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ANÁLISE DOS CONHECIMENTOS SOBRE AS ALGAS: AULAS TEÓRICO-PRÁTICAS
COMO INTERVENÇÃO DIDÁTICA NO ENSINO MÉDIO
Analysis of knowledge about algae: theoretical and practical lessons as didactic intervention in
secondary school
Natália Gomes de Souza MENDES 1
Adriano Goldner COSTA 2
RESUMO
Uma aprendizagem significativa acontece quando se possibilita ao aluno desenvolver a capacidade
para uma possível utilização do conhecimento em sua vivência cotidiana. Deste modo, realizar
atividades teórico-práticas em Biologia possibilita ao aluno um contato direto e um maior
entendimento com relação aos fenômenos biológicos. O presente trabalho objetivou realizar um
diagnóstico a respeito dos conhecimentos prévios de alunos do ensino médio sobre as algas em
geral, e a partir disto, realizar aulas teórico-práticas com microalgas, a fim de verificar em quais
questões deste conteúdo os alunos obteve os melhores desempenhos, mediante a utilização desta
intervenção didática. Foi evidenciado através dos resultados do questionário aplicado aos alunos
após as aulas teórico-prática de microalgas, um número relevante de acertos nas questões,
principalmente daquelas relacionadas ao reconhecimento dos grupos e à morfologia destes
microorganismos.
Palavras-chave: Diagnóstico. Ensino de biologia. Organismos autotróficos.
ABSTRACT
Analysis of knowledge about algae: theoretical and practical lessons as didactic intervention in
secondary school. A significant learning happens when you enable the student to develop the ability
for a possible use of knowledge in your daily life. Thus, perform theoretical and practical in
Biology allows the student a direct contact and a greater understanding with regard to biological
phenomena. This work aimed to make a diagnosis about the prior knowledge of high school
students about the algae in general, and from this, carry out practical classes with microalgae, to
check on what issues these content students achieved the best performance, through the use of this
didactic intervention. Was evidenced by the results of the questionnaire given to the students after
the theory and practice of microalgae, an important hit on issues, particularly those related to
recognition of groups and the morphology of microorganisms number classes.
Keywords: Diagnostic. Biology teaching. Autotrophic organisms.
1.
2.
Mestranda em Ciências Florestais da Universidade Federal do Espírito Santo [email protected]
Professor. Mestre em Biologia Vegetal. Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo,
Campus Santa Teresa - [email protected]
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INTRODUÇÃO
Uma aprendizagem significativa não acontece somente com a retenção do conhecimento,
mas quando se possibilita desenvolver a capacidade para a possível utilização deste conhecimento
em um contexto diferente daquele em que se concretizou (TAVARES, 2008). Nesse sentido, os
Parâmetros Curriculares Nacionais – PCN’s (2002) ressaltam que o ensino de Biologia não deve
enfatizar apenas a compreensão de suas linguagens e conceitos, mas também as vivências práticas
dos conhecimentos. Krasilchik (2005) afirma que as atividades práticas desempenham funções
únicas no ensino da Biologia, pois possibilitam aos alunos um contato direto com os fenômenos,
manipulando os materiais e equipamentos, bem como observando organismos e ampliando seus
conhecimentos.
O conteúdo de algas no ensino de Biologia possibilita a realização de inúmeras atividades,
em razão destas estarem envolvidas sob inúmeros aspectos e importâncias como ecológicas,
econômicas e ambientais . No entanto, os seres vivos reunidos sob o nome de “algas” compreendem
tanto bactérias (cianobactérias ou algas azuis) como organismos eucarióticos muito diversificados
(FRANCESCHINI et. al., 2010), que faz com que este conteúdo seja visto de forma confusa e
descontextualizada do cotidiano dos alunos, principalmente referente às algas microscópicas, haja
vista que são organismos invisíveis a olho nu, dificultando a compreensão destes quanto à
percepção de algumas de suas características como tamanho, forma e cor.
Desta forma, o preparo destes organismos microscópicos para realização de atividades de
observação no microscópio requer alguns cuidados de preservação, e uma destas maneiras pode ser
feitas através da montagem de uma “coleção ficológica” (coleção de algas) em lâminas de vidro. As
microalgas utilizadas podem ser preservadas em lâminas de vidro com o auxílio de fixadores, como
por exemplo, solução de formalina 4% (BICUDO; MENEZES, 2006). Existem poucos estudos
relacionados ao uso de coleções de algas microscópicas em aulas teórico-práticas de Ciências e
Biologia, cabendo ressaltar o de Welker (2007), que utilizou alguns grupos de microalgas em aulas
práticas para o Ensino Médio, fazendo uma descrição analítica destas atividades e refletindo de que
forma estas podem influenciar na aprendizagem dos alunos.
Dada a grande importância ecológica e ambiental das algas nos ecossistemas aquáticos, a
presente pesquisa teve por objetivos: 1) Realizar um diagnóstico a respeito dos conhecimentos
prévios de alunos do ensino médio sobre as algas em geral; 2) Verificar se a utilização de aulas
teórico-práticas de microalgas permite aos alunos uma maior aprendizagem sobre morfologia,
ecologia, meio ambiente e/ou biodiversidade destes microorganismos.
METODOLOGIA
Esta pesquisa apresenta características de um estudo qualitativo e quantitativo, onde foram
realizadas descrições e interpretações a respeito do tema de algas, com ênfase principalmente nas
algas microscópicas, a partir dos conhecimentos prévios dos alunos e da realização de uma
intervenção didática com aulas teórico-práticas. O fluxograma metodológico da pesquisa consiste
de nas seguintes etapas abaixo, que são descritas na Figura 1.
A amostragem da foi realizada com a turma da 3ª série do Curso Técnico em Meio
Ambiente Integrado ao Ensino Médio do Instituto Federal do Espírito Santo - Campus Santa Teresa.
Cabe ainda ressaltar que no passado a escola era denominada escola agrícola, e mesmo tornando-se
Instituto Federal, ainda predomina a educação básica com essência campesina, integrada à cursos
técnicos voltados para agroindústria, agropecuária e meio ambiente.
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Figura 1. Fluxograma com as etapas metodológicas da pesquisa.
Primeira etapa. Foi aplicado um questionário inicial a fim de realizar o diagnóstico dos
conhecimentos prévios, de uma amostra 20 alunos. O mesmo foi constituído de perguntas abertas e
perguntas objetivas acerca do conteúdo de “algas” que eles vivenciaram no ensino regular e em
experiências próprias. Também foi solicitado aos alunos que esquematizassem algum tipo de alga
que eles já tiveram contato.
As respostas dadas às perguntas fechadas foram quantificadas, calculando-se a
porcentagem de alunos que responderam ao questionário. Nas respostas às questões abertas foram
utilizadas a categorização aberta proposta por Strauss e Corbin (2008), visando extrair significado
das respostas apresentados pelos alunos.
Segunda etapa. As microalgas utilizadas na intervenção didática foram coletadas do rio
Santa Maria do Doce (Santa Teresa, ES), situado nas proximidades da escola. Este rio faz parte do
contexto da escola, que mantém cultivos irrigados com a água do mesmo, e ocasionalmente, são
desenvolvidas atividades ligadas à educação ambiental.
Após a coleta, foram montadas 70 lâminas de vidro com amostras de água do rio
preservadas com formaldeído 4% e glicerina, e seladas com esmalte base, constituindo a coleção
ficológica. Estas lâminas são semi-permanentes, com duração em média de 12 meses. As
microalgas da coleção foram identificadas a nível de gênero, de acordo com o sistema de
classificação de Bicudo e Menezes (2006), e fotografadas com câmera acoplada ao microscópio
óptico, para utilizar as imagens no questionário após as aulas teórico-práticas..
Terceira etapa. A partir do diagnóstico dos conhecimentos prévios dos alunos foram
preparadas e ministradas duas aulas teórico-práticas com a coleção ficológica para uma amostra de
25 alunos. As aulas foram de caráter expositivo-dialogadas, com apresentação em Power Point e
com observação no microscópio óptico de alguns representantes das classes Bacillariophyceae,
Cyanophyceae, Chlorophyceae, Euglenophyceae e Zygnemaphyceae pelos alunos.
Com esta intervenção didática objetivou-se trazer melhorias no processo ensinoaprendizagem, e também um maior conhecimento sobre morfologia, ecologia, meio ambiente e
biodiversidade das microalgas, através da utilização de coleção biológica como recurso didático.
Quarta etapa. Posteriormente à intervenção didática descrita anteriormente, os alunos
responderam à um questionário final, constituído de perguntas objetivas e abertas com relação a
questões de morfologia, ecologia e resolução de situações problemas envolvendo as microalgas
estudadas. Foi adotado o mesmo critério de classificação de respostas que o questionário
diagnóstico.
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RESULTADOS E DISCUSSÃO
Análise do questionário para diagnóstico dos conhecimentos prévios
Levando-se em conta que o ensino deve se articular às experiências de vida dos indivíduos,
os PCN’s (2002) enfatizam que as situações de aprendizagem devem se desenvolver a partir das
experiências vividas anteriormente pelos sujeitos, na escola ou fora dela, pois elas os levam a
construir, mais facilmente, ideias a respeito dos fenômenos científicos.
Com relação às classes de palavras evidenciadas nas respostas dos alunos na questão que
diz respeito ao questionamento da importância ecológica das algas, 45% das respostas dadas
relacionaram estes organismos como “produtores de oxigênio” e 30% como constituintes da “base
da cadeia alimentar” nos ecossistemas aquáticos. Estas duas importâncias são as mais destacadas
nos livros didáticos de ensino médio regular quanto aos aspectos ecológicos, apesar de não serem as
únicas. Cabe ressaltar, que nenhuma resposta para esta questão mencionou impactos negativos
relacionados às algas, apenas as evidenciaram como um fator ecológico importante.
Na questão que trata da importância econômica das algas, as respostas mais recorrentes
foram com relação à sua utilização na “alimentação/culinária” (65%), seguidas da sua utilização
como matéria prima em “cosméticos” (15%). A percepção dos alunos sobre a utilização das algas na
alimentação humana pode estar relacionada à crescente influência da cultura oriental no Brasil, a
qual utiliza as macroalgas (algas verdes, vermelhas e pardas) como um dos principais ingredientes
na preparação dos pratos. As algas também podem ser utilizadas como matéria-prima na fabricação
de cosméticos, como cremes hidratantes, tinturas para coloração de cabelo, máscaras faciais, dentre
outros produtos.
Os problemas ambientais relacionados às algas mais citados pelos alunos foram a
“eutrofização” (55%), seguido da “poluição das águas” (15%), que também são devido ao aumento
da concentração de nutrientes, favorecendo o crescimento excessivo das algas e provocando
problemas ambientais como a mortandade de peixes, a alteração da qualidade das águas, o
desaparecimento de lagoas, dentre outros. Tais resultados podem ser explicados pelo contexto rural
em que os alunos estão inseridos, em que é comum observar-se o processo de eutrofização artificial
dos corpos d'água provocado, dentre outros fatores, pela intensa utilização de fertilizantes e
lançamentos de efluentes agrícolas, culminando com o evento da floração das algas nestes
ambientes. Além dessas respostas, um percentual de 15% das respostas citou a “maré vermelha”
como um problema ambiental causado pelas algas, sendo este um assunto recorrente nos diversos
meios de comunicação devido aos últimos registros no litoral brasileiro, incluindo a Baía do
Espírito Santo.
Na abordagem quanto à organização celular das algas, 45% dos alunos responderam que estes
organismos podem ser “procariontes ou eucariontes”, 30% dos alunos relacionaram-nas como
somente “procariontes” e 25% responderam que as algas podem ser somente “eucariontes”. Podese perceber que os alunos têm conhecimento de que algumas bactérias, como as cianobactérias,
embora sejam organismos procariontes, possuem um sistema fotossintetizante semelhante aos
organismos autotróficos eucariontes. Esta grande fragmentação nas respostas pode ser em razão de
que existem controvérsias a respeito do enquadramento de alguns seres como as cianobactérias,
dentro do grupo das “algas”. Alguns autores consideram que os seres vivos reunidos sob o nome de
“algas”, são um grupo artificial que compreendem tanto bactérias (cianobactérias ou algas azuis)
como organismos eucarióticos muito diversificados (FRANCESCHINI et al., 2010), e isto pode não
estar bem esclarecido nos livros didáticos e ter influenciado na aprendizagem dos alunos.
A respeito do número de células que as algas podem apresentar, houve um significativo
percentual de acertos (65%), em que os alunos relacionaram as algas a organismos que podem ser
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“unicelulares ou pluricelulares”. Um percentual de 25% das respostas relacionaram as algas como
sendo somente “pluricelulares”, e 10% sendo as algas somente “unicelulares”. Este resultado
evidenciou que o maior percentual de alunos possui conhecimentos prévios acerca da existência de
formas de algas macroscópicas, bem como também das formas microscópicas. Resultado
semelhante foi encontrado por Vieira (2006), em que os alunos entrevistados demonstraram
conhecimento de que não existem somente as macroalgas, organismos visíveis a olho nu, dentro do
grupo das "algas".
Com relação ao questionamento das experiências vividas pelos alunos em relação às algas,
onde eles puderam relacionar mais de uma experiência, 80% das respostas demonstraram que os
alunos observaram algas no “ambiente marinho”, seguido do “livro didático” (60%), “ambiente de
água doce” (50%), “internet” (50%) e “microscópio” (20%). O baixo percentual de alunos que
disseram ter observado as algas ao microscópio, evidencia que eles tiveram pouco contato com as
algas microscópicas, as quais não podem ser observadas a olho nu, justificando a importância de
atividades práticas. Os maiores percentuais de contato com algas do ambiente marinho e através do
livro didático devem-se, provavelmente, ao fato de estarem mais relacionados às vivências e ao
cotidiano do aluno, bem como através dos conhecimentos adquiridos no ensino regular. Vieira
(2006) também evidenciou em seu estudo que a maior parte dos alunos entrevistados tiveram
contato com as algas através do ambiente marinho.
Nas esquematizações feitas pelos alunos sobre alguma forma de alga que eles já
observaram, seja no ambiente educacional ou cotidiano (Figura 2), buscou-se apenas classificar os
desenhos em formas microscópicas e macroscópicas. A partir da análise realizada, foi observado
que o maior percentual das formas de algas desenhadas pelos alunos foi de organismos
“macroscópicos” (80%), seguido dos “microscópicos” (25%). Um percentual de 10% dos alunos
desenhou uma “morfologia incerta”, não podendo ser classificada nas classes morfológicas
anteriores, e 5% não souberam representar nenhum tipo de alga observada em suas experiências
dentro ou fora do ambiente escolar. O fato de o maior percentual das representações ter sido de
algas macroscópicas, pode estar relacionado ao maior contato dos alunos com o ambiente marinho
e, principalmente, ao fato das algas deste tipo de ambiente serem visíveis a olho nu. Este resultado
evidencia a pouca vivência dos alunos acerca dos representantes microscópicos das algas, que
somente podem ser visualizados através de imagens nos livros didáticos, internet e revistas ou em
microscópios.
Figura 2. Esquemas realizados por alguns alunos para representar as formas microscópicas e
macroscópicas de algas conhecidas por eles.
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Os resultados anteriormente evidenciados demonstram pouca utilização do microscópio para
o conteúdo de microalgas, embora a escola conte atualmente com 05 laboratórios equipados com
microscópios ópticos, para atender aos vários níveis de ensino que a instituição oferece como o
Ensino Médio Integrado ao Técnico (concomitante e PROEJA), Técnico Subsequente e Superior.
Uma das explicações para a pouca utilização do laboratório para o conteúdo de microalgas, pode ser
em razão do conteúdo extenso, que necessita a abordagem de muitos grupos de microalgas, e a
demanda de várias aulas para tratar deste conteúdo. O pequeno percentual de estudantes que já
observaram as algas no microscópio pode ser devido a atividades além do currículo escolar, como a
Semana de Ciência e Tecnologia do IFES, que envolve trabalhos de todos os níveis de ensino que a
escola possui. Mas, embora atividades como esta possam ser úteis como experiências no cotidiano
do aluno, elas devem ser contínuas e, quando possíveis, integradas ao ensino regular.
Análise do questionário após a aula teórico-prática
Os alunos foram questionados na questão 1 sobre a localização da parede celular de uma
alga diatomácea (classe Bacillariophyceae), conforme mostrado na Figura 3. A parede celular das
diatomáceas são constituídas de dióxido de silício (SiO2) ou sílica, que é um mineral com bastante
dureza que é encontrado em grande quantidade na natureza, como na areia e na maioria das rochas
(KULCSAR-NETO et al. 1995). As diatomáceas incorporam a sílica para formar suas paredes
celulares, e a deposição das mesmas no sedimento, por milhões de anos, formam o diatomito, uma
rocha que é muito utilizada na construção civil na fabricação de tijolos, produtos abrasivos, e dentre
outras.
Figura 3. Surirella sp. Fonte: autoria própria.
A parede celular da diatomácea mostrada na Figura 3 corresponde à alternativa “2”, e a
alternativa “1”, ao cloroplasto, que é uma organela utilizada na realização da fotossíntese. Nesta
questão houve um percentual 96% de acertos, o que pode estar relacionado ao trabalho
desenvolvido com os alunos durante a aula teórico-prática, em que os mesmos puderam observar no
microscópio representantes do grupo das diatomáceas e suas variadas formas de paredes celulares e
cloroplastos.
Outro grupo de algas tratado durante a intervenção didática, foram as cianobactérias
(cianofíceas ou algas azuis). Elas compreendem um grande grupo de bactérias autotróficas, em
razão de suas características celulares procariontes, porém com um sistema fotossintetizante
semelhante ao das algas eucariontes (HARDOIM; MIYAZAKI, 2010). A questão 2 foi referente à
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um dado que foi levantado durante a identificação das algas coletadas no rio Santa Maria do Doce
(Santa Teresa, ES), em que foram encontrados gêneros de cianobactérias potencialmente tóxicas nas
amostras da água.
Quando as cianobactérias encontram condições propícias no ambiente aquático, elas
podem apresentar um crescimento exagerado, e produzir toxinas que podem matar peixes quando as
ingerem-nas, assim como causar intoxicações nos seres humanos quando a água é consumida sem
tratamento. Dentre estas condições propícias estão o processo de eutrofização das águas. Os alunos
foram questionados a respeito de quais ações provocadas pelo homem podem contribuir para a
proliferação de cianobactérias na água, devido ao problema da eutrofização. Das respostas
esperadas para esta questão, está o lançamento de esgotos domésticos e industriais sem tratamento,
desmatamento e erosão do solo e utilização de fertilizantes químicos. As causas mais citadas pelos
alunos foram os lançamentos de “esgotos domésticos e/ou industriais” (56%), seguidos do
carreamento de “fertilizantes” para o ambiente aquático (36%) e do “assoreamento” no entorno do
ecossistema aquático, propiciado pela “erosão e/ou falta de vegetação” (32%). De acordo com as
respostas do primeiro questionário (diagnóstico), foi possível perceber que os alunos já possuíam
conhecimentos prévios acerca do processo de eutrofização, o que os possibilitou relacionar as
principais contribuições antrópicas a esta causa. Além disso, o fato do presente estudo ter sido
realizado com alunos que frequentam o curso Técnico em Meio Ambiente também pode ter
contribuído de forma significativa para que os mesmos identificassem as principais causas da
eutrofização artificial e a consequente proliferação de algas e cianobactérias em ecossistemas
aquáticos. Durante a aula teórico-prática foi possível perceber a contribuição dos conhecimentos
trabalhados no curso em questão para a compreensão dos alunos sobre a problemática relacionada
às cianobactérias.
Os gêneros de cianobactérias potencialmente tóxicas encontradas no rio foram,
Oscillatoria, Aphanocapsa, Phormidium e Pseudanabaena, no entanto, para verificar se há
concentrações de toxinas nas amostras de água, necessita-se de estudos qualitativos com esta
finalidade.
Na questão 3 foi dada a seguinte situação: Você trabalha como Técnico (a) em Meio
Ambiente em uma Estação de Tratamento de Água e observou no microscópio as microalgas em
uma determinada amostra (Figura 4). Marque a alternativa da imagem que representa uma
cianobactéria.
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Figura 4. Alternativas referentes à questão 3, na qual pede-se aos alunos que
identifiquem nas imagens a cianobactéria.
Na respectiva questão, houve um percentual de 84% de acertos por parte dos alunos
entrevistados. Tais resultados podem estar relacionados ao trabalho que foi desenvolvido durante a
aula teórico-prática, pois nela as cianobactérias, também conhecidas como algas azuis, puderam ser
diferenciadas dos outros grupos de microalgas em razão da coloração azul-esverdeada, embora esta
não seja uma característica obrigatória do grupo, mas principalmente, em razão da ausência de
cloroplastos, presentes somente nas algas eucariontes.
Na questão 4, onde foi solicitado aos alunos para relacionarem os grupos das
cianobactérias, euglenofíceas (euglenas), clorofíceas (algas verdes) e diatomáceas com algumas de
suas principais características, houve um baixo percentual de acertos (32%). Geralmente estes
grupos de algas são estudados durante o ensino regular em diferentes momentos, sendo comum a
abordagem de cianobactérias juntamente com o conteúdo de bactérias (Reino Bacteria), a
abordagem dos grupos das euglenofíceas e diatomáceas juntamente com outros protistas eucariontes
(Reino Protista) e a abordagem do grupo das clorofíceas juntamente com as plantas terrestres ou
embriófitas (Reino Plantae). Além da fragmentação dos conteúdos trabalhados no Ensino Médio, o
baixo percentual de acertos registrado neste estudo pode estar relacionado ao grande volume de
conteúdos ministrados somente em duas aulas teórico-práticas. Estes resultados, provavelmente,
poderiam ser melhorados caso fossem utilizados métodos pedagógicos complementares à
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observação das microalgas ao microscópio óptico, bem como um tempo maior para abordagem dos
conteúdos.
A análise do questionário de opiniões sobre a intervenção didática mostrou que levar o
objeto de estudo para a aula contribui para que os alunos conseguissem resolver a maioria das
questões, principalmente àquelas relacionadas à morfologia das microalgas. Estas afirmações
puderam ser evidenciadas na fala de alguns alunos quando foram perguntados no pós-questionário
se atividades como esta podem auxiliá-lo no entendimento dos conteúdos de Biologia:
“A aula teórico-prática é bem válida, pois é uma forma diferente de prender
a atenção dos alunos e assim obtendo uma melhor aprendizagem”;
“Uma aula como essa pode sim facilitar o processo de aprendizagem, pois
demonstra na “prática” os tipos de algas existentes”;
“Sim, às vezes o contato só com fotos e livros não é suficiente para fixar o
conteúdo. O contato direto, ao vivo, melhora a qualidade do ensino”;
“A aula foi muito boa, pois pude aprender melhor sobre as algas, como
diferenciá-las, classificá-las, suas importâncias e problemas”.
Embora a visualização das microalgas no microscópio possa despertar o interesse nos
alunos, possibilitando um maior contato com o objeto de estudo, ela não é superior à outros
métodos didáticos, mas sim um método complementar. Podemos constatar essa relação na resposta
de um estudante:
“Em minha opinião a aula foi bastante proveitosa, além de ser uma aula
diferente, porque desta forma os alunos poderão ver que aquilo que foi visto
na teoria não é tão diferente na prática”.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O conhecimento dos alunos diagnosticados neste estudo acerca das algas foi fragmentado. Isto
pode ser devido às algas serem um grupo de organismos bastante diversificado do ponto de vista
ecológico e morfológico, o que muitas vezes dificulta o entendimento e a aprendizagem deste
conteúdo. Embora a maioria dos alunos tenha evidenciado saber da existência das microalgas, esta
experiência não se deu com as atividades de aulas teórico-práticas utilizando o microscópio, que
podem ser bastante úteis como subsídios a uma maior aprendizagem deste conteúdo em Biologia.
A intervenção pedagógica utilizada foi válida no sentido de facilitar o processo de ensino e
aprendizagem dos conteúdos de microalgas na Biologia, como foi evidenciado através do índice de
“acertos” da maioria das questões trabalhadas, principalmente daquelas relacionadas ao
reconhecimento dos grupos e à morfologia das algas. Deste modo, as atividades de caráter teóricoprático podem contribuir com a ampliação do interesse dos alunos em relação a determinados
conteúdos/conceitos, pois, para além do que é retratado nos livros didáticos, estes terão outras
oportunidades de contato e manuseio com os objetos de estudo, permitindo a percepção do real
tamanho, da variedade de formas dos organismos estudados e dentre outras características, o que
contribui de maneira significativa para a criação de novos conhecimentos.
No entanto, apesar dos resultados positivos registrados no presente estudo, cabe ressaltar
que nenhum “método pedagógico” por si só é completo e imutável, devendo este estar sempre em
processo de avaliação, melhoria e transformação.
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AGRADECIMENTOS
À Fundação de Amparo à Pesquisa do Espírito Santo, pelo apoio financeiro para a
realização da pesquisa (Processo 57208794/12). Ao IFES Campus Santa Teresa pelo suporte
pedagógico e pela disponibilização dos laboratórios de Biologia. Aos alunos que se
disponibilizaram a participar da pesquisa.
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