
qual os jornais deram urna grande repercussão!
E. havia
a
um
jornal àquele tempo que se dedicou desde então à divulgação da tese do monopólio estatal: Jardim .•• J~rnal' de
De-
*Engano do entrevistador. José Pessoa foi ~leito em 1944;
em 1948 o eleito foi Salvador César Obino.
2.1
bates.
Eu quase dizia jardim, porque era
horta terrível aquele jornal;
realmente
lá escreviam fascistas,
;
,
1
munistas, era uma confusão dos diabos!
bem:
uma
C0-
Pois
[risos]
então os estudantes tomaram a iniciativa na sua famo
sa sede, que agora está sendo retomada,
ra as ruas.
e
caminharam
pa-
Eles tomaram a iniciativa e foram para os gi-
násios, os col~gios, ensino de primeiro
grau,
ensino
de
segundo grau, e principalmente para as universidades.
Quando fundamos o Centro do Petróleo,
lançado em
4 de abril - repito - na ABI, depois organizado
abril e finalmente fundado a 21 de abril
numa
em
9
grande
de
so-
lenidade no Automóvel Club, com a presidência do Artur Ber
nardes, nós, na organização do Centro - retomo o fio -, dg
claramos que estatutariamente o titular da presidência da
UNE seria sempre presidente de honra do
Centro
leo.
estava
Viram vocês a vinculação?
Porque
alma, estava em nossa compreensão, que
minho:
a frente única.
do
em
só haveria
Sem a presença da
,
Petronossa
um ca-
juventude,
dos
estudantes, de jovens operários, como procurávamos trazer,
das mulheres, dos operários em geral, dos intelectuais,dos
militares, dos parlamentares, enfim, de
todas
tes, de todos os setores e classes sociais,
vitória.
única.
nao
correnhaveria
E a vitória veio porque nós construímos a frente
Felizmente eu nasci para a'política com uma frente
única única: Aliança Nacional Libertadora.
levante de 35, não me atingiu.
temente.
as
o desastre, o
Eu dele divergi
permanen-
Como hoje ainda divirjo.
P.R. - Essa questão da conquista das comunidades de.bairro
v-
naquela ~poca para a Campanha do Petróleo ~ um assunto que
interessou mui.t.o aoJos~ Luciano, principalmente durante a
entrevista com a Maria Augusta, e eu acredito que ele quei
22
ra abordar com mais detalhes esse caso.
J~D. ~
Porque me impressiona,
Justamente.
,
de uma ditadura: constante, e mesmo apos
após
o
uma
governo
fase
Dutra,
haver uma vida associativa de tal intensidade, e mobillzada para urna campanha que tem uma amplitude, umaperspectiva bem ampla.'
H.M. - Você sabe que o Partido Comunista tinha apresentado
"?
e.
nao
um projeto assinado inicialmente por Marighela,
J.D.
Exatamente.
H.M.
Então realmente não se deve. ao. Pa r t.Ldo, Comun i.s t a
-':7.'
(
'.
r~alização da Gampanha do Petróleo.
l
Mas os comunlstas
a
mu~
daram a.sua posição posteriormente ao lançament~!~a campanha.
Houve discussões
um Gra~
diretas com"por exemplo;
,I
,
.
'.
bois, um Arruda, um Pomar, e, eles, que erampartid~rios da
•
! •
tese do Marighela, uma tese inteiramentes
: diferente
,
,da
,
,
I
,
'
tese do monopolio, vieram apoiar a tese do monopolio esta,tal.
Houve um papel dos comunistas na
difusão
Horta Barbosa; eles desempenharam realmente
u~
tese,
da
papel efe-
I
ti v o ,
O que nao quer dizer que o Centro
dinado a eles em momento algum.
estivesse
Ao contrário!
subor-
Foi o Cen-
-
tro que trouxe os comunistas para a campanha, e nao os comunistas que trouxeram o Centro para a Campanha do PetróI
leo.
•
_
Agora, eles foram elos com as organlzaçoes de
ros em que participavam:
. jeiras ..•
bair-
Centro Democrático Catete-Laran-
A Maria Augusta deve ter citado aqui.
Ela era
ativista, e a mae dela, a minha sogra, Alice Tibiriçá, era
a presidente, com a presença do que seria
pré~ide~têdo Centro do Petróleo, o senador
: -f\:.' ';.'- <.. ,.-:-:::,}~
-"<!
Plo/da:,uDN também.
O senhor mencionou na sua
.
,
mais
tarde
um
23
r i.or.. que: o Cerrt ro , já,sél,:in,si:.a,lo,u csob, a.
Artur Bernardes.
presidência
do
,
chegou a partici
ComC?io:Artur,~~~nardes
pação,no Centro?
" 'I
H.M. - Muito importante isto.
Uma 'vez
ouvi
de
Bernar-
o
Freq~entei~lhe a casa na rua Valparafso.
des •••
que eu citei era no largo da
Segunda~feira
curso
,
hoje
um
e
bruto edifício - e a dois quarteirões morava o Bernardes.
Nós o procurávamos com uma certa freqüência;
políticas, interesses •.•
atividades
Então o Bernardes me disse tex-
tualmente na presença de Artur Carnaúba e Felicíssimo Car
doso:
"Professor, eu não pude ser presidente da Repúbli-
ca, impediram-me.
de polícia • "
Foi o Farquhar.
,
Eu so pude ser chefe
Aí está o retrato de Artur Bernardes.
auto-crítica, a confissão de que o governo
governo po Li.c-i.a L, por isso é que ele foi
'cia.
Textualmente.
dele
chefe
um
polí-
frase
Bernardes com testemunhas !Mas ele sempre
foi,
velmente, como industrial de porte pequeno
ou
na l ,
foi
de
A frase fica aí gravada,
homem interessado no desenvolvimento da
Uma
de
invariamédio,
economia
o
nacio-
Bernardes não era ligado ao latifúndio e mui to me-
nos às multinacionais.
Então, meu amigo, você está vendo
era
aí a explicação da ideologia de Bernardes:
um ho-
mem da classe média, um industrial na terra dele, viçosa,
extraor-
e um político militante, com uma sensibilidade
dinária.
Sensibilidade que ele iria revelar sobretudo em
30 e em 32, quando foi para a ilha do
Rijo
prisioneiro do Getúlio, exato?
em
Então
percebeu a influência do truste.
verificar o que estava ocorrendo.
46
como
preso,
ele
notou,
Já ali
ele
começou
a
Em 47
ele
f 01' leitor
atento das conferências de Juarez Távora e de Horta Barbosa, e nós o procuramos.
Não vou dizer
que
tenha
sido
24
geraç~o esporlt~nea,que o Bernardes tenha
repente a tese do monopólio estatal.
N~o
descoberto
de
foi nada disso.
Fornos procurá-lo eu, o general Artur Carnaúba, o Lobo Car\
neiro, que está vivo para testemunhar, eo general Felicís
s í.mo , Bayard Boiteaux e vários ou t ro s ,' para convoCá-lo para a campanha!
E ele se tornou, ao lado de 'Eu~~bio Rocha,
na C~mara Federal, a grande figura da defesa' do 'petróleo.
I
Quando Bernardes falava, a Câmara parava.
As
comissões
interrompiam suas reuniões e todos iam para o,plená:tio.
O
d i.sourso de Bernardes era anunciado previamente por toda a
imprensa:
am
"Bernardes vai falar!".
E as galerias 'se enchi
,Nó's levávamos para lá os petroleiros, corno éramos cha
mados às, vezes ,',maldosamente, petroleiros no mau sentido.
LotávamOs a câmara e Bernardes faziaumdaquelesrulminantes discursos, que em seguida nós editávamos.
E esse pa-
pel que ele desempenhou foi repetido, por exemplo, na defe
sa da Amazônia.
P.R. -
.
."
,
Mas lSSO Ja e outro capltulo.,
,
Ent~o o Bernardes ~ aquele paradoxo:
que, corno presidente da República, viveu
e
'0
homem
distanciado
do
povo, e que se tornou amado pelo povo •.•.
H.M.
... Prisioneiro no palácio.
P.R.
Exatamente.
"Seu Rolinha, seu M~-seu M~.,
tOmo "se ('dava o relacionamento d~ ,
milita.res 'dO Clube que o :combateram: em 22 e24?
H. M. -
Posso contar um PeqUeno fato anedótico t~
Bernardes?
em
relaç~o
[Risos]
P.R. -
Pode.
H.M.
Certa vez fornos procurá-lo, já no fim do·'goVern'o ...
a
25
P.R.
•• .Dut.ra ,
H.M. - Não, de Vargas, em 45.
E ele disse para mim:
fessor Miranda, veja bem com quem está se aliandó!"
tando a voz de Bernardes]
excelência.
Nã~
Ele'era um homem
[imi-
político
por
sei se estou fazendo uma maldade contando
isto, mas é tão pitoresco que eu pao resisto.
dei com o espírito do mal· encarnado.
Hoje acor-
Mas ele sabia que eu
estava ligado ao Virgilinho de Melo Franco na formação da
UDN etc e tal.
cunstantes:
Então me disse ele assim,
"Olhe, professor, ele é tão
que até com os comunistas está ligado!"
da geral.
e
tão terrível,
Foi uma gargalha-
Contida, porque ninguém podia
diante de Bernardes.
das.
diante dos cir-
dar
gargalhadas
.Mas quando saímos, dávamos gargalha-
Isso era Bernardes, que mais tarde
viria
defender
pessoalmente, energicamente, a presença dos comunistas na
Campanha do Petróleo contra intrigas que
zero
Ele, o geperal Leitão de Carvalho
pretenderam
e
o
general
faRai-
mundo Sampaio advogaram com insistência, ante acusações de
Matos Pimenta, a continuação dos' comunistas,
no Centro do Petróleo.
entre aspas,
Mas você tinha feito uma pergunta
sobre •.•
P.R. ~ Eu tinha feito uma referência sobre o Bernardes pr~
sidente e os militares •••
H.M. - E o Clube Militar, os militares, foi isso.
P.R.
Exatamente.
H.M. - Quando anunciamos que a instalação do Centro do Petróleo, a realizar-se no Automóvel Club,
seria
por Artur Bernardes, vários militares disseram
compareceriam, entre eles Felicíssimo Cardoso,
e querido amigo.
presidida
1
que
nao
meu grande
26
P.R. -
Filho do marechal que mais o combateu.
H.M. -
Exato, Joaquim Inácio.
disse:
IIEu não vou.
Tibiriçá
D. Alice
Não aperto a mão de
vários outros políticos.
também
Bernardes!
E
11
A{ tivemos que fazer um trabalho
um
de
de catequese que durou mais de uma semana,
I
por
um,
discutindo o novo papel de Bernardes; Bernardes o deputado
aquele
federal, Bernardes o ex-presidente da República,
homem ultra-reacionário!
Como a presença e a voz de Berexploração
nardes iriam influir para destruir aquela
Pois bem:
que avcampanha.. era comunista!
sem me
de
alongar
I
muito, todos os militares e d. Alice, todos
E todos eles apertaram a mão de Bernardes.
No meio da ca!!!
panha, 'Hernardes foi convidado para fazer
no Clube Militar.
transmif~u
compareceram.
uma
conferência
Demonstrou certa surpresa,
a ele o convite:
[imitando a voz de Bernardes
liMas eu, no
J
Ele era
fui ·'eu quem
Clube· Militar?1I
muito
solene,
ti-.
ve~
nha uma voz empostada, apresentava-se sempre muito bem
tido.
Na casa dele, inclusive, doente, ele fez questão de
"
por
a gravata para nos atender.
11
Sim,
presidente,"
- era
ess'e o tratamento -
"o senhor está convidado
no Clube Militar."
E desde então preparamos a continuida-
de da conferência de Hernardes no Clube
qual foi?
Foi a seguinte:
para
falar
Militar.
Sabe
quando ele terminou a conferên
!
cia, eu e um grupo fomos a ele,
à mesa
Clube Militar, e o convidamos para ir
do
Petróleo, que· era na esquina da Sete de
do
"
.Centro
Setembro
avenida) na Bolsa Imobiliária - algo assim Para
avenid~
pela
Rio Srarico,desde o Clube até a sede então
Ele aceitou imediatamente.
do
à frente do auditó-
rio, das pessoas ali presentes, caminhando
menta.
auditório
. com
do
a
do Matos Pi-
surpresá
!.
geral,
foi um escandalo quando o povo viu Bernardes desfilandO
I
,
a
27
frente, da mas aal.t.r-Fods.um pont.orel t.osno.vn í.o de" Janeiro.
É
claro: que, no -dLa: seguinte,·i\a'íimprensa'"'toda, ; com espanto
geral, dava a :fotografias de 'Bernar,des
à nossa frente, co-
mandando uma passeata pelo monopólio estatal do
E quando chegamos
petróleo.
à sede/do Centro'do Petróleo,', da sacada
-
8
da Bolsa Imobili~ria ~ ,ou que: nome 'tenha,'
nao
.
,
bem, era de propriedade do Matos' pimenta
lembro
me
vaz a.os orado-
res se pronunciaram, inclusive o,p:r:óprio Bernardes.
Então
você vê como ele caminhou, e a integração decisiva,
real-
mente integral e total do Bernardes na luta popular.
J.D. -Eu gostaria de insistir em outro ponto.
ção parlamentar do govern? Dutra era um
tid~rio relativamente poderoso.
A sustent-ª.
acordo
interpar-
Como a Campanha do Petró-
leo conseguiu atrair deputados, inclusive
da
numa
UDN,
oposição clara ao governo Dutra, numa campanha
opositora
ao governo Dutra?
H.M. - O Juscelino Kubitschek, depois de
realizar
campanha eleitoral e eleito, dizia-nos:
"Vocês,
a
sua
da
Cam-
panha do Petróleo, realmente penetraram em todo o Brasil.
vocês escreveram
~ nossos na
'o petróleo
~ltima
da ~ltima fazenda do mais longínquo ponto
nacional!
Eu encontrei em todos os meus
que me perguntavam:
do
,
território
.
pessoas
comlClOS
'Qual ~ a sua posição
ao problema do petróleo?'"
porteira
relativamente
Se ele, Juscelino, era solici-
tado como candidato a presidente da Rep~blica
....
voce - antes dele todos os deputados sentiram
veja
a
presença
. , .
Então
da campanha nos seus munlclploS, nos seus estados.
eles se preocuparam:
"Nós só seremos eleitos
bem
se
nos
de-
I, .
clararmos a favor do monopólio estatal do petróleo."
so se efetivou.
Deputados de todas as bancadas,
não PDS - daquele tempo, UDN, PTB, PR,
que
era
E i.ê.
do PSD presidido
28
por Bernardes, todos os partidos deram
Campanha do' Petróleo.
elementos
Não houve uma divisão
para
por
a
siglas;
houve uma divisão por posições individuais dentro da Cam"\
panha ddPetróleo.
Foi por isso que os deputados se torPorque
naram sensíveis' às discussões no plenário.
vinham de um auditório maior:
eles
o auditório popular~ o~au-
ditório das campanhas eleitorais.
J.D. - Um outro ponto muito tocado por toda a bibliografia
sobre petróleo diz respeito ao controle do truste sobre a
imprensa.
Como era feita a divulgação do movimento a fa-
vor do monopólio estatal', no início da campanhar::J
por exemplo, quando eles massacravam o
os
povo,
tinham que noticiar, porque havia mortos e
é uma explicação de ordem geral:
Então,
nao
H.M. - você sabe que o fato faz a notícia,
jornais
Isso
feridos.
Mas
o fato se impunha.
eu vou lhe dar outras explicações.
Vou citar dois fatos:
favor,
da
no início, todos os jornais se positionaram
a
tese de Juarez Távora, com algumas nuanças.
Pois bem:' con
quistamos - e aí o papel foi da comissão de propaganda pre
sidida pela Maria Augusta -,' conquistamos
lando Dantas, ,do Diário de Notícias.
o
apoio, de' Or-
E este
foi
o
,
-
orgao
número um da grande imprensa a favor do monopólio estatal.
Agora, para ca rac't.e r í.aa'r - vou citar' a l.quém que já morreu;
ma s- infelizmente: tenho que contar' o episódio:' f<nhbJs à ' câmaraFederal pedir'a Tenório'Ca'valcariti;o
jornal, 'que era:aquele •••
P.R.
apoio
seu
Como se chamavar::J
Luta 'Democráfica.
H.M. - Luta Democrática~
mocrático;
-
Que nao era nem de luta, nem de-
era'um pasquim ordinaríssimo.
Pedimos a Tenó,. -,
rio o
do
Campanha do
;;_':.:1-· .:
29
posta dele, testemunhada por pessoas que
trazer aqui também?
Foi a seguinte:
depois
"Olhe,
eu
posso
amigo Miran-
da, quando eu atingir 80 mil exemplares de tiragem, eu
so dispensar o anúncio da Standard.
Por enquanto não pos-
so . . Não vou apoiar Campanha do Petróleo nenhuma. 1I
era a atitude dos donos de jornais:
po~
Correio
Jornal, então com o Carlos Lacerda. Carlos
E essa
da Manhã.
Lacerda
O
foi
o
corvo de' sempre, inimigo total e absoluto do monopólio estatal do petróleo!
P.R. - Miranda, você faria agora um
, .
perfil dos varlOS mi-
litares que participaram· com mais destaque na Campanha do
Petróleo?
Eu queria. estabelecer uma diferença de pensamen
to e de filosofia entre o general Raimundo
exemplo, e o general Leitão de Carvalho,
nao eram pessoas da mesma formação.
Sampaio,
porque
sei
por
que
Você conseguiu juntar
na Campanha do Petróleo, e é realmente um exemplo extraordinário •••
H.M.
Eles eram chamados generais do petróleo.
P. R. - Exatamente.
Então é realmente um momento
extraor-
dinário de frente única, como está provado em toda a história.
Mas, por exemplo, como poderia o general Raimundo
Sampaio, que era um homem de atitudes conservadoras ..• ?
H.M. -
.•• Anticomunista feroz, do comando de Juiz de Fora.
Prendia e mandava tirar de circulação.
P.R. - Certo.
E o general Estevão Leitão de Carvalho era
de outra formação.
/:~ .
H.M. - Homem de tradição intelectual.
Leitão de Carvalho
li'
era sobretudo o escritor, era parente de Machado de Assis.
Isso pesa um pouco, não é?
P.R. -
Pesa um pouco.
30
,.,.;
H.M~
i
.:..- Ele deve'ter pensado algumas vezes em Dom Casmurro,
tenha
influído um
pouco. 'o Leitão 'de Carvalho era o diplomata~
o Raimundó
QuincasBorba, Brás Cubas, talvez isso
Sarripaio":~ra otroupier, era o homem de cavernacoIri. leitu,
Erftãoele vinha do quartel para a l e i tura;,;d:Lei tão:
!
de Carvalho "ia da leitura para o quartel, se me; perm i. te • o
1·
jogo de.palavras.
P~rfeito.
P.R.
Agora, algum motivo deve' tet havido 'pa-
raqueo' geperal Raimundo Sampaio se integrasse.
H.M.
~f~~ro;'a'tra~ição nac{~nalista do Ex~rci~;.Talvez
,
fique surpreso:
,
..
, , !i
,
;, '
eu afirmo categoricamente que o Ex~r.
brci~ileiro tem tradição ~acionalist~.
do golpe de 64 ~ de traição~s
,
tradi~~es
demo~
'
crática~ doEx~~cito.Não foi o Ex~rcito que tr~iúo Bra:F6ia~esses militares golpistas,
todos el~~;
a, co,;..
pbr .Câstelo Branco, a continuar por M~dicl,
Figueiredo, e pode acrescentar outros de
sua lembrança
Eléi3'~ que traíram as tradiç~es
.:;
a;
'áe"
."'..\~
Corl'stârit\;Déodoro, Floriano" Siqueira Campo s v;
~entrol
dbCentro nao
havi~
..'~
I,:."
"í" -;
",.,'
;_.';; .
'-':"~~. '.,i'
,-'
;t .':;'_. .- .,;
j:.,'
., . '.
Em'primeiro lugar, nos tínhamos
ihJi3.riaiJ'~lm~hte~e eles
eram debatidos com e Le s.,
compareciam.
!
""
-
Entao
: ,.
-r..
os'· assuntos
'da
Eu fui um participante
Cam-
panha do Petróleo, se me permite ,o inglês, full time! Tempo 'integral, dedicação exclusiva.
tando de petróleo.
Passei cinco anos tra-
Eu tinha vendido um curso, umcol~gio,
e com aquele dinheiro e urnas aulas que
ver, ouvsobr'ev.i.ver .
eu dava
Pois bem: então era
pauta rigorosa para cada semana.
pod i.a vi-
organizada
urna
Na discussão dessa pauta
- problemas políticos, problemas internos
do
ce'll''tro,'
,i :
de
31
organização, de propaganda, de finanças, inclusive - esses
generais tomavam a palavra.
Então eles
processo democrático de deliberações.
cia um pouco
proposi~ada,
co, que era o seguinte:
participavam
do
Havia uma coincidêg
o tal do centralismo
o secretário-geral
democráti-
do
Centro
do
Petróleo era também, cumulativamente, o presidente da comissão executiva.
Já viu a chave?
galão, mas era de posição.
Por quê?
J
[ risos
Não era de
A comissão executiva
era integrada pelos presidentes dos departamentos:
tamento de Estudos, Fernando Luís Lobo Carneiro;
DeparDeparta-
mento de Propaganda, Maria Augusta Tibiriçá Miranda;
De-
partamento de Finanças, fulano, fulano e fulano - esse era
sempre meio problemático;
Departamento
Organização,
de
também andou variando, mas eu citaria o Nilo Werneck,
exemplo, como citaria dez outros do Departamento de
dos.
por
Estu-
executiva,
Cada presidente integrava a comissão
e
Então
eu, secretário-geral, presidia esta comissão.
ha-
via uma centralização no comando, e ao mesmo tempo uma deliberação maximamente deIT.ccrática, porque todas elas eram
E
tomadas em debates, nas reuniões semanais.
depois
outras maiores, mensais, com os presidentes das
de petróleo: comissões estudantis, comissões
comissões
operárias,
comissões intelectuais, comissões de categorias
sionais
J.D. -
em
profis-
etc~etc.
Outra coisa muito importante na
campanha
,
e
essa
difusão no interior do país, feita principalmente com base nas câmaras municipais e a assembléias legislativas,ju§
tamente como o Plínio ressaltou, os setores
vadores da política brasileira.
Como se
mais
conser-
explica li . que
a
campanha tenha tido como correla de transmissão para o interior do país justamente essas çâmaras
.'
municipais
e
le-
32
gislativas?
i'Rkato,Mi;randa~ isto ê muito Lmport.ant.e •• ~
P. R'.
';' ;':
.-t .
;~!
'"
hoje
H .M~ -- Àquele tempo eram cerca de duas mil camaras,
\
,
s~o'mais d~ quatro ~il. Pois bem: nos nos dirigimos pra-
ticamente ~s duas mil c~maras.
do
Nos arquivos
Centro,
.::1', .
que est~o comigo, ainda temos as cartas que nós dirigimos
(
à
.:J
.
"."
s G~maras municipais, aos prefeitos, aos
-
.~._,.
.
r":
A
.
,..
Então
o presidente de
houve uma convocaçao nacional efetiva.
,;-;
: ~,:,::
bispos.
I
cada Camaramandava ler aquele expediente e
os vereadores
torn'avâ:m"conheciírlento •••
;;;
[ FINAL DA FITA I-B
J
il
H.M.
já
... de que existia uma campanha do
se refletia nos pequenos jornais dos municípios.
n~o eram jornais,
eram semanários.
Em geral
Etimologicamente,
jor-
nal quer dizer diário.
J.D. -
, .
E o contato com esses semanarlOS,
H.M. -
Nós mandávamos matéria para eles publicarem.
como
era
feito?
,
E nos
fundamos um centro depois do rompimento de Matos Pimenta,
depois que expulsamos Matos Pimenta em 49, e expulsamos em
assembléia na UNE, presidida por Nuta Bartlett James; por.,
I
I
intriga terrível anticomunist.â.:,apon--
-
e aquilo , "'fazendouma ac:usaçaointeira.,
'",:'
,
Po i.e '. bem('-'depois
q~e perd~m:osoJornal de
Debates, deliberarr.osfuridar. um ór
gão, e foi ,criado Emancipação.
-
Eu estive na fundaç~o des""' .
,
,
orgao, tenho coisa rarlssima.' ••
,::.>
.1
'[INTERRUPÇÃO DE FITA] .:
33
H.M.
Retomando;
à questão da'presença das câmaras munici-
pais com a sua'composição muitas vezes realmente retardatá
rla, conservadora, '/ligada ao' latifúndio,
etc., eu me referia
à fundação do
diria melhor, Emancipação.
~ornal,
do
semanário,
Ele viveu sete anos,. de
56, e editaram-se 84 números.
pleta.
aos coronéis etc.
Eu tenho
uma
coleção
Fui permanentemente da direção do periódico
riódico; como nós chamávamos.
a
com- pe-
Ele se tornou oficiosamente
órgão do Centro de Petróleo e efetivamente
panha do Petróleo.
49
Durante as campanhas
-
,
orgao
para
da
Cam-
obter
re-
cursos financeiros, nós procurávamos as mais variadas pessoas.
Eu poderia citar,' por exemplo, Peixoto de Castro co
mo um contribuinte nosso,_apesar de dono de Manguinhos.Mas
ele nos dizia:
,'iEu sou partidário do monopólio
Na hora em que o governo quiser, eu vendo
"Vendo", é claro.
Pois bem:
esta
Mas dava ajuda' financeira
estatal.
refinaria.'
ao Emancipa-
Emancipação era remetido para todas as ca
pitais dos estados - Porto Alegre, Florianópolis
etc.
e
tal - e as capitais, por sua vez, remetiam Emancipação
pa
.
..
.
.,
ra os prlnClpalS munlClplOS.
Não vou dizer a voce'" que os
dois mil e tantos municípios eram atingidos.
Não
Mas digamos que quinhentos municípios fossem
alcançados
pela distribuição de Emancipação.
eram.
Eu ouso dizer que era o
jornal ,político especializado,em economia e da Campanha do
,:::
Petróleo mais difundido.
De certa forma
Emancipação
cançava municípios onde não chegava a grande
imprensa,
alum
Jornal do Brasil, um Correio da Manhã, porque nós mandávamos por mala direta."
Senhor presidente da Câmara Munici-
pal de Passo Fundo", de Ipiranga, de não sei quantas,
en-
tão isso funcionava.
Agora, um detalhe:
durante todo o governo Dutra,
34
e ainda depois durante o governo de Get~lio, porque a campanha se prolongou até 53 e Get~lio ficou até 54,0 jornal
foi alvo de perseguição.
Quando ele chegava
- a disf'~ibuição era feita evidentemente
muito repetidamente '. era apreendido.
f
ao
por
aeroporto
,
via
aerea -
i
Em . Natal ,;;'por: exem~
,"
pIo, o Comando. Aéreo - chamado Zona·Aérea - preridia o jor';:'
nal e odestrufa.
Nosso recurso:
o seu; jipe" encostava
(j
Djalma Maranhão ia com
jipe na escada do avião"
recolhia
,
ospacotes;de.Emancipação e fugia do aeroporto~ 'Alpassava..a distribuir.
Estes são detalhes que mostramo que foi
a vivêndia da "campanha do Petróleo • . Um outro episódio da
campanha, agora um elogio a Barbosa Lima
Sobrinho;
o' go-
. vernador de Pernambuco garantiu na plenitude' a , circulação
do periódico Emancipação.
res figdras da época;
No' jornal colaboravam las
maio-
economistas, sociólogos,es~iito~
reé,historiadores etc. etc.
Se vocês correrem a lista de
colaboradOres ,vão ficar impressionados.'
·P. R.-A pergunta do José Luciano com relação
.
madaécamaras municipais é muito importante
fofma'p~de'uma seqüência.
"
e
. ..'.
de
. - -. ,...--:~
Eu sempre achei
que
certa'
I
,..
'.
cama-
as
ra ~'munic:i.pais 'e'ram<'ccnstituídas 'de um modo g1=ia{ de yerea;'"
'I
dores;;iªtimam~rlte:iigadosàs
oligarqUias locats. 'Nó errtan
í:',
.f,"
i
-:
to, eu óbservoque a aceitação êêl Campanha dó Petróleo pe-'
i.
1
'câm~ràs municipais foi muito grande.
.
,'-'
,.
.
Eu' me;' 'lembro,
eXéII1plo,'que no comício de 4 de julho de 48, em data-'
guases, 'qu~é á minha cidade, e onde' você esteve:';' o depui
tado Pedro Dutra, que era deputado federal' pelo' PSD e 'dono.da'rádio ';';elé sempre foi um homem de urna ho~radez pes":':
soaI mui to .grande, mas nao tinha. grande
sensibil:Lêlade' por
esse tipo de campanha, era um político de interi.or
cou a.rádiodele 24 horas à disposição do comício.
colo
35
pormenor:' ', ..
PRo .;... Esse'cas~"deCataguases-~::'devefter-se
repetido
em
ou-
tras cidades do
H.M.
Inúmeras vezes.
,-I
P. R .. ~ Às v~z~;~, a gente fica penaanôo o seguinte: nesse cª
so da Campanha
dO,P(3trq,leo,
p~r~<::e,que não existia uma con
"
' i ,,·r;· " ":"'"
,",-:--'"
',' ',"
"
,
tradição ent r e, os ,int~resses e a, posí.çào social e econômica desses vereadores, que eram,homens eleitos pelos fazen, I '
: .
,. . .'
:
,"
.
".,
:
"
_.
.
deiros, representativos dos fazendeiros, eles pr6prios mui
tas vezes fazendeiros,; latifundiários e
tal,
e
,
o
monopo-
lio estatal. É o que eu presumo. Será que tenho razão?
H.M.
,Plínio, eu me referirei novamente
frente única, à amplitude da campanha.
tra o Estatuto entreguista ao tempo de
caráter
ao
de
o Centro era conDutra,
mensagem da Petrobrás" entre aspa~, de
e
contra a
Vargas,
apontávamos como nova forma de entreguismo.
que
,
nos
O nome perdu-
rou a pedido de Getúlio - isso virá depois na hist6ria da
campanha, na fase final, em 53. Então eram
esses
os
dois
pontos: contra o Estatuto, entreguista, ou contra a mensagem entreguista de Vargas, e só e exclusivamente pelo monQ
pólio estatal.
Nós não nos desviávamos para combater o l ª
tifúndio, portanto o coronel latifundiário
atingido. E ele, então, muito
à
vontade,
nao
se
sentia
podia vir para a
rádio, para a tribuna de 'um comício, para
a
sala
de
uma
conferência apoiar o monopólio estatal do petr61eo.
Eu me Lembr-o nitidamente que, numa
conferência na
ABI, pitorescamente, eu, que estava dirigindo
lhos, tinha do lado direi to contraditoriamente
os
traba-
o ~ 'Roberto
Moreno, comunista, e do lado esquerdo um deputado integralista.
Este fato mostra simbolicamente a amplitude da cam
36
'"
panha de defesa do petr6leo; do comunista ao integralista.
Se isso ocorria na área ideo16gica ena área política, ta~
i
bém na área social a contradição ficava subjacente.
Nao
d~
~aparecia,
é claro!
N6s nao estávamos superando a contra-
dição entre o latifúndio e o campesinato.
Deus
me
livre!
N6s não éramos'chave de solução de coisíssimé nenhtm~! N6s
Mas
nao éramos o elixir para os pz'ob.l.ema s nacionais!
nos
éramos, Slm, u~ instrumento válido, fort~; ríglab ~' ~~ua~~
tê para a conquista do monopó Lí o estatal do;p~tr6ieÔ; que
..~.~
;~;
c6rnp:te~ndí~mos~iser um elo par a a em~ncipação';n'ã8:i811ai": cO::
m©e~t&
demonstrando que é na realidade.
;-,
pi)~. -:'Mirandá, vamos verificar o seguinte:
Lu;~i.~
urna
da
"
maiorià par j amerrt a r espantosa, porque ela
união dos três maiores partidos do país.
Não sei se em 47
ou em 48, o Dutra remeteu para a Câmara o Estatuto do Petr61eo.
H.M. - Em janeiro de 48.
P. R. -
Então ele tinha, urna maioria espantosa
o que quisesse.
para
Mas acontece que o Estatuto
ficou congelado na Câmara.
do
Eu compreendo
aprovar
Petróleo
perfeitamente
que a campanha popular teve urna participação
imensa
nesse
congelamento.
, H.I:\1.
Foi ,decisiva.
,
P.R.
Mas
,;pol? outro lado, não
e x.i.s t.La
uma ib:r:ml"de con-
tato dos elementos da campanha coma área
no, sentido de impedir, por exemplo, ,que
colocado na ordem do dia? Porque seria
párlamentar
o
projeto
muito
natural
o líder ida maioria do governo Dutra" interessado:: na
tação dê Estatuto, fizesse um apelo à ' mesa ..
de :que ele fosse colocado' na ordem do dia.
fosse
que
vo-
<:>
37
acontecem o.
à
Parece que o; Estatuto . foi apenas
comissão de
Constituiçãó'.eJustiça"não foi?
H.M. -
E terminou arquivado.
Não houve votação final. Tan
to que o Estatuto do Petróleo poderia ser revivido a qualquer momento nas sessões legislativas seguintes.'
foi absolutamente
derrotado;
ele não. foi
I,. ,
. •
.
a
o que aconteceu, José Luciano,
votação.
Ele não
plenário
foi
parlamentar de defesa do monopólio estatal.
batalha
a
Cada discus-
são numa comissão - Justiça, Segurança Nacional,
~tc. -
para
Economia
era acompanhada da maior mobilização que voc~ pos-
sa imaginar.
Os deputados recebiam centenas de
mensagens
cercando-lhes •• ~
J.D.
atividades?
Os militares nao participavam dessas
,
a,
,
H.M. - Ativamente.
Os militares iam em
conjunto
câma-'
ra acompanhar, as votações.
Como eu me Lembr-o de tudo is-
to no Palácio Tiradentes!
Quantas tardes e quantas noites
nós lotamos a Câmara Federal!
Clube
~ilitar
àquela época:
leo
Ali estavam
membros
Porque
e muitos outros militares.
"Saiu da ativa para a reserva
E realmente
era a frase corrente.
.11
os
:La para a reserva e passava a ser "general
como se dizia.
E todos eles iam de corpo
rar influir na votação na câmara Federal.
do
diziam
do
petró-
o
coronel
petróleo ll ,
do
presente
procu-
Agora, direi me
nao era apenas no plenário, era no recinto das reu-
lhor:
niões das comissões espec~ficas.
a Comissão
Por exemplo:
de Justiça estava discutindo o Estatuto do Petróleo, a men
sagem Dutra, a mensagem que nós batizamos, e que ficou sendo,mensagem
••..;
.: _!'
•
._.. .. ', •. ~
' .
.
•
entreguista- é uma palavra que veio da Venezuela,
acho
que
I,
você conhece a história, foi lá que lançaram essa palavra
-, a mensagem entreguista então era alvo
todos.
A UDN se servia,
é
do
claro e evidente,
combate,
de
de bons ora-
38
a"
combate
do
dores, como depois também se valeu muito
mensageM da Petrobrás durante o governo Vargas, que afinal
acabamos .••
P. R . .....,. Durante 'o governa Dutra, a pessoa
da UDN que
mais
sedestacodfoi,o Coelho Rodrigues.
H. M~
um homem
.....,' Que era da direção do Centro do Petróleo
que ocupava
a t.ribuna
pe rmanerrtetnerrt e,
Todo dia.
.
"-',
.
Todo dia o Coelho Ro~rigues estava lá, H~IVécio .Coe
Rodr,igues, 'oficial de Marinha, meu
colega~de,
farda,
grande figura mesmo, ex'tr aor-d Lné ri.al, Homem
um pouco ...
,I Já
Rodrigu~~não
[risos]
Bom nao
vou
contar
contei muitas anedotas.
deixava a tribuna e
arredo->
Pois bem:
o
era acompanhado,
de
; :f~ /.:;i' :;::",
Artur
Ber-
de chegar na mensageM
de que foi no final de
48,
o
Canrobert Pereira da Costa baixou uma ordem proibindo
que
os oficiais se manifestassem em torno do problema do petró
leOa
Então vários deles pediram passagem para a reserva -
eu me lembro, por exemplo, do major Napoleão Bezerra e de
~
.
varlOS outros.
Esse fato teve repercussões dentrO do Exér
cito no sentido de esmorecer um pouco a
posição dos mili-
tares em relação ao problema?
R,.M. -
j
Os ativistas tornaram-se mais a t.Lv.i.s t.a s , , ,IAgora,
claro que isso a~ foi um fator negativo;
"
e
impediu que guar
nições inteiras continuassem a se pronunciar.
ras de uma das d i.acus sóe s - essas discussões
a
~
Às
vespe-
que
eu me
referia .', -, vinha por exemplo da guarnição de Bajé, suponha
:39
mos,
toda ;a
P.R. - Eu sei, mas no governo Getúlio essa coisa desapareceu, porque eles vol t.arem a se manifestar •.
:
H.M.•
Houve
"
.-.
~
'. (
i
novam~nte manifestações.
:~~\....
.: .; '~:·:r;. ."; ,- -I ~:_; :~:'fl
P.R. - Eu me lembro daquele comandante
do
Rio
Grande
do
Sul muito amd.qc
meu,
o Pedro. .• I. . ".,',
,
\
,
: . t! ~
H.M. -
,~;
••• Alvarez.
capi tão AI varez.
P.R.
"1.-
1 -
.
i "--:.,
Major Alvarez mais tarde, àquele tempo
i!
,;
E depois houve o caso dos oficiais
de
engenparia.
H.M. - É porque essas ordens militares
se
tempo, não são muito fixas.
comando,
mudam.
Essa é a verdade.'
Mudando o
diluem
Alias, o Figueiredo
com
as
.,
Ja
o
leis
disse
que nao adianta pôr garantias na Constituição, porque quan
do eles tiverem de intervir, eles intervêm mesmo,
nao
'?
e.
J.D. - Bom, apenas duas lembranças em relação ao Plano Sal
te:
em 15 de novembro de 48, numa cerimônia
Mario Bittencourt Sampaio estava presente,
o
do
Centro,
que
era
fato interessante, porque ele era um integrante do
um
gover-
no, diretor-geral do DASP, e participante da campanha.
Ao
nível do Executivo, além do Mário Bittencourt Sampaio, havia participação do pessoal do governo Dutra na campanha?
H.M. - A Campanha do Petr6leo cindiu Legislativo, Execu~ivo, e eu diria até Judiciario.
Porque houve manifestações
de numerosos juízes - Osny Duarte Pereira -
e desembarga-
dores - Solidônio la do Rio Grande do Sul e nao sei quantos outros.
Então também no Executivo de Dutra ho~ve ma-
nifestações a favor do monopólio.
Monop61io era algo as-
sim corno sinônimo de defesa nacional, sinônimo de
patrio-
40
'.
tis~o,
sin3nimo ~e posiç~o nacionalista.
E as realizações' concretas do Plano' Salte,
J.D. - Certo.
corno eram vistas na campanha?
'I
H.M. -
Sa~de,
al~mentaç~o
J.D.
Sim, mas no tocante
,
e transporte.
A parte
ao '~etr61eo,
relativa
corno a campanha a encarava?
H.M . .:-- Quando Dutra foi deixar o governo, chamou
j','
court Sampaio e disse com aquela sua 'vozinha de' mato-gros,:::;
'.
agora ,'nãÕ;s'e
fala
,
"Olhei, dr. Bittencourt SampaiO,
sense:
"
.
Porque eu vou. deixar o governo
mais nisso.
:1
ouvir mais falar nisso!"
.Ó:
:
.
'.;
~mitando a
e,n~o,quero
,
,,'
."
'.
den.u:r~]
voz
Es-
sa era a seriedade do plano.
':,/s:
1'
J. D. - Mas de qualquer forma o Plano Salte está na origem
da construç~o das refinarias, na éompra da frota de petr6leo.
Dutra •..
De certa forma ele foi urna resposta
H .M. -
... Por
court
Sampaio~
-
.
,
.
,
.'
Eu diria, parafraseando
o
general
em seu Petr61eo apesar de Mr. Link, "refinaria
Dutra" .
Bitten-
açao de um partldarlo do monopollo:
Tácito
apesar
você sabe corno foi que eles obtiveram
as
de
refi-
narias?
P.R. - Ocaso já foi, contado aqui.
,.
.
-.-:'
.
\-:;:.':-"
,
.".\
Aquela' habilidade' . do
Bit~:encdurt
<A·
Sampaio •• '~.'.
J.
,", .-.,'
.; i ('
,,",.
-'.
- :,
~-
.:;
- o(govérno nutra tinha uma imar-qem de manobra •.• '
i,.: :
Isso havia.
gicamentê fraco.
o
governo Dutra era um governo ideolo-
Dutra' nâo empolgava ninguém.
DUtra
-:
mais tentou faze~ o que Get~lio fazia sempre:
')
'-,::
a-;
Ô.'.
-_:.~~.....
",
"--,'\"
-;' ., -'-'; .: ~-
X
f";
.:
.'"»;-.!"'::~',
reunlao publlca, urna grande reunião.
;.".~
-,~-f>'.
ja-
~,. ';
41
sidente, foi . 11m caud.í.Lho.,
Dutra '. não, foi nada.
P.R. - No final do'governo Dutra: quando
criada~ ela já incorporou um acervo que
a
Petrobrás
foi
tinha sido criado
pelo Mário Bittencourt Sampaio no governo Dutra, exatamente como o José Luciano estava falando.
H.M.
Foi o ponto de partida da Petrobrás.
P.R. - Exato.
As duas refinarias - Mataripe
a frota nacional de petroleiros e o oleoduto
e
Cubatão-,
são
Pau1o-
Santos.
H.M. - Correto.
Então já havia um acervo.
Não se partiu
do zero, partiu~se de algo que já existia, embora insignificante, em termos de indústria de petróleo •
...~
J • D. - Outro ponto muito importante na influência da campanha sobre o governo Dutra se refere aos temas da I Convenção Nacional de Defesa do Petróleo,
em outubro de
48,
que são a concessão de refinarias a particulares e o prob1ema da localização, no Pará, da refinaria comprada pelo
CNP.
Um aspecto curioso na questão da localização da re-
finaria é que o assunto foi objeto de um
projeto
mara, onde a proposta da campanha foi derrotada,
seguinte o CNP alterou a sua po1ftica,
no
dia
na
câ-
e no dia
seguinte
mesmo, e transferiu a refinaria do Pará para Cubatão.
Num
artigo do Jornal de Debates, o Lobo Carneiro
que
eles eram apenas inconseqüentes.
disse
Mas isso não é poss{ve1.
Uma decisão tomada ao nfve1 do Conselho não pode ser apenas inconseqüente.
*Enaano do entrevistador, que quer se referir ao final do
go;erno de Getúlio.
42
i
Colocar
H.M. - Foi apenas a superaçao de um disparate.
.' . no Para,
'
uma reflnarla
vamos e venhamos!
Embora. o
meu
grande amigo paraense, pedro Pomar defendesse essa local izaçao.
-.'1
Ele era paraense.
P.R. - Miranda, ent~o Vargas ~ eleito,
em 'dezembro de
e
5lcheg':lm ao Congresso a mensagem e a proposta- da.; empresa
mista.
Porque nes-
Como o Centro passou a se articular?
se momento o Centro já tem uma nova perspectiva,
já
tem
era
uma
um fato concreto diante de si, n~o ~?
H.M.
Correto.•
P.R.
Não era a mesma situação do Estatuto,
outra id~ia.
H. M. - N~o era o Estatuto entreguista,
frente.
já era um : passo a
O' governo tratava de constituir
não a empresa do petr6leo.
uma
Ao lado dela
empresa
mas
poderiam, consti.,.
I
tufr-sequaisquer outras empresas, nacionais oU,estrangeiras, Plínio.
Nada obstaria isso.
rizamoso projeto de Vargas
mais:
tamb~m
Por isso ~:que caracte-
ó autor da análise do projeto foi o
que tinha sido"como eu já disse aqui,
do Estatuto entreguista do Dutra.
E
LoboÓ~rn~iro,
o autor 'da' análise
Então combatemosia'men-
sagem de Vargas, pleiteando como sempre
n~o
entr~guis~a.
como
e
invariavelmente
I
uma empresa, do Estado, e ainda por cima com,a,partici-
paçao do capital estrangeiro privado, mas a empresa estatal e única!
"Tudo de pe t ró Leo para a. Petrobrás" "era
a
nossa palavra de ordem, que at~ hoje n~o foi realizada. Te
mos ainda a distribuição para ser integrada
J . D.
à Petrobrás.
- Eu gostaria que o senhor voltasse um pouco antes e
fizesse;umrel~to sobr~ o episódio muito, .'import:ant~ , que
foi o rompimento com Matos pimenta no inicio de 49, e que
,43
'signif,icou
'.J.lrlcltls:~ve
"",0' .... c.. '.
Porque há, váriOs relatos, vários artigos,
I
a divulgação.
inclusive
o
do
Domingos: yelàsco, )'A.dupla'.doibarulholl r :' sobre Matos Pimenta.
,
!o
H.M.
,
você conhece, não?
l! '
J.D. -
é
Conheço, já li,
muito interessante.
to principal do Matos Pimenta
demais o trabalho.
E o argumen-
. !
-"; i
é
que o senhor
concentrava
Dê a sua versão sobre todo esse episóí .•.
dio, que além do mais é divertido.
i
H.M.
j t "
Matos ,pimenta era um
temperamental~
de uma maneira mais forte o que ,e,u estou
Alguns diziam
assim,
dizendo,
diplomaticamente,
,um t,E:)mperamental:.,
era 11m instável. Bri-:
.
..'
~.
"
\
,
'
lhante, grand,~talent~,. grande jorneLi.at;a na seguinte área:
um artigo aemana Lv. Se pedisse .a ele tarimba de jornal,ele
seria zero •
Jamais escreveria um artigo por dia. , Jamais.
Agora, o artigo semanal, o Matos Pimenta
mente.
Diga-s~de passagem,
fazia
primorosa-
ele discutia conosco a semana
inteira o tal artigo, que saía no fim uma obra-prima.
Um
grande colaborador dele era o Nilo da Silveira
Werneck,
que discutia com ele ponto por ponto dos
artigos.
famosos
Mas 'o Matos Pimenta tomou a seguinte
posiçãd:
a
Campanha dQ Petróleo deve ter apenas um conteúdo de propaganda, e nao de agitação popular.
Nós
deveremos
fazer
conferências técnicas, devemos chamar especialistas, fazer
S·
conferências, e não comícios.
A razão se explica:
Matos
Pimenta era mau conferencista e péss~o orador de comício;
não conseguia articular três frases. num
ele não poderia desejar a sua realização,
~
.
Então
comJ.cJ.o.
porque
Ii
era
ex-
tremamente vaidoso, extremamente concentrador, isto sim, e
via em mim o defeito dele.
'
44
. Bem, conversamos com os 'generais
campanha.
sobre
o' rumo da
Se adotássemos a tese do Matos Pimenta de passar.
a realizar exclusivamente confer~nci~s comt~dnicos! e especialist~s,em matéria de petróleo, a campanha,
ver, morreria, porque nao atingiria a massa,
guinte não atingiria os
parlame~tares
bre o Estatuto do Petróleo.
nosso
a
e
por conse-
que iam decidir so-
Levamos aos generais esse pr~
à tese do Matos Pimenta a nossa tese de
blema e opusemos
que todas as formas de propaganda são boas e
úteis,
Não po-
que oportunas, desde que numa seqüência correta.
demos começar ~elo fim~ pela passeata.
Tembs
por uma pequena mesa-redonda, um debate,
desde
que começar
depois
uma
con-
ferência, um comício, para depois, chegarmos ao comício em
praça pública.
Os generais apoiaram a minha,
lhor, a nossa tese.
A tese que era minha, de Lobo Carne i-
ro/de Gentil Nó'r onha , de Maria Augusta,
de 'Nilo Werneck,
de José Mascarerlhas Sampaio, . de todos aqueles
~:":
;'._' o", "
dizendo me-
. ;.
qUe'cOorde-
~
navam o Centro de Petroleo.
Derrotado e~ reuni;o, Matos Pimenta ficod incon';
formado.
.
No sábado seguinte safa um artigo de página in-
teira,e pela primeira vez a primeira página,
ali
pobredern:Lm! - era eu.
E ele dizia
e
a
dispárates
,"
segtiinte teof:'queeu o havia procurado
figura
.'
11'
do
"
,I;;,
"','.
,'f
í.a ",de
em· comparih
I
.
\
Um' ;à.'lrigeln-tedo'Partido comunista, aNtes , da
'.". I. -
fundaçao
do
Centro ,pa:ratcc;I1\ridá -lo a' organizar O Centro
i
Já narrei aqui combo , Cent'ro do Petróle'o
..
nasceu,
. ,'....
-I"
,
de
reunião da' Liga' 'Anti'f~scistana ABl ,depois' de' uma reunião
de organização na própria ABI,' afinal; teve
no Automóvel' Club.
suainstâlação
' E ele '. só compared~u ria reunião , convi-
dado por nós '. ' 'Nãohbu:Ve ' nenhuma vi~it.a· a
para articttiar em nome do PartidO' Cohn:l.ni'sta a ":fUI;.dação de
"
45
nenhuma entidade, muito menos do Centro do Petróleo.
Ele
falseou a verdade.
Constituiu-se então uma comissão
Alice Tibiriçá, Artur Carnaúba e Nilo da
para interpelar Matos Pimenta.
integrada
por
Silveira Werneck
Eles fizeram
um
dossiê,
elaboraram um laudo e entregaram a Matos Pimenta para que
ele se pronunclasse em defesa do seu ponto
defesa daquilo de que nós o acusávamos:
de
vista,
em
de ser um divisio
nista da campanha, procurando lançar o secretário-geral às
urtigas,
jogar o secretário~geral na posição de um comuni~
ta que estava explorando o Centro, como ele dizia:
exploração comunista do petróleo" - era
tal artigo.
Pois bem:
a
frase
"Baixa
dele
no
promoveu-se uma reunião, à qual eu
já me referi, uma assembléia na UNE, e este é um fato que
demonstra a força da Campanha
qp
Petróleo.
expulsar um jornalista do nfvel de Matos
Nós
Pimenta
de um jornal, e .. marchar para a fundação
de
rigido por nós.
comissão,
E assim o fizemos.
A
podíamos
e
dono
um jornal direpito,
integrada por Nuta Bartlett James, da UDN, por Nilo da sil
veira Werneck e Artur Carnaúba, general,
opinou
pela
ex-
pulsão de Matos Pimenta e também de Rafael Correia de 01 iveira, por outros motivos.
J.D. - Certo.
E assim ocorreu.
,
e
Outro fato desse periodo
a
ampliação do
Centro para Centro de Estudos e Defesa do Petróleo e da •••
H.M. - Podemos fazer um breve intervalo?
[ INTERRUPÇÃO DE FITA]
li .
P.R. - Miranda, a chegada no
Cong~esso
da mensagem do pro-
,
jeto de Vargas coincidiu realmente com o ingresso do paJ..s
46.
num processo crftico alucinante.
~
Porque nessa mesma epoca
os partidários de Juarez sustentavam que era necessariodi-
I
estrangeiras,
vidir a exploração do petróleo com empresas
alegando:b perigo de um terceiro conflito mundial que estava sendo gerado pela Guerra da Coréia.
A Guerra da Co-
réia realmente teve uma importância muito grande no acele~
ramento da guerra fria, ·todos nós sabemcs disso.
do lugar, acentuou-se na imprensa brasileira,
e
Em
segun
também em
i
algumas áreas mais conservadoras do Congresso, :.. uma: campada
MinístériO
nhapela'demissão do general Estillac.do
,
Guerra. 'Houve "os processos nas três ,forças contra os mllitares que participavam da Campanha do Petróleo •••
H.M.
. •. Em 52.
P.R. -
.•. em 52, como foi o caso do FbrtunatO 'e do Dantas,
que foram afetados na Aeronáutica, do Leandro, do HuMberto
Freire, do Joaquim Inácio e de vários outros, no Exército,
e na Aeronáutica também.
Então chegou a mensagem e os de-
bates se iniciaram com o Centro contestando seu teor.
Co-
mo é que o Centro do Petróleo conseguiu enfrentar todo esse processo de situações dif{ceis, de situações
cas, de situações opostas~ para provocar
mensagem na Câmara?
a
antagôni-
alteração
da
Não sei se fui muito claro.
H.M. - M~it~ssimb cla~o!
Realmente era \ algo'mJÍt.6
diff-
Porque eraremetidaà'Câmarauma mensagem porum':'hôm~rri de
•
,-
'"c,
.
':"
.
"
'.
lnegavelprestilglo:
Getúlio acabava de ser reconduzido ao
poder por uma votação popular ó.
.E aquilo era como que utna
solução oposta ao Estatuto entreguista de Dutra.
tutoestávencido, é matéria' já superada.
o Esta-
Então~gora vem
a solução, a solução de Vargas, aparentemente.;. brilhante.
47
Realm~ntedl.iJ}gu~m: po.ª~:ria, seJ:"jcqnt:rª;:,aquela empr'e sa de' img
Mas l1~q,;,era élU"qlqção',),eraiumai solução. " Eu
d i.at.o ,
bzaz
r-az ia.a o
"
segu~nte:
1
,
. ,,;na,c'éin a':LS€; sla,mensagemnos
lem-
gastamos
"
muito 'tempo, ,e .houve inçlusive contatos com os dois verdadeiros autores. da mensagem.
Você sabe
quais
sao:
Jesus
Soares Pereira, ~" Rômulo, Almeida. Foram,' eles os criadores
da fórmula Vargas.
Essa fórmula Vargas,
enviada
,
câma-
a
ra, provocou imediatamente uma manobra de aceitação.
E os
jornais foram muito bem manobrados pelos. seus anunciantes.
Não é dizer que tenha sido uma coisa assi~
em Washington~
truste, o truste que está lá nao sei onde,
em Londres ou em Paris.
Não foi aqul,
pelo
remota,
diretamente
empresas que eram anunciantes nos jornais.
pelas
E eles passa-
ram a apresentar sob uma luz favorável a mensagem de Vargas em relação ao Estatuto entreguista,
era
esse
o
argu-"
mento, afirmando que tinha sido um avanço etc. e tal ,etc,
e
tal.
como
Bem, a análise foi feita fundamentalmente,
eu disse, pelo Lobo Carneiro, e concluiu-se
era contra o monopólio estatal do petróleo.
temente contra
o
que
aquilo
E era eviden-
monopólio estatal do petróleo.
Ninguém
poderia apresentar a mensageM de Vargas como uma mensagem
dentro da tese Horta Barbosa.
Tanto que ela foi profunda-
mente alterada com o substitutivo Eusébio
Rocha,
que
,
so
foi aprovado baseado num acordo com Getúlio feito no gabinete do Gustavo Capanema, na presença dos líderes, com con
cessoes de lado a lado.
O Eusébia já deve
ter
narrado
aqui como isto ocorreu, nao contou?
P.R.
Não.
H.M. -
Então eu chegarei lá.
Esses detalhes,nao.
Em primeiro lugar, eu queria
48
lembrar' 'a você que Jesus Soares Pereira foi um' nacionalisAlmeida também.
ta e Rômulo
homenagem.
A ambos
temos
de
'A Jesus devemos principalment~ a
\
foi ele o formulador.
Mas na questão da
render
Eletrobr~s;
mensagem' do
pe-
i
esteve aqui depondo.
Não sei se
elereconhéceu.~.
[ FINAL DA FITA 2-A
~
P.
J
-
nao.
Especificamente sobre esse problema,
",
j~
Rômulo
tróleo, ambos estavam pr-of'und amerrt a.' errados.
'.
Mas ele
tem uma entrevista gravada.
H.M.
~
eu estou informa
Então perguntem a ele o seguinte:
do que, num comf c i,o perant~ o povo, em campanha eleitoral
em Salvador, ele reconheceu que a mensagem Vargas não era
uma mensagetrl realmente nacionalista e positiva. "Ela estava eivada de erros, erros que foram corrigidos
pelo
titutivo aprovado com a emenda do Bilac
Pinto.
Rômulo
anu.qo
Almeida ...
Mas o meu querido
subs-
Isso
Jesus
o
Soa-
res Pereira morreu defendendo a mensagem de Vargas, rejeitando a fórmula que Getúlio tinha aceito.
Getúlio entrou
em acordo conqsco - pode-se dizer conosco, porque eu parti
cipei no dia a dia de todos esses dados, e o melhor depoeg
te ~ o E~s~bio Rocha.
',
,:
pre que
Q
".'.
.
"
..
Ha coa se s a s s am e,
.
'.
GetullO recomendava a ele:
.
,
;.í.
"Olhe,
na~ronalistà o substitutivo, melhor."
que o Eusébio repete sempre.
Eusébio diz sem-
Essa
quanto
~
malS
.,.;:1,,>
e uma
tecla
Mas ao mesmo tempo ele nar-
ratambém que a Ivete Vargas chegou para ele e disse: "Não
estou entendendo, Eusébio.'
PHrque
~ocê
apresenta
este
substituto, e o titio" - Getúlio Vargas - "me diz seguidamente que eu devo votar é na mensagem dele.
co?"
Coisas de Getúlio.
Na realidade,
Como, eu
fi-
Getúlio manobrava
49
maa s uma vez.-,."Ele acabou aceitando- aquilo que
a
H·
luta de
massa,' que a'luta popular, impunha, que era o monopólio estatal, que era a tese Horta Barbosa.
I
Infelizmente o Jesus
...
Soares Pereira considerava a tese oposta
a
mensagem
Var-
gas como um erro dos comunistas.' Mais uma vez ele revivia
a exploração comunis;ta para dizer que o Centro do Petróleo
era divisionista, que nós
e s t.ávamo s perturbando.
Pois berr::
se o Getúlio ,queria que o substitutivo
fosse
nacionalista, aceitando as posições de
Eusébio"
nas teses do Centro do Petróleo, na análise
do
maximamente
baseadas
Centro
do
Petróleo - porque o substitutivo de Eusébio foi um reflexo
das discussões internas do Centro e com
os
generais .••
P.R. - Ele apresentou o substitutivo de acordo com o Centro?
H.M.
De acordo com o Centro.
P.R.
Essa informação .••
H.M.
vocês vao ter nos textos o nesso apOlO ao substitu-
tivo de Eusébio,.
P.R.
Quanto a isso não há dúvida.
J.D.
Mas na elaboração concreta~
H.M. - Na elaboração; ele era vice-presidente do Centro do
Petróleo.
E se tivesse aprovado qualquer tese em discor-
dância com o Centro, haveria a manifestação do Centro. Nós
,
não perdoávamos. Nós éramos n~o intolerantes, mas eramos
intransigentes.
Em defesa da tese Horta Barbosa,
díamos uma polegada.
sébio Rocha.
'.
e ,
""
Nlnguem
se opos
ao
-
nao ce-
substitutivo Eu-
No Congresso o substitutivo dele fo\ aprova-
do como uma dasteses'a serem' levadas
à votação para ado-
ção da tese do monopó l í.o tés t.a-t.e L do petróleo.
5'0
J.D. - O senhor mencionou um fato muito importante que foi
a volta de Getúlio ao poder.
Qual foi
tro com relaç~o ~s eleiç~es de 1950?
.
a
~
do
po s.i.çao
Ce n-:
Qual a posiç~o fren-
te aos c~ndidatos, frente ~ pr6pria campanha,
frente
ao
discurso n~cionalista empregado por Getúlio?
H.M. - Posiç~o oficial,'n~o houve porque n6s nao pbdíamos
ter uma posiç~o' pol:í.tico-partidária.
manifestamos nem a favor da eleição de
tra a eleiç~o de Getúlio.
,
Ent~o
nos
Getúlio,
nao
nem
nos
con-
Mas n6s t:í.nhamos sabido d~ ida
a S~o" Bor j a de um jornalista da Revista do Globo - hoje to
"
a
da
Editora Globo pertence ao sr. Roberto Marinho - a n -
tes da eleiç~o,' para perguntar a Getúlio,
ni~o
dele sobr~ a quest~o do petr6leo.
qual era a opi-
Voc~
sabe qual foi
I
a ~esposta do Getúlio?
tal do petr6leo."
"Sou favorável ao monopó l í,o esta-
Isso foi transcrito
num
panfleto
Ent~o
n6s distribu:í.mos pelo Brasil inteiro.
que
aproveitamos
também a posiç~o de Getúlio, esquecendo que ele tinha sido
,
" N~o
um'ditador, que tinha prendido a qua'se todos nos.
importava isso.
ralo
Era urna força pol:í.tica, uma' força eleito-
Presumivelmente seria eleito, como
foi.
Pois bem:
nó s divulgamos por todo o pads a t.ese dada por Getúlio em
S~Ó
Borja a um jornalista da Revista de Globo favorável ao
monop6lio estatal do petr.6leo.Ent~o, quando ele mandou a
I
mensagem, n6s mostramos a contradiç~o:
Getúlio favorável
aO,monop6lio estatal antes de eleito era o Getúlio que man
dava a mensagem instituindo uma empresa.
J.D.
Outra coisa que eu acho importante
Centro ter eleito deputados, ter entrado
mara.
não-monopolista.
Como foi decidida e articulada a
,
e
na
I
o
fato
pr6pria
eleiç~o
de
de o
C~-
inte-
grantes do Centro para a C~mara de Vereadores, como no seu
caso, e
dos
deputados para a C~mara Federal?
51
H.M. -
a câmara Federal.
J .D.;;;:- Como"foi-isso?;);;
H.M. -
Ofic~almente
o Centro,nio:se manifestava.
Mas
eu
lhe disse já ~o início que o jornal Emancipaçio_"_nio era ó,E
f-o'
. " . '
l·;.'· .
gao oficial. do Centro" aí está a chave.
1""
Emancipação pas-
ir:
sou a fazer div~lgaçio dos candidatos do monopólio estatal
,--,-
I
.;
"I'
do petróleo, houve ediçõesmaçiças de propaganda das
didaturas Lobo Carneiro e Henrique, Miranda.
Ele
can-
foi
o
instrumento que nós tivemos na divulgação, além de um panfleto escrito pelo Gentil Noronha "Quem é Miranda",
quer coisa por aí.
qual-
Eu fui candidato realmente da Campanha
do Petróleo.
J.D. - Por qual partido?
H.M. - Partido Republicano Trabalhista,
,
.
sabia nem onde se encontrava.
cuja
Foi apenas uma
sede
-
.
eu nao
sigla que a
esquerda obteve para apresentar seus candidatos,
entre
eles Leitão de Carvalho.
P.R. - Nesse caso, nas eleições de 1950,
rização de posições muito
Por exemplo:
perf~ita
há
uma
caracte-
e muito clara, eu acho.
o Getúlio defendeu na campanha
eleitoral
o
monopólio estatal do petróleo.
Ele tomou posição, mas nao foi bandeira dele,
H.M. - Não.
não chegou a ser uma bandeira.
P.R. - Mas parece que nos comícios da Bahia
ele
falou
muito claro.
H.M. - Falou, mas sem ênfase maior.
Não era um candidato
da Campanha do Petróleo.
P.R.
Certo.
H.M. - É.
o Eduardo Gomes era visivelmente
o Eduardo era lastimável.
contra.
É meu amigo pessoal,
52
diga~~e
P.R.
de 'passagem.
H.M. - Não.
nenhuma.
posição
E o Cristiano Machado não tinha
Foi sempre Cristiano.
P.R. ~ Então voc~ concorda ...
O Eus~bio
achou.
que,
de
certa forma, sim,e tal, mas eu queria a sua opinião.
Voc~
acha, por exemplo, que nas eleições presidenciais
1950
a questão do petróleo tamb~m ajudou a favorecer
de
os
votos
que Getúlio teve?
H.M. ~ Olhe, ~ muito difícil afirmar isso categoricamente
'.
a posteriori; depoié:.de passados tantos anos.
Mas aquela
posição que nós divulgamos, a que eu me
há
referi
pouco,
Getúlio ,apoiando a tese do monopólio estatal, nós a divulgamos de fato, porque quando mandávamos
ela atingia, como já ~xpliquei aqui em
todo.
publicação,
uma
detalhes,
Creio que dentro da campanha eleitoral
de
I
.-
o
palS
'Getúlio
isso deve ter influído.
P.R. - Certo.
Agora, Miranda, a mensagem
mara em dezembro de 1951.
chegou
Em 25 de, janeiro de
bio apresentou o substitutivo
dele,que
logo
foi aprovado por unanimidade na Comissão de
,
câ-
a
52 o Eus~em
seguida
Segurança Na-
cional com parecer do general Lima Figueiredo.
H.M.
Correto ..
P.R. - Em junho o Bilac Pinto apresentou o substitutivo dª
le, a emenda dele em nome da UDN, que era
da
bem.
111
O Centro de Defesa do Petróleo, na
apoiou a emenda Bilac Pinto.
seguinte:
existia algum conflito, algum
Eram complementares.
Eu lhe
Muito
. Convenção,
Eu queria perguntar 'a
tre o substitutivo de Eus~bio e a emenda
H.M. - Não.
UDN.
voc~
antagonismo
Bilac
detalho
o
en-
Pinto?
at~
a
"<:»:
53
maneira pela qual o Bilac Pinto
dele.
v~io
a apresentar a emenda
Ainda a partir do Centro de Petróleo.
nitidamente representado pelo seguinte
Isso ficaria
fato:
eu
fui
a
Belo Horizonte com o Roberto Costa, de quem você talvez se
lembre, o editor etc. e tal, encontrar-me no hotel Roma se nao me engano ainda existe por lá na
rua
principal
de
Belo Horizonte - com o Bilac Pinto' em nome do Centro para
debater, discutir a apresentação da emenda de sua autoria
e o posterior apoio do Centro a essa emenda.
Você
pode
o Centro estava
ver que a nossa articulação era geral.
praticamente em todas as posiçbes, em todas
,
as
areas.
P.R. - Agora, a UDN, no programa dela, era taxativamente a
favor do capital estrangeiro em todas as áreas da economia
nacional.
Ela não tinha, nem por vocação,
nem por forma-
çao, nem, vamos dizer assim, por coerência,
seja lá o que
for, nenhum compromisso com a tese do monopólio
H.M.
Programaticamente, não.
politicamente.
Mas tinha
P.R. - Depois ela resolveu tomar aquela
posíção não foi uma forma de colocar a
estatal.
posição.
faca
no
Aquela
peito
do
Getúlio?
H.M. - Foi uma forma, mas ao lado disso foi também a compreensao do que -e r a o vulto e do que era
panha do Petróleo.
compreender isso.
nível
da Cam-
Até a UDN, até a reacionária UDN pôde
Em todas as partes
eram interpelados.
nha do Petróleo!
o
Você se lembra, você
os
parlamentares
viveu
Era ~ obsessão nacional,
a
Campa-
Plínio!
Não
é verdade isso?'
P.R.
\, .
É verdade, Slm.
.!
\
H. M. - De manhã à noite eu ouvia a seguinte pergunta:
o petróleo, Miranda?
.E o pe t r óLeo , Miranda?"
"E,
De manhã à
54
noite. Meu telefone funcionava, o Brasil inteir9 ligava pª
ra ca.
As ligações eram baratas àquele tempo. [riSOS] Mui
to bem.
Havia eixo Rio-sâo Paulo, Rio-Porto
Alegre,
para
Salvador,! Rio-Recife funcionando permanentemente
desenvolvimento da Campanha do Petróleo.
mes assim:
Miguel Arrais, secretário
do Barbosa Lima Sobrinho.
o
Nós tínhamos no-
em Pernambuco, quem era o presidente
panha do Petróleo?
Rio-
E por aí vai.
Os
da
de
Cam-
Finanças
grandes
mes que viriam mais tarde, ou que já estavam na
no-
política,
Entâo eu acho que
se incorporaram à Campanha do Petróleo.
,
a posiçâo da UDN derivou de' duas coisas:
da sensibilida-
de política, compreendendo que a campanha
se
I
impunha,
e
realmente da intenção de atingir Getúlio, o que era fácil.
P. R. - Miranda, errt.âo o pro jeto, com as
emendas
na C~mara, foi remetido para o Senado.
aprovadas
E .no Senado a gen-
te observa que a po s çào foi inteiramente
diferente,
í
sar das posições de Alberto Pasqualini,Kerginaldo
ape-
Caval-
canti, Landulfo Alves ...
H.M.
. .. Atílio Vivacqua .
P.R.
. . . Atílio vi vacqua, sim, claro,
fato é que essas emendas da C~mar.a
riâo
nao
passaram,
nado apresentou uma série de emendas que
.
há dúvida.
i
e
o
desfiguraram
O
Seo
,
monopolio.
H.M.
Sobretudo a Emenda 32.
P.R. -
Sobretudo a 32, que é de autoria do
Bem, aí as emendas voltaram à C~mara para
das.
Eu recordo até que foi organizada
26 parlamentares, da qual o Eusébio f'a z i.a
Ismar de Góis.
serem
uma
aprecia-
comissâo
parte,
e
o
de
re-
lator era o Lúcio Bittencourt, que impugnou todas as emendas do Senado.
55
H • M. ~-~ ,7
GrandeJrelator. ,E do'PTB!
mul:tipartidárioJi
!f; ,
,.,t'.
P. R. -.: Exato.'
Veja.o caráter
;j
Perfeito.
E na Comissão de Constituição e
Justiça o Balbino dava pareceres contrários a todas aquelas
emendas que tinham vindo do Senado. Foi
,
~
.
~:.
então
que
houve
.
- o que é uma coisa muito importante em
toda
essa
campa-
nha - o tal 'acordo no gabinete do!capanema, em que o Get~lio fez as suas propostas e o Centro as
suas
contra"pro-
postas, nao foi?
H.M. -Você quer que eu detalhe este encontro?
P.R.
Isto.
Detalhe este encontro.
H.M. - Então vamos a ele. A campanha tinha tomado um talvulto ... Eu insisto nessa opinião: foi o vulto
que determinou o resultado.
Até Get~lio
da
campanha
reconheceu
que
nao podia insistir nos termos da sua mensagem.
P.R. - É verdade que ele disse
"Eu reconheço
que
A
voces
venceram"?
H.M. - Exato.
Disse isto e acrescentou
então vieram os
Get~lio,
termos do acordo: "Eu reivindico" - ele,
dicava - "primeiro: manutenção do nome
reivin-
Petrobrás."
Nin-
guém podia ser contra, seria urna bobagem; nós tínhamos di-
to que a mensagem da Petrobrás era entreguista, e conservª )
ram o rancor contra a pal?vra Petrobrás, muito feliz, felí
císsima essa palavra. Então mantivemos
esta
aceitação."
Segundo ponto: manter as refinarias particulares."
mais tarde elas foram adquiridas, não todas,
pela
Só
que
Petro-
brás. Falta ainda completar o mon~pólio estatal, iirifeliz-
\;
mente. "E ainda o problema da distribuição
distribuição em grosso."
por
atacado,
Ele também exigia que a distribui-
ção, pela Shell, pela Esso, pela' Texaco continuasse, fosse
?
56
mantida.
Também aceitamos, e reconhecemos
em
documento,
com pleno realismo, que estávamos sendo derrotados
naque,
no monopo-
les pontos, mas que estávamos sendo vitoriosos
,
lio estatal para os outros setores, as outras areas:
o
quisa, lavra, refino, transporte.
mais,
viria
pes-
depois.
Então foi realmente a votação resultante de um acordo com
aquela mão fria, impressionante, de Gustavb Capanema - ele
~}
não segurava as mãos das pessoas, ele entregava.
guma vez cumprimentou Capanema?
Você al-
Meu Deus do céu! Você se
lembra desse detalhe?
P.R.
Eu me lembro.
H.M. -
A mao fria, esticada.
Nesse momento eu também es-
tava participando dessas reuniões.
Não tanto no âmago,
CQ
mo Lobo Carneiro, por exemplo, que era o nosso presidente
do Departamento de Estudos e o nosso deputado federal. Mas
eu estava nas tribunas, estava nos corredores
;Z
etc. e tal.
E a grande figura era o Artur Bernardes! Foi ele a palavra
final para a concordância, que nós apresentamos
como
um
êxito parcial e provisório.
P.R. -
Perfeito.
-
Então participaram dessa z eun i. ao o Ber-
nardes, o Eusébio ...
H.M. -
... Bernardes, Capanema, Eusébio
e
\
Desses eu me lembro. Alguns outros também:
Lobo
Carneiro.
I
Lúcio Bitten-
court e Bilac Pinto deviam estar.
J.D. -
Esse àcordo foi urna coisa que surgiu de repente ou
havia a previsão ... ?
H.M.
Não.
o acordo estava sendo elaborado. Porque o prQ
prio Eusébio, por exemplo, tinha estado em palácio,
bio tinha ido a Petrópolis, Eusébio foi
Eusé-
um batàlhador. Ele
tentou tirar do "titio" - desculpe a irreverência
o
.
57
Acabou cori~e~Jindo cilgijilie~ ftases do G~~~lio, co-
máximo!
mo por.
exeirlpl,ô:.
listal íi
Mas
ma i s
"Torrié o seu subii:H:.ituti vo
nac í.ona-:
,.;'..
não dizlá como.
coilio tbi ti ~atirdo qrie
se
A:F.iriâi ele
e
como,
disse
o
abrovou.
J.D. - Outia tigura muito contr~dit6ria nesse processo todo foi a de Juscelino Kubitschek, que fechou o centro estadual e proibiu conter~ncias.
ve"
senhor
Como ti
esses
ac ont ec Lmen t.o s ?
H.I'L -
O conterrâneo do Plínio, nao é?
outro
Inclusive
Eu me dava muito hem com ele.
falso democrata.
,
e
,Juscelino
numa ocasi~o, a primeira vez que nos encon~ramos depQis de
64, eu disse:
;'Olhe, nós fornos companhe l r o s
dr
"Ah!
~
gargalhada
urna
Tenho essa simpatiá huma-
Mas o tal nacionàlismo dele é necessa-
na pelo Juscelino.
A tal d~ ind~stria
riamente entre aspas.
,
.
"Não sou medlcb,
Ele deu
Confra·ternizemos!"
ca e um logro.
o se-
,.
"Ah, o senhor é médico?"
, ,Tu~celino ,eu sou cassado."
enorme!
"Ah,
"
"~lão r não sou mineiro, dr. Juscelino, eu
nhor é mineiro?"
soli càriocet."
v
Então .Iusce Lino
que fez o seguinte:
automobilísti-
Kubi·tschek
,
numero um fechou a
foi
um
Liga de
homem
Emancipa-
çao Nacional em junho de 56.
J.D. -
Sim, mas no caso anterior, do centro estadual, qual
foi a conjuntura?
H .1\1 •
Bom,
no centro estadual ...
para o anterior.
Ele fechou a
Vamos
passar deste
Federaç~o
de
Mulheres
Arasil e Fechou uma federação de P9rtu~rios,
do mesmo dia.
homem contraditório:
UI1I
em
Estes são fatos que caracterizam
Agora, no governo estadual,
Bernardes, ele fecha V21 o Centro l\1inei ro
do
decretos
quem
Juscelinó
ao mesmo tempo em que
fato
era
era
um
ele cortejava
de
Defesa
do
Pe·trólêó, eH~
.i . D.
petseguíi:l
- Mas qual erâ
Emancipação'.
',~.
b
" -' r.
Antlcomunlsmo,
éif.gulrlÊm't:o?
de agitâção subVersiva?
Ele atendia aos cas-
H.M. ~ Ele atendia ~ reação mineira.
cridos d~ politica mineira.
Mas con v e r s a v a com o Roberto Costa no Pal~cio d~ Li
P . R. -
berdade.
E ia ~ boate com o Roberto Costa.
H.M. -
Eu ·tenho fotogrª
~quele tem-
fia de Juscelino com Roberto Costa numa boate
po.
Esse era o Juscelino.
lVlil~flnda, eu queria volt.ar
P.R.
um
pouquinho atrás ainda,
dentro daquele pr6cesso critico a que me
referi
.
.
("
1111C10
no
Uni-
do governo Va~gas, ao Acordo Miiitar Brasil-Estados
dos, que foi um momento que eu vivi tamb~m com muita inten
sidade.
H.M. -
A comis~ão nacioriãl c6ntra o 'acordo
militar
com
o
generál Edgàr Buxbáum.
P. R. _.
pprfeiÍ::o.
o
acordci militar acatado por Get~lio te-
~ia s~do uma cohtraparti~~ no sentido de jtis~{ficar a acei
taç~6; por parte dele, do monopólio estatal
do
petróleo.
Houve rtm jogo aI, houve uma.:.?
[-I.N.
-- P01~
mais antigetl.l1:i.st8 que eu'seja,
afirmar leso categoricamente.
Mas em todo
que era ma i s uma manobra de Ge·t~lio.
O
Brasil-Estados Unidos,
VAm
f er r o vo Lh o .
P.R. -
e
A
gen~e
peso para obter
Am
o
lhe
posso
aspecto
de
Porque apressa0 arng
ricana era uma pressão dessas que chamamos
o arneric auo pôs todo
nao
o
•
;
r
•
.í.r r'e s a st.a ve a s .
Acordo
Militar
(Iue o Brasil dava ·tudo e ele_8 à -ª'I'
A gente sabe que
Gettl·]._~.o
•1
sab· e G_ue Iltln. r.s.· h.. O.I.l.1.re,
.
_
rJ-e'o
.1
ce d eu ..a
.
lSS0.
que nunca h'ouve
59
na h í.s cór í.e -do « ;B.rasiL:um pe r Iodo.rt.ào. forte de pressao
co-
mo esse período de' guerra; fria, no início do governo Vargas.' .
H.M. - Eu sei porque eu estava na Câmara.
câmara mirim, como vereadór, mas vivia
câmara
o
dia
a
menor,
dia
pessoas que nos procuravam por serem perseguidas,
das
demiti-
d. ;
das, presas ...
P.R. - Agora, num processo de desencadeamento da
guerra, ou de agravamento...
Não digo
isso,
de um agravamento do conflito da Coréia,
não teria, por exemplo, um expediente,
mas
t.er-ce i.r ar-,
no
caso
o acordo militar
um
claro de, diante de um fato internacional
objetivo
nao-
relevante,
anu-
lar o monopólio estatal do petróleo com base ... ?
H.M.
te:
Seria evidentemente uma arma para isso pelo seguina posição dos que apoiaram o acordo militar era a po-
sição de um Cordeiro de Farias, ;:-,.e hoje está em moda ci tarse, de um Golberi.
automático
Era a tese do alinhamento
do Brasil aos Estados Unidos.
No caso de uma guerra, tudo
que houvesse aqui de expressão nacional seria imediatamente subordinado ao americano.
Tudo seria americanizado ou,
como dizia o Estillac, "americanalhado"
do velho Estillac.
era a expressa0
Você tem razão nessa tese:
era o ins-
trumento definitivo para a subordinação do país à América
do Norte.
Por quê?
Havia o problema da concepção militar
do Departamento de Estado norte-americano.
a sua responsabilidade no Atlântico Sul;
item, era um fator do sistema defensivo
que correspondia à área do Atlântico Sul.
tar nada mais foi do que a expressa0 dessa
guerra.
o Brasil tinha
então
era
um
norte-americano,
o acordo milidoutrina
de
60
J.D. - Certo.
o acirramento da guerra fria teve um papel
mui to importante também na definição e na separaçao final
Como o Plínio
de correntes bem-definidas no meio militar.
I
já ressaltou aqui, vários militares conservadores e militª
res nacionalistas tinham~se agrupado em torno do Centro; é
presumível, portanto, que o acirramento da guerra fria, com
efeito so-
toda a pressão norte-americana, tenha tido um
bre esses militares.
As correntes nacionalistas se dividi
ram dentro do Centro?
H. M. c Bem, a Campanha do Petróleo teve
aprovação da lei da Petrobrás:
o
seu auge com a
3 de outubro
pois houve na realidade um descenso, e
de
De-
53.
em 54 fundávamos a
Liga de Emancipação Nacional, contra a opinião de algumas
pessoas.
Eu, por exemplo, continuei membro
do
Centro
e
seu sec~etário-geral, o general Felícissimo, presidente do
Centro do Petróleo; a Maria Augusta, intransigentemente na
propaganda do Centro do Petróleo e colaborando também na Liga
de Emancipação.
A Liga nãq obteve o mesmo
apoiq
militar
que o Centro, porque a Liga tratava de todos os problemas
econômicos, políticos e sociais do Brasil ..
A Liga era de
emancipação nacional, era contra o latifúndio
imperialismo.
e
contra
o
o manifesto inicial teve o apoio de alguns
generais, mas não de todos aqueles generais
do
Eles já estavam em posições mais discretas.
havia mais a incorporação dos "generais
petróleo.
Então
do
petróleo".
nao
E
quem continuava a Campanha do Petróleo era a Liga de Emancipação Nacional, que viria a promover
em
de 56 o I Congresso Nacional de Defesa
dos
junho
julho*
Minérios,
* O mês de realização do congresso foi junho.
que
'-../
61
se realizou na ABI, tendo a 'participação do almirante Ál~
varo Alberto ,de Dagoberto Sales,' Seixas' Dória etc.
Pois bem:
desse I Congresso Nacional de Defesa dos Miné-
rios decorreu a criação da Comissão Nacional
Nuclear.
etc.
de
Energia
E o Juscelino de sempre, criou a comissão, fechou
o Centro e mandou processar seus diretores.
tudo, processo policial-militar contra
Buxbaum.
o
Abriu, sobregeneral
Edgar
Isto é Brasil.
P.R. - Então você concorda que a guerra fria já estava estabelecida no Brasil?
H.M. - Efetivamente.
Eu vou lhe citar
dois
como
Elisa Branco, abriu uma faixa no viaduto do chá,
exemplo:
em são Paulo:
"Os pracinhas, nossos filhos,
ra a Coréia. "
[voz embargada]
hoje.
fatos
,1::
nao irão pa-
isto me emociona até
Prisão e sentença condenando; cumprimento
e uma campànha nacional pela libertação
de
Elisa
No Clube Militar, os patriotas foram imprudentes
prudência.
Branco.
e
publi-
foi uma im-
Hoje eu posso dizer tranqüilamente:
caram ...
pena
da
Àquela época eu concordei e fui ler da tribuna
o artigo publicado na Revista do Clube Militar.
P.R.
"Considerações sobre a Guerra da Coréia."
H.M. - Foi uma imprudência sem conta.
tregaram à reação!
Porque eles se en-
Era a guerra fria sendo enfrentada por
um pugilo limpo de militares do Clube Militar, em geral da
reserva.
Foram decapitados.
Aí é que houve realmente no
Clube Militar a virada para a corrente
P.R. -
antidemocrática ...
... Do,Etchegoyen •..
\..
H.M. -
... e antinacionalista.
Então mais tarde nao adian-
tou lançar candidatos como Peri Bevilacqua,
ou
agora
co-
mo o Andrada Serpa etc. e tal, porque eles estão lá forti-
62
ficados.
,
A virada no Clube Militar sera
~esultado
-o
Setorialmente
mudança geral da política brasileira.
da
nao
creio numa vitória no Clube Militar.
P.R.
Agora, a derrota.do Estillacpara
o
Etchegoyen
Essa de.!:
1952 foi antes da aprovação da. lei da Petrobrás.
rota de certa forma não prejudicou a campanha
H.M. - Prejudicou.
Prejudicou e houve
do
Centro?
inclusive reflexos
nos quartéis onde nós tínhamos distribuição
çao.
em
de
EmancÍ'p-ª.i
Tanto que eles puderam prender os leitores de Eman-
cipação,
Quem, eram os oficiais da Aeronáutica e· do Exér-
cito que foram presos em 52, 'cujos nomes estão na memória
de todos nós?
Eram diitribuidores propagandistas de Eman-
cÍ'pação.
Então nos IPMs constaram perguntas
mo esta:
"O senhor apóia-a Campanha do Petróleo?"
oficial respondesse que apoiava, era
Vejam o auge.
uma
of
Campanha do Petróleo."
creve um livro sobre .í.s.t.o
co-
E se o
incriminação.
Hoje é um título de honra o
"Eu participei da
cretinas
Lc i.a E'<d i z e r
Um Tácito
r
es-
e por aí vamos, nao é fato? AgQ
ra, ~quela época era um ~tem para o processo policial-mil~
tar.
J.D. - E o ponto disciplinar era o quê?
Violação da hie-
rarquia, comunismo ...,?
H.M. - Eram os pretextos, porque os joinais
da
reaçao
H.M. - O pretexto era esse: quebra da disciplina,
desres-
eram distribuídos.
J . D.
- Certo.
Mas qual era o pretexto? -'
peito à hierarquia e sobretudo divulgação
exóticas"
"doutrinas
essa exp~essão veio do E~tado ;No~o.
da derrota de 35, cunhou-se essa expressão
cas".
de
Depois
"doutrinas exóti
É o "comunismo. tribário peculiar aos
povos da Ásia
<:»
63
Central" .. :Isso .é>, de "uID,.discurso; ,de ,Getulio.
•
_.. ~
_.....
I
.
.
P. R.-:.; E~' vez i.f Lco ," 'ent.ão i _,.qu~jies'se processo
se
!
desenvolveu'em duas etapas , bastante distintas:
te a Campanha do Petróleo em si.
E contra
a
inicialmen
Campanha
do
Petróleo era difícil um pronunciamento muito vigoroso.
A
gente· nota, , .por
exemplo ,aqui nes.te convênio,
>
~
1
,I
.
.::.
.'
•.
;
que foram contra.não querem
; ' ,
:-.
que
aqueles
'
depo~.
Então
nao
havia,
as-
sim, a campanha contrária, e principalmente na área militar eu acredito que ela era mais dissimulada.
o Clube se
envolv~u
no proceaso da guerra
começaram a argumentar que ali havia o
Mas quando
fria,
que
intuito
mento da aliança automática com os Estados
de
eles
rompi,
Unidos
e
que
a coisa ...
H.M. - Aí,. como. eu dizia, eles foram decapitados~
liquidados, no Clube Militar.
longínquos.
Foram mandados
para
Foram
lugares
O Tácito era major, senao me engano, a esse
Gros~
tempo e foi para o Maranhãó.Outros foram para Mato
so, Goiás' e não sei aonde, mais.
Foi 'a
Eles dispersaram.
diásp~rados oficiais. nacionalistas.
,
Es'ta
a
e
verdade.
P.R. - Você considera, então, que se o Clube se mantivesse unicamente dentro da campanha da tese
talvez Estillac nao teria sido derrotado
Horta
em
H.M. - Pelo menos isso dificultaria a derrota
Porque é o problema de você não se expor
oferecer um alvo muito amplo.
vo, não é exato?
P.R. - Certo.
'\
ao
maio
de
Barbosa,
de
52?
Estillac.
inimigo,
nao
Você tem que limitar o al-
E ampliar aquilo que
A
voce
vai
atingir.
Porque
eu recordo que foi o .artigo do Hum"
" ,
berto que ,g~FP}1 a. ~ol).voc;:açao de uma" ijl;ssembléia,
1.-
nao
foi
isso?
H.M. -
Foi~,
Você está,bem a
par~
o 'artigo'
dele
que
eu
64
Nós
li da tribuna da Câmara dando pleno apoio.
mos num entusiasmo louco!
co, e até hoje,
.
tosslndo!
\
estáva-
Eu me emocionava com Elisa Brarr
[voz embargada]
agora,
fiquei
aqui,
Imagine!
P.R. - É o famoso número 107 da Revista.
H.M. - Exato, 107.
o Plínio é um memorialista.
,
J.D. - Outro ponto importante e que, no governo Dutra,
ho~
ve a dissolução ou a perda da maioria parlamentar no
caso
concreto do Estatuto.
caso
Como esse processo
se
deu no
lentamente
de Vargàs, ou seja, como a campanha conseguiu
cooptar
d~p~tados?
H.M. - Uma mancha de óleo.
que acontece:
Jogue óleo na água para ver o
a mancha vai se estendendo,
depois
evidentemente cobrindo toda a superfície.
ra, não há dúvida, mas desde que cubra a
o que se des~java.
Perde
acaba
aespess~
superfície~
E essa cobertura ocorreu.
câmara, no dia a dia, nós íamos conquistando
.. Era
Dentro
votos.
da
Com
,
todas as manobras possíveis e 'imagináveis,
as vezes. Mano-
bras honestas, dignas, mas de envolvimento;
envolvimento
de visitar o relator em sua casa, em seu escritório, de ir
'''-../-
ao seu gabineie na Câmara.
nete eram visitados por nós.
Então casa, escritórid e gabiNós estávamos lá dentro, vi\
giando o processo de opinião dos parlamentares.
[ FINAL DA FITA 2-BJ
H. M. -E realmente esse movimento foi erivo L vente
e
conse-
guiu êxito.
J . D. .:- Certo," mas vários estudos sobre
o
pe r Lodo
e
sobre
sua dinâmica colocam essa questão no pla'nodos' aconteci-
•
65
mentos políticos gerais.
,
p~lo
-Ó:
E~m
desses pontos é o abandono,
PSD, do ~poiq_a~ gover~o V~rgas, à medida que se ra-
dicaliza.
o senhor imputaria a perda do apoio parlamentar
de Vargas também a esse processo geral,
ou seja, da perda
do apoio do PSD por parte de Vargas?
H.M. - Também.
o governo de Getúlio foi
Creio que sim.
um governo que se foi afunilando.
se reduzindo
e acabou
no suicídio.
Ele começou amplo, foiAcabou
de
tal
forma
que, vê-se, uma força minoritária como a UDN teve ganho de
causa.contra o prestígio inegável de um caudilho.
dilho
qu~
condiç5~s~por
não teve
Um cau-
falta de apoio militar,
pOlítico-partidário e parlamentar, de se
,
sobrepor
onda
a
de calúnias - ·eu reconheço -, de inrâmiasque lançaram cog
tra a figura del~ - Getúlio~
Getúlio nunca roubou!.
lio deixava. roubar"às vezes.
to manhoso ...
Getú-
Ele era muito manhoso, mui-
Então conhecem-se episódios
e
mais
episó-
dios,há um anedotário vastíssimo em relação a essas coisas de corrupção. ,'Mas r. e,le, não!
Embora fosse apontado
mo chefe da' gangue'.E o Lacerda .nãotinha
gua, d i.z La até as
va .
ú
papas
na
cQ
lín-
l.t í.me sv- e ofendia, injuriava e calunia-
Então foi o processo de a.funilamento
do, poder
polí-
encerramento
tico de Vargas que. veio do auge de 1930
num leito de morte.
[INTERRUPÇÃO DE FITA
J
J.D. - Outro tema muito importante para a definição concre
ta da campanha diz respeito ao recrutamento s.ocial da campanha, à população envolvida na campanha.
nesse livro em que ele colhe inclusive
•
•
".
':
:"
...
I ~
o
\;
-
O John wirth,
seu. depoimento,
argumenta
que a campanha era tipicamente de classes médi-.,
66
as,
já que a estrutura sindical dominada pelo PTB, que ti-
nha uma posição ambígua em relação à campanha, impediu uma
participação pelos sindicatos dominados pelo PTN.
H.M. -
Ele tem razao no particular 'do apoio
sindicatos no Brasil sempre foram débeis
beis.
e
sindical.
Os
continuam
dé-
A classe operária está aí dividida em três centrais
- lamentavelmente isso
oc~rre.
~
No campo,
No campo
nao.
confederação, a Contag.
É um fenômeno
.
.
,
curlOS1SSlmo
para o. qual eu chamo a atenção de vocês
,
uma
há dois mil sindicatos, sem duas confederações,
so
esse,
pesquisadores:
a
"
unidade do movimento camponês e a divisão do movimento da
Então, de
classe operária, da classe trabalhadora urbana.
massa.
fato, os sindicatos não tlnham maior expressa0 de
Mas os sindicatos que existiam com a representação,
com
participação de 10% da categoria - os metalúrgicos,
exemplo, com uma boa mobilização, tinham 10,
de operários - vinham para a campanha.
sindicato estava na campanha. 'Fraco, mas
tersindical e todo aquele movimento que
por
15% do total
que
O
a
havia
de
A in-
estava.
havia,
sindicato
de são Paulo, sindicato do Rio Grande do
Sul,
sindicato
da Bahia - seria incrível citar aqui' todo
esse movimento.
Agora, quanto a caracterizar como
movimento
de
classe média, eu pergunto qual o movimento da história do
Brasil, da República para cá, que não é
Há algum?
Não
há.
de
classe
Então não é uma característica distin
tiva, diferenciadora da Campanha do Petróleo.
uma participação complementada pela presença
massa popular, daquela massa diante do
vê que é de trabalhador,.
lizado ou nao.
média?
Agora,
da
, .
comlclo,
foi
chamada
que
A
voce
Você não e abe . se ele· é sindica-
você sabe que ele veio' de
uma favela, de uma casa pobre, é um
peque~o
um cortiço,
de
funcionário ou
I
67
,
e um. pequeno
.
.'
c o m e x c
i
a
r n . o
.
.
c, Esses
.
c o n s
t í,
, em a massa de
t . u ã
r
esforço da Campanha do Petróleo", i Eu citaria também a
in-
telectualidade, maciçamente i i assim de cor, um Portinari,um
I
Jórge Amado, um Di Cavalcanti, todos eles subscrevendo manifestos em defesa, do monopólio estatal.
A presença
do
movimento camponês que era ultra, ultra-incipiente. Entretanto, vinham lavradores lá de Poxoréu,
que
dos índios, e compareciam com uma delegação
Congresso de Petróleo.
é
no
inscrita
Então era aquela inovação.
ponês, com aquela sua roupazinha de brim,
Cabrobó
no
Um cam
coitadinho,
vi-
nha ele canhestro para a tribuna e expressava o apoio dos
seus companheiros de lavoura àquela monumental Campanha do
E a presença da mulheri nos dois primeiros anos
Petróleo.
.
.
com a liderança de Alice Tibiriçá, que era uma
polgante.
oradora em
Eu sou um pouco suspeito, porque vivemos na meª
ma casa dois anos, de 48 a 50, até a morte
eu tinha até cuidado:
reu o Brasil inteiro.
sença feminina.
realmente
O que havia de movimento
públicos sem convidar a Igreja.
tão
Mas d. Alice percor-
E ela mobilizava
integrado na Campanha do Petróleo.
No fim
programá-la
"Olha, não é bom
insistentemente, tão repetidamente."
dela.
Nunca
feminino
a
preestava
realizamos
atos
O bispo era chamado sem-
pre!
P.R. - Dom Avelar Brandão, no Piauí foi o primeiro que se
manifestou.
[INTERRUPÇÃO DE FITA]
H.M. - Aos bispos, o convite era fêito.
famosos.
E havia
O padre Cyr Assunção, da sua terra ...
P.R. - De Belo Horizonte.
padres
68
deixando
H.M. - O padre Calado i déRecife, que acabou
Eu disse a
batina e se casando, contra o meu voto.
Ele
"O senhor se, case, mas não deixe a batina."
.a
ele:
fez
as
.due s coisas.
P.R. - Mas o primeiro bispo fói dom Avelar Brandão, naquela ~poca do Piauí, não foi?
Exatamente.
H.M. - Foi .
Depois ele foi primaz ...
P.R.
. . . Da Bahia.
H.M.
É, da Bahia.
J.D.
Morreu recentemente.
"
,
,
Mas nos nao es-
H.M. - Então, a Igreja estava presente.
quec!amos, por causa disso, a presença da liderança esp!rita e do pastor protestante.
At~ a umbanda era procurada.
P.R. - E a maçonaria.
H.M.
A maçonaria, sempre.
lar em maçonaria:
Jos~
olhe,
você
~
meio suspeito para fa-
todo mineiro ~ maçon.
[risos
Luciano, realmente a preoçupaçao
Nós tínhamos a seguinte seqüência:
J
Mas
era mobilizar.
primeiro,
conscienti-
zar, partindo do mais elementar, explicando o que era petróleo.
lr.
Depois de conscientizar, mobilizar, chamar, atra-
Em seguida, organizar.
Nunca levar
blico sem que do ato público resultasse
organizativo.
deu:
"Ah!
para
um ato
algo
de
,
pu-
caráter
Foi por isso que o John Wirth se surpreen-
Então ~ por isso que derrotaram
Standard
a
Oil!"
J . D. - E
~'importante
t.ambem o fato de
difundiu para os mais variados bairros
búrbio
à Zona Sul.
que
da
a
campanha
cidade,
Como isso era organizado?
teres se das organizações locais ou de estruturas
se
de
su-
Havia
in-
partidá-
69
rias locais?
Como era preparado, por
exemplo,
um
ato
público no subúrbio?
,H.M. - Havia sempre as lideranças locais.
Eu lembro, por
exemplo, de um famoso bicheiro de Cascadura,
dos diretores da Comissão de Defesa do
cadura.
que
era
Petróleo de
um
Cas-
Coisas desse tipo.
Quer dizer, nós estávamos en-
tranhados na massa do povo.
Nós íamos aos morros, visitá-
vamos favelas, Morro do Borel, Morro do Turano depois chamado Morro da União - e assim vai.
r
Então a.amos
como pro-
pagandistas, e tínhamos eco, tínhamos ~resson~ncia.
As l i
deranças locais se interessavam, o padre era mobilizado, o
estudante era chamado, a participante do movimento feminino, ainda muito incipiente, também era chamada~
E logo se
constituía, dentro da estrutura, do estatuto do Centro do
Petróleo, uma comissão local de bairro ou de município, se
fosse o caso, de defesa de petróleo.
Essa rede é que deu
toda a subst~ncia popular da Campanha do
Petróleo.
Não
foi por acaso.
P.R. - Essas comunidades de bairro eram chamadas)
naquela
época)associaç6es de bairros?
H.M. - Associação de moradores, participantes.
guém da comissão de petróleo levava o assunto.
associaç6es aprovavam a moçao de apoio
lio estatal.
,
a
tese
Porque era muito fácil, Plínio.
Sempre alEntão
as
,
do monopoEra só apoi
ar uma coisa única, a tese do monopólio estatal do petróleo, a tese de um general!
so?
Coisa mais angélica do que is-
Não se podia dizer que era coisa de
era coisa subversiva.
comunista,
que
De modo que conquistar a unanimida-
I;
de era muito f~cil.
P.R. - Mas as associaç6es de bairro naquela época nao eram
70
tão difundidas como hoje, eram?
Estavam
H.M. - Não,·de maneira nenhuma;
nascendo,
pbr-
que elas tinham sido golpeadas com o fechamento do Partido Comunista.
Os comunistas tinham tomado nas mãos a ban.
deira do movimento popular de
Fechado o parti-
bairros.
E
do, essas associações foram atingidas.
sectarizadas.
tinham
sido
Entre nós, a verdade é essa.
I ~ ;
P.R.
Durante o governo Du t ra , qual foi o governador de
estado que mais perseguiu a campanha? .
.
H.M.
~ qqe~~oueu
dar a palma?
P.R. ~ Na época nós tinha~o~.~.
~ f~cil
Não
O
dizer, nao.
Mangabeira~i1a
Bahia,
parece que não' foi ...
.
;,
I
H.M. - Ele foi manso.
'
Eu estive com ele várias vezes nu-
ma casa que ele tinha na rua Sete de Setembro,
muito bonita até, e várias vezes ele me
.
recebeu
casa
lá
re-
,
presentando o Centro do Petróleo.
Barbosa Lima foi óti-
,
mo, deu pleno apoio.
P~R.
uma
,
Somente o Juscelino
e
-'Eu estou falando do governo Dutra.
que
Em
foi ...
Minas
eu
sei que o Milton Campos nao foi manso.
H.M. - Não, não foi.
Ele era UDN, não é?
E UDN clássi-
ca.
P.R.
i
Váiter Jobim, no Rio Grande do Sul?
H.M. - Meio termo.
A rigor, não podemos dizer que apoiou
nem que perseguiu a campanha.
Ainda é preciso um levantª
mento relativamente a isso .
P.R.
.Tal vez: aquele de
Go.i~~s,
H.M. - Não posso fixar assim.
Ó'
Coi.mbz-a
Não tenho
diier 'a voc~, em quantificar o problema
Bueno.
facilidade - em
da
perseguição
71
'ou' do 'apoio
à
óampanha .i. [pa,usaJ
,,'
P.R.- Em também tenho dificuldade em localizar.
! '
; '.i,'-'
co difícil.
H.M.
É difícil.
É um pog
[pausa]
~
P.R. - Miranda, seria interessante que voce nos desse algumas informações sobre os perigos que o monopólio estatal
correu,
já depois de implantado, no governo
Café
porque,as informações existentes sao bastante
"
:
' ,
H.M. - O governo Cafe Filho foi um governo
tumultuado.
te.
Filho,
precárias.
essencialmente
Café Filho foi um vice e muito pouco presiden
Esta é a, realidad~.
E a camarilha
no
poder
então,
era uma camarilha entreguista. ,_ Isto é ponto pacífico. Mas
:~
eles não tiveram tempo para efetivar o golpe no monopólio
estatal do petróleo.
Em seguida veio Carlos
Nereu Ramos, e tudo se dissolveu.
foi em 64.
Luz,
O outro
depois
grande
rlsco
Aí nós realmente tememos que o Castelo Branco
talvez caminhasse para reduzir o monopólio estatal.
P.R.
formas,
Mas a empresa foi afetada de outras
nao
foi?
H.M. - Eu tenho usado uma frase que talvez
pretensiosa.
seja
,
Ao lado da frase "A Petrobrás
um
pouco
intocável",
e
"É indestrutível."
que é do Lott, eu costumo acrescentar:
Se a Petrobrás resistiu ao golpe da morte
de
ao golpe de 64, sendo como éa malor empresa
vista econômico-financeiro, é porque' ela
,
do
Getúlio
e
ponto
de
realmente
e
empresa que não dá margem a nenhum governo,. a
uma
nao ser que
seja sanguinariamente ditatorial"a.destruí-Ia.
Creio que
I,
por piores que tenham sido os pr-e s Ldent.e s
Nesse rol eu ponho o Juraci Magalhães,
da
que
presidente nomeado pelo dr. Getúlio Vargas,
Petrobrás ...
foi o primeiro
um inimigo do
72
:',
monopólio estatal.
'
Para nós foi algo assim
nós perde~os o equilíbrio.
Ele contratou
Agora, tenho
porque sempre fui na minha vida:
Magalhães
Juraci
Nós quase perdemos o equilíbrio quando
saiup~esidente da Petrobrás!
estarrecedor!
que
Mr.
Link
e
ser
franco,
o segundo pior presiden-
te da Petrobrás ...
[TRECHO CENSURADO PELO ENTREVISTADO]
Mas durante o governo Café Filho houve um fato conO Artur Levy diz que foi ele quem
impediu,
e
que
nesse particular ele teve o apoio do Juarez,_ que era chefe da Casa Militar.
Não sei até que ponto,
quer forma é um depoimento.
pelo Eugênio Gudin.
H.M.
mas
Agora, a tentativa
de
qual-
foi
feita
Isso eu recordo bem.
Eu. desconheço esse episódip.
.
....
.\
J . D. - E houve o caso da emenda do Ot.orr Mader
no
Senado,'
em 55, desfazendo o monopólio.
H.M.
Foi outra tentativa.
J.D.
Houve inclusive uma reunião convocada
pelo
H. M. - A vitória foi efetiva, mas parcial,
e
tinua.
documentos:
É como terminamos sempre os nossos
bandeira tem que ser mantida.
Hoje mesmo,
panha em defesa do monopólio estatal.
a
Centro.
luta
cona
aí está a cam-
Se há uma defesa, é
porque há um risco - além dos contratos de risco, sem trocadilho.
Então, para consolidar o monopólio
esta-tal
do
petróleo, só um governo efetivamente democrático
e
mente nacionalista.
conjunto
de circunstâncias.
Ele tem de. ser fruto
de
um
real-
Em governos como o de Getúlio, foi pog
sível aprovar a Lei 2.004.
Em episódios
seguintes,
como
73
Café Filho, como Castelo Branco, foi possível manter o monopólio estatal.
tão aí.
Mas os riscos continuam.
Tanto que a palavra de ordem do
atualidade:·
"A Petrobrás é intocávei.
As ameaças esLott
Não
tem
plena
tentem tocá -
la, muito menos pensem em destruí-la."
P.R. - Miranda, nós agradecemos a você
em nome
ção Getúlio Vargas, em nome da Petrobrás,
da Funda-
em nome do nos-
so convênio, e nos reservamos uma oportunidade para solici
tar novamente a sua participação nesse nosso projeto.
Foi
um prazer contar com a sua disposição, e sabemos que vamos
contar.
H.M. - Pois nao.
Foi um prazer para mim estar com vocês.
Parabéns pelo conhecimento que vocês têm do problema:
cem a minúcias impressionantes, estão dominando
te.
-
,
'.
,
Isto nao e para a Petrobras aumentar
0"1
os
des-
plenamenvencimentos
\
de voces, não, mas é um fato real.
h
Vocês estão elaborando
.;
um trabalho que será de alta expressão para a história das
lutas do povo brasileiro.
[FINAL DO DEPOIMENTO]
u '